Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.
fi   FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS        FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS              CINTHYA NEVES RABAIO...
CINTHYA NEVES RABAIOLI                   MARIA ANGELICA O. BATISTA                   NAYARA APARECIDA CABRAL              ...
CINTHYA NEVES RABAIOLI                            MARIA ANGELICA O. BATISTA                            NAYARA APARECIDA CA...
Dedicamos este trabalho primeiramente aDeus, pois sem ele, nada seria possível, enossos sonhos não seriam concretizados.Ao...
AGRADECIMENTOS             Agradecemos primeiramente a Deus por nos ter dado a oportunidadede conquistar uma graduação, pe...
“Não há transição que implique um pontode partida, um processo e um ponto de chegada.Todo amanhã se cria num ontem, atravé...
RESUMOA Hepatite é uma doença adquirida de muitas formas como: transfusões de sangue,uso compartilhado de seringas, agulha...
ABSTRACTHepatitis is a disease acquired in various ways, such as blood transfusions, sharingneedles and other instruments ...
LISTA DE TABELASTabela 1 -   Imunização contra a hepatite B.                           30Tabela 2 -   Marcadores Sorológic...
LISTA DE FIGURAS OU GRÁFICOSFigura 1 -   Representação do vírus B e seus antígenos associados.                 16Figura 2 ...
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASAnti-Hbc – Anticorpo contra o vírus hepatite B.Anti HBC total – Anticorpo totalAgHbe/HBeAg/A...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO............................................................................................................
7 MATERIAIS E MÉTODOS........................................................................................... 428 RESUL...
13         INTRODUÇÃO        As hepatites virais são doenças causadas por diferentes agentes etiológicos,com tropismo prim...
14avançada (cirrose e carcinoma hepatocelular) (BRASIL, 2002a.)        Uma vez adquirido o vírus B são necessários exames ...
15    1. O VIRUS HEPATITE B        O vírus da hepatite B é um protótipo de um vírus pertencente àfamília Hepadnaviridae, s...
16         O gene S é dividido em 3 sítios de iniciação, que por consequência surge aformação de 3 proteínas distintas na ...
17constituídas por uma cobertura externa que é composta de proteínas, lipídeos,hidratos de carbono e um núcleo central cha...
18(transmissão da mãe portadora do VHB (AgHBs positivo) para o filho principalmentedurante o parto) transmissão horizontal...
19reunião dos vários componentes do vírus em novas partículas “filhas” sendoexportadas para fora da célula infectada (RIBE...
20Figura 2: Ciclo de replicação do vírus da hepatite B.Fonte: Beck J, Nassal M, World Journal of Gastroenterology, 2007,13...
21ao longo da replicação, podem ocorrer erros originando cadeias diferentes oucadeias mutantes da hepatite B (RANEY; MCLAC...
22Figura 4: Distribuição da hepatite B no mundo.Fonte: http://www.criasaude.com.br/N3397/doencas/hepatite-b/estatisticas-h...
232.1 Manifestações clínicas        As manifestações clínicas estão ausentes ou são bastante leves e atípicasno primeiro c...
242.1.2 Infecção Recente        Na infecção recente a maioria das infecções pelos vírus hepatotrópicos sãoassintomáticas, ...
252.1.5 Hepatite B Crônica       A hepatite B crônica apresenta inflamação hepática agressiva, que poderáevoluir como cons...
262.1.6 Hepatite B Aguda        Os pacientes portadores de hepatite B aguda tem como evolução as fasesprodrômicas com sint...
27vírus da hepatite B estão: a prevenção da doença aguda, a minimização datransmissão viral e, coibir a cronificação da he...
28variação de 80 a 100% em indivíduos que foram submetidos à todas as doses.Quando os anticorpos estiverem maiores ou igua...
29até as 48 horas após a exposição, parentérica ou mucosa, ao material AgHBs-positivo. Também se aconselha a dar em crianç...
30mais tarde; a terceira dose dada 6 meses depois da primeira dose, como um“reforço”.Figura 5. Esquema de imunização para ...
313.3 Reações adversas da vacina hepatite B       As reações adversas mais frequentes que podem ocorrer, de 1% a 6% dascri...
32ou RNA) do vírus, os testes são hibridação, essa técnica tem alta sensibilidade paradetectar o DNA do HBV, e a reação de...
33agudos por mais de 180 dias, e seu desaparecimento dá lugar ao anti-Hbs, fase estadenominada de janela imunológica. Paci...
34         Em função do potencial de gravidade do vírus da hepatite B, os casosdeverão ter prioridade na investigação para...
35e o surgimento de anticorpos anti-HBsAg (ANDRIOLO, 2005).        Os métodos utilizados para a detecção do vírus da hepat...
36icterícia e volta ao normal a três a seis semanas após o curso clínico da doença.Nas formas crônicas geralmente não ultr...
37associação com outras patologias. Não ocorrem alterações significativas na sérievermelha.       - Provas específicas:     ...
38      Tabela 4: Resultados sorológicos do VHB.      Fonte: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/07_0044_M2.pdf     ...
39paciente para atividades físicas e uma dieta pobre em gordura e rica emcarboidratos. De forma prática, deve ser recomend...
40imunodeficiência humana tipo 1 (HIV-1) e sobre o HIV-2. O mecanismo de ação dalamivudina baseia-se na inibição da síntes...
41   6. OBJETIVOS       O presente trabalho tem como objetivo o levantamento epidemiológico dosprincipais aspectos da hepa...
42   7. MATERIAIS E MÉTODOS        Os materiais desta pesquisa se constituíram de uma revisão literária dosprincipais aspe...
43   8. RESULTADOS E DISCUSSÕES       Segundo o Controle de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Pauloos índices de ...
44      A figura 7 descreve a cicatriz sorológica da hepatite B, revelando um aumentoprovavelmente relacionado com a vacin...
45       Com relação as prováveis formas de transmissão a figura 8 evidencia maiorcontaminação por relação sexual com 56%,...
46        O número de casos de acordo com a faixa etária é ilustrado na figura 9,prevalecendo maior incidência nas faixas ...
47       A figura 10 mostra o número de casos de coinfecção por faixa etária e sexo.Podemos observar um aumento da coinfec...
48        A tabela 5 mostra o número de casos em 28 cidades do estado de SãoPaulo revelando um aumento progressivo do ano ...
49   9. CONCLUSÃO        A partir da elaboração deste trabalho monográfico e das pesquisasrealizadas para a conclusão dest...
50    REFERÊNCIASALTER, M.J. Prevention of spread of hepatitis C. Hepatology. Atlanta, EUA. v. 36, n.5, p. 93-98, novembro...
51CDC. Recommendations and reports. Prevention and control of Infections witthhepatitis vírus in correctional setting. Mor...
52FERREIRA, A. W.; AVILA, S. L. M. Diagnótisco Laboratorial das principaisdoenças infecciosas e auto-imunes. 2. ed. Rio de...
53RIBEIRO, A. Hepatite B: a sua prevenção na comunidade. Técnica deEnfermagem. Lisboa, 1997, Caderno 112, p.23-27.RANEY, A...
54VERONESI, R. R. Tratado de Infectologia. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2004, p.302-317.WRIGHT, T.L.; MAMISH, D.; COMBS, C.;...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Levantamento epidemiológico da hepatite b no período de 2000 a 2011 no estado de são paulo

3,052 views

Published on

  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

Levantamento epidemiológico da hepatite b no período de 2000 a 2011 no estado de são paulo

  1. 1. fi FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS CINTHYA NEVES RABAIOLI MARIA ANGELICA O. BATISTA NAYARA APARECIDA CABRAL SAMILLA SANTOS SOUZALEVANTAMENTO EPIDEMIOLÓGICO DA HEPATITE B NO PERÍODO DE 2000 A 2011 NO ESTADO DE SÃO PAULO. FERNANDÓPOLIS 2012
  2. 2. CINTHYA NEVES RABAIOLI MARIA ANGELICA O. BATISTA NAYARA APARECIDA CABRAL SAMILLA SANTOS SOUZALEVANTAMENTO EPIDEMIOLÓGICO DA HEPATITE B NO PERÍODO DE 2000 A 2011 NO ESTADO DE SÃO PAULO. Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Orientadora: Prof. Msc. Daiane Fernanda Pereira Mastrocola Co-orientador: Prof. Msc. Roney Eduardo Zaparoli FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS – SP 2012
  3. 3. CINTHYA NEVES RABAIOLI MARIA ANGELICA O. BATISTA NAYARA APARECIDA CABRAL SAMILLA SANTOS SOUZALEVANTAMENTO EPIDEMIOLÓGICO DA HEPATITE B NO PERÍODO DE 2000 A 2011 NO ESTADO DE SÃO PAULO Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Aprovado em: __ de novembro de 20__. Banca examinadora Assinatura ConceitoProf. Msc. Daiane Fernanda PereiraMastrocolaProf. Msc. Roney Eduardo ZaparoliProfª. Ms. Vânia Luiza FerreiraLucatti SatoProfª. Rosana M. K. Motta Prof. Msc. Daiane Fernanda Pereira Mastrocola Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. Dedicamos este trabalho primeiramente aDeus, pois sem ele, nada seria possível, enossos sonhos não seriam concretizados.Aos nossos pais, que sempre nos deramapoio, e estiveram permanentementepresentes, sempre acreditando em nossopotencial.Aos nossos professores, que sempreincentivaram nosso aprendizado e nosgarantiram uma excelente formação.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Agradecemos primeiramente a Deus por nos ter dado a oportunidadede conquistar uma graduação, pela chance de estarmos aonde chegamos. Aos nossos pais que além de terem nos dado a vida sempretransmitiram uma credibilidade em nosso saber, acreditando em nosso potencial,nos apoiando em todos os momentos sejam eles difíceis ou agradáveis,agradecemos também pelo amor e dedicação, pelos ensinamentos que nostornaram pessoas honestas e dotadas de educação. A nossa professora e orientadora Daiane Mastrocola, que nos orientoupara o término do nosso trabalho, sempre atenciosa nos ajudava em todas asduvidas com seu carinho e dedicação. A todos os professores que com sabedoria, desvendaste conosco adoutrina didática e a metodologia, esclarecendo muitas de nossas duvidas e nosauxiliando para nossa formação, nos levando além da teoria, a filosofia e da técnica,deixamos aqui o nosso respeito, gratidão e a promessa de que levaremos todos osensinamentos e multiplicaremos em benefício a saúde.
