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Prescrição e dispensação de antimicrobianos

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Prescrição e dispensação de antimicrobianos

  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS ALEXANDRA MONTEIRO GALVINO ELISANGELA FERREIRA SANTOS LUCIANE BALDISSERA MÁRCIA BASILIO TAMBURU RANDOPRESCRIÇÃO E DISPENSAÇÃO DE ANTIMICROBIANOS NA CIDADE DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS 2012
  2. 2. ALEXANDRA MONTEIRO GALVINO ELISANGELA FERREIRA SANTOS LUCIANE BALDISSERA MÁRCIA BASILIO TAMBURU RANDOPRESCRIÇÃO E DISPENSAÇÃO DE ANTIMICROBIANOS NA CIDADE DE FERNANDÓPOLIS Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia, da Fundação Educacional de Fernandópolis, como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em Farmácia. Orientador: Prof. MSc. Roney Eduardo Zaparoli FERNANDÓPOLIS – SP 2012
  3. 3. ALEXANDRA MONTEIRO GALVINO ELISÂNGELA FERREIRA SANTOS LUCIANE BALDISSERA MÁRCIA BASILIO TAMBURU RANDO PRESCRIÇÃO E DISPENSAÇÃO DE ANTIMICROBIANOS NA CIDADE DE FERNANDÓPOLIS Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Farmácia. Aprovado em: __ de novembro de 20__. Banca examinadora Assinatura ConceitoProf. MSc. Roney Eduardo Zaparoli(orientador)Prof. MSc. Ocimar de Castro(Avaliador 1)Prof. MSc. Reges Evandro TeruelBarreto(Avaliadora 2) Prof. MSc. Roney Eduardo Zaparoli Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, poissem ele, nada seria possível, e nossos sonhos nãoseriam concretizados.E também às pessoas mais importantes de nossasvidas: nossos pais, irmãos, esposos e namorados,que confiaram no nosso potencial para estaconquista. Não conquistaríamos nada se nãoestivessem ao nosso lado. Obrigadas, por estaremsempre presentes em todos os momentos, dando-nos carinho, apoio, incentivo, determinação, fé, eprincipalmente, o Amor de vocês.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por ter-me dado força nessa batalhavencida. A meu esposo, pela compreensão da minha ausência. Aos meus pais, que lutaram e vibraram pela minha vitória. Em especial, ao meu filho que, junto comigo, sofreu nesta reta final. ALEXANDRA MONTEIRO GALVINO
  6. 6. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, pois sem ele nada seria possível, por ter-me dadoforça e fé para enfrentar as dificuldades encontradas no decorrer do caminho. Em especial, a meus pais que, mesmo distantes, sempre acreditaram que euseria capaz, dando-me apoio para nunca desistir. Ao meu esposo Helder, muito obrigada, porque sem ele já teria fraquejado;pessoa que amo muito, pois ao seu lado percebi que sou capaz de lutar e vencer. A minha amada e querida irmã Vânia, às vezes que chorei com medo de nãoconseguir, ela sempre me acolheu e mostrou que não era tão difícil assim. Por último, aos meus sogros, Oseias e Eliane, com quem aprendi muitascoisas, uma delas é que a dificuldade vem para nos mostrar como a vida é bonitadepois da tempestade. ELISANGELA DA SILVA FERREIRA DOS SANTOS
  7. 7. AGRADECIMENTOS Acima de tudo a Deus, o centro e o fundamento de tudo em minha vida, porter-me concedido força e discernimento ao longo dessa jornada. De maneira especial, aos meus pais, que me deram tanto carinho e coragem,apoiando-me sempre nos momentos de dificuldades. Pela confiança e pelo amorque me fortalecem todos os dias. Ao meu irmão, cunhada e sobrinho, pelo apoio e por terem acreditado emmim. Ao meu namorado, por estar sempre ao meu lado, pelo carinho, por ter-meaturado nos momentos de estresse e pelo apoio nos momentos difíceis. Também aos professores, pela paciência e ensinamentos que me conduziramaté aqui. LUCIANE BALDISSERA
  8. 8. AGRADECIMENTO A Deus, Senhor da minha vida, pelo seu imenso amor e presença constanteem toda a minha caminhada. A minha mãe, mulher esplêndida, meu exemplo de vida, que me incentivou esempre confiou na minha capacidade de superar obstáculos e vencer. Ao meu esposo Fabrício, pelo amor, carinho, companheirismo e apoioincondicional, principalmente durante os momentos de maior trabalho, dificuldades eausências. Aos professores, pela orientação, empenho, diálogo e amizade. MARCIA BASLIO TAMBURU RANDO
  9. 9. Eu sei como ele conseguiu.Todos perguntaram: - Pode nos dizer como?- É simples, respondeu Einstein.- Não havia ninguém ao seu redor, para lhedizer que não seria capaz. Albert Einstein
  10. 10. RESUMO A descoberta da penicilina por Alexander Fleming, em 1928, foi um dosacontecimentos mais marcantes da história da ciência, da medicina e da farmácia doséculo XX. Devido ao crescimento alarmante da resistência em todo o mundo, aOMS decidiu, em 2011, chamar a atenção para o avanço da resistência microbiana.As estratégias de combate ao crescimento da resistência bacteriana devem ser cen-tradas nas pessoas, começando pela vigilância epidemiológica da suscetibilidadebacteriana, pela adoção de boas práticas clínicas e de dispensação, pelo usoracional e, principalmente, pela sensibilização da população para o problema. Aprescrição desses fármacos deve ocorrer apenas após cuidadosa revisão da relaçãocusto-benefício. Diante disso, foi decretada a resolução n°20/11, que dispõe sobre ocontrole de medicamentos à base de antimicrobianos, na tentativa de diminuir o usoirracional de antimicrobianos. O presente estudo objetivou verificar o perfil daprescrição e dispensação de medicamentos antimicrobianos na cidade deFernandópolis, de acordo com a dispensação de medicamentos genéricos, similarese referências. Para a realização desse estudo foi aplicado um questionário contendoquestões importantes para investigar o conhecimento dos prescritores efarmacêuticos na cidade de Fernandópolis, no período de 10 à 20 de outubro de2012, o questionário foi deixado nos consultórios de médicos e dentistas da cidadede Fernandópolis, e recolhido após dois dias. Os profissionais foram questionadossobre como é sua atuação na prescrição e dispensação de antimicrobiano e como épromovido o uso racional desses medicamentos. Os resultados desse estudomostraram que falta orientação aos prescritores em relação ao medicamentogenérico, uma vez que 60% relataram prescrever medicamentos de referência,baseados na eficácia e segurança que eles fornecem, embora apenas 16%relatarem não ter presenciado problemas relacionados ao uso dos medicamentosgenéricos, já que acreditam no medicamento genérico, embora não confiem osuficiente para prescrevê-los; também foi observado que mesmo os profissionaisentrevistados relatarem promover o uso racional de medicamentos, 72 % dosentrevistados ainda não tem o hábito de realizar TSA antes da prescrição doantimicrobiano, evidenciando assim a falta de conscientização sobre a resistênciamicrobiana, bem como a falta de orientação ao usuário de medicamentos sobre ouso racional de antimicrobianos, já que mesmo os profissionais afirmarem querealizam à atenção farmacêutica, 16 % dos entrevistados ainda admitiram dispensaro medicamento sem a prescrição médica, fato este que colabora ainda mais para oaumento da resistência microbiana. De acordo com a pesquisa realizada tambémficou evidente que é realizada a intercambialidade do medicamento referência, umavez que 89% dos entrevistados afirmaram fazer a troca do medicamento referênciapelo medicamento genérico, sendo levado em conta na hora da escolha domedicamento a sua eficácia , em 63% das situações e o custo, em 43% dassituações.Palavras-chave: Antimicrobiano. Uso racional de medicamentos. Prescrição.Dispensação. Medicamento genérico.
  11. 11. ABSTRACTThe discovery of penicillin by Alexander Fleming in 1928 was one of the mostremarkable events in the history of science, medicine and pharmacy of the twentiethcentury. Due to the alarming growth of resistance worldwide, WHO decided in 2011to draw attention to the advancement of microbial resistance. Strategies to combatthe growth of bacterial resistance should be centered in people, starting withepidemiological surveillance of bacterial susceptibility by adotion of good clinicalpractice and dispensation, and the rational use mainly by raising public awareness tothe problem. The prescription of these drugs should occur only after careful review ofcost-benefit. Before that, he was decreed to Resolution No. 20/11, which provides forthe control of antimicrobial drugs based on in an attempt to decrease the irrationaluse of antimicrobials. The present study aimed to investigate the profile ofprescription and dispensation of antimicrobials in the city of Fernandópolis, accordingto the dispensation of generic drugs, and similar references. To conduct this studywas a questionnaire containing questions relevant to investigate the knowledge ofprescribers and pharmacists in the city of Fernandópolis, from 10 to 20 October2012, the questionnaire was left in the offices of doctors and dentists in the city ofFernandópolis and collected after two days. The professionals were asked about howtheir actions in prescribing and dispensing of antimicrobial and is promoted as therational use of these medications. The results of this study showed that lackguidance to prescribers in relation to generic medicine, since 60% reportedprescribing reference drugs based on efficacy and safety they provide, while only16% reporting having seen no problems related to the use of medicines generic,since they believe in generic drug, while not trust enough to prescribe them, it wasalso observed that even the respondents reporting promote rational use ofmedicines, 72% of respondents do not have the habit of TSA before prescribing theantimicrobial, thus underlining the lack of awareness about antimicrobial resistanceand the lack of guidance to the user of drugs on the rational use of antimicrobials, aseven professionals assert that perform to pharmaceutical care, 16% of respondentsstill admitted dispense the drug without a prescription, a fact that contributes furtherto increased microbial resistance. According to the survey was also evident thatinterchangeability is held drug reference, since 89% of respondents said they makethe switch from the reference drug generic drug, being taken into account whenchoosing the drug to be effective, in 63% of cases and cost in 43% of situations.Keywords: Antimicrobial. Rational use of medicines. Prescription. Dispensation.Generic drug.
