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Os Kyriakós   Livro 1 ― Apolo
© 2010 by Anne Marie ScossCapa: Anne Marie Scoss  Não é permitida a reprodução total ou parcial desta obra, sem a         ...
Marie ScossOs Kyriakós  Livro 1 ― Apolo    1ª Edição (2010)
Para os @migos e amigos; acreditaram mais em mim do que eu                              mesma. Esse livro é para vocês!   ...
Enquanto dormimos     a dor que não se dissimulacaia gota a gota sobre nosso coraçãoaté que, em meio ao nosso desespero   ...
Os Kiryakós - Apolo                                          Capítulo UmL      aura Kyriakós olhou as explicações contidas...
Os Kiryakós - Apolode estar doente demais para pensar em trazer à baila essetema, acabara esquecendo-o completamente.     ...
Os Kiryakós - Apolosomente assim poderia sobreviver em meio a tantasmudanças e obrigações.      Laura conheceu Apolo quand...
Os Kiryakós - Apolo       Seu guarda roupa consistia em calças jeans ecamisetas de algodão coloridas. Afinal, além de ser ...
Os Kiryakós - Apoloplantações de oliveiras da família. Além disso, seria,também, uma ótima oportunidade para participar a ...
Os Kiryakós - Apolobuscando desenvolver uma relação afável e cheia decumplicidade.      Entretanto     fora   sistemática ...
Capítulo DoisO       jantar fora um sucesso!       Ártemis e Perseu se alfinetando o tempo inteiro ―como de costume por si...
― Cirilo, por favor, você poderia me servir um sucode maçã? Vou dispensar o porto. ― pediu Laura, aomesmo tempo em que tod...
Depois de uma pausa, quando tentou fazer umcerto suspense, sem muito sucesso, uma vez que o sorrisobrincava em seus lábios...
Percebendo que os irmãos não ouviram seucomando devido a algazarra, repetiu a sentença entredentes, subindo o tom.      O ...
― Calma, Laura. Nós vamos dormir essa noite aquina mansão. Se você precisar de nós, por favor nos chame,ok?       ― Obriga...
Laura ficou atordoada, para não dizer chocada, como que Apolo estava dizendo.       Estéril?       Como?       ― Que histó...
Isso para meninos é muito perigoso, segundo o doutor.Exames foram feitos embora eu nunca soubesse doresultado até aquele m...
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Escutar a forte risada dele em resposta a essecomentário, dizendo para não se preocupar, uma vez quecasara com um homem fo...
porta ― como quem precisa de apoio para manter-se empé ― pálido ao extremo, olhando fixamente para a bolsavelha e desbotad...
não chegara nem perto de convencê-lo quanto suainocência. Respirando fundo, resolveu encerrar logo adiscussão: ― Vejo que ...
Nem fique se lamuriando, insegura, a cada divergênciaque ocorre ou tendo chiliques de ciúmes. E, claro, elaentenderá valor...
Os Kyriakós: Apolo - Cap. I e II
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Os Kyriakós: Apolo - Cap. I e II

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Que destino as Moiras tramaram para você?
Apolo nunca imaginou conhecer sua futura esposa, Laura, num dia sufocante de trabalho. Muito menos imaginou o que o destino lhe traria após unir sua vida a dela. A descoberta de um antigo diagnóstico desestabiliza seu conceito de ordem, principalmente quando traz à tona o gosto amargo da traição.

Em quem confiar?
Sombras se movem. Há aqueles que não querem essa união. O egoísmo e a obsessão se unem, almejando apenas que os seus desejos se cumpram. Mesmo que isso signifique enfrentar a fúria das Deusas do destino.

Uma história sobre amor, medo, mentira e traição. Mas também sobre esperança e redenção.

Para comprar o livro acesse: http://tinyurl.com/65gokbe

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Os Kyriakós: Apolo - Cap. I e II

  1. 1. Os Kyriakós Livro 1 ― Apolo
  2. 2. © 2010 by Anne Marie ScossCapa: Anne Marie Scoss Não é permitida a reprodução total ou parcial desta obra, sem a autorização por escrito da autora.Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.
