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Coleção saiba mais sobre educação física lauro pires e jeane rodella

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Coleção saiba mais sobre educação física lauro pires e jeane rodella

  1. 1. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/
  2. 2. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ Coleção SAIBA MAIS SOBRE EDUCAÇÃO FÍSICA LAURO PIRES XAVIER NETO Prof. Auxiliar da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) - disciplina de Estágio Supervisionado Escolar do Curso de Educação Física. Mestrando do Curso de Educação Popular da Universidade Federal da Paraíba. Pesquisador da Linha de Estudos e Pesquisa em Educação Física/Esporte e Lazer (LEPI I i faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). JEANE RODELLA ASSUNÇÃO Graduanda de Educação Física da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) Profª de ensino fundamental e médio de Educação Física da (acuidade e Colégio Santo Agostinho (FACSA) de Ipiaú/BA.
  3. 3. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/Capa:Jussara SantosDiagramação:Aline Figueiredo CATALOGAÇÃO NA FONTE do Departamento Nacional do Livro Xavier, Lauro Educação Física (Saiba Mais) Lauro Pires Xavier Filho, Jeane Rodella Assunção et al. Rio de Janeiro: 2005 VII Xp.il. 23 cm ISBN 85-86742-13-9 Bibliografia: p.X-X 1. As Concepções da Educação Física. 2. Abordagem da Aptidão Física/Saúde. 3. Abordagem Crítico-superadora. 4. Possibilidades da Prática Pedagógica. 5. Modelo de Reprodução ou Perspectiva de Transformação.
  4. 4. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ "É preciso guardar em nossa memória que é inumano pensar no desporto como um direito de todos enquanto não superarmos o estágio atual de confronto entre o capital e o trabalho, que tem determinado, ao longo dos anos, a impossibilidade da grande maioria da população brasileira -proletários e trabalhadores que ganham menos de dois salários mínimos/mês - acesso aos insumos orgânicos - culturais que o reorientariam o seu crescimento e desenvolvimento numa perspectiva harmônica." Francisco Máuri de Carvalho
  5. 5. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ AGRADECIMENTOS Aos nossos pais que sempre estiveram presentes em todos osmomentos da nossa caminhada. Ao Professor Wilson Aragão pela forma criteriosa e didática de exporseus pensamentos. Ao Professor Francisco Máuri de Carvalho pela coragem e força naconstrução de uma sociedade sem classes. A Professora Celi Taffarel pela luta vigorosa e diária em favor dasclasses menos favorecidas. Ao Professor Ivaldo Gomes pela coerência. A Neiry Delânia pelo olhar carinhoso e atencioso, sempre presenteneste nosso longo caminhar.
  6. 6. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ ÍNDICEAPRESENTAÇÃO.............................................................................................. 7INTRODUÇÃO ................................................................................................... 9AS CONCEPÇÕES DA EDUCAÇÃO FÍSICA .................................................. 12 ABORDAGEM DESENVOLVIMENTISTA..................................................... 13 ABORDAGEM CONSTRUTIVISTA .............................................................. 15 ABORDAGEM CRÍTICO - EMANCIPATÓRIA .............................................. 17CRITICA AS ABORDAGENS ........................................................................... 21 DESENVOLVIMENTISTA............................................................................. 21 CONSTRUTIVISTA ...................................................................................... 22 CRÍTICO-EMANCIPATÓRIA ........................................................................ 23 ABORDAGEM DA APTIDÃO FÍSICA / SAÚDE ............................................ 23 CRÍTICA A ABORDAGEM DA APTIDÃO FÍSICA / SAÚDE ......................... 26ABORDAGEM .................................................................................................. 29CRÍTICO - SUPERADORA .............................................................................. 29POSSIBILIDADES DA PRÁTICA PEDAGÓGICA: O ENSINO DOBASQUETEBOL............................................................................................... 36 A PROPOSTA CRÍTICO-SUPERADORA..................................................... 37 A PROPOSTA DESENVOLVIMENTISTA..................................................... 40 A PROPOSTA CONSTRUTIVISTA .............................................................. 41MODELO DE REPRODUÇÃO OU PERSPECTIVA DE TRANSFORMAÇÃO? 44BIBLIOGRAFIA ................................................................................................ 48
  7. 7. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/APRESENTAÇÃO A produção do conhecimento a cerca do ensino de Educação Físicatem crescido significativamente nas últimas duas décadas, provavelmente emfunção da implantação de vários programas de pós-graduação no Brasil. Osquais têm contribuído, de forma decisiva, para enfrentar e superar o debatesobre uma prática de ensino dessa disciplina voltada, apenas, para odesenvolvimento dos músculos e das atividades desportivas e assim,consolidando uma práxis mais acadêmica e fundada em parâmetros científicos. Esse processo que gerou a publicação de alguns excelentes textosresultantes de pesquisas científicas em forma de livros, e que, teve como umde seus marcos a publicação do trabalho organizado pelo "Coletivo de Autores"forjou uma nova geração de professores de Educação Física. Lauro Pires Xavier Neto e Jeane RodelIa Assunção, autores destasreflexões sobre as concepções da Educação Física fazem parte dessa novageração que "sem medo de ser feliz", pensam, refletem e pesquisam,produzindo novos conhecimentos a cerca dos paradigmas postos e,ultrapassando as fronteiras da falsa neutralidade cientifica, se posicionamcriticamente sobre estas concepções, contextualizando-as, identificado-as suasraízes históricas e apresentado um exemplo didático concreto da utilizaçãodessas ramificações teóricas. Com humildade, simplicidade e sem grandes pretensões, comopodemos ver em suas palavras, ainda na introdução, "Não temos a pretensão,nesse momento, de nos aprofundar nas relações da macro economia com aEducação Física e suas teorias radicais (raiz) de conhecimento, portantolançamos ao leitor uma análise preliminar das concepções propositivas(sistematizadas e não-sistematizadas) da disciplina e desejamos que a leiturarealizada seja posta sob o olhar crítico, percebendo que a educação física nãoé algo solto, difuso, desatento da realidade imposta pelo políticas da macroeconomia - assim como a escola não o é." Entretanto, eles produziram umvalioso trabalho de pesquisa que merece a atenção de qualquer estudioso denossa área, não só pelo conteúdo acadêmico, mas também pela forma didáticade sua organização. Ao dar início a leitura você, caro leitor, poderá observar que, àsvezes os autores dão a impressão de terem abandonado a idéia principal. Maslogo se vê que aquela derivação foi intencional. Trata-se de uma opiniãoinserida com muita segurança por quem não quer se omitir e sabe que asconcepções do ensino de Educação Física no Brasil, também foram social ehistoricamente produzidas no seio de uma sociedade estratificada em classessociais e, portanto permeadas pela ideologia hegemônica nesse modo deprodução. Este é, talvez, o maior mérito deste livro: não se restringir ao debatesuperficial das concepções. Bem mais abrangente, eles as integram nasproblemáticas da sociedade capitalista e assim, contribuem para o grandeesforço de poucos para fazer das práticas docentes desenvolvidas no ensino
  8. 8. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/de Educação Física, atividades científicas socialmente comprometidas com amaioria da população brasileira. Este livro pequeno no tamanho, mas grande no conteúdo,certamente fará parte do acervo bibliográfico dos cursos de Licenciatura Plenaem Educação Física e, eu, pessoalmente, o recomendarei para os meus alunosde graduação e pós-graduação lato senso, pois, neste livro o aluno poderáiniciar-se nas idéias de pensadores fundamentais da produção cientifica daárea, como: Go Tani, João Batista Freire de quem tive o prazer de ser aluno,Eleonor Kunz, Nahas, Guedes e Guedes, Farinatti, V. Bracht, L. Castellani, C.Taffarel, C. Soares, M. Escolar e E. Varjal. Evidentemente que se o leitor desejar fazer um estudo maisaprofundado, em nível de pós-graduação Strito Senso o trabalho em si só éinsuficiente, contudo a partir das matrizes epistemológicas, citadas nessa obra,sobre as concepções da Educação Física, pode-se estabelecer um excelenteroteiro para a realização de uma pesquisa bibliográfica sobre a temática. Wilson Honorato Aragão Professor Doutor da Universidade Federal da Paraíba