  12. 12. LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 Tipo de antimicrobiano mais prescrito na cidade de Fernandópolis 42Gráfico 2 O que é levado em consideração na escolha do antimicrobiano a ser prescrito? 43Gráfico 3 Já teve complicações ao prescrever antimicrobianos genéricos? 44Gráfico 4 O antimicrobiano de referência possui a mesma eficácia em relação ao medicamento genérico? 45Gráfico 5 Orientação sobre o uso racional de antimicrobiano 46Gráfico 6 Realização de TSA antes da prescrição do antimicrobiano 47Gráfico 7 Qual o tipo de antimicrobiano mais dispensado nas drogarias da cidade de Fernandópolis 48Gráfico 8 Sobre a prática de intercambialidade de antimicrobianos 49Gráfico 9 A intercambialidade é realizada por qual tipo de medicamento? 49Gráfico 10 O que é levado em consideração quando é feita a intercambialidade de medicamentos? 50Gráfico 11 Realização da atenção farmacêutica 51Gráfico 12 Orientação sobre o uso racional de medicamentos 52Gráfico 13 Conhecimento dos farmacêuticos sobre a legislação vigente 53Gráfico 14 Opinião dos farmacêuticos sobre a legislação vigente 54Gráfico 15 A dispensação de antimicrobianos é feita somente com prescrição. 55
  13. 13. LISTA DE FIGURASFigura 1 Linha do tempo da terapia antimicrobiana 20Figura 2 Relação entre fármaco, microrganismo e paciente 25
  14. 14. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASANVISA Agência Nacional de Vigilância SanitáriaBPC Boas práticas clínicaBPFC Boas práticas de fabricação e controle de qualidadeBPL Boas práticas de laboratórioCFF Conselho Federal de FarmáciaDCI Denominação comum internacionalDCM Denominação comum brasileiraDNA Ácido desoxirribonucleicoFDA Food and Drugs AdministrationMG Minas GeraisMRSA Staphylococcus aureus resistentes à meticilinaMS Ministério da SaúdeOMS Organização Mundial da SaúdeOPAS Organização Pan-Americana de SaúdePABA Ácido para-aminobenzoicoPLP Proteínas ligadoras de penicilinaRDC Resolução da Diretoria ColegiadaRNA Ácido ribonucleicoRS Rio Grande do SulSC Santa CatarinaSINITOX Sistema nacional de informações tóxico-farmacológicasTSA AntibiogramaWHO World Health Organization
  15. 15. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ............................................................................................... 161 A HISTÓRIA E O SURGIMENTO DOS ANTIMICROBIANOS .................... 181.1 Antibióticos, quimioterápicos e antimicrobianos: a nomenclatura esua história.................................................................................................... 211.2 Resistência microbiana .......................................................................... 221.3 Uso racional de antimicrobianos........................................................... 241.4 Bioequivalência e biodisponibilidade farmacêutica ............................ 261.5 Classificação dos antimicrobianos ....................................................... 29 1.5.1 Classes farmacológicas dos antimicrobianos .............................. 291.6 Beta-lactâmicos ...................................................................................... 301.8 Tetraciclinas e anfenicóis ...................................................................... 31 1.8.1 Tetraciclinas ................................................................................ 32 1.8.2 Cloranfenicol ............................................................................... 321.9 Quinolonas .............................................................................................. 321.10 Glicopeptídios ....................................................................................... 331.11 Nitroimidazólicos .................................................................................. 341.12 Oxazolidinonas ..................................................................................... 351.13 Macrolídeos ........................................................................................... 351.14 Sulfonamidas ........................................................................................ 361.15 Lincosaminas ........................................................................................ 371.16 Polipeptídeos ........................................................................................ 371.17 Polimixinas ............................................................................................ 38 1.17.1 Gramicidina ............................................................................... 38 1.17.2 Rifamicina.................................................................................. 382 OBJETIVOS ................................................................................................ 392.1 Objetivo geral .......................................................................................... 392.2 Objetivos específicos ............................................................................. 39
  16. 16. 3 MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................................... 40 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................. 41 4.1 Respostas dos prescritores. .................................................................. 41 4.2 Respostas dos dispensadores (Farmacêuticos)................................. 47 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 55 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 58 APÊNDICE A - QUESTIONÁRIOS ............................................................... 65 INTRODUÇÃO A humanidade sempre foi vítima de pandemias de cólera, peste, gripe, febretifoide, tuberculose e outras doenças infecciosas ao longo da história, doenças que,muitas vezes, se tornavam as principais causas de óbito. Patologias como infecçãoe ouvido, pele e garganta, frequentemente, resultavam em surdez, morte ousequelas devido às complicações, diante disso surgiram os antimicrobianos, que sãouma classe de fármacos consumida frequentemente e que podem ser obtidosatravés de compostos naturais e sintéticos, e são capazes de impedir o crescimento(bacteriostáticos) ou causar a morte de bactérias (bactericidas) (BRASIL, 2007;OMS, 2012). Os antimicrobianos são uma classe de fármacos consumida frequentemente.Tais fármacos podem ser obtidos através de compostos naturais e sintéticos,capazes de impedir o crescimento (bacteriostáticos) ou causar a morte de bactérias(bactericidas) (BRASIL, 2007). . A descoberta da penicilina abriu o caminho para novos investimentoscientíficos e, com isso, houve o surgimento de novos antimicrobianos. Mesmo com o surgimento de vacinas e antimicrobianos eficazes, os micro-organismos continuam ganhando a batalha na guerra contra as infecções. Essesainda acarretam expressiva morbimortalidade, especialmente em países emdesenvolvimento. Um dos principais motivos para essa situação é o crescimento daresistência microbiana, que tende a aumentar com o uso indiscriminado deantibióticos. Trata-se de um problema que afeta a saúde individual e coletiva e traz
  17. 17. 17grande preocupação a todos os profissionais envolvidos na assistência à saúde(WHANNMACHER, 2004). Devido ao crescimento alarmante da resistência em todo o mundo, a OMSdecidiu, em 2011, chamar a atenção para o avanço da resistência microbiana. Coma campanha “Sem ação hoje, não há cura amanhã”, convocou governos,formuladores de planejamento e de políticas de saúde, autoridades sanitárias,prescritores, farmacêuticos, representantes da indústria de medicamentos, pacientese o público em geral para pensar sobre o combate à resistência antimicrobiana, aassumir sua responsabilidade, a agir e desenvolver práticas para prevenir e conter asituação (MOGATO; DEY, 2012). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, em 28 deoutubro de 2010, no Diário Oficial da União, a Resolução RDC nº 44, de 26 deoutubro de 2010, em que determinou o controle de medicamentos à base desubstâncias classificadas como antimicrobianos. Essa norma, posteriormente, foisubstituída pela RDC n° 20 de 05/05/11, que dispõe sobre o controle demedicamentos à base de substâncias classificadas como antimicrobianos, de usosob prescrição, isolado ou em associações. Para que essa medida tenha sucesso, épreciso que todos os profissionais de saúde responsáveis por esse processoestejam envolvidos. É necessário estabelecer não apenas mecanismos de controle,mas também disponibilizar informações adequadas para a sociedade e osprofissionais de saúde (WHANNMACHER, 2004). O objetivo deste trabalho foi verificar o perfil da prescrição e dispensação deantimicrobianos de acordo com a dispensação de medicamentos genéricos, similar ereferência, como é, e se é realizada a intercambialidade dos medicamentosgenéricos, similar e de referência e a atenção farmacêutica; como é promovido usoracional de antimicrobianos. Também foi verificado o conhecimento e aceitação dalegislação vigente pelos profissionais de saúde diante da resolução n. 20/11, quedispõe sobe o controle da dispensação de medicamentos à base de antimicrobianos.Para isso, foi aplicado um questionário contendo questões importantes parainvestigar o conhecimento dos prescritores e farmacêuticos da cidade deFernandópolis, no período de 10 à 20 de outubro de 2012, o questionário foi deixadonos consultórios de médicos e dentistas da cidade de Fernandópolis, e recolhidoapós dois dias e este continha questões sobre a atuação desses profissionais naprescrição e dispensação de antimicrobiano.
