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Projecto Curricular

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Projecto Curricular da Sala Laranja

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Projecto Curricular

  1. 1. PROJECTO CURRICULAR Ano Lectivo 2011/2012
  2. 2. INDÍCE • INDÍCE • INTRODUÇÃO • CARACTERIZAÇÃO DO PRÉ-ESCOLAR • PRINCÍPIO GERAL E OBJECTIVOS PEDAGÓGICOS ENUNCIADOS NA LEI - QUADRO DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR • ÁREAS DE CONTEÚDO • ÁREA DE FORMAÇÃO PESSOAL E SOCIAL • ÁREA DE EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO - Domínio da Expressão Motora - Domínio da Expressão Dramática - Domínio da Expressão Musical - Domínio da Expressão Plástica - Domínio da Linguagem Oral e Abordagem á Escrita - Domínio do Raciocínio Lógico Matemático • ÁREA DO CONHECIMENTO DO MUNDO • ORGANIZAÇÃO DO GRUPO • ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO - Áreas de Trabalho • ORGANIZAÇÃO DO TEMPO • RELAÇÃOS COM AS FAMÍLIAS • BIBLIOGRAFIA • ANEXO
  3. 3. INTRODUÇÃO O Projecto Curricular pretende ser um instrumento de trabalho, um programaflexível, geral e abrangente, uma vez que permite fundamentar a intencionalidadeeducativa do Educador através de diversas opções educativas. Assume-se como umaproposta de acções instrutivas, ou seja, uma previsão de núcleos deaprendizagem/objectivos comportamentais que tencionamos desenvolver e ao mesmotempo, uma estrutura de referência da prática pedagógica. Esta proposta servirá deponto de partida para o desenvolvimento de todas as actividades e dos projectoslúdicos que surjam na sala ao longo do ano. As metodologias de trabalho que sustentam este Projecto Curricular estãodescritas no Projecto Educativos desta Instituição. O Projecto Curricular deve ser umcurrículo emergente onde vão sendo acrescentados objectivos e actividades à medidadas necessidades das crianças, bem como, tudo o que envolve o projecto, o trabalhode sala, o trabalho com a família, entre outros. Na entrada da sala estará afixada a planificação semanal. O Projecto Curricular não quer centrar-se na preparação da escolaridadeobrigatória, mas garantir às crianças um contacto com a cultura e os instrumentos quelhes vão ser úteis para continuar a aprender ao longo da vida. “Mais do que preparar as crianças para uma dada sociedade, o problema será,então, fornecer-lhes constantemente forças e referências intelectuais que lhespermitam conhecer o mundo que os rodeia e comportar-se nele como actoresresponsáveis e justos. Mais do que nunca a educação parece ter, como papelessencial, conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensamento,discernimento, sentimento e imaginação de que necessitam para desenvolver os seustalentos e permanecerem, tanto quanto possível, donos do seu próprio destino”(Delors J., et al, 1996: 86).
  4. 4. CARACTERIZAÇÃO DO PRÉ-ESCOLAR A educação Pré-Escolar é a 1ª etapa do Sistema Educativo Português eantecede a escolaridade obrigatória, fixada presentemente em nove anos. De frequência facultativa, abrange as crianças a partir dos três anos até àidade de entrada no Ensino Básico. A educação Pré-Escolar é o ponto de partida paraum percurso de sucesso em educação. A sua frequência tem reflexos positivos na vidafutura do cidadão. O Jardim de Infância, é um espaço educativo pensado e organizadoem função das crianças e adequado às actividades que nele se desenvolvem. Esteoferece condições que permitem à criança descobrir e relacionar-se com o mundo àsua volta. No Jardim de Infância, o espaço é essencialmente caracterizado por: umambiente alegre, colorido e acolhedor; diferentes áreas de actividades; materiais eequipamentos diversos, onde as crianças participam activamente na sua construção eorganização. O ambiente que aqui se vive é fruto da relação entre as crianças, oEducador, o pessoal de apoio educativo e o meio envolvente. Sendo assim, oEducador de Infância responsável pela intervenção pedagógica, planifica a acçãoeducativa tendo em atenção o grupo de crianças e o seu meio familiar e social. As actividades que se realizam no Jardim de Infância são múltiplas e variadascom elas a criança adquire e consolida conhecimentos que se vão construindo no dia-a-dia. Essas actividades podem ser propostas pelo Educador, escolhidas pela criançaou acordada entre ambos. Consoante os espaços e os objectivos do trabalho a criançarealiza as actividades sozinha, em pequeno ou grande grupo, tendo a oportunidade(mais em actividades individuais) de fazer as actividades ao seu tempo e ritmo.Espontaneamente, a criança com as actividades que realiza faz as suas descobertas eadquire o gosto pelo saber, ajudada pelo educador ela procura saber e conhecer maisas coisas que a rodeiam. 6
  5. 5. PRINCÍPO GERAL E OBJECTIVOS PEDAGÓGICOS ENUNCIADOS NA LEI-QUADRO DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR A Lei-Quadro da educação Pré-Escolar estabelece como princípio geral que aeducação Pré-Escolar é a primeira etapa da educação básica no processo deeducação ao longo da vida, sendo complementar da acção educativa da família, com aqual deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimentoequilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como serautónomo, livre e solidário. Este princípio fundamenta todo o articulado da lei e dele decorrem osobjectivos gerais definidos para a educação pré-escolar (Lei Quadro da Educação Pré-escolar - Lei nº 5/97): • Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências de vida democrática numa perspectiva de educação para a cidadania; • Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência como membro da sociedade; • Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso da aprendizagem; • Estimular o desenvolvimento global da criança, nos âmbitos motor, cognitivo e afectivo, no respeito pelas suas características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens significativas e diferenciadas; • Desenvolver a expressão e a comunicação através de linguagens múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo; • Despertar a curiosidade e o pensamento crítico; • Proporcionar à criança ocasiões de bem-estar e de segurança, nomeadamente no âmbito da saúde individual e colectiva; • Proceder à despistagem de inadaptações deficiências ou precocidades e promover a melhor orientação e encaminhamento da criança; 7
  6. 6. • Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efectiva colaboração com a comunidade. Estes grandes objectivos constituem para os educadores pontos de referênciapara delinearem os princípios pedagógicos que devem sustentar os projectoscurriculares de grupo e que devem ter em conta: A pessoa integrada, activa, geradora de informação e capaz de se auto- construir, interactivamente com o meio, sendo esta o eixo e o fundamento da educação; O meio como o factor que possibilita a acção educativa; A acção educativa que deve ser global e auto-estruturante, pelo que deve situar-se entre o estado evolutivo da criança e o meio em que esta se desenvolve; Os agentes educativos pessoais (pais, educadores) e instrumentais (família, jardim de infância e meio) que estão ao serviço da criança, daí o seu trabalho conjunto; O processo educativo, enquanto orientado para a consecução dos objectivos delineados, deve guiar e potenciar os processos de amadurecimento, de evolução e desenvolvimento das crianças; O jogo como o recurso, eixo essencial da acção educativa nesta etapa; A integração teórico-prática como o meio ou instrumento que torna possível o progresso qualitativo da acção pedagógica. Desta forma a organização educativa e curricular do Jardim-de-Infância nãodeverá ser feita em função da escolaridade obrigatória, mas deverá proporcionar àscrianças condições para que obtenham sucesso na etapa seguinte. Por isso, o papeldas áreas de conteúdo, como esquemas organizadores, estruturas flexíveis eordenadas de planificação da acção educativa assentam nos seguintes fundamentosarticulados a ter em conta: • O desenvolvimento e a aprendizagem são vertentes indissociáveis; • A criança é o sujeito construtor, o foco central do processo educativo, o que significa que se deve partir do que a criança já sabe e valorizar os seus saberes como fundamento de novas aprendizagens; • O saber constrói-se de forma articulada, o que implica uma abordagem transversal, globalizante e integrada dos conteúdos contemplados nas diferentes áreas; • As áreas de conteúdo devem constituir uma resposta a todas as crianças, o que pressupõe uma pedagogia centrada na cooperação, aceitando as 8
