Tcc 2012 o uso de anticoncepcionais por mulheres de uma escola técnica de fernandópolis - sp

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Tcc 2012 o uso de anticoncepcionais por mulheres de uma escola técnica de fernandópolis - sp

  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS ALLAN RAMOS VENTURA DARLENE CRISTINE CAVENAGE FRANCIELE DE ALMEIDA COSTA JONATAN PEDROO USO DE ANTICONCEPCIONAIS POR MULHERES DE UMA ESCOLA TÉCNICA DE FERNANDÓPOLIS - SP FERNANDÓPOLIS 2012
  2. 2. ALLAN RAMOS VENTURA DARLENE CRISTINE CAVENAGE FRANCIELE DE ALMEIDA COSTA JONATAN PEDROO USO DE ANTICONCEPCIONAIS POR MULHERES DE UMA ESCOLA TÉCNICA DE FERNANDÓPOLIS - SP Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Orientador: Prof. MSc.Roney Eduardo Zaparoli
  3. 3. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS – SP 2012 ALLAN RAMOS VENTURA DARLENE CRISTINE CAVENAGE FRANCIELE DE ALMEIDA COSTA JONATAN PEDRO O USO DE ANTICONCEPCIONAIS POR MULHERES DE UMA ESCOLA TÉCNICA DE FERNANDÓPOLIS - SP Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Aprovado em: __ de novembro de 20__. Banca examinadora Assinatura ConceitoProf. MSc. Roney Eduardo ZaparoliProfa. Esp. Rosana Matsumi Kagesawa MottaProfa. Esp. Vanessa Maira Rizzato Silveira Prof. MSc. Roney Eduardo Zaparoli Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. Dedicamos este trabalho primeiramente aDeus, pois sem ele, nada seria possível, enossos sonhos não seriam concretizados.Aos nossos pais, que sempre nos deram apoio,e estiveram presentes acreditando em nossopotencial, nos incentivando na busca de novasrealizações e descobertas.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Aos nossos pais, por proporcionarem este momento tão especial, tãosonhado, sem os quais, não seria possível ser realizado. Ao professor Roney Eduardo Zaparoli, nosso orientador, pela atenção,pelo apoio e paciência, para que esta tarefa fosse cumprida. As pessoas que de uma maneira ou de outra, entenderam e aceitaramnossa ausência justificada pelas horas de dedicação ao mesmo. A todos os funcionários e alunas da Escola Técnica Estadual deFernandópolis, por ter nos possibilitado realizar a entrevista que nos auxiliou narealização de nosso trabalho. A todos os professores e colegas de classe que nos acompanharamtodos esses anos.
  6. 6. “Apesar dos nossos defeitos, precisamosenxergar que somos pérolas únicas no teatroda vida e entender que não existem pessoasde sucesso e pessoas fracassadas. O queexistem são pessoas que lutam pelos seussonhos ou desistem deles.” Augusto Cury
  7. 7. RESUMOAnticoncepcionais são medicamentos que possuem em sua composição osesteróides sintéticos estrógeno e progesterona, isolados ou associados. Sãoindicados principalmente para mulheres que desejam controlar a natalidade,para o tratamento de ovários policísticos, ciclomastopatias, hemorragias noclimatério. Os anticoncepcionais orais combinados são os mais utilizados eapresentam maior segurança e eficácia. O uso incorreto e as interaçõesdiminuem a eficácia contraceptiva. A partir deste trabalho foi possível conhecerquais os anticoncepcionais mais utilizados, qual o principal motivo do uso destemedicamento, se o paciente tem conhecimento sobre a forma correta deadministração do anticoncepcional e das possíveis interações medicamentosasque este apresenta. Trata-se de uma pesquisa realizada com alunas doscursos técnicos da Escola Técnica Estadual de Fernandópolis (ETECFernandópolis), com ajuda de um questionário composto por 20 perguntas.Concluiu-se que o uso do contraceptivo está presente, na maioria dos casos,em jovens de 16 anos ou menos, que muitas vezes não tem conhecimento dosriscos causados pelo uso deste medicamento. Dessa forma, constata-se que opapel do farmacêutico na sociedade é fundamental, sendo que este éimportante na orientação dos pacientes sobre o uso racional de medicamentos.Palavras-chave: Anticoncepcionais. Eficácia. Interações.
  8. 8. ABSTRACTContraceptives are drugs that have in their composition the synthetic steroidsestrogen and progesterone, alone or associated. They are mainly indicated forwomen who desire birth control, to treat polycystic ovaries, cyclomastopathy orbleeding during menopause. The combined oral contraceptives are the mostused ones and have higher level of safety and efficacy. The incorrect use andthe interactions decrease the contraceptive efficacy. From this work it waspossible to find out which are the most widely used contraceptives, what themain reason for using this medicine is, whether the patient knows about thecorrect procedures to manage the contraceptive and the possible druginteractions that it presents. The research was performed by students ofvocational courses at Escola Técnica Estadual de Fernandópolis (ETECFernandópolis), with the supporting of a questionnaire consisting of 20questions. It was concluded that the use of contraceptive is present, in mostcases, among young people aged 16 or less, who usually are not aware aboutthe risks caused by the use of this medicine. Thus, it seems that the role of thepharmacist in society is essential and it is also important in guiding patientsabout the rational use of medicines.Key-words: Contraceptives. Efficacy. Interactions.
  9. 9. LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS Figura 1 – Metabolismo dos contraceptivos orais e prováveis mecanismos de interação com os antibióticos ........................................................... 17 Figura 2 – Contraceptivos orais combinados ..................................................... 21 Figura 3 – Adesivo contraceptivo ....................................................................... 23 Figura 4 – Anel vaginal contraceptivo ................................................................ 23 Figura 5 – Fases do câncer do colo uterino ....................................................... 27Gráfico 1 – Idade das mulheres que fazem uso de contraceptivos .................... 36Gráfico 2 – Mulheres que conhecem a maneira correta de utilizar o contraceptivo .................................................................................... 37Gráfico 3 – Mulheres que utilizam o contraceptivo de maneira correta .............. 38Gráfico 4 – Mulheres que se esqueceram de usar o contraceptivo algum dia ... 39Gráfico 5 – Mulheres que conhecem a necessidade de usar o contraceptivo até o fim da cartela, mesmo que menstruem ................................... 39Gráfico 6 – Mulheres que trocaram de contraceptivo durante o tratamento ....... 40 Contraceptivos usados pelas entrevistadas de acordo com oGráfico 7 – princípio ativo .................................................................................... 42Gráfico 8 – Mulheres que engravidaram mesmo fazendo uso do contraceptivo .. 44Gráfico 9 – Fármacos que as mulheres usam associados aos contraceptivos .... 45
  10. 10. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASAINES – Antiinflamatórios Não-EsteróidesDIU – Dispositivo Intra-UterinoDST – Doenças Sexualmente TransmissíveisETEC – Escola Técnica EstadualEUA – Estados Unidos da AméricaFSH – Hormônio Folículo EstimulanteHIV – Vírus da Imunodeficiência HumanaLH – Hormônio Luteinizantemcg – Microgramasμg – Microgramasmg – MiligramasRH – GonadorrelinasSUS – Sistema Único de Saúde
  11. 11. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ................................................................................................. 121 ANTICONCEPCIONAL ................................................................................. 14 1.1 Progesterona e Estrógeno ................................................................... 14 1.2 Farmacocinética ................................................................................... 15 1.3 Farmacodinâmica ................................................................................. 16 1.4 Indicações ............................................................................................. 17 1.5 Eficácia .................................................................................................. 18 1.6 Efeitos Colaterais ................................................................................. 19 1.7 Contra – indicações .............................................................................. 19 1.8 Efeito de fármacos sobre a eficácia dos contraceptivos orais ......... 202 ACONSELHAMENTO CONTRACEPTIVO ................................................... 21 2.1 Contraceptivos orais combinados ...................................................... 21 2.2 A influência dos ginecologistas na escolha do método contraceptivo adequado ..................................................................................................... 23 2.3 A escolha do método contraceptivo em países europeus ................ 243 NOVAS TENDÊNCIAS ................................................................................. 25 3.1 Contraceptivos x Indústrias ................................................................. 254 RISCO DE DOENÇAS .................................................................................. 26 4.1 Acidente Vascular Cerebral e Infarto do Miocárdio ........................... 26 4.2 Efeitos Adversos .................................................................................. 265 PRINCÍPIOS ATIVOS ................................................................................... 29 5.1 Acetato de medroxiprogesterona e cipionato de estradiol ............... 29 5.2 Acetato de ciproterona e etinilestradiol.............................................. 29 5.3 Drospirenona e Etinilestradiol ............................................................. 30 5.4 Gestodeno e Etinilestradiol ................................................................. 30
