Livro segundo ano

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Livro segundo ano

  1. 1. ELABORADO DE ACORDO COM O REFERENCIAL CURRICULAR ESCOLA ESTADUAL LINO VILLACHÁ DO ENSINO MÉDIO / SED/MS OLÍVIO MANGOLIM VAMOS FILOSOFAR: OLÍVIO MANGOLIM “ENSAIOS DE INTRODUÇÃO À FILOSOFIA” Possui LICENCIATURA PLENA EM FILOSOFIA pela “DE COMO SE DÁ O DESVELAMENTO E A PONTÍFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ (1981) e CURSO INSTITUCIONAL DE TEOLOGIA pelo STUDIUM INTERVENÇÃO NA REALIDADE PELA RAZÃO THEOLOGICUM agregado à PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CIENTÍFICA” CATÓLICA DO PARANÁ (1985). É MESTRE em Educação pela UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO (1999). Atualmente é presidente do INSTITUTO TÉCNICO JURÍDICO CONTEÚDO PARA 2º ANO DO ENSINO MÉDIO E EDUCATIVO. Tem experiência na área de Educação, com ênfase na Área de Concentração: EDUCAÇÃO ESCOLAR e FORMAÇÃO DE PROFESSORES, atuando principalmente nos seguintes temas: a questão indígena e o desenvolvimento regional, Educação Indígena, sociedade e índios. É professor de Filosofia e Sociologia, Geografia e História na Escola Estadual Lino Villachá do Bairro Nova Lima em Campo Grande/MS. olívio-m@hotmail.com ou olivio2009@gmail.com (067) 3354-9265 – (067) 9284-0544 CAMPO GRANDE, ABRIL DE 2010
  2. 2. A EDUCAÇÃO PARA TODOS E TODOS PELA EDUCAÇÃO FILOSOFAR PODE SER USADO COM TRÊS SIGNIFICADOS "Não há mestre que não possa ser aluno” (Baltazar Gracián). DISTINTOS: • Como simples sinônimo de pensar. Doenças ou morte de “Não se transforma o Homem em verdadeiro cidadão com pessoas próximas, decepções, perdas irreparáveis... Fazem- processos educativos repressivos ou de dominação. Nem nos pensar (filosofar) sobre o sentido de nossa vida. tampouco com processos educativos altamente libertadores • Como sinônimo de “saber viver”. Aqui, filosofar é viver com sendo manipulados por pessoas dominadoras e repressivas. sabedoria. O sábio é aquele que se torna um exemplo vivo das Verdadeiros processos educativos que visem a transformação virtudes apreciadas em uma sociedade e é tomado como ponto da sociedade em que vivemos, necessariamente, advirão de de referência para fortalecer o valor das tradições vigentes. É experiências de grupos concretos, onde o processo da nesse sentido que as sabedorias orientais são também construção dessa experiência de verdadeiros cidadãos, seja chamadas “filosofias”. coletivo, tanto na formação dos educadores quanto dos • Como “filosofar propriamente dito”, que teve início da educandos, no caso, o cidadão brasileiro em geral” (Olívio Grécia, em torno dos séculos VI e V a.C. Mangolim). • PARA OS PRIMEIROS FILÓSOFOS: A RAZÃO É O ÚNICO INSTRUMENTO PARA LER E INTERPRETAR A REALIDADE.
  3. 3. É POSSÍVEL ACREDITAR NAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS, E, QUE, A ÉTICA VALE MAIS QUE O CONHECIMENTO SUMÁRIO Ultimamente, tenho concentrado grande parte do meu tempo a ler, um autor, HOWARD GARDNER, pois ele tem se dedicado a estudar como o pensamento se organiza. Para o autor não é admissível que continuemos a medir a inteligência só pelo raciocínio lógico-matemático, geralmente o mais valorizado na escola. Segundo Gardner, há outros tipos de inteligência: musical, espacial, lingüística, interpessoal, intrapessoal, corporal, naturalista e existencial. A APRESENTAÇÃO.......................................................................7 Teoria das Inteligências Múltiplas atraiu a atenção dos professores, o que fez com que ele se aproximasse mais do mundo educacional. INTRODUÇÃO............................................................................8 Hoje, Gardner tem um novo foco de pensamento, organizado no que chama de cinco mentes para o futuro, em que a ética se destaca. “Não 1. A CIÊNCIA............................................................................11 basta ao homem ser inteligente. Mais do que tudo, é preciso ter caráter”, diz, 1.1. ETIMILOGIA DA PALAVRA...........................................................11 citando o filósofo norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882). E 1.1.1. OBJETIVOS DA CIÊNCIA...........................................................11 emenda: “o planeta não vai ser salvo por quem tira notas altas nas provas, 1.1.2. ÁREAS DA CIÊNCIA...................................................................12 mas por aqueles que se importam com ele”. 1.1.3. A CIÊNCIA E FILOSOFIA............................................................12 Além de lecionar na Universidade de Harvard e na Boston School of 1.2. SENSO COMUM E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO..................14 Medicine, ele integra o grupo de pesquisa Good Work Project, que defende 1.2.1. CIÊNCIA E TECNOLOGIA..........................................................14 o comportamento ético. 1.2.2. AFINAL, O QUE É O CONHECIMENTO?...................................15 No que se refere à ética, é necessário imaginar-se com múltiplos papéis: 1.2.2.1. TEORIA DO CONHECIMENTO NA ANTIGUIDADE................18 ser humano, profissional e cidadão do mundo. O que fazemos não afeta 1.2.2.2. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE MÉDIA.................18 uma rua, mas o planeta. Temos de pensar nos nossos direitos, mas também 1.2.2.3. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE MODERNA..........18 nas nossas responsabilidades. O mais difícil com relação à ética é fazer a 1.2.2.4. TEORIA DO CONHECIMENTO CONTEMPORÂNEA..............19 1.2.2.5. MODOS DE CONHECER O MUNDO.......................................20 coisa certa mesmo quando essa atitude não atende aos nossos interesses. 1.3. CIÊNCIA, POLÍTICA, FILOSOFIA E PODER.................................21 As pessoas que tem atitudes éticas merecem nosso respeito. O problema é 1.3.1. O QUE É O PODER.....................................................................21 que muitas vezes respeitamos alguém só pelo dinheiro ou pela fama. O 1.3.2. OS ELEMENTOS DO PODER.....................................................21 mundo certamente seria melhor se dirigíssemos nosso respeito às pessoas 1.3.3. OS RECURSOS DO PODER.......................................................21 extremamente éticas. 1.3.4. AS ESTRATÉGIAS DO PODER..................................................21 O bom trabalhador possui excelência técnica, são altamente 1.3.5. PODER E AUTORIDADE............................................................22 disciplinados, engajados e envolvidos e gostam do que fazem. Além disso, 1.3.6. PODER E INFLUÊNCIA...............................................................22 também são éticos. Estão sempre se questionando sobre que atitude tomar, 1.3.7. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA.........................................................22 levando em conta a moral e a responsabilidade e não o que interessa para o 1.3.7.1. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA TRADICIONAL.............................22 bolso deles. O bom cidadão se envolve nas decisões, participa, conhece as 1.3.7.2. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA LEGAL-RACIONAL.....................23 1.3.7.3. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA CARISMÁTICA............................23 regras e as leis: isso é excelência. Por último, não tenta se beneficiar à 1.3.8. AS FORMAS DE PODER............................................................24 custa disso. “Há pessoas bem informadas que só promovem o próprio 1.3.8.1. AS TRÊS FORMAS DE PODER SOCIAL................................24 interesse. O bom cidadão não pergunta o que é bom para ele, mas para o 1.3.9. A CIÊNCIA COMO INSTRUMENTO DO ESTADO......................24 país”.
