ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1     LAMBEDOR: UM CONHECIMENTO POPULAR EM ABORDAGEM                        ...
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ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1       Na segunda fase, utilizou-se fichas (Anexo B) para as correlações en...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1 Gengibre                 Zingiberaceae         Zingiber officinalis Rosc. ...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1       Figura 01 – Distribuição percentual das partes das plantas utilizada...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Fórmula 04 – Lambedor contra mau hálito, e inflamações do estomago, baço e ...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Modo de preparar: Coloca todas as partes das plantas para cozinhar em 1 lit...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Fórmula 15 – Lambedor contra gripe.Plantas utilizadas: Cascas: jatobá (20g)...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança: 1 colhe...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, quebra as cascas ...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Plantas utilizadas: Folhas: malva-rosa (20g), mastruz (20g), hortelã-da-fol...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1      Tosse alérgica                                              3        ...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Uso científico comprovado: o principal componente químico da planta é a cum...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Uso científico comprovado: Os terpenos e fenólicos presentes nas folhas e n...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1      Nesse caso, as partes duras ficam mais tempo expostos ao calor do que...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.16.3 Estudo comparativo entre as indicações dos raizeiros e os princípios at...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.15 CONCLUSÕESCom base na descrição dos lambedores indicados e comercializado...
ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1MATOS, F. J. Farmácias Vivas. 3ed. Fortaleza: EUFC, 1998.NOGUEIRA, A. J. Me...
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  1. 1. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1 LAMBEDOR: UM CONHECIMENTO POPULAR EM ABORDAGEM CIENTÍFICA.Thiago Pereira Chaves1, Ivan Coelho Dantas2, Delcio de Castro Felismino3 Vanderléia dosSantos Dantas4, Govinda Deva dos Santos Dantas5.1 – Biológo thiago.pts@gmail.com; 2 – MSc UEPB Farmacêutico, mestre Saúde Coletiva,ivancd@gmail.com; 3 - Dr. UEPB. 4 – Especialista em Educação Ambiental, vsdpb@bol.com.br ; 5– Enfermeira.RESUMOAs plantas são utilizadas para os mais variados fins, e entre os principais está a sua utilização comomedicamento. Devido a essa propriedade as plantas têm se tornado alvo de estudo dos laboratóriosdas indústrias farmacêuticas e Universidades para o isolamento de novos princípios ativos, os quaispodem ser utilizados na produção de novos fármacos. Além disso, um grande número de pessoasutiliza plantas medicinais como recurso terapêutico, seja por opção ou porque este é o seu únicorecurso. Este trabalho teve como objetivo a descrição dos lambedores comercializados pelosraizeiros na cidade de Campina Grande – PB, correlacionando as indicações terapêuticas popularescom o uso científico pela ação dos princípios ativos. Foram utilizados os métodos de procedimentodescritivo e correlacional. Sendo entrevistados 22 raizeiros, localizados nas Arcas Titão e Catedral enas feiras Central, da Prata e da Liberdade, os quais citaram 60 plantas, entre as quais se destacaramo cumaru e o jatobá com 6,6% das citações cada uma. Com relação às partes das plantas, a maisutilizada é a folha com 37% das citações. Foram catalogados 33 tipos de lambedores, onde foiobservado que a maioria dos raizeiros extrapola o tempo de cozimento recomendado pela literatura.Dentre as enfermidades para as quais os lambedores são indicados, destaca-se a tosse com 21,62%das citações. Concluiu-se que as indicações terapêuticas das plantas comercializadas foramconfirmadas cientificamente através da presença de princípios ativos que combatem asenfermidades sugeridas pelo uso popular.Palavras-chave: Raizeiros, lambedores, plantas medicinais e princípios ativos. SYRUP: A POPULAR KNOWLEDGE IN SCIENTIFIC APPROACHABSTRACTA large variety of crops are used by many proposes, among these utilities they are used as medicine.Because of that property plants became a target from pharmaceutical studies by laboratories anduniversities for the isolation of new active ingredients, which can be used in the production of newdrugs. In addition, a large number of people use medicinal plants as a therapeutic recourse, either bychoice or because it`s their only choice. This work was aimed at the description of syrups marketedby the rooters in the city of Campina Grande - PB, correlating popular therapeutic indications andscientific use by the action of active ingredients. We used the methods of procedure and descriptivecorrelational. Was interviewed 22 rooters, located in Arcas Titão, Cathedral and Central fairs, Prataand Liberdade, which cited 60 plants, which highlighted cumaru and jatobá with 6.6% of citationseach. According to parts of the plants, the most used is the sheet, with 37% of the citations. It wherecatalogued 33 types of syrups and it was observed that most rooters beyond the time of cooking
  2. 2. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1recommended by the literature. Among the diseases for which syrups are given, there is a coughwith 21.62% of the citations. It was concluded that the therapeutic indications of the trade plantswhere confirmed the presence of active ingredients that combat the disease suggested by popularuse.Keywords: Syrups, medicinal plants and active ingredients1 INTRODUÇÃO Desde os primórdios da humanidade, o homem vem buscando alternativas para melhorarsuas condições de vida. Inicialmente procurou na natureza recursos para aumentar suas chances desobrevivência e acabou encontrando nas plantas fontes de alimento, matéria prima para confecçãode roupas e ferramentas, além de combustível para o fogo (LORENZI E MATOS, 2002) e a partirdaí, começou um longo percurso de manuseio, adaptação e modificação dos recursos naturais para oseu próprio benefício (DI STASI, 1996). Através do efeito de algumas plantas por ele ingeridas, o homem, com o passar do tempo,observou que se controlasse a dosagem, essas plantas poderiam ser usadas para outros fins além daalimentação, como curar e/ou aliviar suas dores e enfermidades, além disso, o homem tambémobservou os animais, as plantas que eles utilizavam para se curar e o efeito que estas causavamneles e em si próprio (LORENZI E MATOS, 2002; DANTAS 2007a). Foi através destes processosque o homem selecionou as plantas medicinais. Segundo Arruda (2001), no Brasil, o caminho das plantas medicinais empregadas na medicinapopular e práticas médicas vigentes, foi construído a partir das relações culturais que aqui seestabeleceram entre os grupos étnicos formadores do país: os índios, os negros e os brancos. Dantas (2007a), Dantas (2007b) e Wikipedia (2007) definem Planta medicinal como sendoaquela cujos constituintes contém um ou mais princípios ativos que lhe conferem atividadeterapêutica, profilática ou paliativa. De acordo com Balbach (1971), entre as funçõesdesempenhadas por essas plantas estão a purificação do organismo expelindo as toxinas, neutralizara acidez do sangue, suprir a falta de certos elementos nutritivos, estimular a ação de certos órgãos enormalizar o funcionamento de outros. O conhecimento empírico sobre plantas medicinais foi sendo acumulado através dos séculos epassado de geração em geração, perdurando até os dias de hoje. O emprego de plantas medicinais continua sendo bastante utilizado principalmente nos paísesem desenvolvimento como o Brasil, onde segundo Di Stasi (1996), 20% da população brasileiraconsome 63% dos medicamentos disponíveis e o restante da população, encontra nos produtos deorigem natural, especialmente as plantas medicinais, a única fonte de recurso terapêutico, já queessas plantas são bastante acessíveis. Grande parte da população que procura nos remédios caseiros a cura para sua enfermidaderecorre aos raizeiros para tal fim. Dantas, (2002) e Poel, (2007) definem raizeiros como aqueles queprocuram, recomendam e vendem plantas medicinais em mercados públicos, feiras livres ecalçadões, sendo muitas dessas plantas já conhecidas pelo povo. Para Nogueira et al. (2005), umadas características dos raizeiros é ter curiosidade sobre informações contidas na FarmacopéiaBrasileira e achar que os remédios do mato, naturais, são mais substanciosos do que os dosmédicos. Silveira e Jordão (1992) relatam que em Campina Grande 63,9% dos raizeiros encaminhamseus clientes aos médicos quando o tratamento com as plantas não se mostra eficaz, enquanto 9%dos raizeiros afirmam a versão contrária: recebem clientes encaminhados pelos médicos. É importante ressaltar que os raizeiros, apesar de analfabetos ou com pouca escolaridade,passam a vida inteira dedicados à experimentação com plantas e ao tratamento de doenças econhecem os efeitos das ervas no organismo humano (DANTAS, 2006).
