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Apostila da ed_de_didatica

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Apostila da ed_de_didatica

  1. 1. VICE-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO E CORPO DISCENTECOORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIADIDÁTICARio de Janeiro / 2007TODOS OS DIREITOS RESERVADOS ÀUNIVERSIDADE CASTELO BRANCO
  2. 2. 2SUMÁRIOUNIDADE IPRINCÍPIOS DA DIDÁTICA1.1 Princípios para compreensão da didática.......................................................................041.2 Didática para o professor competente..........................................................................051.3 Aspectos que compõem a didática................................................................................051.4 O que é aprendizagem?..................................................................................................051.5 Tipos de aprendizagem...................................................................................................06UNIDADE IITEORIAS PEDAGÓGICAS2.1 Teorias pedagógicas e suas contribuições....................................................................072.2 Convergências entre Piaget e Vygostsky....................................................................072.3 O pensamento e a prática de Freinet...........................................................................122.4 O pensamento e a prática de Paulo Freire....................................................................142.5 Aprendizagem cognitiva, segundo Wallor...................................................................162.6 Considerações gerais....................................................................................................19UNIDADE IIIAS BASES FILOSÓFICAS/IDEOLÓGICAS3.1 Abordagem tradicional.................................................................................................213.2 Abordagem da escola nova...........................................................................................233.3 Abordagem da escola tecnicista...................................................................................253.4 Abordagem cognitivista................................................................................................283.5 Abordagem sociointerativista.......................................................................................30UNIDADE IVPRÁTICA DO DOCENTE E SUAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS4.1 Tendências pedagógicas.............................................................................................33UNIDADE VPLANEJAMENTO5.1 Considerações gerais......................................................................................................395.2 Conceitos básicos para a realização do planejamento....................................................415.3 Objetivos educacionais...................................................................................................495.4 Seleção e organização dos conteúdos............................................................................505.5 Seleção e organização de procedimentos de ensino.......................................................525.6 Seleção de recursos........................................................................................................52
  3. 3. 3UNIDADE VIAVALIAÇÃO ESCOLAR6.1 Tipos de avaliação......................................................................................................566.2 Avaliação do processo ensino-aprendizagem.............................................................566.3 Diagnóstico das necessidades educacionais...............................................................576.4 Questões objetivas: normas técnicas.........................................................................576.5 Principais instrumentos de avaliação da aprendizagem.............................................57UNIDADE VIIPROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO7.1 Conceitos e objetivos................................................................................................62Referências Bibliográficas..............................................................................................66
  4. 4. 4UNIDADE I1.1. PRINCÍPIOS PARA COMPREENSÃO DA DIDÁTICAVerificamos que a Didática alterou profundamente, no decorrer dos anos, o conceito do processoeducativo. Já não se parte do pressuposto de que a intenção de ensinar resulte em uma aprendizagemreal, enfoca-se hoje, o final do processo que é o ato de aprender.Assim sendo, se faz necessário considerar a Didática como binômio humano(aluno-professor) e obinômio cultural (matéria e método), ambos voltados para que os objetivos sejam alcançados.Assim sendo, faz necessário um estudo comparativo entre a Didática tradicional e a DidáticaModerna, levando em consideração suas respectivas posições, em relação aos cinco componentes,como sinaliza Guapyassu ((2000, p.25).DIDÁTICATRADICIONALDIDÁTICA MODERNA COMPONENTESA quem ensina? Quem aprende? O alunoQuem ensina? Com quem se aprende? O professorPara que se ensina? Para que se aprende? Os objetivosO que se ensina? O que se aprende? Os conteúdosComo se ensina? Como se aprende? Os métodosEsquematizando a conjuntura didática temos:Para Luiz Alves em seu livro “Sumário para a Didática” apresenta algumas definições para Didática:1) “Didática é a disciplina pedagógica de caráter prático e normativo que tem como objetivosespecíficos a técnica do ensino, isto é, a técnica de incentivar e orientar eficazmente os alunos nasua aprendizagem”.2) “Definida, em relação ao seu conteúdo,, é o conjunto sistemático de princípios e normas, recursose procedimentos específicos para orientar os alunos na aprendizagem das matérias programadas,tendo em vista, seus objetivos educativos”.• É a reflexão sistemática sobre o processo de ensino-aprendizagem que acontece no sistemaescolar, mas diretamente em sala de aula, buscando alternativas para os problemas da práticapedagógica.• A Didática, como reflexão sistemática é o estudo das teorias de ensino e aprendizagem aplicadasao processo educativo, como aos resultados obtidos.• Estão presentes na disciplina Didática, várias áreas do conhecimento que pesquisam odesenvolvimento humano, como: Filosofia, Sociologia, Psicologia, Antropologia, História Políticae Teorias de Comunicação.• Como a aprendizagem é um processo intencional, isto é, orientado por objetivos a seremalcançados por seus participantes; interessa, então, que esse processo consiga levar ao alunoaprender, pela organização de condições apropriadas.AlunosMestresOBJETIVOS MatériaMétodos
  5. 5. 5• A sua principal função é como fazer o educando aprender.1.2 DIDÁTICA PARA O PROFESSOR COMPETENTEComo fazer para que os alunos se interessem pela matéria?Como motivar os alunos para que eles estudem?Como resolver os casos de alunos indisciplinados ou descontentes?Como despertar e manter atenção do aluno?Como avaliar os alunos?Como nos comunicar para que os alunos nos entendam?Como preparar bem as aulas?Como precisa ser o relacionamento com os responsáveis dos alunos?Nessa linha de pensamento, citamos Luckesi (in: CANDAU, 2005, p. 26) para reafirmar sobre aquestão em discussão:O papel da didática destina-se a atingir u fim – “a formação do educador”. [...]entendo eu que o que, de imediato, nos interessa, a mim e aos presentes, é oeducador, na formação do qual a didática pretende ter um papel a seguir. [...], cabedestacar que a didática, desde os tempos imemoriais dos gregos, significa ummodo de facilitar o ensino e a aprendizagem, de modo, de condutas desejáveis. Láentre os nossos ancestrais históricos, a didática foi utilizada, especialmente, natransmissão, aqui entre nós, utilizamos a didática para transmissão de conteúdostanto morais como cognitivos. Com um aparente acentuamento hipertrofiado paraeste último. A educação institucionalizada qu8e compõe a nossa circunstânciahistórica está, aparentemente, destinada à transmissão, quase que exclusiva, deconteúdos dos diversos âmbitos do conhecimento científico. Todavia, sabemostodos nós, que nas atividades do magistério e outras afins, existe uma cargaimensa de conteúdos moralizantes, ou, ao menos, subjacentementeideolologizante. Comprovando isso, então aí os livros didáticos que, sob uma capade “objetividade” científica, transmitem a pura ideologia dominante.1.3. ASPECTOS QUE COMPÕEM A DIDÁTICANa caminhada da teoria até a prática o professor precisa respeitar, alguns aspectos, para que o alunoseja bem conduzido, a saber, segundo Vasconcelos (2002)• Sociológicos: voltado para os interesses da sociedade quando se trata dos conteúdos.• Psicológicos: aspectos voltados para a estrutura mental do aluno, ou seja, o seu desenvolvimentointelectual.• Filosóficos: aspectos interligados com os valores e os objetivos da educação, principalmente, comcada conteúdo apresentado.Assim, através destes aspectos a teoria estará ligada à prática.A Didática precisa ser vivida com a prática educativa no dia-a-dia em sala de aula. Entretanto elaprecisa respeitar suas dimensões que são:* Humana: vontade de todos que estão envolvidos no processo ensino-aprendizagem.* Técnica: a organização intencional, formal e sistêmica que mobilize o processo educativo.* Político-Social: Discute o currículo, em relação à população como também a ligação da partetécnica com a Humana.1.4. O QUE É APRENDIZAGEMO binômio educacional, ensino-aprendizagem existe desde o início da humanidade.O Homem, entre os demais seres da natureza, se encontra em uma constante predição evolutiva,por ser dotado de uma consciência intencional.
  6. 6. 6Isto implica que a complexidade dos fatores que envolvem a vida humana é captada eapreendida pelo Homem e, em um determinado momento, surgem as necessidades de transformá-la, deacordo com as próprias carências e valores.Para Beresford (2000), esta transformação se dá pelo fato do Homem não ser produzido, apenas,biologicamente, vivendo no mundo da natureza, como os outros animais, mas porque sua existência éconstruída pelo mundo da cultura.A partir da relação com o meio sócio-cultural, o Homem em comunicação com outros homensestabelece desafios, a fim de construir recursos que o auxiliem a obter uma melhor qualidade de vida que,conseqüentemente, beneficiará toda a sociedade.No decorrer da história humana, podemos perceber as notáveis modificações que a sociedadesofreu, marcadas, principalmente, pelos efeitos da Revolução Agrícola e da Revolução Industrial.A partir destas revoluções, surge a invenção de novas técnicas na agricultura, na eletricidade,nas máquinas, decorrentes da necessidade de ampliação dos negócios e enriquecimento da burguesia, oque levara as pessoas a mudarem sua forma de pensar e agir (VALENTE 1999).Nesse processo histórico, é alterado o desenvolvimento econômico, político, social e cultural, e,conseqüentemente, o papel do educador precisa partir do pressuposto de que a educação só pode sercompreendida em um determinado contexto histórico, por ser “um fenômeno social amplo, complexo,através da qual a sociedade, ao mesmo tempo, se renova e perpetua” (MARES GUIA, 1999, p. 7).A aprendizagem é um processo de aquisição e assimilação consciente de novos padrões e novasformas de perceber, ser, pensar e agir.O indivíduo só demonstra que aprende quando ele é capaz de reelaborar de maneira diferente oque lhe foi apresentado, ou seja, capaz de conceituar e abstrair.1.5 TIPOS DE APRENDIZAGEMO ensino visa a aprendizagem. Entretanto a aprendizagem é um fenômeno complexo, logoprecisa ser subsidiadas pelas diversas teorias de aprendizagem estudas pela Psicologia Educacional.Os tipos de aprendizagem são:• Motora ou Motriz: consiste na aprendizagem que envolve as habilidades motoras como: aprendera andar, dirigir, cortar etc.;• Cognitiva: está ligada as habilidades mentais, intelectuais, a aquisição de informações, ou seja,tudo aquilo que depende do uso da memória.• Afetiva ou Emocional: diz respeito aos sentimentos e moções, relacionadas aos valores.Dessa forma, é necessário que ocorra algumas premissas para que o processo ensino-aprendizagem seja alcançado por todos os alunos, nos quais consideramos relevantes:• O professor precisa motivar o aluno;• É necessário que haja uma relação intrínseca entre o ensino e a aprendizagem;• Não há ensino quando não existe aprendizagem;• Promover a participação de todos; utilizando técnicas e recursos;• Analisar o desenvolvimento bio-psico-socila de cada aluno;• Elogiar, valorizar as atitudes positivas, pois motivação gera motivação;• Reconhecer se o aluno tem conhecimento prévio, ou seja, se existe prontidão para talconhecimento que pretende que ele aprenda;• Perceber se ao aluno tem maturação suficiente para alcançar os objetivos propostos;• A aprendizagem precisa partir de uma situação concreta;• Incentivar o aluno a interagir durante as aulas;• Cabe ao professor oferecer um ambiente adequado para que ocorra o ensino-aprendizagem.Assim sendo, o professor carece perceber que o mundo atual exige, cada vez mais, que a sua práticadocente precisa transformar as informações em conhecimento, pois o processo histórico-cultural constróimeios de interação humano-social que necessitam de que as informações sejam transformadas em
