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Seminário Antiga I

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Seminário apresentado no dia 25 de novembro de 2008 na disciplina História Antiga I, ministrada pelo professor Fábio de Souza Lessa

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Seminário Antiga I

  1. 1. Bruna Moraes da Silva Caio Marcellus Martinez Cabral Michelle Moreira Gonçalves de Oliveira Renata Cardoso de Sousa Vinícius de Freitas Rosa Seminário de História Antiga I HOMERO. Ilíada . Canto III.
  2. 2. O modelo de herói homérico no canto III da Ilíada : o estudo de caso de Páris Fonte: http://www.theoi.com/Gallery/K4.6.html The Judgement of Paris , no Antiken museen , em Berlin (Alemanha )
  3. 3. Afrodite conduz Páris ao duelo com Menelau, de Johann Heinrich Füssli (1766-1770), na galeria de arte de Oackland Fonte : http://liberdademocratica.blogspot.com/2007/05/ilada-em-imagens-canto-iii.html PRIMEIRA PARTE: HISTÓRIA E OBRA
  4. 4. Homero <ul><li>Etimologia do nome: “aquele que junta” </li></ul><ul><li>Status : aedo </li></ul><ul><li>Origem: Jônia (Esmirna ou Quios) </li></ul>Fonte : http://plato-dialogues.org/tools/gk_wrld.htm
  5. 8. <ul><li>Principais obras: </li></ul><ul><li>Ilíada </li></ul><ul><li>Odisséia </li></ul><ul><li>Margites </li></ul><ul><li>Batracomiomaquia </li></ul><ul><li>Foram escritas em uma língua artificial, oriunda do jônio e do eólio, mas que era falada também em Lesbos e na Eólida </li></ul>
  6. 9. <ul><li>O que dizem os autores antigos sobre Homero? </li></ul><ul><li>Arquíloco (primeira metade do século VII a.C) : aquele que “tudo engrandeceu: animais e plantas, a água e a terra, as armas e o cavalo. Podemos afirmar que não deixou nada sem elogio e sem louvor” (JAGGER, 2003, p. 69) </li></ul><ul><li>Aristóteles (384-322 a.C) e Horácio (65-8 a.C.) : é o mais sublime modelo de força e mestria poética, pois este prescinde do que é meramente histórico, corporifica os acontecimentos e deixa que os problemas se desenvolvam pela força da necessidade </li></ul>
  7. 10. <ul><li>Xenófanes (580-485 a.C) : apresenta os deuses com todos os vícios dos seres humanos (GABBA, 1983, p. 26) </li></ul><ul><li>Platão (427-347 a.C) : a poesia não serve para o estado ideal, mas Homero é o educador da Grécia ( idem ) </li></ul>
  8. 11. <ul><li>“ Desde a mais tenra idade, o jovem começava a aprender de cor os versos e excertos mais amplos dos poetas, sobretudo de Homero, que foi sempre considerado um ponto de referência ímpar de modelo. Os dois longos poemas homéricos continham, efetivamente, uma súmula de todo o saber dos gregos e constituíram (MOSSÉ, 1984, p. 41), para retomar aqui a expressão de E. Havelock, o instrumento principal da formação e da integração do indivíduo no contexto social (HAVELOCK, 1996, p. 11)”. (SABINO; ROCHA; CODEÇO, 2008, p. 123) </li></ul>
  9. 12. <ul><li>Outra característica importante das epopéias homéricas é a utilização de mitos e lendas heróicas para todas as situações imagináveis da vida em que um homem está na presença de outro para aconselhar, advertir, admoestar, exortar e lhe proibir ou ordenar qualquer coisa </li></ul>
  10. 13. <ul><li>Portanto, suas narrativas não serviriam apenas para o divertimento e/ou o deleite das pessoas, mas também para mostrar o exemplo correto a ser seguido pelos kaloi kagathoi (belos e bons, os aristocratas), assemelhando-se (tanto neste quanto em outros aspectos) à tragédia </li></ul>
