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CICLO
2MÓDULO
COORDENADORA GERAL:
CARMEN ELIZABETH KALINOWSKI
DIRETORAS ACADÊMICAS:
JUSSARA GUE MARTINI
VANDA ELISAANDRES ...
Estimado leitor
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou
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ENFERMAGEM DOMICILIAR
MARIA RIBEIRO LACERDA
Maria Ribeiro Lacerda é doutora em Filosofia da Enfermagem, pr...
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ENFERMAGEMDOMICILIAR
Para atuar no domicílio, a enfermeira precisa apropriar-se de:
■■■■■ conceitos referentes à atençã...
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BREVE HISTÓRIA DO CUIDADO DOMICILIAR
E SEU RESSURGIMENTO NO SISTEMA DE SAÚDE
O atendimento domiciliar à sa...
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O atendimento domiciliar à saúde:
■■■■■ é uma alternativa para tirar, precocemente, o doente do am...
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Em entrevista para o Jornal do Brasil, Pollyanna Pescarolli, presidente da Associação Brasileira
de Home H...
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A atenção à saúde domiciliar envolve todos níveis de atenção à saúde; embora o
cenário da ação ter...
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Ainternação domiciliar, segundo o Ministério da Saúde,4
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As bases para o CD são:
■■■■■ paciente;
■■■■■ família;
■■■■■ contexto da casa – lar;
■■■■■ cuidado...
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O prontuário do paciente deve ser organizado de acordo com as normativas profissionais do
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O aspecto afetivo, assim como outras perspectivas que oferecerão bem-estar ao paciente, é
fornecid...
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CONTEXTO DOMICILIAR – LAR
O lar deve ser considerado mais do que uma residência, pois existem diferentes t...
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O domicílio é o ambiente do indivíduo e de sua família, possui dinâmica, organização,
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Quadro 3
ENFERMAGEM DOMICILIAR: ADENTRANDO OS LARES
CUIDADORES
Para ocorrer o CD na realidade brasileira, ...
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Os cuidadores podem ser considerados como primários, ou seja, os cuidadores familiares. Há
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É preciso que a enfermeira tenha em mente que o cuidador também precisa ser cuidado e que,
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7. Resuma as atuações da enfermeira domiciliar.
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Quadro 4
PERFIL DA ENFERMEIRA DOMICILIAR
A enfermeira domiciliar desenvolve vários papéis, entre eles, os...
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A EQUIPE DE TRABALHO PARA O CUIDADO DOMICILIAR
O CD implica ações de um trabalho em equipe multip...
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Quadro 5
ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO DOMICILIAR
Atribuições comuns a todos...
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ENFERMAGEMDOMICILIAR
9. Quais são as competências que a enfermeira domiciliar precisa demonstrar
para realizar seu cui...
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FLUXO DO ATENDIMENTO REALIZADO
PELA ENFERMAGEM DOMICILIAR
Um serviço de atendimento domiciliar à saúde em...
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grau 2: apresenta algumas dificuldades nas atividades da vida diária, necessitando de
apoio ocasi...
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Os critérios para o desligamento do indivíduo do atendimento domiciliar à saúde são os seguintes:
■■■■■ m...
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A ÉTICA E A COMUNICAÇÃO NO ATENDIMENTO
DOMICILIAR À SAÚDE
O atendimento domiciliar à saúde exige ...
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Fatores éticos e legais do CD:
■■■■■ dificuldades na manutenção de pacientes com procedimentos complexos;...
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14. Em que circunstâncias é recomendado o cuidado domiciliar? Por quê?
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O acesso do pátio para o interior da casa é difícil, mas foi colocada uma rampa de
madeira. A casa locali...
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21. Quem é o cuidador na situação descrita no caso clínico e que trabalho ele
realiza?
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“Participar do cuidado do cliente e da família em domicílio proporciona uma oportunidade
rara de fazer pa...
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Os problemas da esfera social também são inúmeros, como falta de contato com outras pessoas,
tend...
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REFERÊNCIAS
1 COFEN. Resolução n. 290, de 2004. Fixa as especialidades de enfermagem. Disponível em: <htt...
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15 LACERDA, M. R; OLINISKI, S. R. Familiares interagindo com a enfermeira no contexto domiciliar....
Associação Brasileira de Enfermagem
Diretoria
Associação Brasileira de Enfermagem - ABEn Nacional
SGAN, 603. Conjunto “B” ...
P964 Programa de Atualização em Enfermagem : saúde do adulto : PROENF /
organizado pela Associação Brasileira de Enfermage...
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Enfermagem Domicilar

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Material muito bom sobre Enfermagem Domicilar.
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Enfermagem Domicilar

  1. 1. CICLO 2MÓDULO COORDENADORA GERAL: CARMEN ELIZABETH KALINOWSKI DIRETORAS ACADÊMICAS: JUSSARA GUE MARTINI VANDA ELISAANDRES FELLI PROENF | Porto Alegre | Ciclo 1 | Módulo 2 | 2006 PROENFPROGRAMAS DE ATUALIZAÇÃO EM ENFERMAGEM SAÚDE DO ADULTO
  2. 2. Estimado leitor É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora. E quem não estiver inscrito no Programa de Atualização em Enfermagem (PROENF) não poderá realizar as avaliações, obter certificação e créditos. Associação Brasileira de Enfermagem ABEn Nacional SGAN, Conjunto “B”. CEP: 70830-030 - Brasília, DF Tel (61) 3226-0653 E-mail: aben@nacional.org.br http://www.abennacional.org.br Artmed/Panamericana Editora Ltda. Avenida Jerônimo de Ornelas, 670. Bairro Santana 90040-340 – Porto Alegre, RS – Brasil Fone (51) 3025-2550 – Fax (51) 3025-2555 E-mail: info@sescad.com.br consultas@sescad.com.br http://www.sescad.com.br Os autores têm realizado todos os esforços para localizar e indicar os detentores dos direitos de autor das fontes do material utilizado. No entanto, se alguma omissão ocorreu, terão a maior satisfação de na primeira oportunidade reparar as falhas ocorridas. As ciências da saúde estão em permanente atualização. À medida que as novas pesquisas e a experiência ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de um erro humano ou de mudanças nas ciências da saúde, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que lanejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contra-indicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso.
  3. 3. 85 PROENFSESCAD ENFERMAGEM DOMICILIAR MARIA RIBEIRO LACERDA Maria Ribeiro Lacerda é doutora em Filosofia da Enfermagem, professora-adjunta da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na Graduação e no Mestrado e Vice-coordenadora do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão do Cuidado Humano e de Enfermagem (NEPECHE). INTRODUÇÃO A enfermagem domiciliar é uma atividade especializada, conforme resolução 290/20041 do Conselho Federal de Enfermagem,2 e é aceita em vários países no mundo, inclusive no Brasil. Por ser considerada uma especialidade e uma prática avançada, exige conhecimento científico- tecnológico, competência e profissionalismo, pois é um exercício profissional complexo e subjetivo e requer profissionais com formação e apropriação de modelos de expertise clínica.3 O cuidado domiciliar é realizado pela enfermeira e pela equipe de enfermagem domiciliar e está inserido na atenção à saúde domiciliar que, por sua vez, faz parte do continuum da assistência à saúde prestada pelo sistema de saúde no Brasil. A enfermagem domiciliar é uma prática que exige do profissional responsabilidade, flexibilidade e autonomia no desempenho de seu trabalho. É uma atividade que envolve tomada de decisões baseadas na expertise fornecida por sua vivência e está fundamentada em um corpo de conhecimentos com um referencial conceitual sólido na especificidade do contexto domiciliar. A enfermagem domiciliar exige também habilidades e atitudes profissionais da enfermeira, o que a possibilita alcançar resolubilidade dos problemas apresentados pelos pacientes e pelos familiares. No atendimento domiciliar à saúde, há uma ação individual da enfermeira com o paciente e com a família, em uma correlação, surgindo um espaço de liberdade, de criatividade, de complementaridade e de poder. Essa prática é independente e autônoma, em que a enfermeira recorre a seus próprios meios: independência intelectual baseada no conhecimento pessoal e no conhecimento empírico e responsabilidade legal e moral de seu exercício profissional.
  4. 4. 86 ENFERMAGEMDOMICILIAR Para atuar no domicílio, a enfermeira precisa apropriar-se de: ■■■■■ conceitos referentes à atenção à saúde domiciliar; ■■■■■ normativas legais e éticas desse tipo de atividade profissional; ■■■■■ bases de conhecimentos específicos. Além disso, precisa ter claros seu papel e perfil e mostrar competências que a qualifiquem para operacionalizar esse tipo de trabalho. OBJETIVOS Ao final da leitura deste capítulo, o leitor deverá ser capaz de: ■■■■■ definir enfermagem domiciliar e cuidado domiciliar; ■■■■■ justapor o desenvolvimento da enfermagem domiciliar e a organização do sistema de aten- ção à saúde; ■■■■■ diferenciar os conceitos utilizados na enfermagem domiciliar, assim como suas especificidades; ■■■■■ caracterizar as bases do cuidado domiciliar; ■■■■■ reconhecer as competências da enfermeira domiciliar; ■■■■■ apontar qual é o papel e o perfil da enfermeira domiciliar; ■■■■■ relacionar conhecimentos teóricos à situação prática proposta. ESQUEMA CONCEITUAL Breve história do cuidado domiciliar e seu ressurgimento no sistema de saúde Definições afins à enfermagem domiciliar Peculiaridades do cuidado domiciliar Paciente Família Contexto domiciliar – lar Entrando na casa do paciente Cuidadores Competências, perfil e papel da enfermeira para realizar o cuidado domiciliar A equipe de trabalho para o cuidado domiciliar Fluxo do atendimento realizado pela enfermagem domiciliar Rede de apoio social para o atendimento domiciliar à saúde A ética e a comunicação no atendimento domiciliar à saúde Diretrizes da documentação para o reembolso dos serviços de cuidado domiciliar Caso clínico Conclusão Enfermagem domiciliar
  5. 5. 87 PROENFSESCAD BREVE HISTÓRIA DO CUIDADO DOMICILIAR E SEU RESSURGIMENTO NO SISTEMA DE SAÚDE O atendimento domiciliar à saúde, no qual o cuidado domiciliar (CD) é realizado pela enfermagem domiciliar, remonta de longa data, faz parte da saúde dos indivíduos e acompanhou o homem no desenvolvimento de sua história; entretanto, em tempos recentes, mais especificamente nas três últimas décadas, vem apresentando um crescimento exponencial em inúmeros países e regiões do mundo (ver Quadro 1). Quadro 1 HISTÓRIA DO CUIDADO DOMICILIAR No século XX, no final da década de 1970, a assistência à saúde domiciliar para pacientes crônicos passou a ser bastante difundida e incorporada na cultura de vários países do mundo, como um modelo complementar ou alternativo de atenção à saúde. No Canadá, é realizada internação domiciliar de pacientes portadores de neoplasias; na Inglaterra, é realizada assistência a pacientes terminais e com patologias pulmonares; naAustrália, assistência a pacientes que apresentam doenças pulmonares obstrutivas crônicas, como idosos e dependentes de oxigenoterapia; na África, assistência à geriatria; em Israel, assistência a pacientes idosos e com problemas cardíacos; na França, assistência a pacientes aidéticos; na Coréia e no Japão, aos idosos. Mundo ■■■■■ mulheres cuidando de suas famílias; ■■■■■ época medieval – caridade – visita aos doentes; ■■■■■ séculos XVI e XVII – enfermeiras visitadoras – ajudar as pessoas a se ajudarem; ■■■■■ século XVIII – Florence Nightingale; ■■■■■ médico atende em casa; ■■■■■ enfermagem. Brasil ■■■■■ serviço de enfermeiras visitadoras no Rio de Janeiro – 1920; ■■■■■ executado por auxiliares, atendentes e práticos de enfermagem/Lei do exercício profissional da enfermagem. A experiência brasileira pioneira – Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE-SP) em 1968 ■■■■■ objetivo de reduzir a necessidade de internação e/ou tempo de permanência hospitalar; ■■■■■ ampliar a oferta de leitos para casos cirúrgicos, quadros clínicos agudos e de maior gravidade. Atendendo mais de 10 mil funcionários e dependentes, tem cadastrado 1,2 mil pacientes/idosos (Re)surgimento deste serviço no Brasil em décadas recentes: ■■■■■ no final da década de 1980; ■■■■■ estabelecimento de grandes empresas oferecendo planos de saúde; ■■■■■ 1996: consolida-se nas cidades de maior porte no Brasil; ■■■■■ representa uma redução de custo de 20 a 70% em uma média de 40 a 50%.