  18. 18. 181 A HISTÓRIA E O SURGIMENTO DOS ANTIMICROBIANOS Os antimicrobianos foram, inicialmente, definidos como substânciasquímicas produzidas por várias espécies de microrganismos, vegetais e animais,que impedem o crescimento de outros. A síntese de antibióticos de origemsemissintética e sintética, porém, foi beneficiada pelo desenvolvimento da indústriafarmacêutica. Os antimicrobianos diferem entre si quanto às propriedades químicas,seus espectros e mecanismos e ação e são classificados quimicamente como:derivados de aminoácidos, açúcares, acetatos, propionatos entre outros (TAVARES,1990). Os antimicrobianos são uma classe de fármacos utilizados frequentementeem hospitais e na comunidade. Essa classe de fármacos são os únicos agentesfarmacológicos que não afetam somente aos pacientes que fazem o uso dessesmedicamentos, mas também interferem, de forma significativa, o ambiente hospitalarpor alteração da ecologia microbiana (BRASIL, 2007). Segundo Guimarães e Momesso (2010), os antimicrobianos são compostosnaturais ou sintéticos capazes de impedir o crescimento ou causar a morte defungos ou bactérias. Podem ser classificados como bactericidas, quando causam amorte, ou bacteriostáticos, quando promovem a inibição do crescimento bacteriano. Em 1910, Paul Ehrlich desenvolveu o primeiro antimicrobiano de origemsintética, o salvarsan, utilizado no tratamento da sífilis. Entretanto, o grande marcono tratamento das infecções bacterianas ocorreu com a descoberta da penicilina, porAlexander Fleming, no final da década de 20. Passariam, porém, mais de dez anospara que a penicilina fosse introduzida como agente terapêutico. Nesse período,Gerhard Domagk verificou que o corante vermelho prontosil apresentava atividade invivo contra infecções causadas por espécies de Streptococcus. O prontosil (pró-fármaco) originou uma nova classe de antibióticos sintéticos: as sulfas ousulfonamidas, que constituem a primeira classe de agentes efetivos contra infecçõessistêmicas, sendo introduzidas no início dos anos 40. A descoberta da penicilina porAlexander Fleming, em 1928, foi um dos acontecimentos mais marcantes da históriada ciência, da medicina e da farmácia do século XX. Conjugaram-se a inovaçãocientífica com os benefícios em saúde pública e, consequentemente, os ganhos no
  19. 19. 19plano da economia civilizacional podem afirmar que a descoberta da penicilina foiconquista mais relevante da história do século XX; assim, não foi mais um fármaconovo nem mais um acontecimento científico isolado (PEREIRA, 2005). A descoberta da penicilina abriu o caminho para novos investimentoscientíficos e o domínio da antibioticoterapia e, com isso, surgiram novos antibióticos.Entre 1940 e 1960, vários antibióticos foram descobertos pela triagem de produtosnaturais microbianos, sendo a maioria deles eficazes para tratamento de bactériasgram-positivas: beta-lactâmicos (cefalosporina), aminoglicosídeos (estreptomicina),tetraciclina (clortetraciclina), macrolídeos (eritromicina), peptídeos (vancomicina) eoutros (cloranfenicol, rifamicina B, clindamicina e polimixina B). Nesse período,apenas três derivados sintéticos foram introduzidos no mercado: isoniazida,trimetoprima e metronidazol (GUIMARAES; MOMESSO, 2010; PEREIRA, 2005). Entre 1960 e 1980, foram lançados no mercado antibióticos semi-sintéticoseficazes para o tratamento de bactérias gram-positivas e gram-negativas,semelhantes aos antibióticos naturais já existentes. A maioria desses fármacos foiobtida a partir de protótipos naturais antimicrobianos, como derivados beta-lactâmicos (análogos à penicilina e cefalosporina, ácido clavulânico, azetreonam),análogos à tetraciclina, derivados aminoglicosídicos (gentamicina, tobramicina,amicacina) (FERNANDES, 2006). Entre 1980 e 2000, as principais ferramentas utilizadas para a busca denovos antibióticos foram a genômica e as triagens de coleções de compostos.Houve, porém, uma redução significativa na identificação de novos protótiposantimicrobianos, ao mesmo tempo em que ocorreu um aumento na incidência daresistência bacteriana. Esse período foi marcado pela modificação do mercado deantimicrobianos e pela introdução da classe das fluoroquinolonas sintéticas nametade dos anos 80, desenvolvidas a partir do ácido nalidixico. Algunsantimicrobianos baseados em protótipos naturais, como imipenem (derivado beta-lactâmico) e análogos à eritromicina (derivado macrolídeo), também foram lançadosno mercado no mesmo período (GUIMARAES; MOMESSO, 2010). Com o processo de obtenção de novas penicilinas, como a meticilina e aoxacilina, foi gerado um período de intervalo, e as indústrias farmacêuticasinvestiram em outras classes de medicamentos mais lucrativos. Isso fez com quesurgissem bactérias multirresistentes, impulsionando as indústrias farmacêuticas arealizarem novas pesquisas com antimicrobiano. Esses estímulos vêm da grande
  20. 20. 20necessidade da descoberta de novos fármacos para o tratamento de infecçõescausadas por cepas multirresistentes (FERREIRA, 2011). Assim, a produção de antimicrobianos sintetizados em laboratório, incluindofármacos como as oxazolidinonas (ex.: linezolide) e os lipopeptídeos (ex.:daptomicina) tem sido estimulada, possibilitando o tratamento de infecçõescausadas pelas chamadas superbactérias (FERREIRA, 2011). Peças fundamentais da vida moderna, os antibióticos são responsáveis peloaumento da expectativa e melhora na qualidade de vida da população mundial. Ao mesmo tempo, porém, eles trazem o risco à resistência bacteriana.Figura 1 Linha do tempo da terapêutica antimicrobiana.Fonte: Fiol, 2004.
  21. 21. 211.1 Antibióticos, quimioterápicos e antimicrobianos: a nomenclatura e sua história A nomenclatura permite a utilização de diversos termos para a nomeaçãodos medicamentos utilizados no combate às infecções causadas pormicrorganismos. Comumente são empregados nomes como “antibióticos”,“quimioterápicos” e “antimicrobianos”, cabendo uma breve reflexão sobre suaorigem. As expressões antimicrobianas e anti-infecciosas denotam todas as drogasusadas contra agentes infecciosos (SILVA, 2006). No início do século XX, Paul Ehrlich designou o termo “quimioterapia” paradescrever o uso de substâncias químicas sintéticas utilizadas na destruição deagentes infecciosos. Frequentemente, o termo quimioterapia tem sido usado em umsentido mais amplo, designando a utilização de substâncias química no tratamentode quaisquer doenças, inclusive doenças de origem não infecciosa, tais como asdoenças reumáticas e endócrinas (TAVARES, 2010). Os termos antibiótico e quimioterápico são usados como sinônimos. Devidoa isso, Tavares (1989) recomenda a utilização do termo quimioterapia para autilização sistêmica de substâncias de estrutura química definida, sintetizadas ouextraídas de vegetais, para o combate específico de agentes patogênicos vivos, como mínimo de efeitos tóxicos para o hospedeiro (SILVA, 2006). Modernamente, o termo quimioterapia é empregado também na terapêuticaantineoplásica, baseado na analogia de que as células neoplásicas se comportamcomo um verdadeiro parasita, e os medicamentos utilizados para o controle docâncer possuem ação seletiva contra as células tumorais (RANG et al., 2007). Em 1942, Waksman utilizou a palavra “antibiótico”, dando nomes àssubstâncias elaboradas por bactérias e fungos, capazes de agir como tóxicosseletivos sobre outros microrganismos, em pequenas concentrações. Benedict eLanglyke, em 1947, designaram o termo antibiótico para nomear o compostoquímico derivado de qualquer organismo vivo (seres vivos em geral, tanto plantasquanto animais), ou produzido por ele, capaz de inibir os processos vitais dosmicrorganismos em baixas concentrações (KOROLKOVAS; BURCKHALTER, 1988). Na prática, o termo antibiótico denomina os fármacos de origem natural(incluindo análogos e derivados) produzidos por seres vivos (fungos ou bactérias em
  22. 22. 22sua maioria) e eliminados no meio ambiente. Já o termo quimioterapia tem sidoutilizado como sinônimo de agentes que destroem ou inibem o crescimento dascélulas cancerígenas, devendo ser evitado para referir-se ao tratamento anti-infeccioso. Comumente, opta-se pelo uso do termo “antimicrobiano”, pois representaos fármacos que têm a capacidade de inibir o crescimento ou matar microrganismoscausadores de infecções, podendo ser naturais ou sintéticos (TAVARES, 2010). O quimioterápico ou antibiótico bacteriostático não destrói a bactéria, porém,inibe a sua multiplicação. Com a suspensão desse tipo de droga, a bactéria volta acrescer, portanto seu efeito é reversível. Já os quimioterápicos ou antibióticosbactericidas exercem efeito letal e irreversível sobre as bactérias sensíveis (SILVA,2006).1.2 Resistência microbiana Desde 1970, não foi descoberta qualquer classe de antimicrobiano, contudoa população conta com um arsenal de mais de 150 compostos. O desenvolvimentode novos fármacos pode levar de dez a vinte anos, inclusive para esses seremlançados no mercado, porém, a vida útil de um antimicrobiano pode ser reduzidadevido à resistência microbiana (OMS, 2000). A resistência microbiana não é um fenômeno recente. Desde o início foiencarada como uma curiosidade cientifica, porém, tem-se tornado uma ameaça àeficácia do tratamento terapêutico (OMS, 2001). O aumento da resistência microbiana se dá devido ao abuso, mau uso edistribuição dos antimicrobianos em níveis inferiores aos recomendados em manuaisterapêuticos, bem como às más condições de higiene, fluxo contínuo de viajantes,aumento de pacientes imunocomprometidos e demora no diagnóstico das infecçõesbacterianas (GUIMARÃES; MOMESSO, 2010). O aumento da procura de antimicrobianos por pacientes pode ser resultadoda propaganda que também favorece o desenvolvimento de resistência. Em estudorealizado na Europa em 1977, os médicos citaram pressão dos pacientes como arazão número um para que eles prescrevessem os antibióticos errados. Nos EstadosUnidos, 95% dos médicos entrevistados tinham atendido, nos seis meses anteriores,a média de sete pacientes que pediram medicamentos específicos em razão de
  23. 23. 23publicidade: 70% deles admitiram que houvesse pressão do paciente, forçando-os aprescreverem medicamentos que poderiam ter evitado (OMS, 2001). O período necessário para a ocorrência da resistência microbiana mostra-sesurpreendentemente curto para muitos fármacos, enfatizando a imensa capacidadede adaptação dos micro-organismos a ambientes hostis, artificialmente criados pelohomem. Essas razões deveriam soar como um sinal de alerta para a necessidadede se promover emprego terapêutico mais racional desses insumos; o que temocorrido, na verdade, é exatamente o oposto. Em alguns países, por exemplo,alguns antimicrobianos são utilizados sem receita médica em até dois terços dasocasiões. Mesmo quando formalmente prescritos, sua indicação pode serdesnecessária em ate 50% dos casos (WANNMACHER, 2004; OLIVEIRA, 2005). O consumo desmedido de antimicrobianos não possui uma evidência clara,mas acredita-se que diversos fatores contribuam de forma crucial, tais como aexpectativa do paciente em receber tratamento eficaz, o tempo cada vez mais curtodas consultas médicas devido à demanda elevada e baixa remuneração, o medo delitígio e as pressões da indústria farmacêutica e dos planos de saúde para reduçãodo número de reconsultas e de pedidos de exames diagnósticos (WANNMACHER,2004). A falta de informação de muitos profissionais faz com que estes encarem orisco de indução de resistência como algo essencialmente teórico ou poucoprovável. Assim, a promoção do uso racional de antimicrobianos é fundamental, jáque infecções causadas por bactérias comunitárias resistentes são de mais difíciltratamento e se associam a maior morbidade (DANDOLINI, 2012). Cada vez mais se têm provas de que o mau uso de antimicrobianos é oprincipal responsável pela seleção de resistência. O prescritor que trabalha no setorde atenção primária à saúde lida, também, com infecções de menor gravidade, quenem sempre são de etiologia bacteriana (por exemplo, infecções respiratórias altasde origem viral em crianças), não necessitando de antimicrobianos, ou normalmentese curam facilmente com antibióticos mais comuns e com menor potencial deindução de resistência. A prescrição de antibióticos deve fundamentar-se em realindicação, e sua seleção deve levar em conta os malefícios do emprego inadequadodesses fármacos (ZIMERMAM, 2010; BRASIL, 2007). Algumas observações evidenciam que o uso de antimicrobianos é a principalforça motora para desenvolvimento da resistência bacteriana como, por exemplo, o