  7. 7. 7opiniões, para que, os professores, possam melhor entender o mundo e, assim, compreender melhor seusalunos.Entretanto, cabe ao professor ter a capacidade de entender que cada aluno é um ser único, comcaracterísticas próprias.A maneira mais adequada de partir para uma ação docente eficaz, é iniciar, lentamente ao mundo daciência, devido à complexidade que o ato educativo exige. Isto implica em que o cotidiano das práticasdocentes seja iluminado pelos diferentes campos de conhecimento.Dessa forma, é fundamental que o educador torne sua abordagem mais consistente, passando pelasteorias de Piaget (1896 – 1980), Vygotsky (1896- 1934), Freneit (1920 1966), Wallon ( ) e PauloFreire (1921 -19947) por considerarmos os pressupostos teóricos destes autores premissas fundamentaisao sucesso do processo ensino-aprendizagem.UNIDADE II - TEORIAS PEDAGÓGICAS E AS SUAS CONTRIBUIÇÕES.Há tempos longínquos, o papel da do processo educativo estava voltado, pura e simplesmente,para o fato de passar informações, que deveriam ser memorizadas, em seus mínimos detalhes, para quepudessem ser transmitidas às novas gerações.Como o processo educativo sempre buscou atingir a um objetivo, este tipo de processo foimudando na medida em que filósofos, educadores e demais especialistas, envolvidos de alguma forma àeducação, foram buscando melhores caminhos para que ocorresse uma aprendizagem real e formativa.Importantes contribuições ao processo educativo emanaram de psicólogos e pedagogos queempenhados em comprovar a maneira como se processa aprendizagem, defendiam suas idéias, através desuas teorias, a fim de explicar determinadas situações e os passos para alcançar o processo ensino-aprendizagem.Essas teorias surgiram de pesquisas voltadas para o campo da educação, através de muitoespecialistas.Iremos destacar, apenas alguns deles.2.1. CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS ENTRE PIAGET E VYGOTSKYDe dois pontos diferentes, com trajetórias diversas, Jean Piaget (1896 – 1980) e Vygotsky (1896-1934) construíram paradigmas que promoveram marcas profundas no pensamento pedagógicocontemporâneo.A partir da discussão da perspectiva interacionista de Piaget e da dialética de Vygotsky váriaspropostas pedagógicas surgiram como verdadeira onda redentora para responder aos problemaseducacionais brasileiro.Para Kramer (1996), o imobilismo e a inutilidade da escola, diante da sociedade dividida em classes,fizeram que muitos estudiosos acreditassem que o sucesso escolar aconteceria com a compreensão dapsicogênese piagetina. Em contrapartida, outros confiavam que só as abordagens de Piaget nãoconseguiriam suprir a força de reprodução, era necessário avançar a partir do pensamento dialéticovygotskyano, ou seja, “fazer” algo diferente no sentido de levar em conta a criança como sujeito doprocesso do próprio desenvolvimento.Nessa ótica, exatamente neste contexto de inquietações, vários estudiosos, como Paulo Freire (1921-1997) e Freneit (1896 –1966), promoveram trabalhos com propostas para a educação que “recolha daprática concreta dos sujeitos educacionais o seu fundamento” (S.M.E., 1996, p. 97), a fim de que todos oscidadãos sejam ancorados e tenham oportunidades de socializarem conhecimentos.Dentro desta perspectiva, a intenção de abordarmos o cabedal teórico de Piaget, Vygotsky, PauloFreire, Wallon e Freneit, é na intenção de iluminar a prática pedagógica dos professores.Neste sentido, mais do que encontrar a interpretação correta das teorias, iremos indagar a respeitodos paradigmas que nortearam o pensamento e a investigação de cada autor.2.2.CONVERGÊNCIAS ENTRE PIAGET E VYGOTSKY2.2.1. CONVERGÊNCIASNasceram no mesmo ano e em lugares diferentes• Piaget – 9 de agosto de 1896, na Suíça.• Vygotsky – 17 de novembro de 1896, na Rússia.
  8. 8. 8Tanto Piaget quanto Vygotsky percebiam, claramente, a necessidade de superar certas correntesepistemológicas radicais, que repousavam sobre a concepção mecanicista da aprendizagem. Ambospartilhavam do mesmo interesse, ou seja, pela gênese dos processos psicológicos, adotando abordagensteóricas centradas, simultaneamente, sobre a história e os mecanismos da aquisição ao longo dodesenvolvimento. Entretanto, as abordagens entre Piaget e Vygotsky sobre o desenvolvimento e aaprendizagem se dão de formas convergentes em muitos pontos.Piaget pode aprofundar mais os seus estudos e debater a sua teoria até 1930, enquanto Vygotsky sóo fez até 1934.2.2.2. DIVERGÊNCIAS ENTRE PIAGET E VYGOTSKYPiaget tinha formação em Biologia e defendia que a construção da aprendizagem é eminentementeepistemológica científica, livre das influências filosóficas ou ideológicas. O objetivo central de sua teoriaé elucidar a atividade científica a partir de uma psicologia da inteligência, embora a sua teoria propicierespostas para área pedagógica.Piaget nunca se preocupa com o “como fazer”, portanto não se pode falar em métodos ou técnicaspiagetianas. Dos setenta livros e duzentos artigos publicados, apenas dois deles, Piaget refere-sexplicitamente à educação. Recebeu o título de psicólogo aos 80 anos pela grande contribuição a estaciência.Vygotsky, entre 1917 e 1923, atuou como professor e pesquisador no campo das Artes, Literatura ePsicologia. A partir de 1924 aprofundou sua investigação no campo da Psicologia, dirigido também parao da Educação de Deficientes.Vygotsky pesquisava processos de mudança na história do sujeito, buscando a psicologia de formahistoricamente fundamentada, enraizada no materialismo histórico e dialético.Entre 1925 e 1934, desenvolveu estudos nas áreas de Psicologia e anormalidades físicas e mentaiscom outros cientistas. Conclui a formação em Medicina, sendo convidado para dirigir o Departamento dePsicologia do Instituto Soviético de Medicina Experimental.OBRASPiaget – Suas obras são bem divulgadas mundialmente. Ele pode aprofundar e debater a sua teoriaaté os anos 1980, portanto, consegue discutir as críticas à luz de seus trabalhos posteriores, pois somentefaleceu em 1986, aos 90 anos.Vygotsky – Suas obras foram pouco traduzidas, embora sejam intensas. A sua pesquisa foiinterrompida quando se encontrava em via de construção, pois Vygotsky faleceu em 1934, apenas, aos 37anos de idade.Entretanto, a divulgação de sua obra se dá através de seus colaboradores, dos quais os maisconhecidos entre nós são: Luria e Leontiev.2.2.3. TEORIA DE PIAGETA perspectiva cognitivista-interacionista é apontada por Piaget ancorada nos mecanismos de modelobiológico, no que se refere à dinâmica do desenvolvimento e à concepção sistemática do pensamento, emdiferentes patamares estruturais ao longo da infância e da adolescência.Para Piaget o sujeito constrói conhecimento interagindo com o meio, mas paradoxalmente (contrárioao senso comum) este “meio” não inclui cultura nem a história social dos homens, apenas é assinaladapelas estruturas do organismo que se acomodam as novas exigências do ambiente, mostrando, assim, umcomportamento adaptado a cada nova situação. Portanto, Piaget acredita que é pelo interior mesmo doorganismo que se dá a articulação entre as estruturas do sujeito e as da realidade física.Piaget se livra de discutir as determinações sociais na construção de uma teoria psicológica doindivíduo, pois o autor vai pela linearidade mecânica da evolução do conhecimento. Para Piaget o serhumano constrói conhecimentos em interação com o meio social e natural, ou seja, é pela interaçãosujeito/objeto do conhecimento, juntamente, pela análise dos tipos de estruturas necessárias que o sujeitose apodera destes objetos.Dessa forma, Piaget se dedica mais ao polo do Construtivismo, não se aprofundando na relaçãosujeito/sujeito.Piaget busca compreender as estruturas do pensamento, a partir dos mecanismos internos que asproduzem.
  9. 9. 92.2.4.TEORIA DE VYGOTSKYVygotsky é contra as etapas do desenvolvimento individual apontada por Piaget. Daí a suapreocupação de apontar a compreensão dos aspectos da dinâmica da sociedade e da cultura, em que ohistórico-social interfere no curso do desenvolvimento do sujeito. Isto porque, acreditava que o indivíduotransforma tanto a sua relação com a realidade como a sua consciência sobre ela.Para Vygotsky (1993), a internalização de um sistema de signos produzidos culturalmente provocatransformações na consciência do homem individual sobre a realidade, ou seja, o homem assimila osvalores culturais de seu ambiente, e, ao mesmo tempo, desenvolve uma consciência crítica sobre osmesmos. Assim, o indivíduo se torna capaz de se transformar e atender as novas exigências de seucontexto social.Dessa forma, Vygotsky acredita que o reflexo do mundo externo sobre o mundo interno é aconstante variável, imprescindível ao desenvolvimento do indivíduo. Sendo assim, para o autor a naturezasócio-cultural se torna indispensável à natureza psicológica das pessoas.2.2.5. PIAGET – A APRENDIZAGEM DEPENDE DO DESENVOLVIMENTO ATINGIDO PELOSUJEITOPiaget prioriza o pensamento secundarizando o papel da linguagem no desenvolvimento dopensamento. O autor aponta a superioridade das estruturas cognitivas em relação à linguagem.Piaget procurou abordar as mudanças qualitativas que passa a criança, desde o estágio inicial deuma inteligência prática (sensório-motor) até o pensamento formal, lógico-dedutivo, que se dá a partir daadolescência.Esses estágios, segundo Piaget (1976, p. 56) são:• Sensório-motor (até 2 anos de idade) – anterior à linguagem• Pré-operatório (dos 2 aos 6 anos de idade) – pensamento indutivo, racionando a partir da intuiçãoe não de uma lógica semelhante à do adulto.• Operatório-concreto (dos 7 aos 12 anos de idade) – criança torna-se capaz de efetuar operaçõesmentalmente, lembrando o todo, enquanto divide partes.• Operações formais (a partir de 12 anos de idade) – capacidade de pensar sobre idéias abstratas.• Maturidade intelectual (aproximadamente aos 15 anos de idade).Para Piaget, a criança em um primeiro momento desconhece as regras (anomia), só depois que asrecebe de “fora para dentro” (heteronomia) é que ela consegue caminhar para rejeitar, criticar, aceitar,refletir sobre valores e convenções sociais, culminando com a construção da autonomia.Piaget investiga a compreensão das estruturas do pensamento, a partir dos mecanismos internos que asproduzem. Para Piaget, todo indivíduo não consegue conceber o que se passa à sua volta de formaimediata, apenas com um simples contato com os objetos. Para o autor vão depender da maturaçãobiológica, experiências, trocas interpessoais e transmissões culturais.Segundo Piaget “o conhecimento resulta de uma interrelação entre o sujeito que conhece e o objeto aser conhecido” (1996, p. 39)Nesse sentido, citamos a Multieducação (S.M.E. 1996, p. 41) para clarearmos a nossa afirmação:Cabe a sociedade, através das instituições como a família e a escola, propiciarexperiências, trocas interpessoais e conteúdos culturais que, interagindo com oprocesso de maturação biológica, permitem à criança e ao adolescente atingir acapacidade cada vez mais elaborada, de conhecer e atuar no mundo físico e social.[...] a lógica, a moral, a linguagem e a compreensão de regras sociais não sãoinatas, ou seja, pré-formadas na criança, nem são impostas de fora para dentro,por pressão do meio. São construídos por cada indivíduo ao longo do processo dedesenvolvimento, processos este entendidos como sucessão de estágios que sediferenciam um dos outros, por mudanças qualitativas. Mudanças que permitem,não só assimilação de objeto de conhecimento compatível com as possibilidadesjá construídas, através da acomodação, mas também sirvam de ponto de partidapara novas construções (adaptação).
