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                                        Uso da prótese vertical expansível de titânio...
Uso da prótese vertical expansível de titânio para costela (VEPTR) como opção na instrumentação sem fusão para tratamento ...
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Método Veptr - Cirurgia de escoliose

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VEPTR, uma nova técnica de cirurgia de escoliose!

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Método Veptr - Cirurgia de escoliose

  1. 1. ARTigo oRiginAL / oRiginAL ARTiCLE Uso da prótese vertical expansível de titânio para costela (VEPTR) como opção na instrumentação sem fusão para tratamento da escoliose neuromuscular The vertical expandable prosthetic titanium rib device (VEPTR) as option in spine instrumentation without arthrodesis in the treatment of neuromuscular scoliosis Uso de la prótesis vertical expansible de titanio para costilla (VEPTR como opción en la instrumentación sin fusión para tratamiento de la escoliosis neuromuscular Élcio Landim1 Paulo Tadeu Maia Cavali2 Marcus Alexandre Mello Santos3 Wagner Pasqualini4 Rodrigo Castello Branco Manhães Boechat5 Sergio Murilo dos Santos Andrade6 RESUMo ABSTRACT RESUMEn Objetivo: demonstrar a experiência Objective: report results of vertical Objetivo: demostrar la experiencia del do uso de prótese vertical expansível expandable prosthetic titanium ribs uso de la prótesis vertical expansible de de titânio (VEPTR) como opção para (VEPTR) surgery in the treatment titanio (VEPTR) como opción, para el tratamento sem fusão da coluna, em of neuromuscular scoliosis without tratamiento sin fusión de la columna, en pacientes com escoliose neuromuscular. spinal fusion. Methods: a total of 17 pacientes con Escoliosis neuromuscular. Métodos: o estudo envolveu 17 pa- patients (mean age 8 years; 3 to 13 Métodos: el estudio involucró 17 pa- cientes (com média de idade de oito years) with neuromuscular scoliosis cientes (con promedio de edad de 8 anos; variando de três a 13 anos) que exceeding 40° of scoliosis measured años, variando de 3 a 13 años) que apresentavam escoliose neuromuscular using the Cobb method and presenting presentaron escoliosis neuromuscular com medida pelo método de Cobb, a Risser grade of 1 and 2 before VEPTR medida por el método de Cobb superior superior a 40° e potencial de crescimento surgery. The degree of spinal curve a 40° y potencial de crecimiento (Risser (Risser 1 e 2), tratados com VEPTR, was measured using the Coob method 1 y 2), tratados con VEPTR, por el pelo Grupo de Escoliose da AACD before and after surgery. Results: Grupo de Escoliosis de la AACD de de São Paulo e Grupo de Cirurgia da the postoperative mean correction São Paulo y el Grupo de Cirugía de la Trabalho realizado no Grupo de Escoliose da Associação de Assistência à Criança Deficiente - AACD- São Paulo (SP), Brasil e Serviço de Cirurgia da Coluna da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil. 1 Professor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil; Chefe do Grupo de Escoliose da Associação de Assistência à Criança Deficiente - AACD – São Paulo (SP), Brasil. 2 Cirurgião de Coluna do Grupo de Escoliose da Associação de Assistência à Criança Deficiente – AACD – São Paulo (SP), Brasil e Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil. 3 Cirurgião de Coluna do Grupo de Escoliose da Associação de Assistência à Criança Deficiente - AACD – São Paulo (SP), Brasil. 4 Cirurgião de Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil. 5 Ortopedista, Grupo de Cirurgia de Coluna - Hospital XV – Curitiba (PR), Brasil. 6 Cirurgião do Grupo de Coluna do HUPES – Universidade Federal da Bahia – Salvador (BA), Brasil. Não há conflitos de interesse. Recebido: 11/03/2007 Aprovado: 15/01/2008 COLUNA/COLUMNA. 2008;7(2):160-166 ao_52_160_166.indd 1 08-07-2008 18:14:52