  4. 4. 109 2. A CIÊNCIA NA IDADE MODERNA......................................28 SILVA, F. L. Teoria do Conhecimento, In: CHAUÍ et al. Primeira Filosofia. São Paulo: Brasiliense,1985. 2.1. UMA NOVA CONCEPÇÃO DO HOMEM E DO MUNDO...............28 SILVA, José Cândido da; SUNG, Jung Mo. Conversando sobre ética 2.1.1. O MOVIMENTO DA REFORMA..................................................28 2.1.2. O DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA NATURAL......................28 e sociedade. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. 2.1.3. A INVENÇÃO DA IMPRENSA.....................................................28 STRECK, Lenio Luiz & MORAIS, José Luis Bolzan – Ciência Política 2.1.4. O RENASCIMENTO.....................................................................29 e Teoria Geral do Estado. 2ª edição - Porto Alegre: Livraria do 2.1.4.1. PENSAMENTO MEDIEVAL E RENASCENTISTA...................29 Advogado, 2001. (pág. 163-165) 2.2. OS PRECURSORES DA CIÊNCIA MODERNA.............................29 TELES, Antônio Xavier. Introdução ao estudo de filosofia. 19 ed., SP: 2.3. BACON, DESCARTES E LOCKE..................................................31 2.3.1. FRANCIS BACON.......................................................................31 Ática, 1982. 2.3.1.1. O MÉTODO EXPERIMENTALCONTRA OS ÍDOLOS..............31 TERRA, Paulo. Pequeno Manual do anarquista epistemológico, São 2.3.1.2. AS FALSAS NOÇÕES RESPONSÁVEIS PELO Paulo: Editus, 2000. INSUCESSO DA CIÊNCIA.......................................................32 TIBURI, Márcia. O que é ética hoje? Sem uma discussão lúcida sobre 2.3.1.3. O MÉTODO INDUTIVO DE INVESTIGAÇÃO...........................33 a ética não é possível agir com ética. Publicado no Jornal O Estado 2.3.2. RENÉ DESCARTES....................................................................34 2.3.2.1. O RACIONALISMO DE RENÉ DESCARTES: IDÉIAS de Minas, Domingo, 22 de abril de 2007. CLARAS E DISTINTAS – A DÚVIDA METÓDICA TOBIAS, J.A. Iniciação à filosofia. 8 ed. Presidente Prudente/SP: E O COGITO............................................................................34 Unoeste, 1987. 2.3.2.2. O RACIONALISMO: DOUTRINA QUE ATRIBUI VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização EXCLUSIVA CONFIANÇA NA RAZÃO HUMANA COMO Brasileira, 1998. INSTRUMENTO CAPAZ DE CONHECER A VERDADE........35 2.3.2.3. RACIONALISMO: A CONFIANÇA EXCLUSIVA NA RAZÃO. .36 _________. Filosofia da Práxis (trad. Luiz Fernando Cardoso). Rio de 2.3.2.4. O MÉTODO CARTESIANO E HERANÇA DE DESCARTES...36 Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. 2.3.3. JOHN LOCKE..............................................................................37 VENOSA, Sílvio de Salvo. Introdução ao Estudo do Direito. São 2.3.3.1. EMPIRISMO: A VALORIZAÇÃO DOS SENTIDOS COMO Paulo: Atlas, 2004. FONTE PRIMORDIAL DO CONHECIMENTO.........................37 VERNANT, J. P. Entre Mito e Política. São Paulo: Editora da 2.3.3.2. AS IDÉIAS PEDAGÓGICAS DE JOHN LOCKE......................39 2.4. O MÉTODO EXPERIMENTAL........................................................39 Universidade de São Paulo, 2001. 2.4.1. ELÉMENTOS INTRODUTÓRIOS................................................39 _________, J. P. Mito e Pensamento entre os gregos. São Paulo: 2.4.1.1. O QUE É MÉTODO...................................................................39 Editora Difusão Européia do Livro, Ed. da Universidade de São Paulo, 2.4.1.2. A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO...............................................40 1973. 2.4.1.3. BENEFÍCIOS DO MÉTODO......................................................40 WEBER, Max. Ciência e Política: duas vocações. 13ª edição. São 2.4.1.4. DIFERENÇA DE MÉTODO E TÉCNICA...................................40 2.4.2. DESENVOLVIMENTO DO MÉTODO..........................................40 Paulo: Ed. Cultrix, 2005. 2.4.2.1. GALILEU GALILEI....................................................................40 WEFFORT, Francisco – Os Clássicos da Política. (Vol. 1) SP: Ed. 2.4.2.2. FRANCIS BACON....................................................................41 Ática, 1992. 2.4.2.3. RENÉ DESCARTES.................................................................41 _________, Os Clássicos da Política. (Vol. 1). SP: Ed. Ática, 2000. 2.5. CIÊNCIAS HUMANAS: TENDÊNCIA HUMANISTA E (pág. 113-120); (pág. 245-255). TENDÊNCIA NATURALISTA.......................................................43 ZINGANO, M. Platão e Aristóteles – os caminhos do conhecimento. São Paulo: Editora Odysseus, 2002.
  5. 5. 108 LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Col. Os Pensadores). 3. O PENSAMENTO POLÍTICO...............................................49 LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. SP: Cortez, 1994. 3.1. O CONCEITO DE POLÍTICA E PODER POLÍTICO.......................49 MARITAIN, J. Introdução geral à filosofia. RJ: Agir, 1978. 3.2. O PENSAMENTO POLÍTICO ANTIGO...........................................51 MARX, K.; O 18 Brumário de Luís Bonaparte. Rio de Janeiro: Paz e 3.2.1. PLATÃO E CIÊNCIA POLÍTICA..................................................51 Terra, 1977. 3.2.1.1. A POLÍTICA É TECELAGEM...................................................52 MAYOR, Frederico e FORTI, Augusto. Ciência e Poder, tradução de 3.2.2. ARISTÓTELES E A CIÊNCIA POLÍTICA....................................52 Roberto Leal Ferreira. Papirus, 1998. 3.2.3. OS GREGOS E A POLÍTICA.......................................................53 3.2.3.1. A DEMOCRACIA ATENIENSE.................................................54 MERLEAU-PONTY, M.; Elogio da Filosofia. Lisboa: Guimarães Ed., s/ 3.2.4. O LEGADO ROMANO PARA A POLÍTICA.................................56 d. 3.3. O PENSAMENTO POLÍTICO MÉDIEVAL......................................57 MINOGUE, Kenneth. – Política: uma brevíssima introdução. RJ: Jorge 3.3.1. O PODER NA IDADE MÉDIA......................................................57 Zahar Ed., 1998. 3.4. O PENSAMENTO POLÍTICO MODERNO......................................59 MONDIN, B. Introdução à filosofia. SP: Paulinas, 1981. 3.4.1. NICOLAU MAQUIAVÉL...............................................................61 3.4.1.1. BIOGRAFIA DE NICOLAU MAQUIAVÉL.................................61 MORENTE, M. G. Fundamentos de filosofia. 3 ed. SP: Mestre Jou, 3.4.1.2. FORMAÇÃO E ESTRUTURA DO ESTADO MODERNO.........62 1967. 3.4.2. THOMAS HOBBES......................................................................64 MOSER, P. K.; DWAYNE, H. M.; TROUT, J. D. A Teoria do 3.4.2.1. BIOGRAFIA DE THOMAS HOBBES........................................64 Conhecimento: Uma introdução Temática. São Paulo: Martins Fontes, 3.4.2.2. ABSOLUTISMO E CENTRALIZAÇÃO EM T. HOBBES..........67 2004. 3.4.3. JEAN JACQUES ROUSSEAU....................................................82 3.4.3.1. BIOGRAFIA DE JEAN JACQUES ROUSSEAU......................82 MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: 3.4.3.2. A TEORIA DO CONTRATO SOCIAL EM ROUSSEAU............83 Âmbito Cultural, 1984. 3.4.4. MONTESQUIEU...........................................................................85 NOGUEIRA, Marco Aurélio. Em defesa da política. 2ª Ed. São Paulo: 3.4.4.1. A TEORIA DA SEPARAÇÃO DOS PODERES........................85 Editora SENAC São Paulo, 2004. 3.5. O PENSAMENTO POLÍTICO CONTEMPORÂNEO.......................86 PLATÃO; Defesa de Sócrates. Pensadores, São Paulo: Abril Cultural, 3.5.1. JOÃO LOCKE: O PRECURSOR.................................................86 3.5.1.1. BIOGRAFIA DE JOÃO LOCKE................................................86 1972. 3.5.1.2. CONTEXTO HISTÓRICO..........................................................87 PLATÃO; República. São Paulo: Abril Cultural, 1972. 3.5.1.3. TEORIA DA TÁBULA RASA DO CONHECIMENTO...............87 PRADO JUNIOR, C. O que é filosofia. SP: Brasiliense, 1983. 3.5.1.4. ESTADO E PROPRIEDADE – O ESTADO LIBERAL..............88 REALE, G; ANTISERI, D. História da Filosofia. Vol. I. São Paulo: Paulus, 1991. REIS, José Carlos. A história entre a filosofia e a ciência. SP: Ática, 1996. RIBEIRO, Renato Janine. A ética na política. São Paulo: Lazuli Editora, 2006. RÓNAI, Paulo. Dicionário universal de citações. RJ: Círculo do Livro, 1985. SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez, 2003. SCURO, Neto Pedro. Sociologia Ativa e Didática. SP: Saraiva, 2003.