  6. 6. “Não há transição que implique um pontode partida, um processo e um ponto de chegada.Todo amanhã se cria num ontem, através de umhoje. De um modo que nosso futuro baseia-se nopassado e se corporifica no presente. Temos desaber o que fomos e o que somos para sabermoso que seremos.” Paulo Freire
  7. 7. RESUMOA Hepatite é uma doença adquirida de muitas formas como: transfusões de sangue,uso compartilhado de seringas, agulhas e outros instrumentos entre usuários dedrogas, assim como relações sexuais sem preservativo (camisinha), contatoacidental de sangue ou secreções corporais contaminadas pelo vírus, com mucosaou pele com lesões também transmitem a doença, gestantes (grávidas) portadorasdo vírus podem transmitir a doença para os bebês, sendo o momento donascimento, seja por parto normal ou por cesariana o principal momento de riscopara a transmissão. A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 2 bilhõesde pessoas no mundo já tiveram contato com o vírus da hepatite B (VHB), e que 325milhões tornaram-se portadores crônicos. Considerando que muitos indivíduosinfectados são assintomáticos, que as infecções sintomáticas são insuficientementenotificadas e a gravidade da doença é preocupante, fizemos um levantamentobibliográfico com objetivo principal de identificar a frequência da hepatite B quecertamente, ainda subestimada. O levantamento de dados confirmou que no Brasilno Estado de São Paulo o maior número de casos aconteceu no ano de 2011 porpessoas do sexo masculino com idades entre 30 a 49 anos, sendo a principal via decontaminação a sexual. A profilaxia da infecção por imunização passiva pré-exposição, tendo em conta a atual disponibilidade de uma vacina, só se justifica noscasos de ausência de resposta à vacina ou nos casos em que esta possa estarcontra-indicada.Palavras - chaves: Hepatite B. Indivíduos infectados. Hepatite B crônica. Hepatite BAguda.
  8. 8. ABSTRACTHepatitis is a disease acquired in various ways, such as blood transfusions, sharingneedles and other instruments among drug users, sex without condom use,accidental contact with blood or body fluids contaminated by the virus, contact withmucous membranes or broken skin can also transmit the disease, pregnant womencarrying the virus can transmit the disease to their babies at birth, either by vaginaldelivery or caesarean section. The World Health Organization estimates thatapproximately 2 billion people worldwide have had contact with the hepatitis B virus(HBV), and 325 million have become chronic carriers. Considering that many infectedindividuals are asymptomatic, symptomatic infections that are insufficiently reportedand the severity of the disease is worrying, did a literature review with main objectiveto identify the frequency of hepatitis B who certainly still underestimated. The surveyconfirmed that in Brazil in São Paulo the largest number of cases occurred in 2011for males aged 30 to 49, the main route of contamination sexual. Prophylaxis ofinfection by passive immunization preexposure, taking into account the currentavailability of a vaccine, is justified only in the case of absence of response tovaccine or in cases where this might be contraindicated.Key words: Hepatitis B. Infected individuals. Chronic hepatitis B. Acute hepatitis B.
  9. 9. LISTA DE TABELASTabela 1 - Imunização contra a hepatite B. 30Tabela 2 - Marcadores Sorológicos da Hepatite B Aguda. 32Tabela 3 - Marcadores Sorológicos da Hepatite B Crônica. 33Tabela 4 - Resultados sorológicos do VHB. 38Tabela 5 - Número de casos por grupo de vigilância epidemiológica. 47
  10. 10. LISTA DE FIGURAS OU GRÁFICOSFigura 1 - Representação do vírus B e seus antígenos associados. 16Figura 2 - Ciclo de replicação do vírus da hepatite B. 20Figura 3 - Ciclo de vida do VHB. 21Figura 4 - Distribuição da hepatite B no mundo. 22Figura 5 - Esquema de imunização para a vacina da hepatite B. 30Figura 6 - Número de casos de Hepatite B por ano de Notificação. 43Figura 7 - Número de Cicatriz Sorológica de Hepatite B por ano de notificação. 44Figura 8 - Distribuição percentual das prováveis fontes. 45Figura 9 - Número de casos de acordo com a faixa etária e sexo. 45Figura 10 - Número de caso de coinfecção Hepatite B. 46
  11. 11. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASAnti-Hbc – Anticorpo contra o vírus hepatite B.Anti HBC total – Anticorpo totalAgHbe/HBeAg/Anti-HBe – Antígeno replicação viral.AgHbs – Antígeno de superfície do vírus da hepatite B.Anti-Hbs – Anticorpo antígeno Hbs.ALT – Alanina aminotransferase.AST – Aspartato aminotransferase.DNA-VHB – DNA vírus hepatite B.HbsAg – Proteína superfície do vírus.Hbs – Proteína de superfície.Hbc – Proteína core.IgG – Imunoglobulina G – Anticorpo.IgM – Imunoglobulina M – Anticorpo.OMS – Organização Mundial de Saúde.PCR – Polymerase Chain Reaction (Reação em cadeia da polimerase).TGO – Transaminase glutâmica oxalacética.TGP – Transaminase glutâmica pirúvica.VHB – Vírus da hepatite B.VHB-AgHbs – Antígeno de superfície.GT – Gama-glutamiltransferase.
  12. 12. SUMÁRIOINTRODUÇÃO.................................................................................................................. 131 O VÍRUS HEPATITE B................................................................................................ 151.1 REPLICAÇÃO DO VÍRUS DA HEPATITE B.......................................................... 181.2 CICLO DE VIDA DO VÍRUS DA HEPATITE B....................................................... 202 EPIDEMIOLOGIA......................................................................................................... 21 232.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS................................................................................2.1.1 A Infecção ..................................................................................................... 232.1.2 A Infecção Recente........................................................................................ 242.1.3 A Infecção Aguda........................................................................................... 242.1.4 Hepatite B Fulminante................................................................................... 242.1.5 Hepatite B Crônica........................................................................................ 252.1.6 Hepatite B Aguda........................................................................................... 263 PREVENÇÃO HEPATITE B........................................................................................ 263.1 IMUNIZAÇÃO PASSIVA E ATIVA........................................................................... 28 293.2 ESQUEMAS DE ADMINISTRAÇÕES RECOMENDADAS..................................3.3 REAÇÕES ADVERSAS DA VACINA HEPATITE B.............................................. 313.4 CONTRA-INDICAÇÃO DA VACINA DE HEPATITE B......................................... 314 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL............................................................................. 315 TRATAMENTO DA HEPATITE B.............................................................................. 38 416 OBJETIVOS..................................................................................................................
  13. 13. 7 MATERIAIS E MÉTODOS........................................................................................... 428 RESULTADOS E DISCUSSÕES............................................................................... 439 CONCLUSÃO............................................................................................................... 48REFERÊNCIAS........................................................................................................... 49
  14. 14. 13 INTRODUÇÃO As hepatites virais são doenças causadas por diferentes agentes etiológicos,com tropismo primário pelo tecido hepático, possuem semelhanças do ponto de vistaclínico-laboratorial, mas apresentam importantes diferenças epidemiológicas equanto à sua evolução. Têm grande importância pelo número de indivíduos atingidose pela possibilidade de complicações das formas agudas e crônicas. A distribuiçãodas hepatites virais é universal, sendo que pode haver uma grande variação naprevalência de cada um dos agentes etiológicos dependendo da região onde selocaliza (BRASIL, 2002a.). A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que aproximadamente 2bilhões de pessoas no mundo já tiveram contato com o HBV, e que 325 milhõestornaram-se portadores da forma crônica do vírus. Em termos mundiais, as taxas deincidência da hepatite B variam amplamente, de 0,1% a taxas superiores a 30%,como as verificadas em países asiáticos. Considerando que muitos dos indivíduosinfectados são assintomáticos e que as infecções sintomáticas são insuficientementenotificadas, a frequência da hepatite B é, certamente, ainda subestimada (BRASIL,2002a.). O Vírus da hepatite B é um protótipo de um vírus pertencente àfamília Hepadnaviridae, seu principal hospedeiro é o homem e suas partículas viraisapresentam afinidade pelas células hepáticas, sendo que apenas uma destaspartículas é capaz de infectar o ser humano por ser altamente infectivo. O númeromédio de replicações do vírus é de 1011 x por dia (KIDD-LJUNGGREN et al., 2002). O contágio do vírus da hepatite B (HBV) se faz por via parenteral, e,sobretudo, pela via sexual, sendo considerada doença sexualmente transmissível. Atransmissão de mãe para filho (transmissão vertical) também é uma das causasfrequentes de propagação do HBV. De maneira semelhante às outras hepatites, asinfecções causadas pelo HBV são habitualmente anictéricas. Somente 30% doscasos apresentam forma ictérica da doença, reconhecida clinicamente.Aproximadamente 5% a 10% dos indivíduos infectados se cronificam. Caso ainfecção ocorra durante a gestação, parto ou amamentação, a chance decronificação é maior, cerca de 85%, e a manifestação da hepatopatia crônica bemmais precoce. Cerca de metade dos casos crônicos evoluem para doença hepática
  15. 15. 14avançada (cirrose e carcinoma hepatocelular) (BRASIL, 2002a.) Uma vez adquirido o vírus B são necessários exames para o diagnóstico dahepatite B e é feito através dos testes sorológicos que devem estar associados amarcadores de lesão de células como as enzimas hepáticas ALT (alaninaaminotransferase) e AST (aspartato aminotransferase), e mais recentemente érealizado o método do PCR (polimerase chain reaction), para detectar a quantidadede vírus que circula pelo sangue. Os marcadores de lesão celular que facilitam odiagnóstico da hepatite B surgem no sistema circulatório em tempos diferentes. Ovírus da Hepatite B possui três antígenos principais: HBs, HBe e HBc (WRIGHT etal., 1992). A confirmação diagnóstica da infecção aguda pode ser identificada portestes sorológicos, do antígeno (HBsAg) e/ou do anticorpo anti-HBc da classe IgM.O HBsAg encontra-se positivo já no período de incubação, aproximadamente 2semanas antes do aparecimento da icterícia (ANDRIOLO, 2005). A prevenção da hepatite B, exige método de vigilância epidemiológica paraque diminua a ocorrência da infecção, esta prevenção se dá por meio de vacinação.As pessoas que tem preferência para receber a vacina são indivíduos que seencontram no grupo de risco, além dos que apresentam diferentes condiçõespatológicas como: hepatites agudas e crônicas, portadores assintomáticos do vírusB, infecção perinatal, pacientes com carcinomas hepatocelular e cirróticos. Asgestantes são avaliadas no exame pré-natal (terceiro trimestre) em relação aosmarcadores do vírus B (CDC, 2002; SILVEIRA et al., 2003). O tratamento mais adequado para esta doença se dá por meio de consultase um aconselhamento ao paciente para um repouso relativo até a normalização dasaminotransferases, liberando-se progressivamente o paciente para atividades físicase uma dieta pobre em gordura e rica em carboidratos. De forma prática, deve serrecomendado que o próprio paciente defina sua dieta de acordo com seu apetite eaceitação alimentar. A única restrição está relacionada à ingestão de álcool, quedeve ser suspensa por seis meses (BRASIL, 2008). No tratamento da hepatite são adotados medicamentos como Lamivudina eInterferon a ação da lamivudina baseia-se na inibição da síntese dos ácidosnucleicos e a ação do Interferon é realizado através da inibição da replicação doDNA e RNA. No caso de retrovírus, a reunião de partículas virais é inibida(www.misodor.com/FARMACON/LAMIVUDINA.html.; Fundação Osvaldo Cruz).
