Uf Journal Mar Abr 08

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Uf Journal Mar Abr 08

  1. 1. ANO 5 • Nº 50 • MAR/ABR 2008 • EDIÇÃO BRASILEIRA MODA PROFISSIONAL MEGATENDÊNCIAS MASCULINO inverno 2009 + R$20,00 MARITHÉ ET FRANÇOIS GIRBAUD VICENTE MELLO GUERRILLA STORE NEGÓCIO RADICAL ISSN 1808-6829 VESTUÁRIO CALÇADOS&BOLSAS MALHARIA JEANS INFANTIL ACESSÓRIOS LOJISTA CULTURA COMPORTAMENTO
  2. 2. sumário 5 DICAS DA REDAÇÃO 8 VESTUÁRIO 10 MALHARIA 36 12 JEANS 14 MASCULINO 16 CALÇADOS 38 19 INFANTIL GUERILLA STORE CAPA: MODELO NO FINAL DA APRESENTAÇÃO IMPECÁVEL DE DRIES VAN NOTEN, EM PARIS. FOTO: © AGÊNCIA FOTOSITE 34 EXPEDIENTE Diretor-Presidente Jorge Faccioni Diretora Alessandra Faccioni Diretor de Expansão Rolf Zenker 12 Diretora de RH Patrícia Santos Diretor de Redação Thomas Hartmann 20 ACESSÓRIOS NÚCLEO DE PESQUISA E COMUNICAÇÃO Gerente e Editora-Chefe 22 ACONTECE Inêz Gularte (Mtb 7.775) 20 Edição de Moda 24 MEMÓRIA Eduardo Motta (consultoria) Redação 24 OPINIÃO Fernanda Maciel (Mtb 13.399), Aline Ebert e Lisie Venegas Produção de Arte Jônatan Skrzek (designer gráfico), 26 LOJISTA Carine Hattge e Jordana Neumann (tratamento de imagens) Revisão 32 COMPORTAMENTO Vanessa Alves Gerente de Pesquisa de Moda 34 PERFIL Aline Tedesco Gerente de Pesquisa e Coberturas Internacionais 36 CULTURA Lisiane Dalle Nogare Equipe de Pesquisa Juliana Zanettini (jeans), Lívia Medeiros (calçados, bolsas e infantil), 38 MEGATENDÊNCIAS Patrícia Hagemann e Gisele Pelisoli (classificação vitrines) Consultores MASCULINO Alexandre Gomes dos Santos (jeans), Angela Aronne (malharia), Eduardo Motta (calçados e bolsas), Martina Heuser (vestuário feminino) e Paula Visoná (malharia). ao leitor Colaborou nesta edição Fernando Cunha A UseFashion apresenta, nesta edição, um painel de referência, abrindo fontes de pesquisa com perso- UseFashion Journal (ISSN 1808-6829) é uma publicação mensal do Sistema UseFashion de Informações Megatendências voltado para o público masculino. nagens, fatos e objetos do cinema, da música e da Tiragem: 10.000 exemplares As artes, a história, os estudos comportamentais, os história em geral. Identificamos também as princi- Impressão: Gráfica Editora Pallotti indicadores econômicos e as mudanças climáticas, pais peças, materiais, cores, aviamentos, calçados, Os textos dos colunistas e colaboradores são de responsabilidade dos são alguns dos fatores que compõem o painel de bolsas, e finalizamos com uma seleção dos 10 me- mesmos e não representam necessariamente a opinião da empresa. fundo dessa análise. É um meticuloso estudo das res- lhores looks, feita por nossa equipe de especialistas. Todos os produtos citados nesta edição são resultado de uma seleção jornalística e de consultoria especializada, sem nenhum sonâncias destes vetores e de como eles influenciam Sem dúvida, este é um material de valor inestimável, caráter publicitário. Todas as matérias desta edição são de responsabilidade do as propostas apresentadas. não só para quem trabalha exclusivamente com Núcleo de Pesquisa e Comunicação da UseFashion. É importante um olhar criterioso para detectar as mu- o masculino, mas para todos os profissionais que Proibida a reprodução, no todo ou em parte, sejam quais forem os meios empregados, sem a autorização por escrito do Sistema danças em curso na cultura, antevendo os componen- entendem que a moda é hoje uma manifestação UseFashion de Informações. tes que irão dar forma às roupas e acessórios mascu- completa, com os vários segmentos interagindo e Redação linos. A roupa para homens tem um jeito particular de oferecendo pistas sobre os rumos de um e de outro. imprensa@usefashion.com 51 3035 1707 evoluir, renovando de forma persistente, mas extrema- Uma ótima leitura para você! Publicidade mente discreta, os seus códigos. Com pouco espaço usefashion@usefashion.com 0800 603 9000 para transformações radicais, tudo se concentra no Jorge Faccioni detalhe, no apuro técnico e nas formas particulares de Assinaturas vendas@usefashion.com Diretor-Presidente uso. Os desfiles das semanas de Nova York, Londres, 0800 603 9000 Milão e Paris, em uma temporada excelente, ofere- Atendimento ao cliente 0800 602 5221 cem um rico repertório de imagens para ilustrar essa ERRATA leitura. Acompanhe as transformações na alfaiataria Na editoria Acontece, página 21, matéria Fashion Business, e a forma como as questões envolvendo a ecologia a marca Di Bella não participou dos desfiles técnicos. Em Ping-Pong, página 22, a resposta correta de José Simão para e mudanças no clima mundial interferem e ajudam a a pergunta “Qual seu estilo?” é: Moderno desbundado, definir nossas formas de vestir na atualidade. clássico, meio Mick Jagger. Em Radar Internacional, página 27, o último calçado é Prada, não Miu Miu. A edição traz uma seleção de textos e imagens de Copyright © 2008 Sistema UseFashion de Informações Rua Tupi, 758 | 5º andar, Centro | Novo Hamburgo/RS 4 USEFASHION JOURNAL CEP 93336-010 | Fone: (51) 3035.1707
