Geografia: Isso serve em primeiro lugar para fazer a guerra. Revisitando Yves Lacoste

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Geografia: Isso serve em primeiro lugar para fazer a guerra. Revisitando Yves Lacoste

  1. 1. GEOGRAFIA: Isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Apresentação Power Point Silvânio Paulo de Barcelos Texto: Lacoste, Yves. Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Trad. Maria Cecília França.- 3ª. Ed.- Campinas, SP: Papirus, 1993. p. 121-151
  2. 2. YVES LACOSTE Geógrafo francês, professor da Universidade de París. Dedica-se à democratização da geopolítica.
  3. 3. Historiadores que querem “uma geografia modesta” <ul><li>Início séc. XX: Críticas à geografia (sociólogos: Marcel Mauss, Simiand e Durkheim)- Silêncio. </li></ul><ul><li>Lucien Febvre assume a defesa, impondo limites. </li></ul><ul><li>“ A terra e a evolução humana”: uma apologia às teses Vidalianas + apoio da Escola dos Annales = influência e renome. </li></ul><ul><li>La Blache: O fundador da Escola Francesa de Geografia. </li></ul>
  4. 4. Um estranho silêncio <ul><li>A TERRA E A EVOLUÇÃO HUMANA: </li></ul><ul><li>Questões de geografia humana </li></ul><ul><li>Teoria e método </li></ul><ul><li>Noção de clima na vida humana </li></ul><ul><li>Noção de litoralismo </li></ul><ul><li>Noção de insularidade </li></ul><ul><li>Nômades e sedentários </li></ul><ul><li>Agrupamentos humanos </li></ul><ul><li>Por que Lucien Febvre não menciona, neste livro, a obra Vidaliana “A França de Leste” ? </li></ul><ul><li>Historiadores que querem uma “geografia modesta” ? </li></ul>
  5. 5. A FRANÇA DE LESTE Vidal de la Blache <ul><li>Contexto histórico </li></ul><ul><li>Janeiro/1871: A França assina armistício com a Alemanha, logo após o cerco à cidade de Paris. </li></ul><ul><li>Vitória Alemã: uma humilhação para a França </li></ul><ul><li>Anexação da região da Alsácia e Lorena pelos Alemães </li></ul><ul><li>Disseminação do ideal de “revanchismo” </li></ul><ul><li>Necessidade de repensar o espaço X reflexão geográfica Alemã </li></ul><ul><li>Vidal de la Blache </li></ul><ul><li>“ PENSOU A GEOGRAFIA COMO A RELAÇÃO DO HOMEM COM A NATUREZA, NA PERSPECTIVA DA PAISAGEM. COLOCOU O HOMEM COMO UM SER ATIVO, QUE SOFRE A INFLUENCIA DO MEIO PORÉM ATUA SOBRE ESTE, MODIFICANDO-O.” </li></ul>
  6. 6. Yves Lacoste Explica o “estranho silêncio” <ul><li>Apoio condicional de Febvre: Uma geografia humana modesta </li></ul><ul><li>A geografia não deve se ocupar de questões políticas, militares. </li></ul><ul><li>Evoca o menos possível os problemas econômicos e sociais. </li></ul><ul><li>Trata das condições geológicas e climáticas dos solos e do habitat rural, mas muito pouco das cidades. </li></ul><ul><li>Por que a redução da geograficidade em relação às das obras de Reclus e La Blache? </li></ul><ul><li>Os historiadores tem uma visão cada vez mais abrangente da historicidade. </li></ul><ul><li>Escola dos Annales ampliam campo dos historiadores: ECONÔMICO, SOCIAL, CULTURAL E DEMOGRÁFICO. </li></ul><ul><li>“ Os geógrafos não devem colocar em risco a hegemonia da poderosa corporação dos historiadores”. </li></ul>
