Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Revista Nova Millennium - Edição Zero

4,772 views

Published on

Revista digital com foco no universo literário. Trazendo informação e novidades para os leitores.

Published in: Education
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

Revista Nova Millennium - Edição Zero

  1. 1. Representatividade Importa Sim! Câmara Brasileira do Livro investe em eventos para atrair público leitor Saiba por que a literatura se tornou peça tão importante para sua disseminação A amazonense Lendari é a primeira editora de sua região a estar na Bienal Rocco aproveita o lançamento da oitava obra de J.K. Rowling para dedicar parte de seu estande ao bruxinho Fanáticos HP: E MUITO MAIS...
  2. 2. 2 /RevistaNovaMillennium @novamillennium @novamillennium revistanovamillennium @gmail.com
  3. 3. 3 S abendo que o público jovem/adulto fã de literatura não possui um veículo impres- so que escreva o que ele quer ler, a Nova Millennium nasceu com o objetivo de in- formar e, ao mesmo tempo, levar o leitor à reflexão. Apesar de você estar recebendo este exemplar na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, ele não tem só um apanhado do que acontecerá durante os dias do evento, tem informação, diversão e, claro, dicas de livros! Neste número inaugural da Nova Millennium, a Câmara Brasileira do Livro é o abre-alas. A institui- ção contará os detalhes de suas ações para trazer o brasileiro ao mundo da leitura (pg. 6). O Anhembi é enorme e está lotado de estandes, mas não é só disso que falaremos. Saiba mais sobre como as fanfics ultrapassaram as barreiras da internet e acabaram virando livros de sucesso, na entrevista com a Babi Dewet (pg. 26) e no artigo sobre livros eróticos, tendo como carro-chefe a trilogia 50 tons (pg. 30). Mas também não deixe de conferir nossos destaques, artigos e a grande matéria sobre representatividade. Que este seja a primeira de muitas edições da Nova Millennium. E bom evento para nós! Kamila Ferreira EDITORIAL
  4. 4. 4 10 Lendari entra para a história da Bienal de SP A amazonense é a primeira editora do Norte a estar na Bienal 12 Empíreo inova e transforma seu estande em uma sala de leitura A editora paulistana oferece até cafezinho para conquistar leitores 6 A leitura pede passagem CBL investe em eventos para trazer o cidadão para o mundo dos livros 26 O poder da literatura fictícia na Web Babi Dewet: das fanfics ao seu primeiro lançamento na Bienal 30 Por que livros eróticos chamam tanto a atenção das mulheres e coíbem os homens? Liderado por E.L. James, o gênero tirou muitas mulheres da monotonia 24 Uma breve viagem no tempo Você sabe a diferença entre Romance de Época e Romance Histórico? SUMÁRIO
  5. 5. 5 14 Fanáticos por Harry Potter O bruxinho marca presença no estande da Rocco 16 Empoderamento e Representatividade ganham espaço na literatura A importância da representatividade na literatura 32 Agências Literárias: um novo modelo de gerenciamento de carreiras de novos autores O mais novo ramo do mercado editorial 34 Livros Infantis VS Tecnologia Cada vez mais as crianças estão divididas entre smartphones e livros EXPEDIENTE REDAÇÃO Publisher Ana Paula Miranda Editora-Chefe Kamila Ferreira Social Media Angela Rocha Reportagem Ana Paula Miranda Kamila Ferreira Angela Rocha Redatora Kamila Ferreira Assistente de Redação Angela Rocha Revisora Kamila Ferreira COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Fotografia Ana Paula Miranda Kamila Ferreira Angela Rocha Marcelo Braga Projeto Gráfico, Diagramação e Ilustração Dan Sousa Impressão Laser Press Gráfica e Editora LTDA. Contato /RevistaNovaMillennium @novamillennium @novamillennium revistanovamillennium @gmail.com 5
  6. 6. 6 A Câmara Brasileira do Livro é responsável pela organi- zação de eventos impor- tantes para a literatura e tem como plataforma colocar o livro como ponto central em todo pais. A quarta edição da Pesquisa Retratos da Literatura no Brasil, promovida pela CBL, Sindicato Nacional dos Editores do Brasil (SNEL), Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (ABRE- LIVROS) e realizada pelo Instituto Pró-Livro, foi divulgada em maio deste ano e tem como objetivo cen- tral conhecer o comportamento do leitor medindo a intensidade, forma, representações e as condições de leitura e acesso ao livro – impresso e digital – pela população brasileira. O levantamento mostrou que houve um crescimento no número de leitores em relação ao mesmo pe- ríodo da edição anterior. A pesquisa ouviu 5.012 pessoas – alfabetizadas ou não – e seguiu os mesmos mol- des das pesquisas passadas*. O estudo é separado em dois grupos: leitor, aquele que leu – inteiro ou em partes – pelo menos um livro nos três meses antecesso- res à ela e o não leitor, aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos três meses anteriores. Sabendo disso, a Retratos da Literatura no Brasil mostra uma melhora no perfil do leitor brasileiro. Concluiu-se que 56% da popu- lação acima dos 5 anos de idade leu pelo menos um livro nos últimos três meses (antecessores a pesquisa). Em 2011, quando foi realizada a última edição, o índice era de 50%. A Retratos ainda mostra que houve um aumento nos índices de leitura per capita. Se em 2011, um brasileiro lia quatro livros por ano, em 2015, o índice chegou a 4,96. Câmara Brasileira do Livro aposta em eventos culturais para atrair o cidadão à literatura Nova diretoria da CBL quer que a leitura se torne parte do cotidiano do cidadão brasileiro Por Ana Paula Miranda A leitura pede passagem: 6 *Pesquisa completa no site do Instituto Pró-Livro.
