Do bagaço à inovação

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Do bagaço à inovação

  1. 1. 56  z  junho DE 2013Em meio à crise do setor, empresas investem emtecnologia para aumentar a produção de etanolBruno de PierroDo bagaçoà inovaçãoNo início de fevereiro, a ETH Bioener-gia, fundada em 2007 pela Organiza-çãoOdebrecht,mudoudefinitivamen-te seu nome para Odebrecht Agroin-dustrial e anunciou investimentoscom a finalidade de moer 30% a mais do volumede cana-de-açúcar processado na safra 2012/2013e produzir 2 bilhões de litros de etanol – o equiva-lente a 8,6% da atual produção anual do país, de 23bilhões de litros. O investimento de R$ 1 bilhão seráaplicado na expansão da área de cultivo e tambémem pesquisas de variedades de cana e novos pro-cessos de produção de etanol. E, para isso, a áreade inovação da Odebrecht Agroindustrial, criadaem 2010, teve de se articular com universidades ecentros de pesquisa, como o Instituto Agronômicode Campinas (IAC).“Construímos nossa estratégia de inovação bemno momento de crise da cana no país”, diz CarlosCalmanovici, diretor de Inovação e Tecnologia daOdebrechtAgroindustrial.OexemplodaOdebrechté um dentre outros de grandes empresas, comoSyngenta, Monsanto e Granbio, que nos últimosanos ampliaram seus investimentos em pesquisautilizando melhoramento genético para a obtençãode novas variedades de cana ou tentando encontraralternativas para a produção de etanol a partir dobagaço que sobra da planta.syngentatecnologia  biocombustíveis yA explicação para a fase nada doce de desacele-ração enfrentada pelo setor sucroenergético desde2008 é uma combinação de diversos fatores, quepassam, por exemplo, pela crise internacional decrédito,problemasclimáticosemtrêsanosconsecu-tivos,entre2009e2011,eafaltadereajustesnopre-ço da gasolina. No entanto há certa distância entrea crise da produção de cana-de-açúcar e a situaçãoda pesquisa realizada no setor. A diferença, contaCalmanovici, é que a pesquisa é pensada a longoprazo, e um dos exemplos dessa visão estratégica éo acordo de cooperação que a empresa firmou em2011 com a FAPESP, resultando em 11 projetos deparceria com universidades do estado de São Paulo,como a USP, a Estadual de Campinas (Unicamp)e a Federal de São Carlos (UFSCar), para as quaisforam disponibilizados R$ 20 milhões, metadedesembolsada pela Fundação e a outra metadepela empresa. Boa parte dos projetos teve iníciono ano passado e envolve desde pesquisas para odesenvolvimento de cana-de-açúcar transgênicaresistente a insetos até a identificação e seleçãode plantas com genótipos (constituição genética)para as condições agroecológicas do Pontal doParanapanema, região onde a produtividade decana ainda não é boa.Há cinco anos a perda de fôlego do setor su-croalcooleiro no Brasil fez muitos analistas sus-
  2. 2. pESQUISA FAPESP 208  z  57syngentaDesenvolve a Cana Plene, que,segundo a empresa, pode eliminara necessidade de áreas de viveiroe dispensar o uso de maquináriospesados na colheita, preservandoo solo. Além disso, tem resistênciaa algumas pragas da cana.GranbioProdução de etanol de segundageração em estação experimentalcomeçará este ano. A empresadesenvolve um novo tipode cana (Cana Vertix), que seráresistente a pragas e doençase terá alto teor de fibras.Odebrecht AgroindustrialPesquisas com novas variedadesde cana, inclusive transgênicas,para ampliar a produção de etanole expandir a área cultivável.centro de tecnologiacanavieira (CTC)Realiza mapeamento de áreas combaixa produtividade e desenvolvevariedades de cana para essasregiões dentro de, no máximo,8 anos, período que geralmentevariava entre 12 e 14 anos.MonsantoProdução de novas variedadesde cana adaptadas à colheitamecanizada e com alta germinaçãoem ambientes menos favoráveisao plantio.novozymesDesenvolvimento de enzimascapazes de quebrar a ligninapresente na celulose de célulasdo bagaço da cana para produçãode etanol de segunda geração.Muda de nova variedadede cana-de-açúcar émanipulada em laboratórioda Syngenta.Estratégias para enfrentar a criseEmpresas apostam em novas alternativas tecnológicaspara aumentar a produtividade da cana
