PRIMEIRA REPÚBLICA<br />POETAS E POEMAS<br />
GOMES LEAL<br />1848-1921<br />Os gemidos da árvore<br />A Árvore, em pé, no meio das planuras,cheia de riso e flor, verdu...
GUERRA JUNQUEIRO<br />1850-1923<br />Nessa tremenda ansiedade É que tu verteste, flor, A tua imensa piedade Na minha infin...
CAMILO PESSANHA<br />1867-1926<br />Passou o Outono já, já torna o frio...- Outono de seu riso magoado.Álgido Inverno! Obl...
EUGÉNIO DE CASTRO<br />1869-1944<br />Chuva de Setembro<br />Chuvinha miúda… chove, chove,<br />Molhando a eira, inchando ...
Balada da neve<br />Batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente e a ch...
TEIXEIRA DE PASCOAES<br />1877-1952<br />Os olhos dos animais<br /> <br />Que triste o olhar do cão! Até parece<br />Mais ...
AFONSO LOPES VIEIRA<br />1878-1946<br />Os burros<br />Cuidadosos,os burrinhosvão andandopor caminhos.Levam sacos,levam le...
ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA<br />1879-1960<br />O perfumeO que sou eu? – O Perfume, Dizem os homens. – Serei. Mas o que so...
FERNANDO PESSOA<br />1888-1935<br />Gato que brincas na ruaGato que brincas na rua<br />Gato que brincas na rua<br />Como ...
ANTÓNIO ALEIXO<br />1899-1949<br />É fácil a qualquer cãoTirar cordeiros da relva.Tirar a presa ao leãoÉ difícil nesta sel...
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO<br />1890-1916<br />Fim<br />Quando eu morrer batam em latas,<br />Rompam aos saltos e aos pinotes,<b...
ALMADA NEGREIROS<br />1893-1970<br />MOMENTO DE POESIA<br />Se escrevo ou leio ou desenho ou pinto,<br />Logo me sinto tão...
FLORBELA ESPANCA<br />1894-1930<br />Árvores do  Alentejo<br />Horas mortas... Curvada aos pés do MonteA planície é um bra...
Palavras de um avestruz todo gris<br />Arrancam-me as penas<br />E eu sofro sem dizer nada:<br />- Sou ave<br />Bem educad...
JOSÉ GOMES FERREIRA<br />1900-1985<br />Borboleta verde<br />Borboleta verde,<br />Aqui não há flores.<br />- Procuras nas...
Fim de Outono<br />Fim de outono... <br />Folhas mortas... <br />Sol doente... <br />Nostalgia... <br />Tudo seco pelas ho...
JOSÉ RÉGIO<br />1901-1969<br />Fado português <br />O Fado nasceu um dia, <br />quando o vento mal bulia <br />e o céu o m...
VITORINO NEMÉSIO<br />1901-1978<br />Regresso<br />Cavalo e cavaleiro o vento adornam<br />Com uma pata e uma pluma;<br />...
PEDRO HOMEM DE MELLO<br />1904-1984<br />Galgos<br />Quando são mansos, parecem lírios.<br />Parecem rosas quando são brav...
Poema das árvores<br />As árvores crescem sós. E a sós florescem.Começam por ser nada. Pouco a poucose levantam do chão, s...
MIGUEL TORGA<br />1907-1995<br />SEGREDO<br />Sei um ninho.E o ninho tem um ovo.E o ovo, redondinho,Tem lá dentro um passa...
ALICE GOMES<br />1910-1983<br />Zumbido<br />A menina andava no jardim <br />a dançar com o jasmim.<br />O menino andava n...
BIBLIOGRAFIA<br />O século XX português: personalidades que marcaram uma época – 1ª ed., Lisboa: Texto Editora, 2000<br />...