  7. 7. 7 Vera Esaú, gerente de comunica- ção da CBL, comemora esse aumen- to de público. Para ela, o mercado editorial está em transformação. Atu- almente o público possui muito mais opções, podendo consumir obras não apenas em formato físico, mas também digital ou auditivo. Tam- bém há autores que auto-publicam suas obras e o surgimento de editoras independentes, quebrando assim aquela ideia de editoras tradicionais e livros apenas impressos. “Hoje nós temos muitos mode- los de negócio que ajudam a leitura, seja no papel, celular, tablet ou computador. Acreditamos sim, que apesar da defasagem da educação, as pessoas estão lendo, sim, e mais, se não necessariamente livros, estão consumindo conteúdo”. As feiras literárias são os maiores exemplos positivos no setor editorial. Elas atraem uma grande quantidade de público e contribuem para a formação de novos leitores. Independentemente de compras, es- sas iniciativas fomentam o mercado. Há tempos a Bienal Interna- cional do Livro de São Paulo, por exemplo, vem mudando seu formato com o intuito de ser um evento mais cultural, deixando de ser apenas uma feira de livros. Com palestras, shows e diversas atividades, a atração chama atenção do público e torna o evento mais agradável. Esaú explica que essa mudança aconteceu para mostrar que “além do mundo de livros que você pode ter, há um evento multicultural”. Isso acontece, pois, segundo ela, um livro contém temáticas variadas, então, porque não aproveitar em um evento maior? A 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo tem como tema “Histórias em Todos os Sentidos”, justamente com objetivo de convi- dar o visitante a conhecer diversos lados de uma história. Dividida em ambientes, o evento receberá pales- tras, contação de história, shows de músicas, cordéis e até culinária. Em todas as atrações, a estrela principal era o livro. A organização acredita que, dessa forma, atrairá um público diferente e com mais interesse. Outra novidade para esse ano foram os roteiros criados no site do evento. Após ouvir reclamações do público sobre a Bienal anterior, a CBL resolveu criar um sistema de senhas distribuídas com antece- dência para as maiores sessões de Vera Esaú Acreditamos sim, que apesar da defasagem da educação, as pessoas estão lendo, sim, e mais, se não necessariamente livros, estão consumindo conteúdo 7
  8. 8. 8 Fenômenos desde 2015, os youtubers vêm tomando espaço nas prateleiras de livrarias e lares. Nomes como PC Siqueira, Jout Jout, Felipe Neto, Maju Trindade e Kéfera não saem das conversas dos jovens e ganham espaço em grandes eventos como Bienais. A curitibana e dona do canal 5incoMinutos, Kéfera Bu- chmann foi a autora mais vendida durante a Bienal do Rio de Janeiro, em 2015, o que faz com que muitos autores e livreiros “torçam o nariz” questionando se são livros de qualidade ou não. A gerente de comunicação da CBL, Vera Esaú, é incisiva quando diz que esses livros são importantes e ajudam a trazer novos leitores. “São livros com frases curtas, com ‘bobagens’, mas o jovem lê esse, depois lê o de outra youtuber e assim começa a pegar gosto pela leitura. Por que não? A comunicação hoje é essa, tudo acontece muito rápido, é o momento de aproveitar isso e trazer os jovens para a leitura. Tudo é válido, pois a CBL acredita que nenhum desses novos formatos tirará o brilho dos livros impressos. Eles coexistem”. 8 YOUTUBERS autógrafos e roteiros para os fãs de um determinado estilo. Pelo site ou aplicativo, o usuário terá mais conforto para escolher os eventos dos quais quer participar. Ainda pensando no bem-estar do público, a Bienal conta com um pavilhão a mais, visando um fluxo mais con- fortável entre um estande e outro. Os ônibus gratuitos partem do Terminal Tiete – todos os dias – e do Terminal Barra Funda – somente nos fins de semana – facilitando o trânsito e a chegada do visitante. Há tempos, os eventos literários deixaram de ser feiras de compra e venda e passaram a ser mais interativos. As editoras passaram a valorizar mais os autores nacionais e eles sempre estão à disposição de encontrar seus leitores para conver- sas sobre as obras.
  9. 9. 9 Fundada em 1946, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) completa 70 anos de atividades em 2016. A CBL tem como missão atender aos objetivos de ampliar o mercado editorial brasileiro por meio da democratização do acesso ao livro e da promoção de ações para difundir e estimular a leitura. Segue trabalhando com o firme propósito para que o livro, em todos os seus formatos, esteja cada vez mais presente na vida dos brasileiros, como o mais poderoso instrumento para ampliar o conhecimento e desenvolver indivíduos! SETENTA ANOS DEDICADOS À PROMOÇÃO DO LIVRO E AO INCENTIVO À LEITURA. câmara brasileira do Livrocbloficial@cbl_oficialcamaradolivro
  10. 10. 10 A história da Lendari começa em 2012, quando o escritor Mário Bentes lança seu livro “A Terra Por Onde Caminho” em uma editora de auto-publicação. Porém, após ter problemas com a empresa, optou por estudar o mercado realizando cursos como Administração de Editoras, Tratamento de Originais, Edição e Mercado Editorial. Durante um ano o autor viajou de Brasília a São Paulo, para concluir sua formação no segmento editorial. Na Bienal de São Paulo de 2014, ele participou como autor independente e consolidou sua rede de contatos, abrindo as portas de sua própria editora. Bentes, agora editor-executivo da Lendari, apostou na literatura fantás- tica cult, que além de ser o gênero de preferência do autor, está muito em alta no mercado editorial. Para a Bienal de SP 2016, a Lendari traz três lançamentos: “A Rainha de Maio”, de Jan Santos; “Quase Fim”; de Leila Plácido e “Minhas Conversas com o Diabo - Livro Um”, de Mário Bentes, além da antologia “Quando a Selva Sussurra”, uma coletânea de contos amazônicos. Este último foi lançado em 2015 e o próprio Mário foi o organizador e autor de dois textos. O editor-executivo afirma que a logística é muito diferente para trazer uma editora do que apenas trazer seu nome de autor independente. “Foi mais difícil porque a logística para quatro livros é muito maior. Fora que, como independente, você carre- ga apenas o seu nome, mas quando é uma marca institucional, você precisa ter uma cara.” Ele conta que o cui- dado é maior porque duas obras são autorais (A Rainha de Maio e Quase Fim) e a antologia foi escrita por 13 autores, portanto, ele é responsável por divulgar todos esses nomes. Também foram necessárias parcerias com empresas que são responsáveis por montar e personalizar o estande, auxiliando na divulgação da editora durante o evento. Lendari entra para a história da Bienal de SP por ser a primeira (e única) representante da região Norte Sediada em Manaus, a editora foi fundada em 2014 e vem para a capital paulista com o intuito de apresentar seu selo ao público Por Kamila Ferreira
  11. 11. 11 Além da logística, há também a parte financeira. Por ser uma marca nova, a Lendari montará seu estande na Travessa Literária, onde os espaços são pequenos, com tamanho e preço fixos. Mário conta que o foco da Bienal de SP 2016 seria na divulgação de “Quando a Selva Sussurra” que, além de ser o primeiro título publicado pela editora, tem o objetivo de ser o carro-chefe da marca. Entretanto, como a Lendari já possui uma boa estrutura, com três títulos, ele resol- veu que apresentará todo o acervo durante o evento. Ele ainda diz que a Travessa Literária é importante tanto para o autor independente como para as pequenas editoras, mas, como o espaço é limitado, a ideia é que nas próximas edições seja montado um estande maior, capaz de receber o público com mais conforto. O caminho da editora até a Bienal não foi fácil. Mário criou um crowdfunding (financiamento coletivo) para poder imprimir os três lançamentos da Lendari, mas o valor solicitado não foi alcançado, nem o montante obtido revelado. Bentes escolheu reverter a quantia para financiar os e-books, que serão lançados no fim deste ano. Para que os títulos fossem impressos, ele e os demais autores utilizaram recursos próprios, além de outros tipos de arrecadação, como Jan Santos, que organizou uma feijoada para garantir que as cópias de A Rainha de Maio fossem impressas. A Lendari está na Travessa Literá- ria, no estande L079. O termo Lendari é uma homenagem à produtora de filmes Legendary Pictures, mas ele pronunciava “Lêndari”. As pessoas começaram a falar a marca de modo que “da” passou a ser a sílaba tônica e o nome acabou pegando.