  10. 10. 10VYGOTSKY - APRENDIZAGEM FAVORECE O DESENVOLVIMENTO DO SUJEITOVygotsky tem a preocupação de buscar a compreensão do sujeito “interativo”, pois acredita que aconstituição do indivíduo se funda a partir das relações intra e interpessoais.O autor assinala que, a partir da abordagem histórico-social, é que o indivíduo se orienta e analisa aconstrução do conhecimento ou do pensamento, ou seja, pela unidade dinâmica da relaçãopensamento/linguagem. Para o autor não há lugar para dicotomia, tudo está em movimento, pois acreditaque não há fenômeno isolado. A vida é formada por elementos contraditórios, coexistindo em umatotalidade rica, viva, e em constante mudança. Portanto, o indivíduo não pode ser fragmentado ouimobilizado, de forma artificial.2.2.6. LINGUAGEM / PENSAMENTOPiaget – Opõe a idéia que a linguagem, em geral, seja responsável pelo pensamento. Para o autor, aimagem mental nada mais é do que a imitação interiorizada, portanto a ação engendra a representação.Segundo Piaget a linguagem é indicadora do pensamento de um sujeito cognitivo, ficando de fora aefetividade. Piaget privilegia em sua análise interacionista construtivista, a superioridade das estruturascognitivistas, em relação à linguagem. Sendo assim, os estágios do pensamento infantil são obstáculosepistemológicos que dificultam o avanço da questão.Piaget secundariza a linguagem, pois para o autor o conhecimento se constitui a partir da atividadede um sujeito primordialmente epistêmico e secundariamente social (KRAMER, 1994).Segundo Piaget, em um primeiro momento a criança apresenta uma linguagem egocêntrica, ou seja,fala de si própria sem interesse por seu interlocutor. Isto porque, ela não tenta se comunicar e nem esperaresposta. Para Piaget acredita que essa fase começa a desaparecer aproximadamente na idade escolar.Para Piaget existe a dualidade entre pensamento e linguagem, o autor não aceita o carátersocializador como base na formação do pensamento ou da consciência. Sendo assim, o pensamento éconsiderado como estrutura lógica de raciocínio, e, o conhecimento é o resultado da construção científicafeita pelo homem. Logo, a linguagem se torna, apenas, sintonia de nível intelectual subjacente da criança.Vygotsky considera que é na relação dialógica entre sujeitos que o indivíduo descobre na palavra apossibilidade infinita de expandir a fala contextualizada para além de seus limites. Portanto, o autorpondera que, as interações sociais são espaços privilegiados de construção de sentidos, em que alinguagem é criação do sujeito. Nesse sentido, Vygotsky inclui a afetividade, sendo ela que permeia todaprodução artística e cultural, ficando de fora outras formas de expressão do conhecimento humano queextrapolam os limites de uma compreensão lógica de realidade.Para Vygotsky tudo está em movimento, pela causa dos elementos contraditórios, coexistindo emuma mesma totalidade rica, viva, em constante mudança. Não há lugar para dicotomia que isole ofenômeno, fragmentando-o ou imobilizando-o de maneira artificial. Sendo assim, o autor afirma que nãopodemos separar a relação pensamento/linguagem.Nessa concepção, o autor ressalta a linguagem constituidora da consciência, sendo espaçoprivilegiado da construção de sentidos e marca essencialmente pela dimensão humana.Vygotsky não prioriza o pensamento em detrimento à linguagem, pois sua análise parte da inter-relação entre ambos. Para o autor, a fala contém sempre um pensamento oculto, um subtexto, pois todo opensamento encerra desejos, necessidades, emoções. Logo, a compreensão do pensamento do outrodepende da interação do ouvinte com base afetivo-volitiva. Sendo assim, não basta ouvir paracompreender.De acordo com Vygotsky, a linguagem egocêntrica direciona e transforma a atividade em nível depensamento intencional. É um estágio transitório na evolução da fala oral para fala interior, portanto alinguagem interior é adquirida pela criança através dos conhecimentos sociais e, ao mesmo tempo, éresponsável pela construção de sua subjetividade. Assim sendo, a dialética entre pensamento e linguagemno decurso da história social, é essencial. Os conteúdos da experiência histórica do homem não estãoconsolidados somente nas coisas materiais, mas, sobretudo, se encontram generalizados e se refletem nasformas verbais de comunicação produzidas entre os homens sobre estes conteúdos.[...] quando as crianças se confrontam com um problema um pouco maiscomplicado para elas, apresentam uma variedade complexa de respostas que
  11. 11. 11incluem: tentativas diretas de atingir o objetivo,o uso de instrumentos, faladirigida à pessoa que conduz o experimento ou fala que simplesmente acompanhaa ação e apelos verbais diretos ao objeto de atenção.Quando analisado dinamicamente, esse amálgama de fala e ação tem uma funçãomuito específica na história do desenvolvimento da criança; demonstra também, alógica da sua própria gênese. Desde os primeiros dias do desenvolvimento dacriança suas atividades adquirem um significado próprio num sistema decomportamento social e, sendo dirigidas a objetivos definidos são refratadasatravés do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança edesta até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexaé o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nasligações entre história individual e história social (VYGOTSKY, 1993, p. 33).2.2.7.RESSONÂNCIAS NA EDUCAÇÃO: PIAGET E VYGOTSKYApós a análise entre Piaget e Vygotsky, concluímos que Piaget vê o sujeito fundamentalmenteepistêmico, portanto cognitivo, enquanto Vygotsky vê o sujeito fundamentalmente social, que se constituina história e na cultura, em que o desenvolvimento da criança é o processo pelo qual ela se apropria daexperiência acumulada pelo gênero humano no decurso da história social.Percebemos que o ponto comum entre Piaget e Vygotsky é que ambos se opõem ao associacionismoempirista e ao idealismo racionalista. Isto significa que, os dois autores contestam a exposição deconceitos de forma objetiva, em que o professor se considere como o centro do processo, cuja função doaluno é de apenas assimilar, de forma eficiente, os conteúdos transmitidos.Embora Piaget nunca tenha proposto um método de ensino, a teoria do conhecimento proposta peloautor tem sido pouco a pouco utilizada por vários professores e pedagogos que acreditam na necessidadede estabelecer a mediação entre o sujeito cognoscente e o objeto cognoscível, para que se encontre o êxitona aprendizagem. Deste modo, considerar as atividades espontâneas da criança, como nos aponta Piaget,é permiti-la a desenvolver a criatividade e a autonomia, a fim de que ela possa resolver situaçõesproblemas e construir conceitos.Todavia, é necessária uma avaliação mais fecunda, entre as limitações dos pressupostos teóricos,propriamente, ditos e de suas conseqüências para intervenção educacional. A ênfase que Piaget dá aomodelo biológico de adaptação do organismo ao meio, submetendo os aspectos sócio-culturais a um papelsecundário na constituição do sujeito e atribuindo um peso menor às relações sociais, afetivas elingüísticas, no desenvolvimento da criança, é perceber que a sua teoria pode influenciar atitudesdiscriminatórias e a interpretação dos estágios de desenvolvimento como “verdadeiros” inquestionáveis ecomo critério único para ação do educador.Devemos estar atentos ao questionamento de Vygotsky quando ele salienta que o aprendizadocomeça muito antes da entrada da criança na escola, cujo aprendizado escolar produz algo novo nodesenvolvimento infantil.Considerando o nível de desenvolvimento real (manifesto ação) e, simultaneamente, o nível dedesenvolvimento potencial (determinado através da solução de problemas sob orientação de um adulto ouem colaboração com demais parceiros), Assim, Vygotsky propõe o conceito de zona de desenvolvimentoproximal para explicar o processo de aprendizagem.Para Vygotsky, enquanto o nível de desenvolvimento real caracteriza-se pelo desenvolvimentomental, retrospectivamente, o nível potencial caracteriza-se pelo desenvolvimento prospectivamente, emque a zona de desenvolvimento proximal é que define as funções em processo de maturação(VYGOSTSKY, 1993).Neste sentido, aquilo que é zona de desenvolvimento proximal hoje, será nível de desenvolvimentoreal amanhã. Sendo assim, para Vygotsky (1993) “o bom aprendizado é somente aquele que se adianta aodesenvolvimento” (p.15).Consideramos que Vygotsky tenha ultrapassado Piaget no modo de conceber o desenvolvimentohumano, isto porque, para Piaget o desenvolvimento do pensamento é a adaptação do indivíduo ao meiofísico e social, enquanto para Vygotsky o desenvolvimento do pensamento é um processo essencialmentedialético, em que o sujeito transforma e é transformado pela realidade física, social e cultural em que seencontra.
  12. 12. 12Para Piaget o que está em jogo é a construção do conhecimento científico, em que o indivíduo seconstrói na relação sujeito-objeto. Para Vygotsky o que está em jogo é a construção do conhecimentosocial, reconhecendo a interferência do sujeito e a dimensão social.Sendo assim, podemos ressaltar, quanto à obra de Piaget e de Vygotsky, são de extrema valia paraque as práticas pedagógicas tenham sucesso, logo é fundamental não retardarmos mais ainda oaprofundamento dessas duas teorias e nem seus confrontos.Acreditamos que é no caráter dialógico desta comparação que se revela a possibilidade de umateoria do conhecimento renovadora e atual, auxiliando assim o avanço em respeito à qualidade daspráticas educativas.O verdadeiro papel do educador não é mais aquele de perceber a criança como um sujeito emcrescimento, em processo, que irá se tornar alguém um dia. É imprescindível ao docente oreconhecimento que a criança já é alguém hoje, em sua casa, na rua e no trabalho, que nasce com umahistória de vida única, que se faz na cultura e pertence à uma classe social, portanto a criança é muitomais do que exemplos de fases de uma escala de desenvolvimento, como afirma Vygotsky (1993).Hoje, não há lugar mais para alunos e nem professores imóveis, olhares fixos no quadro-negro, nemcabeças sobre o caderno. È necessário, propiciar à livre expressão, através das diferentes linguagens, como colorido da imaginação e da fantasia de todos os alunos presentes, em sala de aula.Cada um de nós, professores, junto aos nossos alunos, precisamos descobrir o melhor caminho eanalisar a afirmação de Faya Ostrower (1999):Seu caminho cada um terá que descobri por si. Descobrirá caminhando. Contudo,jamais seu caminho será aleatório. Cada um parte de dados reais, apenas ocaminho há de lhe ensinar como os poderá colocar e como com eles irão lidar.Caminhando saberá. Andando o indivíduo configura o seu caminho. Cria formas,dentro de si e ao redor de si. E assim como na arte o artista se procura nas formasde imagem criada, cada indivíduo se procura nas formas do seu fazer, nas formasdo seu viver. Chegará ao seu destino. Encontrando, saberá o que buscou.2.3 O PENSAMENTO E A PRÁTICA DE FRENEITA pedagogia Freneit tem uma proposta mais próxima da teoria de Piaget, por acreditar que oprocesso do conhecimento se dê no processo de sucessivas construções. Entretanto, Freneit não mergulhaem pressupostos científicos e nem busca construir um método, o seu sonho é criar um movimentopedagógico de renovação da escola (MAURY, 1993).Nascido em 1896, na França e com formação em magistério, Freneit não se limitou a ser um meroprofessor, mais um estudioso e pesquisador, cujo centro de sua pedagogia está na forma como a criançaaprende. Freneit questiona as normas rígidas de ensinar e seus métodos convencionais e procura apontarprocedimentos e princípios na possibilidade de inovar e criar constantemente as práticas pedagógicas.Com as idéias da Escola Nova, Freneit constrói com seus alunos um corpo pedagógico teóricoaliado às práticas pedagógicas vivas em sua classe.Em 1927, as idéias e as práticas de Freneit extrapolam os limites de sua escola e de sua aldeia, apósa sua participação no Congresso Internacional de Educação. O autor publica além do primeiro número daBiblioteca de Trabalho, composto por brochuras escritas por seus alunos, conhecido como FichárioEscolar Cooperativo.Em 1932, o movimento educacional iniciado por Freneit já se espalha pela Bélgica e Espanha e suasidéias passam a incomodar os conservadores franceses, resultando o afastamento de Freneit da escolaSaint Paul.A partir de 1934, com ajuda de doações, Freneit constrói a célebre Escola de Vence e em 1935 elecomeça a matricular alunos. Entretanto, o Ministério de Educação se recusa a reconhecer a suainstituição, e, em conseqüência deste episódio, Freneit passa a trabalhar arduamente para criar o ConselhoCooperativo (gestão participativa), os jornais murais, a empresa escolar, as fichas auto-corretivas, acorrespondência escolar, os ateliês de arte, aulas-passeio e o Livro da Vida.Durante a 2ª Guerra Mundial, Freneit é preso e fica seriamente doente. Porém, durante o período deseu restabelecimento Freneit escreve a maior parte de sua obra.
