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Literatura Gótica - Parte III

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Da decadência ao revival da literatura gótica na Inglaterra Vitoriana

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Literatura Gótica - Parte III

  1. 1. Literatura Gótica III • O Gótico depois de Frankenstein • Era Vitoriana Profª Winnie Elias Teofilo
  2. 2. O Gótico depois de Frankenstein Depois do sucesso de Frankenstein (1818) seguiu-se The Vampyre (1819), obra sobre vampiros do doutor John Polidori. O autor, que começou a escrevê-la naquele inverno junto de Byron e dos Shelley, mas depois abandonara o projeto, decidiu concluí-la e publicá-la em razão do grande sucesso de Frankenstein.
  3. 3. The Vampyre: última obra do desenvolvimento do gótico na Literatura Inglesa no início do século XIX. - A partir da década de 1820 o gênero cai gradualmente no esquecimento na Inglaterra Vitoriana.
  4. 4. Era Vitoriana (1837-1901)
  5. 5. Introdução A Era Vitoriana foi uma das épocas mais progressivas na história da humanidade. Muitas invenções surgiram neste período. Também foi uma grande época para a literatura e o teatro.
  6. 6. Invenções 1800 Bateria elétrica 1803 Barco a vapor 1809 Telégrafo 1816 Bicicleta 1820 Cultivadora 1822 Câmara Fotográfica Ferro elétrico Motor elétrico 1823 Cimento Máquina de calcular 1827 Fósforo 1831 Revólver 1833 Fotografia 1838 Estetoscópio 1846 Nitroglicerina 1858 Refrigerador 1859 Carro dormitório em trem Espectroscópio prismático 1865 Fechadura de segurança. 1866 Cabo telegráfico Dinamite 1868 Máquina de lavar roupa Margarina 1873 Garrafa térmica 1874 Arame farpado 1876 Motor a gasolina Telefone 1877 Fonógrafo Microfone 1879 Caixa registradora Lâmpada incandescente 1884 Metralhadora 1885 Motocicleta Transformador 1887 Automóvel Gramofone 1891 Automóvel elétrico 1892 Carburador 1893 Motor diesel Zíper 1894 Célula fotoelétrica 1895 Forno elétrico Rádio telégrafo 1899 Gravador Magnético
  7. 7. Os vitorianos tinham um apego especial pela Idade Média e tudo o que houvesse de sombrio e sobrenatural nela. Não é por acaso que no século XIX houve uma verdadeira “febre medieval”, com restaurações de castelos, encenações de torneios, e decorações e mobílias inspiradas na arquitetura gótica (e do período Tudor), como esse armário de madeira fabricado em 1861:
  8. 8. Rainha Vitória (1819 – 1901) Rainha aos 18 anos. O seu reinado de 63 anos e 7 meses foi o mais longo da história do Reino Unido até a data e ficou conhecido como a Era Vitoriana.
  9. 9. Casa de Hanôver A casa de Hanôver, em alemão: Haus von Hannover, foi fundada em 1635. De origem germânica, a casa de Hanôver substituiu a casa de Stuart na Coroa britânica em 1714, inserindo uma nova dinastia de soberanos para o país.
  10. 10. Albert e Victoria O casal real que mudou a cultura e os costumes em seu país e no exterior.
  11. 11. Albert e Victoria Quando, em 1837, a rainha Vitória herdou o trono britânico, poucas semanas depois de ter completado 18 anos e após uma longa linhagem de monarcas homens, ela foi recebida como o símbolo de uma nova era no país. E, naturalmente, logo começaram as especulações em torno de quem seria seu futuro marido. Sua mãe e o governo gostariam que ela se casasse com o príncipe Ernst, seu primo e filho mais velho do Duque de Saxe-Coburgo-Gota. Mas Victoria se apaixonou pelo irmão caçula de Ernst, Albert, deixando os súditos deliciados com a ideia de um genuíno casamento por amor – e não por interesses, como costumavam ser as uniões reais de então. O profundo afeto entre a rainha e o príncipe-consorte mudou para sempre a cultura britânica e até a ocidental – muitas tradições que mantemos hoje vieram do casamento de Vitória e Albert.
  12. 12. Fatia do Bolo ERA COSTUME DA REALEZA GUARDAR UM PEDAÇO DO BOLO DOS CASAMENTOS REAIS. O HÁBITO SE PERPETUOU E HOJE É TRADIÇÃO NA INGLATERRA ENTRE NOBRES E PLEBEUS.
