ORDENAÇÃO DE MULHERES AO MINISTÉRIO DA PALAVRA?Autor: Jaime Augusto Cisterna*1. IntroduçãoA questão da ordenação de mulher...
Bíblia, quero propor a análise de determinados textos sagrados paraprovocar uma reflexão consistente em cada um (pelo meno...
Definitivamente Gálatas 3.28 não está tratando do desempenho depapéis na igreja e na família, mas da nossa posição diante ...
servas derramarei do meu Espírito". Esse texto é usado para dizer que,assim como os homens, as mulheres também receberam o...
mencionou mulheres como pastoras. Ele as amou, serviu e foi servido porelas. Não as ignorou, mas, pelo contrário, foi-lhes...
inferior, mas, sim, a glória do homem (vv.8-9). Paulo vê nos detalhes daCriação uma ordenação divina quanto aos diferentes...
Novo Testamento e autor reconhecido internacionalmente, Dr. D. A.Carson há aqui uma alusão à Criação que deve ser observad...
profundo e comprovar pessoalmente isso. Mas, o que fica evidente,afinal, é que a atitude que o apóstolo exigia das mulhere...
quais papéis os homens e as mulheres devem exercer. Mas o fato é que amaioria dos evangélicos não tem aceitado essa posiçã...
Assim, é difícil encontrar respaldo bíblico explícito e suficiente para quese recebam mulheres ao pastorado, onde irão pre...
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Ordenação de mulheres ao ministério da palavra

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Ordenação de mulheres ao ministério da palavra

  1. 1. ORDENAÇÃO DE MULHERES AO MINISTÉRIO DA PALAVRA?Autor: Jaime Augusto Cisterna*1. IntroduçãoA questão da ordenação de mulheres ao ministério da Palavra tem sidoobjeto de discussão por parte de muitas pessoas em igrejas e seminários.É um assunto tão delicado que alguns preferem nem mesmo sepronunciar sobre ele. Normalmente, esse tema tem sido discutido maissob a ótica cultural dos tempos bíblicos em relação ao tempo atual e dosdireitos de igualdade entre homem e mulher. Por isso mesmo temcausado constrangimento em alguns meios, tornando-se um assuntomelindroso. O debate tem sido mais em torno desses aspectos culturais epessoais do que necessariamente exegético e talvez seja essa a razão doincômodo.As posições giram sempre em torno de três opções: A primeira diz quemulher pode ser pastora; a segunda declara que a mulher não pode serpastora e, a terceira afirma que não tem posição. De forma geral,aqueles que defendem a ordenação feminina ao pastorado usamargumentos baseados no avanço da civilização, na modernização dostempos, no progresso humano e a crescente participação da mulher emoutras áreas da sociedade. Nessa mesma linha, outros consideramsimplesmente inevitável que as mulheres sejam ordenadas pastoras,pois, segundo pensam, essa é uma tendência irreversível. Naturalmente,ainda há aqueles que pensam sob o ponto de vista da igualdade eanalisam a nova sociedade que Cristo construiu, fazendo de ambos um sópovo, onde não há distinção entre homem e mulher (Ef 2.14-16). Dosegundo grupo, que é contrário à ordenação das irmãs, alguns sãosimplesmente machistas e não ponderam o assunto com sobriedade eacabam relegando às mulheres uma posição quase humilhante. Algunssimplesmente ignoram as questões mais simples da teologia, sociologia,entre outras, para oferecer uma posição consistente. O terceiro grupoestá dividido entre aqueles que temem ser dogmáticos por nãoencontrarem subsídios e aqueles que não se importam com o assunto,como se isso não lhes dissesse respeito ou fosse importante.No entanto, esse artigo deseja desafiar o leitor a uma reflexão teológicado assunto. Apesar de reconhecer que todos devem sempre considerar ostempos e as mudanças culturais, creio que a Bíblia deva ser sempre oprimeiro e último escrutínio para uma decisão assim. Como pastores,nosso espírito precisa ser bíblico, mesmo que isso implique emposicionamentos contrários à cultura ou à tendência por mais inevitávelque seja. A voz profética, aliás, nem sempre obteve respaldo da moda.Tendo como base os escritos de alguns autores comprometidos com a
