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Revista RPANews

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Matéria sobre Censo Varietal

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Revista RPANews

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  2. 2. 22 editorial COMPETÊNCIA PROFISSIONAL Ricardo Pinto Numa escola estava acontecendo algo inusitado. Um bando de alunas que usavam batom tiravam seu excesso beijando os espelhos dos banheiros. Todo final de dia, o zelador tinha um trabalho enorme para limpar os espe- lhos dos banheiros. O diretor da escola, que estava muito irritado com a situação, já tinha enviado advertências às alunas pedindo para que parassem com aquela prá- tica, mas, como sempre, na tarde seguinte lá estavam as mesmas marcas de batom. Certo dia, o diretor juntou todas as alunas e o zela- dor num dos banheiros e explicou pacientemente que era muito complicado limpar os espelhos com todas aquelas marcas de batom que algumas delas faziam. Depois de uma hora falando, surgiu-lhe a ideia de pedir ao zela- dor que demonstrasse a dificuldade de se fazer a limpeza dos espelhos. Aproveitando a deixa, o experiente zelador pegou um pano, molhou-o no vaso sanitário e passou-o no espelho. Nunca mais apareceram marcas de batom nos espe- lhos daquela escola... Realmente faz muita diferença quando estamos diante de um profissional que tem competência para a função que ocupa na empresa. Com poucos segundos, o zelador da escola acima conseguiu o que o diretor não iria resol- ver nem com muitas horas de discurso e muitas adver- tências e ameaças. Nas empresas, somos normalmente questionados sobre o que realmente é um profissional competente. Será que aquele que fala bem em público, é bom negociador, escreve bem, é empreendedor e criati- vo? Não, este é um profissional com muitas habilidades. Ou será aquele que fez MBA, fala várias línguas, tem experiência, é bom de informática e sabe muito sobre alguns assuntos? Não, este também não é. Ele tem, sim, muitos conhecimentos. É aquele que tem um perfil empreendedor, ousado, confiante, comprometido e auto-motivado? Não, ainda não. Este, sem dúvida, deve ter muita atitude. Oras, como é, então, o tal do profissional competente? Ele é exatamente a junção das três características elencadas acima, obviamente focadas nas funções que desempenha ou desempenhará na empresa. Assim, a com- petência é igual à soma das habilidades necessárias à função com os conhecimentos exigidos e com a atitude. Afinal, sem ter esta última é impossível sair do campo das ideias e torná-las ações. E são as ações em busca de resultados que, em suma, as empresas esperam e dese- jam em seus profissionais, não são? Pronto, agora você conhece a fórmula: Competência = habilidade + conhe- cimento + atitude. Faça uma autocrítica sincera sobre você mesmo e sua carreira. Avalie qual dos três itens merece mais sua atenção. Após identificá-lo, invista nele. E tenha uma carreira de muito sucesso. Você certamente se tornará um profissional insubstituível na sua empresa. Ou quase...
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  4. 4. 4 Diretor Geral Ricardo Pinto ricardo@revistarpanews.com.br Editora Natália Cherubin Jornalista Responsável Mtb 61.149 natalia@revistarpanews.com.br Diretora Financeira Patrícia Nogueira Díaz Alves patricia@rpaconsultoria.com.br Diretores Egyno Trento Filho egyno@rpaconsultoria.com.br Antonio Afférri afferri@rpaconsultoria.com.br Gerente Comercial Alessandra Silva alessandra@revistarpanews.com.br (16) 99298-9944 Executiva de Contas Larissa Sousa larissa@revistarpanews.com.br Assistente de Vendas Juliana Turqueti marketing@revistarpanews.com.br CTP e Impressão Gráfica Mundo ISSN 1679-5288 RPA Consultoria (16) 3237-4249 Revista RPAnews (16) 3602-0900 Rua Casemiro de Abreu, 950, Vila Seixas, Ribeirão Preto, SP, CEP 14020-193 Redação Natália Cherubin natalia@revistarpanews.com.br (16) 3602-0900 (16) 98127-1205 Alisson Henrique jornalismo@revistarpanews.com.br (16) 3602-0900 (16) 98127-1205 Fotografia Alisson Henrique Rogério Pinto Projeto Gráfico Rogério Pinto fone: (11) 4371-6669 rogerio@revistarpanews.com.br Diagramação Fernando Almeida fernando@revistarpanews.com.br Gerente Administrativo - Financeiro Camila Garbino camila@revistarpanews.com.br Administração Filipe Custódio filipe@revistarpanews.com.br RPAnews é lida mensalmente por aproximadamente 35.000 execu- tivos, profissionais e empresários ligados à agroindústria da cana-de- -açúcar do Brasil. CONSELHO EDITORIAL Ailton Antônio Casagrande Alexandre Ismael Elias Antônio Carlos Fernandes Antônio Celso Cavalcanti Antônio Vicente Golfeto Celso Procknor Egyno Trento Filho Geraldo Majela de Andrade Silva Guilherme Menezes de Faria Henrique Vianna de Amorim João Carlos de Figueiredo Ferraz José Pessoa de Queiroz Bisneto José Velloso Dias Cardoso Leonardo Mina Viana Luiz Custódio da Cotta Martins Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo Luiz Chaves Ximenes Filho Manoel Carlos Azevedo Ortolan Marcos Guimarães Landell Marco Antonio da Fonseca Viana Marco Lorenzzo Cunali Ripoli Maurilio Biagi Filho Osvaldo Alonso Paulo Adalberto Zanetti Ricardo Pinto Rogério Antônio Pereira Assinatura anual (12 edições): R$ 190,00 - Número avulso: R$ 19,00. Para adquirir sua assi- natura basta acessar nossa loja virtual em: www.revistarpanews. com.br ou enviar e-mail para: assinatura@revistarpanews. com.br. RPAnews não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. Matérias não solicitadas, fotografias e artes não serão devolvidas. É autorizada a reprodução das matérias, desde que citada a fonte. www.revistarpanews.com.br Siga-nos no Facebook: @RevistaRPANews edição 195 Ano 17 janeiro/fevereiro de 2018 34 Especial 6 Consecana: manter, revisar ou mudar? Qual é o melhor trator para o CTT? Preparo profundo de solo: bom ou ruim para a cana? Agrícola 14 18 Industrial Conjuntura 24 30 33 Concentração de vinhaça: as usinas já estão fazendo? A correta avaliação mercadológica de imóveis rurais Reforma trabalhista: horas in itinere Executivo 36 38 No comando e na gestão de pessoas Quando as usinas do Centro-Sul devem começar a sua safra? O que esperar da nova temporada? Fórum 12 Dropes Por dentro da usina índice “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.” Guimarães Rosa “Quem não se ocupa, se preocupa.” Otto Lara Resende “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.” José Saramago “Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez.” Thomas Edison “O trabalho mais duro do mundo é não fazer nada.” Máximas rabínicas Dicas e novidades 35 Gestão 29 Um brinde a 2018: um ano que pode começar diferente!
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  6. 6. 6 preços de açúcar e etanol. Sendo assim, em épocas de preços baixos, cai também a remu- neração dos produtores. CUSTO DE PRODUÇÃO De acordo com as previsões realizadas pela própria Unica em abril de 2017, se a safra 2017/18 fechar com 134,40 kg ATR/t cana e, multiplicando este valor pelo preço doATR acumulado desta safra até novembro, que é de R$ 0,5710/kg de ATR, o preço da cana sai R$ 76,74/t pelo sistema Consecana. Isto significa uma perda de R$ 14,24/t, se comparamos com a safra passada (2016/17), quando a cana do Centro-Sul precificada pelo Consecana fechou em R$ 90,98/t. Com um custo de produção que ultra- passa R$ 90/t, dá pra entender o porquê dos fornecedores de cana estarem pedindo uma revisão urgente. “O custo médio da cana no Estado de São Paulo está em torno de R$100 por t e o produtor está vendendo por R$ 77, portanto, os custos não têm se pagado”, con- firma Roberto de Campos Sachs, consultor técnico da Orplana. De acordo com o produtor de cana e membro da Ascana (Associação de Planta- dores de Cana do Médio Tietê), Nelson An- tunes Junior, considerando a safra 2017/18, com um canavial de 75t/ha, 135 kg de ATR/t de cana e considerando o valor de ATR Con- secana (novembro 2017) em R$ 0,57/kg, a receita bruta necessária para a produção che- ga a R$ 7.587,18 por ha, enquanto a receita kg, 11,5% inferior ao valor do mesmo perí- odo da safra 2017/18 (Gráfico 1). Ao longo dos últimos anos, a Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Re- gião Centro-Sul), que representa hoje cerca de 11 mil fornecedores de cana do Centro- -Sul, o que corresponde a aproximadamente 30% de toda a cana produzida no País, vem se comprometendo a realizar todos os estudos e, junto a Unica, tenta chegar a um consenso sobre o que pode e não pode mudar no mo- delo de pagamento. Na primeira quinzena de dezembro de 2017, uma proposta de reformulação do Con- secana foi apresentada pela entidade dos for- necedores e vem sendo discutida desde então em reuniões semanais junto a Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar). De forma bem simplificada, os produtores propuseram receber um prêmio, além do valor atualmente estabelecido pelo Consecana. Mas, será que as discussões entre produtores e usinas che- garão a um consenso? Quais mudanças são admissíveis para as usinas? O sistema Consecana foi criado em 1999 e tem como objetivo auferir o faturamento obtido pela unidade industrial por tonelada de cana e através da participação do custo de produção de cana no custo total (industrial + cana), determina uma parcela do faturamento total destinado a pagamento ao fornecedor. O cálculo do valor pago aos fornecedores ho- je leva em consideração a quantidade ATR por tonelada de cana, além das variações de Natália Cherubin No final de 2017 um dos assuntos mais polêmicos, que envolveu longas discussões e nenhum consenso entre agroindústria e fornecedores de cana, voltou à tona: a re- visão do sistema Consecana-SP (Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo). Embora por muito tempo tenha correspondido aos anseios do setor, o modelo de precificação e pagamento de cana, até então considerado justo para ambos os lados, vem causando divergências e reivindicações por parte dos fornecedores que vêm, já há alguns anos, se sentindo bastante prejudicados com o cál- culo, que não fecha mais na ponta do lápis. Após cinco anos e muitos pedidos de revi- são, voltaram as intensas discussões sobre uma possível remodelagem do Consecana que, se ocorrer, poderá ser significativa pa- ra ambos os lados, porém decisiva para os produtores. A crise que assolou o setor nos últimos anos e a mais recente queda do preço do açúcar no mercado mundial, decorrente do superávit de produção da commodity, é apontado como a principal causa pela tam- bém baixa do preço da matéria-prima na lavoura e é o que vem fortalecendo as dis- cussões e reivindicações dos fornecedores com relação ao modelo de pagamento. Só para se ter uma ideia, de abril até outubro de 2017, o valor doATR pago ao fornecedor caiu 15,5%, para R$ 0,54 kg. No acumulado da safra, o valor do ATR ficou em R$ 0,57 Apesar da proposta de reformulação apresentada pela Orplana, as discussões entre usinas e produtores continuam especial
  7. 7. 7 do Consecana é de R$ 5.790,49 por ha. Isso mostra que o produtor teve um prejuízo de R$ 1.796,69 por ha (Veja tabela 1). “Fica claro que a receita da cana com ba- se no Consecana não cobre os nossos gastos operacionais. Para a sobrevivência do forne- cedor seria necessário ter uma receita míni- ma de R$ 93,83, que está 21,53% acima do valor do Consecana base de novembro de 2017. O justo mesmo seria uma receita de R$ 101,16, valor 3% maior que o do Conse- cana e que remuneraria o capital investido”, destaca Junior. CONSECANA PRO-INT Seguindo o princípio de alinhar a gestão sucroenergética com a nova realidade do se- tor, a Orplana defendia, pelo menos até o final de 2017, uma remodelagem mais profunda do sistema Consecana-SP. De acordo com Celso Albano, gestor executivo da Orplana, como a cada cinco anos há uma revisão do mode- lo, a entidade, junto a Unica, vem realizan- do, desde 2017, uma série de reuniões a fim de discutir e promover a revisão do sistema. “Com a queda nos valores do açúcar e etanol a defasagem apurada entre custo de produ- ção de cana e valor daATR pago ao produtor é de 14,96%. Sendo assim, a recomposição dessa diferença passou a ser uma das princi- pais reinvindicações dos produtores. Agora, convidamos o setor a modernizar o modelo e, para isso, apresentamos na reunião do Conse- cana, realizada em novembro, uma proposta sustentável de criação e compartilhamento de valor, o Consecana Pro-Int”, destacaAlbano. Elaborado pelos profissionais da Orpla- na, da Ascana e com apoio do Pecege e da Fea-RP/USP (Faculdade de Economia e Ad- ministração da Universidade de São Paulo), a proposta pretendia a manutenção do mo- delo Consecana SP, exatamente como ele é, considerando a mesma equação componente do seu valor, forma de divulgação, estrutura e governança, porém, adiciona a construção conjunta de valor, via eficiência, a qual se- ria compartilhada entre usinas e produtores, criando o Consecana Pro-Int, válido para os produtores integrados ao sistema Orplana. Segundo Albano, essa proposta não in- terferiria nos parâmetros para cálculos de valores de arrendamento/parceria, por en- tender que o proprietário da terra não sofreu impacto de custos advindos das alterações no sistema de produção, tal como a mecaniza- ção da cana. “O valor do ATR Pro-Int seria o preço Consecana + Remuneração variável: reconhecimento + eficiência + qualidade. O cálculo desses Prêmios por Eficiência con- templa fatores como assertividade na esti- mativa de produção e eficiências - custo cana esteira (desonerar os custos da indústria). Já os Prêmios por Qualidade da Matéria-Prima incluem impureza mineral; impureza vegetal e a eficiência industrial - Fator Qualidade”, detalha. Na visão da Orplana, a remodelagem do sistema ofereceria vantagens como: - sustentabilidade do produtor de cana e va- lorização da cadeia produtiva; - criação e compartilhamento de valor entre produtores e indústria; - redução nos custos do processo industrial e maior rendimento industrial; - garantia e regularidade de suprimento (re- dução de ociosidade do ativo industrial e diluição de custo fixo); - estímulo à profissionalização do produtor de cana; - e redução do endividamento pelo ganho ge- ral de produtividade. Albano destaca que esse modelo foi cons- truído democraticamente por meio de am- plo debate com o Conselho Deliberativo da Orplana, que representa as 32 associações ligadas à entidade, e inspirou-se em mode- los existentes, vitoriosos e que buscam maior equilíbrio coletivamente, via um processo de criação e compartilhamento de valor. A proposta foi analisada pela equipe de estudos e pelos membros da Unica. Para a Orplana, sua aprovação traria importantes mudanças na cadeia produtiva da cana-de- -açúcar alinhadas com as demandas mundiais
