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Os cinco "solas" da Reforma Protestante

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Estudo sobre cada um dos "Solas" da Reforma Protestante

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Os cinco "solas" da Reforma Protestante

  1. 1. AS DOUTRINAS DOS CINCO SOLAS DA REFORMA: SOLA SCRIPTURA, SOLUS CHRISTUS, SOLA GRATIA, SOLA FIDE E SOLI DEO GLORIA Introdução Como nós sabemos, a Reforma protestante procurou trazer a Igreja novamente à doutrina dos apóstolos. Muitos erros estavam presentes no seio da Igreja, e os pregadores na reforma, a fim de distinguir-se destes erros, pregavam algumas doutrinas que demonstravam a diferença entre eles e o catolicismo medieval. Estes pontos doutrinários chaves ficaram conhecidos como os cinco pilares da Reforma: Foi o estudo da Bíblia que revelou quão longe a Igreja estava afastada da verdade e a trouxe de volta à pureza de sua crença primitiva. A Reforma restituiu à Igreja a crença em doutrinas chaves, que se tornaram essenciais para a sua pregação e para distingui-la dos erros que continuaram e ainda são mantidos pela Igreja Romana até os nossos dias. É a importância dessas doutrinas, conhecidas por sua designação latina Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria...1 Neste estudo nós queremos esclarecer cada ponto doutrinário deste, a fim de que possamos entender as distinções principais que a Igreja da reforma tinha em relação à igreja católica. SOLA SCRIPTURA: “Somente a Escritura”, ou a autoridade e suficiência das Escrituras. Os reformadores pregaram esta verdade afirmando e estabelecendo firmemente o lugar devido das Escrituras Sagradas. Mas as Escrituras Sagradas também não eram aceitas pela Igreja Católica? Com certeza que sim. Mas o Catolicismo da época medieval (bem como ainda o catolicismo de hoje) colocava as Escrituras em uma posição totalmente equivocada na vida da Igreja cristã: A Igreja Católica Romana também aceita as Escrituras como Palavra de Deus, mas não só as Escrituras. Ela acredita que as decisões da Igreja através dos seus concílios e do Papa, quando fala oficialmente (ex cathedra) em matéria de fé e de moral, são igualmente a palavra de Deus, infalível. É o que se chama de Tradição da Igreja... A Sagrada Tradição é a transmissão da Palavra de Deus pelos sucessores dos apóstolos. Juntas, a Tradição e a Escritura constituem um só sagrado depósito da palavra de Deus, confiado à Igreja.2 Colocando uma suposta ―tradição‖, ou uma suposta ―inerrância‖ ao papa, a Igreja Católica acaba destronando a Bíblia de sua posição de honra, e atacando sua autoridade exclusiva. ―Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja.‖3 Somente ela é a norma pela qual os crentes devem ser guiados e instruídos. ―A autoridade da Escritura é superior à da Igreja e da tradição. Contra a afirmação católica: ―a igreja ensina‖ ou ―a tradição ensina,‖ os reformadores afirmavam: ―a Escritura ensina.‖4 Para as igrejas que estavam surgindo com o movimento da Reforma a Bíblia era a única autoridade autorizada por Deus: Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.5 E ainda: 1 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008. 2 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008. 3 Os Cinco Solas da Reforma – Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Declaração de Cambridge. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm. Acessado em 16.08.2010. 4 Alderi Souza de Matos, Sola Scriptura. http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/solascriptura_alderi.htm. Acessado em 16.08.2010. 5 Os Cinco Solas da Reforma – Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Declaração de Cambridge. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm. Acessado em 16.08.2010.