  13. 13. 13Nos anos 50, sua Pedagogia já se espalhara pelo mundo com fortes raízes sociais e políticas. Oautor cria um movimento em prol da escola popular, distinguindo-o dos demais pensadores domovimento da Escola Nova da Europa (S.M.E., 1996).Na verdade, Freneit foi um professor que quebrou as regras do jogo educacional de sua época. Eleteve um sonho que procurou realizar, ou seja, educar crianças de classes populares, construindo umaescola socialista, onde o sentimento “coletivo” imperava o individualismo.Freneit critica o trabalho alienado e defende uma educação que permita às crianças e adolescentesrealizarem uma reflexão crítica das formas de exploração de trabalho. Ao mesmo tempo, ele faz umaanálise do trabalho pedagógico fragmentado e alienador. Para Freneit o trabalho é uma necessidade parahomens, não devendo fazer distinção entre trabalho intelectual e manual.No entanto, muitos julgam Freneit como um mero criador de recursos didáticos, um inventor depacotes de atividades, possíveis de serem aplicados a qualquer contexto. Outros consideram Freneit comodoutrinador comunista ou uma pessoa que apenas oferece um receituário desprovido de conteúdoideológico.Contra a escola que transmite um saber alienado e artificial, sem dar sentido à realidade, Freneitressalta o processo de construção e reconstrução cotidiana dos saberes, dentro de relações concretas ehistóricas. Freneit sugere que se abra a possibilidade para as crianças das classes populares trazerem suasexperiências de vida e de classe social para a sala de aula. Para isso, Freneit considera fundamental aconfiança e o respeito ao ser humano, a escola aberta para a vida e para o futuro, livre expressão, trabalhovisto com agente formador do ser social, cooperativismo e senso de coletividade.Desde 1966, Freneit já não está entre nós, contudo, mesmo não sabendo o número de professoresque seguem a sua pedagogia, percebemos o quanto a sua proposta continua a ser seguida por várioseducadores que acreditam na defesa da fraternidade, do respeito, da dignidade, da alegria e da esperançaotimista na vida.Segundo a revista Nova Escola de 1994, os princípios frenetianos estão condensados no que elechamou de invariantes pedagógicas, quase um auto-de-fé em 30 itens, em que o professor deve rever acada ano para avaliar se está ou não evoluindo em sua prática.As invariantes são:• A criança e o adulto têm a mesma natureza;• Ser maior não significa necessariamente estar acima dos outros;• O comportamento escolar de uma criança depende de seu estado fisiológico e orgânico, de toda asua constituição;• A criança e o adulto não gostam de imposições autoritárias;• Ambos não gostam de disciplinas rígidas, ou seja, obedecer passivamente a uma ordem externa;• Ninguém gosta de trabalhar por coerção; a coerção é paralisante;• Todos gostam de escolher seu próprio trabalho, mesmo que a escolha não acabe sendo a maisvantajosa;• A motivação para o trabalho é fundamental;• É preciso abolir a escolástica, porque ela não prepara para vida;• A experiência tateante é uma conduta natural e universal;• A memória não é preciosa, a não ser quando integrada ao tateamento experimental;• Estudar regras e leis é colocar o carro à frente dos bois;• A inteligência não é uma faculdade isolada e fechada;• A escola cultiva apenas a forma abstrata de inteligência;• A criança não gosta de receber lições ex-cathedra (impostas);• A criança não se cansa do trabalho que seja funcional;• Ninguém gosta de ser controlado e castigado, sobretudo em público;• Notas e classificação são erro;• O professor deve falar cada vez menos;• A criança prefere trabalho em equipe cooperativa;• A ordem e a disciplina são necessárias na sala de aula;• Castigos é sempre um erro;
  14. 14. 14• A vida escolar tem de ser cooperativa;• A sobrecarga das classes é um erro;• A democracia de amanhã se prepara na democracia da escola;• O respeito entre adultos e crianças é uma das primeiras condições de renovação da escola;• É normal que qualquer mudança na escola provoque reações contrárias;• É preciso ter esperança otimista na vida.Parafraseando a Multieducação, podemos sinalizar que: “a Pedagogia de Freneit nasceu da práticamecânica, repetida e desprovida de sentido, mas da ousadia, da insatisfação, do estudo, da reflexão, daexperimentação e do compromisso com uma escola democrática e popular. Uma escola que desse aosfilhos do povo, os instrumentos necessários à sua emancipação”.2.4. O PENSAMENTO E A PRÁTICA DE PAULO FREIREFalar de educação sem apontar Paulo Freire é como falar de amor sem paixão, de esperança semsonho. Este pernambucano, nascido em 19 de setembro de 1921, ficou conhecido em todo o mundo pelasua metodologia de alfabetização de adulto e foi reconhecido com o educador do século XX (S.M.E.,1996).Paulo Freire não gostava de ser apontado como criador de um método. o mesmo sempre afirmavaque a sua maior preocupação, em relação à educação das classes populares, era de levar à construção deuma verdadeira concepção política do ato de educar. Para isso, ele adotava como principais fundamentospara a prática educativa: a valorização do cotidiano do aluno e a construção de uma práxis educativa queestimule à leitura crítica do mundo.Na visão de Paulo Freire, a verdadeira educação é aquela que não separa, em momento nenhum, oensino dos conteúdos do desenvolvimento da realidade.Em seu trabalho de alfabetização de adultos, ele empreendeu uma perspectiva metodológica queevidenciava as seguintes etapas (FREIRE, 1999):a) Investigação do universo vocabular da comunidade de alfabetizados– todos estão à volta de uma equipe de trabalho que não tem um professor ou um alfabetizador, mas umcoordenador, animador de debates que, como um companheiro alfabetizado, participa de uma atividadecomum em que todos ensinam e aprendem pelo diálogo. Portanto, as palavras geradoras para aalfabetização são aquelas trazidas pelos alunos. Através delas é que se gera um debate em torno de temasvinculados ao cotidiano dos alunos;b) Tematização: representação do modo de vida dos alunos, propiciando assim o surgimento de umambiente alfabetizador. A codificação e a decodificação precisam ser na consciência do mundo vividoc) Problematização: nesta etapa Freire não buscava apenas que os alunos falassem de política, masfundamentalmente, compreendessem a importância de sua interferência na vida política. Sendo assim,Freire considera que o educador é o contribuinte para a “desocultação” das verdades postas pela ideologiadominante. É a superação da visão mágica, evidencia-se a necessidade de uma ação concreta, cultural,social e política para a superação dos obstáculos do processo homogeneização.Para Freire, todo educador precisa ser “substantivamente político e adjetivamente pedagógico”(1998, P. 28), pois a figura do professor é essencial para construir nos alunos a consciência crítica,possibilitando-os a serem sujeitos de sua própria história de vida.Freire sempre criticou as pessoas que acreditam na educação como capaz de, por si só, promover astransformações democráticas que a sociedade tanto necessita. Com isso, ele recrimina a crença de que sódepois das mudanças infra-estruturais acontecerem é que podemos desenvolver uma educação com opotencial transformador.Segundo Paulo Freire, o indivíduo é um sujeito ativo na sociedade porque vive em permanentemovimento histórico, cujas transformações ocorrem pelas ações mútuas.Para o autor, o educador precisa ter uma formação sob uma perspectiva holística, em que articule arelação dialética, prática x teoria x prática, comprometida com os interesses amplos da maioria dapopulação, com a democracia, com a, justiça, com a liberdade e os direitos da cidadania, ou seja, que o
  15. 15. 15educador assuma o papel de mediador na construção da cidadania, na conjuntura histórica em que seinsere.Sendo assim, Paulo freire sinaliza que o papel do educador hoje é de eterno pesquisador, pois sóassim ele é capaz de se tornar um eficaz e interessado divulgador de conhecimentos histórico ecriticamente construídos, coletivamente. Portanto, a compreensão de educar está na aplicação dosconhecimentos que venham contribuir para o avanço das condições social, econômica e política.Neste entendimento, é de grande importância que reflitamos a respeito das palavras de FREIRE(1996):A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe coloca o dever dese preparar, de se capacitar, de se formar antes mesmo de iniciar sua atividadedocente. Esta atividade exige que sua preparação, sua capacitação, sua formaçãose tornem processos permanentes. Sua experi6encia docente, se bem percebida ebem vivida, vai deixando claro que ela requer uma formação permanente doensinante. Formação que se funda na análise crítica de sua prática (p. 28).2.4.1.PRINCÍPIOS DA PEDAGOGIA DE FREIREExclusão de qualquer método, cujos passos uniformizem as informações, com se uniformes fossemtodos os alunos.Participação coletiva na discussão / sistematização dos assuntos (atividades criadoras).Integração de todas as disciplinas, cujo currículo se constrói a partir das necessidades históricas enaturais.Valorização do saber trazido pelos alunos.Inclusão do prazer e da dor.Problematização constante de toda e qualquer questão, pois o processo educacional passa seressencialmente político, ou seja, tem de enxergar por baixo da superfície de fatos e implica numa práxis(crítica da realidade/pronunciamento do mundo).Não dar respostas às perguntas sem antes questionar aos alunos sobre o que pensam a respeito, eassim, sucessivamente, até que a resposta seja parcial ou totalmente respondida por cada um quepergunta.Veiculação de veículos positivos, encorajando os alunos a resgatar a própria identidade.União do grupo.Disposição de carteiras na sala de aula em forma de círculo.Atividades baseadas simultaneamente em letras, palavras, frases, textos e números, sendo que cada umenvolve diversos aspectos.Ênfase em atividades que permitam cada aluno expor seu pensamento, seja oralmente ou através daescrita, liberando-os para que escrevam como sabem, animando, organizando, instruindo e acima de tudo,acreditando na capacidade de aprender de cada um.Deslocar o eixo de indivíduo para sujeito.Olhar a escrita enquanto representação da linguagem e não como simples transcrição gráfica de umcódigo estabelecido.A mobilidade cognitiva, sem a rigidez. Para que haja a mobilidade cognitiva é necessário que se tenhamuitos elementos simultaneamente,enquanto a rigidez funciona melhor com a unidade deles.Sobre o aprender Freire (1996) destaca sete pontos fundamentais:1) Aprendemos ao longo de toda a vida.2) Aprender não é acumular conhecimentos.3) É importante pensar coisas novas.4) É o sujeito ativo que aprende.5) Aprende-se o que é significativo para si e para o planeta.6) É preciso tempo para aprender.7) É preciso ter um projeto de vida.Atualmente, segundo Gadotti (2000), o método de Paulo Freire é considerado uma teoria doconhecimento porque se pauta em quatro pontos:1) à curiosidade estimulando a leitura de mundo;
