Alteracao De Linguagem Secundaria a Lesoes Neurologicas

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Alteracao De Linguagem Secundaria a Lesoes Neurologicas

  1. 1. Ana Carla E. Vogeley ALTERAÇÃO DE LINGUAGEM SECUNDÁRIA A LESÕES NEUROLÓGICAS
  2. 2. Funções neurocognitivas <ul><li>Atenção </li></ul><ul><li>Percepção </li></ul><ul><li>Linguagem </li></ul><ul><li>Raciocínio </li></ul><ul><li>Memória </li></ul><ul><li>Aprendizagem </li></ul><ul><li>Emoção </li></ul><ul><li>Habilidades visuais </li></ul><ul><li>Processamento da informação </li></ul><ul><li>Funções motoras e executivas. </li></ul>
  3. 3. Neurolinguística e Afasiologia Como a linguagem é representada e processada no cérebro? Como ela se altera depois de uma lesão cerebral? CAPLAN, D. Neurolinguistics and linguistic aphasiology: an introduction. Cambridge: Cambridge University Press, 1990. COUDRY, M. I H. Diário de Narciso: discurso e afasia: análise discursiva de interlocuções com afásicos. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996 CAPLAN (1990)
  4. 4. Cérebro x Linguagem <ul><li>Estudo das relações cérebro-linguagem - metade do séc. XIX, mas as descrições sobre os distúrbios da linguagem resultantes de lesão cerebral somente foram publicadas no início do séc. XX. </li></ul><ul><ul><li>Abordagens localizacionistas </li></ul></ul><ul><ul><li>Abordagens discursivas </li></ul></ul>
  5. 5. Estudos localizacionistas <ul><li>HCE  linguagem </li></ul><ul><li>Primeiros indícios – Marc Dax (alterações de linguagem e hemiplegia direita – lesões HCE). </li></ul><ul><li>(FONSECA E PARENTE, 2005) </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Área de Wernicke </li></ul><ul><li>Associativa auditiva </li></ul><ul><li>Compreensão da LO, LE e tateada (Função interpretativa geral ) </li></ul><ul><li>Área de Broca </li></ul><ul><li>Anteriormente à área motora que controla a face, lábios e a língua. </li></ul><ul><li>EXPRESSÃO da LO </li></ul>Giro angular: transforma palavras ouvidas, lidas e tateadas em um único código de linguagem.
  7. 7. Relativização do localizacionismo <ul><li>Conexionismo: as faculdades mentais não se localizam em partes determinadas no cérebro - conexão de diferentes regiões. </li></ul><ul><li>Plasticidade cerebral </li></ul>
  8. 8. Como a linguagem se altera depois de uma lesão cerebral? <ul><li>Efeitos da lesão cerebral </li></ul><ul><li>Paralisia Cerebral </li></ul><ul><li>Afasia infantil </li></ul><ul><li>Afasia adulta </li></ul><ul><li>Demência </li></ul>
  9. 9. Paralisia Cerebral <ul><li>Desenvolvimento neuropsicomotor </li></ul><ul><li>Transtornos posturais constantes (movimentos atetóicos, espasmos e ataxias) </li></ul><ul><li>Grupo de desordens motoras não progressivas,, resultante de lesão neurológica nos primeiros estágios de seu desenvolvimento (2 anos). </li></ul>
  10. 10. Causas da Paralisia Cerebral <ul><ul><li>pré-natais </li></ul></ul><ul><ul><li>péri-natais </li></ul></ul><ul><ul><li>pós-natais </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>MAIOR CAUSA: anóxia peri-natal </li></ul></ul></ul>
  11. 11. Paralisia Cerebral <ul><li>PC: acomete o cérebro infantil em desenvolvimento, envolvendo questões neuro-evolutivas, de estruturas específicas funcionais do córtex. </li></ul><ul><li>A lesão inibe a maturação neurológica - tônus, postura e movimentos. </li></ul><ul><li>Há distorções de padrões normais e fixação em padrões patológicos/ primitivos do desenvolvimento. </li></ul>