  2. 2. Sola Scriptura: somente a Escritura é a suprema autoridade em matéria de vida e doutrina; só ela é o árbitro de todas as controvérsias (= a supremacia das Escrituras). Ela é a norma normanda (―norma determinante‖) e não a norma normata (―norma determinada‖) para todas as decisões de fé e vida.6 SOLUS CHRISTUS: “Somente Cristo”, ou a suficiência e exclusividade de Cristo. Outro ponto que a Reforma decidiu consertar foi com relação à obra de salvação realizada por Cristo. Como bem sabemos, ―o Catolicismo Romano afastou-se do Evangelho e instituiu o culto a Maria, já em 431, o culto às imagens, em 787, e a canonização dos santos, em 933. Instituiu também a figura do sacerdote como vigário de Cristo, a quem devem ser confessados os pecados e a quem supostamente foi conferido poder para perdoá-los, mediante a prescrição de penitências.‖7 Ou seja, dois erros compõem estas heresias da Igreja Católica, a qual passaremos a explanar. O primeiro é tirar de Cristo a suficiência para salvação. Biblicamente a obra de Cristo é suficiente e eficaz para a salvação dos eleitos. Contudo, para o catolicismo não é bem assim. Eles acreditam que precisou haver mais do que a obra de Cristo para salvar o pecador: ―... a Igreja Romana não crê na suficiência e exclusividade da obra de Cristo para a salvação. Maria é erigida à posição de intercessora e até co-redentora (não oficialmente, ainda) e os santos entram também com os méritos de sua intercessão para a obra salvífica.‖8 O segundo erro constitui em colocar um ser humano para ser mediador entre os pecadores e Deus. Ora, Cristo em Sua obra se tornou o único e perfeito mediador e intercessor dos eleitos. Ele não precisa de mais nenhum ―ajudante‖ para realizar esta obra. Vejamos abaixo a explicação do teólogo João Alves dos Santos a respeito deste erro que tira de Cristo Sua obra de mediação perfeita: ―Uma outra conseqüência do princípio do Solus Christus foi a doutrina que ficou conhecida como a do ―Sacerdócio Universal dos Crentes‖. Não necessitamos de outro sacerdote ou mediador entre nós e Deus que não seja o Senhor Jesus Cristo. Cada um pode chegar-se a Ele diretamente, sem intermediários humanos.‖9 É um contra-senso chamarmos Jesus de Salvador e ao mesmo tempo colocar vários ―salvadores auxiliares‖ junto de sua obra. Se Cristo precisasse destes auxiliares para completar a salvação dos pecadores, então, neste caso Ele deveria ser denominado ―um salvador‖ e não ―o Salvador‖ dos homens: Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai. Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.10 SOLA GRATIA: “Somente a Graça”, ou a única causa eficiente da salvação Dentre os pilares da Reforma estava igualmente a doutrina da depravação total do ser humano. O homem precisa de um Cristo que é suficiente para salvar justamente por que o homem é incapaz de fazer algo por si mesmo. Por isto a Reforma gritava ―Sola Gratia‖. E assim, ―intimamente ligado ao princípio do Solus Christus está o da Sola Gratia. A Bíblia ensina que o homem é totalmente incapaz de fazer qualquer coisa para a sua salvação. Está espiritualmente morto em delitos e pecados. Um morto nada pode fazer sem que antes seja vivificado.‖11 E era exatamente o oposto disto que a Igreja Católica pregava. A Igreja Católica acreditava que o homem possui ainda um pouco de bondade dentro de si. Ele não está de todo corrompido e morto pelo pecado. Vendido à escravidão completa do mal. Ele está pecaminoso, mas não totalmente incapaz: Todavia, não era isso que a Igreja ensinava nos dias da Reforma. O catolicismo, seguindo o pensamento de Pelágio e, principalmente, de Tomás de Aquino, acreditava e ainda acredita que o homem não está totalmente corrompido em sua vontade e natureza. Ele precisa da graça de Deus, mas não no sentido regenerador, como 6 Alderi Souza de Matos, Sola Scriptura. http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/solascriptura_alderi.htm. Acessado em 16.08.2010. 7 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008. 8 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008. 9 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008. 10 Os Cinco Solas da Reforma – Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Declaração de Cambridge. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm. Acessado em 16.08.2010. 11 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008.