  3. 3. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1 Entre os medicamentos indicados e comercializados pelos raizeiros estão os lambedores.Estes, são preparações espessadas com açúcar, rapadura ou mel e utilizados geralmente para otratamento de dores de garganta, tosse e bronquite, pois geralmente é feito a partir de plantaspropícias para problemas respiratórios (MATOS, 1998; LORENZI E MATOS, 2002; BEERENDSet al. 2003; MARTINS, 2003 e LIMA et. al, 2006). Os lambedores apresentam uma grande importância para a população devido ao fácil acessoe a eficácia no tratamento de problemas respiratórios. Embora sejam bastante consumidos, osconhecimentos sobre a confecção dos lambedores são basicamente empíricos, sendo necessário umestudo de cunho científico sobre tais medicamentos, para que seja feita a comprovação de suaeficácia e a catalogação das plantas utilizadas em seu preparo, já que a nomenclatura das plantasvaria a cada região. De acordo com Silva et. al. (2002), desde 1989 existe no Brasil uma organização deprofissionais de saúde vinculados ao serviço público que vem introduzindo a fitoterapia comoterapia de atenção primária à saúde incentivados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), tendoexperiências bem sucedidas de Norte a Sul do país. Entretanto as autoras citando Oliveira (1998)relatam que profissionais da área de saúde que atuam no serviço público da Paraíba pouco utilizamplantas medicinais, devido, principalmente, a falta de conhecimento nessa área, tanto doprofissional, quanto dos próprios pacientes. A partir da comprovação da eficácia dos lambedores, estes podem ser indicados porprofissionais de saúde que atuam no serviço público, já que os lambedores são de fácil preparação ebaixo custo, sendo, portanto, acessíveis a população em geral. Essa pesquisa tem como objetivo estudar os tipos de garrafadas indicadas e comercializadaspelos raizeiros de Campina Grande-PB; relacionar os tipos de plantas e solventes utilizados pelosraizeiro para cada tipo de garrafada; reconhecer as plantas utilizadas nas garrafadas por nomecientifico; descrever modo de preparar, dose e posologia para cada tipo de garrafada.verificar asenfermidades para quais as garrafadas são indicadas; determinar os princípios ativos das plantascatalogadas, verificando as ações terapêuticas dos mesmos e comparar o uso popular com oconhecimento científica.2 MATERIAL E MÉTODOS2.1 Cenário e universo da pesquisa O trabalho foi desenvolvido na cidade de Campina Grande, onde a pesquisa de campo foirealizada in loco, entre 22 raizeiros localizados nas Arcas Titão e Catedral e nas Feiras Central, daPrata e da Liberdade, durante os meses de Abril e Maio de 2007.2.2 Métodos de Procedimento Nesse estudo foram adotados como métodos de procedimentos o descritivo e o correlacional.O método descritivo foi utilizado no estudo dos lambedores junto aos raizeiros, através da aplicaçãode questionário (Anexo A). O método correlacional foi adotado quando foram estabelecidas ascomparações entre o uso popular e o conhecimento científico. Esses métodos são semelhantes aosutilizados por Dantas (2006).2.3 Técnica e instrumentos de coleta de dados Inicialmente, após manifestação do livre consentimento pelos entrevistados, utilizou-segravador de voz Sony e ficha (Anexo A) de orientação ao cadastramento bibliográfico parareconhecimento do uso popular das plantas medicinais utilizadas nos lambedores indicados ecomercializados pelos raizeiros. Utilizou-se câmera digital Sony 4,5 megapixels para fotografar asplantas.2.4 Análise dos dados
  4. 4. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1 Na segunda fase, utilizou-se fichas (Anexo B) para as correlações entre o conhecimentoempírico dos raizeiros e o conhecimento científico, verificando o nome popular e o nome científicodas plantas medicinais comercializadas, bem como, os princípios ativos e uso comprovado dosmesmos, consultando-se bibliografia especializada nas respectivas áreas do conhecimento correlato. Para os dados percentuais estatísticos foi utilizado o programa Microsoft Office Excel 2007.3 RESULTADOS3.1 Plantas medicinais utilizadas pelos raizeiros na confecção dos lambedores. Observa-se na tabela 01, as 60 plantas citadas pelos 22 raizeiros entrevistados. Sendo ocumaru (6,6%) e o jatobá (6,6%) os mais citados, seguido por malva-rosa, eucalipto e angico,representando 6,3% das citações cada uma e hortelã-da-folha-graúda (6,0%). As plantas denominadas marí, carrasco e contra-erva não foram identificadascientificamente.Tabela 01. Relação do nome popular, família, nome científico, freqüência e porcentagem das plantas citadas pelos raizeiros. NOME FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO F1 % POPULAR Abacaxi Bromeliaceae Ananas comosus (L.) Merr 1 0,30 Acerola Malpighiaceae Malpighia glabra L. 2 0,60 Agrião Brassicaceae Lepidium virginicum L. 3 0,90 Alcaçuz-da-praia Papilionaceae Periandra dulcis Mart ex Benth. 8 2,40 Alecrim Lamiaceae Rosmarinus officinalis L. 10 3,00 Alho Liliaceae Allium sativum L. 3 0,90 Angico Mimosaceae Anadenanthera macrocarpa (Benth) Brenan. 21 6,30 Aroeira Anacardiaceae Myracrodruom urundeuva Fr. All. 3 0,90 Babosa Liliaceae Aloe vera L. 1 0,30 Bananeira Musaceae Musa paradisiaca L. 3 0,90 Barbatimão Mimosaceae Stryphnodendron coriaceum Benth 4 1,20 Batata-de-purga Convolvulaceae Operculina macrocarpa Horgan. 