  24. 24. 24fato de as taxas de resistência à antimicrobianos serem maiores quando o consumodesses fármacos é mais intenso, ocorrendo frequentemente o surgimento daresistência durante o curso da terapia e, consequentemente, a falha da terapêuticaempregada, universalmente correlacionada entre a comercialização de novosagentes e o posterior desenvolvimento de resistência microbiana aos mesmos, asvezes, após curto período de sua introdução no mercado (ZIMERMAM, 2010). As estratégias baseadas em menor uso de antimicrobianos podem serfundamentais para prevenir o surgimento de mais resistência microbiana, mesmonão sendo o suficiente para combater a resistência microbiana já estabelecida.Devido a esse fato, medidas nacionais destinadas a maior controle de uso dessesfármacos deveriam ser desenvolvidas e amplamente implantadas. Políticaspoderiam ser construídas, levando em consideração os problemas particularesencontrados em diferentes locais do território nacional. As entidades governamentaise a mídia também constituem peças fundamentais no processo de reeducação econscientização da população para se evitar o consumo excessivo deantimicrobianos, tanto por automedicação quanto por pressões desnecessáriassobre os profissionais da saúde (ZIMERMAM, 2010; MACHADO, 2004).1.3 Uso racional de antimicrobianos É real o risco de a resistência microbiana levar a humanidade de volta à erapré-antibiótica, em um mundo de mortes prematuras e enfermidades crônicas (OMS,2011). Dados nacionais e mundiais mostram como é numerosa a quantidade deprescrições inadequadas desses medicamentos, além do uso sem prescriçãomédica. O uso em pediatria (ate 10 anos de idade) atinge cerca de 30% da utilizaçãohumana. A maioria dessas prescrições tem por objetivo a profilaxia ou a utilização,consciente ou não, em infecções de etiologia viral, propriedades que esses fármacossabidamente não possuem. O uso desmedido e sem justificativa, associado ao usoveterinário e agropecuário, tem levado a situações cada vez mais críticas em virtudeda seleção de micro-organismos multirresistentes. A literatura é farta em apontardados que mostram relação direta entre o uso e os índices de resistência bacteriana,ou seja, quanto mais utilizado, maiores são os índices de resistência ao fármaco e,portanto, menor sua eficácia. Países que adotaram restrições e maior controle para
  25. 25. 25o uso desses medicamentos observaram maior eficácia dos antimicrobianos. O usoracional e adequado é indispensável para a manutenção da atividade dessa valiosaclasse terapêutica (MS, 2010). O conhecimento dos diferentes mecanismos de resistência, bem como suainterpretação clínica-laboratorial é essencial para o sucesso da terapêuticaapropriada (MS, 2001). A figura abaixo, mostra que o sucesso da terapêutica antimicrobianadepende de 3 elementos básicos que relacionam-se, são eles: fármaco, hospedeiroe microrganismo. Durante a escolha do antimicrobiano o médico deve levar emconta a sensibilidade que o microrganismo tem diante de um determinado fármaco,deve se atentar ainda a patologia causada pelo microrganismo ao hospedeiro e oconhecimento da farmacocinética do antimicrobiano. Se esses pontos não foremcuidadosamente avaliados, o resultado do tratamento escolhido pode sercomprometido. Fatores relacionados com os microrganismos compreendem suaidentificação e a sensibilidade que possui sobre determinado fármaco. Aohospedeiro relaciona-se sua condição imunológica, idade, função hepática e renal,possibilidade de gravidez e ainda o local da infecção, já ao fármaco é necessário oconhecimento das propriedades farmacocinéticas como: seu mecanismo de ação etoxicidade seletiva (BRASIL, 2010).Figura 2 Relação entre fármaco, microrganismo e paciente.Fonte: Fiol, 2004.
  26. 26. 26 A Resolução 44/10 do CFF, no artigo 3º, prolata: “A atuação do farmacêuticoé requisito essencial para a dispensação de antimicrobianos ao paciente usuário,sendo esta uma atividade privativa e que deve constar de orientações sobre ocorreto uso desses medicamentos”. E mais: a resolução prevê que, no ato da dispensação de qualquerantimicrobiano, o farmacêutico explique, clara e detalhadamente, ao paciente obenefício do tratamento e se certifique de que ele (o paciente) não apresentadúvidas a respeito do motivo da prescrição, contraindicações e precauções,posologia (dosagem, dose, forma farmacêutica, técnica, via e horários deadministração), modo de ação, reações adversas e interações, duração dotratamento, condições de conservação, guarda e descarte. A Resolução observaque o farmacêutico, no ato da dispensação de antimicrobianos, leve em conta que aeducação e orientação ao paciente usuário são fundamentais, não só para a adesãoao tratamento, como para a minimização de ocorrências de resistência bacteriana(PHARMACIA BRASILEIRA, 2011).1.4 Bioequivalência e biodisponibilidade farmacêutica Segundo a ANVISA (BRASIL, 2006): A equivalência farmacêutica entre dois medicamentos relaciona-se à comprovação de que ambos contêm o mesmo fármaco (mesma base, sal ou éster da mesma molécula terapeuticamente ativa), na mesma dosagem e forma farmacêutica, o que pode ser avaliado por meio de testes in vitro. Além dos estudos in vitro, são necessários também estudos de biodisponibilidade e de bioequivalência que comprovem a eficácia e a segurança do medicamento. A biodisponibilidade de um fármaco é a quantidade e velocidade na qual o princípio ativo é absorvido e se torna disponível no seu sítio de ação. Após a expiração da patente de um medicamento de referência, oslaboratórios e as indústrias farmacêuticas que produzem genéricos solicitamautorização para produzirem cópias desse medicamento de referência. Nenhumgenérico pode ser introduzido no mercado antes que os órgãos reguladores, Foodand Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos e a Agência Nacional deVigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil, estabeleçam que o medicamento genéricopossua a mesma eficácia e eficiência que o medicamento de referência, com base
  27. 27. 27em uma série de critérios, entre eles, um teste de bioequivalência. Considerar queum medicamento genérico é bioequivalente a um medicamento de referência éafirmar que eles terão efeitos terapêuticos equivalentes (LOPES, 2010). Para que um medicamento seja registrado como genérico, a legislaçãobrasileira estabelece que seja necessária a comprovação de sua equivalênciafarmacêutica e bioequivalência em relação ao medicamento de referência indicadopela ANVISA (BRASIL, 2003). O medicamento de referência é aquele inovador, cuja biodisponibilidade foideterminada durante o processo de desenvolvimento do fármaco e teve sua eficáciae segurança comprovadas por meio de ensaios clínicos, antes mesmo da obtençãodo registro junto ao órgão federal para comercialização (STORPIRTIS et al.,2004). Em 1999, com o intuito de assegurar a oferta de medicamentos de qualidadee de baixo custo ao mercado e de fomentar o acesso da população a essesprodutos, foram estabelecidos os medicamentos genéricos, proporcionando aindasua intercambiabilidade com o medicamento de referência, que é asseguradaatravés de testes de equivalência farmacêutica e de bioequivalência (QUENTAL,2006). De acordo com a ANVISA (BRASIL, 2007), o medicamento genérico ésimilar a um produto de referência, que pode ser intercambiável e geralmenteproduzido após a expiração ou a renúncia da proteção patentária ou de outrosdireitos de exclusividade, sendo necessárias ainda a comprovação de sua eficácia,segurança e qualidade. Para que um laboratório possa produzir um medicamento genérico, ele deveinvestir no desenvolvimento farmacotécnico do produto, que deve cumprir asmesmas especificações in vitro em relação ao medicamento de referência. Aformulação e o processo de fabricação não precisam ser os mesmos, porque cadalaboratório possuí diferentes equipamentos e fornecedores de matérias-primas,entretanto essas diferenças não podem comprometer a biodisponibilidade entre osmedicamentos (BRASIL, 2003). O teste de bioequivalência é realizado em voluntários sadios, de acordo comas Boas Práticas de Clínica (BPC) e de Laboratório (BPL); o teste é fundamentalpara assegurar que dois medicamentos que comprovaram a equivalênciafarmacêutica apresentaram o mesmo resultado no organismo em relação à
  28. 28. 28biodisponibilidade, comprovada a partir da quantidade absorvida do fármaco e davelocidade do processo de absorção (STORPIRTIS, 2004; STORPIRTIS, 1999). De acordo com a definição legal: Medicamento similar é aquele que contém o mesmo ou os mesmos princípios ativos, apresenta mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica, e que é equivalente ao medicamento registrado no órgão federal responsável pela vigilância sanitária, podendo diferir somente em características relativas ao tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículo, devendo sempre ser identificado por nome comercial ou marca. (BRASIL, 2012) Existem dois tipos de medicamentos similares no mercado brasileiroatualmente: aqueles cujos registros já estão de acordo com a nova legislação eaqueles que ainda estão no processo de adequação, que ocorre por ocasião darenovação do registro sanitário. Até 2014, estima-se que os critérios de adequaçãoserão atendidos pelos fabricantes de medicamentos genéricos (STORPIRTIS et al.,2008). O similar que for aprovado no teste de biodisponibilidade relativa poderá serconsiderado bi-equivalente ao respectivo medicamento de referência. Porém, nãoserá intercambiável, por questões legais, a menos que a legislação seja futuramentealterada. A intercambialidade, de acordo com a atual regulamentação técnica, éprevista apenas para o genérico bioequivalente ao medicamento de referência,sendo exigida sua comercialização com o nome genérico de acordo com adenominação comum brasileira (DCB) ou, na sua falta, com a denominação comuminternacional (DCI) (STORPIRTIS; BUENO, 2009). Até 2014, deverá ocorrer a adequação de todos os medicamentos similaresno Brasil. Por essa razão, a ANVISA adotou o termo biodisponibilidade relativa,podendo diferenciar. Assim, os similares já existentes dos genéricos intercambiáveis,cujo termo bioequivalência está consagrado e aceito internacionalmente. Éimportante destacar que houve um contexto social e político que favoreceu asmudanças das regulamentações técnicas já mencionadas (STORPIRTIS, 2008).
