Arte da idade média - Gótica

7,944 views

Published on

História da Arte e da Arquitetura - Arte Gótica

Published in: Education
  • Be the first to comment

Arte da idade média - Gótica

  1. 1. CENTRO DE ENGENHARIA E COMPUTAÇÃO ARQUITETURA E URBANISMO HISTÓRIA DA ARTE E DA ARQUITETURA I ANA KYZZY FACHETTI 2012_1
  2. 2. AULA 9 Idade Média ARTE GÓTICA Arquitetura, Escultura, Pintura, Gravuras e Artes Aplicadas
  3. 3. Em seu sentido mais estrito, arte gótica significaria a arte própria dos godos; Foram os teóricos do Renascimento que viram, na arte de épocas anteriores à sua, um reflexo da arte inventada pelos godos, que “após haver arruinado os edifícios antigos e matado os arquitetos nas guerras, passaram a construir cobrindo as abóbadas com arcos ogivais e inundaram toda a Itália com essa maldição de edifícios, dos quais não podiam ter feito mais.” Giorgio Vasari Porém, entende-se por arte gótica um extensíssimo conjunto de manifestações artísticas produzidas dentro do âmbito da cultura ocidental entre meados do século XII e o século XVI; A historiografia romântica que se interessou pela arte medieval, superando as conotações negativas que o termo “gótico” implicava, distinguiu em seu conjunto um período Românico e outro período mais extenso que, apesar de haver controvérsias, conservou a denominação de gótico. ARTE GÓTICA Arquitetura / escultura / pintura
  4. 4. ARTE GÓTICA Europa Gótica O Gótico, criado na Île- de-France, difundiu-se por toda a Europa, sendo assimilado e adaptado em graus variáveis por cada país; Numa fase posterior, difundiu-se na Itália (especialmente na Toscana) um novo sentido plástico, que se alastrou para o resto da Europa.
  5. 5. ARTE GÓTICA Quadro histórico da Arte Gótica Século XII: Expansão ocidental – crescimento demográfico e aperfeiçoamento de métodos agrícolas e comerciais; Afirmação do poder real frente à decadência do feudalismo; Cruzadas e demais conquistas expansionistas; Intensificação da reforma monástica – ordem Cister de, de São Bernardo; Escolas catedráticas e urbanas – arrebatarão a primazia aos mosteiros como foco da cultura; Século XIII: Considerado o século do máximo esplendor medieval, em que as tendências de expansão do século anterior atingem o apogeu; A instituição monárquica solidifica seu prestígio; Institucionalização dos Estados; Importante atividade cultural no seio destes Estados, em boa parte impulsionada pelos próprios monarcas – sentimento nacionalista; Prosperidade econômica – indústria têxtil (importante produtor de riquezas) e rotas e os centros de intercâmbio comercial; Crescimento das cidades: corporações de ofícios e classe burguesa no governo dos municípios; Ordens mendicantes: franciscanos e dominicanos; Universidades – centro de ensino e atividade intelectual: franciscanos e tomistas.
  6. 6. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Não representa um estilo inteiramente novo, mas sim um ponto de chegada de contínuos aperfeiçoamentos técnicos e estéticos, feitos ainda pelos construtores românicos; Foi a primeira arte a construir-se com total exclusão de influências orientais (bizantinas) e clássico-helenísticas; A arquitetura gótica foi considerada desde o séc. XIX (Romantismo), a mais espetacular de toda a Idade Média, cujo espírito de cavalaria e misticismo tão bem simboliza; A originalidade desta arquitetura concretizou-se a partir de três áreas específicas: nas inovações técnicas, na implementação de uma nova estética e nas alterações das estruturas formais; A principal e mais característica invenção técnica da arte gótica foi o arco ogival, muito mais dinâmico que o estático arco redondo românico e que exercia menor pressão lateral, possibilitando a construção de abóbadas de cruz ou cruzaria de ogivas ou abóbada de ogivas; Estas abóbadas tornaram-se mais elásticas e dinâmicas, adaptando-se melhor às formas e dimensões dos espaços a cobrir, o que permitiu aumentar as áreas de construção, e sendo mais leves e fáceis de sustentar, elevaram-se cada vez mais, contribuindo para uma maior verticalidade das construções.
