Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Filosofando aluno

195,073 views

Published on

Livro Pesquisa.

Published in: Education

Filosofando aluno

  1. 1. Apresentação A primeira intenção de uma obra de filosofia para o ensino médio nãoé a de formar filósofos, embora seu estudo eventualmente possa despertarvocações. O que se visa é estimular a reflexão do aluno, levando-o a desenvolverum novo olhar sobre o mundo, típico da especificidade do filosofar. Se é verdade que a filosofia trabalha com conceitos, isso não significa que elase distancia da vida. Muito pelo contrário, ela desenvolve a percepção sobre ocotidiano, levando as pessoas a questionarem o senso comum e a descobriremnovos significados para a existência, para as relações humanas que seestabelecem a partir dela e para o convívio com a natureza. Todos nós sempre nos colocamos questões de caráter filosófico: O que é oser humano? Ele é livre? O que é conhecimento? Que tipos de valores orientama ciência? O que é ser justo? O que caracteriza um bom político? Que tipode conhecimento a arte nos propicia? Deus existe? O que é ser moral? O queé democracia? Existem limites para a liberdade? Essas indagações poderão ser mais bem discutidas se nos familiarizarmos como pensamento dos filósofos, não para nos guiarmos por eles, mas para entrarmosem contato com as polêmicas que eles desencadearam, ampliando desse modonossa capacidade de reflexão crítica. A nossa expectativa é que estelivro contribua para desenvolver ascompetências típicas da reflexãofilosófica e para uma intervençãocrítica e responsável na sociedadeatual. Um bom estudo! A reflexão filosófica, indagativa,do ser humano,foi tema de uma obra famosa do escultorfrancêsAuguste Rodin (1840-1917}: Opensador,de1881. O pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944). conhecedor da arte de Rodin, prestou-lhe uma homenagem, reproduzindo em sua pintura O pensador de Rodin, de 1907, a célebre escultura que o inspirou.
  2. 2. A organização da obra Esta obra tem uma organização temática, abordagem que propicia tratar os assuntos de forma contextualizada, aproximando os conteúdos da realidade vivida por alunos e professores. A opção pela abordagem temática, no entanto, não excluiu a historicidade do estudo, por isso a história da filosofia é um referencial constante, que estabelece o fio condutor da discussão dos temas. A obra é constituída por 37 capítulos distribuídos em 7 unidades. Cada capítulo apresenta um texto básico elaborado em linguagem clara e acessível. O projeto gráfico, dinâmico e colorido, inclui imagens que não servem apenas como ilustração, mas funcionam como elementos de reflexão. Algumas delas são acompanhadas de textos-legenda que permitem uma leitura ampla e conceitual da imagem, estabelecendo relações entre o texto visual, os conteúdos filosóficos e a realidade em que vivemos. Conheça agora algumas seções do livro. Atividades Propostas ao final de cada capítulo, as atividades visam desenvolver a compreensão, a interpretação ··--·---- ·-........-..-- __ -·----... -·---- J . . . . . . c,- :::---·- --.--·- ......·-· _............__ .. ____ ..,.._ _.. _.,..._..........,._._ .......,.._ -·- ....,._.. e a capacidade de problematizar e de elaborar tex- tos expositivos e dissertativos, competências neces- ··-·-·---. .• :..":"..::-----,- ...-·------ -------- =.:..····--·-· -----.-..·- ·-·--·-~· ....... ·====:....-== ----.. ___ sárias aos estudos de filosofia e ao desenvolvimento do indivíduo como cidadão. :--=:.::::::-..:: ·====--=: a:,:-.,..::-.:=:--- .................. .___ ....... ____ ==:.::~:: , _.. a - ........ _ . _ _ _ •• - - ~:-~-:::-.-_:..._·-::-.:::_: ,• =::--~~.:..-:...-::: - - - ..___ _ -"=--- -- .......... _ ___ --·-·- ·:=::=~ a-·--·-·...... ~==-"== --· --·- ---~·-·­ ·-----·- _..,.,,Pa~furado ,.,.._..,. .. - -.............---·- -·~. . . - 1.0<", . .. , ....., . -.. ---- ........... _.., ..........--·--- - · - - -.. -.,t~;~.;~:;~~ ...., ____ ......., __i:,.~Z:?::=::: ......__ --..-..,..~....""(.-v-..... _,., ,__ ...-..-....... .. •-l_,._.._____ ...... . ........ :-:.:=..-·--........-. . , . . . , . . . _.. f• _ _ _ . . _ -:==-...::n"":":=::-... -~ -- r .. ......,.,.... ....... -~-­ - . . -..... - - - · · - - •-T----~---- .-..---~·-- ____ . .- ---- . ..,.~ ---.................. -0~----.......~-.!.:::"..::::-.:-:~::.::: ~"""- ~- .. .. -.~--·-- _...,. _... ......... ~~---·~ ._...... Leituras complementares Inserida ao final da maior parte dos capítulos, a seção traz=ª==.::::=~= _;::.=. :::~.::-= reportagens atuais, textos de fi lósofos e de outros estu-~~g::: ===-~~~---·- .. --......- .·"--·-- _._...,_...__ ..______ diosos, artigos jornalísticos, crônicas. Em síntese, diversos .... tipos de texto que estimulam o contato com reflexões ela- _,...,..,. """ - " - - ~ ~ . . _ ,IJ ......... ....,.._ ...... __ IJ - - - - -· - - ... - boradas em diversas áreas e ampliam as discussões . -~ ~
