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Iac plantio direto

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Iac plantio direto

  1. 1. 22 STAB | JULHO/AGOSTO 2018 | VOL.36 N�6 No ciclo de produ��o da cana-de-a��car, podem-se identificar as fases de plantio, tratos culturais e colheita nas quais s�o transportados fertilizantes, defensivos qu�micos, mudas, palhi�o e colmos para moagem, em ordem crescente de intensidade de tr�fego pela quantidade de massa movimentada. O tr�fego de tratores, colhedoras, implementos e ve�culos de transporte utilizados nas referidas fases contribuem para o adensamento do solo, tornando necess�rias opera��es pesadas como subsolagem, ara��o ou gradagem para sua desagrega��o. Os processos agron�micos de produ��o de cana-de-a��car continuam os mesmos utilizados durante v�rios s�culos, mesmo em regi�es com maior desenvolvimento tecnol�gico, como o Estado de S�o Paulo. Experi�ncias bem-sucedidas em escala comercial mostram que outros processos agron�micos como, o Cultivo M�nimo e o Plantio Direto, podem substituir, com vantagens, o sistema de preparo convencional que atualmente domina a agricultura canavieira. Existem tr�s op��es para o preparo do solo, na fase de plantio: Sistema Convencional, Sistema de Cultivo M�nimo e Sistema de Plantio Direto. Estes sistemas est�o descritos em ordem decrescente de utiliza��o comercial. 1. SISTEMA CONVENCIONAL DE PREPARO DE SOLO PARA O CANAVIAL O Sistema Convencional de preparo do solo envolve opera��es de subsolagem e ara��o, combinadas por gradagens para a elimina��o das soqueiras e incorpora��o de corretivos de solo. O tr�fego intenso de colhedoras e ve�culos de transporte s�o normalmente os agentes compactadores que justificam o uso da subsolagem e das gradagens. Desse modo, um ciclo vicioso de compacta��o e descompacta��o se repete ao longo do tempo, sendo que ambas as opera��es, tanto de compacta��o quanto de descompacta��o, demandam equipamentos, combust�veis, m�o de obra e investimentos para serem realizadas. Estima-se que a perda de solo para outras culturas, decorrente do preparo convencional, pode atingir 50 toneladas por hectare ao ano. A cultura de cana-de-a��car apresenta um �ndice de perda de solo relativamente pequeno, cerca de 12,4 toneladas de terra por hectare ao ano. 2. SISTEMA DE CULTIVO M�NIMO Esta t�cnica destaca-se por substituir as opera��es convencionais de preparo do solo em �rea total por um preparo concentrado na linha de plantio, que consiste mais frequentemente em uma subsolagem, que pode ser complementada por uma desagrega��o mais intensa do solo por meio de enxada rotativa em uma faixa estreita vizinha � linha de subsolagem. Em rela��o ao Cultivo Convencional, o Cultivo M�nimo apresenta redu��o na eros�o, redu��o no uso de m�quinas e implementos, reduzindo assim o uso de combust�veis. A perda de solo para outras culturas neste sistema pode atingir 20 toneladas por hectare ao ano, contra 50 toneladas por hectare ao ano no caso de plantio convencional. Sandro Roberto Brancali�o; Marcos Guimar�es de Andrade Landell; M�rcio Aur�lio Pitta Bid�ia; Ivo Soares Borges brancaliao@iac.sp.gov.br Centro de Cana-de-A��car Sistemas de Preparo do Solo Para o Plantio da Cana 3. SISTEMA PLANTIO DIRETO O Sistema de Plantio Direto � uma t�cnica de manejo do solo em que palhi�o e restos vegetais (folhas, colmos, ra�zes) s�o deixados na superf�cie do solo. O solo � revolvido apenas no sulco onde s�o depositadas as mudas e fertilizantes e as plantas infestantes s�o controladas por herbicidas, evitando assim cultivos mec�nicos que provocam a compacta��o. N�o existe preparo do solo al�m da mobiliza��o no sulco de plantio. A redu��o da eros�o, a melhoria das condi��es f�sicas e de fertilidade do solo, aumento do teor de mat�ria org�nica, de nutrientes e de �gua armazenada, bem como a redu��o no consumo de combust�veis com a manuten��o da produtividade da cultura, indicam o Plantio Direto como o sistema para alcan�ar maior sustentabilidade da agricultura, com m�nimos impactos ambientais e sem degrada��o dos recursos naturais. 3.1 CONSEQU�NCIAS DO SISTEMA DE PLANTIO DIRETO DA CULTURA DA CANA Com a cobertura vegetal, verifica-se diminui��o do volume de res�duos qu�micos existentes nas enxurradas, em compara��o ao solo sem cobertura vegetal, o que acarreta a redu��o da polui��o dos cursos de �gua. Outra consequ�ncia � o aumento da atividade biol�gica, resultante do aumento de mat�ria org�nica no solo, o que possibilita menor uso de fertilizantes. A cultura de cana-de-a��car gera um excedente de biomassa vegetal com grande potencial para ser empregado como cobertura do solo. Atualmente, os procedimentos de corte e colheita, como a limpeza pr�via sem despalha a fogo, sugerem que as estimativas s�o de que o res�duo da colheita de cana-de-a��car pode atingir 140 kg por tonelada de cana entregue na usina (base seca). Esta quantidade de biomassa vegetal est� acima da necess�ria � para cobertura do solo. A quantidade m�nima de cobertura morta para um desempenho eficiente do plantio direto n�o est�, ainda, bem determinada. Mas, gira em torno de 40-60% de recobrimento m�nimo do solo. A seguir, s�o detalhadas algumas vantagens do sistema de Plantio Direto. 3.1.1 REDU��O DA PERDA DE SOLO VIS�O