  6. 6. 88 ENFERMAGEMDOMICILIAR O atendimento domiciliar à saúde: ■■■■■ é uma alternativa para tirar, precocemente, o doente do ambiente hospitalar; ■■■■■ colabora com a diminuição do custo institucional tanto do sistema de atenção à saúde pública como do sistema de atenção à saúde privada; ■■■■■ possibilita um cuidado com maior humanização do paciente e dos familiares. Além disso, o CD está favorecido pela alta tecnologia de equipamentos e de materiais desenvolvidos para o uso em domicílio. O CD contribui com o resgate dos valores e das atitudes humanas entre os profissionais, pacientes e familiares envolvidos, pois respeita sentimentos, necessidades e valores culturais, assim como também individualiza os cuidados, através de um relacionamento terapêutico, estabelecendo uma relação de ajuda entre a pessoa que cuida e a que é cuidada. O atendimento domiciliar à saúde está emergindo, conforme já exposto, e sendo inserido lentamente em serviços públicos e privados, na tentativa de complementar a assistência à saúde hospitalar. Ele ressurge como uma modalidade alternativa ao modelo de assistência à saúde do país, buscando suprir parte desta necessidade e assumindo uma conotação diferenciada da de tempos passados. O crescimento do CD no Brasil está relacionado: ■■■■■ à inflação na economia; ■■■■■ ao aumento de vida dos pacientes com doenças crônicas; ■■■■■ ao aumento da população idosa; ■■■■■ ao marketing de utilização deste tipo de serviço patrocinado principalmente por empresas prestadoras de cuidados em saúde; ■■■■■ à economia de oferta, pelo aumento do número de empresas, pela diminuição do custo nas reinternações e pela regulamentação dos planos de saúde. O crescimento do CD também está relacionado à inflação nos serviços de saúde, com conseqüente diminuição nos leitos hospitalares. Desde 2002, o país reduziu em 5,73% o número de hospitais, e houve queda de 11,01% no número de leitos hospitalares.4,5 Cidades que realizam assistência à saúde domiciliar de forma pública: Santos, São Paulo - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFM-USP), através de seu Núcleo de Assistência Domiciliar Interdisciplinar (NADI), Londrina, Diadema, Santo André, entre outras mais recentemente. Instituições e empresas têm investido na organização de programas de assistência domiciliar; há, no Brasil, a experiência já consolidada da Volkswagen do Brasil (pioneira) e outras como a Blue Life, Plamtel, Sabesprev-Saúde, Sul América, Unimeds, Promed, Med Lar, Dal Bem.
  7. 7. 89 PROENFSESCAD Em entrevista para o Jornal do Brasil, Pollyanna Pescarolli, presidente da Associação Brasileira de Home Health Care (Abrahhcare), relata que, em pouco mais de cinco anos de atividade do cuidado domiciliar no Brasil, já existem 120 empresas especializadas nesse serviço que movimentou cerca de 3 milhões de reais ao longo de 2005. Quase todo esse valor foi pago pelas operadoras de saúde: “O mercado ainda é muito incipiente. Pelo menos 30% do total dos pacientes que passam por internação de longo prazo no país poderiam ser atendidos através de cuidado domiciliar, mas hoje apenas 5% utilizam esses serviços”.6 Um estudo realizado pelo Núcleo Nacional de Empresas de Assistência Domiciliar (NEAD) em 2005 identificou 108 instituições atuando nesta área, gerando empregos para 15 mil profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais, farmacêuticos e psicólogos. O levantamento mostrou também que já existem mais de 30 mil pacientes sendo atendidos em casa em todo o território nacional.7 Provavelmente esses dados sejam subnotificados, devido ao fato de muitas empresas não estarem registradas no sistema NEAD, assim como nos registros públicos necessários, como licença sanitária municipal e registros nos órgãos representativos de cada categoria profissional. DEFINIÇÕES AFINS À ENFERMAGEM DOMICILIAR Para apreender a enfermagem domiciliar é necessário que outros conceitos ligados a este sejam explicitados, pois há diferenças em suas definições e conseqüentes execuções. Para que ocorra a enfermagem domiciliar, há de se compreender: ■■■■■ atenção à saúde domiciliar; ■■■■■ assistência à saúde domiciliar; ■■■■■ atendimento domiciliar à saúde; ■■■■■ internamento domiciliar; ■■■■■ visita domiciliar. Em estudo realizado com profissionais de saúde, constatou-se que existem dificuldades para distinguir e compreender conceitos afins à enfermagem domiciliar, como uma diversidade de definições, inclusive na literatura.7 De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS),8,9 atenção à saúde domiciliar é “um conjunto de ações realizadas por uma equipe interdisciplinar no domicílio do usuário/família, a partir do diagnóstico da realidade em que se está inserido, de seus potenciais e limitações. Articula promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação, favorecendo, assim, o desenvolvimento e a adaptação de suas funções de maneira a restabelecer sua independência e a preservação de sua autonomia”. Conforme as Diretrizes Gerais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) de 2006, a atenção à saúde domiciliar é um termo genérico que envolve ações de promoção à saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio.10 O Ministério da Saúde4 explicita ainda que a atenção à saúde domiciliar surge entre a rede hospitalar e a rede básica, integrando duas modalidades específicas: a assistência à saúde domiciliar e a internação à saúde domiciliar.
  8. 8. 90 ENFERMAGEMDOMICILIAR A atenção à saúde domiciliar envolve todos níveis de atenção à saúde; embora o cenário da ação terapêutica seja o domicílio, a assistência prestada pode variar conforme as necessidades do paciente e de seus familiares, desde uma visita domiciliar para educação em saúde ou imunização na atenção primária até a realização do internamento domiciliar na atenção secundária de saúde, ou, ainda, terciária. A atenção terciária à saúde requer uma assistência especializada com tratamentos complexos e de cunho hospitalar, cujos profissionais (do hospital e do domicílio) podem manter um intercâmbio para implementar ações que facilitem a reabilitação e permitam a recuperação do indivíduo ao seu estado de saúde. Os objetivos da atenção à saúde domiciliar são: ■■■■■ fornecimento direto de cuidados à saúde aos pacientes em casa; ■■■■■ educação tanto do paciente quanto dos familiares para alcançar as metas de saúde; ■■■■■ independência dos serviços formais de assistência. Assim, a atenção à saúde domiciliar é uma modalidade de maior abrangência, um conceito genérico que engloba e também representa o atendimento domiciliar à saúde, a visita e a internação domiciliar.7 Os conceitos de atendimento e assistência à saúde domiciliar, na literatura, que ainda é escassa, têm certas similaridades e são utilizados no cotidiano, com o mesmo sentido, pelos profissionais de saúde.7,11 A assistência à saúde domiciliar pode ser definida como um conjunto de atividades de caráter ambulatorial, programadas, continuadas e desenvolvidas em domicílio.10,11 O cuidado/assistência/atendimento domiciliar à saúde é entendido como cuidado desenvolvido com o ser humano (clientes e familiares) no contexto de suas residências e faz parte da assistência à saúde dos envolvidos. Compreende o acompanhamento, a conservação, o tratamento, a recuperação e a reabilitação dos clientes em diferentes faixas etárias, em resposta as suas necessidades individuais e familiares, providenciando efetivo funcionamento do contexto domiciliar, ou para pessoas em fase terminal, proporcionando uma morte digna e serena junto a seus significantes.12,13 O atendimento domiciliar à saúde não somente compreende as atividades assistenciais, indicadas após as visitas programadas, como também atua na prevenção secundária, que compreende as medidas de diagnóstico precoce e tratamento imediato dos problemas de saúde e limitações das capacidades. A visita domiciliar é considerada um instrumento para a realização da assistência à saúde domiciliar no intuito de viabilizar o cuidado através da identificação do problema, a qual possibilita conhecer as condições de vida e saúde das famílias.14
  9. 9. 91 PROENFSESCAD Ainternação domiciliar, segundo o Ministério da Saúde,4 é uma modalidade assistencial inserida nos sistemas locais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), integrando as ações da rede básica, urgência, emergência e área hospitalar. Conforme a ANVISA,10 internação domiciliar é um conjunto de atividades prestadas no domicílio, caracterizadas pela atenção em tempo integral ao paciente com quadro clínico mais complexo e com necessidade de tecnologia especializada. Percebe-se que não está explicitada a presença de equipe de profissionais de saúde, assim como a perspectiva de atenção integral significando serviço de saúde dispensado 24 horas. Essa é uma possibilidade inviável de contratação para a maioria da população brasileira e inviável financeiramente para as empresas prestadoras de serviço em CD e para as instituições públicas, devido ao seu planejamento e organização para esse serviço. 1. O que deve ser compreendido para que ocorra a enfermagem domiciliar? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 2. Como definir, inicialmente, enfermagem domiciliar? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ PECULIARIDADES DO CUIDADO DOMICILIAR O desenvolvimento do CD, além de sua organização nos quesitos de recursos estruturais, de pessoal, de materiais e equipamentos, precisa ter em seus fundamentos filosóficos: ■■■■■ missão; ■■■■■ finalidade; ■■■■■ objetivos; ■■■■■ marcos referenciais para a execução de seu trabalho. Dois dos aspectos essenciais para esse tipo de especialidade são a clareza e a incorporação de suas peculiaridades, que são a base do CD, que tem como foco “o cliente, a família, suas respectivas inter-relações, bem como o contexto da casa”.15 Deve-se lembrar que os cuidadores fazem parte dessa assertiva.