  7. 7. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Abadia de Saint-Denis. 1140-1281. Saint-Denis, França Um marco da arquitetura francesa, a abadia de Saint-Denis foi a inspiração de todos os construtores de catedrais góticas; Um século depois da consagração da fachada ocidental e da nave, Pierre de Montreuil começou a trabalhar no coro e no transepto; O trifório do transepto foi preenchido com vitrais; O atual aspecto da catedral deve muito à obra de Viollet-le-Duc, que a restaurou entre 1858-1879.
  8. 8. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Abóbadas De berço De aresta De ogiva
  9. 9. A técnica construtiva da arquitetura gótica repousou, por isso, nas abóbadas de cruzaria ogival, assentes num novo e complexo sistema de pilares e de contrafortes que suportavam todo o peso daqueles através de um perfeito equilíbrio de forças; Esta técnica envolveu conhecimentos avançados e sofisticadas maquinarias, assim como, uma boa organização prévia da obra, que racionalizava e rentabilizava o moroso trabalho; Assim sendo, a arte gótica revelou-se uma arte intelectualizada e conceptualista, com um espírito tecnicista e intelectual, mundano e urbano, dogmático e sensível. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Saint-Urbain, Troyes, França
  10. 10. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Chartres, 1192-1220, Chartres, França. A perfeição do plano interior desta catedral é o resultado de lições aprendidas a partir de outras construções; Não há galeria e o clerestório (galeria superior ao trifório, nas igrejas ogivais) permite a entrada da luz em abundância; Três fileiras de arcobotantes constituem uma característica muito importante desta catedral.
  11. 11. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Estrutura de uma catedral gótica
  12. 12. ARTE GÓTICA ARQUITETURA A catedral de Chartres (1194-1220) costuma ser considerada a mais perfeita das catedrais góticas; Constitui o modelo a que se submete grande parte das erguidas posteriormente; Houve um incêndio que destruiu parcialmente a antiga catedral românica de Chartres, sendo preciso reconstruir-lhe a fachada (incluindo o portal régio); Em 1194, um outro incêndio afetou o que restara do antigo edifício e a reconstrução foi planejada em termos muito ambiciosos;
  13. 13. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Chartres, 1192-1220, Chartres, França.
  14. 14. ARTE GÓTICA Catedral de Notre-Dame. Fachada. 1210, Paris. A fachada da catedral de Notre-Dame em Paris é um bom exemplo da maneira como se articulam as obras numa primeira fase da arquitetura gótica; Destaca-se pelo equilíbrio obtido entre todos os seus elementos; É construída por três corpos verticais separados por maciços contrafortes; Os contrafortes laterais são rematados cada um por uma torre; Horizontalmente, também existe uma tríplice divisão: os portais; a galeria real; rosácea; Alguns detalhes da fachada do edifício denunciam a intervenção, com propósito restaurador, de Viollet-le- Duc, uma das personalidades que mais decisivamente contribuíram para a revalorização da arquitetura gótica; ARQUITETURA
  15. 15. ARTE GÓTICA ARQUITETURA As obras da catedral de Notre-Dame foram iniciadas em 1163; O edifício é de dimensões sensivelmente maiores que seus precedentes; Consta de naves laterais duplas e sua planta parece mais compacta por não ultrapassar os extremos do cruzeiro; Entretanto, em elevação, o cruzeiro constitui um volume completamente diferenciado; Não foi a primeira construção a utilizar os arcobotantes, mas os desta catedral se transformaram em elementos arquitetônicos plenamente adaptados à sua função. Planta de Notre-DameElevação interior de uma catedral gótica 1. Rendilhado; 2. Lanceta; 3. Clerestório; 4. Trifório; 5. Arco de descarga; 6. Galeria ou tribuna; 7. Ábaco; 8. Capitel; 9. Pilar retangular; 10. Pilar cilíndrico; 11. Base.
  16. 16. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Notre-Dame. Fachada. 1210, Paris.
  17. 17. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Notre-Dame. Fachada. 1210, Paris.
  18. 18. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Notre-Dame. Fachada. 1210, Paris.