  3. 3. Marie ScossOs Kyriakós Livro 1 ― Apolo 1ª Edição (2010)
  4. 4. Para os @migos e amigos; acreditaram mais em mim do que eu mesma. Esse livro é para vocês! Agradeço também a minha família, por aturar minha compulsão em escrever, a querida Bianca, pelo trabalho de revisão e as sugestões, às “vozes”, pela inspiração, e aosgrandes sucessos musicais (nacionais ou internacionais); trilha sonora perfeita
  5. 5. Enquanto dormimos a dor que não se dissimulacaia gota a gota sobre nosso coraçãoaté que, em meio ao nosso desespero e contra nossa vontade apenas pela graça divina vem a sabedoria - Ésquilo, poeta grego
  6. 6. Os Kiryakós - Apolo Capítulo UmL aura Kyriakós olhou as explicações contidas na bula do teste de gravidez vendido nas farmácias. Leuatentamente as informações e analisou o resultado doteste. Positivo. Estava grávida! Há cerca de dois meses ficara muito doente, devidoa uma virose. Seu médico prescrevera um tratamento abase de antibióticos, alertando para o fato de que algunsdeles poderiam comprometer o efeito da pílulaanticoncepcional, já ciente de que este era seu métodocontraceptivo. Recomendara inclusive que, caso nãodesejasse ainda iniciar uma família, adotasse outrasopções contraceptivas. Apesar de sempre desejar uma família grande,nunca chegara a conversar com Apolo, seu marido, sobreo assunto. E, por fim, juntando esse oculto desejo ao fato ~ 11 ~
  7. 7. Os Kiryakós - Apolode estar doente demais para pensar em trazer à baila essetema, acabara esquecendo-o completamente. Após o período crítico da doença, no qual seuesposo esteve mais do que carinhoso e atencioso ―chegando até a cancelar várias viagens agendadas,puderam retornar lentamente o convívio amoroso. Comoainda estava na última etapa do tratamento ... voilá! Bebê a bordo! Mas lembrar do marido e nas viagens de negócioque ele realizava também trouxe um laivo de tristeza emseus olhos castanhos. As ausências dele estavam cada vezmais freqüentes. Mesmo depois de um ano casados, apósum início tão idílico, nunca imaginou sentir tamanhasolidão. Tentava justificá-lo, pensando que, aos 35 anos,Apolo Kyriakós conduzia com pulso firme os negócios doGrupo Kyriakós em vários países. Pertenciam ao grupo,desde indústrias têxteis, canais de TV e rádio até bancos,entre outros negócios que Laura nem imaginava. Equando precisou assumir todos os negócios da família,devido ao falecimento inesperado do pai, Apolo contavacom 25 anos e era recém formado em Administração. Nas raríssimas vezes em que seu marido tocou noassunto, deixou entrever que fora extremamente difícilpara ele enfrentar a perda do pai naquela idade.Entretanto, como precisou também assumir aresponsabilidade pela mãe e seus irmãos gêmeos, que naépoca estavam com 16 anos, bem como dos negócios,tivera que relegar o sofrimento a um canto obscuro, pois ~ 12 ~
  8. 8. Os Kiryakós - Apolosomente assim poderia sobreviver em meio a tantasmudanças e obrigações. Laura conheceu Apolo quando sua turma dafaculdade de Letras visitava a Editora Minerva, outraempresa pertencente ao Grupo Kyriakós. Seu curso estavanas fases finais, faltando apenas dois semestres e naquelemês a visita fazia parte da grade curricular. Qual não foi a surpresa da professora e dosacadêmicos ao serem recebidos pelo próprio magnata,que por encontrar-se na empresa decidira conduzirpessoalmente a visita. Apolo havia sido maravilhoso. Encantou a todos,mostrando o processo para editar e publicar os livros erevistas sob o encargo da Editora Minerva... e não haviatirado os olhos de cima de Laura durante a visita inteira, oque a deixou muito constrangida. Apesar de sua compleição grande e robusta, Apolomovia-se com agilidade e elegância. Com seus 1,90 dealtura, era extremamente forte. Mas tarde, quando seconheceram melhor, descobrira que ele mantinha suamusculatura invejável nadando diariamente na piscina desua mansão, no Brasil. Além disso, seus cabelos negros eolhos azuis era um complemento maravilhoso para oconjunto harmonioso de sua face belamente cinzelada. Laura era uma jovem de 24 anos, e considerava-sesimples e sem grandes atrativos. De tez clara, olhoscastanhos e longos cabelos castanho- claros, media 1,60de altura e vivia lutando contra a balança. ~ 13 ~