3 0,90 Cajueiro-roxo Anacardiaceae Anacardium occidentale L. 2 0,60 Capitãozinho Amaranthaceae Gomphrena demissa Mart. 4 1,20 Carrasco Não identificada Não identificada 1 0,30 Catingueira Caesalpinaceae Caesalpinia pyramidalis Tul 1 0,30 Cebola-branca Liliaceae Allium ascalonium L. 16 4,80 Cebola-roxa Liliaceae Allium cepa L. 1 0,30 Cebola-xenxém Amarylliaceae Amaryllis beladona L. 1 0,30 Chachambá Acanthaceae Justicia pectoralis Jacq 1 0,30 Chumbinho Verbenaceae Lantana camara L. 1 0,30 Colônia Zingiberaceae Alpinia speciosa Schum. 19 5,70 Contra-erva Não identificada Não identificada 1 0,30 Copaíba Caesalpinaceae Copaifera cearensis Hub 1 0,30 Coroa-de-frade Cactaceae Melocactus zehntneri (B ritton ex Rose) Luetzelb. 1 0,30 Cravo-da-Índia Myrtaceae Syzigium aromaticum (L) Merril et Perry. 2 0,60 Cumaru Fabaceae Amburana cearensis (Fr. All.) A. Smith. 22 6,60 Espinho-de-cigano Asteraceae Acanthospermum hispidum D.C. 3 0,90 Embaúba Moraceae Cecropia palmata Willd. 1 0,30 Eucalipto Myrtaceae Eucalyptus globulus Labill 21 6,30 Fedegoso Boraginaceae Heliotropium indicum L. 1 0,30
  5. 5. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1 Gengibre Zingiberaceae Zingiber officinalis Rosc. 7 2,10 Hortelã-da-folha- Lamiaceae Plectranthus amboinicus Lour graúda 20 6,00 Hortelã-da-folha- Lamiaceae Mentha x villosa Huds miúda 4 1,20 Imburana Burseraceae Commiphora leptophloeos (Mart.) Gillett 3 0,90 Jatobá Caesalpinaceae Hymenaea courbaril L. 22 6,60 Juá Rhamnaceae Zizyphus joazeiro Mart. 1 0,30 Jucá Caesalpinaceae Caesalpinia ferrea Mart. Ex Tul. 1 0,30 Limão Rutaceae Citrus limon (L.) Burm. 5 1,50 Macaíba Arecaceae Acrocomia aculeata Lodd 1 0,30 Malva-rosa Geraniaceae Pelargonium graveolens Art. 21 6,30 Mangerioba Caesalpinaceae Senna occidentalis (L). Link. 1 0,30 Mão-fechada Selaginellaceae Selaginella convoluta Spring. 1 0,30Continuação da Tabela 01. Relação do nome popular, família, nome científico, freqüência eporcentagem das plantas citadas pelos raizeiros. NOME FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO % POPULAR F1 Marí Não identificada Não identificada 1 0,30 Mastruz Chenopodiaceae Chenopodium ambrosioides L. 15 4,50 Mororó Caesalpinaceae Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud. 4 1,20 Mussambê Capparidaceae Cleome spinosa L 5 1,45 Palma Cactaceae Nopalea fícus-indica L. 1 0,30 Pepaconha Violaceae Hybanthus ipecacuanha L. 18 5,40 Pau-d’arco-roxo Bignoniaceae Tabebuia avelanedae Lor. 2 0,60 Picão Asteraceae Bidens pilosus L. 1 0,30 Poejo Lamiaceae Mentha pulegium L 1 0,30 Quina-quina Rubiaceae Coutarea hexandra (Jack). Schum. 1 0,30 Quixabeira Sapotaceae Sideroxylon obtusifolium (Roem. & Schult.) T. D. Penn 2 0,60 Romã Punicaceae Punica granatum L 7 2,10 Sabugueiro Capripholiaceae Sambucus australis Cham et Schlecht. 10 3,00 Saião Crassulaceae Bryophyllum calycinum Salisb. 8 2,40 Sena Caesalpinaceae Cassia angustifolia Del. 7 2,10 Sucupira Fabaeae Bowdichia virgilioides H.B.K. 4 1,20 Umbigo-de- Sterculiaceae Helicteres baruensis Jacq. bezerro 2 0,60 CITAÇÕES 338 100,001. F = Freqüência de vezes que a planta foi citada entre os raizeiros Foram catalogadas 38 famílias, destacando Caesalpinaceae, com 7 vegetais, Liliaceae eLamiaceae com 4 plantas cada uma e Mimosaceae, Anacardiaceae, Zingiberaceae, Fabaceae eAsteraceae com 2 plantas cada (Tabela 01). Em relação as partes das plantas utilizadas nos lambedores, observa-se na figura 01 que aspartes mais utilizadas são as folhas, com 37% das citações, em seguida aparece a casca, com 25% ea raiz com 12,6%, enquanto a parte menos utilizada é o óleo, com 0,3%.
  6. 6. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1 Figura 01 – Distribuição percentual das partes das plantas utilizadas nos lambedores3.2 Tipos de Lambedores Foram catalogados 33 tipos de lambedores. Serão transcritos a seguir, dez fórmulas delambedores exatamente como narrados pelos raizeiros.Fórmula 01 – Lambedor contra cansaço, bronquite, asma, gripe e febre reumáticaPlantas utilizadas: Cascas: jatobá, cumarú, angico e romã (casca do fruto). Folhas: malva-rosa,hortelã-da-folha-graúda, alecrim, sena, eucalipto e colônia. Raiz: alcaçuz-da-praia e pepaconha.Modo de preparar: Coloca-se em 1,5 litros de água 30 gramas de cada planta e leva ao fogo,deixando cozinhar por 30 minutos, logo após, côa, coloca 1 kg de açúcar e leva de volta ao fogo atédar o ponto de mel. Pode-se adicionar ainda um dente de alho e limão, que além de enriquecer o lambedor, aindaajuda a conservar.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 02 – Lambedor contra cansaço, pneumonia, bronquite, rouquidão, inflamação da garganta,coriza, sinusite, dor de cabeça, gripe e resfriado.Plantas utilizadas: Cascas: jatobá e cumarú. Folhas: malva-rosa, eucalipto, colônia e mastruz. Flor:sabugueiro. Raiz: gengibre e pepaconha.Modo de preparar: Coloca 10 gramas de cada parte de planta em 1,5 litros de água e leva ao fogopor 30 minutos, logo após côa e leva ao fogo juntamente com, 1,2 kg de açúcar até dar o ponto demel. Nesse lambedor, folhas de mussambê e raiz de alcaçuz-da-praia podem ser adicionadas.Dose e posologia: Se a enfermidade for forte, toma 4 colheres de sopa ao dia, se estiver maisbranda, toma 3 colheres de sopa ao dia.Fórmula 03 – Lambedor contra tosse e rinite alérgica.Plantas utilizadas: Frutos: agrião, limão e acerola.Modo de preparar: Passa no liquidificador 20 gramas de agrião, 300 gramas de acerola, 3 limões e1 litro de mel, côa e armazena. Consumir 24 horas depois de preparado.Dose e posologia: 3 colheres de sopa ao dia.
