Quatro pilares

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Quatro pilares

  1. 1. 1993 - UNESCO constituiu uma Comissão para refletir sobre as formas pelas quais a educação poderia responder às exigências do século XXI. Concluiu que uma das formas de viabilizar a educação seria planejar sistemas através dos quais o homem, sujeito de sua aprendizagem e de seu próprio destino, deveria aprender a ser.
  2. 2. Foram colocadas quatro questões fundamentais à respeito do problema: Teriam os sistemas educativos condições de se adaptar à evolução da sociedade? Poderiam, tais sistemas, atender à demanda por uma educação que contribua para a formação de uma mão de obra criativa e qualificada, adaptada à evolução da tecnologia e a revolução da inteligência, fazendo frente às economias mundiais? Como se relacionariam os sistemas públicos e privados de educação no sentido de garantir os resultados necessários ?
  3. 3. Em que medida a educação poderia criar uma linguagem universal que permitisse superar as contradições e transmitir a todos os habitantes do planeta, apesar delas, os valores de abertura para o outro, de compreensão mútua e os ideais da paz?
  4. 4. EDUCAÇÃO UM TESOURO A DESCOBRIR Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI Diante dos múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um trunfo indispensável à humanidade na construção dos ideais de paz, liberdade e justiça social. FÉ NO PAPEL ESSENCIAL DA EDUCAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO CONTÍNUO, TANTO DAS PESSOAS COMO DAS SOCIEDADES. Não como um “remédio milagroso”, mas como uma via que conduza a um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais autêntico, fazendo recuar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões, as guerras...
  5. 5. Quadro prospectivo Notáveis descobertas e progressos científicos. Numerosos países libertaram-se do subdesenvolvimento. O nível de vida continuou a progredir, a ritmos muito diferentes, conforme o país.
  6. 6. Fala-se em desilusões do progresso, no plano econômico e social: Aumento do desemprego e dos fenômenos de exclusão social, mesmo nos países mais ricos. Persistência das desigualdades de desenvolvimento no mundo. Apesar da humanidade estar mais consciente dos perigos que ameaçam o meio ambiente, não conseguiu, ainda, meios para solucionar esse problema. Após a Segunda Guerra e a Guerra Fria, as tensões permanecem latentes e explodem, tanto entre nações como entre grupos étnicos, ou a propósito de injustiças acumuladas no plano econômico e social.
  7. 7. A educação se situa no coração do desenvolvimento tanto da pessoa humana como das comunidades. Cabe-lhe a missão de fazer com que todos, sem exceção, façam frutificar os seus talentos e potencialidades criativas, o que implica, por parte de cada um, a capacidade de se responsabilizar pela realização do seu projeto pessoal.
  8. 8. A IDÉIA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE DEVE SER REPENSADA E AMPLIADA: Deve ser encarada como uma construção contínua da pessoa humana, dos seus saberes e aptidões, da sua capacidade de discernir e agir. Deve levar cada um a tomar consciência de si próprio e do meio ambiente que o rodeia, e a desempenhar o papel social que lhe cabe enquanto trabalhador e cidadão. NECESSIDADE DE CAMINHAR PARA “UMA SOCIEDADE EDUCATIVA”: uma sociedade em que cada um seja, alternadamente, professor e aluno.
  9. 9. O conceito de EDUCAÇÃO AO LONGO DE TODA A VIDA aparece como uma das chaves de acesso ao século XXI.
  10. 10. Pôr em relevo o potencial educativo dos modernos meios de comunicação, da vida profissional, ou ainda das atividades de cultura e lazer. É desejável que a escola lhe transmita ainda mais o gosto e prazer de aprender, a capacidade de ainda mais aprender a aprender, a curiosidade intelectual. Nada pode substituir o sistema formal de educação, que nos inicia nos vários domínios das disciplinas cognitivas. Nada substitui a relação de autoridade, mas também de diálogo, entre professor e aluno.
  11. 11. Para responder ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: APRENDER A CONHECER - adquirir os instrumentos da compreensão. APRENDER A FAZER - para poder agir sobre o meio envolvente. APRENDER A VIVER JUNTOS - a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas. APRENDER A SER - via essencial que integra as três precedentes.
  12. 12. Cada um dos “quatro pilares do conhecimento” deve ser objeto de igual atenção por parte do ensino formal, a fim de que a educação apareça como uma experiência global a ser vivenciada ao longo de toda a vida, no plano cognitivo e prático, para o indivíduo enquanto pessoa e membro da sociedade.
  13. 13. Não visa tanto a aquisição de um repertório de saberes codificados, mas o domínio dos próprios instrumentos do conhecimento. Pretende que cada um aprenda a compreender o mundo que o rodeia, pelo menos na medida em que isso lhe é necessário para viver dignamente, para desenvolver as suas capacidades profissionais, para comunicar-se. O aumento dos saberes favorece o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido crítico e permite compreender o real, mediante a aquisição da autonomia na capacidade de discernir. O conhecimento é múltiplo e evolui infinitamente, tornando-se cada vez mais inútil tentar conhecer tudo.
  14. 14. “Um espírito verdadeiramente formado, hoje em dia, tem necessidade de uma cultura geral vasta e da possibilidade de trabalhar em profundidade determinado número de assuntos. Deve-se, do princípio ao fim do ensino, cultivar, simultaneamente, estas duas tendências”. Laurent Schwartz
  15. 15. Aprender para conhecer supõe, antes tudo, aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento.
  16. 16. Aprender a conhecer e APRENDER A FAZER são praticamente indissociáveis. está mais estreitamente ligada à questão da formação profissional Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos? Como adaptar a educação ao trabalho futuro quando não se pode prever qual será a sua evolução?
