Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Lições de Economia Política I, Prof. Doutor Rui Teixeira Santos (ULHT 2011/2012) Lisboa

1,497 views

Published on

Lições de Economia Política I - Introdução à Economia
Docente: Professor Doutor Rui Teixeira Santos
Universidade Lusófona, Lisboa
Cursos de Direito - 1º Ano

Published in: Education
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

Lições de Economia Política I, Prof. Doutor Rui Teixeira Santos (ULHT 2011/2012) Lisboa

  1. 1. Economia Política`12 Prof. Doutor Rui Teixeira Santos
  2. 2. "First they ignore you, then theyridicule you, then they fight you,then you win.”(Ghandi)
  3. 3. O Que é a Economia? A Economia, ou atividade económica, consiste na produção, distribuição e consumo de bens e serviços. O termo economia vem do grego οικονομία (de οἶκος , translit. oikos, casa + νόμος , translit. nomos, costume ou lei, ou também gerir, administrar: daí "regras da casa" ou "administração doméstica”. É também a ciência social que estuda a atividade económica, através do desenvolvimento da teoria económica, e que tem na administração a sua aplicação. Os modelos e técnicas atualmente usados em economia evoluíram da economia política do final do século XIX, derivado da vontade de usar métodos mais empíricos à semelhança das ciências naturais. Pode representar, em sentido lato, a situação económica de um país ou região; isto é, a sua situação conjuntural (relativamente aos ciclos da economia) ou estrutural.
  4. 4. EconomistaA profissionalização da economia, refletida no crescimento dos cursosde graduação, tem sido descrita como "a principal mudança naeconomia desde 1900”. A maioria das principais universidades efaculdades tem um curso, escola ou departamento que atribui títulosacadémicos na área.O Prémio Nobel de Economia é um prémio anual concedido aeconomistas que tenham feito contribuições notáveis à disciplina.No mundo profissional, os economistas encontram ocupação comoconsultores, principalmente nos setores bancário e financeiro. Nosetor público podem trabalhar em várias agências e departamentoscomo o tesouro nacional, o Banco Central, e entidades oficiais deestatística, entre outros.
  5. 5. Micro e Macro economia A economia é geralmente dividida em dois grandes ramos: a microeconomia, que estuda os comportamentos individuais, e a macroeconomia que estuda o resultado agregado dos vários comportamentos individuais. Atualmente, a economia aplica o seu corpo de conhecimento para análise e gestão dos mais variados tipos de organizações humanas (entidades públicas, empresas privadas, cooperativas etc.) e domínios (internacional, finanças, desenvolvimento dos países, ambiente mercado de trabalho, cultura, agricultura, etc.). Outras formas de divisão da disciplina são: a distinção entre economia positiva ("o que é", que tenta explicar o comportamento ou fenómeno econômico observado) e economia normativa ("o que deveria ser", frequentemente relacionado com políticas públicas); a distinção entre economia ortodoxa, aquela que lida com o nexo "racionalidade- individualismo-equilíbrio", e a economia heterodoxa, que pode ser definida por um nexo "instituições-história-estrutura social”.
  6. 6. Microeconomia Para Paul Krugman e Robin Wells,"uma das principais questões da microeconomia é a busca da validade da intuição deAdam Smith, saber se os indivíduos na busca dos seus interesses próprios contribuem para promover os interesses da sociedade no seu conjunto”. Efetivamente, o foco de interesse da microeconomia é, antes de tudo, o estudo das escolhas dos agentes económicos, isto é, da forma estes procedem dado um conjunto de diferentes opções, comparando os benefícios e inconvenientes para a prossecução dos seus objetivos ou para a satisfação dos seus interesses - o postulado utilitarista.
  7. 7. MICROECONOMIAA microeconomia estuda as interações que ocorrem nosmercados em função da informação existente e da regulaçãoestatal. Distinguem-se os mercado de bens e serviços dosmercados de fatores de produção, capital e trabalho, por teremdiferentes agentes e formas de funcionamento
  8. 8. Teoria microeconómicaA teoria compara os agregados da quantidade global demandadapelos compradores e da quantidade fornecida pelos vendedores, o quedetermina o preço. Constrói modelos que descrevem como o mercadopode conseguir o equilíbrio entre o preço e a quantidade, ou comopode reagir a alterações do mercado ao longo do tempo, que é o quese denomina de mecanismo da oferta e da procura. As estruturas demercado, como a concorrência perfeita e o monopólio, são analisadaspara tirar conclusões sobre o seu comportamento e a sua eficiênciaeconómica. A análise de um mercado é feita a partir de hipótesessimplificadoras, como por exemplo a racionalidade dos agentes eequilíbrio parcial (parte-se do pressuposto de o mercado não é afetadopelo que se passa em outros mercados ). Uma análise em equilíbriogeral é um estudo mais abragente, que permite avaliar asconsequências sobre os outros mercados, para compreender asinterações e os mecanismos que podem levar a uma situação deequilíbrio.
  9. 9. Fluxo circular da Economia
  10. 10. Princípios da Economia (Mankiw)Como as pessoas tomam decisões?A economia reflete o comportamento das pessoas que acompõe. Os quatro primeiros princípios da economia estãorelacionados com as decisões individuais.#1 As pessoas defrontam-se com escolhas#2 O custo de uma coisa é aquilo de que abdicamos para obtê-la#3 As pessoas racionais pensam marginalmente#4 As pessoas respondem aos incentivos
  11. 11. Como as pessoas interagem?#5 O comércio pode ser benéfico para todos#6 Os mercados são normalmente uma boa forma deorganizar a actividade económica#7 Os governos podem por vezes melhorar os resultadosdos mercados
  12. 12. Como a economia funciona?#8 Os padrões de vida de um país dependem da suacapacidade de produzir bens e serviços#9 Os preços aumentam quando o governo imprimedemasiado dinheiro#10 A sociedade defronta-se com um compromisso de curtoprazo entre a inflação e o desemprego
  13. 13. Como as pessoas tomam decisões?1.As pessoas enfrentam tradeoffs“Nada é de graça”. Para se conseguir algo é necessário tomardecisões. A tomada de decisão exige escolher algo emdetrimento de outra opção.Um exemplo é a alocação do tempo, o recurso mais precioso deum estudante. Este pode usá-lo para estudar história. Ou podeusá-lo para estudar economia. Ou uma combinação de ambos.O mais importante é que ao fazer a opção por história, estarádeixando de estudar economia.Usar o dinheiro agora ou poupá-lo? Usar um Euro agora significaque não terá este Euro no futuro. Guardá-lo significa que nãopoderá usá-lo agora.
  14. 14. Casos clássicos de tradoffsQuando os indivíduos agrupam-se em sociedade surgem outros tipos de tradeoffs. Algunsclássicos•“armas ou manteiga”. Quando se gasta com defesa nacional, obtém-se armas e umasociedade mais protegida. No entanto, diminui-se a produção e menos se poderá gastar comos bens de consumo representados pela manteiga.
•poluição e alto nível de renda. Políticasde proteção ambiental custam caro e causam três efeitos: diminuição da margem de lucro doempreendedor, salários menores ou preços mais altos. Normalmente uma combinação dostrês. Para proporcionar um meio ambiente menos poluído e com evidentes benefícios para asaúde é preciso encarar o custo de um menor padrão de renda para empresários,trabalhadores e clientes.
•eficiência e equidade. Eficiência refere-se ao melhor uso possíveldo recurso disponível. Equidade à distribuição do recurso pela sociedade. A primeira refere-seao tamanho do bolo construído e a segunda à distribuição deste bolo. As políticas sociais, oimposto de renda, levam à uma maior equidade; no entanto, diminuem a recompensa pelotrabalho produtivo e com isso as pessoas trabalham menos e produzem menos. Quando umgoverno tenta dividir um bolo em fatias iguais, o bolo diminui de tamanho.Reconhecer que as pessoas enfrentam tradeoffs são significa dizer como deverão proceder,apenas que devem considerar este fator ao tomar decisões pois terão uma melhor visão desuas opções.
  15. 15. Como as pessoas tomam decisões?2.O custo de alguma coisa é aquilo que você desiste paraobtê-laQuanto custa para um estudante fazer uma universidade? Sepensar em mensalidade, moradia e alimentação estará aindalonge deste custo. Moradia e alimentação ela teria de qualquerjeito, talvez até mais barato. Quando custo o fato desta pessoanão estar trabalhando? Para a maioria dos estudantes o saláriosque deixam de ganhar, enquanto estão na faculdade são o maiorcusto de sua educação.• O custo de oportunidade de um item é o que se abre mão ao escolhê-lo.
  16. 16. Como as pessoas tomam decisões?3.As pessoas racionais pensam na margemAs decisões que tomamos na vida raramente são “preto nobranco”; elas geralmente envolvem diversos tons de cinza. Adecisão não é de jejuar ou comer até estourar, a decisão é secomemos mais um bife ou não, mais uma colher de arroz ounão. São as mudanças marginais, vale a penas comer esta colhera mais? Qual será meu benefício marginal? Qual será meu customarginal?Em muitos casos as pessoas tomam melhores decisões quandopensam na margem. Um tomador de decisão executa uma açãose, e somente se, o benefício marginal da ação ultrapassa ocusto marginal.
  17. 17. Como as pessoas tomam decisões?4.As pessoas reagem a incentivosComo as pessoas tomam decisões por meio de comparação decustos e benefícios, seu comportamento pode mudar quando oscustos e benefícos mudam. Quando o preço da maçã sobe, aspessoas passam a comer mais pêra. Ao mesmo tempo, osprodutores contratam mais pessoas e passam a produzir maismaçãs. O resultado é uma pressão para diminuição do preçopelo aumento da oferta e diminuição da procura.Muitas políticas afetam os benefícios e os custos para aspessoas, muitas vezes de maneira indireta. Ao analisarmosqualquer política, precisamos considerar não apenas seusefeitos diretos, mas também aos efeitos indiretos que operampor meios de incentivos.
  18. 18. Como as pessoas interagem?5.O Comércio pode ser bom para todosO comércio não é uma prática esportiva; a vitória de um nãosignifica a derrota do outro. Empresas concorrem umas com asoutras, países concorrem uns com os outros, indivíduosconcorrem um com os outros. No entanto, ao mesmo tempo emque são concorrentes, conseguem se beneficiar do comércioentre eles. O comércio pode ser um jogo em que os doisjogadores ganham.O comércio permite que as pessoas se especializem nasatividades em que são melhores, permitindo que desfrutem deuma maior variedade de bens e serviços.