  7. 7. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Fórmula 04 – Lambedor contra mau hálito, e inflamações do estomago, baço e esôfago.Plantas utilizadas: Cascas: aroeira e barbatimão. Raiz: gengibre. Fruto: cravo-da-índia. Bulbo:Cebola-branca (picadinha).Modo de preparar: Colocar 10 gramas de cada parte de planta em 1 litro de mel e deixa por 5 dias.Dose e posologia: 2 colheres de sopa por dia.Fórmula 05 – Lambedor contra tosse, catarro e problemas respiratórios em geral.Plantas utilizadas: Cascas: cajueiro-roxo, pau-d’arco-roxo, quixaba, angico, barbatimão, cumarú eromã (casca do fruto). Folhas: malva-rosa, colônia, hortelã-da-folha-graúda, eucalipto, mussambê(folhas e/ou raiz) e mastruz (folhas e/ou raiz). Raiz: pepaconha. Bulbo: cebola-branca e alho.Modo de preparar: Coloca-se 20 gramas de cada parte das plantas juntamente com 1kg de açúcarem 1,5 litros de água e coloca para cozinhar junto as cascas e raízes e deixa ferver até o ponto dexarope, depois adiciona-se as folhas e bulbos deixa fervendo 5 minutos. O açúcar pode ser substituído pelo mel, ou este pode ser adicionado ao lambedor depois depronto (quando estiver frio). Quando a rapadura preta no substituir o açúcar, o lambedor ainda serve contra anemia.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 06 – Lambedor contra tosse, catarro no peito e cansaço.Plantas utilizadas: Cascas: cumarú, jatobá e angico. Folhas: malva-rosa, hortelã-da-folha-graúda,colônia e eucalipto. Raiz: pepaconha e alcaçuz-da-praia. Fruto: umbigo-de-bezerro e limão. Bulbo:cebola-branca.Modo de preparar: para as folhas são usados 10 gramas, e para as demais partes são usados 30gramas. Leva tudo ao fogo com 1 litro de água por 25 minutos, côa e leva de volta ao fogo com 1,1kg de açúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança: 1 colher de chá 3 vezes ao dia.Fórmula 07 – Lambedor expectorante, contra cansaço e tosse alérgica.Plantas utilizadas: Cascas: cumarú, jatobá, angico e romã (casca do fruto). Folhas: babosa,eucalipto, colônia, malva-rosa, mastruz e hortelã-da-folha-graúda. Raiz: pepaconha. Semente:sucupira. É utilizado ainda mangará de banana e cupim de cajueiro.Modo de preparar: coloca as partes secas das plantas em 1 litro de água e leva ao fogo por 30minutos, côa, adiciona 1 kg de rapadura preta partida, juntamente com as partes verdes e leva devolta ao fogo até dar o ponto de mel. Logo após côa e armazena.Dose e posologia: Adulto: dois dedos em um copo americano 2 vezes ao dia. Criança: 1 dedo emum copo americano 2 vezes por dia.Fórmula 08 – Lambedor contra tosse, febre, catarro, rouquidão, bronquite, asfixia, coriza,inflamação na garganta por crise de amídala, dor de cabeça causada por crise de sinusite.Plantas utilizadas: Folhas: malva-rosa (25 gramas), eucalipto (20 g), colônia (20 g), hortelã-da-folha-graúda (40 g) e mastruz (20 g). Raiz: pepaconha (20 g) e gengibre (50 g). Flor: sabugueiro (15g). Fruto: acerola (100 g) e limão (1 banda). Cascas: jatobá (50 g) Imburana (20 g).Modo de preparar: Coloca as partes das plantas para cozinhar em 2 litros de água durante umahora, côa e leva de volta ao fogo com 1,5 kg de açúcar mascavo por 20 minutos.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 09 – Lambedor contra tosse, catarro, dor no peito e coqueluche.Plantas utilizadas: Cascas: cumaru (20 g), Jatobá (20 g), angico (20 g), e romã (casca do fruto) (20g). Raiz: pepaconha (20 g) Folhas: malva-rosa (10 g), hortelã-da-folha-graúda (10 g), mastruz (10g) e alecrim (10 g). Bulbo: cebola-branca (10 g). Fruto do jatobá (1 vagem com fruto e casca).
  8. 8. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Modo de preparar: Coloca todas as partes das plantas para cozinhar em 1 litro de água com 1 kgde açúcar até dar o ponto de mel. Logo após côa e armazena.Dose e posologia: Adulto: 2 dedos num copo americano 2 vezes por dia; Criança: 1 colher de chá 2vezes por dia.Fórmula 10 – Lambedor expectorante.Plantas utilizadas: Cascas: cumaru, jatobá, angico e imburana. Folhas: malva-rosa, alecrim,hortelã-da-folha-graúda, mastruz, eucalipto e sena. Raiz: capitãozinho e pepaconha. Flor:sabugueiro. Bulbo: cebola-branca.Modo de preparar: Cozinha 30 gramas de cada parte de planta por 20 minutos em 1 litro de água,côa e leva de volta ao fogo com 600 gramas de açúcar e deixa até dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 11 – Lambedor expectorante contra asma, bronquite, cansaço e tosse.Plantas utilizadas: Cascas: jatobá (10g), cumaru (10g), angico (10g), mororó (10g) e Quina-quina(10g). Folhas: hortelã-da-folha-graúda (30 a 40g), mastruz (30 a 40g), alecrim (30 a 40g) e sena(1g). Flor: sabugueiro (1g). Raiz: alcaçuz-da-praia (10g), pepaconha (10g) e espinho-de-cigano(20g). Ainda são utilizadas cebola-branca (20g) e batata-de-purga (20g).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, leva para cozinhar em 1,5 litros de águapor 20 minutos. Logo após côa, e leva de volta ao fogo com 1 kg de açúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança de 5 a 8 anos, meia colher desopa 3 vezes ao dia e criança menor de 5 anos, 1 colher de chá 3 vezes ao dia.Fórmula 12 – Lambedor para expectorante contra cansaço e tosse.Plantas utilizadas: Cascas: jatobá (10g), aroeira (10g), angico (10g) e mororó (10g). Folhas:hortelã-da-folha-graúda (30 a 40g), chachambá (30 a 40g), eucalipto (30 a 40g), colônia (30 a 40g),sena (1g), agrião (30 a 40g), malva-rosa (50g), mastruz (30 a 40g) e saião (30 a 40g). Raiz:pepaconha (10g), alcaçuz-da-praia (10g), gengibre (10g), espinho-de-cigano (20g). São usadasainda cebola-branca (20g), mangará de bananeira e batata-de-purga (20g).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, leva para cozinhar em 1,5 litros de águapor 20 minutos. Logo após côa, e leva de volta ao fogo com 1 kg de açúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança de 5 a 8 anos, meia colher desopa 3 vezes ao dia e criança menor de 5 anos, 1 colher de chá 3 vezes ao dia. Se a tosse estivermuito forte, tomar 4 vezes ao dia.Fórmula 13 – Lambedor expectorante contra cansaço e tosse.Plantas utilizadas: Cascas: jatobá, cumaru, angico e mororó. Folhas: hortelã-da-folha-graúda,saião, malva-rosa, eucalipto e colônia. Raiz: pepaconha, alcaçuz-da-praia e capitãozinho. Bulbo:cebola-branca.Modo de preparar: coloca 20 gramas de cada parte de planta para cozinhar em 2 litros de água por30 minutos, côa e leva de volta ao fogo com 1 kg de açúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança: 1 colher de chá 3 vezes ao dia.Fórmula 14 - Lambedor contra gripe e expectorante.Plantas utilizadas: Cascas: angico, jatobá e cumaru. Raiz: alcaçuz-da-praia, gengibre e pepaconha.Folhas: malva-rosa e hortelã-da-folha-miúda. Flor: sabugueiro. Bulbo: cebola-branca.Modo de preparar: Coloca 20 gramas de cada parte de planta para cozinhar em 1 litro de águajuntamente com 1 kg de açúcar por 30 minutos. Em seguida, côa e armazena.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.