  3. 3. dicas da redação Filme fashion foto: divulgação O próximo filme com roteiro ligado à moda e que deverá movimentar os fashionistas de todo o mundo é “Coco Avant Chanel”, que mostra a primei- ra metade da vida da estilista. O cartaz já está circulando pela internet e traz a bela atriz Audrey Tautou, que interpreta Coco, usando terno e gravata. A produção deverá ser lança- da somente em 2009. Por enquanto, vale ficar acessando um blog sobre Audrey, que segue todos os seus passos no mundo artístico. Acesse: http://audrey-tautou.org Illustration Now! 2 foto: reprodução Acaba de ser lançado, no Brasil, o livro Illustration Now! 2, da Editora Taschen. A publicação é editada por Julius Wiedemann e reúne o trabalho de 150 ilustrado- res, de 25 países diferentes. A ilustradora brasileira Nice Lopes foi uma das partici- pantes. São 480 páginas, escrito em italiano, espanhol e português. Saiba mais: http://nicelopes.blogspot.com Nova marca foto: divulgação Karlla Girotto e Fawsia Borralho estão lançando a marca de bolsas Gibb. O objetivo é criar produtos de desejo, sem coleções vinculadas a temporadas, mas novidades colocadas no mercado de acordo com o ritmo criativo espontâneo da dupla. A primeira amostragem está à venda no showroom Never Out Stock. Passe lá: Rua Augusta, 2845 - São Paulo (SP). Entre o Céu foto: reprodução e a Terra O Sofitel São Paulo recebe, até 15 de abril, a exposição “Entre o Céu e a Terra”, com obras do chileno Walter Contreras, radicado no Brasil desde 1976. São três fotografias e cinco telas de tamanhos variados, resultantes de pesquisas sobre a utilização de minérios na pintura. A entrada é gratuita e o público ain- da terá a oportunidade de adquirir algumas obras, com valores entre R$ 900 e R$ 9.000. Confira: Sofitel São Paulo: Rua Sena Madureira, 1355, Ibirapuera - São Paulo (SP). Inspiração mod foto: divulgação A nova linha de maquiagem da Shiseido para o inverno aposta em olhos contornados e lábios delineados, em uma beleza com foco na intensidade. Entre os lançamentos está os delineado- res Accentuating Cream Eyeliner “black” ou “brown”, de longa duração; os batons “Automatic Lip Crayon” em cinco cores inspi- radas no pop art; os quatro tons de sombra da “Silky Eye Shadow Quad”; e os “Lip Gloss” ultrabrilhantes. fotos: © Agência Fotosite Acesse: www.shiseido.com.br MARÇO/ABRIL 2008 5
  4. 4. armações Óculos com s são cheios bem grande único A! de estilo. O essário é on D hi cuidado necroporção do as eF O Us manter a p o tamanho do s: to s fo M ri rosto com Pa acessório. É do Para fugir le comum, va investir em a blusa Se a gola d a, vale penteados como não for alt mantas diferentes apostar nas cobrir os presos ”. a fartas par om “bagunçados o pescoço c elegância. casacão, N o lugar do couro m a jaqueta e s, que com punho as não esquenta, m .k cobre o loo em O maxipull o em tricô é usad com o sobreposiçã e faz as outra peça stido. vezes de ve da ia A assimetr qualquer barra tira da monotonia produção. aixo O sapato b panhia ganha a com m da polaina ea peça lã e se torn heia de c perfeita e o inverno. estilo para 6 USEFASHION JOURNAL
  5. 5. É M ris O Pa D moderno O cabelo é da franja A! por conta , mas tem desbastada to e cor comprimen clássica. lã A gola em ece e natural aqu . Muito e faz charmm os cuidado co s não brincos, ele r o visual. devem pesa stou em A moça apo des, n argolas gra delicadas. mas muito A capa é rtável, superconfo mangas e esconde as tima cria uma ó le apostar silhueta. Va rtes aqui em pa ecas e inferiores s discretas. dedo são Luvas sem inverno. tudo neste modelos Aposte nos u lã. em couro o a feita A bolsa todganha em crochê parte franjas na enfeitada ta deixa inferior e és para A bota pre da meia por bottonrtesanal um pedaço ostra e não ficar a colorida à mtilo junto s demais. ainda faz e a azul da meia-calç trio m vibrante. U perfeito. MARÇO/ABRIL 2008 7
  6. 6. vestuário inverno 2008 O couro que não parece couro Efeitos rendados, de escamas, listras ou mosaicos. Tudo feito com o couro. Os acabamen- tos obtidos com esse material são de surpreender até os mais entendidos no assunto. Para quem trabalha apenas com ele, é enorme a exigência por variações de toque e caimento que viabilizem recursos tradicionalmente aplicados apenas ao pano. É o que acontece com a estilista brasileira Patricia Viera, que consegue resultados insuspeitos nas suas cole- ções, aproximando o material dos aspectos de diferentes tecidos. O início do desenvolvimento é sempre dentro de um curtume e com a ajuda de um quí- mico. É ele o responsável por traduzir cada um de seus desejos em matéria-prima. “Em toda coleção, vejo quais os tecidos que gostaria de fazer no couro. Já fizemos linho, jeans, veludo, lamê e cetim”. Só depois disso que a estilista parte para dar forma às peças. Na coleção de inverno 2008, recentemente apresentada na 23ª São Paulo Fashion Week, a estilista queria uma textura enrugada, mas os técnicos não sabiam como conseguir esse efeito. Depois de muita pesquisa, chegaram a um líquido que enruga o couro sem que seja necessário empregar costura. Outra grande descoberta foi o adesivo que possibilitou a produção de mosaicos, também sem costura. “Imagina costurar todos aqueles pedaci- nhos um a um?”, questiona a designer. Com toda essa variação de formas e texturas, aplicadas sobre couros sedosos, de toque delicado, o material, antes somente ligado ao inverno, ganha espaço em qualquer esta- ção. Um colírio para os olhos! Pesquise no www.usefashion.com/suppliers e encontre mais de 100 curtumes cadastrados. Patricia Vieira 8 USEFASHION JOURNAL
  7. 7. fotos: © Agência Fotosite Patricia Vieira Patricia Vieira TECNOLOGIAS TÊXTEIS IMITAM O COURO O couro vegetal, obtido através do látex, e os tecidos tecnológicos, com acabamento que simulam o aspecto do couro, também têm sido muito usados. Para Fabia Bercsek, que sempre trabalhou com o couro animal, o desafio, desta vez, foi usar a tecnologia têxtil para reproduzir o couro verdadeiro. Os tecidos utilizados na sua coleção de inverno 2008 são, na verdade, bases em jacquard muito leves. “O legal desses materiais é que eles vão evo- luindo em cores e texturas e, muitas vezes, são mais interessantes do que o couro animal, principalmente no vestuário. Só vestindo para saber”, instiga Fabia. A Osklen apresentou uma série de peças com o selo e-fabrics para o inverno 2008. Lona ecológica, couro de salmão com curtimento bio leather e também um tecido feito com algodão e aplicação de látex estão entre as inovações. E tudo para denotar um universo essencialmente urbano, que é a cara dessas novas tecnologias! Osklen MARÇO/ABRIL 2008 9