  11. 14. <ul><li>Vamos nos referir ao autor da Ilíada como Homero, mas sabemos que existe a chamada “questão homérica” que, dentre vários questionamentos, especula se ele existiu ou não como pessoa. </li></ul>
  12. 15. Fonte : http://lh4.ggpht.com/_3ZC0OARYaF4/SIzW-HbbD4I/AAAAAAAACEw/8Wp8iCyYA-E/DSC03198.JPG Escultura de Homero, na glifoteca de Munique (Alemanha)
  13. 16. Contexto IV – II a.C. Cosmopólis V- IV a.C. Idade Clássica VIII – VI a.C. Idade Arcaica XII – IX a.C. Idade das Trevas XVII – XII ( ± 1100 a.C) Idade do Bronze 5000 – 2500 a.C. Neolítico Duração Denominação
  14. 17. Contexto Guerra de Tróia Homero IV – II a.C. Cosmopólis V- IV a.C. Idade Clássica VIII – VI a.C. Idade Arcaica XII – IX a.C. Idade das Trevas XVII – XII ( ± 1100 a.C) Idade do Bronze 5000 – 2500 a.C. Neolítico Duração Denominação
  15. 18. Estrutura Palaciana <ul><li>O centro da política, da economia, da religião, etc, era o palácio </li></ul><ul><li>Preferência pelo rural </li></ul>
  16. 19. <ul><li>Exemplos de sociedades palacianas: </li></ul>Creta Fonte : http://memoriavirtual.wordpress.com/2004/09/08/
  17. 20. <ul><li>Micenas </li></ul>Fonte : http://picasaweb.google.com/vandal.moraes/ContinenteGrego#5220053855796312114#5220053855796312114
  18. 21. <ul><li>Possíveis explicações para o desaparecimento dessa estrutura: </li></ul><ul><li>Ocorrência de uma catástrofe natural </li></ul><ul><li>Invasão dórica </li></ul><ul><li>Crise interna do poder </li></ul>
  19. 22. Estrutura Políade <ul><li>O centro da política, da economia, da religião, etc, é a pólis </li></ul><ul><li>Preferência pelo urbano </li></ul>
  20. 23. <ul><li>Exemplo de sociedade políade : </li></ul>Atenas Fonte : http://www.trekearth.com/gallery/Europe/Greece/photo189670.htm
  21. 24. <ul><li>É interessante perceber que, embora esses sistemas estejam situados em períodos diferentes, há: </li></ul><ul><li>Uma certa mistura entre eles por parte de Homero, pois ele impregna de concepções suas uma época passada </li></ul><ul><li>Uma certa continuidade em relação ao poder dominante: outrora, os nobres dos palácios; na época de Homero, os kaloi kagathoi destinados a governar a polis </li></ul>
  22. 25. <ul><li>Com essa “hibridez” de períodos, temos de convir que se torna difícil estudar um período da História com base em uma obra literária, ainda mais quando as origens destas também são controversas. No entanto, isso não é impossível: </li></ul><ul><li>“ Se, contudo, nós separarmos a pesquisa nos poemas homéricos da pesquisa na realidade histórica dos eventos descritos, o uso histórico dos poemas é tanto seguro quanto mais lucrativo quando se está preocupado com a análise dos aspectos da família e da vida social e política, instituições e normas, princípios éticos, comportamento religioso, cultura material, fatores econômicos; os símiles nos poemas são particularmente reveladores”. (GABBA, 1983, p. 33 – trecho traduzido) </li></ul>
  23. 26. Ilíada <ul><li>Origem do nome: Ílion (antigo nome de Tróia) </li></ul><ul><li>Classificação: poema épico (trata dos grandes feitos dos deuses, dos homens e dos heróis) </li></ul><ul><li>Estrutura: 15.693 versos hexâmetros dactílicos (medida característica da poesia épica do período arcaico), dividida pelos filólogos alexandrinos em 24 cantos </li></ul><ul><li>Quando foi composta: entre os séculos IX e VIII a.C. </li></ul><ul><li>Quando foi congelada na escrita: a partir de 560 a.C., com o tirano Pisístrato </li></ul><ul><li>Quando foi impressa: 1488 </li></ul>
