Exame ginecológico

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Um guião simplificado do Exame Ginecologico

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Exame ginecológico

  1. 1. Exame Ginecológico O Exame Ginecológico forma a parte do Exame Objectivo Especial na História Clínica. Essencialmente inclui o exame detalhado da Mama, Axila e Aparelho Genital Feminino (externo e interno). O exame abdominal tambem tem importância porque contém os orgãos genitais intra-pélvicos. Podemos assim organizar a História Clínica da seguinte forma: 1. Anamnese a. Identificação b. Identificação obstetrica c. Motivo da consulta ou internamento d. História da doença atual e. História patológica pregressa f. História familiar g. História Psico-social h. História Menstrual e Sexual i. Revisão por Sistemas 2. Exame Objectivo a. Exame físico geral b. Exame físico regional i. Cabeça ii. Mãos e unhas iii. Pescoço iv. Torax v. Semiologia Respiratória vi. Semiologia Cardiovascular vii. Mamas e axilas viii. Abdómen ix. Membros c. Exame Neurológico 3. Exame Físico Especial (Exame Ginecológico/Pélvico) a. Exame da Genitália externa b. Exame Especular c. Palpação Bimanual 4. Resumo da História 5. Diagnóstico Sindromático 6. Exames Auxiliares 7. Discussão do diagnóstico 8. Diagnóstico definitivo 9. Proposta terapêutica 10. Prognóstico
  2. 2. Mamas e Axilas Inspeção (estática e dinâmica)  Mama o Tamanho: Normal, Micro/Macro/Gigantomastia o Forma: Cónica, Globosa ou Pendente) o Número: Normal (2), Amastia, Polimastia o Contornos o Simetria o Desenvolvimento (Segundo Critérios de Tanner); o Cor do tecido mamário; eritema o Lesoes: Erupções cutâneas; descamação; úlceras; evidência de peau d’orange (“pele em casca de laranja“); nevos cutâneos; marcas congênitas; cicatrizes cirúrgicas prévias; o Proeminência venosa; massas visíveis; abaulamentos; retrações; depressões; presença de pêlos; e tatuagens.  Mamilos o Forma: Invertido, Evertido, Protruso, Plano, Bipartido, Destruido, Desviado, Retraído o Número: Normal (2), Atelia, Politelia o Tamanho: Normal, Microtelia, Macrotelia o Secreção mamilar o Textura, Fissuras  Aréola: Pigmentação, Elevação, Depressões, Eczema, Eritéma, Glândulas de Montgomery; Quistos  Inspeção dinâmica: elevação dos membros superiores acima da cabeça, pressão sobre os quadris, inclinação do tronco para a frente. Com estas manobras procura-se detectar abaulamentos ou retrações nas mamas.
  3. 3. Palpação das Mamas A melhor posição para examinar as mamas é com a paciente em decúbito dorsal. Pede-se para a paciente elevar o membro superior ipsilateral acima da cabeça para tensionar os músculos peitorais. Cobrir a mama que não está sendo examinada. Inicia-se o exame com uma palpação mais superficial, utilizando as polpas digitais em movimentos circulares no sentido horário, abrangendo todos os quadrantes mamários. Repete-se a mesma manobra, porém com maior pressão. Concluindo, faca a expressão delicada do mamilo em busca de alguma secreção. Devem ser relatadas as seguintes alterações:  Textura da pele, aréola e mamilos  Pontos de Hipersensibilidade  Presença de Massas (Nódulos)  Expressão mamilares: Ausente ou Presente (Tipo?) PALPAÇÃO DE UM NÓDULO  Localização  Dimensão  Lesão única ou múltipla  Forma, consistência e sensibilidade  Aderência a pele  Aderência a aponevrose peitoral  Caracteristica da pele suprajacente  Ulceração
  4. 4. Fossas Supra-Claviculares:  Gânglios: Número, Tamanho, Dor, Consistência, Aderência Axilas:  Gânglios: Número, Tamanho, Dor, Consistência, Aderência Exame do Abdómen Inspecçâo: Simetria; Abaulamento; Estrias; Massas visíveis; Cicatrizes Cirurgicas Palpação: Hipersensibilidade (Localizar) ; Massas (Caracterizar) ; Sinal de Onda Liquida Percussâo: Macicez Móvel, Timpanismo Central Auscultação: Ruidos Hidroaéreos; Sopros Tumorais O exame dos linfonodos das cadéias axilares, supra e infraclaviculares, que deve ser realizado com a paciente na posição sentada. Para examinar os linfonodos axilares direitos o examinador deve suspender o braço direito da paciente, utilizando o seu braço direito; deve então fazer uma concha com os dedos da mão esquerda, penetrando o mais alto possível em direção ao ápice da axila. Sindrome de Meigs 1. Ascite 2. Derrame Pleural 3. Tumor ovariano