  12. 12. Paralisia Cerebral <ul><li>Atraso de linguagem – níveis dependem da classe funcional </li></ul><ul><li>Disfunção cerebral mínima  limitação severa (comunicação alternativa) </li></ul>
  13. 13. Paralisia Cerebral <ul><li>Problemas associados: DI (em mais de 50% dos pacientes), estrabismo (50%), epilepsia (30%), e desordens visuais ou auditivas (20%). </li></ul><ul><li>Movimentos em bloco - impedem a exploração meio-objeto. </li></ul><ul><li>Muitas vezes há envolvimento dos centros de linguagem e  dificuldade de articulação e atenção  atraso da linguagem, o que vai interferir nas relações sociais. </li></ul>
  14. 14. Efeitos na linguagem <ul><li>Atraso no DNPM </li></ul><ul><li>Presença de reflexos primitivos </li></ul><ul><li>Alterações do tonus </li></ul><ul><li>Comprometimento cognitivo </li></ul><ul><li>Alterações sensoriais </li></ul><ul><li>Alterações dos ofas </li></ul><ul><li>Problemas alimentares e respiratórios </li></ul>
  15. 15. Efeitos da lesão cerebral <ul><li>Indivíduo com lesão cerebral - enfrentar novos fatos lingüísticos, cognitivos, sociais e subjetivos, caracterizados pelas seqüelas que surgem em função do episódio neurológico. </li></ul><ul><li>A afasia = uma das mais comuns alterações resultantes de lesão cerebral  linguagem </li></ul>
  16. 16. <ul><li>Sinais neurológicos: </li></ul><ul><li>agnosias visuais e/ou auditivas (reconhecimento) </li></ul><ul><li>apraxias (gestualidade) </li></ul><ul><li>disfagia </li></ul><ul><li>discalculia </li></ul><ul><li>hemiplegia (perda total da força de um lado do corpo) </li></ul><ul><li>hemiparesia (perda parcial) </li></ul>Efeitos da lesão cerebral
  17. 17. Efeitos da lesão cerebral e a atuação Fonoaudiológica Mac-Kay (2003) AFASIAS Alterações neurológicas Fonoaudiologia Comunicação Alimentação APRAXIAS DISFAGIAS DISARTRIAS
  18. 18. O que é a afasia? Lesão Cerebral Alteração de linguagem
  19. 19. Afasia <ul><li>Coudry (1988, 1996): perturbação da linguagem, com alteração de mecanismos lingüísticos em todos os níveis, tanto do seu aspecto produtivo, quanto interpretativo, causada por lesão estrutural adquirida no SNC. </li></ul><ul><li>Problemas na fala? Na escrita? Ou na língua? </li></ul><ul><li>Comprometimento da linguagem - varia de acordo com local e extensão da lesão </li></ul>
  20. 20. Etiologia <ul><li>Vasculares </li></ul><ul><li>Tumorais </li></ul><ul><li>Infecciosas </li></ul><ul><li>Traumas </li></ul><ul><li>Metabólicas </li></ul><ul><li>Degenerativas </li></ul>Crescimento do número de idosos - aumento dos índices de problemas circulatórios e doenças degenerativas
  21. 21. AFASIA E DEMÊNCIA <ul><li>DEMÊNCIA - síndrome  memória recente, afasia, agnosia e apraxia. </li></ul><ul><li>Afasia  secundária a um problema neurológico degenerativo e progressivo Ex.: Alzheimer </li></ul><ul><li>Deterioração global, irreverssível das funções intelectuais </li></ul>
  22. 23. Afasia infantil <ul><li>Crianças em desenvolvimento  perda das habilidades de linguagem por um dano cerebral. </li></ul><ul><ul><li>(BOONE E PLANTE, 1994) </li></ul></ul>
  23. 24. Afasia infantil <ul><ul><li>Afasia do desenvolvimento </li></ul></ul><ul><ul><li>Causas traumáticas </li></ul></ul><ul><ul><li>Sintomas  afasia adulta </li></ul></ul><ul><ul><li>Evolução rápida </li></ul></ul><ul><ul><li>Escrita mais prejudicada que a LO </li></ul></ul><ul><ul><li>Melhor prognóstico - crianças menores de 10 anos. </li></ul></ul><ul><ul><li>Dependendo da idade  atraso de linguagem (fonológico, morfossintático e semântico). </li></ul></ul>