  9. 9. Os Kiryakós - Apolo Seu guarda roupa consistia em calças jeans ecamisetas de algodão coloridas. Afinal, além de ser umtraje básico e relativamente barato, ninguém reparava queia as aulas utilizando a mesma calça durante a semanatoda! Órfã de pai e mãe, fora criada por uma tia viúva esem filhos, irmã de sua mãe, que não ficara nada feliz emassumir os cuidados por uma garotinha de 5 anos. Nafrente de todos, era a mãe ideal, mas, na intimidade dacasa simples que moravam, tratava Laura com desprezo eindiferença. Desse modo, somente anos depois, sem o auxilio ouapoio da tia, Laura começara a faculdade devido asdificuldades que tinha para pagar as mensalidades. Emfunção disso precisara trancar o curso várias vezes parapoder trabalhar também no horário do curso e juntar ovalor para concluir mais alguns meses dele. Durante o diatrabalhava em uma pequena livraria e a noite, como babá. Voltando ao presente, Laura jogou no lixo dobanheiro os materiais descartáveis do teste de gravidez erapidamente terminou de arrumar-se. Ia oferecer umjantar para seus cunhados Ártemis e Perseu e precisavaverificar o andamento dos preparativos. Tinha um carinho muito especial pelos cunhados,que retribuíam tratando-a como a uma irmã. Por essemotivo queria que o jantar fosse especial, pois seria umasingela homenagem a Ártemis, que estava retornando deum curso de especialização que realizara por dois mesesem Londres, e a Perseu, que fora até a Grécia vistoriar as ~ 14 ~
  10. 10. Os Kiryakós - Apoloplantações de oliveiras da família. Além disso, seria,também, uma ótima oportunidade para participar a todosà novidade! ― pensou ansiosa pelo momento. Enquanto descia a escadaria, anotou mentalmenteum lembrete para mais tarde conversar em particular comÁrtemis. Sendo médica, poderia lhe orientar quaiscuidados precisaria tomar de agora em diante, para quesua gravidez fosse a mais saudável possível. Quando chegou ao térreo, tomou o corredor e foiem direção ao salão principal da mansão, onde sabia queos convidados seriam conduzidos quando chegassem.Caminhando calmamente pelo salão, verificou que estavatudo organizado, bem como a sala de jantar. Arina, agovernanta, como sempre fora a eficiência e discrição empessoa. Era muito feliz por contar com seu apoio. Trocando um dos vasos de flores de lugar,arranjando-o em uma posição melhor, Laura pensou, comcerto peso na consciência, que estava feliz com a ausênciada sogra, Atena. Ela estava na Grécia, em visita aosparentes. Atena Kyriakós nunca aprovou a escolha de Lauracomo companheira de seu filho mais velho e, em cadaoportunidade que teve, seja entre o seio da família, sejaentre amigos próximos, fez questão de deixar isso bemclaro. O resultado era sempre um ambiente pesado ehostil, quando estava presente. Isto entristecia muito Laura. Antes de conhecê-la,cultivara o sonho secreto de que ela seria a mãe que nãotivera. Fizera vários esforços para agradar Atena, ~ 15 ~
  11. 11. Os Kiryakós - Apolobuscando desenvolver uma relação afável e cheia decumplicidade. Entretanto fora sistemática edolorosamente rechaçada em cada tentativa, até queentendeu que só faria a sogra feliz no dia em Apolo sedivorciasse dela. E isso Laura não permitiria. Outro aspecto que a deixava sem chão, era o fato deApolo não apoiá-la nesses momentos de tensão econfronto. Ele alegava que não podia tomar partido, poisera apenas ciúme e insegurança por parte de ambas. Ora,não se tratava disso apenas, mas também da falta derespeito e de consideração da sogra para com ela! E essaatitude de Apolo, ou falta dela, machucava Laura. Machucava muito. Respirando fundo, tentou afastar essas lembrançasdesagradáveis de sua mente. Afinal hoje era um diaespecial e havia muito a se comemorar! ~ 16 ~