  3. 3. --..-.-· ..__ --·-- ...........-- A MriadtloWboq _.__.._ __ -·-·----- _..._______ _ ,..__..,,._... ___ .--·--.-.-·..- ____ __ ,... · ..... _ _ ....-..,..t: ........ 0.---~-..-­ --Ao---. __ -- .......__,....... ____,.........__... ~-----·~- _.,_...,_.,.... ~---· ··-...........---- _____ -·--~~~·- _...,.. =-..::-...::!=...-==:.: ....... ..... . -- -----·- ---~--~ .... --·--·-,.· _... _.. ...,..._... -----~·- _..._., ~--....,---· .... -.....---- ......... -."1<1t.~-...~ --.......... ·- ~--·--,.....­ -·-,.. f.,_ ... _ ..... }w . . . . . . . . ~---·..._..­ ~ ..-.....-.--... .. ·-·-·"·~·-·­ Quem é? Para saber mais, -----·- -- .._._,.,_,.._1_111., ---==== __,..........,.... ~--- ----.....·--- --·-----...- .._.. --- --------· ---------- -- -·- "·-·- u-~ ---·--- - -·---- ----·-·--- ,..._ _____ _ -- ___ ... . .-·- --- ...·:!::.;:.:::..::::!.:: _.,.....__,.. ........-__ __ ,_,.., __ ,...,... ---r......... . ... _,...__. .. -----~1"" Para refletir, Glossário - -.... - ====-~~:....-=- -·"-·----- --····- ·-.....- ..:.:=.=---,. -....-·-·-- -----· ---.-.-....... ------·- .. ........--...-. ....... ...-.-.-- -~-·--- ... .... ..... ____ ~---·----­ ____ _..... ,_,_ .._ ___ ____ ,.. __ ..... ,....._-...~.-- ~.·":=.:::---· ,.,._ e Etimologia Distribuídas ao longo dos capí- ·-----·- _.......,. __ __ __ u- --- ----·--- - :.._.......,_ ..... ~------·-­ ,. ,....__ ""_ .... --...·-··-·- , ----- tulos, essas seções trazem dados ___ .......,._. __ ·-..-......-·- ---·--·~-- ...._. ... ·----- -- ....... biográficos de vários autores, -~·---·- ........ informam a origem e o significado ----·-~ -----.....-·· -~·--,.-- de conceitos importantes para a -- =:.:::;;::·---- . a. ........... ____ - ---- :.."-.::"""..::: __ -·--____ _ ·-- ---..---- .- ·---- ---- _.._.. . _...: área, apresentam propostas de reflexão, além de outras informa- ções pertinentes ao estudo. - .. -~--....., --·-~ -·-·-· __ -·-----....... -...-_Quadro cronológtco ....... ...._ Sugestões bibhogniflcas - -;.:. :..:~~::..:: ·---- ~~~~~~~ --·---- A:.==-::.=-·----.. ...-..- - ----- - ~- ·---~ :;;..:.=--- . . - -~ .....· - :;,:":".:.;.::·~:.....~~.:: ·-·- =Qoc·--· =..---- ..,..._ ....... 1 ---- ___ ___ ........... "" _ . _ ... _ _ ----- ----- ___ -~~:::"..=""...: ~-- .......... ":- ..............,.._.......... •I...... ---~~ . ----·- - .""::".:. ;:; , ---·-- -- ...-- 8</:1 --·--- ...... ... _._,..,._ ........ oonf ----~ ==.::-= - ------ -- --·--- ·--·--·--- --..- - __ __- ----· ---4--#lo ---- -·---- -·---. ·--- - -·-·---- .. ~-~·-·­ §:=-~. ;~~~~~~~:~:: ~~~;~::~;;~ ------- -·- _ ____ _..-·-- -----...~ ... ---- E;;-_:::- -. --·..... ----- ., ..... _ •"""~,,~ ............ ........... ... ·---......-- .... --·-- ----.-- ..-..---- _........., ........... ...... ,_..._._, ; ,.,,.,.u··•· .,,_....,...,~, ............ ,..,. .. ,, ....._ ....... . ~ ·---·· -#-·-- h----- ---- -·--·--· ___ ~-- -- ·- _ __ ~""::.-:--"" ---- --... --·.. ·-·--.-.. .. _;o. __ _ ..... .... . ..... _... _, ,.. ~ 1E~::~:.·.::~:·::.·=- ::-:.~::~~~:::.~··~~::~ . .: --- -------- ......... -....- ---·-· --.. . ·- --·--· _ ......... ----- -----·--. __ __ . ..---. .......... _.- _,... ,,_.....,.. = :=:-..,......::.::.-: :.-.. . ··---· ·-· . ,- . ·: -: : : ·,_,.,. . , ___ "::-~·::::::;~~::s·:~~~;:i. :~~~:~~::r~~-:·;:·:.:. · ~.· =- -----· .......-- -·----- .-....""---·· ··--·--·_ - -·-·- -·.. _..00<1- .. _ .. ......... . :.:. -..........._,....... " ,..,4-·- · " _., . - =_=- =- - ___ "~ :z~::~:::~~ ~:- --·--·-- - --·-~ _..,....._ t .......... ----- -- -·-· ..--- ~~ ~___~---:;;; ·---- -·- -- -···--- ---- ... ... ... ~...;;.~.~~:~.~ ~.~7-·.:::1:; - ~-- __... ..,.._ ............ -- .... -1 ............ ~;-- · .,....__. .... , ..... -··~·--·- - __ __ --- ...-.--·- ··-·-.....- . ... _.. ~=ª::~~ -· ......... _......._ ,.._.... -- ...-......_ ..........................-...... ....._ .. ,_•• _,_..,..,, ..... ............... ,., _._ ............... _._ .... ~---""0- • _, .............- ..........,.,. _ ..._..._L ·- _.. -·- ~ ~-· ,~ ................... .... _._.~,._..., .. ~ .............. - . . .... , _ __ _ _ _ >-.- ... ~- ----- - ------- 011-·~ Seções do final do livro • Quadro cronológico das correntes filosóficas e dos eventos históricos desde o século VI a.C. até os nossos dias. • Correntes filosóficas do século XX, com os principais repre- _____ _ -·-·-·- --- -............-..-----·-- ... sentantes de cada corrente. ~-- -- -·--- .. - -- _ ---~ ... • Vocabulário dos principais conceitos e termos filosóficos uti lizados no livro. ·----· ,_,.,_-- =:=. . - ~~0- .. - Sugestões bibliográficas, em que as obras são indicadas --- --·-,......, - - - -...... --- ;:--:.-... -- -~-=.:=;- ·•Ooo por assunto. ,• • índice de nomes pa ra facilitar a rápida localização dos -·- . ---·- __ _..._ - autores citados, incluindo datas, local de nascimento e ---- - área de atuação. • Sugestões de filmes, livros e sites organizados por capítulo, co m uma breve sinopse dos filmes indicados.