  16. 16. 162) ao diálogo com o outro permitindo verificar se esta leitura é verdadeira, pois inclui o conflito deposições;3) à educação é ato produtivo, pois constrói o mundo em conjunto com outros, onde se produz ereproduz o conhecimento, através do construtivismo crítico;4) à educação como ato de libertação e de esperança, capaz de despertar o sonho, de reencantar.2.5. A APRENDIZAGEM COGNITIVA, SEGUNDO WALLONNa perspectiva genética de Henri Wallon, inteligência e afetividade estão integradas: a evolução daafetividade depende das construções realizadas no plano da inteligência, assim como a evolução dainteligência depende das construções afetivas. No entanto, o autor admite que, ao longo dodesenvolvimento humano, existem fases em que predominam o afetivo e fases em que predominam ainteligência.Henri Wallon (REVISTA TV ESCOLA, 2005) reconstruiu o seu modelo de análise ao pensar nodesenvolvimento humano, estudando-o a partir do desenvolvimento psíquico da criança. Desta forma, odesenvolvimento da criança aparece de forma descontínua, marcada por contradições e conflitos,resultado da maturação e das condições ambientais, provocando alterações qualitativas no seucomportamento em geral.O pesquisador, também, utiliza o referencial do materialismo histórico quando apresenta a relaçãoentre o homem e o meio, sendo determinado pelo contexto histórico e pelas bases materiais entre naturezae sociedade humana.Ainda, de acordo, com Revista TV Escola (2005), a passagem dos estágios de desenvolvimento nãose dá linearmente, por ampliação, mas por reformulação, instalando-se no momento da passagem de umaetapa a outra, crises que afetam a conduta da criança.Conflitos se instalam nesse processo e são de origem exógena quando resultantes dos desencontrosentre as ações da criança e o ambiente exterior, estruturado pelos adultos e pela cultura e endógenos equando gerados pelos efeitos da maturação nervosa (Galvão, 1995). Esses conflitos são propulsores dodesenvolvimento.Para Wallon, os cinco estágios de desenvolvimento do ser humano, apresentados por Galvão (1995)sucedem-se, em fases, com predominância afetiva e cognitiva:Impulsivo-emocional: ocorre no primeiro ano de vida. A predominância da afetividade orienta asprimeiras reações do bebê às pessoas, às quais intermediam sua relação com o mundo físico;o Sensório-motor e projetivo, que vai até os três anos: aqui, a aquisição da marcha e dacompreensão, dá à criança maior autonomia na manipulação de objetos e na exploração dosespaços.Também, nesse estágio, ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. O termoprojetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar dos gestos para se exteriorizar. O atomental "projeta-se" em atos motores.Dantas (1992, p: 77) explica que para Wallon, o ato mental se desenvolve a partir do ato motor;o Personalismo: ocorre dos três aos seis anos. Nesse estágio desenvolve-se a construção daconsciência de si mediante as interações sociais, reorientando o interesse das crianças pelaspessoas;o Categorial: nesse estágio, os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas,para o conhecimento e conquista do mundo exterior;o Predominância funcional: aqui ocorre nova definição dos contornos da personalidade,desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Questõespessoais, morais e existenciais são trazidas à tona.Na sucessão de estágios há uma alternância entre as formas de atividades e de interesses dacriança, denominada de "alternância funcional", onde cada fase predominante (de dominância,afetividade, cognição), incorpora as conquistas realizadas pela outra fase, construindo-se reciprocamente,num permanente processo de integração e diferenciação.Segundo Almeida (1999, p. 15):
  17. 17. 17Seu método consiste em estudar as condições materiais dodesenvolvimento da criança, condições tanto orgânicas quanto sociais,e em ver como se edifica, através destas condições, um novo plano derealidade que o psiquismo, a personalidade.Wallon confere então um papel de destaque para a função da escola, pois para ele, o meio escolaré indispensável ao desenvolvimento da criança, pois ela não deve receber exclusivamente a ação do meiofamiliar, mas também apresenta a necessidade de freqüentar meios menos estruturados e menoscarregados efetivamente.Para ele “[…] a escola é um meio mais rico, mais diversificado e oferece à criança a oportunidadede conviver com seus contemporâneos e com adultos que não possuem o mesmo status que seus pais”(Wallon apud WEREBE, 1986). Ou seja, a educação é um fato social e a escola possibilita à criança deviver novos relacionamentos (pais, professores, colegas), que promove a aprendizagem social e a tomadade consciência da sua própria personalidade.A gênese da inteligência para Wallon (1995) genética e organicamente social, ou seja, "o serhumano é organicamente social e sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura para se atualizar"(Dantas, 1992, p. 75). Nesse sentido, a teoria do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada napsicogênese da pessoa completa.Henri Wallon (1995) reconstruiu o seu modelo de análise ao pensar no desenvolvimentohumano, estudando-o a partir do desenvolvimento psíquico da criança. Assim, o desenvolvimento dacriança aparece descontínuo, marcado por contradições e conflitos, resultado da maturação e dascondições ambientais, provocando alterações qualitativas no seu comportamento em geral.Wallon (1995) realiza um estudo que é centrado na criança contextualizada ,cujo ritmo noqual se sucedem as etapas do desenvolvimento, é descontínuo, marcado por rupturas, retrocessos ereviravoltas, provocando em cada etapa profundas mudanças nas anteriores.Wallon (1998) atribui à emoção que, como os sentimentos e desejos, são manifestações davida afetiva, um papel fundamental no processo de desenvolvimento humano. Entende-se por emoçãoformas corporais de expressar o estado de espírito da pessoa, ou seja, são manifestações físicas, alteraçõesorgânicas, como frio na barriga, secura na boca, choro, dificuldades na digestão, mudança no ritmo darespiração, mudança no batimento cardíaco, etc., enfim, reações intensas do organismo, resultantes de umestado afetivo penoso ou agradável.A palavra emoção significa, originariamente, "E" (do latim ex) = para fora, "moção" =movimento. "A emoção é o movimento da vida em cada um de nós. Trata-se do movimento que brota nointerior e se expressa no exterior; é o movimento de minha vida que me diz - e que diz às pessoas à minhavolta - quem eu sou" (FILLIOZAT, 2000, p.61) .Quando nasce uma criança, todo contato estabelecido com pessoas que cuidam dela é feitovia emoção. A criança manifesta corporalmente o que está sentindo; por exemplo, quando está com odesconforto da fome ou frio, ela chora.Wallon (1995) destaca o caráter social da criança neste sentido, pois se não houvesse aatenção do adulto, nessa fase inicial de sua vida, atendendo-a naquilo que ela precisa que é manifestadaem forma de emoção, a criança simplesmente morreria.Além disso:chorar, gritar, estremecer são remédios para as inevitáveis tensões da vida. Aexistência de um bebê é repleta de frustrações, de questionamentos de medos, demanifestações de raiva... Por mais bem cuidados que sejam, todos os bebês têmnecessidade de chorar. A emoção permite que eles recuperem as energias,consigam reconstruir-se, depois de terem sofrido um desgosto (op.cit, p.15).Segundo Wallon (1995), quando, em alguma situação da nossa vida, há o predomínio da funçãocognitiva, estamos voltados para a construção do real, como quando classificamos objetos, fazemosoperações matemáticas, definimos conceitos etc. Bem como há o predomínio da função afetiva. Nestemomento estamos voltados para nós mesmos, fazendo uma elaboração do EU. Como exemplo: asexperiências carregadas de emoção: o nascimento de um filho, a perda de um ente querido, ou algo assim.No impacto da emoção, nossa preocupação é a construção que fazemos de um novo eu, a mulher que se
  18. 18. 18transforma mãe, o esposo que se torna viúvo... São as "Alternâncias Funcionais" (Wallon, 1998) quepersistem durante toda nossa vida, não sendo possível um equilíbrio harmônico entre estas funções(cognitiva e afetiva), mas um conflito constante, e o domínio de uma sobre a outra.Daí a colocação de Dantas (1990): "a razão nasce da emoção e vive de sua morte" (p.54).Tudo começa com o choro inicial da criança, o desconforto das cólicas, do frio ou calordemasiado, a exploração do próprio corpo, que representam o predomínio da emoção, da função afetiva, aconstrução do eu, que nesse primeiro momento, é o eu corporal. Mais para frente, graças à suaindependência alcançada pela capacidade de locomover-se sozinha, passa à exploração mais intensa dosobjetos, desenvolvendo sua tarefa de construir, de forma sensório-motora, o real. Temos aqui então opredomínio da função cognitiva.Com o surgimento da linguagem, a criança amplia sua área de conhecimento dos objetosdo mundo real, e acaba por compreender mais de si, pois já pode, graças à linguagem, se desprender doaqui e agora, indo ao seu passado ou a programar seu futuro. Nesse momento, precisa diferenciar-se doOutro, daqueles a quem até então estava como que absorvida no seu meio social. Querendo ser diferentedaqueles, não aceitando mais as imposições que são feitas pelos adultos (fase do negativismo), imitando-os e assim percebendo as diferenças entre si mesmas e o modelo imitado, a criança vai construindo suapsique, aqui volta o predomínio da função afetiva.Conforme a criança vai crescendo, as crises emotivas vão se reduzindo, os ataques dechoro, birras, surtos de alegria, cenas tão comuns na infância, vão sendo melhores controladas pela razão,em um trabalho de desenvolvimento da pessoa, cujas emoções vão sendo subordinadas ao controle dasfunções psíquicas superiores, da razão.A criança volta-se naturalmente ao mundo real, em uma tentativa de organizar seusconhecimentos adquiridos até então, é novamente o predomínio da função cognitiva.Na adolescência, cai na malha da emoção novamente, cumprindo uma nova tarefa dereconstrução de si, desde o eu corporal até o eu psíquico, percebendo-se em um mundo por ele mesmoorganizado, diferentemente. Assim, por toda a vida, razão e emoção vão se alternando, em uma relação defiliação, e ao mesmo tempo de oposição.Portanto, todo processo de educação significa também a constituição de um sujeito. Acriança, seja em casa, na escola, em todo lugar; está se constituindo como ser humano, através de suasexperiências com o outro, naquele lugar, naquele momento. A construção do real vai acontecendo, atravésde informações e desafios sobre as coisas do mundo, mas o aspecto afetivo nesta construção continua,sempre, muito presente. Daí a necessidade de se perceber a pessoa com um ser integral.Ao estudarmos o processo de aprendizagem, sob esta ótica, encontramos em AliciaFernández, (1990) a enorme contribuição, em que destaca que o processo de aprender supõe a presença dequatro fatores: ORGANISMO (individual herdado); CORPO (construído através das suas experiências);INTELIGÊNCIA (autoconstruída interacionalmente); e o DESEJO (energia, pulsão, inconsciente).2.5.1.O CONHECIMENTO/REPRESENTAÇÃO E IMAGINÁRIOO Construtivismo seja na perspectiva Piagetiana ou Vygotskiana não se furta emreconhecer a idéia de representação ou do caráter do signo como elementos centrais ao conhecimento.Piaget partindo do caráter biológico do conhecimento, e assim o faz principiando pelocaráter da ação-motriz, enquanto destaque de uma ação mediada pelo corpóreo, parte para outrainterface do conhecimento na ordem psíquica e semiótica, em que observa a presença da imitação e suaprojeção em uma arquitetura em que se destacam os esquemas e estruturas. Salienta o mesmo que, ainteligência é da ordem bipolar biológica e psíquico-semiótica, é nesta instância complexa que seinstaura a representação e assim a comunicação. A imitação para ele é forma prefigurada darepresentação em que pontuam as condutas, mediadas por comportamento sensório- motor..Há uma concordância entre os co-construtivistas no sentido de que, a representação éelemento construtivo do conhecimento (Piaget, Vygotsky e Wallon). O espaço, entretanto, para Piaget, éalvo de considerações para a sua compreensão do que vem a ser a inteligência na sua diversidadecomplexa e bio-psíquica. (Piaget: apud: FRANCASTEL, 1988, p. 128).Para Piaget (1975), o espaço na criança é inicialmente “POSTURAL E ORGÂNICO”, ouseja, o corpo é o seu movimento. Sucede-se a este o espaço projetivo em que ai se encontra os corpos –outros – predicados de qualidades e sintomas, o movimento, a constância, entre outros fenômenos. A