Biblioteca Escolar<br />Ano lectivo 2009/2010<br />
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Poetas da I República

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Poetas da I República

  1. 1. PRIMEIRA REPÚBLICA<br />POETAS E POEMAS<br />
  2. 2. GOMES LEAL<br />1848-1921<br />Os gemidos da árvore<br />A Árvore, em pé, no meio das planuras,cheia de riso e flor, verduras, passarinhos,- Ela é o guarda-sol dos frutos e dos ninhos.- É o tecto nupcial das conversadas puras.<br /> <br />O humilde cavador que foiça as ervas durasdos broncos matagais e escalrachos maninhos,sob ela faz o seu leito, ao cruzar os caminhos,torrado da soalheira ou nas sombras escuras.<br /> <br />Contudo, o Homem ingrato esquece a Árvore amigae prefere a Cidade e a balbúrdia inimiga,onde a alma corrompe em orgias triviais.<br /> <br />Mas a Árvore lá fica, a espreitar nas ramadascomo a mãe lacrimosa, a olhar sempre as estradas- a ver se o filho volta à cabana dos pais!<br />  <br />
  3. 3. GUERRA JUNQUEIRO<br />1850-1923<br />Nessa tremenda ansiedade É que tu verteste, flor, A tua imensa piedade Na minha infinita dor!...Eu era a sombra funesta E tu o clarão doirado; Juntámo-nos, que é que resta? Um céu de Maio estrelado.Quando vais serena e calma, Linda, inefável, como és, Vou pondo sempre a minha alma No sítio onde pões os pés.Corre o mundo, (o mundo é estreito) Podes mil mundos correr, Que hás-de calcar o meu peito sempre por ti a bater.<br />
  4. 4. CAMILO PESSANHA<br />1867-1926<br />Passou o Outono já, já torna o frio...- Outono de seu riso magoado.Álgido Inverno! Oblíquo o sol, gelado...- O sol, e as águas límpidas do rio.<br />Águas claras do rio! Águas do rio,Fugindo sob o meu olhar cansado,Para onde me levais meu vão cuidado?Aonde vais, meu coração vazio?<br />  <br />
  5. 5. EUGÉNIO DE CASTRO<br />1869-1944<br />Chuva de Setembro<br />Chuvinha miúda… chove, chove,<br />Molhando a eira, inchando a uva…<br />Mãos d’ anjo fazem rendas d’ água,<br />Prendem-me aqui grades de chuva…<br />Chuvinha miúda… chove, chove,<br />Nos pinheirais, dentro de mim…<br />Lembra-me agora aquela tarde<br />Em que também chovia assim…<br />Quanto chorámos nessa hora,<br />Que já de nós tão longe vai!<br />Chuvinha miúda… chove… chove…<br />Sonhos d’ amor, chorai, chorai…<br />  <br />
  6. 6. Balada da neve<br />Batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente e a chuva não bate assim.<br />É talvez a ventania: mas há pouco, há poucochinho, nem uma agulha bulia na quieta melancolia dos pinheiros do caminho...<br />Quem bate, assim, levemente, com tão estranha leveza, que mal se ouve, mal se sente? Não é chuva, nem é gente, nem é vento com certeza.<br />Fui ver. A neve caía do azul cinzento do céu, branca e leve, branca e fria...Há quanto tempo a não via! E que saudades, Deus meu!<br />Olho-a através da vidraça. Pôs tudo da cor do linho. Passa gente e, quando passa, os passos imprime e traça na brancura do caminho...<br />AUGUSTO GIL<br />1873-1929<br />Fico olhando esses sinais da pobre gente que avança, e noto, por entre os mais, os traços miniaturais duns pezitos de criança...<br />E descalcinhos, doridos... a neve deixa inda vê-los, primeiro, bem definidos, depois, em sulcos compridos, porque não podia erguê-los!...<br />Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!...<br />E uma infinita tristeza, uma funda turbação entra em mim, fica em mim presa. Cai neve na Natureza <br />e cai no meu coração.<br />