  2. 2. Uso da prótese vertical expansível de titânio para costela (VEPTR) como opção na instrumentação sem fusão para tratamento de escoliose neuromuscular 161 coluna da Universidade Estadual de rate in spinal curve degrees achieved columna de la Universidad Estadual de Campinas. Foi realizada avaliação da by the patients treated with VEPTR Campinas. Fue realizada una evaluación curva pelo método de Cobb no pré e measured with the Coob method was de la curva por el método de Cobb en pós-operatório para avaliar o grau de 40, 5° and the mean reduction of the el pre y postoperatorio para evaluar correção. Resultados: as correções ob- pelvic obliquity was 60, 6° compared el grado de corrección. Resultados: tidas com o uso do VEPTR, medidas pelo to the degree of preoperatory postural las correcciones resultantes con el uso método de Cobb, foi em média de 40,5º evaluation. Conclusion: patients who del VEPTR, medidas por el método em relação à deformidade pré-operatória underwentVEPTRsurgerydemonstrated de Cobb fue en promedio de 40.5º en e, uma diminuição média, de 60,6º na significantly improved postural correc- relación a la deformidad preoperatorio obliqüidade pélvica. Conclusão: o mé- tion and health-related quality of life for y una disminución promedio de 60.6º en todo mostrou-se útil, com correções the provisory treatment of congenital la oblicuidad pélvica. Conclusión: el significativas, no tratamento provisório neuromuscular scoliosis. método se mostró útil, con correcciones das Escolioses neuromusculares. significativas, en el tratamiento provisorio de las Escoliosis neuromusculares. DESCRITORES: Escoliose/ KEYWORDS: Scoliosis/therapy; DESCRIPTORES: Escoliosis/ terapia; Fusão vertebral/ Spinal fusion/methods; Spinal terapía; Fusión vertebral/ métodos; Fusão vertebral/ fusion/instrumentation; métodos; Fusión vertebral/ instrumentação; Próteses e Prostheses and implants instrumentación; Prótesis e implantes implantes inTRoDUÇÃo Porém, é uma modalidade de tratamento que apresenta A escoliose neuromuscular acomete um grupo particular de riscos, os quais estão ligados à morbidade da cirurgia e pacientes, que, devido suas doenças de base, apresentam risco anestésico5-6. Além disso, os estudos de Campbell2 deformidades vertebrais de comportamento distinto da indicam que uma artrodese espinhal, em crianças de até escoliose idiopática. A progressão é freqüente e precoce, 5 anos de idade, comprometem a capacidade pulmonar ao com curvaturas que pioram mesmo após a maturidade final do crescimento em torno de 50%. esquelética. Deixados sem tratamento, esses pacientes são A cirurgia de correção de escoliose sem fusão muito prejudicados, apresentando diminuição de seu nível pode oferecer vantagens que não são conseguidas nos funcional e disfunção respiratória1. tratamentos convencionais, com o objetivo de interromper Estudos mais recentes têm demonstrado que o a progressão da doença e permitindo o crescimento da encurtamento do tronco e a hipoplasia da caixa torácica coluna. Trata-se de um princípio de tratamento que pode não são as únicas conseqüências das deformidades de ser realizado de diferentes modos, incluindo: grampos de coluna severas que acometem as crianças com menos inserção endoscópica, plicaturas nas convexidades das de dez anos de idade. Sabe-se que o crescimento dos curvas e modulação do crescimento. Tais sistemas foram pulmões é determinado pelos limites anatômicos do tórax bem demonstrados em estudos experimentais7-9. e, portanto, qualquer deformidade da caixa torácica ou da A estabilização da coluna vertebral sem fusão, aplicada coluna torácica, que reduza o volume do tórax, pode afetar em pacientes, foi inicialmente descrita por Harrington10 o tamanho dos pulmões na maturidade. A diminuição e apresentou resultados precários devido à fusão parcial volumétrica do parênquima pulmonar também significa resultante da dissecção subperiosteal da musculatura redução da quantidade de alvéolos, que, ao longo dos anos, paravertebral, por ocasião do acesso cirúrgico à coluna levará à Síndrome de Insuficiência Torácica e óbito por cor vertebral. A ausência de suporte externo protegendo