  9. 9. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Fórmula 15 – Lambedor contra gripe.Plantas utilizadas: Cascas: jatobá (20g), angico (20g) e cumaru (20g). Semente: sucupira (3unidades) Folhas: malva-rosa (30 a 40 g), hortelã-da-folha-graúda (30 a 40 g), colônia (5g)eeucalipto (5g). Flor: mussambê (3 a 5 cachos). Bulbo: cebola-branca (30 a 40g).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, quebra as cascas e coloca tudo em umapanela com 1 litro de água fervendo, abafa por 20 minutos, côa e leva de volta ao fogo com 1 kg deaçúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 16 – Lambedor contra tosse, tosse alérgica, broncopneumonia e asma.Plantas utilizadas: Cascas: cumaru (20g) e marí (20g). Flor: colônia (10g). Fruto: umbigo-de-bezerro (3 unidades). Folhas: eucalipto (10g), malva-rosa (seca: 10g, verde : 30g). São utilizadosainda, Cebola-xenxém (1 cabeça) e cupim de angico (1 copo americano tirado do interior, com osanimais ainda vivos).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas (exceto o cupim de angico), quebra ascascas e coloca tudo em uma panela com 1 litro de água fervendo, abafa por 20 minutos, côa e levade volta ao fogo com 1 kg de açúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 17 – Lambedor contra catarro.Plantas utilizadas: Raízes: espinho-de-cigano (20g) alcaçuz-da-praia (20g) e pepaconha (10g).Folha: colônia (5g) e saião (20g). É utilizado ainda 300 g de coroa-de-frade (após retirar osespinhos).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, coloca tudo em uma panela com 1 litrode água fervendo, abafa por 20 minutos, côa e leva de volta ao fogo com 1 kg de açúcar até dar oponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 18 – Lambedor contra qualquer tipo de tosse.Plantas utilizadas: macaíba (polpa do fruto) e óleo de copaíba.Modo de preparar: coloca 1 copo americano da polpa de macaíba em 1 litro de água quente emexe em fogo brando até dissolver, logo após côa e leva de volta ao fogo com 1 kg de açúcarmascavo mexendo sempre até apurar. Depois disso leva o produto para um recipiente de vidro equando estiver morno, adiciona uma colher de sopa do óleo de copaíba e mistura bem.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 19 – Lambedor contra tosse, cansaço, gripe, sinusite, asma, coqueluche e bronquitePlantas utilizadas: Cascas: angico (5g), jatobá (5g), cumaru (5g) e romã (casca do fruto: 5g). Raiz:pepaconha (5g) e gengibre (1g). Folhas: malva-rosa (2 a 5g), hortelã-da-folha-graúda (2 a 5g), saião(2 a 5g), mastruz (2 a 5g), eucalipto (2 a 5g), colônia (2 a 5g), alecrim (2 a 5g) e sena (1g).Semente: sucupira (5 unidades). Flor: sabugueiro (1g). Bulbo: cebola-branca (2g).Modo de preparar: Coloca todas as partes para cozinhar em 2 litros de água por 25 minutos, côa,adiciona 1 kg de açúcar e leva de volta ao fogo até dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher e sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 20 – Lambedor expectorante contra tosse, coqueluche, cansaço, bronquite e asma.Plantas utilizadas: Cascas: cumaru (5g), angico (5g) e jatobá (5g). Folhas: eucalipto (5 a 10g),hortelã-da-folha-graúda (5 a 10g), malva-rosa (5 a 10g), mastruz (5 a 10g) e alecrim (5 a 10g). Flor:sabugueiro (1g). Fruto: limão (1/4).Modo de preparar: Cozinha tudo em 1,5 litros de água por 15 a 20 minutos, côa adiciona 1,2 kg deaçúcar até dar o ponto de mel.
  10. 10. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança: 1 colher de chá 2 vezes ao dia.Fórmula 21 – Lambedor contra tosse, cansaço, bronquite, tosse alérgica e coqueluche.Plantas utilizadas: Cascas: cumaru (5g), jatobá (5g), aroeira(5g), angico (5g) e mororó (5g). Raiz:capitãozinho (2g), pepaconha (2g) e alcaçuz-da-praia (2g). Folhas: malva-rosa (2 a 5g), eucalipto (2a 5g), colônia (2 a 5g), hortelã-da-folha-graúda (2 a 5g), alecrim (2 a 5g) e saião (2 a 5g). Flor:sabugueiro (1g). Bulbo: cebola-branca (20g).Modo de preparar: Cozinha tudo em 1,5 litros de água por 40 minutos, côa, adiciona 1 kg deaçúcar e leva de volta o fogo até dar o ponto de mel.Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança: 1 colher de chá 3 vezes ao dia.Fórmula 22 – Lambedor contra problemas das vias respiratórias em geral.Plantas utilizadas: jatobá, angico, cumaru, pau d’arco, jucá, fedegoso, saião, agrião, mastruz,Cebola-branca, alho, alecrim, Hortelã-da-folha-graúda de miúda, sucupira, eucalipto e mussambê.Obs: são utilizadas todas as partes dessas plantas.Modo de preparar: Para cada 120 litros de lambedor, são utilizados 5 kg de plantas. Coloca asplantas em 120 litros de água e deixa cozinhar por 24 horas. Após isso, côa, e para cada litro dopreparado é adicionado 1 kg de açúcar. Leva a mistura de volta ao fogo por mais 24 horas. Àmedida que for evaporando a água, completa com água quente, sempre mantendo os 10 litros.Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança: 1 colher de chá 3 vezes ao dia.Fórmula 23 – Lambedor contra gripe.Plantas utilizadas: Cascas: cumaru (50g), angico (50g), barbatimão (50g), jatobá (50g), quixaba(50g) e romã (50g) (casca do fruto). Folhas: eucalipto (50g), hortelã-da-folha-graúda (50g), hortelã-da-folha-miúda (50g), malva-rosa (50g), colônia (50g), alecrim (50g). Bulbo: cebola-branca (20g).Modo de preparar: Quebra as cascas o máximo que puder e coloca pra cozinhar em 400 ml deágua com 1 kg de açúcar por 20 minutos. Logo após, adiciona as folhas já lavadas e partidas aoproduto, o qual é de novo levado de volta ao fogo. Depois de abrir fervura, deixa por 2 minutos,retira do fogo e abafa, quando estiver mais frio, côa e armazena em recipiente de vidro.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 24 – Lambedor contra tosse, gripe e bronquite.Plantas utilizadas: Cascas: jatobá (10g), cumaru (10g), angico (10g). Folhas: hortelã-da-folha-graúda (10g), malva-rosa (10g), eucalipto (10g), colônia (10g) e alecrim (10g). Raiz: pepaconha(10g). Semente: sabugueiro (10g).Modo de preparar: Coloca todas as partes de plantas para cozinhar em 2 litros de água por umahora, côa, adiciona 500 g de açúcar e leva de volta ao fogo para apurar.Dose e posologia: 1 colher de sopa 2 vezes ao dia.Fórmula 25 – Lambedor contra tosse.Plantas utilizadas: Fruto: Abacaxi.Modo de preparar: Retira o suco de um fruto do abacaxi, e leva ao fogo com a mesma medida deaçúcar. Depois que abrir fervura, deixa por 5 minutos. Pode-se usar algumas unidades de cravo-da-índia como conservante.Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança: 1 colher de chá 3 vezes ao dia.Fórmula 26 – Lambedor contra gripe e tosse.Plantas utilizadas: Folhas: hortelã e eucalipto (20g cada). Cascas: cumarú, jatobá e angico (20gcada). São utilizadas ainda batata-de-purga (20g) e cebola-branca (10g).
  11. 11. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, quebra as cascas e coloca tudo em umapanela com 1 litro de água fervendo, abafa por 20 minutos, côa e leva de volta ao fogo com 1 kg deaçúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 27 – Lambedor expectorante contra gripe e tosse.Plantas utilizadas: Cascas: angico e cumaru (20g cada). Folha: mastruz (50g). Raiz: mangirioba(raiz de 1 planta). Raspa de juá (5g).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, quebra as cascas e coloca tudo em umapanela com 1 litro de água fervendo, abafa por 20 minutos, côa e leva de volta ao fogo com 1 kg deaçúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 28 - Lambedor expectorante contra gripe e tosse.Plantas utilizadas: Casca: imburana (20g). Raiz: capitãozinho (20g), carrasco (10g). Flor:sabugueiro e colônia (5g cada), mão-fechada (30g).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, quebra as cascas e coloca tudo em umapanela com 1 litro de água fervendo, abafa por 20 minutos, côa e leva de volta ao fogo com 1 kg deaçúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 29 - Lambedor contra gripe e tosse.Plantas utilizadas: Flor: catingueira (15g) e chumbinho (15g). Raiz: pepaconha e picão (20g cada).É utilizado ainda mangará de banana maçã (100g).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, quebra as cascas e coloca tudo em umapanela com 1 litro de água fervendo, abafa por 20 minutos, côa e leva de volta ao fogo com 1 kg deaçúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 30 – Lambedor contra bronquite alérgica, gripe e tosse.Plantas utilizadas: casca de embaúba (50g), raiz de palma (30g), malva-rosa (30g), poejo (20g) econtra-erva (20g).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, quebra as cascas e coloca tudo em umapanela com 1 litro de água fervendo, abafa por 20 minutos, côa e leva de volta ao fogo com 1 kg deaçúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.Fórmula 31 - Lambedor expectorante contra tosse, reumatismo e enfermidades nos rins.Plantas utilizadas: Folhas: hortelã-da-folha-graúda e miúda, malva-rosa (20g cada). Cascas:jatobá, angico e cajueiro-roxo (30g cada).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, quebra as cascas e coloca tudo em umapanela com 2 litros de água, cozinha por 2 horas, côa e leva de volta ao fogo com 0,5 kg de açúcaraté dar o ponto de mel.Dose e posologia: 1 colher de sopa 2 vezes ao dia.OBS: Segundo o raizeiro outras plantas como romã, alecrim, barbatimão, cumaru, colônia,eucalipto, saião, sabugueiro, mussambê, gengibre e mastruz podem ser utilizadas no preparo delambedores, mas ele utiliza apenas 5 ou 6 plantas.Fórmula 32 - Lambedor expectorante contra tosse.
