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Os brinquedos e o brincar na primeira infância - Formação de educadores ecobrinquedistas

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“Muito mais do que mostrar brinquedos interessantes, é preciso transpor barreiras internas que dificultam aos(as) educadores(as) vivenciar livremente o brincar 'como se fosse uma criança'. Não de modo infantilizado, mas em toda a sua potência criativa, o brincar que flui de dentro, que transborda, mediado pelos materiais e pela presença dos outros participantes.”

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Os brinquedos e o brincar na primeira infância - Formação de educadores ecobrinquedistas

  1. 1. Renato M. Barboza OS BRINQUEDOS E O BRINCAR NA PRIMEIRA INFÂNCIA FORMAÇÃO DE EDUCADORES ECOBRINQUEDISTAS Campinas julho 2016
  2. 2. Esse material pode ser reproduzido total ou parcialmente, desde que sem fim comercial e que seja citada a fonte. VERSÃO PRELIMINAR
  3. 3. Recado aos leitores Você que olha esta apostila, observe-a com cuidado, porque ela é para quem gosta de imaginar... brinquedos, jeitos de brincar, coisas para brincar, coisas que não são para brincar mas poderiam ser. Feita para quem gosta de criar porque brinca e brinca enquanto cria! Aqui você encontrará uma proposta de formação para educadores da primeira infância. Porém, não espere uma receita pronta, muito além disto, você encontrará um conjunto de materiais, objetos e ideias que lhe auxiliarão na incrível jornada que é a constante composição e recomposição de espaços para o brincar. Perceberá que o desafio proposto é instigá-lo a pensar: o que é ou pode ser brinquedo? Uma provocação que nos conduz a uma sensibilização do olhar, que propõe uma ampliação do repertório sobre o que é possível utilizarmos para potencializar o brincar. Para o autor os adultos que convivem com crianças e tem a oportunidade de oferecer-lhes espaço, tempo e possibilidades para o brincar devem se considerar brincantes também. Chamo de oportunidade pois é nesta convivência que este adulto pode experimentar se expressar compondo espaços para brincar que sejam atraentes para eles e para as crianças. Quanto mais o adulto cria, explora, inventa, carrega de significados sua relação com os objetos/materiais que ele dispõe em um espaço para brincar, maior a possibilidade de que assim também seja com aqueles que se apropriam dele. Tendo claro que este foi apenas um jeito
  4. 4. de fazê-lo, pois as apropriações podem ser muito diferentes do pensado e esta é a riqueza de um ambiente que estimula a curiosidade e a descoberta. Por fim, é um convite a trazermos estes processos de reflexão para o dia a dia, nos tornando atentos e receptivos ao que nos rodeia, pois é do inusitado que surgem ideias interessantes. Sandra Aparecida de Siqueira 1 1 Formada em Educação Física e Mestre em Educação. Educadora do Espaço de Brincar Sesc Campinas.
  5. 5. APRESENTAÇÃO “O tipo mais eficiente de educação é aquele no qual a criança brinca com coisas encantadoras” Platão O brincar é a atividade principal da criança! Denomino “brincar” toda ação lúdica surgida como uma ação livre, iniciada e conduzida pela criança, onde esta aprende a se relacionar com o mundo, consigo mesma e com outras pessoas, desenvolvendo sua capacidade de tomar decisões e expressar sentimentos e valores. O brincar é a ferramenta com a qual a criança se expressa, aprende e se desenvolve. Mesmo sendo uma ação inerente a criança, seu repertório de brincadeiras é um processo construído através da vivência e por meio das interações com outras crianças, com adultos, com o ambiente e com os objetos e brinquedos. É manuseando e explorando que a criança reconhece as diferentes formas, cores, sons, materiais, cheiros, sabores, texturas e