  12. 12. 12 Em sua primeira participação na Bienal de SP 2016, Empíreo inova e transforma seu estande em uma sala de leitura A editora trará para o evento uma extensão de sua filosofia, onde autores, leitores e funcionários são uma família Por Kamila Ferreira
  13. 13. 13 A Empíreo nasceu em 2013, pelas mãos do publisher* Filipe Larêdo, que tinha o desejo de publicar livros da maneira que ele gostaria que fossem publicados, com qualidade escrita e gráfica impecáveis. Para a Bienal de SP 2016, a editora resolveu fazer diferente: transformará seu estande em uma sala de leitura, com o objetivo de acolher os leitores, assim como já faz com os autores, em um ambiente personalizado e confortá- vel, onde será possível desde tomar um café a conversar com o autor do seu livro favorito. Para que o projeto desse certo, a editora fechou parceria com o ateliê Oito Mãos, uma empresa que constrói móveis com madeira recuperada, de maneira sustentável, transformando o estande em uma sala de leitura e ao mesmo tempo em vitrine do ateliê. E todos os móveis que compõem a decoração do estande estarão à venda. Além disso, o estande possui uma vitrola que toca um repertório de músicas calmas e tem até cafezinho, para aqueles que não conseguem largar a bebida enquanto leem. Na sala de leitura serão promovidos diversos encontros para a leitura de trechos de alguns lançamentos da marca. A ideia é convidar o público para conhecer a marca e fazer com que os leitores abracem a Empíreo. Valores não foram revelados, mas Larêdo afirma que o que deve- ria ser cansativo acabou se tornan- do divertido, mostrando como a Empíreo é mais que uma corpora- ção: é uma família. “Foi trabalhoso porque demandou energia e custos, só que a nossa equipe é muito unida, o que não é diferente com nossos autores, portanto consegui- mos dividir bem as tarefas, além de termos conseguido parcerias com outras empresas como a Primavera Editorial, além da já citada Oito Mãos.” Podemos concluir então, que a sala de leitura funcionará como um reflexo da editora. A Empíreo está no estande G073. No livro Paraíso, de Dante Alighie- ri, a palavra empíreo aparece com o significado de “o mais alto grau dos céus, onde tudo é perfeito”, ou seja, Larêdo conce- beu a Empíreo com o objetivo de publicar obras com a mais alta qualidade, desde os textos es- colhidos até a parte gráfica, tudo isso dentro dos limites financei- ros que a empresa possui - e o mercado permite. *Publisher é o profissional que define qual será a linha editorial que a casa seguirá, além de analisar o mercado, o perfil editorial e o que será publicado.
  14. 14. 14 ESPECIAL A editora Rocco dedicou um espaço super especial aos fãs do bruxo Harry Potter na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo Por Angela Rocha 14
  15. 15. 15 N o ano em que o fenômeno Harry Potter ganha sua oitava história — Harry Potter and the cursed Child (Harry Potter e a Criança Amaldi- çoada em português), disponível nas livrarias do Brasil no dia 31 de outubro —, a editora Rocco reser- vou um estande em homenagem a esse grande sucesso e organizou um encontro dedicado aos fãs do bruxo, o “Encontro Fanáticos Rocco”*, no espaço Ignácio Loyola Brandão, estande N010, com bate-papo, brincadeiras e brindes. Para decorar o estande, a editora resolveu reproduzir a plataforma King’s Cross, para que os leitores possam tirar fotos segurando o cachecol das escolas Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal ou Sonserina, até mesmo fingir atravessar a parede para chegar a estação 9¾. Ainda sobre o estande, o leitor pode esperar uma decoração especial com varinhas mágicas, um baú cheio de cartas, bagagens, sapos, corujas e aranhas (que remetem ao personagem Ronald Weasley e seu medo pelos aracnídeos). O livro “Harry Pot- ter e a Criança Amaldiçoada” é inspirado no roteiro da peça teatral ho- mônima, escrita por J.K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany. O espetáculo que estreou no dia 30 de julho, no Palace The- ater, em Londres, já tem ingressos esgotados até maio de 2017. A trama foi dividida em duas partes e se passa 19 anos após o tér- mino do último livro “Harry Potter e as Relíquias da Morte” (2007). Nesta edição Harry estará na vida adulta, trabalhando no Ministério da Magia, casado com Gina Weasley e juntos eles têm três filhos: Alvo Severo, Tiago Sirius e Lílian Luna (na versão original James Sirius, Lily Luna e Albus Severus) sendo que Alvo Severo é em homenagem a Snape e Dumbledore. Como nem todos poderão pres- tigiar o espetáculo, ele foi adaptado e seu e-book que sairá em português pela Pottermo- re (um projeto digital de audiobook dos sete livros de Harry Potter), junto com a edição impressa. Todos os sete livros escritos pela J.K. sobre Potter venderam mais de 450 milhões de cópias, já foram traduzidos para 79 idiomas e publi- cados em 200 países ou territórios e todos os filmes baseados nas histórias arrecadaram mais de US$ 7 bilhões. Desde que sua última obra cinematográfica foi lançada, são esperados novos contos e adaptações para o cinema, e não é à toa que a Rocco dedicou um espaço para o bruxo. Além de Harry Potter and the Cursed Child I e II, Rowling também será roteirista na adaptação do filme “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, uma ampliação do mundo mágico para os cinemas. Diferente da peça, que se passa 19 anos após o término do último livro, “Animais Fantásticos…” volta 70 anos na história de Harry. A saga incentivou diversos jovens e adultos a lerem mais e até escreverem suas obras e, mesmo depois de anos, consegue fazer sucesso, deixando os amantes de Harry Potter com o coração aquecido. 15 *Estande Rocco L060
  16. 16. 16 N o mundo de hoje, é impos- sível não falar sobre repre- sentatividade. Mas, por que passou a ser tão importante falar sobre ela? Em uma sociedade que, em pleno século XXI, ainda não deu seu devido lugar às mulheres, aos negros, às pessoas com deficiência e à comunidade LGBT, cada vez mais torna-se importante - e essencial - discutir porque essas minorias - que, juntas, são mais da metade da população brasileira - ainda precisam batalhar para conseguirem seus direitos. Graças à internet e as redes so- ciais, ficou muito mais fácil a criação de fóruns e grupos para discutir e fomentar ações que promovam a representatividade e o respeito à di- versidade. Ainda assim, com tantos espaços voltados para a discussão do tema, a mídia tradicional parece ig- norar que, sim, é preciso falar sobre se sentir representado, principal- mente em nossa sociedade patriarcal e machista. Muitas pessoas que se sentem parte das minorias encon- traram na literatura uma maneira de se sentirem representadas - e de representar também. E, tendo como plano de fundo a diversidade, surgiram autores Empoderamento e Representatividade ganham espaço na literatura Em tempos onde as redes sociais se tornaram palco para grandes discussões sobre os direitos das minorias, a literatura abre espaço para a diversidade Por Ana Paula Miranda | Kamila Ferreira 16