  12. 12. 5.5 Gestodeno Levonorgestrel, Desogestrel, Drospirenona e Etinilestradiol .............................................................................................. 31 5.6 Desogestrel e Etinilestradiol ................................................................ 32 5.7 Etinilestradiol, Gestodeno, Desogestrel, Drospirenona, Acetato de Ciproterona, Levonorgestrel e Norgestimato........................................... 32 5.8 Levonorgestrel, Desogestrel, Gestodeno, Acetato de Ciproterona e Vitamina B6 ................................................................................................. 336 OBJETIVOS .................................................................................................. 34 6.1 OBJETIVO GERAL ................................................................................ 34 6.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .................................................................. 347 MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................................ 358 RESULTADOS E DISCUSSÂO .................................................................... 36 8.1 Idade x Tempo de uso .......................................................................... 36 8.2 Utilização correta x Eficácia do anticoncepcional ............................. 37 8.3 Fatores determinantes para escolha do anticoncepcional ............... 42 8.4 Problemas relacionados ao uso incorreto de anticoncepcionais .... 44 8.5 Principais interações dos anticoncepcionais .................................... 459 CONSIDERAÇÔES FINAIS .......................................................................... 4810 CONCLUSÃO ............................................................................................. 49REFERÊNCIAS ................................................................................................ 50APÊNDICE 1 .................................................................................................... 61
  13. 13. 12 INTRODUÇÃO A escolha do presente tema deve-se ao fato de que cada dia mais ospacientes realizam a automedicação, fazem o uso do medicamento semorientação médica e de maneira inadequada, sem saber as possíveisinterações medicamentosas que acontecem, nesse caso entre osanticoncepcionais e outros medicamentos, como alguns antibióticos,anticonvulsivantes, tranquilizantes e agentes imunodepressores. Nessa pesquisa de campo, buscamos conhecer quais os principaismotivos que levam os pacientes a iniciarem o uso dos anticoncepcionais, sesabem utilizá-lo da maneira correta e se apresentam conhecimento sobre aspossíveis interações medicamentosas deste medicamento e dos problemasque este pode causar futuramente. O tema proposto procura entender qual é o papel do profissionalfarmacêutico, no sentido de promover o uso racional de medicamentos atravésda Assistência e Atenção Farmacêutica. Neste trabalho apresenta-se o mecanismo de ação dosanticoncepcionais, seus efeitos colaterais, suas principais interaçõesmedicamentosas, sua eficácia, além dos possíveis problemas relacionados aouso deste tipo de medicamento. Sendo que este medicamento apresenta maioreficácia quando é administrado por via oral na forma combinada. De acordo com a Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas aatenção farmacêutica, prioriza a orientação e o acompanhamentofarmacoterapêutico e a relação direta entre o farmacêutico e o usuário demedicamentos. No Brasil, a sua implantação é dificultada por alguns fatorescomo a dificuldade de acesso ao medicamento por parte dos usuários doSistema Único de Saúde (SUS) e Unidades Básicas de Saúde. A partir da pesquisa de campo que realizada percebe-se que o principalmotivo da utilização do anticoncepcional é prevenir a gravidez, mas tambémexistem outros fatores que levam a sua administração como problemas deovário, para fins estéticos e também para cólicas menstruais. A maioria daspacientes faz o uso do contraceptivo oral combinado e todas alegam saber a
  14. 14. 13maneira correta de utilizá-lo, embora algumas não façam o seu uso nos dias ehorários certos e não saibam que de ocorrer interação medicamentosa destemedicamento com outros, diminuindo a sua eficácia. O profissional farmacêutico tem como função orientar o paciente sobre ouso correto e racional dos medicamentos, neste caso o anticoncepcional. O farmacêutico deve instruir os pacientes quanto aos problemas queeste medicamento pode causar, as possíveis interações medicamentosas queeste apresenta, diminuindo sua eficácia, e no caso de ser utilizado naprevenção da gravidez, mostrar ao paciente que existem outros métodoscontraceptivos eficazes que podem ser utilizados, não só como métodopreventivo da gravidez, mas também de doenças sexualmente transmissíveis.Além de orientar o paciente a fazer o uso do medicamento nos horários e nosdias certos e com orientação de profissional habilitado. A partir desta pesquisa, confere-se a importância do farmacêutico naassistência e atenção farmacêutica, no sentido de promover o uso racional ecorreto dos medicamentos, na tentativa de evitar problemas futuros.
  15. 15. 141 ANTICONCEPCIONAL1.1Progesterona e Estrógeno A história dos anticoncepcionais começou há mais de 2000 anos, ondeos primeiros representantes dessa classe apresentavam arsênico, estricnina emercúrio, que causavam complicações tóxicas, ou até mesmo a morte. Ohormônio progesterona, componente ativo do corpo lúteo, foi identificado em1928 e se mostrava eficaz para proteger a gestação. Seguiram-se asobservações, onde foi identificado outro hormônio, envolvido na fertilidade,chamado estrógeno. Posteriormente, pesquisas mostraram que ambosesteróides ovarianos constituíam dois grupos hormonais. A partir de 1957 e,principalmente em 1963, a injeção dos hormônios recém-isolados em mulheresinférteis, mostrou inibições das ovulações frequentes. Assim começava ocontrole da fertilidade humana com o uso de esteróides (SILVA, 2006). O primeiro contraceptivo lançado continha 150 mg de estrógenos e 10mg de progesterona, esse níveis eram altos o bastante para manter o nívelcontraceptivo eficaz. Porém, para diminuir os efeitos colaterais, as dosagensdesses hormônios foram reduzidas para 30 mg de estrógeno e 1 mg deprogesterona. Essas concentrações são bastante efetivas, porém na presençade alguns medicamentos, como antimicrobianos e anticonvulsivantes, os níveishormonais, reduzidos, podem cair ainda mais, fazendo com que a eficácia docontraceptivo seja comprometida (CORRÊA; ANDRADE; RANALI, 1998). Os contraceptivos orais combinados contêm os hormônios femininosestrogênio e progesterona, capazes de inibir a ovulação e promover orevestimento do útero, quando usados de forma correta e regular. Apresentauma taxa de falha relatada de 1/1000 mulheres (SZAREWSKI, 2003). Os estrogênios são os componentes principais de vários métodoscontraceptivos: pílulas anticoncepcionais orais combinadas, anticoncepcionaisinjetáveis combinados, anéis vaginais contraceptivos combinados,combinações do sistema transdérmico contraceptivo e pílulas
  16. 16. 15anticoncepcionais combinadas de emergência. Formulações contraceptivasque possuem estrogênio são conhecidas como contraceptivos combinadosporque também possuem progestina em sua composição. O conhecimento dosmétodos contraceptivos permite a prestação de assistência especializada paraas mulheres que usam esses produtos (LIKIS, 2002).1.2 Farmacocinética Nas mulheres, os esteróides são produzidos nos ovários, no córtex dassupra-renais e na placenta (durante a gestação), a partir da síntese docolesterol nas células ovarianas. Entretanto, a localização intracelular dasenzimas responsáveis pela biossíntese dos esteróides não é conhecida até omomento. Eles podem ser absorvidos pela pele e pelas membranas mucosas.Soluções oleosas são administradas de forma subcutânea e intramuscular.Estrógenos semi-sintéticos (etinilestradiol e mestranol) e novos progestínicossão absorvidos por via oral, sendo eficazes na regulação do ciclo e dafertilidade. O FSH (Hormônio Folículo Estimulante) regula a estimulação dosfolículos ovarianos e a produção dos estrógenos. O estradiol, normalmenteabsorvido pelo trato intestinal, alcança sua concentração plasmática máximaentre 1 e 2 horas. Já a eliminação varia entre 9 e 27 horas. A nível intestinal ehepático é conjugado com os ácidos sulfúrico e glucurônico, sofrendo assim achamada 1ª passagem hepática. A progesterona, pouco antes da segunda fasedo ciclo, é produzida no corpo lúteo. O LH (Hormônio Luteinizante) éresponsável pelo estímulo da secreção de progesterona. Esta pode tambémser convertida em estradiol, tendo a androstenediona como intermediária(RANG; DALE, 2007).