  3. 3. 58  z  junho DE 2013tentarem a hipótese da “década perdida” da indús-tria em relação à produção de açúcar e etanol. Osinvestimentos que chegaram a US$ 6,4 bilhões em2008 foram reduzidos para US$ 250 milhões em2012, segundo Eduardo Leão, diretor-executivo daUnião da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).A previsão é que a atual retomada de investimen-tos no setor deverá esperar por mais cinco anos,tempo necessário para a renovação completa docanavial – uma situação muito diferente do mo-mento de grande salto dado entre 2005 e 2010,após a entrada do carro flex no país em 2003. Na-quela época, os Estados Unidos e a União Europeiacomeçaram a estabelecer diretrizes para o uso debiocombustíveis, com metas de consumo para ospróximos anos. As iniciativas contribuíram paraa entrada de multinacionais no setor.Apartir de 2012, começou-se a esboçar umfuturo menos sombrio. A produção de eta-nol apresentou leve retomada e o governofederal mostrou sinais de reação à crise com umasérie de incentivos, como a elevação percentual demistura do etanol na gasolina, de 20% para 25%, ea redução de impostos (PIS e Cofins). “Não é aindaum momento rentável para o setor, mas os ganhosem produtividade com investimentos em tecnolo-gia e a consequente redução dos custos médios deprodução têm amenizado os problemas financei-ros de algumas empresas”, explica Miriam Bacchi,pesquisadora do Centro de Estudos Avançados emEconomia da Escola Superior de Agricultura Luizde Queiroz da USP (Esalq/USP). Com o etanolde segunda geração, por exemplo, a estimativa dealgumas empresas, como o Centro de TecnologiaCanavieira(CTC)eaGranbio,éatingirganhospró-ximos de 50% com esse novo processo produtivo,que deverá entrar no mercado nacional em 2014.Um dos possíveis marcos desse novo posicio-namento de grandes empresas diante da impor-tância da pesquisa com cana foi a compra, emnovembro de 2008, das brasileiras Allelyx e Ca-naVialis pela multinacional Monsanto, por US$290 milhões. As duas empresas nasceram comostart-ups de um fundo de capital de risco da Vo-torantim Negócios, entre 2002 e 2003, após osequenciamento do genoma da Xylella fastidio-sa, a bactéria causadora da praga do amarelinhonos laranjais, em programa financiado pela FA-PESP. Para Paulo Arruda, professor do Institutode Biologia da Unicamp e um dos fundadores daAllelyx, o processo de compra pela Monsantofomentou o desenvolvimento dessa área de pes-quisa com cana-de-açúcar e ajudou a impulsio-nar a biotecnologia da cana no país. “Houve umimpacto positivo, inclusive em outras empresas,como o próprio CTC, que passou a modificar seuprocesso de gestão”, argumenta. Em 2011, o CTCdeixou de ser uma Organização da SociedadeCivil de Interesse Público (Oscip) para se tornaruma Sociedade Anônima (SA). “Hoje temos queganhar dinheiro com as tecnologias que desen-volvemos aqui”, afirma Robson Cintra de Freitas,vice-presidente de negócio e novas tecnologiasdo CTC, que foi criado em 1969 pela Copersucarem Piracicaba, interior de São Paulo.Por meio do melhoramento convencional, aMonsanto lançou no mercado três variedades decana em 2012 e pretende, para este ano, colocarem circulação mais uma. A empresa não revelaquanto investe em pesquisa no setor de cana,mas Gustavo Monge, gerente de biotecnologiada Monsanto no Brasil, diz que do US$ 1,4 bilhãoque a empresa destina a suas pesquisas no mundotodo “uma parcela significativa vem para o país”.Segundo ele, o setor sucroenergético apresentaAltos e baixos da cana no BrasilLinha do tempo do setor sucroalcooleiro nacionalilustração abiuro1973Primeira crise dopetróleo. Em cincomeses, o preçodo petróleoaumentou 300%1975Criado o Proálcool (ProgramaNacional do Álcool) parasubstituir em larga escalacombustíveis derivadosdo petróleo por etanol2004Embraer lança o primeiroavião do mundo movidoexclusivamentea etanol e produzidoem escala comercial  2003Carro flex. Até 2012,o uso dos carros flexpossibilitou redução de160 milhões de toneladasem emissões de CO21986O Brasil passa poruma crise econômicae as vendas dos veículosmovidos a etanolcomeçam a cair