  2. 2. Bíblia, quero propor a análise de determinados textos sagrados paraprovocar uma reflexão consistente em cada um (pelo menos que sirva deponto de partida), para depois chegar a uma conclusão.2. Passagens consideradas a favor da ordenação femininaEm primeiro lugar vamos olhar para algumas passagens bíblicas quemuitas vezes são usadas para sustentar a possibilidade da ordenaçãofeminina ao ministério pastoral. A primeira delas é Romanos 16.7 - aqui,em sua saudação à Igreja de Roma, Paulo menciona uma pessoa pornome Júnias, que era notável entre os apóstolos. Algumas correntestomam esse texto para argumentar que Júnias era uma mulher queexercia o ofício apostólico. Antes de mais nada, porém, duas perguntasdevem ser feitas: a) seria esse um nome feminino? b) a expressão"notável entre os apóstolos", significa que Júnias era um dos apóstolosou significa que os apóstolos tinham Júnias em alta conta?Ao que tudo indica, parece que Júnias era nome tanto de homem quantode mulher no período neotestamentário. O conhecido pastor e teólogobatista Russell Shedd declara que "não é possível determinar através dooriginal se o segundo nome é feminino ou masculino". Alguns autoreslembram que Epifânio relata que Júnias se tornou bispo de Apaméia.Outro dos antigos pais da Igreja, Orígenes, também faz referência emseu comentário em latim à carta aos Romanos a Júnias, mas, nomasculino. De forma conclusiva, no entanto, a única coisa de que se temcerteza no texto de Romanos 16.7 é que Júnias era uma pessoa queajudou o apóstolo em seu ministério. Qualquer exegeta sabe que ficamuito difícil tomar o apoio de uma passagem tão frágil como essa parafazer uma sustentação doutrinária.Uma outra passagem muito usada para apoiar a visão da ordenaçãofeminina é Gálatas 3.28, que declara: "não há macho nem fêmea; porquetodos vós sois um em Cristo Jesus". É, de fato, um texto muito atraentee muitos encontram nele o respaldo para sua posição, fazendo uso delepara dizer que Cristo aboliu toda a diferença entre homem e mulher. Paraeles, Cristo quebrou a maldição de Gênesis sobre a mulher, e agora dá,também a ela, o direito de ter as mesmas funções eclesiásticas que oshomens.Como sempre, a boa exegese sempre nos leva a fazer uma pergunta aotexto. Nesse caso específico, a melhor pergunta a ser feita seria: Nessetexto o apóstolo Paulo está falando da abolição da subordinação femininae de igualdade de funções ministeriais entre homem e mulher? Aresposta pode começar a ser encontrada no contexto de Gálatas. Ao quetudo indica, Paulo escreveu essa carta para responder a questõeslevantadas sobre a nossa justificação diante de Deus. Sua afirmaçãocentral é a de que todos, independente da sua raça, cor, posição social esexo, são recebidos por Deus da mesma maneira: pela fé em Cristo.
  3. 3. Definitivamente Gálatas 3.28 não está tratando do desempenho depapéis na igreja e na família, mas da nossa posição diante de Deus. Asalvação em Cristo justifica igualmente homens e mulheres diante deDeus, mas não altera o papel de ambos estabelecido previamente naCriação. O pastor e teólogo presbiteriano Augustus Nicodemus afirma que"o assunto não são as funções que homens e mulheres desempenham naIgreja de Cristo, mas a posição que todos os que crêem desfrutam diantede Deus".É importante sempre ter em mente que a questão da subordinaçãofeminina tem sua base na Criação (Gênesis 1 e 2) e não na Queda(Gênesis 3). A cruz de Cristo aboliu as diferenças cerimoniais para quetodos pudessem aproximar-se de Deus, mas em nenhum momento pôsum término nas funções ou papéis fundamentais do homem e da mulherestabelecidos por Deus muito antes da Queda. Para o Dr. Shedd "noreino de Deus, homem e mulher são iguais; na natureza, sãointerdependentes, na sociedade, igreja e família, a mulher se submete".A igualdade que hoje há em Cristo não afetou ou alterou o papel dohomem ou da mulher. O marido continua sendo o cabeça e a mulhercontinua sendo submissa. Essa posição honrosa de ambos contribuiinclusive para o entendimento da nossa eclesiologia. É o paralelo docasamento humano com as