  7. 7. Yves Lacoste: Uma crítica aos historiadores <ul><li>Até metade do séc. XIX os geógrafos se ocupavam de questões políticas e militares (estado). </li></ul><ul><li>Alguns geógrafos (França) ainda se ocupavam destes problemas. </li></ul><ul><li>Febvre assimila reflexões de Ratzel (campeão do pangermanismo). </li></ul><ul><li>Necessidade da interdição dos geógrafos: Um aval do mestre </li></ul><ul><li>APROPRIAÇÃO INDÉBITA </li></ul><ul><li>Artigo de La Blache (1913): “A geografia é a ciência dos lugares e não a dos homens”. (crítica à geógrafos que reproduzem discursos dos sociólogos e economistas sem se preocupar com o espaço) </li></ul><ul><li>Lucien Febvre se apodera da frase: </li></ul><ul><li>Comentários, teses. </li></ul><ul><li>“ Uma geografia modesta” do livro: A terra e a evolução humana = A geografia é a ciência dos lugares e não dos homens. Eis, na verdade, a âncora de salvação. </li></ul><ul><li>Alusão ao livro de Camille Vallaux “O solo e o estado” = O solo, não o estado, eis aí o que deve reter a atenção do geógrafo. </li></ul><ul><li>“ Obrigado, senhor Febvre, por esse preceito lapidar que impossibilitou qualquer reflexão geopolítica aos geógrafos... Para reservá-la aos historiadores ávidos de GEO HISTÓRIA !” (Yves Lacoste página 123) </li></ul>
  8. 8. Um historiador na evolução da escola geográfica Francesa <ul><li>“ A TERRA E A EVOLUÇÃO HUMANA” : A bíblia dos geógrafos Franceses até os anos 1960. </li></ul><ul><li>Por que o silêncio e a timidez dos geógrafos ? </li></ul><ul><li>Por que a ausência dos debates teóricos na escola geográfica ? </li></ul><ul><li>Panegírico de Febvre oculta idéia principal da obra de Vidal de la Blache ! (os geógrafos não perceberam, se perceberam não reagiram). </li></ul><ul><li>Fernand Braudel (entrevista à TV Francesa): “geografia, disciplina s u b j u g a d a”. </li></ul><ul><li>Yves Lacoste: “porém, não se deve negligenciar o peso da corporação dos historiadores nas universidades e no ensino de história-geografia”. </li></ul>
  9. 9.   A Geopolítica permite uma visão ampla e transdisciplinar dos acontecimentos mundiais a partir do estudo sistemático das (inter) conexões que formam o atual sistema-mundo, multifacetado, dinâmico, capitalista e desigual.  
  10. 10. A Suástica Nazista: um símbolo geopolítico
  11. 11. 9-11-1989: Queda do muro de Berlin
  12. 12. Os geógrafos universitários e o espectro da GEO POLÍTICA <ul><li>Geopolítica </li></ul><ul><li>Durante séculos uma questão dos homens de guerra e do estado. </li></ul><ul><li>Desinteresse pela geopolítica a partir do final do século XIX. </li></ul><ul><li>“ A geopolítica é o espectro que ronda a geografia humana há cerca de um século.” (Yves, página 127). </li></ul><ul><li>Por que a rejeição da geopolítica? </li></ul><ul><li>Diferente da Alemanha, na França houve forte rivalidade entre os universitários e os militares.(geógrafos próximos do governo e do estado maior pertenciam à uma classe social diferente dos geógrafos universitários). </li></ul><ul><li>A rivalidade não impede Elisée Reclus de se interessar pela geopolítica. (livro: O HOMEM E A TERRA) </li></ul><ul><li>Temor: Ratzel e a Escola Geopolítica Alemã (bem antes de Hitler). = RACISMO e EXPANSIONISMO. </li></ul>
  13. 13. Friedrich Ratzel (1844 – 1904)
  14. 14. Ratzel: Fundador moderna geografia humana e geopolítica como disciplina. Sua obra reflete questões de estado, história e raças humanas <ul><li>Criação de identidade comum à nação Alemã, em formação. (Dra. Luciana L. Martins – PDF www.uff.br/geographia ). </li></ul><ul><li>Escola geopolítica Alemã </li></ul><ul><li>Karl Haushofer: Geopolitik (mentor de Hitler). </li></ul><ul><li>Rudolf Hess: Vice-führer do III reich alemão. </li></ul><ul><li>Fim I guerra: Tratado de Versalhes (1919) humilhação = Alemanha responsabilizada pela guerra, desanexação de parte do território e maioria das colônias, redução do exército. Conseqüência “queda república Weimer” em 1933. </li></ul><ul><li>População se volta para a “questão nacional alemã”. </li></ul><ul><li>LEBENSRAUM (espaço vital): inevitabilidade da expansão territorial Alemã. </li></ul><ul><li>Heinrich Himmler (Reichsführer-SS): O mais fiel seguidor do Führer, responsável pela implementação da “solução final” = extermínio dos Judeus. </li></ul><ul><li>Vídeo: Crianças cantando para Hitler + vídeo Stalin </li></ul><ul><li>Desastre histórico </li></ul><ul><li>A “Farsa de Churchil” </li></ul>