  8. 8. 8 de responsabilidade social corporativa. “Seus benefícios (ganhos de eficiência) no curto, médio e longo prazos seriam mensurados e poderiam, em muito, superar os 4,84% má- ximos de incremento de custo de compra de cana, que hoje ocorrem caso 100% dos pro- dutores atinjam 100% dos valores de bonifi- cação”, adiciona Albano. POR QUE MUDAR? Paulo de Araújo Rodrigues, produtor de cana do Condomínio Agrícola Santa Izabel, diz que apesar do sistema Consecana ser o melhor método de pagamento, em termos de filosofia, a revisão já deveria ter acontecido há pelo menos cinco anos. “Hoje o Conse- cana não representa a realidade do setor. Ele está de 13 a 15% abaixo do que deveria estar. Estamos com a discussão da revisão na pauta há cinco anos e até o momento não tivemos nenhum retorno significativo. Precisamos de- finir e as usinas precisam reconhecer a im- portância da cana do produtor. Sabemos que a situação não é fácil, mas ficará ainda mais difícil se não houver cana de fornecedor.” Apesar de estar conseguindo manter os seus custos de produção abaixo da média da maioria dos produtores, Rodrigues diz que o produtor quer e precisa da revisão. “Hoje a participação da matéria-prima está base- ada no custo total de produção do produto final, por tanto, de certa forma, se resguarda o custo industrial e não se resguarda o custo agrícola. Então eu diria que o Consecana é uma gangorra na qual quando os preços dos produtos finais está muito bom, o preço da cana também fica muito bom, mas quando está ruim, piora muito mais o preço da cana. É uma gangorra na qual o eixo não encontra- -se no meio”, critica. Ainda de acordo com Rodrigues, se as coisas não mudarem, corre-se o risco de per- der a cana do produtor. “Vamos perdendo o estímulo de plantar cana. Quando não se tem uma boa remuneração, especialmente no nos- so modelo, em que trabalhamos com áreas de terceiros, vamos ter uma dificuldade de con- tinuar plantando cana. Tem gente que já está deixando de plantar cana para plantar grãos.” Junior também acredita que o modelo Consecana é importante tanto para os for- necedores quanto para as usinas e diz que serve de referência para o setor agrícola, no entanto, afirma que todas as distorções gera- das devem migrar para dentro do modelo de forma estruturada, considerando as necessi- dades de cada usina, o que permitirá uma aná- lise melhor da situação e uma oportunidade de viabilizar revisões futuras. “O produtor necessita de uma remuneração que permi- ta a sustentabilidade do negócio dentro dos padrões econômicos atuais. Minha opinião é que a cana de fornecedor custará sempre menos do que a cana própria da usina, mesmo depois dos ajustes necessários.” Para Sachs, a valorização do ATR e con- sequentemente da cana, depende resumida- mente de duas variáveis: 1) Valores líquidos, PVU, de mercado inter- no e externo de todos os tipos de açúcar e etanol produzidos e comercializados pelas usinas, variável esta que é totalmente in- controlável e de alta volatilidade; 2) Percentual de participação da cana-de-açú- car nos preços líquidos, PVU, de todos os tipos de açúcar e etanol produzidos e co- mercializados pelas usinas, variável nego- ciada entre os dois sócios do Consecana- -SP: Orplana e Unica. O percentual de participação da cana-de- -açúcar, %PMP, definido pela relação entre o custo total de produção e o custo total de processamento de açúcar e etanol, deveria ser atualizado, segundo o regulamento do Con- secana, a cada cinco anos, o que não vem tecnicamente acontecendo. Atualmente, de- vido à queda generalizada dos preços, isto não resolveria o problema, mas amenizaria. “Em se prevalecendo essa situação, a sus- tentabilidade dos pequenos e médios produto- res, com produtividades menores e que este- jam localizados em regiões onde não exista a concorrência entre usinas, está comprometida. Aí predomina a economia semelhante ao oli- gopsônio, uma forma de mercado com poucos compradores (usinas), chamados de oligopso- nistas, e inúmeros vendedores (fornecedores), um mercado imperfeito onde as usinas pra- ticam o preço do ATR defasado, impactado também pelo grande salto do custo agrícola nos últimos anos, principalmente em função dos investimentos necessários ao aumento da produtividade, à mecanização e consequentes mudanças dos sistemas de manejos e contro- les de novas pragas. Sendo assim, é necessário formalizar as formas de premiações dentro do manual do Consecana para viabilizar as mes- mas para todos os produtores de cana, e não somente para os que se encontram em regiões de grande concorrência”, destaca Sachs. Na visão de Arnaldo Luiz Corrêa, dire- tor da Archer Consulting, o modelo prejudi- ca igualmente às usinas e os fornecedores. De acordo com ele, há um ano, quando ele discutia a urgente necessidade de promover uma ampla discussão a respeito da eficiência do modelo de apreçamento do Consecana, usou como exem- plo a política de risco da maioria das usinas, que recomenda que o percentual correspon- dente à produção de açúcar oriundo de cana de terceiros não seja fixado. O risco da usina fixar cana de terceiros se explica, pois caso o mercado continue em ascensão, o custo mais alto pela cana que terá que pagar ao fornecedor poderá afetar a rentabilidade do produto final já fixado (açúcar). “Argumentei enfaticamente que seguindo essa orientação, a usina assistiu ao contrato de maio/2017 negociar a US$ 23 centavos de dólar por libra-peso sem fixar nada da parcela correspondente à cana de fornecedor. Essa ‘lei imutável’ que existe na maioria das usinas, de não fixar cana de terceiros por achar que ela tem um hedge natural, é uma falácia. Ambos perderam.Ausina que não fixou e, consequen- temente, o fornecedor de cana. Fornecedores e usinas precisam buscar modelos em que ambos possam ganhar num mercado ascendente. Por-
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  10. 10. 10 PROPOSTA APRESENTADA PELA ORPLANA A proposta pretendia a manutenção do modelo Consecana SP, exatamente como ele é, considerando a mesma equação componente do seu valor, forma de divulgação, estrutura e governança, porém, adiciona a construção conjunta de valor, via eficiência, a qual seria compartilhada entre usinas e produtores, criando o Consecana Pro-Int, válido para os produtores integrados ao sistema Orplana. A remodelação não interferiria nos parâmetros para cálculos de valores de arrendamento/parceria, por entender que o proprietário da terra não sofreu impacto de custos advindos das alterações no sistema de produção, tal como a mecanização da cana. Sendo assim, o valor do ATR Pro-Int seria o preço Consecana + Remuneração variável: reconhecimento + eficiência + qualidade. O cálculo desses Prêmios por Eficiência contempla fatores como assertividade na estimativa de produção e eficiências - custo cana esteira (desonerar os custos da indústria). Já os Prêmios por Qualidade da Matéria-Prima incluem impureza mineral; impureza vegetal e a eficiência industrial - Fator Qualidade. tanto, embora a reivindicação dos produtores vá fazer com que eles entendam as imperfei- ções do sistema e possam sentar-se à mesa de negociação buscando critérios mais justos, querer um prêmio por algo que as usinas efe- tivamente não obtiveram é querer socializar o prejuízo”, salienta. O ideal, segundo o diretor daArcher Con- sulting, seria que houvesse um contrato futuro de ATR na Bolsa em que cada um pudesse fixar seu preço quando o mercado lhe permi- tisse. “Como isso é utópico no estágio atual, quem sabe o setor poderia estudar um meca- nismo em que o fornecedor pudesse fixar par- cialmente o preço da cana usando o mercado futuro de açúcar ou petróleo (para etanol). O que dá para concordar é que o Consecana precisava ser revisto. Chegou o momento.” SAÍDA PARA VIABILIZAR AS NEGOCIAÇÕES O Consecana foi concebido para remune- rar a cana posta na esteira da usina e não es- tabelece normas para as modalidades de con- trato de parcerias e de arrendamentos para a produção de cana. Sendo assim, infelizmen- te, segundo Sachs, todos os negócios de par- cerias e arrendamentos no sistema, com raras exceções, também utilizam o valor do ATR como referência em seus contratos. Sendo assim, o proprietário rural arrenda sua terra para a unidade industrial e recebe um valor fixo de quilogramas de ATR por tonelada de cana produzida na sua propriedade. “Esses índices utilizados para pagamen- tos de arrendamentos e parcerias, tais como 121,97 kg deATR por t de cana, 118,58 kg de ATR por t de cana, obtidos considerando-se os parâmetros de uma cana padrão definidos no antigo sistema PCTS – Sistema de Paga- mento de Cana pelo Teor de Sacarose, regu- lamentado pelo extinto Instituto doAçúcar e do Álcool, autarquia do Ministério da Indús- tria e Comércio, dificultam acentuadamente as negociações dentro do Consecana, devido ao grande impacto econômico que ocorreria caso fosse alterado o %PMP e consequente- mente o valor do ATR, haja visto a grande proporção de canaviais formados em áreas arrendadas”, destaca Sachs. Uma saída para viabilizar as negocia- ções, de acordo com ele, seria aplicando o ajuste do %PMP somente para os produto- res de cana e não para os arrendadores de terra. No entanto, como isso não aconte- ce, pois na verdade não há argumentação técnica que prevaleça sobre os interesses econômicos em um mercado de R$ 32,5 bilhões, e as usinas precisam manter a sus- tentabilidade do produtor de cana, o sistema Consecana acabou se transformando apenas em uma referência para o mercado de cana- -de-açúcar no Estado de São Paulo devido ao fato de que muitas usinas, por necessida- de concorrencial ou visando a mitigação e distribuição dos riscos, praticam uma sele- ção rigorosa de seus parceiros fornecedores de cana e adotam formas de premiação em quilogramas de ATR por tonelada de cana ou em reais por tonelada de cana, de acordo com o cumprimento de metas pré-estabele- cidas, tais como formalização contratuais, fidelidade e regularidade de fornecimento, baixos teores de impurezas minerais e ve- getais na matéria-prima fornecida e cum- primento das legislações trabalhistas e am- bientais, usualmente não capturados pelo modelo Consecana. “Quando se viaja pelo interior de São Paulo entre infinitos canaviais uma das im- pressões que se tem é de que toda essa cana pertence aos usineiros, puro engano. Pelo Sistema de Acompanhamento de Produção do Ministério de Agricultura - o Sapcana - na safra 2016/17, até 15/03/2017, produ- ziu-se 361 milhões de t em São Paulo, das quais 154 milhões, ou seja 42,6%, foram produzidas, tanto em terras próprias como em terras arrendadas, por produtores inde- pendentes de cana-de-açúcar. Além disso, a maior parte dos canaviais, 57,4%, perten- centes às usinas, também são plantados em terras de terceiros em forma de parcerias ou arrendamentos”, destaca Sachs. AS DISCUSSÕES CONTINUAM ARPAnews procurou usinas para comen- tar a questão, mas todas as unidades procura- das afirmaram ser a Unica a responsável por falar oficialmente a respeito das discussões sobre o Consecana. Em agosto de 2017, Eli- zabeth Farina, presidente da entidade, chegou a comentar a demanda sobre as mudanças do Em dezembro, a Orplana se reuniu para propor o Consecana Pro-Int
  11. 11. 11 Consecana à imprensa, para a qual afirmou que reuniões semanais vinham sendo reali- zadas sobre o assunto. No entanto, apesar de todos - usinas e produtores – desejarem en- contrar a melhor solução, Elizabeth admitiu ser difícil mudar as regras do jogo em tem- pos de crise. Antonio de Pádua Rodrigues, diretor téc- nico da Unica afirmou, em entrevista ao Valor Econômico realizada no final do ano passado, que para a indústria as únicas alterações ad- missíveis são as que proporcionem ganho aos dois lados, com aumento da receita global da cadeia, como seria o caso do baixo nível de impurezas, que reduzem o custo da indústria. De acordo com ele, se a mudança for na pre- missa de transferência de renda, dificilmente haverá um acordo. Uma importante reunião para a discus- são do Consecana foi realizada no dia 22 de janeiro deste ano. De acordo com fontes ou- vidas pela RPAnews, a proposta do Pro-Int dividiu opiniões entre os grandes grupos. A São Martinho teria aprovado a proposta, enquanto a Raízen não. Já a Tereos, teria aprovado parte da proposta. Ou seja, não houve consenso. As disussões continuam. E, de acordo com Padua, a Unica continua conversan- do e negociando a proposta que leva em conta apenas a valorização do fator Pureza da Cana. O fator pureza, segundo fontes, será sentido apenas por uma parte dos fornece- dores, aqueles que tiverem maior pureza e um brix de cana elevado. “Agora, a Orplana precisa redigir uma proposta do acordo va- lorizando a questão da pureza e nada mais”, afirmou Padua.