  16. 16. 15 1. O VIRUS HEPATITE B O vírus da hepatite B é um protótipo de um vírus pertencente àfamília Hepadnaviridae, seu principal hospedeiro é o homem e suas partículas viraisapresentam afinidade pelas células hepáticas, sendo que apenas uma destaspartículas é capaz de infectar o ser humano por ser altamente infectivo. Seu genomaé constituído por ácido desoxirribonucléico (DNA-VHB), contendo 3.200nucleotídeos. O vírus B circula inicialmente no sangue e se multiplica por viatranscriptase reversa nos hepatócitos, seu gene tem ordem, número e sequênciagenômica. O número médio de replicações do vírus é de 10 11 x por dia (KIDD-LJUNGGREN et al., 2002). O VHB, foi descrito pelo cientista Baruch Blumberg com a nomeação deantígeno Austrália em 1965. Por volta de 1970, Dane observou no microscópioeletrônico a partícula infecciosa do VHB, que ficou denominada como partículaDane. Esta partícula tem uma estrutura interna ou um antígeno core do vírus dahepatite B (Ag Hbc) e no seu interior possui o genoma do vírus a enzima DNApolimerase/transcriptase reversa, e um invólucro externo ou antígeno de superfície,é constituído por glicoproteínas, proteínas e lipídeos e compreende 3 componentesmoleculares básicos, o pré S1, pré S2, e pequeno S ou forma predominante com umdiâmetro de 42 nm (CASTRO, 1999). Ainda na partícula Dane também encontramos outro antígeno muitorelacionado com ela, o antígeno “e” (HBeAg). O HBeAg é um antígeno solúvel e suaconcentração em soro é proporcional á das partículas de Dane, que seriam todasinfecciosas (DANE et al., 1970). O genoma do vírus B é composto por uma molécula circular de cerca de3200 nucleotídeos, apresentado quatro regiões codificadoras: S, C, P e X. A regiãoS é dividida em S e pré S, sendo responsável pela codificação da proteína principaldo envelope, o AgHBs (marcador portador do vírus); a região C codifica para aprincipal proteína do “core”, o AgHBc que terá como seu produto de clivagem oAgHBe; a região P codifica o DNA polimerase viral e a região X contendo o AgHBx éuma proteína transativadora potencialmente envolvida com o processo decarcinogênese hepática (VERONESI, 2004).
  17. 17. 16 O gene S é dividido em 3 sítios de iniciação, que por consequência surge aformação de 3 proteínas distintas na superfície com suas formas glicosiladas: a P25(proteína de cadeia curta ou S), a P33 (proteína de cadeia média ou pré – S2) e aP39 (proteína de cadeia longa ou pré – S1). Entre estes peptídeos, a P25 é apredominante e representa o principal antígeno de superfície (HBsAg) que vaiinduzir a formação do anticorpo anti-HBsAg. Este peptídeo é encontrado em níveiselevados nas fases aguda ou crônica da doença (VERONESI, 2004).Figura 1: Representação do vírus da hepatite B e seus antígenos associados.Fonte:http://br.monografias.com/trabalhos3/curso-de-biomedicina/curso-de-biomedicina2.shtml. Acesso 05/09/12. A descoberta do DNA viral tem pouca importância na avaliação de pacientescom infecção aguda, certo que existem diversos marcadores sorológicosextremamente úteis que fornecem informações diagnósticas e prognósticasnecessárias. Porém, partes do VHB mutantes, podem apresentar modificaçõesimportantes no AgHBs e no antígeno AgHBe fazendo com que não sejam maisdetectados por esses métodos, levando a pesquisa do DNA viral (VERONESI,2004). A microscopia eletrônica, no soro de pacientes infectados, é possívelobservar a existência de três tipos de partículas relacionadas com o vírus dahepatite B. As de tamanho maior têm forma circular de 42 nm de diâmetro, ecorrespodem ao vírion infeccioso ou partícula de Dane. Estas partículas estão
  18. 18. 17constituídas por uma cobertura externa que é composta de proteínas, lipídeos,hidratos de carbono e um núcleo central chamado core de 27 nm. A coberturacontém o HBsAg (DANE et al., 1970). Sabe-se hoje que o vírus B circula em títulos baixos nos fluidos orgânicos eem altas concentrações no sangue tornando-se 100 vezes mais infectante que ovírus do HIV e 10 vezes mais infectante que o vírus da hepatite C. Logo após aexposição com o vírus a pessoa mesmo não apresentando os sintomas da doençapode ser infectante duas a três semanas antes antecedentes aos primeiros sinais ese mantém assim durante toda fase aguda e na fase crônica podendo ser infectantepor toda a vida (CDC, 2003). No período perinatal há uma maior incidência de cronificação decorrente datolerância imunológica nesta fase e, em mulheres lactantes pode-se tornar hepatitefulminante quando ao mesmo tempo há passagem de Anti-HBc e de Anti-HBe damãe para o filho devido a uma resposta imunológica exacerbada e, quando ocorre odesaparecimento dos anticorpos maternos, as células citotóxicas sensibilizadas peloAgHBc e o AgHBe destroem de maneira fulminante os hepatócitos infectados. Alémdo aleitamento materno as crianças podem se infectar por transmissão horizontalpor contato interpessoal ou contaminação com líquidos corporais, tais como:lágrimas, suor, secreção de feridas, urina, e sêmem (SILVEIRA et al., 2003). A maioria dos indivíduos que se infectam pelo vírus HBV 93% se recuperamsorologicamente, bioquimicamente e clinicamente, adquirindo imunidade. Entre 5 a7% dos pacientes evoluem para as formas crônicas da doença e 1% para hepatitefulminante. O período de incubação é de 6 a 8 semanas, desde a exposição até oaparecimento dos sintomas. O HBV está presente no sangue dos indivíduosinfectados na fase aguda, crônica e durante o período de recuperação(covalescença) (FERREIRA, 1996). O VHB é transmitido principalmente por exposição percutânea ou mucosaaos fluidos orgânicos e sangue contaminado. São modos de transmissão do VHB:relação sexual sem proteção com parceiro infectado, uso de drogas injetáveis ouinaláveis, compartilhamento ou reutilização de agulhas ou materiais pérfuro-cortantes contaminados (ex: aparelho de barbear, alicates de cutícula, material nãoesterilizado para procedimento cirúrgico, colocação de piercing, brinco, tatuagem,acupuntura), transfusão de sangue e seus componentes, produtos derivados doplasma, hemodiálise se não forem adotadas as precauções padrão, Perinatal
  19. 19. 18(transmissão da mãe portadora do VHB (AgHBs positivo) para o filho principalmentedurante o parto) transmissão horizontal (principalmente nas crianças em cujodomicílio exista um membro portador crônico do VHB). O risco de infecção é maiornos primeiros cinco anos de vida (BRASIL, 2008).1.1 Replicação do VHB Nos pacientes portadores da hepatite B crônica (definida sorologicamentecomo persistência do antígeno de superfície do VHB-AgHbs por mais de 6 meses)pode-se observar, durante a sua longa evolução, a presença de fases diferentes ede duração variável; a primeira, em geral, correspondendo à períodos mais precocesda doença, o VHB demonstra intensa replicação no soro do AgHbs, do antígeno “e”(AgHbe), do próprio DNA-VHB, detectado pela técnica PCR (Polymerase ChainReaction) além dos anticorpos contra o core viral (anti-Hbc) da classe IgG e,ocasionalmente, da classe IgM. A biópsia hepática nesses indivíduos mostraatividade inflamatória portal e periportal que variam de leve a intensa, nadependência do grau imunitário do paciente (FERREIRA, 2004). O VHB, nessa fase, ainda não se encontra integrado ao genoma dohepatócito, existindo sob forma epissomal; a expressão de antígenos virais namembrana do hepatócito é abundante, facilitando a ação de linfócitos T citotóxicos.Esse período pode persistir por vários anos. Ao longo do tempo, entretanto, essespacientes tendem a permanecer positivos para o anti-Hbe, indicando que o grau dereplicação reduziu, trazendo como consequência a diminuição da reaçãoinflamatória no fígado (FERREIRA, 2000). O VHB replica-se por via transcriptase reversa e o gene do VHB tem ordem,número e sequência genômica homólogos aos de certos retrovírus. O vírus B circulaprimariamente no sangue e replica-se nos hepatócitos em torno de(100.000.000.000 cópias mL) x por dia (KIDD-LJUNGGREN et al.,2002). A infecção do VHB compreende inicialmente pela sua entrada no hepatócito,que denomina como um tropismo primário, a exclusão do seu material genético e asua localização no compartimento celular é onde acontece a primeira fase dereplicação, a replicação deste material e sua transcrição e tradução, e finalmente a
  20. 20. 19reunião dos vários componentes do vírus em novas partículas “filhas” sendoexportadas para fora da célula infectada (RIBEIRO, 1997). O processo inicia-se pela entrada do vírus no hepatócito e envolvereceptores específicos do vírus na região pré-S1, aminoácidos 21-47 contidos emseu invólucro, que se anexam ao receptor da célula do fígado ainda desconhecidoliberando seu código genético (RANEY; MCLACHLAN, 1991). Dentro da célula infectada do fígado, o genoma do VHB encontra-se numaforma relaxada ou RC-DNA. Este DNA é circular, mas não é fechado e tem cerca de3,2 Kb de comprimento. Para começar o ciclo de replicação este genoma vírico étransformado numa cadeia circular fechada de DNA com ligações covalentes(cccDNA) pela DNA polimerase vírica (BECK; NASSAL, 2007). A partir da cadeia de cccDNA, são transcritos pela RNA polimerase váriosgenomas e subgemonas de RNA. Estes RNA pré-genômicos (pgRNA) tambémconhecido como vírus imaturos, são encapsulados, transportados para o citoplasmae sequencialmente convertido na cadeia negativa do DNA pela transcriptasereversa. A medida que o RNA se transforma em DNA ele vai se degradando atravésda atividade da RNAse H. na região DR1, porém, a degradação do RNA não écompleta e o oligoribonucleotídeo terminal é emparelhado com a região DR2 pertodo terminal 5 da mesma cadeia menos negativa onde atua como iniciador da sínteseda cadeia mais positiva. A síntese da cadeia positiva é então iniciada e as partículasdo core, contendo DNA vírico, são então envolvidas por AgHBs e excretadas parafora da célula ou transportadas para o núcleo formando novamente o cccDNA(BECK; NASSAL, 2007). Há 4 cadeias de leitura aberta na cadeia positiva do genoma: o gene pré-S/S que codifica as proteínas do invólucro do vírus (AgHBs); o gene pré-C/C quecodifica uma proteína solúvel (AgHBe) e a proteína da nucleocápsideo (AgHBc); ogene P que codifica a DNA polimerase/transcriptase reversa e o gene X codificauma proteína de significado desconhecido (LOK; MCMAHON, 2001).