  5. 5. Exame Ginecológico/Pélvico O exame ginecológico propriamente dito se compõe de três aspectos: 1. Exame da Genitália externa 2. Exame Especular 3. Palpação Bimanual Posicionamento A paciente fica em decúbito dorsal com as pernas afastadas e joelhos fletidos Na posição ginecológica – as pernas são apoiadas na maca. Na posição litotômica as pernas ficam elevadas, apoiadas em perneiras acolchoadas (marquesa) Material Necessário: 1. Máscara 2. Oculos de Protecção 3. Barrete 4. Luvas Esterilizadas 5. Lençol 6. Três (3) Bolas de Algodão 7. Desinfectante (Cetramida) 8. Espéculo 9. Fonte de iluminação 10. Gel (Lubrificante) 11. Lupa
  6. 6. Instrumentos em Ginecologia: Jackson Eastman Doyen Afastadores Vulsellum Tenaculum Pinça de Babcock Pinça de Allis Espéculos
  7. 7. Exame da Genitália externa A inspeção dos órgãos genitais externos é realizada SEM desinfectar o períneo; no sentido superior á inferior, observando a monte de vênus, a vulva, o corpo do períneo e o ânus. Afastam-se os grandes lábios com o polegar e o indicador (mão direita), e posterior afastam-se os pequenos labios para inspeção do intróito vaginal. Deve-se palpar a região das glândulas de Bartholin; e palpar o períneo, para avaliação da integridade perineal. Pede-se a paciente para fazer a Manobra de Valsalva para identificar prolapsos genitais e incontinência urinária. Palpação Palpação Abdominal Vaginal e Espéculscopia 1. Monte de Vênus  Forma; Dimensão  Pêlos: Distribuição (Triângulo invertido, Losangalo OU segundo critérios de Tanner) , Tipo (liso, crespo), Cor, Tricotomia (depilação)  Lesões: Eritema, Eczema, Equimose, Placas Sempre notar a expressão facial da paciente
  8. 8. Cobertura – Pele, mucosa ou tecido fibroso Consistência: Dura pétrea, dura-elástica, mole Superficie: Rugosa, Lisa 2. Vulva  Grandes Lábios o Face Externa: Dimensões, Coloração, Cobertura, Consistência, Superfície, Pêlos, Lesões, Tumores o Face Interna: Dimensões, Coloração, Cobertura, Consistência, Superfície, Pêlos, Lesões, Tumores  Pequenos Lábios o Face Externa: Dimensões, Coloração, Cobertura, Consistência, Superfície, Lesões, Tumores o Face Interna: Dimensões, Coloração, Cobertura, Consistência, Superfície, Lesões, Tumores  Clítoris o Dimensão, Forma (clinidrica), Implantação, Consistência  Vestibulo Uretral o Pigmentacao, Superficie o Orificio Uretral o Glândulas para-uretrais (de Skene): Presenca de orificios  Vestibulo Vaginal o Introito vaginal: Cobertura; Coloração, Corrimento o Glândulas de Bartholin (Palpe) o Hímen
  9. 9. 3. Corpo do Perineo  Pigmentação, Consistência, Superfície, Pêlos, Lesões  Integridade (Manobra de Valsava) 4. Ânus  Pigmentação, Superfície, Pêlos, Lesões, Fissuras  Aberto ou Fechado Diagnóstico Differencial de Corrimento Vaginal Característica Cheiro Outros Sintomas Neisseria G. & Chlamydia Trachomatis Mucupurulenta (Amarela) Odor fétido Sangramento pós-coito, disparéunia, Disúria, Inflamação Tricomona Vaginalis Verde-Amarelada, Espumosa, profusa Odor fétido Prurido leve, disúria Cândida Albicans Esbranquiçada, Espessa Sem odor fetido Prurido, Disúria, Dispareunia, Inflamação Vaginose Bacteriana (Gardnerella vaginalis) Acinzantada, pegajosa Peixe podre Ocasionais Menstruação, traumas, infecções, câncro, gravidez ectópica Marrom Fisiológico Branco, leitoso ou transparente, espesso Odor fraco Sem sintomas de irritação