  19. 19. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Beauvais, França; 1225. Das catedrais que se seguiram a de Chartres, cabe citar o virtuosismo arquitetônico de Beauvais; Forçaram-se ao extremo as possibilidades técnicas, com o intuito de obter uma elevação máxima e de chegar a substituir totalmente as paredes por vitrais; Assim, os arquitetos de Beauvais quiseram suspender as abóbadas até quase 50 metros de altura, mas estas desmoronaram em 1284; A parte construída foi reparada, mas as obras não foram concluídas; De certo modo, o desabamento da catedral pôs fim às aspirações ao gigantismo na arquitetura gótica.
  20. 20. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Nave da Catedral de Wells, Inglaterra, séculos XIII-XIV.
  21. 21. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Wells, séculos XIII-XIV. A primeira fase da arquitetura gótica na Inglaterra denomina-se Early English; Entre os elementos próprios do gótico inglês então desenvolvidos estão a cabeceira plana, o cruzeiro duplo, a chamada Lady Chapel e as salas capitulares de planta centralizada (permitindo o desenvolvimento de impressionantes abóbadas em leque); Numa fase posterior os elementos decorativos adquiriram maior importância (especialmente as molduras) dando lugar ao Decarated Style; A esse momento corresponde o erguimento de uma grande torre no vão central do cruzeiro de Wells, que obrigou a reforçar os suportes; A solução adotada é certamente original: arcos ogivais invertidos, produzindo um considerável efeito plástico.
  22. 22. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Wells, séculos XIII-XIV.
  23. 23. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Wells, séculos XIII-XIV.
  24. 24. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Gerona, séc. XIV. Espanha.
  25. 25. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Catedral de Gerona, séc. XIV. Espanha. O tipo de igreja com nave única foi introduzido na Catalunha pelas ordens mendicantes, sendo desenvolvido com grande originalidade no contexto da arquitetura gótica catalã; O caso da catedral de Gerona é paradigmático; Optou-se pela nave única para que a igreja ficasse mais solene, mais iluminada e bem proporcionada; A nave da catedral de Gerona é a mais larga de todas as construídas no período Gótico. Corte transversal da igreja de Santa Maria del Mar, Barcelona. A partir de 1329. Além das igrejas com nave única, a arquitetura gótica catalã desenvolve outro tipo de igrejas com naves laterais elevadas, praticamente a mesma altura da central.
  26. 26. A estética inovadora da arte Gótica acentuou significativamente a verticalidade dos edifícios e tornou os espaços internos mais amplos e abrangentes; As paredes deixaram de possuir o papel de suporte, passando apenas a delimitar e proteger os espaços, o que permitiu que se rasgassem amplas janelas que tornaram os espaços interiores mais iluminados, o que favoreceu a "poética da luz" da época; ARTE GÓTICA ARQUITETURA A arquitetura gótica, na verdade, não é possível uma definição global com base nos elementos que a configuram. Porém, alguns destes elementos tornam-se arquetípicos no contexto de um modelo como a catedral gótica: - Arco ogival – muito difundido no período gótico, pode ter muitas variações, segundo a proporção entre a sua altura e seu vão: arco lanceolado, arco em asa de cesto, etc. - Abóbada ogival ou abóbada sobre o cruzamento de ogivas – variam de acordo com a quantidade de ogivas que se cruzam: quadripartida, sexpartida, estrelada ou de terciarão, em leque, etc. - Paredes mais finas – não tinham função estrutural, por isso podiam ser cortadas para a implantação dos grandes vãos e vitrais; - Arcobotantes – auxiliar na função estrutural: transmitir o empuxo lateral da abóbada aos contrafortes, normalmente situados no exterior.