  7. 7. diferenças, apoiando as aprendizagens e respondendo às necessidades individuais. Desta forma cada criança beneficia de um processo educativo desenvolvido em grupo.ÁREAS DE CONTEÚDOÁrea de Formação Pessoal e Social A área de formação pessoal e social integra todas as outras áreas de conteúdopois, tem a ver com a forma como a criança se relaciona consigo própria, com osoutros e com o mundo, num processo que implica o desenvolvimento de atitudes evalores que lhe permitam tornarem-se cidadãos conscientes e solidários capacitando-os para a resolução dos problemas da vida, inserindo-os na sociedade como serautónomo e livre. Ao entrar no Jardim de Infância, as crianças vão alargando as suas relaçõessociais, deparando-se com novas e diferentes perspectivas de ver o mundo das que játinham interiorizado. Nestas relações as crianças aprendem a respeitar o outro esentem-se respeitadas ao serem escutadas. Assim, os valores não são ensinados masvividos em conjunto e nas relações com os outros. O respeito pela diferença nadiversidade dos contributos individuais favorece a construção da identidade, a auto-estima e o sentimento de pertencer a um grupo. Esta área de conteúdo integra três âmbitos curriculares: A criança e o seu corpo,Expressão Psicomotora, Desenvolvimento Afectivo e Socialização.Objectivos do Educador  Favorecer a formação da criança tendo em conta a sua plena inserção na sociedade enquanto ser autónomo, livre, solidário e consciente.  Contribuir para a formação de cidadãos capazes de resolver problemas, através do encorajamento, do auto-conceito e da tomada de decisão.Competências Específicas  Ter o domínio da sua identidade pessoal e social;  Ser capaz de identificar as suas características e qualidades pessoais;  Reconhecer que cada um é distinto dos outros de forma a aumentar a sua auto-estima e autonomia pessoal;  Ter consciência de si e dos outros;  Revelar atitudes de respeito, colaboração, partilha, ajuda e cooperação;  Ser capaz de cumprir regras estabelecidas; 9
  8. 8.  Reconhecer os seus laços de pertença a uma comunidade, percebendo as suas normas e valores culturais;  Ser capaz de atitudes de tolerância, solidariedade, compreensão do outro e respeito pela diferença. Âmbito – A Criança e o seu Corpo Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Progredir na consecução do próprio esquema corporal; - Desenvolver uma imagem correcta e positiva do próprio corpo; - Respeitar as características corporais dos outros;Conhecimento do - Conhecer as diferentes partes do corpo e as possibilidades próprio corpo motoras; - Reconhecer as diferenças sexuais existentes entre meninos e meninas, homens e mulheres, crianças e adultos. - Localizar os diferentes órgãos dos sentidos e conhecer as Sensações e suas funções; percepções - Utilizar as capacidades sensitivas do corpo para o conhecimento dos objectos. - Adquirir e aplicar hábitos e atitudes, relacionados com a alimentação, os vestuários, a higiene, os fortalecimentos da A saúde e o saúde e da segurança pessoal;cuidado do corpo - Adquirir o domínio das condutas de alimentação, socialmente adequadas. Âmbito – Expressão Psicomotora Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Iniciar e confirmar a definição da própria lateralidade;Esquema corporal - Desenvolver o equilíbrio e o controle da postura; - Controlar as diferentes formas de deslocação: andar, correr, saltar… coordenando os diversos movimentos implicados; 10
  9. 9. - Desenvolver a coordenação visual - motora global e aplicada à manipulação dos objectos. - Desenvolver a organização espacial, a partir da interiorização das noções espaciais básicas; - Estabelecer uma nítida diferenciação entre o próprio corpo e o espaço exterior, próximo e distante; - Deslocar-se no espaço próximo, seguindo traçados e Organização itinerários simples; espacial - Desenvolver a orientação espacial e a direccionalidade do movimento, respeitante a um ou a vários pontos de referência; - Identificar e descrever a ordenação espacial de objectos situados à sua volta. - Estabelecer relações espacio - temporais e aplicar as noções básicas de velocidade, duração e cadência regular; - Perceber a duração dos acontecimentos e representá-los graficamente; - Perceber e estruturar cognitivamente as noções relativas à Organização velocidade das acções e dos acontecimentos; temporal - Perceber acções simultâneas e desenvolver a noção de simultaneidade; - Perceber acções sucessivas e desenvolver a noção de sucessão; - Aplicar, nas acções quotidianas e nos jogos, cálculos de tempos de velocidade, duração, simultaneidade e sucessão. Âmbito – Desenvolvimento Afectivo e Socialização Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Adquirir uma imagem ajustada de si próprio, identificando as características e qualidades pessoais; Procura da - Progredir no reconhecimento da autoria dos próprios actos;Identidade própria - Desenvolver a própria autonomia pessoal; 11
  10. 10. - Incrementar a confiança e a segurança básicas. - Identificar os próprios sentimentos, emoções e necessidades e comunicá-los aos outros, assim como identificar e respeitar os dos outros;Desenvolvimento - Adquirir confiança nas próprias possibilidades e actuar com harmónico da segurança; afectividade - Desenvolver a iniciativa e a tomada de decisões em actividades usuais; - Desenvolver uma estabilidade afectiva e uma auto-estima adequada. - Adquirir a coordenação e o controle gerais adequados para a execução de tarefas da vida quotidiana e de actividades lúdicas, de acordo com as exigências da realidade; - Tomar a iniciativa, planificar e sequenciar a próprias Autocontrole actividades para resolver tarefas simples; - Desenvolver o sentido de responsabilidade, compromisso e lealdade; - Desenvolver condutas específicas de autocontrole, que permitam ajustar o próprio comportamento às exigências, necessidades e apelos… de outras crianças e adultos; - Tomar consciência dos outros e estabelecer com eles relações de comunicação e integração grupal; Socialização - Desenvolver atitudes de respeito, colaboração, ajuda e cooperação; - Assimilar as normas e valores culturais da própria comunidade (família, jardim de infância), fomentando a solidariedade e evitando atitudes de domínio e submissão.ÁREA DA EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO Nesta área distinguem-se vários domínios curriculares - a expressão motora,dramática, plástica e musical, comunicação linguística e o desenvolvimento lógico e a 12
  11. 11. representação matemática, que se consideram dever estar intimamente relacionados,porque todos eles se referem à aquisição e à aprendizagem de códigos que são meiosde relação com os outros, de recolha de informação e de sensibilização estética,indispensáveis para a criança representar o seu mundo interior e o mundo que arodeia.Domínio da Expressão Motora O movimento é uma faceta importante de todos os aspectos dodesenvolvimento da criança, quer seja no domínio motor, cognitivo ou afectivo. Negar às crianças a oportunidade de colher os muitos benefícios de umaactividade física vigorosa e regular é negar-lhes a oportunidade de experimentar aalegria do movimento eficiente, os efeitos saudáveis do movimento e uma vida inteiracomo seres móveis, competentes e confiantes. O desenvolvimento motor e perceptual das crianças não deve ser deixado aoacaso. As crianças seguem uma progressão desenvolvimental na aquisição das suascompetências motoras que não é muito diferente das progressões desenvolvimentaisencontradas no seu desenvolvimento cognitivo e afectivo. Se as crianças não forem capazes de desenvolver e aperfeiçoar ascompetências motoras fundamentais, o resultado mais frequente será a frustração e ofracasso nos jogos, nos desportos e actividades recreativas, por exemplo, aincapacidade de agarrar, lançar e bater a bola, torna muito difícil para a criançaexperimentar o sucesso e a alegria, mesmo no mais simples dos jogos, seja qual for aactividade, a criança não pode participar nela com sucesso se as competênciasmotoras fundamentais, e essenciais, contidas nessa actividade não tiverem sidodevidamente aprendidas. Isto não significa que se a criança não aprender as competências motorasfundamentais na infância, não as possa vir a desenvolver mais tarde. No entanto, elajá terá passado o período crítico durante o qual lhe seria mais fácil dominar essascompetências, daí que elas nunca chegam a ser completamente aprendidas. Segundo Gallahue (2002), existem vários factores que contribuem para estasituação. Um deles é a acumulação de maus hábitos, devido a uma aprendizagemdeficiente, que torna mais difícil para a pessoa “ desaprendê-los”, do que teria sido emaprendê-los correctamente na infância. Os complexos e a vergonha são o segundofactor. Um terceiro factor é o medo, o medo da troca e da rejeição, o medo de semagoar, etc. As crianças mais pequenas têm um potencial para o desenvolvimento decompetências, amadurecidas nas mais fundamentais competências motoras, e como 13