  4. 4. Descobrindo a filosofia 12 Capitulo 1 A experiência filosófica 14 1. Como é o pensar do filósofo? 15 I 2. A filosofia de vida 16 I 3. Para que serve a filosofia? 16 I 4. Informação, conhecimento e sabedoria 17 I 5. É possível defin ir filosofia? 19 I 6. Um filósofo 21 I 1. Para não concluir... 22 Leitura complementar Contardo Calligaris: A turba do "pega e lincha" 23 Atividades 24 Capitulo 2 A consciência mítica 25 1. Dois relatos míticos 261 2. O que é mito? 27 I 3. Os rituais 27 I 4. Teorias sobre o mito 28 I 5. O mito nas civilizações antigas 301 6. O mito hoje 32 11. Para finalizar... 33 Leitura complementar Pierre Clastres: A tortura, a memória 341 Theodor W Adorno: Os trotes de calouro 34 Atividades 35 Capitulo 3 O nascimento da filosofia 36 1. Situando no tempo 361 2. Uma nova ordem humana 37 I 3. Os primeiros filósofos 39 I 4. Mito e filosofia: continuidade e ruptura 41 Leitura complementar Friedrich Nietzsche: Tales, o primeiro filósofo 42 Atividades 43li§- Antropologia filosófica 44 Capitulo 4 Natureza e cultura 46 1. Para começar 461 2. O comportamento animal 47 I 3. O agir humano: a cu ltu ra 491 4. Uma nova sociedade? 50 I 5. A cultura como construção humana 51 Leitura complementar Montaigne: Dos canibais 52 Atividades 53 Capitulo S Linguagem e pensamento 54 1. A linguagem do desenho 54 I 2. O que é uma linguagem? 55 I 3. A linguagem verbal 60 I 4. Funções da linguagem 60 I 5. Linguagem, pensamento e cu ltura 61 Leitura complementar Luis Fernando Verissimo: Papo-furado 64 Atividades 65
  5. 5. ~-------------------- .................... Capitulo 6 Trabalho, alienação e consumo 66 1. Trabalho como tortura? 67 I 2. A humanização pelo trabalho 67 I 3. Ocio e negócio 67 I 4. Uma nova concepção de trabalho 68 I 5. O trabalho como mercadoria: a alienação 691 6. A era do olhar: a disciplina 70 I 7. De olho no cronômetro 72 I 8. Novos tempos na fábrica 73 I 9. Da fábrica para o escritório 741 10. Consumo ou consumismo? 741 11. Critica à sociedade administrada 75 1 12. Uma "civilização do lazer"? 761 13. A sociedade pós-moderna: o hiperconsumo 77 1 14. Para onde vamos? 78 Atividades 79 Capitulo 7 Em busca da felicidade 80 1. O que significa ser feliz? 80 I 2. A "experiência de ser" 811 3. Os tipos de amor 82 I 4. Platão: Eros e a filosofia 83 I 5. O corpo sob o olhar da ciência 85 I 6. A inovação de Espinosa 861 7. As teorias contemporâneas 88 I 8. Individualismo e narcisismo 911 9. Felicidade e autonomia 92 Leitura complementar Gilles Lipovetsky: O ecletismo da felicidade 93 Atividades 94 Capitulo 8 Aprender a morrer... 95 1. A morte como enigma 95 I 2. Os filósofos e a morte 96 I 3. O tabu da morte 991 4. Aqueles que morrem mais cedo 100 I 5. É legitimo deixar ou fazer morrer? 100 I 6. A negação da morte 1021 7. As mortes simbólicas 1021 8. O sofrimento da natureza 103 I 9. Pensar na morte: refletir sobre a vida 104 Atividades 105 O conhecimento 106 Capitulo 9 O que podemos conhecer? 108 1. O ato de conhecer 109 I 2. Os modos de conhecer 109 I 3. A verdade 111 I 4. Podemos alcançar a certeza? 111 I 5. Teorias sobre a verdade 115 I 6. A verdade como horizonte 116 Leitura complementar Fernando Savater: As verdades da razão 117 Atividades 118 Capitulo 10 Ideologias 119 1. Conceito geral de ideologia 120 I 2. Ideologia: sentido restrito 120 I 3. Conceito marxista de ideologia 120 I 4. A ideologia em ação 122 I 5. O discurso não ideológico 1251 6. Outras concepções marxistas de ideologia 125 I 7. Questionamento e conscientização 127 Leitura complementar Destutt de Tracy: Dois sistemas de instrução 128 Atividades 129 Capitulo 11 Lógica aristotélica 130 1. O que é lógica 1311 2. Termo e proposição 1311 3. Princípios da lógica 132 I 4. Quadrado de oposições 132 I 5. Argumentação 133 I 6. Tipos de argumentação 1341 7. Falácias 1361 8. A lógica pós-aristotélica 138 Leitura complementar Wesley Salmon: Descoberta da justificação 139 Atividades 140
  6. 6. Capitulo 12 Lógica simbólica 141 1. Uma linguagem artificial 142 I 2. Lógica proposiciona l 142 I 3. Tabelas de verdade 143 I 4. Sinais de pontuação 144 I 5. Formas de enunciado 145 I 6. Consistência dos enunciados 146 I 1. A lógica de predicados 146 I 8. Lógicas complementares e alternativas 1471 9. A importância da lógica simbóli ca 147 Atividades 148 Capitulo 13 A busca da verdade 149 1. O que veremos no capítulo 150 I 2. A filosofia pré-socrática 150 I 3. Os sofi stas: a arte de argumentar 1511 4. Sócrates e o conceito 152 I 5. Platão: o mundo das ideias 1541 6. Aristóteles: a metafísica 1561 1. A fi losofia medieva l: razão e fé 160 1 8. Revi sa ndo 163 Leitura complementar Platão: Alegoria da caverna 164 Atividades 166 Capitulo 14 A metafísica da modernidade 167 1. As mudanças na modernidade 168 I 2. A questão do método 168 I 3. O racionalismo cartesiano: a dúvida metódica 1691 4. O empirismo britân ico 172 I 5. Para fina liza r 176 Leitura complementar Franklin Leopoldo e Silva: O mundo e a consciência 177 Atividades 178 Capitulo 15 A crítica à metafísica 179 1. De que trata o capítulo 180 I 2. A Ilustração: o Sécu lo das Luzes 180 I 3. Ka nt: o criticismo 180 I 4. Hegel: o idealismo dia lético 184 1 5. Comte: o pos itivismo 186 1 6. Marx: materialismo e dialética 190 I 1. Para uma visão de con ju nto 192 Atividades 193 Capitulo 16 A crise da razão 194 1. Antecedentes da crise 195 I 2. A crise da subjetividade 197 I 3. Fe nome nologia e inten- cionalidade 198 I 4. A Escola de Frankfurt 1991 5. Habermas: o agir com uni cativo 200 I 6. Foucault: verdade e poder 2001 7. Pragmatismo e neopragmatismo 202 1 8. A fil osofia da linguagem 2041 9. O discurso da pós-modernidade 206 1 10. Para não fin aliza r 208 Atividades 209llrnt! __ É_i_ a_ _ o_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ t c_ 21_ Capitulo 17 Entre o bem e o mal 212 1. Uma história real 213 I 2. Os valores 213 I 3. Moral e ética 2141 4. Ca ráter hi stó rico e social da moral 215 I 5. A liberdade do su jeito mora l 215 I 6. Dever e li be rd ade 216 I 7. A bússola e a balança 217 I 8. Ética aplicada 2181 9. Ap render a conviver 219 Leitura complementar Ernst Tugendhat: Por que ética? 220 Atividades 221 Capitulo 18 Ninguém nasce moral 222 1. Aprender a autonomia 222 I 2. A teoria de Piaget 223 I 3. A teoria de Kohl berg 226 1 4. Pressupostos fi losóficos 2291 5. Outras tendências 230 1 6. A construção da personalidade moral 231 Leitura complementar Lawrence Kohlberg: O dilema do bote salva-vidas 232 Atividades 233
  7. 7. Capitulo 19 Podemos ser livres? 2341. Mito, tragédia e filosofia 235 I 2. Somos livres ou determinados? 236 I 3. A liberdadeincondicional e o livre-arbítrio 236 I 4. O que é determinismo? 237 I 5. Os teóricos daliberdade 239 I 6. Consciência e liberdade 240 1 7. A fenomenologia: a liberdadesituada 241 I 8. Ética e liberdade 244Leitura complementar Maurice Merleau-Ponty: A liberdade 245Atividades 246 Capitulo 20 Teorias éticas 2471. A diversidade das teorias 248 I 2. A reflexão ética grega 248 I 3. As concepçõeséticas medievais 252 I 4. O pensamento moderno 253 I 5. A moral iluminista 253 I6. O utilitarismo ético 2551 7. As ilusões da consciência 2561 8. A filosofia daexistência 258 I 9. A ética contemporânea: o desafio da linguagem 260 I10. Para não concluir 261Leitura complementar lmmanuel Kant: O que é Esclarecimento? 262Atividades 263Filosofia política 264 Capitulo 21 Política: para quê? 2661. A filosofia política 267 I 2. Poder e força 267 I 3. Estado e legitimidade do poder 267 I4. A institucionalização do poder 2681 5. Uma reflexão sobre a democracia 268 16. O avessoda democracia: totalitarismo e autoritarismo 2701 7. O equilíbrio instável de forças 272Leitura complementar Celso Lafer: Mentira e democracia 273Atividades 274 Capitulo 22 Direitos humanos 2751. Para começar 276 I 2. Direito natural e direito positivo 277 I 3. A tradição grega 27714. Os teóricos da modernidade 278 I 5. Os códigos modernos e os direitos sociais 280 I6. Liberdade e igualdade? 2811 7. A comunidade internacional 2811 8. Direitos humanos:"direitos de bandidos"? 282 19. Para não concluir 283Atividades 284 Capitulo 23 A política normativa 2851. A política como teoria 2861 2. A democracia grega 286 I 3. Os sofistas e a retórica 287 I4 . A teoria política de Platão 287 I 5. A teoria política de Aristóteles 290 I 6. O bom governo2921 1. Idade Média: política e religião 2921 8. Agostinho, bispo de Hipona 29319. A escolástica: Tomás de Aqui no 293 110. Tempos de ruptura 2941 11. Balanço final 295Leitura complementar Péricles: Oração fúnebre aos guerreiros, 296 Platão: Democracia e tirania, 296Atividades 297 Capitulo 24 A autonomia da política 2981. A formação do Estado nacional 298 I 2. A Itália dividida: Maquiavel 2991 3. Soberaniae Estado moderno 302 1 4. Hobbes e o poder absoluto do Estado 303 I 5. A teoria políticade Locke 3041 6. O liberalismo clássico 305 1 7. O liberalismo do século XVIII 30618. A concepção política da modernidade 309Leitura complementar I. Maquiavel, 310 I 11. Hobbes, 310 I 111. Locke, 310 I IV. Rousseau, 310Atividades 311
  8. 8. ---- ~. --·--- - Capitulo 25 Liberalismo e democracia 312 1. Liberdade ou igualdade? 313 I 2. O liberalismo inglês 313 I 3. O liberalismo francês 3141 4. Hegel: a crítica ao contratualismo 3141 5. As contradições do século XIX 316 Leitura complementar Norberto Bobbio: Liberdade e igualdade 317 Atividades 318 Capitulo 26 As teorias socialistas 319 1. A origem do proletariado 320 I 2. O socialismo utópico 3211 3. O marxismo 322 I 4. O anarquismo: principais ideias 327 I S. O socialismo no século XX 328 I 6. Fim da utopia socialista? 331 Leitura complementar l<arl Marx: Prefácio à Contribuição à crítica da economia política 332 Atividades 333 Capitulo 27 O liberalismo contemporâneo 334 1. Um retrospecto 335 I 2. Liberalismo social 335 I 3. Liberalismo de esquerda 336 I 4. Neoliberalismo 337 I S. Para não finalizar 338 Atividades 339 llbl§- Filosofia das ciências 340 Capitulo 28 Ciência, tecnologia e valores 342 1. Que caminho devo tomar? 