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Coesão e coerência textuais

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Aula de Coesão e Coerência textuais.

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Coesão e coerência textuais

  1. 1. Prof.: Raul G. M. Silva
  2. 2.  A palavra texto bem do latim texto e significa, literalmente, “tecido”. Da mesma família semântica temos: 1. Textura (ês) [Do lat. Textura.] S. f. 1. Ato ou efeito de tecer. 2. tecido, trama, contextura (...) 2. Contextura (ês) S. f. Ligação entre partes de um todo; encadeamento, contexto (...)
  3. 3.  Produzir um texto se assemelha à arte de tecer, ou seja, você conduz um fio ora para cá, ora para lá, sempre com cuidado de amarrá-lo para que o trabalho não se perca. VEJA O EXEMPLO A SEGUIR.
  4. 4. O verdadeiro preço de um brinquedo É comum vermos comerciais direcionados ao público infantil. Com a existência de personagens famosos, músicas para crianças e parques temáticos, a indústria de produtos destinados a essa faixa etária cresce de forma nunca vista antes. No entanto, tendo em vista a idade desse público, surge a pergunta: as crianças estariam preparadas para o bombardeio de consumo que as propagandas veiculam? Há quem duvide da capacidade de convencimento dos meios de comunicação. No entanto, tais artifícios já foram responsáveis por mudar o curso da História. A imprensa, no século XVIII, disseminou as ideias iluministas e foi uma das causas da queda do absolutismo. Mas não é preciso ir tão longe: no Brasil redemocratizado, as propagandas políticas e os debates eleitorais são capazes de definir o resultado de eleições. É impossível negar o impacto provocado por um anúncio ou uma retórica bem estruturada.
  5. 5. O problema surge quando tal discurso é direcionado ao público infantil. Em comerciais para essa faixa etária seguem um certo padrão: enfeitados por músicas temáticas, as cenas mostram crianças, em grupo, utilizando o produto em questão. Tal manobra de “marketing” acaba transmitindo a mensagem de que a aceitação em seu grupo de amigos está condicionada ao fato dela possuir ou não os mesmos brinquedos que seus colegas. Uma estratégia como essa gera um ciclo interminável de consumo que abusa da pouca capacidade de discernimento infantil. Fica clara, portanto, a necessidade de uma ampliação da legislação atual a fim de limitar, como já acontece em países como Canadá e Noruega, a propaganda para esse público, visando à proibição de técnicas abusivas e inadequadas. Além disso, é preciso focar na conscientização dessa faixa etária em escolas, com professores que abordem esse assunto de forma compreensível e responsável. Só assim construiremos um sistema que, ao mesmo tempo, consiga vender seus produtos sem obter vantagem abusiva da ingenuidade infantil. Carlos Eduardo Lopes Marciano, 19 anos, Rio de Janeiro – ENEM 2014
  6. 6.  O ato de escrever toma de empréstimo uma série de palavras e expressões do ato de tecer: tessitura, fio narrativo, enredo (ENREDAR significa “entrelaçar os fios para fazer a rede”).  Quando se tece, um ponto de vista deve estar ligado a outro para formar a trama, o que significa que um ponto sozinho não forma um tecido.  Também não construímos um texto apenas com uma palavra: ele precisará sempre de outras palavras. E para se tecer um texto, é preciso amarrar uma palavra a outra, uma oração a outra, uma ideia a outra. Ou seja, o texto precisa ser coeso e coerente. OBSERVE MAIS UM EXEMPLO
  7. 7. “Era uma noite chuvosa de outubro, a primeira do que prometia ser um fim de verão chuvoso. Os relâmpagos riscavam o céu numa fúria avassaladora e os sucessivos trovões faziam o mundo estremecer com seu poder. Deitado no pequeno sofá da sala, no pequeno casebre de três cômodos, construído ao lado da capela, Emanuel tentava dormir. Contudo por mais que o fizesse não conseguia. Não eram apenas os pingos de chuva que atingiam o telhado e as janelas como as balas de uma metralhadora ou mesmo o barulho agourento produzido pelo vento ao passar com força nas frestas das portas, que o impediam de adormecer. De fato, ele ainda tentava esquecer o episódio que o conduzira até ali, que o levara a abandonar a cidade grande para morar com seu tio numa cidadezinha esquecida por Deus no interior do estado.
  8. 8. Ele sacudiu a cabeça pra livrar a mente de tais pensamentos. Não era bom pensar naquilo. Mesmo que seu tio lhe dissesse para fazer o contrário. Afinal, ele de nada sabia. Não estava lá quando aconteceu. Ele não vira o que ele tinha visto… não sentira aquela sensação de morte e… pare! Emanuel sacudiu a cabeça, tinha que parar de pensar naquilo. Os acontecimentos eram terríveis demais para ele e muitas vezes, nas poucas noites em que conseguiu dormir, ainda o acordavam durante a noite, encharcado de suor e tremendo da cabeça aos pés devido aos pesadelos. Ele se sentou no sofá e ficou encarando a lareira vazia defronte sem vê-la, perdido em seus pensamentos sombrios os quais agora não conseguia mais se livrar. As comportas tinham sido abertas e fechá-las agora seria quase impossível. Enquanto tentava esquecer o próprio passado, um súbito clarão iluminou a sala escura como breu, projetando as sombras dos móveis nas paredes e no teto.” [...]