  17. 17. como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, David Levithan, Chimamanda Ngozi Adichie que quebraram paradigmas ao criar personagens que, ao não se encaixa- rem nos já conhecidos estereótipos, acabam sendo vistos justamente por aqueles que mais necessitam se sentir integrantes da sociedade. Agora, responda rápido: quando foi a última vez que você leu um romance em que o(a) protagonista era negro(a) (e não era escravo)? Ou homossexual? Ou deficiente físico? Demorou para responder? Pois é, caso tenha se lembrado de algum. Isso se você chegou a ler algum. Pensando nisso, a Nova Millennium conversou com alguns autores sobre a importância de discutir o tema. GirlPowerÉ possível que você nunca tenha parado para pensar, mas dificilmen- te encontramos protagonistas fora do “padrão europeu de beleza”, afi- nal, fomos criados acreditando que esse é o modelo correto. As mulhe- res precisam “se dar ao respeito”, ou seja, servir sua família, ser submissa ao homem e nunca, jamais, expor suas opiniões. Esse comportamen- to é visto constantemente nos romances. Os chick-lits, em sua maioria, contém uma perso- nagem insegura, frágil e sempre dependente de um olhar masculino para melhorar sua auto-estima. Em contrapartida, nos Romances de Época, que são ambientados em um período histórico - normalemente em meados do século XIX - onde o machismo imperava, suas persona- gens são mais determinadas e pro- curam quebrar padrões arraigados na sociedade. Ironicamente, em pleno século XXI, mesmo com tantas discussões sobre empoderamento, feminismo e sororidade, ainda é possível ver protagonistas com a mentalida- de do período Vitoriano. Mas, uma nova onda de autoras estão quebrando esse ciclo vicioso de submissão e repressão. A escritora Larissa Siriani começou sua carreira de maneira independente em 2009, quando ainda era mais difícil publicar um livro. Depois de algumas tentativas em pequenas editoras, ela fechou contrato com a Verus, um selo do Grupo Editorial Record. “Amor Plus Size” está sendo lançado nesta Bienal do Livro e conta a história de Maitê, uma jovem que sofre gordofobia no colégio. Larissa, que se inspira em autoras como Meg Cabot e Paula Pimenta, escreve para um público mais jovem. Para ela, Larissa Siriani A partir do momento em que você enxerga a raiz do problema, tratá-lo se torna mais fácil 17
  18. 18. 18 esse padrão acontece justamente por atitudes que são repetidas constan- temente em nossa sociedade. “A partir do momento em que você enxerga a raiz do problema, tratá-lo se torna mais fácil. Por que não ter duas mulheres se ajudando em vez de competindo? A inserção cada vez mais constante de personagens empoderadas ajuda a quebrar esses padrões”, afirma a autora. Thati Machado começou sua carreira no extinto Orkut publi- cando fanfics. Hoje faz sucesso nas plataformas digitais e está lançando seu livro “Poder Extra G” pela edito- ra Astral Cultural. A obra fala sobre Nina, uma jovem que está acima do peso e, após sofrer uma grande desilusão amorosa, resolve ir para a Argentina por um mês, regado a doce de leite e passeios. Thati criou uma personagem propositalmente “poderosa” para que outras pessoas pudessem se identificar. Para ela “quando colocamos mocinhas estereotipadas em romances, por exemplo, estamos dizendo para as meninas fora desses padrões surreais que isso não aconteceria com ela. E a verdade é que as grandes his- tórias de amor, as histórias de amor da vida real, são protagonizadas por pessoas como eu, você, nosso vizi- nho, aquele primo distante…”. Juntas, elas criaram o #GPo- wer, em parceria com as autoras Janaína Rico e Mila Wander, que tem como o objetivo promover o bem estar e a autoestima que foge dos padrões já conhecidos entre as leitoras. Mas como escrever sobre um determinado assunto sem cair nos famosos estereótipos? Para as escritoras é importante estudar bem sobre o tema e não ter medo de inovar. “Quando você busca criar algo único que você ainda não viu em outros livros, é claro que você corre riscos, mas você acaba saindo de uma zona de segurança que pode ser bastante entediante e repetitiva”, afirma Thati. É necessário entender que o romance nem sempre vai ser relacio- nado a um casal, mas sim uma des- coberta pessoal da personagem, e é aí que a representatividade aparece. Ela é importante para que as pessoas possam se inspirar e reconhecer seu verdadeiro valor. Larissa pontua que a falta de trabalhos tanto nos meios literários, quanto em outros, foi o que a motivou a falar sobre o assunto. “A gente não pode cobrar representatividade se nós mesmos não abrirmos este espaço. Tem que começar de algum lugar. Se todo mundo for esperar o próximo fazer, nunca vai haver espaço para todo mundo”, finaliza a autora. Thati Machado A gente não pode co- brar representatividade se nós mesmos não abrirmos este espaço. Tem que começar de algum lugar 18
  19. 19. Diversidade literáriaJá parou para pensar que, nas novelas e filmes, o gay é sempre estereotipado? Ele é o escandaloso, depravado, excêntrico… Mas, na literatura, nem sempre ele (e ela também) é lembrado. Ou por acaso encontra-se com frequência livros em que o homossexual é retratado como ele mesmo - ou seja, livre dos incô- modos e preconceituosos rótulos? Mesmo estando em 2016, às vezes parecemos estar na Idade Mé- dia, tamanho é o número de agres- sões contra gays, lésbicas, bissexu- ais, transsexuais e travestis. Quem não se lembra do emblemático caso do casal gay que foi agredido com uma lâmpada fluorescente em plena Avenida Paulista? O crime acon- teceu em 2010, mas volta e meia é lembrado quando surgem novos casos de homofobia. Entretanto, se por um lado, há preconceito, ignorância e homo- fobia, por outro, a literatura abre portas para que autores possam contar suas histórias que, mesmo tendo protagonistas gays, qualquer pessoa pode se identificar, pois os temas são os mesmos que existem em romances hétero: amor, medo, ódio, paixão, e assim por diante. Robson Gabriel iniciou sua carreira ainda muito jovem, escrevendo fanfics relacionadas à série “Os Instrumentos Mortais”. Só aos vinte anos resolveu escrever “Imperfeito”, primeiro na platafor- ma Wattpad, só depois chegando à Astral Cultural, que estará lançan- do a obra nesta Bienal. Imperfeito conta a história de Daniel, um jovem que, durante a festa de despedida do Ensino Mé- dio, assumirá sua homossexualidade. Agora na faculdade, ele está cheio de dúvidas e angústias sobre como agir, o que fazer. Tudo isso com apenas 18 anos. O autor contou à Nova Millennium que se inspira quando observa pessoas, sejam conhecidas ou não. “Com Imperfeito, tive mui- tos momentos de inspiração com coisas que aconteceram comigo, com amigos e com a incansável onda de preconceito que estamos lutando para quebrar.” Além de Robson, outros autores merecem destaque por escreverem histórias com temática LGBT que fogem dos rótulos, ao mesmo tempo, encantando e emocionando os leitores. São eles: Bill Konigs- berg, autor de Apenas Um Garoto (ed. Arqueiro) e a dupla Vinícius Grossos e Augusto Alvarenga, que escreveram 1 + 1 - A Matemática do Amor (Faro Editorial). Mas se já é difícil vermos his- tórias onde a gorda e o gay figuram em papel de destaque, o que dizer então de pessoas com deficiência? E de portadores do vitiligo? Um dos poucos romances re- centes que alcançou grande sucesso tendo um deficiente físico (tetra- plégico) como protagonista foi o best-seller “Como Eu Era Antes de Você”, da inglesa Jojo Moyes. Mas, e no Brasil, quantos escritores se aventuraram a escrever uma trama em que um cadeirante (ou portador de alguma dificuldade motora) tem papel de destaque? Ou que, pelo menos, ele termina a história de maneira cabível, em vez de morrer ou se recuperar milagrosamente? Se quase não vemos portadores de alguma deficiência em livros, que dirá então de portadores do vitiligo? Segundo o site da Sociedade Bra- sileira de Dermatologia, a doença “forma-se devido à diminuição ou ausência de melanócitos (as células responsáveis pela formação da me- lanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. As causas da doença ainda não estão claramente Robson Gabriel É só utilizando as minorias e mostrando que são tão normais quanto os padrões, que estes estereótipos podem ser quebrados 19