  12. 12. tal torna - se absolutamente fundamental dar grande importância ao desenvolvimentomotor na infância, para que a criança cresça forte, saudável e acima de tudo feliz.Objectivos do Educador  Favorecer o desenvolvimento e estruturação do esquema corporal no que diz respeito à consciência do seu próprio corpo: respiração, lateralidade, coordenação e equilíbrio corporal e coordenação óculo - manual (motricidade global e fina).  Proporcionar actividades que contribuam para um maior desenvolvimento sensorial da criança e um melhoramento da sua orientação espaçio - temporal.Competências específicas:  Ser capaz de identificar e localizar as diferentes partes do corpo;  Saber utilizar as suas possibilidades motoras, sensitivas e expressivas;  Ser capaz de se espaciar tendo como referência o seu próprio corpo (conceito de lateralidade). Âmbito – Expressão psicomotora Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Desenvolver uma imagem corporal ajustada e positiva. - Iniciar e confirmar a definição da própria lateralidade. - Desenvolver o amadurecimento e o controle de tensão. Esquema - Desenvolver o equilíbrio e o controle da postura. Corporal - Controlar as diferentes formas de deslocações: andar, correr, saltar… coordenando os diversos movimentos implicados. - Desenvolver a coordenação visomotora global e aplicada à manipulação de objectos. - Desenvolver a organização espacial, a partir da interiorização das noções espaciais básicas. - Estabelecer uma nítida diferenciação entre o próprio corpo e o espaço exterior, próximo e distante. Organização - Deslocar-se no espaço próximo, seguindo traçados e espacial itinerários simples. 14
  13. 13. - Desenvolver a orientação espacial e a direccionalidade do movimento, respeitante a um ou a vários pontos de referência. - Identificar e descrever a ordenação espacial de objectos situados à sua volta. - Estabelecer relações espacio - temporais e aplicar as noções básicas de velocidade, duração e cedência regular. - Perceber a duração dos acontecimentos e representá-la graficamente. - Perceber e estruturar cognitivamente as noções relativas à velocidade das acções e dos Organização acontecimentos. temporal - Captar as manifestações rítmicas do meio externo e adaptar o próprio ritmo às referidas manifestações. - Representar graficamente as manifestações rítmicas do meio. - Perceber acções simultâneas e desenvolver a noção de simultaneidade. - Perceber acções sucessivas e desenvolver a noção de sucessão.Domínio da Expressão Dramática A expressão dramática, como vertente artística, é um estimulador daexpressividade, proporcionando à criança meios para ela criar e consequentementeexpressar-se a nível linguístico, corporal, rítmico e musical. A expressão dramática é um meio de descoberta de si e do outro, de afirmaçãode si próprio, na relação com o(s) outro(s) que corresponde a uma forma de seapropriar de situações sociais. Na interacção com outras crianças, em actividade dejogo simbólico, os diferentes parceiros tomam consciência das suas reacções, do seupoder sobre a realidade, criando situações de comunicação verbal e não verbal. “Á expressão e comunicação através do próprio corpo, chamamos jogosimbólico, é uma actividade espontânea que terá lugar no Jardim de Infância, eminteracção com os outros e apoiada pelos recursos existentes. Materiais que oferecemdiferentes possibilidades de “fazer de conta”, permitindo à criança recriar experiências 15
  14. 14. da vida quotidiana, situações imaginárias e utilizar os objectos livremente, atribuindo-lhes significados múltiplos.” (Orientações Curriculares para a educação pré-escolar(1997:60)Objectivos do Educador  Fomentar a dinâmica de grupo através da colaboração/cooperação, inter-ajuda e inter-relação entre todos.  Favorecer a fantasia e sensibilidade da criança, através da livre expressão (ex: jogo de faz-de-conta), criatividade e comunicação com os outros.  Proporcionar à criança tempos de brincadeira espontânea nas diferentes áreas da sala e no recreio para que esta vivencie sentimentos e liberte desejos e tensões interiores.Competências Específicas:  Saber utilizar o seu corpo para se expressar de forma espontânea e criativa;  Saber tomar decisões em conjunto respeitando o outro.  Saber estar e agir em grupo numa relação de colaboração/cooperação e inter- ajuda. Âmbito – Expressão Corporal e Dramatização Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Adquirir consciência do corpo humano codificado. - Ser capaz de produzir gestos codificados. Expressão - Conseguir uma progressiva adopção de posturas corporais corporal e adaptá-las a um padrão social comum - Desenvolver a expressão corporal como meio de comunicação verbal. - Usar os recursos expressivos do corpo para participar em jogos cénicos. Processo - Progredir na representação de cenas simples. dramático - Desenvolver a criatividade com aplicações concretas e representáveis. - Interpretar cenas e jogos dramáticos com as diversas técnicas representativas. - Representar pequenas obras simples. Modalidades de - Iniciar os papeis de actor-espectador nas representações representação teatrais. 16
  15. 15. - Exprimir sentimentos, desejos e ideias por meio do corpo. - Usar fantoches como elementos facilitadores da expressão de sentimentos e desejos.Domínio da Expressão Musical A música é um importante aspecto da infância, pelo facto das crianças maisnovas estarem tão abertas a ouvir, a fazer música, e a moveram-se ao seu som. Amúsica torna-se mesmo numa outra linguagem, através da qual as crianças fazedorasde música aprendem coisas sobre si e sobre os outros. A música insere as crianças nasua própria cultura e ritos comunitários – celebrações de aniversários, acontecimentosreligiosos, casamentos e festividades, como romarias ou procissões. Igualmente é ofacto de a música transmitir emoções, sublinhar experiências e marcar ocasiõespessoais e históricas. Por isso, entendemos a música como multidimensão, desafiante, geradora deintra e inter-relações no seu próprio seio, consequentemente, provocadora desentimentos e pensamentos no produtor, projectados no próprio trabalho ou obra. Se àmúsica atribuímos todas estas qualidades, sem esquecer o seu carácter activo,oferecendo alegria, prazer, estamos perante uma expressão que envolve o sujeito deforma muito intensa, mexendo no seu íntimo. Factores de ordem pessoal, afectiva,cognitiva e social marcam, por certo, toda e qualquer prática musical. Perante isto, os educadores de infância, num contexto de aprendizagem activa,devem assumir a musica como uma ocorrência diária, devem perceber que a música éuma parte integral da cultura de cada criança e por isso deverão fornecer às criançaso máximo de experiências musicais possíveis, de forma a que a capacidade ecompreensão musical das crianças se desenvolva e floresça. Nesta perspectiva, oeducador deve assumir todas as experiências musicais com entusiasmo e devecompreender que as crianças necessitam de gerar e dar forma às suas ideiasmusicais. Ele deve agir com as crianças como um parceiro musical, e não comoaquele que dirige e orienta, actua ou diverte. Sendo assim, o currículo da educação musical deverá assentar no binómioacção - conhecimento. É através da acção que o indivíduo interioriza o modo dearticulação de todos os elementos intervenientes (melodia, ritmo, harmonia, timbre,etc), mas também desenvolve competências de foro cognitivo e afectivo ao evocarvariadas respostas face ao estímulo musical, que se podem situar ao nível físico(sensações/actos motores), psicológicos (estabelecendo relações, associando). 17