  24. 25. FATORES ENDÓGENOS E EXÓGENOS ENVOLVIDOS <ul><li>Fatores endógenos </li></ul><ul><li>da lesão: </li></ul><ul><ul><li>Tipo de lesão </li></ul></ul><ul><ul><li>Localização </li></ul></ul><ul><ul><li>Etiologia </li></ul></ul><ul><ul><li>Extensão </li></ul></ul><ul><li>Fatores endógenos </li></ul><ul><li>do paciente: </li></ul><ul><ul><li>Idade </li></ul></ul><ul><ul><li>Dominância manual </li></ul></ul><ul><ul><li>Sexo </li></ul></ul><ul><li>Fatores exógenos </li></ul><ul><ul><li>Reabilitação da linguagem </li></ul></ul><ul><ul><li>Participação da família </li></ul></ul><ul><ul><li>Nivel intelectual, educativo e de linguagem </li></ul></ul><ul><ul><li>Estado de saúde geral </li></ul></ul>
  25. 26. Classificação das afasias <ul><li>produção verbal x compreensão verbal . </li></ul><ul><li>Motoras x sensoriais </li></ul><ul><li> (LURIA, 1987) </li></ul><ul><li>Formas mistas = comuns </li></ul>
  26. 27. Quanto à localização <ul><li>Afasias Corticais: de Broca, de Condução, Transcortical Motora, de Wernicke, Transcortical Sensorial, Anômica e Global. </li></ul><ul><li>Afasias Subcorticais  cápsula interna, núcleo caudado, tálamo, putamem  Talâmicas ou Extratalâmicas  raras com melhor prognóstico e evolução mais rápida. </li></ul>
  27. 28. Dimensões lingüísticas Linguagem espontânea Repetição Nomeação Compreensão <ul><ul><li>Distúrbios neurogênicos coexistentes: respiração, fonação, articulação e prosódia. </li></ul></ul>Campbel (2005)
  28. 29. Classificação Morato (2001): fluentes e não fluentes AFASIAS NÃO FLUENTES FLUENTES C.O. PRESERVADA C.O. PREJUDICADA REPETIÇÃO PREJUDICADA REPETIÇÃO PRESERVADA C.O. PRESERVADA REPETIÇÃO PREJUDICADA REPETIÇÃO PRESERVADA REPETIÇÃO PREJUDICADA REPETIÇÃO PRESERVADA AFASIA DE BROCA AFASIA TRANSCORTICAL MOTORA AFASIA DE WERNICKE AFASIA TRANSCORTICAL SENSORIAL AFASIA DE CONDUÇÃO AFASIA ANÔMICA
  29. 30. AFASIA DE BROCA <ul><li>Não-fluente, motora, de expressão, eferente, anterior </li></ul><ul><li>Problemas de expressão </li></ul><ul><li>Compreensão preservada </li></ul><ul><li>Parafasias semânticas/ fonêmicas </li></ul><ul><li>Fala telegráfica, agramatismo </li></ul><ul><li>Dificuldades na prosódia </li></ul><ul><li>Repetição prejudicada </li></ul><ul><li>Nomeação alterada  anomia </li></ul><ul><li>Escrita segue o padrão da LO </li></ul><ul><li>Problemas articularórios </li></ul><ul><li>Estereotipias </li></ul>
  30. 31. AFASIA TRANSCORTICAL MOTORA <ul><li>Não-fluente </li></ul><ul><li>Expressão lenta e breve </li></ul><ul><li>Nomeação alterada </li></ul><ul><li>Repetição conservada </li></ul><ul><li>Habilidade articulátória </li></ul><ul><li>Em fase aguda: mutismo e ecolalia </li></ul><ul><li>Compreensão da LO e da leitura preservada </li></ul><ul><li>Escrita segue o padrão da fala </li></ul><ul><li>Baixa qualidade na conversa espontânea, com pouca iniciativa na conversação </li></ul>
  31. 32. <ul><li>A expressão também pode estar comprometida nas afasias sensoriais, apresentando palavras ininteligíveis, parafasias, problemas de repetição, que produz uma fala em geral fluente, porém repleta de erros (MURDOCH, 1997). </li></ul>
  32. 33. AFASIA DE WERNICKE <ul><li>Fluente (temporo-parietal), sensorial, receptiva, posterior </li></ul><ul><li>Problemas de compreensão da LO e LE </li></ul><ul><li>Nomeação e prosódia preservada </li></ul><ul><li>Parafasia fonêmica e semântica </li></ul><ul><li>Repetição alterada </li></ul><ul><li>Ausência de déficits articulatórios </li></ul><ul><li>Logorréia </li></ul><ul><li>Jargões e neologismo </li></ul><ul><li>Discurso incompreensível (fala sem considerar o interlocutor) </li></ul>