  19. 19. Como as pessoas interagem?6. Os Mercados são Geralmente uma Boa Maneira deOrganizar a Atividade EconómicaFoi Adam Smith quem primeiro sistematizou este princípio. Por maisque indivíduos e empresas procurem o lucro pessoal e pensemindividualmente, o resultado final é favorável à sociedade como umtodo. Smith usou o termo mão invisível do mercado para descrever esteparadoxo. Para que este efeito aconteça, a competição é fundamentalpois gera preços menores e maior eficiência na produção.Em contraste, a teoria do planejamento central era de que apenas ogoverno poderia organizar a atividade econômica de uma maneira quepromovesse o bem-estar económico de todo o país.O principal mecanismo para organizar a atividade econômica é opreço. Quando ele pode flutuar livremente, permite os ajustesautomáticos do sistema. No planejamento centralizado, os preçoseram fixados por agentes do estado que impedia o ajuste automáticodos preços e, em consequência, que a mão invisível atuassecoordenando as milhões de famílias e empresas que compõe aeconomia.
  20. 20. Como as pessoas interagem?7.Às vezes os Governos Podem Melhorar os Resultados doMercadoPara que a mão invisível funcione, é preciso que o governo a proteja. Osmercados só funcionam bem se o direito à propriedade é respeitado.Ninguém investe na produção se não tiver garantias que este investimentoestará protegido.Além disso, existem dois motivos genéricos para que o governointervenha na economia: 1.Externalidade. São os impactos das ações de uma pessoa ou empresa no bem- estar do próximo. Um exemplo é a poluição. O governo precisa agir para conter as externalidades.
 2.Poder de Mercado. É a capacidade de algumas pessoas ouempresas de influírem indevidamente nos preços. O poder demercado é nocivo à concorrência.
Quanto há externalidades ou poder de mercado, políticas públicas bemconcebidas podem aumentar a eficiência económica.
  21. 21. Como a economia funciona8.O Padrão de Vida de um País Depende de suaCapacidade de Produzir Bens e ServiçosQuase todas as variações de padrão de vida podem ser atribuídas adiferenças de produtividade entre os países _ ou seja, a quantidade debens e serviços produzidos em uma hora de trabalho. A taxa decrescimento da produtividade de um país determina a taxa decrescimento de sua renda média.Para elevarem os padrões de vida, é preciso elevar a produtividadegarantindo:•melhor nível de educação•ferramentas adequadas•tecnologia
  22. 22. Como a economia funciona9.Os Preços Sobem Quando o Governo Emite MoedaDemaisTrata-se da inflação, a elevação de preços que ocorre nasociedade de forma geral. Ela é causada principalmente pelaelevação da quantidade de moeda em circulação. Um dos vilõesé o governo que muitas vezes precisar emitir dinheiro parasaudar seus próprios compromissos.Seu efeito é nocivo para a sociedade. Manter a inflação emníveis baixos é um objetivo permanente das autoridadeseconômicas.
  23. 23. Como a economia funciona10.A Sociedade Enfrenta um Tradeoff de Curto Prazo entreInflação e DesempregoPor uma série de motivos, pelo menos no curto prazo, adiminuição da inflação leva ao aumento do desemprego e vice-versa. Este efeito é medido por um gráfico chamado curva dePhilips. A escolha entre desemprego e inflação é apenastemporária, mas pode levar alguns anos.Por isso,reduzir a inflação torna-se ainda mais difícil para os governospois pode gerar um recessão temporária.
  24. 24. Teoria ClássicaA teoria microeconómica standard assume que os agenteseconómicos, as famílias ou as empresas, são "racionais”, isto é,supõe-se terem habilidades cognitivas e informações suficientespara, por um lado, construir critérios de escolha entre diferentesopções possíveis, por outro, para maximizar a sua satisfaçãodadas as restrições a que estão sujeitos. Presume-se que sãocapazes de identificar as restrições sobre estas escolhas, tantorestrições "internas" (as sua capacidade tecnológica, no caso dasempresas, por exemplo), como as "externas" (por exemplo, asresultantes da conjuntura económica). É o paradigma do homoeconomicus, que não implica a priori que os critérios de escolhados indivíduos sejam puramente egoístas. Podemperfeitamente ser "racionalmente" altruístas.
  25. 25. Teoria microeconómica clássicaEsta teoria deve sua existência à síntese feita pela economia matemáticaneoclássica das décadas de 1940 e 1950, entre os contributos da correntemarginalista do século XIX e da teoria do quilíbrio geral de Walras e ParetoJohn Hicks e Paul Samuelson são considerados os pais da microeconomiatradicional atual , que podemos dividir em quatro áreas:1. A teoria do consumidor, que estuda o comportamento das famílias ao fazer opções de consumo sujeitas a restrições orçamentais;2. A teoria da firma, que estuda o comportamento de empresas que pretendem maximizar seus lucros sujeitos a restrições tecnológicas;3. A teoria das trocas dos mercados, que podem ou não ser concorrenciais;4. A teoria do ótimo económico, que recorre ao conceito de Pareto para avaliar a eficiência económica das interações coletivas entre os agentes, através do comércio.
  26. 26. Produção Em microeconomia, produção é um processo que usa insumos para criar produtos, destinados ao comércio ou ao consumo. A produção é um fluxo, logo é mensurável através de um rácio por unidade de tempo. É comum distinguir entre a produção de bens de consumo (alimentos, cortes de cabelo, etc.) vs. bens de investimento (novos tratores, edifícios, estradas, etc.), bens públicos (defesa nacional, segurança pública, proteção civil, etc.) ou bens privados (computadores novos, bananas, etc.). As entradas para o processo de produção incluem fatores de produção básicos como o trabalho, capital (bens duradouros usados na produção, como uma fábrica) e terra (incluindo recursos naturais). Outros fatores incluem bens intermédios usados na produção dos bens finais, como por exemplo o aço no fabrico de um carro novo.
  27. 27. Custo de Oportunidade O custo de oportunidade, relacionado com o custo económico, é o valor da melhor alternativa disponível quando se tem que fazer uma escolha entre duas opções mutuamente exclusivas. É descrita como sendo a expressão da "relação básica entre escassez e escolha". O custo de oportunidade é um fator que garante a utilização eficiente dos recursos escassos, pois o custo é ponderado face ao valor gerado, no momento de decidir aumentar ou reduzir uma atividade. Os custos de oportunidade não se restringem a custos monetários. Podem também ser medidos em tempo (de lazer, por exemplo) ou qualquer outra coisa que corresponda a um benefício alternativo (utilidade, no vocabulário microeconómico) A eficiência económica descreve o quanto um sistema utiliza bem os recursos disponíveis, dada a tecnologia disponível. A eficiência aumenta se conseguirmos obter um maior resultado sem aumentar os recursos usados, ou seja, se conseguirmos reduzir o "desperdício". Dizemos que temos uma eficiência de Pareto quando estamos num ponto onde nenhuma alteração na forma como usamos os recursos disponíveis consegue melhorar o resultado para alguém sem piorar a situação de outro.
  28. 28. Fronteira de Possibilidades A fronteira de possibilidades de produção (FPP) é uma ferramenta analítica que representa a escassez, custo e eficiência. No caso mais simples, estudamos uma economia que produz apenas dois bens. A FPP é uma tabela ou gráfico (ver ilustração) que mostra as várias combinações de quantidades dos dois produtos que é possível ter, dado a tecnologia e os fatores de produção disponíveis. Cada ponto na curva mostra uma produção potencial total máxima para a economia, que é a produção máxima possível para um bem, dada uma quantidade de produção para o outro bem. É um ponto de eficiência produtiva por maximizar a produção para um total dado de insumos. Um ponto "dentro" da curva é possível mas representa ineficiência produtiva (uso de insumos com desperdício), no sentido de que é possível aumentar a produção de um ou ambos os bens no sentido nordeste em direção a um ponto na curva.
  29. 29. Curva de possibilidades
  30. 30. Escassez A escassez é representada na figura pela impossibilidade de se poder produzir para além da FPP. São os pontos acima da linha, impossíveis de atingir com os recursos e tecnologia disponíveis. É também representada pelo declive da curva, que representa o quanto da produção de um bem diminui quando a produção do outro aumenta, numa relação inversa.[14] Isso ocorre porque uma maior produção de um bem requer a transferência de insumos da produção do outro bem, forçando a sua diminuição. É um exemplo de custo de oportunidade e significa que escolher mais de um bem implica ter menos do outro.
  31. 31. Políticas Públicas Estar na curva pode ainda não satisfazer completamente a eficiência alocativa (também apelidado de eficiência de Pareto) se a curva não consistir numa combinação de produtos que os consumidores tenham preferência face a outros pontos ou combinações. Numa economia de mercado, o ponto da curva onde a economia se posiciona pode ser explicado pela escolha que os agentes acham mais preferível. Muito da economia aplicada em políticas públicas está preocupada em determinar como a eficiência de uma economia pode ser aumentada.Encarar a realidade da escassez para então perceber como podemos organizar a sociedade para ter o uso mais eficiente dos recursos tem sido descrito como sendo a "essência da economia", onde a disciplina "faz a sua contribuição ímpar”
  32. 32. Especialização A especialização é considerada um aspecto chave para a eficiência económica, devido a diferentes agentes (indivíduos ou países) terem diferentes vantagens comparativas. Mesmo que um país detenha vantagem absoluta em todos os setores, tem vantagem em se especializar nas áreas onde tenha as maiores vantagens comparativas, efetuando depois trocas comerciais com outros países. Consegue desta forma obter uma maior quantidade dos produtos onde não se especializou comparado com a opção de produzir tudo por si. Um exemplo disso é a especialização dos países desenvolvidos em produtos de alta tecnologia, preferindo adquirir os bens de manufatura aos países em desenvolvimento, onde a mão-de-obra é barata e abundante.
  33. 33. Especialização A teoria defende que desta forma se consegue obter um maior total de produtos e utilidade, comparando com a situação em que cada país decide pela produção própria de todos os produtos. A teoria da vantagem comparativa é responsável pela crença generalizada dos economistas nos benefícios do comércio livre. O conceito aplica-se a indivíduos, fazendas, fábricas, fornecedores de serviços e a economias. Em qualquer um destes sistemas produtivos podemos ter (1) uma divisão do trabalho onde cada trabalhador é responsável por uma tarefa distinta e (2) especializada fazendo parte do esforço produtivo, ou diferentes formas de uso do capital fixo e da terra.
  34. 34. Divisão do Trabalho A Riqueza das Nações (1776), de Adam Smith faz uma discussão notável dos benefícios da divisão do trabalho. A forma como os indivíduos podem aplicar da melhor forma o seu trabalho, ou qualquer outro recurso, é um tema central do primeiro livro da obra. Smith afirmava que um indivíduo deveria investir recursos, por exemplo, terra e trabalho, de forma a obter o maior retorno possível. Desta forma, as várias aplicações de um mesmo recurso devem ter uma taxa de retorno igual (ajustada pelo risco relativo associado a cada atividade). Caso contrário, acabaria por ocorrer uma realocação de recursos melhorando o retorno. O economista francês Turgot fez o mesmo raciocínio dez anos antes, em 1766. Estas ideias, escreveu George Stigler, são a proposição central da teoria econômica.