bodas de Cristo e sua igreja, a noiva (1Co11.7-10; Ef 5.22-24 e 1Tm 2.12-15).Há ainda um outro fator a ser observado. Aquilo que é bom para a Igrejaé bom para a sociedade também. No coração de uma mulher cristãdeveria haver o sentimento de promover a liderança de seu marido, bemcomo no coração de um homem cristão deveria haver o sentimento deliderar sua esposa em amor. Esse sentimento de submissão "no temor deDeus" (Ef 5.21) deveria ser o tom do "bom andamento da vida", comosugere o Dr. Russell Shedd. Para ele esse compasso de submissãodeveria existir naturalmente no lar, "da esposa para o marido, dos filhosaos pais", e também "no emprego, dos empregados aos chefes", todos,enfim, refletindo a submissão "da Igreja para o seu Mestre, Cristo". Adeterioração desse valor dentro da Igreja tem afetado em grande parteas famílias por todo o mundo. A Igreja tem a oportunidade de colocar-secomo um padrão diferente do mundo, mas infelizmente tem se adaptadocom muita facilidade às suas pressões. O pastor batista John Piperdeclara que "na igreja, a redenção em Cristo deu a homens e mulheresbênçãos iguais da salvação; no entanto, alguns papéis do governo eensino dentro da igreja permanecem restritos aos homens". Assim, essetexto de Gálatas também não deve ser utilizado como base teológicapara o ministério pastoral feminino.Uma terceira passagem ainda muito usada para sustentar a ordenaçãofeminina ao ministério pastoral é Atos 2.16-18, quando Pedro cita oprofeta Joel dizendo que, "vossas filhas profetizarão e sobre as minhas
  4. 4. servas derramarei do meu Espírito". Esse texto é usado para dizer que,assim como os homens, as mulheres também receberam o Espírito Santode Deus e, portanto, podem exercer as mesmas funções que eles. Emprimeiro lugar, deve-se notar o paradoxo dessa defesa, pois, para sereclamar igualdade aqui, dever-se-ia antes, reclamar igualdade lá. Otexto diz que elas receberam o Espírito, sim, mas não diz que elasexerceram ministério pastoral. Pelo menos, é o que o "silêncio da Bíblia"indica. Se as mulheres exerceram os mesmos ministérios que os homensno período da igreja apostólica, por que não há nenhuma menção noNovo Testamento de apóstolas, presbíteras, pastoras ou bispas? Por todoo Novo Testamento não se encontra qualquer recomendação apostólicanesse sentido. Nem uma sequer! As cartas conhecidas como "Pastorais",em que Paulo instrui Timóteo e Tito, e que são usadas como texto basepara a ordenação dos oficiais da Igreja, nada falam quanto à ordenaçãode mulheres. O conhecido pastor e escritor John Piper (Bethlehem BaptistChurch, em Minneapolis, EUA) lembra que todos os dons são dados tantoa homens como a mulheres, mas os ofícios, não, e essa distinção (entredons e ofício) precisa estar em nossa mente. Uma simples leitura dasqualificações exigidas por Paulo em 1 Timóteo 3.1-7 e Tito1.5-9 transmite a clara impressão de que o apóstolo tinha em mente aordenação de homens. E ninguém pode alegar que era uma questãocultural ou machismo da parte do apóstolo. Ele não apenas reconhecia aigualdade do ser humano diante de Deus e a importância do trabalhofeminino no Reino, mas também sempre lutou para proteger a mulherdentro daquela sociedade machista. Ele tinha questões teológicas emmente.Mais uma vez, então, a pergunta que deve ser feita ao texto em questãoé: o fato de as mulheres receberem o Espírito Santo significa obterautorização para a ordenação ministerial? O Dr. Nicodemus lembra que otexto fala de profecia, sonhos e visões e, bem sabemos, que essesfenômenos podem acontecer sem que a pessoa seja ordenada. Essapassagem não é um texto que traz qualificações para o ministériopastoral. Apesar de ter havido profetizas na igreja apostólica, como asquatro filhas de Filipe (At 21.9; cf. 1Co 11.5), em nenhum lugar diz queelas eram pastoras.Basicamente essas são as passagens utilizadas para sustentar aordenação feminina ao pastorado. Mas elas devem ser analisadas comatenção, pois o fato de terem recebido os dons do Espírito (inclusiveaqueles relacionados com o ensino), nenhum dos textos traz sustentaçãopara que elas sejam ordenadas. Quando Cristo desejou estabelecerpastores para sua Igreja, ele nos deixou o registro bíblico de homenssendo incumbidos dessa função. Mesmo sendo um Senhor gracioso queconsidera todos iguais para receberem misericórdia e graça; que amaindistintamente suas ovelhas e morreu por todas de igual forma, ele não