  12. 12. Capítulo DoisO jantar fora um sucesso! Ártemis e Perseu se alfinetando o tempo inteiro ―como de costume por sinal, fizeram da noite uma gostosaconfraternização. No final, após apreciarem a sobremesa de ambrosia,Apolo convidou-os para uma taça de porto na biblioteca,que foi aceito num clima de festividade. A biblioteca era um ambiente muito agradável.Geralmente, nas noites em que não tinham compromissosocial ou Apolo não estava viajando, Laura e o marido sereuniam lá para conversarem um pouco ou apenasapreciar a companhia um do outro por alguns momentos.Claro que isso acontecia com mais freqüência no inicio docasamento, pois atualmente Apolo parecia evitar acompanhia da esposa. Quando chegaram à biblioteca, Cirilo, o mordomo,já servia o saboroso e encorpado líquido em pequenastaças para todos. ~ 17 ~
  13. 13. ― Cirilo, por favor, você poderia me servir um sucode maçã? Vou dispensar o porto. ― pediu Laura, aomesmo tempo em que todos se acomodavam naspoltronas confortáveis, colocadas em frente a uma lareirade pedra, muito aconchegantes. ― Pois não kyría. ― atendeu o criado com todo orespeito. Em seguida, serviu um copo longo para Laura,contendo o saboroso sumo. ― Por que você não quer uma taça de porto, agápimou? Você sempre adorou! ― estranhou Apolo. ― Eu sei, querido, mas de agora em diante devoevitar ― falou Laura em tom misterioso ao mesmo tempoem que recebia o suco do mordomo e agradecia. Os olhos de Perseu e Ártemis brilharam quandodisseram juntos: ― O que você está escondendo? ― indagaram,caindo na risada. Apolo, que não estava entendendo nada, ficou logopreocupado e disse: ― Você está novamente doente? Por que não mefalou? ― continuou nervoso ― Eu sabia! Você levantoumuito rápido do repouso que o médico recomendou,quando pegou aquela virose forte! ― Acalme-se, Apolo. ― tranqüilizou Laura ― Não énada relacionado com a virose. E seria impossível ela terretornado, pois você e Arina fizeram um bom trabalho.Faltou apenas me amarrarem na cama, enquantoconvalescia! ― exclamou rindo muito ao se lembrar doscuidados exagerados do marido. ~ 18 ~
  14. 14. Depois de uma pausa, quando tentou fazer umcerto suspense, sem muito sucesso, uma vez que o sorrisobrincava em seus lábios. Finalmente Laura confessou,animada: ― Eu estou grávida! Apolo, nós vamos ter um bebê!― falou muito emocionada. Enquanto Perseu e Ártemis deram vivas de alegria eapressaram-se a cumprimentar o casal pelo momentojubiloso, Apolo permanecia sentado, estático, na poltrona,olhando Laura fixamente. Tentando compreender a reação que a noticiaoriginou, Laura continuou rapidamente: ― Eu sei que nunca conversamos sobre o assunto.Até imaginei que você não falaria nada enquanto eu nãome formasse, mas está etapa já concluí. Estou trabalhandona Editora e, apesar de você não gostar de me ver em umcargo mais simples, estou gostando muito. ― falouansiosa e continuou toda atrapalhada ― Bom, eu estavatomando pílula anticoncepcional, mas pelo que o médicome avisou, os antibióticos podem ter anulado o efeitodela. Apolo não dizia nada. Isto estava deixando Lauraagoniada, principalmente ao ver a expressão do marido,cuja fisionomia estava transtornada. Ele aparentava nãoescutar nem enxergar a alegria dos irmãos frente achegada do primeiro sobrinho. ― Gostaria que vocês me deixassem sozinho comLaura. ― falou Apolo em tom baixo. ~ 19 ~
