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Processo de reversão sexual mtf

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Processo de reversão sexual mtf

  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS FERNANDA MAIRA DE OLIVEIRA LUISA CAROLINA GHIRALDI NAIARA ELISA RIZATORE BALIEIRO PROCESSO DE REVERSÃO SEXUAL MTF FERNANDÓPOLIS 2012 FERNANDA MAIRA DE OLIVEIRA
  2. 2. LUISA CAROLINA GHIRALDI NAIARA ELISA RIZATORE BALIEIROFARMACOTERAPIA RELACIONADA AO PROCESSO DE REVERSÃO SEXUAL Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Orientador: Prof. Dr. Marcos De Lucca Júnior FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS – SP 2012 FERNANDA MAIRA DE OLIVEIRA
  3. 3. LUISA CAROLINA GHIRALDI NAIARA ELISA RIZATORE BALIEIRO FARMACOTERAPIA RELACIONADA AO PROCESSO DE REVERSÃO SEXUAL Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Aprovado em: 21 de novembro de 2012. Banca examinadora Assinatura ConceitoProf. Dr. Marcos De Lucca Júnior(Orientador)Profª. Esp. Rosana Matsumi MottaKagesawa(Avaliador 1)Profª. Esp. Marinei de Melo BestetiFernandes(Avaliadora 2) Prof. Dr. Marcos De Lucca Júnior Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. Dedicamos este trabalho á todos que contribuírampara sua conclusão, aos nossos pais que nosajudaram incentivando a nunca desistirmos destaresponsabilidade, e dedicamos também a todostransexuais que lutam por um espaço no mundo,mas que ainda são discriminados e sofrem violência.AGRADECIMENTOS
  5. 5. Agradecemos primeiramente a Deus por ter nos abençoado e iluminado narealização deste trabalho, e durante toda a trajetória para conclusão deste curso. Atodos os professores e funcionários que contribuíram direta ou indiretamente paranossa formação, em especial ao nosso orientador Marcos De Lucca Júnior, peladisposição, atenção e dedicação com que nos orientou.
  6. 6. A entrada para a mente do homem é o que eleaprende, a saída é o que ele realiza. Se sua mentenão for alimentada por um fornecimento contínuo denovas ideias, que ele põe a trabalhar com umpropósito, e se não houver uma saída por uma ação,sua mente torna-se estagnada. Tal mente é umperigo para o indivíduo que a possui e inútil para acomunidade. Jeremias W. Jenks RESUMO
  7. 7. A determinação do sexo humano é realizada pelos cromossomos sexuais. Oscromossomos determinantes para a formação do sexo são os cromossomos X e Y.Qualquer anomalia destes cromossomos pode ocasionar, entre outros problemas, ohermafroditismo. Por outro lado, a transexualidade é um transtorno de identidade degênero, no qual o indivíduo não aceita o seu sexo biológico, sendo, portanto, umdistúrbio de natureza orgânica e psicológica. Durante sua vida, o transexual faz usode terapias hormonais, que induzem o aparecimento de caracteres sexuaissecundários. Os principais fármacos utilizados por machos genéticos tornarem-sefêmea (MTF) são os antiandrógenos, a progesterona e o estrogênio. Osantiandrógenos, mas usualmente a espironolactona e o acetato de ciproterona,associados a estrogênio são bem eficazes, oferecendo maior feminilização aoindivíduo. A progesterona, tendo como o fármaco mais utilizado desta classe, omedroxiprogesterona, é amplamente utilizado a fim de se obter crescimentomamário. A terapia hormonal para MTF consiste em reduzir ao máximo a quantidadede testosterona do organismo e deixar os níveis de hormônios femininos na mesmaquantidade que o organismo feminino. Contudo, a busca maior dos transexuais é acirurgia de transgenitalização (mudança de sexo). Na cirurgia da MTF o pênis e otecido escrotal são utilizados na construção da vagina. A cirurgia detransgenitalização ainda é realizada apenas como experimento no Brasil, apesar dejá ter sido liberada pelo SUS para mulheres transexuais. A cirurgia para fêmeasgenéticas tornarem-se macho (FTM), por ser mais complexa e de alto risco ainda érealizada apenas em centros de estudos. Após a cirurgia, o transexual enfrenta outrogrande desafio: conseguir seu registro civil como nova pessoa, alterando o seuprenome e seu gênero. Esta não é uma tarefa simples, devido entraves burocráticosde natureza judicial. O transexual terá que provar perante a Justiça que realizou acirurgia, e através de laudos psiquiátricos de que sempre foi do sexo oposto. Alémde todos os transtornos que os transexuais enfrentam, há o preconceito social queinibe de modo significativo o indivíduo, o que pode afetar grandemente a qualidadede vida dos afetados.Palavras-chave: Cromossomos. Hermafroditismo. Transexualidade. Cirurgia deTransgenitalização.