  29. 29. 291.5 Classificação dos antimicrobianos Os antimicrobianos são classificados de acordo com os seguintes critérios:estrutura química, mecanismo de ação, tipos dos microrganismos-alvo, espectro deatividade, tipo de ação, fontes de origem e organelas celulares atingidas (SILVA,2006).1.5.1 Classes farmacológicas dos antimicrobianos Segundo Silva (2006), mencionam-se:  Sulfamidas - Sulfanilamida, trimetropina - sulfametoxazol e sulfadiazina  Lincosaminas - Lincomicina e Clindamicina.  Quinolonas - ácido nalidíxico, norfloxacino, ciprofloxacino, levofloxacino, moxifloxacino, ofloxacino e gatifloxacino.  Beta-lactâmicos - Penicilinas: benzi penicilinas, ampicilina, amoxicilina e oxacilina - Cefalosporinas: cefazolina, cefalexina, cefadroxil, cefaclor, ceftriaxona - Carbapenêmicos: imipinem e meropenem - Monopenêmicos: Aztreonam. - Inibidores da beta-lactamase: sulbactam e ácido clavulânico  Tetraciclinas - Tetraciclinas, oxitetracicllina, minociclina e doxiclina  Anfenicóis - Cloranfenicol  Aminoglicosídeos - Estreptomicina, gentamicina, neomicina, tobramicina e amicacina  Macrolídeos - Eritromicina, azitromicina e claritromicina  Polipeptídios - Bacitracina, polimixinas  Glicopeptídeos
  30. 30. 30 - Vancomicina e teicoplanina  Oxozolidona - Linezolida  Nitroimidazóis - Metronidazol.  Derivados azólicos - Miconazol, fluconazol, cetoconazol e clotrimazol  Outros - Rifamicina e gramicidina.1.6 Beta-lactâmicos O grupo de antimicrobianos pertencentes à classe denominada de ß-lactâmicos possui em comum, no seu núcleo estrutural, o anel ß-lactâmico, queconfere aos fármacos dessa classe atividade bactericida. Conforme a característicada cadeia lateral, definem-se seu espectro de ação e suas propriedadesfarmacológicas. Pertencem a esse grupo: penicilinas, cefalosporinas, carbapenens,monobactans (BRASIL, 2007). Os fármacos pertencentes a essa classe agem interferindo na síntese depeptideoglicano, responsável pela integridade da parede celular bacteriana, inibindoa ligação cruzada das cadeias laterais responsáveis pela estrutura da parede celularda bactéria (CLIVE et al., 2004). Indicação clinica: pneumonias, otites, sinusites, faringites, infecções cutânea,meningites bacterianas, infecções do aparelho reprodutor, sepse, piodermites,endocardites bacterianas, profilaxia (BRASIL, 2007).1.7 Aminoglicosídeos Essa classe de antimicrobianos é parte importante do arsenal fármaco-terapêutico desde a década de 1940. O poder terapêutico dos fármacospertencentes a essa classe contrasta com efeitos adversos significativos e com osurgimento de fatores de resistência que puseram à prova sua real eficácia (SILVA,2006).
  31. 31. 31 O primeiro aminoglicosídio obtido foi a estreptomicina, a partir dofungo Streptomyces griséus, em 1944. As principais drogas utilizadas, atualmente,além da estreptomicina, são: gentamicina, tobramicina, neomicina, amicacina,netilmicina, paramomicina e espectinomicina (BRASIL, 2007). Devido à elevada toxicidade desses fármacos, foram desenvolvidos novosantimicrobianos, menos tóxicos, com isso o uso dos aminoglicosídios tem sidoquestionado. No entanto, por sua comprovada eficácia, eles continuam sendolargamente utilizados, especialmente no tratamento de pacientes hospitalizados cominfecções graves causadas por bactérias gram-negativas aeróbicas (FUCHS;WANNMACHER; FERREIRA; 2006). O termo aminoglicosídio resulta de ligações glicosídicas entre o anelaminociclitol, que é a estrutura essencial do fármaco, e dois ou mais grupamentosamino ou amino açúcares. A estrutura dos aminoglicosídios possui agentes quepenetram a célula bacteriana através de um sistema de transporte dependente deoxigênio, inexistente nas bactérias anaeróbicas e nos estreptococos. Assim,estreptococos e anaeróbicos são resistentes aos aminoglicosídios. Uma vez nacélula bacteriana, os aminoglicosídeos ligam-se irreversivelmente á subunidade 30Snos ribossomos, inibindo a síntese proteica (SILVA, 2006). Indicação clinica: infecções bacterianas externas dos olhos, conjuntivites,infecções bacterianas da pele e mucosas, piodermites, furúnculos, endocardites,infecções sistêmicas severas devido a microrganismos gram-negativos e outros(NEOMICINA, 2011).1.8 Tetraciclinas e anfenicóis As tetracilcinas e os anfenicóis surgiram no final da década de 1940, tendoespectro parcialmente compartilhado e mecanismo de ação similar. Elesrepresentam importante avanço em relação à penicilina e estreptomicina, suasantecessoras, devido a seus espectros de ação que abrangeram muitosmicrorganismos a elas naturalmente resistentes. Com isso, os fármacospertencentes a essa classe se tornaram os primeiros antimicrobianos de amploespectro, vantagem discutível atualmente, pois a taxa de resistência de muitosmicrorganismos, originalmente sensíveis, aumentou muito (FUCHS;WANNMACHER; FERREIRA, 2006).
  32. 32. 321.8.1 Tetraciclinas Os antimicrobianos, pertencentes à classe das tetraciclinas, possuem açãobacteriostática, dependendo das concentrações terapêuticas, e amplo espectro.Seu mecanismo de ação deve-se à capacidade de essas drogas se ligarem àsubunidade 30S dos ribossomos microbianos, bloqueando a ligação da RNAaminoacil transferase e inibindo a síntese de proteínas, pois impede a adição denovos aminoácidos na cadeia polipeptídica em formação (SILVA, 2006). Indicação clínica: atuam contra a Helicobacter pylori, linfogranulomavenéreo (C. Trachamatis), periodontites, requetsioses, leptospirose e infecções dotrato urinário (CLORIDRATO DE OXITETRACICLINA, 2011).1.8.2 Cloranfenicol Isolado originalmente do Streptomyces venezuelae, em 1948, o cloranfenicolé um antimicrobiano da classe dos anfenicóis, de amplo espectro e altamente efetivo(SILVA, 2006). O cloranfenicol é um fármaco antimicrobiano de espectro relativamenteamplo e bacteriostático, que se liga reversivelmente à subunidade ribossômica 50S,impedindo a síntese proteica (CLIVE et al, 2004). Indicação clínica: febre tifoide, requitsioses, infecções por clamídias emicoplasmas, meningites por S. penumoniae e N. meningintidies; atuam contramicroorganismos resistentes à vancomicina, infecção ocular e salmonelose(CLORANFENICOL, 2011).1.9 Quinolonas Os antimicrobianos pertencentes à classe das quinolonas são fármacossintéticos que possuem um núcleo com dois anéis fusionados de seis membros. Aprimeira droga descoberta dessa classe foi o ácido nalidíxico, que tem uso clínicolimitado em função da relativa inatividade e do rápido surgimento de resistência. Aadição de um átomo de flúor na posição seis do núcleo da quinolona potencializou aatividade contras as bactérias gram-negativas, surgindo, dessa forma, uma novageração de drogas, conhecidas por fluoroquinolonas (CLIVE et al, 2004).
  33. 33. 33 A criação de fármacos mais recentes, como levofloxacina, gatifloxacina,moxifloxacina e gemifloxacina, denominadas de as novas quinolonas, representouimportantes avanços terapêuticos e permitiu a obtenção de compostos de maioratividade bacteriana, espectro de ação mais amplo e menor incidência de efeitoscolaterais (SIlVA, 2006). As quinolonas têm como mecanismo de ação à inibição da atividade da DNAgirase ou topoisomerase II, enzima essencial à sobrevivência bacteriana,determinando assim a morte das bactérias (BRASIL, 2007). Indicação clínica: os fármacos antimicrobianos pertencentes à classe dasquinolonas possuem ação terapêutica no tratamento de infecções do trato urinário;prostatites, infecções gastrintestinais e abdominais e infecções ósseas e dos tecidosmoles (GOODMAN; GILMAN, 2006).1.10 Glicopeptídios Os glicopeptídeos têm sua estrutura formada por açúcares e aminoácidos,sendo drogas de alto peso molecular (CLIVE et al., 2004). Diversos fármacos glicopeptídeos estão em fase de pesquisa clínica e aindanão estão disponíveis no mercado nacional. Os principais representantes dessegrupo são: vancomicina e teicoplanina (BRASL, 2007) Em 1958, a vancomicina foi introduzida para uso clínico, mas sua utilizaçãoem maior escala se iniciou nos anos 80, devido ao surgimento de infecções porestafilococos resistentes à oxacilina. É um antibiótico bactericida de espectro estreitoque, devido à sua toxicidade, foi relegado como antibiótico de reserva, porém, com oavanço das pesquisas, as preparações atuais são altamente purificadas e parecemmenos tóxicas do que as preparações antigas (BRASIL, 2007; SILVA, 2006). A teicoplanina tem espectro de ação parecido com a vancomicina, masalguns microrganismos resistentes a uma podem ser sensíveis à outra (FUCHS;WANNMACHER; FERREIRA, 2006). Apesar da semelhança química com a vancomicina, a teicoplaninaapresenta importantes diferenças responsáveis pelas propriedades físicas equímicas peculiares. Ela possui maior lipossolubilidade que a vancomicina,proporcionando uma rápida e excelente penetração nos tecidos e em fagócitos(SILVA, 2006).
  34. 34. 34 Essa classe de antimicrobianos apresenta um múltiplo mecanismo de ação,inibindo a síntese do peptideoglicano, além de alterar a permeabilidade damembrana citoplasmática e interferir na síntese de RNA citoplasmático. Dessaforma, inibe a síntese da parede celular bacteriana (BRASIL, 2007). Indicação clínica: endocardite bacteriana (prevenção e tratamento), infecçãoarticular, infecções graves por estafilococos em pacientes que não podem receberpenicilinas ou cefalosporinas, infecção óssea, septicemia bacterianas, pneumonias einfecção da pele e tecidos moles (CLORIDRATO DE VANCOMICINA, 2011).1.11 Nitroimidazólicos Os fármacos pertencentes a essa classe de antimicrobianos sãopredominantemente bactericidas, com atividade microbiana restrita aos anaeróbicosestritos e certos protozoários, possuindo uma boa absorção (CLIVE et al., 2004). O principal representante dessa classe de fármacos é o metronidazol, quefoi introduzido em 1959 para o tratamento da tricomoníase vaginal. Sendo umbactericida potente, o metronidazol, possui excelente atividade contra bactériasanaeróbicas estritas (cocos gram-positivos, bacilos gram-negativos, bacilos gram-positivos) e certos protozoários como amebíase, tricomoníase e giardíase (BRASIL,2007). Quanto ao seu mecanismo de ação os nitroimidazólicos agem inibindo asíntese do DNA bacteriano, impedindo assim a síntese enzimática das bactérias(BRASIL, 2007). Indicação clínica: tricomoníase vaginal, infecções por bactérias anaeróbicase profilaxia e tratamento de infecções cirúrgicas (METRONIDAZOL, 2011).