  5. 5. mencionou mulheres como pastoras. Ele as amou, serviu e foi servido porelas. Não as ignorou, mas, pelo contrário, foi-lhes um protetor nummundo desigual. Foi o libertador de tantas opressões que elas sofriam,mas nada falou sobre serem pastoras. Além disso, a igreja sempredeclarou ser sustentada sobre o ensino dos apóstolos e eles, da mesmaforma, não parecem sustentar essa posição.Todos os textos acima demonstram que as mulheres cristãs, juntamentecom os homens, participam da graça de Deus, e dos dons do Espírito,sem restrições. Entretanto, toda boa homilética afirmará que elas nadatêm a dizer sobre ordenação ao ministério pastoral, nem a favor, nemcontra, pois tratam de outros assuntos, não podendo ser usadas parasustentar essa posição. Há, todavia, pelo menos três passagens bíblicasque oferecem princípios sobre o assunto por tratarem do ensino e,aparentemente, impõem restrições à ordenação pastoral feminina e quepor essa razão também devem ser analisadas.3. Passagens consideradas contra a ordenação femininaA primeira delas é 1 Coríntios 11.2-16. Aqui Paulo aborda o problemacausado por algumas mulheres que estavam orando, profetizando (eprovavelmente falando em línguas) com a cabeça descoberta, isto é, semo véu, contrariando assim o costume das igrejas cristãs primitivas (v.16). O contexto nos leva a entender que algumas mulheres daquelacomunidade estavam fazendo reivindicações, mas tinham um espíritocontencioso (v. 16). O apóstolo naturalmente não nega à essas mulheresa participação no culto, mas insiste que elas usem o véu - uma expressãocultural que reflete o princípio permanente da subordinação feminina(11.5,6,10,14). O apóstolo indica que, nos cultos, a participação delasdeveria ser vista como um sinal de que estavam debaixo da autoridadeeclesiástica masculina (v.10). Em outras palavras, embora Paulo permitaque a mulher profetize e ore no culto público, ele requer dela que seapresente de forma a deixar claro que está debaixo de autoridade, nopróprio ato de profetizar ou orar.Isso pode ser confuso e soar como "politicamente incorreto" caso nãotenhamos um coração espiritualmente disposto nas mãos do Senhor. Notexto em questão, Paulo argumenta teologicamente, a partir dasubordinação de Deus Filho a Deus Pai. A subordinação da mulher aohomem não a torna inferior. Assim como Pai e Filho, que são iguais empoder, honra e glória, desempenham papéis diferentes na economia dasalvação (o Filho submete-se ao Pai), homem e mulher secomplementam no exercício de diferentes funções, sem que nisso hajaqualquer desvalorização. Para o professor de Novo Testamento, Dr.Thomas Schreiner, "uma vez que Paulo apela à relação entre osmembros da Trindade, fica claro que ele não olha para as relaçõesdescritas neste texto como meramente cultural". Paulo ainda recorre aorelato da Criação em Gênesis 2, desejando mostrar que a mulher não é
  6. 6. inferior, mas, sim, a glória do homem (vv.8-9). Paulo vê nos detalhes daCriação uma ordenação divina quanto aos diferentes papéis do homem eda mulher. O fato, por exemplo, de termos de ser submissos àsautoridades civis não nos torna inferiores. A própria Bíblia ordena essasubmissão (Rm 13.1-5; 1 Pe 2.13-17). Também os filhos não sãoinferiores a seus pais, mas lhes devem submissão (Ef 6.1). Como bemlembrou o Dr. Nicodemus, "o conceito de subordinação de uns a outrostem a ver apenas com a maneira pela qual Deus estruturou e ordenou asociedade, a família e a igreja".Logo se percebe a importância de 1 Coríntios 11 para a questão dessedebate sobre a ordenação feminina. A mulher deve estar debaixo daautoridade espiritual exercida pelo homem e, ao participar do culto, nãopode exercê-la sobre ele. Ao comentar essa