  9. 9. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/INTRODUÇÃO Anunciou-se o "fim da história" 1 . A Glasnot e a Perestroika fizeramsoprar um novo vento na construção histórica do mundo, desencadeado logoapós a queda do Muro de Berlim, em 1989. Assistimos de joelhos ofortalecimento do capitalismo e suas instituições políticas, econômicas emilitares (ONU, Banco Mundial/ FMI/Gaat, OTAN), vestido numa roupagemdenominada de neoliberalismo e sustentado pelo projeto da globalização. Aopressão mudou de nome. O imperialismo norte-americano, sustentáculo do sistema capitalistana América, não necessita mais financiar as ditaduras no continente 2 , articula-se, de forma nefasta, na construção de artifícios concretos para manutenção,por parte da burguesia, dos meios produção e assim extirpar da classetrabalhadora o produto elaborado por suas mãos, mantendo-o, dessa forma,alienado 3 . Utiliza-se para tanto das políticas neoliberais, que a todo momentosofrem abalos diretos, ocasionados pelas crises cíclicas do capital. Taispolíticas buscam a redução dos direitos trabalhistas, a reestruração edesregulamentação do trabalho, o desmonte do Estado Nação e a reforma das políticas educacionais. CURY(1999:21) afirmou: "Para impor o seu credo e justificar a corrida armamentista, os seus delitos e os seus crimes sangrentos, o capitalismo sempre invoca ideais generosos: defesa da democracia, da liberdade, luta contra a ditadura "comunista" e defesa dos valores do Ocidente, quando, na verdade, ele apenas defende, na maioria das vezes, os interesses de uma classe poderosa, ou quer apoderar-se das matérias-primas, comandar a produção do petróleo ou controlar as regiões estratégicas. " As relações do sistema capitalista, que definem as nossas condiçõesconcretas de existência, possuem um aparato que necessita de uma análisehistórica para podermos compreender todo processo de degradação do serhumano e de suas relações pessoais, educacionais e ambientais. A análiseperpassa por uma crítica severa ao capitalismo e suas formas economicamenteforjadas para manutenção da divisão de classes sociais. MARX (1998:07) nosrelata o papel desempenhado pela burguesia ao longo da história: "Aburguesia, onde conquistou o poder, destruiu todas as relações feudais,patriarcais, idílicas. Rasgou sem compunção todos os diversos laços feudaisque prendiam o homem aos seus superiores naturais e não deixou entre1 Ver Fukoyuna apud Frigotto (1998. p.38-9)2 Ver PENA (1999)3 Sobre alienação do trabalhador recorremos a MARX (2002:113), que explicou essa relaçãoao relatar: "A alienação do trabalhador no objeto revela-se assim nas leis da economia política:quanto mais o trabalhador produz, menus tem de consumir; quanto mais valores cria, mais semvalor e mais desprezível se torna; quanto mais refinado o seu produto, mais desfigurado otrabalhador; quanto mais civilizado o produto, mais desumano o trabalhador; quanto maispoderoso o trabalho, mais impotente se torna o trabalhador; quanto mais magnífico e pleno deinteligência o trabalho, mais o trabalhador diminui em inteligência e se torna escravo danatureza
  10. 10. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/homem e homem outro vínculo que não o do frio interesse, o do insensívelpagamento em dinheiro" Chossudovsky (1999) consegue mapear a ação do capitalismomundial a partir das relações de países na América, Ásia e África com o FundoMonetário Mundial (FMI) e o Banco Mundial (BM). Através da análise damacroeconomia percebemos as condições objetivamente concretas entre oshomens, e suas relações materiais. Os dados estatísticos do BM revelam que18% da população mais rica detêm 78% da economia mundial. Esses dadosestatísticos apontam mais que números, eles são o reflexo de uma políticaeconômica voltada para o lucro, obtido através do suor dos trabalhadores, apartir de um Projeto Histórico Capitalista (PHC). Chos-sudovsky faz umaanálise da situação brasileira, a partir da dívida externa, passando pelo PlanoCollor, Consenso de Washington e o Governo Neoliberal de FHC.Compreendemos que o PHC tem um caráter determinista e vincula as nossasrelações pessoais ao desastre econômico mundial. Recentemente o Governodos Estados Unidos lançou a Doutrina Bush 4 , buscando adotar uma série demedidas e princípios no sentido do fortalecimento do imperialismo norte-americano. O documento propõe, entre outras medidas, a implantação da Áreade Livre Comércio das Américas 5 (ALCA) e o fortalecimento das políticasassistencialistas aos países endividados. No seio dessas contradições impostas pelo sistema capitalista deprodução encontramos a luta dos trabalhadores historicamente constituída.Luta essa marcada pelo sangue de milhões de pessoas que sonharam com aliberdade e com a implantação de um Projeto Histórico que atendesse aosanseios da maioria da população. Assim podemos nos deparar com escola,inserida na sociedade capitalista, e as suas possibilidades a partir das políticaseducacionais e da realidade concreta dos professores que no seu dia-a-diapodem afirmar uma pedagogia que atenda ou não aos interesses da grandeparte da população. Portanto, o que aparenta ser uma digressão torna-seelemento fulcral na análise da perspectiva do que venha ser (ou aspossibilidades metodológicas) da Educação Física escolar, pois como afirmouSaviani (2002), "não é possível, portanto, compreender radicalmente a históriada sociedade contemporânea sem se compreender o movimento do capital". Temos a noção que a Educação Física é apenas um pequenoelemento dentro dessa análise conjuntural maior. Porém, as concepções deensino da Educação Física sofreram e sofrem os impactos da políticaeducacional (econômica), fato esse que podemos perceber nos seus principaisautores e proposições pedagógicas que iremos analisar nas próximas páginas,que se enveredam por bases epistemológicas distintas evidentemente ligadasaos projetos de sociedade que acreditam a partir das classes sociais quepertencem. Não teríamos a pretensão, nesse momento, de nos aprofundar nasrelações da macro economia com a Educação Física e suas teorias radicais(raiz) de conhecimento, portanto lançamos ao leitor uma análise preliminar das4 Sobre a Doutrina Bush ver "The National Security Straltgy of The United States of America".setembro, 20025 Sobre a ALCA. consultar Sader (2001) e Campanha Nacional Contra a ALÇA (2002).
  11. 11. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/concepções propositivas (sistematizadas e não-sistematizadas) da disciplina edesejamos que a leitura realizada seja posta sob o olhar crítico, percebendoque a Educação Física não é algo solto, difuso, desatento da realidade impostapelo políticas da macro economia - assim como a escola não o é. Uma análise mais elaborada pode ser pensada pelo leitor, a partirdas matrizes epistemológicas citadas nessa obra, das concepções daEducação Física, porém não discutidas a fundo. Entender a proposta crítico-superadora a partir do olhar do materialismo histórico-dialético, assim como aobra foi concebida, é perceber que a circunstância histórica exigia aquilo, jáque a Educação Física estava inundada por proposições relacionadas com afenomenologia e o positivismo e correntes filosóficas que não tratavam daescola sob o olhar da classe trabalhadora. Percebe-se que este livro tem como objetivo trocarem miúdos asconcepções de Educação Física, levando ao professor um detalhamento darelação concreta forjada no cotidiano da sala de aula, a partir doaprofundamento das propostas crítico-superadora, crítico-emancipatória,aptidão física e saúde, construtivista e desenvolvimentista. Cabe agora o olhardo professor sobre sua prática cotidiana e seu engajamento, a partir da suarealidade concreta (da escola pública) e das condições materiais diretamenterelacionadas com a comunidade onde a escola está inserida e os seus alunos,para então perceber (ou não) as possibilidades da Educação Física vinculada aum projeto histórico de sociedade (matriz do conhecimento), com os objetivos,conteúdos, metodologia e avaliação de sua reflexão-ação bem alicerçados.
  12. 12. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ AS CONCEPÇÕES DA EDUCAÇÃO FÍSICA A metodologia de ensino é uma área que está em constanteevolução, é muito discutida entre os profissionais da Educação, porém é quaseunânime um pensamento: ela precisa evoluir. Evoluir no sentido de superar osdestinos que sua prática toma, que é, quase sempre o de justificar o sistemavigente, o mesmo sistema social que permite que os seus professores ganhembaixos salários, que sustenta a ideologia dominante, que articula açõesdeliberadas para que os nossos alunos não reflitam de modo crítico. A luta pelasobrevivência (da classe trabalhadora), assim como a luta para conseguir umavaga na escola pública com ensino cheio de falhas não lhes permite e não lhesfornece elementos necessários para formar uma opinião crítica, que os levem areflexão acompanhada de ações capazes de mudar sua atroz realidade. A Educação Física brasileira foi trabalhada ao longo dos anos emnossas escolas de várias formas seguindo modelos trazidos de outros países,especificamente do continente europeu, como Suécia, tendências passam abuscar um olhar crítico e um objeto de estudo na Educação Física no intuito decompreender o ser humano em sua totalidade. Na realidade o que existiu nasdécadas de 80 e 90 foi uma efervescência da teoria da Educação Física, emque várias correntes de pensamento estruturaram suas bases teóricas a partirde um viés epistemológico. Dentro deste contexto surgem várias propostas no que se refere àEducação Física escolar. Estas propostas vêm ampliar o debate da EducaçãoFísica no que diz respeito a seus conteúdos, objetivos, prática pedagógica, etc.Desta forma, estas teorias serão analisadas a partir de um modelo desociedade que irão defender, definindo os objetivos da Educação Física noprocesso de formação dos indivíduos. De acordo com estudos já desenvolvidos sobre as abordagens daEducação Física, tem-se a seguinte definição: propositivas (sistematizadas enão-sistematizadas) e as não-propositi vas. Temos as seguintes abordagens e os seus principais autores,segundo esquema montado por TAFFAREL, Castellani Filho e Assis Oliveira:Concepções não-propositivas: 1. Abordagem Sociológica (BETTI, BRACHT, TUBINO); 2. Abordagem Fenomenológica (SILVINO S ANTIN e WAGNER WEY MOREIRA); 3. Abordagem Cultural (DAÓLIO).