  19. 19. 19terceira fase é aquela em que surge a função semiótica do signo, em que através deste a realidadedeverá se submeter. Aqui há uma partilha ou submissão do real ao campo do signo, da representação.O espaço do desenho infantil, na sua sucessão de etapas é bem a história da sucessãodestes espaços. Para Piaget (1975) o espaço é, sobretudo, a ação do que inicialmente é representação.A conquista de um espaço perspectivo é conquista signico-lógica, em que demanda ostransversamentos da estruturas e esquemas que pervertem a materialidade concreta para adentrar emestratégias de signo nas suas nuances lógico-matemática e assim ascender a um espaço euclidiano.A leitura das imagens em quaisquer dos seus suportes ajudam a criança a inserir-se nestafase do espaço medido, projetivo. A imagem, e a imaginação, respectivamente, nas formas materiais-imagem figuradas e imateriais, isto é, imagens mentais e imaginação que permite promover asestratégias geométricas que representam a realidade. A representação do espaço tridimensional emespaço bidimensional. Esta última etapa esta na fase da inteligência abstrata ou formal.2.6. CONSIDERAÇÕES GERAISApós uma pequena análise, sobre as linhas pedagógicas, de Piaget, Vygotsky, Freneit e de PauloFreire, se espera conscientizar os educadores o quanto é indispensável que a prática educativa sejailuminada teoricamente com uma atuação não só do físico, do biológico e do psicológico, mas tambémque seja um desempenho de um profissional que aplique conhecimentos, a fim de viabilizareminstrumentos que venham facilitaras crianças a progredirem com criatividade, encantamento, justiça,liberdade, imaginação, espontaneidade, na interação e na dialética.Quando abordamos pela necessidade das práticas pedagógicas serem iluminadas pelas teorias dePiaget, Vygotsky, Freneit e Paulo Freire, são porque acreditamos que os problemas e os obstáculosinerentes à aprendizagem serão mais facilmente resolvidos a partir deste conhecimento.Sendo assim, é necessário que percebamos cada criança como um ser único, com personalidade,imbuído de história de vida única, não tendo apenas um corpo vidente, resultado de combinação genética,de estruturas cognitivas e de esquemas corporais, mas um corpo açambarcado de sensibilidade, deemoções, de afetos, de desafetos, de sonhos, de desilusões e que se encontrara em permanente estado decarência na busca incessante de suprir as próprias necessidades à transcendência.Atividades Complementaresa) Procure assistir o Filme “Mentes Brilhantes”.b) Tente resolver o seguinte problema: após, a leitura das contribuições dos diversos autores,citados acima, à educação.Bernardo está cursando a 5º série, do Ensino Fundamental, porém não consegue acompanhar aturma, pois o seu desempenho em Matemática, está muito aquém, em relação à maioria daturma.Não esqueça de fundamentar seu comentário, fundamentado nos teóricos para encontrar asolução.c) Diferencie o desenvolvimento e a aprendizagem, em relação ao pensamento de Piaget eYygotsky.d) O que Vygotsky quis relatar sobre a “zona de desenvolvimento proximal?”e) Você, como futuro educador, quais os conhecimentos que você considera comofundamental ao processo ensino-aprendizagem, à luz da teoria de Wallon?f) Quando Freire elucida que todo professor precisa ser substantivamente político eadjetivamente pedagógico. O que você entende por isso?g) Leia o texto abaixo, em seguida responda as questões solicitadas.Ninguém sabe para que servem as coisas que a escola ensina (...)Os exercícios escolares são, quase sempre, feitos em torno de problemas que não existem na vida real(...). A escola não aula os alunos a resolver problemas concretos, problemas que eles realmente entendame para os quais estejam interessados em procurar solução.O modo como a escola ensina não ajuda o aluno a aprender a aprender. Ela não ensina o que fazer paraconhecer a existência de um problema, com procurar as soluções possíveis, escolher e testar a solução queparece melhor e verificar o resultado a que se chegou. E, no entanto, é procurando resolver problemas
  20. 20. 20concretos, é testando e verificando os resultados obtidos que as pessoas aprendem coisas úteis e seconvencem de que podem aprender mais.(CHECON, C. et alli. A vida na escola e a escola da vida. Petrópolis. RJ: Vozes, 1993. p. 666-667)Partindo desse texto, explique como deve ser o processo ensino-aprendizagem e proponha duasatividades que possam ser realizadas, de acordo com o seu curso, tirando como parâmetro o textoacima.UNIDADE III - AS BASES FILOSÓFICAS / IDEOLÓGICASO processo ensino-aprendizagem é indissolúvel, não enquanto processo, mas também, nasrepercussões que incidem sobre o professor e o aluno. Ambos aprendem, concomitantemente, semodificam e transforma a realidade, logo o propósito vital da educação, enquanto prática social éconsiderar tanto o discente quanto os docentes eternos aprendizes.Dessa forma, iremos estudar as diferentes abordagens que a educação sofreu durante o tempo, afim de auxiliar os professores em suas práticas educativas.
  21. 21. 213.1.ABORDAGEM TRADICIONALCaracterísticas gerais• Não se baseia nos interesses da criança, procura combaterseus impulsos naturais, a fim de inculcar-lhe virtudes morais.• Privilegiam-se o especialista, os modelos e o professor,elemento imprescindível na transmissão dos conteúdos.• Tornam-se famosos os internatos religiosos.Homem• Receptor passivo• Tabula rasa – na qual são impressas imagens e informaçõesfornecidas pelo ambiente.Mundo• É externo ao indivíduo, sendo apossado gradativamente namedida em que o indivíduo se confronta com os modelos,ideais, aquisições científicas e tecnológicas.Sociedade-cultura• Visa a perpetuação e a produção de pessoas eficientes para ummaior domínio sobre a natureza, pela ampliação eaprofundamento das áreas do conhecimento.• Visão individualista, não possibilitando, em grande parte,trabalhos em cooperação.Conhecimento• Além de rígida formação moral, o regime de estudo é rigorosoe extenso.• Valorizam-se os estudos humanísticos, privilegiando a culturagreco-latina.• Evidencia-se o caráter cumulativo de conhecimento, adquiridopelo indivíduo por meio da transmissão, de onde se supõe opapel importante da educação formal e da instituição escolar.Educação• Caracterizada pela concepção de educação como produto, jáque os modelos a serem alcançados estão pré-estabelecidos.• A transmissão dos conteúdos é selecionada e organizadalogicamente, visando à formação humanista e propedêutica(isto é voltada para educação superior).Escola• A escola se destina `a nobreza.• É o local que se restringe a um processo de transmissão deinformações em sala de aula, funcionando como uma agênciasistematizadora de uma cultura complexa.• Tenta neutralizar os fatos sociais.• Ambiente físico austero para que o aluno não se distraia.• O ato de aprender é identificado como uma cerimônia,portanto o professor deve se manter distante dos alunos.Ensino-aprendizagem• A relação professor/aluno é vertical, pois a autoridadeintelectual e moral para o aluno é o professor.• Aprende-se o saber constituído transmitido pelo professor.Professor/aluno• O mestre é que detém o saber e a autoridade, se apresentandoainda como um modelo a ser seguido.• A educação é centrada na figura do professor, ele quem dirigeo processo.Metodologia• Baseia-se nas aulas expositivas, para as aquisições de noções,dando ênfase ao esforço intelectual de assimilação e dosconhecimentos acumulados.• Método Maiêutico, ou seja, o professor dirige a classe a umresultado desejado através de uma série de exercícios querepresentam, por sua vez, passos para chegar ao objetivoproposto.
  22. 22. 22• Daí deriva o caráter abstrato do saber e o verbalismo,decorrentes dos exercícios de fixação, como leitura e cópias.• Os currículos são rígidos e os alunos são considerados blocoúnico e indiferenciado.Avaliação• Valoriza os aspectos cognitivos, ou seja, a aquisição deconhecimentos transmitidos, e privilegia a memória e acapacidade de restituir o que foi assimilado.• As provas assumem um papel central de modo a determinar ocomportamento do aluno, sempre preocupado em estudar oque será avaliado. E não em “estudar para saber”,simplesmente.• A prova passa a ter um fim em si mesma e o ritual é mantido.As notas obtidas funcionam, na sociedade, como níveis deaquisição de patrimônio cultural.• A competição e o sistema de prêmio são valorizados.Disciplina • As normas disciplinares são rigidamente estipuladas, garantema submissão e a obediência, consideradas virtudes primeira.BasesFilosóficas/Ideológicas • Tomismo,• Empirismo• Positivismo
  23. 23. 233.2. ABORDAGEM DA ESCOLA NOVACaracterísticas gerais• Baseia-se nos interesses da criança, há uma grandepreocupação com a sua natureza psicológica.• A formação do caráter moral se dá por meio doesclarecimento da vontade, que se alcança pela instrução.• Torna-se de enorme importância o professor educar ossentimentos e os desejos dos alunos por meio do controle desuas idéias.• Reconhecimento da necessidade de se usar um método para aeducação da vontade.Educar para a liberdade.• Bases filosóficas: Existencialismo e FenomenologiaHomem• Considerado como uma pessoa situada no mundo, emprocesso contínuo de descoberta de seu próprio ser, ligando-se às outras pessoas e outros grupos.• Considerado um ser de potencialidades que terão de serdesenvolvidas.• É um ser único, seja em sua vida interior, em suaspercepções e avaliações do mundo..Mundo• A ênfase está no sujeito, porém considerando o ambientecom condição necessária para seu desenvolvimentoindividual.• A visão de mundo e da realidade é desenvolvida deconotações particulares, pois na medida em que o homemexperiência o mundo, os elementos experenciados vãoadquirindo significados para o indivíduo.Sociedade-cultura• A ênfase está no homem como um processo de tornar-sepessoa., na qual o indivíduo assume a responsabilidade dasdecisões.Conhecimento• É atribuído ao sujeito o papel central na elaboração e nacriação do conhecimento.• A iniciativa e a espontaneidade são valorizadas, assim comoo ritmo de cada um.• A experiência constitui um conjunto de realidades vividaspelo homem. Sendo assim, essas realidades que possuemsignificados reais e concretos para ele, funcionam comoponto de partida para sua mudança e seu crescimento, já quenada é acabado e o conhecimento possui uma característicadinâmica.Educação• Caracterizada pela concepção de educação como processocentrado no sujeito, pois leva à valorização da buscaprogressiva da autonomia em oposição à anomia (aus6enciade regras) e à heteronomia (normas estabelecidas pelo outro).• A transmissão dos conteúdos privilegia a pedagogia da ação,portanto são construídos laboratórios, oficinas, hortas e atémesmo a imprensa.• Os jogos são considerados facilitadores da aprendizagem.• O indivíduo tem uma visai integral, não só a razão éconsiderada, mas sentimentos, emoções e ação.• As atividades de educação física e o desenvolvimento damotricidade são valorizados.