  10. 10. 92 ENFERMAGEMDOMICILIAR As bases para o CD são: ■■■■■ paciente; ■■■■■ família; ■■■■■ contexto da casa – lar; ■■■■■ cuidadores. PACIENTE O perfil do paciente que deverá receber a assistência em seu domicílio é muito importante, pois, além de avaliar o seu estado mórbido, tem de se que considerar suas condições socioeconômicas, o acesso geográfico, as condições de sua moradia e a presença de um cuidador que, de preferência, seja um membro da família, para aprender com os profissionais de saúde como cuidar do paciente. Para ter assistência em seu domicílio, o paciente deve receber, dentre outros, um dos seguintes diagnósticos médicos: ■■■■■ acidentes vasculares cerebrais, hemorrágicos ou isquêmicos, com seqüelas neuromotoras; ■■■■■ doenças pulmonares obstrutivas crônicas (dependentes de oxigênio); ■■■■■ neoplasias em fase de tratamento quimioterápico ou de suporte para casos terminais; ■■■■■ diabetes melito com evolução de complicações vasculares, renais e de demais sistemas; ■■■■■ politraumatismos; ■■■■■ aids; ■■■■■ doenças do sistema nervoso central; ■■■■■ prematuridade; ■■■■■ pós-operatórios mais complexos. A seleção dos pacientes é de fundamental importância, assim como o estabelecimento de critérios para admissão, permanência, desmame/alta e acompanhamento posterior/ monitoramento. Tais definições são essenciais aos serviços de atendimento domiciliar, para que não se ofereça assistência em tempo insuficiente ou excessivo, o que poderia prejudicar a oferta desse benefício para outros pacientes que se encontram em fases mais críticas, necessitando de cuidados mais intensivos, cujos familiares ainda estão destreinados para os cuidados. Para que a Unidade Básica de Saúde selecione pacientes para serviços de atendimento domiciliar, podem-se adotar os seguintes critérios: ■■■■■ doente que more na área de abrangência da UBS; ■■■■■ paciente que apresente condições de saúde (entre outros problemas, ter, por exemplo, dificuldade de deambulação ou estar acamado) que necessitem de atendimento; ■■■■■ paciente que aceite receber cuidados em domicílio, assim como tenha consentimento familiar para o atendimento domiciliar à saúde; ■■■■■ paciente que conte com a presença de um cuidador; ■■■■■ casa com condições de higiene compatíveis com o cuidado; ■■■■■ paciente que tenha a presença de rede de suporte social (cuidador, família, amigos, voluntários) a fim de manter sua segurança preservada.
  11. 11. 93 PROENFSESCAD O prontuário do paciente deve ser organizado de acordo com as normativas profissionais do COFEN2 e daANVISA10 (ver Quadro 3); deve-se pensar nas questões éticas, ou seja, que aspectos podem ou devem ser registrados.Acomposição do prontuário deve ser de acordo com os princípios, a missão e a finalidade das atividades a serem realizadas pela empresa ou instituição que propõe o serviço. Quadro 2 RESOLUÇÕES QUE APROVAM AS ATIVIDADES DE CUIDADO DOMICILIAR O prontuário dos pacientes deve ser mantido no domicílio, com o registro de todas as atividades realizadas durante a atenção direta ao paciente, desde a indicação até a alta ou óbito do paciente, e deve apresentar: ■■■■■ telefones de contato do serviço de atendimento domiciliar; ■■■■■ orientações para chamadas e fluxo de atendimento de urgência/emergência; ■■■■■ folhas de evolução multiprofissional, com assinatura do profissional de saúde que acompanha o paciente, as quais devem ser submetidas a revisões sistemáticas; ■■■■■ controles de enfermagem; ■■■■■ resultados de exames; ■■■■■ prescrições; ■■■■■ cópia do termo de adesão, principalmente em serviços privados. FAMÍLIA A família é uma representação socialmente elaborada que orienta a conduta de seus membros; é uma instituição em que as relações entre seres humanos acontecem, isto é, é a esfera íntima da existência que une por laços consangüíneos ou por afetividades os seres humanos.17 A família pode ser considerada um sistema dinâmico de duas ou mais pessoas que estão envolvidas emocionalmente umas com as outras e que vivem próximas. Esse envolvimento emocional implica obrigações recíprocas e responsabilidades dentro do contexto de atenção e cumplicidades. Para o doente, a família são as pessoas que convivem com ele, em uma relação de responsabilidade e cumplicidade.18 O conceito de família reflete as mudanças da sociedade e sua tradicional definição é a de pai, mãe e filhos (família nuclear), embora as enfermeiras do CD saibam que pode significar co-habitação, famílias reconstituídas ou estendidas, que são as que incluem qualquer número ou tipos de relacionamentos lineares ou colaterais, com estruturas alternativas, tais como as comunitárias e as de mesmo sexo. A família nuclear pode ser compreendida como um grupo de pessoas vivendo juntas ou em íntimo contato, no qual há cuidado, suporte e ajuda para os membros dependentes.19 ■■■■■ Resolução COFEN-267/20012 Aprova atividades de enfermagem em domicílio – cuidado domiciliar. ■■■■■ Resolução COFEN-270/200216 Aprova a regulamentação das empresas que prestam serviços de enfermagem domiciliar. ■■■■■ ANVISA – Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 11, de 26 de janeiro de 200610 – Dispõe sobre o regulamento técnico de funcionamento de serviços que prestam atenção domiciliar.
  12. 12. 94 ENFERMAGEMDOMICILIAR O aspecto afetivo, assim como outras perspectivas que oferecerão bem-estar ao paciente, é fornecido pela estrutura que a família apresenta; sendo assim, a família é, comprovadamente, responsável pela preservação, pela manutenção e pela aceleração do processo de melhora de saúde de seu familiar. A família e suas inter-relações oferecem um sustentáculo que outros ambientes não têm e que, sempre que possível, deve ser mantido como uma condição adicional de melhoria da saúde. A vivência do CD entre a família e o paciente é uma oportunidade de o grupo familiar retomar uma de suas principais atribuições, a de ser uma unidade de cuidado de seus membros. Há de se considerar também o ônus que as famílias vivenciam ao assumir inteira ou parcialmente o paciente em seu domicílio, pois, na maioria das vezes, aparentam poucas condições financeiras, estruturais e pouco preparo para arcar com essa nova conjuntura. A situação de um familiar necessitado de cuidados em domicílio pode interferir no andamento natural do viver das famílias, e, dependendo do papel que este familiar possuir neste contexto, seu adoecimento pode influenciar em maior ou menor proporção todos seus membros.18,20 Deve- se atentar que, muitas vezes, os lares não são providos de materiais e equipamentos hospitalares, suas condições espaciais podem não ser as necessárias para o desenvolvimento do cuidado e as famílias não estão habilitadas a realizar os cuidados complexos. Os familiares reportam o impacto, a sobrecarga, as mudanças e as adaptações que o cuidado acarreta para a família e para o cuidador, entre as quais se destacam:15 ■■■■■ aspectos relacionados à mudança da rotina familiar; ■■■■■ questões financeiras; ■■■■■ estresse; ■■■■■ aumento do trabalho e a vivência de um momento difícil; ■■■■■ familiar precisando de cuidados; ■■■■■ dificuldade em cuidar, sendo impelido por esta contingência sem o devido preparo e necessi- tando do respaldo da enfermeira para aprender a cuidar. Aenfermeira domiciliar, ao contatar as famílias em seus lares, deve identificar os líderes do grupo ou o porta-voz, assim como a pessoa da família que será a cuidadora, a responsável primária pelo cuidado do paciente. Esse porta-voz ou líder é fundamental no trabalho da enfermeira com o restante da família, pois esse indivíduo atuará, muitas vezes, como mediador ou elo entre a enfermeira e a família no que diz respeito ao planejamento de cuidados que envolvam demais membros do grupo familiar.19 O desafio da enfermagem domiciliar é tomar a família como perspectiva, tendo papel ativo na vivência do cuidado da saúde de seus membros.