  35. 35. Ganhos de comércio De forma mais geral, a teoria diz que fatores do mercado, como os custos de produção e os preços dos insumos, determinam a alocação dos fatores de produção tendo em conta a vantagem comparativa. São escolhidos os insumos mais baratos, de forma a ter o mais baixo custo de oportunidade para cada tipo de produto. Com este processo, a produção agregada aumenta como efeito colateral. Esta especialização da produção cria oportunidades para ganhos com o comércio em que os detentores dos recursos beneficiam do comércio vendendo um tipo de produto contra outros bens de maior valor. Uma medida dos ganhos de comércio é o aumento na produção (formalmente, a soma do acréscimo do excedente do consumidor e dos lucros do produtor) resultante da especialização na produção e do consequente comércio.
  36. 36. Oferta e Procura A teoria de oferta e procura explica os preços e as quantidades dos bens transacionados numa economia de mercado e as respetivas variações. Na teoria microeconômica em particular, refere-se à determinação do preço e quantidade num mercado de concorrência perfeita, que tem um papel fundamental na construção de modelos para outras estruturas de mercado, como monopólio, oligopólio e competição monopolística) e para outras abordagens teóricas.
  37. 37. Procura Para o mercado de um bem, a procura mostra a quantidade que os possíveis compradores estariam dispostos a comprar para cada preço unitário do bem. A demanda é frequentemente representada usando uma tabela ou um gráfico relacionando o preço com a quantidade demandada (ver figura). A teoria da procura descreve os consumidores individuais como entidades "racionais" que escolhem a quantidade "melhor possível" de cada bem, em função dos rendimentos, preços, preferências, etc. Uma expressão para isso é maximização da utilidade restringida (sendo a renda a "restrição" da procura). Para esse contexto, "utilidade" refere-se às hipotéticas preferências relativas dos consumidores individuais. A utilidade e a renda são então usadas para modelar os efeitos de mudanças de preço nas quantidades procuradas.
  38. 38. Curva da procura
  39. 39. Lei da procura A lei da procura diz que, regra geral, o preço e a quantidade procurada num determinado mercado estão inversamente relacionados. Por outras palavras, quanto mais alto for o preço de um produto, menos pessoas estarão dispostas ou poderão comprá-lo ( tudo o resto inalterado). Quando o preço de um bem sobe, o poder de compra geral diminui (efeito renda) e os consumidores mudam para bens mais baratos (efeito substituição). Outros fatores também podem afetar a procura. Por exemplo, um aumento na renda desloca a curva da procura em direção oposta à origem, como é exemplificado na figura.
  40. 40. Leis da Oferta (S) e da Procura (D)
  41. 41. Oferta Oferta é a relação entre o preço de um bem e a quantidade que os fornecedores colocam à venda para cada preço desse bem. A oferta é normalmente representada através de um gráfico relacionando o preço com a quantidade ofertada. Assume-se que os produtores maximizam o lucro, o que significa que tentam produzir a quantidade que lhes irá dar o maior lucro possível. A oferta é tipicamente representada como uma relação diretamente proporcional entre preço e quantidade (tudo o resto inalterado).
  42. 42. Lei da Oferta Quanto maior for o preço pelo qual uma mercadoria pode ser vendida, mais produtores estarão dispostos a fornecê-la. O preço alto incentiva a produção. Em oposição, para um preço abaixo do equilíbrio, há uma falta de bens ofertados em comparação com a quantidade demandada pelo mercado. Isso faz com que o preço desça. O modelo de oferta e demanda prevê que, para curvas de oferta e demanda dadas, o preço e quantidade irão se estabilizar no preço em que a quantidade ofertada é igual à quantidade demandada. Esse ponto é a intersecção das duas curvas no gráfico acima, o equilíbrio do mercado.
  43. 43. Excesso de Oferta
  44. 44. Curva da Procura e Valor Para uma determinada quantidade de um bem, o ponto do preço na curva da procura permite determinar o valor, ou utilidade marginal para os consumidores para essa unidade de produto. Ele indica a quantia que um consumidor estaria disposto a pagar por aquela unidade específica do bem: o seu custo marginal. O preço no ponto de equilíbrio é determinado pela conjugação da oferta e demanda. Por isso podemos dizer que, em mercados perfeitamente competitivos, a oferta e a demanda conseguem um equilíbrio entre o custo e o valor.
  45. 45. Oferta e elasticidade Do lado da oferta, alguns fatores de produção são relativamente fixos no curto prazo, o que pode afetar os custos em caso de alteração do nível de produção. Por exemplo, equipamentos ou maquinaria pesada, espaço de fábrica adequado, e pessoal qualificado. Um fator de produção variável pode ser alterado facilmente, para se adequar ao nível de produção escolhido. Exemplos incluem: o consumo de energia elétrica, a maioria das matérias primas, horas extraordinárias e trabalhadores temporários. No longo prazo, todos os fatores de produção podem ser ajustados pela gestão. Mas estas diferenças podem resultar numa diferente elasticidade (rapidez de resposta) da curva da oferta no curto prazo, que podem implicar diferenças face aos resultados de longo prazo previstos pelo modelo.
  46. 46. Elasticidade-preço da procura
  47. 47. Elasticidade-preco da oferta
  48. 48. Elasticidade-preço da procura nosimpostos É bastante comum ouvirmos dizer que esse tipo de coisa é “imoral, injusto”, e sei lá mais o quê. Por exemplo: remédios têm elevadíssimas cargas tributárias. Alimentos básicos também. Os itens alimentícios mais taxados são os da cesta básica. Pois é, parece realmente injusto, não é? Mas existem explicações econômicas para isso. Estes produtos (presentes mais procurados para mães, remédios, cesta básica) têm elasticidade-preço da demanda muito baixa, por serem bens de necessidade e não terem substitutos próximos. Elasticidade-preço da procura indica quanto varia (em percentagem) a quantidade demandada de um produto, dada uma variação percentual do preço. Quando a demanda é mais elástica, pequenas variações nos preços provocam reduções mais do que proporcionais da quantidade demandada. E vice-versa. Isso ocorre porque as pessoas precisam de comer, mesmo que o preço da cesta básica tenha subido; precisam tomar seus remédios, mesmo que o preço tenha subido muito; e querem comprar determinados presentes para suas mães, pois a cultura impõe isso, independentemente do preço, de quantas parcelas será o financiamento ou o nível de extorsão do cartão de crédito…
  49. 49. Perda de bem estar nos impostso debaixa elastecidade é menor Quando o governo cria um imposto sobre um produto, o preço dele sobe no mercado, reduzindo a quantidade demandada. Quando a demanda por ele é menos elástica, no entanto, essa redução é proporcionalmente menor, o que pode dar uma renda de tributação maior ao governo. Mas essa não é a única razão para taxarmos mais os produtos de baixa elasticidade. Sim, o governo está interessado em maximizar a sua receita tributária. Mas, para a sociedade, em geral, a perda de bem-estar gerada por um imposto sobre produtos de baixa elasticidade é menor do que para produtos de mais elevada elasticidade.
  50. 50. Aplicação:Elasticidade dos impostos
  51. 51. Efeitos económicos do Imposto Em termos económicos, portanto, a introdução de um imposto implica a criação de uma ineficiência, de uma perda líquida de bem-estar. Compradores e vendedores perdem mais do que o montante que o Estado arrecada. A criação de impostos é pois mais do que uma simples transferência de riqueza de uns agentes para outros na Economia o que, no mínimo, sugere que o Estado deve ter uma convicção forte de que vai dar bom uso à receita fiscal gerada com um imposto antes da sua criação.
  52. 52. O que acontece quando se introduz umimposto? Desde há muito tempo que os Estados usam os impostos para arrecadar os meios de que necessitam para fazer face aos seus gastos. Existem dois grandes tipos de impostos. O primeiro tipo são os impostos directos, tais como o IRS ou IRC. Estes impostos são cobrados directamente aos indivíduos e empresas, em função das características destes indivíduos e empresas (nestes casos em particular, dos rendimentos que eles auferiram durante o ano). O segundo grande tipo de impostos são os impostos indirectos, de que o IVA é um exemplo. Estes são cobrados com base nas transacções efectuadas, independentemente dos agentes envolvidos nessas transacções.
  53. 53. Impostos Indiretos Os impostos que vamos analisar aqui são deste segundo tipo, impostos indiretos. Este tipo de impostos tem um impacto imediato sobre o preço dos produtos sobre os quais incide. Se um determinado produto tem uma taxa de IVA de 23%, todas as vezes que uma unidade desse produto é transaccionada, 23% do seu preço destina-se aos cofres públicos, independentemente do rendimento ou de outra qualquer características da pessoa que o compra. Isto faz com que o preço do produto seja (quase sempre) diferente do que seria caso não existisse o imposto. (Como veremos adiante, na maior parte dos casos, a subida de preços será inferior ao montante do imposto).
  54. 54. Duas formas de analisar o efeito dosimpostos sobre o preço
  55. 55. Efeitos do ImpostosA análise dos efeitos económicos do imposto pode fazer-se de duasformas que são equivalentes. A primeira forma é considerar uma novacurva da oferta, uma curva que reflicta o facto de que, para além desuportarem os seus custos, as empresas têm agora que pagar também oimposto. Por conseguinte, só aceitarão vender uma dada quantidade se,além dos seus custos, o preço que recebem cobrir também o imposto apagar (Figura 1). A curva encontra-se acima da curava da oferta original .Isto reflecte o facto de que, para estarem dispostas vender umaquantidade , as empresas no mercado exigem agora receber um preçoenquanto que antes estariam dispostas a vender essa quantidade por umpreço inferior.Antes da existência do imposto, as empresas venderiam a quantidade aopreço . Com a introdução do imposto, a quantidade transaccionada reduz-se para e o preço sobre para . Repare-se, contudo, que a subida do preço éinferior ao montante do imposto, uma vez que também as empresasassumem parte do ónus associado à introdução do imposto. Na Figura 1,isto manifesta-se no facto de as empresas passarem a receber apenas enão como inicialmente.
  56. 56. Impostos com oferta inalteradaA segunda forma de analisar o efeito do imposto é considerar que a ofertase mantém inalterada, que as alterações se encontram ao nível da procura.Em rigor, e tal como anteriormente a oferta não se alterava, a procura nãose altera. A procura não sofre alteração, uma vez que os consumidorescontinuam a tomar as suas decisões com base nas mesmas preferências.Porém, do ponto de vista da empresa, o que é relevante não é quanto éque os consumidores estão dispostos a pagar por uma dada quantidade,mas quanto é que a empresa irá receber pela venda dessa unidade. Aprocura líquida de imposto representa isso mesmo. Para obter a procuralíquida de imposto, aos preços constantes da curva da procura para cadaquantidade, subtrai-se o valor do imposto respectivo. No painel da direitada Figura 1, se o comprador pagar um preço , a empresa só fica com umvalor equivalente a . As suas decisões serão pois tomadas com base nestaprocura líquida de impostos ().Estas duas formas de analisar o problemas são equivalentes e, como sepode ver, o resultado é idêntico. No que se segue, vamos usar aabordagem da esquerda. Para analisar o efeito dos impostos em mercadospara os quais não está definida uma curva da oferta usa-se a abordagemda direita.
