Cultura um conceito antropológico

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Aula elaborada a partir da obra Cultura, um conceito Antropológico de Roque de Barros Laraia.

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  • Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande. Evans Pritchard.
  • Cultura um conceito antropológico

    1. 1. Docente Profª Mª Andreia Regina Moura Mendes atenasregina@yahoo.com.br
    2. 2.  Dilema principal: uma única espécie com uma imensa pluralidade cultural, mesma carga genética e comportamentos diferenciados.  Cultura é o que diferencia os humanos dos demais animais. (GEERTZ)  Cultura diferencia os homens entre si. (GEERTZ)  Desde a antiguidade, pensadores como Heródoto e Tácito questionavam sobre a cultura dos outros povos.  Durante a Idade Moderna, Michel de Montaigne afirmava: “na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra”. O relativismo aparece na obra deste francês, comparando o canibalismo ritual indígena com as ações da inquisição espanhola.  Alguns julgam as diferenças de comportamento como influências do meio físico. O que nós podemos afirmar?  Para observar a diversidade cultural da espécie humana, basta comparar os costumes de nossos contemporâneos.  Tanto o determinismo biológico quanto o determinismo geográfico não são suficientes para explicar o dilema da pluralidade cultural. atenasregina@yahoo.com.br
    3. 3.  As diferenças genéticas não são determinantes das diferenças culturais. A faculdade de aprender e a plasticidade do conhecimento humano são os fatores fundamentais para sua evolução.  Pesquisas comprovam que os grupos humanos possuem as mesmas capacidades mentais, por exemplo, a divisão sexual do trabalho em diferentes povos revela um determinismo cultural, não uma função biológica.  O comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado, de um processo chamado endoculturação.  O determinismo geográfico começou a ser refutado a partir de 1920, quando antropólogos como Boas, Wissler, Kroeber refutaram esta tese e apresentaram a limitada influência do meio geográfico sobre os fatores culturais, sendo possível existir uma grande diversidade cultural num mesmo ambiente físico.  Segundo a moderna antropologia, a cultura age de forma seletiva, e não de maneira casual sobre seu meio ambiente, explorando determinadas possibilidades e limitações ao desenvolvimento. É a cultura e a história cultural de cada grupo que trabalha nesta seleção. atenasregina@yahoo.com.br
    4. 4. atenasregina@yahoo.com.br
    5. 5.  Kultur: aspectos espirituais (Alemanha- século XVIII).  Civilization: realizações materiais (França- século XVIII).  Culture:conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes, hábitos adquiridos (Edward Tylor. Inglaterra- século XIX).  Precursores do conceito de cultura:  John Locke: defensor do relativismo cultural através do conceito de tábula rasa.  “Nenhuma ordem social é baseada em verdades inatas, uma mudança no ambiente resulta numa mudança no comportamento”. Locke.  Jacques Turgot: o homem é capaz de transmitir a sua cultura.  Jean Jacques Rousseau: a educação como caminho para a transformação do homem.  Alfred Kroeber: o fator cultural exerce maior influência que o biológico. atenasregina@yahoo.com.br
    6. 6. atenasregina@yahoo.com.br
    7. 7.        Edward Tylor considerava a cultura como um fenômeno natural logo, pode ser objeto de estudo sistematizado. “Para muitas mentes educadas parece alguma coisa presunçosa e repulsiva o ponto de vista que a história da humanidade é parte integrante da história da natureza”. Tylor. Para Tylor, a diversidade é explicada por ele como resultado da desigualdade de estágios existentes no processo de evolução: selvageria, barbárie e civilização. Sua corrente de pensamento é conhecida como evolucionismo. No século XIX, o etnocentrismo predominou ao lado das ciências positivas. Tylor comete erros a não reconhecer os múltiplos caminhos da cultura. Franz Boas representou a reação ao evolucionismo. Segundo ele, a antropologia deve reconstruir a história de povos ou regiões e comparar a vida social de diferentes povos. Defensor da comparação dos resultados obtidos através dos estudos históricos das culturas simples e compreensão dos efeitos das condições psicológicas e dos meios ambientes. Boas desenvolveu o particularismo histórico, a Escola Cultural Americana. A abordagem multilinear significa que cada grupo humano evolui a partir de seu próprio caminho. atenasregina@yahoo.com.br