  8. 8. ABSTRACTSex determination is made by the human sex chromosomes. Chromosomaldeterminants for the formation of sex chromosomes are X and Y. Any abnormality ofchromosomes can cause, among other problems, hermaphroditism. Moreover,transsexuality is a gender identity disorder, in which the individual does not accepttheir biological sex, and therefore a disorder of organic and psychological nature.During his life, the transsexual makes use of hormonal therapies that induce theappearance of secondary sexual characteristics. The main drugs used for geneticmales become female (MTF) are antiandrogens, progesterone and estrogen. Theantiandrogens, but usually spironolactone and cyproterone acetate, estrogen areassociated with very efficient, offering greater feminization the individual.Progesterone, with the most used drug in this class, medroxyprogesterone, is widelyused to obtain mammary growth. Hormone therapy for MTF is to reduce themaximum amount of testosterone in the body and leave the levels of femalehormones in the same amount that the female organism. However, the search is thelargest transgender reassignment surgery (sex change). At MTF surgery penis andscrotal tissue is used in the construction of the vagina. Sex reassignment surgery isstill performed only as an experiment in Brazil, despite having been released by SUSfor transsexual women. Surgery for genetic females become male (FTM), a morecomplex and high risk is still performed only in research centers. After surgery, thetranssexual faces another challenge: getting their civil registry as a new person bychanging your first name and your gender. This is not a simple task, because ofbureaucratic judicial nature. The transsexual will have to prove to the court thatperformed the surgery, and through psychiatric reports that it was always theopposite sex. Besides all the disorders that transsexuals face, there is the socialprejudice that significantly inhibits the individual, which can greatly affect the qualityof life of those affected.Keywords: Chromosomes. Hermaphroditism. Transsexuality. Reassignmentsurgery. LISTA DE FIGURAS
  9. 9. Figura 1 - Processo de determinação do sexo 13Figura 2 - Genitália Externa de um Hermafrodita Verdadeiro 17Figura 3 - Diferencial da gônada bipotencial em testículo ou ovário 18Figura 4A - Pré-operatório MTF 32Figura 4B - Pós-operatório de 8 anos MTF 32 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
  10. 10. AVC – Acidente Vascular CerebralCID – Classificação Internacional de DoençasDSM – Manual Diagnóstico e Estatística de Desordens MentaisFTM – Fêmea Genética Tornarem-se MachoMTF – Macho Genético Tornarem-se FêmeaSRY – Região Determinante do Sexo no YSUS – Sistema Único de SaúdeTDF – Fator Determinante Testicular
  11. 11. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ..................................................................................................... 111 OBJETIVOS ..................................................................................................... 141.1 OBJETIVO GERAL ........................................................................................ 141.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .......................................................................... 142 MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................ 153 ASPECTOS CROMOSSOMICOS NA DETERMINAÇÃO DO SEXO .............. 164 TRANSEXUALIDADE E SEUS ASPECTOS PSICOLÓGICOS ...................... 195 ASPECTOS TERMINOLOGICOS .................................................................... 216 ASPECTOS HISTÓRICOS ............................................................................... 227 ASPECTOS MITOLOGICOS ............................................................................ 248 MEDICAMENTOS UTILIZADOS NA TERAPIA HORMONAL DE 26TRANSEXUAIS MTF ...........................................................................................8.1 ANTIANDRÓGENO ....................................................................................... 268.2 PROGESTERONA ......................................................................................... 278.3 ESTROGÊNIO ............................................................................................... 279 CIRURGIA EM MTF ......................................................................................... 2910 MUDANÇA DE NOME .................................................................................... 3311 DIFERENÇA ENTRE HOMOSSEXUAL, TRAVESTI E TRANSEXUAL ........ 3512 CONCLUSÃO ................................................................................................. 36REFERÊNCIAS ................................................................................................... 37
  12. 12. 11 INTRODUÇÃO De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) a transexualidadeestá na classificação internacional de doenças e é um transtorno de identidadepsicossexual. O indivíduo não só deseja pertencer ao outro sexo como existe umaincoerência profunda entre mente e corpo. (MARQUES, 2003) O CID 10 caracteriza a transexualidade como um transtorno de identidade degênero, e esta codificada como F64-0. De acordo com este código, atransexualidade trata-se de um desejo de viver e ser aceito enquanto pessoa dosexo oposto. Este desejo se acompanha em geral de um sentimento de mal estar oude inadaptação por referência a seu próprio sexo anatômico e do desejo desubmeter-se a uma intervenção cirúrgica ou a um tratamento hormonal a fim detornar seu corpo tão conforme quanto possível ao sexo desejado. (MELO, 2008) O diagnóstico da transexualidade foi introduzido no DSM-III (ManualDiagnóstico e estatístico das Desordens Mentais) em 1980, para os indivíduos comgênero disfórico que demonstrassem durante, dois anos, um interesse contínuo emtransformar o sexo do seu corpo e o status do seu gênero social. Em 1994, o DSM-IV trocou o termo Transexualidade por Desordem daIdentidade de Gênero, que também pode ser encontrado no CID-10 (ClassificaçãoInternacional de Doenças). (ATHAYDE, 2001) A transexualidade pode ser determinado:  Por alterações genéticas do hipotálamo. (VIEIRA, 2000a)  E por um transtorno psíquico, que gera o transtorno de identidade. (SAMPAIO; COELHO, 2011) É o sexo cromossômico que vai determinar se o indivíduo será do sexomasculino ou feminino. Esse processo se dá pela ação de dois cromossomos quesão determinantes da sexualidade: o cromossomo X e o cromossomo Y. (MENIN,2007) A formação cromossômica XX determinará o sexo feminino ao passo que aformação cromossômica XY determinará o sexo masculino. (Figura 1) O transexual, durante toda a sua vida sofre com perturbações psicológicas,na identificação de gênero do sexo oposto. (ONCALA et al, 2004) Mas este fato não determina a transexualidade.
  13. 13. 12 O tratamento hormonal irá reduzir as características fenotípicas do sexobiológico, e irá desenvolver o paciente as características do sexo desejado.(MERIGGIOLA et al, 2010) As cirurgias de transgenitalização começaram em 1970 nos EUA. (FRANCOet al, 2010). No Brasil a primeira cirurgia foi realizada em 1971. (MILITÃO, 2011). Acirurgia é muito importante no tratamento do transexualidade, pois adequamorfologicamente o genital ao sexo que o paciente se identifica. (ARÁN; MURTA;LIONÇO, 2009) Devido ao preconceito da sociedade, o transexual é confundido com osdemais tipos sexuais, pois o transexualidade é visto comumente como uma opçãosexual, e não como um distúrbio de natureza orgânica e psíquica.
  14. 14. 13Figura 1: Processo de determinação do sexoFonte: Sexo e herança genética.