  13. 13. 95 PROENFSESCAD CONTEXTO DOMICILIAR – LAR O lar deve ser considerado mais do que uma residência, pois existem diferentes tipos de dinâmicas e clima de relações; há, por vezes, inversão de papéis, com filhos fazendo papéis de pais, mães provedoras e outros. A casa é um universo com uma complexidade própria, havendo diversos fatores a considerar: os espaciais, os de relações internas a ele e externas com relação a pessoas, fatos e experiências de vida. A casa está inserida em um meio social, um microespaço e um macroespaço que são sistemas sociais interligados, que muito influenciam o CD da enfermeira. É preciso compreender a verdadeira constituição do espaço casa, lar, pois é um local privado, sagrado, é base, suporte, centro da vida das pessoas, fundamento na vida dos humanos, sendo importante do ponto de vista físico, mental, afetivo e que influencia o processo de saúde/doença de todos seus membros. O lar é o local onde as crises e conflitos aparecem com a presença de um familiar adoentado. O contexto familiar engloba questões sociais, econômicas, culturais e relacionais, adquirindo uma perspectiva especial, a qual deve ser atentada pelo profissional ao realizar o atendimento domiciliar à saúde. É preciso considerar os padrões culturais do indivíduo, da família e da comunidade, respeitando seus valores, crenças, tradições, hábitos, sentimentos, necessidades, a fim de enaltecer a humanização dos envolvidos no cuidar; para isso, o profissional de CD deve despir-se de preconceitos. O sucesso do atendimento domiciliar à saúde está em olhar o cliente em seu contexto familiar, visualizando e considerando, além de qualquer aspecto ou situação que façam parte de seu viver: ■■■■■ seu meio social; ■■■■■ suas inserções; ■■■■■ seu local de moradia; ■■■■■ seus hábitos; ■■■■■ suas crenças; ■■■■■ suas relações. Enfatiza-se que toda e qualquer abordagem ao indivíduo e à sua família deve seguir preceitos éticos e ser entendida como um processo único, compreendendo que, para que se possa realizar o atendimento domiciliar à saúde de forma efetiva, os vínculos de cooperação e solidariedade são imprescindíveis. Assim, o CD, baseado em uma abordagem voltada ao relacionamento interpessoal, com forte caráter humano, tem uma forte conotação de atenção à humanidade dos seres envolvidos, pois a enfermeira está adentrando seus redutos, seus ninhos, suas intimidades.12
  14. 14. 96 ENFERMAGEMDOMICILIAR O domicílio é o ambiente do indivíduo e de sua família, possui dinâmica, organização, características próprias; assim, o profissional, ao adentrar este local, deve ter essa percepção e, ao mesmo tempo, respeitar essa organização, conforme veremos, no Quadro 3, na próxima seção. Acrescenta-se que o contexto da casa não se reduz ao seu espaço físico, cuja importância é crucial para o desenvolvimento positivo do cuidado. Muitas vezes, há de se adaptar às necessidades do cliente e às do cuidador (família e/ou enfermeira). O contexto deve ser percebido com um significado mais amplo, pois é um conjunto de coisas, eventos e seres humanos correlacionados entre si e, de certo modo, cujas entidades representam caráter particular e interferente mútuo e simultâneo.12 As interações e ações que são vivenciadas no contexto da casa, com clientes e familiares, possibilitam ao profissional a aquisição do aprendizado, servindo de referência e arcabouço para compor o conhecimento necessário dos diferentes contextos domiciliares que se encontram ao vivenciar o atendimento domiciliar à saúde.12 O atendimento domiciliar à saúde requer, muitas vezes, uma nova organização do contexto domiciliar, seja no sentido das relações familiares ou no da estrutura física, sendo de suma importância o apoio e a compreensão da enfermeira para com o indivíduo, família e cuidador, considerando os fatores que são relevantes para eles e os adaptando à realidade do cuidado domiciliar.20 Entrando na casa do paciente Ao entrar na casa do paciente, o que deve ser considerado são seus valores, sua rotina, sua cultura. Nada deve ser imposto pela enfermeira e pelos demais membros da equipe multiprofissional. O tratamento prescrito está baseado na orientação e na educação dos membros da família quanto à higiene, à alimentação, à ingestão dos medicamentos e a outros aspectos que serão identificados após uma análise criteriosa. A enfermeira domiciliar deve procurar garantir o cumprimento do necessário e do acordado, mesmo que ela não esteja presente. A casa, o lar, é um local onde é preciso pedir licença para entrar e onde se pode verificar a real habilidade do profissional. A enfermeira, ao adentrar os lares, deve proceder de acordo com o apresentado no Quadro 3.
  15. 15. 97 PROENFSESCAD Quadro 3 ENFERMAGEM DOMICILIAR: ADENTRANDO OS LARES CUIDADORES Para ocorrer o CD na realidade brasileira, é preciso a presença do cuidador, porque uma parcela ínfima da população pode arcar com os custos financeiros de cuidados de enfermagem privados que, muitas vezes, devem ser de 12 a 24 horas por dia, durante semanas, meses e até por anos, dependendo do quadro clínico do familiar adoentado; portanto, sem a presença do cuidador, não há o CD. Há um grave erro em excluir cuidadores informais do CD, o que representa uma visão política limitada das organizações de enfermagem. Mesmo nos países mais ricos, cerca de 90% da assistência de cuidado domiciliar é realizada por cuidadores informais.21 O cuidador “é todo aquele que vivencia o ato de cuidar e expressa essa experiência em diferentes momentos e situações; pode realizar-se com diferentes pessoas, em ocasiões distintas de suas vidas”.20,22 No CD ou atendimento domiciliar à saúde, os cuidadores podem ser familiares, pessoas com relações não contratuais, mas de afeto, de grau de parentesco, de amizade ou vizinhança com o cliente que está sendo cuidado12 ou podem ser cuidadores formais. De acordo com o Ministério da Saúde,2,4 “cuidador é a pessoa que mais diretamente presta cuidados, de maneira contínua e regular, podendo ou não ser alguém da família. Suas atribuições devem ser pactuadas entre indivíduo, família, equipe e cuidador, democratizando saberes, poderes e responsabilidades”. A enfermeira, ao adentrar os lares, deve procurar: ■■■■■ perceber o clima da casa e as relações entre as pessoas que estão nesta casa; ■■■■■ despir-se de autoritarismo quando for ensinar e, com cautela e genuíno interesse, procurar compreender a dinâmica das relações e da experiência do viver das famílias; ■■■■■ trabalhar em conjunto com familiares e cuidadores; ■■■■■ criar ponte entre a família e o grupo profissional, assim como com redes sociais de apoio; ■■■■■ levar proteção, tentando ajudar; ■■■■■ oferecer os serviços e as possibilidades de atendimento domiciliar; ■■■■■ perceber a realidade do paciente; ■■■■■ despir-se de preconceitos, ter autoconhecimento sobre seus valores e crenças e respeitar os dos familiares com os quais interage; ■■■■■ mostrar-se disponível e dedicado aos familiares e pacientes e demonstrar que tem apreço por eles; ■■■■■ perceber que ocorrem mudanças no mundo, na vida e nas experiências da profissional enfermeira ao se relacionar com a família, havendo troca de saberes, pensares e de experiências; isso não interfere na prática profissional da enfermeira, mas a torna uma expert no CD; ■■■■■ considerar que o ponto-chave é que o ambiente domiciliar pertence ao paciente e aos seus familiares – significantes.
  16. 16. 98 ENFERMAGEMDOMICILIAR Os cuidadores podem ser considerados como primários, ou seja, os cuidadores familiares. Há também os cuidadores formais, que são profissionais de qualquer instituição ou autônomos. Na realidade brasileira, há também cuidadores formais que não podem ser considerados profissionais de saúde, mas que têm assumido a atividade de cuidado a pacientes idosos ou não e que, por isso, recebem remuneração; isso tem trazido inúmeros problemas éticos e legais de exercício da profissão de enfermagem. O cuidador “é o grande depositário das orientações da equipe de profissionais responsável pelo doente”, é o indivíduo que assume o cuidado do familiar adoentado e representa o elo entre doente, família e equipe de profissionais de saúde.10,18 O cuidador, principalmente o familiar, é o braço direito da enfermeira, mas, ao mesmo tempo, também é seu “calcanhar de Aquiles”. O CD implica realizações de procedimentos dos mais simples aos mais complexos, e a enfermeira, ao ensinar os familiares cuidadores, formais ou não, procura capacitá-los para realizar os cuidados necessários à sobrevivência e à qualidade de vida do paciente. Muitas vezes, são ensinados procedimentos complexos, como passagens de cateteres, de aspiração de traqueostomias, entre outros que, se não forem bem ensinados, poderão trazer conseqüências graves à vida do paciente. Se os cuidadores treinados não tiverem supervisão ou fiscalização dessa atividade, podem incorrer em imperícia, negligência e imprudência – elementos subjetivos de culpa profissional – estando, portanto, sujeitos até a penas judiciais. Às vezes, a supervisão ou fiscalização dessa atividade ultrapassa a capacidade de trabalho da enfermeira (por ser prestadora autônoma do serviço, por contrato específico por empresas privadas, por ser de instituição pública que não comporta este acompanhamento por inexistência deste programa). Um bom treinamento é essencial ao cuidador, mas, para assegurar que este trabalho seja eficaz e de qualidade, a equipe que o treinou deve supervisioná-lo rotineiramente; pela evolução do estado do paciente, é possível verificar a efetividade do cuidado realizado.Além disso, destaca-se que não é descartada a possibilidade de os profissionais de enfermagem estarem envolvidos diretamente no dia-a-dia do doente.18 Vale destacar que o cuidador informal (familiar ou leigo) realiza tarefas e não possui formação na área da saúde. Em geral, esse serviço é prestado quando existe algum tipo de relacionamento; normalmente retrata uma expressão de amor e carinho por um membro da família, amigo ou simplesmente por um outro ser humano que precisa de ajuda. Os cuidadores auxiliam a pessoa, que é parcial ou totalmente dependente de auxílio em tarefas cotidianas como se vestir, alimentar-se, higienizar-se; presta auxílio na deambulação, na administração de medicamento, na preparação de alimentos, etc.20 É importante que se atente para o cuidador, pois ele pode encontrar-se também em situação de fragilidade, seja por questões da situação recém-instalada, por questões físicas ou por questões afetivas, que se podem traduzir em sentimentos de bem-estar ou de insatisfação pelo novo papel assumido. Assim, cabe à enfermeira perceber e desencadear ações de suporte, auxiliando o cuidador informal e a família a se adaptar a esta situação, não sobrecarregando um único membro da mesma.
  17. 17. 99 PROENFSESCAD É preciso que a enfermeira tenha em mente que o cuidador também precisa ser cuidado e que, em termos percentuais, quase 50% do tempo dedicado ao cuidado em cada domicílio deve ser aplicado em cuidados ao cuidador familiar, pois muitas vezes é ele quem fica 24 horas, durante sete dias por semana, com o paciente. 3. Quais são os pacientes que podem ser cuidados no domicílio? A) Todos pacientes podem ser cuidados no domicílio, com exceção daqueles que precisam ser submetidos a tratamentos cirúrgicos, radioterápicos e os que necessitam realizar provas diagnósticas de alta complexidade. B) Pacientes em fase terminal e acamados. C) Pacientes que fazem parte ou do plano de saúde da empresa ou da base territorial da Unidade Básica de Saúde. D) Pacientes que possuem um cuidador familiar. 4. As bases para o atendimento domiciliar à saúde são o paciente, a família, o contexto da casa e os cuidadores; assim, é CORRETO dizer que: A) é preciso que a enfermeira considere, além do paciente, os familiares deste, quem irá cuidar dele e receber as orientações de cuidado (o cuidador familiar), assim como as ações de cuidado que devem privilegiar o contexto da casa. B) as orientações de cuidado fornecidas à família devem ser centradas nos cuidados ao paciente. C) o contexto da casa é secundário às necessidades de cuidado do paciente. D) a família do paciente deve ser excluída da orientação dos cuidados; estes devem estar centrados somente na figura do cuidador familiar. Respostas no final do capítulo 5. Quais os itens que devem ser considerados pela enfermeira e demais membros da equipe multiprofissional ao entrar na casa do paciente? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 6. Analise e comente os critérios usados para seleção de pacientes em Unidade Básica de Saúde. ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................