  4. 4. pESQUISA FAPESP 208  z  59projeções de grande aumento de demanda noconsumo de açúcar e etanol.“No campo da pesquisa, não consigo imaginarempresas de biotecnologia sendo afetadas nempositiva nem negativamente pela crise, porqueas decisões são a longo prazo e olham para umasituação de mercado em que a competitividadedo etanol cresce fruto da inovação”, avalia o eco-nomista André Nassar, da consultoria Agroicone.Já para José Maria da Silveira, professor do Ins-tituto de Economia da Unicamp, “o aumento dapesquisa aplicada é estimulado pelas instituiçõespúblicas em parcerias com a iniciativa privada”.Como exemplo, ele cita o Programa FAPESP dePesquisa em Bioenergia (Bioen), iniciado em 2008e que conta hoje com 12 empresas no grupo deparceiros, entre elas a Odebrecht e outras comoDedini, Oxiteno e Braskem. “Há uma evolução nonúmero de parcerias estabelecidas entre o progra-ma e empresas, buscando incrementos tanto domelhoramento tradicional quanto da rota trans-gênica”, afirma Glaucia Mendes Souza, professorado Instituto de Química da USP e uma das coor-denadoras do Bioen.Outra medida institucional que favorece apesquisa é a exigência de que a colheitaseja totalmente mecanizada no estado deSão Paulo – o maior polo de produção canavieirado país, responsável por 52% da produção nacio-nal segundo a Companhia Nacional de Abasteci-mento (Conab). A mecanização acaba exigindotecnologias inovadoras tanto em equipamentosquanto em novas variedades de cana mais adap-tadas ao processo. Algumas das variedades pro-duzidas pela Monsanto, por exemplo, têm comocaracterística a fácil adaptação à colheita meca-nizada. Desde 2007, o estado deixou de queimar5,53 milhões de hectares e de lançar à atmosferamais de 20,6 milhões de toneladas de poluentes,segundo o governo do estado.Uma contribuição tecnológica proporciona-da pela pesquisa no campo vem da nova fase doCTC. A empresa conseguiu a redução do tempode colocação no mercado de novas variedadesde cana do seu programa de melhoramento. Issosignifica que o tempo para uma variedade novaser transferida do laboratório para o mercadodiminuiu seis anos no máximo. Até poucos anoseduardocesarMudas de canapreparadas nolaboratório do CTCem Piracicaba (esq.),antes de irem para aestufa (dir.), de ondeseguem para osviveiros em usinas2007Protocolo Agroambientaldo estado de São Pauloantecipa fim da queimada palha da cana2008Lançamentodo Bioen-FAPESP.Auge da crisede crédito nosEstados Unidos2005Primeiro leilão de energianova. Hoje a eletricidadeproduzida com bagaçosupre mais de 2% doconsumo no país2010Estados Unidos classificam o etanolde cana como biocombustível avançado.É criado o Laboratório Nacional deCiência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)2013Volta da mistura de 25%de etanol anidro nagasolina. Lançamentode incentivos do governofederal para o setor