  6. 6. 107 FAGUNDES, Márcia Botelho. Aprendendo Valores Éticos. Belo 4. MORAL E ÉTICA..................................................................90 Horizonte: Autêntica, 2001. FARIA, M. C. B. Aristóteles: a plenitude do Ser. São Paulo: Moderna, 4.1. O QUE É ÉTICA HOJE?.................................................................90 1994. 4.2. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS...............................................92 FOUREZ, Gerard. A construção das ciências. Tradução, a introdução 4.2.1. ÉTICA...........................................................................................92 à filosofia e à ética da ciência. São Paulo: Ed. UNESP, 1995. 4.2.1.1. DE COMO A TEORIA É UMA FORMA DE PRÁTICA..............92 4.2.2. MORAL........................................................................................94 FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: 4.2.2.1. QUESTÕES FUNDAMENTAIS DO CAMPO DA MORAL........94 Paz e Terra, 1975. 4.3. DISTINÇÃO ENTRE ÉTICA E MORAL..........................................94 GAARDER, J. O Mundo de Sofia: romance da história da filosofia. SP: 4.4. ÉTICA, MORAL E DIREITO............................................................95 Cia das Letras, 2001. 4.5. NOVOS PROBLEMAS DA ÉTICA..................................................96 GALEANO, E. De pernas pro ar - A escola do mundo ao avesso. 4.6. CARÁTER HISTÓRICO E SOCIAL DA ÉTICA E DA MORAL.......97 4.6.1. GRÉCIA ANTIGA.........................................................................98 Porto Alegre: Le PM, 1999. 4.6.1.1. SOFISTAS.................................................................................98 GARDNER, Howard. A nova ciência da mente. São Paulo: USP, 4.6.1.2. SÓCRATES...............................................................................98 1995. 4.6.1.3. PLATÃO....................................................................................98 _________. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: 4.6.1.4. ARISTÓTELES.........................................................................99 Artes Médicas, 1995. 4.6.2. A ÉTICA NA IDADE MEDIEVAL.................................................99 4.6.2.1. O QUE DIFERENCIA A ÉTICA CRISTÃ DA ÉTICA GREGA.100 _________. Fala, mestre! Entrevista: “É difícil fazer o certo se isso 4.6.3. A ÉTICA NA IDADE MODERNA...............................................100 contraria nossos interesses”. NOVA ESCOLA, ANO XXIV, N. 226, 4.6.4. MORAL E ÉTICA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA........101 OUTUBRO 2009, pp. 38-42. 4.6.4. MORAL E ÉTICA NA POLÍTICA BRASILEIRA.........................102 GRAMSCI, A. Concepção Dialética da História (trad. Carlos Nelson Coutinho). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1991. _________. La città futura. Turim, 11 fev. 1917. CONCLUSÃO..........................................................................104 GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução à Ciência do Direito. Rio de BIBLIOGRAFIA.......................................................................106 Janeiro: Forense, 1972. GUTHRIE, W.K.C. Os Sofistas. São Paulo: Paulus, 1995. HESÍODO, Teogonia: a origem dos deuses. São Paulo: Iluminuras, 2001. HESSEN, J. Teoria do Conhecimento. São Paulo: Martins Fontes, 2003. JASPER, K. Introdução ao pensamento filosófico. 4 ed. SP: Cultrix, 1980. JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. 19 ed. RJ: Agir, 1995. LEFEBVRE, H. Introdução à Modernidade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1969.
  7. 7. BIBLIOGRAFIA APRESENTAÇÃO ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. SP: Mestre Jou, 1970. ALVES, Rubem. Entre a ciência e a sapiência, o dilema da educação, “Se não tivermos presente a tradição histórica, seremos como selvagens SP: ed. Loyola, 1999. modernos na selva da cidade" (Jostein Gaarder). ARENDT, Hannah. A Condição humana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1989. O objetivo de elaborarmos esta apostila é colocar às mãos dos ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. 4ª ed. Tradução de Mário da alunos do Ensino Médio o conhecimento dos conteúdos básicos de Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília - UNB, 2001. Filosofia que permita o desenvolvimento do raciocínio lógico, ASSIS, M. de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: aprofundado, sistemático, questionador. Scipione, 1994. Trata-se da disciplina Filosofia e pretende-se apresentar ARAGON, L. O camponês de Paris. Rio de Janeiro: Editora Imago, aqueles aspectos da Filosofia que darão uma contribuição importante 1996. na formação dos estudantes em relação ao pensar, o aprender, o BACHELARD, G. A Formação do espírito científico. Rio de Janeiro: conhecer e o falar. Não se ensina e não se aprende a Filosofia. Contraponto, 1996. Aprende-se a filosofar. Por isso é um convite: vamos filosofar. BACON, Francis. Novum Organum. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, Ensaios porque as atividades do aprender a aprender, do 1988. (Col. Os Pensadores). conhecer como se conhece, do saber como se sabe, serão feitas BLACKBURN, S. Dicionário Oxford de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge coletivamente, reelaborando o conhecimento a partir da contribuição Zahar, 1994. de cada estudante. Introdução, do latim Intus (dentro) Ducere BOBBIO, Norberto. Estado, governo, sociedade – para uma teoria (conduzir), porque coloca os estudantes em contato com a ciência do geral da política. RJ, Paz e Terra, 1987. ser e do pensar. E, finalmente, a Filosofia. O conhecer é obra dos que BOBBIO, Norberto. Política. In: Bobbio, N., Matteucci, N. & Pasquino, pensam, querem e sentem. Na medida em que se vive se filosofa. G. Dicionário de Política. 13º Ed. Brasília: Ed. Universidade de Filosofia é uma atividade do ser humano, é a dinâmica do ser. É a Brasília, 2007. idéia, sangue do meu sangue. Produzir a idéia, o pensamento. Não CAMARGO, Marculino. Fundamentos da ética geral e profissional. 3. ser apenas meros repetidores. Filosofia é ser e pensar. Consegue ed. Petrópolis: Vozes, 1999. viver melhor quem pensa. Portanto, Filosofia é aprendizado do saber CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1997. em proveito do homem. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes A coruja na capa é o símbolo da filosofia, pois consegue Temas. São Paulo: Saraiva, 2006. enxergar o mundo mesmo nas noites mais escuras. A constituição CUNHA, José Auri. O conceito de pessoa na comunidade dialógica física de seu pescoço permite que ela veja tudo a sua volta. Essa de investigação. Transcrição da palestra proferida na Mesa-Redonda seria a pretensão da filosofia, por meio da razão poder ver 'Racionalidade, Ética e Educação', II Encontro Nacional de Educação racionalmente e entender o mundo mesmo nos seus momentos mais para o Pensar. Leia o texto integral em www.cbfc.com.br. (Clique em obscuros. E ainda, procurar enxergá-lo sob os mais diversos ângulos "Biblioteca CBFC" e em "Volume 3"). possíveis. DESCARTES, René. Discurso do Método. 3. ed. São Paulo: Nova Penso logo não me arrependo. Cultural, 1983. (Col. Os Pensadores). Pensar é produzir conhecimento, é ação sobre a realidade circundante. DROZ, G. Os mitos Platônicos. Brasília Editora Universidade de Arrependo por não executar o que penso, por executar diferente do pensado, ou executar sem ter planejado. Brasília, 1997. Recordo-me de ter pensado e isto é conhecimento de fato.
