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METAS
CU RRICU LARES

Educação
Literária

4.° ano
Luísa Dacosta
História
com recadinho

! Acauinu uu ! ou-m : :nv-rn

no sonho,  a liberdade. ..

HGUEJRNHAS
Um ¡ivro

Desejas

um tapete mágico que,  num
abrir e fechar de oihos,  re ! e ve
aos confins da terra? 

Uma máquína de v...
anos-luz da nossa galáxia,  sem

necessidade de foguetão? 
Saber a idade de uma pedra

ou os mistérios da realidade, 

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Abre um livro. 

Um livro é tudo isso de cada
vez e,  ás vezes,  ao mesmo
tempo.  Um livro permite-te con-
tactar com outr...
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deu-se um acontecimento ex-
traordinário:  nasceu uma bru-
xinha,  radiosa,  como osol-
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-humor das mestras - a quem
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apagavam a luz das estrelas só
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pensou tentando consolar-se. 
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voo dançante!  E a bruxinha
abriu acapa,  corola ondulada,  e
juntou-se às borboletas.  Mas. ..
- "julgarão que quero roub...
E mais uma estrela
que na roda entrou. 
Deixai-a bailar
qu'inda não bailou. 

Aquela Cantiga parecia feita
de propósito pa...
flores,  o seu primeiro dia tinha
sido decepcionante. 

Era um pouco como os
pássaros filha dos ares e
voltou a escolher u...
Quando se ofereciam rosas
tiravam-se-lhes os espinhos
para a dádiva ser só beleza, 
cor e perfume.  Era isso que
queria:  ...
- Sabes,  mãe,  hoje estive
por um triz a cair ao ribeiro, 
quando andava à erva para os
coelhos,  mas felizmente,  um
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E foi assim que ficou pelo
mundo a dar uma mãozinha
aos mais precisados.  infeliz-
mente,  não chega para as enco-
mendas....
estão enganados,  embora eu
reconheça que é muito difícil
procurar uma bruxinha invisivel
sem aquis certos. 

Onde encontr...
que traga a vassourinha para
varrer umas sombras,  escuras, 
do meu coração.  Não se esque-
çam!  Estou tão precisada! 
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História com recadinho

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Obra das metas do 4º ano.