  24. 27. Fonte : http://www.olivro.com/images/iliada_large.gif Fragmento da Ilíada
  25. 28. <ul><li>Traduções para o português : </li></ul><ul><li>Manuel Odorico Mendes (1874) </li></ul><ul><li>Carlos Alberto Nunes (1962) </li></ul><ul><li>Haroldo de Campos (2002) </li></ul>
  26. 29. <ul><li>Traduções para o português : </li></ul><ul><li>Manuel Odorico Mendes (1874) </li></ul><ul><li>Carlos Alberto Nunes (1962) </li></ul><ul><li>Haroldo de Campos (2002) </li></ul>Capa da edição de 2002, da Ediouro
  27. 30. <ul><li>Tema principal da Ilíada : ira de Aquiles, ambientada na Guerra de Tróia </li></ul><ul><li>Duplo caráter das situações que envolvem os heróis: </li></ul><ul><li>Valoração: luta entre Heitor e Aquiles </li></ul><ul><li>Debilidade: luta entre Menelau e Páris </li></ul>
  28. 31. <ul><li>Guerra de Tróia: mito ou realidade? </li></ul><ul><li>Tróia realmente existiu, como atestam as escavações arqueológicas começadas por Heinrich Schliemann </li></ul><ul><li>A guerra, provavelmente, também; no entanto, não pelo motivo conhecido (rapto de Helena por Páris) </li></ul>
  29. 32. Fonte : http://www.uark.edu/campus-resources/achilles/iliad/iliad.html Pinturas do sítio arqueológico de Tróia, feitas pelo pintor de Heinrich Schliemann, William Simpson, em 1877
  30. 33. Canto III: Principais Episódios <ul><li>Avanço dos dois exércitos </li></ul><ul><li>Provocação de Páris </li></ul><ul><li>Recuo de Páris diante de Menelau </li></ul><ul><li>Repreensão de Heitor </li></ul><ul><li>Alegações e solução proposta por Páris </li></ul><ul><li>Anúncio da proposta ao exército aqueu </li></ul><ul><li>Aviso a Helena do duelo </li></ul><ul><li>Descrição dos heróis </li></ul>
  31. 34. <ul><li>Ratificação do acordo por Príamo </li></ul><ul><li>Sacrifícios </li></ul><ul><li>Peleja </li></ul><ul><li>Afrodite salva Páris de Menelau </li></ul><ul><li>Afrodite conduz Páris ao tálamo </li></ul><ul><li>Aviso a Helena da espera de Páris por ela </li></ul><ul><li>Repreensão de Helena </li></ul><ul><li>Perdão de Helena </li></ul><ul><li>Reclamação da vitória pelos aqueus </li></ul>
  32. 35. Fonte: http://www.theoi.com/Gallery/K10.9.html The Trojan War – Duel of Paris & Menelaos , no Museu do Louvre, Paris
  33. 36. <ul><li>SEGUNDA PARTE: </li></ul><ul><li>ESTUDO DE CASO </li></ul>Fonte : http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1a/Bissen,Paris,Glyptoteket.jpg/200px-Bissen,Paris,Glyptoteket.jpg Páris , no museu de escultura de Paris
  34. 37. Considerações iniciais: Método <ul><li>Comparação entre os principais atributos e atitudes dos heróis homéricos com os de Páris, no canto III da Ilíada </li></ul><ul><li>Principais conceitos a ser utilizados: bela morte , coragem, honra e vergonha </li></ul>
  35. 38. <ul><li>“ (...) ela é a morte gloriosa (eukleès thánatos) que leva o guerreiro desaparecido ao estágio de glória pela duração dos tempos vindouros, representanto a areté (virtude) realizada no feito que pôs fim à vida do herói.” (MAGDALENO,1995, p.13) </li></ul>Bela morte ( kálos thánatos )
  36. 39. <ul><li>O que é bela morte ? </li></ul><ul><li>Morrer jovem no campo de batalha </li></ul><ul><li>Perpetuação na tradição oral: memória coletiva </li></ul><ul><li>Funeral completo </li></ul>
