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Arqueologia da mídia

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Arqueologia da mídia

  1. 1. Arqueologia da Mídia Ma. Aline Corso
  2. 2. http://g1.globo.com/tecnologia/games/noticia/2014/04/escavacao-encontra-cartuchos-do-game-et-do-atari-enterrados.html
  3. 3. A Arqueologia do Saber (Foucault) “Chamada de fase arqueológica, os primeiros trabalhos de Michel Foucault (1926-1984) se pautaram por uma pesquisa histórica que percorresse de alguma maneira o nascimento de determinadas “ciências” modernas. A arqueologia do saber, livro de 1969, explica a metodologia empregada em suas pesquisas. A arqueologia encontra o ponto de equilíbrio de sua análise no saber – em um domínio em que o sujeito é necessariamente situado e dependente, sem que jamais possa ser considerado titular (p. 205). Distinguindo os domínios científicos dos territórios arqueológicos, vemos que os últimos podem atravessar textos ‘literários’ ou ‘filosóficos’, bem como científicos. O saber não está contido somente em demonstrações, mas pode estar em ficções, reflexões, narrativas, regulamentos institucionais, decisões políticas. Por exemplo, ‘o território arqueológico da gramática geral compreende tanto os devaneios de Fabre d’Olivet (que jamais receberam status científico e se inscreveram antes no pensamento místico) quanto à análise das proposições atribuitivas (que era então aceita à luz da evidência e na qual a gramática gerativa pode reconhecer, hoje, sua verdade prefigurada)’ (p. 206)”. Fonte
  4. 4. Embora a arqueologia da mídia não possua métodos definidos de pesquisa, é justamente a sua indefinição que permite flexibilidade e abrangência (FELINTO, 2011, p. 5). O que importa, na arqueologia da mídia, é compreender melhor a composição histórica dos fenômenos, em especial nos estudos em cibercultura. A arqueologia da mídia surge como uma forma de revisitar as culturas de mídia em uma perspectiva histórica.
  5. 5. Triangularizando história, tempo e arquivo, o passado pode ser redescoberto e certas tecnologias, consideradas obsoletas e descontinuadas, podem ser retomadas e aprimoradas. A arqueologia da mídia não olha apenas para âmbito micro, mas para o contexto macro (contexto científico, histórico, social e cultural) de uma época.
  6. 6. http://www.ihuonline.unisinos.br/media/pdf/IHUOnlineEdicao375.pdf
  7. 7. Siegfried Zielinski “A arqueologia da mídia, de acordo com minha compreensão, significa ao menos duas coisas: não aceitamos a ideia de que a mídia tenha sido inventada no século XIX com o advento da fotografia, telefonia e cinematografia, ou seja, que a mídia seja resultado da industrialização. Os meios de comunicação têm uma história muito mais longa, que remonta às chamadas altas culturas dos períodos bizantino, chinês, indiano, sul-americano ou helenístico. Para investigar isso, adaptei o termo “tempo profundo” da paleontologia. Além disso, se usamos a variedade/diversidade como o critério decisivo para o que chamamos de progresso na civilização humana, períodos anteriores poderiam ter sido mais progressistas do que nossas culturas atuais. Estas últimas são altamente estandardizadas, seguem padrões e gramáticas, protocolos e regras cujo efeito é mundial” (ZIELINSKI, 2001, p. 8).
  8. 8. Fabrício Lopes da Silveira “É uma vertente de trabalho, um nicho de estudos, digamos assim, no campo da comunicação, que vem procurando discutir a técnica por um viés histórico, da história da cultura. Não dá para dizer ainda que seja uma teoria acabada, já bem construída. Creio que seja um tipo de abordagem nova para a questão da técnica, que tenta pensar um desenvolvimento tecnológico que não aconteceu. A arqueologia da mídia indaga: onde poderíamos estar hoje caso os desdobramentos da mídia e suas linguagens tivessem adotado outro rumo?” (SILVEIRA, 2011, p. 17).