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História com recadinho

  1. 1. METAS CU RRICU LARES Educação Literária 4.° ano
  2. 2. Luísa Dacosta História com recadinho ! Acauinu uu ! ou-m : :nv-rn no sonho, a liberdade. .. HGUEJRNHAS
  3. 3. Um ¡ivro Desejas um tapete mágico que, num abrir e fechar de oihos, re ! e ve aos confins da terra? Uma máquína de viajar no tempo, para o futuro a haver, desconhecido, para o passado 7 histórico ou para aquele em que os animais falavam ? Companheirospara correrem contigo a aventura de mares ignorados e de ¡Ihas que os mapas não registam ? Conhecer mundos para aiém do nosso sistema soiar, a 8
  4. 4. anos-luz da nossa galáxia, sem necessidade de foguetão? Saber a idade de uma pedra ou os mistérios da realidade, das águas, dos bichos, dos pássaros e das estrelas? Descobrir a arca encantada, onde se guardam os vestidos 9 "cor do tempo", das princesas de era uma vez, aquelas que se translormavam em P0mb35 0” dormiam em caixões de cristal, à espera que o principe viesse desperta-las? Desfolhar as pétalas do sonho no país da noite? i0
  5. 5. Abre um livro. Um livro é tudo isso de cada vez e, ás vezes, ao mesmo tempo. Um livro permite-te con- tactar com outras imaginações, outras sensibilidades. É a pos- sibilidade de estares noutros lugares, sem abandonares o 11 teu chão, de ouvires pulsar outros corações, de vestires a pele humana de outro ou outros sem deixares de ser tu. E com o livro a varinha de condão não está na mão das fadas, está em teu poder. É do teu olhar, de cada vez que te 12
  6. 6. dSpõeS a ¡en que nascem História Com Recadinho aqueles mundos, Caleidoscó- oicos, de maravilha - e só desaparecem quando fechas o Yvro. Mas, a um gesto do teu ouerer, voltarão a surgir sem- cre, sempre, sempre. .. %zaãs, z~
  7. 7. Uma vez no reino das bruxas deu-se um acontecimento ex- traordinário: nasceu uma bru- xinha, radiosa, como osol- oque foi considerado de mui- to mau agoiro. Que fazia aquele sorriso emoldurado por cachos de caracóis, entre vapores 77 peçonhentos? ! - pergunta- vam, desconiiadas, as bruxas velhas, tungando maus pres- sentimentos à distância. E as suspeitas confirmaram-se. A bruxinha não mostrava ne- nhuma das aptidões requeri- das por aquele mundo de trevas, árvores mortas e aves agoirentas. Volta não vira, escapulia-se na sua vassourinha, faltava às 18
  8. 8. aulas de bruxaria e ria do mau- -humor das mestras - a quem as suas gargalhadas, tilintan- tes, arrepiavam como guinchos de portas ferrugentas. Pior. Libertava os sapos e as cobras destinadas aos caldeirões dos malefícios. E como se isso não bastasse para acender remo- ques e achaques das bruxas todo o dia dançava e cantava como se um pássaro-borboleta 'ca ali tivesse, magicamente, surgi- do. Não, o seu reino não era aquele. E numa noite em que uma revoada de bruxas ia sair para o mundo dos homens a semear maldades, a bruxinha decidiu abandonar aqueles lugares insalubres e atreitos a constipações. Cautelosa e à distância, seguiu-asparaapren- der o caminho. Mas não foi fácil. As bruxas por onde pas- 20
  9. 9. savam deixavam tudo num breu de tempestade, porque apagavam a luz das estrelas só com o traldejar das suas capas, sinistras. E a bruxinhatinha que esperar que elas se afastas- sem enfronhadas nas suas maldades, para voltar a acen- der-lhes o lume com a rama da sua vassourinha. E tanto se atrasou nesse trabalho que a determinada altura as perdeu 23
  10. 10. de vista. Deixá-lol Não tinha Importância. O importante era ter saído de uma vez para sempre, daquele mundo char- quento. Cansada - a aventura e as emoções também cansam - resolveu dormir um sono e depois se veria. EmbruIhou-se na sua capa, escolheu uma nuvem fofa e deitou-se ao lado da vassourinha. E só acordou, manhã alta, já com sol. Ah! 24 depois daquelas trevas, panta- nosas, era maravilhoso! E a bruxinha pôs-se a esfregar os olhos para ver se estava bem acordada e se tudo aquilo não era um sonho. Que claridade, dourada e quente! E como o céu era vasto! Saltava de nuvem para nuvem como se saltasse poldras de um imenso rio azul. E de nuvem em nuvem foi-se aproximando da Terra. 25
  11. 11. Era impossível acreditar que houvesse tantos brilhos, tantas cores e tantos perfumes! As árvores entregavam ao vento as suas ramagens e o coração mexe-mexe dos choupos bran- queverdejava. A oliveira da serra noivava-se de flores. Os castanheiros começavam a acender as Candeias. Enrubes- ciam as pinhas dos cocorutos, nas cerdeiras. Os miosõtis 26 bordejavam as fontes, que cantavam pelas suas biqui- nhas. E córregos d'água pen- teavam ervas, longamente. Por toda a parte havia milagres nascidos para murchar: o estre- lado de florinhas frágeis, ró- seas, azuis, de cabecinhas pe- nugentas, acinzadas, papoilas, pampilo, soajo, umbelas bran- cas, amarelas, dedaleiras ro- xas com as suas campainhas
  12. 12. uv? t *magica itjgiâiiãtíi' ? as à . . 1 . ; N_ « V¡ . . 1:3 _ _. , , --. . A . . l; ' 1,1 _ - _ _, - . i » j. r . . , . . .. v' . l 'a . k a. .. . - r ~ ~ -A ~ vc › - *. ›nv, ,.. ›.~: :- 3' f”, u Y A . , ¡ , ' w r _. ,› u t - 1 n É ç y ! Êtlããif : i : q *É ~ . _ na” kn . , P 4. , Í . , ' *~ tw . d¡ ' 'l' t) n r a t' N v _ . . itaim-tias a