  18. 18. 100 ENFERMAGEMDOMICILIAR 7. Resuma as atuações da enfermeira domiciliar. ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 8. Qual a definição de cuidador segundo o Ministério da Saúde? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ COMPETÊNCIAS, PERFIL E PAPEL DA ENFERMEIRA PARA REALIZAR O CUIDADO DOMICILIAR A enfermeira domiciliar deve apresentar oito competências:3 ■■■■■ prática clínica de enfermagem avançada; ■■■■■ condução expert e treinamento de clientes, familiares e outros provedores de cuidados; ■■■■■ consulta de enfermagem; ■■■■■ habilidades de pesquisa, incluindo o uso, a evolução e as condutas; ■■■■■ liderança clínica e profissional; ■■■■■ colaboração; ■■■■■ habilidades para instigar trocas; ■■■■■ habilidades nas decisões e nas ações éticas. Para que essas competências sejam alcançadas, a formação da enfermeira deve ir além da generalista, isto é, deve ter uma formação especialista, alcançando uma qualificação voltada para a realidade e para a especificidade do contexto domiciliar. O atendimento domiciliar à saúde singulariza-se pela necessidade de novos saberes e de novas ações da enfermeira, valorizando as características do trabalho, voltadas para a integralidade, para a intersubjetividade e para o cuidado da saúde centrado na família e no contexto das residências e dos indivíduos.20 A inserção da enfermeira nesta especialidade de trabalho requer clareza de seu papel e perfil (ver Quadro 4) no atendimento domiciliar à saúde e um desempenho condizente com a situação, trazendo à tona, além de sua gama de conhecimentos, a necessidade de pôr em prática suas características próprias como pessoa.
  19. 19. 101 PROENFSESCAD Quadro 4 PERFIL DA ENFERMEIRA DOMICILIAR A enfermeira domiciliar desenvolve vários papéis, entre eles, os de:19 ■■■■■ educadora; ■■■■■ advogada; ■■■■■ gerenciadora de casos; ■■■■■ quem faz partilha espiritual. Ser educadora no CD é uma das mais significativas ações atribuídas à enfermeira,12 pois ela ensina o autocuidado ao paciente e, sempre respeitando a capacidade, o grau de compreensão e a possibilidade de ação dos cuidadores familiares, ensina-os a realizar o CD. O papel de advogada implica não somente executar um cuidado correto do paciente, mas também levar a dignidade e os direitos humanos do paciente a serem respeitados durante o processo de trabalho e respeitar os valores socioculturais do paciente e da família. Gerenciar casos é avaliar, planejar, coordenar e evoluir as necessidades de cuidados que o paciente e os familiares apresentam ao serem cuidados em seus domicílios. É uma tendência futura no trabalho da enfermeira domiciliar no Brasil. Fazer partilha espiritual “é utilizar expressões de fé, esperança e amor para prover um cuidado espiritual que nutre profundamente o paciente”.19 O adoecimento de um membro da família, para alguns, pode ser um momento de retomada ou de fortalecimento das práticas religiosas, das crenças espirituais; portanto, a enfermeira deve ser sensível e atenta a essas situações. “Este momento de cuidado espiritual se reflete quando palavras não são sempre necessárias para expressar sentimentos e significados; em tais experiências, reside o coração da enfermagem.”19 ■■■■■ Ser generalista e especialista em cuidado domiciliar. ■■■■■ Ter habilidade e conhecimentos científico-tecnológicos para realizar cuidados. ■■■■■ Saber realizar consulta de enfermagem. ■■■■■ Saber fazer planejamento e gerenciamento de cuidados. ■■■■■ Aliar a teoria com a prática. ■■■■■ Atualizar-se sempre. ■■■■■ Ser criativa e autônoma. ■■■■■ Ser comunicativa. ■■■■■ Ter bom relacionamento com a população e com a equipe multiprofissional. ■■■■■ Saber trabalhar com as diferenças culturais, educacionais e de valores. ■■■■■ Ter a capacidade de se adaptar a situações inesperadas. ■■■■■ Ser criativa para transformar seus conhecimentos do cuidado hospitalar para o doméstico. ■■■■■ Saber os limites que são impostos pelos familiares, estabelecendo limites do seu trabalho. ■■■■■ Ser sensível e observadora. ■■■■■ Gostar de seu trabalho e de trabalhar em grupo.
  20. 20. 102 ENFERMAGEMDOMICILIAR A EQUIPE DE TRABALHO PARA O CUIDADO DOMICILIAR O CD implica ações de um trabalho em equipe multiprofissional utilizando a interdisciplinaridade como guia, aliando tecnologias, saberes e buscando uma nova perspectiva do trabalho em saúde. “Uma equipe não é representada pela junção de vários profissionais com seus conhecimentos específicos, mas sim pelo trabalho destes em prol de um objetivo comum em que seus conhecimentos específicos são complementares, e não concorrentes entre si”; isso demonstra que deve haver a formação de equipes interprofissionais.17,23 Os profissionais devem ter claros o autoconhecimento e o heteroconhecimento (pessoal e profissional) de cada um de seus membros, acompanhados da noção clara dos limites de cada um e dos objetivos que unem o grupo. Os profissionais que desempenham suas atividades no âmbito domiciliar devem ser conhecedores de questões sociais, culturais, históricas e políticas, para considerarem as experiências de vida das famílias e dos grupos sociais, ultrapassando uma visão biológica. É preciso também que os profissionais de CD estejam disponíveis para: ■■■■■ atualizar-se continuamente; ■■■■■ ter uma atitude mental aberta; ■■■■■ utilizar bom senso; ■■■■■ ter clareza na comunicação; ■■■■■ saber aprimorar o trabalho em equipe de forma ética, flexível, criativa; ■■■■■ utilizar sua capacidade técnica, seu discernimento, raciocínio rápido e habilidade; ■■■■■ adaptar-se a novos ambientes e situações, respeitando-se, fortalecendo seus vínculos e, prin- cipalmente, assumindo um papel de comprometimento e responsabilidade perante o indivíduo e sua família. Para se ter organização no atendimento domiciliar à saúde, é importante considerar que o trabalho da equipe deve valorizar alguns elementos, como a realização de reuniões, a troca de idéias sobre determinado paciente ou a realização de acertos na própria equipe, bem como estabelecer algumas normas entre os membros da equipe na tentativa de manter uma coesão grupal e ter objetivos comuns.20 Para explicitar a atuação dos profissionais de enfermagem no atendimento domiciliar à saúde, buscou-se traçar algumas atribuições comuns aos profissionais da equipe, baseadas no documento elaborado pelo Ministério da Saúde4,21 e complementadas20 , conforme o Quadro 5.
  21. 21. 103 PROENFSESCAD Quadro 5 ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO DOMICILIAR Atribuições comuns a todos profissionais da equipe:20 ■■■■■ realizar um cuidado considerando o contexto socioeconômico e cultural do indivíduo e da família; ■■■■■ envolver a família e o indivíduo no planejamento do atendimento domiciliar à saúde, identificando as potencialidades e as dificuldades de cada membro familiar; ■■■■■ explicar ao indivíduo e ao familiar sobre as limitações existentes e as formas de adequações para superá-las; ■■■■■ esclarecer ao indivíduo, à família e ao cuidador seus respectivos papéis no atendimento domiciliar à saúde; ■■■■■ orientar e envolver os membros familiares na realização dos cuidados diários ao paciente; ■■■■■ identificar familiares e cuidadores ou necessidade de rede de apoio; ■■■■■ desenvolver educação em saúde; ■■■■■ estabelecer comunicação clara, objetiva e de acordo com a capacidade de entendimento do indivíduo e da família; ■■■■■ estabelecer relação de ajuda com o indivíduo e com a família, facilitando o esclarecimento de dúvidas e a troca de experiências, possibilitando firmar laços de confiança entre indivíduo/família/profissional; ■■■■■ monitorar o estado de saúde do indivíduo, sinais de gravidade e fatores de risco e orientar novas condutas em cada caso; ■■■■■ identificar fatores agravantes ou de riscos para o indivíduo e para os familiares; ■■■■■ avaliar constantemente as condutas adotadas; ■■■■■ manter relação de apoio ao indivíduo, aos familiares e aos cuidadores em todos momentos; ■■■■■ acompanhar o indivíduo em sua evolução; ■■■■■ registrar o atendimento; ■■■■■ avaliar continuamente as condições do domicílio; ■■■■■ identificar na comunidade possível rede de apoio; ■■■■■ identificar necessidade de avaliação de profissionais especializados; ■■■■■ orientar cuidados com o lixo originado no atendimento e com o lixo domiciliar (separação, armazenamento e coleta); ■■■■■ avaliar dificuldades na realização de atividades diárias, reforçando orientações; ■■■■■ promover reuniões com a equipe para delinear o planejamento do atendimento; ■■■■■ manter coesão de atitudes e orientações da equipe; ■■■■■ buscar permanentemente aperfeiçoamento profissional para o aprimoramento de suas ações. Atribuições do enfermeiro(a):13,20 ■■■■■ avaliar a condição do paciente, a situação da família e a condição da casa; ■■■■■ identificar os problemas, as necessidades, as habilidades e os recursos do doente e da família; ■■■■■ identificar as necessidades de modificações na casa e de equipamentos; ■■■■■ estabelecer o plano de cuidados de enfermagem; ■■■■■ determinar os serviços que são necessários para cuidar do doente e de sua família; ■■■■■ iniciar, organizar e coordenar os serviços e equipamentos requeridos; ■■■■■ oferecer cuidados de enfermagem diretamente ao doente; ■■■■■ ensinar o doente, a família e o pessoal não-profissional; ■■■■■ aconselhar, apoiar e habilitar o paciente e sua família; ■■■■■ supervisionar o pessoal não-profissional; ■■■■■ advogar pelo paciente e pela sua família; ■■■■■ reavaliar e modificar, quando necessário, o serviço ao doente e à sua família; ■■■■■ identificar rede de relação do domicílio e da família; ■■■■■ identificar o possível cuidador; ■■■■■ treinar e supervisionar o cuidador, por meio de instruções detalhadas e estratégias de ensino-aprendizagem, considerando seu nível de compreensão; ■■■■■ identificar e avaliar dificuldades apresentadas pelo cuidador; ■■■■■ manter relação de apoio e cuidado ao cuidador; ■■■■■ compartilhar com a equipe de saúde a alterações observadas. Atribuições do auxiliar de enfermagem:20 ■■■■■ auxiliar na orientação do cuidador domiciliar; ■■■■■ acompanhar a evolução dos casos e compartilhar com a equipe as alterações observadas; ■■■■■ realizar procedimentos de enfermagem de acordo com as competências técnicas e legais; ■■■■■ construir uma relação com o indivíduo e com a família que propicie uma escuta qualificada; ■■■■■ identificar sinais de gravidade e proceder conforme orientação da equipe.