  13. 13. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/Concepções propositivas:a) Não-Sistematizadas 1. Abordagem Desenvolvimentista (GO TANI); 2. Abordagem Construtivista com ênfase na psicogenética (FREIRE); 3. Abordagem da Concepção de Aulas Abertas (HILDEBRANDT); 4. Abordagem a partir de referência do Lazer (MARCELINO e COSTA) 5. Abordagem Crítico-Emancipatória (KUNZ); 6. Abordagem Plural (VAGO)b) Sistematizada 1. Abordagem da Aptidão Física / Saúde (NAHAS, GAYA, ARAÚJO, GUEDES); 2. Abordagem Crítico - Superadora (COLETIVO DE AUTORES) Adiante desencadearemos algumas reflexões acerca dasabordagens propositivas e suas divisões - não sistematizadas esistematizadas. Nas propostas não sistematizadas buscaremos aprofundaraspectos de ordem teórico-metodológico, conteúdo, objetivos e avaliação, bemcomo a atuação do professor nas abordagens Desenvolvimentista,Construtivista e Crítico-Emancipatório. Já nas propostas sistematizadasabordaremos a Aptidão Física/ Saúde e Crítico Superadora.ABORDAGEM DESENVOLVIMENTISTA A concepção desenvolvimentista é explicitada no Brasilprincipalmente nos trabalhos de GoTani (1987), GoTani et al (1988). A obramais representativa desta abordagem é “Educação Física Escolar:fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista” (Go Tani et al, 1988).Vários autores são citados no trabalho exposto, porém dois parecem serfundamentais: D. GALLAHUE e J. CONNOLY. A proposta explicitada por Go Tani é direcionada especificamentepara as crianças de quatro a quatorze anos e busca nos processos deaprendizagem e desenvolvimento motor uma fundamentação para a EducaçãoFísica Escolar. Suas preocupações estão relacionadas com o crescimento edesenvolvimento da criança tendo como ponto de partida e chegada omovimento. Como afirma Darido (1999:17)
  14. 14. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ (...) uma tentativa de caracterizar a progressão normal do crescimento físico, do desenvolvimento fisiológico, motor, cognitivo e afetivo-social, na aprendizagem motora, e em junção destas características, sugerir aspectos ou elementos relevantes para a estruturação da Educação Física Escolar. Feita a ressalva de que a separação da aprendizagem domovimento e aprendizagem através do movimento é apenas possível a nível doconceito e não do fenômeno, porque a melhor capacidade de controlar omovimento facilita a exploração de si mesmo e, ao mesmo tempo, contribuipara um melhor controle e aplicação do movimento. A Educação Física deverá possibilitar aos alunos, de uma formahierarquizada, os movimentos tendo em vista a relação de menor para maiorcomplexidade, proporcionando movimentos adequados ao seu nível dedesenvolvimento fisiológico para que a aprendizagem motora seja alcançada. A proposta desta abordagem não é buscar na Educação Físicasolução para os problemas sociais do país, com discursos que não dão contada realidade. Todavia, uma aula de Educação Física deve privilegiar aaprendizagem do movimento, embora possam estar ocorrendo outrasaprendizagens em decorrência da prática das habilidades motoras. Partindo-se do princípio de que todo ser humano é basicamente uminiciante diante das tarefas e situações novas, em termos de aprendizagemmotora, torna-se muito importante conhecermos as características decomportamento daqueles que se iniciam na aquisição de uma habilidademotora. Aliás, habilidade motora é um dos conceitos mais importantes dentrodesta abordagem, também sendo os conteúdos que deverão ser trabalhadosna escola, pois é através dela que os seres humanos se adaptam aosproblemas do cotidiano, resolvendo problemas motores. Desta forma, estaconcepção é uma área do Desenvolvimento Motor. Os conteúdos devem obedecer uma seqüência fundamentada nomodelo de taxionomia do desenvolvimento motor, na seguinte ordem: fase dosmovimentos fetais, fase dos movimentos espontâneos e reflexos, fase dosmovimentos rudimentares, fase dos movimentos fundamentais, fase decombinações de movimentos fundamentais e movimentos culturaisdeterminados. Em relação ao professor este terá um papel diretivo nas aulas, seráele o responsável por uma sistematização capaz de indicar aos alunos como omovimento deve ser efetuado. O professor transmitirá o conhecimento atravésde comandos, tarefas e programações individuais, melhorando a performancedo aluno e colaborando para o alcance do movimento perfeito. Nesta proposta o erro deve ser compreendido como um processofundamental para a aquisição de habilidade motora. Os autores mostrampreocupação com a valorização do processo de aquisição de habilidades,
  15. 15. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/evitando-se o que denominam de imediatismo e da busca do produto, comoafirma Go Tani (1988): Professores que não respeitam as limitações na capacidade de processamento de informações dos alunos caem, frequentemente, no imediatismo. Transmitem informações que ultrapassam as capacidades reais de processamento dos alunos e esperam performances bem-sucedidas a curto prazo. Para estes professores, o importante é o resultado e não o processo de aprendizagem. Para identificar o erro do aluno é preciso conhecer as etapas daaquisição das habilidades motoras básicas. O reconhecimento do erro deve serrealizado através da observação sistemática das fases de aquisição de cadauma das habilidades motoras, de acordo com a faixa etária. No processo avaliativo são identificados os aspectos relativos àobservação do movimento perfeito. O professor deverá observar e corrigirquando o aluno não estiver executando os movimentos corretamente, e é apartir da observação que o mesmo obterá este feedback de informaçõesnecessárias a sua intervenção. De acordo com GoTani: Este feedback não existe apenas para informar que os alunos cometeram erros de performance. Ele fornece importantes informações com relação às mudanças que os alunos necessitam introduzir no seu plano motor, para que, na próxima tentativa, a diferença entre o desejado e o manifestado seja próximo de zero. A partir desta avaliação aprimora-se a técnica da habilidade motora,principal mente pela repetição do gesto.ABORDAGEM CONSTRUTIVISTA Na concepção Construtivista com ênfase na psicogenética,encontraremos como autor brasileiro JOÃO BATISTA FREIRE (Pedagogia deFutebol, 1998; De corpo e alma, 1991; Educação de corpo inteiro, 1989), comseus estudos baseados nas idéias de JEAN PIAGET. O próprio Freire,segundo DAÓLIO (1998:90), recusa o rótulo de construtivista que lhe éimputado, afirmando possuir uma visão de mundo que coincide com as teoriasconstrutivistas, mas insistindo ser muito mais que isso. Esta abordagem construtivista tem se infiltrado no interior da escolae o seu discurso está presente nas diferentes segmentações do contextoescolar. Esta proposta é apresentada como uma opção metodológica, emoposição às linhas anteriores da Educação Física na escola, especificamente àproposta mecanista, caracterizada pela busca do desempenho máximo e depadrões de comportamento, sem considerar as diferenças individuais, semlevarem conta as experiências vividas pelos alunos, com o objetivo deselecionar os mais habilidosos para competições esportivas. Esta concepção dá ênfase aos aspectos psico-social-afetivo-motor.Esta relação leva em consideração o jogo como forma de desenvolvimento da
  16. 16. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/condição humana. Temos então uma preocupação de uma teoria que avançaem relação às propostas mecanicistas da Educação Física e que buscamcompreender a criança enquanto ser social e criativo. Desta forma, oaprendizado se estabelece a partir da relação do sujeito com o mundo.DARIDO, reporta-se a proposta construtivista observando que: No construtivismo a intenção é a construção do conhecimento a partir da interação do sujeito com o mundo, numa relação que extrapola o simples exercício de ensinar e aprender... conhecer é sempre uma ação que implica em esquemas de assimilação e acomodação num processo de constante reorganização. O desenvolvimento da aula deverá proporcionar ao educando adescoberta de suas possibilidades, a exploração do espaço, o reconhecimentode si em relação ao outro e do seu corpo em movimento, oferecendo-lhesituações que desperte para variações, procurando incentivá-lo, já que oestimulo é fator de grande importância na aprendizagem, trabalhando tambéma socialização utilizando atividades em grupo. Na abordagem construtivista o jogo enquanto conteúdo /estratégiatem papel privilegiado. É considerado o principal modo de ensino-aprendizagem, um instrumento pedagógico, pois enquanto joga e brinca acriança aprende. Sendo que este aprender deve ocorrei num ambiente lúdico eprazeroso para a criança. As propostas de avaliação caminham no sentido da avaliação nãopunitiva, vinculada ao processo de auto-avaliação, como afirmaFREIRE(1991:18) (...) a mesma deve ser tanto qualitativa quanto quantitativa, não devendo privilegiar a técnica e levar cm consideração aspectos psicomotores"... Esta avaliação deverá levar em conta a condição do aluno em relação ao grupo deve contemplar os aspectos emocionais, afetivo, intelectuais, etc. Na orientação da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas(CENP, que tem como colaborador o professor João Batista Freire), a meta daconstrução do conhecimento é evidente quando propõe como objetivo daEducação Física “respeitar o universo cultural do aluno, explorar a gamamúltipla de possibilidades educativas de sua atividade lúdica espontânea, egradativamente propor tarefas cada vez mais complexas e desafiadoras comvista a construção do conhecimento". Freire considera também a corrente psicomotora, segundo DARIDO,pois percebe que: Esta proposta foi estimulada não só pelo construtivismo na Educação Física escolar, que é um fato recente, mas principalmente pelas discussões realizadas nas décadas passadas, 70 e 80, relacionadas a proposta apresentada por Le Boulch (1983) denominada de psicomotricidade.
  17. 17. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ Nesta perspectiva de aprendizagem devem ser considerados osaspectos psico-sociais tendo o jogo como um instrumento lúdico no processode construção do conhecimento. O professor tem função não diretivavalorizando assim o trabalho em grupo e as relações interpessoais menoshierarquizadas, colaborando com o desenvolvimento moral e social. Dentrodesta perspectiva o aluno terá a possibilidade de se reconhecer enquanto sersocial, sujeito na construção desse jogo, e de suas possibilidades em relação àexecução do movimento diante deste contexto.ABORDAGEM CRÍTICO - EMANCIPATÓRIA Essa concepção tem suas bases nas reflexões feitas por EleonorKunz, em sua primeira publicação - Educação Física: Ensino e Mudança (1991)e após diversos encontros, seminários, congressos, etc., que resultaram napublicação do livro - Transformação Didático - Pedagógica do Esporte (1994),que traz essa concepção de ensino para socialização dessas "reflexões /produções" com os professores de Educação Física. É uma proposta para a Educação Física escolar "centrada no ensinodos esportes”, visando fornecer aos professores, que atuam nessa área,elementos para que eles possam superar os modelos atuais de ensino dosesportes na escola, que são pautados no rendimento e nos moldes que seapresentam na mídia, utilizando-se de uma matriz teórica crítica para orientarsuas ações pedagógicas. Para isso o autor lança mão, em suasfundamentações / reflexões, de autores como: Bracht (1992); Trebels (1983);Habermas (1981); Teóricos da Escola Frankfurt (Marcuse, HorckheimereAdorno). Na tentativa de proporcionar aos professores a possibilidade deensinar o esporte em suas aulas, com o intuito de promover a "formação desujeitos livres e emancipados", os mesmos devem utilizar uma metodologia deensino que segundo KUNZ (1994:15) é "baseada na concepção Pedagógicacrítico - emancipatória e didática comunicativa para o ensino dos esportes naEducação Física escolar". E esclarece, para que haja um melhor entendimento, que énecessário assumir essa concepção em todo o agir pedagógico: Uma teoria pedagógica no sentido crítico – emancipatória precisa, na prática, estar acompanhada de uma didática comunicativa, pois ele deverá fundamentar a função do esclarecimento e da prevalência racional de todo agir educacional implica sempre, numa racionalidade comunicativa. (Idem: 29). A concepção crítico - emancipatória pressupõe que a metodologiado professor ao ensinar o esporte, deve estar pautada em "açõescomunicativas” que no sentido de emancipação do aluno deve dar-lhe, atravésda prática e problematização do mesmo, a capacidade de agir racionalmente,fazendo uma reflexão crítica sobre suas ações. Isso se torna possível a partirdo momento em que o aluno atinge a "maioridade", que acontece num
  18. 18. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/processo de esclarecimento racional e se estabelece em um processocomunicativo. Assim o professor age intencionalmente promovendo uma "auto-reflexão" em seus alunos, dando-lhes a possibilidade de conhecer os padrões eprincípios do esporte de rendimento, a "coerção auto imposta" e a falsaconsciência". Isso não é uma tarefa fácil, pois o professor precisa conhecer osdeterminantes que causam a "falsa consciência" em seus alunos e saber que,primeiro precisa despertar a vontade de se libertar, lutando para sair desseestágio, de acordo com KUNZ (op. cit., p. 34). (...) compreender o esporte nos seus múltiplos sentidos e significados, para nele poder agir com liberdade e autonomia, exige, além da capacidade objetiva de saber efetivamente praticar o esporte, ainda a capacidade de interação social e comunicativa. O que implica em dizer que o esporte, na escola, não deve ser algo apenas para ser praticado, mas sim estudado. Essa afirmação mostra que ensinar o esporte através dodesenvolvimento das habilidades técnicas, por si só, não contempla umaformação critica dos educandos. Como afirma KUNZ, (1994) outros aspectosdevem ser levados em consideração na pedagogia crítico-emancipatória, taiscomo: lnteração Social - Acontece em processo coletivo de ensinar eaprender, tematizado enquanto objetivo educacional que valoriza o trabalhocoletivo de forma responsável, cooperativo e participativo. Fazendo com que oaluno perceba que o esporte se dá numa sociedade, onde sua cultura estaassociada a determinados valores; e assim eles possam elegerconscientemente os seus valores enquanto sujeitos do processo e papéissociais, em que o se movimentar é necessário para uma opção solidária,cooperativa e participativa. Linguagem - Tem uma grande importância na Educação Física eem qualquer disciplina escolar, pois não só a linguagem verbal ganhaexpressão, mas todo o "ser corporal" do sujeito, se torna linguagem do "semovimentar" enquanto diálogo com o mundo. Ela se caracteriza nacomunicação e interação entre professor-alunos, alunos-alunos, alunos-professor, permitem que os alunos tenham acesso a conteúdos simbólicos elingüísticos que transcendem o contexto esportivo; promove o entendimento deforma racional e organizada; desenvolve capacidades criativas. O alunopercebe que a linguagem é parte essencial para que haja a comunicação, oque leva a valorizar todas as suas expressões e movimentos. Trabalho - Segue um processo racionalmente organizado esistematizado para alcançar progressivamente uma melhor performance físicae técnica para as práticas esportivas, dando aos alunos acesso aconhecimento e informações de relevância e sentido, para a aquisição dehabilidades para o esporte, de acordo com o seu contexto e estratégias deaprendizagem técnicas específicas e capacidades físicas para o mundo dosesportes, movimentos e jogos de forma efetiva, e para à vida futura relacionadaao lazer.