  8. 8. malharia circular fotos: © Agência Fotosite inverno 2008 Hoodies ANDANDO PELA CONTRAMÃO O capuz, no meio da moda, conhecido como hoodie, apareceu na baixa Idade Média, mais exatamente em meados do século XIII. A modelagem surgiu como forma de proteção, sendo cortada no mesmo bloco de tecido que compunha a pelerine (espécie de capa curta, utilizada principalmente por clérigos). A princípio, esse capuz era amplo e pon- tudo, e acabou se popularizando entre os indivíduos que necessitavam de disfarce. Quem não lembra da emblemática roupa de Robin Hood e seu bando? Aliás, o termo hoodie evoluiu jus- tamente a partir do nome do personagem. Com o pas- sar do tempo, a modelagem permaneceu suscitando interpretações ambíguas. Por um lado, o singelo capuz já foi visto como símbolo de liberdade de expressão, idéia popularizada pelo lado herói de Robin Hood. Por outro, identifica a necessidade de disfarce, de um esconderijo soturno que separe o indivíduo e sua per- sonalidade do mundo real, e esse é o lado bandido da peça e do cavaleiro das florestas de Sherwood. Com o tempo, a modelagem evoluiu, o capuz se destacou do restante da roupa e passou a ser utiliza- do como um acessório junto a peças tradicionais do guarda-roupa masculino, exatamente como aconteceu nas últimas coleções. Mas, o modo mais corrente é agregar o capuz aos agasalhos em moletom, seguindo o preceito de uma peça que se confunde com códi- gos sociais tribais do universo jovem. Essa associação trouxe o hoodie de volta para as passarelas, com status de item que expressa os desejos de esportividade e renovação, tão presentes no atual life style masculino. Alguns designers, no entanto, exploram o lado bandido do estilo, apostando em looks que beiram o marginal. Vem daí a polêmica proibição da utilização dos hoodies em alguns estabelecimentos londrinos. Preconceitos à parte, o fato é que respeitáveis estilistas estão apostando nessa peça, no intuito, justamente, de proporcionar a almejada modernidade exigida pelo mercado masculino. Em 2004, Tom Ford previu o hype, e na coleção da Gucci os utilizou sob peças de alfaiataria. Nos desfiles Evisu das semanas de moda brasileira, várias marcas investi- ram na modelagem, inclusive na versão feminina. Herói ou bandido, o hoodie é peça obrigatória. 2nd Floor Sandpiper 10 USEFASHION JOURNAL
  9. 9. malharia retilínea fotos: UseFashion verão 2010 Fios naturais PITTI FILATI FOCA NA ECOLOGIA Luxo ecológico. Esse foi um dos temas da 62ª edição da Pitti Filati, que apresentou ten- dências em fio para a primavera-verão 2009 (que corresponde a de 2010 do hemisfério sul). O belo espaço de pesquisa e tendências focou no tema marinho, com o título “fio de água“, e foi desenvolvido por Angelo Figus e Nicole Miller. A qualidade dos fios bioló- gicos, naturais e ecológicos, em contraposição à idéia do artesanal e rústico, foi o ponto de partida para as apostas da temporada. Há uma sutileza fundamental nessa diferencia- ção que direciona a fiação atual para sofisticadas soluções apoiadas na tecnologia. Os materiais são mais rígidos, sem perder a leveza, para possibilitar os novos drapejados e construções armadas, efeitos que estarão entre os recursos de modelagem explora- dos no vestuário. A mistura de fios possibilita a união de aspectos opostos, como fino e grosso, brilhante e opaco, natural e artificial, exigindo alta qualidade técnica. A lã pura se torna brilhosa; o algodão, sedoso; e a viscose, fluida, quando misturada às fibras vegetais leves, à seda e ao nylon microfibra. Cashemere, linho, acrílico, fios metálicos, as alternativas hemp, juta, bambu, ráfia, fibras do leite e da madeira são as outras fibras que compõem o eclético repertório da estação. Entre as cores da primavera-verão estão tons intensos de azul, branco, creme, cinza esverdeado, verde acinzentado e o coral em várias nuances. Nos acabamentos também predominam as combinações de recursos distintos, unindo processos tecnológicos e biológicos a tinturas naturais. Também são importantes as performances antiestáticas, antialérgicas, antibactericidas e a proteção contra raios UV. Focada na ecologia, a Pitti Filati explora o melhor da tecnologia. Confira a cobertura completa da feira no portal usefashion.com, em Vestuário, Verão 2010. MARÇO/ABRIL 2008 11
  10. 10. jeans fotos: reprodução e © Agência Fotosite Paixão por denim MARITHÉ ET FRANÇOIS GIRBAUD E AS REVOLUÇÕES DO JEANS Tudo começou quando o então garoto François sonhava em se tornar cowboy. Ele tinha fascínio por tudo o que dizia respeito a histórias de mocinhos e bandi- dos, pelo figurino macho de John Wayne e pela rebeldia de Elvis Presley. Quando adulto, ele decidiu abrir uma pequena loja de roupas. Para ele, aquilo não era moda, e sim um reflexo de seus gostos e fantasias pelo mundo do cinema. No ano de 1960, ele conheceu Marithé Barchellerie, sua sócia e companheira de vida que compartilhava os mesmos ideais. Em 1972, a sociedade rendeu uma boutique em Les Halles, área comercial em Paris, conhecida, na época, por abrigar mercados de alimentos e pontos de prostituição. Através de uma grande cumplicidade de visão, a dupla trouxe uma nova abor- dagem à moda. Suas roupas eram populares, traziam um espírito urbano cheio de inquietude e respondiam aos desejos do consumidor jovem por liberdade, conhecimento e state of mind. Eles foram os primeiros a usar pedras na máquina de lavar a fim de produzir efeitos diferenciados no denim, criando a mais popular técnica de lavanderia, a stone washed. Desde então, o jeans não foi mais o mesmo. Ano após ano, o material ganhou nova roupagem, adaptando-se à anatomia, e sempre em busca de conforto no movimento e de inovação e multifuncionalidade. Eles também foram precursores da modelagem baggy, adotando