  16. 16. Assim, podemos falar no desenvolvimento de um currículo que fomenta o auto-crescimento do sujeito, no desempenho de práticas gratificantes, de vivência deexperiências no domínio emocional e estético. Para isso, na organização do currículomusical deverá ter-se em conta o desenvolvimento de valores inerentes à pessoa emsi mas também integrados na comunidade, o que pressupõe o conhecimento da suaprópria identidade e o acesso a outros contextos culturais. De acordo com este tipo demetodologia o educador deverá desenvolver um conjunto de experiências multi-sensoriais com música. Visto que a criança aprende através do uso pleno de todos osseus órgãos sensoriais.Objectivos do Educador  Integrar a criança no mundo sonoro que a rodeia, para que esta percepcione, racionalize e descubra como expressar-se através dele.  Motivar a criança para a música, promovendo a sua desinibição e criatividade.Competências específicas:  Saber produzir sons com o próprio corpo e com instrumentos musicais;  Saber discriminar a presença e ausência de sons;  Saber identificar e reproduzir sons usuais da natureza, de animais, de objectos, factos e fenómenos humanos da vida quotidiana. Âmbito – Expressão Musical Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Potenciar a discriminação perceptiva e a memória auditiva;Educação auditiva - Produzir sons com o próprio corpo e com instrumentose Audição musical musicais; - Iniciar a criança na audição e fruição da música - Desenvolver a expressão musical a partir da voz; - Cultivar a sensibilidade e interiorizar a noção de silêncioEducação da voz e em música; ritmo - Conseguir uma progressiva aptidão para entoar, modular a voz e cantar; - Adquirir vivências e destrezas no ritmo: Instrumentos - Iniciar o conhecimento e uso dos instrumentos musicais; musicais - Promover atitudes de participação e cooperação em 18
  17. 17. actividades musicaisDomínio da Expressão Plástica A expressão plástica implica um controlo da motricidade fina que a relacionacom a expressão motora, mas recorre a materiais e instrumentos específicos e acódigos próprios que são mediadores desta forma de expressão. As actividades de expressão plástica são de iniciativa da criança queexterioriza espontaneamente imagens que interiormente construiu. Tornam-sesituações educativas quando implicam um forte envolvimento da criança que se traduzpelo prazer e desejo de explorar e realizar um trabalho considerado acabado. Valorizar o processo de exploração e descoberta de diferentes possibilidades emateriais supõe que o educador estimule construtivamente o desejo de aperfeiçoar afazer melhor. Apoiar o processo inclui também uma exigência em termos de produtoque deverá corresponder às capacidades e possibilidades da criança e à suaevolução. O desenho, a pintura, a digitinta, bem como, a rasgagem, o recorte e acolagem são técnicas de expressão plástica. A expressão plástica enquanto meio derepresentação e comunicação pode ser da iniciativa da criança ou proposta peloeducador, partindo das vivências individuais ou de grupo. Recriar momentos de umaactividade, aspectos de um passeio ou de uma história, são meios de documentarprojectos que podem ser depois analisados, permitindo uma retrospectiva do processodesenvolvido e da evolução das crianças e do grupo, servindo também para transmitiraos pais e comunidade o trabalho desenvolvido. À expressão plástica a duas dimensões acrescentam-se as possibilidadestridimensionais, como a modelagem, as construções, etc. Os contactos com a pintura,a escultura, instalações, etc., em museus e galerias de arte, constituem momentosprivilegiados de acesso à arte e à cultura que se traduzem num enriquecimento dacriança, ampliando o seu conhecimento do mundo e desenvolvendo o sentido estético.Objectivos do Educador  Promover a diversidade de técnicas que enriquecem a expressão/comunicação criativa, artística e estética da criança.  Desenvolver a expressão plástica no sentido de que esta se constitua como meio de representação, comunicação e recriação dos diferentes momentos vivenciados no Jardim de Infância. 19
  18. 18.  Proporcionar situações e meios materiais susceptíveis de alargar as experiências bi e tridimensionais, a partir de diferentes níveis de texturas, dimensões, volumes e formas.Competências Específicas:  Saber utilizar destrezas manipulativas como cortar, rasgar, pegar, colar, pintar;  Saber utilizar e aplicar diferentes técnicas de expressão criativa, artística e estética;  Saber (re) criar imagens partindo de diferentes estimulações ambientais. Âmbito – Expressão Plástica Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Expressar livremente, através de imagens espontâneas, as próprias vivências; - Adquirir hábitos de observação visual e retentiva das linhas e formas dos objectos; - Criar imagens partindo das diferentes estimulações Desenho ambientais; - Alcançar uma progressiva habilidade e agilidade manual (motricidade fina); - Conhecer e aplicar as possibilidades plásticas dos diversos materiais do desenho; - Desenvolver a criatividade. - Expressar-se livremente, mediante as diversas técnicas pictóricas; Pintura e - Identificar as cores, conhecer a sua denominação e estampagem experimentar combinações; - Enriquecer a expressão e o conhecimento do “eu” (digitinta, pintura facial…); - Obter um progressivo controle da motricidade ampla e fina. - Ampliar a conquista da superfície como suporte gráfico Colagem -plástico; - Desenvolver a coordenação visual - motora; - Desenvolver destrezas manipulativas como cortar, rasgar e pegar. - Desenvolver o sentido do tacto e o progressivo domínio do 20
  19. 19. espaço; - Adquirir o conceito material de tridimensionalidade; Modelagem - Desenvolver a percepção da dimensão e aparência espacial dos corpos; - Expressar-se plasticamente, mediante o domínio da forma e o volume dos corpos. - Desenvolver a ordenação harmoniosa e a composição no espaço trimensional; - Trabalhar as formas tridimensionais: o volume e as suas Construções possibilidades plásticas; - Alcançar destrezas na manipulação dos materiais e as possibilidades de reutilização e reciclagem dos mesmos; - Alcançar características plásticas de flexibilidade e criatividade.Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à escrita O Educador deve fomentar o diálogo com as crianças, entre as crianças e dar-lhes espaço, valorizando a sua contribuição. È através da comunicação que ascrianças vão dominando a linguagem, alargando o seu vocabulário, construindo frasesmais correctas e complexas, adquirindo um maior domínio das funções da linguagem.Esta aprendizagem deve ser feita de uma forma lúdica, brincando com as palavras,inventar sons e descobrir relações. Pode ainda trabalhar-se a descodificação de diferentes códigos simbólicos,quer pelo reconhecimento de símbolos convencionais, quer pela criação de símbolospróprios, convencionados para identificação e substituição das palavras. O Educador deve proporcionar um ambiente que facilite a familiarização comoo código escrito. Todas as tentativas de escrita devem ser, mesmo que nãoconseguidas, sempre valorizadas e incentivadas. Ao contactarem com o código escrito, as crianças vão-se apercebendo de quea escrita obedece a regras e tem diferentes funções. Esta percepção dá-se através dotexto manuscrito ou impresso nos seus formandos, dos livros, do reconto de umahistória, de leitura e escrita realizada por elas próprias, do registo com as crianças,acesso a bibliotecas, etc. Por outro lado, é importante que as crianças sejam sensibilizadas para ocódigo informático, cada vez mais necessário, possível encontrar em computadores. A 21