  33. 34. Ishara (2005)
  34. 35. <ul><li>T: você morou em várias cidades? </li></ul><ul><li>P: eu era, eu era gefara </li></ul><ul><li>T: médica? </li></ul><ul><li>P: eu era (ininteligível) </li></ul><ul><li>T: você era a cabeça de tudo </li></ul><ul><li>P: era como chama? </li></ul><ul><li>T: chefe </li></ul><ul><li>P: eu sou o jefão </li></ul><ul><li>T: você era a chefona </li></ul><ul><li>P: cidade coubem de todo mundi, aí vim pra cá e eu que sou bebenta. </li></ul><ul><li>Bando de dados em neurolinguística (BDN) </li></ul>
  35. 36. AFASIA TRANSCORTICAL SENSORIAL <ul><li>Afasia nominal, semântica </li></ul><ul><li>Fluente </li></ul><ul><li>Parafasia semântica </li></ul><ul><li>Ecolalia </li></ul><ul><li>Compreensão alterada </li></ul><ul><li>Repetição conservada </li></ul><ul><li>(sem entender o que repete) </li></ul><ul><li>Nomeação e leitura alterada </li></ul><ul><li>Boa articulação </li></ul><ul><li>Jargão </li></ul><ul><li>Neologismo </li></ul>
  36. 37. AFASIA DE CONDUÇÃO <ul><li>Lesão dos neurônios que conectam as áreas de Broca e de Wernicke </li></ul><ul><li>Comprometimento da leitura em voz alta e escrita </li></ul><ul><li>Fluente, com parafasias fonêmicas </li></ul><ul><li>Discrepância entre compreensão e repetição </li></ul><ul><li>Repetição alterada </li></ul><ul><li>Hesitações e auto-correções </li></ul><ul><li>Prosódia e articulação conservada </li></ul><ul><li>Compreensão conservada </li></ul><ul><li>Nomeação normalmente alterada </li></ul>
  37. 38. AFASIA ANÔMICA <ul><li>Fluente, mas sem conteúdo </li></ul><ul><li>Dificuldade para evocar palavras - nomeação </li></ul><ul><li>Alterações semânticas com o acesso lexical prejudicado </li></ul><ul><ul><li>Paráfrases: “aquilo com o que se escreve” </li></ul></ul><ul><li>Repetição conservada </li></ul><ul><li>Compreensão normal ou levemente alterada </li></ul>
  38. 39. AFASIA GLOBAL <ul><li>Lesão localizada em todas as áreas da linguagem </li></ul><ul><li>Transtornos severos de compreensão e de expressão </li></ul><ul><li>Bloqueio articulatório </li></ul><ul><li>Repetição comprometida </li></ul>
  39. 40. Classificação <ul><li>Lesões sub-corticais: </li></ul><ul><ul><li>Talâmica – fluente, sem disartrias, compreensão e nomeação prejudicada - acarreta hemiplegia direita = Wernicke. </li></ul></ul><ul><ul><li>Extratalâmica – fala lenta, disártrica, não telegráfica, compreensão preservada e dificuldade de nomear. </li></ul></ul>
  40. 41. <ul><ul><ul><li>Crosson (1985) – a linguagem depende das estruturas corticais e sub-corticais. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Sub-corticais  afasias clássicas (MENDONÇA, 1994) </li></ul></ul></ul>
  41. 42. Abordagem discursiva <ul><li>Relação linguagem x cérebro: interações e intervenções da cultura, história e subjetividade. </li></ul><ul><li>AFASIA  problema discursivo </li></ul>
  42. 43. Eixos do funcionamento lingüístico – Jackobson (1975), Saussure (1969) Eixo Paradigmático (da língua) Eixo Sintagmático (da fala)
  43. 44. Algumas considerações... <ul><li>Recuperação  o quanto antes se inicie o tratamento e mais frequentes forem as sessões </li></ul><ul><li>Variabilidade entre quadros afásicos </li></ul><ul><li>Melhoria das condições de comunicação – qualidade de vida: grupo de convivências, conscientização da sociedade, resgate das AVDs, etc. </li></ul>

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