  13. 13. Albert e Vitória Quando o príncipe Albert deu à rainha um anel de noivado – um costume nada difundido na primeira metade do século 19 -, ele lançou uma moda que dura até hoje. O casal se presenteava a cada aniversário e a cada novo ano do casamento, assim como no Natal. O príncipe, sendo alemão, introduziu na Grã-Bretanha a tradição de ter uma árvore de Natal em casa.
  14. 14. Albert e Vitória Assim se passaram 21 anos até que Albert veio a falecer de febre tifóide aos 42 anos. A partir de então a Rainha governou a Inglaterra sem seu grande companheiro, mas na companhia de seus 9 filhos. Em constante memória à falta do Príncipe, ela nunca mais tirou os trajes de luto e fazia questão de arrumar a roupa que Albert vestiria no dia, como era de seu costume tal como se ele ainda fosse trabalhar com ela no gabinete.
  15. 15. A Era Vitoriana foi uma época de tradições mórbidas e obsessão pela morte. A grande responsável pela cultura do luto extremado na Era Vitoriana foi a própria Rainha Vitória. Após ficar viúva em 1861, a Rainha vestiu o luto fechado por três anos e o meio-luto pelo resto da vida. Toda a corte foi obrigada a acompanhar o luto da Rainha. •
  16. 16. Ela fez com que se mantivessem intocados os quartos do Príncipe Albert em todas as residências da família real e os dias de seu nascimento, noivado, casamento e morte se tornaram solenes e sombrios na Inglaterra. A Rainha encarnava o ideal da mulher do século XIX, profundamente devotada ao marido e aos filhos e incapaz de voltar à alegra após a viuvez. Assim, ela deu o tom do comportamento feminino.
  17. 17. Na foto da esquerda, ela aparece rodeada pelos cinco netos, de luto pela mãe deles, a Princesa Alice. Na direita, as filhas da Rainha Vitória aparecem ao redor de um busto do Príncipe Albert, pai delas.
  18. 18. A morte presente na vida vitoriana • Expectativa de vida um homem de classe média ou alta era de aproximadamente 40 anos. • 57% das crianças da classe trabalhadora morriam antes dos cinco anos de idade • Havia banquetes na casa dos mortos, um funeral era um evento social importantíssimo. • Espetáculos de espiritismo (para os de classes mais baixas) ou sessões particulares com médiuns (para as classes mais altas), eram populares em busca de provas da vida após a morte.
  19. 19. “Em sua vida, o vitoriano frequentemente presenciava a morte. Considera-se que, no século XIX, a cada vinte crianças, três morriam antes de seu primeiro ano e a expectativa de vida era de somente 43 anos. As maneiras simples de prevenção de doenças, muitas delas baseadas no controle básico da higiene na preparação de alimentos ou nos partos não eram uma praxe, assim como a frequente utilização de medicamentos duvidosos de origem caseira aumentavam as chances de falecimento prematuro. Não era nada incomum que se estendesse de um período de luto para outro, os indivíduos passavam um bom tempo de suas vidas cobertos de negro. Por ser uma sociedade altamente regida pelos códigos de etiqueta, consequentemente a morte foi também rigidamente regulamentada. Desrespeitar essas regras era considerado um verdadeiro escândalo, um ato de imoralidade. (…)
  20. 20. Jornais de costumes e manuais de etiqueta, muito comuns à época, traziam todas as recomendações e dicas a serem seguidas nesses momentos e eram muito populares entre a classe média. O luto tornou-se um cerimonial complexo, normatizado desde as cartas de condolências até a maneira de conversar com a viúva. Dentro das casas, as cortinas eram abaixadas e os relógios parados na hora do falecimento. Espelhos eram cobertos. A família não se reunia para as refeições enquanto o cadáver estivesse presente. Era aconselhável que se preparassem funerais dispendiosos, erguessem túmulos artisticamente preparados com monumentos ao morto. Todos os detalhes eram observados e mesmo os cavalos que levavam o carro com o caixão deveriam ser pretos e decorados em preto. A determinação em assegurar um funeral decente para os membros da família foi característica seguida por todas as classes na sociedade vitoriana, mesmo quando os gastos colocassem em risco a sobrevivência dos que ficavam. Ninguém queria enterrar seus entes em túmulos medíocres.” (Extraído de SCHMITT, Juliana. Mortes Vitorianas: Corpos e Lutos no Século XIX. 2008. Dissertação – SENAC/SP. pp 77-78)
  21. 21. Estágios do Luto Vitoriano LUTO FECHADO O luto fechado era usado em caso de morte de parentes em primeiro grau e sua duração dependia da relação de parentesco: Para maridos – 2 anos, sendo o primeiro ano chamado de luto profundo e o segundo ano, luto ordinário Para filhos ou pais- 1 ano Para irmãos ou avós- 6 meses Para parentes em outros graus, o uso do luto fechado dependia do grau de afeição pelo falecido, mas a regra era que se usasse o luto fechado no funeral e meio-luto no restante do tempo: Tios- dois meses Tios-avós – seis semanas Primos em primeiro grau – quatro semanas
  22. 22. Estágios do Luto Luto profundo Na fase inicial do luto, exigia-se da mulher um guarda-roupa completamente preto. O traje de luto deveria se restringir ao mínimo de detalhes, evitando laços, babados e qualquer tipo de flor ou brilho. Durante esse período, esperava-se que a mulher restringisse suas atividades sociais a eventos religiosos e pequenas reuniões familiares. No entanto, deveria se apresentar muito sóbria: todas as joias eram proibidas. No caso de alfinetes de chapéu ou presilhas de qualquer tipo, elas deveriam ser feitas em jet, que é uma pedra completamente negra.