passagem, o Dr. Sheddafirma que "com o véu" (sinal de submissão), "a esposa protegia suaprópria dignidade". Alguém, então, poderia argumentar que deveríamosvoltar a usar o véu como era o caso da igreja em Corinto. Mas o véu, noentanto, era apenas a maneira grega do século I de demonstrarsubordinação. Não é necessário usar o véu hoje, mas o princípio dasubordinação continua. O apóstolo defende a participação diferenciada damulher no culto usando argumentos permanentes, que transcendemcultura, tempo e sociedade, como a distribuição ou economia da Trindade(v.3), o modo pelo qual Deus criou o homem (vv.8-9) e ainda apelandopara o costume das igrejas cristãs em geral (v.16). Para o Dr.Shedd "Paulo apela para princípios. Usar ou não véu depende do quesignifica para a época ou sociedade atual". Além disso, é bom notar que 1Coríntios 11 começa lembrando aos leitores que as questões deautoridade, submissão e ordem no culto público deveriam ser tratadascom uma instrução apostólica (v.2). O parágrafo termina afirmando que"ser contencioso" (como algumas mulheres de Corinto) não era um"costume" apostólico, nem deveria ser em nenhuma "igreja de Deus"(v.16).Uma segunda passagem é encontrada no mesmo livro (1Co 14.33b-38),indicando uma seqüência dentro de um mesmo tema: a ordem no cultopúblico. "... Como em todas as igrejas dos santos. As vossas mulheresestejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; masestejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprenderalguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque évergonhoso que as mulheres falem na igreja" (vv. 33b-35).A frase, "não lhes é permitido falar", tem conotação de autoridade. Elaspodiam falar nos cultos, mas não de forma a parecerem insubmissas,como mostra o verso 34b. Paulo também cita "a lei", que é o AntigoTestamento. No contexto imediato, Paulo fala do julgamento dos profetasno culto (v. 29), o que envolveria certamente questionamentos, e mesmoa correção dos profetas por parte da igreja reunida. Para o professor de
  7. 7. Novo Testamento e autor reconhecido internacionalmente, Dr. D. A.Carson há aqui uma alusão à Criação que deve ser observadauniversalmente. Paulo está possivelmente proibindo que as mulheresquestionem ou ensinem os profetas em público. Certamente havia naigreja de Corinto um problema de arrogância jactanciosa por parte dealgumas mulheres.Assim como em 1Co 11.16, aqui também a determinação de Paulo estáde acordo com o espírito cristão em todas as demais igrejas (14.33b).Portanto, não é local. Sua ordem está conforme a "lei", (14.34b) edeveria ser entendida como um "mandamento do Senhor" e essemandamento seria prontamente reconhecido pelos "espirituais" (14.37).Mais uma vez o Dr. Carson lembra que existe uma seqüência lógicatratada por Paulo desde o capítulo 11 e todo o tempo o apóstolo tem deadvertir os coríntios que existe uma prática em todas as igrejas de Deusque deveria também ser observada por eles. Eles estavam tão orgulhososde suas revelações que já começaram a agir diferentemente do padrãocristão. "Por que eles deveriam ser diferentes?" pergunta Carson. Naprática os coríntios deveriam se portar como as demais igrejas (14.33b)e na teologia também (14.36), pois Deus não teria dado uma doutrinadiferente para aquela igreja em especial. Paulo, assim, não estariaestabelecendo um padrão apenas para aquela igreja, mas lembrando-lhede que ela deveria seguir um padrão já estabelecido em todas as demaisigrejas. O Dr. Russell Shedd, por sua vez, é muito objetivo ao comentaressa passagem. Para ele, "muitos dos abusos na igreja se devem àsmulheres, geralmente mais dominadas por experiências psíquicas".Carson acredita que essas instruções são "para o nosso bem".Uma terceira passagem é 1 Timóteo 2.11-15. Aqui vemos a palavra dePaulo para que "a mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição". Aordem apostólica não permite "que a mulher ensine, nem que exerçaautoridade sobre o homem" (vv. 11-12). O apóstolo escreveu parainstruir Timóteo a combater uma perigosa heresia que havia se