  6. 6. temperaturas que compõem o mundo sensorial que a rodeia. Sensibilizar o(a) educador(a) para essa perspectiva é o desafio que busco através dessa proposta de formação. Muito mais do que mostrar brinquedos interessantes, é preciso transpor barreiras internas que dificultam aos(as) educadores(as) vivenciar livremente o brincar “como se fosse uma criança”. Não de modo infantilizado, mas em toda a sua potência criativa, o brincar que flui de dentro, que transborda, mediado pelos materiais e pela presença dos outros participantes. Essa tarefa exige que o encantamento gerado seja genuíno, que os materiais e as dinâmicas resgatem no educador a criança que esta foi um dia e que talvez esteja a muito esquecida. Assim, a partir desse resgate é que o educador se potencializa, tornando-se capaz de pensar, elaborar e construir propostas lúdicas que desafiem e envolvam as crianças, gerando assim espaços de infância mais encantadores. Renato M. Barboza
  7. 7. COORDENADOR Renato Matos de Lopes Torres Barboza Carioca graduado em arquitetura e urbanismo pela UFRuralRj e com mestrado em engenharia urbana pela UFSCar. Após formar-se, repensou toda sua formação acadêmica e se reinventou tornando-se ecobrinquedista e arte educador. Capacitou-se e encontrou assim sua arte, buscando nos brinquedos sua arquitetura e nos materiais reutilizáveis sua matéria-prima. Desde 2008 desenvolve diferentes linhas de atuação relacionadas com a reflexão sobre as potencialidades dos materiais reutilizáveis como recurso para o brincar e na busca da autonomia na construção de brinquedos. Encantou-se pela cultura da infância e hoje promove a irradiação do que aprende, multiplicando e formando multiplicadores das riquezas produzidas pela infância. Realiza formações com grandes grupos de educadores, colocando-os para brincar, vivenciar e refletir sobre a importância dos materiais na construção do lúdico. Além disso, já realizou exposições, intervenções lúdicas e
  8. 8. ministrou diversas oficinas com crianças, adultos e famílias em diferentes unidades do SESC-SP, e em espaços como CRAS, comunidades religiosas, áreas de preservação, shoppings e clubes. É um estudioso do que faz e repensa suas ações, renovando constantemente suas metodologias e ampliando seu repertório de materiais, brinquedos e brincadeiras. Telefone: (19) 9.93132777 (Whatsapp) E-mail: renatombarboza@gmail.com Blog: www.renatombarboza.blogspot.com.br
  9. 9. SUMÁRIO Introdução 11 Ferramentas 13 Materiais 15 A formação 18 Mandala de Brinquedos 19 Jogos 20 Formas & Cores 23 Sensorial 25 Empilhar & Encaixar 28 Equilíbrio 31 Pesos & Texturas 34 Som 36 Bolas 40 Fantasias & Acessórios 43 Dinâmicas e brincadeiras 45 Para saber mais 49
  10. 10. INTRODUÇÃO Lúdico, palavra que representa a ação realizada de forma livre e espontânea, que visa mais ao divertimento do que a qualquer outro objetivo. Tem o brinquedo como parte de sua materialidade e a brincadeira como uma de suas principais manifestações. Mas será que todo brinquedo é lúdico? Será que toda brincadeira é lúdica? Não! Por isso é tão importante refletirmos sobre que brincar e brinquedo estamos falando. Por ser a Atividade principal da criança, é essencial que o brinquedo e a brincadeira potencializem suas experiências e deem o suporte necessário para seu pleno desenvolvimento, que ocorre através da ampla experimentação de seu corpo e da fantasia livre e criativa. A perspectiva aqui apresentada se baseia em uma visão ecossistêmica, que reconhece os brinquedos e brincadeiras como parte importante do conjunto de suportes culturais transmitidos entre as gerações, e que busca compreender e intensificar as relações entre o brincar e o ambiente onde o ser humano está inserido, reconhecendo todas as estruturas e instituições como fontes de matéria-prima e de espaços para promoção deste brincar. O papel do adulto é determinante nas oportunidades de espaço, tempo e materiais que são oferecidos à criança. Os adultos, que podem ser mães, pais, familiares, cuidadores, pedagogos, etc., tem o papel essencial de facilitar esse processo, ofertando espaços seguros, tempos 11