pulmonale2. as hastes nessa técnica descrita também provocava A escoliose é uma deformidade complexa e tridi- deslocamento dos ganchos e quebras nas hastes, levando à mensional da coluna que pode ser tratada com órteses falha do procedimento. (coletes) ou cirurgia com fusão espinhal para evitar a Relatos e descrições de outros autores sugeriam a progressão da deformidade3-4. O tratamento conservador utilidade desta técnica em pacientes menores de dez anos com órtese não é invasivo e mantém o movimento da coluna de idade, com graves deformidades vertebrais, que não e sua mobilidade. Entretanto, não permite a correção das respondiam ao tratamento conservador com órteses e ainda curvas e previne, modestamente, a sua progressão, sendo muito jovens para serem submetidos à artrodese de coluna ainda menos efetivo nas deformidades neuromusculares vertebral11-12. e oferecendo riscos, inclusive, como lesões cutâneas em Esse princípio de tratamento cirúrgico mostrou-se útil crianças com déficit de sensibilidade. nas deformidades espinhais de etiologia neuromuscular e O tratamento cirúrgico das escolioses, baseado na congênita acometendo crianças de baixa idade. instrumentação da coluna e fusão, permite a adequada A fim de tratar pacientes com escoliose congênita em correção da deformidade e prevenção de progressão. baixa idade e restrição do desenvolvimento do tórax em COLUNA/COLUMNA. 2008;7(2):160-166 ao_52_160_166.indd 2 08-07-2008 18:14:52
  3. 3. 162 Landim E, Cavali PTM, Santos MAM, Pasqualini W, Boechat RCBM, Andrade SMS virtude da deformidade e de fusão de arcos costais foi ilíaco (Figura 1). O pós-operatório imediato foi realizado em desenvolvido o dispositivo Vertical Expandable Prosthetic unidade de terapia intensiva com fisioterapia respiratória. Titanium Rib (VEPTR), (Synthes Spine Co®., West Chester, Em todos os pacientes foi feita profilaxia antibiótica com Pennsylvania, USA) ou Prótese Vertical Expansível de Cefalotina 100 mg/kg/dia por 48 horas e Amicacina 15mg/ Titânio. Tal implante permite a estabilização indireta kg/dia por 24 horas. Os alongamentos do sistema foram de deformidades espinhais sem artrodese, com fixação realizados a cada quatro meses, também em ambiente nas costelas, lâminas e pelve, permitindo até mesmo hospitalar, sob anestesia geral e com 48 horas de profilaxia alongamentos. antibiótica. Em nenhum paciente foi utilizada proteção Campbell2 sugere a aplicação do VEPTR em externa ou órtese no pós-operatório da cirurgia primária deformidades espinhais neuromusculares em crianças, ou distrações. Todos mantiveram seu programa habitual de funcionando como uma instrumentação indireta da reabilitação, apenas não sendo recomendados exercícios coluna, sem artrodese13. Hell et al. trataram seis pacientes que envolvessem flexão do tronco. As transferências dos demonstrando bons resultados na aplicação do VEPTR em pacientes de leito, cadeiras, ou deambulação foram mantidos escoliose neuromuscular14. da maneira habitual após a colocação do VEPTR. A cada No presente estudo, o objetivo é demonstrar a quatro meses era realizado alongamento do sistema com os experiência inicial do uso do VEPTR como um tutor pacientes internados, a fim de obter melhora das correções interno para o tratamento de escoliose sem fusão espinhal obtidas ou evitar sua piora (Figura 2). em crianças portadoras de doenças neuromusculares. MÉToDoS De Janeiro de 2005 a Maio de 2006, foram tratados pelo Grupo de Escoliose da AACD de São Paulo e Grupo de Cirurgia de Coluna da Universidade Estadual de Campinas, 31 pacientes portadores de deformidade espi-nhal com o VEPTR (dispositivo em seu desenho de quarta geração, desenvolvido pela Synthes Spine®, West Chester, Pennsylvania). Nesse estudo, foram incluídos 17 casos que preencheram os critérios: deformidades com Cobb superior a 40º ou escoliose neuromuscular progres- Figura 1 Figura 2 siva documentada; imaturidade esquelética (Risser Montagem habitualmente Alongamento do sistema realizada na concavidade da menor que 2); pacientes