  17. 17. 161.3 Farmacodinâmica Os fármacos contraceptivos são esteróides semi-sintéticos ou sintéticos,isolados ou associados, que atuam na regulação endócrina dos órgãosresponsáveis pela reprodução humana. Doses pequenas de estrógenos ouprogesterona estimulam a secreção de LH, porém doses regulares inibem aovulação. Aparentemente, o hipotálamo ou os centros nervosos superioresmediam esse efeito, porém mecanismos secundários também estãoenvolvidos. A anovulação também pode ocorrer por supressão dos fatores deliberação das gonadorrelinas (RH – FSH, RH – LH), o que impede ocrescimento de folículos ovarianos. Há a mesma supressão quandoadministrados estrógenos e progestínicos associados. Normalmente oscontraceptivos são uma associação de estrógenos e progesterona, que inibema ovulação, espessando o muco cervical, dificultando a migração espermática.Há também atrofia endometrial, o que reduz a probabilidade de implantação(GOODMAN; GILMAN, 2005). Quando ingeridos, os estrógenos e a progesterona são absorvidos pelotrato gastrintestinal, chegando à corrente circulatória. São conduzidos até ofígado e são metabolizados, fazendo com que cerca de 42 a 58% desseshormônios não tenham atividade contraceptiva. Os metabólitos são excretadosna bile, que se esvazia no trato gastrintestinal. Parte destes metabólitos éhidrolisada por enzimas das bactérias do intestino, liberando o estrogênio ativoque é reabsorvido, gerando um ciclo entero-hepático, que faz com que osníveis plasmáticos de estrógenos circulantes aumentem. Já a parteremanescente é excretada pelas fezes (CORRÊA; ANDRADE; RANALI, 1998).
  18. 18. 17Figura 1: Metabolismo dos contraceptivos orais e prováveis mecanismos de interação com osantibióticosFonte: CORRÊA; ANDRADE; RANALI, 19981.4 Indicações Os anticoncepcionais são indicados para mulheres que desejamcontrolar a natalidade. A indicação do mesmo deve ser feita após consultamédica e exame ginecológico (com prevenção anual). Além disso, a mulherdeve realizar, sempre que possível ultra-sonografia pélvica transvaginal. Dentreos dados laboratoriais, é indispensável realizar a triagem lipídica, afinalalterações nos lipídios podem repercutir em fatores da hemocoagulação.Alguns médicos fogem do propósito principal do anticoncepcional e indicamessa classe para tratamento de ovários policísticos, ciclomastopatias,hemorragias no climatério, diminuição de dores e cólicas menstruais, reduçãode sangramento menstrual, redução de nódulos mamários benignos. Acontracepção também pode ser benéfica em casos de: câncer endometrial,carcinoma ovariano, redução de risco de cistos ovarianos, doença pélvicainflamatória, diminuição da incidência de gravidez ectópica, mioma uterino eendometriose (SILVA, 2006) (SZAREWSKI, 2003).
  19. 19. 181.5 Eficácia A eficácia dos anticoncepcionais orais tem seu perfil de segurançaconfirmado por várias pesquisas, principalmente com produtos combinados emonofásicos que contenham menos de 35 microgramas de estrógeno epertença a segunda geração. A prevalência da contracepção está aumentandono mundo inteiro. Em muitos países, mais de 75% dos casais usam métodosefetivos. Porém, as alternativas existentes não são perfeitas e efeitos adversose inconveniência limitam sua aceitabilidade, pelo que muitas gravidezes nãoplanejadas ocorrem mesmo em países desenvolvidos, onde a contracepção éfacilmente disponível (WANNMACHER, 2003). A eficiência dos contraceptivos depende dos níveis plasmáticos deestrógeno e progesterona. O uso incorreto como o esquecimento da pílula ehorários variáveis de ingestão, pode diminuir a eficácia contraceptiva, poispode haver queda dos níveis plasmáticos desses dois hormônios. Vômitos ediarréia podem diminuir o tempo do medicamento no trato gastrintestinal,fazendo com que a absorção seja menor. Além disso, alguns medicamentos,como anticonvulsivantes e antimicrobianos, podem interferir na metabolizaçãodos anticoncepcionais, fazendo com que os níveis plasmáticos sejamreduzidos, porém isso ocorre por termos variações individuais no metabolismodos contraceptivos. Estudos observaram mulheres que faziam uso decontraceptivos orais e estavam em tratamento com antimicrobianos e nãoapresentaram alterações nas concentrações plasmáticas hormonais. Autoressugerem que esta interação ocorre apenas nas mulheres mais suscetíveis,mas, por enquanto, não há como saber quais são mais suscetíveis (CORRÊA;ANDRADE; RANALI, 1998). Exemplos de drogas que diminuem a eficácia dos contraceptivos orais:Antibiótico (amoxicilina, ampicilina, carbenicilina, cloxacilina, dicloxacilina,eritromicina, oxacilina, penicilina G, cloranfenicol e tetraciclinas),Anticonvulsivantes (carbamazepina, difenil-hidantoína e primidona),Tranquilizantes (clordiazepóxido, diazepam em altas doses e metadona),
  20. 20. 19Agentes imunodrepressores (ciclosporinas), Vitaminas (vitamina C)(PINHEIRO, 2008).1.6 Efeitos Colaterais O estrogênio faz com que o organismo apresente sintomas semelhantesaos da gravidez e lactação. Nesse estado são considerados sintomas como:náuseas, vômitos, tonturas, cefaléia, cansaço, aumento de apetite e de peso.Alguns anticoncepcionais de baixa dosagem podem causar uma hemorragia deescape, indesejável e freqüente em 10 a 30% das mulheres, que pode sercontrolada com o uso de 2 comprimidos por 3 dias ou mais ou com aassociação, por um curto período de tempo, de uma série de estrógenosmicronizados. Pode ocorrer também à chamada menstruação silenciosa em 1 a2% doas casos, não havendo a descamação do endométrio. A diminuiçãoprogressiva do fluxo ou a repetição deste fenômeno levam à paciente, aospoucos, a amenorréia pós-pílula. Neste caso ocorre a suspensão do uso doanticoncepcional (SILVA, 2006).1.7 Contra – indicações O uso prolongado de anticoncepcionais orais produz aumento pequeno,porém significativo, na pressão sistólica e diastólica. Os níveis pressóricosrevertem ao normal com a suspensão dos hormônios. Em pacienteshipertensas, mesmo um pequeno aumento da pressão arterial pode serprejudicial, recomendando-se mudança para métodos contraceptivos nãohormonais. Em relação aos anticoncepcionais, mantém-se ainda a polêmicasobre a associação de tromboembolismo venoso ao uso dos chamadosrepresentantes da terceira geração (WANNMACHER, 2003).
  21. 21. 201.8 Efeito de fármacos sobre a eficácia dos contraceptivos orais Uma interação importante é a que ocorre entre antimicrobianos econtraceptivos, podendo fazer com que haja perda da eficácia contraceptiva eaté mesmo uma gravidez inesperada. Mulheres que utilizavamanticoncepcionais e faziam tratamento de tuberculose com rifampicinaapresentaram sangramentos intermenstruais, o que proporcionou o primeirorelato de falha do uso de antimicrobiano com contraceptivos. Posteriormente,foi observado que, em um grupo de mulheres que utilizavam contraceptivos eantimicrobiano, 62 tiveram distúrbios no ciclo menstrual e 5 engravidaram. OBritish Committee of Safety of Medicines relatou casos de falhas decontracepção em mulheres que usavam contraceptivos e estavam emtratamento com antimicrobianos (CORRÊA; ANDRADE; RANALI, 1998). Os antimicrobianos destroem as bactérias da flora intestinal, quehidrolisam os conjugados, diminuindo o ciclo entero-hepático, causandoredução dos níveis plasmáticos dos estrógenos ativos. Porém, este mecanismonão explica a interação com contraceptivos que apresentam apenasprogesterona, pois seus metabólitos não são excretados na bile como osestrógenos, por isso, falhas com contraceptivos com apenas progesteronapodem não ter relação com antimicrobianos. A indução das enzimasmicrossomais do citocromo P450 no fígado parece reduzir os níveis hormonais,acelerando o metabolismo dos mesmos. Uma menor reciclagem de estrógenosassociada com um maior metabolismo hepático favorece a queda dasconcentrações hormonais, porém não há explicação definitiva para o processo(REBULI, 2010) (CORRÊA; ANDRADE; RANALI, 1998).