  15. 15. Himmler: ignomínia, holocausto... (um burocrata à serviço da morte)
  16. 16. Geografia: Um corte epistemológico <ul><li>Corte epistemológico: designa mudança qualitativa progressista. </li></ul><ul><li>Na geografia foi regressiva: repúdio do político, social e econômico. </li></ul><ul><li>Sentido etmológico da geografia: Configurações espaciais de toda espécie de fenômenos. </li></ul><ul><li>O “X” da questão: Geógrafos universitários consideram os fenômenos físicos ou humanos = d e s d e que c a r t o g r a f á v e i s. </li></ul><ul><li>Uma pergunta incômoda: As questões de fronteiras são políticas e sociais (cartografáveis). Então como explicar a exclusão da geopolítica pelos geógrafos? </li></ul>
  17. 17. A rejeição geopolítica na França <ul><li>Lacoste: Decorrência do irracional ou do inconsciente. </li></ul><ul><li>A) geografia: uma espécie de sabedoria, uma geosofia. </li></ul><ul><li>B) Demiurgos da geografia (criador do homem – Platão). </li></ul><ul><li>C) cientificismo na geografia. </li></ul><ul><li>D) Espectro da geopolítica: mágoa (não é científico), temor (Hitler), irracional (não se deve nem falar). </li></ul><ul><li>A) Como vencer essa barreira irracional/inconsciente? </li></ul><ul><li>B) O horror da opressão (Reclus). </li></ul><ul><li>C) O amor pela pátria (Vidal) </li></ul><ul><li>Reclus e Vidal: Motivações políticas poderosas e causas a lastimar levam à consideração das questões “geopolíticas’. </li></ul>
  18. 18. Reclus e Vidal “Rejeição pela corporação dos geógrafos” <ul><li>Reclus, Elisée. O homem e a terra: </li></ul>Vulcão Etna: Sicília + o infortúnio de alguns trouxe a satisfação de muitos. Visão do autor: “A geografia não é outra coisa que a história no espaço, assim como a história é a geografia no tempo. Fator dominação: Os homens do meu tempo viviam no interior de um vulcão, um inferno tenebroso, melhor seria morrer se não houvesse esperanças de revoluções.
  19. 19. Reclus e Vidal “Rejeição pela corporação dos geógrafos” <ul><li>La Blache, Vidal de. A França de Leste </li></ul>Livro foi escrito ao mesmo tempo que seu filho, também geógrafo, morria na frente de batalha.
  20. 20. “ A grande tarefa dos geógrafos” Segundo Yves Lacoste <ul><li>Falência das representações ideológicas do mundo: </li></ul><ul><li>Fim do breve séc. XX: 1989 (queda muro Berlin), 1991 (fim URSS) acaba a guerra fria, o mundo bi-polar já não existe. </li></ul><ul><li>“ As entidades maniqueístas” </li></ul><ul><li>Relações: Norte X Sul (confederação de Bandung). </li></ul><ul><li>Conflitos: Leste X Oeste (1947-1991) = segundo Louis C. Kilzer em “A farsa de Churchil” : Churchil foi o pivot da guerra fria. </li></ul><ul><li>Critica às “alegorias espaciais planetárias”: </li></ul><ul><li>Lacoste se opõe ao simplismo ideológico. </li></ul><ul><li>O perigo da manipulação ideológica. </li></ul><ul><li>A TAREFA DOS GEOGRÁFOS: </li></ul><ul><li>Considerar os diferentes níveis de análise. </li></ul><ul><li>Em cada nível perceber a complexidade de suas intersecções. </li></ul><ul><li>L e r página 138 </li></ul>