  21. 21. 20Figura 2: Ciclo de replicação do vírus da hepatite B.Fonte: Beck J, Nassal M, World Journal of Gastroenterology, 2007,13:4948-64. Acesso em10/09/2012.1.2 Ciclo de vida do VHB O VHB, tal como todos os vírus, tem que primeiramente se anexar a umacélula hospedeira capaz de suportar sua replicação. As células do fígado são asescolhidas por serem mais efetivas para a replicação porém existem também outroslocais extrahepáticos que também conseguem suportar tal replicação, mas a umnível mais baixo. (RANEY; MCLACHLAN, 1991). Quando o vírus entra em contato com o fígado inicialmente ataca amembrana de suas células causando a infecção proveniente da partícula “core” quese liga pela glicoproteína de superfície pré-S1 a um receptor do hepatócito liberandoseu conteúdo de DNA e o DNA polimerase no núcleo das células do fígado. Nointerior do núcleo da célula o DNA induz a produção de RNA mensageiro, proteínasde superfície (HBs), proteína core (HBc), DNA polimerase, proteína HBe e outrasproteínas desconhecidas e enzimas produzidas pelas células do fígado. Após aentrada na célula inicia-se o processo de replicação liberando os vírus gerados parao meio externo. (RANEY; MCLACHLAN,1991). A DNA polimerase vai incentivar as células do fígado a produzir cópias dovírus que vão ser liberadas da membrana das células do fígado para a circulaçãosanguínea podendo infectar outras células do fígado, onde irão se replicar. Contudo,
  22. 22. 21ao longo da replicação, podem ocorrer erros originando cadeias diferentes oucadeias mutantes da hepatite B (RANEY; MCLACHLAN,1991).Figura 3: Ciclo de vida do VHB.Fonte: http://www.labmed.pt/NotasTecnicas08.asp. Acesso em 10/09/2012. Esta fase de viremia há um alto grau de replicação e alteração das enzimashepáticas. Em condições normais, o quadro evolui favoravelmente e a replicaçãocessa (ROBINSON et al., 1974). 2. EPIDEMIOLOGIA O vírus da hepatite B está distribuído mundialmente, pois há indivíduosinfectados em todo mundo. O vírus tem tendência a diminuir em paísesdesenvolvidos, devido à existência da vacina (CASTRO, 1999). O vírus esta distribuído desigualmente, mas podendo ser considerado emtrês níveis diferentes de endemia (CASTRO, 1999).
  23. 23. 22Figura 4: Distribuição da hepatite B no mundo.Fonte: http://www.criasaude.com.br/N3397/doencas/hepatite-b/estatisticas-hepatite-b.html Os países como, África, Sudoeste Asiático, Sul da China, Bacia Amazônica,Alasca e Groenlândia possuem endemia elevada onde 8 a 20% são portadoras dainfecção e 70 a 90% possuíram contato com o vírus. Nessas regiões citadas a cimaa transmissão vertical do VHB tem muita importância já que ele se limita à decrianças de pouca idade. Já na Europa Oriental, próxima do Oriente e BaciaMediterrânea são regiões de endemia média onde 2% a 7% da população sãoportadores do vírus, onde a endemia é baixa. As regiões da Europa Ocidental,América do Norte e Austrália, os portadores do vírus são menores que 2%. Nasáreas de média e baixa endemia os adolescentes e adultos são os mais infectados(CASTRO, 1999). OMS calcula que cerca de 2 bilhões de pessoas em todo mundo já tevecontato com o VHB, sendo que 325 milhões de pessoas se tornaram portadorescrônicos do vírus (CDC, 1991). Muitas das pessoas infectadas não apresentam sintomas considerando que,as infecções sintomáticas não são muito notificadas, sendo que a ocorrência dahepatite B é ainda subestimada. No Brasil o Ministério da Saúde calcula que pelomenos 15% da população já teve contato com o vírus, e 1% da população apresentaa doença crônica deste vírus (DONALÍSIO, 2002; BRASIL, 2003).
  24. 24. 232.1 Manifestações clínicas As manifestações clínicas estão ausentes ou são bastante leves e atípicasno primeiro contato com o vírus da hepatite B, podendo apresentar formas clínicasoligo/assintomática ou sintomática, simulando um quadro gripal. Após alguns diascom esta infecção hepatológica, a apresentação é típica, com os sinais e sintomascaracterísticos da hepatite como febre, icterícia e colúria (FUNASA, 2005).2.1.1 A infecção A infecção causada pelo HBV é habitualmente anictérias sendo que 30%das pessoas apresenta a doença na forma ictérica, reconhecida clinicamente. Sendomais ou menos de 5% a 10% das pessoas adultas infectadas vão para fase crônica.Quando a transmissão ocorre vertical o risco dela ser crônica nos recém-nascidos degestantes com evidência de replicação viral, é 70% a 90% e entre 10% a 40% nãotem ocorrência de replicação viral. 70% a 90% das infecções ocorridas em criançasde 5 anos são crônicas, e 20% a 25% dos casos crônicos com replicação viral seevoluem para doença hepática avançada (cirrose e hepatocarcinoma) (BIBLIOTECAVIRTUAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE). Em cerca de 90 a 95% dos casos, a infecção aguda resolve-se com odesaparecimento do antígeno HBsAg e o desenvolvimento de imunidade protetora,mas em cerca de 1% dos casos a infecção aguda pode ter uma evolução fulminante.A evolução para a cronicidade é mais frequente e a doença é, eventualmente, maisgrave quando a infecção é adquirida por transmissão vertical ou no pós-parto(CASTRO, 1999).
  25. 25. 242.1.2 Infecção Recente Na infecção recente a maioria das infecções pelos vírus hepatotrópicos sãoassintomáticas, independente do agente causador. Uma parcela dos indíviduosinfectados apresentará sintomas inespecíficos ou o quadro clínico de hepatite aguda(FUNASA, 2002).2.1.3 Infecção Aguda Na infecção aguda a maioria dos casos de hepatite B aguda se deve aovírus A e B. A hepatite aguda pode apresentar início de anemia, anorexia, febrebranda, dor de cabeça, dor no quadrante superior direito do abdomem, icterícia dasmucosas e da pele colúria e hipocolia fecal. Na maioria das vezes, tem evoluçãobenigna, regredindo em semanas ou poucos meses, independente de tratamento eraramente, poderá evoluir para forma grave (FUNASA, 2002).2.1.4 Hepatite B Fulminante Na hepatite B fulminante a infecção aguda evoluiu de forma desfavorável,levando o paciente à insuficiência hepática em dias até oito semanas. Tem alta taxade letalidade, necessitando de tratamento em serviço especializado, terapiaintensiva ou mesmo transplante hepático (FUNASA, 2002). O portador assintomático é caracterizado por indivíduos com infecçãocrônica, sem evidências de inflamação ou dano hepatocelular. Apresentam evoluçãobenigna, sem consequências para sua saúde. Apesar de não apresentaremsintomas, estes indivíduos transmitem a hepatite e têm importância epidemiológicana perpetuação da endemia (FUNASA, 2002).
  26. 26. 252.1.5 Hepatite B Crônica A hepatite B crônica apresenta inflamação hepática agressiva, que poderáevoluir como consequência a cirrose, o carcinoma hepatocelular e/ou a insuficiênciahepática. Eventualmente, a infecção crônica só é dignosticada quando a pessoaapresenta sinais e sintomas aparentes desta doença (FUNASA, 2002). A hepatite B crônica geralmente se divide em 2 fases ao longo da vida sendoque a primeira caracterizada por uma replicação viral pronunciada com o sistemaimune exercendo tentativas de eliminar o vírus como consequencia a destruição doshepatócitos e a elevação das transaminases e a segunda caracterizada por baixosou indetectáveis níveis de replicação viral, com normatização das transaminases(CASTRO, 1999). Na primeira fase para a segunda, ocorre a negativação do HbeAg comsurgimento do soro de anticorpos contra o antígeno “e” do vírus da hepatite B (antiHbe), chamada soroconversão, tornam-se HbeAg negativos, predominantes comníveis de VHB DNA altos níveis de ALT elevados. Esses pacientes são portadoresde uma variante do VHB que não produz HbeAg devido a mutação no pré core ouregião promotora do pré-core. Nesses pacientes são necessários testes dequantificação viral. A reação em tempo real quantitativa da cadeia de polimerase temsido utilizada para quantificação do vírus B e tem se mostrado muito sensível,acurada e tem uma ampla faixa de linearidade (podendo atingir de 400 a 10 bilhõesde cópias sem distorções), tendo combinado as boas características de outros testes(CASTRO, 1999). Estudos experimentaram ter êxito em correlacionar a carga viral com aatividade de infecção, mostrando que cargas virais abaixo de 50.000 a 100.00cópias estão associadas com carreadores não sintomáticos e quantificações acimadesses valores estão associados com hepatite crônica em atividade. Essa tambémseria aproximadamente a carga viral a partir da qual os exames de DNA-HBV porhibridização ou DNA ramificado ficariam positivos (CASTRO, 1999).