  22. 22. 104 ENFERMAGEMDOMICILIAR 9. Quais são as competências que a enfermeira domiciliar precisa demonstrar para realizar seu cuidado? A) Ser expert, ensinar os pacientes e familiares sobre o cuidado, saber realizar a consulta de enfermagem, ter apurada prática clínica, ter senso de organização e de liderança, ser hábil no relacionamento interpessoal e na tomada de decisões e ações éticas. B) Saber o que vai realizar na residência dos clientes e procurar apresentar resolubilidade. C) Ter um perfil próprio, de generalista e especialista no cuidado domiciliar. D) Ser comunicativa, ter habilidades e conhecimentos científico-tecnológicos. 10. A enfermeira, ao adentrar os domicílios, deve procurar: A) responsabilizar a rede de apoio pelos recursos necessários à realização do cuidado pelo cuidador. B) ensinar os cuidados de acordo com a técnica. C) perceber as relações entre as pessoas que compõem o grupo familiar e trabalhar em conjunto com os familiares e cuidadores. D) modificar todo o espaço do domicílio, considerando as necessidades do paciente. 11. Avaliar a condição do paciente, da família e da residência, identificar necessidades de cuidados, materiais e equipamentos e habilidades e recursos do doente e da família, estabelecer, implementar e reavaliar o plano de cuidados são: A) papéis da enfermeira domiciliar. B) atribuições da enfermeira domiciliar. C) perfil da enfermeira domiciliar. D) processo de trabalho da enfermeira domiciliar. Respostas no final do capítulo.
  23. 23. 105 PROENFSESCAD FLUXO DO ATENDIMENTO REALIZADO PELA ENFERMAGEM DOMICILIAR Um serviço de atendimento domiciliar à saúde em que a enfermeira domiciliar atua através do CD precisa de objetivos claros e de certos aspectos que são descritos a seguir como exemplo, mas que não se configuram nas especificidades de cada instituição ou empresa, que devem ser completadas de acordo com suas missões e objetivos de prestação de serviço. Os objetivos de um serviço de atendimento domiciliar são: ■■■■■ conhecer e atuar na situação de problemas de saúde/doença do paciente e da família; ■■■■■ prestar cuidados ao paciente e à família em seu domicílio, visando a acompanhar a conserva- ção, a recuperação e a reabilitação; ■■■■■ capacitar o paciente e seus familiares a se autocuidarem. Para o funcionamento de um serviço de atendimento domiciliar, é preciso: ■■■■■ licença sanitária; ■■■■■ registros do serviço nos conselhos de classe profissional; ■■■■■ informação clara, precisa, que pode ser obtida também através de manual para pacientes e familiares; ■■■■■ programa de prevenção e controle de infecções e eventos adversos; ■■■■■ critérios rigorosos para admissão, assistência e alta dos pacientes; ■■■■■ relatórios de evolução e acompanhamento de pacientes; ■■■■■ serviços de retaguarda, como transporte e remoção em casos de urgência; ■■■■■ equipe multiprofissional registrada nos seus conselhos de classe; ■■■■■ ter enfermeira, médico, técnico, auxiliar de enfermagem e outros profissionais necessários, dependendo da característica do serviço ofertado; ■■■■■ regimento interno e protocolos de serviço. Com a indicação ou com o pedido para atendimento domiciliar à saúde, avalia-se primeiramente a urgência do caso e, em seguida, encaminha-se para o profissional específico. Após a resolubilidade das necessidades de CD serem atendidas parcial ou completamente, já que dependem das condições de saúde do paciente, das necessidades de orientação dos familiares e do contexto da casa, pode ou não haver encaminhamento para outros profissionais que componham a equipe multiprofissional do serviço. A inclusão do paciente no atendimento domiciliar à saúde, além dos critérios anteriormente citados, pode utilizar o documento preliminar do Ministério da Saúde sobre as Diretrizes paraAtenção Domiciliar no SUS,8,23 que considera necessária a assistência domiciliar a partir do grau 3, utilizando-se a Escala de Avaliação da Incapacidade Funcional da Cruz Vermelha espanhola: grau 0: vale-se totalmente por si mesmo; caminha normalmente; grau 1: realiza suficientemente as atividades da vida diária; apresenta algumas dificuldades para locomoção complicada;
  24. 24. 106 ENFERMAGEMDOMICILIAR grau 2: apresenta algumas dificuldades nas atividades da vida diária, necessitando de apoio ocasional; caminha com ajuda de bengala ou similar; grau 3: apresenta graves dificuldades nas atividades da vida diária, necessitando de apoio em quase todas elas; caminha com muita dificuldade, ajudado por pelo menos uma pessoa; grau 4: não consegue realizar qualquer das atividades da vida diária sem ajuda; caminha com extraordinária dificuldade, ajudado por pelo menos duas pessoas; grau 5: imobilizado na cama ou sofá, necessitando de cuidados contínuos. Assim que fica estabelecida a necessidade de atendimento domiciliar à saúde, é necessária a realização de um planejamento e de um gerenciamento de cada caso, considerando que o atendimento deverá ter começo, meio e fim, englobando o diagnóstico, o planejamento, a execução e a evolução do CD. Para o planejamento do atendimento com o paciente já no domicílio, é preciso saber: ■■■■■ Há quanto tempo a situação já está instalada? ■■■■■ Qual foi o fator motivador da solicitação? ■■■■■ Quem são as pessoas envolvidas nas atividades de cuidado e como interferem em suas vidas? ■■■■■ De que recursos a família dispõe (humanos, materiais e financeiros)? ■■■■■ Qual é a real condição do paciente? ■■■■■ Qual é a competência assistencial da família? ■■■■■ Que adaptações precisam ser feitas? A Figura 1 representa a operacionalização do atendimento domiciliar. Figura 1 – Esquema que representa a operacionalização do atendimento domiciliar Indicação para CD Entrevista e observação Análise e avaliação Diagnóstico Planejamento Início do cuidado Detecção de problemas; identificação de necessidades, fatores facilitadores e dificuldades e recursos de toda espécie. Adequação do domicílio; orientação e ensino do cuidado ao cuidador e do autocuidado ao paciente; periodicidade do cuidado; necessidade de materiais e de equipamentos. Acompanhamento contínuo Avaliação Alta da enfermeira e/ou serviço/empresa
  25. 25. 107 PROENFSESCAD Os critérios para o desligamento do indivíduo do atendimento domiciliar à saúde são os seguintes: ■■■■■ melhora do estado clínico; ■■■■■ recuperação das condições de deslocamento; ■■■■■ recuperação total e estabilidade global; ■■■■■ mudança da área de abrangência; ■■■■■ internação hospitalar; ■■■■■ óbito; ■■■■■ ausência do consentimento da família a qualquer momento; ■■■■■ ausência de cuidador; ■■■■■ a pedido da família ou do indivíduo. REDE DE APOIO SOCIAL PARA O ATENDIMENTO DOMICILIAR À SAÚDE Ter apoio social é estabelecer uma ligação com o meio externo, que pode intervir na construção da convivência familiar, havendo momentos em que a articulação com outras pessoas, grupos e sistemas é necessária. A conexão da família com o mundo externo torna-a participante da teia social; portanto, ela pode recorrer a esta possibilidade de ajuda ao vivenciar o cuidado de seu familiar no domicílio. As instituições sociais dão sustentação às necessidades da família, como apoio de outras famílias (de origem ou não) ou amigos, podendo ocorrer busca de suporte financeiro e outros.24 A família busca auxílio para o CD quando pode contar com o amparo de seus membros – estes ajudam uns aos outros ou porque são famílias numerosas, ou porque são pessoas que, mesmo distantes umas das outras, ajudam-se mutuamente no período de enfermidade de um membro desse grupo social. A família pode contar com a comunidade, com vizinhos, com amigos chegados, recebendo ajuda, sustento, recursos de grupos de serviço ou grupos de igrejas.11 Esses recursos poderão dar apoio social, psíquico, espiritual, econômico, material, de transporte ou outros que sejam fundamentais para que a família consiga assistir seu familiar no domicílio. A constituição de grupos de apoio deve ser estimulada como a formação de grupos de cuidadores, pois aproxima cuidadores familiares de outros que passam por problemas semelhantes ou que já passaram, sendo uma forma de valorizar as experiências dos cuidadores.