  27. 27. Ogiva simétrica, baseada num triângulo equilátero Diferentes ogivas: A (centros dentro da base da ogiva), B(centros nos pés da ogiva - simétrica equilátera) e C (nesta construção específica, a altura e a largura são iguais) Ogiva lanceolada, cuja altura é ligeiramente menor do que a largura ARTE GÓTICA ARQUITETURA
  28. 28. Arcobotante Abóbada de Ogiva ARTE GÓTICA ARQUITETURA
  29. 29. A planta A planta da catedral corresponde ao tipo de planta basilical – uma nave central, de maior importância, ladeada ou não por naves colaterais; Nave central: a importância deste elemento não se deve unicamente a sua largura, mas também à altura; Quanto maior a altura, mais intensa será a iluminação do interior; A planta baixa de uma catedral gótica é bem característica e nela se destacam, particularmente, dois elementos: a cabeceira e o cruzeiro; Torres Além das torres da fachada (coroada por flechas), as grandes catedrais góticas foram planejadas para serem dotadas de outras, normalmente até um total de sete; Deviam ser dispostas ladeando o cruzeiro e sobre o vão central deste; Na maioria dos casos, não foram concluídas, ou só o foram em épocas posteriores; O conjunto exterior da catedral gótica assume uma evidente dimensão monumental que se destaca do contexto urbano; ARTE GÓTICA ARQUITETURA
  30. 30. A planta ARTE GÓTICA ARQUITETURA Notre-Dame, Paris Wells, Inglaterra Reims, Paris Toledo, Espanha
  31. 31. Catedral de Albi, França ARTE GÓTICA ARQUITETURA
  32. 32. A nova estética do gótico também propiciou ainda a criação de novas tipologias dentro da arquitetura civil: castelos senhoriais, palácios urbanos e casas comunais que respondiam com maior eficácia às necessidades do modo de vida da época. ARTE GÓTICA ARQUITETURA
  33. 33. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Castelo Fère-en-Tardenois, Aisne, França, séc . XII
  34. 34. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Castelo de Aigle, séc. XII, Suíça
  35. 35. ARTE GÓTICA ARQUITETURA Castelo Coucy-le-Château, Aisne, França, séc. XIII
  36. 36. ARTE GÓTICA ESCULTURA Em relação aos portais românicos, nos quais a escultura se concentra em tímpanos e dintéis, os góticos implicam uma relação muito mais fecunda entre os elementos arquitetônicos e escultóricos; É na catedral de Saint-Denis, na île-de- France, que se propagou esta transformação; Quando o abade Surger empreendeu a construção da nova fachada de sua abadia, desenhou um programa iconográfico em que a imagem real passava a ocupar lugar de destaque; Embora não esteja claro que a inclusão destas figuras fosse uma alusão direta ou indireta à monarquia francesa, é evidente que de algum modo se pretende valorizar a imagem do rei, com isso, o portal principal passou a ser chamado de portal-régio. Portal da Abadia de Saint-Denis, França Em Saint-Denis aparece pela primeira vez a estátua- coluna, nas jambas (cada uma das peças laterais das portas e janelas aparelhadas em torno das colunas), isto é, a coluna com uma figura adossada; Essa inovação possibilitou a libertação da escultura monumental da férrea sujeição ao enquadramento arquitetônico; As arquivoltas também foram ressaltadas juntamente com as estátuas-colunas.
  37. 37. ARTE GÓTICA ESCULTURA Portal régio de Chartres, França. Desenvolve o modelo estabelecido em Saint-Denis; Clareza na exposição dos temas; Temas perfeitamente hierarquizados e adaptados aos marcos; Formas menos agitadas que as românicas; Adequação à função ilustrativa; A partir dessa nova harmonia de Chartres, começa a evolução rumo aos grandes portais do gótico clássico; Nas jambas, as personagens coroadas que deram nome aos portais régios são progressivamente substituídas pelo colégio apostólico e por imagens de santos, todos em seus respectivos atributos.
  38. 38. ARTE GÓTICA ESCULTURA A iconografia dos portais adquire uma clara intencionalidade didática, ordenando-se hierarquicamente em virtude de uma exposição redundante dos conceitos
  39. 39. ARTE GÓTICA ESCULTURA Porta do Sarmental, 1230-1240. Catedral de Burgos Trata-se da mais antiga das portas castelhanas, o que se reflete claramente em sua iconografia: tema apocalíptico; Cristo em sua majestade é rodeado por uma dupla representação dos evangelistas (com seus símbolos e como escribas da época); No dintel aparecem os apóstolos; Como em seus mais próximos modelos franceses, no mainel aparece a figura do bispo; A clareza da composição é muito própria da primeira fase gótica.