  27. 27. 262.1.6 Hepatite B Aguda Os pacientes portadores de hepatite B aguda tem como evolução as fasesprodrômicas com sintomas inespecíficos de anorexia, náuseas e vômitos, alteraçõesdo olfato e paladar, cansaço, mal-estar, artralgia, mialgias, cefaléia e febre baixa. Aictérica aparece depois de 5 a 10 dias da fase prodrômica caracterizando-se pelaredução da intensidade destes sintomas e ocorrência de icterícia; e convalescençacom a sintomatologia desaparecendo gradativamente geralmente em 2 a 12semanas (CASTRO, 1999). 3. PREVENÇÃO HEPATITE B A prevenção da hepatite B, exige método de vigilância epidemiológica, jáque seu objetivo é diminuir a ocorrência da doença e assim diminuir asconsequências que o vírus pode causar (CDC, 2002). Tudo deve ser avaliado neste contexto, desde os indivíduos que seencontram no grupo de risco, além dos que apresentam diferentes condiçõespatológicas como: hepatites agudas e crônicas, portadores assintomáticos do vírusB, infecção perinatal, pacientes com carcinomas hepatocelular e cirróticos. Asgestantes são avaliadas no exame pré-natal (terceiro trimestre) em relação aosmarcadores do vírus B (CDC, 2002; SILVEIRA et al., 2003). Nos últimos tempos, muitas conquistas aconteceram com o desenvolvimentodas vacinas protetoras contra a hepatite B. Vacinas com alto grau de eficácia estãono mercado para prevenir as infecções pelo VHB; e esta foi a primeira a serdescoberta em 1980 e feita com plasma humano. Mais tarde, foi substituída porvacinas sintetizadas pela técnica do DNA recombinante (BRASIL, 2003). Recentemente vem sendo disponibilizado ao mercado, vacinas contrahepatite viral associadas à antígenos do vírus B, e vacinas ajustadas com osantígenos de outros agentes infecciosos. Hoje em dia a imunoprofilaxia da hepatiteB é feita por vacinas de confiança, disponível quase em todo o mundo, e estão bemdocumentadas nos órgãos de saúde. Entre as finalidades principais da vacinação do
  28. 28. 27vírus da hepatite B estão: a prevenção da doença aguda, a minimização datransmissão viral e, coibir a cronificação da hepatopatia e sua evolução parahepatocarcinoma/e ou cirrose (BRASIL, 2003). A maneira utilizada pela OMS e aderida pelas Organizações oficiais paraconter a infecção do vírus B, foi de vacinar todas as crianças quando nasciam. Aovacinar estas crianças eles preveniam a cronificação da doença, a contaminação noinício da vida, a contaminação horizontal, tão comum nas residências onde existiamportadores do vírus da hepatite B. Assim, quando a criança é vacinada no início desua vida, existe maior probabilidade da realização de séries completas de vacinação(CDC, 2004; SHETE; DAUM, 2002). No Brasil existe um programa denominado Programa Nacional deImunizações (PNI) que orienta sobre a primeira dose da vacina ser administrada aorecém-nascido, nas primeiras 12 horas de vida, para evitar a transmissão vertical, namaternidade. Caso haja a duvida de saber se a criança ou o adolescente (01 a 19anos) foi ou não vacinado, deve-se iniciar a série de vacinas (BRASIL, 2003). Os esquemas das doses podem variar, mas costuma-se administrar trêsdoses. A segunda dose e a terceira dose devem ser aplicadas após 1 e 6 meses daprimeira dose aplicada. Caso a série seja interrompida após a primeira dose, asegunda deve ser administrada o quanto antes e a terceira depois de 2 meses dasegunda. Caso, aconteça da terceira dose faltar, a mesma deve ser administradaimediatamente (MAST et al., 2005). A vacina deve ser aplicada Intra Muscular (IM), na dose de 0,06 ml/Kg pesocorporal, e caso a dose ultrapasse 5 mL deve dividir a aplicação em mais duas áreasdiferentes. A maior eficácia da profilaxia é obtida com o uso recente (dentro de 24horas após o nascimento ou após o eventual acidente). Não existe indícios de quehaja benefício na utilização da HBIG uma semana após o contágio (ALTER, 2002). A vacinação rápida funciona dando a primeira dose no primeiro dia de vida,e as outras doses após 1,2 meses e reforço aos 12 meses; Já a vacinaçãoacelerada funciona dando a primeira dose no primeiro dia de vida e as outras após 7e 21 dias e reforço aos 12 meses; e ainda existe o esquema de 2 doses, quefunciona dando a primeira dose no primeiro dia de vida e outra 6-12 meses após(MAST et al., 2005). A proteção contra o vírus, aumenta de acordo com as doses aplicadas; elapor sua vez é muito eficaz, apresentando taxas de proteção de 95% com uma
  29. 29. 28variação de 80 a 100% em indivíduos que foram submetidos à todas as doses.Quando os anticorpos estiverem maiores ou iguais a 10 mUI/mL6 em relação aosHBsAg (anti-HBs), considera-se estado de proteção, já que a vacina induziu aformação de anticorpos contra o antígeno. Uma série completa de três ou quatrodoses da hepatite B proporciona uma resposta protetora em mais de 90% dosadultos e em mais de 95% das crianças e adolescentes saudáveis. A vacinapromove uma resposta exata em aproximadamente 90% dos adultos e 95% dascrianças, com a detecção de títulos de anticorpos entre 1.000 e 3.000 mUI/mL nosadultos e geralmente acima de 5.000 mUI/mL nas crianças (TRIVELLO et al., 1995). Na faixa etária pediátrica, a vacina alcança um nível de proteção queequivale a 16 a 40% após uma única dose, 80 a 95% depois de duas doses e 98 a100%, seguindo três doses. Nos recém-nascidos prematuros, que possuem menosde 2 Kg de peso, os níveis de anticorpos são mais baixos e as taxas desoroconversão menores (DAVIS, 2005). Os autores afirmam haver necessidade de avaliar a soroproteção após aterceira dose da vacina ou administrar uma dose de reforço aos 12 meses. Nosadolescentes e adultos, as taxas de respostas de anticorpos são de 20 a 30% apósuma dose, 75 a 80% seguindo duas doses e 90 a 95% depois de três doses. Agarantia da eficácia em longo prazo é por causa da resposta anamnética anti-HBs(CDC, 2004; DAVIS, 2005). Os fatores que fazem a diminuição da imunogenicidade da vacina dahepatite B, além dos cuidados inadequados com o material, incluem: idade acima de40 anos, sexo masculino, tabagismo, obesidade e deficiência imunológica (CDC,2004; DAVIS, 2005).3.1 Imunização passiva e ativa A imunização passiva ocorre devido a pré-exposição profilática àimunoglobulina da Hepatite B. A imunoglobulina, tem anticorpo para o AgHBs, quefaz uma proteção efetiva, mas é uma proteção temporária, contra a infecção. Masesta preparação tem uma disponibilidade limitada mas deveria ser dada se possível,
  30. 30. 29até as 48 horas após a exposição, parentérica ou mucosa, ao material AgHBs-positivo. Também se aconselha a dar em crianças nascidas de mães quedesenvolvem hepatite B aguda no último trimestre da gravidez ou que sãoportadoras de AgHBs altamente infecciosas. O bebê deve receber a imunoglobinalogo depois do nascimento, não podendo passar de 48 horas, deve sercomplementada por doses adicionais durante os primeiros seis meses de vida, e portrês doses de vacina da hepatite B. Mas isso pode indicar algumas vezes, aproteção temporária de parceiros sexuais e outros contatos familiares, que podeestar em alto risco, a partir de casos de hepatite aguda B. Sua dose inicial de 5 mL(500 mg de imunoglobulina total) deve ser dada intramuscularmente e repetidadepois de 1 mês (REID; GRIST, 1989). A imunização ativa é a vacinação com os antigênios recombinantes daHepatite B. As primeiras tentativas para a produção da vacina contra hepatite foramrealizadas em 1970 por Krugman, em Nova Iorque. Pode se observa que quandouma solução diluída do soro de hepatite B era fervida durante um minuto, istoprevenia ou modificava a hepatite B em cerca de 70% das pessoas quando elaseram subsequentemente confrontadas com material infeccioso. Existem dois tiposdisponível vacina de hepatite B sendo cormecializada. A primeira é preparada apartir de AgHBs que é extraído do plasma de portadores do vírus. Essa vacina ébem tolerada, tem uma alta efetividade e segurança, mas o seu fornecimento élimitado pela disponibilidade do plasma para a sua produção e pelo rigoroso eextenso processo para purificar e libertar do VHB infeccioso e outros agentespossíveis que possam estar presentes no plasma. A segunda se basea numarecombinação genética de antígenos produzidos em culturas de fungos. Essa vacinavem sendo considerada igualmente efetiva e segura em ensaios de campo (REID;GRIST, 1989).3.2 Esquemas administrações recomendadas (medicação) A vacinação tem um esquema que consiste em três doses de vacina dahepatite B: a primeira dose dada na data escolhida; a segunda dose dada 1 mês
  31. 31. 30mais tarde; a terceira dose dada 6 meses depois da primeira dose, como um“reforço”.Figura 5. Esquema de imunização para a vacina da hepatite BFonte: http://evunix.uevora.pt/~sinogas/TRABALHOS/2001/Imuno01_Hepatite%20B.htm O volume usado da vacina varia com a idade e a categoria do doente. Avacina deve ser bem agitada antes de usar; depois de misturada, torna-se numasuspensão branca ligeiramente opaca (REID;GRIST, 1989).Tabela 1 : Imunização contra a hepatite B. Grupo de doentes Primeira dose Segunda Terceira dose dose Crianças (do nascimento até aos 0,5 mL (10 µg) 0,5 mL (10 0,5 mL (10 µg) 10 anos de idade). µg) Recém-nascidos de mães AG HBs 0,5mL(no nascimento) 0,5 mL 1,0 mL (20 µg) positivo. mais imunoglobulina Adultos e crianças acima de 10 1,0 mL (20µg) 1,0 mL (20µg) 2,0 mL (40 µg) anos de idade. Pacientes de diálise e 2,0 mL (40 µg) 2,0 mL (40 0,5 mL imunocomprometidos µg)Fonte: Reid,D & Grist,N.R.(1989).Imunização contra a hepatite B, Nursing- Revista Técnicade Enfermagem, Lisboa,20:44-48. Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde:http://www.saude.gov.br/bvs
  32. 32. 313.3 Reações adversas da vacina hepatite B As reações adversas mais frequentes que podem ocorrer, de 1% a 6% dascrianças e adultos vacinados são dores no local da injeção e febre baixa. Mal-estar,cefaleia e fadiga pode vir a acontecer (FUNASA, 2001). Dor e hiperemia no sítio de injeção são os mais comuns efeitos adversosprovavelmente relacionados ao produto adjuvante da vacina, o hidróxido dealumínio. Aproximadamente 15% dos indivíduos vacinados sofrem um ou maissintomas sistêmicos leves e de resolução espontânea, como cefaléia, febre e/oufadiga, geralmente 24 a 48 horas após a vacinação (MAST et al., 2005;SHOENFELD, 1999; SZMUNESS et al.,1980).3.4 Contra-indicação da vacina de hepatite B Não há casos suficientemente relatados de contra-indicação desta vacina,porém, pode haver uma ocorrência muito rara de reação anafílática sistêmicaseguindo-se à aplicação de dose anterior (FUNASA, 2001). 4. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL O Diagnóstico da hepatite B é feito através dos testes sorológicos são os“marcadores imunológicos” que é a fração antigênica do vírus, as técnicas utilizadassão ezimaimunensaio (ELISA), pois tem a mesma sensibilidade e especificidade dastécnicas por radioimunoensaio (RIE), tem outras técnicas como detecção deanticorpos anti IgM (MEIA) e quimioluminescência, pois também tem resultadossatisfatórios. Também pode ser feito por testes de biologia molecular, é um métodode detecção direta , tem alto grau de sensibilidade, de uma região do genoma (DNA
  33. 33. 32ou RNA) do vírus, os testes são hibridação, essa técnica tem alta sensibilidade paradetectar o DNA do HBV, e a reação de polimerase em cadeia (PCR). O vírus daHepatite B possui três antígenos principais: HBs,HBe e HBc (FERREIRA; ÁVILA,2001).Tabela 2: Marcadores Sorológicos da Hepatite B Aguda.MARCADOR SIGNIFICADOHBsAg É o primeiro marcador que aparece no curso da infecção pelo HBV. Na hepatite aguda, ele declina a níveis indetectáveis rapidamente.Anti-HBc IgM É marcador de infecção recente, encontrado no soro até seis meses após a infecção. Na infecção crônica, pode estar presente enquanto ocorrer replicação viral.Anti-HBc IgG É marcador de longa duração, presente nas infecções passadas e crônicas.HBeAg Representa contato prévio com o vírus marcador de replicação viral.HBV-DNA Sua positividade indica alta infecciosidade níveis de HBV-DNA(quantitativo) durante a fase de replicação intensa do vírus em geral estão acima de 100.000 cópias/ml. Níveis abaixo de 100.000 cópias/ml podem ser detectados em qualquer fase da doença, mesmo na convalescência.Anti-HBe Surge após o desaparecimento do HBeAg, indica o fim da fase replicativaAnti-HBs É o único anticorpo que confere imunidade ao HBV. Está presente no soro após o desaparecimento do HBsAg, sendo indicador de cura e imunidade. Está presente isoladamente em pessoas vacinadasFonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Programa Nacionalde Hepatires Virais. Hepatites Virais: o Brasil está atento – Brasília: Ministério da Saúde,2002. A hepatite aguda se caracteriza pela sua intensa replicação viral, que ocorretanto nas formas sintomáticas, quanto nas oligoassintomáticas, o período deincubação varia de 2 a 6 meses. Cerca de 6 semanas após a contaminação, oHBsAg já se encontra presente no soro, podendo permanecer positivo nos casos
  34. 34. 33agudos por mais de 180 dias, e seu desaparecimento dá lugar ao anti-Hbs, fase estadenominada de janela imunológica. Pacientes persistentes com o HBsAg no soroalém de 6 meses são considerados portadores crônicos da doença (FERREIRA;AVILA, 1996).Tabela 3: Marcadores Sorológicos da Hepatite B Crônica.MARCADOR SIGNIFICADOHBsAg Sua presença por mais de seis meses é indicativa de hepatite crônica.HBeAg Na infecção crônica está presente enquanto ocorrer replicação viral, exceto nas cepas com mutação pré-core (não produtoras da proteína “e”)Anti-HBe Sua presença sugere redução ou ausência de replicação viral. Seu surgimento indica melhora bioquímica e histológicaHBV-DNA Como níveis de HBV-DNA podem ser encontrados em qualquer fase(quantitativo) da doença, para monitorar tratamento é necessário utilizar o teste quantitativo. Considera-se positivo o resultado > 100.000 cópias/mlFonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Programa Nacionalde Hepatires Virais. Hepatites Virais: o Brasil está atento – Brasília: Ministério da Saúde,2002. Indivíduos com hepatite B (definida sorologicamente como persistência doHBsAg por mais de 6 meses) pode-se observar, durante sua longa evolução, apresença de 2 fases distintas e de duração variável; na primeira, em geral,corresponde a períodos iniciais da doença, o VHB demonstra intensa replicação,comprovada pela presença no soro do HBsAg, do antígeno “e” (AgHBe), do próprioDNA viral (DNA-VHB), detectado por técnica de PCR, além dos anticorpos contra ocore viral (Anti-HBc) da classe IgG e ocasionalmente, da classe IgM. Este períodopode persistir durante anos, porém os pacientes infectados tendem a permanecerpositivos para o Anti-HBe, indicando que o grau de replicação reduziu (FERREIRA;AVILA, 1996). O período de incubação do HBV é de cerca de 40 a 180 dias, podendo estarrelacionada com à quantidade do inoculo e ao modo de transmissão e o período deefetividade pode se propagar ao longo de várias semanas antes do inicio dosprimeiros sintomas até o final da fase aguda e, pode prolongar-se por vários anosdependendo da replicação do vírus no individuo portador (BENENSON, 1995).