  15. 15. 141 OBJETIVOS1.1 OBJETIVO GERAL Este trabalho tem por objetivo conhecer o tipo de medicamentos que opaciente transexual recebe antes e após de realizar cirurgia de transgenitalização.1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS O presente trabalho tem como objetivos específicos:  Conhecer o tratamento medicamentoso que é utilizado em pacientes transexuais.  Relacionar a diferença dos tipos sexuais, como homossexualidade, travestilidade e transexualidade, a fim de garantir um melhor atendimento futuro a estes tipos de pacientes.  Verificar, como é a garantia de saúde disponível a este paciente, e se existe o apoio de profissionais da saúde.  Conhecer a causa do transexualidade, levando em consideração de que o transexualidade é caracterizado como uma doença (CID – 10)
  16. 16. 152 MATERIAL E MÉTODOS Por meio de uma revisão literária, buscou-se conhecimento e o tratamentofarmacológico do transexualidade. Após a escolha do tema do trabalho, foram realizadas buscas em bancos dedados referenciais, como Scielo, Google Acadêmico e PubMed. Além destas buscasforam realizados também estudos em livros que são encontrados na biblioteca daFundação Educacional de Fernandópolis. Os descritores utilizados para a busca do material foram: cromossomos,transexualidade, cirurgia de transgenitalização, transtorno de identidade de gênero.
  17. 17. 163 ASPECTOS CROMOSSOMICOS NA DETERMINAÇÃO DO SEXO O processo que determina o sexo se inicia no momento da fertilização atravésdo estabelecimento do sexo cromossômico do zigoto, e é determinado através dainteração dos genes. (DOMENICE et al, 2002) Logo no início da vida intrauterina, o embrião é morfologicamente neutro. Adiferenciação sexual, em masculino ou feminino, só se inicia após o crescimento deuma crista, em cada um dos mesonefros (órgãos que servem ao embrião como rinstemporários). As cristas são conhecidas como “cristas gonadais” e a partir delas irãose originar as células somáticas das futuras gônodas, ovários ou testículos. (OTTO;OTTO; PESSOA, 2004) O sexo cromossômico determina se o indivíduo será do sexo masculino oufeminino por meio dos dois cromossomos que são determinantes da sexualidade: ocromossomo X que poderá ser proveniente do homem ou da mulher, já que oespermatozoide possui combinação cromossômica X e Y, e o cromossomo Y que éproveniente do homem. O sexo gonodal é constituído pelas glândulas sexuais,ovários nas mulheres e os testículos nos homens, que são responsáveis pelaprodução de hormônios. (MENIN, 2007) O primeiro evento na determinação do sexo ocorre com a determinação dosexo gonodal. (DOMENICE et al, 2002) No período da sexta semana de gestação,as gônodas apresentam duas partes, e são elas: o córtex, que formará o ovário e amedula, que dá origem ao testículo. A partir de então, de acordo com os genes queestiverem presentes é que a gônoda se desenvolverá em ovário ou em testículo,caracterizando assim o sexo gonodal. Na ausência do cromossomo Y, a gônoda setransformará em ovário, aonde o córtex irá se desenvolver e a medula irá seregredir. Já para a formação do testículo, o que se desenvolverá será a medula dagônoda e o córtex irá desaparecer, e isso pelo fato da presença do cromossomo Y.(OTTO; OTTO; PESSOA, 2004) Algumas anomalias podem ocorrer durante o processo da determinação dosexo, e é determinado pela presença ou ausência do cromossomo Y, nãocorrespondente ao sexo gonadal. Neste grupo, podemos observar os pacientes queapresentam o cariótipo 46,XX e desenvolvimento de gônada masculina, que são
  18. 18. 17denominados hermafroditas verdadeiros, como pode ser visto na figura 2.(DOMENICE et al, 2002) Como já foi dito, a determinação preliminar do sexo do embrião é determinadapela presença do cromossomo Y. Porém, mais especificamente através de um geneno cromossomo Y, que codifica um fator determinante testicular (TDF). Este fator fazcom que gônadas embrionárias indiferentes se desenvolvam como testículos, aoinvés de ovários. (JAGER et al, 1990; VILAIN; MCCABE, 1998) Existe ainda, o gene SRY (região determinante do sexo no Y) que estápresente no cromossomo Y. Este gene, só é expresso no início do desenvolvimentoem células da crista germinal, pouco antes de ocorrer à diferenciação dos testículos.O SRY codifica uma proteína de ligação ao DNA que provavelmente é um fator detransição, embora os genes específicos que ele regula sejam desconhecidos. Assimpor todos os critérios genéticos, o SRY é igual ao gene TDF no cromossomo Y. Oprocesso de diferenciação do sexo pode ser vista na figura 3. (THOMPSON, 2002) Figura 2: Genitália Externa de um Hermafrodita Verdadeiro Fonte: La Ciencia En Nuestro Mundo
  19. 19. 18Figura 3: Diferencial da gônada bipotencial em testículo ou ovário.Fonte: Citogenética Clínica: Distúrbios dos autossomos e dos cromossomos sexuais.