a silhueta quando ninguém pensava em usá-la. Efeitos puídos, rasgados, lixados, aspecto de sujo e o amaciamento de calças com lavagens brutas através de placas de esmeril também fazem parte das invenções de Marithé e François Girbaud. Lado a lado com a renovação do jeans e dos processos industriais, a marca investiu em campanhas publicitárias audaciosas, clicadas por fotógrafos como Oliviero Toscani, Michel Nafziger e Nadav Kander. Jennifer Beals, para quem não lembra, a protagonista pé-de-valsa do filme Flashdance, foi embaixatriz da marca nos anos 80. Mas eles não pararam por aí, vale lembrar que, desde então, lançaram o denim stretch, os acabamentos termo-colantes, e até mesmo o Blue Eternal, um jeans que não desbota. Idéia no mínimo curiosa para quem forçou o desgaste do jeans até o limite, mas que dá a medida elástica do potencial criativo da dupla. Na temporada para o verão 2009, tanto no desfile masculino quanto no femini- no, eles empregaram processos revolucionários em que a lavagem do denim é toda realizada a laser até que a cor desejada seja alcançada, engajando-se nos movimentos de preservação da água do planeta. Marithé e François gostam de afirmar que são “jeanologistas”, e é verdade. Os dois contribuem para a engenharia da moda através de constante invenção técni- ca e formal, e estão, ainda hoje, como estiveram sempre, à frente de seu tempo. 12 USEFASHION JOURNAL
  11. 11. MARÇO/ABRIL 2008 13
  12. 12. masculino fotos: UseFashion e © Agência Fotosite inverno 2008 Caminhos da alfaiataria Dois importantes profissionais brasileiros, Ricardo Almeida e Mario Queiroz apresentam sua coleção para o próximo inverno, aqui, no UseFashion Journal, e o momento não poderia ser mais adequado. A alfaiataria, um terreno explorado por ambos, passa por uma fase especial no cenário da moda mundial. Essa que é a melhor técnica de construção de roupas, e que foi sempre um selo inconfundível de qua- lidade, tornou-se também sinônimo de estilo contemporâneo, ganhan- do espaço entre camadas mais jovens de consumidores. Em tempos de produção em massa, uma peça de alfaiataria é garantia não só de medidas perfeitas, mas de exclusividade, valor que se afina muito bem com as tendências de consumo que regem o mercado na atualidade. Ricardo Almeida aposta em uma silhueta enxuta, construída próxima do corpo e valorizando o tórax, braços e pernas. Não há excessos no seu tra- balho. Tendências como a calça boca-de-sino e a mistura de padrões são tratadas na medida certa. Coordenar com maestria a fusão de tradição e modernidade é uma das habilidades desse alfaiate da melhor estirpe. Os tecidos são de alta qualidade, como o veludo e a lã mesclada à seda, empregados na alfaiataria, e o algodão especial com base de elastano, utilizado para a camisaria. A cartela traz algumas surpresas por conta dos tons de uva, vinho e arroxeados. Listrados, xadrezes e pied de poule estão entre os padrões utilizados por Ricardo. Mario Queiroz tem um compromisso com a moda masculina contem- porânea, e lança mão da alfaiataria em peças fortes da coleção. Seu estilo é aberto a muitas influências. Nesta estação, ele abraçou o clima dos filmes noir relido pelas graphic novels em uma coleção que aposta no bom humor e na irreverência. Bom exemplo é o blazer de proporções encolhidas no jacquard acetinado, complementado por calça de couro, em que as proporções e a matéria-prima deixam de lado a tradição para apostar no rejuvenescimento do clássico. 14 USEFASHION JOURNAL
  13. 13. Ricardo Mario Almeida Queiroz MARÇO/ABRIL 2008 15
  14. 14. calçados inverno 2008 Bons parceiros, bons negócios No Brasil e no mundo, os números de parcerias entre marcas e estilistas têm aumentado, mostrando que as empresas percebem essa possibili- dade como uma ferramenta para reunir interesses em comum e gerarem bons negócios. Apenas para o inverno 2008, uma infinidade de marcas apostou nessa estratégia, entre elas a Corso Como, grife americana de calçados de luxo que produziu três sapatos exclusivos assinados por Lino Villaventura. O presidente da Corso Como, Carlos Kray, explica que a parceria ocorreu justamente porque o foco da marca ao entrar no mer- cado nacional é ficar ao lado de outras que estejam a sua altura, como é o caso da grife de Lino Villaventura. Um exemplo de união que deu certo é a de Paula Ferber e André Lima que, pela segunda vez consecutiva, desenvolveram calçados. Da sinergia criativa entre a designer e o estilista, nascem modelos com características como as apontadas por Paula. “Admiro a ousadia do André, sua capacidade em mesclar cores e brilhos inusitados e, dessa mistura, conseguir um resultado sofisticado”, diz. A junção de nomes internacionais e marcas brasileiras também se for- talece. O caso mais recente foi o da parceria da Melissa e da inglesa Vivienne Westwood em uma ação que recriou seu clássico Mary Jane, originalmente feito em couro. Para Paulo Pedó, gerente de Operações da Melissa, a parceria é o encontro de duas marcas com um discurso de irreverência, inovação e conteúdo. Vivienne complementa dizendo que o que mais a entusiasmou foi poder criar produtos modernos, de altíssima qualidade e preços acessíveis. Releituras também para a Bota Worker, da West Coast, que completa 20 anos, e fechou parceria com a grife Amapô. O item foi um dos símbolos masculinos que ditou moda nos anos 80 e, através da par- ceria, recebeu estampas, cores vibrantes e costuras modernas. MELISSA + VIVIENNE WESTWOOD Em tempos em que cada marca precisa disponibilizar looks comple- tos, a saída para o setor de vestuário é mesmo encontrar parceiros na indústria de calçados. Isso porque calçados são artefatos complexos. Como diz um ditado do meio: para fazer um são necessários dois! O suporte técnico e a mão-de-obra especializada não são recursos que se possa montar e desmontar com facilidade. A variedade de componentes necessários para se construir um único par é outro fator intimidante para quem se aventura a produções temporárias. Felizmente, o quadro é favorável, pois o Brasil tem um enorme parque industrial disponível, e a reunião de mentes criativas com esse aparato com certeza gera bons resultados. Para ver todos os modelos dessas coleções, acesse o link de desfiles no portal usefashion.com, selecionando Fashion Rio e São Paulo Fashion Week, inverno 2008. AMAPÔ + MELINE MOURNDJAN ANDRÉ LIMA + PAULA FERBER LINO VILLAVENTURA + CORSO COMO 16 USEFASHION JOURNAL