infiltradona igreja de Éfeso. Os falsos mestres estavam ensinando que a práticaascética era um meio para se alcançar uma espiritualidade mais elevada.Insistiam na abstinência de certas comidas, do casamento e do sexo emgeral (1Tm 1.3-7; 4.1-3; 6.4-5; cf. 2Tm 2.14, 16-17, 23-24). Elestambém rejeitavam os papéis tradicionais das mulheres no casamento, eencorajavam-nas a reivindicar papéis iguais na igreja e no lar(2.15; 4.1-2; 5.14-15). O texto dá a entender que o ensino desses falsosmestres tinha como porta de entrada as mulheres (1Tm 5.12,15; cf. 2Tm3.6-7).A palavra "ensinar", em Timóteo, está relacionada com a frase "emposição de autoridade", no sentido restrito de instrução doutrináriaautoritativa, feita com o peso da autoridade oficial dos pastores (1Tm4.11; 6.2; 5.17). O leitor cuidadoso poderá fazer um estudo mais
  8. 8. profundo e comprovar pessoalmente isso. Mas, o que fica evidente,afinal, é que a atitude que o apóstolo exigia das mulheres cristãs deÉfeso era de submissão e silêncio quanto ao aprendizado da doutrina noculto público. Não seria lógico concluir que essa proibição de a mulherexercer autoridade sobre os homens exclui as mulheres do ofíciopastoral? De acordo com Paulo, o oficio pastoral está relacionadoessencialmente ao ato de governar e presidir a casa de Deus (1Tm3.4-5; 5.17). Não se limita a essa função, mas deve passar por ela.O contexto de 1 Timóteo 2.11-15 é a instrução de Paulo a Timóteoquanto ao culto público da igreja (1Tm 2.1-10). A instrução de Paulo aquitem força universal, como o próprio texto enfatiza. A ordem apostólica épara que os cristãos orem "por todos os homens" (2.1), por "todos osque se acham investidos de autoridade" (2.2), visto que Deus quer que"todos os homens sejam salvos" (2.4). Assim, os varões devem "orar emtodo lugar" (2.8). O ensino de Paulo, portanto, tem a ver com "todos oshomens... em todo lugar". (2.8).Há, ainda, uma disputa sobre os termos gregos gnuaiki e andros. Ocontexto parece muito mais indicado a explicar que a frase se refere a"mulher e homem" e não a "esposa e marido". Com isso o texto ensinaque a mulher não deveria "exercer autoridade sobre um homem" (NVI,RA, etc). Alguns acreditam que se uma mulher estiver em perfeitasubmissão ao seu próprio marido, então ela está autorizada a ensinaroutros homens. Mais uma vez, essa seria uma análise precipitada e,possivelmente, descontextualizada. Douglas Moo (professor de NovoTestamento e conhecido autor), acredita que Paulo autoriza "mulherensinar outra mulher", com base em Tito 2.3-4, mas "as proíbe deensinar homens". Para o professor, nas epístolas pastorais, as atividadesde governo (na igreja) são atribuídas a presbíteros. Claramente, então, aproibição de Paulo de que uma mulher exerça autoridade sobre umhomem exclui a mulher de se tornar líder no sentido em que esse ofício édescrito por ele. Desta forma, Moo conclui que uma mulher estariaimpedida de ocupar qualquer função em uma igreja que seja equivalenteao ofício de governo eclesiástico descrito por Paulo. Para ele essaconclusão é perfeitamente aplicável em nossos dias, uma vez que oapóstolo tem em mente a Criação e as funções do homem e da mulherque advêm dela e não sua cultura particular.4. Conclusões e recomendaçõesTanto John Piper como Wayne Grudem acreditam que uma verdadeiraavalanche de material feminista desabou sobre o mundo e acabou poracertar a igreja também. Naturalmente não com a mesma má índole domundo. Muitos dentro da igreja têm defendido sua posição em prol daordenação feminina com as mais íntegras e honestas intenções. Comcerteza, no entanto, isso tem causado grande incerteza dentro da igreja,como uma neblina sobre um assunto específico, tirando a clareza de