  8. 8. 105 INTRODUÇÃO A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que “Nada caracteriza melhor o homem do que o fato de pensar” confunde os programas, que destrói os planos mais bem construídos. É a (Aristóteles). matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato Neste primeiro encontro com a ciência chamada FILOSOFIA, heróico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto à iniciativa dos berço de todas as demais ciências, para um grupo de alunos do poucos que atuam, quanto à indiferença de muitos. O que acontece não Ensino Médio, o filósofo ressente-se de duas atitudes: apreensão e acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque a massa dos homens abdica de sua vontade, deixa fazer, deixa enrolarem os nós que, estímulo. depois, só a espada poderá cortar; deixa promulgar leis que, depois, só a Apreensivo porque na maioria das vezes se têm a idéia, que a revolta fará anular; deixa subir ao poder homens que, depois, só uma muito vem sendo disseminada, de que a filosofia é coisa de maluco, sublevação poderá derrubar. (...) árida e de nenhuma utilidade para a vida. Sem dúvida a ideologia Os fatos amadurecem na sombra porque mãos, sem qualquer controle a dominante assim a define, porque interessa. É conhecida aquela vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo definição de que “filosofia é uma ciência que com a qual ou sem a com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões qual o mundo vai permanecer tal e qual”1. Por isso há os que pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora, zombam. Mas como disse Pascal: “Zombar da filosofia já é filosofar”2. porque não se preocupa” (GRAMSCI, Antônio. La città futura. Turim, 1917). Estimulado por buscar na filosofia a razão última das coisas. A atitude filosófica empenha-se em conhecer o mundo para Com sabedoria afirmou o cineasta americano John Huston: “O futuro transformá-lo a fim de restaurar a harmonia e a unidade no do homem não poderá estar dissociado de seu retorno às origens”3. A pensamento e na própria realidade da existência humana. Ter uma grande busca da contemporaneidade é a questão da qualidade. Lá na atitude filosófica quer dizer que estamos utilizando o raciocínio Grécia Antiga encontramos Platão absorto na discussão de como fundamentado e lógico, tendo uma visão crítica e adulta da realidade administrar a Pólis com justiça, buscando sempre com sabedoria o e convicções sustentadas. melhor caminho. Assim a filosofia hoje há que se preocupar com um Em todos os tempos a Filosofia tenta interpretar o mundo e elemento muito importante: o ser humano, aquele que cria e reproduz entender e transformar o homem, isto é, todo tema importante é a qualidade. assunto de preocupação filosófica à procura da verdade. A cada dia que passa é maior a necessidade de que os indivíduos sejam sujeitos de si mesmos conscientes de sua história. Até mesmo o mercado já exige um perfil profissional que supõe uma mão de obra criativa e atuante, e não mais meros executores de tarefas. Nossa preocupação, para além do mercado, é com a formação de um indivíduo crítico e responsável socialmente pelos seus atos. 1 Gregório Marañon (1887-1960), nota à margem de uma de suas obras, Apud. PAULO RÓNAI, Dicionário universal de citações, p. 374. 2 Pensamentos I, 4. 3 Apud Irene Tavares de Sá, Você também faz a história, p. 58.
  9. 9. 09 CONCLUSÃO A possibilidade da formação deste indivíduo deve ser “Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para viabilizada para o adolescente e o jovem. Ela não se dá atravessar o rio da vida, ninguém exceto tu. Existem, por certo, inúmeras espontaneamente. Uma das formas de viabilizá-la é através do veredas, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te do outro lado processo ensino-aprendizagem das ciências, da filosofia, das artes, e do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa: tu te hipotecarias e te da experiência de vida de cada um. perderias. Existe no mundo um único caminho, por onde só tu podes passar. Para onde leva? Não perguntes, segue-o” (F. Nietzsche). Neste contexto, cabe à Filosofia garantir não só a visão de totalidade da história e do processo do conhecimento, sem negar a A ciência não é uma coleção de fatos e teorias definitivamente necessidade de especialização hoje imposta, mas também estabelecidas, mas um conhecimento racional – porque crítico – desenvolver no educando - junto com outras disciplinas - a sua conjetural, provisório, sempre capaz de ser questionado e corrigido. A capacidade de buscar, através da leitura, da observação, da ciência não é uma representação completa e perfeita de fenômenos percepção de transformações ocorridas a partir da sua própria diretamente observáveis, mas uma reconstrução idealizada e parcial interferência em situações político-econômico-sociais, o melhor da realidade, que explica o visível pelo invisível. caminho historicamente possível para a organização da vida em O cientista não realiza uma observação pura e imparcial dos sociedade. fatos, mas uma observação guiada por hipóteses e teorias. O cientista Desta forma, a disciplina de Filosofia busca fornecer ao não descobre nem verifica hipóteses por procedimentos indutivos, estudante do Ensino Médio o instrumental básico à elaboração de mas inventa conjecturas ousadas, surgida de sua imaginação, que uma reflexão sobre o mundo, e sobre si mesmo no mundo, de forma serão testadas o mais severamente possível, através de tentativas de a possibilitar-lhe a conquista de uma autonomia crescente no seu refutação que façam uso de experimentos controlados. Desse modo, pensar e agir. ele busca teorias cada vez mais amplas, precisas, profundas, de Os trabalhos e atividades serão desenvolvidos a partir de aulas maior grau de corroboração, com maior poder preditivo e talvez, mais expositivas; leituras e pesquisas orientadas; seminários; análise, próximo da verdade. interpretação e discussão de temas atuais; integração com outras Finalmente, a visão de ciências exposta nestas aulas pode e disciplinas; avaliações. Pois como disse Kant: “Não se ensina deve ser criticada. Novos critérios para avaliar hipóteses e teorias Filosofia, ensina-se a filosofar”4. científicas devem (e estão sendo) propostos. É desnecessário dizer Ao longo dos três anos do Ensino Médio, espera-se do que estes critérios, por sua vez, devem também ser criticados, visto estudante: que a ausência de discussão crítica e a aceitação passiva e • Aprender e fixar a leitura interpretativa de textos teóricos; dogmática de um conjunto de idéias e teorias são a não ciência, é • Aprender conceitos, saber relacioná-los entre si e aplicá-los em pseudociência, enfim, a negação do espírito crítico e da racionalidade sua realidade; do homem. • Reconhecer-se como ser produtor de cultura e, portanto, da “Odeio os indiferentes. Como Federico Hebbel, acredito que ‘viver quer história; dizer tomar partido’. Não pode existir os apenas homens, os estranhos à • Compreender a produção do pensamento como enfrentamento cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por dos desafios humanos; isso, odeio os indiferentes. 10 A indiferença é o peso morto da história. É a bola de chumbo para o 4 inovador, é a matéria inerte na qual frequentemente se afogam os citado em "Revista Brasileira de Filosofia" - Volume 16, Página 149, 1966. entusiasmos mais esplendorosos. (...) Disponível em: http://pt.wikiquote.org/wiki/Immanuel_Kant, acessado em 23 de março de 2010 às 14h:01min.