  10. 10. Exame Espécular O exame espécular deve ser executado após a desinfecção da Vulva. Usa-se as Bolas de algodão (3) e Cetramida. Passe o algodão molhado com Cetramida firmemente, em movimentos unidireccionais, de cima pra baixo - no lado direito, equerdo e centro da vulva, como ilustrado. Algumas Lesões da Vulva a. Aumento clitoriano b. Cistocele c. Retocele d. Herpes de vulva e. Carúncula uretral f. Glândula Bartholin g. Varicosidades labiais h. Cancro duro i. Condilona j. Hidroadenoma de vulva k. Carcinoma de vulva
  11. 11. Segure o espéculo com a mão direita, de forma que as lâminas encaixem entre o dedo indicador e dedo médio. Coloque as lâminas em água morna para aqueçé-las a temperatura corporal. Peça a assistente para colocar um pouco de lubrificante encima do dorso da mão esquerda. Lubrifique a lâminas do espéculo. NB: Quando pretende-se fazer o teste de Papanicolau, não se deve lubrificar o espéculo. Afaste os lábios menores com os dedos da mão esquerda. Introduza o espéculo suavemente em direcção á coccix, com as lâminas no sentido longitudinal. Após a introdução do espéculo, a uma profundidade de 5-7cm, faça a rotação do espéculo no sentido horário até que as lâminas fiquem horizontais. Pressiona a charneira, e ao mesmo tempo procure o colo. Quando o colo esta claramente visível, fixe o espéculo com o parafuso de guia.
  12. 12. Deve-se caracterizar o seguinte:  Entrada; Resistencia; Hiperestesia  Mucosa vaginal (Anterior, Posterior, Laterais) o Coloração o Humidade o Rugosidades o Comprimento o Trofismo o Presença de lesões o Fundo o Corrimento  Colo o Posicão: Anterior, Central, Posterior o Formato do colo: Cilindrico; Destruido o Presença de lesões: Quistos de Naboth, Cancro, Placas o Formato do orifício cervical externo Tipos de orifício cervical externo Nulípara (puntiforme) Colo em fenda
  13. 13. Algumas Lesões do Colo Palpação Bimanual O Toque vaginal ou Palpação bimanual tem como objectivo avaliar o canal vaginal, os fornices, colo uterino, e os anexos, nomeadamente as trompas e os ovários. Sempre deve ser realizado após o exame espécular. Inicia-se com a introdução dos dedos indicador e médio da mão direita na vagina (em algumas situações, por questão de conforto da paciente, utilizas apenas o indicador). Com a mão esquerda palpe a região hipogástrica e as fossas ilíacas. Pode-se concluír o exame com um Toque Reto- vaginal.
  14. 14. Toque Vaginal Toque Reto-vaginal Deve-se caracterizar o seguinte:  Paredes Vaginais (Anterior, Posterior e Laterais) o Consistência o Superfície o Massas na parede  Fornices Anterior, Posterior e Laterais (Fundo de Saco de Douglas) o Consistência o Superfície o Abaulamento o Massas  Colo uterino o Posição: Central, Anterior, Posterior o Formado ou Não formado o Aberto ou Fechado o Permeabilidade: Polpa do dedo, um dedo, dois dedos o Formato: Cilindrica, Cónica, Destruida o Consistência: Dura, Mole, Dura-elástica (normal) o Dimensões (Normal: 3-4cm de comprimento e 2.5cm de largura); Atrófico o Superfície: Áspera, Lisa, Nodular, Irregular o Massas o Mobilidade: no sentido latero-lateral; no sentido antero-posterior o Hipersensibilidade: Ao toque, À palpação
  15. 15.  Útero o Posição: Normal, Ante-, Retroflexão o Dimensão o Símetria o Forma o Superfície o Bordos o Consistência o Mobilidade o Hipersensibilidade o Massas  Anexos o Posição o Dimensão o Simetria o Forma o Superfície o Bordos o Consistência o Mobilidade ou Aderência o Hipersensibilidade o Massas  Toque Reto-Vaginal o Superfície o Consistência o Espessura o Hipersensibilidade o Massas o Fistulas Examine a luva após ter feito o toque e observe o seguinte:  Corrimento (Caracterizar)  Presença de sangue  Odor Maputo, Agosto 2015 Amir Omar As trompas e os ovários não são palpáveis em condições normais. Caso a paciente apresenta uma massa anexial, deve se caracteriza-lo da seguinte forma Detecção de Endometriose, Metastases

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