  9. 9. quais papéis os homens e as mulheres devem exercer. Mas o fato é que amaioria dos evangélicos não tem aceitado essa posição, pois rejeitamaquilo que chamam de "o movimento feminista evangélico".Devemos encontrar uma resposta bíblica que traga o equilíbrio sadioentre homem e mulher, como pessoas distintas diante de Deus. Celebrara masculinidade e a feminilidade como presentes de Deus para um e paraoutro. Uma resposta que indique aos homens suas funções e posiçõescomo modelos aos filhos, resgatando sua masculinidade bíblica. Assimtambém as mulheres sabedoras de suas funções como modelos para suasfilhas, resgatando sua feminilidade bíblica. As distorções causadas pelopecado devem ser refutadas e, homem e mulher, devem ter um santoorgulho de serem o que são como dádiva de Deus ao mundo. WayneGrudem (principalmente conhecido por sua "Teologia Sistemática") estácerto quando comenta o texto de 1 Pedro 3.1-7 e faz o alerta de que estámais do que na hora das "mulheres serem como Sara e os homenshonrá-las assim". O assunto da ordenação feminina pode ter como raiz adistorção dos papéis inicialmente concedidos por Deus a homens emulheres.É evidente que há elementos no Novo Testamento que pertencem àcultura do século I. A função do exegeta é descobrir nelas o princípiopermanente para então aplicá-lo no contexto contemporâneo. É a ponteconstruída entre o mundo bíblico e o mundo atual. As passagens de 1Coríntios 11.2-16, 14.34-35 e 1 Timóteo 2.11-12 têm um princípiopermanente para que se mantenham distintamente os papéis inerentesao homem e à mulher na igreja e na família. Assim, não devemosinverter os papéis. A mulher não deve ocupar posição de autoridadesobre os homens, mas deve observar de maneira análoga seu papelcomo o da Igreja, que está submissa ao Senhor. Ela tem liberdade, usaseus dons e talentos e ainda tem suas preferências, mas, em últimaanálise, deve ouvir ao Senhor.Definitivamente Paulo não instrui sobre esse assunto tendo como baseconsiderações condicionadas culturalmente. Seu apoio é basicamentefeito de princípios inerentes à própria humanidade, enraizados naCriação. Ele sempre apela às Escrituras (Antigo Testamento),demonstrando que a origem dos papéis próprios do homem e da mulhernão estão fundamentados nas questões transitórias das igrejas e muitomenos em algum aspecto cultural, mas teológico, que envolve Deus e aCriação. É bem provável que o mundo dos apóstolos estava distantecerca de 4 mil anos do evento da Criação. Talvez alguém pudesse alegarque os tempos haviam mudado e o cristianismo deveria estabelecernovos critérios culturais, mas o apelo dos apóstolos às Escrituras mostraque havia um princípio permanente estabelecido por Deus quetranscendia as épocas.
  10. 10. Assim, é difícil encontrar respaldo bíblico explícito e suficiente para quese recebam mulheres ao pastorado, onde irão presidir, governar, eensinar doutrina aos homens. Por isso, nenhuma autoridadecontemporânea pode criar seus argumentos a partir das mudançassociais para ir além da Escritura ou ainda contradizê-la. É necessáriogrande temor no coração para não cair em alguma falácia. É verdade quemuitas mulheres exerceram papel importante na vida de Cristo (como emLucas 8) e dos apóstolos, como, Priscila (Atos 18.2; Rm 16.3-5); Maria(Rm 16.6); Trifena, Trifosa e Pérside (Rm 16.12); Febe (Rm 16.1),Evódia e Sínteque (Fp 4.2-3), et alii, mas a Bíblia nada fala sobre serempastoras. Cada igreja local deve, portanto, analisar com critério o papelda mulher no ministério, dando a ela honra, respeito e espaço paraexercer seus dons. Há muito trabalho preparado por Deus que pode edeve ser feito por mulheres piedosas. O Senhor as capacitou e a históriatem dado demonstração abundante dessa verdade.Todo esse trabalhopode ser feito, com o digno sustento, inclusive, mas é precário afirmar ouinsistir que deva ser oficializado com um título que carece de mais apoioescriturístico.5. ReferênciasGrudem, Wayne: Teologia SistemáticaKeener, Graig S.: Paul, Women & WivesLopes, Augustus Nicodemus: O que o Novo Testamento Fala sobreOrdenação Feminina.Piper, John: Recovering Biblical Manhood and Womanhood.Shedd, Russell P.: A Bíblia Shedd. Vida Nova.* Jaime Augusto Cisterna é pastor batista, pastoreando atualmente aIgreja Batista Mineira de Belo Horizonte - MG.FONTE: http://www.luz.eti.br/cr_ordenacaomulheres-cist.html

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