  10. 10. Como se não bastasse isto, o que fora decidido ontem já não o • Compreender o papel da reflexão, em especial, o da filosófica; é mais hoje nem o será amanhã, deixando a opinião pública • Saber construir "universos" históricos de diferentes tempos em completamente desnorteada e perplexa, sem saber a que se ater. seu pensamento sem preconceitos; Por outro lado, a violência sobe em ritmo assustador. No • Situar-se como cidadão no mundo em que vive percebendo o Estado do Rio de Janeiro recentemente assistimos a mais uma seu caráter histórico e a sua dimensão de liberdade; chacina que deixou mortos inúmeros menores, crianças e • Compreender o conhecimento como possibilidade de libertação adolescentes entre os 12 e os 15 anos. Famílias destroçadas, dor, social; luto e lágrimas incessantes por causa de um governo sem ética e • Compreender o pensamento do seu mundo como síntese de uma polícia idem. O povo se cansa e o grande perigo é que ele perca diferentes culturas anteriores e concomitantes a ele; a capacidade de indignar-se. A indignação, embora não esteja • Elaborar criticamente seu próprio pensar a partir de incluída nos moldes das virtudes clássicas, não deixa de ter seu notícias/análises de jornais/revistas e de suas vivências elemento de virtude. É uma escala de valores que é agredida, são concretas. princípios que são pisoteados, é a credibilidade naqueles que deviam Este é o caminho que devemos percorrer. A esperança de ser os guardiões da justiça e do direito e que são, ao contrário, os caminhar nas linhas que traçamos é infinda, esperamos consegui-lo, primeiros a agir contra tudo isso. senão o conseguir na totalidade, ao menos em parte. A ética é a parte da Filosofia que estuda os juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação Olívio Mangolim. do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. A ética, portanto, é o estudo dos valores que regem a conduta humana subjetiva e social. É o parâmetro que temos para julgar as ações que beneficiam ou prejudicam a vida humana neste mundo e nesta sociedade. Parece que neste momento da história do Brasil, nossos políticos perderam completamente seus parâmetros éticos. E a impunidade os ajuda no seu esforço de destruir e lançar ladeira abaixo as referências que fazem a vida humana tolerável e serena e geram orgulho no coração das novas gerações de pertencerem a determinado país. Infelizmente nosso país não tem se esmerado nem se destacado nisso. Pelo contrário, em recente pesquisa feita sobre quais as instituições que mereceriam maior credibilidade no Brasil, os políticos ficaram em último lugar. Por outro lado, é importante que os cidadãos não permaneçam de braços cruzados vendo as coisas acontecerem. Indignar-se é preciso. E, sobretudo precisamos de cidadãos que gritem contra a corrupção que infesta nossas instituições para finalmente poder caminhar em direção a um futuro mais risonho, onde reinem a paz, a justiça e o direito. 103 102
  11. 11. 1. A CIÊNCIA Em lugar da felicidade pura e simples há a obrigação do dever O SOL NASCERÁ AMANHÃ? Tanto o senso comum como a e a ética fundamenta-se em seguir normas. Trata-se da “Ética da ciência diz que sim... O que diferencia o conhecimento popular do Obediência”. Que impede o Homem de pensar, e descobrir uma nova conhecimento científico? Não é nem pela veracidade, nem pela maneira de se ver, e assim encontrar uma saída em relação ao natureza do objeto conhecido. O que os diferencia é a forma, o conformismo de massa que está na origem da banalidade do mal, do método do “conhecer”... Daí: O SOL NASCERÁ AMANHÃ, para o mecanismo infernal em que estão ausentes o pensamento e a conhecimento popular, porque assim o faz todos os dias. Para a liberdade do agir. ciência, porque sabe que a terra gira completamente em torno do seu Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. O eixo a cada 23 horas e 59 minutos, expondo-a ciclicamente à luz homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o solar, o que para observadores humanos em sua superfície se traduz destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga no movimento aparente do sol que denominamos “dia”. tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se forma no bem ou no mal neste planeta. 1.1. ETIMOLOGIA DA PALAVRA 4.6.5.MORAL E ÉTICA NA POLÍTICA Etimologia: Ciência vem da palavra latina scientia, que significa BRASILEIRA: UM GRITO DE INDIGNAÇÃO conhecimento. A Ciência é o conhecimento ou um sistema de O dicionário nos define o sentimento de indignação com as conhecimento que abarca verdades gerais ou a operação de leis seguintes palavras: Sentimento de cólera despertado por ação gerais especialmente obtidas e testadas através do MÉTODO indigna; ódio, raiva. Desprezo, repulsa, aversão. Nada parece mais CIENTÍFICO. A ciência se caracteriza pela busca de conhecimento exato do que essas palavras para definirem o sentimento que se sistemático e seguro dos fenômenos do mundo; Um dos objetivos da apossa crescentemente do coração de todos os brasileiros ao ciência é tornar o mundo compreensível; O homem domina a presenciarem cada dia na mídia e na imprensa as notícias sobre os natureza não pela força, mas pela compreensão. níveis intoleráveis a que chegou a falta de ética e a corrupção entre 1.1.1.OBJETIVOS DA CIÊNCIA os nossos políticos. O objetivo da ciência é compreender o universo de um modo É moeda corrente entre nós o fato de vermos representantes cuidadoso, disciplinado. A prova é a condição para a aceitação das parlamentares eleitos com o voto popular legislarem em causa idéias na ciência, e a prova tem de ser empírica (observação empírica própria, para aumentarem os próprios salários e benefícios, enquanto como base da prova). A ciência deve ser entendida como uma discutem dias e meses para aumentar irrisoriamente o salário mínimo. comunidade de estudiosos que verificam o trabalho uns dos outros, Os aumentos de ganhos salariais vêm por sua vez acompanhados de criticam, debatem e, juntos, constroem lentamente um conjunto de atos de nepotismo intoleráveis, quando os políticos em questão conhecimentos. A ciência é uma tentativa de generalizar. A ciência é encontram sinuosos caminhos para incluir nos benefícios e benesses uma tentativa de explicar eventos, ou seja, de dizer por que as coisas dos quais se fazem possuidores parentes e amigos, desperdiçando acontecem, quais são as causas e influências de uma determinada iniquamente o suado dinheiro do povo, que deveria estar sendo classe de eventos na natureza. A ciência é uma tentativa de canalizado para geração de empregos e projetos sociais. desenvolver idéias sobre relações de causa e efeito. Melhoria da qualidade de vida intelectual. Melhoria da qualidade de vida material.
  12. 12. 12 101 1.1.2.ÁREAS DA CIÊNCIA De acordo com esse pensamento, para nos tornarmos seres • Pura – O desenvolvimento de teorias. morais era necessário nos submetermos ao dever. Essa idéia é • Aplicada – A aplicação de teorias às necessidades humanas. herdada da Idade Média na quais os cristãos difundiram a ideologia • Natural – O estudo da natureza ou mundo natural. Exemplos: de que o homem era incapaz de realizar o bem por si próprio. Por Biologia, Física, Geologia, Química, etc. isso, ele deve obedecer aos princípios divinos, cristalizando assim a • Social – O estudo do comportamento humano e da sociedade. idéia de dever. Kant afirma que se nos deixarmos levar por nossos Exemplos: História, Sociologia, Ciências Políticas, etc. impulsos, apetites, desejos e paixões não teremos autonomia ética, • Biológicas – Estudo do ser humano e dos fenômenos da pois a Natureza nos conduz pelos interesses de tal modo que usamos natureza. Exemplos: Biologia, Medicina, Odontologia, etc. as pessoas e as coisas como instrumentos para o que desejamos. • Exatas – Tem origem na física. Exemplos: Física, Matemática, Não podemos ser escravos do desejo. Computação, etc. No século XIX, Friedrich Hegel traz uma nova perspectiva • Humanas – Estudo social e comportamental do ser humano. complementar e não abordada pelos filósofos da Modernidade. Ele Exemplos: Direito, Filosofia, Letras, etc. apresenta a perspectiva Homem - Cultura e História, sendo que a ética deve ser determinada pelas relações sociais. Como sujeitos 1.1.3.CIÊNCIA E FILOSOFIA históricos culturais, nossa vontade subjetiva deve ser submetida à “A Ciência está estendendo seu poderio a toda Terra. Mas a vontade social, das instituições da sociedade. Desta forma a vida Ciência não pensa. Pois sua marcha e seus métodos são tais ética deve ser “determinada pela harmonia entre vontade subjetiva que ela não pode refletir sobre si mesma” (MARTIN HEIDEGGER). individual e a vontade objetiva cultural”. Através desse exercício, interiorizamos os valores culturais de Por seu lado as ciências experimentais têm a esfera de sua tal maneira que passamos a praticá-los instintivamente, ou seja, sem competência bem definida. Não há como afirmar o mesmo da pensar. Se isso não ocorrer é porque esses valores devem estar filosofia. As ciências experimentais especializaram-se, consideram incompatíveis com a nossa realidade e por isso devem ser seu objeto desde um ponto de vista parcial e derivado. modificados. Nesta situação podem ocorrer crises internas entre os Definitivamente prescindiram do resto, da totalidade do ser. valores vigentes e a transgressão deles. Renunciaram ter o caráter de objetos totais. Já a filosofia não recorta 4.6.4.MORAL E ÉTICA NA SOCIEDADE na realidade um pedaço da realidade para estudá-lo, ela sozinha, CONTEMPORÂNEA esquecendo os demais, mas antes tem por objeto a totalidade do ser. Já na atualidade o conceito de ética se fundiu nestas duas CIÊNCIAS EXPERIMENTAIS FILOSOFIA A Botânica estuda as plantas. E a Filosofia o que estuda? No entender dos correntes de pensamento: A Geografia estuda os lugares. filósofos ela estuda tudo. A ética praxista, em cuja visão o homem tem a capacidade de A História estuda os fatos. Aristóteles: “A filosofia estuda as causas últimas julgar, ele não é totalmente determinado pelas leis da natureza, nem A Medicina as doenças, etc. de todas as coisas”. possui uma consciência totalmente livre. O homem tem uma co- Cícero: “A filosofia é o estudo das causas responsabilidade frente as suas ações. humanas e divinas das coisas”. Descartes: “A filosofia ensina a bem raciocinar”. Hegel: “A filosofia é o saber absoluto”. Whitehead: “A função da filosofia é fornecer uma explicação orgânica do universo”.