342 I 2. Senso comum e ciência 343 I 3. O método científico 345 I 4. A comunidade científica 345 I S. Ciência e valores 346 I 6. Benefícios das ciências, para quem? 347 I 1. A responsabilidade social do cientista 348 Leitura complementar Gérard Fourez: Eficácia e limites do domínio científico 349 Atividades 350 Capitulo 29 Ciência antiga e medieval 351 1. Filosofia e ciência 3511 2. Geometria e medicina 352 I 3. Platão 352 I 4. Aristóteles 354 I S. Alexandria e a escola helenística 357 I 6. A ciência na Idade Média 358 I 7. A decadência da escolástica 3611 8. Um balanço final 361 Leitura complementar Umberto Eco: Um método para chegar a uma verdade provável 362 Atividades 363 Capitulo 30 A revolucão científica do século xvn 364 I 1. Uma nova mentalidade 365 I 2. Características do pensamento moderno 365 I 3. Galileu e as duas novas ciências 3661 4. A síntese newtoniana 368 I S. Novas ciências, novo mundo 369 Leitura complementar Alexandre l<oyré: A revolução científica 370 Atividades 371 Capitulo 31 O método das ciências da natureza 372 1. O desafio do método 373 I 2. A investigação científica 373 I 3. O método experimental 374 I 4. A ciência como construção 378 I S. O desenvolvimento das ciências da natureza 379 I 6 . A crise da ciência 381 I 7. Novas orientações epistemológicas 382 I 8. A ambiguidade do progresso científico 384 Atividades 385
  9. 9. Capitulo 32 O método das ciências humanas 386 1. Explicar e compreender 387 I 2. Dificuldades metodológicas das ciências humanas 387 I 3. O nascimento das ciências humanas 3891 4. A psicologia comportamentalista 390 I 5. A psicologia da forma 392 I 6. Freud e o inconsciente 393 I 1. As três instâncias do aparelho psíquico 3941 8. Retomando a controvérsia 396 Atividades 397Unidade 7 Estética 398 Capitulo 33 Estética: introdução conceitual 400 1. Conceito e história do termo estética 4011 2. O belo e o feio: a questão do gosto 402 I 3. A atitude estética 4041 4. A recepção estética 404 I 5. A compreensão pelos sentidos 405 Leitura complementar Arthur C. Danto: A arte depois de seu fim 406 Atividades 407 Capitulo 34 Cultura e arte 408 1. Cultura hip·hop 409 I 2. Os sentidos de cultura 409 I 3. As diferenças entre arte e cultura 412 I 4. Arte e cultura 413 Leitura complementar Carlos Haag: Quem não sabe dançar improvisa 414 Atividades 415 Capitulo 35 Arte como forma de pensamento 416 1. Retrato de uma infância 417 I 2. Arte é conhecimento intuitivo do mundo 417 I 3. Funções da arte 4211 4. O conhecimento pela arte 423 Leitura complementar Tonica Chagas: Industrialização das tintas e seu reflexo nas artes 424 Atividades 426 Capitulo 36 A signüicação na arte 427 1. A especificidade da informação estética 428 I 2. A forma 4291 3. O conteúdo 4311 4. A educação em arte 433 I 5. A importância de saber ler uma imagem 434 Leitura complementar José Teixeira Coelho Netto: Interpretação 435 Atividades 436 Capitulo 37 Concepções estéticas 437 1. Isto é arte? 437 I 2. A arte grega e o conceito de naturalismo 4391 3. A estética medieval e a estil ização 4411 4. O naturalismo renascentista 442 I 5. Racionalismo e academismo: a estética normativa 442 I 6. Os empiristas ingleses 443 1 1. Kant e a crítica do juízo estético 444 1 8. O idealismo de Schiller 4451 9. A estética romântica 445 1 10. A modernidade e o formalismo 4461 11. O pós-modernismo 447 112. O pensamento estético no Brasil 448 1 13. Como ficamos? 449 Leitura complementar Gilles Lipovetsky: Novidade 450 Atividades 451 Quadro cronológico 452 Correntes filosóficas do século XX 455 Vocabulário 456 Sugestões bibliográficas 460 [ndice de nomes 463 Sugestões 468
  10. 10. .... Q c Q - Capitulo 1 A experiência filosófica, 14 Capitulo 2 A consciência mitica, 25 Capitulo 3 O nascimento da filosofia, 36 Mulher chorando. Pablo Picasso,1937·12
  11. 11. O que o texto nos diz? Diz que essesartistas romperam com as convençõesda arte acadêmica, que buscava areprodução fiel da realidade: "abriramuma fenda no guarda-sol", o que introduzo "caos" no nosso olhar cotidiano,acostumado a um certo modo de ver.O artista subverte nossa acomodadasensibilidade e nos convida a apreciaro novo. Até quando? Até o momentode abrir novamente outras fendas ereintroduzir o caos ...Agora, reescreva com suas palavraso que os filósofos Deleuze e Guattariafirmam sobre á função do artista e dofilósofo de abrirem "fendas no guarda-soldas opiniões prontas".Em que sentido eles "instauram o caos"?Que tipo de caos? 13
  12. 12. O que você vê? Um homem caindo? Nem sempre o real é o que nos parece ser... Olhe de novo: uma certa estranheza no "modo de cair" põe em dúvidanossa constatação inicial. Intrigados, nos perguntamos sobreo signüicado desse movimento: O que é isso? O que vejo de fato? Essa fotografia faz parte de uma sequência de imagens de dançarinos··malabaristas de rua de Paris. Nela o fotógrafo conseguiu flagrar o momentoexato em que um dançarino está no meio de uma pirueta. Essas fotosconstituem a série Ç)ueda, que lhe rendeu o prêmio da World Photo 2007.Darzacq imprimiu às imagens de aparente queda livre sua percepção dasmobilizações de jovens, a maioria estudantes, que em 2006 agitarama França em protesto contra as dificuldades de emprego para as novasgerações do pais. Aproveitando a sensação de espanto que essa foto nos provoca,podemos fazer uma analogia com a filosofia. É ela que propicia um olharde estranheza diante de tudo que nos parece óbvio: a experiência filosóficapressupõe constante disponibilidade para se surpreender e indagar.