  37. 40. <ul><li>Feia morte: </li></ul><ul><li>Velhice </li></ul><ul><li>Cadáver do mais velho estirado no lugar do mais novo </li></ul><ul><li>Ser atingido pelas costas </li></ul><ul><li>Áphantos (invisível) </li></ul><ul><li>Nónymnus (sem glória) </li></ul>
  38. 41. <ul><li>Concepção de bela morte para os antigos: exemplo de Tirteu de Esparta </li></ul>“ É belo, pois, o bom homem estar morto tendo caído/ nas primeiras filas de batalha, lutando pela sua pátria./ E é a coisa mais penosa de todas mendigar,/ abandonando sua própria cidade os fecundos campos,/ errando junto com a amada mãe, o velho pai,/ os filhos pequenos e a esposa legítima./ Odioso estará entre aqueles, aos quais ele viria/ cedendo à carência e à horrível pobreza./ Ele desonra a linhagem, envergonha o nobre aspecto,/e todo o desprezo e reprovação por covardia o acompanham./ E se, assim, nenhuma solicitude para o homem errante/ sobrevém, nem respeito, proteção divina ou compaixão,/ que nós lutemos com coração por esta terra e pelas crianças,/ que nós morramos sem poupar nossas vidas./ (...) Toda a virtude dos homens que fogem é destruída./ Ninguém, um dia, se vier a sofrer coisas desonrosas, poderia acabar/ de relatar cada uma das coisas quantas sobrevêm ao homem de ruim./ É prazeroso rasgar por trás as costas/ de um homem que foge na guerra mortífera./ E é vergonhoso, no que concerne às costas, o morto estendido nas areias/ estar abatido pela ponta da lança atrás. (...) Mas que alguém, indo direto para o combate corpo-a-corpo, com uma grande lança/ ou com uma espada ferindo, apanhe um homem inimigo/ e lute com o homem colocando pé junto com pé,/ investindo escudo contra escudo, chocando penacho com penacho,/ capacete com capacete e peito com peito,/ empunhando o cabo da espada ou uma grande lança.” (Fr. 10W-11W)
  39. 42. <ul><li>É o impulso positivo e a qualidade daquele que supera o medo para enfrentar situações-problema; é a justa medida entre insegurança e convicção exacerbada </li></ul><ul><li>Manifestações da coragem: </li></ul><ul><li>Predisposição no caráter, na índole do mesmo </li></ul><ul><li>Incitação por parte de outra pessoa </li></ul><ul><li>Motivação por parte de um outro sentimento </li></ul>Coragem
  40. 43. <ul><li>Peculiaridades da coragem no herói homérico: </li></ul><ul><li>O ato corajoso desse herói é mensurado a partir da sua intrepidez diante do confronto com o perigo em um campo de batalha </li></ul><ul><li>O valor de um kálos kagathós consiste na sua coragem </li></ul><ul><li>O valente é sempre o nobre, o homem de posição </li></ul><ul><li>A luta e a vitória são para ele a distinção mais alta e o conteúdo próprio da vida </li></ul>
  41. 44. <ul><li>Peculiaridades da manifestação da coragem no herói homérico: </li></ul><ul><li>O atributo da coragem em seu caráter é manifestado com muita intensidade </li></ul><ul><li>É conduzido “ by the fear of shame ” (BALOT, 2004, p. 416) </li></ul><ul><li>Quer ser reconhecido pela sua bravura, não pela sua fraqueza </li></ul>
  42. 45. <ul><li>A questão do medo: </li></ul><ul><li>Está atrelado à covardia </li></ul><ul><li>Assim como a coragem, é intrínseco, “habitando” com ela um mesmo indivíduo </li></ul><ul><li>Não é diametralmente oposto à coragem </li></ul>
  43. 46. Honra <ul><li>Papel fundamental da honra na sociedade homérica </li></ul><ul><li>Situações como a própria guerra de Tróia teriam sido motivadas por este valor </li></ul>