  15. 15. fotos: divulgação e © Agência Fotosite REINALDO LOURENÇO + AREZZO MARÇO/ABRIL 2008 17
  16. 16. 18 USEFASHION JOURNAL
  17. 17. infantil fotos: © Agência Fotosite inverno 2009 Looks referência Os desfiles para o inverno 2009 da Pitti Bimbo apontaram algumas referências importantes para a temporada. A equipe de especialistas da UseFashion analisou as coleções e destaca, além dos looks, seis dicas sobre a temporada para você. √ Cores sóbrias; √ Jaquetas de nylon em gomos; √ Estampas xadrez, animal e florais discretas; √ Estilo street com calças mais ajustadas para eles; √ Veludo alemão e tafetá nos vestidinhos de festa delas; Lilica Ripilica Calvin Klein √ Saias rodadas. MISTURINHAS SOFT STREET Para ver a cobertura completa da A idéia não é a da simples sobreposição, e sim da utili- O estilo street de inverno passa pelo conforto e mostra feira por estandes e todos os desfiles, zação de peças primaveris sobre invernais. Vestidos de produções quentinhas que aliam malha circular e alças, regatas e batinhas são usados de forma charmo- retilínea com tecido plano. O resultado são looks acesse o portal usefashion.com, sa junto a malhas em tricô quentinho, criando produ- práticos para momentos de descontração. O jeans brut Infantil, Desfiles. ções bem aplicadas ao ameno inverno brasileiro. aparece como peça-chave. Miss Blumarine Monnalisa ROQUEIRA CHIQUE GAROTAS DE PRETO O brilho de paetês, lamês e acetinados aparece no in- As meninas deixam as cores de lado e abusam de looks verno dentro do estilo glam rock. Peças modernas, em de festa inteiramente negros. O brilho de materiais como dourado e prateado, em looks esporte chique, próprios o veludo e a mistura de texturas são essenciais para esse para ocasiões especiais. estilo. Atenção especial para volumes e babados. MARÇO/ABRIL 2008 19
  18. 18. acessórios verão 2009 Bijoux em grande estilo A marca italiana Marni criou uma bela coleção de pulseiras ajustáveis por elástico, solução de fechamento das mais despojadas, mas que não desme- rece em nada o resultado. As formas são grandes e simplificadas e compõem um painel de cores contagiante. O recado já havia sido dado pelo circuito mundial nas últimas temporadas, e a proposta da Marni só confirma a força dos acessórios maximalistas e o reinado da “bijoux de madame”. É primoroso o trabalho sobre moldes de encaixe geométrico que se presta na construção de belas superfícies polidas e na composição de cores. 20 USEFASHION JOURNAL
  19. 19. MARÇO/ABRIL 2008 fotos: © Agência Fotosite 21
  20. 20. acontece Feira comemora fotos: UseFashion resultados FENIN CRESCE 20% EM VOLUME DE NEGÓCIOS A 12ª edição da Feira Nacional da Moda Inverno, que aconteceu entre 22 e 25 de janeiro, no Centro de Even- tos do Serra Park, em Gramado (RS), cresceu em número de expositores e no volume de negócios, superando em média 20% os resultados obtidos na edição passada. Cerca de 700 empresas mostraram seus lançamentos, apresentando as tendências de 1.200 marcas no evento que é considerado o maior de vestuário da América Latina. O público total, nos quatro dias da feira, foi de 37.356 visitantes. Lojistas de 21 estados brasileiros e compradores de 16 países visitaram o evento: Arábia, Argentina, Bolívia, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Itália, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Suíça, Uruguai e Venezuela. E o resultado positivo já era esperado: “Buscamos sempre trazer lojistas dispostos a comprar”, diz Julio Viana, diretor da Expovest, empresa promotora da feira. Para o segmento de moda masculina, essa edição da Fenin foi especialmente melhor que a de 2007. A Intergrifes, de Malharia Nacional São Paulo, que comercializa marcas como Pierre Cardin e Yves Saint Laurent, vendeu 50% a mais nessa edição. Para a Raphy não foi diferente: desta vez, com um número de visitação 50% maior, seu volume de vendas registrou um aumento de 25% em relação a 2007. Dentro da malharia circular, a Hering, por exemplo, declarou um crescimento de 40% comparado ao ano anterior. Segundo Cláudio Meyer, gerente de vendas da empresa, sua equipe ficou muito satisfeita com os quatro dias da mostra e com o volume de compradores para suas três marcas: Hering, PUC e DZARM. Os fabricantes de moda feminina, sobretudo os de malharia retilínea, tiveram um percentual de vendas um pouco menor do que os fabricantes de moda masculina. O resultado é atribuído ao tipo de produto bem pontual para o inverno. Porém, isso não representou uma baixa nas vendas. A malharia Intuição, de Nova Petrópolis (RS), registrou só na marca Xica Bandida, cerca de 30% a mais Osmoze Brandili Friolã de vendas em comparação à Fenin anterior. Já a Friolã, de Caxias do Sul (RS), com peças em tricô manual bem mais pesado, apontou cerca de 10% a mais nessa edição. No Salão Lingerie Brasil Sul, onde foram apresentadas coleções de 50 empresas confeccionistas dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás, os resultados dos negócios também foram comemorados. Aproveitamos o sucesso de vendas da Fenin para trazer até você uma seleção de alguns destaques dentro dos principais segmentos apresentados na feira, clicados por nossa equipe durante o evento. E não esqueça: acessando o portal usefashion.com, nos segmentos Vestuário, Malharia Circular e Malharia Retilí- Hope nea, você confere a cobertura completa do evento, com textos e fotos de alguns dos mais importantes expositores da Fenin. Confira! Ricci Collela 22 USEFASHION JOURNAL