  57. 57. Quem paga o imposto- a incidência fiscal Quando se discute uma alteração fiscal - a introdução de um imposto ou alteração da sua taxa - é comum ouvir as empresas do sector ou as suas associações fazer campanha contra essa introdução em nome dos interesses dos compradores desse produto. Segundo normalmente afirmam, serão os compradores quem, em última análise, irá pagar o imposto. É compreensível que as empresas façam campanhas nesta base. Porém, o argumento não é inteiramente correcto, e é útil saber até que ponto ele é correcto. Uma das questões mais importantes na análise económica dos impostos é a questão da incidência do imposto, isto é, de quem paga o imposto. Naturalmente que não estamos a pensar na questão de saber quem é que entrega o dinheiro do imposto às Finanças, o que normalmente é feito pelas empresas por uma questão de facilidade processual. A questão mais importante é a de saber sobre quem recaem os efeitos da existência do imposto.
  58. 58. O ónus do imposto A distribuição do ónus associado ao imposto que é arrecadado pelo Estado entre compradores e vendedores pode não ser igual e, em geral, não o é. A parte que é suportada pelos compradores corresponde à redução do excedente dos consumidores, a parte suportada pelos vendedores à redução do excedente dos vendedores. Como veremos de seguida, a distribuição deste ónus depende das elasticidades da procura e da oferta.
  59. 59. Quem paga?Incidência dos Impostos
  60. 60. Aplicação ao Comercio Internacional A teoria clássica de comércio exterior procura explicar o comércio internacional a partir da produtividade relativa dos fatores de produção, determinando que o fluxo do comércio resulta de uma dotação inicial desses fatores. Ou seja, os países devem se especializar na produção dos bens para os quais possuam vantagens comparativas, oriundas da abundância dos fatores utilizados na produção desses bens. Por outro lado, a teoria das vantagens competitivas buscou elucidar empiricamente as determinantes da capacidade competitiva de determinados países, com o objetivo de verificar como emergem as vantagens obtidas no comércio internacional. Trata-se de buscar uma resposta para aquela que parece ser a pergunta central a ser respondida: por que é que empresas sedeadas em determinadas nações alcançam sucesso internacional em segmentos e indústrias distintos? Diante disso, importa realizar uma análise comparativa entre as teorias clássicas de comércio internacional e seus desenvolvimentos posteriores, os modelos baseados no desenvolvimento do mercado interno e na concorrência monopolística e a contribuição de Porter para o assunto.
  61. 61. Crítica de Porter Aquilo que Michael Porter denomina teoria econômica consagrada é alvo de suas críticas. Segundo esse autor, as teorias clássicas de comércio internacional devem ser consideradas, na melhor das hipóteses, incompletas, e, na pior das hipóteses, incorretas.
  62. 62. TEORIAS CLÁSSICAS DE COMÉRCIOINTERNACIONAL A partir da segunda metade do século XVIII surgiram os debates sobre comércio internacional que influenciaram a teoria econômica moderna. Até aquela época, o conhecimento acerca do comércio exterior derivava apenas dos escritos da escola mercantilista, que justificavam o comércio internacional pela oportunidade que ele oferecia de se obter um excedente na balança comercial. O objetivo era o superávit comercial, que deveria ser atingido a qualquer custo.
  63. 63. Adam Smith Smith, A Riqueza das Nações , publicado originalmente em 1776, desenvolveu a teoria das vantagens absolutas como a base do comércio internacional. A vantagem absoluta de um país na produção de um bem resulta de uma maior produtividade, ou seja, da utilização de uma menor quantidade de fatores para produzir esse bem enfrentando menores custos. O autor postulou que nem sempre é necessário que um país obtenha excedentes de comércio exterior para que as trocas comerciais internacionais sejam vantajosas, e que as trocas voluntárias entre países podem beneficiar todos os envolvidos na operação.
  64. 64. Adam Smith:“Eis uma máxima que todo chefe de família prudente deve seguir:nunca tentar fazer em casa aquilo que seja mais caro fazer do quecomprar. O alfaiate não tenta fabricar seus sapatos, mas oscompra do sapateiro. Este não tenta confeccionar seu traje, masrecorre ao alfaiate. O agricultor não tenta fazer nem um nemoutro, mas se vale desses artesãos. Todos consideram que é maisinteressante usar suas capacidades naquilo em que têm vantagemsobre seus vizinhos e comprar, com parte do resultado de suasatividades, ou o que vem a dar no mesmo, com o preço de partedas mesmas, aquilo de que venham a precisar.”(SMITH, 1985:380).
  65. 65. ConclusãoDessa forma, cada país deve se concentrar na produçãodos bens que lhe oferecem vantagem absoluta. Aquilo queexceder o consumo interno do bem produzido deveria serexportado, e a receita equivalente ser utilizada paraimportar os bens produzidos em outro país. Como acapacidade de consumo dos países envolvidos no comérciointernacional será maior após a efetivação das trocas,Adam Smith concluiu que o comércio exterior eleva o bem-estar da sociedade.
  66. 66. David Ricardo Ricardo aprimorou essa teoria, ao estender a possibilidade de ganhos de comércio também para países que não possuem vantagens absolutas em relação a outros. Segundo Ricardo, não é o princípio da vantagem absoluta que determina a direção e a possibilidade de se beneficiar do comércio, mas a vantagem comparativa
  67. 67. Vantagem comparativa A vantagem comparativa reflete o custo de oportunidade relativa, isto é, a relação entre as quantidades de um determinado bem que dois países precisam deixar de produzir para focar sua produção noutro bem. Segundo a teoria ricardiana, as vantagens comparativas, também denominadas vantagens relativas, são oriundas das diferenças de produtividade do fator trabalho para distintos bens. Ele as atribui à distinção no clima e no ambiente de cada nação. Os países deveriam especializar-se em bens nos quais tivessem vantagem comparativa, aumentando sua produção doméstica. Assim, a produção que não fosse vendida no mercado doméstico de um país deveria ser exportada. Os outros bens seriam adquiridos no mercado internacional a um preço menor que o de produzi-los internamente. Dessa forma, o comércio seria benéfico para todos.
  68. 68. David Ricardo:“Num sistema comercial perfeitamente livre, cada paísnaturalmente dedica seu capital e seu trabalho à atividade que lheseja mais benéfica. Essa busca de vantagem individual estáadmiravelmente associada ao bem universal do conjunto dospaíses. Estimulando a dedicação ao trabalho, recompensando aengenhosidade e propiciando o uso mais eficaz das potencialidadesproporcionadas pela natureza, distribui-se o trabalho de modo maiseficiente e mais econômico, enquanto, pelo aumento geral dovolume de produtos difunde-se o benefício de modo geral e une-sea sociedade universal de todas as nações do mundo civilizado porlaços comuns de interesse e de intercâmbio.” (RICARDO, 1982:104).
  69. 69. Conclusão Portanto, Ricardo mostrou que o comércio internacional não tem necessariamente de ser estabelecido com base em vantagens absolutas. Pode ser vantajoso para um país especializar-se na produção de bens que são produzidos com menor esforço em outro lugar. Adicionalmente, pode não haver benefícios em especializar- se na produção de bens que propiciam vantagem absoluta se houver uma vantagem ainda maior na produção de outros. Dessa forma, o modelo de Ricardo prevê uma direção para o comércio exterior: os países exportarão os bens nos quais têm maior produtividade relativa do trabalho (têm vantagem comparativa na sua produção) e importarão os bens nos quais apresentam menor produtividade relativa do trabalho (não têm vantagem comparativa na sua produção).
  70. 70. David Ricardo:“A Inglaterra exportava tecidos em troca de vinho porque, dessaforma, sua indústria se tornava mais produtiva; teria maistecidos e vinhos do que se os produzisse para si mesma;Portugal importava tecidos e exportava vinho porque a indústriaportuguesa poderia ser mais beneficamente utilizada paraambos os países na produção de vinho.” (RICARDO, 1982:107)Assim, conforme ressaltaYoung (1951), o custo de mão-de-obranão governa as condições de troca em comércio exterior, massim os custos comparativos existentes na produção dediferentes mercadorias.
  71. 71. Stuart Mill Mill corroborou a noção de Ricardo sobre a vantagem comparativa ao afirmar que um país com custos reais altos exportaria artigos de algum tipo, mesmo para países que os poderiam produzir com menos trabalho do que ele. Esses países, na suposição de terem vantagem sobre ele em todos os produtos, teriam vantagem maior em algumas mercadorias do que em outras, e importariam artigos em que sua vantagem fosse mínima, para que pudessem empregar quantidade maior de sua própria mão-de-obra e de seu capital nas mercadorias em que a vantagem fosse máxima.
  72. 72. Criticas ao modelo de RicardoApesar de toda sua importância teórica e, sobretudo, histórica, o modelo clássicoapresenta lacunas que são alvo de contestação. ConformeYoung (1951), as críticasse dirigiram às suposições do modelo, tais como competição perfeita dentro decada país, imobilidade completa de trabalho e capital entre os países, masmobilidade doméstica, e custos constantes.Segundo Krugman e Obstefeld (2001), os principais motivos dos erros dasprevisões implícitas no modelo de Ricardo são:•a suposição de um grau extremo de especialização, que não se observa no mundoreal;• os efeitos indiretos do comércio internacional sobre a distribuição de rendadentro dos países e portanto, a presunção de que os países como um todo sempreganharão por meio do comércio;•o fato de o autor ignorar o papel das economias de escala como uma causa docomércio, o que torna impossível explicar os grandes fluxos comerciais entrenações aparentemente similares.
  73. 73. O TEOREMA DE HECKSCHER E OHLINDe acordo com Krugman e Obstefeld (2001), a teoria deHeckscher e Ohlin difere do modelo ricardiano por distinguir ocomércio internacional do comércio inter-regional e naidentificação dos fatores que determinam a existência devantagens comparativas. Complementarmente, Young (1951)afirma que a teoria de comércio internacional deve serdesenvolvida essencialmente do mesmo modo que a teoria decomércio entre regiões. Isso está em contraste com aperspectiva clássica, que enfatizou as diferenças entre ocomércio dentro das nações e o comércio entre nações(internacional).