  11. 11. adequados e materiais estimulantes, garantindo assim a estrutura necessária para o brincar se desenrolar. Mas para isso é preciso adultos potentes, que de forma ativa e dinâmica modelem suas práticas educativas no contato com as crianças e com os brinquedos. Surge o importante desafio de compreender que os espaços físicos e os objetos educam, influenciando diretamente o repertório lúdico e cultural das crianças. Mas isso não é uma tarefa fácil, exige uma constante busca de apreender diferentes referências e compreender as potencialidades presentes no mundo que nos cerca, sintetizando esta abundância em conjuntos de objetos que convidem ao lúdico e promovam a reflexão sobre o ciclo desses materiais. Essa formação é também um convite ao desafio de desvendar os ‘materiais reutilizáveis’ como brinquedos que potencializem o brincar. Dá-se início a uma incrível aventura que possibilita uma constante renovação das práticas educativas junto com as crianças. 12
  12. 12. FERRAMENTAS Ferramentas são parte essencial do processo de construção e manutenção dos brinquedos, sendo alguns cuidados muito importantes. • Ferramentas devem ser sempre de boa qualidade e adequadas ao uso a que serão destinadas, • Ferramentas devem sempre ser mantidas fora do alcance das crianças pequenas, de preferência em bancadas ou gavetas e nunca deixadas espalhadas. • As crianças podem desenvolver a capacidade de utilizar as ferramentas de forma segura, mas isso exige a atenção do educador com relação ao tipo de ferramenta e às formas de apresentação e organização que sejam adequadas a cada faixa etária. Crianças devem sempre utilizar equipamentos de proteção quando utilizarem ferramentas elétricas. • Ferramentas com lâminas, como estilete e tesoura, nunca devem ser soltas abertas, devendo permanecer fechadas fora do período de uso. • Ferramentas podem ser perigosas, tanto para crianças como para adultos, se utilizadas de forma inadequada. Atenção à forma de utilização das ferramentas é essencial, por isso, leia sempre o manual e as instruções de segurança da embalagem. • Utilize equipamentos de proteção como óculos e luva sempre que necessário, principalmente se estiver utilizando ferramentas elétricas. • Ferramentas elétricas devem sempre estar desligadas 13
  13. 13. da tomada durante a troca de acessórios (brocas, etc.), e enquanto não estiverem em uso. Abaixo apresento Algumas ferramentas básicas: Tesoura Estilete Lixa Furadores Agulhas Alicates Isqueiro Removedores de colas Serras de Arco Furadeira elétrica Serracopo (Acessório) Microrretífica 14
  14. 14. MATERIAIS Existem inúmeros materiais que podem ser utilizados para construção de brinquedos. Estes podem ser comprados (material de papelaria, artesanato ou construção) ou reaproveitados (sucatas e materiais da natureza). Na construção de brinquedos, os materiais reaproveitados e os naturais devem ser priorizados devido a redução dos custos (permitindo a constante renovação do brinquedo e a fácil aquisição de novas peças no caso de necessidade de reparos) e a grande diversidade existente de cores, texturas, cheiros, formas, tamanhos, etc. Alguns cuidados devem ser tomados no processo de seleção dos materiais que serão utilizados: • Embalagens e outros materiais que entraram em contato com produtos tóxicos (agrotóxicos, metais pesados, produtos de limpeza pesada, etc.) devem ser evitados por apresentarem risco a saúde. • Em brinquedos para crianças pequenas, películas plásticas (sacos, sacolas, etc.) nunca devem estar expostas, por apresentarem risco de asfixia. Cuidado também com peças pequenas, que podem ser engolidas. • Cordões e elásticos devem ter comprimento máximo de 22 cm quando tensionados pois apresentam perigo de estrangulamento (segundo orientação de normas de segurança do brinquedo para crianças até 3 anos). Brinquedos com conexão que apresentem cordas e elásticos devem ser oferecidos sempre sob supervisão de 15