  12. 12. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Plantas utilizadas: Folhas: malva-rosa (20g), mastruz (20g), hortelã-da-folha-graúda (20g),eucalipto (10g), saião (10g), colônia (10g) e sena (1g). Cascas: cumaru, angico e jatobá (20g cada).Raiz: pepaconha (10g). Bulbo: Cebola-branca (10g).Modo de preparar: Após lavar todas as partes das plantas, quebra as cascas e coloca tudo em umapanela com 2 litros de água, cozinha por 1,5 horas, côa e leva de volta ao fogo com 1kg de açúcaraté dar o ponto de mel.Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 3 vezes ao dia. Criança: 1 colher de chá 3 vezes ao dia.Fórmula 33 - Lambedor contra tosse.Plantas utilizadas: Folhas: eucalipto (5g), colônia (5g) e mastruz (20g). Casca: jatobá (20g). Bulbo:cebola-branca (10g)Modo de preparar: Coloca tudo em uma panela com 2 litros de água, cozinha por 20 minutos, côae leva de volta ao fogo com 1kg de açúcar até dar o ponto de mel.Dose e posologia: Adulto: 1 colher de sopa 2 vezes ao dia. Criança: 1 colher de chá 2 vezes ao dia. Observa-se nas fórmulas acima variação no tempo de decocção, a mesma variando de 15minutos a 24 horas. Alguns raizeiros utilizam, além das plantas, cupim de cajueiro ou cupim de angico. Essetrabalho não irá se detalhar a atividade terapêutica de tais componentes por se tratarem de animais.3.3 Enfermidades para as quais os lambedores são indicados Dentre as enfermidades citadas pelos raizeiros para as quais os lambedores são indicados(Tabela 02), destacam-se a tosse (21,62%), o catarro (14,10%), e gripe (11,30%). Tabela 02 – Valores de frequência e porcentagem das enfermidades citadas pelos raizeiros. INDICAÇÕES FREQUÊNCIA % Cansaço 10 9,50 Continuação Tabela 02 – Valores de frequência e porcentagem das enfermidades citadas pelos raizeiros. Bronquite 8 7,60 Asma 5 4,70 Gripe 12 11,30 Febre reumática 1 0,94 Pneumonia 1 0,94 Rouquidão 2 1,90 Inflamação do aparelho respiratório 3 2,90 Coriza 1 0,94 Sinusite 3 2,90 Dor de cabeça 1 0,94 Resfriado 1 0,94 Tosse 23 21,62 Rinite alérgica 1 0,94 Mau hálito 1 0,94 Inflamação do aparelho digestivo 3 2,90 Catarro 15 14,10
  13. 13. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1 Tosse alérgica 3 2,90 Asfixia 1 0,94 Dor no peito 1 0,94 Coqueluche 4 3,90 Broncopneumonia 1 0,94 Febre 1 0,94 Bronquite alérgica 1 0,94 Problemas das vias respiratórias em geral 1 0,94 Reumatismo 1 0,94 Enfermidades nos rins 1 0,94 TOTAL 106 100,00 Observa-se na tabela 02, que a grande maioria das indicações dos lambedores pelos raizeirosé para enfermidades no aparelho respiratório. Porém, são citados outros tipos de enfermidades comoenfermidades nos rins, reumatismo, febre reumática, inflamação do aparelho digestivo, mau hálito edor de cabeça.4 DISCUSSÃO4.1 Plantas utilizadas nos lambedores Dentre as 60 plantas utilizadas na confecção dos lambedores pelos raizeiros da cidade deCampina Grande, foram escolhidas as 5 mais citadas para a correlação entre as indicações pelosraizeiros com as indicações terapêuticas dos princípios ativos.1. Anadenanthera macrocarpa (Benth) Brenan.Família: Mimosaceae.Nome popular: AngicoPrincípios ativos: Esta planta possui em sua casca esteróides (beta-sitosterol, glicosídeo),flavonóides, triterpenóides (hiperona, lupeol) (LORENZI E MATOS, 2002; AGRA, 1996).Indicações dos raizeiros: Cansaço, bronquite, asma, gripe, febre reumática, problemasrespiratórios em geral, catarro no peito, tosse alérgica, dor no peito, coqueluche, tosse, sinusite,reumatismo e enfermidades nos rins.Uso científico comprovado: O beta-sitosterol possui atividade antibacteriana, antiinflamatória eantiviral; o lupeol apresenta atividade anti-reumática, antiinflamatória e antiviral (DUKE, 1992) osflavonóides possuem atividade antiinflamatória. Os taninos possuem ação anti-séptica, antiviral,bactericida e antimicrobiana. Com base no que foi exposto, o uso da Anadenanthera macrocarpa (Benth) Brenanprescrito pelos raizeiros é confirmado pelo conhecimento científico exceto para tosse alérgica ecatarro no peito.2. Amburana cearensis Fr AllFamília: Fabaceae.Nome científico: CumarúPrincípios ativos: Em suas cascas foram encontrados cuamrina, isocampferídeo e traços de outrosflavonóides (LORENZI e MATOS, 2002).Indicações dos raizeiros: Cansaço, bronquite, asma, gripe, febre reumática, pneumonia, rouquidão,inflamação da garganta, coriza, sinusite, dor de cabeça, catarro, problemas respiratórios em geral,broncopneumonia, coqueluche, reumatismo e enfermidades nos rins.