  20. 20. 19 4 TRANSEXUALIDADE E SEUS ASPECTOS PSICOLÓGICOS Segundo Quaglia (1980) apud Vieira (2000a) a transexualidade pode serdeterminada por uma alteração genética que ocorre no componente cerebral,combinado com alterações hormonais e fatores sociais. Vieira (2000a) diz que é ohipotálamo do transexual que o leva a se comportar contrariamente ao seu sexoanatômico. Na sexologia, na psiquiatria e em parte da psicanálise a transexualidade é um“transtorno de identidade” no qual há uma incompatibilidade entre o sexo biológico eo gênero. Entretanto é necessário que se deixe claro, que a transexualidade, não éapenas um simples distúrbio de identidade de gênero, pois ela não é um fenômenopassageiro. (ARÁN; MURTA; LIONÇO, 2009; ESCARELLI et al, 2002) A DSM-IV e a CID-10 referem-se ao Transtorno de Identidade de Gênerocomo um distúrbio que se caracteriza por identificação forte e persistente com osexo oposto que envolve diversos aspectos de conduta e, em um subgrupo, levandoà procura de serviços médicos com o objetivo de modificação das suascaracterísticas sexuais primárias e secundárias. O conceito de Transtorno deIdentidade de Gênero do DSM-IV difere apenas minimamente do conceitocorrespondente da CID-10 e, essencialmente, no fato de que na CID-10 se exige umperíodo mínimo de dois anos para o estabelecimento do diagnóstico. Por definição,os transexuais são pessoas convencidas de pertencerem ao sexo oposto àqueleindicado por sua genitália – sexo genético. Somam-se a este fato a sensação deestranheza quanto ao seu corpo, o forte desejo de viver como membros do sexooposto e a procura pela alteração da sua aparência corporal e genitália, paraconformá-las ao sexo desejado. (SANTOS; COSTA, 2008) A OMS reconhece a transexualidade como uma patologia médica,classificando-o como transtorno de personalidade e de comportamento.(BERGESCH; CHEMIN, 2009) Um transexual, tem a convicção de que a natureza se equivocou, houve umadesordem natural e foi através desta que ele veio ao mundo em um corpo que nãolhe pertence. (YOSHIDA et al, 2001)
  21. 21. 20 Ocorre uma grande e profunda perturbação psicológica, durante o processode identificação de gênero do sexo oposto, que acontecerá em graus variadosdurante toda a vida de um transexual. (ONCALA et al, 2004) Na maioria dos casos de transexualidade, a pessoa já é afetadapsicologicamente desde a infância, por exemplo, em transexuais masculinos. Acriança tem uma infância vivida como menina, brincadeiras “femininas” e preferênciapor amizades femininas. Na adolescência, ocorre um sofrimento mais intenso, poiseste é o período que se tem a percepção de sua situação, podendo acarretar emfugas de casa, depressão e suicídio. E é neste período que tanto desejam a cirurgia,não pela vontade de ter relações sexuais consideradas “normais”, mas sim para tera acesso a correção cirúrgica que lhe permitirá o reconhecimento corporal de uma“identidade feminina”. (ARÁN, 2005) Vários especialistas afirmam que os traços do transexualidade começam nainfância, por volta dos dois anos de idade, pois a partir deste momento a criançacomeça a demonstrar socialmente a sua identidade sexual, as brincadeiras,vestimenta. (MENIN, 2007) A formação do gênero é adquirida e induzida, pelo comportamento dos pais,dos familiares e do meio social. E neste processo de formação, ocorrem algumasinterferências, que vão desde a psíquica até a social. (ESCARELLI et al, 2002) Quando um paciente resolve passar pelo processo da terapia hormonal, deve-se saber que não somente o corpo se modificará, mas também, junto dele, acondição psicológica da pessoa. Além disso, pode ocorrer depressão, caso osremédios não sejam corretamente utilizados. (THEODORO, 2012) Além do sofrimento psíquico e os desconfortos gerados pelo desencontro dosexo biológico e psicológico enfrentados por estas pessoas, eles ainda têm que lidarcom a discriminação social. (SAMPAIO; COELHO, 2011)
  22. 22. 215 ASPECTOS TERMINOLÓGICOS Quando se fala em sexo, gênero, identidade de gênero, hermafroditas, gays,transexuais e outros tantos termos, os conceitos se misturam, bem como a ausênciade comunicação se estabelece. (SILVA, 2010) Segundo o mesmo autor, sexo se refere biologicamente à clássica divisãoentre macho e fêmea, é, assim, uma caracterização conforme a anatomia e afisiologia do ser humano. Se a criança nasce com pênis, é um macho, se nasce comvagina, é uma fêmea. Às vezes, o órgão sexual aparece simultaneamente em umindivíduo, gerando os chamados intersexos, popularmente denominados dehermafroditas. Gênero, por sua vez, transcende o aspecto biológico e entra na área cultural,sendo, consequentemente, uma construção social. Desse modo, tem-se o gênerofeminino (papel social voltado às mulheres), o masculino (papel social de homem).Pode ocorrer de o indivíduo não se identificar completamente com o papel de mulhernem o de homem, possuindo um comportamento híbrido. (COSTA, 1994) Transgênero foi um termo que nasceu a partir das ciências sociais e visavaabarcar expressões subjetivas de trânsito entre os gêneros: travestis, transexuais,drag queens, drag kings, cross dressers, transformistas. Transgênero é a pessoaque transita de alguma forma, de um gênero ao outro. O movimento social detransexuais, organizado no Coletivo Nacional de Transexuais, não se reconhecenesta terminologia, porque entendem que não estão transitando de um gênero aooutro. Eles se identificam com o gênero discordante do sexo biológico, o que é umamarcação de gênero fixa. (MENDES, 2008)