  2. 2. STAB | JULHO/AGOSTO 2018 | VOL.36 N�6 23 TABELA 1. COMPARATIVO DA PRODUTIVIDADE M�DIA AO LONGO DO TEMPO EM DOIS SISTEMAS DE MANEJO. Apesar da cultura de cana-de-a��car apresentar um �ndice reduzido de perda de solo, a degrada��o dos solos afeta grandemente as terras agr�colas e pode ser considerado um dos mais importantes problemas ambientais dos nossos dias. Dentre os tipos de degrada��o, a eros�o � uma das formas mais prejudiciais, uma vez que reduz a capacidade produtiva das culturas, al�m de causar s�rios danos ambientais, tais como assoreamento e polui��o das fontes de �gua. O Plantio Direto � um sistema de manejo muito eficiente no controle da eros�o. O palhi�o sobre a superf�cie protege o solo contra o impacto das gotas de chuva, reduzindo a desagrega��o e o selamento da superf�cie, garantindo maior infiltra��o de �gua e menor arraste de solo. O Plantio Direto reduz em at� 90% as perdas de solo e em at� 70% a enxurrada. Mesmo em culturas com menor quantidade de res�duos de cobertura que a cana-de- a��car, estima-se que as perdas de solo com a eros�o podem ser reduzidas em aproximadamente 76%. 3.1.2 REDU��O DA PERDA DE �GUA A �gua ocupa um lugar de destaque no manejo da cana-de-a��car, pois, quando limitante, reduz significativamente a produtividade, mesmo em solos mais f�rteis e, quando adequada, consegue boa produ��o, mesmo nos solos com menor potencial. Em rela��o � cobertura vegetal, verifica-se que o palhi�o cobrindo o solo aumenta a reten��o de �gua, j� que diminui a evapora��o e reduz, ou at� mesmo elimina, o escoamento superficial. Estudos indicam uma redu��o na perda de �gua de aproximadamente 70% com o uso do Plantio Direto. 3.1.3 MELHORIA DA FERTILIDADE DO SOLO Um dos efeitos mais significativos do aumento dos teores de mat�ria org�nica no solo, proporcionado pelo Plantio Direto, � o aumento Capacidade de Troca Cati�nica (CTC). Em linhas gerais, CTC � a capacidade que um solo apresenta de armazenar nutrientes para que estes sejam posteriormente utilizados pelas plantas.Amaior parte dos solos brasileiros � constitu�da por solos pouco f�rteis e pobres em mat�ria org�nica. O aumento da mat�ria org�nica propicia um aumento da atividade biol�gica e tamb�m um aumento da disponibilidade de nutrientes, como o f�sforo e o c�lcio. Todos esses fatores contribuem para o aumento da produtividade da cultura e possibilitam a redu��o da aplica��o de fertilizantes, especialmente os fosfatados. Na cultura da cana-de-a��car, ainda � pequena a utiliza��o do Sistema de Plantio Direto, contudo resultados preliminares mostram tend�ncias similares a outras culturas. O gr�fico mostra resultados de estudos iniciados no ano 2000, em uma propriedade do munic�pio de Pitangueiras, SP, utilizando plantio direto da cana-de-a��car em sucess�o com soja, nos quais foram verificados aumentos de produtividade da ordem de 9%, e constatada uma redu��o de 24% no custo de produ��o da soja e de aproximadamente 10% no caso da cana-de-a��car. 4. PRODUTIVIDADE DA CANA DE 18 MESES EM PLANTIO DIRETO E CONVENCIONAL O Plantio Direto (Tabela 1) encontra fundamenta��es em outras culturas para mostrar que sua introdu��o na cultura canavieira deve acontecer, mesmo que existam na atualidade entraves tecnol�gicos que pare�am indicar o contr�rio. Os incentivos cl�ssicos ligados � redu��o de custo de produ��o, redu��o das perdas de solo e �gua, assim como potencial de aumento de produtividade, existem tanto no caso da cana-de- a��car (Tabela 2) quanto em outras culturas, em que os resultados econ�micos j� mostraram essas vantagens em escala comercial. Entretanto, a implanta��o deste sistema de plantio est� em confronto com o conjunto de t�cnicas agr�colas praticadas atualmente, baseadas em tratores de bitola estreita e grande pisoteio nas opera��es de colheita e transporte interno da produ��o. O conjunto de t�cnicas agr�colas, baseado em um sistema de controle de tr�fego, viabilizar� o sistema de Plantio Direto com as vantagens a ele inerentes, juntamente com vantagens pr�prias em termos de redu��o de investimentos e custos operacionais. TABELA 2. AS BARREIRAS TECNOL�GICAS (FEL�CIO, 2007) E OS CORRESPONDENTES RECURSOS DISPON�VEIS PARA O APRIMORAMENTO DA PRODU��O AGR�COLA EST�O SINTETIZADOS A SEGUIR.

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