  40. 40. No Gótico Inicial as estátuas mostram ainda uma forma alongada e rigidez na posição, mas que se começam a distinguir do estilo Românico pelos rostos cada vez mais individualizados e pormenorizados, que denotam calma e serenidade; À medida que se aproxima o Gótico Pleno, é procurada uma tendência mais naturalista e realista: os corpos apresentam um maior volume e posições ligeiramente mais curvilíneas; Os portais do século XIII, além de constituírem extensos repertórios iconográficos, dão lugar aos desenvolvimento de certo senso narrativo e, sobretudo, da escultura de vulto redondo. Há a total desvinculação do marco arquitetônico, que pressupõe uma nova e importante conquista, da qual se obtém resultados no próximo século; A partir do séc. XIV as figuras denotam um "S" sinuoso, quase em contraposto (posição assimétrica e obliqua do corpo em relação ao seu eixo: o tronco roda para um lado e as pernas para outro, formando um "S") e os panejamentos (roupagem) apresentam linhas arredondadas, sobrepostas e profundas, que acentuam a forma dos corpos e o requebro das ancas e contribuem para um crescente realismo. ARTE GÓTICA ESCULTURA A estatuária
  41. 41. ARTE GÓTICA ESCULTURA Estatuária decorativa do exterior da catedral de Salisbury
  42. 42. A expressão formal procura exprimir a perfeição espiritual e por isso as figuras são tratadas com maior correção anatômica e detalhe; Os santos, a Virgem e Cristo têm outra mensagem, refletindo mais verdade, sensibilidade, serenidade e ternura - humanização do Céu; Por isso, estas figuras possuem gestos humanizados, proporcionalidade, naturalismo, graciosidade, liberdade de traçado, de modelado e de composição, e transmitem uma mensagem de doçura, beleza e desejo de viver; Porém, a partir do final do séc. XIV, a expressividade estimulada pela crise religiosa, revela-se na representação do homem, dos santos e do próprio Cristo, que denotam um sofrimento exagerado nos rostos e corpos esquálidos, despertando a piedade dos fiéis; ARTE GÓTICA ESCULTURA A estatuária
  43. 43. ARTE GÓTICA ESCULTURA Escultura da Madonna de Krummau, Viena, séc. XIV Virgem da Sainte- Chapelle, Paris, Séc. XIV Escultura da Virgem e do Menino, séc. XIV O culto à Virgem é um dos fatos que melhor caracterizam a arte gótica; A Virgem passa a ser uma imagem simbólica da Igreja e também costuma aparecer nos tímpanos (Senlis).
  44. 44. ARTE GÓTICA ESCULTURA "Pietá da Renânia", escultura em madeira de tília pintada, séc. XIV
  45. 45. A escultura gótica dividiu-se em duas tipologias: A escultura decorativa/monumental – principalmente nas fachadas e portais e que, juntamente com outros elementos variados (pináculos, rosáceas, agulhas, gárgulas, vitrais...), caracteriza o exterior das igrejas, onde o "horror ao vazio" é extremamente notório; As cenas mais representadas são: Cristo em Majestade, O Último Julgamento ou Juízo Final, a vida da Virgem (cuja representação se tornou mais frequente pela valorização do papel da mulher como mãe e educadora, em que a Igreja se empenhou no final da Idade Média) e o Nascimento de Cristo e episódios da vida de santos; O trabalho escultural era feito em oficinas e posteriormente colocado nos lugares destinados; Todas as esculturas eram coloridas; As cores usadas eram as convencionais (o rosto e as mãos tinham a cor natural, os cabelos eram loiros e as vestes policromas) e tinham uma função decorativa, estética, apelativa e simbólica. ARTE GÓTICA ESCULTURA