  20. 20. multiplicidade de códigos pode ainda referir-se à existência de diferentes línguas,podendo haver a sensibilização a uma língua estrangeira.Objectivos do Educador  Criar situações de comunicação e informação em diferentes contextos (verbal, não verbal, simbólica e escrita), motivadoras e desinibidoras para a criança.  Promover situações e actividades que ajudem a criança na aquisição de vocabulário, na construção de frases correctas de complexidade progressiva e na exploração do carácter lúdico e rítmico da linguagem.  Promover a utilização das novas tecnologias enquanto forma de expressão, informação e registo.  Proporcionar à criança a descoberta do prazer da leitura e da escrita.Competências Específicas:  Ser capaz de realizar ordens orais e tarefas simples;  Saber utilizar correctamente na expressão oral o vocabulário adequado a diferentes situações e temas;  Ser capaz de participar em diálogos e conversas de grupo;  Ser capaz de identificar nos objectos do quotidiano formas, tamanhos, cores e símbolos. Âmbito – Comunicação Linguística Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Desenvolver as capacidades de atenção, concentração, memorização, raciocínio e espírito crítico; Linguagem oral - Exprimir-se oralmente com progressiva autonomia e clareza em função de objectivos diversificados; - Expressar correctamente acções presentes, passadas e futuras; - Usar correctamente o ontem, hoje e amanhã; - Usar correctamente a concordância entre sujeito/verbo e o 22
  21. 21. singular e o plural; - Utilizar frases compostas; - Contar uma história conhecida e relatar uma situação com sequência; - Descrever dois acontecimentos pela ordem que ocorrem. - Recriar personagens e acções; - Identificar e reproduzir sons relacionados com as palavras; - Segurar o lápis com a tríade perfeita; - Fazer reproduções de imagens e de grafismos; Iniciação à - Conhecer e respeitar o sentido da leitura/escrita: dalinguagem escrita esquerda para a direita; - Realizar jogos de letras; - Participar em registos escritos; - Copiar o seu nome em letras maiúsculas.Domínio do Raciocínio Lógico Matemático A educação matemática na Pré-escola deve visar a construção de um saberque capacite as crianças a pensar e reflectir sobre a realidade, assim como a agir etransformá-la. Além disso, o programa de desenvolvimento lógico e representaçãomatemática, encontra-se estreitamente ligado às restantes áreas, e o educador teránecessidade de se apoiar nelas para poder trabalhar os conteúdos programados.Trata-se, portanto, de apresentar propostas globais, sobre as quais se realizarãoanálises e operações diversas, de acordo com os objectivos das diferentes áreascurriculares. Para que a criança seja capaz de extrair uma conclusão mediante umdeterminado processo lógico, deverá necessariamente passar pela observação emanipulação dos objectos e pela verbalização das acções realizadas; verbalizaçãoque deve ser reflexo ou manifestação externa do processo de reflexão sobre asoperações efectuadas. Por este motivo, não se pode separar o pensamento lógico - matemático dosrecursos utilizados noutras áreas curriculares, como os linguísticos, psicomotores eplásticos. Esta ligação é a que caracteriza a metodologia empregue e que está baseadana utilização progressiva das actividades que fazem parte de outros programas eáreas, mas tendo sempre presente os objectivos e conteúdos matemáticos que seperseguem. 23
  22. 22. Desta forma, será possível às crianças encontrarem a razão e o motivo paraaprenderem matemática. E gostar! A matemática é um factor indispensável naconstrução da cultura humana. Toda a actividade, ao desenvolver-se, põe sempre emjogo algum conceito matemático ou alguma técnica de conteúdo matemático, o quejustifica que a todos deva ser facultada uma formação matemática de base. A iniciação na matemática pode realizar-se no Jardim de Infância, adoptando-se uma pedagogia de comunicação e de acção. A função da matemática no contextoda educação de infância deve, assim, ser entendida mais no aspecto formativo queinformativo, fomentando atitudes e desenvolvendo capacidades.Objectivos do Educador  Iniciar a criança na construção das primeiras estruturas lógico - matemáticas e espaciais, familiarizando-a na linguagem matemática.Competências específicas:  Ser capaz de identificar objectos no espaço recorrendo à visualização e ao raciocínio espacial, experimentando-os em linguagem corrente (noções topológicas);  Reconhecer, formar e representar conjuntos;  Ser capaz de classificar, seriar, ordenar e agrupar objectos segundo uma qualidade. Âmbito – Desenvolvimento Lógico e Representação Matemática Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Desenvolver a capacidade de atenção, concentração, Conjuntos: raciocínio e memorização. propriedades e - Conhecer e utilizar correctamente o vocabulário: em relações entre cima/em baixo, atrás/à frente, entre, dentro/fora, objectos antes/depois, interior/exterior; - Estabelecer relações entre objectos segundo a sua posição no espaço; - Estabelecer relações de grandeza entre objectos (pequeno, médio, grande; alto/baixo, comprido/curto, grosso/fino); 24
  23. 23. - Ordenar pares e sequência de objectos com propriedadesDesenvolvimento específicas; do conceito de - Desenvolver a noção de quantidade subtraindo e número adicionando elementos. - Fazer medições e comparar comprimentos; Iniciação ao - Estabelecer relações de grandeza: vazio/cheio conceito de medida - Conhecer e fazer composições com as figuras Iniciação à geométricas; geometria -ÁREA DO CONHECIMENTO DO MUNDO A área do conhecimento do mundo enraíza-se na curiosidade natural da criança eno seu desejo de saber e de compreender o que a rodeia. Curiosidade que éfomentada e alargada na educação pré-escolar através de oportunidades de contactocom novas situações que são simultaneamente ocasiões de descoberta e deexploração do mundo. Esta área, se bem que formalmente subdividida em doisâmbitos curriculares – Meio Físico e Meio Social – aglutina integralmente o mundo dasexperiências físicas (meio natural) e a compreensão da realidade social. Osconhecimentos destas duas instâncias devem cruzar-se para que a compreensão dosfenómenos naturais seja projectada sobre a realidade cultural e social que o homemvai conquistando; e, por sua vez, tendo em conta a exigência humana, interpretar evalorizar a realidade natural, justificando o seu uso, cuidado e protecção.Objectivos do Educador  Proporcionar a criação de laços de comunicação, entre o sujeito e o mundo dos outros, enquanto conjunto de trocas que a criança estabelece com o mundo que a rodeia (família, escola, crianças, adultos, sociedade, etc.). 25
  24. 24.  Sensibilizar/despertar a criança para domínios científicos no âmbito da saúde, do ambiente, da meteorologia, da geologia, da física, da geografia, da biologia, da educação sexual, da educação ambiental, do consumismo e de outras situações passíveis de exploração e descoberta do mundo.  Possibilitar à criança a experimentação, observação, descoberta e reflexão, em situações do meio ambiente, incentivando o seu espírito científico.  Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações de efectiva colaboração com a comunidade.Competências Específicas  Ser capaz de respeitar regras e normas sociais;  Ser capaz de reconhecer e valorizar as características do seu grupo de pertença (normas de convivência, relações entre membros), assim como, respeitar e valorizar os seus pares.  Ser capaz de interagir com o meio natural com respeito, cuidado e uso adequado dos recursos. Âmbito – Meio Social Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Iniciar a tomada de consciência de pertencer a um grupo humano característico; - Reconhecer a família como uma das formas habituais de organização da vida humana e conhecer/valorizar a suaA família e a casa utilidade; - Conhecer as normas e modos de comportamento social da sua família; - Descrever a sua casa e localizá-la em relação com o ambiente imediato. - Tomar consciência de pertencer ao colectivo escolar e ao grupo sala; O Jardim de - Orientar-se e actuar com autonomia nos espaços (sala e Infância comuns) do Jardim de Infância, conhecendo e respeitando as regras; - Conhecer diferentes ocupações/profissões valorizando o serviço que prestam à comunidade; 26