  9. 9. Francisco Rüdiger “Método de estudo da história, em que as técnicas de comunicação são iluminadas pela cultura e o imaginário social de cada época, em que se pesquisam as conexões, mas também as rupturas, as continuidades e esquecimentos do processo em que os fenômenos de comunicação, seus meios sobretudo, se vão formando e entrelaçando com outros processos e estruturas coletivas” (RÜDIGER, 2011, p. 12).
  10. 10. Erkki Huhtamo “É uma forma de estudar fenômenos cíclicos que (re) aparecem, desaparecem e reaparecem uma e outra vez na história da mídia e, de alguma forma, parecem transcender contextos históricos específicos. De certa forma, o objetivo da arqueologia da mídia é explicar a sensação de déjà vu (...) sobre as maneiras em que as pessoas têm experimentado a tecnologia em períodos anteriores” (HUHTAMO, 1997, online).
  11. 11. Jussi Parikka “Para mim, a arqueologia da mídia é exatamente uma metodologia que presta atenção na especificidade de mídia (...) Atua, pelo menos, de duas formas (...) como uma forma de investigar passados de mídia - a fim de compreender a ontologia do presente – e como métodos arqueológicos de investigar como as tecnologias condicionam nossas formas de ver e pensar, de agir e lembrar[1]”. [1] Fragmento extraído de entrevista de Parikka a Soderman e Starosielski. Disponível em http://goo.gl/9sDmrK
  12. 12. Wolfgang Ernst “A questão crucial para a arqueologia da mídia reside em saber se, nesta interação entre tecnologia e cultura, o novo tipo de imaginação histórica que emergiu foi um efeito de novos meios de comunicação, ou se tais meios foram inventados pela demanda da condição epistemológica da época” (ERNST, 2013, p. 42).
  13. 13. Erick Felinto “A arqueologia da mídia é algo bastante novo (ainda que o termo em si já possua alguma história), e apenas agora começa a popularizar-se e conquistar um estatuto mais definido. Ela dialoga com certos aspectos importantes de abordagens características da teoria pós-moderna, como o materialismo cultural, as teorias de gênero, a análise do discurso, os estudos pós-coloniais, noções de temporalidade não linear etc. O que ela faz essencialmente é vasculhar os arquivos textuais, visuais e auditivos das mídias (de todas as mídias, analógicas ou digitais), enfatizando as manifestações discursivas e materiais da cultura” (FELINTO, 2011, p. 5).
  14. 14. “ O que é remixado hoje não é apenas o conteúdo de diferentes mídias mas também suas técnicas fundamentais, métodos de trabalho e formas de representação e expressão. Unidas através de um meio-ambiente comum do software (common software enviroment) a cinematografia, animação, animação computacional, efeitos especiais, design gráfico e tipografia vieram a criar um novo metameio. Podemos pensar nesse novo metameio como uma vasta biblioteca de técnicas conhecidas de mídias anteriores” (MANOVICH). Remixabilidade
  15. 15. "Processo que atravessaria todas as mídias, a partir de uma apropriação de técnicas, formas e significado social umas das outras e com isso repropondo-se, remodelando-se (do inglês refashion) na busca por construir novas formas de representação” (BOLTER; GRUSIN, 1999). Remediação é um processo que ocorre quando um meio passa a incorporar ou imitar elementos de outros meios, a fim de melhorar seu próprio meio, criando assim um dinamismo entre diferentes instrumentos de comunicação. “As telenovelas, com o passar do tempo, se modificaram e passaram a remediar as mídias digitais e o cinema. A novela mudou sua linguagem e a sua dinâmica, pois eram feitas com histórias fictícias e agora se aproximam cada vez mais do real, se apropriando da linguagem das mídias digitais e do cinema, atingindo também esses meios que foram remediados. A novela virou um meio de maior velocidade, de mais informações e mais real, onde sua narrativa mudou e incorporou características do cinema e das mídias digitais, desenvolvendo assim uma linguagem própria, incorporando elementos de outros meios de comunicação”. Remediação
  16. 16. Juan Enriquez: “your online life, permanent as a tattoo” http://goo.gl/QjVyFR
  17. 17. * Viktor Mayer-Schonberger provoca acerca da memória digital: nossa sociedade perdeu a capacidade de esquecer, graças a memória digital; * Nós disponibilizamos dados: BIG DATA - vigilância X privacidade;
  18. 18. * Viktor Mayer-Schonberger responde a FOLHA: ESQUECIMENTO DIGITAL EXIGE ESFORÇO!