  15. 15. um adulto. • O teste de qualidade do brinquedo artesanal deve ser feito pelo adulto impondo ao brinquedo esforços moderados, simulando assim a exploração intensa que será feita pela criança. Durante o período de testes é comum o brinquedo se mostrar inadequado ao uso devido a fragilidade ou presença de aparas cortantes, exigindo soluções criativas e melhor acabamento. Lembre-se que acabamento é uma qualidade que se aprimora com o tempo, a repetição e a execução atenta, qualidade é mais importante do que quantidade, não se esqueça disso! Abaixo apresento alguns materiais básicos: Papel contact Barbante colorido Fio de malha (trapilho) Elástico roliço Fita de Cetim Tecido 16
  16. 16. Garrafas PET Embalagens plásticas Galões de Água Fita Crepe Fita adesiva Miolos de Fita Adesiva Tubos de Papelão Baldes de Papelão Bobina de nota fiscal Conexões PVC Tubos PVC Soldáveis Retalhos de Madeira 17
  17. 17. A FORMAÇÃO A formação é realizada de forma teórico-prática, com 4 horas de duração, e grupos de 40 a 80 participantes. Têm como objetivo sensibilizar e capacitar educadoras(es) enquanto agentes ativas(os) e críticas(os) na elaboração e transformação de seus ambientes educativos. A proposta é oferecer um espaço de vivência e reflexão propondo dinâmicas em diferentes linguagens com o objetivo de estimular a autonomia de construção de brinquedos e a elaboração de propostas lúdicas inovadoras. Esta divida em três etapas e é permeada por brincadeiras da cultura da infância. 1° Etapa: Vivência lúdica de diferentes brinquedos estruturados e não estruturados, organizados e oferecidos em uma “mandala de brinquedos”, que são explorados de forma livre e espontânea pelos participantes. 2° etapa: Dinâmica e diálogo reflexivo sobre as experiências vivenciadas na 1° etapa e suas impressões resultantes. O objetivo é sensibilizar os participantes com relação a importância de seu papel como mediador dos espaços e materiais disponibilizados para o brincar. 3° Etapa: Construção de pelo menos um dos brinquedos vivenciados pelos participantes durante a 1° etapa. Esta proposta prática tem como objetivo oferecer a oportunidade de experimentação de um processo criativo com aplicação imediata. Os brinquedos construídos são levados pelos participantes ou ficam para o acervo lúdico da instituição. 18
  18. 18. MANDALA DE BRINQUEDOS A mandala de brinquedos é um espaço demarcado sobre o piso, composto por conjuntos de brinquedos estruturados e não estruturados, organizados por temas e vivenciados pelos participantes de forma rotativa durante a 1° etapa da formação. O conjunto de brinquedos é composto por diferentes objetos que apresentam grande variedade de cores, texturas, formas, desafios corporais, tipos de materiais, etc. Eles estão organizados nos seguintes conjuntos temáticos: jogos; formas & cores; empilhar & encaixar; sensorial; equilíbrio; pesos & texturas; som; bolas e fantasias & acessórios. A seguir apresento os conjuntos e detalho os objetos que os compõem. O objetivo não é definir uma proposta definitiva mas apresentar uma das muitas forma de organização desta abundância de materiais existentes e que podem ser utilizados como objetos lúdicos. 19
  19. 19. JOGOS Alguns jogos são capazes de buscar lá no fundo de uma pessoa seu grito de criança, perdido entre os dias atarefados. Um dado lançado, um susto e uma explosão de gargalhas... Corpos que jogam com o equilíbrio entre a tensão e a atenção. • PEGA RATO Participantes: 3 a 6 Componentes: 50 (cinquenta) fichas queijo, um tampão gato, um tabuleiro queijo, 6 (seis) ratos e 2 (dois) dados Preparativos: Cada jogador recebe de 8 a 10 pedaços de queijo, coloca seu ratinho sobre o tabuleiro queijo e o seguram pela ponta do rabinho. Um dos participantes deve ser escolhido para ser o gato. Início do jogo: O gato joga os 2 dados e se a soma resultar em “7” ou “11” ele ataca. O rato que for pego deve pagar ao gato 1 pedaço de queijo. Por sua vez o gato pagará 1 queijo a cada rato que escapar. Se a soma não for 7 ou 11 o gato pode fingir que vai atacar, e os ratos que caírem no truque pagam 1 queijo ao gato. Os ratos também podem 20