  21. 21. Milton Santos: Por Uma Outra Globalização Interpretação multidisciplinar do mundo contemporâneo Globalização: técnica + política Fatores explicantes: Unicidade da técnica + convergência dos momentos +cognoscibilidade do planeta. Mercado global utilizando essas técnicas resultam na GLOBALIZAÇÃO PERVERSA. Existe um motor único na história: A MAIS VALIA GLOBALIZADA Dinheiro despótico: a presença do dinheiro in-natura em todo lugar constitui um dado ameaçador da vida cotidiana (Milton Santos)
  22. 22. Unidades “Maniqueístas” Guerra Fria (1947-1991) Leste X Oeste Bandung: 29 estados da Ásia e África, originou o movimento dos países não alinhados. Norte X Sul
  23. 23. Marx e o Espaço “Negligenciado” <ul><li>ESTADO </li></ul><ul><li>Geógrafos estudam as estruturas espaciais, extensões e fronteiras. </li></ul><ul><li>OBJETO DA GEOGRAFIA </li></ul><ul><li>Analisar as práticas sociais (política, militar, econômica e ideológica) em relação ao espaço terrestre. </li></ul><ul><li>MARX </li></ul><ul><li>Raciocínio voltado para o “tempo”: Alegorias espaciais. </li></ul><ul><li>Centro x periferia </li></ul>
  24. 24. Princípios de uma geografia marxista ou o fim da geografia ?? <ul><li>Raciocínio geográfico: Múltiplos conjuntos espaciais (geologia, climatologia, demografia, economia, sociologia). </li></ul><ul><li>Raciocínio marxista: diferentes relações de produção entre os homens. </li></ul><ul><li>Dificuldades epistemológicas: </li></ul><ul><li>Não são cartografáveis: Proletariado X capitalistas </li></ul><ul><li>Burguesia X Feudais </li></ul><ul><li>Sem-terras X latifundios </li></ul><ul><li>Interdisciplina ou carência teórica? : Sociólogos, urbanistas, economistas, historiadores (geo-história) e ecologistas estudam os ambientes urbanos. Isto representa uma diluição da geografia nas ciências sociais? </li></ul><ul><li>Seria o fim da geografia ? </li></ul><ul><li>Para Lacoste: A geografia se desenvolveu com vigor, e hoje está ligada às pesquisas aplicadas e às questões estratégicas. </li></ul>
  25. 25. Considerações finais <ul><li>A práxis dos geógrafos, seu papel político-estratégico: </li></ul><ul><li>1) Fazer a guerra </li></ul><ul><li>2) produção/reprodução de espaços a partir de lutas de classes. </li></ul><ul><li>3) instrumento de exercício do poder </li></ul><ul><li>GEOPOLÍTICA: a verdade mais profunda e recôndita da geografia, hoje há duas formas de considerá-la: </li></ul><ul><li>A)Pesquisadores, professores universitários e turística. </li></ul><ul><li>B) “Fundamental”: Praticada pelos estados maiores, grandes empresas capitalistas e aparelhos de estado. </li></ul><ul><li>Geografia dos prof. Universitários (fins XIX): </li></ul><ul><li>Mistificação do espaço: Cortina de fumaça = escamotear a importância estratégica de saber pensar o espaço e nele se organizar. </li></ul><ul><li>O geógrafo tem que saber pensar o espaço para nele agir mais eficientemente ... ( Yves Lacoste). </li></ul>
  26. 26. Cartografia: Mapa antigo do Brasil. www.brasilasul.com.br
  27. 27. Cartografia Urbana www.pucsp.br/artecidade/novo/urbanismo
  28. 28. Bibliografia <ul><li>Lacoste, Yves, 1929- Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Trad. Maria Cecília França.- 3ª. Ed.- Campinas, SP: Papirus, 1993. pag. 121-151. </li></ul><ul><li>Kilzer, Louis C. A farsa de Churchil/Louis C. Kilser; tradução de Isolina Guimarães Salles. – RJ: Bibliex, 1997. </li></ul><ul><li>Konder, Leandro. Introdução ao fascismo. RJ, Edições Graal, 1977. </li></ul><ul><li>Wykes, Alan. A guarda de Hitler. História ilustrada da 2ª. Guerra mundial. Tropas 8. </li></ul><ul><li>Sítios eletrônicos: </li></ul><ul><li>www.uff.br/geographia </li></ul><ul><li>www.pucsp.br/artecidade/novo/urbanismo </li></ul><ul><li>www1.univap.br/~sandra </li></ul><ul><li>www.sabotagem.revolt.org/taxonomy </li></ul>

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