Calor e estiagem levam caos para o agronegócio na rmc

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Calor e estiagem levam caos para o agronegócio na rmc

  1. 1. A+4 CORREIO POPULAR REGIÃO METROPOLITANA Campinas, domingo, 9 de fevereiro de 2014 Fotos: Edu Fortes/AAN Reynaldo Carr produz feno, forragem para o gado, em Santa Bárbara d’Oeste, e tem aparelho para medir índice de chuvas em sua propriedade: em janeiro choveu 26mm, contra 330mm no mesmo mês do ano passado Bruno Bacchetti DA AGÊNCIA ANHANGUERA bruno.bacchetti@rac.com.br O Verão atípico e a escassez de chuva que assola boa parte do País já provocam reflexos na área rural da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Produtores agrícolas da região sofrem com a seca e o calor recorde, causando a perda de plantações inteiras. Lavouras de milho, cana de açúcar, feijão e soja são as mais afetadas pela ausência de chuva inesperada para a época do ano, quando normalmente o volume pluviométrico é maior. Somada à falta de chuva, a temperatura elevada torna a combinação prejudicial ao campo. “A fase de grão é a mais afetada e proporcional ao tempo que faltar água. É um processo anormal e acredito que de 10% a 15% das plantações já foram afetadas. Isso pode aumentar dependendo de quanto tempo mais vai ficar sem chover. Chega uma hora que é irreversível” explica José Augusto Maiorano, diretor do escritório de Campinas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati). De acordo com o pesquisador Orivaldo Brunini, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), um fenômeno climático também provoca prejuízos. É que a região não tinha variações de temperatura tão pequenas entre o dia e a noite nesta época do ano. O milho, por exemplo, precisa de dias quentes e noites mais frias para se desenvolver. O fato é que, neste começo de fevereiro, houve madrugada em que os termômetros marcaram até 24˚C. Dono de uma plantação de milho em Monte Mor, o produtor Paulo da Cruz Brischi, de 64 anos, afirma que metade da colheita foi perdida pela falta de chuva. Há 50 anos trabalhando no campo, o produtor diz que jamais passou por situação semelhante. “Todo ano nessa época sobra água. Mas sem chuva, está secando antes da época, e tem milho que nem espiga deu. Vou colher o que Calor e estiagem levam caos para o agronegócio na RMC FALTA DE CHUVAS e alta temperatura levam a perda de lavouras inteiras; produtores improvisam para reduzir danos e prejuízos Paulo da Cruz Brischi, que cultiva milho em Monte Mor: ele diz que já perdeu metade da produção e que vai esperar para investir em pimentões “Se chover, vai melhorar. Se não chover, só Deus sabe o que vai acontecer.” FRANCISCO HOMERO MARCONDES Gerente de Mercado da Ceasa Campinas der e depois contar o prejuízo. Desde os 11 anos de idade trabalho na lavoura e nunca vi situação assim em janeiro”, conta. Brischi tem outra área preparada para o cultivo de pimentão, mas diz que vai esperar o clima melhorar para que a situação não se repita. “A terra está pronta, mas vou ter que segurar o pimentão”, completa. Em Sumaré, o produtor Wilson Ravagnani é outro que sofre com a falta de chuva. Proprietário de uma lavoura de soja, ele assiste de braços atados a planta secar e contabiliza os prejuízos. Sem opção, Ravagnani espera a ajuda de São Pedro para amenizar a baixa. “A chuva faz muita falta, estamos com um verão atípico. Vou perder cerca de 30% da colheita, porque a planta não está enchendo. Dependo de chuva, e o que resta é torcer. Mas mesmo se chover já perdi, não dá para recuperar”, lamenta. Produtor de feno (planta utilizada para forragem do gado) e de palmeiras ornamentais em Santa Bárbara d’Oeste, Reynaldo Carr utiliza um pluviômetro para acompanhar a incidência de chuva em sua propriedade. Segundo ele, em janeiro choveu míseros 26 milímetros, e em dezembro do ano passado, 55 mm. Há dois anos, o instrumento captou 330 mm de chuva em janeiro e 225 mm em dezembro. A seca reduziu consideravelmente a produção de feno. Já a palmeira ornamental não é tão afetada, embora a falta de chuva deixe a planta menos vistosa e com aspecto que não favorece a comercialização. “Minha produção é dividida em cinco cortes anuais, e o maior deles é no Verão. Mas colhi apenas um terço do que era para ter colhido. Tive uma defasagem de aproximadamente 170 mil quilos. Tenhos 25 anos no ramo e nunca vi isso”, relata Carr. “A palmeira não sofre tanto, mas fica mais feia com a falta de chuva”, acrescenta. 15% 24˚ De grãos da RMC foram afetadas pelo clima, na estimativa da Cati Tem sido a temperatura mínima nas madrugadas, o que também prejudica as lavouras DAS PLANTAÇÕES CELSIUS Plantação de soja em Sumaré: produtor diz que ao menos 30% da colheita está comprometida e que, mesmo que volte a chover, prejuízo é irreparável

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