  19. 19. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ Assim, sendo contemplado esses aspectos no ensino do esporte naescola, pode-se ajudar os professores e alunos na mediação entre osconteúdos apresentados/vividos e tematizados/problematizados, e entre oseducandos e a realidade social. E deve-se ter o objetivo de desenvolver nosalunos algumas competências, com as quais poderão fazer uma relação com oesporte que praticam e sua realidade enquanto sujeitos críticos e participantes /responsáveis no processo de desenvolvimento desse esporte. O referido autor(1994: 68) diz estar convicto, que pelo menos o professor estará: (...)contribuindo para um processo educacional crítico-emancipatório e que não seresume, apenas, num SABER-FAZER, mas também, num SABER-PENSAR eum SABER-SENTIR. Kunz (1994), classificou algumas competências, que segundo ele,despertará o aluno para a leitura, interpretação e crítica ao fenômeno esportivonas dimensões socais e culturais, proporcionando sua emancipação. O autordestaca as competências em: Objetiva - O aluno precisa receber conhecimentos e informações,treinar destrezas e técnicas racionais e eficientes, aprender certas estratégiaspara o agir prático de forma competente. Por isso terão acesso aosfundamentos técnicos e históricos dos esportes, exercitando-os numa práxis deagir-refletir-agir novamente, habilitando-o para atuar dentro de suaspossibilidades individuais e coletivas agindo de forma bem sucedida no mundodo trabalho, na profissão, no tempo livre e no esporte. Social - O aluno deve entender as relações sócio-culturais docontexto em que vive, dos problemas e contradições destas relações, osdiferentes papéis que os indivíduos assumem numa sociedade, no esporte, ecomo estes se estabelecem por atender diferentes expectativas sociais. Aoproblematizar o esporte nas aulas de Educação Física, o professor deverámostrar aos alunos que os elementos que possibilitam a socialização, como:comportamentos, valores, papéis, códigos, etc. estão presentes na práticaesportiva. Assim, através da reflexão, do falar dos participantes, a competênciasocial deverá contribuir para um agir solidário e cooperativo, levar àcompreensão dos diferentes papéis sociais existentes e fazê-los sentirpreparados para assumir estes diferentes papéis, atendendo e compreendendoos outros nos mesmos papéis, ou em assumindo papéis diferentes. Comunicativa - Saber se comunicar e entender a comunicação dosoutros é um processo reflexivo e desencadeia iniciativas do pensamento crítico.Contudo, não deve se concentrar apenas na linguagem dos movimentos, masprincipalmente a linguagem verbal deve ser desenvolvida, para que uma sériede problemas sociais e culturais na prática do esporte possam ser identificadose entendidos através da comunicação entre os participantes, encontrarpossíveis soluções para os mesmos. A linguagem vai permitira interpretaçãodas experiências vividas, e nesse processo de externar as experiências. Oaluno deve ser orientado a passar do nível da "fala comum", para o nível dodiscurso, oportunizando através da linguagem entender criticamente ofenômeno esportivo e o próprio mundo.
  20. 20. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ Vê-se que o conteúdo para o ensino dos esportes na EducaçãoFísica não pode ser apenas prático. O ensino pretendido como afirma KUNZ(op. cit., 37): (...) não é um ensino FECHADO que se concentra na aprendizagem de destrezas técnicas para o rendimento esportivo, e nem o ensino ABERTO para entender, na maior parte, os interesses do aluno. Este deve ser um ensino que se movimenta constantemente em um ABRIR E FECHAR de suas relações metodológicas. Nota-se que ensinar o esporte numa perspectiva crítico-emancipatória é buscar dentro do próprio esporte suas contradições erelacioná-las com a realidade dos praticantes deste esporte. Porém, não é tãosimples assim, pois a imagem que os alunos trazem para dentro da escola é aimagem que vem sendo construída por uma sociedade capitalista há muitosséculos. Então, o professor deve agir intencionalmente, buscando emanciparos seus alunos, "libertando-os deles mesmos". Segundo o autor, se a Educação Física conseguisse introduzir comcompetência e organização a formação de indivíduos críticos com perspectivaemancipatória, poderia iniciar um processo concreto de redimencionamento daeducação do jovem no Brasil e ser imediatamente acompanhada pelas demaisdisciplinas escolares, pois na verdade, só existe uma formação crítico-emancipatória da escola e não de uma disciplina.TABELA 01 - PROPOSTAS CRITICO EMANCIPATÓRIA PARA EDUCAÇÃOFÍSICA Fundamenta-se nas categorias trabalho, interação e linguagem(teoria crítica) relacionando-as ao processo de ensino (conteúdo, método,objetivos) da Educação Física. TRABALHO INTERAÇÃO LINGUAGEM Ter acesso a Ter acesso a relação Ter acesso a conteúdos conhecimentos e esportivo-cultural, simbólicos e lingüísticos informações de vinculados à cultura do que transcendem o ASPECTO DOS relevância e sentido para movimento do contexto contexto esportivo. CONTEÚDOS a aquisição de habilidade social. ao esporte de acordo com o contexto. Possibilitar o acesso a Capacitação para Aperfeiçoamento das estratégias de assumir conscientemente relações de entendimento aprendizagem, técnicas, papeis sociais e a de forma racional e ASPECTO DOS habilidades específicas e possibilidade de organizada. OBJETIVOS de capacidades físicas. reconhecer a inerente necessidade de se movimentar. Capacitar para o mundo Capacitar para um agir Desenvolver capacidades dos esportes, solidário, cooperativo e criativas, implorativas, movimentos e jogos de participativo. além da capacidade de ASPECTO DOS forma efetiva e autônoma discernir e julgar de forma OBJETIVOS com vista à vida futura crítica. relacionando ao lazer e ao tempo livre. COMPETÊNCIA OBJETIVA SOCIAL COMUNICATIVA
  21. 21. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ CRITICA AS ABORDAGENS Poderíamos resumir nossas críticas ao elemento pedagógico de queas abordagens desenvolvimentista, construtivista e crítico-emancipatória nãose apresentam enquanto propositivas sistematizadas, não conseguem afirmarpor completo a Educação Física na escola, pois não elaboram uma seriação ouciclos de conhecimento. Acreditamos que esses elementos não convencemuma crítica afirmativa, pois podemos observar vários professores queconseguem, através das obras de GO Tani, Freire e Kunz, sistematizarconhecimentos da prática pedagógica em Educação Física na educação básicade uma forma geral. Acreditamos que a intenção da crítica às abordagensapresentadas passa pela reflexão de qual projeto de sociedade está sepensando, nesse sentido concordamos com Carvalho (1991:49) quandoafirmou que muitos professores da área "procuram grosso modo ignorar nossarealidade concreta, realidade sócio-econômica, misantrópica e heteróclita, naqual "vivem" de modo ignóbil mais de 80% da população brasileira". Nossa preocupação é evitar o discurso da neutralidade pedagógica,intencionalmente forjado para desvirtuar o debate da realidade social e somarcom o coro dos incautos professores que acreditam na Educação Física comouma redenção dos seus problemas pessoais. O Coletivo de Autores (1992)inicia seu debate fazendo a seguinte questão: a que classe socialpertencemos? Podemos afirmar que os discursos contidos nas abordagens daEducação Física possuem uma intencionalidade pedagógica vinculada a umprojeto de sociedade que estará contribuindo com a hegemonia de uma classesocial. E o professor através de suas aulas, a partir de uma determinadaabordagem, estará reforçando o discurso embutido nas bases epistemológicasda abordagem escolhida em sala de aula. E importante que o professor tenhaclaro esses elementos no momento do planejamento escolar, no momento dediscussão do Projeto Político Pedagógico da escola - pois não existe umaescola, um sistema escolar neutro. Assim as críticas que seguem fazem partede um entendimento que vivemos numa sociedade dividida em classes, onde aescola (e a Educação Física) podem reproduzir o ideário da classe dominante,esvaziando a luta dos contrários e afirmando uma postura ideológica bemdefinida.DESENVOLVIMENTISTA Sua preocupação está relacionada com o crescimento edesenvolvimento da criança tendo como ponto de partida e chegada, omovimento a partir de modificações neuro-psicológicas. Podemos chamar essaabordagem de Educação do Movimento, pois privilegia a aprendizagem motoraatravés de estágios de desenvolvimento preestabelecidos e que devem seralcançados pelos alunos através das orientações do professor que assumeuma postura diretiva na condução das aulas e que é o responsável para indicar
  22. 22. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/aos alunos como o movimento deve ser efetuado esperando a performancebem sucedida. O professor transmite o conhecimento através de programaçõesindividuais e corrige o aluno quando este não executa os movimentoscorretamente. Nessa abordagem tenta-se aprimorar a técnica da habilidade motorapela repetição dos gestos técnicos e tem como finalidade a adaptação e abusca do rendimento, seleção e iniciação esportiva. Não compreende a criançacomo um ser social e criativo, inserida na realidade do sistema capitalistarepleta de contradições, estabelecendo os chamados Padrões Fundamentaisde Movimento que todos os alunos, de acordo com sua faixa etária, devemalcançar independentemente de sua condição social. Acreditamos que essaabordagem foi predominante nas escolas durante a década de 80 e 90,afirmando um caráter estereotipado da Educação Física no sentido decaracterizá-la enquanto esporte, rendimento e performance, através deexercícios repetitivos e automatizados. A abordagem desenvolvimentista despreza totalmente a concepçãomaterialista da história e afirma-se enquanto base epistemológica com opositivismo, não se preocupando com a formação de cidadãos críticos eparticipativos para a construção de uma sociedade mais democrática e maisjusta.CONSTRUTIVISTA Essa abordagem busca superar os preceitos apregoados nadesenvolvimentista, mudando o foco da Educação do Movimento para aEducação pelo Movimento, com o objetivo de formação da personalidade doaluno, retirando a ênfase nos padrões de desenvolvimento motor. O aluno émais participativo a partir do posicionamento não-diretivo do professor,buscando apreender através do jogo valores de socialização, respeito mútuo eamizade. Acreditamos no avanço teórico da Educação Física a partir dadivulgação mais ampliada dessa abordagem, feita principalmente por JoãoBatista Freire, inclusive com a inserção de várias matérias na Revista NovaEscola. Porém a práxis pedagógica proposta pelo construtivismo está longe darealidade das escolas públicas brasileiras, não existindo nessa abordagem umapreocupação, nem ao menos latente, em discutir as possibilidades das aulasde Educação Física frente a situação de sucateamento, pobreza e exclusãosocial. Um caso bem concreto - trata-se do Futebol aos Pares - jogobastante difundido que traz duplas de mãos dadas para a realização do futebolconvencional - que prega uma maior participação dos alunos na atividade dofutebol, ao mesmo tempo que favorece as discussões a respeito da construçãodas regras do jogo. Tem-se que a partir desses elementos exista umadiscussão sobre a formação de um aluno crítico e participativo (esses termostornam-se inclusive um jargão), mas na verdade não existe uma análiseaprofundada sociedade capitalista e sim uma discussão a respeito daspossibilidades de ascensão pessoal dentro do sistema, sem questioná-la