  13. 13. giestas, o tojo, envolto nos sudários das teias de aranha, Iucilava em gotículas de or- valho. Era de acreditar? ! Até das pedras nascia a floração branca e rósea dos musgos! Ah! aquele era o seu mundo! Que bom! Que contentamento! A bruxinha estava ansiosa por dar largas à sua alegria e ao seu humor 31 bentazejo. Pôs-se a cavalo na vassourinha e foi pousar num ramo de Cerejeira car- regadinho de pássaros, no debique da prova. Ao vê-la. porém, debandaram num gor- geio assustado: ~ Uma bruxa! Uma bruxa! - Não fujam! Não fujam! - gritava a sossegá-los - Não quero o vosso canto. .. sou vos- sa amiga! 32
  14. 14. Mas eles já iam longe e nem a ouviam. "Os pássaros têm uma cabecinha de allinete" - pensou tentando consolar-se. Tinha de fazer outra tentativa. Felizmente oportunidades erao que mais havia. Decidiu-se pelas borboletas que andavam na sua gandaia livre, perse- guindo-se, namorando-se num jogo de esconde-esconde. Eram outro milagre com o lami- 33 nado frágil e simétrico das asas, mosqueadas, com lóbu- los de cor, algumas precio- samente caligrafadas a tinta da china, outras brancas, como se a flor do sargaço dos montes, cansada de ser rasteira se erguesse em voos curtos e dançasse a alegria da liber- tação. Semelhavam flores sus- pensas no ar. Que agradável devia ser acompanhar aquele
  15. 15. voo dançante! E a bruxinha abriu acapa, corola ondulada, e juntou-se às borboletas. Mas. .. - "julgarão que quero roubar- -lhes as asas? !" - elas fugiram assustadas, deixando-a sozi- nha. Sentada num muro dava- -se conta que ninguém a acei- tava e de que praticar o bem era afinal, uma tarefa difícil! Foi então, que ouviu vozes, alegres, de meninas que cantavam: 37
  16. 16. E mais uma estrela que na roda entrou. Deixai-a bailar qu'inda não bailou. Aquela Cantiga parecia feita de propósito para ela que ainda não tinha entrado na roda, nem tinha bailado. Seria? Agarrada à vassourinha deixou-se cair, estrela cadente, no meio da roda. Não tinha porém, tocado 38 o chão e já a roda estava desfeita e as meninas fugiam em direcções várias: - Uma bruxa! Uma bruxa! "As ideias preconcebidas! Estava estabelecido de uma vez para sempre que as bruxas eram maléficas. Era uma regra sem excepção como a das palavras esdrúxulas. Que tris- tezal". E assim, naquele mundo de risos, águas claras, asas e 39
  17. 17. flores, o seu primeiro dia tinha sido decepcionante. Era um pouco como os pássaros filha dos ares e voltou a escolher uma nu- vem-berço para dormir. Mas quem diz? ! Não podia pregar olho, apesar da macieza do colchão. Precisava pensar. Achar uma saída. O que desejava tinha-lhe parecido tão simples e fácil! t1
  18. 18. Quando se ofereciam rosas tiravam-se-lhes os espinhos para a dádiva ser só beleza, cor e perfume. Era isso que queria: partilhar com os outros a beleza do mundo sem os espinhos do sofrimento. Mas como fazer? Se despisse a sua capinha perderia todos os seus poderes, com ela ninguém a aceitava. Empalideciam os Iuzeiros da noite, insinuava-se 43 a madrugada e a bruxinha continuava a revolver-se na nuvem como filhó na sertã. Súbito faiscou-Ihe uma ideia: tornar-se invisível! Era isso. Desse modo ninguém se assustaria ao vê-la, podia ajudar quem precisasse, brin- car com quem quisesse. Ah! finalmente era-lhe possivel dor- mir. Ao outro dia seria um grande dia. E foi. 44
  19. 19. - Sabes, mãe, hoje estive por um triz a cair ao ribeiro, quando andava à erva para os coelhos, mas felizmente, um ramo segurou-me. Que susto! "Um ramo? !"rria a bruxinha contente. Que divertido ajudar os outros e sentir-se útil sem que ninguém soubesse! Como as pessoas eram crédulas! - Afinal ainda tenho algu- mas forças, Deus seja louva- 45 do! Olha o molho de lenha que trouxe hoje do monte para o nosso borralho de inverno! - confiava a velhota ao gato, que lhe fazia companhia. "Forças? ! Pobre criatura, dobrada pelos anos e pela vida! Se não fosse a vas- sourinha dar-lhe uma ajuda não teria aguentado o car- rego com as pernas trôpe- gas! " 46
  20. 20. E foi assim que ficou pelo mundo a dar uma mãozinha aos mais precisados. infeliz- mente, não chega para as enco- mendas. Há tanto sofrimento e o mundo é tão vasto que nem mesmo uma bruxinha con- segue estar ao mesmo tempo em múltiplos lugares! E é por isso que aqueles que perderam os seus olhos de criança afir- mam que ela não existe. Mas 49
  21. 21. estão enganados, embora eu reconheça que é muito difícil procurar uma bruxinha invisivel sem aquis certos. Onde encontrá-la? Essa é também a minha dificuldade e por isso recorro a vós. Talvez vocês possam ajudar-me, pois penso que a esta hora, com tantas bondades, já lhe foi possível revelar-se. Com certe- za já se mostrou a uma menina 50 imaginatíva que não se deixou enganar pelo seu traje e olhou primeiro o seu sorriso: - Olha que divertido: uma fada vestida de carnaval! Talvez mesmo vocês já a conheçam e por isso vos peço que lhes levem um recadinho meu. - Digam-lhe que fu¡ eu que contei a história dela. E pe- çam-lhe que venha ver-me e 51
  22. 22. que traga a vassourinha para varrer umas sombras, escuras, do meu coração. Não se esque- çam! Estou tão precisada! Tragam-na até a mim! LL iss. uniocmr. F-'Jil' ITU. flfIE! F'l: ir~_1_~'s. ';_- ? Lilihjt I-ÂIÉ-? IL- uq¡ -yiun- g fÃA_¡| |¡¡: _"¡ r¡'. -1:: rr'J. L.'n'-l('¡. rx UKLL Inqrxnn' K-frtüã lnzfrn segçnp l na_ . Í. 'J Í "teduiáb mm. a, :tam: txt-Aí. .. 3:; aaja: u;

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