  14. 14. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Uso científico comprovado: o principal componente químico da planta é a cumarina, a qualjuntamente com outras substâncias, são responsáveis pelas atividades analgésica, antiinflamatória ebroncodilatadora determinadas experimentalmente. Tais ações confirmam cientificamente avalidade do seu uso popular no tratamento caseiro dos problemas respiratórios (MATOS, 1998;DINIZ, 1998; LORENZI E MATOS, 2002). Dessa forma, a indicação medicinal do cumaru pelos raizeiros está plenamente validada pelaliteratura especializada.3. Eucalyptus globolus Labill.Família: Myrtaceae.Nome popular: EucaliptoPrincípios ativos: O principal componente das folhas é óleo essencial que contém até 80% de 1,8cineol ou eucaliptol, além de α-pineno, canfeno, limoneno, borneol, α-terpineol, As folhas aindacontém taninos, ácidos (gálico, glicólico, glicérico), compostos flavônicos, um derivado dacumarina, substâncias triterpênicas como ácido olenólico e ácido maslínico, resina, ácido gentísicoe cera (CONCEIÇÃO, 1980; SIMÕES et al. 1988; SOUSA et al. 1991; VIEIRA, 1992; COIMBRA,1994; ALONSO, 1998; PANIZZA, 1998; LORENZI E MATOS, 2002).Indicações dos raizeiros: Cansaço, bronquite, asma, gripe, febre reumática, pneumonia, rouquidão,inflamação da garganta, problemas respiratórios em geral, coriza, sinusite, dor de cabeça, resfriado,tosse alérgica, broncopneumonia, reumatismo e enfermidades nos rins.Uso científico comprovado: O óleo e o eucaliptol isolados possuem propriedades anti-séptica eexpectorante comprovadas, também possuem atividade antigripal (SIMÕES et al. 1988; MATOS,1989; MATOS, 1998; LORENZI E MATOS, 2002). O eucalipto possui propriedades anti-sépticapulmonar e febrífuga. Trabalhos experimentais demonstraram alguma atividade antibacteriana(SOUSA et al. 1991; ALONSO, 1998). De acordo com Duke (1992), o 1,8 cineol possui asseguintes atividades: antibacteriana, antialérgica, antibronquite, anticatarral, antiinflamatória,antisséptica, anti-reumática, antitussiva, descongestionante, expectorante; o limoneno possuiatividade antibacteriana, antiasmática, antiinflamatória, anti-séptica, antiviral e expectorante; oborneol possui ação analgésica, antibronquítica, antibacteriana e antiinflamatória; o canfeno éexpectorante; o α-pineno possui atividade antibacteriana, antiinflamatória, antipneumonia, anti-séptica, antiviral, expectorante; o alfa terpineol possui atividade antibacteriana e anti-séptica; opineno possui atividade antibacteriana, anti-séptica e expectorante o ácido caféico é analgésico,antibacteriano, antiinflamatório, anti-séptico, antiviral e imunoestimulante. O ácido gálico éanalgésico, antiasmático, antibacteriano, antibronquite, antiinflamatório, anti-séptico, antiviral,broncodilatador e imunoestimulante. O ácido gentísico é analgésico, antiinflamatório, anti-reumático, antiviral e antibacteriano. Desta forma, confirma-se o uso popular do eucalipto devido a presença dos compostosbioativos existentes na planta.4. Hymenaea courbaril L.Família: Caesalpinaceae.Nome popular: JatobáPrincípios ativos: Óleo essencial, taninos, substâncias amargas, matérias resinosas e pécticas. Asfolhas e a casca desta planta possuem um grupo de fotoquímicos denominados terpenos e fenólicos.Apresenta ainda resinas, ácido benzóico, ácido cinâmico (VIEIRA, 1992; COIMBRA, 1994;PANIZZA, 1998; LORENZI E MATOS, 2002).Indicações dos raizeiros: Cansaço, bronquite, asma, gripe, febre reumática, pneumonia, rouquidão,inflamação da garganta, coriza, sinusite, dor de cabeça, catarro no peito, tosse alérgica, febre,asfixia, dor no peito, reumatismo e enfermidades nos rins.
  15. 15. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1Uso científico comprovado: Os terpenos e fenólicos presentes nas folhas e na casca possuempropriedades antimicrobianas. A pectina é antibacteriana e antitussiva. Os taninos possuem açãoanti-séptica, antiviral, bactericida e antimicrobiana. As resinas possuem atividade antibacteriana,expectorante e anti-séptica. O ácido benzóico é antibacteriano, antipirético, anti-séptico eexpectorante. O ácido cinâmico possui ação antibacteriana e antiinflamatória (DUKE, 1992;ALONSO, 1998; LORENZI E MATOS, 2002). Dessa forma confirma-se o uso do jatobá indicado pelos raizeiros, exceto os usos contra dorde cabeça, dor no peito e asma.5. Pelargonuim graveolens Art.Família: Geraniaceae.Nome popular: Malva-rosaPrincípios ativos: Esta planta, segundo Duke (1992) possui essência, ácido acético; alfa-felandreno, alfa-pineno, alfa-terpineol, beta-bisaboleno, beta-bourbonano, beta-elemeno, beta-felandreno, borneol, cariofileno, citral, citronelal, eugenol, geraniol, limoneno e mentol.Indicações dos raizeiros: Cansaço, bronquite, asma, gripe, febre reumática, pneumonia, rouquidão,inflamação da garganta, problemas respiratórios em geral, sinusite, coriza, dor de cabeça, resfriado,catarro no peito, tosse alérgica, broncopneumonia, reumatismo e enfermidades nos rins.Uso científico comprovado: O ácido acético possui atividade antibacteriana, expectorante emucolítica; o alfa pineno possui atividade antibacteriana, antiinflamatória, antipneumonia, anti-séptica, antiviral, expectorante; o alfa terpineol possui atividade antibacteriana e anti-séptica; obeta-bisaboleno possui atividade antiviral; o beta-felandreno é expectorante; o borneol possui açãoanalgésica, antibronquite, antibacteriana e antiinflamatória; o cariofileno é analgésico, antiasmático,antiinflamatório e antibacteriano; o citral é antialérgico, antibacteriano, anti-séptico, expectorante; ocitronelal é antibacteriano e anti-séptico; o etanol é antibacteriano e expectorante; o eugenol éantiinflamatório, anti-séptico e antibacteriano; o geraniol possui atividade antibacteriana, anti-séptica e expectorante; o limoneno possui atividade antibacteriana, antiasmática, antiinflamatória,anti-séptica, antiviral, expectorante; o mentol é analgésico, antiasmático, antialérgico, antiasmático,anti-reumático, antibacteriano, antibronquite, antiinflamatório, anti-séptico e expectorante (DUKE,1992). Desta forma, confirma-se cientificamente o uso popular desta planta.6.2 Modo de preparo dos lambedores A maioria dos raizeiros, no preparo dos lambedores, indica o cozimento de todas as partesde plantas por um período de tempo que varia entre 15 minutos e 24 horas. Essas técnicas entramem desacordo com Farmacopéia Brasileira (1955) e Prista et al. (1983), os quais citam a fixação de15 minutos como tempo de aquecimento. Prista (op. cit.) acrescenta que os princípios ativosexistentes nas plantas são desfigurados por um período de aquecimento prolongado, o que podealterar a ação do medicamento. Dantas (2007b) define decocção ou cozimento como uma preparação normalmente utilizadapara ervas não aromáticas (que contém princípios estáveis ao calor) e para as drogas vegetaisconstituídas por sementes, raízes, cascas e outras partes de maior resistência à ação da água quente. Segundo Dantas (op. cit.) infusões são preparações aquosas, normalmente a 5%, utilizadasespecialmente com as partes tenras da planta, como folhas, flores e inflorescências, bem como paratodas as partes de plantas medicinais ricas em componentes voláteis, aromas delicados e princípiosativos que se degradam pela ação combinada de água e do calor. O modo correto de preparação dos lambedores é cozinhar as partes duras juntamente com oaçúcar por até 15 minutos e logo após adicionar as partes verdes, quando voltar a abrir fervura,retira do fogo e abafa.