  35. 35. 351.12 Oxazolidinonas As oxazodilinonas são a classe mais recente de antimicrobianos parautilização em seres humanos, sendo inteiramente sintéticos. Os fármacospertencentes a essa classe de antimicrobianos atuam na fase tardia da sínteseproteica, tendo um efeito bacteriostático sobre a célula bacteriana (CLIVE et al.,2004; CAIERÃO, 2004). Devido ao alto custo, o único representante dessa classe de antimicrobianosé a linezolida, sendo o único membro da classe a ser comercializado. Esse fármacopossui excelente atividade contra cocos gram-positivos, não apresentando atividadecontra bactérias gram-negativas (BRASIL, 2007). A linezolida está disponível, atualmente, em formulação oral e intravenosa e,em função de seu mecanismo singular de ação, não existe resistência cruzada comoutra classe de antibióticos (CLIVE et al., 2004). O mecanismo de ação das oxazolidinonas é por inibição da síntese deproteínas das bactérias por ligação à fração 50S dos ribossomas (FUCHS;WANNMACHER; FERREIRA, 2006). Indicação clínica: infecção por enterococos (resistentes à vancomicina),pneumonia hospitalar e susceptíveis a grasm-positivos e S. penumoniae e infecçõesde pele e tecidos moles (LINEZOLIDA, 2008).1.13 Macrolídeos Os antimicrobianos pertencentes à classe dos macrolídeos sãoquimicamente constituídos por um anel macrocíclico de lactona, ao qual se ligam umou mais açúcares. Pertencem a este grupo a azitromicina, claritromicina,eritromicina, espiramicina, miocamicina, roxitromicina etc. O espectro de açãodesses fármacos é semelhante, diferindo apenas na potência contra algunsmicrorganismos (BRASIL, 2007). A droga percursora dessa classe é a eritromicina, que possui boa atividadecontra os Streptococcus pneumoniae suscetíveis à penicilina e contra a Moxarellacatarrhalis, mas ação limitada contra o Haemophillus influenzae. Os fármacosmacrolídeos, como a claritromicina e azitromicina, apresentam melhor atividadecontra o Haemophillus influenzae, melhor tolerabilidade gástrica e meia vida mais
  36. 36. 36prolongada, possibilitando a administração em duas doses diárias para aclaritromicina e em dose única para a azitromicina, ao invés das quatro doses daeritromicina. Devido à facilidade posológica à melhor tolerabilidade, houve aumentodo consumo crescente dessas drogas em diversos países (LABRO, 2001; GILIO,2003). Os fármacos dessa classe de antimicrobianos ligam-se, irreversivelmente, àsubunidade 50S do ribossomo e bloqueiam a síntese proteica das bactérias(CLIVEet al., 2004). Indicação clínica: os fármacos pertencentes a essa classe deantimicrobianos são usados em infecções do trato respiratório como pneumonia,exacerbação bacteriana aguda de bronquite crônica, sinusite aguda, otites médias,tonsilites e faringites (GUIMARÃES; MOMESSO, 2010).1.14 Sulfonamidas As sulfonamidas são antimicrobianos eficazes que representam o primeirogrupo de agentes utilizados para o tratamento de infecções bacterianas. O termosulfonamidas, ou simplesmente sulfas, é frequentemente empregado comodenominação genérica dos derivados da sulfanilamida, cuja estrutura é similar à doácido para amino benzoico (SILVA, 2006). Em 1935, a sulfacrisoidina foi o primeiro agente antimicrobiano dessa classea ser utilizado clinicamente, marcando o início da nova era da quimioterapiaantimicrobiana. A classe das sulfonamidas compreende seis drogas principais:sulfanilamida, sulfisoxazol, sulfacetamida, ácido para-amino benzoico, sulfadiazina esulfametoxazol, sendo as duas últimas de maior importância clínica (BRASIL, 2007). Os fármacos pertencentes a essa classe de antimicrobianos bloqueiam,competitivamente, a enzima bacteriana responsável pela incorporação de PABA eácido diidropteróico, fator essencial ao crescimento celular; impedindo a síntese doDNA da bactéria (SILVA, 2006; FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2006). Os últimos 20 anos, devido ao progresso da antibioticoterapia, assistiram àredução do emprego de sulfas no tratamento de algumas infecções ambulatoriais e,atualmente, essa classe de antimicrobianos não se constitui primeira escola paraqualquer infecção bacteriana (SILVA, 2006).
  37. 37. 37 Indicação clínica: bronquite crônica, infecções genitais, infecção renal,infecções do trato respiratório e prevenção da toxoplasmose (SULFAMETOXAZOL +TRIMETOPRIMA, 2012).1.15 Lincosaminas Como constituintes desse grupo de antibacterianos, têm-se a clindamicina ea lincomicina, que possuem farmacodinâmica similar à dos macrolídeos, emboracom estrutura química muito diferente. A lincomicina foi isolada em 1962, a partirdo Streptomyces lincolmensis. Posteriormente, modificações químicas produziram aclindamicina, com espectro de ação bem mais amplo e com melhor absorção oral(WANNMACKER, 1998). As lincosaminas são bacteriostáticas se ligam à subunidadade 50S dosribossomos e inibem a síntese proteica bacteriana (BRASIL, 2007). Indicação clínica: infecções do trato genito-urinário, infecção articular,infecção da pele e dos tecidos moles, osteomelite, septicemia (CLORIDRATO DECLINDAMICINA, 2011).1.16 Polipeptídeos A bacitracina é um representante dos polipeptídios. Esse fármaco foidescoberto em 1945 e, até 1960, a bacitracina foi utilizada sistemicamente notratamento de infecções estafilocócicas graves. Atualmente, devido à suanefrotoxidade e ao desenvolvimento de novos antimicrobianos, a bacitracinasomente é indicada para uso tópico, pois, quando usada localmente, não provoca,praticamente, efeitos adversos. A bacitracina tem como mecanismo de ação ainterferência na biossíntese da parede celular bacteriana (SILVA, 2006). Indicação clinica: tratamento e prevenção de infecções na pele (pequenoscortes, feridas, queimaduras ou escoriações), piodermites, infecções da mucosanasal, otite externa e outros (SULFATO DE NEOMICINA+BACITRACINA, 2012).
  38. 38. 381.17 Polimixinas Os fármacos que representam esse grupo são antimicrobianos produzidospelo Bacillus polymyxa, que vive no solo. Esses fármacos caracterizam-se comobactericidas e têm como mecanismo de ação inibição da síntese da parede celularbacteriana (SILVA, 2006).1.17.1 Gramicidina A origem da gramicidina se deu em 1939, quando Dubos isolou umantibiótico do Bacillus brevis, que passou a ser chamado de tirotricina.Posteriormente, observou-se que se tratava da mistura de dois antibióticos, agramicidina e tirocidina. Devido à sua alta toxicidade por via sistêmica, a gramicidinasó é indicada para uso local. Quanto ao seu mecanismos de ação, a gramicidina ageatravés da alteração da membrana citoplasmática da bactéria (SILVA, 2006). Indicação clinica: manifestações inflamatórias e pruriginosas de dermatoses(GRAMICIDINA, 2012).1.17.2 Rifamicina A rifamicina é um fármaco semissintético derivado da rifamicina B, produtonatural híbrido de policetídeos e peptídeos não ribossomos. É o único fármaco emuso clínico que bloqueia a transcrição bacteriana. Tem como alvo a inibição dasíntese de RNA. Atualmente, a rifamicina é utilizada clinicamente como parte dacombinação de fármacos empregados no tratamento da tuberculose (GUIMARÃES;MOMESSO, 2010). Indicação clínica: tratamento de ferimentos e feridas infectadas,queimaduras, furúnculos, piodermites, dermatoses infectadas, úlceras varicosas,pós-flebíticas, ateroscleróticas e diabéticas; dermatites eczematóides, curativos deferidas pós-cirúrgicas infectadas (adenites, panarícios, supurações de parede(RIFAMICINA, 2011).
  39. 39. 392 OBJETIVOS2.1 Objetivo geral Verificar o perfil da prescrição e dispensação de medicamentosantimicrobianos na cidade de Fernandópolis.2.2 Objetivos específicos Determinação do perfil da prescrição e dispensação de antimicrobianomediante a: a) dispensação e intercambialidade de medicamentos genéricos, similares ereferências. b) Atenção farmacêutica; c) Uso racional de antimicrobiano; d) Conhecimento e aceitação da legislação vigente, que dispõe do controleda dispensação de medicamentos à base de antimicrobianos, por parte deprescritores e farmacêuticos;
  40. 40. 403 MATERIAIS E MÉTODOS Aplicou-se uma pesquisa exploratória, através de entrevistas padronizadas apartir de um questionário com perguntas simples e objetivas sobre a atuação dosprofissionais de saúde da cidade de Fernandópolis na prescrição e dispensação deantimicrobiano. A pesquisa foi aplicada durante 10 dias no período de 10 à 20 de outubro de2012, participaram da pesquisa 32 profissionais prescritores (médicos e dentistas) e30 dispensadores (farmacêuticos). Os questionários continham questões de múltipla escolha, que permitiamque o entrevistado respondesse mais de uma alternativa em algumas questões, eforam deixados nos consultórios de médicos e dentistas e recolhidos após um prazode dois dias.
  41. 41. 414 RESULTADOS E DISCUSSÃO4.1 Respostas dos prescritores. Gráfico 1Tipo de antimicrobiano mais prescrito na cidade de Fernandópolis. 34% GENÉRICO SIMILAR REFERÊNCIA 60% 6% Fonte: Elaboração própria. De acordo com o gráfico 1 da pesquisa realizada na cidade deFernandópolis (SP), 60% dos profissionais entrevistados optam por prescrever omedicamento antimicrobiano de referência, 34% pelo genérico e apenas 6% optampelo medicamento similar. Dados diferentes foram encontrados na região de Belo horizonte (MG), onde64% dos profissionais entrevistados optam por prescrever antimicrobianos na formagenérica (ABRANTES et al., 2007).