  26. 26. 108 ENFERMAGEMDOMICILIAR A ÉTICA E A COMUNICAÇÃO NO ATENDIMENTO DOMICILIAR À SAÚDE O atendimento domiciliar à saúde exige da enfermeira extrema habilidade e clareza na comunicação. É possível enumerar, como exemplo, cinco pontos de relevância para um bom atendimento na residência do paciente: ■■■■■ como lidar com familiares; ■■■■■ como contatar; ■■■■■ como entrar no domicílio; ■■■■■ como atender o paciente; ■■■■■ o que falar, conversar e responder. Em primeiro lugar, é necessário profunda clareza na comunicação com parentes e responsáveis por pacientes no CD. Tanto as informações prestadas quanto a própria linguagem empregada devem evitar a utilização de termos técnicos, para que os familiares possam entender integralmente todos os procedimentos referentes a eles e também as atitudes e métodos realizados pela enfermeira e pelos demais profissionais da equipe de saúde. O avanço na tecnologia dos equipamentos médico-hospitalares permite realizar os mais sofisticados exames à beira do leito (se o serviço permitir). É imprescindível, no entanto, informar os familiares de tudo o que se pretende fazer. Desde a entrada no lar, passando pelos cumprimentos de praxe, até a execução do atendimento, deve-se desenvolver uma técnica que mescle simpatia, gentileza e firmeza. A atenção deve ser sempre direcionada para o doente, para sua família e para os esforços necessários na realização do que foi acordado pela enfermeira ou pela equipe de saúde que está avaliando a situação. Nenhuma pergunta deve ficar sem resposta. É importante lembrar, no entanto, que não é recomendado prolongar-se em considerações que não sejam específicas de profissionais técnicos. Atitudes humanas como simpatia, cordialidade e esclarecimento das finalidades e métodos de profissionais de saúde são, portanto, o que todos devem levar em conta sempre que estiverem dentro da residência de um paciente. Algumas das principais considerações éticas em CD relacionam-se com uso eqüitativo de recursos, os direitos do paciente versus os direitos dos cuidadores, a autonomia do paciente versus beneficência ou versus sacralidade da vida, além de outros aspectos éticos quanto à fase terminal. Esta é uma área enorme que merece uma atenção especial e em que se destacam alguns fatores como os mencionados a seguir.21
  27. 27. 109 PROENFSESCAD Fatores éticos e legais do CD: ■■■■■ dificuldades na manutenção de pacientes com procedimentos complexos; ■■■■■ problemas psicológicos dos pacientes; ■■■■■ fadiga que afeta os familiares cuidadores dos pacientes; ■■■■■ limites a estabelecer sobre sua própria competência em certas situações; ■■■■■ avaliação do impacto desta modalidade de atendimento à saúde para as famílias; ■■■■■ necessidade de determinar o real custo/benefício do trabalho; ■■■■■ avaliação da participação da família cuidadora; ■■■■■ consideração dos aspectos afetivos e os efetivos. DIRETRIZES DA DOCUMENTAÇÃO PARA O REEMBOLSO DOS SERVIÇOS DE CUIDADO DOMICILIAR Desenvolver o plano de cuidado e a documentação exata proporciona aos enfermeiros métodos sistemáticos e específicos para a prestação de cuidado ao paciente. Conseqüentemente, o plano de cuidado torna-se um mapa de cuidado virtual, por meio do qual a enfermagem implementa e dirige serviços de custos efetivos e guia as ações do paciente/cuidador na administração das necessidades de cuidado de saúde no domicílio. A atenção à documentação proporciona um método para avaliar a qualidade do cuidado, serve como uma base para o reembolso de serviços e cria um banco de dados completo para pesquisa de enfermagem e de saúde de forma geral. 12. A rede de apoio social é uma possibilidade de sustentação para a família ao vivenciar o cuidado a seu familiar porque: A) há o apoio de outras famílias (de origem ou não) ou amigos, podendo ocorrer a necessidade de suporte financeiro. B) encaminha a órgãos competentes a família, de acordo com suas necessidades. C) diminui a necessidade da presença dos profissionais de saúde. D) é um organismo social que influencia as sociedades. Resposta no final do capítulo 13. Descreva o protocolo necessário para o funcionamento de um serviço de atendimento domiciliar. ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................
  28. 28. 110 ENFERMAGEMDOMICILIAR 14. Em que circunstâncias é recomendado o cuidado domiciliar? Por quê? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 15. Descreva, através de esquema, o perfil da enfermeira domiciliar. 16. Que aspectos devem ser considerados no planejamento do cuidado domiciliar? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ CASO CLÍNICO EZ, paciente do sexo masculino, 36 anos, solteiro, católico, branco, foi vítima de trauma por queda de bicicleta e foi atendido primeiramente em uma cidade do interior. Teve diagnóstico de paraplegia em MMII e bexiga neurogênica (há um ano e meio). Estava com pico febril, tosse produtiva, dispnéia, emagrecimento, apresentava escara na região sacra, na glútea inferior (com tecido de granulação) e nos calcâneos. Foi submetido a várias enxertias de pele para fechamento de escaras anteriores, a uma colostomia por fístula sacrorretal e a uma cistostomia. Atualmente, apresenta-se comunicativo, orientado, restrito ao leito, com secreção em estoma de cistostomia e atrofia muscular, pés edemaciados. Presenciada a realização de banho dado pelo irmão, no banheiro, foram constatadas várias falhas, como contaminação das feridas com fezes de colostomia. Mora com irmão, em casa de madeira, que contém dois quartos, um para o paciente com porta que dá acesso a toda a casa, uma janela, uma cama hospitalar, um colchão de ar, cadeira de rodas e cadeira de banho, lençóis, sobre-lençóis e fronhas em quantidade suficiente; o outro quarto é para o irmão que cuida dele.A casa tem também uma cozinha e um banheiro, que possui vaso sanitário, chuveiro e pia.
  29. 29. 111 PROENFSESCAD O acesso do pátio para o interior da casa é difícil, mas foi colocada uma rampa de madeira. A casa localiza-se nos fundos da casa de outro irmão, que tem uma filha submetida a transplante de rim e pâncreas. Sua cunhada é quem prepara as refeições. O irmão que cuida e mora com o paciente costuma separar os materiais de higiene de ambos, é orientado e atencioso, mas apresenta um déficit no autocuidado. Há água encanada e sistema de esgoto, percebe-se higiene por parte dos ocupantes, com tentativas de manter limpo o assoalho e o material utilizado (curativos, lençóis e medicamentos). No exterior da casa, há acúmulo de materiais e utensílios não-utilizados, que podem proporcionar a proliferação de microrganismos; há também animais domésticos como galinhas, patos e cães. A iluminação é precária, e não existem barras de apoio. 17. Que problemas são encontrados na situação descrita neste caso clínico? ........................................................................................................................................... ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ 18. Como esses problemas podem ser identificados? ........................................................................................................................................... ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ 19. Que soluções podem ser indicadas para essa situação? ........................................................................................................................................... ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ 20. Como devem ser estabelecidas as ações de cuidado? ........................................................................................................................................... ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ Respostas no final do capítulo
  30. 30. 112 ENFERMAGEMDOMICILIAR 21. Quem é o cuidador na situação descrita no caso clínico e que trabalho ele realiza? ........................................................................................................................................... ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ 22. Que papéis a enfermeira domiciliar irá desenvolver nessa situação? ........................................................................................................................................... ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ ............................................................................................................................................ Respostas no final do capítulo CONCLUSÃO É preciso que o CD não seja banalizado, que não seja tratado como uma atividade que qualquer pessoa pode fazer; pelo aqui exposto, percebe-se o alto grau de especificidade que o trabalho comporta, o quanto é preciso de conhecimento e de atitudes para seu desenvolvimento, assim como planejamento e organização. É importante que a enfermeira domiciliar faça algumas perguntas. É possível sempre ter clientes internados nas casas? Quem vai cuidar? Como os cuidadores serão treinados? Quais os limites das atividades delegadas? Quem vai gerenciar os cuidados? A resposta a essas perguntas determina o grau de profissionalismo, de comprometimento da enfermeira e de possibilidades de prestação de serviços de cuidados domiciliares de enfermagem, sejam públicos ou privados. Muitas vezes, é difícil encontrar todas respostas, mas, para uma enfermagem domiciliar de qualidade, com eficácia e efetividade, é preciso que todas elas sejam respondidas, e isso será possível se houver um programa ou serviço de atendimento domiciliar à saúde planejado e organizado para atender à saúde dos pacientes e dos familiares em seus lares. A enfermeira domiciliar trabalha com uma atividade desafiante, sendo necessário que ela saia de uma posição confortável, do ambiente institucional, para o reduto do paciente, o que requer dela uma postura pró-ativa, de buscar novas possibilidades, de investir em sua qualificação constantemente e de ter genuíno interesse pelo ser humano.
  31. 31. 113 PROENFSESCAD “Participar do cuidado do cliente e da família em domicílio proporciona uma oportunidade rara de fazer parte e, assim, estar atenta aos melhores cuidados à vida das pessoas e seus respectivos relacionamentos, exatamente no local mais privado e íntimo de suas existências.”12 RESPOSTAS ÀS ATIVIDADES E COMENTÁRIOS Atividade 3 Resposta: A Comentário: Poucos são os pacientes que não podem ser tratados no domicílio; todas as respostas estão corretas, mas a primeira abrange todas e acrescenta a exceção. Atividade 4 Resposta: A Comentário: Os quatro aspectos são primordiais para a realização do cuidado, pois é imperativo que a enfermeira cuide do paciente, ensine tanto a família como o cuidador familiar a cuidar dele e observe os aspectos do contexto da casa, que são o microespaço do paciente e da família. Atividade 9 Resposta: A Comentário: As competências que a enfermeira domiciliar deve apresentar são prática clínica de enfermagem avançada, condução expert e treinamento de clientes, familiares e outros provedores de cuidados, consulta de enfermagem, habilidades de pesquisa, incluindo o uso, a evolução e as condutas, liderança clínica e profissional, colaboração, habilidades para instigar trocas e, finalmente, habilidades nas decisões e ações éticas, segundo Portillo e Schumacker. Atividade 10 Resposta: C Comentário: Ao entrar na casa do paciente, devem ser considerados os seus valores, sua rotina, sua cultura e suas relações, sem que nada seja imposto pela enfermeira ou pelos demais membros da equipe. Atividade 11 Resposta: B Comentário: Segundo Ribeiro (1999), são atribuições da enfermeira domiciliar. Atividade 12 Resposta: A Comentário:Aconexão da família com o mundo externo torna-a participante da teia social; portanto, ela pode recorrer a essa possibilidade de ajuda ao vivenciar o cuidado de seu familiar em domicílio. Atividade 17 Resposta: Há inúmeros problemas nessa situação, tais como estado de saúde/doença alterado do paciente, escaras, déficit na mobilidade corporal, bexiga neurogênica, tendo uma cistostomia, colostomia, pico febril (possível infecção em feridas e/ou brônquica), tosse produtiva, dispnéia, escaras em calcâneo, sacra, glútea, atrofia muscular e pés edemaciados.