  21. 21. Espírito da tribo Novo luxo BIJORHCA E AS BIJUS CULTURAIS FENINJER TRAZ AS JÓIAS DO INVERNO 2008 A tendência étnica foi uma das mais fortes apresentadas fotos: UseFashion As jóias mostram o porquê de serem jóias, e os na edição de verão 2009 da Bijorhca, em Paris, bem ex- designers do setor não poupam esforços para pressa em acessórios robustos, com inserção de contas, fotos: divulgação transformá-las em mais do que simples adere- bolas e pedras grandes. ços. Brincos, anéis e pulseiras em proporções A Elle Aime representa criações brasileiras, desenvol- maxi. Gemas de cores variadas, passando vidas em Belo Horizonte. Além de sempre agradar o dos tons vibrantes aos terrosos. Lapidações mercado europeu pelos materiais de base natural, diferenciadas. Essas são algumas das principais como a madeira e a resina, neste momento, em parti- características apresentadas na 46ª Feninjer cular, encontrou terreno fértil para peças em formatos (Feira Nacional da Indústria de Jóias, Relógios generosos, em tons de verde e marrons terrosos. e Afins), organizada pelo IBGM, que ocorreu Também do Brasil, Claudia Arbex busca inspirações em de 13 a 16 de fevereiro, no Transamérica viagens, livros e no comportamento visto nas ruas. Sua Expo Center, em São Paulo. A palavra “Luxo” novidade são as bijus em metal levemente martelado, ecoou pelos corredores do evento. Porém, o em que ela explora banhos metalizados fosqueados. conceito não esteve atrelado à quantidade de metal investido em uma peça ou ao número de O escultor francês Max Debraine cria o que chama de diamantes e pedras que possa conter. O termo “esculturas para vestir”. Seus modelos utilizam, sobre- serviu como uma chave para a valorização da tudo, a resina e o acetato, além de cordões elásticos e Max Debraine criação e criatividade em produtos que transpi- sistemas de encaixe desenvolvidos exclusivamente pelo ram sua marca. artista. Para ele, as cores-tendência são vermelho, preto, amarelo, laranja e ébano, misturados ao prata. Nízia Villaça, professora titular da Escola de Comunicação UFRJ e pesquisadora do CNPq, A francesa Reminiscence criou toda uma coleção sob o palestrou sobre o tema na manhã do dia 15 e tema Amazônia, destacando as cores azul-turquesa, verde- propôs que “o novo luxo é comportamental, tem Brincos e anel em grama e marrom, e ainda lançou mão de penas e pedras a ver com a qualidade de vida, e não, necessa- ouro rosê e branco para reforçar a referência, lado a lado com metais. riamente, com a riqueza material. O humor, por com brilhantes da É curioso que os elementos étnicos tenham tamanha exemplo, é luxo, já que conecta coisas dispersas Danielle expressão dentro da feira, visto que o filão anda bas- e faz com que seja engraçado”. E é isso que as tante explorado. Para não se repetir, quando se enve- peças apresentadas podem influenciar. “Refina- reda por esse caminho, é oportuno prestar atenção no das, com linhas orgânicas inspiradas na fauna e que há de novo. Na Bijohrca, é o tamanho ampliado flora tropicais, como folhas, flores - organizadas e a concisão das soluções e do uso de materiais, com em ramas ou individualmente - elas propõem muito menos misturas do que em outras estações, o uma entrega, humor na hora de compor o que dá o tom de renovação. look”, afirma Regina Machado, consultora de moda do IBGM. Claudia Arbex Peças religiosas, com santos e símbolos católicos também chamaram a atenção pela imponência e pelo fato de despertarem no consumidor a devoção. Além delas, o estilo cowboy apresentado nos desfiles da São Paulo Fashion Week e Fashion Rio foi representa- do na joalheria através de peças étnicas e pela turquesa. Os tons predominantes são os alaranjados, verdes claros e escuros, branco e azul, que aparecem em diamantes chocolates, citrinos, off-white, whisky e pedras coradas. JÓIAS MASCULINAS No último dia de Feninjer, o momento foi Elle Aime de refletir sobre a joalheria para homens. foto: UseFashion O jornalista e consultor de moda Lula Rodrigues palestrou sobre o contexto histórico desde as jóias que eram usadas pelo faraó Tutankhamon, passando por Luiz XIV, até chegar aos dias atuais. Para ele, a estética do hip-hop é a tendência mais forte para os homens, com amplos colares em ouro, cheios de brilhantes. “Um exemplo disso é a coleção desen- volvida pelo produtor de rap Pharrell Williams para a Louis Vuitton”, confirma. Lula também aponta para peças de referências urbanas (parafusos, minifitas cassete, dog tag, etc...) além de cordões e berloques mais discretos. Max Debraine Reminiscence MARÇO/ABRIL 2008 23
  22. 22. memória opinião fotos: www.nyt.com/reprodução e © Agência Fotosite SOL LEWITT FERNANDO CUNHA* MISTURA DE CORES E FORMAS GEOMÉTRICAS Four side of pyramid 1999 O DESAFIO Sol Lewitt foi um dos maiores representantes da arte DE SER NOVO conceitual e do minimalismo, e deixou uma obra identi- Quando atingimos um foto: Poio Estavski/divulgação ficada pela mistura de cores e formas geométricas. Seu certo sucesso e entramos no trabalho marcou a última apresentação de Alexandre “círculo virtuoso”, parece que Herchcovitch na São Paulo Fashion Week. Para cons- esquecemos de quanto era difícil o começo do trabalho. truir a modelagem e ambientar o desfile, o estilista se Recentemente, segui para a inspirou nas formas geométricas e na cartela do artista, Prêt à Porter, em nossa segunda um filho de imigrantes russos, nascido em Hartford, nos participação. Na ansiedade de Estados