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Formas elementares da vida religiosa

  1. 1. FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA <br />[RELIGIÕES DA HUMANIDADE (2a parte)]<br />Adaptação Ir. José Maria sdb<br />Símbolos de algumas religiões primitivas<br />222252540As descobertas arqueológicas sobre a pré-história, bem como os estudos antropológicos relativos aos povos pré-letrados contemporâneos, indicam a constante presença da vida religiosa e mágica nessas culturas. As figuras femininas provenientes do paleolítico europeu, provavelmente representando deusas da fertilidade, as admiráveis pinturas em cavernas, como as de Altamira, o cuidado com que os nossos antepassados pré-históricos enterravam seus mortos, constituem indícios da preocupação com a vida após a morte, com os misteriosos fenômenos da fecundidade e os infortúnios da luta pela existência.<br />Ainda hoje, na América Latina, Oceania, África e Ásia, povos pré-letrados maravilham-se com os ciclos de nascimentos e morte, expressando sua integração na natureza, através de rituais cuja principal característica é a vivência, a participação de todos os membros da tribo nas cerimônias religiosas. Essa vivência se estende á totalidade social e natural. A economia e a vida da tribo são cíclicas e repetitivas, como também o são a própria natureza e o organismo humano. A expressão dessa harmonia é constituída pelo mito primitivo, que narra os ciclos exemplares. Ao repetir o que já foi vivido, por antepassados míticos, o homem primitivo encontra a explicação e a justificação de sua vida.<br />-912117-1596083Símbolo religioso primitivo<br />Uma das formas freqüentemente encontradas na configuração do sistema religioso desses grupos consiste na concepção do “mana” , força sobrenatural, presente nos objetos, nos espíritos dos ancestrais e dos que governam os elementos da natureza. Temida respeitada e ambicionada pelo homem, cujo propósito fundamental é conquistá-la, assegura os seu possuidor o respeito e prestígio social.<br />A maneira e a finalidade pelas quais se procura dominar, neutralizar e possuir o poder do mana, variam de uma sociedade para outra. Na Melanésia, esse domínio depende do empenho individual e visa á conquista de prestígio. Na Polinésia, essa força sobre natural está relacionada com as linhas hereditárias de posição hierárquica na sociedade.<br />Complexos e elaborados sistemas explicativos introduzem entre os grupos pré-letrados, os heróis nacionais, deuses e semideuses, aos quais se atribui o conhecimento das técnicas de produção econômica.<br />Animais, plantas e acidentes geográficos são unidos ao homem por laços míticos de parentesco, propiciando a compreensão sobre a estabilidade e o sentido dos fenômenos da natureza, bem como da organização social. Como decorrência desse universo de significados, fórmulas propiciatórias e manipulações mágicas permitem a atuação prática e o desenvolvimento de condições psicológicas adequadas aos riscos e ás inseguranças da vida. Embora, nem sempre seja fácil distinguir a religião da magia, a posição desses dois sistemas de relacionamento com o mundo sagrado é essencialmente de mútua oposição. Enquanto a vida religiosa se caracteriza pela submissão e aceitação da vontade de Deus e de sua Providência, a manipulação mágica pretende obrigar as forças sobrenaturais e realizar desejos particulares. No comportamento religiosos prático, dimensões mágicas freqüentemente deturpam o sentido do ritual, influindo nas atitudes e expectativas dos fiéis.<br />Todas as culturas, inclusive as mais primitivas, tendem a reservar, paralelamente ao cotidiano, cujos aconteci mentos comuns se sucedem, outra esfera que diz respeito a aspectos fundamentais da existência humana, que envolvem atitudes de respeito, temor e piedade. Estreitamente vinculados e interdependentes. Esses dois mundos – o do sagrado e o do profano - se misturam, evidenciando a supremacia do primeiro em momentos decisivos da existência : por ocasião do nascimento, nos ritos da puberdade, no casamento, na morte. Do mesmo modo, também os fenômenos de maior significação social acham-se protegidos pela sacralidade : na esperança dos agricultores pela fecundidade da terra; no emprego, pelos caçadores, de artimanhas propiciatórias e mágicas; nos ritos protetores e festas solenes que comemoram o convívio pacífico ou preparam a guerra entre sociedades rivais. Cultuam-se, dessa forma, as forças do mundo natural , bem como os heróis lendários que representam as tradições e a história mítica da cultura. Tornam-se animados os objetos naturais significativos para a vida social, econômica, artística e sacra; são idealizados os ancestrais legendários – homens e animais - , que ensinam, ao povo as artes pelas quais mantêm a existência e explicam sua própria história.<br />Temor e reverência diante do mistério de Deus, são características comuns á experiência religiosa das diferentes culturas, que desafia o homem a encontrar uma resposta para o enigma da vida,como é representado na matéria pela arte cretense, a célebre Esfinge de Giza, no Egito, que se pode ver no Museu Louvre, París.<br /> Ás vezes este temor transforma-se em amor filial e esperança na bondade divina. Esse sentimento religioso é tão forte que tem levado o homem a criar, a representação do que seria, para ele, a figura divina, já revelada como o Deus/Carinhoso, Deus-Mãe, manifestado ao Profeta Isaías (Is 66,11-14).<br />299148544450Isso ocorre, por exemplo, com as diversas tribos indígenas brasileiras que habitam o Parque Nacional do Xingu e que têm em comum, nas suas tradições míticas, aspectos que explicam a origem e o domínio das forças naturais, bem como o papel desempenhado pelo lendário, que ensina aos homens como se ambientar ao meio. A história de grupos xinguanos, tradicionalmente vinculados á região, principia na Morená, confluência dos rios formadores do Xingu, terra misteriosa, habitada pela personagem criadora, que transmite aos índios ensinamentos fundamentais : como obter o fogo, utilizar os instrumentos de caça e pesca, discernir entre os diversos tipos de vegetais, cultivando-os e utilizando-os na alimentação. Outros personagens compõem o quadro mítico dos habitantes da Morená e grandes lagos da região: benfeitores respeitados e venerados nas festas e cerimoniais de caráter sacral, – os heróis gêmeos, o Sol, a Lua e os ancestrais, primeiro os habitantes da região – ou temidos por seus poderes maléficos – animais e monstros, objetos de grande pavor.<br />O estudo das religiões dos povos pré-letrados indicam que, se elas salientam elementos relativos aos ciclos naturais da existência e ao domínio da vida econômica, mostrando preocupações do tipo animista, voltadas para o controle da natureza, não deixam por outro lado , de responder ás grandes indagações sobre o destino humano, tendo como objetivo a felicidade dos indivíduos.<br />

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