  35. 35. 34 Em função do potencial de gravidade do vírus da hepatite B, os casosdeverão ter prioridade na investigação para a tomada de medidas cabíveis. Oscomunicantes de cada caso deverão ser triados com pesquisas sorológicas domarcador HBsAg. Os indivíduos negativos deverão ser vacinados contra o vírus dahepatite B e os sorologicamente positivos deverão ser encaminhados para osserviços de atendimento clínico especializado (FUNASA, 2001). A confirmação diagnóstica da infecção aguda pode ser identificada por testessorológicos, do antígeno (HBsA) e/ou do anticorpo anti-HBc da classe IgM. O HBsAgencontra-se positivo já no período de incubação, aproximadamente 2 semanas antesdo aparecimento da icterícia. Entretanto, o diagnóstico do HBV na fase aguda podeser dificultado nas seguintes situações: o AgHBs pode ser negativo na fase inicial dadoença se caso o doente não for examinado ou se caso ocorrer co-infecção comoutro vírus, como o da hepatite D ou C, por fenômenos de interferência vírica epodem inibir a replicação do vírus da hepatite B. O anti-HBc da classe IgM torna-sepositivo no inicio do quadro clinico e persiste por cerca de 4 a 6 meses (ANDRIOLO,2005). Na fase aguda da doença, a presença do antígeno “e” (HBeAg) representainfectividade, quando este antígeno torna-se negativo por neutralização peloanticorpo (anti-HBe), a doença não evolui para fase crônica e tem uma positividadeno prognóstico (ANDRIOLO, 2005). Entre primeira fase (contato com o vírus) e a segunda (replicação viral),ocorre a negativação do HbeAg com surgimento do soro de anticorpos contra oantígeno “e” do vírus da hepatite B (anti-Hbe), chamada soroconversão, tornando oHbeAg negativos, predominando os níveis de VHB DNA, e altos níveis de ALT(alanina aminotransferase). Esses pacientes são portadores de uma variante doVHB que não produz HbeAg devido a mutação no pré core ou região promotora dopré-core. Nesses pacientes são necessários testes de quantificação viral. A reaçãoem tempo real quantitativa da cadeia de polimerase tem sido utilizada paraquantificação do vírus B e tem se mostrado muito sensível, acurada e tem umaampla faixa de linearidade (podendo atingir de 400 a 10 bilhões de cópias semdistorções), tendo combinado as boas características de outros testes (CASTRO,1999). O diagnóstico de cura da doença e desenvolvimento da imunidade é vistoquando ocorre o desaparecimento do HBsAg, a presença de anti-HBc da classe IgG
  36. 36. 35e o surgimento de anticorpos anti-HBsAg (ANDRIOLO, 2005). Os métodos utilizados para a detecção do vírus da hepatite B são osmétodos por biologia molecular e entre esses métodos estão:  Hibridização – esta técnica foi amplamente utilizada por apresentar alta sensibilidade para detectar o DNA do VHB (10 a 500 pg/mL).  Branched-DNA ou b-DNA-Chiron – quantificação do HBV-DNA, tem sido usada como parâmetro preditivo de resposta ao tratamento em pessoas com hepatite B crônica. Esta técnica de DNA ramificado apresenta boa reprodutibilidade, porém sua sensibilidade é baixa (>700.000 cópias/mL).  Reação em Cadeia Polimerase (PCR) – para DNA do VHB é muito mais sensível do que a técnica da hibridização (10.000 vezes mais), podendo detectar até 10 genomas por mL. Os melhores métodos confirmatórios para o estado de infecção do VHB sãoas técnicas de biologia molecular, como, por exemplo, o PCR VHB-DNA. Aquantidade do HBV-DNA no soro é proporcional à carga viral presente, estandoassociada à replicação viral. A presença e a quantidade de HBV-DNA no sompodem ser determinadas pelas técnicas de hibridização, na qual, as quantidades deHBV-DNA são expressas em pg/mL ou em equivalentes de genoma/mL. Pelo menos10 vírions devem estar presentes no soro para serem detectados pelo ensaio dahibridização. Esta pesquisa é útil para diagnosticar replicação (grau deinfectividade), resposta terapêutica específica e, pode ser útil, também para detectaro HBV-DNA, nos casos de hepatites crônicas anti-HBe reagentes. O genoma doVHB pode, ainda, ser isolado, clonado, quantificado e sequenciado pelas técnicas daPCR (VERONESI, 2004). No diagnóstico da hepatite B existem exames inespecíficos e provasespecíficas para um prognóstico preciso da doença, estes são: - Exames inespecíficos:  Aminotransferases - Os marcadores de agressão hepatocelular quesão AST/TGO (aspartato aminotransferase) e a ALT/TGP (alaninoaminotransferase). Quando o paciente esta na face agudas, podem atingir valoresaté 25 a 100 vezes acima do normal, sendo que alguns pacientes apresentamníveis baixos. Essas enzimas começam aumentar uma semana antes do início da
  37. 37. 36icterícia e volta ao normal a três a seis semanas após o curso clínico da doença.Nas formas crônicas geralmente não ultrapassam 15 vezes o valor normal, porvezes, em indivíduos assintomáticos, é o único exame laboratorial sugestivo dedoença hepática.  Bilirrubinas – após o aumento das aminotransferases, a bilirrubina vaiser aumenta, podem chegar a valores 20 a 25 vezes acima do normal nas formasagudas. Pode ser detectada precocemente, na urina antes mesmo do surgimento daicterícia.  Proteínas séricas –Não se alteram nas formas agudas geralmente. Nashepatites crônicas e cirrose, apresenta diminuição acentuada e progressiva daalbumina.  Fosfatase alcalina –Nas hepatites por vírus, se altera pouco, excetonas formas colestáticas, quando se apresenta em níveis elevados.Isso ocorre devidoà presença normalmente aumentada da fração osteoblástica dessa enzima duranteo período de crescimento, com isso deve ser considerado no acompanhamento decrianças e adolescentes.  Gama-glutamiltransferase (GT) – é uma enzima que está maisrelacionada aos fenômenos colestáticos, sejam intra e/ou extra-hepáticos. Ocorreaumento nos níveis da GT em icterícias obstrutivas, tumores hepáticos,hepatopatias alcoólicas, hepatites tóxico-medicamentosas.  Atividade de protrombina – Esta prova ocorre pouca alteração, excetonos quadros de hepatite fulminante. Em casos de hepatite crônica, o alargamento dotempo de protrombina indica a deterioração da função hepática e em associaçãocom alguns outros fatores clínicos e laboratoriais (encefalopatia, ascite, aumento debilirrubina, queda da albumina).  Alfafetoproteína – Não tem valor clínico na avaliação das hepatitesagudas. Com presença de valores altos, em pacientes portadores de hepatitecrônica, em pode indicar o desenvolvimento de carcinoma hepatocelular.Mesmo ospacientes com hepatite crônica pelo HBV podem desenvolver carcinomahepatocelular mesmo sem a presença de cirrose hepática.  Hemograma –nas formas agudas é normal a leucopenia é habitual,entretanto muitos casos não apresentam alteração no leucograma. Quando hápresença de leucocitose pode ocorrer intensa necrose hepatocelular ou a
  38. 38. 37associação com outras patologias. Não ocorrem alterações significativas na sérievermelha. - Provas específicas:  Marcadores sorológicos que são marcadores de triagem para ahepatite B: HBsAg e anti-HBc.  HBsAg (antígeno de superfície do HBV) –Foi o primeiro marcador asurgir após a infecção pelo HBV, que indica em torno de 30 a 45 dias, podendo serdetectável por até 120 dias. Está presente nas infecções agudas e crônicas.  Anti-HBc (anticorpos IgG contra o antígeno do núcleo do HBV) – Indicacontato prévio com o vírus este marcador. Fica detectável por toda a vida nosindivíduos que tiveram a infecção. Representa importante marcador para estudosepidemiológicos.  Anti-HBc IgM (anticorpos da classe IgM contra o antígeno do núcleo doHBV) – É um marcador de infecção recente, ele faz a confirmação do diagnóstico dahepatite B aguda. Podendo se detectado por até 6 meses após o início da infecção.  Anti-HBs (anticorpos contra o antígeno de superfície do HBV) – É ummarcado que indica imunidade contra o HBV. É detectado entre 1 a 10 semanasapós o desaparecimento do HBsAg e indica bom prognóstico. É encontradoisoladamente em pacientes vacinados.  HBeAg (antígeno “e” do HBV) – É um indicativo da replicação viral e,portanto, de alta efetividade. Presente na fase aguda,podendo surgir após oaparecimento do HBsAg e podendo ficar por até 10 semanas. Na hepatite crônicapelo HBV, a presença do HBeAg indica replicação viral e atividade da doençapodendo ter uma maior probabilidade de evolução para cirrose  Anti-HBe (anticorpo contra o antígeno “e” do HBV) – É um bommarcador para prognóstico na hepatite aguda. Quando ocorre a soroconversãoHBeAg para anti-HBe indica alta pro-sorológico o resultado será negativo já osegundo, que é realizado 3 a 6 meses após, será positivo, o que caracteriza umquadro agudo com soroconversão. Quando há presença de anti-HBe na hepatitecrônica,é indicativo de ausência de replicação do vírus (BRASIL, 2004).