  22. 22. 212 ACONSELHAMENTO CONTRACEPTIVO2.1 Contraceptivos orais combinados Figura 2: Contraceptivos orais combinados Fonte: site “Doutor, me explica?”, acessado em 06/11/12 Um estudo realizado na China, em clínicas de planejamento commulheres que procuraram contracepção de emergência no prazo de 72 horasapós a relação sexual desprotegida ou falha contraceptiva, analisou asegurança e a eficácia da contracepção da pílula de levonorgestrelcomo contraceptivo de emergência. Quanto aos eventos adversos, 6,5% dasmulheres tiveram pelo menos um evento adverso. Já a eficácia decontracepção foi de 95,3%. Após tomar a pílula de contracepção deemergência de levonorgestrel, a incidência de perturbação ciclo menstrual foide 20,1%. A pílula de contracepção de emergência de levonorgestrel foi eficaz,segura e bem tolerada como uma droga de venda livre (CHEN et al., 2011)(KOTHARE et al.,2012). Mulheres que utilizaram o etinilestradiol ou drospirenona como métodocontraceptivo oral, apresentaram problemas gastrointestinais, o hisurtismo ealgumas apresentaram também leves sintomas de depressão, mas após o
  23. 23. 22tratamento maior parte das participantes teve seus efeitos melhorados(RADOWICKI; SKÓRZEWSKA; SZLENDAK, 2005) (CINAR et al., 2012). Estudos têm demonstrado um efeito negativo da combinação decontraceptivos orais na densidade mineral óssea de adolescentes. Aos 24meses de tratamento, valores médios de densidade mineral óssea emmulheres que usaram etinilestradiol/desogestrel foram ligeiramente mais baixosem comparação com os valores basais, mas estes efeitos não alcançaramsignificância estatística. A média dos valores da densidade mineral óssea emmulheres que usaram etinilestradiol/acetato de ciproterona foi ligeiramentemaior em comparação com os valores basais, mas não houve significânciaestatística.Não houve diferenças significativas na densidade mineral ósseamédia entre os usuários de acetato de etinilestradiol / desogestrel ouetinilestradiol / ciproterona e não usuários. Dois anos de terapia comcontraceptivos orais combinados não teve efeito significativo sobre a densidadeóssea em adolescentes (GAI et al., 2012). Nas não-usuárias de contraceptivos orais combinados, a densidademineral óssea aumentou significativamente na coluna lombar e no colo dofêmur. Em usuárias do grupo de contraceptivos orais combinados, a densidademineral óssea não aumentou com exceção da coluna lombar. A diferença entreas usuárias de contraceptivos orais combinados de baixa e muito baixa dose foiencontrada em alterações na coluna lombar. A aquisição fisiológica dadensidade mineral óssea durante a adolescência pode ser prevenida pelo usode contraceptivos orais combinados, especialmente contendo dose muito baixade etinilestradiol (CIBULA et al., 2012). Os aumentos na mudança percentual média na coluna lombar e colo dofêmur, densidade mineral óssea no grupo de acetato de etinilestradiol /ciproterona eram menos do que os do grupo de controle (WANG et al., 2012).
  24. 24. 232.2 A influência dos ginecologistas na escolha do método contraceptivoadequado Figura 3: Adesivo contraceptivo Fonte:site “Mais feminina”, acessado em 06/11/12 Figura 4: Anel vaginal contraceptivo Fonte: site “Leitura diária”, acessado em 06/11/12 Os pacientes responderam a questionários e ginecologistas reuniraminformações sobre a mulher na escolha do contraceptivo pré e pós-aconselhamento, suas percepções. Aconselhamento fez muitas mulheresselecionar um método contraceptivo diferente: uso do adesivo aumentou, usodo anel triplicou. Uma proporção considerável das mulheres decidiu sobre um
  25. 25. 24método contraceptivo diferente do que inicialmente tinha em mente. A maioriadas mulheres que estavam indecisas quanto ao método contraceptivo a utilizarfoi influenciada pelo seu ginecologista, optando pelo método recomendado porele, independentemente de aconselhamento (MERCKX et al., 2011).2.3 A escolha do método contraceptivo em países europeus Foram exploradas as influências percebidas na escolha das mulheres deum método de controle de natalidade em cinco países europeus (Alemanha,França, Reino Unido, Romênia e Suécia), a partir de uma seleção aleatória demulheres com idades entre 18 e 49 anos. Os contraceptivos orais foramusados principalmente na Alemanha (54,3%), França (50,5%) e Suécia (34,6%)e preservativos no Reino Unido (29,6%) e Romênia (22,9%). Suécia mostrou amaior utilização de dispositivos intra-uterinos - 19% Romênia tinha o menor usode contracepção, contraceptivos orais e uso de dispositivo intra - uterino eramfreqüentemente sugeridos por fornecedores em vez de mulheres. Aspreferências dos parceiros são tidas em conta quando a sua cooperação nouso do método é necessária (OSORIO et al., 2011).
  26. 26. 253 NOVAS TENDÊNCIAS3.1 Contraceptivos x Indústrias Métodos contraceptivos são grandes aliados para o controle danatalidade, mas muitos destes são incompreendidos e apresentam granderesistência ao uso pelo fato que parte da população não consiga fazer usocorretamente. Como a tecnologia vem avançando não podemos deixa de ladoesse quesito já que nos tratamos de algo tão serio. Novos métodos devem serdesenvolvidos, que venha a facilitar uma posologia, o uso e que esteja cadavez mais isento de efeitos adversos e que lhe dê total segurança já que cadavez mais mulheres jovens procuram fazer uso de métodos contraceptivos.Muitas indústrias desistem de procurar novos métodos por causa de barreirasque elas mesmas se impõem, mas devemos ser otimistas, pois ao mesmotempo em que muitas desistem outras buscam cada vez mais novos meios deaperfeiçoar os métodos contraceptivos (NELSON, 2012) (CARTER et al., 2012)(TOIVENEN, 1987). Hoje temos um exemplo claro que cada vez mais cientistas estãofocados em novas tecnologias, pois cientistas dos EUA, Canadá, e Grã-Bretanha anunciaram a descoberta do primeiro anticoncepcional para homens.Testes foram feitos em ratos machos e mostraram total eficácia na redução deespermatozóides não apresentando efeitos colaterais e sendo totalmentereversível já que essa era uma das maiores preocupações. Como falar demétodos contraceptivos orais para homens é totalmente revolucionário podehaver uma grande mudança no comportamento dos homens (BRITO, 2012).
  27. 27. 264 RISCO DE DOENÇAS4.1 Acidente Vascular Cerebral e Infarto do Miocárdio Elevação dos níveis de homocisteína e antígeno no plasma têm sidoenvolvidos como fator de risco notável para a doença cardiovascular, acidentevascular cerebral isquêmico ou infarto do miocárdio em mulheres jovens usamanticoncepcionais orais. Após três meses de tratamento, os níveis dehomocisteína foram significativamente maiores e houve diminuição significativae considerável na concentração de óxido nítrico. O uso de contraceptivosaumenta o risco de acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio. Níveiselevados de antígeno no plasma tanto aumentam o risco de acidente vascularcerebral como de infarto do miocárdio, os riscos ainda são ainda agravadospelo uso de anticoncepcionais orais (FALLAH et al., 2012)(LUKEN et al., 2011). Mulheres em diferentes métodos contraceptivos têm sido associadascom o desenvolvimento de várias doenças, sendo o uso de contraceptivosorais combinados um fator de risco para acidente vascular cerebral. Usuáriasde contraceptivos orais combinados, com triglicérides, lipoproteína de altadensidade e lipoproteína de muito baixa densidade tiveram fatores de riscomais elevados em relação as não-usuárias. Os níveis de triglicérides,lipoproteína de alta densidade e lipoproteína de muito baixa densidadeaumentaram com a idade e o tempo de uso, enquanto os níveis de lipoproteínade baixa densidade diminuíram, e os níveis de colesterol total não se alteraram(ABDEL et al., 2011) (AKINLOYE et al., 2011).4.2 Efeitos Adversos Alguns contraceptivos podem aumentar o risco de efeitos adversos emmulheres, principalmente, com hiperlipidemia, diabetes, doença hepática,
  28. 28. 27câncer de colo do útero, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ou vírusda imunodeficiência humana (HIV), porém estas mulheres não precisam fazerexames laboratoriais antes do início do uso, afinal exames desnecessáriospodem criar barreiras para o acesso e uso do fármaco (TEPPER et al., 2012). Os contraceptivos podem causar aumento da pressão, infecçõesfreqüentes no trato urinário, colecistites, colelitíases, efeito diabetogênico. Podehaver aumento do risco de tromboses, tromboembolismo, tromboflebite eembolia pulmonar. Doenças cerebrovasculares e enfarte podem ter relaçãocom o uso destes fármacos e aumenta com a idade e anos de uso. Todosestes problemas são maiores em pacientes fumantes (ENGEL, 1979). A ocorrência de neoplasias do colo do útero, carcinomas in situ edisplasias está relacionada com fatores de risco, principalmente o uso decontraceptivos orais por mais de 6 anos. Quando comparada com usuárias deDIU, não havia essa ocorrência. Mulheres que usam contraceptivos a mais de4 anos devem realizar exames citológicos do colo do útero, pois a maioria doscasos de neoplasia são detectados em esfregaço cervical, e podem sertratados em uma fase de cura (VESSEY et al., 1983). Figura 5:Fases do câncer do colo uterino Fonte: site “Medicina geriátrica”, acessado em 06/11/12.