  7. 7. TEIXEIRA DE PASCOAES<br />1877-1952<br />Os olhos dos animais<br /> <br />Que triste o olhar do cão! Até parece<br />Mais um queixume, um íntimo lamento<br />Da noite interior que lhe escurece<br />O coração, que é todo sentimento.<br /> <br />E os mansos bois soturnos! Que tormento,<br />Em seus olhos, tão calmos, transparece…<br />E os olhos da ovelhinha e do jumento!<br />Que tristes! Só o vê-los entristece…<br /> <br />Chora, em todo o crepúsculo, a tristeza.<br />E, além dos ser humano, a Natureza<br />É lívida penumbra feita de ais…<br /> <br />Por isso, o vosso olhar de escuridão<br />É mais lágrima ainda que visão,<br />Ó pobres e saudosos animais!<br />
  8. 8. AFONSO LOPES VIEIRA<br />1878-1946<br />Os burros<br />Cuidadosos,os burrinhosvão andandopor caminhos.Levam sacos,levam lenha…Pesa a cargaque é tamanha!Levam coisasp'ró mercado,no alforgetão pesado.E transportamtudo, tudo,no seu passotão miúdo.<br />Tão miúdo<br />Tão esperto<br />Que anda tanto<br />Por ser certo<br /> <br />Do seu dono<br />Que seria<br />Sem o burro?<br />Que faria?<br /> <br />E esse dono<br />Quando é mau<br />Dá-lhe, dá-lhe<br />Com um pau!<br /> <br />E o burrinho<br />Sofre então…<br />Tem nos olhos<br />O perdão!<br />
  9. 9. ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA<br />1879-1960<br />O perfumeO que sou eu? – O Perfume, Dizem os homens. – Serei. Mas o que sou nem eu sei... Sou uma sombra de lume!Rasgo a aragem como um gume De espada: Subi. Voei.Onde passava, deixeiA essência que me resume.Liberdade, eu me cativo: Numa renda, um nada, eu vivo Vida de Sonho e Verdade!Passam os dias, e em vão! – Eu sou a Recordação; Sou mais, ainda: a Saudade.<br />
  10. 10. FERNANDO PESSOA<br />1888-1935<br />Gato que brincas na ruaGato que brincas na rua<br />Gato que brincas na rua<br />Como se fosse na cama,Invejo a sorte que é tuaPorque nem sorte se chama.Bom servo das leis fataisQue regem pedras e gentes,Que tens instintos geraisE sentes só o que sentes.És feliz porque és assim,Todo o nada que és é teu.Eu vejo-me e estou sem mim,Conheço-me e não sou eu.<br />
  11. 11. ANTÓNIO ALEIXO<br />1899-1949<br />É fácil a qualquer cãoTirar cordeiros da relva.Tirar a presa ao leãoÉ difícil nesta selva. <br />
  12. 12. MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO<br />1890-1916<br />Fim<br />Quando eu morrer batam em latas,<br />Rompam aos saltos e aos pinotes,<br />Façam estalar no ar chicotes,<br />Chamem palhaços e acrobatas!<br />Que o meu caixão vá sobre um burro<br />Ajaezado à andaluza…<br />A um morto nada se recusa<br />E eu quero por força ir de burro!<br />
  13. 13. ALMADA NEGREIROS<br />1893-1970<br />MOMENTO DE POESIA<br />Se escrevo ou leio ou desenho ou pinto,<br />Logo me sinto tão atrasado<br />No que devo à eternidade,<br />Que começo a empurrar pra diante o tempo<br />E empurro-o, empurro-a à bruta<br />Como empurra um atrasado,<br />Até que cansado me julgo satisfeito.<br />(Tão gémeos são<br />A fadiga e a satisfação!)<br />Em troca, se vou por aí<br />Sou tão inteligente a ver tudo o que não é comigo,<br />Compreendo tão bem o que não me diz respeito,<br />Sinto-me tão chefe do que está fora de mim,<br />Dou conselhos tão bíblicos aos aflitos de uma aflição que não é a minha,<br />Que, sinceramente, não sei qual é melhor:<br />Se estar sozinho em casa a dar à manivela da vida,<br />Se ir por aí e ser Rei de tudo o que não é meu.<br />