  20. 20. 20 estabelecidas, mas fenômenos au- toimunes parecem estar associados ao vitiligo. Além disso, alterações ou traumas emocionais podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença.” Ainda segundo a SBD, o vitiligo não é contagioso, tampouco altera a saúde física e mental do paciente, mas, como a sociedade ainda não aprendeu a conviver com os porta- dores dessa doença, costuma olhar com nojo e desdém e, claro, isso impacta diretamente na auto-estima e qualidade de vida da pessoa, o que pode acarretar no desenvolvimento de outros males. Na contramão disso tudo, Walter Tierno ousou e lançou este ano “Como Tatuagem”, pela Verus. Porém, até chegar a essa história, o autor passou por diversas situações. Ele começou sua carreira literária no ano 2000, ao lançar uma HQ. Mas, por ter cometido diversos erros, a publicação foi um fiasco e ele só vol- taria a escrever dez anos depois. Após lançar “Cira e o Velho” (publicação independente), “Anardeus - No Calor da Destruição” (em 2013, pela Giz Editorial) e “Amor de Todas as Cores” e “De Pai para Filho” (dois livros de colorir lançados em 2015 pela BestSeller, selo do Grupo Re- cord), ele presenteia os leitores com duas histórias de superação que, ao se unirem, mostram ao público que nada é impossível. Como Tatuagem nos apresenta Artur, um típico playboy. É rico, superficial, egoísta, mimado, tem tudo nas mãos, até que um grave acidente interrompe sua vida. Para ajudá-lo na recuperação, é contra- tada a fisioterapeuta Lucia, que é portadora do vitiligo e tem apenas a mãe ao seu lado. Até que seu apoio materno deixa de existir, e junto com Artur, ela descobrirá o que é o amor e tudo mais que envolve este lindo sentimento. Para escrever este livro, o autor precisou pesquisar bastante. Sua leitora beta, que ele identificou como Carol, é portadora do vitiligo. Também conversou com a fisiote- rapeuta Mariana dal Chico, que lhe explicou seu dia-a-dia, além de ter abordado com detalhes a recupera- ção de amputados. É necessário discutir a repre- sentatividade em todos os aspectos, porque, desse modo é que os estere- ótipos e rótulos são desconstruídos. Quando um negro, uma gorda, um gay ou uma cadeirante protagoni- zam (ou tem papel de destaque) em um livro, pode parecer um pequeno passo, mas é um grande salto na quebra de paradigmas. Segundo Walter, a representa- tividade deveria ser algo natural ao escritor. “Eu acredito que, muito mais importante que escritores darem espaço a personagens repre- sentativos, é aumentarmos o espaço para a diversidade de escritores e escritoras.” Já para Robson Gabriel, é complicado escrever sem cair nos estereótipos, é necessário primeiro desconstruir pensamentos e encon- trar uma solução dentro do próprio rótulo. “É só utilizando as minorias e mostrando que são tão normais quanto os padrões, que estes estereó- tipos podem ser quebrados.” Representa- tividade RacialO debate sobre a questão racial acontece há séculos e é necessário que isso aconteça desde cedo. A educação é fundamental para acabar com o racismo, afinal uma criança não nasce preconceituosa, ela se tor- na pelo que vê na sociedade. E para que não existam adultos preconcei- tuosos é imprescindível a existência Walter Tierno Muito mais importante que escritores darem espaço a personagens representativos, é au- mentarmos o espaço para a diversidade de escritores e escritoras 20
  21. 21. 21 de livros com personagens negros nas livrarias, porém, esses ainda são difíceis de encontrar. Uma criança precisa exercer sua capacidade imaginativa se colocando no lugar dos protagonistas, isso faz parte do desenvolvimento, mas como os pequenos poderão se espelhar se não temos muitos materiais na mídia para eles? Isso sem contar com todos os estereótipos raciais que ainda exis- tem nos filmes, novelas e literatura. José Manuel Alvarez começou sua carreira em 2013, na plataforma Wattpad, publicando semanalmente seu romance Amor Infinito, sendo posteriormente convidado a lançar a obra pela editora Tribo das Letras. A obra futurista conta a história de almas gêmeas e reencarnações, mas sem focar na religião, fugindo da mesmice “onde a jovem pobre e ingênua se apaixona por um CEO da corporação onde trabalha” e com muito mistério foi bem recebida pelos leitores que comentavam ao final de cada capítulo postado na plataforma. Alvarez explica que quando começou a escrever seu livro, tinha certeza que haveria uma protago- nista negra. “Eu optei por casais mistos para reforçar esta minha crença antiga de que não há limite racial ou étnico para o amor. Acho que isso deveria ser mais destacado na nossa literatura. Escrever sobre famílias negras e brancas juntas, não destacadas em nichos, mas integra- das” explica o autor. Já o escritor Oswaldo de Camar- go começou sua carreira cedo. Aos 16 anos já escrevia poemas rimados, mas só aos 35 resolveu iniciar a produção em prosa. Considera-se um herdeiro de buscas culturais de negros do país e propaga isso em suas obras. Seu livro de contos “O Carro do Êxito” é considerado uma ficção mesclada com a realidade: “me inspiro bastante na sociedade negra paulistana, em meu pai, que era analfabeto, em situações que vejo e em pessoas que encontro nas ruas” explica o autor. Para Oswaldo, a falta de repre- sentatividade acontece historica- mente, desde a abolição até os dias de hoje. “Para quebrar estereótipos é preciso conhecer a história do negro e saber interpretá-la. Não é só a literatura que o negro escreve que vai ajudar nisso, mas acredito na sua importância.” Alvarez acredita que o tema não pode perder força de debate: “todos somos o povo brasi- leiro, que não é uma ou outra etnia separada, mas uma união de todas elas. Quanto mais isso é destacado e incluído nas artes e literatura, maior será o crescimento enquanto brasileiros, enquanto raça humana”, finaliza o autor. Pode parecer um desafio, mas quebrar as barreiras desse mercado despertando o interesse das pessoas e ensinar a importância da repre- sentatividade é o primeiro passo para obras com mais pluralidade e criatividade. Até porque falta muita imaginação a quem só consegue enxergar heróis de uma maneira só. Para quebrar estereóti- pos é preciso conhecer a história do negro e saber interpretá-la Oswaldo de Camargo Não há limite racial ou étnico para o amor José Manuel Alvarez 21
  22. 22. 22
  23. 23. 23