  29. 29. 28 Sintomas respiratórios, como sibilância, podem ser influenciados pelouso de hormônios esteróides. A associação de fatores, como asma e fumo,com os contraceptivos gera aumento de risco para sibilância, mostrando quequando se trata da saúde respiratória os hormônios podem ser importantes,além disto, mulheres jovens têm uma taxa maior deste tipo de sonoridade(ERKOÇOĞLU et al., 2012).
  30. 30. 295 PRINCÍPIOS ATIVOS5.1 Acetato de medroxiprogesterona e cipionato de estradiol A eficácia dos contraceptivos é afetada pela sua rota e facilidade deadministração. A farmacocinética e a farmacodinâmica de acetato demedroxiprogesterona mais cipionato de estradiol foram comparados apósadministração intramuscular ou subcutânea em mulheres em idade reprodutiva,sendo que o desenvolvimento folicular e ovulação foram semelhantes emambas as formas de administração. A injeção de cipionato de estradiol eacetato de medroxiprogesterona tem eficácia e segurança semelhantes emambas às vias de administração (SIERRA et al., 2011). Os resultados sugerem que a suplementação de estrogênio é protetorados ossos em meninas adolescentes que recebem depósito de acetato demedroxiprogesterona injetável (CROMER et al., 2005).5.2 Acetato de ciproterona e etinilestradiol Mulheres que utilizaram acetato de ciproterona e etinilestradiolapresentaram diminuição de gordura visceral, subcutânea e pré-peritoneal eaumento da gordura da coxa. No entanto, apenas a alteração na gordurasubcutânea alcançou significância estatística. Não existe nenhum benefício emrelação à gordura visceral, mas foram detectados riscos metabólicos ecardiovasculares (KARABULUT; DEMIRLENK; SEVKET, 2011). Etinilestradiol e acetato de ciproterona administrados em baixa dose compioglitazona, flutamida e metforminapor6 meses em mulheres atenuaram oexcesso de andrógenos, mas teve efeitos divergentes na insulinemia de jejum;colesterol e triglicérides (IBAÑEZ et al., 2011).
  31. 31. 305.3 Drospirenona e Etinilestradiol São escassos os dados disponíveis sobre os potenciais efeitos decontraceptivos orais sobre a distribuição de gordura corporal particularmenteem mulheres magras com síndrome dos ovários policísticos. Foi demonstradoem vários ensaios clínicos que etinilestradiol e drospirenona são umcontraceptivo eficaz oral, sem efeitos indesejáveis, como outros contraceptivosorais (AYDIN et al., 2012) (ORANRATANAPHAN; TANEEPANICHSKUL, 2006). Os pacientes com síndrome do ovário policístico receberametinilestradiol / drospirenona durante 6 meses. No início, os pacientes comsíndrome do ovário policístico e controles tinham semelhante composiçãocorporal, lipídios, resistência à insulina e glicose. Após 6 meses de tratamentonos pacientes com síndrome do ovário policístico, o percentual de gorduratotal aumentou. Mulheres magras com síndrome de ovário policísticoapresentaram composição corporal semelhante em comparação com mulheressaudáveis (AYDIN et al., 2012).5.4 Gestodeno e Etinilestradiol Mulheres submetidas à dosagem de 15 microgramas de etinilestradiol e60 microgramas de gestodeno. Não tiveram efeitos colaterais e tiveramcontrole das hemorragias e melhora nos sintomas como dismenorréia, dorpélvica não menstrual e defecação dolorosa (JAITHITIVIT; JAISAMRARN;TANEEPANICHSKUL , 2012) (FERRARI et al., 2012). Em contrapartida a administração de 30 microgramas de etinilestradiol e75 microgramas de gestodeno por 65 dias, levou as pacientes a apresentaremqueixas como cefaléia, dismenorréia e edema (MACHADO et al., 2012). Os medicamentos em suas diferentes concentrações apresentaram totaleficácia com controle da gravidez, porém os que tinham uma concentraçãomaior dos princípios ativos apresentaram uma rejeição significativa e efeitos
  32. 32. 31indesejáveis para maioria das mulheres (JAITHITIVIT; JAISAMRARN;TANEEPANICHSKUL, 2012) (FERRARI et al., 2012) (MACHADO et al., 2012).5.5 Gestodeno, Levonorgestrel, Desogestrel, Drospirenona eEtinilestradiol Institutos de pesquisas vêm avaliando o risco de tromboembolismovenoso com nova contracepção hormonal, porém poucos têm examinadoacidente vascular cerebral e infarto do miocárdio trombótico (LIDEGAARD etal., 2012). Alterações significativas em fibrinogênio, durante a utilização docontraceptivo oral combinado não foram detectados. Houve aumento nacontagem de plaquetas, atividade de protrombina e tempo de tromboplastinadiminuídos e o prolongamento do tempo de trombina foram significativos(ALDRIGHI et al.,2006). O uso corrente de contraceptivos orais que incluem etinilestradiol foiassociado com riscos relativos para o infarto do miocárdio e acidente vascularcerebral trombótico, de acordo com o tipo de associação: noretindrona;levonorgestrel; norgestimato; desogestrel; gestodeno e drospirenona,respectivamente (LIDEGAARD et al., 2012). A utilização de etinilestradiol e gestodeno não causa alteraçõessignificativas nos parâmetros hemostáticos que podem ser interpretados comoindicativos de um maior risco trombótico (ALDRIGHI et al.,2006). Embora os riscos absolutos de infarto do miocárdio e acidente vascularcerebral trombótico associado com o uso de contraceptivos hormonais sejambaixos, o risco foi aumentado com os contraceptivos orais associados àetinilestradiol, com diferenças relativamente pequenas em risco de acordo como tipo de associação (LIDEGAARD et al., 2012).
  33. 33. 325.6 Desogestrel e Etinilestradiol O efeito genotóxico de baixas doses de pílulas anticoncepcionais oraissobre a frequência de aberrações cromossômicas e trocas entre cromátidesirmãs foram investigados em mulheres saudáveis. Não houve diferençaestatisticamente significativa nas aberrações cromossômicas e trocas entrecromátides irmãs quando as mulheres saudáveis que não receberam qualquerterapia hormonal (controle) foram comparadas com as mulheres que tomampílulas anticoncepcionais orais (MAHROUS, 2008). O contraceptivo oral contendo etinilestradiol e desogestrel apresentaramaumento das atividades dos fatores de coagulação. Níveis elevados dos fatoresde coagulação estão associados à ocorrência de eventos tromboembólicos. Ouso do contraceptivo oral pode aumentar o risco de doenças tromboembólicas,principalmente em associação com outros fatores de riscos genéticos e/ouadquiridos (FERREIRA et al.,2000).5.7 Etinilestradiol, Gestodeno, Desogestrel, Drospirenona, Acetato deCiproterona, Levonorgestrel e Norgestimato Anticoncepcionais orais contendo desogestrel apresentam risco detromboembolismo venoso maior em comparação a levonorgestrel. O risco detromboembolismo venoso de contraceptivos orais contendo norgestimato émuito semelhante à de contraceptivos orais contendo levonorgestrel (JICK etal., 2006). Contraceptivos orais contendo etinilestradiol em diferentesconcentrações em conjunto com levonorgestrel, desogestrel, norgestimato,gestodeno, acetato de ciproterona e drospirenona apresentam reduçõessignificativas em lesões inflamatórias causadas pela acne. Anticoncepcionaisorais de baixa dose são efetivos no tratamento da acne (HUBER; WALCH,2005).
  34. 34. 335.8 Levonorgestrel, Desogestrel, Gestodeno, Acetato de Ciproterona eVitamina B6 O efeito de doses baixas de contraceptivos orais como levonorgestrel eacetato de ciproterona com vitamina B6 apresentam boa tolerabilidade. Noentanto na administração de desogestrel com vitamina B6 houve aapresentação de náusea como efeito colateral. Gestodeno em conjunto com avitamina B6 apresentou frequência menor de sangramento irregular. A adesãoao tratamento com todas as preparações citadas foi boa. Os preparativos debaixa dosagem investigados neste estudo não tem quaisquer efeitos adversossobre a vitamina B6, com exceção do desogestrel. (BARBOSA et al., 1998)(VAN DER VANGE et al., 1989).