com insuficiência respiratória escoliose Fonte: Campbell RM Jr et al.2 associada e comprovada clinicamente ou por exames laboratoriais (gasometria, provas de função pulmonar) Fonte: Campbell RM Jr et al.2 ou de imagem (tomografia de tórax indicando reduzido espaço pulmonar). Excluiu-se pacientes com defor- midades graves no plano sagital. RESULTADoS Do total de 17 pacientes, seis eram do sexo masculino Avaliação pré-operatória e pós-operatória e 11 do sexo feminino. A média de idade encontrada no Os dados a serem obtidos incluíram idade, tipo de doença grupo foi de oito anos, variando de 3 a 13 anos. As doenças neuromuscular, magnitude da deformidade pelo método de neuromusculares encontradas incluíram: mielomeningocele Cobb, flexibilidade da curva, obliqüidade pélvica, freqüência torácica, mielomeningocele lombar, paralisia cerebral, de infecções respiratórias graves, dificuldade respiratória artrogripose e mielite transversa (Tabela 1). prévia à cirurgia, necessidade de suporte ventilatório, valor Com relação a doenças respiratórias secundárias às da correção obtido após a primeira cirurgia e nas sucessivas patologias neuromusculares primárias, observou-se dois distrações do sistema, melhorias no padrão respiratório após casos de pacientes com dispnéia e infecções respiratórias cirurgia e complicações ocorridas com o dispositivo. O graves repetidas, que necessitavam de máscara de O2 tempo de seguimento mínimo foi de oito meses. constante. Em um caso, a doença de base era mielite As avaliações pré-operatória, pós-operatória imediata transversa e, em outro, paralisia cerebral. e pós-operatória tardia das deformidades de coluna foram A média dos valores de Cobb encontrada foi de 80o realizadas com radiografias para escoliose, em duas posições variando de 40º a 147º. O valor médio de Cobb obtido (frente e lateral), em posição ortostática ou sentada, como nas radiografias em tração foi de 61,3º com variação de de habitual no exame das deformidades vertebrais. 30º a 105º Em média, portanto, a flexibilidade das curvas foi de 23,4% e as variações de Cobb sem tração e com Técnica cirúrgica tração podem ser verificadas no Gráfico 1 e Tabela 1. Onze Todos os pacientes foram submetidos à cirurgia sob anestesia geral pacientes apresentavam obliqüidade pélvica, com média inalatória com colocação do VEPTR com uma ou duas hastes, de 24,1º (12º - 50º), conforme exemplo do paciente 16 em montagens com fixações do tipo costela-costela ou Costela- (Figuras 3 e 4). COLUNA/COLUMNA. 2008;7(2):160-166 ao_52_160_166.indd 3 08-07-2008 18:14:53
  4. 4. Uso da prótese vertical expansível de titânio para costela (VEPTR) como opção na instrumentação sem fusão para tratamento de escoliose neuromuscular 163 gráfico 1 - Variação do Cobb raio-X ortostático e raio-X sob tração Tabela 1 – Variação de Cobb e obliqüidade pélvica Caso e idade Cobb Cobb Cobb Cobb 1ª. obliqüidade obliqüidade doença inicial r-X Pós-op Alongamento pélvica inicial pélvica final tração ou retirada (1) Mielo torácica 6 76º (T11-L3) 30º 40º 65º 15º 15º 40º (T2-T11) 30º 30º 40º (retirada) (2)Mielo torácica 13 147º (T4-L2) 105º 110º 140º (retirada) 50º 12º (3)Paralisia cerebral 7 65º (T5-L4) 50º 50º - - - (4)Paralisia cerebral 7 73º (T9-L5) 35º 38º 35º 28º 16º (5)Mielo lombar 9 65º (T10-L5) 60º 55º 50º 22º 14º 48º (T1-T10) 50º 50º 48º (6)Mielo torácica 11 72º (T6-L4) 50º 48º 55º 22º 14º (7)Mielo torácica 9 72 (T10-L5) 60º 68º 65º 22º 0º 48 (T1-T10) 45º 50º 50º (8)Paralisia cerebral 4 57º (T8-L5) 35º 25º - - - (9)Mielo lombar 10 52º (T2-T11) 30º 21º - 30º 0º (10)Mielo torácica 12 80º (T7-L4) 37º 50º 45º 12º 4º (11)Artrogripose 10 100º (T7-L4) 60º 55º 55º - - (12)Mielo torácica 13 103º(T5-L4) 87º 78º 78º (13)Mielite transversa 8 108º(T4-L5) 47º 30º 28º - - (14)Mielo torácica 7 52º (T8-L4) 43º 48º 28º 22º 12º (15)Mielo torácica 10 63º (T5-T10) 60º 45º 40º 18º 10º (16)Mielo torácica 3 95º(T6-L4) 45º 35º - 45º 20º (17)Paralisia cerebral 11 50º (T4-L2) 30º 26º - - - Fonte: Hospital Abreu Sodré – AACD – Hospital as Clínicas da UNICAMP COLUNA/COLUMNA. 2008;7(2):160-166 ao_52_160_166.indd 4 08-07-2008 18:14:54