  74. 74. Vantagem do nivel de stock dos fatoresde produçãoRicardo (1982) atribuiu a existência de vantagens comparativas adiferentes produtividades do trabalho entre os países. Já o modelo deHeckscher- Ohlin diz que as vantagens comparativas são oriundasdos diferentes níveis de estoques relativos dos distintos fatores deprodução, influenciando os custos de produção desses bens. Asnações têm tecnologia equivalente, mas diferem na disponibilidadedos fatores de produção, como terra, recursos naturais, mão-de-obra e capital. Por exemplo, o país no qual o fator trabalho forrelativamente abundante poderá produzir um bem intensivo emtrabalho a um custo relativamente baixo; assim, terá uma vantagemcomparativa em sua produção. Então, diminuindo a produção do bemintensivo em capital, esse país irá conseguir um grande incrementomarginal da produção do bem intensivo em trabalho.
  75. 75. Conclusão Nos termos de Ohlin (1933), a Austrália, por possuir maior extensão de terras agricultáveis que a Grã-Bretanha, mas menos trabalho, capital e minas, estaria mais adaptada à produção de bens queexigem grandes quantidades de terra agricultável. A Grã-Bretanha, por sua vez, apresentaria vantagens na produção de bens manufaturados. Assim, a conclusão do modelo de Heckscher- Ohlin é que os países especializar-se-ão na produção dos bens que utilizam fatores de produção com abundância relativa, exportando esses bens e importando outros cujos fatores produtivos intensivos sejam relativamente escassos em seu território.
  76. 76. Efeitos nos políticosEste modelo teve grande aceitação principalmente no meiopolítico, mas também foi dominante na explicação do comérciointernacional no meio acadêmico. Com isso, a teoria davantagem comparativa influenciou bastante na determinaçãodas políticas governamentais, ao admitir que os governospodem alterar a vantagem comparativa de fatores por meiode várias formas de intervenção, e justificou a utilização depolíticas com o objetivo de diminuir os custos relativos dasempresas de um país em comparação com os custos dos rivaisinternacionais. Alguns exemplos de políticas com essa finalidadesão a redução das taxas de juros, esforços para conter oscustos salariais, desvalorização para afetar os preçosrelativos, subsídios, margens de depreciação especiais efinanciamento de exportação para setores específicos.
  77. 77. Falhas da teoria das vantagenscomparativasA teoria baseada na vantagem comparativa gerada peladisponibilidade relativa de fatores vem apresentando, muitasvezes, falhas ao tentar explicar os padrões de comércio. Osprincipais motivos são as características do comércio atual e afalta de realismo dos pressupostos desse modelo.
  78. 78. Criticas de Krugman e Obstefeld Para Krugman e Obstefeld (2001), há três fatos recentes sobre o comércio que contribuíram para a incapacidade da teoria em explicar a realidade atual. O primeiro é o crescente comércio de produtos cuja produção envolve proporções de fatores semelhantes. O segundo é a existência de grande volume de comércio internacional entre países industrializados com a dotação de fatores semelhantes. O terceiro é a ascensão da empresa multinacional, que criou um novo tipo de fluxo de comércio: a importação e a exportação entre diferentes subsidiárias de uma mesma firma, o que enfraqueceu ainda mais as explicações tradicionais sobre os padrões do comércio.
  79. 79. Limitações da vantagem comparativaAlém disso, os limites da capacidade explicativa desse modelo surgemde seus pressupostos: a inexistência de economias de escala e ahomogeneidade das tecnologias empregadas e dos produtos. Comopode ser facilmente observado, na maioria das vezes a existência deeconomia de escalas é freqüente nas indústrias; a mudançatecnológica é constante e se dá através de inovações por parte dasempresas individuais, fazendo com que haja emprego de tecnologiadiferente até mesmo dentro da mesma indústria; e há diferenciação nagrande maioria dos produtos. A falta de realismo dos pressupostosem relação a muitas indústrias é a causa mais relevante do fracasso domodelo Heckscher-Ohlin em explicar o comércio internacional deprodutos industrializados.
  80. 80. AS TEORIAS DE COMÉRCIO DEPRODUTOS INDUSTRIALIZADOSAs teorias de comércio de produtos industrializados tentamexplicar três aspectos relacionados com o comércio mundial queparecem paradoxais do ponto de vista das teorias clássicas deRicardo e Heckscher-Ohlin: a existência de um comérciointenso e em rápida expansão entre nações com a mesmadotação de fatores, o grande volume de troca de produtosmuito similares e o mínimo de conflito social que se seguiu àvasta liberalização do comércio no período do pós-guerra. Asprincipais vertentes teóricas são as que enfatizam: as economiasde escala, o papel central da procura, os ciclos do produto e aconcorrência monopolística.
  81. 81. Economias de escala e domínio dosmercados A vertente teórica que privilegia a existência de economias de escala afirma que os custos da empresa ou do mercado se reduzem à medida que aumenta a quantidade produzida, o que leva à formação, não de um mercado de concorrência perfeita, mas de um mercado no qual as firmas tenham um certo grau de poder. Assim, cada país produziria uma variedade restrita de bens, beneficiando-se dos retornos crescentes de escala, semsacrificar,contudo,avariedadenoconsumo possibilitada pelo comércio internacional. Dessa forma, países idênticos em suas dotações de fatores e gostos podem, mesmo assim, ganhar com o comércio.
  82. 82. Linder Linder (1961) estabeleceu uma distinção entre o comércio de produtos primários e o comércio de produtos industrializados. Segundo o economista sueco, o comércio de produtos primários é explicado pelo modelo de Heckscher-Ohlin, enquanto a estrutura da procura, caracterizada pelas qualidades dos produtos diferenciados procurados num país, é a determinante do padrão de comércio de produtos industrializados. A principal determinante da estrutura da procura é o nível de renda per capita: os países de renda per capita mais elevada tenderiam a consumir maior quantidade de produtos sofisticados e também produtos com um grau de sofisticação maior que os consumidos em países menos desenvolvidos. Por exemplo, os EUA consomem não só uma maior quantidade de carros, mas também de carros mais sofisticados que outros países menos desenvolvidos.
  83. 83. Vermon A terceira vertente teórica da teoria de comércio de produtos industrializados é a do ciclo do produto, que foi elaborada por Vernon (1972). A ideia central é que a inovação de produto ocorre nas economias mais avançadas e desenvolvidas, pois a alta especialização da mão-de-obra dá uma vantagem comparativa ao desenvolvimento e à produção inicial, além do fato da procura aparecer primeiro onde as rendas são altas e os gostos sofisticados. Para o autor, a predisposição de um país para desenvolver novos produtos não é uma simples questão de oportunidade. Para que as inovações sejam implementadas é necessário que haja disponibilidade de engenheiros treinados e homens de negócio interessados, que irão concentrar seus esforços naquilo que presumem ser a procura. Ou seja, eles produzirão os bens para os quais haja procura no mercado local.
  84. 84. Migração da produção para países menosdesenvolvidos quando se deixa de usar atecnologia de ponta (Krugman) No momento em que a procura por esses novos bens se tornar internacional, o país avançado exportará esses produtos. Porém, à medida que a produção desses bens vai deixando de utilizar a tecnologia de ponta, o local de produção migra para países menos desenvolvidos, que passam a exportar para os países mais ricos. A ênfase na existência de um mercado de concorrência monopolística para entender o comércio de produtos industrializados tem entre seus principais defensores Paul Krugman. Na vertente teórica de concorrência monopolística a inovação ocorre com o objetivo de promover a diferenciação do produto, fazendo com que ele demonstre em algum aspecto superioridade sobre os demais e, conseqüentemente, que sua procura aumente seja. Essa vantagem decorrente da diferenciação do produto dá origem a uma corrida entre as empresas, com a finalidade de inovar.
  85. 85. Conclusãoda Teoria dos Bens Industrializados Quem investir mais em pesquisa e desenvolvimento conseguirá obter produtos inovadores e melhores retornos, mesmo que esses novos produtos demonstrem menos diferenças no que se refere à funcionalidade do que atributos subjetivos, como, por exemplo, inovação em padrões estéticos. As principais conclusões contrastam tanto com o modelo de Heckscher-Ohlin quanto com o de Linder (1961), uma vez que prevêem um padrão de comércio independente da semelhança de fatores, no qual grande parte do comércio é intra-industrial. Isso explica a troca de grandes quantidades de bens que apresentam características semelhantes.
  86. 86. Critica de PorterOs modelos de comércio de produtos industrializadosconseguem explicar pontos que até então eram contraditórios àeconomia internacional. Não têm, no entanto, o mesmo poderexplicativo para questões como as propostas por Porter (1989):“A questão mais geral é: por que as empresas de determinadasnações estabelecem uma liderança em certas indústrias novas?O que acontece quando a procura se origina simultaneamenteem diferentes países, como é comum hoje? [...] Por que ainovação é contínua em muitas indústrias nacionais e não umacontecimento que se realiza de uma só vez, seguida pelainevitável padronização da tecnologia, como a teoria do ciclo doproduto diz? [...] Como explicar por que as empresas de certospaíses podem manter a vantagem numa indústria e outras nãopodem?” (PORTER, 1989:18).
  87. 87. A VANTAGEM COMPETITIVA,PRODUTIVIDADE E INOVAÇÕES Porter (1989), ao contestar as teorias clássicas, propõe uma nova abordagem, que deve ir além do conceito de vantagem comparativa, para se concentrar na vantagem competitiva dos países, refletindo o conceito de competição, que inclui mercados segmentados, produtos diferenciados, diversidades tecnológicas e economias de escala. O autor concentra-se em responder aquela que lhe parece ser a pergunta central: por que empresas baseadas em determinadas nações alcançam sucesso internacional em segmentos e indústrias distintos? O que se deve procurar são as características decisivas de uma nação que permitem às suas empresas criar e manter a vantagem competitiva em determinados campos, isto é, a vantagem competitiva das nações.
  88. 88. Conceito de Produtividade Para Porter (1999), o único conceito significativo de competitividade nacional é o de produtividade. A produtividade é o termo que define o valor do que é produzido por uma unidade de trabalho ou de capital, e depende da qualidade, características dos produtos e eficiência com que são produzidos. Segundo o autor, a prosperidade económica das empresas e das nações depende da produtividade com a qual os recursos nacionais (trabalho e capital) são empregados. Sendo assim, a produtividade é a determinante principal do nível de rendimento per capita de um país e, portanto, do padrão de vida. Um alto padrão de vida depende da capacidade das empresas de um determinado país de atingir altos níveis de produtividade e aumentá-lo com o tempo. Então, competitividade a nível nacional deve ser entendida como produtividade nacional.
  89. 89. Nenhuma nação pode ser competitiva emtudoOs recursos humanos de um país, assim como o capital, sãonecessariamente limitados. O importante é que esses recursossejam aproveitados nas atividades mais produtivas,possibilitando um comércio que traga ganhos de produtividadepara a nação. A integração comercial entre os países tem umgrande impacto sobre a sua produtividade. Tal princípio,apesar de postulado por Porter (1989), foi anteriormentedescrito por Smith e Ricardo.