  12. 12. 12 fórum Celso Ferreira, vice- presidente de Operações e Engenharia da Atvos Ricardo Lopes, diretor de Operações da Biosev Otávio Lage de Siqueira Filho, diretor- presidente do Grupo Jalles Machado Alisson Henrique Natália Cherubin OITO UNIDADES INICIAM EM MARÇO “AAtvos dará início à safra 2018/19 no mês de março. Cada uma das oito unidades agroindus- triais em operação, nos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, iniciará a produção a partir de uma data, res- peitando o ciclo de crescimento do canavial e nosso plano de safra. A empresa vem desem- penhando um importante papel no agronegó- cio brasileiro e nas comunidades em que está inserida. Em julho de 2017, aAtvos completou dez anos como a 2ª maior produtora de etanol e energia elétrica a partir de biomassa do Brasil e a 3ª maior em moagem. Para a safra 2018/19, a Atvos projeta a moagem de 29,2 milhões de t de cana, com a produção de 2 bilhões de l de etanol, 590 mil t de açúcar VHP e a exportação de 2,2 mil GWh de energia elétrica a partir da biomassa.” EM MARÇO “Na próxima safra, devido ao planejamen- to agrícola, que contempla o uso correto de variedades, idade adequada dos ca- naviais e a utilização de maturadores, a colheita na Biosev começará no mês de março.” INÍCIO DE ABRIL “Iremos começar a safra 2018/19 no início de abril nas duas unidades: Jalles Machado e Otávio Lage. Este ano processamos 4,3 milhões de t de cana. A nossa expectativa para a próxima safra é de quase 4,7 milhões de t. Estamos muito otimistas e animados para 2018. A nossa produtividade média também deve aumentar de 83 t/ha para 87 t/ha. Contamos mais uma vez com o empe- nho de toda a nossa equipe para podermos alcançar bons resultados para todos.”
  13. 13. 13 Humberto Carrara, diretor Agro- industrial da USJ (Usina São João de Araras) Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, executivo e empreendedor Antonio Carlos Teixeira, téc- nico Agrícola da Viralcool - Pitangueiras SEGUNDA QUINZENA DE ABRIL “Começaremos a moagem da Usina Pitangueiras no mês de abril. Qua- se sempre começamos na segunda quinzena, pois a cana já está com um pouco mais de ATR. Além dis- so, fazemos assim para evitarmos de levar a safra para novembro, mês que chove muito e que causa aumento nos nossos custos de pro- cessamento da cana e queda brusca do ATR.” COMO DE COSTUME “As usinas devem iniciar a safra no início de março. Estimo que- da na produção comparada a safra de 2017. Um dos motivos é que a cana plantada entre março/abril sofreu com 90 a 110 dias de seca, o que comprometeu o canavial. Vários episódios de incêndios nos canaviais (espontâneos e outros criminosos) também ocorreram. Além disso, como a cana não cres- ceu adequadamente, não fechou o “canopy” (área verde), permi- tindo o aumento de incidência de plantas daninhas, pragas e doen- ças. Também tivemos uma menor renovação do canavial. Sendo as- sim, acredito que a safra do Cen- tro-Sul não deva ultrapassar 585 milhões de t.” DOIS DE ABRIL “NaViralcool, unidade Pitangueiras, estamos querendo iniciar a safra no dia 02/04/2018. Esperamos um au- mento de 7% na moagem, pois os nossos canaviais estão com muito vigor. Se continuar chovendo, tere- mos uma boa produção na próxima safra.” IGUAL A 2017 “A safra 2017/18 da USJ terminou no início de dezembro e temos previsão para iniciar o próximo ciclo no dia 19 de março. Em 2017 também começamos próximos desta data e como temos boas perspectivas para o etanol e um pouco mais de cana, vamos começar em março, quando já temos um canavial pronto para a colheita. A expectativa é de moer em torno de 3,3 milhões de t, mas tudo vai depender do clima do início do ano, quando teremos o máximo de potencial de crescimento do canavial.” PRIMEIRO DE ABRIL “Para a Diana Bioenergia a safra 2018/19 se iniciará no dia primeiro de abril. Com 239 dias totais de safra, pretendemos moer 1,46 milhão de t de cana, sendo 887 mil de cana própria, 500 mil de fornecedores contratados (Consecana) e 80 mil de cana spot à serem adquiridas durante a safra. Estamos espe- rando um TCH de cana própria de 77,05 t/ha e ATR de 121,33 kg, números muito conservadores. Deveremos produzir 104 mil t de açúcar VHP, 16.122 m3 de etanol anidro e 27.995 m3 de hidratado. Estamos renovando 18% do canavial próprio e principalmente nos plantios novos estamos praticando bastan- te agricultura de precisão, com tipificação do solo, nutrientes, análise do canavial via satélite e dos plantios via drones, GPS, piloto automático e fazemos uso de software de fila única no CTT. Também investimos em plantios com uso de MPB (mudas pré-brotadas) da Syngenta, Rides e CTC, conforme um manejo varietal apropriado para nossos solos e safra. A Companhia se estruturou fazendo um planejamento conservador para o perí- odo de cinco anos (2018 até 2022), com ajustes e correção de rota quando necessário. Dentro desse planejamento conservador vamos atingir a capacidade plena de moagem de 1,6 milhão de t apenas na safra 2019/20.” PRIMEIRA QUINZENA DE ABRIL “A safra 2017/18 da Usina Santa Isabel terminou na primeira quinzena do mês de dezembro por conta das chuvas. A meta é iniciar a safra 2018/19 até o dia 10 de abril. O período de início da unidade faz parte do próprio ciclo da usina, que planta 11 mil ha. Apesar da pequena queda da safra anterior, a seguinte promete. Estamos tomando algumas medidas de prevenção contra pragas e doenças, e implementando ope- rações agrícolas para melhorar a condição de fertilidade do canavial. Fizemos também um bom trabalho de nutrição. Tudo isso deve nos levar a uma maior produtividade em 2018. Em 2017 fechamos com 82 t por ha e no ano que vem a ideia é subir para 85 t por ha.” João Henrique de Andrade, diretor Industrial da Usina Pitangueiras Ricardo Junqueira, CEO da Diana Bioenergia Wilson Agapito, gerente de Moto- mecanização da Usina Santa Isabel
  14. 14. 14 agrícola Ele explica que antigamente o mais comum no mercado eram tratores de 200 cv puxando dois transbordos de 10 t cada.  No entanto, hoje, com o aumento do tamanho das caixas de transbor- do, o melhor conjunto dispõe de um trator de 230 cv puxando transbordos de 20 t (4 eixos) ou até 24 t, (5 eixos). “A melhor escolha tem a ver com quanto o usineiro está disposto a in- vestir, pois o preço do segundo tipo de conjunto (o mais atual) é relativamente mais alto que o anterior.  Se ele dispõe de caixa para este tipo de investimento o conjunto se paga rápido, ou seja, compensa. ” Miguel Eduardo Furmann, instrutor de Treinamento Comercial para Tratores da New Holland, também salienta que tem notado uma migração de potência dos tratores na operação CTT. Segundo ele, as empresas têm visto co- mo tendência nessa aplicação a faixa de 215 a 230 cv. “Essa tendência de maior produtividade com maior escala de produção das usinas su- croenergéticas é um passo para maior eficiência e menor quantidade de equipamentos na frota, consequentemente menor custo operacional da atividade agrícola”, explica. Na operação de plantio são utilizados tra- tores de 200 a 250 cv, porém, os tratores de 140 a 200 cv também podem ser utilizados nas operações de cultivo como eliminador de so- queira e preparo de solo, tornando-os versáteis e preparados para essas operações. De acordo com o Supervisor de Marketing de Produtos da Valtra, Winston Quintas, existem alguns fatores que são fundamentais para a escolha certa do * Alisson Henrique Para um bom funcionamento, uma usina precisa estar com todas as suas engrenagens funcionando em harmonia. Na hora de escolher equipamentos e máquinas, atenção e conhe- cimento são fundamentais. Itens que muitas vezes podem até parecerem iguais, escondem detalhes que podem fazer toda a diferença no desempenho final. Na hora de escolher os tra- tores, um dos veículos mais importantes dentro da operação de CTT – Corte, Transbordamento e Transporte – conhecimento é fundamental na hora da renovação de frota. De acordo com o especialista em Moto- mecanização Luiz Nitsch, da Sigma Consul- toria Automotiva, um item que recebe muito destaque na hora da escolha por um trator, a potência, nem sempre é o que faz a diferença, já que esses veículos por natureza não trafegam em alta velocidade durante a operação. O que realmente importa é o torque final nas rodas de tração. É esta característica, aliada a um per- feito balanceamento e lastreamento do trator, que vai definir sua maior ou menor capacidade de tração. “Apotência não é uma característica importante em tratores agrícolas, ao contrário do torque gerado pelo motor. O torque pode ser mensurado diretamente e a potência é uma grandeza calculada a partir do próprio torque.A potência está normalmente associada a veloci- dade que um determinado veículo desenvolve.” Para o engenheiro agrônomo e especialis- ta, Marco Ripoli, na hora de escolher a potên- cia dos tratores utilizados, o conjunto que será tracionado deve ser levado em consideração. As mudanças das caixas de transbordo de cana, que duplicaram de peso ao longo dos últimos anos, têm feito com que empresas optem por renovar a sua frota com tratores de maior potência trator. “É necessário analisar algumas variáveis, tais como topografia, tipo de solo e tamanho de transbordo. Desta forma, a potência indicada para o CTT pode variar de 140 a 250 cv, de acordo com a necessidade de cada usina. ” Contando com um parque de 340 tratores e 75 caminhões transbordo na operação de CTT, a Biosev implantou em seu conceito que os me- lhores tratores são os com transmissões Power Shift, tração TDA e sistema de diferencial an- tiblocante. “Utilizamos equipamentos de alta performance que ofereçam robustez, tecnolo- gia embarcada e melhor rendimento durante a safra. Temos preferido trabalhar com equipa- mentos de alta performance na faixa de 200 cv, com sistema de transmissão automatizado e gerenciamento de alimentação eletrônico, per- mitindo otimização de combustível por cilindro e consequentemente redução de combustível”, conta Ricardo Lopes, diretor de Operações da Biosev, que acrescenta que essa configuração permite trabalhos com diferentes tipos de trans- bordos e variadas topografias. Nitsch revela que Valtra e John Deere são as marcas que apresentam hoje os tratores mais usados na operação de transbordo, enquanto Ri- poli destaca o modelo 7230 da John Deere co- mo um dos melhores do mercado atualmente. O motivo, segundo ele, se dá por conta de todo o pacote tecnológico que o modelo traz. “Vale mencionar que o consumo horário de combus- tível deste trator nestas operações de CTT tem se mostrado melhor que os da concorrência”. Os itens essenciais que um trator deve ter