  23. 23. 226 ASPECTOS HISTÓRICOS Filo, filósofo judeu helenizado do século I d.C. e morador em Alexandria,segundo Hyde (1994) e GREEN (1998), descreve homens que se travestem e vivemcomo mulheres, chegando até a retirar o pênis. Seria os chamados eunucos, termoque deriva da expressão grega para guardião ou zelador do leito. Aqueles queguardavam, sem riscos, os leitos das mulheres de seus senhores. Esses eunucos, em Roma, tinham os testículos extirpados, mas muitas vezesmantinham seus pênis, o que lhes possibilitava ereções. Alguns, todavia, tinham ostestículos e pênis removidos. (GREEN, 1998) Vários imperadores romanos são descritos por se travestirem ouapresentarem características afeminadas. Contudo, dois casos merecem destaque.O primeiro diz respeito a Nero que após chutar sua esposa grávida, Poppaea, até amorte, arrependeu-se e, tomado de remorsos, buscou alguém parecido com ela.Encontrou em um escravo, Sporus, essa semelhança. Nero então ordenou a seuscirurgiões que o transformassem em mulher. Após a cirurgia os dois se casaramformalmente e Sporus viveu como mulher a partir de então. (GREEN, 1998);(GREGERSEN, 1983) Já o imperador romano Heliogábalo casou-se formalmente com um poderosoescravo, adotou o papel de esposa e oferecia metade de seu império ao médico queo equipasse com uma genitália feminina. (GREEN, 1998) Há referências até no meio médico de que nessa época da História existiampessoas de um gênero que se passavam e viviam como se pertencendo ao gêneroque não o de seu nascimento. A maior autoridade em ginecologia medieval e dorenascimento teria sido Trotula, mulher formada na Escola de Medicina de Salernoque teria escrito por volta de 1150 d.C. os mais populares tratados de cosmetologiae saúde de mulheres. Na realidade, Trotula teria sido um homem que se travestia demulher para tratar de mulheres. Essa seria sua única opção, pois era então proibidoum homem cuidar de uma mulher no papel de médico. (NEW; KITZINGER, 1993) Em Versalhes, em 1858, Mlle. Jenny Savalette de Lange revelou, ao morrer,se tratar de um homem. Passou toda a vida como mulher, tendo se relacionado comseis homens; tinha certidão de nascimento falsa e recebia do rei uma pensão emoradia em Versalhes. (GREEN, 1998)
  24. 24. 23 Segundo o mesmo autor não apenas na França esse fenômeno semanifestava. Nos Estados Unidos, é famoso Lorde Cornbury, primeiro governadorcolonial de Nova York, que chegou ao Novo Mundo vestido como mulher edespachava assim em seu escritório. Cem anos depois, durante a Guerra deSecessão, Mary Walker foi a primeira mulher a ser comissionada como cirurgiã doexército e a ser autorizada pelo Congresso a se vestir com roupas de homens.
  25. 25. 247 ASPECTOS MITOLÓGICOS Na mitologia greco-romana, segundo GREEN (1998), encontra-se referênciaa Vênus Castina, a qual, para GREGERSEN (1983, p. 71) seria a “deusa que sepreocupa e simpatiza com os anseios de almas femininas presas em corposmasculinos”. Uma das várias denominações e especificações da deusa do amor,mais conhecida entre os gregos por Afrodite. Outras referências mitológicas são encontradas em indivíduos cuja mudançade sexo não se dá por desejo, mas, sim, por punição divina. GREEN (1998) cita omito do adivinho Tirésias de Tebas, que, ao ascender ao monte Citerão, encontraduas cobras copulando. Ao separá-las e matar a fêmea, ele é punido pelos deuses,sendo transformado em mulher. Sete anos depois, ao se adaptar a essa condição eforma femininas, Tirésias sobe o mesmo monte. Ao se deparar com a mesma cenade duas cobras copulando, mata o macho e, com isso, consegue ser novamentetransformado em homem pelos deuses. Já no reino da Frígia (atualmente região da Turquia), os sacerdotes do deusÁtis - filho e amante de Cibele, a mãe Terra - eram obrigados a se castrar emdeferência a Átis, que se emasculou sob um pinheiro por conta desse amor proibido,mas realizado. (FRIEDMAN, 2002) Os gregos possuíam ainda um deus chamado Hermafrodita, que era opatrono da união sexual. Filho de Hermes e Afrodite possuía mamas e pênis.Conforme estátuas e representações no Museu do Louvre e outros museus, elelembra muito os atuais travestis ou transexuais, tanto em forma física como empostura: masculina e feminina ao mesmo tempo. (GREEN, 1998) Outra referência mitológica remete a uma tribo de Cítios - povo daAntiguidade - os Enarees, que foram punidos por Afrodite por terem saqueado seutemplo mais antigo, em Ascelon. Foram transformados em mulheres assim comotoda a sua descendência. Hipócrates, todavia, via a feminilização dos Enarees comoresultado de intensas e constantes cavalgadas que afetariam sua masculinidade poralguma forma de lesão física. (NEW; KITZINGER, 1993);(VON-KRAFFT-EBING,1999) BRANDÃO (1997) relata que a travestilidade esta intimamente relacionada aocasamento do herói grego. São vários os heróis que mudam de sexo: Ceneu, Ífis,
  26. 26. 25Leucipo eram mulheres que foram transformadas em homens na época docasamento.