  39. 39. 38 Tabela 4: Resultados sorológicos do VHB. Fonte: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/07_0044_M2.pdf Em alguns casos de hepatite B curada, o anti-HBs não é detectado por estarem baixos títulos. Nos casos de hepatite B (forma aguda, crônica ou fulminante)procedente de áreas conhecidas com circulação do HDV (região amazônica), seránecessário investigar hepatite D (delta) (BRASIL, 2004). 5. TRATAMENTO DA HEPATITE B O tratamento da hepatite B crônica é indicado em idade superior a 2 anos;HBsAg positivo por mais de seis meses; HBeAg positivo ou HBV-DNA maior que 104cópias/mL ou 1.900 UI/mL (fase de replicação); ALT/TGO maior que 2 vezes o limitesuperior da normalidade; pacientes que realizaram, nos últimos 24 meses, biópsiahepática onde tenha tido evidência da atividade necro-inflamatória de moderada aintensa e/ou presença de fibrose de moderada a intensa; ausência de contra-indicação ao tratamento (BRASIL, 2008). O uso de medicações para vômitos e febre deve ser realizado quandonecessário. Entretanto, necessita de uma atenção especial quanto às medicaçõesutilizadas, já que se deve evitar o emprego de drogas que tenham potencialhepatotóxico, como o paracetamol.Como norma geral, recomenda-se repousorelativo até a normalização das aminotransferases,liberando-se progressivamente o
  40. 40. 39paciente para atividades físicas e uma dieta pobre em gordura e rica emcarboidratos. De forma prática, deve ser recomendado que o próprio paciente definasua dieta de acordo com seu apetite e aceitação alimentar. A única restrição estárelacionada à ingestão de álcool, que deve ser suspensa por seis meses. As drogasconsideradas “hepatoprotetoras”, associadas ou não a complexos vitamínicos, nãotêm nenhum valor terapêutico. A administração de vitamina K durante um a três diaspode ser recomendada nos casos de queda da atividade de protrombina devido àabsorção intestinal inadequada dessa vitamina. A administração de corticosteróide étotalmente contra-indicada (BRASIL, 2008). No acompanhamento de quadros agudos de hepatites virais, as duasprimeiras consultas terão um intervalo de duas semanas. As consultassubsequentes devem ser realizadas em intervalos de quatro semanas, comdosagem de aminotransferases, tempo de protrombina, bilirrubinas e albumina como mesmo intervalo, até a detecção de duas dosagens normais com intervalo dequatro semanas. No início do acompanhamento, realiza-se adicionalmente adosagem de GT, fosfatase alcalina e proteínas totais e frações. Esses testes sãorepetidos a cada quatro semanas, ou em intervalos menores de acordo com oquadro clínico do paciente. O critério de alta inclui a remissão dos sintomas;normalização das bilirrubinas; normalização do tempo de protrombina; normalizaçãodas aminotransferases, com pelo menos duas dosagens normais com intervalo dequatro semanas (BRASIL, 2008). É importante que o tratamento da hepatite crônica esteja voltado para açõessimples que reduzam a chance de progressão para cirrose ou câncer de fígado,modificando a história natural da doença. A orientação feita aos portadores crônicosalerta para o não-consumo de bebidas alcoólicas, prevenção da co-infecção comHIV, controle de distúrbios metabólicos, como hiperlipidemia, obesidade e diabetes,não compartilhamento de utensílios e objetos de higiene contaminados com sangue(escova de dente, barbeadores) para evitar a transmissão domiciliar. Uma parcelados casos de hepatite crônica necessitará de tratamento, cuja indicação baseia-seem exame anatomopatológico do tecido hepático obtido por biópsia. Pacientes comaminotransferases normais merecem ser avaliados com exames de biologiamolecular, pois pode haver lesão hepática (BRASIL, 2008). No tratamento da hepatite são adotados medicamentos como Lamivudina eInterferon. A lamivudina é uma agente antiviral com ação sobre o vírus da
  41. 41. 40imunodeficiência humana tipo 1 (HIV-1) e sobre o HIV-2. O mecanismo de ação dalamivudina baseia-se na inibição da síntese dos ácidos nucléicos. Uma vez dentroda célula, a molécula de lamivudina é transformada em lamivudina-5-trifosfato queproduz um extremo terminal sem o hidroxilo 3 necessário para incorporar onucleotídeo seguinte à cadeia, resultando em uma finalização prematura daformação do genoma viral. A lamivudina possui poucos efeitos tóxicos sobre ascélulas da medula óssea e sobre os linfócitos e macrófagos circulantes, levando aum índice terapêutico elevado. A lamivudina é bem absorvida por via oral e atinge opico máximo de concentração plasmática uma hora após a administração; possuimeia-vida de 5 a 7 horas; sua eliminação é por via renal e 10% são metabolizadosno fígado (www.misodor.com/FARMACON/LAMIVUDINA.html). O efeito antiviral do interferon é realizado através da inibição da replicaçãodo DNA e RNA. No caso de retrovírus, a reunião de partículas virais é inibida. Ometabolismo do interferon acontece quando são filtrados totalmente nos glomérulose degradados por proteases durante a reabsorção tubular, de maneira que nãoreaparecem na circulação sistêmica nem na urina. A concentração sérica máxima deatividade antiviral no soro é alcançada 3 - 8 horas depois de uma injeçãointramuscular ou subcutânea. A vida média de eliminação no soro é de cerca de 4horas. Na hepatite B crônica com antígeno “e” positivo, pôde-se obter 50% desoroconversão (de HBeAg positivo para anti-HBe positivo) depois de um esquemade 4 meses com Interferon. Em adultos: 6.000.000 UI diárias por via intramusculardurante duas semanas; depois, três vezes por semana durante quatro semanas eduas vezes por semana durante 16 semanas, num total de 22 semanas. Emcrianças: 3.000.000 a 6.000.000 UI/m2 por via intramuscular três vezes por semanadurante 16 semanas. Se a criança tiver mais de 12 anos, a dose deve ser de6.000.000 UI (FUNDAÇÃO OSVALDO CRUZ).
  42. 42. 41 6. OBJETIVOS O presente trabalho tem como objetivo o levantamento epidemiológico dosprincipais aspectos da hepatite B e a incidência de casos ocorridos nos anos de2000 a 2011, considerando as seguintes variáveis: números de casos por ano denotificação no Estado de São Paulo; cicatriz sorológica por ano de notificação noEstado de São Paulo; distribuição percentual das prováveis fontes/mecanismo detransmissão no Estado de São Paulo; número de casos de acordo com a faixa etáriae número de casos de coinfecção de acordo com a faixa etária e distribuiçãoporcentual por sexo.
  43. 43. 42 7. MATERIAIS E MÉTODOS Os materiais desta pesquisa se constituíram de uma revisão literária dosprincipais aspectos da hepatite B e o número de surtos desta doença hepática noperíodo de 2000 a 20011 na população brasileira do Estado de São Paulo. Apesquisa foi realizada em artigos científicos, revistas e em sites de busca. Neste trabalho foram coletados dos dados através da Diretoria de VigilânciaEpidemiológica (DIVE), no período de 2000 a 2011. Foram selecionados surtos dehepatite B ocorridos neste período, considerando as seguintes variáveis: númerosde casos por ano de notificação no Estado de São Paulo; cicatriz sorológica por anode notificação no Estado de São Paulo; distribuição percentual das prováveisfontes/mecanismo de transmissão no Estado de São Paulo; número de casos deacordo com a faixa etária e número de casos de coinfecção de acordo com a faixaetária e distribuição porcentual por sexo.
  44. 44. 43 8. RESULTADOS E DISCUSSÕES Segundo o Controle de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Pauloos índices de casos ocorridos nesta região de 2000 ao início de 2012 foram de29.059 infectados e a maior incidência foi comprovada em 2011. Os indivíduos infectados pela grande maioria são do sexo masculino comidade entre 30 a 49 anos e contágio principal observado do vírus da hepatite B se dáem relações sexuais com parceiros infectados, sendo considerada uma doençasexualmente transmitida, totalizando 56% dos casos registrados pela vigilânciaepidemiológica local. Também é adquirida a hepatite B por via parenteral,transmissão de mãe para filho (transmissão vertical), acidentes de trabalho, pessoasem contato frequente com portadores (domiciliar), uso de agulhas e seringascontaminadas para aplicação concomitante de drogas e hemodiálise. A figura 6 descreve os casos notificados de hepatite B no período de 2002 a2012 no Estado de São Paulo, revelando uma maior incidência no ano de 2009 com3.895 casos.Figura 6: Número de casos de Hepatite B por ano de Notificação Estado de São Paulo –2000 a 2012.Fonte: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hepatite/hepa_graficos.htm. Acesso em 10 desetembro de 2012
  45. 45. 44 A figura 7 descreve a cicatriz sorológica da hepatite B, revelando um aumentoprovavelmente relacionado com a vacinação das pessoas, evidenciando imunização.Figura 7: Número de Cicatriz Sorológica de Hepatite B por ano de notificação Estado deSão Paulo de 2002 a 2012.Fonte: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hepatite/hepa_graficos.htm. Acesso em 10 desetembro de 2012
  46. 46. 45 Com relação as prováveis formas de transmissão a figura 8 evidencia maiorcontaminação por relação sexual com 56%, ou seja o sexo desprotegido ainda é amaior via de transmissão.Figura 8: Distribuição percentual das prováveis fontes / mecanismo de transmissãodefinidos dos casos de hepatite viral B – Estado de São Paulo – 2000 a 2012Fonte: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hepatite/hepa_graficos.htm. Acesso em 10 desetembro de 2012.