  35. 35. 346 OBJETIVOS6.1 OBJETIVO GERAL Conhecer os anticoncepcionais mais utilizados entre mulheres de umaEscola Técnica de Fernandópolis – SP6.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) O principal motivo do uso de anticoncepcional. b) Conhecimento do paciente sobre a forma correta de administração do anticoncepcional. c) Conhecimento dos pacientes sobre as possíveis interações medicamentosas que o anticoncepcional apresenta. d) Saber se o paciente utiliza o anticoncepcional a partir da orientação de profissional habilitado.
  36. 36. 357 MATERIAIS E MÉTODOS Pesquisa realizada com 182 alunas dos cursos técnicos da EscolaTécnica Estadual de Fernandópolis (ETEC Fernandópolis), com ajuda de umquestionário (Apêndice 1) composto por 20 perguntas, em que 89 alunasafirmaram fazer o uso do anticoncepcional.
  37. 37. 368 RESULTADOS E DISCUSSÂO8.1 Idade x Tempo de usoGráfico 1: Idade das 89 mulheres que fazem uso de contraceptivos 30 25 20 Quantidade 15 10 5 0 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 32 34 35 36 38 42 43 IdadeFonte: Elaboração própria Segunda nossa pesquisa, 29 entrevistadas (32%) têm 16 anos oumenos, 26 (29%) têm entre 17 e 19 anos, 27 (31%) têm entre 20 e 29 anos, e 7(8%) têm entre 32 e 43 anos. Nossos resultados mostram como mulheres cadavez mais jovens vêm usando contraceptivos orais, muitas vezes sem se atentaraos efeitos negativos que estes fármacos podem causar conforme o tempoprolongado de uso. O uso do contraceptivo deve começar no mínimo um ano após aprimeira menstruação e a paciente deve procurar um médico após algunsmeses para analisar possíveis efeitos colaterais, problemas no colo do útero epressão arterial. Mulheres diabéticas devem procurar outros métodoscontraceptivos porque este interfere nesta patologia (De cada cem mulheresque tomam a pílula em um ano, três engravidam, 2011) (SANTOS; SEABRA;SANTOS, 2011).
  38. 38. 37 Usuárias de contraceptivos com idade entre 13 e 17 anos são maispropensas a apresentar riscos de saúde. O uso de contraceptivos vem sendoassociado ao tabagismo, apresentando efeito adicional nos fatores de riscocardiovascular. Então, quando forem fazer a prescrição de contraceptivos paraadolescentes, os médicos devem avaliar os fatores de risco cardiovascularaconselhar as pacientes conforme estes fatores (DU et al., 2011). Em uma avaliação do risco de tromboembolismo venoso relacionado aouso de contraceptivos orais por mulheres de 15 a 49 anos, conforme o tipo e adose de progestagênio e estrogênio, foi confirmado este risco em 67% daspacientes que faziam uso de desogestrel, gestodeno ou drospirenona.Contraceptivos contendo levonorgestrel apresentaram risco duas vezes menor(LIDEGAARD et al., 2011). Durante avaliação dos efeitos de contraceptivos orais combinados sobretecidos periodontais, em mulheres entre 19 e 35 anos, chegou-se a conclusãode que os contraceptivos podem influenciar nas condições periodontais,resultando em um aumento da inflamação gengival independente daconcentração dos contraceptivos (DOMINGUES et al., 2012).8.2 Utilização correta x Eficácia do anticoncepcionalGráfico 2: Mulheres que conhecem a maneira correta de utilizar o contraceptivo Sim Não 100%Fonte: Elaboração própria
  39. 39. 38Em nossa pesquisa, questionamos se as entrevistadas conheciam a maneiracorreta de usar o contraceptivo, e 100% das mulheres responderam sim.Gráfico 3: Mulheres que utilizam o contraceptivo de maneiro correta 5% 19% Sim Todos os dias, em horário diferente Não 76%Fonte: Elaboração própria Porém, quando questionamos se elas usavam o contraceptivo todos osdias e no mesmo horário, 76% responderam que sim, 19% responderam quefazem uso do contraceptivo todos os dias só que em horários diferentes, e 5%responderam que não. Muitas vezes essas mulheres não usam o contraceptivode maneira correta por não terem sido informadas da forma correta de uso, porusarem o fármaco por conta própria sem se consultar com um profissional dasaúde antes do uso ou até mesmo por negligência da própria paciente, afinalmuitas mulheres que fazem uso de contraceptivos sabem a forma correta deusar, porém não fazem o uso do fármaco da maneira indicada, sem se atentaraos problemas que este uso incorreto pode causar como uma gravidezindesejada.
  40. 40. 39Gráfico 4: Mulheres que se esqueceram de usar o contraceptivo algum dia 33% Sim Não 67%Fonte: Elaboração própria Dentre as entrevistadas, 67% já se esqueceram de usar o contraceptivoenquanto 33% não se esqueceram. Esse dado nos faz analisar novamenteque, mesmo todas as entrevistadas responderem que sabem usar ocontraceptivo de maneira correta, elas não fazem o uso correto do fármaco,fazendo com que a eficácia do mesmo seja comprometida e podendo levar auma gravidez indesejada.Gráfico 5: Mulheres que conhecem a necessidade de usar o contraceptivo até o fim da cartela,mesmo que menstruem 6% Sim Não 94%Fonte: Elaboração própria
  41. 41. 40 Perguntamos também se as entrevistadas sabiam da necessidade deusar todos os comprimidos, até o fim da cartela, mesmo que ocorresse amenstruação, 94% responderam que sim e 6% responderam que não. Issomostra que, apesar das mulheres responderem que conhecem a maneiracorreta de utilizar o contraceptivo, elas não fazem o uso correto, deixando aideia de que ou elas não sabem como usar o fármaco ou não se importam como uso correto, o que é prejudicial no tratamento, afinal o conhecimento daforma correta de utilizar o contraceptivo é importante, pois o contraceptivo podeter benefício em diversas situações como cistos ovarianos, cólicas menstruais,nódulos mamários benignos, diminuição da incidência de gravidez ectópica,dentre outros benefícios.Gráfico 6:Mulheres que trocaram de contraceptivo durante o tratamento 37% Sim Não 63%Fonte: Elaboração própria Durante o tratamento, 63% das entrevistadas não trocaram demedicamento, enquanto 37% trocaram. Dentre as entrevistadas que trocou ocontraceptivo, 15% usavam um contraceptivo a base de acetato de ciproteronae etinilestradiol antes da troca e 27% trocaram por decisão médica. Osfármacos a base de acetato de ciproterona e etinilestradiol são efetivos, porémpodem gerar riscos metabólicos e cardiovasculares. Além disso, atenuam oexcesso de andrógenos. Isso nos leva a acreditar que houve dificuldade de
  42. 42. 41adaptação pelas pacientes ou algum efeito adverso, por isso a mudança defármaco. Dessa maneira, percebemos como é importante procurar umprofissional da saúde antes de usar qualquer fármaco para analisar se ofármaco é o ideal ou não para o organismo. Gestodeno e etinilestradiol ou norgestimato e etinilestradiol foramcomparados testando sua eficácia. Houve ocorrências semelhantes dehemorragias e manchas. Fármacos de norgestimato e etinilestradiolapresentaram sangramentos de privação levemente maiores, e os degestodeno e etinilestradiol apresentaram ciclo um pouco maior. Ambosexibiram dores de cabeça e no peito. Não houve amenorréia, mudança nopeso, alterações na pressão arterial e alterações em dados laboratoriais(AFFINITO et al., 1993). Em determinação da segurança do controle do ciclo em mulheres de18 a35 anos usando um contraceptivo contendo etinilestradiol 15 mcg e gestodeno60 mcg, hemorragias e manchas diminuíram até desapareceremcompletamente, além de não haver mudanças no peso e na pressão arterial. Aocorrência de efeitos colaterais foi mínima (JAITHITIVIT; JAISAMRARN;TANEEPANICHSKUL, 2012). Quando analisadas a atividade de protrombina, tempo de tromboplastinaparcial atividade de trombina, número de plaquetas, fibrinogênio, antitrombinaIII, proteína C, proteína S e D-dimer em mulheres que usam etinilestradiol 20mcg e gestodeno 75 mcg não houve alterações hemostáticas. Se os valoresfossem significativos poderia ser indicação de risco trombótico (ALDRIGHI etal., 2006).