Unidos, em 1928. abrir o bloco de pedidos, coube Lewitt estudou arte desde pequeno, e logo foi buscar uma reflexão sobre as angústias aperfeiçoamento na Europa. Chegou a interromper de começar um trabalho. sua carreira por um período em que serviu aos Estados Instalação de pinturas no Whitnew Museum of American Art Somos sempre chamados de Unidos na guerra da Coréia, e, em seguida, mudou-se marketeiros pelos clientes, para Nova York, onde estudou na School of Visual Arts. então usaremos o marketing, Depois foi trabalhar no Museum of Modern Art, primei- com suas teorias e leis que nada mais são do que a aplicação do bom senso na vida real. ramente como recepcionista e, depois, na livraria, o A principal lei é a dos 4 “P”, que adaptamos, em tom de ou- que facilitou o contato com os artistas que circulavam sadia, aos novos designers de moda, os talentos do amanhã. pelo museu. Começou a expor em 1965, e em 1978 já possuía um trabalho maduro o suficiente para ganhar OS 4 “P” NA MODA sua primeira retrospectiva no prestigiado MOMA. Produto. O mais óbvio de todos os “P”, o mesmo do Lewitt defendia a produção em seqüência, priorizando marketing, mas imprescindível para se atingir o sucesso. É ele o processo. Afirmava que a partir do estudo e planeja- que dá força e peso ao trabalho, e de nada adianta uma bolha mento da obra, qualquer um poderia executá-la. “Um de divulgação ou buzz se o produto não seduz. Qualidade de cego pode fazer arte se o que estiver em sua mente pu- mão-de-obra, de material, de senso estético, de design: são der ser transmitido para outra mente de forma percep- muitos os fatores necessários para um produto de sucesso. Há tível” dizia. Na verdade, ele gostava e contava com as também o fator informação, pois desde que trabalhamos com moda, conhecemos designers de bolsas que fazem um produto interferências de terceiros. Na execução de seus murais, “superdiferenciado” - a bolsa com tecidos exclusivos comprados por exemplo, eram necessários muitos colaboradores em algum lugar da Europa. Há 6 anos, a Daniella Zylbersztajn e dias de trabalho, e Lewitt dizia que os sentimentos de apareceu com esse produto e, até hoje, recebemos estilistas cada um deles somava-se na obra. Além disso, com com essa novidade. Tem que se procurar fazer o novo ou, essas afirmações, ele reforçava os princípios da arte então, refazer de uma forma surpreendente. conceitual, que coloca a idéia acima da obra física. Posicionamento. Esse item se revela importante na medida em O artista era aficcionado por sistemas ordenados e suas que o público é que elege o talento. Você tem que se comunicar variações, trabalhando com noções de volume e de se- para o seu e, para isso, precisa coerência em ponto de venda, qüência e desfragmentando formas geométricas como o produto, showroom de atacado, comunicação, catálogo, ima- cubo em obras que reúnem efeito óptico e matemática. gem de marca. Quando a compradora da Daslu ou de outra multimarca badalada entra no showroom, todas as estilistas Nas suas instalações, ele ocupava inteiramente o am- e vendedoras ficam loucas e ansiosas para que esta superstar biente; para exteriores, ele concebia peças em grandes se apaixone pela sua coleção, mesmo que não seja o perfil proporções. Trabalhou também no bidimensional, com da marca. Melhor que vender na Daslu é vender na loja que pinturas, desenhos e murais. Inicialmente empregava tenha o “seu” público ou na loja que a compradora realmente apenas o branco. Foi só a partir dos anos 80 que adi- se apaixone pelo produto e faça com que seja um completo cionou as cores vibrantes que virariam sua marca. Lewitt sucesso. O hype, na prática, só serve para contar às amigas. faleceu aos 78 anos, em abril de 2007, vítima de câncer. Desfile de Alexandre Herchcovitch - SPFW - inverno 2008 Perseverança. Força de vontade é a palavra-chave para o sucesso na moda, mesmo que as festas glamourosas e as fes- tinhas regadas a Chandon e Absolut digam o contrário. Essas ping-pong festas fazem parte do trabalho e se recomenda parcimônia nas doses, geralmente os bem-sucedidos estão sóbrios. A maioria das histórias de sucesso começou do nada. E não é pura coincidência, é seleção natural. Qualquer pai que não levar a Marcelle Bittar tem 25 anos, é modelo e começou sua carreira em foto: divulgação sério um filho ou filha que se enveredar pelo mundo da moda, 1996, a partir de um concurso da Mega Model. Logo na seqüência, aos 17 nem imagina o que o espera. Dias e noites varados, desen- anos, já era considerada uma top model no mercado nacional e interna- volvimento de coleção, depois pilotagem, showroom, feiras, cional, mudando-se para os Estados Unidos. Atualmente, além dos diversos compra de material, confecção, entrega, pós-venda, pesquisa desfiles, campanhas e editoriais que continua fazendo no Brasil e no resto e já começa tudo de novo, muitas vezes sem ver o retorno do do mundo, colabora com a Vogue Francesa e apresenta o programa Mais investimento nem de perto. Moda, que vai ao ar semanalmente pela Record Rio. Paciência. A mais importante peça necessária para o sucesso Ícone de moda? Coco Chanel na moda é a paciência. Tudo é efêmero e muito difícil de ser previsto, mesmo com o caminhão de informações sobre tendên- Indispensável no guarda-roupa? Um vestido preto com bom corte. cias e fotos de desfiles e vitrines de grifes famosas. O sucesso, Sonho de consumo? Um sítio bem grande para colocar cachorros de rua. às vezes, não chega na hora que esperamos ou na hora que temos a melhor coleção. Mais difícil ainda é esperar novos seis A melhor compra? Uma bota Donna Karan que usei até não dar mais. meses para tentarmos de novo. As minicoleções de agora ainda A pior compra? Uma bolsa Prada que nunca usei apesar de adorar a Prada. não são suficientemente