  15. 15. 15 para que haja alta performance e maior dispo- nibilidade durante a operação de CCT, segundo os especialistas são: 1)Tecnologias embarcadas, como o piloto au- tomático; 2) Os tipos de eixos; 3) Boa capacidade de lastro; 4) Controle automático de potência; 5) Freios a ar; 6) Potência hidráulica do sistema; 7) Tipo de transmissões; 8) Cabine ergonômica e confortável; 9) Tipo de rodado; 10) E qualidade da cabine para o operador. NOVAS TECNOLOGIAS Todas as novas tecnologias hoje embarca- das nos tratores estão relacionadas a agricultura de precisão, que visa maximizar o desempe- nho da propriedade implementando técnicas de manejo, zoneamento e práticas agrícolas para otimizar a operação. “Podemos destacar a aná- lise da capacidade dos ativos e otimização da frota para máxima eficiência, além de itens que visam aumentar a produtividade via estratégias de manejo, aplicação e tecnologias que redu- zem os custos operacionais”, destaca Ripoli. Para Nitsch, além das tecnologias de agricultura de precisão, que permitem que toda a programação estratégica da Agrícola saia como planejado, não se pode esquecer também dos grandes avanços na moderniza- ção dos motores a diesel, que hoje reduzem as emissões de poluentes atmosféricos, e nas transmissões automatizadas e automáticas, hoje muito mais confiáveis. Para Lauro Costa Rezende, especialista de Marketing da Case IH, as principais tec- nologias adotadas hoje nos tratores Case IH, além das versões dedicadas a operação de CTT, são as de agricultura de precisão com piloto automático hidráulico; a telemetria, com monitoramento das máquinas em campo “e um grande diferencial é o gerenciamento automático de produtividade, conhecido co- mo APM que faz com que o trator trabalhe com o câmbio em modo  manual e também com o motor no modo automático. O APM controla as marchas e a rotação do motor ba- seado na carga solicitada e, com isso, adequa perfeitamente a máquina à melhor condição de trabalho, resultando na economia comprovada de até 15% no consumo de combustível nas opera- ções de CTT” explica. Maurício de Menezes, gerente de Execução Tático da John Deere, revela que os modelos 7J da empresa contam com recursos como assento com suspensão ativa, que reduz em até 90% os movimentos verticais do assento, proporcionan- do mais ergonomia e conforto ao operador; paco- te de luzes premium, com 360 graus de ilumina- ção com luzes frontais, traseiras e laterais no topo da cabine, garantindo máxima produtividade 24 horas por dia; antena StarFire 6000 + sinal SF3 para maior precisão, estabilidade e repetibilida- de; eixo dianteiro TLS, que é um exclusivo sis- tema de suspensão para maior tração e aumento de até 8% da produtividade; motor Powertech - uma solução que atende a norma MAR I sem a necessidade de adição deArla para o seu funcio- namento e, com a transmissão PowerQuad Plus que, segundo Menezes, oferece a melhor marcha para cada condição, de modo a garantir maior efi- ciência e menor consumo de combustível. Furmann destaca que além de uma série de
  16. 16. 16 tecnologias, os tratores New Holland contam com o gerenciamento eletrônico do trator, que evita erros operacionais, protege o sistema e aumenta sua disponibilidade. Este mecanismo de proteção, chamado Terralock, proporciona tração e bloqueio dos diferenciais automáticos. “Com ele, o sistema liga e desliga a tração e/ou bloqueio em função do ângulo de esterçamento da direção e velocidade de deslocamento, di- minuindo desgaste de pneus e evitando erros operacionais e danos prematuros. ” Na Valtra a mais nova tecnologia utilizada está nos tratores da Série T CVT, que contam com a transmissão CVT (Transmissão Continu- amente Variável), onde não há escalonamento de velocidades ou troca de marcha. “A trans- missão inicia em 0,03 km/h e chega até 40 km/h de forma contínua, sem trancos. O modelo pas- sou por mudanças nos pacotes Powershift ou de reversão, o que permite ajustar com maior pre- cisão a melhor velocidade de trabalho.Aliado a toda a tecnologia da transmissão, temos a nova geração de motores AGCO Power, que junta- mente com o gerenciamento Power Control DTM, ajusta a rotação ideal do motor sempre visando o menor consumo de combustível. A Série T CVT conta ainda com o exclusivo siste- ma hidráulico de levante dianteiro, que permite realizar operações conjugadas, podendo reduzir em até quatro vezes a passagem de um trator convencional na lavoura”, finaliza. (Colaborou Alisson Henrique, com supervisão de Natália Cherubin)
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  18. 18. 18 agrícola Natália Cherubin Ao longo dos últimos anos, o aumento da compactação do solo nas áreas canaviei- ras, causado principalmente pelo intenso tráfego de máquinas e implementos no cam- po - decorrentes da mecanização da colheita – vem causando uma série de impactos no crescimento e desenvolvimento radicular dos canaviais. Uma das ações que vem sendo imple- mentadas por algumas usinas e produtores de cana ao longo dos últimos anos é o pre- paro profundo de solo, que tem como finali- dade romper as camadas mais compactadas em profundidade de 60 cm a 80 cm, propor- cionando uma maior penetração de água da chuva, com menor corrimento superficial, e aprofundamento do sistema radicular da ca- na, resultando em maior absorção de água, nutrientes e aumento da produtividade dos canaviais. Como a técnica vem sendo apli- cada mais intensamente há pouco mais de cinco anos – depois do surgimento de im- plementos específicos para esta operação - o assunto continua polêmico, pois apesar de comprovados os seus benefícios à lavoura, dependendo da área, o preparo profundo pode virar um grande problema para a pro- dução de cana. Então como saber em quais Mesmo após alguns anos e com casos de sucesso, este método de preparo de solo divide opiniões. Segundo especialistas, ele pode ser benéfico, mas também pode se tornar um grande problema para a lavoura de cana-de-açúcar áreas este tipo de preparo de solo pode ser realizado? Primariamente é importante saber qual é o tipo de solo onde se encontra a cana, pois as características físicas (textura, teor de argila, areia, umidade, impedimento físi- co etc) ajudarão na determinação do preparo mais adequado. De acordo com o executivo e engenheiro agrônomo Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, atualmente são empregados diversos tipos de preparo e cada usina ou produtor aplica as sequências de operações que acreditam serem as mais adequadas. “Escolhe-se o melhor método buscando atender ao nível de compactação do solo e também de incorporar a matéria orgânica (palha) remanescente da colheita, no caso de cana soca.” Segundo Isabella Clerici De Maria, pes- quisadora do IAC (Instituto Agronômico), da Secretaria de Agricultura e Abasteci- mento do Estado de São Paulo e os pes- quisadores da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), André Ce- sar Vitti, Raffaella Rossetto e Wellingthon Júnior, na escolha do preparo do solo para cada lavoura o objetivo deve ser trabalhar ou revolver a superfície o mínimo possível e se as condições permitirem, o ideal é que seja feito o plantio direto. “A melhor técnica e o melhor prepa- ro do solo estão associados com a época, com o tipo de solo e com o objetivo que se pretende: incorporar corretivos (eliminar impedimentos químicos) e resíduos, elimi- nar camadas compactadas (melhorar aera-
  19. 19. 19 ção, trocas gasosas e infiltração de água), expor pragas de solo e adequar o terreno (sistematizar)”, afirmam os pesquisadores do IAC/APTA. O preparo do solo é importante por seu efeito na longevidade dos canaviais. Se as operações realizadas resultarem em forma- ção ou manutenção de camadas compacta- das, principalmente em subsuperfície, essa compactação pode ser agravada em menor tempo resultando na necessidade de refor- ma do canavial. Segundo os pesquisadores do IAC/AP- TA, no solo bem preparado não há impe- dimentos, quer sejam de natureza química (incorporação adequada dos corretivos), fí- sica (elimina a compactação favorecendo também a infiltração) e/ou biológica (ex- põem as pragas do solo diminuindo a po- pulação). “O preparo permite o aprofun- damento do sistema radicular e favorece a infiltração melhorando a água disponível para as plantas, o que consequentemente resulta em maiores produtividades e lon- gevidade dos canaviais. Outro ponto é que elimina plantas daninhas e inviabiliza a ger- minação de suas sementes.” O engenheiro agrônomo e consultor da Canassit Assessoria em Sistematização pa- ra Cana-de-açúcar, Armene Conde, adicio- na que durante a reforma do canavial uma descompactação eficiente deve ser feita para eliminar a camada compactada, principal- mente nas linhas da cultura. “O sistema ra- dicular da cana explora grande volume de solo pela sua arquitetura peculiar, com três tipos de raízes: 1) raízes aerotróficas: que se desenvolvem na camada superficial do solo e sob a palha da colheita em busca de nutrientes (exploram até 40 cm de profun- didade e representam de 50 a 60% de todo o sistema radicular da cultura; 2) raízes supor- te: que tem função de dar sustentação física aos colmos da cultura e ficam na posição de 45º até a profundidade de 30 a 50 cm; 3) raízes cordão: que desenvolvem-se na vertical, atingindo profundidades acima de 3 m dependendo do solo. Portanto, o perfil do solo não deve ter restrição química e fí- sica para a boa formação do novo canavial. A presença de matéria orgânica também é muito importante”, explica Conde. BOM OU RUIM? O equipamento que faz o preparo pro- fundo - que teve como origem o Penta, fa- bricado pela Mafes - é um subsolador com uma haste que trabalha a uma profundidade efetiva de 80 cm, com uma caixa para apli- cação de corretivos e adubos em profundi- dade, uma enxada rotativa destorroadora que incorpora insumos a 30-40 cm de pro- fundidade, e um aleirador, que conduz a palha restante da colheita da cana-de-açúcar no sentido da haste e da enxada rotativa, com o intuito de incorporá-la ao solo. “Quando falamos preparo profundo, subentende-se o preparo canteirizado fei- to com implemento dotado de hastes que mobilizam o solo a uma profundidade de 60 a 80 cm e com enxada rotativa para des- torroamento da camada superficial do solo. O termo preparo canteirizado é devido ao formato final que lembra um canteiro de hortaliças. As hastes destes implementos trabalham de 50 a 80 cm de profundidade dependendo do fabricante”, afirma Conde, que diz ser contra o preparo profundo de solo. “Na minha opinião nunca se deve fazer o preparo profundo. Um estudo realizado por mais de 30 anos pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), onde foi feita uma análise da densidade de solo em trincheiras, concluiu que a camada de solo compactada pela mecanização da cultura não ultrapassa 40 cm de profundidade, sendo assim, traba- lhar o solo a uma profundidade maior pa- ra descompactar não é necessário”, opina. De acordo com Conde, quando se tra- balha o solo a uma profundidade maior do que a compactação há uma redução da sua densidade, o que é prejudicial para a cultu- ra e para a vida microbiana do solo, porque aumenta a aeração e a taxa de evaporação de água. “As raízes precisam encontrar um pouco de resistência à penetração no so- lo para melhorar o contato e assim efetuar absorção de água, exsudação e absorção de nutrientes. A redução da densidade de solo a níveis muito baixos a uma profundidade acima de 60 cm durante o plantio, aumenta a dificuldade operacional. Durante a colheita quando o transbordo passa sobre esta faixa ocorre o afundamento da soqueira, aumen- tando as perdas e danos para a colheita da próxima safra.” Os pesquisadores do IAC/APTA defen- dem a ideia de que a decisão de aplicar ou não o preparo profundo dependerá das con- dições do solo. Para eles, como o objetivo do manejo deve ser a redução máxima do preparo do solo, considerando intensida- de de mobilização, superfície mobilizada e profundidade da camada mobilizada, o preparo em profundidade deve ser realiza- do apenas quando houver necessidade, seja para criar um ambiente adequado para as raízes, seja para aumentar a infiltração de água no solo. “Quanto mais intenso o preparo e maior a superfície preparada, mais o solo estará suscetível à erosão, principalmente se for Segundo os pesquisadores do IAC/APTA, na escolha do preparo do solo para cada lavoura o objetivo deve ser trabalhar ou revolver a superfície o mínimo possível e, se as condições permitirem, o ideal é que seja feito o plantio direto Para Ripoli, o preparo de solo mais ade- quado para cultura de cana-de-açúcar, independentemente do tipo de solo, deve atingir no máximo a profundidade de 45 a 50 cm e deve ser localizado