  20. 20. tentar enganar o gato e outros ratos. Se o gato atacar quando não deve ele paga 1 queijo para cada rato que não saiu do tabuleiro. Mas se o gato errar e o rato fugiu de susto, houve empate e ninguém pega queijo. A cada três jogadas de dados troca o gato: o participante com o gato deve entregá-lo ao jogador à sua esquerda, trocando pelo rato deste. Fim de jogo: O jogo termina quando acabarem os pedaços de queijo de um dos participantes, ganha quem tiver mais pedaços de queijo. Variação: Outros tipos de dado podem ser utilizados: um dado de “6” (tendo como referência os números 3 ou 6), dado de cores (primária e secundárias), dado de sinais matemáticos, dado de gato (duas faces gato e quatro faces “X”) ou apenas a fala, em voz alta, ideal para jogar com crianças pequenas (contagem 1, 2, 3!). 21
  21. 21. • DEDO CORES Participantes: 3 ou mais Componentes: conjunto de elásticos de cabelos de diferentes cores (cerca de 60 elásticos). O jogo pode conter um molde de mão em madeira, acrílico ou mdf (opcional). Preparativos: todos os elásticos devem ser espalhados pelo chão em meio a uma roda com todos os participantes. Um dos participantes deve ser selecionado como “mão da vez”. Início do jogo: O participante “mão da vez” deve separar um elástico de cada cor e de forma reservada montar na própria mão (ou no molde de mão) um gabarito. Após finalizado o gabarito, este deve mostrar aos outros participantes, que devem repetir o gabarito em qualquer uma de suas mãos. Fim de jogo: Quem conseguir montar o gabarito e anunciar primeiro ganha a partida e torna-se o “mão da vez” da rodada seguinte. 22
  22. 22. FORMAS & CORES Compor, encaixar, organizar de modo a se encantar enquanto compõe com as formas e cores. A profundidade da experimentação refletida na seriedade com que se dispõem e organizam os objetos. Cada ser humano tem sua maneira de ver, pensar e criar. Quem sabe criar alvos para mirar, ordenar e desordenar... são muitas as formas de inventar e dar sentidos aos objetos. Componentes: Palitos de sorvete plásticos coloridos Tubos de papelão encapados com barbante 23
  23. 23. Argolas plásticas coloridas Argolas de madeira de diferentes tons Miolos de fita adesiva encapados com barbante colorido Tampas plásticas coloridas Cones esportivos 24
  24. 24. EMPILHAR & ENCAIXAR O desafio de conquistar alturas, equilibrar com cuidado e atenção as formas até que a gravidade ganhe espaço e tudo volte ao nível do solo. Objetos que conversam, que propõe composições e encaixes, libertam sons desconhecidos e nos convidam a experimentar sem resultados previamente esperados, um criar que se constrói de forma livre e potente, um fim em si mesmo. Componentes: Carretéis plásticos de alta resistência Carreteis plásticos simples 25
  25. 25. Tubos de papelão Piso táctil direcional Sifão plástico sanfonado Tubos em PVC Conexões em PVC 26
  26. 26. Caixa plástica de DVD Cones plásticos de linha Tubos plásticos de bobina Brinquedo de sucata Mola de suspensão veicular 27
  27. 27. SENSORIAL O que será isso? O que isso faz? Será que conhecemos de tudo um pouco ou ainda haverá sempre algo a conhecer? Explorar é uma das maneiras mais profundas de vivenciar o mundo material, suas formas e sentidos. Para que serve isso? Não sei! Mas o que será que eu consigo fazer com isso? Temos então uma proposta mais profunda, que dá liberdade para brincar com os signos e ressignificá-los. Componentes: Massageadores manuais madeira Massageadores manuais plástico 28
  28. 28. Objetos em madeira e bambu Objetos plásticos Objetos utilitários Objetos em tecido Buchas e escovas 29
  29. 29. Balde de galão com tampa Bolsa de tecido Desafios lógicos Cavalo de pau Cesto de palha 30
  30. 30. EQUILÍBRIO Desafiar-se buscando o equilíbrio que nos coloca no eixo. Subir, gira, rolar! No início o suporte da mão que dá confiança, mas que aos poucos se solta e permite que o medo seja vencido. No final a conquista! Ou então uma queda, que nos convida a tentar novamente, o desejo de superar nossas limitações e ultrapassar nossos limites. O despertar do corpo em reconhecimento de suas capacidades. Componentes: Escada multifuncional Tapete antiderrapante texturizado 31
  31. 31. Pranchas de propriocepção Tubo de papelão grosso Mandala de pneu (filtro dos sonhos) Tecido elástico Balanço (corda e tubo de papelão) 32