  44. 47. <ul><li>O que é Honra? </li></ul><ul><li>É o valor que um indivíduo tem a seus olhos, mas também aos olhos da sociedade </li></ul><ul><li>Não é um valor pessoal, e sim um valor que depende do reconhecimento por parte da sociedade </li></ul>
  45. 48. <ul><li>Papel do poeta na efetivação da honra: </li></ul><ul><li>Para que os feitos honrados sejam lembrados e tenham reconhecimento social é necessário que sejam contados </li></ul><ul><li>Pelo contrário um feito honrado se iguala a um não-honrado </li></ul>
  46. 49. <ul><li>Qual a importância da honra para o indivíduo? </li></ul><ul><li>Aqueles que eram honrados e lembrados, fugiam da morte real </li></ul><ul><li>Sendo imortalizados seus atos o indivíduo era imortalizado por conseguinte </li></ul>
  47. 50. <ul><li>Que papel a honra cumpria para a sociedade? </li></ul><ul><li>Numa sociedade agonística os cidadãos competem para ser os aristoi , os mais honrados </li></ul><ul><li>Gera cidadãos bons </li></ul>
  48. 51. <ul><li>Como se podia ascender ao estatuto honorífico na sociedade homérica? </li></ul><ul><li>Sucesso em batalha, já que relata tempos de guerra </li></ul><ul><li>Mas há também outras habilidades </li></ul>
  49. 52. <ul><li>As glórias em batalha são o principal meio de obter estatuto honorífico </li></ul><ul><li>Dois tipos de glória: </li></ul><ul><li>Kléos (reconhecimento social) </li></ul><ul><li>Kudos (concedido pelos deuses) </li></ul>
  50. 53. <ul><li>Apesar de seu papel central, a honra não é a única motivação para as atitudes </li></ul><ul><li>É necessário ressaltar o nível idealístico da honra em homero </li></ul>
  51. 54. <ul><li>A honra, mestra do ser e do tempo: </li></ul><ul><li>Faz com que alguém seja ou não seja </li></ul><ul><li>Torna a existência imortal ou fugaz </li></ul>
  52. 55. <ul><li>Como par antitético da honra, a vergonha apresenta-se como valor importante </li></ul><ul><li>Vergonha: a honra recusada </li></ul>Vergonha
  53. 56. <ul><li>Sociedade homérica: cultura de honra ou de culpa? </li></ul><ul><li>Os dois termos não são auto-excludentes </li></ul><ul><li>O termo em grego: aidós </li></ul>
  54. 57. <ul><li>Um ato não honrado pode ser sobreposto por um ato honrado e vice-versa </li></ul><ul><li>A luta em busca de honra e na fuga da desonra é constante </li></ul>
  55. 58. <ul><li>Páris foge: ele é um herói? </li></ul><ul><li>Na verdade, o que entendemos por “herói”? </li></ul><ul><li>É aquele que está ligado ao divino não somente por laços de parentesco com os deuses, mas também por relações de proteção </li></ul>Estudo de Caso
  56. 59. <ul><li>O herói homérico amalgama todas as características relacionadas a bela morte , coragem, honra e vergonha acima mencionadas: </li></ul><ul><li>ele aspira à morte no campo de batalha, enquanto ainda está kálos (belo) </li></ul><ul><li>é intrépido no conflito </li></ul><ul><li>quer ser reconhecido pelo coletivo pelas suas glórias individuais </li></ul><ul><li>quer ser imortal a partir de sua rememoração </li></ul><ul><li>a desonra é a pior vergonha que ele pode passar por </li></ul>
  57. 60. <ul><li>Páris é, sem dúvida, um herói homérico: além de ter seu deus protetor (Afrodite), ele quer ser reconhecido pelas suas façanhas, quer ser rememorado, é provido de honra e coragem </li></ul><ul><li>No entanto, ele, na situação descrita pelo canto III, não parece se encaixar nesse estereótipo </li></ul>