  3. 3. cremos. Segundo a teologia romana o homem pode conhecer a Deus através de sua razão, conhecimento que é chamado de Teologia Natural.12 Entretanto, não é isto que ensina a Bíblia. ―Vendido ao pecado, o homem não tem mais a habilidade para escolher o bem, pois sua vontade está presa ou escravizada pelo pecado. Só pode e só quer escolher o pecado. A salvação é, portanto, exclusivamente ato da livre e soberana graça de Deus.‖13 Acreditar numa suposta capacidade espiritual do indivíduo é menosprezar os efeitos que o pecado trouxe à raça humana. Sendo assim, ―a confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída.‖14 Não é a Palavra inspirada que afirma esta capacidade do homem, mas o próprio homem que acredita em si mesmo como ainda possuidor de bondade em sua natureza. A Reforma pregou abertamente contra esta doutrina, afirmando que a salvação somente pode acontecer no indivíduo por resultado da ação da graça soberana do Criador. Ou Deus age com graça, ou o pecador ainda continuará na desgraça: Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual. Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.15 SOLA FIDE: “Somente a Fé”, ou a exclusividade da Fé como meio de Justificação. Nesta época da Reforma estava amplamente difundida a idéia de que o pecador deveria praticar boas obras para a sua salvação. Foi neste contexto que ―os Reformadores descobriram, à partir das Escrituras, que os pecadores são justificados pela fé somente.‖16 Os pecadores não são justificados (ou seja, terem perdoados os seus pecados e receberem a vida eterna) por meio das obras que executam, mas pela obra suficiente de Cristo. E a fé exerce o papel de meio, instrumento adequado de apropriação desta justificação em Cristo. Desta forma, as obras são inúteis, pois o que conta para Deus é a fé no Senhor Jesus. ―A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo.‖17 A graça não precisa da ajuda das obras: A graça exclui totalmente as obras. O homem nada pode e nada tem para oferecer a Deus por sua salvação. A única coisa que lhe cabe fazer é aceitar o dom da salvação, pela fé, quando esta lhe é concedida. Fé na obra suficiente de Cristo, que lhe é imputada (creditada em sua conta) gratuitamente.18 Evidentemente que o catolicismo havia se afastado muito desta verdade teológica e agarrado a antiga doutrina judaizante de misturar obras com a fé a fim de obter a salvação. A própria invenção das indulgências mostra como eles estavam redondamente enganados e equivocados quanto à salvação bíblica. A salvação não pode ser comprada com obras! Ela somente é adquirida pela fé. Contudo, ―quão longe estava a Igreja dessa verdade simples do Evangelho quando ensinava que o perdão podia ser comprado com dinheiro e a salvação adquirida com o mérito dos santos.‖19 Como vimos anteriormente na verdade chave do ―Solus Christus‖, Jesus é o único mediador da salvação. E agora vemos que a fé nele é o meio escolhido por Deus para conceder esta salvação. Para ser salvo o pecador precisa estar unido a Cristo pela fé. ―Os pecadores estão ligados ou unidos a Cristo pela fé somente. A fé, unindo-nos a Cristo, faz com que todas as bênçãos espirituais sejam nossas (Efésios 1:3). Assim, a fé é suficiente — nada mais é necessário ou requerido. A fé é 12 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008. 13 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008. 14 Os Cinco Solas da Reforma – Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Declaração de Cambridge. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm. Acessado em 16.08.2010. 15 Os Cinco Solas da Reforma – Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Declaração de Cambridge. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm. Acessado em 16.08.2010. 16 Paul Settle, Sola Fide. http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/sola_fide_settle.htm. Acessado em 16.08.2010. 17 Os Cinco Solas da Reforma – Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Declaração de Cambridge. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm. Acessado em 16.08.2010. 18 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008. 19 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008.