  13. 13. D Como é o pensar do filósofo? Leia o relato do filósofo francês André Comte- -Sponville: [... ]A cena se desenrola no início do século XX, num lugarejo da França rural. Um jovem professor de filosofia passeia com um amigo e encontra um camponês, que seu amigo conhece, lhe apresenta e com o qual nosso filósofo troca algumas palavras. - O que o senhor faz? - indaga o camponês. Heráclito e Demócrito, afresco de Donato Bramante, - Sou professor de filosofia . c.1soo. O artista representa uma velha história sobre - Isso é profissão? os pré-socráticos Heráclito e Demócrito (séc. V a.c.), -Por que não? Acha estranho? segundo a qual o primeiro era o "filósofo que chora" e o outro o "filósofo que ri ". Em que medida um filósofo pode - Um pouco! lamentar ou ironizar o comportamento das pessoas? - Por quê? - Um filósofo é uma pessoa que não liga para O texto de Sponville termina com uma constatação: nada ... a de que só não filosofam aqueles para quem "já não Não sabia que se aprendia isso na escola. é possível pensar de modo algum". Nesse ponto, cabe a pergunta: afinal, só pensa e reflete quem filosofa? É Na continuidade do texto, Sponville assim comenta claro que não, já que você pensa quando resolve uma o diálogo: equação matemática, reflete criticamente ao estudar história geral, pensa antes de decidir sobre o que fazer o u O que é um filósofo? Éalguém que pratica a filosofia, no fim de semana, pensa quando escreve um poema. ., Ç> em outras palavras, que se serve da razão para Então, que tipo de "pensar" é esse, do filósofo? Não tentar pensar o mundo e sua própria vida, a fim de é melhor nem superior a todos os outros, mas sim dife- se aproximar da sabedoria ou da felicidade. Eisso se rente, porque se propõe a "pensar nossos pensamen- aprende na escola? Tem de ser aprendido, já que tos e ações". Dessa atitude resulta o que chamamos ninguém nasce filósofo e já que a filosofia é, antes de experiência filosófica. Ao criar ou explicitar conceitos, mais nada, um trabalho. Tanto melhor, se ele começar os filósofos delimitam os problemas que os intrigam e na escola . O importante é começar, e não parar mais. buscam o sentido desses pensamentos e ações, para não Nunca é cedo demais nem tarde demais para filosofar, aceitarem certezas e soluções fáceis demais. dizia Epicuro [... ]. Digamos que só é tarde demais Se olharmos com atenção esta tira do cartunista quando já não é possível pensar de modo algum. argentino Quino, constatamos que Mafalda faz uma Pode acontecer. Mais um motivo para filosofar sem interrogação filosófica sobre o sentido da existência, mas mais tardar. 1 seu amigo Felipe quer se livrar o mais rapidamente dessa questão, ou seja, recusa-se a essa forma de pensar. NUNCA . MAS ESTOU ME QUANTO MAIS PERGUNTANDO AGORA: DEPRESSA AGENTE • PARA QUE A GENTE SE LIVRAR DESSE ESTÁ NESTE TIPO DE PROBLEMA, MUNDo"" MELHOR! Tirinha da Mafalda, personagem criada pelo argentino Qui no. Mafalda 3,1968. Em: LAVADO, Joaquim Salvador (Qu mo). Toda Mafa /da: da primeira à última tira. São Paulo: Martins Fontes, 1991. p. 79- 1 COMTE-SPONVILLE, André. Dicionário filosófico. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 251-252. A experiência filosófica Capítulo 1I
  14. 14. MILHÕES E. MILHÕES DE PESSOAS VIYEM NO MUNDO. PARA QUÊ~Tirinha da Mafalda, personagem criada pelo argentino Qui no. Majalda 3,1968. Em: LAVADO, JoaquimSalvador (Qumo). Toda Majalda: da primeira à última tira . São Paulo: Martins Fontes, 1991. p. 79. Os que acompanham o trabalho de Quino sabem Quantas vezes você já se perguntou sobre o que éque Manolito tem uma mentalidade ~mática. Por o amor, a amizade, a fidelidade, a solidão, a morte?isso, nesta outra tira, promete dar uma resposta no dia Certamente, não só pensou sobre esses assuntos,seguinte, sem perceber que essa pergunta fundamen- como eventualmente discutiu a respeito com seustal não depende de procurar uma informação qual- amigos, observando que às vezes os pontos de vistaquer. Trata-se de um problema filosófico permanen- não coincidem. Essas divergências também ocorremtemente aberto à discussão e para o qual não existe entre os filósofos.resposta unânime. Com isso, não identificamos a filosofia de vida com a reflexão do filósofo propriamente dita, mas nota- mos que as indagações filosóficas permeiam a vidafJ A filosofia de vida de todos nós. Os filósofos especialistas conhecem a Talvez você tenha percebido que existe outra idei a história da filosofia e levantam problemas que ten-permeando a explicação dada por Sponville no início tam equacionar não pelo simples bom-senso, mas pordo capítulo: a de que é possível a qualquer pessoa pro- meio de conceitos e argumentos rigorosos. Q.por questões filosóficas. De fato, na medida em que Por conta dessa afinidade que todos temos com o o "somos seres racionais e sensíveis, sempre damos sen- filosofar, parece claro que seria proveitoso sabermos 8 otido às coisas. A esse "filosofar" espontâneo de todos um pouco sobre como os filósofos se posicionaram a " ~ "nós, chamamos de filosofia de vida. A propósito desse respeito de determinados tema.s. Desse modo, vocêassunto, o filósofo italiano Antonio Gramsci diz: poderá enriquecer sua reflexão pessoal por meio de uma argumentação mais rigorosa, o que não significa sempre concordar com eles. Muito pelo contrário, a dis- não se pode pensar em nenhum homem que não seja cussão filosófica está sempre aberta à controvérsia. também filósofo, que não pense, precisamente porque o pensar é próprio do homem como tal. 2 D Para que serve a filosofia? Então as questões filosóficas fazem parte do Retomando o texto de abertura do capítulo: será que anosso cotidiano? Fazem sim. Quando alguém decide opinião do camponês destoa do que muita gente pensa avotar em um candidato por ser de determinado par- respeito do filósofo, quando diz ser ele "urna pessoa quetido político; quando troca o emprego por outro não não liga para nadá? Essa ideia não estaria ligada a outra:tão bem remunerado, mas que é mais de seu agrado; a de achar que a filosofia não serve para nada?quando alterna a jornada de trabalho com a prática Afinal, qual é a "utilidade" da filosofia?de esporte ou com a decisão de ficar em casa assis- Vivemos num mundo que valoriza as aplicaçõestindo à tevê; quando investe na educação dos filhos, imediatas do conhecimento. O senso comum aplaudee assim por diante. É preciso reconhecer que exis- a pesquisa científica que visa à cura do câncer ou datem critérios bem diferentes fundamentando tais aids; a matemática no ensino médio seria importantedecisões, pois há valores que entram em jogo nes-sas escolhas, e a indagação sobre os valores é uma Pragmático. No contexto, aquilo que diz respeitotarefa filosófica. à aplicação prática, à utilidade.2 GRAMSCI, Antonio. Obras escolhidas. São Paulo: Martins Fontes, 1978. p. 45. Unidade 1 Descobrindo a filosofia