  24. 24. 24 D istopias, terror, co- médias, sobrenatural, romances… A quan- tidade de gêneros é infinita para agradar a todos os tipos de leitor. Com um livro é possível conhecer outros lugares e épocas que nunca imaginaríamos conhecer. Um exemplo disso são os romances de época. Responsáveis por nos mostrar a sociedade no tempo da aristocra- cia, esses romances estão ganhando cada dia mais espaço nas prateleiras. Você sabe a diferença entre Ro- mance de Época e Romance Históri- co? Pode parecer que não, mas há uma diferença entre os gêneros. Segundo a RWA (Romance Writers Of America), todos os romances têm uma história de amor central e um final emocionalmente satisfatório. Além disso, um roman- ce pode ter qualquer tom ou estilo, ser definido em qualquer lugar ou tempo e ter diferentes níveis de sen- sualidade. Sabendo disso, é preciso entender quais conceitos separam os dois gêneros. O Romance Histórico surgiu no início do século XIX, e tinha como característica a reconstrução dos costumes, falas e instituições do passado. Seu enredo se concentra no romance entre o herói e a heroína e tem como pano de fundo uma mes- cla entre fatos históricos e fictícios. Já o Romance de Época é um subgênero do Romance Histórico. Suas obras estão mais preocupadas com os hábitos e costumes de uma época e não com fatos históricos. A maioria dos enredos mostra a sociedade no período vitoriano, valorizando costumes como etiqueta social, moda, passeios, festas e afins. Outros fatos presentes são a fragilidade da mulher, casamento por conveniência e diferenças entre as classes sociais. Autoras como Loretta Chase, Lisa Kleypas, Tessa Dare, Patricia Uma breve viagem no tempo Através dos livros é possível viajar no tempo, basta apenas encontrar um local de tranquilidade e deslocar-se sem fazer força. Por Ana Paula Miranda 24
  25. 25. 25 Cabot e Julia Quinn ganharam mais espaço em nossas livrarias há alguns anos e não demorou muito para surgirem autoras do gênero no país. Em 2013, a Editora Arqueiro publicou três Romances de Época de uma única vez. Uma forma de difundir o gênero e agradar aos fãs já existentes. Com esse boom, foi mais fácil para as autoras nacionais demonstrarem seus talentos e conhecimentos sobre a vertente literária. No Brasil, nomes como Lucy Vargas, Roxane Norris, Veridiana Maenaka e Babi A. Sette são conhecidos e chamam a atenção das leitoras. Babi começou sua carreira com o romance contemporâneo Entre o Amor e o Silêncio, lan- çado pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, da Novo Século Editora, e logo conquis- tou a admiração de milhares de leitoras que esgotaram os exemplares em poucos meses. Mesmo com o sucesso da obra, a autora resolveu mudar totalmente o rumo de sua carreira lançando dois romances de época. Os livros da série Flores da Temporada foi lan- çado pelo selo oficial da mesma editora. Mas se você pensa que a autora resolveu mudar o estilo por tendência, está mui- to enganado. Romance de Época sempre foi o gênero favorito dela, o que faci- litou na hora de compor as obras. “Tenho um pezinho no século passado, me sinto mais à von- tade em escrever romance de época que outros gêneros”, afirma Babi em entrevista à Nova Millennium. Para a autora, se analisarmos his- toricamente, a tendência demorou para chegar no país. Ela comentou também o trabalho redobrado que tem ao compor um livro, já que as pesquisas precisam ser muito mais específicas e completas. “Durante a escrita, normalmente vem uma dúvida ou outra. Por exemplo, qual a caneta usada na época, ou lampari- nas e outros objetos, daí paro tudo e recomeço a pesquisa. Mas o fato de ler muito sobre o assunto me ajuda a compor o livro”, explicou. Para ela, a tendência é que os Romances de Época cresçam cada vez mais no país, incenti- vando e trazendo nossos talentos para nossa literatura. Fã das redes sociais, Babi diz que não imagina como seria a divulga- ção sem o auxílio dos fãs. “As redes sociais são importantes em dois pontos: primeiro por disponibilizar as informações e o outro ponto é poder conectar as pessoas com gostos em comum. A leitura hoje é uma experiência muito mais rica”. Quando questionada sobre eventos literários, ela acredita ser indispen- sável para estreitar o laço autor x leitor. “Os eventos literá- rios são de extrema importância para es- treitar laços e troca de experiências, além de podermos conhecer novas obras”, finaliza. Babi autogra- fará e divulgará os livros da série Flores da Temporada no estande da Novo Século Editora, durante os finais de semana do evento. Os eventos literários são de extrema importân- cia para estreitar laços e troca de experiências, além de podermos co- nhecer novas obras Babi A. Sette 25
  26. 26. 26
  27. 27. 27 Jovens escritoras brasileiras que estão encantando os leitores com seus contos interativos E voluir é preciso, e a literatu- ra todo ano nos presenteia com novos talentos. A preocupação com os que os jovens vêm lendo aumenta a cada dia, isso porque os livros estão sendo trocados por mensagens de 140 caracteres, textos resumidos e vídeos que explicam tudo sem a ajuda da literatura tradicional. O que prejudica não só as grandes livrarias e escritores, mas também a nossa cultura literária. Quem não conhece alguma his- tória que, antes de virar um livro de sucesso, ou até mesmo uma trilogia, era uma fanfic? Esse foi o caso do livro After, da escritora Anna Todd, que teve um bilhão de acessos em sua história fictícia, na plataforma de leitura Wattpad, e graças a isso Por Angela Rocha 27
  28. 28. 28 sua história se tornou um livro – que acabou virando uma série, com cinco volumes. Para quem não está familia- rizado com o termo fanfic (ou fic ou ainda fanfiction): são histórias fictícias criadas por e para fãs. Como a história de Todd, que foi baseada na banda One Direction, que fez muito sucesso no mundo e hoje deu uma pausa na carreira; já seus livros continuam sendo um sucesso. Outra escritora desse universo fictício que faz bastante sucesso, é a escritora e blogueira Babi Dewet. Uma carioca que atualmente vive em São Paulo, formada em Cinema e autora da trilogia “Sábado à Noite” (SAN), lançada em 2012. Babi escrevia para o site Fanfic Addiction, uma plataforma online para quem gosta de ler e escrever histórias interativas. O site, na épo- ca, tinha um grande número de fãs do McFly, uma das bandas favoritas de Dewet. Sua fic Sábado à Noite não está mais disponível no site Addiction, porque, devido ao seu grande número de acesso e sucesso com os leitores, acabou sendo lançada pela Editora Generale. Mas, ainda podemos encontrar outras histórias escritas por ela no site, como Por Um Momento, Por um Outro Mo- mento, Quero ser Famoso e Um Bem Mal Entendido, que foi sua primeira história escrita. A primeira edição lançada de SAN foi independente, feita com a ajuda de alguns amigos, que saiu em julho de 2010. Ela esteve na Bienal do Livro de São Paulo do mesmo ano, onde, sozinha, conseguiu vender 200 livros. No ano seguinte, Babi bateu a marca de mil livros esgotados, e assinou com a editora Évora para o lançamento da versão definitiva da trilogia. Depois de SAN ela recebeu um convite para participar da criação do livro “Um Ano Inesquecível” (UAI), que foi lançado em agosto de 2015, em parce- ria com as blogueiras e autoras Bruna Vieira, Paula Pimenta e Thalita Rebouças. Este ano, após a 24ª Bienal Internacional de São Paulo, Babi estará em turnê pelo Brasil para divulgar o seu mais novo livro “Sonata em Punk Rock”, da sua trilogia Cidade da Música. E em entrevista exclusiva à Nova Millennium, ela nos conta mais sobre seu mundo literário. Nova Millennium: Como começou o seu envolvimento com a escrita? Babi Dewet: Sempre gostei de ler e escrever porque minha mãe me incentivava e enchia minha casa de livros. Com 15 anos, descobri a internet, Harry Potter e fanfics, daí comecei a escrever para as outras pessoas, o que acho que iniciou minha carreira como escritora de alguma forma. Babi Dewet Sempre gostei de ler e escrever porque minha mãe me incentivava e enchia minha casa de livros.