    8. 8.                Alfred Kroeber mostrou como a cultura atua sobre o homem. Considerou o homem como um ser capaz de transpor as limitações orgânicas. As necessidades biológicas são iguais para todos os seres humanos, porém as formas de satisfazê-las varia de uma cultura para outra. “É esta grande variedade na operação de um número tão pequeno de funções que faz com que o homem seja considerado um ser predominantemente cultural”. Kroeber. Para Kroeber, o processo de desenvolvimento da civilização é cumulativo, conservando-se o antigo, apesar da aquisição do novo. Kroeber ainda mostrou que superando o orgânico, o homem libertou-se da natureza. Há também explicações da natureza humana que podem ser perigosas, associando tipos de discriminações raciais e sociais, enquanto justificativa para as diferenças sociais.Como exemplo, o criminalista italiano Lombroso que procurou correlacionar a aparência física com tendência a comportamentos criminosos. O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é um herdeiro de um longo processo cumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquirida pelas numerosas gerações que o antecederam. Resumindo o pensamento de Kroeber: A cultura determina e justifica o comportamento do homem. O homem age de acordo com seus padrões culturais. A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. O homem transformou toda a terra em seu habitat. Adquirindo cultura, o homem é dependente do aprendizado. O processo de aprendizagem determina o comportamento, as capacidades artísticas e profissionais. A cultura é um processo acumulativo. Os gênios realizam suas descobertas graças ao aparato cultural que dispõem, sendo este conhecimento construído pelos indivíduos da sociedade. atenasregina@yahoo.com.br
    9. 9.      Richard Leakey e Roger Lewin: a origem da cultura está na vida arborícola. David Pilbeam: o bipedismo diferenciou os hominídeos. Kenneth P. Oakley: as habilidades manuais estimularam o crescimento do cérebro atuando para sua complexidade. Claude Lévi- Strauss: a cultura surgiu quando o homem convencionou a primeira regra. Leslie White: a passagem do estado de animal para humanidade ocorreu quando o cérebro foi capaz de gerar símbolos. atenasregina@yahoo.com.br
    10. 10. atenasregina@yahoo.com.br
    11. 11.        Teorias modernas: culturas são sistemas de padrões de comportamento socialmente transmitidos. O homem através da cultura se adapta ao meio para sobreviver. Tecnologia, economia e sociedade constituem o domínio mais adaptativo da cultura. Os comportamentos ideológicos dos sistemas culturais poder ter conseqüências adaptativas no controle da população, da subsistência, da manutenção do ecossistema, etc. Teorias idealistas: a cultura como sistema cognitivo (análise dos modelos construídos pelos membros da comunidade a respeito de seu próprio universo). A cultura como sistemas estruturais, definindo-se como sistema simbólico que é por sua vez, uma criação acumulativa da mente humana. Para Geertz, todos os homens são geneticamente aptos para receber um programa e este programa é o chamamos de cultura. atenasregina@yahoo.com.br
    12. 12. atenasregina@yahoo.com.br
    13. 13.       A cultura condiciona a visão de mundo do homem. A nossa herança cultural desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade. Por isto discriminamos o comportamento desviante. Todos os homens são dotados do mesmo equipamento anatômico, mas a utilização do mesmo ao invés de ser determinada geneticamente, depende de um aprendizado e este consiste na cópia de padrões que fazem parte da herança cultural do grupo. O fato de que o homem vê o mundo através de sua cultura tem como conseqüência a propensão em considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal tendência denominada de etnocentrismo é responsável em seus casos extremos pela ocorrência de numerosos conflitos sociais. “(...)É comum assim a crença no povo eleito predestinado por seres sobrenaturais para ser superior aos demais. Tais crenças contêm o germe do racismo da intolerância e freqüentemente, são utilizadas para justificar a violência praticada contra os outros”. Comportamentos etnocêntricos resultam também em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas de outros sistemas culturais são catalogadas como absurdas, deprimentes e imorais. atenasregina@yahoo.com.br
    14. 14.  Reação oposta ao etnocentrismo.  Em lugar de superestimar os valores de sua própria sociedade, numa dada situação de crise, os membros de uma cultura abandonam a crença na mesma e, conseqüentemente perdem a motivação que os mantêm unidos e vivos.  As doenças psicossomáticas são fortemente influenciadas pelos padrões culturais.  A cultura também é capaz de provocar curas.  Os indivíduos participam de forma diferente de sua cultura:  A participação do indivíduo em sua cultura é sempre limitada, nenhuma pessoa é capaz de participar de todos os elementos de sua cultura.  A cultura tem uma lógica própria: “(...) assim, ao invés de um contínuo magia-religião-ciência, temos de fato sistemas simultâneos e nãosucessivos da humanidade.  A cultura é dinâmica:  Podemos afirmar que existem dois tipos de mudanças culturais: uma que é interna, resultante da dinâmica do próprio sistema cultural, e uma segunda que é o resultado do contato de um sistema cultural com um outro. atenasregina@yahoo.com.br
    15. 15.  LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1993, 9 ed. atenasregina@yahoo.com.br

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