  15. 15. por "cair" no vestibular; a formação técnica do advo- gado, do engenheiro, do fisioterapeuta prepara para o S lnforma~ão, conhecimento exercício dessas profissões. Diante disso, não é raro que e sabedoria alguém indague: "Para que estudar filosofia se não vou Para melhor entender o campo da experiência filo- precisar dela na minha vida profissional?" sófica, o filósofo espanhol Fernando Savater faz uma De acordo com essa linha de pensamento, a filo- distinção entre informação, conhecimento e sabedoria. sofia seria realmente "inútil", já que não serve para Aproveitamos os três tópicos para comentá-los livre- nenhuma alteração imediata de ordem prática. No mente a seguir. entanto, a filosofia é necessária. Por meio daquele "olhar diferente", ela busca outra dimensão da reali- • lnforma~ão dade além das necessidades imediatas nas quais o Ao lermos um jornal, uma determinada notícia indivíduo encontra-se mergulhado: ao tornar-se capaz pode nos chamar a atenção, como a que simulamos de superar a situação dada e repensar o pensamento e a seguir, a partir de dados recolhidos na mídia. as ações que ele desencadeia, o indivíduo abre-se para a mudança. Tal como o artista, a que nos referimos na abertura do capítulo, ao filósofo incomoda o imobi- A gravidez na adolescência quase sempre é uma lismo das coisas feitas e muitas vezes ultrapassadas. gravidez não planejada e, por isso, indesejada . Por isso mesmo, a filosofia pode ser "perigosa", por Desde 1970, a incidência de casos tem aumentado exemplo, quando desestabiliza o status qy.a ao se con- significativamente, ao mesmo tempo que tem frontar com o poder. É o que afirma o historiador da diminuído a média de idade das adolescentes filosofia François Châtelet: grávidas. Na maioria das vezes, a gravidez na adolescência ocorre entre a primeira e a quinta relação sexual , e a jovem grávida procura o serviço Desde que há E stado- da cidade grega às burocracias de saúde para fazer o pré-natal apenas entre o contemporâneas - , a ideia de verdade sempre se terceiro e o quarto mês de gravidez. voltou, finalmente, para o lado dos poderes [... ]. Por._,c conseguinte, a contribuição específica da filosofia que~ se coloca a serviço da liberdade, de todas as liberdades, • Conhecimento&8 é a de minar, pelas análises que ela opera e pelas Para explicar essa notícia, podemos lançar mão deo"O ações que desencadeia, as instituições repressivas e uma série de conhecimentos. Por exemplo: simplificadoras: quer se trate da ciência , do ensino,~o • a ciência da história descreve as transformações"<i da tradução, da pesquisa, da medicina , da família, da do comportamento sexual desde a década de~."-0g polícia, do fato carcerário, dos sistemas burocráticos, o que importa é fazer aparecer a máscara, deslocá -la, 1960 e analisa suas causas, mostrando o afrou- xamento das regras que proibiam a atividadei arrancá-la ... 3a: sexual antes do casamento, principalmente para as mulheres; • a sociologia investiga a repercussão desses compor- U PARA REFLETIR tamentos nos novos modelos de família (aumento do número de divórcios; liberação da mulher; Sempre há os que ignoram os fi lósofos. Mas não é o caso dos ditadores: estes os fazem calar, pela ampliação do espaço da mulher no mercado de censura, porque bem sabem quanto eles ameaçam trabalho; as famílias monoparentais, em que as seu poder. crianças vivem apenas com um genitor, na maior parte das vezes, a mãe; as uniões de pessoas do mesmo sexo); É bem verdade, alguns dirão, sempre houve e ainda • a biologia descreve como se dá a concepção - e haverá pensadores que bajulam os poderosos e que descobre processos de contracepção-, conheci- emprestam suas vozes e argumentos para defender mentos que podem explicar os riscos da gravidez tiranos. Nesse caso, porém, estamos diante das fra- precoce para a saúde das mais jovens; quezas do ser humano, seja por estar sujeito a enga- nos, seja por sucumbir ao temor ou ao desejo de pres- Status quo. Expressão latina que significa estado atual tígio e glória. das coisas, situação vigente. 3 CHÂTELET, François. História da jilnsojia: ideias, doutrinas. v. VIII. Rio de Janeiro: Zahar, s. d. p. 309. A experiência filosófica Capítulo 1
  16. 16. • a antropologia (científica) compara esse tipo de • Sabedoria comportamento e suas consequências em diver- O conceito de sabedoria recebeu vários significados sas culturas; ao longo da história humana. Vamos escolher aquele que • a psicologia investiga os conflitos de uma gravi- diz respeito às decisões refletidas que visam buscar um dez indesejada, o difícil confronto com a família, caminho para o bem-viver. Nesse sentido, por sabedoria a reação emocional do jovem futuro pai, a brusca entendemos um conceito amplo, que tanto inclui a ati- ruptura dos projetos de vida diant e de novos e tude do filósofo como também de qualquer pessoa. inesperados encargos etc. Diante do tema que propusemos discutir - a gravi- Inúmeras outras ciências ocup am-se desse dez precoce - , as questões que se colocam são inúme-assunto, sem nos esquecermos de que mesmo as pes- ras: o que significa para esses jovens se descobrirem futu-soas não especializadas analisam esse fato pelo senso ros pais? Qual é o sentido desse acontecimento para suascomum, baseando-se nos seus conhecimentos, valores vidas? Que atitude tomar diante do fato consumado:e crenças. levar a gravidez até o final ou abortar? Dúvida dramá- tica, que exige reflexão ética e envolve questões como liberdade dos jovens versus direito à vida da criança A propósito do tema da liberdade e da escolha autônoma, transcrevemos trechos de dois filósofos franceses, que podem servir como ponto de partida para uma reflexão sobre