poderosas para diminuir esse ciclo Não usaria? Nunca usaria aquelas botas que chamam de pata de camelo, de tempo semestral. O consolo é que já vimos muitas marcas com a sola de borracha. terem a “sua hora”, mesmo que de surpresa. Embarcamos agora para Paris, munidos dos quatro “P” da Um presente marcante? Francesca, minha cachorrinha. moda, cheios de malas com mostruários e sonhos, na espe- Um aroma? Gosto muito de cheirinho de bebê, então uso Mamãe e Bebê, da Natura, para dormir. É rança de que todos os esforços e qualidades sejam recompen- um aroma que me faz dormir bem. sados com os pedidos dos compradores. Música do momento para você? Gosto de rock clássico. Seu estilo? Sou casual chique. * Fernando Cunha é empresário e sócio do showroom Clube de Estilo. Ele é formado em Um livro? Estou tentando terminar O Retrato de Dorian Gray, mas está difícil por falta de tempo. Engenharia Civil com pós em Moda na Santa Marcelina e MKT na FGV. 24 USEFASHION JOURNAL
  23. 23. foto: UseFashion visual merchandising verão 2009 A Car Shoe é uma das marcas italianas mais dinâmicas em seu visual merchandising, como se pode ver na vitrine da flagship, em Milão, um exemplo perfeito do conceito que envolve a marca. Abusando de materiais refinados como couro e madeiras nobres, a vitrine exibe quatro es- truturas metálicas verticais que sustentam diferentes modelos de aros cromados, sugerindo, como no espaço interno, as características de um carro de luxo. Essa não é uma vitrine em que o mais importante é exibir ou divulgar o produto, como fica claro na repetição dos modelos idênticos de calçados e bolsas, pois o “mocassin para dirigir” da Car Shoe é um clássico, famoso desde sua criação em 1963. Aqui, explora-se a idéia da elegância e do estilo de vida consagrados pela marca e representados de forma elegante nessa vitrine de sóbria modernidade. MARÇO/ABRIL 2008 25
  24. 24. lojas Marca Registrada CONTEMPORÂNEO E VINTAGE INSPIRAM MULTIMARCAS DE VITÓRIA Fundada em agosto de 1980, a multimarcas Marca Registrada, localizada em Vitó- ria, no Espírito Santo, investe no detalhamento como diferencial do projeto. Ao todo são 400 m², com expansão prevista ainda para este ano de um espaço vintage. Nele são comercializados objetos, móveis, acessórios e roupas antigas de grifes nacionais e internacionais, garimpadas pelo proprietário da loja, o gaúcho Edilon Silva. O mobiliário traduz este gosto retrô com poltronas da década de 40 e 60 e objetos de época. Marcas como Emporio Armani, Hugo Boss, Polo Ralph Lauren, Lacoste, Ellus, Iódice e Clube Chocolate são vendidas, junto a cds e livros importados, para um público essencialmente jovem. Para o proprietário, a busca por novidades é uma constante. “Queríamos vender atitude. Criar projetos para marcas é diferente de criar para multimarcas, como é o caso, onde você deve englobar itens que conectem várias marcas aos seus respectivos produtos”, define Silva. Vender mais do que peças de vestuário foi uma sacada como ele explica. “Quem busca uma loja interessante quer mais, por isso a idéia de vender outros artigos. Se você está no exterior e vai comprar uma roupa, pode sair da loja com um livro sobre o país em que está ou um cd do que mais se toca por lá para ouvir no seu mp3”. O espaço tem muitos móveis e objetos de madeira vindos do interior de Minas Gerais, que também podem ser adquiridos pelos clientes. O piso superior é todo feito com eucalipto reflorestado. A idéia de conforto é fortalecida pelo projeto luminotécnico, que mescla luzes frias e quentes, e pelo acolhedor jardim interno. Endereço: Aleixo Neto - Praia do Canto,1055 - Loja 78 - Vitória (ES) Telefone: (27) 3314.3932 fotos: Nara Paraná/divulgação 26 USEFASHION JOURNAL
  25. 25. radar internacional verão 2009 QUEIMANDO fotos: © Agência Fotosite A RETINA As cores vibrantes ganham luz própria e aparecem impressas não apenas em acessórios, mas também no vestuário, chapadas ou construindo desenhos de flores ir- regulares sobre fundo claro. Os tons laranja e os rosados predominam, alegrando produções em todos os estilos. Isso faz parte da tendência color block, identificada pelo usefashion.com em 04/2007, na feira Lineapelle. Yves Saint Laurent | Paris Retomamos a tendência nos desfiles do verão 2009, publicados em 11/2007. Chloé | Paris Christian Lacroix | Paris Louis Vuitton | Paris Versace | Milão Balenciaga | Paris Jil Sander | Milão Miu Miu | Paris Valentino | Paris 28 USEFASHION JOURNAL
  26. 26. RESTRINGINDO A CARTELA O cinza e sua boa gama de tonalidades se relaciona bem com pretos, beges e rosados. Elegante, ele é cor curinga, aplicado em larga escala nas malhas Burberry | Milão e nos acessórios, em que os couros texturizados se Fendi | Milão apresentam como uma boa superfície. Dourados ou prateados são ótima companhia. Os tons de cinza foram apontados como tendência em 11/2007. Veja a cartela completa em tendên- cias dos desfiles, verão 2009, no usefashion.com. Stella McCartney | Paris Bottega Veneta | Milão Giorgio Armani | Milão Marni | Milão Miu Miu | Paris Chanel | Paris Marni | Milão Celine | Paris MARÇO/ABRIL 2008 29
  27. 27. radar nacional inverno 2008 QUADRICULANDO fotos: © Agência Fotosite e divulgação O MUNDO O tartan e outros xadrezes deixaram as Terras Altas e mi- Rasa graram de vez para a Terra Brasilis. Não por coincidência, a inglesa Vivienne Westwood, que é adepta fiel e divulga- dora internacional do padrão, esteve recentemente no país. Pode acreditar, neste inverno, todo mundo estará vestindo e calçando xadrez. Neon Uza Corso Como Luiza Barcelos Paralelo Animale Via Marte Luiza Barcelos 30 USEFASHION JOURNAL
  28. 28. Mary Design Dona Florinda Chita Brasil Converse All Star Carlota Joakina Bebecê West Coast MARÇO/ABRIL 2008 31

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