Homero e seus poemas

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Homero e seus poemas

  1. 1.  Professora Mestranda Renata Cardoso de SousaHistória Antiga I – Professor Fábio Lessa / Estágio Docência: Bruna Moraes e Joselita Nascimento /Monitoria: Vitor Lobo
  2. 2. SZEGEDY-MASZAK, Andrew. Why do we still read Homer? The AmericanScholar, The Phi Beta Kappa Society, n. 71, v. 1, inverno/2002, p. 95-105.Disponível em: http://www.jstor.org/stable/41213259. Acesso em: 21/04/2013.“Eu sou professor de estudosclássicos. Hoje, quando o próprionome do campo parece viracompanhado de uma nuvem depoeira e um farfalhar suave delivros velhos despencando, podeser difícil de recapturar o quãoimportante os clássicos forampara um ensino superior e nacultura em geral.” (SZEGEDY-MASZAK, 2002, p. 95).
  3. 3.  Como Páris é visto por... acadêmicos“Vaidoso”, “frívolo”, “cômico”, “luxuriante”, “geralmente uma figura nãoheroica”: Richard B. Rutherford, classicista da Universidade de Oxford;“afeminado”, “frouxo”: Nicole Loraux, historiadora francesa daEHESS;“playboy”, “patético”: Betthany Hughes, famosa historiadora britânica;“egoísta”, “superficialmente atrativo”: Seth Schein, classicista daUniversidade da Califórinia;“tolo”: Pierre Carlier, historiador francês da Universidade de Paris X-Nanterre;“não heroico”, “o mais desmerecido dos filhos de Príamo”: JamesRedfield, classicista da Universidade de Chicago;“almofadinha”: Jasper Griffin, classicista da Universidade de Oxford;“antagonista [...] de Aquiles”: Gregory Nagy, classicista daUniversidade de Harvard;“fujão”/“desertor” e “covarde”: Robert Aubreton, classicista francês,organizou a cadeira de grego na USP.
  4. 4.  Questão do rigor metodológico. Questão de se fazer um trabalho que vai ser lido erelido, não abandonado em algum lugar do tempo, comoos ternos de poliéster da década de 70 ou, segundo oautor, como os piercings e tatuagens de hoje em diaserão ultrapassados no futuro.
  5. 5.  Questão da exaustão da documentação: Homero está“ultrapassado” para a historiografia? Século XIX: questão do positivismo, as descobertas de Schliemanne as viagens de William James Stillman (1886). A “Revolução Finleyana” (1954): O Mundo de Ulisses (uso demétodos econômicos e antropológicos para compreender asociedade homérica, preterindo a questão do que é “verdade” emHomero ou não). Década de 60: assinala que aqui já se tem uma grande produçãosobre Homero. Reading the Odyssey (1996): sob a coordenação de Seth Schein,a Universidade de Princeton faz essa coletânea, cujo objetivo émostrar as interpretações acerca da Odisseia que dizem respeitoao âmbito social, cultural e religioso. Pierre Vidal-Naquet (2000): segue a linha de Finley, acrescentandoo estruturalismo ao seu método de pesquisa, “iluminando” asquestões religiosas e os significados dos mitos.Então, porque ainda se escreve sobre Homero?Como é possível, se já temos tanta bibliografiasobre tantos assuntos que Homero traz?
  6. 6.  Questão da diversificação do método: uma novadocumentação ganha novos contornos historiográficos,dependendo do método que se aplica a ela (e estamos emconstantes transformações metodológicas, visto que aHistória tem a sua dinâmica).“Assim com na Odisseia o sangue do touro sacrificial permite queos fantasmas falem no Hades, nossas próprias ideias, comoacadêmicos e estudantes, fornecem „sangue para os fantasmas‟ daantiguidade. Como Francis Cornford tão eloquentemente declarou,novas aproximações teóricas e novos métodos analíticos oferecem„interpretação fresca e original‟. Eles mantêm revivendo os textosantigos, fazendo eles falarem para novas gerações” (SZEGEDY-MASZAK, 2002, p. 105). Questão dos ensinamentos éticos das obras de Homero:atualidade de suas questões, que são questões humanas.