  90. 90. Porter “O comércio internacional permite ao país aumentar sua produtividade, eliminando a necessidade de produzir todos os bens e serviços dentro do próprio país. Com isso, a nação pode especializar-se nas indústrias e segmentos nos quais suas empresas são relativamente mais produtivas e importar os produtos e serviços em relação aos quais suas empresas são menos produtivas do que as rivais estrangeiras, aumentando dessa forma a produtividade média da economia. As importações, portanto, bem como as exportações são parte integrante do crescimento da produtividade.” (PORTER, 1989).
  91. 91. Exportação e baixos salários Por outro lado, o comércio internacional pode também ameaçar o crescimento da produtividade. As Empresas são expostas ao teste dos padrões de competitividade nacional e serão derrotadas se não forem competitivas internacionalmente, o que poderá comprometer a sua capacidade de exportação e o padrão de vida do país. Assim, acrescenta Porter (1989), a obtenção de um excedente comercial ou um comércio equilibrado não significa competitividade nacional. O aumento das exportações devido a baixos salários e a uma moeda fraca leva a uma redução do nível de vida do país. Em lugar de se vangloriar com o excedente comercial, o país deve se preocupar em exportar bens fabricados com alta produtividade, pois é isso que traz maior produtividade nacional e, portanto, maior renda per capita.
  92. 92. Conclusão de Porter Ao contrário do pensamento predominante, que atribui a vantagem competitiva aos custos da mão- de-obra, às taxas de juros, às taxas de câmbio e às economias de escala, para Porter (1989) as empresas atingem a vantagem competitiva através do aumento da produtividade, que se dá por meio de inovações, decorrentes de novas tecnologias, novos métodos de formação, novas abordagens de marketing ou aprimoramento dos processos produtivos e de gestão. Portanto, um país obtém um alto padrão de vida e consegue mantê-lo mediante a produtividade e o ritmo do crescimento dessa produtividade. Isto é, um elevado rendimento per capita está relacionado com a frequência de inovações na economia.
  93. 93. Schumpeter e a inovação Schumpeter num trabalho originalmente publicado em 1911, foi o primeiro a enfatizar a importância da inovação como fonte principal da dinâmica do desenvolvimento capitalista. A sua análise parte de um sistema de reprodução económica sob condição de equilíbrio estático, objetivando verificar a condição pela qual ele se torna dinâmico. Afirma o autor que o sistema económico tem tendência ao equilíbrio geral, a um estado em que não existe estímulo ou motivo para mudar de posição, salvo pela necessidade de uma suave adaptação às alterações existentes. Segundo esse ponto de vista, o sistema económico apresenta apenas mudanças contínuas ou friccionais e não produz alterações importantes com as variações na população, consumo, preferência do consumidor, poupança, investimento, etc. Tais mudanças não provocam convulsões no sistema económico e não levam ao rompimento do seu estado de equilíbrio.
  94. 94. Inovações As inovações, diz Schumpeter, rompem esse quadro de equilíbrio lentamente mutável, possibilitando a expansão económica, dando lugar ao desenvolvimento, ao progresso e à evolução. As inovações possibilitam o deslocamento da função de produção, com mudança na curva de custos, ou a criação de novas funções de produção por meio de novas combinações, resultando em modos novos, mais eficientes e baratos de produzir mercadorias e serviços. Tais combinações resultam do emprego de recursos e de formas de fazer coisas distintas, gerando descontinuidades e quebrando rotinas no sistema económico.
  95. 95. Schumpeter“O capitalismo é, por natureza, uma forma ou método detransformação económica e não apenas não se reveste de umcaráter estacionário, como jamais poderia tê-lo. Não se deveesse caráter evolutivo do processo capitalista apenas ao fato deque a vida económica transcorre em um meio natural e socialque se modifica e que, em virtude dessa mesma transformação,altera a situação económica. [...] O impulso fundamental quepõe e mantém em funcionamento a máquina capitalistaprocede dos novos bens de consumo, dos novos métodos deprodução ou transporte, dos novos mercados e das novasformas de organização industrial criadas pela empresacapitalista.” (SCHUMPETER, 1984:105).
  96. 96. Destruição criadora Desse modo, ocorre o processo de destruição criadora, que “revoluciona incessantemente a estrutura económica a partir de dentro, destruindo incessantemente o antigo e criando elementos novos. Este processo de destruição criadora é básico para se entender o capitalismo. É dele que se constitui o capitalismo e a ele deve se adaptar toda a empresa capitalista para sobreviver” (SCHUMPETER). Assim, o processo de destruição criadora fundamenta a dinâmica concorrencial capitalista, uma vez que determina superioridade decisiva de custos e de padrão de qualidade, altera a margem de lucro, eleva o nível de produção e, sobretudo, abala os alicerces e a própria existência da concorrência.
  97. 97. Inovação e vantagem competitiva Para Schumpeter, após uma inovação, a firma irá ganhar uma vantagem competitiva no primeiro instante, quando ainda suas concorrentes não aderiram ao novo processo. Essa vantagem temporal a focalizará diante de seu mercado, com diferenciais em face das concorrentes estabelecidas, e, consequentemente, ela receberá um rendimento pelo diferencial de desempenho. Logo que a inovação seja lançada no mercado, irá surgir uma grande atração de inovadores adicionais, isto é, de imitadores. A ação de um empresário individual será seguida pela de outros empresários, fazendo com que a nova combinação introduzida por um seja multiplicada por ações imitativas de outros. Dessa forma, os lucros provenientes da inovação serão cada vez menores, já que estarão sendo divididos com mais firmas. Os ganhos vão se exaurindo e os efeitos cumulativos da expansão do crescimento cessam.
  98. 98. Manutenção da Competitividade Sobre essa questão, Porter (1999) afirma que a vantagem competitiva só é mantida pela melhoria constante, já que a vantagem competitiva pode, frequentemente, ser imitada. Caso não haja uma constante inovação, as empresas estacionárias acabam sendo ultrapassadas pelas empresas que buscam mais eficientemente contornar as adversidades e superar as concorrentes. A manutenção da vantagem competitiva pode se dar por diferentes meios. Esta pode ser conseguida por diferenciação de produto, mudanças de estratégia dentro da empresa, formaçao profissional da mão-de-obra, suporte ao consumidor, atendimento pós-venda, direitos de propriedade sobre o produto, tradição na comercialização do bem, planeamento de custos em todos os segmentos da empresa, programas de fidelidade do cliente para com a empresa, qualidade, entre outros. Cabe à empresa em vantagem definir as suas metas e a sua estratégia para manter a sua posição e ampliar as suas fontes de vantagem.
  99. 99. Estratégia para Schumpeter Segundo Schumpeter, uma empresa que, pela introdução de inovação no seu processo produtivo, obtenha uma vantagem competitiva pela redução da sua estrutura de custos poderá seguir várias estratégias, como a diminuição dos preços praticados, para chegar a uma situação de monopólio. Da mesma forma, a inovação de um produto origina uma posição monopolista, estando a empresa a produzir ou prestar um serviço único no mercado, e que apenas ela pode disponibilizar aos consumidores. Estas estratégias permitem um acréscimo no lucro, possibilitando, preferencialmente, a realização de novos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, com vista em novas inovações, permitindo a manutenção do monopólio.
  100. 100. Pressões e desafios como razões deinovaçãoApesar de corroborar a importância dada por Schumpeter à inovaçãono processo económico, Porter (1989) discorda relativamente aosaspetos referentes aos tipos de indústrias que seriam mais capazes deinovar:“Schumpeter (1942), embora ressaltando a importância da inovação,argumenta que uma empresa grande com poder de mercado será maisinovadora, não um grupo de rivais. Os trabalhos sobre a inovação nãoapoiam tal opinião, nem ela é confirmada nas indústrias queestudamos. A inovação não é feita devido a estabilidade e só comgrandes recursos, como argumenta Schumpeter, mas devido apressões e desafios. É necessário um limite mínimo de escala para quea pesquisa e desenvolvimento sejam eficientes, o que varia com aindústria, mas são as empresas menores e as de fora os verdadeirosmotores da destruição criadora. (PORTER, 1989:158).
  101. 101. Periodo da inovação e ciclos económicosou ondas schumpeterianasNa visão de Schumpeter (1984), as atividades de inovaçãoocorrem em determinado período. Trata-se de um processo quenão é contínuo e sofre descontinuidade temporal, fazendo comque a economia se desenvolva através de períodos de expansãoe de depressão. Nas palavras do autor:“Essas revoluções não são permanentes, num sentido estrito:ocorrem em explosões discretas, separadas por períodos decalma relativa. O processo, como um todo, no entanto, jamaispára, no sentido de que há sempre uma revolução ou absorçãodos resultados da revolução, ambos formando o que éconhecido como ciclos económicos.” (SCHUMPETER).
  102. 102. As ondas schumpeterianas
  103. 103. Forma da Inovação Os investimentos em inovação ocorrem de forma descontínua, em grupos ou bandos, dando dinamismo à expansão. A introdução de uma novidade de produtos ou processos vem alterar as condições competitivas daqueles empreendimentos já estabelecidos. As inovações, ao se colocarem como alternativas a produtos e processos antigos, fazem com que esses últimos percam espaço no mercado, tornando obsoleta a capacidade instalada e destruindo postos de trabalho, espraiando-se para outros se-ores relacionados e àqueles mais distantes atingidos pelo efeito- renda negativo.
  104. 104. Aceleração das ondas
  105. 105. Inovação e dinamismo do capitalismo Sinteticamente, Schumpeter atribuiu às inovações a responsabilidade de o capitalismo ser dinâmico e não estático. Porter, de modo similar, constrói sua teoria de vantagem competitiva das nações com base no caráter dinâmico do capitalismo, decorrente de inovações, mas ultrapassa Schumpeter ao investigar os motivos que levam algumas empresas de certos países a inovarem mais que outras. Segundo este autor, Schumpeter ficou aquém da resposta à sua pergunta central.
  106. 106. DETERMINANTES DA VANTAGEMCOMPETITIVA Porter (1989), por meio de sérias pesquisas sobre as nações e indústrias, identificou as determinantes fundamentais da vantagem competitiva numa indústria, além de elucidar como tais determinantes funcionam em conjunto e os papéis que exercem em uma nação. Assim, sua teoria ressalta o valor da inovação, descrevendo os atributos com os quais uma nação deve contar para incentivar as empresas a inovar.