  25. 25. O trabalho e os - Conhecer os diferentes serviços da sua comunidade e a serviços sua importância na vida das pessoas - Conhecer os diversos meios de locomoção; Os meios de - Compreender a utilidade e o uso dos meios de transporte transporte e existentes na localidade. comunicação Âmbito – Meio Físico Núcleos de Aprendizagem / Objectivos Comportamentais: - Iniciar a aquisição de estratégias de descoberta; - Iniciar a compreensão racional e cientifica dos fenómenos naturais;Os animais e as - Observar e explorar o ambiente, centrando a atenção nos plantas animais ou plantas; - Valorizar a importância dos animais e das plantas para os seres humanos; - Compreender as inter-relações animais – vegetais -homens; - Aquisição de atitudes de respeito e cuidado ecológico. - Distinguir os diferentes estados em que a matéria se A matéria e os apresenta na natureza; corpos - Identificar as características mais destacadas dos corpos sólidos, líquidos e gasosos do meio, a partir da experiência com eles. - Identificar os diferentes tipos de terra; - Conhecer e valorizar a utilidade e a necessidade básica da água;Terra, água, ar e - Identificar o ar como elemento natural imprescindível para energia os seres vivos; - Compreender o conceito de energia e identificar as fontes fundamentais de energia; - Observar as mudanças e alterações que sofrem e provocam os elementos naturais. - Identificar os fenómenos atmosféricos mais frequentes; - Conhecer os efeitos que esses fenómenos provocam no O tempo meio; 27
  26. 26. - Conhecer e actuar com autonomia, utilizando termos básicos relativos à organização do tempo: dias, semanas, meses, estações do ano. 28
  27. 27. ORGANIZAÇÃO DO GRUPO No pré-escolar, o grupo é uma das características fundamentais que devemoster em conta para uma melhor organização do ambiente educativo. De acordo com as Orientações Curriculares há “diferentes factores queinfluenciam o modo próprio de funcionamento de um grupo, tais como ascaracterísticas individuais das crianças que o compõem, o maior ou menor número decrianças de cada sexo, a diversidade de idades das crianças, a dimensão do grupo”(Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, 2002:35). Cabe ao educador gerir o grupo em função da sua composição etária, dosdiferentes níveis de desenvolvimento e dos recursos que dispõe. É, também, desalientar que o educador deve proporcionar ao grupo momentos de trabalho, entrepares e em pequenos grupos, que permitam alargar as oportunidades educativas efavorecer uma aprendizagem cooperada; deve ainda promover a aprendizagem davida democrática, “criando situações diversificadas de conhecimento, atenção erespeito pelo outro” (Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, 2002:36). A organização democrática do grupo passa, também, pela participação dascrianças na elaboração de normas e regras, bem como o planeamento e avaliação dasdiferentes actividades. O Educador desempenha, assim, um papel fundamental neste processo,facilitando “a organização e a tomada de consciência de pertença a um grupo e,ainda, a atenção e o respeito pelo outro” (Orientações Curriculares para a EducaçãoPré-Escolar, 2002:36). O grupo de crianças é heterogéneo, sendo constituído por crianças dos 3 aos 5anos. Esta heterogeneidade permite momentos de aprendizagem cooperada e de vidademocrática, pois a criança desenvolve-se e aprende, contribuindo para odesenvolvimento e aprendizagem de outras, aprendendo a viver socialmente comoutras diferentes de si próprias. Neste grupo está presente o espírito de cooperação e partilha entre as criançasmais velhas e as mais novas, já que as que são autónomas ajudam, ensinam eacompanham as outras a realizarem algumas actividades e tarefas, sentindo-serealizadas com esta capacidade de ajuda. As crianças mais novas, procuram ser comoas mais crescidas, o que as leva a esforçarem-se para progredirem nasaprendizagens. “…a interacção entre crianças em momentos diferentes de desenvolvimento ecom saberes diversos, é facilitadora do desenvolvimento e da aprendizagem. Para 29
  28. 28. isso, torna-se importante o trabalho entre pares e em pequenos grupos, em que ascrianças têm oportunidade de confrontar os seus pontos de vista e de colaborar naresolução de problemas ou dificuldades colocadas por uma tarefa comum.” Ao nível do desenvolvimento cognitivo, recorrendo às teorias de Piaget e tendoem conta as idades destas crianças, podemos dizer que o grupo se encontra noEstádio pré-operatório (2 aos 6 anos), “desde o começo desta etapa a criança já fazuso da capacidade simbólica, não dependendo somente das sensações. Embora nãoseja capaz de fazer operações lógicas e de se situar no tempo, ela já relacionasignificantes e significados: a linguagem será a habilidade que mais se vaidesenvolver. São características principais desta fase: egocentrismo, centralização dointeresse, incapacidade de perceber as relações de causa e efeito, desequilíbrioemocional, irreversibilidade de pensamento e raciocínio transdutível.” Figueiredo,Manuel (2003:24). Quanto ao desenvolvimento emocional, na perspectiva de Freud e tendo emconta a faixa etária deste grupo, estas crianças encontram-se no estádio fálico (3 aos7 anos), “durante este estádio fálico a criança centra-se na zona genital. Os conflitosresultam da projecção dos desejos sexuais da criança no progenitor do sexo oposto edo medo que a criança sente de retaliação pelo progenitor do mesmo sexo. O conflitoé resolvido, cerca dos sete anos, quando a criança se identifica com o progenitor domesmo sexo. A principal crise para a criança, durante este estádio, refere-se ao seuesforço de identificação sexual.” Sprinthall,Springthall (1993:606) Este grupo ao nível do desenvolvimento físico e tendo em conta a idade,caracteriza-se por “a exploração sensorial e motora acentuar-se e a acção já ser maisorientada para um resultado concreto do que para o simples prazer de sentir estímulose mexer-se.” Figueiredo, Manuel (2003:25). No que respeita ao desenvolvimento social, segundo Figueiredo, M. (2003:26),nesta idade as crianças “tornam-se mais sociáveis e amistosas; a hostilidade diminui.Os desejos dos companheiros começam a ser levados em consideração e os pedidosde favores são acompanhados de promessas compensatórias – mas a criança aindase sente em primeiro lugar, reservando para si as maiores vantagens possíveis. Nesta fase, as crianças já têm a noção de grupo e participam de situações queimplicam uma certa constância das acções individuais. Essas acções devem serinteligíveis para os companheiros; assim, o faz-de-conta e as representações tendempara uma imitação cada vez mais perfeita da realidade, funcionando como um eficazmeio de comunicação entre as crianças. Surgem algumas regras nas brincadeiras. Oacordo e a combinação prévia entre os participantes das actividades contribuem paraa socialização. 30
  29. 29. O desenvolvimento da colaboração pode ser percebido nas actividadesrudimentares de dramatização, pois as crianças começam a representar personagensdentro de regras comuns ao grupo. Nesta faixa etária elas dispensam a interferência dos adultos na solução dediferenças entre si. As discussões e brigas são mais frequentes quando envolvem apropriedade individual.” Ao nível do desenvolvimento intelectual, as crianças desta faixa etáriadesenvolvem a capacidade de pensar sobre aquilo que estão a fazer. Começam aconsciencializa-se de que a ideia precede a execução. Tornam-se mais realistas eatentas; o senso prático aumenta e elas já conseguem guardar os seus brinquedos deforma ordenada. São capazes de comparar, têm a percepção de consequência, forma e detalhe.O sentido do tempo e duração começa a desenvolver-se. O pensamento começa atornar-se mais complexo graças à linguagem e com ela se torna mais coerente, claro ecompreensível. A linguagem será o mais importante factor de contribuição aodesenvolvimento social, intelectual e emocional. As perguntas diminuem, mas, em contrapartida, são mais sérias. As respostasdas crianças tornam-se mais objectivas. O vocabulário chega a 2000 palavras. Nestafase, as crianças ainda não têm raciocínio inteiramente lógico, costumam representarmentalmente percepções e acções concretas. O seu pensamento é intuitivo; os factosainda são explicados pela própria experiência da criança, mas ela já é receptiva àsexplicações dos adultos. 31