  20. 20. 20 realizado em desnível. Além disso, em al- guns solos a resposta ao preparo profundo não é favorável. A desvantagem do prepa- ro profundo associado à enxada rotativa é fragmentar a estrutura do solo, produzin- do agregados pequenos e partículas soltas que caminham em profundidade obstruindo poros importantes para a respiração das ra- ízes e movimentação da água no solo. Isso pode resultar em compactação em profun- didade, que é de mais difícil recuperação”, destacam. Ainda de acordo com os pesquisadores do IAC/APTA, o preparo profundo com a canteirização e o controle de tráfego asso- ciados resultam em menor superfície tra- balhada; favorecem a infiltração de água; oferecem melhor incorporação dos resíduos e corretivos com a rotativa; em uma única operação deixam o solo pronto para o plan- tio; e ainda melhoram as condições para maior crescimento das raízes. “Como pontos negativos destacamos que o preparo profundo exige tratores de alta potência (maiores investimentos); pode causar aumento da lixiviação na região tra- balhada devido ao aumento da VIB; causa maior risco de erosão se for feito em desní- vel devido à concentração da enxurrada na faixa preparada; e é limitado e indicado ape- nas para alguns tipos de solo.Além disso, os canteiros com preparo profundo apresentam uma baixa capacidade de suporte de carga e exigem o controle de tráfego para que não ocorra compactação adicional”, salientam os pesquisadores. Para Ripoli, o preparo de solo mais ade- quado para cultura de cana-de-açúcar, inde- pendentemente do tipo de solo, deve atingir no máximo a profundidade de 45 a 50 cm e deve ser localizado, pois a maior massa radicular das plantas está até esta profun- didade.  “Quanto mais profundo o preparo, maior o esforço necessário para a operação e consequentemente maior requerimento de potência. O preparo de solo pode ser feito de forma eficaz e menos custosa se bem dimensionado. É comum muitas varieda- des de cana apresentarem raízes e radice- las que chegam a mais de dois metros de profundidade nos solo, mas são de grande significância. Com alimento e a água em um solo adequadamente preparado estando (devendo estar) a 45-50 cm, as plantas não têm necessidade de expandir as raízes para maiores superfícies”, adiciona. Os pesquisadores do IAC/APTA afir- mam que observações de campo e os resul- tados de ensaios têm indicado que o preparo profundo pode ser feito em solos com es- trutura granular no horizonte de subsuper- fície (denominado horizonte B), como os Latossolos e solos arenosos. Já em solos com estrutura em blocos no horizonte de subsuperfície, em geral com maior teor de argila que o horizonte superficial (horizon- te A), como nos Argissolos e Nitossolos, o preparo profundo não tem apresentado bons resultados. “Nesse caso, além do preparo não ficar uniforme, a estrutura do solo e sua capacidade de manter uma reserva de água para a cultura da cana-de-açúcar podem ser alteradas para uma condição pior.”  Conde concorda. Ele diz que apesar do preparo profundo poder ser feito em solos com perfil homogêneo, sem ocorrência de pedras, em solos abruptos com os Argis- solos, a técnica deve ser evitada. “Deve- -se evitar também áreas com declividades acima de 6% e solos com teores de argila menor que 15%”, aponta. Para Gustavo Casoni da Rocha e Murilo Olyntho Machado, professores do curso de Aperfeiçoamento em Conservação do So- lo na Cultura da Cana-de-açúcar da Esalq/ USP, o preparo profundo de solo é uma tec- nologia promissora e que tem trazido bons resultados a diversos produtores, no entan- to, destacam que é preciso estar atento ao seu uso, pois há uma desestruturação inten- sa do solo. “A vantagem da técnica é o au- mento da capacidade de infiltração da água no solo e desenvolvimento radicular. Em solos sem problemas de fertilidade em pro- fundidade e sem impedimento físico (com- pactação) os ganhos são menores que em solos com problemas químicos e físicos.” Uma usina paulista, que não quis ser identificada, vem realizando o preparo pro- fundo canteirizado em espaçamento alterna- do há aproximadamente três anos. De acor- do com Francisco Pedro dos Santos Filho, líder de colheita desta unidade, os principais benefícios observados são com relação aos custos com o preparo de solo, que reduzi- ram bastante devido a quantidade de ope- rações que podem ser realizadas de uma só vez com o mesmo consumo de combustível. Além disso, afirma que é notável a melho- ra na produtividade do canavial por conta da maior absorção de água e nutrientes, o que também vem reduzindo os impactos causados nos longos períodos de estiagem. “Um dos pontos que devem ser destacados é que não podemos utilizar este preparo em qualquer área de cana. Além disso é preciso investir em tratores adequados e bem di- mensionados para obter máxima eficiência com o implemento, que por ser multifun- ções é muito mais pesado.” ESTUDO Estudos sobre o preparo profundo do solo tem sido realizados principalmente as- sociando-o a canteirização, em comparação com sistemas convencionais em que a su- perfície total do solo é preparada. A pesqui- sadora Camila Cassante de Lima, realizou, em 2016, um trabalho de pós-graduação do IAC com este objetivo, mostrando os refle- xos dos preparos na distribuição do sistema radicular e nos atributos físicos e mecâni- cos do solo. A pesquisa foi realizada no município de Piracicaba, SP, em um Nitossolo Verme- ATENÇÃO AOS TIPOS DE SOLO Os pesquisadores do IAC/APTA afirmam que observações de campo e os resultados de ensaios têm indicado que o preparo profundo pode ser feito em solos com estrutura granular no horizonte de subsuperfície (denominado horizonte B), como os Latossolos e solos arenosos. No entanto, em solos com estrutura em blocos no horizonte de subsuperfície, em geral com maior teor de argila que o horizonte superficial (horizonte A), como os Argissolos e Nitossolos, o preparo profundo não tem apresentado bons resultados.
  21. 21. 21 lho Eutrófico latossólico. Os tratamentos foram preparo profundo canteirizado e pre- paro convencional do solo, e as amostragens de solo foram realizadas no canteiro e na rua de tráfego agrícola, em cinco camadas de solo a cada 0,2 m. Foram avaliados os atri- butos físicos que predizem a relação massa/ volume dos constituintes do solo, atributos mecânicos como a resistência do solo à pe- netração e a pressão de preconsolidação e foi realizada a análise visual da estrutura do solo. A amostragem do sistema radicular da cana-de-açúcar foi realizada pelo método do perfil, com a contagem do número de raízes visíveis e pelo método da sonda para avalia- ção da massa seca de raízes, comprimento, área, volume e densidade radicular por meio do software Safira. O trabalho concluiu que no sistema can- teirizado com preparo profundo do solo há maior concentração de raízes, tanto nos can- teiros quanto nas ruas, quando comparado ao sistema convencional de preparo do so- lo. O preparo profundo resultou em melhor qualidade física do solo na área do canteiro, com consequente aumento da biomassa ra- De acordo com Conde, quando se tra- balha o solo a uma profundidade maior do que a compactação, há uma redução da sua densidade, o que é prejudicial para a cultura e para a vida microbiana do solo, porque aumenta a aeração e a taxa de evaporação de água dicular e do volume de solo explorado pelas raízes em relação ao preparo convencional. No sistema canteirizado com preparo convencional, o tráfego de máquinas resul- tou em redução da qualidade física do solo e limitações ao crescimento das raízes abaixo da camada de 0-0,2 m, reduzindo a produ- tividade da cultura em 23%. Já no sistema canteirizado com preparo profundo, obser- vou-se que a capacidade de suporte de carga do solo no canteiro é reduzida, indicando que as operações de cultivo devem ser rea- lizadas com tráfego controlado. “Foi verificada melhor qualidade fí- sica no preparo profundo do solo (PPC), principalmente onde o preparo com enxada rotativa e subsolador reduziu a densidade, aumentou a porosidade total e macropo- rosidade do solo, reduziu a resistência do solo à penetração das raízes e pressão de preconsolidação, o que refletiu em um bai- xo escore, permitindo maior crescimento do sistema radicular da cana-de-açúcar. No sistema convencional a redução da quali- dade física do solo decorrente do tráfego de máquinas sobre o solo que foi revolvido pelas operações de preparo, resultou em limitações ao crescimento das raízes abai- xo da camada 0,0-0,2 m reduzindo 23% a produtividade da cultura”, afirma Camila em pesquisa.
  22. 22. 22 As frentes de colheita de cana não vivem sem ele, mas poucos sabem do seu custo. Estamos fa- lando dos caminhões-comboio de abastecimento e lubrificação. Eles são os responsáveis por abastecer de diesel as colhedoras de cana, os tratores e os ca- minhões de transbordo, bem como todo o resto da frota agrícola, além de fazerem trocas e remontas de óleos lubrificantes, tirarem análises de óleos, engra- xarem e realizarem as trocas e/ou limpezas de filtros desta frota toda. Normalmente, os caminhões-comboio possuem idade mais avançada, sendo dirigidos por um mo- torista e possuindo um lubrificador em jornada de três turnos de 8 horas, sendo que cada frente de CTT (Colheita, Transbordo e Transporte) possui um deles. Como os comboios compõem a estrutura de apoio das frentes de CTT, que também inclui as áreas de vivência, os caminhões-oficina, caminhões-bom- beiro, caminhões-prancha, caminhões-borracharia, carros pequenos e outros equipamentos e proces- A fim de oferecer oportunidades de redução de custos e otimização de processos, usinas escolhidas receberão gratuitamente uma Avaliação Técnico-Econômica dos comboios de abastecimento e lubrificação, que será realizada pela RPA Consultoria publieditorial
  23. 23. 23 sos, as usinas monitoram o custo total de apoio ao CTT, mas várias delas desconhe- cem especificamente o cus- to só dos comboios. E desco- nhecendo o custo específico, fica mais difícil de se propor melhorias, calculando seus impactos. CUSTO DE R$ 0,70/T A R$ 0,80/T A RPA Consultoria fez um estudo no qual identificou o custo médio somente de comboios por to- nelada de cana colhida na safra 2017/18 e descobriu que a faixa média é de R$ 0,70/t a R$ 0,80/t. Após levantamento das médias, a RPA rea- lizou outros estudos que mostraram ser possí- vel que as usinas alcancem custos de R$ 0,10 a R$ 0,15/t menores do que a média do mer- cado, ganhando ainda com maior segurança contra desvios de combustível e até incorpo- rando mais funções aos caminhões-comboio, como o suprimento de peças de alto giro dos caminhões-oficina das frentes de CTT. AVALIAÇÃO GRATUITA Em uma ação totalmente original e inusita- da, no mês de novembro a RPA Consultoria foi contratada pela GAFOR, empresa especializa- da em operações de logística e CTT, para jus- tamente fazer a avaliação do custo dos cami- nhões-comboio de algumas usinas do Estado de São Paulo e ainda apontar oportunidades de redução deste custo junto com a otimiza- ção dos processos de abastecimento e lubri- ficação da frota. Importante e conhecido operador logístico com mais de 60 anos de his- tória, a GAFOR, que vem tra- balhando há 7 anos no setor canavieiro terceirizando di- versas atividades, pretende com esta iniciativa contribuir para que as usinas tenham ca- minhões-comboio mais eco- nômicos, eficientes e eficazes. A AVALIAÇÃO A equipe de consultores da RPA fará a Avaliação Técnico- Econômica de Comboios em um prazo máximo de 15 a 20 dias desde o dia da primeira visita à usina avaliada até a entrega do seu relatório final. O relatório é confidencial e será disponibilizado somente à usina avaliada. Dentre as oportunidades de otimização e redução de custos consideradas pela RPA Consultoria na Avaliação Técnico-Econômica, estará a de se terceirizar os comboios com a GAFOR, caso seja comprovado que há atrati- vidade frente aos custos atuais de comboio da usina avaliada. Durante as avaliações de cada usina es- colhida, por solicitação da própria GAFOR, a RPA Consultoria manterá total neutralidade, apontando detalhadamente a situação de cada usina e como elas deverão fazer para otimizar a operação de seus comboios. PRAZO LIMITADO As avaliações gratuitas das usinas esco- lhidas deverão ocorrer entre o mês de de- zembro de 2017 e maio de 2018, conforme agenda combinada entre GAFOR e RPA, que vai considerar o tempo disponibilizado pelos consultores da RPA.