  58. 61. <ul><li>“ Atribui-se-lhe a fama de fujão e covarde (...) de modo algum se mostra apressado em partir para o combate, e Heitor tem muito trabalho ao ir procurá-lo e conduzí-lo [ sic ] ao campo de batalha.” (AUBRETON, 1956, p. 168) </li></ul>
  59. 62. <ul><li>Páris como arqueiro: é desvalorizado, uma vez que não participaria de confrontos diretos, atingindo seus inimigos à distância </li></ul>
  60. 63. <ul><li>A coragem não é o atributo principal de Páris, mas isso não quer dizer que ele seja desprovido dela: </li></ul><ul><li>O atributo da coragem em seu caráter é manifestado com pouca intensidade, em detrimento de outros atributos dos quais falaremos mais adiante </li></ul><ul><li>É conduzido pelas incitações e repreensões de Heitor ou pelo medo de perder Helena </li></ul>
  61. 64. <ul><li>Se a coragem não é seu “forte”, o que é? </li></ul><ul><li>A beleza </li></ul><ul><li>A habilidade artística musical </li></ul><ul><li>A paixão </li></ul><ul><li>Evidências : epítetos e os atributos de Páris no canto III: “divo” (vv. 16, 37, 100, 328, 437), “belo” (v. 27), “de formas divinas” (v. 58), “de belas feições” (v. 39), “sedutor de mulheres” ( idem ), “Esses cabelos, a cítara, os dons de Afrodite, a beleza” (v. 54) </li></ul>
  62. 65. <ul><li>Páris tem dons não-relativos à guerra, ao contrário de Aquiles (“de pés mui velozes” (XI, v. 112), “pastor de guerreiros” (XVI, v 2), Ájax (“dominador poderoso de povos” (IX, v. 644), “velocíssimo” (X, v. 110) e até mesmo Heitor, seu irmão (“de penacho ondulante” (III, v. 83; V, v. 680; VIII, vv. 160, 377; XV, v. 246; XVII, vv. 169, 188; XXII, v. 355), “de voz atroante” (XIV, v. 418), dentre outros heróis da Ilíada , que têm atributos bélicos. </li></ul>
  63. 66. <ul><li>Diferentes heróis têm excelência em diferentes áreas: do mesmo modo como Aquiles é reconhecido pelo seu caráter irascível e pela sua velocidade , Ájax é conhecido pela sua robustez , Odisseu pela sua astúcia , Heitor pela sua habilidade com cavalos e Páris por sua beleza </li></ul><ul><li>Cada indivíduo tem sua peculiaridade </li></ul>
  64. 67. <ul><li>A palavra-debate como meio de confronto entre heróis: a eloqüência também conta para se definir o valor de um herói </li></ul><ul><li>Herói controverso: por que Homero o apresenta em uma obra? </li></ul>
  65. 68. <ul><li>Páris e os troianos como o Outro </li></ul><ul><li>Páris como o modelo a não ser seguido </li></ul><ul><li>Páris é derrotado: como pode haver um herói desonrado? </li></ul><ul><li>Este aparente paradoxo se desmancha ao nos remetermos a Pitt-Rivers, que afirma: “o fato de cair vencido não é desonra; desonrado é aquele que se recusa a arriscar a vida para defender a sua honra”. (PITT-RIVERS, 1992, p. 20) </li></ul>
  66. 69. <ul><li>Mal ou bem, Páris propõe uma solução (o duelo), para reaver sua honra, a princípio manchada, pela recusa a lutar com Menelau e ele ainda alcança sua bela morte , já que: </li></ul><ul><li>Ele morre no campo de batalha, por uma seta lançada por Filoctetes, um argonauta amigo de Hércules quando vivo (BULFINCH, 2002, p. 272) </li></ul><ul><li>Suas façanhas são rememoradas pelo coletivo </li></ul><ul><li>Tem seu funeral completo </li></ul>