  29. 29. 29 NM: Alguém do mundo literá- rio te inspirou? Dewet: Definitivamente a JK Rowling, o Pedro Bandeira e, mais tar- de, o André Vianco, quando eu decidi me publicar de forma independente. NM: Você fez faculdade de cine- ma, por que escolheu esse curso? Dewet: Eu sempre gostei de filmes, de roteiros, de produção e tudo mais. Pelo fato de escrever mi- nhas histórias pensando em formas mais visuais, então a faculdade foi importantíssima na minha formação como escritora. NM: Qual foi sua maior dificul- dade para produzir seu primeiro livro? Dewet: Primeiros livros são normalmente mais difíceis. A gente tem pouca experiência e precisa se esforçar muito pra abrir algum lugar no mercado literário. Meu primeiro livro foi independente e, naquela época, não existiam plataformas como Amazon ou Wattpad, por exemplo. Lancei por uma gráfica e o processo foi incrível, mas não foi fácil. Acredito que a parte de venda e divulgação do independente seja a maior dificuldade, normalmente. NM: Sobre Um Ano Inesque- cível, como foi a parceria com a Paula Pimenta, Bruna Vieira e a Thalita Rebouças? Dewet: Foi incrível! A editora que juntou todas nós e as três me aceitaram superbem. Foi uma expe- riência impagável! NM: Alguma dica para quem quer escrever um livro? Dewet: Estudar o mercado editorial, as editoras, livrarias, gráficas, o processo de produção do livro e tudo mais. Fazer cursos, perguntar, conhecer novos autores e editores, participar de eventos e investir na sua carreira. Tudo isso é necessário e faz com que o autor novo não seja só mais um ou se sinta um peixe fora d’água no meio de todo mundo. NM: Qual livro você recomenda aos nossos leitores? Dewet: Recomendo o livro Os Sete, do André Vianco, que me ensinou muito ao incluir cenários comuns ao leitor brasileiro, entre outros detalhes de narrativa. NM: Sonata em Punk Rock é o primeiro livro da série Cidade da Música. Serão três volumes não seriados. De onde veio esta ideia? Dewet: A editora queria um livro sobre música e jovens, daí sentamos e discutimos essa ideia. Foi algo conjunto, mas dentro da ideia da Gutenberg mesmo. A editora já sabia do meu estilo e queria algo que pudesse dar continuidade a isso. NM: Em SAN e no seu novo li- vro vemos muito sobre música, ela te ajuda bastante a escrever seus livros? Dewet: Muito! Grande parte da minha inspiração vem das músicas e dos clipes e cenas que eu tento ima- ginar que elas proporcionam. Acho que normalmente músicas explicam sentimentos muito melhor que palavras, então unir isso aos livros pra mim faz muito sentido. NM: Você ainda tem contato com fãs que liam SAN antes de virar um livro? Dewet: Com muitos! E é incrível. Em todo evento tem algum leitor que lia as fanfics desde o início, e isso tem quase 10 anos! É muito emocionante e eu me sinto muito abençoada por isso. NM: Quais são os seus planos? Próximos projetos? Dewet: Estou bem focada na série Cidade da Música, então ainda são meus próximos projetos e meus objetivos pros próximos anos! NM: Qual a importância da Bienal pra você? Dewet: Bienal é onde a gente encontra leitores de várias partes do país, onde conhecemos novos leito- res, novos autores, editores e vemos o mercado literário funcionar a todo vapor na nossa frente. É incrível, essencial e importantíssimo pra todo mundo que gosta e se importa com a literatura, inclusive nacional. Babi Dewet Grande parte da minha inspiração vem das músicas, dos clipes e cenas que eu tento imaginar que elas proporcionam.
  30. 30. 30 D esde o lançamento da trilogia “50 Tons de Cinza”, a literatura erótica está no centro das atenções. Polêmica e preconceito moralista estão relacionados ao gênero desde tempos imemoriais. Os três livros, escritos por E.L. James, se tornaram um fenômeno editorial. O sucesso foi tanto, que em 2012, a autora foi considerada pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo e, em 2013, entrou para lista das 100 celebridades mais poderosas do mundo, segundo a revista Forbes. A trilogia teve mais de 15 milhões de livros vendidos nos EUA em quinze dias após o lançamento, superando o recorde de “O código da Vinci” e “Harry Potter”. No mesmo ano de 2013, a Forbes divulgou uma lista de autores bem mais pagos do mundo e E.L. James estava em primeiro lugar, tendo arre- cadado 95 milhões de dólares entre junho de 2012 e junho de 2013. Mas ela não é a única. Outros nomes, como a americana Sylvia Day, autora da série “Crossfire”, a espanho- la Megan Maxwell, reconhecida pela trilogia “Peça-me o Que Quiser” e a brasileira Josy Stoque, que escreveu o best-seller “Não Espere Pelo Amanhã” são exemplos de como o gênero está cada vez mais consolidado pelo pú- blico feminino. Mas nenhuma delas revolucionou como E.L. Livros eróticos existem há mais tempo do que podemos imaginar, entretanto, 50 tons conquistou um novo público trazendo um novo olhar sobre “amor é saber ouvir um não”. E.L. parece ter feito a trilogia especialmente para o público femi- nino, e sua tática funcionou, ainda mais na sociedade atual, em que as mulheres conquistaram muito mais direitos que não possuíam em outras épocas, empoderamento e liberdade são as palavras chave para que elas possam mergulhar nessas histórias com mais intensidade. A trilogia conta a história de Anastasia Steele, uma jovem de 22 anos, estudante de literatura inglesa, que procura um emprego na área editorial; além disso, ama passar ho- ras na frente de um livro. Ana nunca esteve em um relacionamento sério, apesar de mexer com a libido de to- dos os homens com quem convive, como José, o amigo de faculdade, e Por que livros eróticos chamam tanto a atenção das mulheres e coíbem os homens? Não é só de best-sellers que a literatura erótica é feita, porém E.L. James conseguiu chamar atenção mais do que qualquer outro escritor Por Angela Rocha 30
  31. 31. 31 Paul, filho do dono da Clayton’s, a loja de material de construção onde trabalhou por um tempo. Steele divide um apartamento com sua amiga Kate Kavanagh, que está se esforçando para ser uma grande jornalista. Kate consegue agendar uma entrevista para o jornal da faculdade com o requisitado Christian Grey, um empresário muito importante, que não gosta de aparecer na mídia. Com Christian sendo um dos benfeitores da faculdade, acaba fi- cando mais fácil para Kate conseguir a entrevista, entretanto ela acaba adoecendo, e então pede para Ana ir em seu lugar. Como Ana não conse- gue dizer não acaba cedendo, e indo até a cidade para encontrar o CEO. Ao chegar ao edifício, Ana fica impressionada e deslumbrada pelo lugar. Finalmente o conhece. Chris- tian é um CEO poderoso, educado, bonito e bem-sucedido, e essas informações a deixam muito mais nervosa. Por trás de todo esse poder existe um homem com problemas no passado. Alguns dias depois, Ana en- contra Christian na loja na qual ela trabalha, e ainda muito intrigada, pergunta se pode tirar umas fotos dele para o jornal da faculdade. Ele diz não ver problemas, e entrega o seu cartão para Ana, explicando que ficará na cidade da faculdade durante o final de semana. E assim começa a história de Anastasia Steele e Christian Grey. Estamos vivendo uma mudança sobre o que pode ser considerado amor, possivelmente o livro seja o tipo de amor perfeito para alguns, e banal para outros. Se tivessem sido publicados em outra época, esses livros fossem condenados em vários países e até queimados. Muitos leram e viram pre- conceito por parte da autora na hora de descrever Anastasia como a submissa, mas por quê? Se ela não fosse a submissa, mas sim a dominadora, obviamente, alguém reclamaria. “Por que a dominadora? Por que ela é louca?” Christian além de dominador, também é possessivo e ciumento. Muitas leitoras amaram o modo com que a história foi se passando, de como fazia tudo por ela. Quem não gostaria de ganhar presentes caros, carros novos, joias, festas e um homem louco por você? Muitas sim… muitas não. Para cada pessoa o amor se manifesta de uma forma, cada um tem sua forma de se doar. Há quem goste de ser dominado e quem goste de dominar. O primeiro livro do romance virou filme, e a segunda parte irá para as telas do cinema no ano de 2017. O trailer, liberado no dia 13 de setembro, foi o mais visto do ano em apenas algumas horas. Esse jogo de poder, domínio e amor deixa muitas mulheres com brilho nos olhos. Um conto de fadas moderno que mexe com o lado mais sedutor da mulher. Quem sabe? Já Christian, pode ser conside- rado sadomasoquista? Talvez seu apetite seja pelos jogos sexuais, pelo poder. Ele não gera prazer com dor. Um sadomasoquista se excita ao ver a dor nos outros e só para depois de seu prazer total. O CEO, ao contrá- rio, gosta de se sentir no poder, mas sabe a diferença entre os dois. Ou seja, ele só quer dominar, ter o poder nas mãos, e não o sofrimento, que é algo que ele carrega há muito tempo.