  19. 19. As datas de vencimento das informações As datas de vencimento ou expiração das informações seriam praticadas com a possibilidade do usuário ajustá-las mesmo no salvamento de um arquivo para que a máquina faça o trabalho de exclusão dos dados automaticamente conforme prazo escolhido. METADADOS
  20. 20. Se desconsiderarmos o uso metafórico da palavra arquivo para todas as formas possíveis da memória e da memória cultural e usá-lo para especificar uma tecnologia de memória, a Internet não é um arquivo. No entanto, a Internet constitui um novo tipo de “transarquivo’”, já presente na concepção de Ted Nelson de hipertexto e hipermídia: um arquivo dinâmico e a essência do que é atualização permanente. A internet é um arquivo?
  21. 21. Arquivo na internet é sempre temporário; Reescrito permanente. Ex.: Wikipédia; Datas de validade (ref. ao livro DELETE); Internet = coleção ou montagem; “The archive becomes a memory only at the moment of its standardization. The codes involved can be stored according to the rules of the archive. But the things actually realized on this basis can be only documented, not archived”.
  22. 22. Cody Darnell + print internet Arqueologia da internet?
  23. 23. Internet Archive é uma organização sem fins lucrativos dedicada a manter um arquivo de recursos multimídia. Ela foi fundada por Brewster Kahle em 1996 e se localiza em São Francisco, Califórnia. Tal arquivo inclui "retratos" da Web: cópias arquivadas de páginas da World Wide Web, com múltiplas cópias (tomadas em instantes diferentes) de cada página, mostrando assim a evolução da Web. O arquivo inclui também software, filmes, livros, e gravações de áudio (inclusive gravações de shows/concertos ao vivo de bandas que o permitem). O acervo pretende manter uma cópia digital desses materiais para consulta histórica Devido ao seu objetivo de preservar o conhecimento humano e disponibilizá-lo a todos, o Internet Archive já foi comparado à Biblioteca de Alexandria. Wikipédia Arqueologia da internet?
  24. 24. “In the age of digitalizability, that is, when we have the option of storing all kind of information, a paradoxical phenomenon appears: cyberspace has no memory. Cyberspace is not even a space but rather a topological configuration”. Em um arquivo, ex.: museu, nem tudo se arquiva. Como selecionar o que deve(ria) ser arquivado na internet? Quem faria isso? O que fazer com o “lixo’’
  25. 25. Não exigem infra-estrutura técnica abrangente; não requer longas batalhas judiciais; são modestas na combinação de direitos que regulam o comportamento humano (tais como direito e software); é politicamente mais palatável que a abordagem abrangente de regulamentação. Alguns usuários podem não gostar da ideia; podem impedir o trabalho, por exemplo, de bibliotecas e arquivos; tensões entre o desejo das pessoas de esquecer e o da sociedade de lembrar (vice-versa); não é uma saída que atinge a perfeição; não há imunidade sobre o poder da informação (resolve o “tempo”, mas não o “poder”); só serão aceitas se não forem vistas como incômodos; inacessibilidade após prazo de expiração. O autor defende que as datas de vencimento são o primeiro passo para um mundo mais esquecido e que deveríamos teorizar e experimentar este sistema, mesmo com as suas fraquezas. Vantagens X desvantagens
  26. 26. Museu Nacional - 2018
  27. 27. ● Como digitalizar arte não digital? ● Sobre a arte digital: “The digitization of mono–media art forms (analog video, for instance, or classical electronic music or tape) for archival purposes is one thing. Born-digital media art is another”. How does dynamic art archive itself?