  5. 5. 164 Landim E, Cavali PTM, Santos MAM, Pasqualini W, Boechat RCBM, Andrade SMS Figura 5 Paciente# 16, masculino, três anos de idade, mielomeningocele. Pós-operatório imediato, realizadas duas montagens com o VEPTR tipo costela-ilíaco corrigindo, significativamente, a deformidade espinhal e a obliqüidade pélvica. O paciente apresentou melhora no equilíbrio de tronco e habilidade para sentar Figura 3 Figura 4 Paciente # 16, masculino, Paciente # 16, masculino, três anos de idade, três anos de idade, mielomeningocele. Valor do mielomeningocele. Observar ângulo de Cobb 95º que no plano sagital do (45º sob tração) paciente não apresenta curvaturas acentuadas Os valores de Cobb, obtidos com o uso do sistema em radiografias de controle no pós-operatório imediato, corresponderam em média a um ângulo de 47,6º (21º a 110º), perfazendo uma correção média de 32,4º ou de 40,5% em relação à deformidade original e em alguns casos com uma correção superior, como exemplo do paciente 16 (Figuras 5 e 6). Cada caso pode ter sua correção imediata e tardia (primeiro alongamento) Figura 6 avaliado no Gráfico 2. Os valores angulares no pós- Paciente # 16, masculino, operatório imediato aproximaram-se dos valores das três anos de idade, radiografias com tração na maioria dos casos, havendo mielomeningocele. A imagem tendência à diminuição do potencial de correção das demonstra o posicionamento curvas em fase tardia e no primeiro alongamento com dos dispositivos no perfil quatro meses. As complicações incluíram infecção profunda em três pacientes, sendo que todos os pacientes foram tratados gráfico 2 - Variação do Cobb no pré-operatório, r-X sob tração, pós- em regime hospitalar com operatório imeiato e pós-operatório tardio antibioticoterapia endove- nosa e desbridamento da ferida no centro cirúrgico. Em dois casos não houve resolução do quadro e ocorreu exposição do im-plante, que foi retirado com resolução da infecção, sendo optado aguardar pa- ra realizar fusão espinhal definitiva. O terceiro paci- ente com infecção também apresentou exposição do implante, que foi resolvido com procedimento de ci- rurgia plástica de rotação de retalho miocutâneo. Outra complicação foi a fratura de costela no ponto de inserção da parte proximal COLUNA/COLUMNA. 2008;7(2):160-166 ao_52_160_166.indd 5 08-07-2008 18:14:56
  6. 6. Uso da prótese vertical expansível de titânio para costela (VEPTR) como opção na instrumentação sem fusão para tratamento de escoliose neuromuscular 165 do dispositivo. Ocorreu na primeira semana de pós- de alongamento com acesso limitado ao ponto de distração operatório com paciente apresentando dor intensa em do implante. As distrações eram realizadas enquanto região posterior da costela e perda da correção obtida. fosse necessário até o crescimento do tronco do paciente Houve necessidade de reintervenção com colocação do e maturidade esquelética, quando, então, era realizada a gancho de costela do dispositivo em arco costal mais fusão espinhal definitiva. Muitos casos evoluíram com proximal e resistente, havendo boa evolução. Os casos fusão espinhal espontânea devido à desperiostização e, em que houve remoção do implante correspondem além de ser freqüente a soltura dos ganchos nos pontos ao paciente # 1 e ao paciente # 2, e as deformidades distais da instrumentação e de infecções10. Outros retornaram aos valores iniciais, antes das intervenções. estudos demonstraram o elevado índice de complicações A taxa de complicação observada foi, portanto, de com quebra dos implantes e soltura em 15 casos de 16 23,5%. pacientes operados (93,75%) e que foram acompanhados por dois anos. A freqüência de infecção atingiu 25% dos DiSCUSSÃo casos tratados15. Estudos já demonstraram a aplicação do VEPTR na As desvantagens do VEPTR incluem a baixa capa- Síndrome de Jarcho-Levin, que envolve escoliose congênita cidade do implante de se moldar em contornos sagitais e fusão de costelas e que as