  32. 32. Pé de madeira Bambolê Corda de pular Pneu de moto 33
  33. 33. PESOS & TEXTURAS Organizar, equilibrar, compor, sobrepor, explorar com a mão e o corpo, sentir o peso, a textura, o cheiro, desfrutar um conjunto de sensações que se formam durante a análise do desconhecido até que este se torne familiar. Surge uma hipótese, um palpite, uma tentativa de desvelar o que não pode ser visto mas pode ser sentido. Faz-se a pergunta só para ter certeza: - Ah! Eu sabia. Componentes: Blocos de madeira Saquinhos de tecido com temperos e sementes 34
  34. 34. Castanhas, sementes e cascas Galhos (em anéis) 35
  35. 35. SOM A alegria do encontro com o outro, com a música, com os sons que se formam da experimentação dos instrumentos. Explorar a liberdade de expressão sonora de forma a preencher todos os ouvidos com a deliciosa algazarra que surge desse tocar. A busca do ritmo, do compasso, que se forma e se transforma no coletivo, fazendo transbordar um sorriso, leve como o som que ecoa pelo ar. Componentes: Agogô de castanha Apitos (pássaros e esportivos) 36
  36. 36. Brinquedos sonoros Castanholas Caxixi e cabaças Chocalhos Conguê de Coco 37
  37. 37. Maracas Flautas Gaita e afinadores Claves ou pauzinhos Reco-reco 38
  38. 38. Tamborim Triângulo xequerê 39
  39. 39. BOLAS J Quicar, saltar, pular, convidar o corpo ao movimento e a experimentação. Quando rola provoca o encontro, com o leve ou pesado, sólido ou oco, duro ou macio, que também desmonta, faz barulho ou muda de formato. Envolve num toque, os pés, as mãos, o corpo inteiro, como numa dança, solitária ou coletiva, que acolhe e desafia. Componentes: Bolas plásticas Bolas de sucata 40
  40. 40. Bolas para propriocepção Bolas artesanais diversas Bolas de crochê (bolas amigurumi) Novelos Bolas de madeira 41
  41. 41. Bolas esportivas Embalagens circulares e esféricas Galão 20 litros com aberturas circulares Rampa 42
  42. 42. TECIDOS & ACESSÓRIOS Um tecido, uma pulseira, uma coroa, um detalhe que transforma e potencializa a imaginação. Uma busca interna - Quantos eu sou? Quem eu posso ser? É necessário despir-se de si para ser outros, na busca dos muitos outros que existem dentro de nós e que completam o que já somos. A aventura de descobrir novas formas de ser, se reinventar, permitir-se libertar o corpo e mergulhar na fantasia. Componentes: pulseiras Colares (diferentes cores, materiais, acabamentos, texturas, comprimentos, etc.) 43
  43. 43. Cesto de Vime Cabeleiras Coroas Braceletes Retalhos de tecido 44
  44. 44. DINÂMICAS E BRINCADEIRAS • MUSICA DE SENSIBILIZAÇÃO Álbum: Cantavento - Esticador de horizontes Esticador de horizontes (brincadeiras com poemas de Manoel de barros) “Isso tudo porque a gente foi criado em um lugar onde não tinha brinquedo fabricado, e não tendo brinquedo fabricado, era a gente que tinha que inventar os nossos próprios brinquedos. E eram boizinhos de osso, automóveis de lata, bolas de meia. A gente via um sapo e imagina que ele era um boi de cela. A gente olhava para ele e viajava. Outra coisa que a gente fazia era ouvir nas conchar os segredos do universo. Eu acho que o quintal onde a gente brincou quando era criança é muito maior do que a cidade, a gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que a gente tem com elas!” Bagunça (João Mendes Rio) Nós somos a nova crianças Queremos ar, mar e terra Queremos amar a terra Andamos voando voado Pelo pátio da cibernética Se peixe quer mar ave voar criança bagunçar Nós somos a nova crianças Queremos ar, mar e terra Queremos amar a terra Andamos voando voado Pelo pátio do planeta terra Se peixe quer mar ave voar criança bagunçar 45
  45. 45. • ABRE A RODA TIN DÔ LÊ LÊ Abre a roda, tin dô lê lê Abre a roda, tin dô lá lá Abre a roda, tin dô lê lê ê tin dô lê lê ê Tin dô lá lá E vai andando... Bate palma... me dê sua mão... requebradinha... de trenzinho... de marcha a ré... bem baixinho... etc. Como se brinca: Uma roda cantando e fazendo os gestos que o texto sugere, expressando os comandos que vão surgindo espontaneamente. Onde aprendi: Com Lydia hortélio, no Cd Abre a roda tin dô lê lê, brincadeira registrada em Terra nova-BA. 46