  28. 28. A Europeana é uma biblioteca virtual desenvolvida pelos países da União Europeia. O protótipo contém em volta de dois milhões de itens digitais, todos eles em domínio público. Mais de 50% do conteúdo inicial foi fornecido pela França, 10% do Reino Unido, 1.4% da Espanha, e 1% da Alemanha. A plataforma da Europeana permite pesquisas por nome (atores, arquitetos, artistas, coreógrafos, compositores, maestros, bailarinos, cineastas, músicos, fotógrafos), por tipo de documento (títulos de livros, poemas, jornais, pinturas, fotografias, filmes ou programa de televisão), por localização dos registros (nomes de cidades ou países da Europa ou de outras partes do mundo), por datas e por frases. As pesquisas podem ser refinadas por tipo de mídia, língua, data, documentos com direitos autorais e por origem dos documentos. Cada documento é identificado por um ícone que representa imagem, texto, som e 3D. Uma ferramenta disponível é denominada Minha Europeana, um espaço para conservar as pesquisas pessoais para uso posterior e para marcar registros favoritos. Wikipédia Europeana
  29. 29. O original é real, digitalização é apenas uma “imagem’’; Alteração do objeto original; Materialidade/imaterialidade; Mesmo valor? Nam June Paik. Watchdog II, 1997.
  30. 30. E se pesquisássemos Magritte na Europeana?
  31. 31. Qual a necessidade de arquivar? O que é relevante para arquivar? Obsolência da obra? Em qual formato? Hardware X software; Facilmente deletável; Artemídia, por sua natureza, é transitória e não arquivável. TESE: O efêmero tecnológico e a ausência da arte computacional nos acervos brasileiros. BOONE, Silvana (2013). Arquivando arte digital
  32. 32. “Although the traditional function of the archive is to document an event that took place at one time and in one place, the emphasis in the digital archive shifts to regeneration, (co-)produced by online users for their own needs”. Arqueologia da mídia; Memória está em permanente transição; Memória permanente X memória dinâmica; Arquivos digitais = feedback instantâneo. Ex.: streaming; Arquivos self-learning, adaptativos, metadating, flexíveis, Net-base information, transformação permanente e updating.
  33. 33. Numa sociedade em que a informação e o consumo são tão rápidos, qual é o significado desse tipo de arqueologia? Qual é a relevância dessa arqueologia para a comunicação, especificamente? Provocações
  34. 34. Bibliografia FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1987. http://jussiparikka.net/2012/05/08/what-is-media-archaeology-out-now/ http://monoskop.org/Media_archaeology ERNST, Wolfgang. Digital memory and the archieve. Minneapolis: University of Minnessta Press, 2013. FELINTO, E. Um futuro complexo, híbrido, incerto e heterogêneo. Revista do Instituto Humanitas Unisinos. UNISINOS. Número 375, Outubro 2011. HUHTAMO, Erkki. From Kaleidoscomaniac to Cybernerd: notes toward na archaeology of the media. Leonardo, v. 30, 3/1997. Disponível em <http://goo.gl/KjtQqz> Acesso em: 1 abr. 2015. RÜDIGER, F. O passado pode nos ensinar a seu próprio respeito. Revista do Instituto Humanitas Unisinos. UNISINOS. Número 375, Outubro 2011. SILVEIRA, F. L. Arqueologia da mídia: preocupação com os estudos da técnica. Revista do Instituto Humanitas Unisinos. UNISINOS. Número 375, Outubro 2011. ZIELINSKI, S. Ser offline e existir online. Revista do Instituto Humanitas Unisinos. UNISINOS. Número 375, Outubro 2011.

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