  32. 32. 114 ENFERMAGEMDOMICILIAR Os problemas da esfera social também são inúmeros, como falta de contato com outras pessoas, tendo companhia restrita do irmão, que é o cuidador, e, devido à presença de infecção, o doente não pode estar na casa conjugada em que vive, porque lá está presente uma jovem transplantada; é inativo do ponto de vista social e de produção, não realiza qualquer tipo de atividade, inclusive as de autocuidado. O cuidador tem déficit de autocuidado pessoal e também realiza os cuidados de forma incorreta. Atividade 18 Resposta: Os problemas podem ser identificados através dos déficits que o paciente, a família e o contexto domiciliar apresentam. Na situação apresentada, existem déficits com relação ao paciente na esfera física, como as ostomias, as escaras, a imobilidade, o estado infeccioso, entre outros; na esfera de relacionamento social, isolamento social, inatividade, entre outros. Com relação ao cuidador, ensino de autocuidado, assim como o ensino do cuidado ao paciente, revendo suas atividades de cuidado da vida diária assim como os de cuidado com escaras, ostomias, medicamentos e outros. Atividade 19 Resposta: O ensino do cuidado, tanto do autocuidado para ambos, cuidador e paciente, como o ensino dos cuidados de vida diária e os cuidados complexos. Em primeiro lugar, a enfermeira deve perceber o contexto domiciliar, as relações que se estabelecem, mais especificamente entre os irmãos (paciente e cuidador), para, a partir desta análise, propor soluções, como a realização do cuidado; neste momento, o seu ensino deve ressaltar os aspectos mais importantes da atividade e suas conseqüências, tentando trabalhar com o cuidador a importância dos cuidados serem realizados com técnica correta. Atividade 20 Resposta: É preciso lembrar sempre que deve prevalecer o acordado entre a enfermeira e o paciente, seu cuidador e a família. O estabelecimento das ações ocorre pela listagem das prioridades de cuidado, que devem considerar a urgência do caso, sua gravidade e os problemas conseqüentes da situação. Neste caso, é urgente que se trabalhe com o cuidado das escaras, com a higiene, com o estado febril, com a tosse e com as secreções brônquicas e em ostomias. Atividade 21 Resposta: O cuidador é o irmão, mas com déficits em seu próprio cuidado, com dificuldade de realizar o cuidado do paciente, precisa ser treinado e supervisionado recorrentemente e, após a aquisição dos conhecimentos e habilidades de cuidados, o profissional de CD deve realizar visitas periódicas para reforço das atividades, assim como discutir o planejamento, a organização e a execução dos cuidados. Integrá-lo em grupo de cuidadores para troca de experiências, bem como estimulá-lo em atividades de cuidado de si. Atividade 22 Resposta: O papel que a enfermeira deve representar nesta situação específica é o de ensinar a cuidar e ensinar o autocuidado. Outro importante papel da enfermeira é o de advogar pelo paciente pelo direito de ser produtivo e de exercer seu autocuidado, assim como integrá-lo no sistema social em grupos de pacientes com os mesmos problemas que ele.
  33. 33. 115 PROENFSESCAD REFERÊNCIAS 1 COFEN. Resolução n. 290, de 2004. Fixa as especialidades de enfermagem. Disponível em: <http:// www.portalcofen.com.br/_novoportal/section_int.asp?InfoID=5261&EditionSectionID=15&Section ParentID=>. Acesso em: 21 ago. 2006. 2 COFEN. Resolução n. 267, de 2001. Aprova atividades de Enfermagem em Domicílio Home Care. Disponível em: <http://www.portalcofen.com.br/_novoportal/section_int.asp?InfoID=172&EditionSectionID =15&SectionParentID=03>. Acesso em: 31 jul. 2006. 3 PORTILLO, C. J; SCHUMACHER, K. I. Graduate program: advanced practice nurses in the home. AACN Clinical Issues, v. 9, n. 3, p. 355-61, 1998. 4 BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n° 2.607, de 10 de dezembro de 2004. Plano Nacional de Saúde/ PNS: Um pacto pela saúde no Brasil. Disponível em: <http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/ Port2004/Gm/GM-2607.htm>. Acesso em: 31 jul. 2006. 5 CRUZ, Isabel Cristina Fonseca da; BARROS, Sílvia Regina Teodoro Pinheiro; ALVES, Paulo C. Atendimento domiciliar na ótica do enfermeiro especialista. Revista de Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 10, n. 1, p.13-6, 2002. 6 PAULA, N. Caderno de Economia. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 fev. 2001. 7 LACERDA, M. R; GIACOMOZZI, C. L. M. Assistência à Saúde Domiciliar e Seus Diferentes Conceitos. Curitiba: Universidade Federal do Paraná (UFPR), 2005. Relatório Técnico PIBIC. 8 BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para a atenção domiciliar no Sistema Único de Saúde. Documento preliminar, 2004. 9 BOLONHEZI, Ari. Uma Grande Conquista para a Assistência Médica Domiciliar. Disponível em: <http:// www.portalhomecare.com.br/arquivos/artigo/ Artigo%20do%20NEADRDC%2011.doc> . Acesso em: 28 fev. 2006. 10 Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 11, de 26 de janeiro de 2006. Dispõe sobre o Regulamento Técnico de Funcionamento de Serviços que prestam Atenção Domiciliar. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2006/rdc/11_06.pdf>. Acesso em: 31 jul. 2006. 11 ALVAREZ, Ângela Maria. Tendo que Cuidar: a vivência do idoso e de sua família cuidadora no processo de cuidar e ser cuidado no contexto domiciliar. 2001. 183 f. Tese (Doutorado em Ciências da Saúde) - Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001. 12 LACERDA, M. R. Tornando-se Profissional no Contexto Domiciliar: vivência do cuidado da enfermeira. 2000. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 13 RIBEIRO, V. E. S. O domicílio com o espaço de enfermagem: experiência da enfermagem canadense. In: 50º CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM . Anais... Salvador: ABEN – Seção Bahia, 1999. 14 LOPES, Marta Júlia Marques. Programa de saúde da família. Enfermagem Atual, Rio de Janeiro, v. 2, n. 11, set./out. 2002.
  34. 34. 116 ENFERMAGEMDOMICILIAR 15 LACERDA, M. R; OLINISKI, S. R. Familiares interagindo com a enfermeira no contexto domiciliar. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v. 26, n. 1, p. 76-87, 2005. 16 COFEN. Resolução n. 270, de 2002. Aprova a Regulamentação das empresas que prestam Serviços de Enfermagem Domiciliar – Home Care. Disponível em: <http://portalcofen.gov.br/_novoportal/ section_int.asp?InfoID=195&EditionSectionID=15&SectionParentID=03>. Acesso em: 31 jul. 2006. 17 LACERDA, M. R. Cuidado Transpessoal de Enfermagem no Contexto Domiciliar. 1996. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Universidade Federal de Santa Catarina. 18 SANOTS, N. C. M. Home Care: a enfermagem no desafio do atendimento domiciliar. 1. ed. São Paulo: Iátria, 2005. 19 RICE, R. Home Care Nursing Practice: concepts and application. 3. ed. St. Louis: Mosby, 2001. 20 MARTINS, S. K. Proposta de Atendimento à Saúde Domiciliar para um Distrito Sanitário do Município de Curitiba: contribuição da enfermagem. 2006. Projeto de Qualificação de Mestrado em Enfermagem – Universidade Federal do Paraná (UFPR). 21 HIRSCH-FIELD, M. A prática de home care cresce em todo mundo. Notícias Hospitalares,São Paulo, ano 3, n. 35, fev./mar. 2002. Disponível em: <http://www.prosaude.org.br/noticias/mar2002/pgs/> .Acesso em: 1 mar 2006. 22 COSTENARO, Regina G. S.; LACERDA, Maria Ribeiro. Quem cuida de quem cuida? Quem cuida do cuidador? Santa Maria: Centro Universitário Franciscano, 2001. 23 DUARTE, Yeda A. de Oliveira; DIOGO, Maria José D’Elboux. Atendimento Domiciliário: um enfoque gerontológico. São Paulo: Atheneu, 2000. 24 ALTHOFF, Coleta Rinaldi. Convivendo em Família: contribuição para a construção de uma teoria substantiva sobre ambiente familiar. Florianópolis: Editora UFSC/Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, 2001.
  35. 35. Associação Brasileira de Enfermagem Diretoria Associação Brasileira de Enfermagem - ABEn Nacional SGAN, 603. Conjunto “B” - CEP: 70830-030 - Brasília, DF Tel (61) 3226-0653 - E-mail: aben@abennacional.org.br http://www.abennacional.org.br Presidente Francisca Valda da Silva Vice-presidente Ivete Santos Barreto Secretária-Geral Tereza Garcia Braga Primeira Secretária Ana Lígia Cumming e Silva Primeira Tesoureira Fidélia Vasconcelos de Lima Segunda Tesoureira Jussara Gue Martini Diretor de Assuntos Profissionais Francisco Rosemiro Guimarães Ximenes Diretor de Publicações e Comunicação Social Isabel Cristina Kowal Olm Cunha Diretora Científico-Cultural Maria Emília de Oliveira Diretora de Educação Carmen Elizabeth Kalinowski Coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem (CEPEn) Josete Luzia Leite Membros do Conselho Fiscal José Rocha Marta de Fátima Lima Barbosa Nilton Vieira do Amara Coordenadora-geral do PROENF: Carmen Elizabeth Kalinowski Enfermeira. Mestrado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora na Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Diretora de Educação da ABEn. Diretoras acadêmicas do PROENF/Saúde do adulto: Jussara Gue Martini Enfermeira. Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professora e pesquisadora no Departamento de Enfermagem e no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segunda tesoureira da ABEn (gestão 2004–2007). Vice-coordenadora da Educativa. Vanda Elisa Andres Felli Professora Associada do Departamento de Orientação Profissional/Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).
  36. 36. P964 Programa de Atualização em Enfermagem : saúde do adulto : PROENF / organizado pela Associação Brasileira de Enfermagem ; coordenadora-geral, Carmen Elizabeth Kalinowski, diretoras cadêmicas, Jussara Gue Martini, Vanda Elisa Andres Felli. – Ciclo 1, módulo 2 (2006) – Porto Alegre: Artmed/Panamericana Editora, 2006 – 17,5 x 25cm. (Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância) (SESCAD). ISSN: 1809-7782 1. Enfermagem – Educação a distância. I. Associação Brasileira de Enfermagem. II. Kalinowski, Carmen. III. Martini, Jussara Gue. IV. Felli, Vanda Elisa Andres. CDU 616-083(07) Catalogação na publicação: Júlia Angst Coelho – CRB 10/1712 PROENF. Saúde do adulto Reservados todos os direitos de publicação à ARTMED/PANAMERICANA EDITORA LTDA. Avenida Jerônimo de Ornelas, 670 – Bairro Santana 90040-340 – Porto Alegre, RS Fone (51) 3025-2550. Fax (51) 3025-2555 E-mail: info@sescad.com.br consultas@sescad.com.br http://www.sescad.com.br Capa e projeto: Paola Manica Diagramação: Ethel Kawa Editoração eletrônica: João Batysta N. Almeida e Barbosa Supervisão da editoração eletrônica: Rubia Minozzo Coordenação pedagógica: Evandro Alves Supervisão do processamento pedagógico: Rubia Minozzo Processamento pedagógico: Evandro Alves, Adiles Heissler e Alane Nerbass Revisão do processamento pedagógico: Rubia Minozzo e Rita Justino Coordenação da revisão de originais: Dinorá Casanova Colla Revisão de originais: Ana Marson, Evandro Alves e Alane Nerbass Coordenação-geral: Geraldo F. Huff

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