  46. 46. • TOPÊ TOPADA Topê... Topada... Lagartixa... Baleada... Quando eu vejo... a lagartixa... só me lembro... da topada... Topê, topada, lagartixa baleada, quando eu vejo a lagartixa só me lembro da topada Como se brinca: A cada verso, palma da mão direita para cima e a da esquerda para baixo; palmas com a outra em frente; consigo mesma (3x). Na última frase “da topada...” bate-se apenas uma vez consigo mesma, em seguida fala-se todo o texto sem intervalos fazendo a seguinte sequência: costas da mão com a outra em frente; palmas com a outra em frente; consigo mesma, nessa etapa acelera-se o ritmo até que alguém erre! Onde aprendi: Evento quintal do casarão (Centro cultural casarão em Campinas-SP), com Priscila Candeloro, brincadeira registrada em Japaratuba-SE 47
  47. 47. • ANA MARIA Ana Maria ficou de catapora por vinte e quatro horas vige! Como se brinca: As crianças formam uma roda e começam a pular sem sair do lugar, no ritmo da parlenda, os pés bem próximos. Quando dizem “vige!”, dão um pulinho maior e caem com os pés um pouco afastados. Retomam a parlenda um pouco mais rápido, e quando dizem novamente “vige!”, caem com os pés ainda mais separados. Assim vão acelerando e aumentando o afastamento dos pés, até que chegam cada uma no seu limite, vão caindo e saindo da roda. É o vencedor aquele que conseguir ficar mais tempo. Onde aprendi: Com Lydia hortélio, no Cd Abre a roda tin dô lê lê, brincadeira registrada em Belo Horizonte-MG 48
  48. 48. PARA SABER MAIS BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Brinquedos e brincadeiras de creche: manual de orientação pedagógica – Brasília: MEC/SEB, 2012. BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e cultura; trad. Gisela Wajskop. - 8°ed. - São Paulo: Cortez, 2010. (Coleção questões da nossa época; v.20) CLOUDER Christopher. Brincadeiras criativas para o seu filho: uma forma lúdica de aumentar a concentração e melhorar o desenvolvimento das crianças / christopher clouder e janni nicol; [tradução Áurea Akemi Arata]. - São Paulo: Publifolha, 2009. DIEM, liselott. Os primeiros anos são decisivos / tradução de Maria Madalena Würth Teixeira – Rio de janeiro, RJ: Editora tecnoprint S.A., 1980. FMCSV. Primeiríssima infância da gestação aos três anos: percepções e práticas da sociedade brasileira sobre a fase inicial da vida. Org: Eduardo Marino & Gabriela A. Pluciennik. São Paulo: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, 2013. GOEBEL, Wolfgang & GLÖCKLER, Michaela. Brinquedos condizentes com a idade In: Consultório Pediátrico – um conselheiro médico-pedagógico. Trad. Sonia Setzer, São Paulo: Editora Antroposófica, 2002 (p. 250-252) 49
  49. 49. HORTÉLIO, Lydia. Abre a roda tin dô lê lê [encarte e cd- rom] LÉVY, Janine. O despertar para o mundo: os três primeiros anos da vida. Tradução: Luiz Cláudio de Castro e Costa. São Paulo: Martins Fontes, 1985. MAJEM, tere. descobrir brincando / tere majem e pepa òdena; traução de suely Amaral Mello e Maria Carmen Silveira Barbosa – Campinas, SP: Autores Associados, 2010. (Formação de professores. Série educação infantil em movimento) SIAULYS, Mara O. de Campos. Brincar para todos - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2005. SILVA, Lucilene. Eu vi as três meninas: música tradicional na infância na aldeia de carapicuíba [texto, cd-rom e dvd] 1° ed. - carapicuíba, SP: zerinho ou um, 2014. WEISS, Luise. Brinquedos & engenhocas: atividades lúdicas com sucata. São Paulo: Scipione, 1997. (Coleção pensamento e ação no magistério) 50
  50. 50. “Muito mais do que mostrar brinquedos interessantes, é preciso transpor barreiras internas que dificultam aos(as) educadores(as) vivenciar livremente o brincar 'como se fosse uma criança'. Não de modo infantilizado, mas em toda a sua potência criativa, o brincar que flui de dentro, que transborda, mediado pelos materiais e pela presença dos outros participantes.”

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