  13. 13. 100 13 A idéia do dever surge nesse momento. Com isso, a ética passa a estabelecer três tipos de conduta; a moral ou ética (baseada no dever), a imoral ou antiética e a indiferente à moral. Coerentes com estas definições, até hoje, os filósofos estudaram todas as coisas. A filosofia é a ciência dos objetos do 4.6.2.1.O QUE DIFERENCIA ponto de vista da totalidade, enquanto que as ciências particulares RADICALMENTE A ÉTICA CRISTÃ DA ÉTICA GREGA SÃO DOIS PONTOS: são os setores parciais do ser, províncias recortadas dentro do continente total do ser. A filosofia é a disciplina que considera o seu a) O abandono do racionalismo objeto sempre do ponto de vista universal e da totalidade. Enquanto A ética cristã abandonou a idéia de que é pela razão que se que qualquer outra disciplina, que não seja a filosofia, o considera de alcança a perfeição moral e centrou a busca dessa perfeição no amor um ponto de vista parcial e derivado. Concluímos então que a filosofia a Deus e na boa vontade. estuda tudo. b) A emergência da subjetividade Acentuando a tendência já esboçada na filosofia de estóicos e SÃO DUAS AS RAZÕES PELA QUAL A FILOSOFIA SE epicuristas, a ética cristã tratou a moral do ponto de vista estritamente DEBRUÇA A ESTUDAR TUDO: pessoal, como uma relação entre cada indivíduo e Deus, isolando-o PRIMEIRA: A filosofia estuda tudo porque todas as coisas, de sua condição social e atribuindo à subjetividade uma importância além de poderem ser examinadas a nível científico, podem sê-lo desconhecida até então. também a nível filosófico. Assim os homens, os animais, as plantas, a 4.6.3.A ÉTICA NA IDADE MODERNA: A ÉTICA matéria, já estudados por muitas ciências e sob diferentes pontos de ANTROPOCÊNTRICA vista, são suscetíveis também de uma pesquisa filosófica. Com efeito, os cientistas se interrogam sobre a constituição da matéria, pergunta- As profundas transformações que o mundo sofre a partir do se o que é a vida, como estão estruturados os animais e os homens, século XVII com as revoluções religiosas, por meio de Lutero; mas não chegam a enfrentar sérios problemas também referentes ao científica, com Copérnico e filosófica, com Descartes, imprimem um homem, aos animais, às plantas, à matéria: por exemplo, o que seja novo pensamento na era Moderna, caracterizada pelo Racionalismo existir. Cartesiano – agora a razão é o caminho para a verdade, e para chegar a ela é preciso um discernimento, um método. Em oposição à SEGUNDA: A filosofia estuda tudo, porque, enquanto as fé surge agora o poder exclusivo da razão de discernir, distinguir e ciências estudam esta ou aquela dimensão da realidade, a filosofia comparar. Este é um marco na história da humanidade que a partir tem por objeto o todo, a totalidade, o universo tomado globalmente. dai acolhe um novo caminho para se chegar ao saber: o saber Esta é a característica que distingue a filosofia de qualquer científico, que se baseia num método e o saber sem método é mítico outra forma de saber: Ela estuda toda a realidade e procura ou empírico. apresentar uma explicação completa e exaustiva de um domínio A ética moderna traz à tona o conceito de que os seres particular da realidade. humanos devem ser tratados sempre como fim da ação e nunca como meio para alcançar seus interesses. Essa idéia foi contundentemente defendida por Immanuel Kant. Ele afirmava que: “não existe bondade natural. Por natureza somos egoístas, ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, ávidos de prazeres que nunca nos saciam e pelos quais matamos, mentimos, roubamos”.
  14. 14. 14 99 4.6.1.4.ARISTÓTELES DIFERENÇA RESIDE NO MÉTODO E NO OBJETO DE PESQUISA Aristóteles subordina sua ética à política, acreditando que na FILOSOFIA É CONSTRUÍDA COM MUITO PENSAMENTO ABSTRATO 5 monarquia e na aristocracia se encontraria a alta virtude, já que esta é um privilégio de poucos indivíduos. Também diz que na prática CIÊNCIA EXIGE UM GRANDE ESFORÇO EXPERIMENTAL ética, nós somos o que fazemos, ou seja, o Homem é moldado na medida em que faz escolhas éticas e sofre as influencias dessas 1.2. O SENSO COMUM E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO escolhas. Conhecimento Popular ou o senso comum é o modo comum, O Mundo Essencialista é o mundo da contemplação, idéia corrente e espontâneo de conhecer, que se adquire no trato direto compartilhada pelo filósofo grego antigo Aristóteles. No pensamento com as coisas e os seres humanos: é o saber que preenche nossa filosófico dos antigos, os seres humanos aspiram ao bem e à vida diária e que se possui sem o haver procurado ou estudado, sem felicidade, que só podem ser alcançados pela conduta virtuosa. Para a aplicação de um método e sem se haver refletido sobre algo. a ética essencialista o homem era visto como um ser livre, sempre em Conhecimento adquirido por tradição ao qual acrescentamos os busca da perfeição. Esta por sua vez, seria equivalente aos valores resultados da experiência vivida em coletividade. morais que estariam inscritos na essência do homem. Dessa forma - Conhecimento Científico: Ter informação, distinguir, para ser ético - o homem deveria entrar em contato com a própria reconhecer, avaliar, de acordo com o ponto de vista da ciência. essência, a fim de alcançar a perfeição. Conhecimento Científico é um produto resultante da investigação CONCLUINDO científica. Surge da necessidade de: • Encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida Costuma-se resumir a ética dos antigos, ou ética essencialista, diária (senso comum). em três aspectos: • Do desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam 1) O agir em conformidade com a razão; ser testadas e criticadas através de provas empíricas e da 2) O agir em conformidade com a Natureza e com o caráter discussão intersubjetiva. natural de cada indivíduo; 3) A união permanente entre ética (a conduta do indivíduo) e 1.2.1.CIÊNCIA E TECNOLOGIA política (valores da sociedade). A ética era uma maneira de educar o Na língua inglesa: CIÊNCIA=KNOWLEDGE= Ciência produz sujeito moral (seu caráter) no intuito de propiciar a harmonia entre o conhecimento e TECNOLOGIA=KNOW-HOW= Tecnologia produz mesmo e os valores coletivos, sendo ambos virtuosos. técnica. Tecnologia produz técnica. Ciência produz conhecimento. 4.6.2.A ÉTICA NA IDADE MEDIEVAL: A ÉTICA CRISTÃ 5 Aquilo que existe na mente mais do que no mundo externo; o conceptual em Com o cristianismo romano, através de S. Tomás de Aquino e contraste com o objetivo; o geral em contraste com o particular. A abstração indica Santo Agostinho, incorpora-se a idéia de que a virtude se define a a atividade com que o intelecto obtém o conhecimento das idéias universais. O partir da relação com Deus e não com a cidade ou com os outros. conhecimento se elabora através da ação do intelecto, que tira dos dados da Deus nesse momento é considerado o único mediador entre os fantasia o que é fundamental, essencial, negligenciando o que é acidental, peculiar indivíduos. As duas principais virtudes são a fé e a caridade. de um fenômeno particular. Assim, por exemplo, do fantasma (imagem) desta cor (branco, verde etc.) o intelecto tira a idéia de verde.