  15. 15. Percebendo que os irmãos não ouviram seucomando devido a algazarra, repetiu a sentença entredentes, subindo o tom. O comando silenciou todos. Mesmo nãocompreendendo a atitude atípica de Apolo, Ártemis ePerseu se afastaram de Laura, preparando-se paradeixarem a biblioteca. Enquanto esperava os irmãos saírem da sala, Apolose dirigiu silenciosamente à grande janela que ficava nolado oposto de onde estavam acomodados. Ficou lá, decostas para Laura, com o corpo um pouco inclinado, asmãos segurando o parapeito da janela. A primeira pessoa que saíra da paralisia queacometera a todos, para atender ao pedido do irmão maisvelho, fora Ártemis. Ela se aproximou mais de Laura,abraçando-a forte. Considerava Laura muito mais do queuma cunhada. Encontrara nela uma amiga muito querida,uma irmã. E em nome de todos esses sentimentos faloujunto ao seu ouvido, tentando animá-la ao mesmo tempoem que procurava tranqüilizar o próprio coração: ― Ele deve estar assustado com a novidade. Logoele cairá em si e verá a confusão tola que está armando. ― Espero que sim, querida! Mas algo em meuíntimo me diz que esta situação está apenas começando!― estabeleceu Laura com voz enfraquecida, retribuindo oabraço forte. Assim que a irmã se afastou, Perseu, que aguardavaao lado sua vez de despedir-se de Laura, abraçou-atambém. ~ 20 ~
  16. 16. ― Calma, Laura. Nós vamos dormir essa noite aquina mansão. Se você precisar de nós, por favor nos chame,ok? ― Obrigada, meus queridos. ― respondeu Lauramuito agradecida pelo apoio de ambos. Apolo escutou o murmúrio da despedida, mas nãorespondeu aos cumprimentos dos irmãos. Estava perplexo. Estarrecido. Angustiado. Quando ouviu o ruído da porta fechando,endireitou o corpo. Virou lentamente em direção a Laurae perguntou, tentando se controlar: ― De quem é esse filho, Laura? Laura, concentrada em analisar a linguagemcorporal de Apolo, cada vez mais preocupada com suaatitude, quase não escutou a pergunta. E quando escutou,não acreditou no que ouviu. ― O quê? ― exclamou aparvalhada. ― Você ouviu muito bem o que eu perguntei. ―disse Apolo com os lábios crispados de raiva,caminhando em direção de Laura. ― Quem é o pai dessacriança? ― gritou exaltado. ― Apolo, por Deus! Que tipo de pergunta é essa? Éclaro que você é o pai dessa criança! O que estáacontecendo com você? ― questionou Laura, sementender nada. ― Então me esclareça uma coisa, cara esposa. ―ironizou Apolo ― Como um homem estéril pode ter umfilho? ~ 21 ~
  17. 17. Laura ficou atordoada, para não dizer chocada, como que Apolo estava dizendo. Estéril? Como? ― Que história é essa, Apolo? Como você pode serestéril, quando estou grávida? E por que você nunca mecontou sobre essa suposta suspeita? ― Infelizmente para você, não é uma suspeita.Alguns meses após nosso casamento, precisei de umdocumento que estava armazenado no cofre da biblioteca,atrás do Monet que você tanto ama. Ao tentar localizá-lome deparei com um papel relativamente antigo, cujotimbre pertencia a um laboratório de exames clínicos. Percebi nele meu nome e dados técnicos, mas nuncao havia visto antes. Como Ártemis estava viajando em umdos seus cursos de estudo, não pude mostrar para ela queleria tranqüilamente aquele resultado médico. Assim,marquei uma consulta com Dr. Aleixo, o médico dafamília, e apresentei o papel pedindo esclarecimentos. ―Apolo fez uma pausa, respirando fundo, depoiscontinuou com os olhos parecendo dois profundos lagosgelados ― Dr Aleixo tentou me explicar da forma maisdelicada que pode, mas penso que seja um poucocomplicado, quando se informa alguém que é estéril. ―ironizou. Fez mais uma pausa, como se estivesse ordenandoseus pensamentos. Em seguida continuou, praticamentecuspindo as palavras. ― Dr Aleixo disse que, quandopequeno, contrai caxumba. Como ela não foi devidamentecuidada, ocorreu o que chamam de caxumba recolhida. ~ 22 ~