  27. 27. 268 MEDICAMENTOS UTILIZADOS NA TERAPIA HORMONAL DE TRANSEXUAISMTF O tratamento endrocrinológico tem como objetivo induzir o aparecimento decaracteres sexuais secundários compatíveis com a identificação de gênero atravésda terapia hormonal, assim como possibilitar o acompanhamento clínico. Otratamento é realizado por toda a vida do transexual, e só é interrompido para arealização da cirurgia. (ÁRAN; MURTA, 2006) O tratamento hormonal consiste em administrar cross – hormônios sexuais eanti-hormônios, que irão reduzir as características fenotípicas do sexo biológico, eirão desenvolver no paciente as características do sexo desejado. (MERIGGIOLA etal, 2010) Endocrinologistas são consultados por pessoas transexuais que desejam otratamento hormonal para que possam viver como uma pessoa de seu gêneroidentificado. O tratamento endócrino proporciona algum alívio, mas, contudo existemriscos. (MOORE; WISNIEWSKI; DOBS, 2003)8.1 ANTIANDRÓGENO Nesta classe, apresenta-se como principais fármacos no tratamento hormonalpara transexuais a espironolactona e o acetato de ciproterona. (DEMPSEY, 2002) A administração de moduladores hormonais podem potencializar os efeitos doestrogênio. Os antiandrógenos diminuem os níveis séricos de testosterona, oubloqueiam a sua ligação ao receptor de androgênio, reduzindo as característicassecundárias masculinas. (MOORE; WISNIEWSKI; DOBS, 2003) Sua dosagem é de 100 a 300 mg por dia. (DEMPSEY, 2002) É utilizado principalmente pelo fato de tornar o tratamento com o estrogênioainda mais eficaz, pois assim irá oferecer maior feminização, diminuindo os efeitosmasculinizantes que o paciente apresenta. (SOUSA, 2011)
  28. 28. 27 Os principais efeitos adversos apresentados pelo uso de medicamentosantiandrogênio é a hiperpotassemia e o aumento de pêlos corporais. (PINHEIRO,2008) Seu mecanismo de ação resulta da inibição da produção de testosterona e dainterferência na ação androgênica. (LATRÔNICO, 1999)8.2 PROGESTERONA O uso da progesterona na Terapia MTF induz o crescimento da mamaavançado, diminuem a irritabilidade e sensibilidade da mama. Há risco de causardoença coronariana, acidente vascular cerebral (AVC) e embolia pulmonar, quandoassociado ao estrogênio. (MOORE; WISNIEWSKI; DOBS, 2003) O fármaco utilizado desta classe é o medroxiprogesterona, que deve serusado em doses de 5 a 10 mg por dia. (DEMPSEY, 2002)8.3 ESTROGÊNIO O estrogênio é um hormônio feminino, e é o mais importante hormônio natransição de masculino para feminino. Os mais utilizados são os estrógenos orais,pelo custo e também por fornecerem resultados satisfatórios. (DEMPSEY, 2002) A dose utilizada de estrogênio para o tratamento de transexuais é de duas átrês vezes maior do que a dose que é recomendada para a reposição hormonal emmulheres na pós-menopausa. (MOORE; WISNIEWSKI; DOBS, 2003) A dosagem inicial é de basicamente de 6 a 8 mg por dia, e é consideravel queseja utilizado cerca de 100 mg de aspirina, como coadjuvante, pelo fato de que oestrogênio é um potente causador de coágulos de sangue. Os principais fármacosdesta classe utilizados nesta terapia são o estradiol e o estradiol valerate. Porém adosagem recomendada pode ser ajustada de acordo com o nível de testosteronaque o paciente apresenta. (DEMPSEY, 2002) (SOUSA, 2011) A terapia realizada com esteroides causam efeitos adversos reais eaparentes. O principal e mais preocupante efeito, é o aumento de casos de
  29. 29. 28tromboembolismo venoso que já foram relatados. Outro fenômeno comum é oaumento dos níveis de prolactina, que podem ser ocasionados devido à associaçãode um crescimento acelerado de prolactinomas. (MOORE; WISNIEWSKI; DOBS,2003) Os prolactinomas são tumores encontrados na hipófise, e é um grandeprodutor de prolactina. (GILLAM et al, 2006) O tromboembolismo provavelmente está relacionado com um efeito negativoque os hormônios esteroides fazem sobre os inibidores de coagulação.(MERIGGIOLA et al, 2010)
  30. 30. 299 CIRURGIA EM MTF As cirurgias de transgenitalização começaram em 1970, quando se descobriuque seria possível utilizar tecidos do pênis e da bolsa escrotal para configurar umagenitália externa feminina. (FRANCO et al, 2010) O primeiro paciente submetido à intervenção cirúrgica para mudança de sexofoi o ex-combatente norte-americano George Jorgensen. Em 1952, ele fora operado,em Copenhague, pelo cirurgião plástico Paul Fogh-Andersen, adotando o nome deChristine Jorgensen. (CARDOSO, 2000) No Brasil, a primeira cirurgia de transgenitalização foi realizada em 1971, como transexual Waldir Nogueira e foi realizado pelo cirurgião Roberto Farina. Geroumuita polêmica. Naquela época, o procedimento ainda não era reconhecido pelosórgãos representativos da medicina brasileira. Houve forte repercussão, por causado tabu e preconceito envolvidos na questão. (MILITÃO, 2011) A cirurgia é a parte mais importante no tratamento do transexualidade, poisadapta morfologicamente a genital ao sexo com o qual o paciente se identifica.(ARÁN; MURTA; LIONÇO, 2009) De acordo com Cardoso (2000) a utilização da cirurgia tem como objetivoadaptar a realidade do transexual, harmonizando-o com o sexo psíquico oupsicossocial. Vieira (1998) diz ainda, que é objetivo da cirurgia, melhorar a saúde dopaciente, beneficiando-o e facilitando sua sociabilidade. Não há dados que indiquemdanos ao corpo dos pacientes operados. A cirurgia de troca de sexo não é apenas pelo fato do indivíduo querer mudarde sexo, mas é uma forma de adequação. Por mais que seja um procedimentoirreversível, o indivíduo se sente bem, pois somente assim entrará em concordânciacom seu verdadeiro sexo. (VIEIRA, 2000b) A cirurgia não muda o sexo do indivíduo, ela apenas muda a genitália domesmo, adequando-a ao sexo psicológico da pessoa. O que ocorre então naverdade, é a adequação do sexo, colocando em evidência o verdadeiro sexo, que éo sexo psicológico. (VIEIRA, 1998) O processo de mudança de sexo envolve tratamento psicoterapêutico,decisão junto à família, e laudos psiquiátricos que comprovem a presença daanomalia, bem como a garantia de que a cirurgia é adequada ao paciente e só pode