  32. 32. 32 Agências Literárias: um novo modelo de gerenciamento de carreiras de novos autores Conversamos com Alba Marchesini, da Increasy Consultoria Literária, e tiramos suas dúvidas sobre essa nova forma de estar no mercado editorial Por Ana Paula Miranda
  33. 33. 33 E m apenas cinco minutos navegando em alguma rede social, é possível encontrar reclamações sobre a com- petitividade no mercado editorial. Com o auxílio de plataformas como Wattpad, Widbook e até mesmo o KDP da Amazon, ficou muito mais fácil ser um autor inde- pendente e conquistar seu próprio público, muitos inclusive conquis- taram fama e contratos em grandes editoras por seguir esse caminho, como Anna Todd, FML Pepper, Sophie Jackson, entre outros. Para o sucesso, não existe uma fórmula mágica, nem sempre os mesmos caminhos que o autor A seguiu trará frutos para o autor B. Por isso é necessário conhecer bem o mercado e entender o público que você quer atingir. Pode parecer fácil, mas nem sempre é. O surgimento de Agências Lite- rárias traz um alívio para os jovens escritores que almejam ter suas obras publicadas. E foi justamente com o intuito de auxiliar os novos profissionais que surgiu a Increasy. O empreendimento é tocado por cinco sócias que já trabalhavam no ramo fazendo análises críticas, de mercado e revisões e, por terem conhecimento, procuram propor- cionar ao escritor um suporte “não apenas de melhoria no seu texto, como adequação de linguagem e gênero”, conta Alba Marchesini. Após o autor finalizar sua obra, as agências literárias também trabalham junto a editoras para acompanhar as vendas, ou seja, elas preparam o profissional desde o princípio até a obra chegar às lojas. Porém, é necessário entender que uma Consultoria Literária não é o mesmo que Assessor de Imprensa, ou seja, eles não trabalham com divulgação na mídia. É perceptível a importância do trabalho de um agente literário ex- periente, uma vez que ele apresente um determinado livro no momento certo – por exemplo, no ápice de um gênero –, se torna um elemento fundamental para que o contrato aconteça. Outra vantagem é que, caso o contrato seja aprovado, esse profissional vai poder te auxiliar com cláusulas abusivas e acompa- nhar todo o processo de produção. É comum ver pequenas editoras com promoções incríveis para o lan- çamento de uma obra, mas é neces- sário tomar cuidado ao se arriscar na carreira porque, em alguns casos, o autor pode até ser enganado. Uma vez lançado, o livro fará parte da sua história para sempre. Alba aconselha que não se aventure sozinho, para ela é necessário ter um bom network. “Procure um profissional que tenha boas indi- cações e independentemente de a publicação ser paga ou não, nunca se veja como um escritor pronto. Escrever é a arte de estar sempre em evolução” finaliza.
  34. 34. 34 M uitos de nós, que já passamos dos vinte ou trinta anos, nos lembramos com saudosismo da infância. Seja brincar de bola, pipa, boneca ou assistir os desenhos animados matinais, muitas crianças dividiam seu tempo com os livros. Seja para alfabetizar, para ter uma boa noite de sono ou simplesmente para se divertir, as crianças de nossa época mergulhavam em diversas his- tórias feitas especialmente para essa faixa etária. Quem nunca se aventu- rou com o Cachorrinho Samba, de Maria José Dupré, ou sonhou estar em alguma história de Ruth Rocha? Porém, com o advento da tecno- logia e a facilidade do brasileiro em comprar um smartphone ou tablet, as crianças, desde muito cedo, estão sendo induzidas a trocar as tradicio- nais brincadeiras pelo celular. E isso é errado. É legal brincar no celular, mas será mesmo que vale a pena expor os pequenos a infinidade de jogos e aplicativos? Nossa sociedade se acostumou ao imediatismo. A criança faz birra? Dá o celular que ela fica quieta! E assim, nossas crianças vão crescendo mimadas e mais imediatistas ainda. E o que os livros têm a ver com isso? Tudo! Quando uma criança faz birra (o que, na maioria das vezes, é resultado de uma má criação ou má influência), por que não dar um livro ao invés do bendito aparelho celular? Ou melhor, não precisa esperar a criança abrir o berreiro, que tal você ler a história para ela (caso ela ainda não saiba ler) ou pedir para ela lhe contar a história, incentivando não só a leitura, mas também ampliando o vocabulário. Tudo isso passa pelo costume. As crianças repetem o que os pais fazem. Se os pais não desgrudam do celular, é claro que elas vão querer também (sem falar que, se não desgruda do telefone, provavelmen- te não dá a atenção adequada aos filhos, mas isso é outra história…) Que tal então, você começar a ler com mais frequência? Claro, você dirá que não tem tempo, porque precisa cuidar da casa e dos filhos e se você for mulher, talvez dirá que trabalha fora. Entendo, realmente a tripla jornada é algo complicado. Mas, apenas tente. Leia no transporte público, numa fila, no ponto de ônibus, na hora de almoço… as oportunida- des são muitas. E não é por falta de títulos e autores, poderia citar milhares deles, mas, que tal, além das já citadas Du- pré e Ruth Rocha, arriscar uma obra do americano Mac Bernett, autor de “Os Dois Terríveis”, ou a sueca Astrid Lindgren e sua Píppi Meialonga, a russo-brasileira Tatiana Belinky e seus mais de 250 títulos… Enfim, há uma imensidão de autores recomendados para crianças. Porém, para isso, antes de pensar em dar um smartphone ou tablet para a criança se entreter, pense em dar um livro: ele não é só uma história escrita em um papel, é uma oportunidade de viajar em um mundo diferente – ou até mesmo a chance de você pode criar seu pró- prio mundo dentro da história. Agora, pare e pense: que tal você dar o exemplo e, antes de mais nada, desgrudar por um momento do seu próprio celular? Como despertar o interesse dos pequenos pela literatura quando eles já nascem com um smartphone na mão? VS Tecnologia Livros infantis Por Kamila Ferreira
  35. 35. 35
  36. 36. 36

×