  16. 16. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1 Nesse caso, as partes duras ficam mais tempo expostos ao calor do que as partes verdescomo recomenda a literatura. O método correto de preparação de lambedores está descrito a seguir:MODELO 1 : Lambedor peitoral, expectorante, para combater tosse, catarro, bronquite e cansaço.Plantas utilizadas: Cascas: jatobá (100g), cumaru (100g), angico (50g); raiz de carrapicho-de-cigano (150g); Folhas: eucalipto (50g), alecrim (50g), malva-rosa (100g).Para um litro de lambedor utiliza-se 1 kg de açúcar e 400 ml de água.Modo de preparar: • Quebrar as rapaduras; • Partir o máximo as cascas e raízes; • Colocar para cozinhar as cascas, raízes e a rapadura em fogo brando. Deixar ferver até dissolver a rapadura por completo, mexendo constantemente. Este processo demora mais ou menos uns 15 minutos; • Enquanto isso cortar as folhas em pequenos pedaços; • Depois de dissolvida a rapadura e passados os 15 minutos, acrescentar as folhas e quando voltar a abrir fervura, retirar do fogo, mexer e abafar; • Quando esfriar completamente, coar espremendo, até retirar completamente o lambedor; • Adicionar 5% de própolis para melhor conservação.Modo de tomar: Tomar três colheres de sopa ao dia.Modo de conservar. Conserve na geladeira, retirando o de consumir apenas para dois dias.MODELO 2 : Lambedor peitoral, expectorante.Plantas utilizadas: beterraba (50g), cebola-branca (20g).Açúcar mascavo ou branco: 200gModo de preparar: Cortar em rodelas a beterraba e as cebolas e colocar em um prato uma camada de açúcar ecobrir com uma camada de rodelas das plantas. Seguir intercalando plantas e açúcar e no finalcobrir com uma camada de açúcar. Deixar no sereno em um local protegido, coberto com umapeneira. No dia seguinte de manhã cedo recolher, coar e guardar em recipiente adequado.Modo de tomar: Tomar três colheres de sopa ao dia.Modo de conservar. Conserve na geladeira, retirando o de consumir apenas para dois dias.Sugere-se colocar no recipiente um rótulo com todas as informações relativas a forma e a fórmula,onde deverá constar: • a) Nome do produto; • b) Ingredientes; • c)Indicação clínica; • d) Contra indicação; • e) dose e posologia; • f) responsável; • g) data.
  17. 17. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.16.3 Estudo comparativo entre as indicações dos raizeiros e os princípios ativos. Com base no exposto, verifica-se que as indicações dos raizeiros são compatíveis com o usocientífico, já que todas as plantas estudadas apresentam princípios ativos que justificam o seu usocomo medicamento para as vias respiratórias. A tabela 03 mostra que das 284 citações, 268 foramconfirmadas pela bibliografia consultada. Tabela 03 – Freqüência das indicações das plantas pelos raizeiros e suas respectivas confirmações através da literatura pesquisada. PLANTA NOME CIENTÍFICO FREQ CONF. Cebola-branca Allium ascalonium L. 11 10 Colônia Alpinia speciosa Schum. 18 17 Cumaru Amburana cearensis (Fr. All.) A. Smith. 17 17 Angico Anadenanthera colubrina (Benth) Brenan. 14 12 Saião Bryophyllum calycinum Salisb. 9 9 Mastruz Chenopodium ambrosioides L. 18 18 Limão Citrus limon (L.) Burm. 15 15 Mussambê Cleome spinosa L 13 13 Eucalipto Eucalyptus globulus Labill 17 17 Pepaconha Hybanthus ipecacuanha L. 16 15 Jatobá Hymenaea courbaril L. 18 15 Hortelã-da- folha-miúda Mentha x villosa Huds L. 5 5 Malva-rosa Pelargonium graveolens Art. 19 19 Alcaçuz-da-praia Periandra dulcis Mart ex Benth. 13 5 Hortelã-da- Plectranthus amboinicus Lour folha-graúda 18 18 Romã Punica granatum L 9 9 Alecrim Rosmarinus officinalis L. 10 10 Sabugueiro Sambucus australis Cham et Schlecht. 17 17 Sena Senna alexandrina P. MILLER. 9 9 Gengibre Zingiber officinalis Rosc. 18 18 TOTAL 284 268Desta forma, observa-se que 94,5% das indicações das plantas utilizadas por parte dos raizeiros parao preparo dos lambedores combatem a enfermidades para as quais são indicadas. Este percentualpode ser ainda maior, visto que não foram encontrados todos os princípios ativos pertencentes àsplantas estudadas. Salienta-se ainda que no preparo dos lambedores foi usada mais de uma planta. E como seconstatou que nas plantas citadas na fabricação de lambedores existem princípios ativos quejustificam o seu uso para as indicações relatadas, verifica-se que os lambedores realmenteapresentam ação terapêutica.
  18. 18. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.15 CONCLUSÕESCom base na descrição dos lambedores indicados e comercializados pelos raizeiros na cidade deCampina Grande – PB, conclui-se que: • Foram citadas 60 plantas diferentes para o preparo dos lambedores; • As folhas são as partes mais usadas no preparo dos lambedores; • Na preparação dos lambedores, a maioria dos raizeiros extrapola o tempo de cozimento recomendado pela literatura; • Dentre as enfermidades para as quais os lambedores são indicados, a mais citada é tosse; • As indicações terapêuticas dos raizeiros foram confirmadas pela presença de substâncias farmacologicamente ativas.6 REFERÊNCIASARRUDA, T. A. de. Estudo etnofarmacobotânico e atividade antimicrobiana de plantasmedicinais. Campina Grande, 2001. 102f. Dissertação (Mestrado Interdisciplinar em SaúdeColetiva) – Universidade Estadual da Paraíba.BALBACH, A. As plantas curam. 28 ed. São Paulo: Editora M.V.P. 1971.BEERENDS, C.; MATTOS, R. F.; SOUZA, R. C. de. Curso de fitoterapia: UtilizandoAdequadamente as Plantas Medicinais. Colombo – PR: Fundação Herbarium, 2003.DANTAS, I. C. O raizeiro e suas raízes: um novo olhar sobre o saber popular. Campina Grande,2002. 134 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Centro de Pós-Graduação, UniversidadeEstadual da Paraíba.DANTAS, I. C. O raizeiro. Campina Grande, Encarte. 2007a.DANTAS, I. C. Fitoterapia. Campina Grande: Encarte, 2007b.DANTAS, V. S. Análise das garrafadas indicadas e comercializadas pelos raizeiros na cidade deCampina Grande - PB. Campina Grande, 2006. 59 f. Monografia (Especialização em EducaçãoAmbiental), Universidade Estadual da Paraíba.DI STASI, L. C. Plantas medicinais: arte e ciência. Um guia de estudo interdisciplinar. São Paulo:UNEP, 1996.LIMA, J. L. S. de; FURTADO, D. A.; PEREIRA, J. P. G.; BARACUHY, J. G. V.; XAVIER, H. S.Plantas Medicinais de uso comum no Nordeste do Brasil. Campina Grande: Ludigraf editora egráfica, 2006.LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. São Paulo: NovaOdessa/ Editora Plantarum, 2002.MARTINS, E. R., CASTRO, D. M. de., CASTELLIANI, D. C., DIAS, J. E. Plantas Medicinais. 5ªreimpressão. Viçosa: UFV, 2003.
  19. 19. ISSN 1983-4209 - Volume 02 – Numero 01 – 2008.1MATOS, F. J. Farmácias Vivas. 3ed. Fortaleza: EUFC, 1998.NOGUEIRA, A. J. Medicina Popular. Rio de Janeiro: Prefeitura Municipal. 2005.POEL, Francisco van der. Medicina popular. Disponível na Internet em:<http://www.religiosidadepopular.uaivip.com.br/medicina.htm> Acesso março 2007.SILVA, M. G.; DINIZ, M. F. F. M.; OLIVEIRA, R. A. G. de. Fitoterápicos: Guia do profissional desaúde. João Pessoa: Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba, 2002SILVEIRA, F.; JORDÃO, L. Das raízes à resistência: repensando a medicina popular. 1ed.Campina Grande: UEPB/CENTRAC, 1992.

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