  31. 31. 30ser realizada em hospitais escolas, pois é experimental e segue protocolos.(MILITÃO, 2011) O procedimento cirúrgico que altera a genitália masculina para feminina éfacilmente feita, além disso, pode ser realizada em apenas um tempo cirúrgico, aocontrário da cirurgia feminina para masculino. A uretra é amputada. O escroto éutilizado na construção da vagina. Grande quantidade de tecido remanescente apóso esvaziamento peniano e escrotal oferece excelentes condições para a construçãoda vagina e vulva, como pode ser visto nas figuras 2A e 2B. (FRANCO et al, 2010;ESCARELLI et al, 2002) As cirurgias utilizadas em MTF são a vaginoplastia, clitoroplastia elabioplastia. Além disso, caso o tratamento com estrógeno não tiver obtido um ótimoresultado mamário, o paciente pode ainda recorrer á cirurgia plástica das glândulasmamárias, como a colocação de próteses de silicone. (WAAL; COHEN-KETTENIS,2006) Além da cirurgia de troca de sexo, alguns outros procedimentos cirúrgicospodem ser necessários, como a rinoplastia para obter uma face mais feminina e umafonocirurgia para afinar a voz. (ATHAYDE, 2001) Hoje, no Brasil, de forma legalizada, existem apenas quatro centrosuniversitários que são autorizados a realizar estas cirurgias, ainda pelo fato de que,estas cirurgias são complexas e incluem riscos. Os centros universitários selocalizam em São Paulo, Porto Alegre, Goiás e Rio de Janeiro. Em São Paulo, estecentro está localizado em São José do Rio Preto, onde as cirurgias são realizadaspelo Dr. Cury. (ARANDA, 2010) No Brasil, a Resolução 1.482/97 autorizava, a título experimental, a realizaçãode cirurgia de transgenitalização para o tratamento de casos de transexualismo.Entretanto, em 2002, a primeira resolução foi revogada pela Resolução 1.652, umavez que haviam sido obtidos ótimos resultados com a neocolpo-vulvoplastias ou osdemais procedimentos complementares, que são realizados em MTF. Essa novaresolução permitia que a prática desta cirurgia pudesse ser feita em hospitaispúblicos e privados. (MOTTA, 2009) (ARÁN; MURTA; LIONÇO, 2009) Mas foi somente no ano de 2008, que o Ministério da Saúde, através daPortaria n° 1.707 dispôs que a cirurgia para mudança de sexo faria parte da lista deprocedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Estudos mostram que o número
  32. 32. 31de cirurgias no Brasil aumentou muito nos últimos anos, devido a possibilidade dacirurgia ser oferecida pelo SUS. (MILITÃO, 2011) De acordo com a Lei, somente pacientes com mais de 21 anos de idadepodem realizar o procedimento, e que no pré-operatório, o mesmo deve ficar emacompanhamento e avaliação por um período de 2 anos, por uma equipe constituídapor psiquiatras, cirurgiões, endocrionologistas, psicólogos e assistentes sociais.(MOTTA, 2009) Para o cirurgião plástico, o resultado da cirurgia não é a obtenção do prazer,mas sim o efeito estético que deverá ser semelhante ao sexo almejado. O prazer dopaciente será resultante de uma somatória de fatores físicos e psíquicos. Contudo, anova genitália deve permitir ao paciente a realização normal de atividade sexual.(VIEIRA, 1998)
  33. 33. 32 A BFigura 4A: Pré-operatório MTFFigura 4B: Pós-operatório de 8 anos MTFFonte: Transgenitalização masculino / feminino: experiência do HospitalUniversitário da UFRJ
  34. 34. 3310 MUDANÇA DE NOME O nome é o símbolo que manifesta a imagem da pessoa em comunidade. Éportanto, direito de personalidade, e deve estar de acordo com sua integridadefísica, psíquica e intelectual. Somente com a adaptação de se nome e sexo, e que otransexual poderá executar seus direitos civis e sua autonomia privada igualmente aqualquer outra pessoa. (RAMOS, 2011) A mudança de nome e de gênero no Registro Civil deve ser a última etaparealizada por um transexual. Neste momento, o paciente terá que recorrer aoJudiciário. (VIEIRA, 2000b) Anteriormente, a Justiça negava a retificação do registro civil, e quandoaceitava fazia a exigência de que fosse colocado no sexo o termo transexual, masisso causava uma situação de constrangimento vivida pelos indivíduos. Somente em2009, é que o Superior Tribunal de Justiça passou a permitir a alteração do prenomee do gênero. (ROCHA, 2012) Após a realização da cirurgia, o transexual se depara com sua novaidentificação social de sexo, porém com documentos do sexo oposto. Isso lhe causauma enorme incompatibilidade, na qual seu nome e seu gênero documentado, nãose referem a sua constituição física. (RAMOS, 2011) Contudo, deve-se lembrar, de que somente os casos comprovadosclinicamente de transexualidade poderão recorrer á adequação do Registro Civil.Hoje, diversos transexuais, já conseguiram em Juízo a adequação dadocumentação, no qual foi realizada a troca do prenome e do sexo. (VIEIRA, 2000b) Roberta Close, a mais famosa transexual do Brasil só conseguiu a retificaçãode seu nome, após anos. Ao final da decisão, a Juíza ressaltou: “Somente os casoscomprovados clinicamente de transexualidade poderão ser objeto de conhecimentopela esfera judicial, que decidirá, neste ou naquele sentido, de acordo com a provados autos e conhecimento formado no caso”. (VIEIRA, 1998) Em maio de 2012, o governador do estado do Rio Grande do Sul, TarsoGenro, deu o direito à carteira de nome social aos travestis e transexuais por meiode um decreto, tornando o Rio Grande do Sul o primeiro Estado a possuir taldocumento que, até então, tinha validade apenas em território gaúcho.
  35. 35. 34 Em seguida, em novembro de 2012, foi a vez do estado do Pará a oferecer oRG social.O Conselho Estadual de Segurança Pública (Consep) aprovou porunanimidade, em reunião ordinária, o projeto para implantação da Carteira deIdentidade Social para Travestis e Homossexuais no Estado do Pará.