  107. 107. Êxito internacional depende de 4determinantes – Diamante Nacional Segundo Porter, o êxito internacional numa determinada indústria depende de quatro amplas determinantes, que modelam o ambiente nacional no qual as empresas competem, formando o chamado Diamante Nacional. A posição do país nos fatores de produção, como trabalho especializado ou infra-estrutura, é a primeira determinante. A segunda é a condição da procura, isto é, a natureza da procura interna para os produtos ou serviços da indústria. A presença ou ausência, no país, de indústrias correlatas e indústrias fornecedoras que sejam internacionalmente competitivas é a terceira determinante. A quarta é dada pela estratégia e estrutura das empresas, mais a natureza da rivalidade interna.
  108. 108. Vantagem competitiva e fatores criados As condições de fatores no diamante nacional são determinadas pela dotação de fatores e pela sua capacidade de criação. Ao contrário da teoria clássica de Heckscher e Ohlin, que descreve os fatores em termos muito amplos, a teoria da vantagem competitiva agrupa-os em várias categorias: recursos humanos, recursos físicos, recursos de conhecimento, recursos de capital e infra-estrutura. As firmas de um país conquistam vantagem competitiva se dispuserem de fatores de baixo custo ou de qualidade excepcional, além da eficiência e efetividade com que são distribuídos. Uma importante distinção entre os fatores consiste no fato de serem herdados pelo país, assim como os recursos naturais ou a localização, ou de terem sido criados por ele. Os fatores mais importantes para o alcance e sustento da vantagem competitiva precisam de ser criados.
  109. 109. Crítica de Porter a Heckscher-OhlinOs modelos de Ricardo e Heckscher-Ohlin são estáticos, isto é, aprodutividade do trabalho ou o stock de fatores são dados. Assim,mão-de-obra, território, recursos naturais, capital e infra-estruturadeterminam o fluxo do comércio. Em oposição a esse ponto de vista,Porter (1989) acredita na criação de fatores. Assim, acompetitividade de um país ou indústria vai depender dacapacidade de criar, de inovar e de melhorar. E essa capacidade éum reflexo de investimentos feitos em recursos humanos bemqualificados ou em base científica. A velocidade e a eficiência comque um país gera os fatores, os desenvolve e os distribui entre osdiferentes setores são mais importantes que o simples stock defatores num determinado momento.
  110. 110. Porter – inovação e mudança Na competição real, o caráter essencial é inovação e mudança. Em lugar de limitar-se e transferir passivamente os recursos para os pontos onde os rendimentos são maiores, a questão real é como as empresas aumentam os rendimentos possíveis através de novos produtos e processos. Em lugar de simplesmente maximizar dentro de limites fixos, a questão é como as empresas podem ganhar vantagem competitiva mudando esses limites. Em lugar de apenas distribuir um total fixo de fatores de produção, a questão mais importante é como empresas e países melhoram a qualidade dos fatores, aumentam a produtividade com que são utilizados e criam outros novos. (PORTER, 1999:21).
  111. 111. Porter e LinderPorter (1989) concorda com Linder (1961) ao defender aimportância da procura interna na determinação do fluxo docomércio internacional: “A teoria de Linder esclarece aimportância que a procura local tem para o comércio e o fato deque as semelhanças amplas da procura são necessárias para ocomércio” (PORTER, 1989:153).Entretanto, aponta falhas ao afirmar: “Isso, porém, não prevê adireção do comércio ou expõe os atributos específicos dademanda local que permitem a um país obter vantagem numadeterminada indústria. São as diferenças específicas nademanda entre países, dentro das estruturas de demanda quese sobrepõem amplamente, que têm importância crucial para aobtenção da vantagem competitiva.” (PORTER, 1989:153).
  112. 112. Condições da procura interna Além disso, Porter (1989) postula que as condições de procura interna ajudam a construir a vantagem competitiva por duas razões. A primeira é que, quando a procura é mais sofisticada e exigente, as empresas encontrarão maior dificuldade em agradar os consumidores, necessitando, então, de constantes aprimoramentos no produto. A segunda razão ocorre quando um país pode identificar uma situação nítida das necessidades dos compradores nacionais que tem tendência a se tornar mundial. Assim, esse país pode obter vantagens competitivas na produção, antecipando-se aos demais. Os países obtêm vantagem competitiva em indústrias ou segmentos de indústrias em que a procura interna dá às empresas locais um quadro mais claro e antecipado das necessidades do comprador do que o quadro de que dispõem as empresas estrangeiras rivais. (PORTER, 1989:103).
  113. 113. Vantagem dos fornecedores internosA presença de indústrias fornecedoras e de indústrias correlatas quetenham vantagem competitiva internacional é a terceira determinanteampla da vantagem nacional numa indústria. Um exemplo seria o deuma empresa que adquire seus insumos de maneira eficiente, comcustos reduzidos, com prazos precisos e com preferência de entrega.Essa boa relação entre os membros de um aglomerado torna cadauma das indústrias interdependentes mais eficiente e maiscompetitiva. A presença no país de indústrias competitivas correlatasleva, com freqüência, a novas indústrias competitivas, pois ofereceoportunidades de informação e intercâmbio técnico.A presença de indústrias abastecedoras internacionalmentecompetitivas cria vantagens nas outras indústrias correlacionadas deduas principais formas. A primeira é pelo acesso eficiente, precoce erápido à maioria dos insumos. A segunda é a vantagem que osfornecedores internos proporcionam em termos de coordenaçãoconstante, promovendo melhoras.
  114. 114. Porter“Talvez o benefício mais importante dos fornecedores internosesteja no processo de inovação e aperfeiçoamento. A vantagemcompetitiva surge de estreitas relações de trabalho entrefornecedores de classe mundial e a indústria. Os fornecedoresajudam as empresas a ver novos métodos e oportunidades deaplicar tecnologia nova. As empresas têm acesso fácil àinformação, às novas idéias e conhecimentos e às inovações dofornecedor. Têm a oportunidade de influenciar os esforçostécnicos dos fornecedores, bem como servir como local detestes para o trabalho de desenvolvimento. O intercâmbio depesquisa e desenvolvimento e a solução conjunta dos problemaslevam a resultados mais eficientes.” (PORTER, 1989:121).
  115. 115. Determinante do contexto em que asempresas sao criadas A quarta determinante do diamante nacional é o contexto no qual as firmas são criadas, organizadas e dirigidas, bem como a natureza da rivalidade interna. Embora nenhum país tenha uniformidade, as estratégias e as estruturas das empresas dependem de circunstâncias nacionais, o que acaba levando cada país a ter vantagem competitiva em indústrias específicas. Sobre a rivalidade de empresas do mesmo setor, Porter afirma que “A competitividade num setor específico decorre da convergência das práticas gerenciais e dos modelos organizacionais mais adotados no país que possui as fontes de vantagem competitiva no setor” (PORTER, 1999:190).
  116. 116. Existencia de concorrência Como condição de existência da concorrência e da competitividade entre as empresas, com a finalidade de haver benefícios para o consumidor e obtenção da vantagem competitiva, necessita-se de uma aplicação eficaz de medidas ou políticas antitruste; caso contrário, os concorrentes tenderiam a se fundir, de uma forma que privilegiaria os produtores e prejudicaria os consumidores. Desse modo, a política antitruste serve para garantir que o mercado continue livre, aberto e competitivo, resultando numa maior rivalidade doméstica e, conseqüentemente, maior competitividade do país no mercado internacional.
  117. 117. O Papel dos Governos Após a descrição das quatro determinantes da vantagem competitiva nacional, resta uma questão: a de compreender o papel do governo. Segundo Porter (1989), o papel real do governo é influenciar positivamente essas quatro determinantes. “As políticas governamentais bem-sucedidas são aquelas que criam um ambiente em que as empresas são capazes de ganhar vantagem competitiva, e não aquelas que envolvem o governo diretamente no processo” (PORTER, 1999:197).
  118. 118. Políticas Públicas e condições dos fatores As condições de fatores são influenciadas por políticas de educação, políticas com o intuito de aprimorar o mercado de capitais, política de subsídios, entre outras. O governo pode moldar a demanda por meio do estabelecimento de padrões ou regulamentos locais para os produtos e, também, por ser uma parte significativa da demanda interna, já que é um importante comprador de muitos produtos do país. Através de políticas regulatórias, fiscais e leis antitruste, o governo é capaz de afetar a estrutura da estratégia das empresas, além da rivalidade interna. As circunstâncias de indústrias correlatas e de apoio podem ser modeladas de muitas formas, como, por exemplo, através da regulamentação de serviços de apoio.
  119. 119. Critica a Porter Aktouf (2002), levanta alguns pontos, dentre os mais discutíveis e mais intelectualmente duvidosos, no seu entendimento, que caracterizam posições adotadas por Porter, dos quais se apresenta a seguir aqueles que mais interessam ao objeto desta tese:1. o simplismo caricatural do modelo do “losango a quatrovariáveis”, o diamante competitivo, pode dar conta da enormecomplexidade de fatos e processos reais a exemplo dos que setem levantado aqui? Se não, porque continuar a fazer como sepudesse assegurar previsões, formulações, planificações edecisões estratégicas com conhecimento de causa, a partir daaplicação desse modelo?
  120. 120. Critica a Porter2. a noção de “clusters industriais”, espécie de epicentro do modeloporteriano, parece estranha a certos conceitos como o de “pólos dedesenvolvimento”, elaborado por François Perroux, ou o de complexosde “indústrias-industrializantes”, levado adiante por Estanne DeBernis? Sem falar da analogia com as redes da indústria japonesa. Tudoisso, sustentaria infinitamente mais cooperação do que competição,mais intervencionismo e de presença do Estado do que de laisser-faire,mais diálogo do que concorrência, mais colaboração mútua do quelutas de enfrentamento entre firmas e nações. Tudo, absolutamentetudo, desde o papel do Estado e o contexto intra e inter-empresas,opõe, por exemplo, as redes inter-organizacionais do tipo japonês aoque Porter apresenta como os clusters. Como uns e outros podempreencher o mesmo ofício competitivo para as respectivas nações?
  121. 121. Critica a PorterAlgumas falhas científicas e epistemológicas, constatadas por Aktouf (2002), naobra porteriana, são por exemplo: uma projeção sistemática do modelo de Harvard, construído pela tradicional interação desta Universidade com os grandes escritórios de consultoria da região de Boston, na pretendida teorização dos mecanismos da estratégia das vantagens competitivas; uma simbiose entre a arquitetura de sua teoria e os serviços que podem entregar os escritórios de consultoria aos quais Porter e a Harvard sempre estiveram em parte ligados. A única escolha é recorrer aos porterianos como consultores, uma vez que se admite a sua teoria. O que pode legitimamente levar a pensar que essa teoria foi montada oportunamente e sustentada para servir a esses fins; uma omissão, com conseqüências incalculáveis, da seguinte evidência: se as empresas aplicassem efetivamente os princípios das vantagens competitivas e estivessem obtendo sucesso, mais ninguém poderia pretender recorrer a tais vantagens; a teoria chegaria a uma auto-destruição que decorreria de sua generalização.