  4. 4. perfeitamente adequada para salvar, pois ela liga pecadores com um Salvador perfeitamente adequado.‖20 Quando o pecador tem esta fé no Salvador, entendendo que só precisa dela para sua salvação, então ocorre a justificação. Mas como reconhecer esta fé salvadora? É o que descrevemos abaixo: Na Bíblia, a fé verdadeira e viva é crer na Palavra de Deus e se entregar a Ele em segura confiança. A fé é a apreensão inteligente da alma da verdade revelada, a aceitação da verdade como se aplicando a si mesmo e a resposta para as suas próprias necessidades, a apropriação da verdade como uma palavra e um convite pessoal de Deus, e uma confiança ativa em Deus e no Seu Filho.21 Muito bem, mas quanto à justificação, o que exatamente ela é? Vejamos a explicação abaixo: Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus. Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.22 SOLI DEO GLORIA: “A Deus somente, a glória”, ou a exclusividade do serviço e da adoração a Deus. Por fim, ―coroando estes temas que a Reforma nos legou está o da ―glória somente a Deus‖. Dar glória somente a Deus significa que ninguém, nem homens nem anjos, deve ocupar o lugar que pertence a Ele, no mundo e em nossa vida, porque somente Ele é o Senhor.‖23 No coração do homem há o pecado da idolatria que devemos subjugar diariamente. E esta realidade está presente não somente no coração dos ímpios. ―Infelizmente a usurpação da glória de Deus tem estado presente também entre aqueles que professam servir a Deus e buscam adorá-lo. A glória de Deus tem sido substituída por uma ênfase no bem-estar do homem.‖24 Diante desta verdade desafiadora, é necessário purificar nosso culto ao Senhor. ―Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós.‖25 Muitos têm se esquecido de que a criação é de Deus, o plano de salvação foi arquitetado por Deus, e tudo foi e sempre será, para Sua glória: Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente. Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.26 Como desde a Queda em pecado o coração do homem é corrompido, então, ainda hoje temos o perigo de negligenciar a glória ao Senhor. ―Corremos o risco perigoso de viver para a nossa própria glória. Isso fará, aos poucos, com que as pessoas que estão na igreja percam o sentido real de sua existência, quando outras coisas tomam a frente dAquele que deve ser o nosso único motivo para termos sido feitos ―Igreja de Deus‖: viver somente para a glória de Deus.‖27 Esta verdade acerca de nosso dever de glorificar a Deus não é uma doutrina nova. Já no Antigo Testamento Deus ordenava a glorificação do Seu Nome. E os reformadores entenderam que nada deve ocupar o lugar sagrado de Deus para recepção de glória. Glorificá-lo é nosso objetivo como seres humanos: Durante todo o desenrolar histórico do relacionamento de Deus com Seu povo, um alerta tem sido notório e reincidente: Deus deseja ser glorificado em, por e através de nós e de nossa instrumentalidade. Deus não precisa receber a glória dos homens para ser completo ou sentir-se realizado. Pois, como disse o próprio Cristo Jesus, 20 Paul Settle, Sola Fide. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/sola_fide_settle.htm. Acessado em 16.08.2010. 21 Paul Settle, Sola Fide. http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/sola_fide_settle.htm. Acessado em 16.08.2010. 22 Os Cinco Solas da Reforma – Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Declaração de Cambridge. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm. Acessado em 16.08.2010. 23 João Alves dos Santos, As doutrinas dos cinco solas da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria.http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=F3EF145B-281C-4F56- A5E36606E147C3CB&method=display Acessado em 30.07.2008. 24 Soli Deo Gloria – OS usurpadores da glória. Fonte: http://www.teuministerio.com.br/BRSPIGBSDCMCMC/vsItemDisplay.dsp&objectID=6184C79B- BBB5-4821-AF819DC96C07143A&method=display. Acessado em 30.07.2008. 25 Os Cinco Solas da Reforma – Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Declaração de Cambridge. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm. Acessado em 16.08.2010. 26 Os Cinco Solas da Reforma – Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria. Declaração de Cambridge. Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm. Acessado em 16.08.2010. 27 José Maurício Passos Nepomuceno, Soli Deo Gloria. http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/soli_deo_gloria_nepomuceno.htm Acessado em 16.08.2010.
  5. 5. Ele já possuía toda glória antes que o mundo existisse (João 17.5). Mas, então, por que Deus deseja ser glorificado pelos homens? Por que os fez para a Sua própria glória? Na resposta a essas questões, está um dos pontos focais da teologia reformada. Pois, entre os conceitos básicos da Reforma Protestante figura a resposta mais profunda à inquietante questão da razão da existência humana: Por que e para que existe o homem? Os reformados responderam: o homem existe porque Deus o criou e o criou para a sua própria glória.28 28 José Maurício Passos Nepomuceno, Soli Deo Gloria. http://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/soli_deo_gloria_nepomuceno.htm Acessado em 16.08.2010.

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