  23. 23. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/radicalmente. Os autores que serviram de base teórica de Freire estãoinseridos numa base de conhecimento chamada de fenomenologia. Numa análise mais criteriosa podemos encontrar divergências nasduas principais obras de Freire. A primeira, “Educação de Corpo Inteiro",aprofunda o paradigma do construtivismo negando as formas de padrões demovimento na Educação Física, estabelecendo, inclusive com atividadespráticas (o zerinho6 é um exemplo prático clássico), a idéia de construção doconhecimento a partir de elementos da psicologia. Já na obra "Pedagogia doFutebol" encontramos o termo habilidades específicas, retirado da propostadesenvolvimentista, referente ao chutar, passar, cabecear, etc., no futebol.Freire propõe estágios de desenvolvimento dessas habilidades e umaavaliação da capacidade motora dos alunos, deixando de lado o discursocontido no seu trabalho anterior. O livro traz também, em sua maior parte,atividades práticas, deixando de lado, por vezes, o debate filosófico outroraarticulado pelo autor, tornando-se um receituário prático a ser seguido pelosprofessores interessados em atalhos para o planejamento diário de suas aulas.CRÍTICO-EMANCIPATÓRIA É uma concepção centrada apenas no "ensino dos esportes" e asoutras formas da cultura corporal não são abordadas. Tem como objetivosomente a realização de três competências: a objetiva, a social e acomunicativa. Sua finalidade é o movimento humano - o esporte e suastransformações sociais. O esporte como conteúdo hegemônico impede odesenvolvimento de objetivos mais amplos para a Educação Física. Também éuma concepção que não se preocupa com a formação do cidadão e atransformação social.ABORDAGEM DA APTIDÃO FÍSICA / SAÚDE Esta é uma concepção dentro da Educação Física brasileira quetoma fôlego em inícios da década de 90 com os seguintes autores: GAIA(1989) e (1997); GUEDES E GUEDES (1994) e (1995); FARINATTI (1994) e(1996). Dentre estes, analisaremos especificamente o discurso construído peloprofessor Dr. Daitagnam Pinto Guedes e Professora Ms. Joana E. R. PintoGuedes, por constatarmos que eles formulam uma proposta sistematizada paraa Educação Física escolar. No ano de 1994 os autores lançam a sua proposta em forma deartigo, editado pela Revista da Associação dos Professores de EducaçãoFísica de Londrina (APEF), com o título: "Sugestões de ConteúdosProgramáticos para Programas de Educação Física escolar direcionados àpromoção da saúde", proposta que segundo GUEDES E GUEDES, (1994:4) éconstituída de 5 momentos:
  24. 24. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ 1. Conceituação do termo saúde dentro do contexto didático- pedagógico; 2. Análise das diferentes tendências dos programas de Educação Física nas últimas décadas; 3. Proposição dos objetivos para os programas de Educação Física escolar direcionados à promoção da saúde; 4. Sugestões de conteúdo programático para os programas de Educação Física escolar direcionados a promoção da saúde; 5. A utilização da administração de testes motores nos programas de Educação Física escolar direcionados à promoção da saúde. Em suas considerações iniciais os autores destacam que, embora osjovens raramente apresentem sintomas de doenças crônico-degenerativas,esta não pode ser uma garantia de que não vá ocorrer no futuro. "Por essemotivo a adoção de hábitos saudáveis, necessita ser assumido ainda na escolapara evitar no futuro possíveis distúrbios degenerativos”. Os autores alertam para a necessidade de se repensar osprogramas de Educação Física escolar e para isso seus argumentos são quepara critérios de saúde satisfatórios, não mais de 15% das crianças eadolescentes conseguem apresentar as exigências motoras mínimas, sendoque 13-15% já demonstraram índices de adiposidade bastantecomprometedores. Assim a escola de forma geral e a Educação Física deforma específica devem criar mecanismos alternativos que levem oseducandos a perceberem a importância de se adotar um estilo de vidasaudável. Para isso os autores propõem dois desafios a serem alcançados pelaEducação Física escolar: a) Fornecimento de oportunidades para que viabilizem aos educandos a adoção de um estilo de vida ativo ao longo de toda sua existência; b) Proporcionar experiências educativas que viabilizem aos educandos a adoção de um estilo de vida ativa ao longo de toda sua existência. Os autores ao conceituar saúde valem-se da definição sintetizada naConferência Internacional sobre Educação Física e Saúde de 1988. De acordocom esta "moderna" definição, saúde é uma condição de dimensões física,social e psicológica, cada uma caracterizada por um contínuo com pólospositivos e negativos, sendo a saúde positiva associada à capacidade deapreciar a vida e resistir aos desafios do cotidiano e não meramente a ausênciade doenças, enquanto que a saúde negativa está associada com a morbidadee no extremo a mortalidade. Desta forma, segundo os autores (op. cit., 5), parece evidente que oestado de ser saudável não é algo estático:
  25. 25. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ (...) pelo contrário, torna-se necessário adquiri-lo e reconstruí-lo de forma individualizada constantemente ao longo da vida, apontando para o fato de que a saúde é educável, podendo ser tratada em um contexto didático - pedagógico. GUEDES e GUEDES afirmam que a inclusão de determinadasdisciplinas pertencentes à área do ensino no currículo escolar, deve-sealicerçar na valorização e relevância de seus objetivos em direção a umaformação integral e consciente dos educandos, despertando nos mesmos aconsciência para a necessidade de se adequar ao momento histórico em quevivem, fazendo com que sejam portadores de uma capacidade crítica ereflexiva ajustada a uma sociedade moderna e democrática, em que asatividades motoras passam a adquirir grande relevância na medida em quetoma-se necessário de alguma forma "compensar os efeitos nocivos dos estilode vida provocados pela sociedade moderna". Segundo os autores a Educação Física, enquanto parte de umcurrículo, deve ater-se a essência de sua função e não se deixar supostamentedirecionados à formação de cidadãos de extraordinária competência social,cultural e política, pois, se assim o fizerem, não serão capazes de contribuirpara levarem os educandos futuramente a apresentarem uma vida produtiva,criativa e bem sucedida. Os autores alertam que: “ A Educação Física deve serencarada pelos professores no meio escolar como uma disciplina concreta, deuma escola concreta, para alunos concretos, cidadãos de um mundo concreto”. Sendo que ao fazerem sugestões para a Educação Física escolarrealizam uma crítica à tendência da Educação Física esportiva na escola e aspropostas pedagógicas da Educação Física que tem como objetivo trabalharcom elevadas doses de intelectualismo. De acordo com GUEDES e GUEDES(1994) o tempo livre de nossas crianças e adolescentes resume-se: (...) a brincadeira passiva sem nenhum envolvimento motor, ou ainda que não é recomendável viver em sociedades onde mais de 40% das causas de mortes são provocados por um estilo de vida pouco saudável em termos de hábitos de atividades motoras e alimentação. Desta forma é preciso que a escola assuma sua função educacional,intervindo decisivamente na tentativa de procurar modificar a atual realidade. Oconteúdo para a Educação Física escolar no ensino fundamental e médio, deveter elementos que deverão nortear a atuação dos professores em unidades deensino. Nestas unidades o professor, em princípio, deverá ser capaz dediagnosticar e acompanhar os níveis de crescimento, composição corporal edesempenho motor dos educandos, assim como ser detentor de conhecimentosobre o funcionamento morfo-funcional do organismo humano. O conhecimento priorizado para a formação dos educandos deveráestar relacionado às atividades que possam permitir aos mesmos a aquisiçãode hábitos saudáveis de vida, que serão adquiridos valendo-se da práticaregular de atividades físicas (brincadeiras recreativas, jogos e competiçõesesportivas). Mas, de acordo GUEDES e GUEDES, o objetivo das mesmas seráa aquisição e manutenção da aptidão física, que virá por meio da formação do
  26. 26. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/hábito da prática regular de exercícios físicos, que deverá se prolongar paraalém dos anos de escolarização.CRÍTICA A ABORDAGEM DA APTIDÃO FÍSICA / SAÚDE Para iniciarmos a crítica da concepção da Aptidão Física/ Saúdedentro da proposta de GUEDES e GUEDES, utilizaremos os trabalhos deautores que estabelecem uma crítica no sentido de aprofundar discussões àfórmula que vem sendo usada e de associar a Educação Física a aptidão físicae à promoção da saúde: SOARES (1994): DELLA FONTE (1996) e (1997);MAIA (1996)e (1997); FERREIRA (1997) e (1998). Observa-se a forma com que os autores se utilizam do termocrianças e adolescentes. Utilizam-se destes termos sem se darem conta quecriança e adolescente são conceitos e como tal, são abstrações que buscamhomogeneizar uma realidade heterogênea. Estes conceitos quando nãocontextualizados ficam sem condições de informar que crianças e adolescentesseriam estas, criando assim classes homogêneas e universais, distantes dascondições objetivas de vida em que estão inseridas, restando perguntar se os13 e 15% a que GUEDES e GUEDES estão se referindo como portadores deexigências motoras satisfatórias, são as crianças e adolescentes filho da classemédia-alta, ou da classe assalariada e/ ou sub-assalariada? OLIVEIRA(1994:163), lembra que: "... a criança do proletariado e a criança da burguesianão vivem sua condição de criança de maneira semelhante ". Então comoesperar que apresentem as mesmas características? Quanto às exigências motoras mínimas satisfatórias pergunta-se:Quem exige? Baseado em quais parâmetros? Com que finalidade?Satisfatórias para quem? Se não podemos considerar que existe crianças eadolescentes com as mesmas características, como esperar que apresentemos mesmos padrões motores exigidos como o mínimo? FARINATTI (1995:17),diz que: "Quanto às exigências motoras mínimas estabelecidas para a saúdesatisfatória, questiona o mesmo fato, pois, GUEDES e GUEDES não detalhamquais exigências seriam estas". Na proposta de GUEDES e GUEDES pretende-se fazer com que osprofessores de Educação Física criem mecanismos que levem os educandos apercebem a importância de adotar um estilo de vida saudável mas, comoadotar um estilo de vida saudável quando as condições de vida da maioria nãopermite que tenham acesso a uma alimentação balanceada e a um sistema desaúde que possa atender sua necessidade mínima? O "moderno" conceito utilizado por GUEDES e GUEDES (1994:5),para definir o que é saúde, ainda não deixa de ser uma concepção vaga deabordar o problema saúde - doença, pois não levam em conta as condiçõesconcretas de existência das pessoas que possuem saúde e das que não aspossuem, pois segundo MAIA (1997: 256), "... ler saúde e ter condiçõesconcretas de prevenir ou tratar doenças e não apenas não estar doente".