  46. 46. Devido às pestes, a fome, guerras e à falta de condições de higiene e da qualidade de vida, no geral, a taxa de mortalidade era muito elevada; Como o enterro de nobres nas igrejas era uma tradição, desenvolveu-se a escultura tumular, que se vulgarizou na construção de estátuas jacentes; No início, estas estátuas não continham pormenores dos traços físicos do morto, apenas procuravam evocar o defunto; Em meados do séc. XIII aparece o retrato idealizado, com um leve sorriso que ilumina o rosto do defunto, que procura mostrar a paz com que devemos enfrentar a morte e a mesma que devemos levar para o descanso eterno; A partir do séc. XIV, o morto é representado muitas vezes de forma mórbida, enregelado, envolto num lençol ou nu, um autêntico cadáver em decomposição, na sequência dos horrores da Peste Negra e da consciencialização da nossa condição mortal - "do pó viemos e ao pó voltaremos". ARTE GÓTICA ESCULTURA Escultura tumular
  47. 47. ARTE GÓTICA ESCULTURA Túmulo do Papa Bonifácio VIII, séc. XIII Túmulo do Cardeal Braye, Igreja de Santo Domingo, Orvieto, séc. XIII
  48. 48. ARTE GÓTICA PINTURA Assim como nos exteriores das catedrais tende-se à integração arquitetura-escultura, nos interiores modelava-se um novo conceito de espaço, em que a pintura mural já não tem lugar, sendo substituída pelos grandes vitrais; A miniatura será o terreno em que se define uma tendência mais clara à estilização e é a maior representação da pintura gótica, que também se destaca na pintura em madeira dos retábulos; A pintura gótica desenvolveu-se entre o séc. XIII e inícios do séc. XV; e teve sobretudo um carácter religioso nas suas representações; No final do séc. XIV foi designada por Estilo Internacional, que resultou da mistura entre as influências bizantinas (gosto pelo dourado e cores brilhantes), o realismo dos panejamentos e rostos, a nova concepção espacial do afresco italiano, a procura de perspectiva e o desenvolvimento da arte do retrato e da paisagem, no Norte da Europa, principalmente na Flandres, onde a pintura gótica adquiriu a sua expressão mais significativa.
  49. 49. ARTE GÓTICA PINTURA Dessa forma, a pintura gótica se manifesta em três elementos principais: - Iluminuras – miniaturas dos livros que eram manuscritos; - Vitrais – parede translúcida feita de vidros coloridos; - Pintura em madeira – retábulos; - Pintura mural – permanece em alguns países. A iluminura, arte móvel por excelência, conjugou influências românicas e bizantinas; Procurou o realismo na representação das figuras que compunham as obras; Possuía uma variedade cromática, onde predominavam os azuis contrastados com os vermelhos; Apresentava personagens com corpos volumosos e preferia a representação de formas humanas e animais e alguns apontamentos da Natureza e arquitetura, à representação do espaço; A iluminura teve grande impacto na arte gótica, ultrapassando os limites temporais da mesma, prevalecendo até ao séc. XVI, em alguns países; Uma das suas utilizações mais frequentes foi nos Livros de Horas, um livro de orações ilustrado com um calendário, em que os meses e horas são decorados com os símbolos zodiacais correspondentes e com orações destinadas à Paixão de Cristo, à Virgem, aos Santos e aos defuntos, e destinado a uso pessoal dos membros do Clero e da Nobreza, ou simplesmente de um colecionador;
  50. 50. ARTE GÓTICA PINTURA Livro de horas de Bedford, séc. XV
  51. 51. ARTE GÓTICA PINTURA Bíblia moralizada Consistem em extratos de passagens das Escrituras, glosados graficamente, constituindo extensos repertórios iconográficos; As miniaturas – as da figura referem-se à crucificação – são de página inteira e se organizam em séries de medalhões, que recordam a estrutura dos vitrais contemporâneos; Bíblia Moralizada, Segundo terço do Séc. XIII, Catedral de Toledo: Exemplar doado por São Luiz, de Paris, ao Afonso X, o Sábio, de Toledo, Espanha. Este exemplar foi executado numa das principais oficinas de miniaturas ativas em Paris, durante o reinado de são Luiz, especializada em Bíblias Moralizadas.