  67. 70. Considerações finais <ul><li>O canto III da Ilíada , na sua pluralidade temática, nos chamou atenção por apresentar um herói controverso: Páris, filho do rei de Tróia </li></ul><ul><li>Parecendo contradizer valores éticos caros à sociedade grega ( bela morte , coragem, honra, vergonha) ao “fugir” da batalha, ele acaba se mostrando, no entanto, um característico herói homérico, com peculiaridades inerentes ao seu caráter (beleza, habilidade musical, capacidade de sedução) </li></ul>
  68. 71. Cerâmicas do slide <ul><li>The Judgement of Paris </li></ul><ul><li>Localização: Antikenmuseen, Berlin, Germany - F2291, 20468 </li></ul><ul><li>Temática: O julgamento de Páris </li></ul><ul><li>Proveniência: desconhecida </li></ul><ul><li>Forma: Kýlix </li></ul><ul><li>Estilo: Figuras vermelhas </li></ul><ul><li>Pintor: Macron </li></ul><ul><li>Data: 490 - 480 a.C. </li></ul>
  69. 72. <ul><li>The Trojan War – Duel of Paris & Menelaos </li></ul><ul><li>Localização: Museu do Louvre, Paris, França - Louvre G115, 205119 </li></ul><ul><li>Temática: Duelo entre Páris e Menelau, no canto III da Ilíada , de Homero </li></ul><ul><li>Proveniência: desconhecida </li></ul><ul><li>Forma: Kýlix </li></ul><ul><li>Estilo: Figuras vermelhas </li></ul><ul><li>Pintor: Douris </li></ul><ul><li>Data: 485 - 480 a.C. </li></ul>
  70. 73. Documentação escrita <ul><li>ARISTÓTELES. Poética . Tradução, prefácio, introdução, comentário e apêndices de Eudoro de Sousa. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1986. </li></ul><ul><li>HESÍODO. Os Trabalhos e os Dias . Tradução, Mary de Camargo Neves Lafer. Lisboa: Iluminuras, 2002. </li></ul><ul><li>HOMERO. Ilíada . Tradução, Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002. </li></ul><ul><li>HOMERO. Ilíada . Tradução, Manuel Odorico Mendes. São Paulo: Martin Claret, 2008. </li></ul><ul><li>XENOFONTE. A Constituição dos Lacedemônios. In : COSTA, Ricardo da (Org.). Testemunhos da História: Documentos de História Antiga e Medieval . Vitória, Espírito Santo: EDUFES, 2002. </li></ul>
  71. 74. Bibliografia AUBRETON, Robert. Introdução a Homero . São Paulo: DIFEL / EDUSP, 1956. BALOT, Ryan. Courage in the democratic polis . In : Classical Quarterly , Cambridge, Cambridge University Press, v. 54, n. 2, 2004, pp. 406-423. BLACKBURN, Simon. Coragem. In : Dicionário Oxford de Filosofia . Consultoria da edição brasileira, Danilo Marcondes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997. BULFINCH, Thomas. O Livro de Ouro da Mitologia – Historias de Deuses e Heróis . Tradução, David Jardim Junior. 26ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002. COLOMBANI, Maria Cecília. Honor, virtud y subjetividad. Lãs claves de uma ética del dominio de si. In : Phoînix , Rio de Janeiro, Mauad X, pp. 200-212, 2004. GABBA, Emilio. Homer. In : CRAWFORD, Michael (Ed.). Sources for Ancient History . Cambridge: Cambridge University Press, 1983, pp. 26-33. HOWATSON, M. C. (Ed.). The Oxford Companion to Classical Literature . 2ª ed. Oxford: Oxford University Press, 1989. JAEGER, Werner. Paidéia: A Formação do Homem Grego . São Paulo: Martins Fontes, 2003. KOOGAN, Abrahão; HOUAISS, Antônio. Herói. In : Enciclopédia e dicionário ilustrado . 4ª ed. Rio de Janeiro: Seifer, 1999. LE SSA, Fábio de Souza Lessa. Maternidade e morte na Atenas Clássica. In : Politéia – Hist. e Soc. , Vitória da Conquista, v. 6, n. 1, pp. 85-79, 2006. Disponível em: http: //www.uesb.br/politeia/v6/artigo03.pdf . Acesso em: 05 de novembro de 2008.