  15. 15. Através deste cristianismo, se afirma na ética o livre-arbítrio, 2. A sociedade devia de ser reorganizada, sendo o poder confiado sendo que o primeiro impulso da liberdade dirige-se para o mal aos sábios, de modo a evitar que as almas fossem corrompidas pela (pecado). O homem passa a ser fraco, pecador, dividido entre o bem maioria, composta por homens ignorantes e dominados pelos instintos ou e o mal. O auxílio para a melhor conduta é a lei divina. paixões. 15 98 4.6.1.ANTIGA GRÉCIA Em relação à Ciência pode-se dizer que a Tecnologia é um passo à frente em direção à Sociedade. As teorias éticas gregas, entre o século V e o século IV a.C. O estudo da interação da radiação com a matéria por Einstein, são marcadas por dois aspectos fundamentais: o levou a descrever as leis que fundamentam a ação laser. A Pólis: A organização política em que os cidadãos vivem -as invenção do primeiro laser artificial muitas décadas depois, também cidades-estado-, favorecem a sua participação ativa na vida política foi um grande avanço na Ciência. A fabricação de um laser em escala da sociedade. As teorias éticas apontam para um dado ideal de industrial passou a ser um desafio tecnológico. Hoje, produzir lasers cidadão e de Sociedade. para aparelhos de CD é dominar uma tecnologia e nada tem a ver Cosmos: Algumas destas teorias ético-políticas procuram com Ciência. Dominar Tecnologia não implica em dominar a igualmente fundamentarem-se em concepções cósmicas. Ciência que originou a técnica. 4.6.1.1.SOFISTAS A ciência e a técnica contribuíram não só para o bem da Defendem o relativismo (subjetivismo) de todos os valores. humanidade, mas também para o mal. Lema: “Descobrir tudo o que Concepção ética relativista. Afirmavam que não existem normas e pode ser descoberto. Experimentar tudo aquilo que pode ser verdades universalmente válidas. Alguns sofistas, como Cálicles ou experimentado”. Trasimaco afirmam que o valor supremo de qualquer cidadão era atingir o prazer supremo. O máximo prazer pressupunha o domínio do BEM MAL poder político. Ora este só estava ao alcance dos mais fortes, - Aumento do conforto da - Aumento da capacidade destrutiva dos corajosos e hábeis no uso da palavra. A maioria eram fracos ou sociedade; aparelhos militares; inábeis, pelo que estavam condenados a serem dominados pelos - Aumento da qualidade de vida em - Impacto ambiental; mais fortes. nível da saúde, higiene, etc.; 4.6.1.2.SÓCRATES (470-399 A.C.) - Previsão e controle sobre os - Desrespeito pelos direitos humanos em prol Defende o caráter eterno de certos valores como o Bem, fenômenos através do seu estudo. do avanço científico; Virtude, Justiça, Saber. O valor supremo da vida é atingir a perfeição e tudo deve ser feito em função deste ideal, o qual só pode ser obtido - Utilização de conhecimentos potencialmente benéficos para fins errados. através do saber. Na vida privada ou na vida pública, todos tinham a obrigação de se aperfeiçoarem fazendo o Bem, sendo justos. O 1.2.2.AFINAL, O QUE É O CONHECIMENTO? homem sábio só pode fazer o bem, sendo as injustiças próprias dos O objetivo do que segue é construir com o leitor um breve ignorantes (Intelectualismo Moral). entendimento, através da história, sobre a compreensão das 4.6.1.3.PLATÃO (427-347 A.C.) influências de várias teorias do conhecimento estabelecendo Defende o valor supremo do Bem. O ideal que todos os homens parâmetros de avaliação, critérios de verdade, objetivação, livres deveriam tentar atingir. Para isto acontecesse deveriam ser reunidas, metodologia e relação sujeito e objeto para os vários modos de pelo menos duas condições: conhecimentos diante da crise da razão que se instaurou no século 1. Os homens deviam seguir apenas a razão desprezando os instintos ou as paixões; XX e que há de se prolongar neste presente século, através dos
  16. 16. desafios da construção de uma ética normativa compatível com as as pessoas a darem a luz às verdades que, no entender de Sócrates, evoluções das descobertas e do conhecimento no campo científico. traziam dentro de si. O exercício do filosofar, a partir das verdades encontradas, abria caminhos para múltiplas possibilidades de escolha e ação. 16 97 Começamos por conceituar o conhecimento: Conhecimento é a relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou deseja BEM MAL conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer. - Aumento do conforto da sociedade; - Aumento da capacidade destrutiva dos Na Grécia Antiga temos várias visões e métodos de aparelhos militares; - Aumento da qualidade de vida em conhecimento: Sócrates estabelecendo seus métodos: ironia e nível da saúde, higiene, etc.; - Impacto ambiental; maiêutica. - Previsão e controle sobre os - Desrespeito pelos direitos humanos em O surgimento da pólis como a primeira experiência da vida fenômenos através do seu estudo. prol do avanço científico; pública enquanto espaço de debate e deliberação, tornou o campo - Utilização de conhecimentos fértil para a fecundação e o florescimento da filosofia. E a figura potencialmente benéficos para fins errados. emblemática dessa época, que nada escreveu e da qual se fala até os nossos dias como o modelo de filósofo, foi Sócrates. A Internet foi um dos “produtos” da evolução do conhecimento Na praça pública, Sócrates interrogava os homens e instigava- científico que impulsionou em larga escala a aplicação do conceito de os a refletir sobre si e sobre o mundo. Sócrates foi uma figura sociedade em rede. Contudo, a dependência deste meio acarreta misteriosa, que questionava as pessoas que encontrava dizendo tanto vantagens quanto riscos. buscar a verdade. Voltando-se para fora e para o público, Sócrates interroga os atores para saber se eles sabem exatamente porque VANTAGENS DESVANTAGENS arriscam suas vidas, a felicidade ou a falta de felicidade (...), assim - Acesso mais rápido e fácil a todo - Falta de rigor e segurança da informação. como a felicidade dos outros. Sócrates é aquele que chega de tipo de informação. - Abuso da liberdade de expressão, que mansinho e, sem que se espere, lança uma pergunta que faz o sujeito - Aproximação de povos, culturas. pode levar a difamação e manipulação olhar para si e perguntar: afinal, o que faço aqui? É isso o que - Oportunidade de usufruir de vários errada de opiniões. realmente procuro ou desejo? programas associados (MSN, O que é a ironia socrática? O próprio Sócrates, nos diálogos Google Eart, etc.). platônicos, diz que seu destino é investigar, já que a única verdade - Possibilidade de viver numa que detém é a certeza de que nada sabe. Interrogava, portanto, para “sociedade em rede”. saber e, empenhado nessa tarefa, não raro surpreendia as pessoas em contradições, resultantes de crenças aceitas de modo dogmático, 4.6. CARÁTER HISTÓRICO E SOCIAL DA ÉTICA E DA de pretensas verdades admitidas sem crítica. MORAL A ironia tinha que ser acompanhada da maiêutica, isto é, o As teorias éticas nascem e desenvolvem-se em diferentes método socrático constituía-se de duas partes: a primeira mostrava os sociedades como resposta aos problemas resultantes das relações limites, as falhas, os preconceitos do pensamento comum e a entre os homens. A moral é uma construção humana. Os sistemas segunda iniciava no processo de busca da verdadeira sabedoria. morais se adequam às transformações histórico-sociais e se Numa situação de conflito e de incertezas o ironista, depois de fundamentam em valores como o bem a liberdade. Os contextos realizar o exercício da desconstrução e da negatividade, deve ajudar históricos são, pois, elementos muito importantes para se perceber as
  17. 17. condições que estiveram na origem de certas problemáticas morais que ainda hoje permanecem atuais. 96 17 As perguntas de Sócrates não visavam confundir as pessoas e NORMAS MORAIS E NORMAS JURÍDICAS ridicularizar seu conhecimento das coisas, mas, motivá-las a alcançar ASPECTOS COMUNS DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS um conhecimento mais profundo, não só de si próprias, mas também dos outros, dos objetos e do mundo que as rodeava, provocando - Ambas apresentam-se - As normas morais são cumpridas a partir da nelas novas idéias. Essa era a sua maneira de filosofar, sua “arte de como imperativas: devem convicção pessoal de cada indivíduo enquanto as ser seguidas por todos; normas jurídicas devem ser cumpridas sob pena de partejar”, de ajudar as pessoas a parir, a dar a luz às novas idéias, - Elas propõem uma punição do estado em caso de desobediência; arte que dizia ter aprendido com sua mãe, que ajudava as mulheres a melhor convivência entre - A Punição, no campo do direito está prevista na dar a luz aos seus filhos. A interrogação de Sócrates expunha os os indivíduos; legislação, ao passo que, no campo da moral, a saberes dos sujeitos e, ao mesmo tempo, mostrava o quanto as - Orientam-se pelos valores sansão pode variar bastante, pois depende da pessoas não tinham consciência daquilo que realmente sabiam. culturais próprios de uma consciência moral do sujeito que infringe a norma; Essas atitudes, como dizem os historiadores, fez de Sócrates determinada sociedade; - Direito: tudo é permitido que se faça, exceto àquilo uma figura singular e lhe angariou alguns amigos e muitos inimigos. - Têm um caráter que a lei expressamente proíbe. A moral é mais Embora parecesse neutra e sem um objetivo preciso (Sócrates histórico: mudam de ampla: atinge diversos aspectos da vida humana; parecia não ser partidário de nenhuma das tendências da época e acordo com as - A moral não se reduz a um código formal, o direito transformações histórico- sim; não defendeu explicitamente nenhum regime político), essa atitude sociais. - O direito mantém uma vinculação com o Estado, questionava poderes instituídos, valores consolidados e, por isso, enquanto a moral não apresenta esta vinculação. também pedia mudanças. Com a ironia, ao trazer à tona os limites dos argumentos comuns, ao mostrar as contradições ocultas na ordem comumente • De todas essas diferenças, talvez uma mereça maior destaque: aceita, ao revelar, ao abalar as certezas que fundavam o cotidiano, a coercibilidade da norma jurídica, que conta com a força e a Sócrates convida ao filosofar como um processo metódico de repressão potencial do Estado (através da ação da justiça e da elaboração de novos saberes. polícia) para ser obedecida pelas pessoas. Já a norma moral Ao afirmar que também ele nada sabia, queria apenas dizer não é sustentada pela coerção do Estado, isso implica que ela que um novo caminho para chegar-se a uma nova verdade seria depende, de certo modo, da aceitação de cada indivíduo para indispensável. Se ele soubesse esta nova verdade, ele não diria que ser cumprida. Por isso a norma moral costuma ser vinculada, nada sabia, pois apenas sabia o caminho, isto é, o começo do por alguns filósofos, a idéia de liberdade. conhecimento e ele queria saber mais. Sócrates proclama que ele 4.5. NOVOS PROBLEMAS DA ÉTICA não sabe nada, e esta é sua maneira de trazer à luz o que ele sabe e A ciência e a técnica contribuíram não só para o bem da o que já sabiam as pessoas honestas à sua volta, (hora pessoas humanidade, mas também para o mal. É seu lema: “Descobrir tudo o honestas, acreditam saber tudo e é preciso ironizar um pouco delas que pode ser descoberto. Experimentar tudo aquilo que pode ser para confrontá-las entre si e ensinar-lhes que elas só tinham opiniões experimentado”. contraditórias, cuja verdade devia extrair-se do que tivesse verdade) (LEFEBVRE, 1969, p. 14).