a gravidez precoce e não plan ejada. A filósofa francesa Simone de Beauvoir diz: Nenhuma questão moral se coloca para a criança, enquanto ela é incapaz de se reconhecer no passado, de se prever no futuro; é somente quando os momentos de sua vida começam a organizar-se em conduta que ela pode decidir e escolher. Concretamente, é através da paciência, da coragem, da fidelidade que se confirma o valor do fim escolhido e que, reciprocamente, manifesta-se a autenticidade da escolha. Se deixo para trás um ato que pratiquei, ao cai r no passado ele se torna coisa ; não é mais do que um fato estúpido e opaco. Para impedir essa metamorfose, é preciso que, sem cessar, eu o retome e o justifique na unidade do projeto em que estou engajado. [...]Assim, não poderia eu hoje desejar autenticamente um fim sem querê-lo através de Protect m efrom what I want.lntervenção minha existência inteira, como futuro deste momento de Jenny Ho lzer. Londres, 198 8. presente, como passado superado dos dias a vir: querer é ]enny Holzer é urna artista conceitual que ao comprometer-me a perseverar na minha vontade 4 final da década de 1970 e durante a década de 1980 fazia intervenções nos espaços públicos de diversas cidades. Suas frases instigantes Leia agora este trecho de outro filósofo francês, Georges Gusdorf: propiciavam a reflexão filosófica: o que significa Protect me from what I want ("Proteja-me do que eu desejo")? Quero que alguém me proteja? A liberdade é uma das ma iores reivindicações da Ou sou eu mesmo que devo fazê-lo? E por que ado lescência, mas a liberdade que ela reivi nd ica é (ou quando) haveria eu de me proteger do meu uma sombra da liberdade autêntica, tanto quanto a desejo? Qual é a relação entre desejo e razão? espontaneidade criadora que se imagina descobrir na criança não passa de uma sombra e o simu lacro de4 BEAUVOIR, Simone de. Moral da ambiguidade. Rio de Jan eiro: Paz e Terra, 1970. p. 20. Unidade 1 Descobrindo a filosofia
  17. 17. um verdadeiro poder criador. A liberdade adolescente Além disso, a filosofia não está à margem do é uma adolescência da liberdade, uma liberdade mundo, nem constitui uma doutrina, um saber aca- de aspiração, uma aspiração à liberdade, sem bado ou um conjunto de conhecimentos estabeleci- conteúdo preciso, na onda das paixões e a confusão dos de uma vez por todas. Ao contrário, a filosofia dos sentimentos e das ideias. [... ]A juventude não é pressupõe constante disponibilidade para a inda- a idade da liberdade, mas o tempo de aprendizado gação. Por isso, Platão e Aristóteles disseram que a da liberdade, a li berdade não sendo definível pela primeira virtude do filósofo é admirar-se, ser capaz ausência e restrição, ou a revolta contra as restrições. de se surpreender com o óbvio e questionar as ver- o homem livre é aquele que, tendo feito a prova dos dades dadas. Essa é a condição para problematizar, diversos aspectos, dos componentes da personalidade, o que caracteriza a filosofia não como posse da ver- chegou a pôr em ordem a consciência que tem d~ si mesmo, no projeto de sua afirmação no mundo. E dade e sim como sua busca. absurdo imaginar que a criança, o rapaz, possa um belo dia entrar no gozo de sua liberdade, vinda a • O processo do filosofar ele como uma dádiva do céu. A liberdade de um ser humano se faz difici lmente, ela se conquista dia a Kant, filósofo alemão, assim se refere ao filosofar: dia, ela é o desafio de uma conquista, ausente nos começos da vida, desenha-se no decorrer dos anos de Não é possível aprender qualquer filosofia; formação que correspondem a um percurso através [... ]só é possível aprender a filosofar, ou seja, do labirinto mítico das significações e possibilidades exercitar o talento da razão, fazendo-a seguir os da existência. Procura do sentido, procura do centro, seus princípios universais em certas tentativas tomada de consciência da autenticidade pessoal , não filosóficas já existentes, mas sempre reservando sem angústia nem sofrimento 5 à razão o direito de investigar aqueles princípios até mesmo em suas fontes, confirmando-os ou rejeitando-os. 6U PARA REFLETIR A partir dos dois trechos transcritos, de Beauvoir e Gusdorf, leva nte as características pelas quais Em que essa citação de Kant pode orientar seu eles expõem o que entendem por escolha livre. Em contato com a filosofia? Ela serve para advertir que, seguida, estabeleça uma relação com a notícia de jor- mesmo estudando o pensamento dos grandes filóso- na l sobre a gravidez de adolescentes. fos-eéimportantequeseconheçaoquepensaram - , você mesmo deve aprender a filosofar, exercer o direito de refletir por si próprio, de confirmar ou É possível definir filosofia? rejeitar as ideias e os conceitos com os quais se depara. Em outras palavras, a filosofia é sobretudo Talvez você esteja se perguntando: Como então a experiência de um pensar permanente.definir o que é filosofia? O filósofo alemão Edmund Mais que um saber, a filosofia é uma atitudeHusserl diz que ele sabe o que é filosofia, ao mesmo diante da vida, tanto no dia a dia como nas illllã;;tempo que não sabe. Isto é, a explicitação do que é ções-limite, que exigem decisões cruciais. Pora filosofia já é uma questão filosófica. E adverte que isso, no seu encontro com a tradição filosófica,apenas os pensadores pouco exigentes se contentam é preferível não recebê-la passivamente como umcom definições cabais. produto, como algo acabado, mas compreendê-la como processo, reflexão crítica e autônoma a res-lY ETIMOLOGIA peito da realidade. Fi losofia. A palavra fi losofia (philos-sophia) significa "amor à sabedoria" ou "am izade pelo saber". Pitágoras Simulacro. Representação, imitação. (séc. VI a.C.}, fil ósofo e matemático grego, teria sido o Situação-limite. Expressão que se refere a situações primeiro a usa r o termo filósofo, por não se considerar extremas de adversidade, como a ameaça de morte, uma um "sábio" (sophos), mas apenas alguém que ama e doença, a perda de um ente querido, experiências que procura a sa bedori a. modificam nosso olhar sobre nosso cotidiano. GUSDORF, Georges. Impasses e progressos da liberdade. São Paulo: Convívio, 1979. p. 107-108.& KANT, lrnmanuel. Crítica da razão pura. São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 4ü7. A experiência filosófica Capítulo 1

×