  30. 30. ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO A organização do espaço deve ser facilitadora do que pretendemos fazer edeve transformar-se, ao mesmo tempo, numa estrutura de estímulos e oportunidades deexploração para as crianças. A sala assume-se como um dos principais instrumentos com que contamos paradesempenhar a nossa tarefa educativa. "Tudo o que a criança faz/aprende sucede numambiente, num espaço cujas características afectam a conduta ou aprendizagem. Deacordo com a forma como organizamos o ambiente assim obteremos experiências dediferentes prioridades, mais ou menos integradas, com um determinado perfil" (Zabalza,1998:121). A criança aprende através da acção/experimentação, e como tal é fundamentalque lhe proporcionemos um ambiente rico e cheio de estímulos, que permita e potencie oseu desenvolvimento. Isto reflecte a importância de trabalhar o espaço em todas assuas dimensões e pressupõe: riqueza instrumental e de objectos, riqueza arquitectónica eriqueza estética. Quando planificamos a utilização dos espaços devemos ter em conta que ascrianças se encontram num processo de construção da sua identidade e de conquista dasua autonomia. Ao nível do espaço isso significa a criação de espaços abertos e livres,que possibilitem liberdade de movimentos, coisas para explorar e a criação de espaçosque possibilitem comportamentos individuais em paralelo com as actividades de grupo. É necessário um espaço bem definido, com materiais devidamente identificados eorganizados de forma lógica para que a criança os consiga encontrar e arrumarfacilmente, sem necessitar da ajuda do adulto. A organização do espaço não tem de ser rígida, ela deve ir ganhando novossentidos, à medida que o trabalho vai evoluindo, de acordo com as necessidades vividaspelo grupo. Estas alterações devem ser devidamente explicitadas às crianças para queestas tenham a possibilidade de localizar todos os materiais que necessitam paradesenvolver uma determinada actividade. "A melhor forma de explicitar e familiarizar as crianças com o trabalho da sala, éproporcionar-lhes desde o início do ano lectivo uma participação no processo deorganização que vai sendo realizado" (Cardona, 1992, pp. 8). Esta participação acabapor se transformar numa excelente estratégia de organização do próprio grupo de crianças.A autora acrescenta ainda que "o trabalho deve ser pensado de forma a respeitar ascaracterísticas individuais de cada criança, o que só é possível se lhes for possibilitadauma participação activa na organização e no desenvolvimento das diferentes actividadesdesenvolvidas" (Ibidem). 32
  31. 31. A organização do espaço e dos materiais determina as actividades que sãopassíveis de serem quotidianamente escolhidas pelas crianças, sendo por isso importante aorganização dos "cantinhos". " (...) Não basta definir um espaço para o seufuncionamento, é necessário reflectir sobre o equipamento existente, se este é ou nãosuficiente para o desenvolvimento da actividade, e também sobre a forma como esteestá organizado. A organização do equipamento tem que ser suficientemente funcional eacessível às crianças, para que estas consigam encontrar independentemente aquilode que necessitam para o desenvolvimento das actividades que escolheram. Geralmente as áreas que têm mais equipamento e onde este tem umaorganização mais cuidada, são aquelas que são mais valorizadas pelo educador, factoque vai igualmente condicionar a escolha das crianças. Há também que reflectir sobre a forma como estas escolhas são planificadas.Esta reflexão permite avaliar se de facto as crianças têm possibilidade de escolherlivremente as actividades que querem realizar" (Ibidem). Sem a existência de uma planificação e, posteriormente de uma avaliação,observa-se um empobrecimento do potencial educativo deste tipo de actividades. Aobservação permite não só avaliar as actividades como também reflectir sobre o tempoque é dado para a realização de cada uma delas. Este tempo deve ser pensado tendo emconta um momento inicial para organizar o equipamento e um momento final para a suaarrumação. Só uma observação atenta do quotidiano da sala permite ao educador avaliar-se eavaliar o grupo e reflectir sobre as alterações que necessita realizar, tendo em conta osobjectivos do seu projecto de trabalho. Uma maior percepção das dificuldades queafectam o seu trabalho, permite-lhe uma maior reflexão sobre as mesmas, o queconstitui um passo fundamental para as poder ultrapassar. 33
  32. 32. Áreas de trabalho Esta é uma sala que está organizada por áreas e segundo Hohmanm, M.;Bannet, B.E. e Wilkart (1990:58) “o espaço da sala de aula funciona melhor para ascrianças quando está dividido em diferentes áreas de trabalho. Estas áreas ajudam àscrianças a verem quais são as suas opções já que cada área oferece um conjuntoúnico de materiais e oportunidades de trabalho.” As áreas que esta sala apresentasão: - Área dos jogos - Área das construções e garagem - Área da casinha e mercearia - Área da plástica (desenho, pintura, giz, colagem, modelagem) - Área da biblioteca e fantoches Estas cinco áreas em que a sala se divide, pelas quais as crianças se movemautonomamente, permitem ao educador uma maior liberdade de acção para trabalharcom as crianças individualmente ou em grupos pequenos, também permite que estese dedique a observar as crianças.Área dos jogos Esta área torna-se muito importante, na medida em que os jogos são umrecurso para a criança se relacionar com o espaço e fundamentam aprendizagensmatemáticas como: a comparação de tamanhos e formas, a distinção entre formasplanas e com volume, a seriação, a classificação, a noção de número, a concentração,a noção de conjunto, etc. Está equipada com material didáctico de qualidade, quetrabalham os diferentes conteúdos e podem ser manipulados de múltiplas formas.Área das construções e garagem Nesta área as crianças podem fazer construções com legos, blocos demadeira, e têm jogos de encaixe, carros e bonecos. Ao manipularem objectostridimensionais vão fazendo experiências: amontoando, alinhando, deixando cair eposteriormente poderão construir todo o tipo de estruturas. Com crescente reflexão,fazem testes de equilíbrio, inclusão, padronização e simetria. 35
  33. 33. Área da casinha e mercearia Esta área tem a função de explorar o jogo simbólico, funciona como o “faz deconta”, onde as crianças irão recriar experiencias quotidianas, situações imaginárias eutilizar os objectos livremente, atribuindo-lhes significados múltiplos. Nesta área ascrianças podem brincar individualmente ou em cooperação, em acções como: mexer,encher, agitar, comprar, enrolar, fechar, dobrar, vestir, despir, entre outras e imitar oadulto em situações que tenham observado em cada ou noutro local.Área da plástica (desenho, pintura, giz, colagem, modelagem) Esta área funciona como um meio de comunicação que a criança utiliza parase exprimir a vários níveis (sentimentais, cognitivos e motores). As actividadesrealizadas nesta área podem ser orientadas ou não pelo adulto. Aqui privilegia-se oprocesso de exploração, da elaboração, da imaginação, do empenho, de captação, emdetrimento dos resultados finais. Pretende ser um espaço de criatividade e inovação.Área da biblioteca e fantochesEsta área tem uma função importante para o desenvolvimento cognitivo da criança,pois é lá que o gosto e o interesse pelo livro, e consequentemente pela leitura, seiniciam. Aqui as crianças observam os livros, simulam a leitura com base na memóriae em pistas visuais contidas nas imagens, ouvem histórias, inventam e contam assuas próprias histórias às outras crianças. Nesta área poderão também ser realizadasactividades de dramatização com fantoches, visto estar disponível nesta área umfantocheiro. 36