  17. 17. Nas sociedades assalariadas que se desenvolveram ao longo do século XX, a partir do modelo industrial, a substituição do trabalho humano pelas máquinas acentuou o caráter cognitivo das tarefas. O futuro destas economias depende da sua capacidade de transformar o progresso dos conhecimentos em inovações geradoras de novas empresas e de novos empregos. Aprender a fazer não pode continuar a ter o significado simples de preparar alguém para uma tarefa material bem determinada.
  18. 18. O progresso técnico modifica as qualificações exigidas pelos novos processos de produção. O mercado de trabalho substitui a exigência de uma qualificação ainda ligada à idéia de competência material, pela exigência de uma competência que se apresenta como uma espécie de coquetel individual. Combina a qualificação, adquirida pela formação técnica e profissional, o comportamento social, a aptidão para o trabalho em equipe, a capacidade de iniciativa, o gosto pelo risco.
  19. 19. Qualidades como a capacidade de comunicar, de trabalhar com os outros, de gerir e de resolver conflitos, tornam-se cada vez mais importantes. É provável que nas organizações do futuro os déficits relacionais possam criar graves disfunções exigindo qualificações de novo tipo, com base mais comportamental do que intelectual. A intuição, o jeito, a capacidade de julgar, a capacidade de manter unida uma equipe não são de fato qualidades, necessariamente, reservadas a pessoas com altos estudos.
  20. 20. O mundo atual é, muitas vezes, um mundo de violência que se opõe à esperança posta por alguns no progresso da humanidade. A história humana sempre foi conflituosa, mas há elementos novos que acentuam o perigo e, especialmente, o extraordinário potencial de autodestruição criado pela humanidade no decorrer do século XX.
  21. 21. Poderemos conceber uma educação capaz de evitar os conflitos, ou de os resolver de maneira pacífica, desenvolvendo o conhecimento dos outros, das suas culturas, da sua espiritualidade?
  22. 22. O ensino da não-violência na escola se constitui num instrumento para lutar contra os preconceitos geradores de conflitos. Se a convivência entre os segmentos que se oprimem e discriminam for feita num contexto igualitário (a escola), e se existirem objetivos e projetos comuns, os preconceitos e a hostilidade latente podem desaparecer e dar lugar a uma cooperação mais serena e até à amizade. A educação deve utilizar duas vias complementares: a descoberta progressiva do outro e, ao longo de toda a vida, a participação em projetos comuns, que parece ser um método eficaz para evitar ou resolver conflitos latentes.
  23. 23. A descoberta do outro A educação tem por missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e, por outro, levar as pessoas a tomar consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta. Passando à descoberta do outro pela descoberta de si mesmo, a educação deve antes de mais nada ajudá-los a descobrir-se a si mesmos. Só então poderão, verdadeiramente, pôr-se no lugar dos outros e compreender as suas reações.
  24. 24. Desenvolver esta atitude de empatia, na escola, é muito útil para os comportamentos sociais ao longo de toda a vida. Os métodos de ensino não devem ir contra este reconhecimento do outro. O confronto através do diálogo e da troca de argumentos é um dos instrumentos indispensáveis à educação do século XXI.
  25. 25. Tender para objetivos comuns Quando se trabalha em conjunto sobre projetos motivadores e fora do habitual, as diferenças e até os conflitos interindividuais tendem a reduzir-se, chegando a desaparecer em alguns casos. A educação formal deve, pois, reservar tempo e ocasiões suficientes em seus programas para iniciar, desde a primeira infância, projetos de cooperação, no campo das atividades desportivas e culturais e também estimular a sua participação em atividades sociais.
  26. 26. A educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa — espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. Todo o ser humano deve ser preparado para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida. Mais do que preparar os sujeitos para uma dada sociedade, o problema neste século é fornecer-lhes constantemente forças e referências intelectuais que lhes permitam compreender o mundo que as rodeia e comportar-se nele como atores responsáveis e justos.
  27. 27. A educação parece ter, como papel essencial, conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensamento, discernimento, sentimentos e imaginação de que necessitam para desenvolver os seus talentos e permanecerem donos do seu próprio destino. A diversidade das personalidades, a autonomia e o espírito de iniciativa, até mesmo o gosto pela provocação, são os suportes da criatividade e da inovação. Num mundo em mudança, de que um dos principais motores parece ser a inovação tanto social como econômica, deve ser dada importância especial à imaginação e à criatividade.
  28. 28. “O desenvolvimento tem por objeto a realização completa do homem, em toda a sua riqueza e na complexidade das suas expressões e dos seus compromissos: indivíduo, membro de uma família e de uma coletividade, cidadão e produtor, inventor de técnicas e criador de sonhos”
  29. 29. A educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser. Aprender a conhecer - aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida. Aprender a fazer - a fim de adquirir, não somente uma qualificação profissional mas, de uma maneira mais ampla, competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe.
  30. 30. Aprender a viver juntos - desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências — realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos — no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz. Aprender a ser - para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal.

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