  27. 27. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ Quanto à proposta do autor de individualizar a busca da saúde,entende-se como uma responsabilidade individual, levando a entender que seum indivíduo esforçar-se ele se tornará saudável, mas caso não consiga eleserá o único responsável. Outra possibilidade de compreensão seria que, se abusca de saúde passa a ser uma busca individualizada, todas as formaslutar/buscar essa saúde também serão individualizadas: um problema que ésocial passa a ser enfrentado individualmente, e não coletivamente,entendendo assim que, esta proposta retira a possibilidade de se entender quesaúde - doença é também um problema social. MAIA (1996:76), refere-se aGUEDES e GUEDES como autores alinhados a uma vaga interpretação sobreo que seja saúde, pois: (...) continuam a reforçar a idéia de que é a ignorância da população brasileira, principalmente de crianças e adolescentes, a responsável pelo seu próprio perfil de saúde, pois, consideram que muitos sintomas não são nada a mais que uma conseqüência (natural) de estágios mais avançados de maus hábitos de saúde, (grifos do autor) Desta forma, fica a impressão de que há uma relação direta decausa e efeito entre saúde - doença e atividade física. Por exemplo: práticoatividade física terei saúde; não prático atividade física terei doenças. Isto podeser evidenciado quando os autores orientam que se faça atividade física paracompensar os efeitos nocivos praticados pelo estilo de vida da modernasociedade, ou seja, no lugar de buscar eliminar as causas que provocam osefeitos nocivos, busca-se formas de se adaptar aos efeitos. Ataca-se os efeitose não as causas deixando entender que o problema está no indivíduo e nãofora dele. GUEDES e GUEDES (op. cit., p. 6) enfatizam que não se podequerer transformar / mudar a sociedade através da escola e ao mesmo tempose contradizem ao anunciar que a escola deve assumir sua função corrigindoas falhas da sociedade procurando modificar a atual realidade. Mas, há que seperceber que a atual realidade a qual os autores referem-se, não é a realidaderepresentada pelas moléstias sociais decorrentes do regime capitalista, e sim afalsa realidade de que o individuo é o responsável exclusivo pelo seu estado desaúde ou doença. Segundo a afirmação de LUCKESI (1994:49): Na transformação social temos claro que não se dará via instituiçãoescolar, mas ação coletiva e organizada dos setores explorados da sociedade,apesar disso, acreditamos na instituição escolar como um campo de açãopolítica com amplas possibilidades estratégicas de tomar parte nessatransformação. Assim ela pode ser uma instância social, entre outras, na lutapela transformação da sociedade, na perspectiva de sua democratizaçãoefetiva e concreta, atingindo os aspectos não só políticos, mas também sociaise econômicos. Na busca de uma nova" proposta pedagógica para a EducaçãoFísica, GUEDES e GUEDES (Ibid: 7) criticam as pedagogias que buscam atuarde modo a dar aos educandos altas doses de intelectualismo. Fazem a críticapor perceberem que estas não têm como principal foco de atuação aosaspectos anatomo-fisiológicos do movimento humano, mas sim uma ótica de
  28. 28. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/transformação dos valores, o que deve ser a função do professor de EducaçãoFísica. Mas qual é a função do professor? Isso dependerá basicamente dequais ideologias impulsionam a prática pedagógica. Quanto a função doprofessor, acreditamos que sua atuação acontece levando em conta o serhumano que é fruto de inúmeras determinações que vão desde o nívelbiológico, ao sócio-histórico-cultural, do contrário, estará apenas refletindo umavisão unilateral da realidade e a tão pretendida formação integral do educandonunca ocorrerá verdadeiramente. Como mencionado acima, GUEDES e GUEDES afirmam que ocontexto escolar em que o educando está inserido deve objetivar a formaçãointegral, que também faz parte a apropriação de uma consciência histórica darealidade contextualizada, capacitando-o a ter consciência critica. Maspergunto: Como é possível levar um educando a essa consciência critica semaltas doses de esforço intelectual? SAVIANI (1989: 125) crítica o discurso dosautores dizendo que: Pode-se entender que eles sugerem aos professores não desvalorizar os fundamentos biológicos próprios da Educação Física em favor de pedagogias que buscam dar aos educandos um instrumental teórico de compreensão e transformação dos valores sócio-culturais envolvidos nas práticas - corporais, pelo fato de estas, em sua visão, darem-se com elevados doses de intelectualismo. Quando os autores afirmam a exigência de uma Educação Físicaconcreta, para alunos concretos, de uma escola concreta em um mundoidealizado, na qual todos são iguais, sem diferenças de classes nãoconseguimos desse modo, contextualizar o estado concreto de dominantes edominados explícito nas relações sociais. Entendemos que a Educação Física buscando se legitimar comouma disciplina escolar, que tem algo a oferecer à formação do educando, nãopode abrir mão da promoção da saúde enquanto um conteúdo que poderácompor uma proposta pedagógica para a Educação Física escolar; mas essaincorporação a uma proposta pedagógica não pode ocorrer acriticamente,desvinculada da realidade.