  5. 5. 60  z  junho DE 2013atrás esse intervalo, que inclui uma série de testese cruzamentos de plantas, era de 12 a 14 anos, eagora é de 8 anos, explica Marcos Casagrande,gerente de desenvolvimento de produtos do CTC.Desde 2007, a grande expectativa do CTC é emrelação ao etanol de segunda geração. Entre julhoe agosto deste ano deverão começar as ativida-des para construção de uma planta em escala dedemonstração, na Usina São Miguel, a qual terácapacidade instalada de produzir 3 milhões delitros de etanol, antes de se avançar para a etapaindustrial. Em 2008, o processo desenvolvido peloCTC para se obter etanol celulósico da cana foipatenteado, por representar uma diferença estra-tégicaemrelaçãoaosmétodosadotadosporoutrasempresas que estão na corrida da pesquisa cometanol de segunda geração no país. O processo dehidrólise enzimática da celulose presente no ba-gaço e na palha será completamente integrado àestrutura existente da usina. Além de reduzir cus-tos, essa integração se torna uma alternativa parasolucionar o problema da capacidade ociosa dafermentação e da destilaria, dois setores da usinaque geralmente se encontram em nível próximode 30% de paralisação devido à flexibilidade dasusinas para direcionarem a produção ora para oaçúcar, ora para o etanol. “Se o etanol de segun-da geração é agregado numa usina, consegue-seutilizar esse potencial para obter um combus-tível mais barato”, afirma Freitas. No início doano, o Plano Conjunto BNDES-Finep de Apoioà Inovação Tecnológica Industrial dos SetoresSucroenergético e Sucroquímico (Paiss) assinouo primeiro contrato com uma empresa, no caso oCTC, que recebeu crédito de R$ 227 milhões daFinanciadora de Estudos e Projetos (Finep), deum total de R$ 2 bilhões em recursos que serãodestinados a projetos até o meio do ano.Abrasileira Granbio, fundada em 2011, tam-bém vislumbra novos horizontes para oetanol de segunda geração. Neste ano, seucentro de pesquisas de biotecnologia sintética, lo-calizado no complexo do Techno Park, em Campi-nas, foi aberto para o desenvolvimento de levedu-ras brasileiras usadas na fermentação industrial.Além disso, a empresa inaugurou em maio umaestação experimental para a segunda geração emAlagoas, com um investimento de R$ 10 milhões.A meta é que a indústria de etanol celulósico daempresa, cujo investimento é de R$ 350 milhões,comece a operar até fevereiro de 2014, com umaestimativa de produção de aproximadamente 82milhões de litros de etanol de segunda geração, oque representará um aumento de 20% na produ-ção de biocombustíveis em Alagoas.Batizada de Cana Vertix, a nova variedade de ca-na da Granbio está sendo obtida a partir do cruza-mento genético de tipos ancestrais de cana com hí-bridos comerciais. “Te-remos uma cana maisrobusta, mais resisten-te a pragas e doenças emais longeva, com teorde fibra e produtividademaiores que as plantasconvencionais”, enfa-tiza Alan Hiltner, vice--presidente-executivodaempresa.Opesquisa-dor da Unicamp Gonça-lo Pereira, que tambémé vice-presidente detecnologia da empresa,explica que a nova ca-naseráusadaapenaspa-ra consumo da própriaGranbio. “A eficiênciada fotossíntese da Ca-na Vertix vai refletir nocusto da matéria-prima. No setor, quem manda nojogoéquemtemcanabarataeeficiente”,afirma.Atéo fim de 2013 deverão ser plantadas 200 mil mudas,com sementes vindas de bancos de germoplasmas(sementes, células) do Brasil e do mundo. Os cru-zamentos são feitos hoje pelo IAC e pela Rede In-teruniversitária para o Desenvolvimento do SetorSucroenergético (Ridesa). Em 2014, esse trabalhotambém será realizado pela estação experimentalem Alagoas. Dentre as razões para os investimentosem etanol de segunda geração a partir do bagaçoe da palha de cana, Hiltner destaca o mercado dosEstados Unidos, que premia o uso do etanol celu-lósico e, especificamente, o da Califórnia, onde háum adicional por tonelada de carbono capturado.O conjunto de iniciativas em torno do etanol desegunda geração tem sido capaz de movimentaruma cadeia que inclui empresas fornecedoras deenzimas utilizadas na quebra da lignina e das he-“Há umaevoluçãono númerode parceriasestabelecidasentre oBioen-FAPESPe empresas”,explica Glaucia