distrações na concavidade exagerados, contra-indicando o seu uso nesses casos, por das curvas produziam crescimento de barras ósseas (não impossibilidade técnica. A desperiostização da costela segmentadas). Logo, sua indicação em deformidades também deve ser evitada, pois isso facilita a fratura da congênitas é bem fundamentada12-13. costela onde se prendem os ganchos. Nessa série, um caso O sistema VEPTR também encontrou sua aplicação como sofreu fratura de costela com necessidade de reintervenção tutor interno no tratamento da escoliose neuromuscular14. na primeira semana de pós-operatório, não prejudicando o Experiências recentes em pacientes portadores de doenças grau de correção obtido. neuromusculares foram publicadas, com casuística de Os resultados prévios da aplicação do método foram seis pacientes, demonstrando que o tratamento com esse satisfatórios, uma vez que se obteve uma correção média implante provocava melhorias significativas dos valores de 40,5% nas deformidades, superando os valores obtidos angulares das deformidades e da habilidade de sentar nas radiografias sob tração. Houve também melhora média desses pacientes14. de 60,6% na obliqüidade pélvica, que resultou numa Nos 17 pacientes do presente estudo, as correções melhoria da habilidade de sentar de todos os pacientes. As obtidas no primeiro pós-operatório foram semelhantes correções obtidas nas cirurgias tardias para alongamento ou superiores aos valores angulares nas radiografias do sistema foram menos significativas, podendo indicar com tração na maior parte dos casos, ou seja, treze que as curvas estão próximas do limite de correção sem deles. Todos esses pacientes apresentaram melhora na a intervenção direta na coluna vertebral. Cada caso pode habilidade de sentar obtendo-se resultados semelhantes ter sua correção imediata e tardia (primeiro alongamento) à literatura14. Os casos que apresentaram piora nas avaliada no Gráfico 2. Os valores angulares no pós- deformidades angulares na evolução tardia se explicam operatório imediato superaram, portanto, os valores das pela remoção das montagens devido quadros de infecção radiografias sob tração na maioria dos casos, havendo local sem resposta ao tratamento. Casos onde a correção tendência à diminuição do potencial de correção das obtida não foi semelhante ou superior aos valores de curvas em fases de alongamento, que permaneceram radiografias com tração podem ser explicados pela curva numa média de Cobb de 54,8º, valor próximo ao obtido de aprendizado da técnica. Essas variações podem ser na primeira cirurgia. vistas no Gráfico 2. A taxa global de complicações no presente estudo é Vantagens observadas nesta técnica, em relação às de 23,5%, incluindo três casos com infecção e um caso demais formas de insturmentação sem fusão, incluíram com fratura da costela proximal em que se fixava o o acesso paravertebral sem desperiostização da coluna, dispositivo. Campbell2 apresenta 27 pacientes em uso do o que, em crianças, por si só, produzia fusão espinhal. A VEPTR com seguimento mínimo de três anos havendo técnica também é pouco invasiva, leva a sangramento não 1,9% de infecção em média nos seus procedimentos significativo e permite a realização das distrações por meio cirúrgicos. Entretanto, o referido autor apresentou apenas de pequeno acesso, apenas sobre uma parte do dispositivo. cinco pacientes sem nenhum tipo de complicação e a mais Além disso, em nenhum momento há a necessidade de uso comum foi a soltura do gancho fixo à costela proximal. de órtese ou algum outro tipo de suporte externo. Neste estudo, houve um menor índice de soltura do A técnica de instrumentação sem fusão de Harrington, implante por fratura de costela, provavelmente devido ao Marchetti et al. e Moe et al.10-12 envolvia a dissecção fato de o tempo de seguimento ser restrito a oito meses. subperiostal nas vértebras da extremidade da curva, Os maiores índices de infecção desse estudo podem com colocação de ganchos. A haste para unir esses dois ser explicados pelo perfil de pacientes, uma vez que os ganchos era inserida no subcutâneo. O paciente era portadores de mielomeningocele são sabidamente um mantido em alguma imobilização externa e em intervalos grupo que apresenta maior risco de desenvolver infecções de quatro ou seis meses era realizado novo procedimento pós-operatórias. COLUNA/COLUMNA. 2008;7(2):160-166 ao_52_160_166.indd 6 08-07-2008 18:14:56