  24. 24. 24 industrial Natália Cherubin Aaplicação da vinhaça no campo via fer- tirrigação é realizada nos canaviais desde a década de 70 e, apesar de minimizar os gastos das usinas com fertilizantes, o seu alto custo de transporte, a possibilidade de saturação do solo quando aplicada em excesso e até mes- mo a sua associação ao surgimento da mosca de estábulo em algumas regiões do País, são alguns dos impactos negativos da aplicação do resíduo in natura. Desde a década de 90, empresas e insti- tuições de pesquisa como o CTC (Centro de Tecnologias Canavieira) estudam e desen- volvem tecnologias para a concentração de vinhaça que são capazes de reduzir o volume do resíduo em até dez vezes, resolvendo a questão dos custos de aplicação do resíduo, que hoje são altos. No entanto, a incapacidade de investimento do setor tem limitado a ado- ção destes sistemas na maioria das unidades sucroenergéticas. Hoje, segundo a Citrotec, apenas nove unidades no país fazem concen- tração de vinhaça. “A tecnologia de concentração por eva- poração convencional aumenta a demanda de vapor e limita a cogeração de eletricida- de. E como o único investimento lucrativo De acordo com empresas e especialistas, poucas usinas investiram em concentração de vinhaça ao longo dos últimos anos, mas a situação poderá mudar com a melhora econômica do setor da usina é ainda o de aumentar a exportação de eletricidade, isso é feito em detrimento da concentração de vinhaça. Há sistemas mais eficientes de concentração (até 20 ºBrix) que não aumentam o consumo de vapor, usando fontes quentes, como a condensação dos va- pores alcoólicos, porém a atratividade de tais sistemas ainda não permite a sua adoção”, afirma Jaime Finguerut, engenheiro quími- co e diretor do ITC (Instituto de Tecnologia Canavieira). No entanto, este cenário pode começar a mudar a partir de agora com a aprovação do Renovabio. Finguerut acredita que além do aumento da rigidez com relação a aplica- ção do resíduo no campo por parte da Ce- tesb (CompanhiaAmbiental do Estado de São Paulo), o Renovabio e a discreta melhoria da saúde financeira de alguns grupos sucroe- nergéticos, propiciará investimentos em tec- nologias nesta área. “O impacto ambiental da aplicação da vinhaça está equacionado. É seguro e lucrativo aplicar a vinhaça nas doses recomendadas, porém se espera tam- bém algum ‘endurecimento’ na aprovação das condições de aplicação do resíduo em futuro próximo, em função da maior atenção
  25. 25. 25 ao tema da sustentabilidade e da necessidade de minimizar o uso de água.” TECNOLOGIAS: NÃO HÁ NOVIDADES Aaplicação agrícola da vinhaça apresenta vantagens ambientais e econômicas, porém seu uso ainda está restrito às áreas mais pró- ximas das usinas pelo custo-benefício apre- sentado, pois seu transporte para áreas mais afastadas encarece a prática e inviabiliza a sua aplicação. Existe uma distância econô- mica que depende da situação de cada usi- na e destilaria, mas que em última instância depende muito da concentração da vinhaça quando transportada via rodoviária. O trata- mento da vinhaça por concentração visa es- sencialmente a atender este requisito, ou seja, viabilizar a fertirrigação de áreas de plantio de cana mais afastadas da usina, evitando o transporte excessivo de água, ou em áreas não contínuas, cujo projeto de fertirrigação dutoviário é impraticável. Segundo Tercio Marques Dalla Vecchia, engenheiro e CEO da Reunion Engenharia, com a concentração há significativa redução do custo de transporte e aplicação. “Com as limitações impostas pela Cetesb, a distribui- ção da vinhaça não poderá ser restrita às áreas próximas à indústria, sendo assim, o custo do transporte passa a ser crítico. Outro benefício é a possibilidade de reutilização da água eva- porada através de tratamento adequado, um item que pode ser fundamental para a usina.” Para Claudemir Ribeiro, gerente de En- genharia da JW Equipamentos, a concentra- ção de vinhaça traz vários outros benefícios já comprovados como melhor aproveitamento dos nutrientes contidos na vinhaça pelo solo, redução do consumo de potássio (compra), redução da saturação do solo e menos riscos de contaminação do meio ambiente, já que o volume de vinhaça a ser manuseado pode chegar a ser até dez vezes menor. De acordo com Finguerut, não existem grandes novidades no que se refere à concentração de vinhaça. Os sistemas em uso (térmicos, em evaporadores de diversos tipos) foram propostos e implantados há cer- ca de dez anos, inicialmente em evaporação de suco de laranja, depois evaporação de cal- do e, finalmente, de vinhaça. “No Centro de Tecnologia Copersucar, nos anos 90, a minha equipe já havia proposto e implementado so- luções incrementais para reduzir o volume de vinhaça como, por exemplo, através do au- mento do teor alcoólico na fermentação, os refervedores para aquecimento indireto das colunas de destilação, a separação da flegma- ça, o resfriamento evaporativo da vinhaça, o reciclo de vinhaça na fermentação e em outros locais onde se usa água de lavagem.” Foram desenvolvidos também sistemas de purificação do melaço e do mosto a base de melaço para permitir o aumento do teor alcoólico na fermentação e reduzir o volume de vinhaça viabilizando também uma maior taxa de reciclo sem impactos negativos. “Ain- da testamos diversos sistemas de concentra- ção de vinhaça não térmicos, com o uso de membranas, inclusive visitamos instalações comercias na Índia, em conjunto com a bio- digestão. Estes sistemas chegaram a ser tes- tados aqui no Brasil”, adiciona. Hoje, tecnologicamente existem duas ro- tas comerciais para concentrar a vinhaça: a já consagrada concentração por evaporação e a concentração por membranas de osmose reversa, que ainda precisa ser melhor adap- tada às condições brasileiras. Segundo André Elia Neto, engenheiro consultor de Meio Ambiente e Recursos Hí- dricos da Unica, (União da Indústria da Ca- na-de-açúcar) a tecnologia de concentração de vinhaça por evaporação com evaporadores de múltiplo efeito por nevoa turbulenta – ofe- recida pela maioria das empresas do mercado - teve um desenvolvimento surpreendente no setor canavieiro. “Atualmente há dezenas de plantas ins- Com a concentração, a Usina Iracema conseguiu melhorar a utilização do resíduo na nutrição dos canaviais, reduzir a compra de adubo N-P-K mineral, aumentar a área de adubação orgânica e reaproveitar a água na área industrial taladas no setor possibilitando o envio da vi- nhaça concentrada para distâncias maiores dos canaviais. Esta tecnologia oriunda do setor cítrico, por apresentar maior eficiência energética e menores problemas operacionais com incrustações, veio substituir evaporado- res de múltiplo efeito falling film (Dedini-Vo- gelbush). Aliás, no Brasil apenas uma usina utilizou este tipo de equipamento para con- centrar vinhaça, instalado há mais de 30 anos a título de planta demonstrativa”, afirma. Ambas as tecnologias de concentração por evaporação requerem equipamentos em aço inox e demandam muita energia na forma de vapor. Neto afirma que no equipamento com 5 efeitos a quantidade de vapor é otimi- zada em 5 vezes, mas mesmo assim requer cerca de 0,2 kg de vapor/L de vinhaça, ou cerca de 2 kg de vapor/L de etanol para con- centrar a vinhaça em dez vezes (de 2 para 20°Brix por exemplo), equivalente a quase 60% do gasto de vapor para a produção do etanol hidratado. “Isto certamente é um obs- táculo para a expansão da tecnologia, pois a torna concorrente com a bioeletricidade pe- lo vapor.” ACitrotec desenvolveu dois equipamen- tos concentradores de vinhaça - o Ecovin e o EcovinJL. O Ecovin é um evaporador de concentração de vinhaça que utiliza como energia o vapor de baixa pressão das usinas. Já o EcovinJL, uma patente Citrotec, segun- do Guilherme J. B. Fernandes, engenheiro de Aplicação da empresa, utiliza como energia os vapores alcoólicos gerados no sistema de
  26. 26. 26 destilação.Acaracterística é trabalhar com o princípio de evaporação por névoa turbulenta descendente. Segundo Neto, a tecnologia em que se utiliza apenas os vapores alcoólicos como fonte energética para a concentração tor- na o uso da tecnologia bem atrativa para as usinas. “A implementação desta tecno- logia está alinhada ao custo de produção da vinhaça concentrada versus o custo do transporte rodoviário para ser utilizada no campo, dependendo do grau de concentra- ção associado, que indicará o tamanho do equipamento e o gasto com energia. A con- centração da vinhaça, além da produção de um adubo orgânico com manejo mais próximo do adubo mineral, produz ainda um condensado vegetal, que dependendo da sua qualidade, pode ser reutilizado no processo, possibilitando o uso da água da própria cana, e consequentemente dimi- nuindo-se a captação de água dos recursos hídricos”, acrescenta Neto. A JW Equipamentos possui duas plan- tas operando integradas ao sistema de des- tilação existente, que possibilita o aprovei- tamento energético disponível na destilaria afim de reduzir o consumo de vapor para se concentrar a vinhaça. “Além do siste- ma integrado podemos fornecer o sistema convencional, ou seja, aquecendo a planta com vapor vegetal ou escape. Em ambos os processos podemos utilizar evaporado- res tipo Falling Film ou evaporadores tipo Nevoa Turbulenta Descendente, que ope- ram com vapores de baixa pressão, além de serem mais compactos que os demais tipos de evaporadores.” A tecnologia por osmose reversa (OR) também pode ser uma opção para a con- centração da vinhaça. Entre 2008 e 2012, o CTC testou em plantas pilotos vários ti- pos de membranas e, de acordo com Neto, a mais promissora foi a membrana de OR da Rochem - Índia, empresa que tem gran- des projetos de concentração de vinhaça na Índia e em outras regiões do mundo. Estas membranas são constituídas por pratos justapostos dentro de um cilindro, formando um circuito do concentrado, re- tirando o permeado pelo centro do cilindro. “Essa tecnologia é muito empregada para a concentração de vinhaça nas destilarias indianas e vem apresentando resultados de performance de 50 a 80% de geração de permeado com boa qualidade, mesmo para o tipo de vinhaça a partir de melaço pro- duzido na Índia, com altos teores de sóli- dos dissolvidos (35.000 a 55.000 mg/L)”, explica Neto. No entanto, no estágio atual, a tecno- logia não tem o mesmo potencial de con- centração adquirido a partir da evaporação. Enquanto na concentração por evaporação se atinge teores de sólidos da ordem de 20% ou até mais dependendo do vapor dispo- nível, na membrana os teores de sólidos atingem cerca de 12%. “Mesmo assim, co- mo esta tecnologia não necessita de vapor, pode ser vantajosa quando se tem uma vi- nhaça diluída (vinhaça de caldo em desti- laria). Esta tecnologia poderia ainda com- plementar a evaporação em uma etapa de pré-concentração em 50% a 75% de rejei- ção de permeado (isto é, de 2 a 4 vezes de concentração no retentado), promovendo assim uma necessidade de equipamentos de menor porte e com menor consumo de vapor, no caso de se desejar concentrar a vi- nhaça a patamares maiores”, destaca Neto. Como subproduto, o processo de osmo- se reversa produz água em nível de potabi- lidade (a menos do pH) que pode ser pron- tamente reutilizada no processo industrial, ou seja, o reuso da água da própria cana. QUEM FAZ A Usina Iracema, do Grupo São Marti- nho, localizada em Iracemápolis, SP, come- çou seus primeiros estudos de viabilidade para implementação de um concentrador de vinhaça em 2008. O projeto teve como objetivos: 1) Utilizar o resíduo de maneira mais oti- mizada, melhorando a nutrição dos ca- naviais; 2) Reduzir a compra de adubo N-P-K mi- neral e aumentar a área de adubação or- gânica; 3) Reaproveitamento da água na área in- dustrial; 4) Continuar atendendo as normas ambien- tais. Segundo Ivan Dalri, gerente Agrícola da Usina Iracema, em 2013 o projeto foi aprovado e entrou em operação na safra 2015/16. Dentre as tecnologias disponíveis no mercado, a concentração pelo método da Névoa Turbulenta foi a técnica mais adequada economicamente as necessida- des da usina. Até a safra 2013/14, a aplicação da vi- nhaça in natura era realizada em uma área de 9.800 mil ha, localizados em um raio médio de 11 km. Já na safra 2015/16, a unidade fez a aplicação da vinhaça con- centrada em 100 % das áreas de tratos, em um raio médio de 29 km (Figura 1). E os benefícios tem sido muitos: - redução do custo da adubação N-P-K; - redução do consumo de óleo diesel; - redução da emissão de efluentes indus- triais; - melhor manejo do canavial. De acordo com Dalri, apesar do retor- no do investimento depender das linhas de financiamento disponíveis e dos preços dos fertilizantes, o payback varia entre cinco e sete anos. “A concentração de vinhaça na A tecnologia por evaporação com equipamentos de múltiplo efeito por nevoa tur- bulenta é a mais utilizada hoje pelas unidades que concentram vinhaça