  72. 75. <ul><li>MAGDALENO, Adriana Soares. As Representações Sociais da Morte na Grécia Arcaica. In : Phoînix , Rio de Janeiro, Mauad X, pp. 9-17, 2005. </li></ul><ul><li>MALKIN, Irad. Introduction. In : __________. The Returns of Odisseus: Colonization and Ethnicity . Calofornia: University of California Press, 1998. </li></ul><ul><li>MORAES, A. S. A Questão homérica e Homero em questão . Comunicação apresentada durante o I Encontro Internacional e II Nacional de História Antiga e Medieval do Maranhão. São Luís, 2007. </li></ul><ul><li>PITT-RIVERS, J. Honra e posição social. In : PERISTIANY, J.G. (Org.). Honra e vergonha: valores das sociedades mediterrânicas . Lisboa: Fundação Calouste Gulkekian, 1965. </li></ul><ul><li>PITT-RIVERS, J. A doença da honra. In : CZECHOWSKY, N. (Org). A honra: imagem de si ou dom de si – um ideal equívoco. Porto Alegre: L&PM, 1992. </li></ul><ul><li>ROCHA, Ruth. Coragem. In : Minidicionário . Ilustrações, Maria Luiza Ferguson. 10ª ed. São Paulo: Scipione, 1996. </li></ul><ul><li>__________. Elegia. In : Minidicionário . Ilustrações, Maria Luiza Ferguson. São Paulo: Scipione, 1996. </li></ul><ul><li>__________.Vergonha. In : Minidicionário . Ilustrações, Maria Luiza Ferguson. São Paulo: Scipione, 1996. </li></ul><ul><li>RUTHERFORD, Richard B. Homer (Greece and Rome New Surveys in the Classics Nº 26) . Oxford: Oxford University Press (Classical Association), 1996. </li></ul><ul><li>SABINO, Carmen Lucia Martins. A construção do herói grego e o modelo de bela morte em Atenas (séculos VIII ao V a.C.) . Monografia (Bacharel em História). Carmen Lucia Martins Sabino – Rio de Janeiro, 2007. </li></ul><ul><li>SABINO, Carmen Lucia Martins; ROCHA, Fabio Bianchini; CODEÇO, Vanessa Ferreira de Sá. Comparando a construção do ideal de cidadão na Atenas clássica – o que a poesia, o esporte e o teatro têm a nos dizer? In : LESSA, Fábio de Souza (Org.). Poder e trabalho: experiências em história comparada . Rio de Janeiro: Mauad X, 2008, pp. 121-151. </li></ul>
  73. 76. <ul><li>SERGENT, Bernard. Homero e o “Mundo Homérico”. In : BURGUIÉRE, André (Org). Dicionário das Ciências Históricas . Tradução, Henrique de Araujo Mesquita. Rio de Janeiro: Imago, 1993. </li></ul><ul><li>TSURUDA, Maria Amália Longo. Apontamentos para o Estudo da Areté . In : Notandum , Mandruvá, v. VII, n. 11, 2004, p. 39-56. Disponível em: http://www.hottopos.com/notand11/amalia.htm . Acesso em: 24 de novembro de 2008. </li></ul><ul><li>VIDAL-NAQUET, Pierre. O mundo de Homero . Tradução, Jônatas Batista Neto. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. </li></ul><ul><li>VIEGAS, Alessandra Serra. A importância do corpo na sociedade grega: na vida e na morte. In : NEArco: Revista Eletrônica de Antigüidade , Rio de Janeiro, NEA – UERJ, n. 1, 2008, pp. 13-25. Disponível em: www.nea.uerj.br/nearco/arquivo2.pdf . Acesso em: 5 de novembro de 2008. </li></ul>
  74. 77. Sítios <ul><li>ARQUÍLOCO na Wikipédia . Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arqu%C3%ADloco . Acesso em: 19 de novembro de 2008. </li></ul><ul><li>FRAGMENTOS das elegias de Tirteu de Esparta na Biblioteca Clássica . Disponível em: http://br.geocities.com/bibliotecaclassica/textos/tirteu.htm . Acesso em: 19 de novembro de 2008. </li></ul><ul><li>HEXÂMETRO dactílico na Wikipédia . Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hex%C3%A2metro_dact%C3%ADlico . Acesso em: 11 de novembro de 2008. </li></ul><ul><li>HORÁCIO na Wikipédia . Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hor%C3%A1cio . Acesso em: 19 de novembro de 2008. </li></ul><ul><li>LÍNGUA artificial no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa . Disponível em: http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=21130 . Acesso em: 3 de novembro de 2008. </li></ul><ul><li>TIRTEU na Wikipédia . Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tirteu . Acesso em: 19 de novembro de 2008. </li></ul><ul><li>XENÓFANES na Wikipédia . Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Xen%C3%B3fanes . Acesso em: 19 de novembro de 2008. </li></ul>

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