  23. 23. Estágios do Luto Luto Ordinário No segundo ano do luto fechado, o preto permanecia como cor obrigatória, mas admitia-se o branco em punhos e colarinhos. Nesse momento, uma viúva com filhos e que não tivesse como se sustentar poderia se casar novamente. Poderia usar branco, se quisesse, mas não o véu e as flores de laranjeira, que eram prerrogativa das virgens. Era comum que, já no dia seguinte ao segundo casamento, a noiva retornasse ao traje de viúva.
  24. 24. Trajes de Luto
  25. 25. Memento Mori Após a invenção do daguerreótipo (o precursor da fotografia), o hábito de criar imagens duradouras dos entes queridos mudou drasticamente. A partir da Era-Vitoriana, o mundo viu surgir um promissor mercado de fotos post-mortem, obtidas por uma classe de profissionais que se esmerava em conceder uma "aparência de vida" a corpos já inanimados. A atividade ficou conhecida como "Memento Mori", expressão que pode ser traduzida com "Lembrança dos Mortos" e encontrou grande aceitação na Europa e no Novo- Mundo.
  26. 26. Memento Mori Em 1848 existiam profissionais especializados em oferecer seus serviços para famílias que desejavam ter uma imagem de seu ente querido. A fama destes fotógrafos como verdadeiras "aves negras" em busca de pessoas prestes a morrer a fim de oferecer seus serviços, chegou a conceder uma má-fama aos profissionais da fotografia. Por algum tempo, fotógrafos chegaram a ser comparados a coveiros e agentes funerários. Era comum que ele fosse colocado sobre lareiras ou na parede. Ainda que fosse mais barato que o trabalho de um artista, uma fotografia ainda custava o equivalente a semanas de salário.
  27. 27. O Gótico adormecido na Era Vitoriana Neste período surgiu a Literatura Pedagógica, que tinha por finalidade treinar as pessoas quanto aos mais variados assuntos, desde o comportamento das senhoritas até a educação dos filhos. Era necessário mostrar para a sociedade que o que ela exigia estava sendo cumprido, pouco se longe dos “olhos” dela, a realidade fosse outra.
  28. 28. Havia uma moralidade convencional, rígida e o caráter sagrado da vida em família, era devida ao exemplo da Rainha Vitória, e sua influência considerável sobre a Literatura e a vida social.
  29. 29. Era de Desigualdades A Época Vitoriana tornou-se uma época de cruzados, reformadores e teóricos, já que em termos teve progressos, mas, também teve dúvidas. Havia muita pobreza, injustiça e pouca certeza sobre a fé ou a moral. Com todos os ideais, foi uma época puritana e assuntos como o sexo, eram tabus.
  30. 30. Thomas Robert Malthus (1766-1834) afirmou que o problema da pobreza só poderia ser resolvido pela limitação artificial da taxa de nascimento. Um grande problema para os escritores da Época Vitoriana surgiu com o desafio que a nova ciência dirigiu à fé cristã.
  31. 31. A decadência do gótico na Era Vitoriana O gótico entrou em franca decadência e foi praticamente esquecido durante esse período, mas estranhamente ressurgiu com ainda mais força na Literatura Inglesa do final do século XIX.