  18. 18. Sócrates, por meio de sua atividade, mostra-nos que o 4.6.1.3. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE exercício do filosofar é, essencialmente, o exercício do MODERNA questionamento, da interrogação sobre o sentido do homem e do A primeira revolução Científica trouxe várias mudanças para o mundo. pensamento, dentre as quais podemos destacar a mudança da visão 18 teocentrista (Deus é o centro do conhecimento), para visão antropocentrista (o homem é o centro do conhecimento). O A partir dessa atividade Sócrates enfrentou problemas, foi racionalismo de René Descartes - O discurso do Método: A máxima julgado e condenado à morte. Na história, a filosofia questionadora do cartesianismo "Cogito ergo sun". incomoda o poder instituído, porque põe em discussão relações e 95 situações que são tidas como verdadeiras. A filosofia procura a verdade para além das aparências. • É uma disciplina teórica com preocupações práticas, a ética Platão - Doxa - A ciência é baseada na Opinião. orienta-se pelo desejo de unir o saber ao fazer. Aristóteles - Episteme - A ciência é baseada Observação (Experiência). 4.1. ÉTICA, MORAL E DIREITO 4.6.1.1. TEORIA DO CONHECIMENTO NA Ética: conjunto de princípios morais que se devem observar no ANTIGUIDADE exercício de uma profissão. Podemos perceber que os Filósofos gregos deixaram algumas Moral: conjunto de regras que trata dos atos humanos, dos contribuições para a construção da noção de conhecimento: bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante os a) Estabeleceram a diferença entre conhecimento sensível e de sua classe. conhecimento intelectual. Direito: o que é justo e conforme com a lei e a justiça. b) Estabeleceram diferença entre aparência e essência. A ética, a moral e o direito estão interligados. A ética consiste c) Estabeleceram diferença entre opinião e saber. num conjunto de princípios morais, a moral consiste em conjunto de d) Estabeleceram regras da lógica pra se chegar à verdade. regras, só que a moral atua de uma forma interna, ou seja, só tem um alto valor dentro das pessoas, ela se diferencia de uma pessoa para 4.6.1.2. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE MÉDIA outra e o direito tem vários significados, ele pode ser aquilo que é justo perante a lei e a justiça, aquilo que você pode reclamar que é a) Na Patrística - Temos a tendência da conciliação do seu. pensamento cristão ao pensamento platônico, sendo seu A ética tem uma relação maior com as profissões. Ela seria grande expoente Santo Agostinho. como uma regra a ser seguida, um dever que profissional tem com b) Na Escolástica - Temos a anexação da Filosofia aquele que contrata o seu serviço. A partir do momento em que se aristotélica ao pensamento cristão, com o estreitamento da começa a exercer uma profissão, deve-se começar a praticar a ética. relação Fé e razão, sendo seu grande expoente São Tomás A moral e o direito têm a seguinte base: a moral tem efeito de Aquino. dentro da pessoa, ela atua como um valor, aquilo que se aprendeu c) Nominalismo - Temos o final do domínio do Pensamento como certo e o direito tem uma relação com a sociedade, o direito é Medieval, com a separação da Filosofia da teologia através aquilo que a pessoa pode exigir perante seus semelhantes, desde do esvaziamento dos conceitos. Sendo seus expoentes que esteja de acordo com a lei, aquilo imposto pela sociedade. Duns Scotto e Guilherme de Oclkam.
  19. 19. 4.3.DISTINÇÃO ENTRE MORAL E ÉTICA • A Ética é uma disciplina teórica sobre uma prática humana, que é o comportamento moral. No entanto as reflexões éticas não se restringem apenas à busca de conhecimento teórico sobre os valores humanos, cuja origem e desenvolvimento levantam questões de caráter sociológico, antropológico, religioso, etc. 19 94 Ninguém que reflita deixa de mudar, embora a mudança possa O empirismo: John Locke - a experiência; David Hume - a ser muitas vezes sentida mais na interioridade do que na objetividade Crença. O criticismo kantiano: O conhecimento a priori: Universal e da vida, nas pequenas do que nas grandes coisas, no que é estrutural necessário. A herança iluminista: A razão. e não aparente. Nenhuma mudança que se dê sem uma modificação das estruturas profundas pode ser chamada de revolução. Só idéias 4.6.1.4. TEORIA DO CONHECIMENTO sólidas, porque fundamentais para a verdade metafísica e ética de CONTEMPORÂNEA: A CRISE DA RAZÃO nossa existência como espécie, sustentam nosso modo de vida, só O novo iluminismo de Habermas. A razão crítica precisa: outras idéias e novos modos de ver o que existe é que podem mudar a) Fazer a crítica dos limites. nossa vida. b) Estabelecer princípios éticos. 4.2.2.MORAL c) Vincular construção a raízes sociais. • A palavra moral vem do latim, mos, mor = “costumes” e refere- A construção do conhecimento fundado sobre o uso crítico da se ao conjunto de normas que orientam o comportamento razão, vinculado a princípios éticos e a raízes sociais é tarefa que humano tendo como base os valores próprios de uma precisa ser retomada a cada momento, sem jamais ter fim. comunidade ou cultura. O assunto é por demais amplo e muito bem discutido por • Conjunto de normas de conduta de uma sociedade. vários filósofos. Nossa pretensão foi apensas de trazer uma reflexão • Como as comunidades humanas são distintas entre si, tanto no através de um esboço sistemático da história do conhecimento. Deixamos para apreciação através de uma análise analítica e espaço quanto no tempo, os valores podem ser distintos de crítica os principais modos de conhecer o mundo e suas formas de uma comunidade para outra, o que origina códigos morais abordagens para se chegar ao conhecimento verdadeiro. diferentes. 4.2.2.1.QUESTÕES FUNDAMENTAIS DO CAMPO DA MORAL • O que devo fazer para ser justo? • Quais valores devo escolher para guiar minha vida? • Há uma hierarquia de valores que deve ser seguida? • Que tipo de ser humano devo ser nas minhas relações comigo mesmo, com meus semelhantes e com a natureza? • Que tipos de atitudes devo praticar como pessoa e como cidadão?

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