  6. 6. pESQUISA FAPESP 208  z  61miceluloses das células da cana parase obter a celulose e, em seguida, aglicose, possibilitando, assim, a fer-mentação do açúcar para a obtençãodo etanol. Esse é o caso da multina-cional dinamarquesa Novozymes,fundada em 1923. Em 2007, a em-presa realizou a primeira parceriacomercial para o desenvolvimentode enzimas para a produção de eta-nol, no caso com o CTC.Em 2010 a empresa passou a for-necer enzimas para a Petrobras, quetambém tem programa de pesquisaem etanol de segunda geração, e, em2012, fechou contrato com a Granbio.De acordo com o presidente da No-vozymes para América Latina, PedroFernandes, a crise do setor sucroe-nergético chegou a atingir a empresa,principalmenteporquenessesmomentososclientesseretraememrelaçãoàdemandaparaproduçãoeaovolumededinheiroaplicado.Noentanto,aspesqui-sas continuaram a todo vapor. “As crises vêm e vãosempre, mas a pesquisa não. Se paramos hoje umapesquisa, ocorre um atraso cuja recuperação levamais tempo do que uma crise”, explica o executivo.ANovozymesinvesteUS$300milhõesemP&Demtodasassuasunidadesdepesquisanomundo,oqueenvolve também as enzimas para o etanol no Brasil.AdivisãodaempresanaAméricaLatinarepresenta10% do faturamento global da empresa, que foi deUS$2bilhõesem2012.Hojesão11profissionaistra-balhando diretamente com pesquisa no Brasil, doisdoutoreseosdemaiscommestrado.EumaparceriacomaUniversidadeFederaldoParaná(UFPR),ondesão realizados testes com enzimas. Outra empresaque se voltou mais atentamente para as pesqui-sas com cana-de-açúcar foi a multinacional suíçaSyngenta. Até 2006, a participação do segmentode cana dentro da companhia era marginal, repre-sentada apenas pela venda de produtos químicosusados para matar pragas. A partir de 2008, umaguinada possibilitou a adoção de novas estratégiaspara incrementar tecnologicamente a plantação decana, por meio, por exemplo, da construção de umabiofábrica, espaço onde são realizados os procedi-mentos de melhoramento da planta, inauguradaem 2012. “A demanda por cana no país, em 2020,será de aproximadamente 1,1 bilhão de toneladas.A chave do sucesso para a produção do etanol é au-mentar a produtividade, o que demanda pesquisatambém”, explica Adriano Vilas Boas, diretor glo-bal de cana-de-açúcar da Syngenta. A Unica estimaque a produção de etanol na safra 2013/1014 seja20% maior em relação à anterior.Hoje a empresa tem três pilares de sustentaçãoda pesquisa em torno da cana, dos quais um é amultiplicação de materiaisgenéticos,queaconteceemItápolis, no interior paulis-ta. Lá são geradas mudaslivres de doenças, por meiode multiplicação do mate-rial genético, assegurandoa sanidade dos materiais,porquequandosemultipli-caacanaoriscodeelacon-trair doenças é alto. “Mul-tiplicamos, assim, clonesde uma mesma matriz deforma controlada”, acres-centa Vilas Boas. Depois,para se multiplicar em mi-lhares de amostras, a canaé manejada em estufa e aamostragemémultiplicada,preservando o DNA, paraque possa ir direto para ocampoformarviveiros.Pesquisasembiotecnologia,voltadas para aumentar a capacidade de transfor-mar variedades de cana em vegetais geneticamentemodificados, já são feitas em estações de pesquisada companhia no Brasil. A Syngenta investe maisde US$ 1,4 bilhão em pesquisa e desenvolvimentono mundo. No Brasil, o orçamento para cana-de--açúcar não é revelado pela empresa. Hoje ela temmaisde100agrônomosfocadosemassistênciaparacana, desenvolvendo tecnologia no campo, e umaequipe dedicada exclusivamente à pesquisa comtransgênicos. As parcerias com universidades seestendemàUniversidadeEstadualPaulista(Unesp),à Esalq/USP, que ajudam a validar as tecnologias, etambém ao IAC, na parte de variedades, por meiode um projeto conjunto para o aperfeiçoamentode metodologias para o melhoramento e a trans-formação da cana. n“A pesquisaparalisada levamais tempopara serecuperar doque a passagemde uma crise”,diz Fernandes1 Centro de pesquisasda Syngenta emItápolis, interior deSão Paulo, onde aempresa realiza amultiplicação demateriais genéticos2 Estufa de cana nanova estaçãoexperimental daGranbio, em Alagoasfotos 1syngenta2michelrios21

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