  36. 36. 3511 A DIFERENÇA ENTRE HOMOSSEXUAL, TRAVESTI E TRANSEXUAL O transexual não pode ser confundido com o homossexual ou travesti, pordefinição e por agirem de formas diferentes. Principalmente no setorjurídico/psicológico, este engano não pode ocorrer, pois somente é liberada a trocado prenome para indivíduos que realmente sejam diagnosticados como transexuais,não é permitido á homossexuais e travestis. O homossexual aceita sua genitáliamorfológica. O indivíduo não rejeita seu fenótipo, apenas sente atração por pessoasdo mesmo sexo. O travesti, não possui rejeição pelos seus órgãos sexuais, apesarde possuírem atitudes como se fossem do sexo oposto. O transexual possui um altograu de insatisfação com seu estereótipo, pois não aceita o sexo que lhe foi dadopela natureza. O indivíduo considera que está em um corpo errado. (RAMOS, 2011) Devido ao preconceito da sociedade, o transexual é confundido com ohomossexual. A sociedade não enxerga o transexualidade como um distúrbiogenético, e sim como uma opção sexual. (MILITÃO, 2011) O homossexual se sente adequado quanto á determinação do seu sexo, seveste normalmente, e não aceita ser confundido com o sexo oposto. Contudo, ohomossexual sente atração por outra pessoa que seja do mesmo sexo que o seu.Ao contrário do transexual, o homossexual não repudia o seu sexo anatômico, aocontrário, utiliza-o como forma de sentir prazer. O travesti faz uso de roupas do sexooposto por fetiche, não repudiando sua identidade de gênero. (CARDOSO, 2000) O indivíduo homossexual não precisam possuir conflitos oriundos de suacondição. O travestismo se verifica em indivíduos que sentem prazer em se vestircom trajes típicos do sexo oposto. É definido como uma série de fenômenoscomplexos que podem ser praticados como um ritual masturbatório associado àexcitação erótica. O transexualismo é definido como um desejo de viver e ser aceitoenquanto pessoa do sexo oposto. É caracterizado como transtorno de identidade degênero. (BERGESCH e CHEMIN, 2009)
  37. 37. 3612 CONCLUSÃO De acordo com o estudo realizado, foi possível concluir que o transtorno deidentidade de gênero é uma doença de origem múltipla, e não somente umtranstorno de identidade. Esta doença é caracterizada por distúrbio do hipotálamo. Os fármacos utilizados na terapia MTF, são principalmente das classesantiandrogênios, progesterona e estrogênios, e estes são utilizados no intuito dopaciente conseguir obter traços femininos, e perder os masculinos. É um tratamentode risco, pois a indução de hormônios causa efeitos adversos graves, comoprincipalmente AVC, embolia pulmonar e o aparecimento de prolactinomas. Assim como toda doença, o transexualidade necessita de um tratamento, enão tem o apoio dos profissionais da saúde. E é neste aspecto, que o farmacêuticodeve estar presente, pois é o momento que o transexual pode começar a praticar aautomedicação com os fármacos utilizados no tratamento hormonal. De fato, a cirurgia é o passo mais avançado para que o paciente chegue aosexo oposto, porém é um processo de difícil acesso, pois mesmo com o apoio doMinistério da Saúde que liberou a cirurgia para o SUS, pode-se constatar que aindafalta a devida atenção a esses casos, já que são poucos os estudos direcionados aeste tipo de tratamento. A demanda por pessoas que desejam a cirurgia é alta, e porisso, deveriam existir mais centros, que oferecessem este tipo de cirurgia.
  38. 38. 37 REFERÊNCIASARÁN, M. Transexualismo e cirurgia de transgenitalização:Biopoder/Biopotência. v. 39. Brasília: Série Anis, 2005. Disponível em:<http://www.anis.org.br/serie/artigos/sa39(aran)transexualismo.pdf>. Acesso em: 22out. 2012.ÁRAN, M; MURTA, D. Assistência a transexuais na rede de saúde pública noBrasil. Rio de Janeiro: CNPQ, 2006.ARÁN, M; MURTA, D; LIONÇO, T. Transexualidade e saúde pública no Brasil. v.14. [S.l]: Ciência & Saúde Coletiva, 2009. p. 1141-1149. Disponível em:<http://www.scielosp.org/pdf/csc/v14n4/a15v14n4.pdf>. Acesso em: 22 out. 2012.ARANDA, F. O Procedimento cirúrgico da transgenitalização. São Paulo: IG,2010. Disponível em: < http://verdadejuridica2.wordpress.com/2010/11/30/o-procedimento-cirurgico-da-transgenitalizacao/>. Acesso em: 04 nov. 2012.ATHAYDE, A. V. L. Transexualismo Masculino. v. 45. São Paulo: ArquivosBrasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302001000400014&lang=pt>. Acesso em: 04 nov. 2012.BERGESCH, V; CHEMIN, B. F. A Cirurgia de Transgenitalização e aConcretização dos Direitos Fundamentais Constitucionais. [S.l]: RevistaDestaques Acadêmicos, 2009. Disponível em:<http://www.univates.br/files/files/univates/editora/revistas/destaquesacademicos/ano1n2/A_cirurgia_de_transgenitalizacao.pdf>. Acesso em: 04 nov. 2012.BRANDÃO, J. S. Mitologia grega. v.3, 7a ed. Petrópolis: Vozes; 1997.CARDOSO, R. P. Transexualismo e o direito à redesignação do estado sexual.[S.l]: BuscaLegis, 2000. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/31170-34463-1-PB.pdf>.Acesso em: 04 nov. 2012.COSTA, Ronaldo Pamplona. Os onze sexos: as múltiplas faces da sexualidadehumana. São Paulo: Editora Gente, 1994.DEMPSEY, L. Tratamento hormonal para se tornar uma mulher. [S.l]: eHowBrasil, 2002 . Disponível em: < http://www.ehow.com.br/tratamento-hormonal-tornar-mulher-estrategia_5888/>. Acesso em: 03 nov. 2012.DOMENICE, S. et al. Aspectos Moleculares da Determinação e DiferenciaçãoSexual. v. 46. São Paulo: Arquivo Brasileiros de Endocrinologia e Metabolização,2002. P. 433-443. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302002000400015>.Acesso em: 30 out. 2012.
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