  24. 24. 24Escola• A escola é local que respeita o ritmo da criança, a suaspotencialidades.• A escola oferece à criança condições para que ela possadesenvolver-se durante o processo a “vir-a-ser”, portanto darcondições para que ela se torne autônoma.• Tenta articular o fato social à escola.Ensino-aprendizagem• A relação professor/aluno é horizontal.• Aprender a aprender, ou seja, relacionar os conhecimentosadquiridos com a experiência do aluno.Utilizar o método não diretivo, ou seja, utilizar um conjunto detécnicas que implementem a atitude básica de confiança e respeitopelo aluno.Professor/aluno• O professor, como sujeito único, assume a função defacilitador da aprendizagem, aberto às experiências eintegrado com toda turma.• A educação é centrada na figura do aluno, portanto o aluno écompreendido como um ser que auto se desenvolve.• O processo de aprendizagem deve facilitar à compreensão.Metodologia• Não se enfatiza técnica ou método para facilitar aaprendizagem.• Ênfase atribuída à relação pedagógica, com um climafavorável ao desenvolvimento das pessoas, em um clima quepossibilite liberdade de aprender.• O saber constituído transmitido pelo professor deve partir dointeresse dos alunos. Segundo Herbart, são necessários cincopassos formais, a fim de propiciar o desenvolvimento doaluno:1- Preparação- o mestre recorda o já sabido, a fim de que oaluno traga à consciência a massa de idéias necessárias paracriar interesse pelos novos conteúdos;2- Apresentação - o conhecimento novo é apresentado aoaluno, sem esquecer a clareza, ou seja, partir do concreto;3- Assimilação (ou associação ou comparação) em que aluno écapaz de comparar o novo com o velho, percebendosemelhanças e diferenças.4- Generalização – (ou sistematização) – além dasexperiências concretas, o aluno é capaz de abstrair, chegandoa concepções gerais; esse passo é muito importante naadolescência.5- Aplicação – por meio de exercícios, o aluno mostra que jásabe aplica o que aprendeu em exemplos novos; só assim amassa de idéias adquire sentido vital, deixando de ser meraacumulação inútil de informação..• A escolha dos conteúdos gira em torno dos interessesinfantis.• O professor deve se esforçar por despertar o interesse eprovocar curiosidade, sem cercear a espontaneidade.• A avaliação é compreendida como um processo para opróprio aluno e não para o professor.• Constitui apenas uma das etapas da aprendizagem e não o
  25. 25. 25Avaliação seu centro.• Não visa apenas os aspectos intelectuais, mas tambématitudes e aquisição de habilidades.• A cooperação e a solidariedade são substituídas pelo sistemade prêmios e pela competição.• A auto-avaliação é valorizada para que o aluno assumaresponsabilidade pelas formas de sua aprendizagem.• Definir e aplicar os critérios para avaliar se os objetivospropostos foram alcançados.Disciplina• Afrouxamento das normas disciplinares rígidas paraestimular a noção de responsabilidade, a capacidade crítica eo estabelecimento de uma disciplina voluntária, ou seja, acompreensão do significado e da necessidade das normascoletivas.BasesFilosóficas/Ideológicas• Pragmatismo• Neotomismo• Existencialismo• Fenomenologia3.3. ABORDAGEM DA ESCOLA TECNICISTACaracterísticas gerais• Desenvolvimento da ciência e da técnica• Escola montada a partir do modelo empresarial• Inserir a escola no modelo de racionalização e deprodutividade típicas de produção capitalista.• Adequar a educação às exigências a sociedade industrial etecnológica estabelece.• Especialização das funções, separação entre os setores deplanejamento e execução do trabalho.• Ciência deixa de estar comprometida apenas com o puroconhecimento, voltando-se para o desafio de “dominar anatureza”Homem/ Mundo • Instrumentos de produção tão importantes quanto àsmáquinas.Mundo• A ênfase está na vida produtiva.• Método científico de racionalização da produção que visaaumentar a produtividade, economizando tempo, suprindogestos desnecessários e comportamentos supérfluos nointerior do processo produtivo, conhecido como taylorismo.Sociedade-cultura• A ênfase está na formação de técnicos especializados• Os intelectuais das classes dirigentes exercem papelfundamental ao elaborar e justificar as idéias da classedominante, sendo aceitas por todos com aparenteespontaneidade.Conhecimento• Formação de técnicos especializados• Uma organização de trabalho voltada para o aumento daprodutividade, eficiência e eficácia.• Propostas de técnicas de racionalizaçãoEducação• Adequação da educação às exigências empresariais.• Caracterizada pela concepção de educação como aprender afazer cujo processo está centrado na vida produtiva.
  26. 26. 26• Essa tendência ignora o processo pedagógico, com uma forteinfluência da filosofia positivista e da psicologia americanabehaviorista.• Ênfase a mão-de-obra qualificada para indústria.Escola• A escola é local de um modelo empresarial para se tornarmais eficaz• Escola no modelo de racionalização e produtividade típicasdo sistema de produção capitalista.Ensino-aprendizagem• O método utilizado para transmissão dos conhecimentos étaylorista, supondo a divisão de tarefas atribuídas a diversostécnicos de ensino incumbidos do planejamento racional,sendo o professor o executor em sala de aula.• O processo de aprendizagem deve facilitar à observação.• A inclusão das disciplinas técnicas no currículo.• A retirada de algumas disciplinas como a Filosofia ediminuição da carga horária de outras como Geografia eHistória.
  27. 27. 27Professor/aluno• O professor executor das tarefas propostas por diversoespecialistas.• Os objetivos instrucionais re operacionais devem serclaramente esmiuçados pelo professor, estabelecendo-se umaordem seqüencial das metas a serem cumpridas.• A relação entre professor e aluno não supõe encontro afetivo,nem discussões e debates.• O professor é um técnico, portanto intermediado por recursostécnicos, transmite um conhecimento técnico e objetivo.Metodologia • Os meios didáticos valorizados são os da avançadatecnologia educacional, com a utilização de filmes, slides,máquinas de ensinar, tele ensino (“ensino a distância”),módulos de ensino etc.• O conhecimento científico precisa estar sujeita a observaçãoe experimentação, analisando apenas os fatos e suas leis.• A fragmentação do saber origina o especialista.• O poder pertence a quem possui o saber.• Os ideais de racionalidade, organização, objetividade,eficiência tem a sua fundamentação teórica no positivismo.Avaliação• A avaliação está na verificação de estarem os objetivospropostos sendo ou não atingidos.propostos foramalcançados.Disciplina• Afrouxamento das normas disciplinares rígidas paraestimular a noção de responsabilidade, a capacidade crítica eo estabelecimento de uma disciplina voluntária, ou seja, acompreensão do significado e da necessidade das normascoletivas.BasesFilosóficas/Ideológicas• Filosofia analítica• Neopositivismo• Economismo• Tecnicismo• Sistemismo
  28. 28. 283.4. ABORDAGEM COGNITIVISTACaracterísticas gerais•• Concebe a criança como um ser ativo, em uma perspectivacognitivista-interacionaista.• Ênfase aos processos centrais do indivíduo, dificilmenteobserváveis tais como: organização do conhecimento,processamento de informações, estilos de pensamento ouestilos cognitivos.• Estudar cientificamente a aprendizagem como sendo maisque um produto do ambiente, das pessoas ou dos fatoresexternos ao aluno.• Ênfase dada à capacidade do aluno integrar informações eprocessá-las.• É uma abordagem predominantemente interacionista,ancorada nos mecanismos de modelo biológico, no que serefere à dinâmica do desenvolvimento e à concepçãosistemática do pensamento.• Discussões pedagógicas acentuando os aspectosantropológicos, epistemológicos e sociais nem semprepresentes nas primeiras abordagens, entretanto não incluicultura nem a história social dos homens.Homem/ Mundo• O homem se faz pela interação social, pelas relações entreos homens e por sua ação sobre o mundo.• O indivíduo é considerado como um sistema aberto emreestrurações sucessivas, em busca de um estágio final nuncaalcançado por completo.• O núcleo do processo de desenvolvimento é consideradocomo um processo progressivo de adaptação ( no sentidopiagetiano de assimilação versus acomodação; de superaçãoconstante em direção a novas e/ou mais complexasestruturas) entre o homem e o meio.• Como o homem é um ser histórico-social, sempre quesurgem fatores novos, as antigas estruturas lógicas sedesfazem, sendo necessárias outras formas de equilibração.Sociedade-cultura• Considerar a tomada de consciência das relações de opressãojustamente para orientar-se em direção a novas formas deação pedagógica.• Caminhar o homem no sentido da democracia, o que implicalidar com as contradições sociais e problematizar a realidade.• A democracia deve ser praticada desde da infância, por seruma conquista gradual até a superação do egocentrismobásico do indivíduo.• Não há conhecimento pronto e acabado da realidade, damesma forma não existe moral estática, já que o homem seencontra em processos contínuos e sucessivos dereequilibração.• Superação do inatismo ou empirismo das teorias tradicionais.• Ênfase às relações interpessoais, à interação entre o sujeitocognoscível e o objeto cognoscente, homem e mundo.Conhecimento• A concepção de uma inteligência plástica, dinâmica, que nãose separa da afetividade.
  29. 29. 29• Privilegia à maturação biológica.• O conhecimento é considerado uma construção contínua,pois a passagem da etapa de um estágio de desenvolvimentopara a seguinte é sempre caracterizada por formação denovas estruturas que não existiam anteriormente noindivíduo, portanto os fatores internos preponderam sobre osexternos...Educação• Para Piaget a educação é um todo indissociável,considerando dois elementos fundamentais: o intelectual e aafetividade.• O objetivo da educação consiste em que o aluno aprende nainterrelação entre sujeito e objeto, visando a autonomiaintelectual, ou seja, de acordo com o estágio dedesenvolvimento.• Prioriza o pensamento secundarizando o papel da linguagemEscola• A escola é local em que possibilita ao aluno odesenvolvimento da ação motora, cultural e mental, de formaa intervir posteriormente no processo sociocultural..• Deverá propiciar ao aluno liberdade de ação, propondo umtrabalho com conceitos consoantes aos estágios dedesenvolvimento do aluno, em um processo de equilíbrio edesequilibro.Ensino-aprendizagem• O método implica assimilar o objeto a esquemas mentais.• O ensino em uma concepção piagetiana baseia- se no ensaioe no erro, na pesquisa, na investigação, na solução deproblemas por parte do aluno.