  18. 18. Isso para meninos é muito perigoso, segundo o doutor.Exames foram feitos embora eu nunca soubesse doresultado até aquele momento. ― finalizou ― E o fato devocê estar grávida, nessa situação, minha cara, para mimé muito clara. ― voltou a falar. A raiva impregnando cadapalavra. ― Apolo, isso só pode ser um mal entendido... ―tentou falar Laura, sendo bruscamente interrompida. ― Sim. Um enorme mal entendido que vocêcometeu ao me trair e achar que eu nunca saberia,assumindo assim o seu bastardo como se fosse meu filho!― gritou enfurecido. Laura sentiu como se houvesse levado umabofetada. Nunca imaginara que um momento que deveriaser alegre e auspicioso se transformaria num pesadelo. ― Apolo ― Laura tentou chamar a razão ―precisamos conversar com calma. Só pode ser um engano.Alguém está mentindo para você! – É claro que há engano e mentira no meio dissotudo! ― Apolo interrompeu novamente Laura, agarrando-lhe os braços com força, ignorando a expressãoangustiada que lia em sua fisionomia. ― Você cometeu oengano de tentar me enganar, mentir para mim. Maschega! Você vai embora desta casa, da minha vida! Vápara quinto dos infernos, mas eu quero você fora daqui,está me ouvindo? ― sentenciou Apolo entre dentes,dando um chacoalhão em Laura para reforçar a ordem,sem nenhuma compaixão. Laura, trêmula com toda a situação, sentiu umaonda de náusea e alguns pontos pretos na vista. Respirou ~ 23 ~
  19. 19. fundo, rezando para que o mal-estar passasse. Sentia-seem meio a um pesadelo interminável. Percebendo que Apolo estava completamentetranstornado e não lhe daria ouvidos, nem voltaria atrásem sua decisão, decidiu não levar adiante a discussão.Sua náusea parecia aumentar a cada momento, além desentir-se sem forças para fazê-lo voltar a razão. ― Muito bem. Eu vou embora. Mas você estácontribuindo para aumentar esse terrível erro, Apolo. Equem está fazendo essa brincadeira cruel será descoberto,mais cedo ou mais tarde e pagará muito caro! Apolo, que voltara a ficar de costas para Lauracomo se a simples visão dela o ofendesse, não seu deu aotrabalho de responder. Laura ergueu-se lentamente da poltrona. Sem notar,colocou sobre a mesa de canto o copo com o sucoesquecido e caminhou um tanto trôpega em direção aporta. Colocara as mãos sobre o próprio ventre, numatentativa inconsciente de proteger seu bebê. Não se lembrava exatamente de como chegara até aescada, mas mesmo assim subiu por ela. Cada passadaera extremamente penosa, sentindo como se seu corpopesasse uma tonelada. Já no alto da escadaria, caminhou em direção dosquartos. Ao entrar na suíte que ocupava com o marido, umaonda de emoção a envolveu. Podia vê-los recém-casados adentrando no quartopela primeira vez, com ela no colo de Apolo ralhando erindo, pedindo para descer, pois era muito pesada. ~ 24 ~
  20. 20. Escutar a forte risada dele em resposta a essecomentário, dizendo para não se preocupar, uma vez quecasara com um homem forte. Podia enxergá-los deitados na cama, fazendo amor.Apolo acordando-a com um delicioso beijo, para depoislhe apresentar uma bandeja delicadamente preparadapara que os dois tomassem café na cama. E outras tantaslembranças desse ano que viveram juntos! Não podia acreditar. Não podia estar tudo acabado! Sentiu que a náusea aumentava, obrigando-a acorrer para o banheiro da suíte. Apenas teve tempo deerguer a tampa do bacio sanitário e cair de ajoelhar, antesde vomitar todo o jantar. Quando não tinha mais o quepor para fora puxou a descarga, levantou-se e, com aspernas sem muita firmeza, foi até a pia para lavar o rostovárias vezes com a água fria da torneira. Alcançou atoalha pendurada ao lado e enxugou o rosto e as mãos. Ao abaixar a toalha, viu o próprio reflexo noespelho colocado na parede, acima da pia. Quem eraaquela mulher pálida e de olhos vazios? Sacudindo a cabeça, tentando não pensar em maisnada que não fosse sair daquela casa, Laura soltou atoalha sobre a pia e voltou ao quarto. Lá, interfonou paraCirilo, pedindo que providenciasse um táxi. Depoisencontrou sua velha bolsa de náilon guardada no fundodo guarda-roupa. Pegou-a e deixou-a sobre a cama,enquanto separava algumas peças de roupas para levar. Apesar de não ter ouvido nenhum ruído, sentiu quenão estava mais sozinha no quarto. Virando-se, encontrouApolo com as mãos apoiadas em cada lado do marco da ~ 25 ~