  29. 29. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ ABORDAGEM CRÍTICO - SUPERADORA A Concepção Crítico - Superadora está teoricamente formulada naobra intitulada "Metodologia do Ensino da Educação Física", composta por umCOLETIVO DE AUTORES (1992) –TAFFAREL, ESCOBAR; VARJAL;BRACHT; CASTELLANI FILHO; SOARES. É uma abordagem propositiva, poisestabelece critérios para a sistematização dessa disciplina no âmbito daescola. Se apresenta pautado num projeto histórico de sociedade que temcomo princípio a superação da sociedade capitalista. As suas atribuições estão ligadas a uma literatura crítica domovimento humano no sentido de perceber a sociedade e suas contradições,as classes sociais e os seus interesses antagônicos. A mesma teria o papel decontribuir, através de práticas corporais designadas como da cultura corporal,como o processo de formação do cidadão para que se possa estabelecer umahegemonia, a hegemonia da classe trabalhadora. A Educação Física deve serentendida dentro de seu contexto sócio - político - econômico e cultural, desuas determinações históricas, reconhecendo-se como fruto da construçãohumana durante o seu percurso ao longo da história, favorecendo a umacompreensão de mundo e uma tomada de consciência no sentido de colaborarcom a transformação da realidade social. O professor nessa concepção é um educador, que baseado no seuprojeto político - pedagógico orienta suas ações em sala de aula, escolhe osconteúdos com o qual vai trabalhar, mantém uma relação de respeito,compromisso e reciprocidade com os alunos e a educação. E segundo oCOLETIVO DE AUTORES (1992: 26) fazendo uma constante reflexão sobresua prática pedagógica: E preciso que cada educador tenha bem claro: Qual o projeto de sociedade e de homem que persegue: Quais os interesses de classes que defende? Quais os valores, a ética e a moral que elege para consolidar através de sua prática? Como articula suas aulas com este projeto maior de homem e de sociedade? Com base nesses preceitos a concepção crítico - superadora trazuma proposta de currículo ampliado, com o papel de organizar a "reflexãopedagógica do aluno”, para que ele passe a pensar a sua realidade socialdentro de uma lógica. A escola diante dessa proposta curricular seleciona oconhecimento cientifico com o qual deve gradativamente promover a qualidadee amplitude da reflexão do aluno. Os autores dessa proposta referendam a Educação Física, comouma disciplina escolar que trata pedagogicamente da cultura corporal, que sãoformas de "representação do mundo que o homem têm produzido no decorrerda história" e exteriorizados pela expressão corporal, vista nos jogos, danças,
  30. 30. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/lutas, esportes, na ginástica etc., por conseguinte é esse o conteúdo daEducação Física. A obra referida tem como objetivo trazer elementos básicos para aelaboração de uma teoria pedagógica para a elaboração de um programa deensino. De acordo ao COLETIVO DE AUTORES (Idem: 18) a teoriapedagógica: (...) é a explicação elucidativa sobre o que se entende por pedagógico e didático, para daí se abordar o conhecimento na escola. O programa específico, por sua vez significa uma dada organização do conhecimento selecionado. A metodologia deve ser compreendida como uma maneira de seposicionar, de enxergar um determinado fenômeno levando em conta suasrelações com a totalidade social sem perder de vista o singular. Teremos,então, a compreensão dos conteúdos da Educação Física e suas relações como contexto social percebendo-os como linguagem social e historicamenteconstruída. Levando em conta a luta histórica das classes sociais estapedagogia tentará servir os anseios de uma das classes sociais, devendo servirà grande maioria da população, ou seja, a classe trabalhadora, tendo em vistaas suas necessidade de construir uma sociedade verdadeiramente justa, a qualatenda os interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora, dascamadas populares, que corresponde aos anseios de emprego, salário digno,alimentação, transporte, habitação, saúde, educação, enfim, condições para aprodução de sua existência. Esta pedagogia levanta questões de poder, interesse, esforço econstatação. Acredita que qualquer consideração sobre a pedagogia maisapropriada deve versar, não somente sobre questões de como ensinar, mastambém sobre como adquirirmos estes conhecimentos, valorizando a questãoda contextualização dos fatos e do resgate histórico. Do mesmo modo,DARIDO (1999: 24), afirma: Esta percepção é fundamental na medida em que possibilitaria a compreensão por parte do aluno, de que a produção da Humanidade expressa uma determinada fase que houve mudanças ao longo do tempo. De acordo com COLETIVO DE AUTORES a pedagogia crítico -superadora tem características especificas. Ela é diagnostica porque pretendeler os dados da realidade, interpretá-los e emitir um juízo de valor. Este juízo édependente da perspectiva de quem julga. É judicativa porque julga oselementos da sociedade a partir de uma ética que representa os interesses deuma determinada classes social. Para ampliação de seu entendimento sobre a escola, o COLETIVODE AUTORES estabelece o conceito de currículo ampliado. Este conceitobuscará estender a compreensão sobre o currículo que deverá sercompreendido para além dos muros da escola, pois a reflexão pedagógica será
  31. 31. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/implantada a partir do contexto do aluno, do conhecimento que o aluno traz desua realidade cotidiana, para confrontá-los com o saber escolar, passando porestabelecer uma relação entre a teoria geral do conhecimento com a psicologiacognitiva. Esta estrutura fundamentará a reflexão pedagógica no processo deescolarização. Os referidos autores destacam: Neste projeto a função social do currículo é ordenar a reflexão pedagógica do aluno de forma a pensar a realidade social desenvolvendo determinada lógica. Para desenvolvê-la, apropria-se do conhecimento científico, confrontando-o com o saber que o aluno traz do seu cotidiano e de outras referências do pensamento humano: a ideologia, as atitudes dos alunos, as relações sociais, dentre outros. No entanto, o que determinará a amplitude deste currículo será oque o COLETIVO DE AUTORES (1992) chama de eixo curricular. Este eixorepresenta as referências em relação às bases epistemológicas, sociológicas,filosóficas, etc., sendo responsável assim pela amplitude desta reflexão,delimitado o que à escola pretende explicar. A concepção de eixo curriculardefendido deverá dar conta da constatação, interpretação, compreensão eexplicação da realidade social. A partir deste eixo curricular é que se estabelece o quadro curricular,ou melhor, o conjunto de disciplinas necessárias ao desenvolvimento de umalógica dialética. Desta maneira, uma disciplina só se justifica no contextoescolar quando colabora com o entendimento da totalidade social. Estaestrutura se apresentará de forma concreta a partir da dinâmica curricular: Trata-se de um movimento próprio da escola que constrói uma base material capaz de realizar um projeto de escolarização do homem. Esta base é construída por três pólos: trato com o conhecimento, organização escolar e a normalização escolar. No trato com o conhecimento busca-se orientar científica emetodologicamente como se desenvolverá o conhecimento durante a açãopedagógica. O sentido é de criar condições para assimilação do conhecimentopreocupando-se com fatores como: seleção, organização, seleção lógica emetodológica. Do mesmo modo, LIBÂNEO (1985: 39), destaca: O trato com o conhecimento reflete a sua direção epistemológica e informa os requisitos para selecionar, organizar sistematizar os conteúdos de ensino. Pode-se dizer que os conteúdos de ensino emergem dos conteúdos culturais universais, constituindo-se em domínio de conhecimento relativamente autônomos, incorporados pela humanidade e reavaliados permanentemente em face da realidade social. A seleção, organização, sistematização lógica metodológica deveráestar em compasso com os princípios epistemológicos, filosóficos, sociológicostraçados na estruturação do eixo curricular. O COLETIVO DE AUTORES (Ibid:31-33) estabelece assim, alguns critérios para escolha e tratamento dosconteúdos:
  32. 32. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ 1. A RELEVÂNCIA SOCIAL DOS CONTEÚDOS, deve indicar o sentido e significado para a reflexão pedagógica bem como colaborar com o processo de compreensão da realidade e de seus determinantes sócio - históricos. 2. A CONTEMPORANEIDADE DO CONTEÚDO, nesta perspectiva serão considerados, ou privilegiados, os conteúdos considerados mais modernos, bem como, e neste mesmo caminho, a construção da ciências e tecnologia. Os autores ressaltam que os conteúdos clássicos nunca perdem a sua contemporaneidade por se firmarem como fundamentais. 3. A ADEQUAÇÃO ÀS POSSIBILIDADES SÓCIO-COGNOSCITIVA DO ALUNO, deve ser considerado a realidade do aluno, o conhecimento que eleja traz de seu contexto social, seus conhecimentos anteriores ao da escola e a sua capacidade cognoscitiva. 4. A SIMULTANEIDADE DOS CONTEÚDOS ENQUANTO DADO DA REALIDADE, neste caso os conteúdos devem ser oferecidos de forma simultânea, negando e etapismo e colaborando com um entendimento do todo. Desta forma, o que mudaria de uma unidade para a outra seria a amplitude deste conhecimento, favorecendo ao aprofundamento das referências do real no pensamento. 5. A ESPIRALIDADE DA INCORPORAÇÃO DAS REFERÊNCIAS DO PENSAMENTO, compreende que as formas de organizar o pensamento vão se ampliando à cada momento que o aluno encontra novas referências no pensamento e esta apreensão não se estabelece de forma linear, mas sim em espiral e vai se ampliando. 6. A PROVISORIEDADE DO CONHECIMENTO, entendido enquanto representação do real no pensamento não está em constante evolução e por isto não deve ser considerado como absoluto ou imutável, mas sim, como construção histórica da humanidade, deve então ser considerado desde a sua gênese para que o aluno compreenda a sua construção histórica e a partir daí a si mesmo enquanto sujeito histórico. A concepção de currículo no COLETIVO DE AUTORES buscaromper com as teorias tradicionais ao ponto que pensa no currículo em suasrelações tanto com toda a estrutura e organização escolar quanto com o aluno,seu conhecimento e a realidade social que o cerca e o seu contexto sócio -histórico. Como afirma LIBÂNEO: (...) os conteúdos são realidades exteriores ao aluno que devem ser assimilados a não simplesmente reinventados, eles não são fechados refratários às realidade sociais, pois não basta que os conteúdos sejam apenas ensinados, ainda que bem ensinados é preciso que se liguem de forma indissociável a sua significação humana e social.