  43. 43. 428.3 Fatores determinantes para escolha do anticoncepcionalGráfico 7:Contraceptivos usados pelas entrevistadas de acordo com o princípio ativo Acetato de ciproterona + etinilestradiol 1% Acetato de medroxiprogesterona + cipionato de estradiol 11% Desogestrel 34% Desogestrel + etinilestradiol Dienogeste + valerato de estradiol 29% Drospirenona + etinilestradiol 1% Gestodeno + etinilestradiol 1% 11% 11% Levonorgestrel + etinilestradiol 1% Levonorgestrel + etinilestradiol + vitamina B6Fonte: Elaboração própria Entre as entrevistadas 34% fazem uso de acetato de ciproterona +etinilestradiol, 29% fazem uso de gestodeno + etinilestradiol, 11% fazem usode drospirenona + etinilestradiol, 11% fazem uso de desogestrel +etinilestradiol, 11% fazem uso de levonorgestrel + etinilestradiol, 1% faz uso dedesogestrel, 1% faz uso de acetato de medroxiprogesterona + cipionato deestradiol, 1% faz uso de levonorgestrel+ etinilestradiol + vitamina B6 e 1% fazuso de dienogeste + valerato de estradiol. Os fármacos mais usados, acetatode ciproterona + etinilestradiol e gestodeno + etinilestradiol, são eficazes nocontrole da gravidez. Os fármacos a base de gestodeno + etinilestradiol
  44. 44. 43controlam hemorragias e melhoram dismenorréias e dores pélvicas não-menstruais. Porém em doses altas, as pacientes podem apresentar cefaléia,edema e dismenorréia. Alguns contraceptivos podem aumentar o risco de efeitos adversos emmulheres, principalmente, com hiperlipidemia, diabetes, doença hepática,câncer de colo do útero, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ou vírusda imunodeficiência humana (HIV), porém estas mulheres não precisam fazerexames laboratoriais antes do início do uso, afinal exames desnecessáriospodem criar barreiras para o acesso e uso do fármaco (TEPPER et al., 2012). Os contraceptivos podem causar aumento da pressão, infecçõesfreqüentes no trato urinário, colecistites, colelitíases, efeito diabetogênico. Podehaver aumento do risco de tromboses, tromboembolismo, tromboflebite eembolia pulmonar. Doenças cerebrovasculares e enfarte podem ter relaçãocom o uso destes fármacos e aumenta com a idade e anos de uso. Todosestes problemas são maiores em pacientes fumantes (ENGEL, 1979). A ocorrência de neoplasias do colo do útero, carcinomas in situ edisplasias está relacionada com fatores de risco, principalmente o uso decontraceptivos orais por mais de 6 anos. Quando comparada com usuárias deDIU, não havia essa ocorrência. Mulheres que usam contraceptivos a mais de4 anos devem realizar exames citológicos do colo do útero, pois a maioria doscasos de neoplasia são detectados em esfregaço cervical, e podem sertratados em uma fase de cura (VESSEY et al., 1983). Sintomas respiratórios, como sibilância, podem ser influenciados pelouso de hormônios esteróides. A associação de fatores, como asma e fumo,com os contraceptivos gera aumento de risco para sibilância, mostrando quequando se trata da saúde respiratória os hormônios podem ser importantes,além disto, mulheres jovens têm uma taxa maior deste tipo de sonoridade(ERKOÇOĞLU et al., 2012). Os fármacos atuais têm baixo nível hormonal e controlam o ciclo, poréma progesterona pode gerar efeitos secundários como seios inchados eamenorréia, e diminuir os efeitos positivos dos estrogênios. Drospirenona eetinilestradiol podem levar à perda ou ganho de peso, tratar hipomenorréia ouamenorréia, reduzir ou evitar a tensão pré-menstrual, melhorar sintomas de dor
  45. 45. 44de cabeça causada pelo contraceptivo e serem usados em mastodinias pré-existentes ou manifestações fibrocísticas da mama. Acetato de ciproterona eetinilestradiol é eficaz para acne, de ligeira a moderada (CIANCI; DE LEO,2007). Como os contraceptivos orais não são adequados para todas asmulheres, têm-se usado novos produtos como anéis vaginais contraceptivos eadesivos transdérmicos, além de compostos naturais na tentativa de diminuir orisco de tromboses e efeitos androgênicos. Há estudos sobre associações decontraceptivos e agentes retrovirais, usadas para evitara gravidez e protegercontra doenças sexualmente transmissíveis, além da tentativa de criar umcontraceptivo masculino (SITRUK-WARE; NATH; MISHELL, 2012).8.4 Problemas relacionados ao uso incorreto de anticoncepcionaisGráfico 8: Mulheres que engravidaram mesmo fazendo uso do contraceptivo 3% Sim Não 97%Fonte: Elaboração própria Segundo nossa pesquisa, 97% das entrevistadas não engravidarammesmo fazendo o uso de contraceptivos e 3% engravidaram. Apesar de seruma porcentagem pequena, isso nos faz pensar que as pacientes queengravidaram não usaram o contraceptivo de maneira correta ou não
  46. 46. 45realizaram o procedimento correto em caso de esquecimento, afinal estes sãoos principais motivos de uma gravidez indesejada. A falta de conhecimento sobre o uso de contraceptivos, principalmente oprocedimento correto quando houver esquecimento do uso, têm sido um dosmaiores problemas destes fármacos. Devido, principalmente, ao não-uso ouuso incorreto, muitas mulheres, entre elas pré-adolescentes e adolescentes,são mães ou realizam aborto devido a uma gravidez indesejada proveniente defalhas relacionadas com o uso incorre todo contraceptivo (SANTOS; SEABRA;SANTOS, 2011) (PANIZ; FASSA; SILVA, 2005) (FREGUGLIA; FONSECA,2009) (CHAVES et al., 2010) (VIEIRA, 2004).8.5 Principais interações dos anticoncepcionaisGráfico 9:Fármacos que as mulheres usam associados aos contraceptivos 5% 6% 5% 5% Antialérgicos 5% Antiasmáticos 11% Antibióticos 5% Antidepressivos Antidiabéticos 11% Antiepilépticos/Estabilizadores 16% de humor Anti-hipertensivos Antiinflamatórios Antilitiásicos 5% 21% Antissecretores 5% CalmantesFonte: Elaboração própria
  47. 47. 46 Perguntamos às entrevistadas se elas usavam algum outromedicamento além do contraceptivo e 86% responderam que não enquanto osoutros 14% respondeu que sim. Algumas delas usam mais de um medicamentoassociado ao uso do contraceptivo. Das mulheres que fazem ou fizeram uso deoutros medicamentos, 21% usam anti-hipertensivos, 16% usamantidepressivos, 11% usam antiinflamatórios, 11% usam antibióticos, 6% usamantialérgicos, 5% usam antiasmáticos, 5% usam antidiabéticos, 5% usamantiepilépticos/estabilizadores de humor, 5% usam antilitiásicos, 5% usamantissecretores, 5% usam calmantes e 5% usam vasodilatadores. Alguns destes medicamentos, como alguns antibióticos e tranquilizantes,interagem com o contraceptivo, diminuindo sua eficácia, além de poder levar auma gravidez indesejada. Muitas vezes, as pacientes desconhecem estasinterações por não ler a bula do medicamento, vergonha de questionar oprofissional da saúde ou por falta de informações e instruções que deveriamser dadas pelo médico ou até mesmo pelo farmacêutico. Os níveis de etinilestradiol e progesterona são diminuídos pelarifampicina, que induz enzimas hepáticas aumentando o metabolismo dosmesmos. Segundo alguns autores os níveis de esteróides não são alteradosquando administrados com ampicilina, ciprofloxacina, doxiciclina, metronidazol,ofloxacina, roxitromicina e tetraciclina. Porém, para outros o uso de tetraciclina,metronidazol, ampicilina e eritromicina pode diminuir a eficácia docontraceptivo, devido a uma redução na microbiota intestinal, que mantêm osníveis dos contraceptivos (BERGAMASCHI et al., 2006). Fármacos antiepilépticos, como fenobarbital e carbamazepina, podeminteragir com contraceptivos, reduzindo sua redução e eficácia e podendo geraruma gravidez indesejada. Essa associação também pode fazer com que aeficácia do antiepiléptico seja diminuída, podendo gerar quadros convulsivos.Os antiepilépticos podem alterar os esteróides gonadais podendo gerardisfunção sexual (GUILLEMETTE; YOUNT, 2012) (BRODIE et al., 2012). Uma das preocupações em mulheres HIV positivas é a alteração daeficácia do contraceptivo oral quando associado aos antiretrovirais, pois hádiminuição dos níveis de estrogênio e progesterona. A eficácia doscontraceptivos injetáveis de acetato de medroxiprogesterona e de sistemas
  48. 48. 47intra-uterinos de levonorgestrel quase não sofre alterações. Deve haver váriostipos de contraceptivos disponíveis, além do aconselhamento sobre a possíveldiminuição da eficácia. O uso de preservativo também é muito importante paraprevenir o HIV e infecções sexualmente transmissíveis (ROBINSON;JAMSHIDI; BURKE, 2012) (AGBOGHOROMA, 2011).