  34. 34. ORGANIZAÇÃO DO TEMPO Ao organizar os horários das salas da Instituição deve conhecer-sebem o horário geral da instituição. Deve ter-se em consideração a hora a que ascrianças chegam, a hora do lanche da manhã, do almoço, do sono, do lanche datarde, etc. No início do ano lectivo, é natural que certas actividades demorem um tempomaior do que o previsto, devido à inexperiência das crianças e à sua necessidade deadaptação à rotina. Outras, no entanto, serão certamente mais curtas porque o grupoainda não está habituado a manter a atenção numa actividade por muito tempo. Além disso é importante ter o cuidado de alternar as actividades quanto àmovimentação que exigem e ao número de crianças que envolvem. Logo, “depois deuma actividade muito agitada, como a recreação ao ar livre, deve ser prevista outraum pouco mais calma, como cantar ou ouvir música. Isto porque a transiçãodemasiado brusca (depois da recreação o repouso, por exemplo) é difícil para ascrianças dessa idade. Da mesma forma, depois de uma actividade da qual se esperaque o grupo todo tome parte, como ouvir uma história, ou planificar uma actividade, éinteressante que as crianças possam escolher o que querem fazer, individualmente ouem pequenos grupos.” (Figueiredo, 2003, pp. 19). É também importante que algumas actividades sejam realizadas sempre nomesmo momento para facilitar a aquisição de hábitos e a aquisição dos conceitosrelativos ao tempo, como é o caso do lanche, do recreio, do almoço, etc. As outrasactividades devem ter um horário previsto com flexibilidade suficiente para atender àsnecessidades das crianças e para que estas não se tornem obrigações rígidas edesinteressantes. As crianças devem ser sempre avisadas com alguma antecedência quando foro momento de trocar de actividade, pois isso ajuda-as a compreender o ritmo dotempo, a planificar a actividade seguinte e a prepararem-se para ela. É importante que o educador tenha em conta o tempo que as crianças levampara arrumar os materiais, para limpar a sala e lavar as mãos após o lanche, paraas actividades diversificadas e para a recreação ao ar livre. Os horários para irem à casa de banho, não são necessários de prever, porquenestas idades as crianças ainda “não têm capacidade de esperar para satisfazer assuas necessidades e precisam de se sentir seguras de que o poderão fazer de acordo 37
  35. 35. com a sua urgência.” (Ibidem). No entanto, é importante habituá-las a lavar as mãosdepois das actividades ao ar livre e antes das refeições. Existem outras actividades que não são realizadas diariamente e que podemter uma duração variada, de acordo com os interesses das crianças (expressãocorporal, musical, dramatizações, visitas de estudo, etc.). “As visitas de estudo e outras actividades semelhantes, como a dramatizaçãode uma história, a montagem de um mural ou a organização de uma festa podemocupar até um dia inteiro, alterando todos os horários rotineiros. Para isso énecessário conversar com o grupo e combinar o que se vai fazer, de que modo, emque horário.” (Figueiredo, 2003, pp. 20). A organização do tempo surge então como componente fundamental doprojecto de trabalho. “Segundo as teorias da Psicologia Genética, a criança aprendesobretudo através da acção/experimentação, sendo fundamental proporcionar-lhe umambiente rico e estimulante, sendo também sublinhada a importância de existir umaorganização espaço - temporal bem definida, que permita à criança situar-se efuncionar autonomamente dentro da sala.” (Cardona, 1992, pp. 8). Uma clara explicitação da sequência diária dos acontecimentos ajuda a criançaa orientar-se ao longo do dia, sem estar constantemente na dependência do adultopara saber o que vem a seguir, tornando-se assim mais autónoma e segura. A existência de uma rotina definida não significa forçosamente uma rigidez dehorários. Ela serve como fio condutor do trabalho, e pode ser alterada de acordo comos interesses e necessidades do grupo de crianças, ou seja, à medida que osprojectos vão sendo desenvolvidos, esta vai sendo modificada. Zabalza (1998:174)diz: “ As rotinas são, como os capítulos, o guião da vida diária de uma turma que, diaapós dia, se vai nutrindo de conteúdos e acções. As crianças sabem o nome de cadafase, sabem o que virá depois, sabem qual é o procedimento para realizardeterminadas actividades, etc., e, pouco a pouco, vão-se assenhorando da sua vidaescolar, vão se sentindo competentes e, ao mesmo tempo, vão comprovandovivencialmente como cada vez lhe saem melhor as coisas e sabem melhor o que hápara fazer e de que forma resultam, e são divertidas, as tarefas.” 38
  36. 36. RELAÇÃO COM AS FAMÍLIAS Hoje em dia, todos temos consciência de que as nossas crianças passam maistempo com a equipa pedagógica do jardim-de-infância do que com a família. Nestesentido, uma boa relação entre a família e a escola é imprescindível. Umacomunicação constante e aberta é necessária para essa relação, esta comunicaçãoacontece diariamente na rotina de um Jardim de Infância. É na altura da chegada e dapartida da criança à instituição, que acontece este intercâmbio de conhecimentos einformações sobre a criança. Estando ambos interessados no bem-estar da criança,esta relação de comunicação é fundamental para o conhecimento da criança e domundo que a evolve, é através deste conhecimento, que a família e a escola dãoresposta às necessidades e interesses da criança. Esta resposta pode ou não ser feita em conjunto, mas acreditamos que quandoé feita em conjunto as soluções apresentadas são muito mais completas, pois dãoresposta aos problemas e interesses da criança, em função do ponto de vista dos doisinteressados, pais e escola, e não só de um, que tem com certeza uma visão maisrestrita das necessidades desta. “Em conjunto, pais e educadores recolhem, trocam einterpretam informação específica sobre as acções, sentimentos, preferências,interesses e capacidades sempre em mudança da criança. Aprendem uns com osoutros o que funciona e o que não funciona com determinada criança no seio da suarelação.(...) Ambos, pais e educadores, ganham mais segurança nos seus esforçosmútuos no sentido de facilitarem a transição entre a casa e o infantário, e pais eeducadores com diferentes crenças sobre a educação infantil, e primeirasaprendizagens muitas vezes alargam a sua percepção do que é possível.” Post, J.,Homan, M. (2003:329). Sendo assim, colaborar no processo educativo do seu filho, é certamente umaproposta aliciante para qualquer pai, por um lado porque atinge com mais facilidadeum sentimento de confiança na instituição, e que é fundamental para qualquer pai, epor outro lado porque se sente útil na realização e participação de actividadeseducativas que favorecem o seu filho. Jacalyn Post e Mary Homann (2003:330), acreditam que: “Reconhecer o papelda separação; Praticar uma comunicação aberta; Centrar-se nos pontos fortes dospais e Utilizar uma abordagem de resolução de problemas aos conflitos”, são linhasorientadoras básicas para se atingir o sucesso na parceria Pais - Educadores.Também acreditam que para envolver os pais como parceiros o educador deverá:“Criar um ambiente acolhedor para as famílias; Estabelecer um processo de inscrição 39
  37. 37. centrado na família; Partilhar as observações das crianças, mas deixar as “primeiras”para os pais e Encorajar os pais a participarem no centro.” Para que as famílias das crianças possam intervir activamente no processoeducativo dos seus educando, o colégio irá realizar diversas actividades, reuniões eeventos, dirigidos aos mesmos. “Assim, a colaboração dos pais, e também de outros membros da comunidade,o contributo dos seus saberes e competências para o trabalho educativo adesenvolver com as crianças, é um meio de alargar e enriquecer as situações deaprendizagem.” Orientações Curriculares (1997:45) 40
  38. 38. BIBLIOGRAFIA  Cardona, Maria João: “ A organização do espaço e do tempo na sala de Jardim de Infância”, Cadernos de Educação de Infância, n.º24, Outubro- Novembro- Dezembro de 1992.  Delors , Jacques, (2003), (coord.), Educação: um tesouro da descobrir – Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Sec. XXI, Porto, ASA, 8ª ed.  Enciclopédia de Educação Infantil, (1997), Recursos para o desenvolvimento do currículo escolar, Rio de Mouro, Nova Presença.  Figueiredo, Manuel: “Projecto curricular no jardim de infância”, Projecto Bola de Neve, Lisboa 2003;  LEI DE BASES do Sistema Educativo (LBSE), Lei nº 46/86, aprovada na Assembleia da República a 24 de Junho de 1986, no D.R. de 14 de Outubro do mesmo ano.  Mary Homann e David P. Weikart, “Educar a Criança”, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.  Orientações curriculares para a Educação Pré-escolar, Ministério da Educação, Departamento da Educação Básica, Gabinete para a Expansão e Desenvolvimento da Educação Pré-escolar, Lisboa, Setembro de 1997.  Post, Jacalyn e Hohmann, Mary: “Educação de bebés em infantários- cuidados e primeiras aprendizagens” Lisboa, Fundação Caloute Gulbenkian, 2003;  Ribeiro, Esperança: “Perspectivas em torno do(s) conceitos de crianças e suas implicações pedagógicas”, pp. 44-59;  Silva, Isabel: “Planear Actividades in Projecto Alcácer”, pp. 97-109, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian; 41
  39. 39.  Sprinthall, Norman e Richard: “Psicologia Educacional – Uma abordagem desenvolvimentista”, Alfragide, McGraW-Hill, 1993; Zabalza, Miguel A.: “Didáctica da educação infantil”, colecção horizontes da 42

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