  27. 27. 27 usina está atingindo os objetivos do pro- jeto, que tem um conceito de sustentabili- dade, já que atende a questões ambientais e sócio-econômicas. Vale lembrar que na Usina Boa Vista também trabalhamos com a concentração da vinhaça.” A Usina Rio Pardo também se beneficia das vantagens da concentração de vinhaça. Em 2009, uma das medidas de proteção ao meio ambiente adotada pela unidade, loca- lizada no município de Cerqueira César, SP, foi a concentração da vinhaça. Na fabrica- ção de etanol, de toda vinhaça produzida, 100 mil l por hora são conduzidos para um concentrador. A parte concentrada é utili- zada diretamente como fertilizante líquido e distribuída na cana através de caminhões próprios, a razão de 10 m³ por ha, quanti- dade essa que supre 100% da necessidade de potássio. O excedente não concentrado da vinha- ça é resfriado e conduzido até os cultivos através de dutos e/ou caminhões próprios. Depois, é aspergido através de motobom- bas, sendo aproveitada como fertilizante fenasucro.pdf 09/08/2017 12:32:09
  28. 28. 28 para melhorar a produtividade na área agrí- cola, assim como acontece com a vinhaça concentrada. A água resultante da concen- tração da vinhaça é utilizada na diluição de fermento, o que contribui com a redução da retirada de água do meio ambiente, além de proporcionar a diminuição do consu- mo de insumos, sobretudo, dos ácidos na fermentação. A primeira e principal tecnologia é a concentração da vinhaça proveniente da destilação do vinho, que se apresenta com aproximadamente 2 a 3˚Brix a uma tempe- ratura de 95°C. A tecnologia utilizada pela usina é evaporador por nevoa turbulenta de cinco efeitos. Segundo Carlos Alberto Caserta, ge- rente Industrial da unidade, a vinhaça in natura é utilizada para fertirrigar as áreas que se encontram de 10 km a 15 km da unidade industrial, já a concentrada foi à solução para os canaviais mais afastados. “A principal vantagem desse sistema é a redução dos custos com a logística. O custo da vinhaça in natura gira em torno de R$ 1400/ha, já a concentrada fica em R$ 480/ ha”, afirma. Com a concentração da vinhaça, a usina também conseguiu diminuir o uso de água na indústria em aproximadamente 0.20 m3 /t de cana. “Isso acontece porque eu consigo reutilizar a água evaporada da vinhaça, re- duzindo a captação, podendo ser utilizada na diluição do fermento na fermentação e no preparo do mosto”, finaliza. A Usina Cofco Agri, na sua unidade em Potirendaba, SP, também é uma das pioneiras na concentração de vinhaça. Seus investimentos no valor de R$ 18 milhões começaram em 2008 e o sistema de concen- tração por evaporadores implementado pela unidade transforma cada 210 m³ de vinhaça produzidos por hora em 90 m³. Durante o processo de compactação do material or- gânico, a usina extrai água reutilizável na indústria, resultando na economia de 70 m³ da água captada. Segundo o gerente industrial Cristiano Waldisser, a indústria leva a vinhaça até áreas mais distantes, chegando a 70 km da usina. Ele diz que, dessa forma, consegue economizar na adubação. Além do processo de concentração, a unidade conseguiu di- minuir a incidência da mosca do estábulo mudando a maneira de aplicação. “O traba- lho é feito de forma controlada, com o uso de um caminhão e de um trator, jogando a vinhaça bem no meio da linha da cana.” MELHOR PARA A PLANTA Segundo José Luiz Ioriatti Dematte, consultor e professor do Departamento de Solos e Nutrição de plantas da Esalq-USP, levando-se em consideração somente o re- quisito nutricional, a vinhaça concentrada é mais eficiente, pois com ela consegue-se dobrar a área aplicada. “Atualmente nas usinas a relação entre quantidade de vinha- ça in natura e área a ser aplicada estaria na faixa de 25% a 35% e com a concentrada tal área passa a ser 50% a 70% de todo o canavial. Ao somar o teor de potássio des- ta vinhaça concentrada mais o teor de po- tássio da palha, praticamente não haveria necessidade do uso do cloreto de potássio. Em termos de evolução, inclusive com a vinda do etanol de segunda geração, mais vinhaça será produzida e, portanto, a meu ver, a concentração seria o caminho a ser trilhado.” O pesquisador destaca que não se deve esquecer que praticamente 60 a 65% dos solos usados para a cana são de baixa fer- tilidade e que, nestes casos, a vinhaça in natura tende a recuperá-los melhor, fato que deve ser levado em consideração. “Em termos de evolução, as usinas teriam no iní- cio um único sistema, vinhaça in natura, passando para um sistema híbrido, in natu- ra e concentrada, e posteriormente somente a concentrada”, observa. Manuel Moreno Ruiz Poveda, mestre em Energia e doutorando em Bioenergia pela Esalq-USP, acredita que a melhor so- lução também é concentrar o resíduo. Isto porque, a aplicação sem critérios adequa- dos de dosagem da vinhaça ao solo podem causar um desequilíbrio de nutrientes e gerar resultados diferentes dos esperados, pois a dosagem adequada varia segundo o tipo de solo e as variedades de cana. “A partir do ano 2006, no Estado de São Paulo, a Cetesb recomenda a aplicação de vinhaça no solo por meio da Norma P4.231, que inclui uma metodologia pa- ra determinação do volume máximo de vinhaça aplicado ao solo de acordo com as características físico-químicas deste. O cumprimento dessa norma prevê a so- breacumulação de potássio nos solos e a contaminação do lençol freático. O pro- blema da dispersão do potássio presente na vinhaça vem sendo contornado com o emprego de concentradores, os quais re- duzem o volume de vinhaça e permitem ampliar o raio econômico de transporte. Este tipo de aplicação é mais eficiente ao uso da vinhaça que os sistemas de asper- são, pois não existem perdas nos dutos nem na entrelinha.” As mudanças para se implementar um processo desses não são pequenas e tão pouco simples, sendo assim, exige uma grande interação entre indústria e agrí- cola. “Muitas usinas têm nos procurado para fazermos estudos e até análise de viabilidade do processo e os resultados têm se mostrado bastante interessantes. Penso que agora é uma questão de tempo. O problema é que o cenário econômico ainda não é favorável. Não diria que o custo da tecnologia é alto, prefiro pensar que as usinas têm outras prioridades e a principal hoje é se capitalizar. Não temos dúvidas quanto ao custo-benefício. Os ca- ses que temos demostram isso na prática. Tudo que foi feito até aqui ainda é muito novo para nós e para o setor provavel- mente muitas outras tecnologias surgirão, inclusive estamos trabalhando para isso”, finaliza Ribeiro. BENEFÍCIOS DA CONCENTRAÇÃO DE VINHAÇA 1) Redução do volume da vinhaça em até 10X 2) Utilização da água retirada da vinhaça nos processos industriais e agrícolas 3) Elevação do teor do potássio (K2O/m3 ) 4) Redução dos custos operacionais 5) Melhor absorção do potássio pela planta
  29. 29. 29 gestão *Beatriz Resende Embora ainda vivamos um cenário de perspectivas e ânimos acinzentados, quero crer que sempre podemos e devemos apostar num ano melhor. Cada um de nós tem um posicionamento sobre as questões que nos rodeiam como adultos cidadãos, profissio- nais, entre outros papéis que exercemos na vida pessoal e familiar. O meu olhar é natu- ralmente atraído para uma tradução positiva do que vejo, espero e reflito. A cada ciclo iniciado nos amparamos nas possibilidades, esperanças e sonhos que não podemos deixar de ter. Por mais céticos ou desanimados que estejamos, por nós mes- mos ou influenciados por outros, se quere- mos continuar, não podemos deixar de dar um crédito à vida, ao outro, aos espaços a serem ocupados, às nossas mais nobres ex- pectativas. Não podemos perder o fio que nos liga à sanidade vital, que é a e energia que colocamos para seguir em frente, para recomeçar, de cabeça erguida, com fé em nós mesmos e num mundo melhor. Por que não? Parece frase feita, mas é isso mesmo que eu quero dizer. Minha crença, além do meu usual oti- mismo, tem fundamento no que vivo e bus- co. E como numa lei de atração, participo do que eu chamo de experiências fantásticas dentro de empresas que têm buscado trazer para sua gestão, engrandecendo a sua histó- ria, fruto de um passado sólido, um presente novo e bem cuidado para garantir um futuro de sucesso, deixando uma marca fortalecida e atitudes admiráveis para as novas gera- ções de dirigentes, gestores, colaboradores, parceiros, consumidores e mercado. Isso é Que 2018 seja o ano da oportunidade para fazer diferente por todas as nossas relações muito gratificante de se ver. Além das empresas que eu tenho a opor- tunidade de estar pertinho, contribuindo para esse movimento especial, quero chamá-lo assim, podemos citar vários exemplos que vemos diariamente ao redor do mundo. Um dia desses me surpreendi lendo sobre uma empresa americana, no segmento de bio- tecnologia, que além de ter práticas cons- trutivas nas diversas esferas de gestão de pessoas, tem estruturado seus processos de avaliação de competências/desempenho a partir de competências comportamentais de- senhadas pelos próprios líderes que serão avaliados nelas, e validadas pelas equipes de colaboradores desses mesmos líderes. Além dessa evolução, os dirigentes partem da pre- missa de que as organizações não se bene- ficiam quando os gestores imitam os estilos de liderança que estão na moda. Eles que- rem definir os comportamentos que a empre- sa espera dos seus líderes, algo deles para eles, e não o que a estandardização global quer impor ao mercado empresarial. Com essa participação coletiva na definição dos parâmetros que irão medir a competência do principal grupo da empresa, a gestão, o compromisso da evolução e da busca da ex- celência fica compartilhado. Há uma corres- ponsabilidade pelas realizações, resultados e maturidade das relações. Assim como quando conhecemos as prá- ticas de muitas empresas que estão sempre no hall da fama das melhores empresas para se trabalhar, também constatamos o quanto se busca criar formas e práticas que tragam satisfação ao seu público de colaboradores, respeitando-se a diversidade hoje presente nas quatro, quase cinco, gerações que com- partilham o mesmo espaço, objetivos e so- nhos empresariais, profissionais e pessoais. As crises e demais situações que muitas vezes arrefecem os ânimos coletivos, não podem ser muletas crônicas para a evolução, para a crença de que podemos fazer melhor e maior sempre. E para ser grandes, de alguma maneira, independente do nosso tamanho. Tenho vivido o privilégio de atender empresas grandes de solidez financeira, do- mínio e tradicionalismo em seus negócios, mas de porte menor, empresas estas que até pouco tempo não investiam em sua gestão. Geralmente familiares, com negócios que vêm dando certo há anos, mas que também entenderam que precisam se fortalecer, se profissionalizar. Isso tem sido muito grati- ficante, firmando dentro de mim a visão de que as empresas buscam e buscarão, cada vez mais, suas expressões na força da sua essência. Aquela que as motivou a virar um negócio estruturado para fazer história. Que 2018 seja o ano da oportunidade de se fazer diferente: por todas as nossas relações! Não basta ser forte, tem que fazer a diferença. Não basta ganhar e ser grande, se não deixar na sua história um lastro que orgulhe a quem fez, faz ou fará parte dela. “Fortes e gentis”, mais do que um lema, um propósito buscado por uma das melho- res empresas para se trabalhar de 2017. * Beatriz Resende é consultora empre- sarial, palestrante e conselheira de Carreiras da Dra. Empresa- Consulto- ria Emprearial.