  30. 30. 30Professor/aluno• O professor supera a postura autoritária e passam a procurarouvir o aluno, aberto ao diálogo.• O professor deve simplesmente propor problemas aos alunos, sem ensinar-lhes solução.• Os objetivos instrucionais e operacionais devem serclaramente esmiuçados pelo professor, estabelecendo-se umaordem seqüencial das metas a serem cumpridas.• A relação entre professor e aluno supõe em encontro afetivonas discussões, nos debates e no respeito, de forma dialógica• O professor é um facilitador, portanto é o condutor de propordesafios.Metodologia • Não existe um modelo piagetiano. O que existe é uma teoriade conhecimento e de desenvolvimento humano que trazimplicações para o ensino.• Os meios didáticos valorizados são: programas e horáriossuficientemente flexíveis, adaptáveis às condições dosalunos, em que sejam respeitando o ritmo individual detrabalho, de assimilação do conhecimento, ao mesmo tempo,os trabalhos em grupo, com tarefas e técnicassuficientemente diversificadas.• O trabalho deve propor relações entre os diferentes ramos desaber e não reduzir formalmente o conhecimento às matériasde ensino.• O trabalho deve apresentar situações que gerem investigaçãopor parte do aluno.• É um método adequado à forma de aquisição e dedesenvolvimento dos conhecimentos, a partir de umaperspectiva de construtivismo interacionista.• Superação da dicotomia entre a teoria e a prática.Avaliação• A avaliação está na verificação dos objetivos propostos,sendo ou não atingidos.Disciplina• O desempenho do aluno é avaliado de acordo com a suaaproximação à norma qualitativa pretendida. Avaliaçãodeve acontecer durante o processo ensino-aprendizagematravés de reproduções livres, com expressões próprias,relacionando, reproduzindo sob diferentes formas eângulos etc.BasesFilosóficas/Ideológicas• Pedagogia Construtivista3.5. ABORDAGEM SOCIOINTERACIONISTACaracterísticas gerais• Defesa da escola pública.• Luta contra os mecanismos de hegemonia• Mudança da estrutura social• Concebe a criança como ser ativo, fundamentalmente social,portanto se constitui na experiência histórica e cultural nodecurso da história social.• Ênfase aos aspectos sócio-político-culturais.• Os fatos externos preponderam os internos, dependendo doambiente em que a criança se encontra o desenvolvimento
  31. 31. 31variará.Homem/ Mundo• O homem se faz pela interação social, já que a interaçãohomem-mundo, sujeito-objeto é imprescindível para odesenvolvimento do ser humano, tornando-se sujeito daprópria práxis.• Compreende o sujeito interativo porque ele se constitui apartir das relações intra e interpesoais..Sociedade-cultura• Cultura constitui a aquisição sistemática da experiênciahumana, de forma crítica e criadora e não simplesmentearmazenamento de informações justapostas.• A participação do homem como sujeito na sociedade, nacultura e na história se faz na mediada de sua própriaconscientização, na qual implica a desmistificação, em umprocesso de conscientização crítica de uma realidade que sedesvela progressivamente.Conhecimento• O indivíduo é desafiado constantemente pela realidade e acada um desses desafios ele deve responder de uma maneiraoriginal.• A elaboração e o desenvolvimento do conhecimento estãoligados ao processo de conscientização, o que implica apossibilidade de transcender a esfera da simples apreensãoda realidade para chegar a uma esfera crítica.• A construção do conhecimento se dá através da interaçãosujeito/sujeito., portanto procede-se do social para oindividual.Educação• A forma de trabalho precisa ser dialógico, cabe ao grupoautogerir a aprendizagem, definindo os conteúdos e adinâmica das atividades, permitindo o indivíduo chegar a sersujeito do processo.Construir-se como pessoa, capaz detransformar o mundo e estabelecer relações de reciprocidade,fazer cultura e a história.• O papel do professor é de animador, ou seja, levar o aluno acaminhar “junto”, porém quando necessário ele deveinterferir e fornecer uma informação mais sistematizada.Escola• A educação escolar assume caráter amplo, nexada à vida.• Ela deixa de ser simplesmente um processo de educaçãoformal.• É local de crescimento mútuo professor e aluno.• Difusão de conteúdos é a tarefa primordial, indissociáveisdas realidades sociais.• Garantir a todos, um bom ensino, isto é, apropriação dosconteúdos escolares básicos que tenham ressonância na vidados alunos.Ensino-aprendizagem• * Consiste na codificação-decodificação, sem um programapreviamente estruturado.• A problematização ajudará a superação da relação opressor-oprimido.• Educador e educando são sujeitos de um processo em que ocrescimento é mútuo.• Aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta,
  32. 32. 32isto é, da situação concreta do educandoProfessor/aluno• A relação entre professor e aluno é horizontal, não imposta,autoritária. PO professor é o mediador, excluindo, entretantoa a não-diretividade como forma de orientação para otrabalho escolar.• Valoriza-se a experiência vivida com base de relaçãoeducativa e a idéia de autogestão pedagógica.• Dar valor a linguagem e a cultura do aluno, criandocondições para que os mesmos analise o próprio contextoonde estão inseridos e produzam cultura.• Uma relação de autêntico diálogo.• O professor é um orientador, um catalisador, ele se misturaao grupo para uma reflexão comum.Metodologia • “Levantamento do universo vocabular dos grupos com quemtrabalha; escolha das palavras geradoras; criações desituações existenciais típicas do grupo que será alfabetizado;criação de fichas roteiro e elaboração de fichas com adecomposição das famílias fonéticas correspondentes aosvocábulos geradores, ficha de descoberta, contendo asfamílias fonéticas, que é utilizada para a descoberta de novaspalavras..• O objetivo é privilegiar a aquisição do saber, porém de umsaber vinculado com a realidade trazida de foraAvaliação• Consiste na auto-avaliação e/ ou avaliação mútua epermanente da prática, verificando se os objetivos propostosestão sendo ou não atingidos.Disciplina• O desempenho do aluno é avaliado de acordo com a suaaproximação à norma qualitativa pretendida. A avaliaçãodeve acontecer durante o processo ensino-aprendizagematravés de reproduções livres, com expressões próprias,relacionando, reproduzindo sob diferentes formas e ângulosetc.BasesFilosóficas/IdeológicasPedagogia LibertadoraPedagogia LibertariaPedagogia Crítico-Social dos ConteúdosAtividades Complementares1) De acordo com a teoria sociointeracionista, no processo ensino-aprendizagem é importante seestabelecer a diferença entre o que o aluno é capaz de fazer e aprender sozinho e o que é capaz defazer e aprender com a participação de outras pessoas, observando-as, imitando-as, seguindo suasinstruções e colaborando com elas. A distância entre esses dois pontos delimita a margem da açãoeducativa e é denominada por Vygotsky de nível de
  33. 33. 33a) Desenvolvimento efetivo.b) Desenvolvimento proximal.c) Desenvolvimento potencial.d) Desenvolvimento operatório.e) Aprendizagem significativa.2) As ações e atitudes do professor, em sala de aula, podem criar com os alunos uma relaçãomarcada pela participação, maturidade e criatividade, que favorecem a autonomia. Como exemplodessas ações e atitudes, pode-se destacar:a) Manter a autoridade, não admitindo seus erros diante dos alunos.b) Ocupar todo o tempo de aula com tarefas planejadas com antecedência.c) Dar tratamento privilegiado aos alunos que exerçam uma liderança considerada positiva.d) Não comentar com os alunos seus erros em sala de aula, para evitar constrangimento.e) Compartilhar com os alunos a busca de soluções para problemas surgidos no contexto da sala de aula.3) Que procedimento didático deve ser inicialmente adotado, se o professor quer desenvolver umaprática pedagógica que estimule, de forma adequada, a curiosidade e a investigação?a) Levantamento de conhecimentos prévios dos alunos.b) Exposição oral do tema principal pelo professor.c) Leitura dos conceitos básicos no livro didático.d) Coleta de informações pelos alunos em diferentes fontes.e) Registro e catalogação de dados fundamentais sobre o tema.UNIDADE IV – PRÁTICA DO DOCENTE E SUAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS.PAPELDAESCOLACONTEÚDOSDE ENSINOMÉTODOS RELACIONAMENTOPROFESSOR ALUNOPRESSUPOSTOS DEAPRENDIZAGEMMANIFESTAÇÕES NA PRÁTICAESCOLARTENDÊNCIALIBERALTRADICIONALPreparaçãointelectuale moral dosalunos;com acultura;direção aosaber é omesmopara todos.Conhecimentos e valoressociaisacumuladospelas geraçõesadultas;matériasdeterminadaspela sociedadee ordenadas nalegislação.Exposiçãoverbal damatéria e/ oudemonstração; feitas peloprofessor;ênfase nosexercícios,na repetiçãode conceitos;memorizaçãovisadisciplinar amente eformarhábitosAutoridadedo professor;atitudereceptiva dosalunos;impedequalquercomunicaçãoentre eles nodecorrer daaulaEnsinoconsiste emrepassar osconhecimentos;capacidadedeassimilaçãoda criança éidêntica à doadulto;aprendizagem é receptivae mecânica,recorre àcoação;exercíciossistemáticoserecapitulaçãoda matéria;avaliação sedá porViva e atuante emnossas escolas
  34. 34. 34verificaçõesde curtoprazo e deprazo maislongo.TENDÊNCIALIBERALRENOVADAPROGRESSISTAAdequar asnecessidadesindividuaisao meiosocialVivênciafrente adesafioscognitivos esituaçõesproblemáticas;processosmentais ehabilidadescognitivas;“aprender aaprender”“Aprenderfazendo”;valorizam-seas tentativasexperimentais, a pesquisa,a descoberta,o estudo domeio naturale social, ométodo desolução deproblema;adequadas ànatureza doaluno e àsetapas do seudesenvolvimento;importânciado trabalhoem gruponão apenascomotécnica.Seu papel éauxiliar odesenvolvimento livre eespontâneo;dar forma aoraciocíniodela;disciplinasurge de umatomada deconsciênciados limitesda vidagrupal;relacionamento positivo; “vivênciademocrática”Motivaçãodepende daforça deestimulaçãodo problema;interesses doaluno;aprender setorna umaatividade dedescoberta,altoaprendizagem; ambienteapenas omeioestimulador;avaliaçãofluida;reconhecidospeloprofessorFalta de condiçõesobjetivasTENDÊNCIALIBERALRENOVADANÃODIRETIVAFormaçãode atitudes;maispreocupada com osproblemaspsicológicos;adequaçãopessoal àssolicitaçõesdoambiente;clima dealtodesenvolvimento erealizaçãopessoal;estar bemconsigopróprio.Processos dedesenvolvimentos dasrelações e dacomunicação;secundária atransmissão deconteúdos.Esforço doprofessor emdesenvolverum estilopróprio;professor“facilitador”:aceitação dapessoa doaluno,convicção nacapacidadede altodesenvolvimento doestudante;técnicas desensibilização.Centrada noaluno;formar suapersonalidade; vivênciadeexperiênciassignificativas; especialistaem relaçõeshumanas;todaintervenção éameaçadora,inibidora daaprendizagemDesejo deadequaçãopessoal;busca de altorealização;valorizaçãodo “eu”;aprender, émodificarsuas própriaspercepções;avaliaçãoescolar perdeinteiramenteo sentido,privilegiando-se a autoavaliaçãoEducadores;orientadoreseducacionais;psicólogosescolares

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