  32. 32. A decadência do gótico na Era Vitoriana Uma explicação plausível seria a de que na Era Vitoriana levou-se os ideais iluministas ao extremo, recobrindo assim a ferida aberta da literatura gótica com uma espécie de curativo dourado de festas e “certezas” científicas.
  33. 33. A decadência do gótico na Era Vitoriana Coincidentemente ou não, surge a Literatura Norte- Americana para suprir essa brecha (como se a ferida tapada de um lado do Atlântico surgisse agora do outro lado, em algo semelhante à disseminação sub-reptícia de uma doença incurável que, quando cicatrizada de um lado, irrompe com toda força do outro).
  34. 34. Alguns autores da Era Vitoriana • Charles Dickens • Robert Louis Stevenson • Lewis Carol • George Elliot • Thomaz Hardy • Oscar Wilde
  35. 35. Charles Dickens Estilo poético, abordando constantemente uma reforma na sociedade. Obra mais conhecida: ‘Oliver Twist’ de 1846. Em sua sepultura está gravado: “Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos; e com a sua morte, um dos maiores escritores de Inglaterra desaparecia para o mundo”.
  36. 36. https://www.youtube.com/watch?v=p5h2LBrNrfk Charles Dickens– Grandes Esperanças
  37. 37. Literatura de Protesto– Crítica Social O contexto social e cultural da época teve um profundo impacto sobre literatura do período vitoriano. Algumas obras de literatura protestavam a dura realidade da era industrial. Descrevendo as condições deploráveis ​​em fábricas e minas, a situação do trabalho infantil , a discriminação contra as mulheres, e outras questões sociais, tais obras literárias eram um meio de reforma social.
  38. 38. Literatura de Protesto– Crítica Social Mary Barton (de autoria de Elizabeth Gaskell) foi um dos primeiros romances a advertir contra os problemas da industrialização. Charles Dickens trabalha Oliver Twist e Hard Times tratando os temas de abuso infantil, a pobreza, a miséria urbana, criminalidade e sistemas educacionais corruptos.
  39. 39. A NovelaVitoriana O romance era o gênero dominante no período vitoriano. Além de Charles Dickens que criou uma série de personagens inesquecíveis, as irmãs Brönte.
  40. 40. - Obras-primas isoladas da Literatura Inglesa (Era Vitoriana) que ainda apresentam influência gótica em seus enredos: O morro dos ventos uivantes (1847), de Emily Brontë, Jane Eyre (1847), de Charlotte Brontë;
  41. 41. Irmãs Bronte
  42. 42. DramaVitoriano A maioria das obras do período carecem de profundidade e originalidade. Dois dramaturgos são excepções a esta tendência: Oscar Wilde (1856- 1900) e George Bernard Shaw ( 1856-1950 ) . Comédias de Oscar Wilde , tais como The Importance of Being Earnest e O leque de Lady Windermere abundam em polonês verbal e cinismo. Já as peças de Shaw abordado tais questões sociais como educação , casamento e o sistema de classes em uma veia cômica. Seus trabalhos incluem Homem e Superman, Pygmalion , e St. Joan .
  43. 43. George Bernard Shaw (1856-1950) Oscar Wilde (1856-1900)
  44. 44. No final do século XIX aparecem também as transformações do gênero gótico, ou seus subgêneros: o gênero policial surge com toda força, antiteticamente calcado na lógica matemática e na psicologia do crime incorporados e expressados no excêntrico detetive Sherlock Holmes, criação de Arthur Conan Doyle, cujas histórias começam a vir a público pela primeira vez em 1887.
  45. 45. A ficção científica ganha suas bases e contornos com O médico e o monstro (1886), de Robert Louis Stevenson, e com a obra de H. G. Wells, notadamente em A ilha do dr. Moreau (1896) e A guerra dos mundos.
  46. 46. O revival da literatura gótica na Inglaterra se dá em 1890, com a primeira publicação de O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Aqui, o gótico já tem uma força surpreendente de impacto no leitor e ainda recebeu de Wilde sutilezas estético- literárias que ficariam difíceis de ser mencionadas sem ser analisadas. https://www.youtube.com/watch?v=7SzvRSJmOjI
  47. 47. Finalmente, surge o último laivo da literatura gótica no século XIX inglês, uma obra estética, artística e formalmente comparável apenas ao Frankenstein, de Mary Shelley: o famoso, porém lido por quase ninguém, e famigerado Drácula (1897), de Bram Stoker. https://www.youtube.com/watch?v=1jM9V- zggms

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