  47. 47. 46 O número de casos de acordo com a faixa etária é ilustrado na figura 9,prevalecendo maior incidência nas faixas etárias sexualmente ativas, sendo que onúmero de casos na faixa etária entre 20 a 29 anos são iguais entre homens emulheres com 3000 casos. Nas faixas etárias que variam de 30 a 39 anos a maiorincidência se dá no sexo masculino, sendo o número de casos superior a 4000. Afigura mostra diminuição progressiva nas faixas de 30 a 79 anos e menor incidênciano sexo feminino.Figura 9: Número de casos de Hepatite B de acordo com a faixa etária e sexo ESP – 2000a 2012.Fonte: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hepatite/hepa_graficos.htm. Acesso em 10 desetembro de 2012
  48. 48. 47 A figura 10 mostra o número de casos de coinfecção por faixa etária e sexo.Podemos observar um aumento da coinfecção entre 20 a 49 anos, porém com maiorincidência entre 30 a 39 anos e no sexo masculino.Figura 10: Número de caso de coinfecção Hepatite B, de acordo com a faixa etária edistribuição porcentual por sexo, Estado de São Paulo 2007 a 2012Fonte: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hepatite/hepa_graficos.htm. Acesso em 10 desetembro de 2012
  49. 49. 48 A tabela 5 mostra o número de casos em 28 cidades do estado de SãoPaulo revelando um aumento progressivo do ano de 2000 a 2009, porém o ano demaior incidência entre as cidades foi em 2011. Houve diminuição do número decasos de 2011 para 2012, porém deve-se desconsiderar devido o levantamento tersido realizado no começo do ano de 2012 em todas as cidades citadas. O maiornúmero de casos foi nas cidades de Campinas e São Paulo capital, provavelmentedevido ao grande número de habitantes.Tabela 5: Número de casos de Hepatite B por Grupo de vigilância Epidemiológica e ano denotificação, Estado de São Paulo 2000 a 2012.Fonte: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hepatite/hepa_graficos.htm. Acesso em 22 desetembro de 2012
  50. 50. 49 9. CONCLUSÃO A partir da elaboração deste trabalho monográfico e das pesquisasrealizadas para a conclusão deste, constatou que a hepatite viral B constitui um dosmais importantes problemas de saúde pública em todos os continentes. Concluímos com esta revisão bibliográfica que a doença da Hepatite B,relacionado à transmissão tem seus casos de maior incidência nas faixas etáriassexualmente ativas em pessoas do sexo masculino, comprovando que a principal viade transmissão é a sexual proveniente do sexo desprotegido com 56% dos casosnotificados. Com o surgimento da vacina contra o VHB, criou-se expectativa concretapara controlar esta doença. A nova política de vacinação lançada contra a hepatite Banexando uma obrigatoriedade da vacina no calendário de vacinações no ano de2012 ampliará a faixa etária limite de 24 anos para 29 anos, assim poderá ocorrer adiminuição de casos.
  51. 51. 50 REFERÊNCIASALTER, M.J. Prevention of spread of hepatitis C. Hepatology. Atlanta, EUA. v. 36, n.5, p. 93-98, novembro, 2002.ANDRIOLO, A. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar: Medicina laboratorial.UNIFESP/Escola Paulista de Medicina: Editora Manole – Série Nestor Schor, 2005, p. 153-154.BENENSON A. S. Control of communicable diseases in man, viral hepatitis. 16.ed. Washington: American Public Health Association, 1995. p. 217-233.BRASIL, Programa Nacional de Hepatites Virais. Avaliação da Assistência àsHepatites Virais no Brasil. Brasília, pp. 1-61, 2002. b.BRASIL. Ministério da Saúde. Hepatites Virais: o Brasil está atento, ProgramaNacional de Hepatites Virais. – Brasília: Ministério da Saúde, PP. 24, 2002. a.BRASIL, Secretaria de Políticas de Saúde. Hepatites virais – o Brasil está atento.Normas e manuais técnicos. Brasília: Ministério da Saúde; 2003.BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de orientações – Hepatites B e C, ProgramaMunicipal de Hepatites Virais. – Brasília: Ministério da Saúde, 2008BENSABATH, F.; LEÃO, R. N. Q. Epidemiologia na Amazônia Brasileira. EmFOCACCIA, R. Tratado das Hepatites Virais. 1. ed. São Paulo: Atheneu, 2003.Cap. 1.2, p. 11-26.BECK, J.; NASSAL M. Hepatitis B virus replication. World Journal ofGastroenterology, Germany. v. 13, n. 1, p. 48-64, janeiro, 2007.BIBLIOTECA VIRTUAL DO MINISTÉRIO DA SAÚDE: Disponível em:<http://www.saude.gov.br/bvs>. Acesso em: 13 setembro 2012.CASTRO, R. S. Epidemiologia da Hepatite Vírica. Resvista Portuguesa de doençasinfecciosas, Lisboa, 1999. Caderno 2, p. 89-99.
  52. 52. 51CDC. Recommendations and reports. Prevention and control of Infections witthhepatitis vírus in correctional setting. Morbidity and Mortality weekly Report2003;52:1.CDC. Hepatitis B virus: a comprehensive strategy for eliminanting transmission in theUnited States through universal childhood vaccination (ACIP)Management. Morbidity and Mortality Weekly Report 1991; 40: (nºRR-13) 1-25.CDC. Guidelines for Viral Hepatitis Surveillance and Case Management. Morbidityand Mortality Weekly Repot.Recommendations and Reports.June 2002:1-43.CDC. Hepatitis suveillance report no.59.Atlanta: US Department of Health andHuman Services,Centers for Disease Control and prevention;2004.http://www.cdc.gov/ncidod/diseases/hepatitis/resouurce/.DAVIS, J. P. Experience with hepatitis A and B vaccines. The American Journal ofmedicine. Madison EUA. v. 118, n. 10, p. 7-15, outubro, 2005.DANE, D. S.; CAMERON, C. H.; BRIGGS, M. Virus-like Particles in Serum ofPatients with. Australia-Antigen-Associated Hepatitis, Lancet, Austrália. v. 4, n.7649,p. 695-698, abril, 1970.DONALÍSIO, M. R. Epidemias e endemias brasileiras perspectivas da investigaçãocientífica. Revista Brasileira de Epidemiologia. São Paulo, v. 5, n. 3, p. 226-228,dezembro 2002.FERREIRA, A. W.; AVILA, S. L. M. Diagnótisco Laboratorial das principaisdoenças infecciosas e auto-imunes. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1996, p. 302.FERREIRA, C. T.; SILVEIRA, T. R. Hepatites virais: aspectos da epidemiologia e daprevenção. Revista Brasileira de Epidemiologia. São Paulo, vol.7, n.4, p. 473-487, dezembro 2004.FERREIRA, M. S. Diagnóstico e tratamento da hepatite B, Revista da SociedadeBrasileira de Medicina Tropical, Uberaba, v. 33, n. 4, julho/agosto, 2000.
  53. 53. 52FERREIRA, A. W.; AVILA, S. L. M. Diagnótisco Laboratorial das principaisdoenças infecciosas e auto-imunes. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,2001, p. 74,78,79.FUNDAÇÃO OSVALDO CRUZ. Interferon Alfa 2b Humano Recombinante.Disponível em: <www.fiocruz.br/bio_eng/media/memento_interferon.pdf> Acesso em17 outubro 2012.GUIA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA / FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. 5.ed. Brasília : FUNASA, 2002.GUIA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA /FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. 6ed. Brasília: FUNASA, 2005.KIDD-LJUNGGREN, K.; MIYAKAWA, Y.; KIDD, A. H. Genetic variability in hepatitis Bviruses. Journal of General Virology. Lund Europa. v. 83, n. 6, p. 1267-1280,junho, 2002.LOK, A. S. F.; MCMAHON, B. J. Chronic hepatitis B. Hepatology. Estados Unidos.v. 34, n. 6, p. 1225-1241, dezembro, 2001.LAMIVUDINA. Disponível em : <www.misodor.com/FARMACON/LAMIVUDINA.html>Acesso em 17 outubro 2012.MINISTÉRIO DA SAÚDE, Secretaria de vigilância em saúde, A,B,C,D,E de hepatitespara comunicadores, Brasília, 2005. Disponível em<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/hepatites_abcde.pdf> Acesso em: 20setembro 2012.MAST, E. E.; MARGOLIS, H. S.; FIORE, A. E.; BRINK, E. W.; GOLDSTEIN, S. T.;WANG, S. A.; MOYER, L. A.; BELL, B. P.; ALTER, N. J. A comprehensiveimmunization strategy to eliminate transmission of hepatitis B virus infection in theUnited States. Recommendations and reports: Morbidity and Mortality weeklyreport. Recommendations and reports/ Center of disease control. EstadosUnidos. v. 54, n. 16, p. 1-31, dezembro, 2005.MANUAL DE NORMAS DE VACINAÇÃO. 3.ed. Ministério da Saúde: FundaçãoNacional de Saúde; p. 72. Brasília: FUNASA, 2001.
  54. 54. 53RIBEIRO, A. Hepatite B: a sua prevenção na comunidade. Técnica deEnfermagem. Lisboa, 1997, Caderno 112, p.23-27.RANEY, A. .K.; MCLACHLAN, A. Molecular Biology of the Hepatitis B Virus. BocaRaton, Florida: CRC Press, 1991. p. 1-38. 323 p.ROBINSON, W..S.; GREENMAN, R. L. DNA Polymerase in the Core of the humanHepatitis B Virus Candidate. Journal of Virology. v. 13, n. 6, junho, 1974.REID, D.; GRIST, N. R. Imunização contra a hepatite B. Técnica de Enfermagem,Lisboa, 1989. Caderno 20, p. 44-48.SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE /MS. HEPATITES VIRAIS, 2004.Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/07_0044_M2.pdf. Acessoem 23 out. 2012.SHOENFELD, Y.; ARON-MAOR, A. Vaccination and autoimmunity-“vaccinosis”:adangerous liaison? Journal Autoimmunity. Israel. v. 14, n.1, p. 1-10, feveveiro,2000.SZMUNESS, W.; STEVENS C. E.; HARLEY, E. J.; ZANG, E. A.; OLESKO, W. R.;WILLIAN, D. C.; SADOVSKY, R.; MORRISON, J. M.; KELLNER, A. Hepatitis Bvaccine: demonstration of efficacy in a controller clinical trial in a high risk populationin the United States. The new England journal of medicine. Estados Unidos, v. 9,n.15, p. 833-841, outubro, 1980.SHETE, P. B.; DAUM, R. S. Real versus theoretical:assessing the risks and benefitsof postponing the hepatitis B vaccine birth dose.Pediatrics. Chicago EUA. v. 109, n.4, p. 701-703, abril, 2002.SILVEIRA, T. R.; CUNHA, J.; KREBS, L.; RAMALHO, L. Avaliação do grau deconhecimento e de proteção de ginecologistas e Obstetras do Rio Grande do Sul emrelação à hepatite B. AMRIGS, Rio Grande do Sul, 2003. Caderno 47, p. 193-201.TRIVELLO, R.; CHIARAMONT, M.; NGATCHU, T.; BALDO, V.; MAJORI, S.;MOSCHEN, M. E.; SIMONCELLO, I.; RENZULLI, G.; NACCARATO, R. Persistenceof anti-AgHBs antibodies in health care personnel to recombinant DNA HB boostervaccine. Vaccine. Itália. v. 13, n. 2, p. 139-141, fevereiro, 1995.
  55. 55. 54VERONESI, R. R. Tratado de Infectologia. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2004, p.302-317.WRIGHT, T.L.; MAMISH, D.; COMBS, C.; KIM, M.; DONEGAN, E.; FERRELL, L.;LAGO, J.; ROBERTS, J.; ASCHER, N. L. Hepatitis B virus and apparent fulminatenon-A, non-B hepatitis. Lancet. São Franscisco Califórnia, v.339, n. 8799, p. 952-955, abril, 1992.

×