  42. 42. 42 Gráfico 2 O que é levado em consideração na escolha do antimicrobiano a ser prescrito. 90% 80% Q 70% U A 60% N T 50% I 40% 81% D A 30% D 20% 41% E 31% 10% 22% 0% EFICÁCIA CUSTO SEGURANÇA LABORATÓRIO FARMACÊUTICOFonte: Elaboração própria. Conforme ao gráfico 2, em relação ao que se leva em consideração aoprescrever o medicamento, os entrevistados consideram como fator importante naescolha do antimicrobiano a ser prescrito a eficácia em 81% dos casos doprescrição , segurança em segundo lugar com 41% das opiniões, e sendo o custotambém um fator de relevância com 31% da preferência dos entrevistados na horada escolha do medicamento. Um estudo realizado na região norte de Florianópolis (SC) levanta que amarca é um elemento de identificação cultural do produto: existem produtos ouserviços que são vendidos simplesmente porque a marca é tradicional no mercado,justificando, assim, o motivo das prescrições dos medicamentos de referência delaboratórios consolidados no mercado farmacêutico (COBRA, 1992).
  43. 43. 43 Gráfico 3 Já teve complicações ao prescrever antimicrobiano genérico. 16% SIM NÃO 84% Fonte: Elaboração própria. Segundo o gráfico 3 da pesquisa realizada, 84% dos entrevistados nãorelataram complicações ao prescrever medicamentos antimicrobianos genéricos. Umestudo realizado por Bermudez (1994) aponta como nítida a produção demedicamentos genéricos, que representa uma tendência observada tanto em paísesdesenvolvidos como em países em desenvolvimento, uma vez que possuem amesma bioequivalência e biodisponibilidade dos medicamentos de referência, nãoacarretando complicações ao paciente usuário. A não utilização dos medicamentosgenéricos se deve ao fato de as indústrias multinacionais no Brasil fazerem críticas erestrições ao decreto dos genéricos, alegando problemas com sua qualidade.
  44. 44. 44Gráfico 4 Respostas dos prescritores quando indagados se o antimicrobiano genérico possui a mesma eficácia dos antimicrobianos de referência. 34% SIM 66% NÃO Fonte: Elaboração própria. Quanto à opinião dos entrevistados sobre a mesma eficiência domedicamento genérico em relação ao medicamento referência, pelo gráfico 4, 66%disseram acreditar que o medicamento genérico possui a mesma eficácia domedicamento referência, e apenas 34% não acreditam na eficácia do medicamentogenérico. Segundo a legislação brasileira, o medicamento genérico é produzido deacordo com as Boas Práticas de Fabricação e Controle de Qualidade (BPFC) efornece as bases técnicas e científicas para a intercambialidade entre o genérico eseu medicamento de referência, uma vez que, nesse caso, ambos podem serconsiderados equivalentes terapêuticos, ou seja, medicamentos que apresentam amesma eficácia clínica e o mesmo potencial para gerar efeitos adversos(STORPIRTIS, 1999).
  45. 45. 45Gráfico 5 Orienta sobre o uso racional de antimicrobiano. 0% SIM NÃO 100% Fonte: Elaboração própria. De acordo com o gráfico 5 da pesquisa, 100% dos entrevistados orientamsobre o uso racional de antimicrobianos. Segundo Abrantes (2007), essa práticaexercida pelos prescritores é muito importante na promoção do uso racional demedicamentos, de modo que a análise de seus hábitos de prescrição proporciona oconhecimento de aspectos da qualidade da terapia.
  46. 46. 46Gráfico 6 Realização de TSA antes da prescrição do antimicrobiano. 28% SIM NÃO 72% Fonte: Elaboração própria. Pelo gráfico 6 da pesquisa realizada, 72% dos entrevistados relataram nãorealizar antibiograma antes da prescrição do antimicrobiano, contra 28% queresponderam realizar o exame antes da prescrição de antimicrobianos. Os dados obtidos na pesquisa sugerem interesse, pois pesquisadoresrecomendam o uso de um antimicrobiano posterior à realização de um antibiograma,racionalizando, assim, o uso de medicamentos; descreve também que a nãoidentificação do patógeno pode mascarar o diagnóstico e causar toxicidade grave,bem como selecionar microrganismos resistentes (BRASIL, 2001). Um estudo anteriormente realizado na cidade de Fernandópolis mostra quea escolha do fármaco para o tratamento de diagnósticos estabelecidos nem sempresão os adequados, e ressalta que vários antimicrobianos são prescritos sem realnecessidade ou indicação. E que essas situações são decorrentes da falta depadrão nas prescrições de antimicrobianos e da necessidade de atualização eeducação continuada por parte dos prescritores, principalmente para combater oaumento dos índices de resistência a antimicrobianos (BARRETO, 2011).
  47. 47. 474.2 Respostas dos dispensadores (Farmacêuticos)Gráfico 7 Tipo de antimicrobiano mais dispensado nas drogarias da cidade de Fernandópolis. 80% 70% Q U 60% A N T 50% I 40% D A 70% 30% D E 20% 10% 20% 10% 0% GENÉRICO SIMILAR REFERÊNCIA Fonte: Elaboração própria. O tipo de antimicrobianos mais dispensados nas drogarias da cidade deFernandópolis foi o genérico com 70% das opiniões dos profissionais entrevistados,segundo mostra o gráfico 7 da pesquisa. É importante destacar que houve um contexto social e político favorável àsmudanças causadas pelas recomendações técnicas dos medicamentos genéricos(ARAÚJO et al., 2010). No Brasil, como na Europa e nos Estados Unidos, a política de incentivo aoregistro e ao uso de genéricos tem-se mostrado eficaz na regulação dos preços dosmedicamentos: favorece o direito de escolha do consumidor e, ao mesmo tempo,fornece uma alternativa aos profissionais de não prescreverem apenas pelos nomescomerciais impostos por multinacionais farmacêuticas (DIAS; ROMANO-LIEBER,2006; ANTUNES; MAGALHÃES, 2008).
  48. 48. 48Gráfico 8 Prática de intercambialidade de antimicrobianos pelos dispensadores. 10% SIM NÃO 90% Fonte: Elaboração própria. Gráfico 9 Tipo de medicamento para realizar a intercambialidade com o medicamento prescrito. 11% GENÉRICO REFERÊNCIA 89% Fonte: Elaboração própria. Segundo os dados dos gráficos 8 e 9, 90% dos dispensadores(farmacêuticos) entrevistados praticam a intercambialidade entre medicamentos;89% preferem fazer a intercambialidade pelo medicamento genérico, e 11% optampor fazer pelo medicamento de referência. Estudos apontam que a aprovação de um medicamento genérico se dá portestes de bioequivalência, possibilitando a intercambialidade entre o genéricoespecifico da empresa X com o medicamento de referência. Apesar disso, a entrada
  49. 49. 49no mercado de novas moléculas para mesmos fins terapêuticos, acompanhada degrande publicidade, interfere no processo decisório do prescritor, assim comopráticas de bonificações da indústria para venda nos balcões das farmáciasrepercutem na decisão pela dispensação de determinado medicamento (RUMEL;NISHIOKA; SANTOS, 2006).Gráfico 10 Fatores levados em consideração na intercambiliade de medicamentos. 70% Q U 60% A 50% N T 40% I 30% 63% D A 20% 43% D E 10% 13% 13% 13% S 0% Fonte: Elaboração própria. Na pesquisa realizada, a eficácia foi um dos fatores predominantes para sefazer a intercambialidade dos medicamentos genéricos pelo de referência,alcançando 10, 3% das opiniões dos entrevistados, conforme mostra o gráfico; 43%dos profissionais levam em consideração o custo, 13% consideram que a segurançatambém é um fator primordial, seguido do laboratório farmacêutico e indicaçãoclínica como fatores para se fazer a intercambialidade de medicamento. A inclusão do medicamento genérico no Brasil objetiva o aumento do acessoda população a medicamentos eficazes, seguros e de qualidade a preços reduzidos(VALENTE; STORPITIS, 2001). Uma pesquisa realizada em 2002, com médicos de todo país, mostra que84% dos profissionais aprovam a eficácia terapêutica dos genéricos e 95% levam
  50. 50. 50em consideração o preço do medicamento no momento da prescrição (OPAS,2003). Gráfico 11 Realização da atenção farmacêutica. 0% 100% SIM NÃO Fonte: Elaboração própria. A pesquisa realizada, segundo o gráfico 11, mostrou que 100% dosentrevistados praticam a atenção farmacêutica na dispensação de antimicrobianos. Dentro desse novo contexto da prática farmacêutica no qual a preocupaçãocom o bem-estar do paciente passa a ser a viga mestra das ações, o farmacêuticoassume papel fundamental, somando seus esforços aos dos outros profissionais desaúde e aos da comunidade para a promoção da saúde. O farmacêutico volta acumprir o seu papel perante a sociedade, co-responsabilizando-se pelo bem-estardo paciente e trabalhando para que este não tenha sua qualidade de vidacomprometida por um problema evitável decorrente de uma terapia farmacológica(VIEIRA, 2007).
  51. 51. 51 Gráfico 12 Orientação sobre o uso racional de medicamentos. 3% SIM NÃO 97% Fonte: Elaboração própria. Segundo o gráfico, da pesquisa realizada, 12,97% dos entrevistadosafirmaram que orientam o paciente sobre o uso racional de antimicrobianos, eapenas uma pequena porcentagem (3%) relataram não orientar seus pacientes. Os dados sobre o uso racional de medicamentos no Brasil são preocupantese mostram que 2/3 das internações ocorridas no país tem como origem o usoincorreto dos medicamentos. Estatísticas da Fundação Osvaldo Cruz revelam queos medicamentos respondem por 27% das intoxicações no Brasil e 16% dos casosde mortes por intoxicações são causados por fármaco(SINITOX, 2002). Em um estudo realizado na cidade de Fernandópolis em 2011, mostrou quefalta informações ao paciente sobre a prescrição do antimicrobiano e queinformações essenciais sobre o uso do medicamento deixam de ser passadas aopaciente, ficando evidente assim que a população necessita de informação e que aocorrência de campanhas educativas poderiam contribuir para a eficácia daterapêutica antimicrobiana, diminuindo assim os níveis de resistência antimicrobiana(BARRETO, 2011).
  52. 52. 52Gráfico 13 Conhecimento dos farmacêuticos sobre a legislação vigente. 0% SIM 100% NÃO Fonte: Elaboração própria. O gráfico 13 mostra que 100% dos entrevistados afirmaram conhecer alegislação vigente sobre a dispensação de antimicrobiano. Um estudo realizado por Azevedo e Oliveira (2012) na cidade de Salvador –BA, apontou que a legislação vigente que dispõe do controle de medicamentos abase de antimicrobianos, influenciou positivamente para a redução do uso irracionalde antimicrobianos dispensados naquela região, mostrando que essa medida decontrole é uma importante ferramenta para evitar a automedicação e promover o usoracional de antimicrobianos.