  14. 14. FLORBELA ESPANCA<br />1894-1930<br />Árvores do  Alentejo<br />Horas mortas... Curvada aos pés do MonteA planície é um brasido e, torturadas,As árvores sangrentas, revoltadas,Gritam a Deus a bênção duma fonte!E quando, manhã alta, o sol posponteA oiro a giesta, a arder, pelas estradas,Esfíngicas, recortam desgrenhadasOs trágicos perfis no horizonte!Árvores! Corações, almas que choram,Almas iguais à minha, almas que imploramEm vão remédio para tanta mágoa!Árvores! Não choreis! Olhai e vede:Também ando a gritar, morta de sede,Pedindo a Deus a minha gota de água!<br />
  15. 15. Palavras de um avestruz todo gris<br />Arrancam-me as penas<br />E eu sofro sem dizer nada:<br />- Sou ave<br />Bem educada.<br /> <br />E, se quisesse,<br />Podia<br />Morder-lhes as mãos morenas,<br />A esses <br />que sem piedade<br />Me roubam estas penas que me cobrem;<br /> <br />E, no entanto,<br />Sem o mais breve gemido,<br />O meu corpo<br />Vai ficando<br />Desguarnecido... <br />E, elas,<br />Aquelas<br />Que se enfeitam, doidamente,<br />Com estas penas formosas<br />- Que são minhas!<br />Passam por mim, desdenhosas,<br />Em gargalhadas mesquinhas.<br /> <br />Sim; eu sofro sem dizer nada:<br />- Sou ave<br />Bem educada.<br />ANTÓNIO BOTTO<br />1897-1959<br />
  16. 16. JOSÉ GOMES FERREIRA<br />1900-1985<br />Borboleta verde<br />Borboleta verde,<br />Aqui não há flores.<br />- Procuras nas pedras<br />Jardins interiores?<br /> <br />Borboleta verde,<br />Aqui não há zumbidos.<br />- Procuras nas pedras<br />Perfumes dormidos?<br /> <br />Borboleta verde,<br />Aqui só há calçadas.<br />- Procuras nas pedras<br />As flores geladas?<br /> <br />Borboleta verde<br />Chama quase morta.<br />- Também eu, também<br />Aos tombos nas pedras<br />Não encontro a Porta.<br />
  17. 17. Fim de Outono<br />Fim de outono... <br />Folhas mortas... <br />Sol doente... <br />Nostalgia... <br />Tudo seco pelas hortas, <br />Grandes lágrimas no chão<br /> Nem uma flor pelos montes, <br />Tudo numa quietação <br />Soluça numa oração <br />O triste cantar das fontes. <br />Fim de outono... <br />Folhas mortas... <br />Sol doente... <br />Nostalgia... <br />A terra fechou as portas <br />Aos beijos do sol ardente, <br />E agora está na agonia... <br />Valha à terra agonizante <br />A Santa Virgem Maria! <br />Fim de Outono... <br />Folhas mortas...<br /> Sol doente... <br />Nostalgia... <br />FERNANDA DE CASTRO<br />1900-1994<br />
  18. 18. JOSÉ RÉGIO<br />1901-1969<br />Fado português <br />O Fado nasceu um dia, <br />quando o vento mal bulia <br />e o céu o mar prolongava, <br />na amurada dum veleiro, <br />no peito dum marinheiro <br />que, estando triste, cantava, <br />que, estando triste, cantava. <br />Ai, que lindeza tamanha, <br />meu chão, meu monte, meu vale, <br />de folhas, flores, frutas de oiro, <br />vê se vês terras de Espanha, <br />areias de Portugal, <br />olhar ceguinho de choro. <br />Na boca dum marinheiro <br />do frágil barco veleiro, <br />morrendo a canção magoada, <br />diz o pungir dos desejos <br />do lábio a queimar de beijos <br />que beija o ar, e mais nada, <br />que beija o ar, e mais nada. <br />Mãe, adeus. Adeus, Maria. <br />Guarda bem no teu sentido <br />que aqui te faço uma jura: <br />que ou te levo à sacristia, <br />ou foi Deus que foi servido <br />dar-me no mar sepultura. <br />Ora eis que embora outro dia, <br />quando o vento nem bulia <br />e o céu o mar prolongava, <br />à proa de outro veleiro <br />velava outro marinheiro <br />que, estando triste, cantava, <br />que, estando triste, cantava. <br />