  52. 52. ARTE GÓTICA PINTURA Iluminuras francesas do livro "Crónicas de Inglaterra", séc. XV
  53. 53. ARTE GÓTICA PINTURA O vitral, que ocupou o lugar dos murais executados afresco, por não ser uma técnica convencional da pintura; Foi o método que melhor se adaptou à necessidade narrativa do interior da catedral gótica e contribuiu para “a poética da luz”: "Deus é luz. Desta luz inicial incriada e criadora participa cada criatura. Cada criatura recebe e transmite a iluminação divina de acordo com a sua capacidade, isto é, segundo o lugar que ocupa na escala dos seres (...). Proveniente de uma irradiação, o universo é um fluxo luminoso que desce em cascatas e luz que emana do Ser primeiro instala no seu lugar imutável cada um dos seus criados. Mas ela une-os a todos. Laço de amor, irriga o mundo inteiro, estabelece-o na ordem e na coesão e, porque todo o objeto reflete mais ou menos a luz, esta irradiação, (...) suscita, desde as profundidades da sombra, um movimento de reflexão, para o foco do seu irradiamento. Luz absoluta, Deus está mais ou menos velado em cada criatura, consoante ela é mais ou menos refratária à sua iluminação; mas cada criatura o desvenda à sua medida, pois liberta, diante de quem a observar com amor, a parte da luz que tem em si." Georges Duby, citando São Dinis em O Tempo das Catedrais, Ed.Estampa Possuía cores vibrantes, formas lineares e depuradas e um forte carácter estático, sem perspectiva nem realismo;
  54. 54. ARTE GÓTICA PINTURA Interior da Sainte Chapelle, Paris, 1248 A capela do palácio real de Paris representa a culminação do processo de substituição da “parede opaca” pela “parede translúcida”.
  55. 55. ARTE GÓTICA PINTURA A árvore de Jessé, séc. XII. Catedral de Chartres O conjunto dos vitrais da catedral de Chartres é um dos mais extensos e mais bem preservados do período gótico; Não desenvolve um programa iconográfico único, ainda que os espaços hierarquicamente mais importantes são reservados para os temas essenciais; Assim, a imagem da Virgem ocupa o vitral do centro do presbitério; O tema da árvore de Jessé, bastante frequente na primeira fase do período gótico, consiste numa representação simbólica da genealogia de Jesus; Por tratar-se de um motivo de desenvolvimento vertical, que implicava a presença de elementos vegetais, adequou-se perfeitamente à estrutura dos vitrais, que fechavam as grandes janelas lanceoladas. Contudo, as criações mais espetaculares da arte do vitral no período gótico são, sem dúvida, as rosáceas.
  56. 56. ARTE GÓTICA PINTURA Rosácea da catedral de Chartres As rosáceas geralmente possuíam conteúdo iconográfico de grande amplitude e tem caráter simbólico; É bem frequente que nas fachadas ocidentais se represente o Juízo Final e, nos braços do cruzeiro, o Cristo em Majestade e a Virgem. Entre as rosáceas góticas mais brilhantes estão as das catedrais de Paris: Reims, Chartres, Lausanne, Orviedo e Siena.
  57. 57. ARTE GÓTICA PINTURA A pintura sobre madeira ou de retábulos era feita em forma de dípticos, trípticos ou polípticos. Hans Memling, "Díptico de Jean de Cellier" O díptico é um quadro em madeira dividido em dois painéis, que se dobram um sobre o outro.
  58. 58. ARTE GÓTICA PINTURA Cimabue "Tríptico A Virgem e o Menino no trono e Cenas da Paixão de Cristo“ Semelhante ao díptico, mas dividido em três painéis, cujos dois laterais se dobram sobre o do meio.
  59. 59. ARTE GÓTICA PINTURA Jan e Hubert Van Eyck Políptico do Cordeiro Místico. Painel central, 1432. Catedral de São Bavão. Quadro dividido em quatro ou mais painéis.
  60. 60. A pintura afresco ou a pintura mural ARTE GÓTICA PINTURA Altar maior da Basílica de São Francisco de Assis, Itália
  61. 61. ARTE GÓTICA PINTURA Taddeo di Bartolo Os Funerais da Virgem Palazzo Comunale, Siena
  62. 62. Giotto Isaac rejeita Esaú Giotto São Francisco de Assis pregando a Honorio III ARTE GÓTICA PINTURA

×