  53. 53. 53Gráfico 14 Opinião dos farmacêuticos sobre a legislação vigente. 3% 7% 13% EXCELENTE 4% BOA REGULAR 43% RUIM PÉSSIMA Fonte: Elaboração própria. O gráfico 14 da pesquisa revela que a nova legislação de antimicrobianosnão tem muita aceitação por parte dos profissionais farmacêuticos: 43% opinaramque a legislação é regular, 13% excelente, 7% péssima, 4% boa e 3% ruim. A RDC 20/11 (BRASIL, 2011) dispõe de regras que visam acabar com avenda ilegal de antimicrobianos sem prescrição no país, promover o uso racional demedicamento e contribuir para o combate à resistência bacteriana, evitando, assim,os riscos da automedicação.
  54. 54. 54Gráfico 15 A dispensação de antimicrobiano é feita somente com prescrição. 16% SIM NÃO 84% Fonte: Elaboração própria. Pelo gráfico 15 da pesquisa realizada, 84% dos profissionais entrevistadosfazem a dispensação de antimicrobianos apenas com apresentação de prescriçãomedica, mas 16% afirmaram que dispensam antimicrobianos sem prescrição. Segundo a OMS (2001), 2/3 dos antibióticos são utilizados sem prescriçãomédica em muitos países, e 75% das prescrições contendo antibióticos sãoerrôneas; com isso, cresce cada vez mais a resistência microbiana causadora deenfermidades.
  55. 55. 555 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a OMS, as práticas, intervenções e políticas de saúde apenas sãoefetivas se corretamente implementadas e controladas. Diante dos fatos analisados pelo presente estudo, verifica-se que a lei dosgenéricos ainda não é completamente esclarecida pela classe médica, bem como aRDC 20/11 não é bem aceita pelos farmacêuticos. A prescrição, dispensação e utilização de antibióticos têm sido foco dediscussão dos profissionais e dos órgãos regulamentadores de saúde no mundotodo, o que se deve ao impacto da utilização desses produtos na saúde individual,coletiva e no meio ambiente. Oferecer educação continuada aos prescritores edispensadores, bem como favorecer a interlocução entre eles, além de buscar apoiodos órgãos regulamentadores e fiscalizadores das ações em saúde, e fornecerinformações aos usuários de medicamentos sobre os riscos inerentes ao uso deantimicrobianos podem ser estratégias para reduzir a resistência microbiana epreservar a eficácia dos antibióticos disponíveis. Nos últimos anos, também tem sido realizada a inclusão de temasimportantes e de debates com as principais agências mundiais, visando atualizar eampliar as normatizações dos testes necessários ao cumprimento dos requisitos deequivalência farmacêutica, bioequivalência, biodisponibilidade do medicamentogenérico, com a finalidade de se promover o aumento da aceitação do medicamentogenérico pela classe médica. Um trabalho de conscientização da população deve ser realizado, pois outroaspecto que mostra a não aderência à política de genéricos é o baixo índice desolicitação por parte da população para que o médico o prescreva. Outro aspecto importante na implantação da política dos medicamentosgenéricos e promoção do uso racional de antimicrobianos deve ser aconscientização dos grandes laboratórios farmacêuticos, para que visem à eficáciado medicamento, mesmo que isso venha a reduzir os lucros. A melhora da saúde publica no Brasil e a diminuição do tempo de esperapelas consultas médicas permitiria ao paciente um acesso rápido à prescriçãomedica, contendo o medicamento adequado e eficaz para a sua patologia,
  56. 56. 56diminuindo o índice de automedicação e, consequentemente, favorecendo o usoracional de medicamentos. No que diz respeito à função do farmacêutico no ato dispensação domedicamento genérico, a adesão e conscientização desse profissional quanto àlegislação que dispõe do controle de medicamento à base de antimicrobianos seriamde fundamental importância.
  57. 57. 576 Conclusão O presente estudo permitiu verificar o padrão das prescrições deantimicrobianos, bem como a dispensação desses medicamentos na cidade deFernandópolis. De acordo com o estudo realizado pode ser observado que devido aimplantação da política de genéricos no Brasil, os consumidores passaram a contarcom a oportunidade de comprar medicamentos a preços mais acessíveis, comgarantia de qualidade, segurança, eficácia, pode-se realizar a intercambialidadecom os medicamentos de referência. Nas condições que o presente trabalho foi realizado pode ser observado queexiste falta de orientação aos prescritores em relação à eficácia do medicamentogenérico, uma vez que 60% relataram prescrever medicamentos de referência,baseados na eficácia e segurança que eles fornecem; mesmo esses profissionaisafirmarem que acreditam no medicamento genérico, embora não confiem osuficiente para prescrevê-los. Fica evidenciado de acordo com a pesquisa realizada, que mesmo osprofissionais prescritores afirmarem promover o uso racional de antimicrobiano,ainda não se habituaram a utilizar antibiograma antes da prescrição domedicamento, desfavorecendo o uso racional de antimicrobianos e favorecendo oaumento da resistência microbiana . Quanto ao conhecimento da RDC 20/11, que dispõe sobre controle demedicamentos à base de antimicrobiano, os farmacêuticos, apesar de seremfavoráveis à legislação, demonstram insatisfação devido a alguns profissionaisserem resistentes às adequações solicitadas; tais profissionais insistem, ainda, emdispensar antimicrobianos sem prescrição médica, alegando que a legislação é falhaem alguns pontos, pois muitos prescritores desconhecem a lei, e a saúde publicaainda é carente no país. Com base na pesquisa efetuada, os profissionais farmacêuticos admitiramrealizar a atenção farmacêutica e promover o uso racional de antimicrobianos;todavia, sabe-se que o índice de automedicação é grande pela população devido aalguns profissionais ainda dispensarem medicamento sem prescrição, nãorealizando a atenção farmacêutica e não orientando sobre o uso abusivo dessesmedicamentos e suas complicações geradas pelo uso indiscriminado.
  58. 58. 58 REFERÊNCIASABRANTES, P. M. et al. Avaliação da qualidade das prescrições de antibióticosdispensados em unidades publicadas de Saúde de Belo Horizonte (MG). Cdd.Saúde Públ., Rio de Janeiro, 23(3), p. 95-104, jan. 2007.ANTUNES, A.; MAGALHÃES, J. L. (orgs.). Oportunidades em medicamentosgenéricos - a indústria farmacêutica brasileira. Rio de Janeiro : Interciência, 2008.ARAÚJO, L. V.: ALBUQUERQUE, K. T.; KATO, K. C.; SILVEIRA, G. S.; MACIEL,N.R.; SPÓSITO, P. A. et al. Medicamentos genéricos no Brasil: panorama histórico elegislação. Rev. Panam Salud Publica, 28(6), p. 480-92, 2010.AZEVEDO, L.F., OLIVEIRA, A.S.Uso indiscriminado de antimicrobianos e reduçãoda dispensação. Disponível em: < http: // portal.saude.gov.br /portal /arquivos/ pdf/Poster82.pdf>. Acesso em: 30 de dez. de 2012.BARRETO, R.E.T. Perfil de utilização de antimicrobianos em usuários o sistemaúnico de saúde de uma cidade do interior paulista. Tese de mestrado. UNISO -Universidade de Sorocaba. Sorocaba – SP, 2011.BERMUDEZ, J. Medicamentos genéricos: uma alternativa para o mercado brasileiro.Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 10(3), p. 368-378, jul./set. 1994.______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Curso online: Usoracional de antimicrobianos para prescritores. Modulo 3 - Resistência microbiana:mecanismos e impacto clinico. Anvisa/OPAS. Disponível em:<www.anvisa.gov.br/serviçosaúde/ controle/rederm/cursos/ rm_controle /opas-web/modúlo3/mec-enzimático.html>. Acesso em: 02 set. 2012.______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Resolução nº 20/2011.Dispõe do controle de medicamentos a base de antimicrobianos. Lex : DiretoriaColegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2011a.______. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e InsumosEstratégicos (MS). Departamento de Assistência Farmacêutica e InsumosEstratégicos. Formulário terapêutico nacional 2010: Rename, 2010. 7. ed.Brasília: Ministério da Saúde, 2010b.
  59. 59. 59______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. RDC n. 44, de 26 deoutubro de 2010. Dispõe sobre o controle de medicamentos a base de substânciasclassificadas como antimicrobianos de uso sob prescrição médica, isoladas ou emassociação e dá outras providências. Lex : Diretoria Colegiada da Agência Nacionalde Vigilância Sanitária, 2010a.______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Resolução - RDC n. 16,de 02 de março de 2007. Aprova o Regulamento Técnico para MedicamentosGenéricos. Diário Oficial da União, Brasília (DF), 2007.______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Resolução RE N. 898,de 29 de maio de 2003. Guia para planejamento e realização da etapa estatística deestudos de biodisponibilidade relativa e bioequivalência. Brasília (DF) : DiárioOficial da União, 2003.BRASIL. Ministério da Saúde. Unidade de Controle de Infecção em Serviços deSaúde. Consenso sobre o uso racional de antimicrobianos. Brasília (DF), 2001.36p.BUENO, M. M.; STORPIRTS, S. Aspectos regulatórios e perspectivas para o registroe o pós-registro de medicamentos genéricos e similares no Brasil. In: STORPIRTIS,S.; GONÇALVES, J. E.; CHIANN, C.; GAI, M.N. Biofarmacotécnica Rio de Janeiro :Guanabara Koogan, 2009. p. 231–43.CLORANFENICOL: comprimidos. Farmacêutico responsável Marco Aurélio LimirioG. Filho – CRF 3.524. Anápolis (GO) : Neoquímica, 2011. Bula de remédio.COBRA, M. Administração de marketing. 2. ed. São Paulo : Atlas, 1992. 800p.CLORIDRATO DE VANCOMICINA: ampola. Farmacêutico Responsável SôniaAlbano Badaró CRF – SP 19.258. São Paulo : Roche, 2011. Bula de remédio.CLIVE, P.; CURTIS, M.; SUTTER, M.; WALKER, M.; HOFFMAN, B. Farmacologiaintegrada. 2. ed. São Paulo : Manole, 2004.CLORIDRATO DE OXITETRACICLINA: cápsulas. Farmacêutica responsável RaquelOppermann CRF – SP 36.144. São Paulo : Pfizer, 2011. Bula de remédio.

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