  7. 7.  “É possível que o período descrito na obra [de Homero]abarque um milênio completo, do ano 1600 ao 600 a.C.”(COLOMBANI, 2005, p. 8).Denominação DuraçãoNeolítico 5000 – 2500 a.C.Período Palaciano XVII – XII (± 1100 a.C.)Desintegração dos Palácios XII – IX a.C.Pólis Arcaica VIII – VI a.C.Pólis Clássica V- IV a.C.Cosmopólis IV – II a.C.
  8. 8.  “É possível que o período descrito na obra [de Homero]abarque um milênio completo, do ano 1600 ao 600 a.C.”(COLOMBANI, 2005, p. 8).Denominação DuraçãoNeolítico 5000 – 2500 a.C.Período Palaciano XVII – XII (± 1100 a.C.)Desintegração dos Palácios XII – IX a.C.Pólis Arcaica VIII – VI a.C.Pólis Clássica V- IV a.C.Cosmopólis IV – II a.C.HomeroGuerrade Troia
  9. 9. DeusesEspíritos da naturezaFogo sagrado dolarPólis, lugar da lei(nómos)MonstrosMundo dos mortos(Hades)Mundoselvagem,natureza(phýsis)Oîkos (casa)TÁRTARO,lugar dos Titãs
  10. 10. Homero foi um aedo, ou seja, uma espéciede cantor-poeta, que compõe para umaelite seleta, os kaloì kaì agathoí, que, nosbanquetes, deleitam-se com as suasaventuras. Ele era cego, mas mesmoassim conseguia compor seus poemas,visto que as Musas o inspiravam, sendoseus “olhos”, que os levavam ao passado,à época dos grandes heróis, e elas lhecontavam tudo, tal como aconteceu, paraque ele reproduzisse.Só que não.
  11. 11.  Não se tem provas de que Homero existiu. Pelocontrário, os especialistas em literatura clássica, aoanalisar as interpolações clássicas/ alexandrinas/medievais/ modernas nas obras de Homero, bem comoo desenrolar da composição do poema, acreditam que aIlíada e a Odisseia tenham sido compostas por mais deuma pessoa. Questiona-se a unidade dos poemas: há especialistasque afirmam ser a Odisseia uma obra pertencente a umautor diferente do autor da Ilíada. Até pouco tempo,dizia-se que a Odisseia havia sido escrita por umamulher.
  12. 12.  Os poemas homéricos foram congelados na escrita cerca de200 anos depois de terem sido compostos por Homero. F. A.Wolf (1795) afirma que Pisístrato, tirano ateniense do séculoVI a.C., mandou que se escrevesse os poemas, que, atéentão, eram passados de geração para geração através daoralidade e da memória. Além disso, a divisão em cantos foi feita pelos filólogos daBiblioteca de Alexandria, cerca de mil anos depois dacomposição de Homero. Ainda além disso, os copistas, durante a Idade Média,também fizeram suas interpolações na hora de reproduzir osseus manuscritos. E ainda além disso, as obras de Homero, no século XVI,foram editadas para serem publicadas, pela primeira vez,impressas.
  13. 13.  Sim, pois toca na questão da própria natureza da fonte queestamos estudando. Não podemos estudar Homero semesbarrar com a Questão Homérica. Seria ignorar séculos deestudo filológico acerca da nossa documentação. Contudo, esse problema não deslegitima o estudo das obrashoméricas (como se elas fossem “menos importantes” ou“menos verídicas”, portanto mais indignas de atenção dohistoriador), tampouco atrapalha o desenvolvimento deles: éfato que os poemas homéricos existem, na forma em queestão. É consensual que a ética homérica é única: tanto a Ilíadaquanto a Odisseia tratam de uma mesma sociedade, de ummesmo grupo social e do mesmo código de conduta deste. Aunidade dos poemas, assim, residem na ética social, não nacomposição.
  14. 14. Daskalopétra, a “Pedra do Mestre (Homero)”. Chios, Grécia. Fotografia deAlexandre Santos de Moraes em 10/08/2012.