  49. 49. 489 CONSIDERAÇÔES FINAIS O farmacêutico, se necessário, deve fazer interferência junto ao médico,sobre os problemas que os medicamentos estão gerando na vida do paciente,podendo solicitar a troca do medicamento e também a dosagem, mesmo emcaso de anticoncepcionais. A assistência do profissional farmacêutico é importante em todas asáreas em que atua, para que o paciente tenha um tratamento adequado eeficaz e para que se sinta protegido e seguro, sabendo que sempre terá adisponibilidade dele, alguém para orientá-lo sobre as suas dúvidas. É necessário fazer com que o farmacêutico seja notado, e que sejaqualitativo, onde haja permanente reflexão sobre a prática, tentando, aprendera necessidade do acompanhamento do paciente. É importante que ofarmacêutico esteja sempre ciente de que pode chegar ao médico, para que oseu paciente tenha um tratamento mais adequado, evitando possíveisinterações medicamentosas e reações adversas, além de prejuízos a suasaúde.
  50. 50. 4910 CONCLUSÃO A partir da pesquisa realizada na Escola Técnica Estadual deFernandópolis, entende-se que o papel do farmacêutico na sociedade éfundamental, sendo que este é importante na orientação dos pacientes sobre ouso racional de medicamentos. Observando os dados obtidos através da pesquisa, constata-se que ouso do contraceptivo está presente, na maioria dos casos, em jovens de 16anos ou menos, que muitas vezes não tem conhecimento dos riscos causadospelo uso deste medicamento. E que mesmo dizendo saber a maneira corretade utilizá-lo, muitas vezes não o faz, relatando esquecimento do seu uso, porpelo menos um dia, e, além disso, não sabem o risco de interações que existeentre alguns medicamentos e anticoncepcionais. A atuação do farmacêutico abrange a orientação ao paciente sobre aimportância de se procurar um profissional habilitado, no caso o médico, paraque verifique se existe a necessidade de utilização de determinadomedicamento e quais são os riscos apresentados pela sua utilização. É necessário mostrar ao paciente que não basta apenas saber amaneira correta de se utilizar um medicamento, mas que este tem que seradministrado nos dias e horários certos e determinados pelo médico, para queesse possa ter o efeito desejado. A área da saúde possibilita ao farmacêutico mostrar ao paciente quaisos riscos apresentados pela automedicação e pelo uso indiscriminado dequalquer medicamento. A Assistência Farmacêutica, prioriza a orientação e oacompanhamento farmacoterapêutico e a relação direta entre o farmacêutico eo usuário de medicamentos. O farmacêutico é importante no acompanhamento do paciente no seudia a dia, para saber se este está tomando o medicamento de maneiraadequada, se há alguma interação medicamentosa entre os medicamentosutilizados, se estes estão apresentando o efeito desejado e se futuramentepodem causar algum risco a saúde do paciente.
  51. 51. 50 REFERÊNCIASABDEL, B. J. A.; FLAFL, M. S.; AL-NAMAA, L. M. ; HASSAN, NA. Mudançasde lipoproteínas em mulheres que tomam doses baixas de pílulasanticoncepcionais orais combinados: um estudo transversal em Basra, noIraque. set. 2011. Disponível em:<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22259919>. Acesso em: 25 out. 2012.AFFINITO, P.; MONTERUBBIANESI, M.; PRIMIZIA, M.; REGINE, V.; DICARLO, C.; FARACE, M. J.; PETRILLO, G.; NAPPI, C. A eficácia do controledo ciclo, e os efeitos colaterais de dois contraceptivos orais combinadosmonofásicos: gestodeno / etinilestradiol e norgestimato / etinilestradiol. dez.1993.Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8147235>. Acessoem: 30 out. 2012.AGBOGHOROMA, C. O. Contracepção no contexto do HIV / AIDS: umarevisão. set. 2011.Disponível em:<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22574489>. Acesso em: 30 out. 2012.AKINLOYE, O.; ADEBAYO, T. O.; OGUNTIBEJU, O. O.; OPARINDE, D.P.;OGUNYEMI, E.O. Efeitos dos contraceptivos em oligoelementos no soro,cálcio e fósforo. jun. 2011. Disponível em:<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22224344>. Acesso em: 25 out. 2012.ALDRIGHI, J. M.; DE CAMPOS, L.S.; ELUF, G. O. C.; PETTA, C.A.;BAHAMONDES, L. Efeito de um contraceptivo oral combinado contendo20 mcg de etinilestradiol e75 mcg de gestodeno sobre os parâmetroshemostáticos. jan. 2006. Disponível em:<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16522526>. Acesso em: 28 out. 2012.AYDIN, K; CINAR, N.; AKSOY, D.Y.; BOZDAG ,G.; YILDIZ, B.O. Composiçãocorporal em mulheres magras com síndrome dos ovários policísticos:efeito da combinação de estradiol e etinilestradiol/drospirenona. ago. 2012.Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22898361>. Acesso em:28 out. 2012.
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  62. 62. 61 APÊNDICE 1 Pesquisa para realização do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do curso de FarmáciaIdade:______anos Cidade:_______________________Grau de escolaridade:( ) ensino médio incompleto ( ) ensino médio completo( ) ensino superior incompleto ( ) ensino superior completo1 – Você faz uso de anticoncepcional?( ) sim ( ) não2 – Qual anticoncepcional você utiliza? _____________________________________3 – Você procurou um médico antes de começar a usar o anticoncepcional?( ) sim ( ) não4 – Com que frequência você vai ao ginecologista?( ) mensalmente ( ) semestralmente ( ) anualmente ( ) nunca foi5 – Porque você começou a fazer o uso do anticoncepcional?( ) evitar gravidez ( ) problemas nos ovários ( ) fins estéticos ( ) cólicasmenstruais( ) outros motivos: ____________________________________________________
  63. 63. 626 –Você conhece a maneira correta de utilizar seu anticoncepcional?( ) sim ( ) não7 – Você toma o anticoncepcional todos os dias e sempre no mesmo horário?( ) sim ( ) todos os dias, só que em horários diferentes ( ) não8 – Você já se esqueceu de tomar o anticoncepcional algum dia? Se sim, qual foi aprovidência tomada?( ) não ( )sim:____________________________________________________9 – O anticoncepcional que você usa é:( ) injetável ( ) em comprimidos ( ) adesivos10 – Você sabia que se o anticoncepcional for tomado junto com algunsmedicamentos (por exemplo, antibióticos e anticonvulsivantes), o efeito doanticoncepcional pode ser reduzido, potencializado ou até mesmo não ter nenhumefeito?( ) sim ( ) não11 – Você sabia que é necessário continuar tomando os comprimidos doanticoncepcional até o fim da cartela, mesmo que sua menstruação comece?( ) sim ( ) não12 – Você sabia que mesmo menstruada é necessário começar a tomar oscomprimidos do anticoncepcional após o tempo de pausa (tempo que você fica semusar o remédio)?( ) sim ( ) não13 – Você já teve alguma reação adversa (por exemplo, dor de cabeça, náuseas ouaumento do fluxo menstrual) com o uso de seu anticoncepcional? Se sim, qual reaçãoe o que você fez em relação a essa reação?( ) não ( ) sim: ________________________________________________________________________________________________________________________
  64. 64. 6314 – Você percebeu alguma alteração corporal depois de começar a utilizar oanticoncepcional? Se sim, qual?( ) não ( ) sim: ________________________________________________________________________________________________________________________15 – Você faz uso de outro método contraceptivo (por exemplo, preservativos ou DIU)além do anticoncepcional? Se sim, qual (is)?( ) não ( ) sim: ________________________________________________________________________________________________________________________16 – Você já leu a bula do seu anticoncepcional para maiores informações?( ) sim ( ) não17 – Mesmo usando o anticoncepcional corretamente houve caso de gravidez?( ) sim ( ) não18 – Houve alguma alteração em seu ciclo menstrual depois do início do uso doanticoncepcional? Se sim, qual?( ) não ( ) sim: ________________________________________________________________________________________________________________________19 – Houve troca do seu anticoncepcional durante o tratamento? Se sim, qualmedicamento utilizado anteriormente e porque houve essa troca?( ) não ( ) sim: ________________________________________________________________________________________________________________________20 – Além do anticoncepcional, você faz uso frequente de algum outro medicamento?Se sim, qual medicamento e quantas vezes você o utiliza por dia?( ) não ( ) sim: ___________________________________________________

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