  21. 21. porta ― como quem precisa de apoio para manter-se empé ― pálido ao extremo, olhando fixamente para a bolsavelha e desbotada. ― Laura ― fez uma pausa tentando encontrar aspalavras certas. Por fim, olhando-a nos olhos, continuou― se você disser a verdade, se você disser o nome dohomem com que me traiu, eu prometo que vou lutar paraperdoá-la. ― começou a falar Apolo, em um tommoderadamente controlado. ― Como posso fazer isso? Não posso lhe dar algoque não existe! ― exaltou-se Laura. ― Ora, você é umimbecil que não veria a verdade nem que ela estivesse nasua frente e contivesse uma placa em letras de néonlaranja fosforescente escrito “VERDADE”! ― gritou. ― Cuidado com o que você fala ― ameaçou Apolo. ― Não, Apolo, cuidado você com o que fala. Euestou cansada, com náuseas, magoada, ferida! Nuncapensei que isso um dia aconteceria comigo. O homemcom quem casei, que prometeu me amar na alegria e natristeza, na saúde e na doença, e todo o blábláblá queacompanha, é uma verdadeira fraude, pois no primeiroobstáculo me chuta, sem me ouvir! ― Penso que você está invertendo os papeis, minhacara. Não esqueça que você está grávida, mas eu souestéril! ― Não há a menor possibilidade de você ser estérilApolo, por dois motivos muito simples. Estou grávida enunca estive com outro homem em toda a minha vidaalém de você! ― parou de falar, tentando se acalmar.Olhando para o rosto do marido, Laura compreendeu que ~ 26 ~
  22. 22. não chegara nem perto de convencê-lo quanto suainocência. Respirando fundo, resolveu encerrar logo adiscussão: ― Vejo que apesar de tudo o que falei, você nãomudou de opinião. Muito bem. Chega! Já estou saindo. Pegando a bolsa de náilon, jogou as roupas queseparara de qualquer jeito. Com o canto dos olhos notouque Apolo se afastou da porta, posicionando-se do outrolado da cama de casal. Parecia ironia ter aquele móvel agora os separando― pensou Laura. Um local que simbolizou não apenas aunião dos seus corpos, mas também alguns dosmomentos mais ternos de seu casamento. Decidida a tentar, por hora, bloquear umpouquinho só que fosse do sofrimento que sentia, colocoua alça da bolsa no ombro e se dirigiu à porta da suíte.Quando saía do quarto, ainda escutou Apolo dizer, emtom cruel e cortante: ― Deixe seu endereço com Kostopoulos, oadvogado. Nosso contato será todo por intermédio dele,que providenciara o encaminhamento e a papelada paradar entrada com o processo de divórcio. Quero me verlivre de você o mais rápido possível, para esquecer tudoisso o quanto antes. E tencionando feri-la tanto quanto se sentia ferido,continuou: ― E depois vou procurar junto à comunidade gregauma esbelta e elegante mulher para ser minhacompanheira de verdade, como minha mãe sempre meaconselhou a fazer. Uma grega que não atribui a cadacomentário feito, o peso da perseguição e conspiração. ~ 27 ~
  23. 23. Nem fique se lamuriando, insegura, a cada divergênciaque ocorre ou tendo chiliques de ciúmes. E, claro, elaentenderá valor da honra e da fidelidade. ― desfechou,sem piedade, Apolo. Laura sentiu que seu coração parou uma batida.Uma dor profunda corroeu-lhe a alma e depois a partiuao meio. Seus olhos encheram-se de um imenso pesar aoassimilar tudo o que perdiam e nunca mais poderiamresgatar. Infelizmente, neste momento, não havia maisnada que Laura pudesse fazer. Precisava pensar em seubebê. ― raciocinou em meio às ondas de dor e amargura. Então, sem dizer uma só palavra nem olhar paratrás, continuou caminhando até a saída... a saída doquarto...da casa...de uma vida. ~ 28 ~

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