  15. 15. “TAVÉRNA ÓMIROS”, restaurante na região de Daskalopetra, em Chios.Fotografia de Alexandre Santos de Moraes em 10/08/2012.
  16. 16. Lira esculpida em mármore branco na praçacentral de Chios com a inscrição ΟΜΗΕΡΟΣ emsua lateral esquerda. Chios, Grécia. Fotografiade Alexandre Santos de Moraes em 12/08/2012.Κέντρο Ομήρειο, o “Centro Cultural Homérico”, espaço mantidopelo governo de Chios com vistas a incentivar atividadesartísticas e científicas, incluindo a recitação dos épicostradicionais. Fotografia de Alexandre Santos de Moraes em12/08/2012.
  17. 17.  “E, de repente, entre Chios e Homero há um amálgama,uma simbiose que, apesar de fundada quase queexclusivamente nos discursos, possui uma materialidadeabsolutamente inquestionável. Chios identifica Homero eHomero, por sua vez, identifica Chios. Essa situação,tão complexa quanto instigante, exige que oshomerólogos façam a opção entre duas formas dehistória que parecem contraditórias, mas que são,talvez, anverso e reverso da mesma moeda. Chios noslembra que uma existência possível de Homero é tãohistórica quanto sua impossibilidade de existência, (...)(MORAES, 2012, p. 10).”
  18. 18.  Há uma longa discussão historiográfica sobre os heróisem Homero: Joseph Campbell (déc. 1940): o herói é um homem quemorreu como um “homem moderno”, mas que, como um“homem eterno”, ou seja, “aperfeiçoado, não específicoe universal”, renasce para “retornar ao nosso meiotransfigurado, e ensinar a lição de vida renovada queaprendeu” (CAMPBELL, 2007, p. 28). Robert Aubreton (déc. 1950): questão da “psicologiahomérica”; “acabamos por considerá-lo não mais comoherói sobre-humano, mas como homem igual a nós que,por sua virtude e piedade, chega a se superar”(AUBRETON, 1968, p. 188).
  19. 19.  Cedric Whitman (déc. 1960): Ele tenta compreender aIlíada à luz das noções que regem aquela sociedaderepresentada por Homero (e a relação existente entre osheróis e essa sociedade). Para esse autor, a Ilíada jáapresenta um discurso bem próximo do trágico, no quala humanidade dos heróis é representada de modo maisacentuado e a demonstração de sentimentos (comoraiva, amor, compadecimento) é comum. Karl Kerényi (1958): os heróis se mostram “entrelaçadoscom a história, com os acontecimentos, não de umtempo primevo, que está fora do tempo, mas do tempohistórico [...]. Eles surgem diante de nós como setivessem, de fato, existido” (KERÉNYI, 1998, p. 17).
  20. 20.  Gregory Nagy (1979): nas epopeias, no entanto, não há amenção ao culto dos heróis pelo fato de já existir umaconotação pan-helênica nelas: esse culto é estritamentelocal. David J. Lunt (2010): mostra como o herói homérico serviu deexemplo para os homens da pólis, sobretudo para os atletas.Para isso, ele delineia com mais precisão o que seria umherói para os gregos e os modos pelos quais eles foramrememorados. Christopher Jones (2010): mostra como o termo hḗrōs (herói)foi utilizado ao longo do tempo para denominar não maisaqueles grandes heróis do passado, mas também pessoascomuns que se destacavam de algum modo na sociedade,ressaltando como a difusão dessas histórias míticas foramimprescindíveis para que essa definição penetrasse nosinterstícios das sociedades do período clássico. Assim, suaanálise perpassa desde o herói homérico (mítico) até o herói
  21. 21. PaideíaPaîs=criançaCriar crianças.Constitui-se na transmissão de saberes ede práticas culturais.
  22. 22. Casar-seRespeitar osanciãos, sobretudoos pais, cuidandodos seus funeraisTer filhos (dosexoPrestar homenagensaos deuses(sacrificar a eles,manter o fogosagrado)Comer opão e beber dovinho (misturadoà água)Força físicaForça intelectualBelezaSer corajoso, lutar naprimeira fila decombateSaber músicaFalar o grego eparticipar dos debatesObedecer às leis

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