  7. 7. 166 Landim E, Cavali PTM, Santos MAM, Pasqualini W, Boechat RCBM, Andrade SMS ConCLUSÃo O VEPTR mostrou-se útil no tratamento provisório das escolioses neuromusculares e na função de um tutor interno temporário. Correções significativas foram obtidas com cirurgia de baixa morbidade e sustentadas por período de oito meses. Estudos futuros com maior amostragem e maior tempo de seguimento poderão demonstrar a aplicação do sistema por tempo prolongado, até a maturidade esquelética. REFERÊnCiAS 1.Moe J, Byrd J. Idiopathic scoliosis. treatment of patients with adolescent 14. Hell AK, Campbell RM, Hefti F. In: Bradford DS, Lonstein J, Moe J, idiopathic scoliosis: a feasibility, The vertical expandable prosthetic Ogilvie J, Winter R, editors. Moe’s safety, and utility study. Spine. 2003; titanium rib implant for the treatment textbook of scoliosis and other spinal 28(20):S255-65. of thoracic insufficiency syndrome deformities. 2nd ed. Philadelphia: 8. Newton PO, Fricka KB, Lee SS, associated with congenital and Saunders; 1987. p 191-232. Farnsworth CL, Cox TG, Mahar AT. neuromuscular scoliosis in young 2. Campbell RM Jr, Smith MD, Mayes Asymmetrical flexible tethering of children. J Pediatr Orthop B. 2005; TC, Mangos JA, Willey-Courand DB, spine growth in an immature bovine 14(4):287-93. Kose N, et al. The effect of opening model. Spine. 2002; 27(7):689-93. 15. Eberle CF. Failure of fixation after wedge thoracostomy on thoracic 9. Braun JT, Ogilvie JW, Akyuz E, spinal instrumentation without insufficiency syndrome associated Brodke DS, Bachus KN. Fusionless arthrodesis in the management of with fused ribs and congenital scoliosis correction using a shape paralytic scoliosis. J Bone Joint Surg scoliosis. J Bone Joint Surg Am. 2004; memory alloy staple in the anterior Am. 1988; 70(5):696-703. 86-A(8):1659-74. thoracic spine of the immature goat. 3. Dickson R. Early-onset idiopathic Spine. 2004; 29(18):1980-9. scoliosis. In: Weinstein S, editor. 10. Harrington PR. Treatment of scoliosis. The pediatric spine: principles and Correction and internal fixation by practice. New York: Raven Press; spine instrumentation. J Bone Joint 1994. p 421-9. Surg Am. 1962; 44-A:591-610. 4. Roach J. Adolescent idiopathic 11. Marchetti PG, Faldini A. End fusions scoliosis: nonsurgical treatment. In: in the treatment of some progressing Weinstein S, editor. The pediatric or severe scoliosis in childhood or spine: principles and practice. New early adolescence. Orthop Trans. York: Raven Press; 1994. p 497-510. 1978; 2:271. 5. Bridwell KH. Surgical treatment of 12. Moe JH, Kharrat K, Winter idiopathic adolescent scoliosis. Spine. RB, Cummine JL. Harrington 1999; 24(24):2607-16. Review. instrumentation without fusion Correspondência 6. Kaneda K, Fujiya N, Satoh S. Results plus external orthotic support for with Zielke instrumentation for the treatment of difficult curvature Sérgio Murilo dos Santos Andrade idiopathic thoracolumbar and lumbar problems in young children. Clin Rua Conde Filho, 238 Apto 101 scoliosis. Clin Orthop Relat Res. Orthop Rel Res. 1984; (185):35-45. Salvador (BA), Brasil. 1986; (205):195-203. 13. Campbell RM Jr, Hell-Vocke AK. 7. Betz RR, Kim J, D’Andrea LP, Growth of the thoracic spine in CEP 40150-150 Mulcahey MJ, Balsara RK, Clements congenital scoliosis after expansion Tel + 55 71 3235 7720 DH. An innovative technique of thoracoplasty. J Bone Joint Surg Am. vertebral body stapling for the 2003; 85-A(3):409-20. E-mail: murilo_ssa@yahoo.com COLUNA/COLUMNA. 2008;7(2):160-166 ao_52_160_166.indd 7 08-07-2008 18:14:56

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