  19. 19. VITORINO NEMÉSIO<br />1901-1978<br />Regresso<br />Cavalo e cavaleiro o vento adornam<br />Com uma pata e uma pluma;<br />À tarde unidos tornam,<br />Um estante de sangue numa rosa de espuma.<br />Tanta pressa, afinal, para coisa nenhuma.<br />
  20. 20. PEDRO HOMEM DE MELLO<br />1904-1984<br />Galgos<br />Quando são mansos, parecem lírios.<br />Parecem rosas quando são bravos.<br />A igreja é bosque, cheio de círios,<br />Gótica igreja, cheia de cravos.<br />Leves, tão leves! Leves, esguios…<br />Não sujam praias; não lembram gente.<br />E, reflectidos nas águas dos rios,<br />Dir-se-iam asas… E a água não mente!<br />Deram as rússias aos portugueses!<br />Cães de fidalgo.<br />Cães de solar.<br />Ó meus irmãos, parai, por vezes,<br />Parai a vê-los, que vão findar!<br />
  21. 21. Poema das árvores<br />As árvores crescem sós. E a sós florescem.Começam por ser nada. Pouco a poucose levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,e os frutos dão sementes,e as sementes preparam novas árvores.E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.Sós.De dia e de noite.Sempre sós.Os animais são outra coisa.Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,fazem amor e ódio, e vão à vidacomo se nada fosse.As árvores, não.Solitárias, as árvores,exauram terra e sol silenciosamente.Não pensam, não suspiram, não se queixam.Estendem os braços como se implorassem;com o vento soltam ais como se suspirassem;e gemem, mas a queixa não é sua.Sós, sempre sós.Nas planícies, nos montes, nas florestas,A crescer e a florir sem consciência.Virtude vegetal viver a sósE entretanto dar flores.<br />ANTÓNIO GEDEÃO<br />1906-1997<br />
  22. 22. MIGUEL TORGA<br />1907-1995<br />SEGREDO<br />Sei um ninho.E o ninho tem um ovo.E o ovo, redondinho,Tem lá dentro um passarinhoNovo.<br />Mas escusam de me atentar:Nem o tiro, nem o ensino.Quero ser um bom meninoE guardarEste segredo comigo.E ter depois um amigoQue faça o pinoA voar...<br />
  23. 23. ALICE GOMES<br />1910-1983<br />Zumbido<br />A menina andava no jardim <br />a dançar com o jasmim.<br />O menino andava no pomar<br />as cerejas a provar. <br />Um zângão surgiu<br />a menina fugiu.<br />O menino mexeu na colmeia.<br />Que coisa tão feia!...<br />O enxame irritou.<br />O zângão <br />zangado<br />atacou<br />e uma abelha picou.<br />A mão do menino inchou<br />Mas ele não chorou.<br />Gato que brincas na rua<br />
  24. 24. BIBLIOGRAFIA<br />O século XX português: personalidades que marcaram uma época – 1ª ed., Lisboa: Texto Editora, 2000<br />http://cvc.instituto-camoes.pt/literatura/historialit.htm [consultado em 09-06-2010]<br />http://www.vidaslusofonas.pt/asvidas.htm [consultado em 09-06-2010]<br />http://www.leme.pt/biografias/80mulheres/castro.html<br />
  25. 25. Biblioteca Escolar<br />Ano lectivo 2009/2010<br />

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