  122. 122. Critica a PorterFazendo do planeta um vasto campo de batalha pela infinitacompetitividade, sob a única obrigação de maximização de lucros edividendos de firmas colocadas como a finalidade histórica das nações,Porter simplesmente nos conduz a submeter a macroeconomia a umadependência da microeconomia e as políticas nacionais das decisõesempresariais! O tratamento da economia é concebido somente emcurto prazo e em agravamento exponencial de desequilíbrios, jádesastrosos, entre norte e sul e entre os próprios fatores de produção(capital, trabalho e natureza).Submetamos, finalmente, a lógica porteriana a seus limites: uma veznosso planeta tornado competitivo pela graça dos losangos ediamantes porterianos, teremos direito a uma teoria dacompetitividade interplanetária ou intergaláctica? A uma teoria dasvantagens competitivas das galáxias? [A um cluster galáctico?], [grifonosso]. (AKTOUF, 2002, p. 52).
  123. 123. Neo-Conservadorismo (Neo-Com)Neoconservadorismo (ou neocon) é uma corrente da filosofia política quesurgiu nos Estados Unidos a partir da rejeição do liberalismo social,relativismo moral e da contracultura da Nova Esquerda dos anos sessenta.O neoconservadorismo influenciou os governos de Ronald Reagan eGeorge W. Bush, representando um realinhamento da política americana ea conversão de alguns membros da esquerda para a direita no espectropolítico.O Neoconservadorismo americano enfatiza a política externa comoaspecto mais importante nas responsabilidades de um governo, com o fimde manter o papel dos Estados Unidos como única superpotência,condição indispensável para a manutenção da ordem mundial.O primeiro neoconservador declarado foi Irving Kristol, que explicitou suacondição em um artigo de 1979, intitulado "Confessions of a True, Self-Confessed Neoconservative."
  124. 124. Neo-com no comércio internacional- Regresso ao modelo das vantagens comparativas dos factores- Caso da Troika em Portugal e Grécia
  125. 125. Conclusão As diferenças entre as teorias tradicionais de comércio internacional e a teoria de vantagem competitiva das nações podem ser resumidas na forma do tratamento do problema: dinâmico ou estático. As teorias tradicionais tratam de uma realidade muito simplificada, na qual o estoque de fatores e a produtividade são dados e nada se pode fazer a esse respeito. No mundo real, isso não ocorre. Em busca de maior lucro, as empresas inovam, mudando tanto o estoque relativo de fatores quanto a produtividade.
  126. 126. Leis da Oferta e da Procurae Macroeconomia A oferta e demanda são usadas para explicar o comportamento dos mercados de concorrência perfeita, mas sua utilidade como modelo de referência é extensível a qualquer outro tipo de mercado. A oferta e demanda também pode ser generalizada para explicar a economia como um todo. Por exemplo a quantidade total produzida e o nível geral de preços (relacionado com a inflação) estudados pela macroeconomia.
  127. 127. Oferta e procura e teoria da renda(salários) A oferta e procura também pode ser usada para modelar a distribuição de renda pelos fatores de produção, como o capital e trabalho, através de mercados de fatores. Num mercado de trabalho competitivo, por exemplo, a quantidade de trabalho empregada e o preço do trabalho (o salário) são modelados pela demanda por trabalho (pelas firmas) e pela oferta de trabalho (pelos potenciais trabalhadores). A economia do trabalho estuda as interações entre trabalhadores e empregadores através desses mercados, para explicar os níveis de salários e outros rendimentos do trabalho, o desenvolvimento de competências e capital humano, e o (des)emprego.
  128. 128. Concorrência perfeitae ciclos económicos A teoria elementar da oferta e demanda prediz que o equilíbrio será alcançado, mas não a velocidade de ajuste que pode ser provocado por alterações na oferta e/ou procura. Em muitas áreas, alguma forma de "inércia" do preço é postulada para explicar porque quantidades - e não preços - sofrem ajustes no curto prazo, devido a alterações tanto no lado da oferta quanto no da demanda. Isso inclui análises padrão de ciclos econômicos na macroeconomia. A análise frequentemente gira em torno de identificar as causas para essa inércia e suas implicações para que se alcance o equilíbrio de longo prazo previsto pela teoria. Exemplos em mercados específicos incluem níveis de salário nos mercados de trabalho e preços estabelecidos em mercados que se desviam da competição perfeita.
  129. 129. Utilidade marginal A teoria económica do marginalismo aplica os conceitos de marginalidade na economia. O conceito de marginalidade dá relevância ao significado da variação da quantidade de um bem ou serviço, por oposição ao significado da quantidade como um todo. Mais especificamente, o conceito central ao marginalismo propriamente dito é a utilidade marginal, mas uma corrente seguidora de Alfred Marshall baseou-se mais fortemente no conceito de produtividade marginal física para a explicação do custo. A corrente neoclássica que emergiu do marginalismo britânico trocou o conceito de utilidade pelo de taxa marginal de substituição no papel central da análise.
  130. 130. Utilidade marginal nos salários
  131. 131. Utilidade marginal zero O marginalismo, tal como a teoria económica clássica, descreve os consumidores como agentes que almejam alcançar a posição mais desejada, sujeita a restrições como renda e riqueza. Descreve os produtores como agentes que buscam a maximização do lucro, sujeitos às suas próprias restrições (inclusive à procura pelos bens produzidos, tecnologia e o preço dos insumos). Assim, para um consumidor, no ponto onde a utilidade marginal de um bem alcança zero, não há mais incremento no consumo desse bem. De forma análoga, um produtor compara a receita marginal contra o custo marginal de um bem, com a diferença sendo o lucro marginal. No ponto onde o lucro marginal alcança zero, cessa o aumento na produção do bem. Para o movimento em direção ao equilíbrio e para mudanças no equilíbrio, o comportamento também muda "na margem" - geralmente mais-ou-menos de algo, ao invés de tudo- ou-nada.
  132. 132. Falhas de mercadoMercado e imperfeições de mercado Agir pelo interesse individual conduz muitas vezes ao interesse geral, mas nem sempre é assim. Paul Krugman e Robin Wells notam que "a mão invisível não é sempre nossa aliada”. Uma falha de mercado é um situação na qual o mercado não consegue a alocação óptima dos recursos económicos e dos bens e serviços. Isso pode acontecer, por exemplo, no caso de um monopólio (ou de um cartel), ou de uma situação em que coexista desemprego e falta de mão-de-obra, ou ainda a existência de poluição.
  133. 133. Falha de mercado A falha de mercado, no sentido de alocação económica, é um conceito diferente da anomalia de mercado, que tem um caráter mais financeiro, não da falta de eficiência do mercado. A anomalia de mercado diz respeito ao rendimento financeiro e a uma anomalia nos preços devida a fenómenos comportamentais. Estes dois fenómenos podem ser a causa ou a consequência um do outro, ou resultar de uma causa comum. O conceito de falha tem também um aspecto político, e por isso algo controverso, na medida em que serve para justificar intervenções políticas para “corrigir”, ou até mesmo suprimir, o mercado. Apesar disso, a generalidade dos economistas utiliza o termo mas para se referir às situações em que o funcionamento real de um mercado se afasta significativamente do mercado perfeito, devido ao efeito de três causas principais:de estruturas de mercado sub-optimais (falta de transparência, latência, etc.
  134. 134. Três causas principais da falha domercado:1. de estruturas de mercado sub-optimas (falta de transparência, latência, etc.)2. da não internalização de custos (como nos casos de externalidades, bens públicos e assimetria de informação, seleção adversa, risco moral e do problema do principal-agente)3. das ineficiências de preço (não consideração de informação na formação dos preços) devidas a desvios comportamentais .O autores liberais, após o surgimento da teoria da escolha pública,acrescentam uma quarta causa, que na sua opinião tem consequênciasbem mais graves: as intervenções estatais. A expressão falha do Estado(no sentido de falha do governo, em inglês government failure), surgepor analogia com a "falha de mercado".
  135. 135. Novas teorias: compreendendo melhora concorrência imperfeitaA partir dos dos anos 1970, o paradigma dominante na microeconomiasofre uma inflexão de modo a melhor integrar todas as anomalias eimperfeições do mercado. Para Pierre Cahuc "a nova microeconomiafoi construída progressivamente, a partir de críticas dispersas, muitasinicialmente de forma isolada, ao modelo walrasiano” . De uma formamais geral, para a economista Anne Perrot, o edifício teórico damicroeconomia tradicional deixava "desarmado o economista queprocurasse uma representação positiva do funcionamento domercado” . Esta mudança aconteceu num momento em que amacroeconomia buscava os seus fundamentos microeconómicos, deforma que iria gerar alguma convergência entre os dois campos.O quadro geral da nova microeconomia é preferencialmente reduzidoà análise de um só mercado e o seu estudo científico baseia-se maisem constatações que se julga serem representativas dofuncionamento da economia (que são apelidados de "factosestilizados"
  136. 136. Nova microeconomia(informação e teoria dos jogos) A nova microeconomia enfatiza os problemas relativos aos estímulos, à informação e à teoria dos jogos. Por "estímulo" entende-se toda a ação de um agente económico (incluindo o Estado) que levem a certos agentes económicos adotar este ou aquele comportamento. Esta noção tem todo o sentido se considerarmos que a informação disponível é inevitavelmente limitada por um agente económico desejoso de incentivar outros agentes a ter comportamentos do seu interesse. A teoria dos jogos, por seu lado, é um ramo da matemática aplicada que estuda as interações estratégicas entre agentes. Segundo essa teoria, os agentes escolhem as estratégias que maximizam os seus benefícios, sendo dadas as estratégias que os outros agentes irão escolher. Propõem um modelo formal das situações em que os decisores interagem com outros agentes. A teoria dos jogos generaliza a abordagem de maximização desenvolvida anteriormente para a análise de mercados. Foi desenvolvida a partir do livro de 1944 Theory of Games and Economic Behavior, de John von Neumann e Oskar Morgenstern. É também empregue em numerosos domínios não económicos: estratégia nuclear, ética, ciência política e teoria evolucionista
  137. 137. Nova Microeconomia(teoria dos contratos) A extensão da abordagem microeconómica conduziu também ao desenvolvimento da "teoria dos contratos". Esta teoria conceptualiza as organizações, instituições, famílias e empresas como conjuntos de contratos (nós de contratos, na terminologia económica). Uma empresa é, por exemplo, um nó composto por contratos de trabalho, ligando-a aos seus assalariados, por contratos ligando-a aos seus clientes e fornecedores, por contratos de produtos bancários e financeiros, por contratos legais ligando-a ao seu Estado ou região em matéria fiscal e de regulação. os mercados são outro caso particular de nós de contratos, neste caso de contratos de comércio. Os Estados, no sentido das organizações políticas que administram determinados espaços geográficos, são um outro exemplo de nó contratual, representando as Constituições contratos gerais ligando estas organizações ao povo que governam.

×