  30. 30. 30 conjuntura De acordo com o autor, a modificação é uma grande oportunidade para as empresas do setor promoverem mudanças substanciais, desde que planejem e atuem estrategicamente *Fábio Luiz Pereira da Silva Entrou em vigor a Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017, que apro- vou a Reforma Trabalhista. Já temos abordado nesta coluna diversos temas que foram modificados pela referida lei. Neste espaço, falaremos especificamente das horas in itinere. As horas in itinere, salvo previsão específica para a categoria dos trabalhadores da área de mineração (art. 294, CLT – o tempo despen- dido da boca da mina ao local do trabalho e vice-versa, deve ser com- putado na jornada de trabalho), não tinham previsão legal no Brasil, até o ano de 2001. Sua aplicação decorria da Súmula nº 90 do TST (editada originalmente em 1978). Depois, houve a inclusão na CLT, em 2001, do § 2º ao art. 58. Da conjugação do enunciado da Súmula nº 90 (e suas posteriores alterações) com o citado § 2º do art. 58 da CLT, podemos dizer que as horas in itinere são aquelas gastas no trajeto de ida e volta até o local de trabalho de difícil acesso ou não servido por transporte público re- gular, em meio de transporte fornecido pelo empregador, as quais, até então, eram computadas na jornada de trabalho. QUAL A MUDANÇA TRAZIDA PELA REFORMA TRABALHISTA? Em essência, o novo texto legal, inserto na Lei nº 13.467, de 2017, inverte o entendimento anterior sobre o conceito de horas in itinere. Agora, corrigindo, a nosso ver, erro histórico, a lei deixa claro que não se computa na duração do trabalho, o tempo que o empregado gasta, por qualquer meio de transporte, incluindo o fornecido pelo empregador, para se deslocar de sua casa até a ocupação do posto de trabalho e vice-versa. Nesta conformidade, a partir da Reforma Trabalhista, este tempo não se integrará à jornada de trabalho do empregado e não configu- rará hora extraordinária se o tempo se somar à duração diária de tra- balho efetivo. Para aqueles empregadores que não atuam na atividade de mine- ração (art. 294, CLT) e que computam o tempo in itinere na jornada de seus empregados, podem deixar de fazê-lo. E OS EMPREGADORES QUE PAGAM HORAS IN ITINERE PRÉ-FIXADAS EM CONVENÇÕES COLETIVAS OU ACORDOS COLETIVOS DE TRABALHO? Tendo em vista a revogação do § 3º do art. 58 da CLT e a ve- dação, trazida pela reforma, de que as normas coletivas sindicais tenham vigência superior ao prazo nelas fixado (ultratividade – § 3º, art. 614, CLT), as horas in itinere porventura previstas em cláu- sulas convencionadas, serão devidas pelo prazo de duração do ins- trumento. Findo o prazo de vigência e não renovada a convenção ou o acor- do coletivo de trabalho, as horas in itinere lá previstas deixam de ser devidas. Entretanto, novas negociações coletivas poderão manter ou adequar as cláusulas atualmente existentes sobre o tempo in itinere. Pode, por exemplo, ser pactuado que as horas in itinere, haja vista a revogação do § 2º do art. 58 da CLT não mais serão devidas. Ou, ainda, a depender dos termos da negociação coletiva, ser fixa- do como condição de melhoria para os trabalhadores, que as horas in itinere serão pagas como o “tempo de espera” dos motoristas profissionais, em que as horas nesta condição são indenizadas na proporção de 30% do salário-hora normal. Outras formas de ajuste certamente serão propostas quando das negociações coletivas, como o pagamento da hora sem adicional ex- traordinário ou com base de cálculo diferenciada, o que dependerá do momento, da forma de condução das tratativas, da combatividade do sindicato profissional etc. De toda maneira, é uma grande opor- tunidade para as empresas do setor promoverem mudanças substan- ciais neste quesito, desde que planejem e atuem estrategicamente. * Fábio Luiz Pereira da Silva é coordenador da Área Trabalhis- ta do escritório Pereira Advogados
  31. 31. 31 conjuntura *Jair Pires *Ricardo Pinto Muitos são os motivos para se fazer uma avaliação de imóveis rurais, principalmente nestes últimos anos nas usinas canavieiras. Vão desde exigência da Contabilidade à dação em pagamento ou mesmo alienação, permuta, garantia para operações financeiras, ad- judicação a até desapropriação de terras. De acordo com o pronun- ciamento No 29 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), as empresas devem reconhecer seus ativos biológicos e produtos agrícolas pelo seu valor justo, sendo valor justo o montante pelo qual um ativo poderia ser trocado, ou um passivo liquidado, entre partes independentes com conhecimento do negócio e interesse em realizá-lo, em uma transação em que não há favorecidos. Essa técnica é válida, portanto, apenas para bens que tenham um mercado ativo e líquido, como o de commodities, de insumos agrícolas ou de papéis financeiros. Para bens com pouca homoge- neização ou mercados menos líquidos, utilizam-se outros modelos. MÉTODO COMPARATIVO DIRETO DE DADOS DE MERCADO Neste método, o valor do bem analisado é comparado com o valor praticado pelo mercado para ativos semelhantes e compará- veis. O conceito por trás desta metodologia é o de que alguns fa- tores são responsáveis por explicar grande parte do valor do bem. Assim, ao se identificar os fatores relevantes que direcionam o valor do bem, cria-se uma relação entre o valor negociado do bem e uma métrica dos fatores direcionadores. De posse desta relação, pode-se avaliar ativos com características semelhantes, que deverão ter valores similares. No caso específico de imóveis rurais, a NBR 14.653-3:2004 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) detalha as diretrizes e padrões específicos de procedimentos para a avaliação de imóveis rurais. Ela recomenda o emprego do Método Compara- tivo Direto de Dados de Mercado desde que sejam obtidos dados de mercado recentes (ofertas e compras) e com atributos semelhantes aos do imóvel analisado. Será possível determinar o valor do imóvel por homogeneização de seus atributos em comparação com as características das demais propriedades negociadas através dos fatores de homogeneização. FATORES DE HOMOGENEIZAÇÃO DE PREÇOS LEVANTADOS São seis os fatores de homogeneização usualmente adotados pela RPA Consultoria para os imóveis rurais: • Fator de fonte de preço: relação média entre o valor transacio- nado e o valor ofertado, observada no mercado imobiliário do qual faz parte o bem em avaliação. Normalmente os imóveis em oferta têm seus preços ofertados reduzidos em 10%; • Fator de classe de capacidade de uso da terra: também cha- mado de Nota Agronômica, este fator de homogeneização avalia a qualidade e o nível de fertilidade dos solos, bem como a agri- cultabilidade das terras do imóvel rural de forma a lhe permitir o uso para quaisquer culturas e/ou produções agrícolas ou não, acarretando-lhe restrições; • Fator de acesso: fator de homogeneização que expressa simulta- neamente a influência sobre o valor do imóvel rural decorrente de sua localização e das condições das vias de acesso a ele; • Fator de topografia: como os imóveis rurais possuem diferentes topografias, cabe também a homogeneização deste fator; • Fator de recursos hídricos: os imóveis rurais não são igualmente bem aquinhoados com acesso e/ou oferta de água por rios, nas- centes, córregos e/ou lagoas. Assim, há que se homogeneizar os imóveis pesquisados junto a este importante fator; • Fator de transposição de preço: como é comum identificar di- ferenças de valores de um hectare de terra entre diferentes mu- nicípios, há que se homogeneizar os preços de ofertas e de ven- Junto com a avaliação do ativo biológico, a avaliação mercadológica de imóveis rurais tem sido muito solicitada por bancos, financiadores e até pelas próprias usinas
  32. 32. 32 das de imóveis rurais de municípios pesquisados diferentes do município onde se localiza o imóvel que estamos avaliando. Assim, adotamos como base de homogeneização a planilha de preços re- ferenciais para fins de titulação do Incra (Institu- to Nacional de Colonização e Reforma Agrária), onde constam os Valores de Terra Nua (VTN) por município brasileiro. LEVANTAMENTO DE PREÇOS Em cada avaliação de imóvel rural, é fundamental que sejam levantados preços ofertados e de vendas recentes de imóveis na região em avaliação, seja di- retamente com os proprietários dos imóveis negocia- dos, seja com corretores e imobiliárias locais. Até nos cartórios de registro de imóveis é possível se informar de preços de imóveis rurais recentemente negociados em sua região, lembrando que nem sempre os valores declarados são os efetivamente desembolsados. Por vezes, informações muito discrepantes devem e são desconsideradas. Este levantamento considera que cada ficha de imóvel pesquisado contenha todas as informações necessárias para ser possível fazer a homogeneização segundo cada um dos seis diferentes fatores. (Veja as tabelas 1, 2, 3 e 4, para classificação de cada imóvel rural levantado segundo alguns fatores de homoge- neização). VALOR DO MERCADO De posse dos dados dos imóveis pesquisados no mercado e se fazendo a homogeneização dos seis fatores em relação ás caraterísticas do próprio imó- vel em avaliação, chega-se aos múltiplos que serão adotados nos preços dos imóveis pesquisados para se chegar, enfim, ao valor médio praticado pelo merca- do para um imóvel semelhante ao avaliado na data deste levantamento. Para se compreender melhor esta etapa, segue um exemplo de homogeneização de preços de dez diferentes imóveis para se calcular o valor de mer- cado de uma fazenda fictícia, chamada São Benedito (Tabela 5). TRABALHO DEVE SER PROFISSIONAL Ainda é comum encontrar no mercado avalições de imóveis rurais baseadas apenas no preço mé- dio de negócios praticados recentemente na região, preços estes informados por corretores de imóveis. Tais avaliações, sem nenhum tratamento de homo- 32
  33. 33. 33 geneização entre os preços dos imóveis rurais levantados, não auditáveis e sujeitas a graves erros, carecem de credibilidade e isenção. E justamente credibilidade e isenção são características fundamentais numa avaliação que será usada em uma negociação entre duas (ou mais) partes. O maior objetivo deste artigo, além de detalhar uma metodologia normatizada e profissional, foi de alertar o quão diferente podem ser as avaliações de imóveis rurais, bem como seus resultados. Cuidado! * Jair Pires é consultor da RPA Consultoria * Ricardo Pinto é sócio-diretor e consultor da RPA Consultoria

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