  33. 33. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ Desta forma, o conhecimento da cultura corporal, tratado pelaEducação Física, devem ser específicos para cada nível de ensino, propondoque esse conhecimento seja em forma de ciclos de escolarização. Oselementos que fazem parte da cultura corporal, deve ser abordadosdiferentemente em cada ciclo, atendendo as especificidades que cada ciclonecessita, para que o processo educativo se dê satisfatoriamente. Segundo oCOLETIVO DE AUTORES os ciclos são divididos em: 1º Ciclo: pré-escolar até a 3ª séries do ensino fundamental Ciclo de organização da Identidade dos dados da realidade. Os dados, os elementos (os conteúdos) são percebidos pelo alunode forma confusa e global, pois o mesmo tem uma visão sincrética darealidade, se encontram no momento da experiência sensível, ondeprevalecem as referenciais sensoriais. Por isso, os conteúdos trabalhados nasaulas de Educação Física, devem promover aos alunos a possibilidade deformar sistemas, encontrar as relações entre as coisas identificar as diferençase as semelhanças daquilo que lhe é apresentado. Para que esta possibilidadese concretize é necessário que a escola e principalmente o professoridentifique os dados constatados descritos pelos alunos. 2º Ciclo: 4ª à 6ª séries do ensino fundamental Ciclo de iniciação a sistematização do conhecimento. Neste ciclo o aluno começa a adquirir a consciência de sua atividademental, consegue perceber o individual através de abstrações, confronta osdados da realidade com as representações do seu pensamento sobre eles,estabelece nexos e relações complexas sobre o real aparente. Os conteúdosutilizados nas aulas de Educação Física, podem promover o pensamento táticoe discutir regras, o que vai ajudar o aluno na sua socialização e no pensamentocoletivo. 3° Ciclo: 7 à 8ª series do ensino fundamental Ciclo de ampliação da sistematização do conhecimento O aluno vai ampliando as referências conceituais do seupensamento, ele toma consciência da atividade teórica, ou seja, de que umaoperação mental exige a reconstituição dessa mesma operação na suaimaginação, para atingir a expressão discursiva e a leitura teórica da realidade.Neste ciclo o nível de conhecimento do aluno permite que ele antecipe algunsfatos, já que pode elaborá-los teoricamente, fazendo uma construção mentalentre causa /efeito e objeto, e ele próprio. As aulas de Educação Física devemtrazer um conteúdo que permita ao aluno organização técnico - tática e ojulgamento de valores na arbitragem dos mesmos, considerar os seus objetivose interesses próprios, decisão de níveis de sucesso, etc. 4º Ciclo: 1ª à 3ª séries do Ensino Médio
  34. 34. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ Ciclo de aprofundamento da sistematização do conhecimento O aluno adquire uma relação especial com o objeto, que lhe permiterefletir sobre ele. O aluno começa a perceber propriedades comuns e regularesnos objetos, na medida em que pode compreendê-las e explicá-las. Nesteciclo, também, o aluno lida com a regularidade científica, podendo a partir deleadquirir alguma condição objetivas para ser produto de conhecimento científico,através da pesquisa. Sendo assim, o conteúdo trabalhado nas aulas deEducação Física, devem proporcionar ao aluno, o aprofundamento de técnicas,táticas e regras que regem jogos e brincadeiras, o conhecimento técnico /científico do conteúdo da aula que está desenvolvendo, etc. Essa concepção de organização do ensino escolar em ciclos, propõeque as aulas de Educação Física, sejam ministradas no horário regular doturno em que o aluno freqüenta a escola (inclusive por uma questão social -gastos com transporte, etc.). A concepção crítico - superadora afirma que a avaliação doprocesso ensino - aprendizagem “é muito mais que simplesmente aplicartestes, levantar mediadas, selecionar e classificar alunos, " pois esta forma deavaliar está pautada em paradigmas "mecânico - burocráticos ", que reforçam afunção seletiva e classificatória. Os métodos usados sob este paradigma paraavaliar o ensino observam apenas o caráter "formal" da avaliação, atendendo aexigências burocráticas da escola e a legislação vigente, serve para reforçar osistema e legitimar o fracasso, a discriminação e a evasão escolar. E paracompreender isso é necessário, como afirma os autores, considerar que: A avaliação do processo ensino - aprendizagem está relacionada ao projeto pedagógico da escola, está determinada também pelo processo de trabalho pedagógico, processo interrelacionado dialeticamente com tudo o que a escola assume, corporifica, modifica e reproduz, e que é próprio do modo de produção da vida em uma sociedade capitalista, dependente e periférica. Contudo, a concepção crítico - superadora acredita que além docaráter "formal" da avaliação escolar, existe também o caráter "não formal"expresso nas condutas e comportamentos dos alunos em aula, que o professorpode utilizar, através de uma mediação, para avaliar os conhecimentos dosalunos. Por isso, considera que a avaliação do processo ensino -aprendizagem está relacionado com o projeto pedagógico da escola. Observa-se que o COLETIVO DE AUTORES destaca: E, portanto através da expressão corporal enquanto linguagem que será mediado o processo de socialização das crianças e jovens na busca da apreensão, e atuação autônoma e crítica da realidade, através do conhecimento sistematizado, ampliado, aprofundado, especificamente no âmbito da cultura corporal. Com a intenção de superar o modelo "mecânico — burocrático" deavaliação em Educação Física, os autores "compreendem a Educação Físicacomo uma disciplina do currículo escolar, cujo objeto de estudo é a expressãocorporal como linguagem”. Assim usam a dinâmica curricular para contribuir,
  35. 35. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/através de um esforço coletivo na construção de um projeto político -pedagógico. A partir de dados obtidos da observação das aulas de EducaçãoFísica o COLETIVO DE AUTORES verifica que a avaliação tem sido entendidae tratada, predominantemente, por professores e alunos para atenderexigências burocráticas expressas em normas da escola, atender a legislaçãovigente e selecionar alunos para competições e apresentações tanto dentro daescola, quanto com outras escolas. Ainda segundo os autores (op.cit, p. 99),geralmente a avaliação é: (...) feita pela consideração da "presença" em aula, sendo este o único critério de aprovação e reprovação, ou então, reduzido-se a medidas de ordem biométrica: peso, altura, etc., bem como de técnicas: execução de gestos técnicos, "destrezas motoras", "qualidades físicas", ou, simplesmente, não é realizada. A avaliação de acordo ao COLETIVO DE AUTORES, deve observaro projeto histórico, ou seja, a sociedade na qual estamos inseridos e a quequeremos construir, para superar as práticas avaliativas existentes naeducação, redefinindo valores e normas que norteiam a avaliação na EducaçãoFísica escolar, buscando não apenas aspectos quantitativos, mas também, osqualitativos, que se revelam no projeto histórico e nas práticas dos professorese alunos, que acontecem durante o processo pedagógico. Ainda segundo os autores destacam-se "o sentido da avaliação doprocesso ensino - aprendizagem em Educação Física é o de fazer com que elasirva de referência para a análise da aproximação ou distanciamento do eixocurricular que norteia o projeto pedagógico da escola ". O que se pretende é deixar evidente que a avaliação não deve sereduzir a medir, comparar, classificar, selecionar alunos e muito menos reduzira análise de condutas esportivo-motoras, a gestos técnicos ou táticos. A avaliação implica em conhecer a realidade, traçar planos de açãoe ampliar referências reflexivas críticas sobre a formação humana,identificamos a necessidade de ampliação da avaliação para além de um merosistema de juízos.
  36. 36. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ POSSIBILIDADES DA PRÁTICA PEDAGÓGICA: O ENSINO DO BASQUETEBOL Entendendo que a Educação Física Escolar brasileira passaatualmente por formas distintas no processo ensino-aprendizagem, conformedebatido nos capítulos anteriores, pretendemos nesse momento alicerçar ocotidiano da prática pedagógica através da análise das possibilidades deensino-aprendizagem de um esporte coletivo, no caso específico obasquetebol, mas que poderíamos ter escolhido o futebol, handebol, futsal eaté mesmo qualquer modalidade individual (natação e atletismo), ou qualqueroutra proposta pedagógica vinculada, por exemplo, a cultura corporal (dança,ginástica, luta, capoeira). O importante é podermos perceber que existemdiferentes correntes de pensamentos, baseados em diferentes autoresnacionais, que estabelecem as concepções de ensino propositivas(sistematizadas e não-sistematizadas) e não-propositivas. A partir dessasconcepções, os professores de Educação Física podem organizar objetivos eprincípios pedagógicos distintos dentro do seu processo ensino escolar, comono caso do ensino de uma modalidade esportiva. Pretendemos, então, apontarpropostas metodológicas do ensino do basquetebol nas concepçõesdesenvolvimentista, construtivista e crítico-superadora, estabelecendoobjetivos, metodologia e avaliação para cada concepção de ensino. Para tanto,utilizou-se a pesquisa bibliográfica fundamentando as concepções pedagógicasatravés de autores que se definem enquanto corrente de pensamento naeducação física escolar. Como resultados percebemos que cada concepção deensino respalda uma linha diferente de pensamento ideológico, acarretandodiferenciação nos objetivos e princípios metodológicos que o professor podeutilizar em sala de aula. Concluímos que a concepção desenvolvimentista podeser melhor utilizada para a apropriação do gesto técnico de alguma modalidadeesportiva, a construtivista para o desabrochar da personalidade da criança e acrítico-superadora para estabelecer laços concretos de mudanças sociais. O presente texto consistirá na elaboração de uma narrativa queabordará o esporte coletivo basquetebol, envolvendo suas origens,características, perspectivas pedagógicas de ensino, contemplando seusobjetivos, conteúdos, metodologia e avaliação. Na narrativa das perspectivaspedagógicas iremos analisar três perspectivas de trabalho pedagógico e suasformas de ensino-aprendizagem. O basquetebol é um esporte coletivo onde busca-se o controle dabola usando apenas as mãos, a fim de atingir o objetivo final que é arremessá-la na cesta e marcar ponto. A criação do esporte é datada de 1891, pelocanadense Naismith, que através de condições específicas de espaço físico,clientela e material, propôs uma atividade que pudesse ser realizada em localcoberto e por um grande número de praticantes, surgindo assim o basquetebol(NOGUEIRA, 1995).
  37. 37. Site: http://geocities.yahoo.com.br/gagaufera2003/ Para podermos analisar e propor objetivos e princípios pedagógicosdo esporte, devemos inicialmente contextualizar o debate atual da educaçãofísica sobre as diferentes perspectivas pedagógicas. A partir de CASTELLANI FILHO (1998), encontramos o trabalho deASSIS DE OLIVEIRA (2001) que apontaram a discussão sobre os fundamentosteórico-metodológicos e dividiram as correntes pedagógicas existentes naEducação Física em duas concepções: não-propositivas e proposítivas.Segundo CASTELLANI FILHO (1998) as teorias não-propositivas são aquelasque tratam da Educação Física sem nortear parâmetros ou princípiosmetodológicos. As propositivas não sistematizadas são aquelas que delimitamuma prática, porém, não sistematizam uma perspectiva metodológica.CASTELLANI FILHO não relata sobre as propostas propositivas sistematizas,mas tem-se como aquelas que apresentam princípios metodológicos. Iremos desencadear a reflexão desse texto nas intençõespropositivas e suas divisões - não sistematizadas e sistematizadas. Naspropostas não sistematizadas buscaremos aprofundar os objetivos e princípiospedagógicos das concepções Desenvolvimentista e Construtivista, com ênfasepsicogenética (buscando entrelaçar com a teoria Psicomotora). Já naspropostas sistematizadas abordaremos a Crítico-superadora. DAIUTO (1991)afirmou que o ensino do esporte pode “ser praticado ou conduzido comfinalidades diversas e os objetivos a serem alcançados podem ser diferentes”.A PROPOSTA CRÍTICO-SUPERADORA A proposta Crítico-superadora está teoricamente formulada na obraintitulada "Metodologia do Ensino da Educação Física", composta por umCOLETIVO DE AUTORES (TAFFAREL; ESCOBAR; VARJAL; BRACHT;CASTELLANI FILHO; SOARES). Tal proposta caracteriza-se como "umapedagogia emergente, que busca responder a determinados interesses declasse”, e entende a Educação Física como "uma disciplina que trata, (...), doconhecimento de uma área denominada de cultura corporal", trabalhando comtemas definidos como jogo, esporte, ginástica, dança. Esses temas, tambémchamados de conteúdos devem viabilizar “a leitura da realidade estabelecendolaços concretos com projetos políticos de mudanças sociais". Assim no ensinodo basquetebol podemos perceber as diferenças de interesses de quem ensinae de quem o pratica. O COLETIVO DE AUTORES (1992) relata um exemploem que o professor de basquete vê num jogo a luta entre duas equipesadversárias, onde a vencedora terá os melhores atletas, mais técnicos (nosgestos de driblar, passar, arremessar, fintar), mais hábeis e consequentementemais treinados técnica e taticamente, o que possivelmente trará repercussõesprofissionais e/ou financeiras para o professor. Enquanto que para o aluno osgestos contemplam outras necessidades pessoais como a ludicidade, a auto-estima, o prazer de jogar, ou seja, refletem sua história de vida e seu momentoatual. Nesse instante é que a prática da cultura corporal se diz contraditória edialética, formando o arcabouço teórico para que se possa ensinar umdeterminado esporte.

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