  9. 9. “A Coesão não nos revela o significado do texto; revela-nos a construção do texto enquanto edifício semântico. – M. Halliday e R. Hasan, no livro Cohesion in English.”  A metáfora acima é muito feliz: um texto bem estruturado lembra-nos um edifício sólido, bem arquitetado. Assim como as partes que compõem a estrutura de um edifício devem estar bem conectadas, as várias partes de uma frase também devem se apresentar bem “amarradas”, para que o texto cumpra sua função primordial – SER UM VEÍCULO DE INTERAÇÃO ENTRE O PRODUTOR DO TEXTO E SEU LEITOR.
  10. 10.  É justamente essa “amarração” entre as várias partes do txto; na definição de Maria Thereza Fraga Rocco, temos “coesão como sendo a união íntima entre as partes de um todo”.  No Manual do Vestibular da Unicamp, no item dedicado à coesão, encontramos a seguinte passagem: Será avaliada sua capacidade de empregar adequadamente os recursos (vocabulares, sintáticos e semânticos) de que dispõe a linqua portuguesa, para relacionar termos ou segmentos na construção de um texto. Em outras palavras, você deverá demonstrar que sabe fazer uso adequado, por exemplo, dos pronomes e das conjunções. Deverá também demonstrar que sabe estabelecer relações semânticas adequadas entre as palavras da língua portuguesa.
  11. 11.  A sustentação do texto se dá na coesão em dois sentidos: O GRAMATICAL e O SEMÂNTICO.  O primeiro visa a articulação dos elementos linguísticos, OBSERVANDO A ESTRUTURA E AS REGRAS DAS RELAÇÕES SINTÁTICAS POSSÍVEIS E COERENTES DENTRO DE UM TEXTO;  O segundo, A ARTICULAÇÃO DE ELEMENTOS LINGUÍSTICOS QUE FAZEM REFERÊNCIA A UM DETERMINADO CAMPO SEMÂNTICO.
  12. 12.  COMO JÁ VIMOS, são palavras que têm sua carga significativa plena apenas quando os relacionamos a um substantivo (já citado anteriormente ou que ainda será citado). Isso significa que um pronome nunca tem autonomia e, por se relacionar com outro termo, torna-se fundamental na arquitetura, na “amarração” de um texto: “Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena Eles são maduros e úmidos e inquietos” (Vinicius de Moraes)
  13. 13.  COMO JÁ VIMOS, são palavras que têm sua carga significativa plena apenas quando os relacionamos a um substantivo (já citado anteriormente ou que ainda será citado). Isso significa que um pronome nunca tem autonomia e, por se relacionar com outro termo, torna-se fundamental na arquitetura, na “amarração” de um texto: “Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena Eles são maduros e úmidos e inquietos” (Vinicius de Moraes)  O pronome eles refere-se a um termo antecedente: os lábios da mulher morena, referência anafórica.
  14. 14. “Vós, meus amigos e meus irmãos, que guardais os meus cantos.”
  15. 15. “Vós, meus amigos e meus irmãos, que guardais os meus cantos.”  O pronome vós refere-se a um termo que ainda será citado: meus amigos e meus irmãos, referência catafórica. “que apanhe o grito que um galo antes o lance a outro”
  16. 16. “Vós, meus amigos e meus irmãos, que guardais os meus cantos.”  O pronome vós refere-se a um termo que ainda será citado: meus amigos e meus irmãos, referência catafórica. “que apanhe o grito que um galo antes o lance a outro”  O pronome o refere-se a um termo antecedente: o grito, referência anafórica.
  17. 17.  COMO SABEMOS, associam a ideia de posse às pessoas do discurso, relacionando a coisa possuída com a pessoa do possuidor. “Através do projeto, os professores podem usar o jornal de forma interdisciplinar. Eles pegam o jornal com seus diferentes temas e cadernos e aproximam o aluno da sua realidade. Com o acompanhamento do professor os alunos podem estar atualizados e muito bem-informados”, afirma. Jornal do Commercio – eletrônico. Jornal – Seus Aluno – Sua
  18. 18.  Além de mostrarem um termo antecedentes, em geral introduzem uma oração subordinada e desempenham função sintática nessa oração. O emprego incorreto de pronomes relativos (que, o qual, cujo) desestrutura por completo o texto: “A República é ainda uma jovem de quatorze anos, cujos princípios estão em plena fase de consolidação sob o governo Rodrigues Alves, naquele ano de 1904.” Jornal do Commercio de Manaus – Eletrônico.  O pronome relativo cujos retoma Republica inserindo-o na oração adjetiva na função de adjunto adnominal (princípios republicanos).
  19. 19.  No contexto textual, relacionam-se as pessoas do discurso, fazendo referência ao substantivo que preenche o significado dela, e indicam a posição do substantivo em relação ao que se declara dele: “Em campo, os jogadores retribuíram o interesse do publico, da melhor maneira: balançado as redes. Foram 250 gols em 90 jogos, gerando uma média de 2,7. a torcida que mais vezes comemorou foi a do Sport. Este fez 40 gols, contra 38 do Náutico e 32 do Santa.” Jornal do Commercio de Recife – Eletrônico. Sport – Este
  20. 20.  São aqueles que se referem à terceira pessoa do discurso de modo impreciso, indeterminado, genérico: “que acompanhe o grito que um galo antes e o lance a outro”  O pronome outro refere-se a um termo antecedente um galo, referencia anafórica.
  21. 21.  No caso de palavras fóricas, isto é, aquelas que preenchem seu significado pela associação com um referente, como é o caso dos pronomes, o distanciamento entre eles (a palavra fórica e seu referente) pode provocar ambiguidade ou, até mesmo, ruptura da sustentação coesiva.
  22. 22.  Conjunções e Preposições – São responsáveis pela ligação de elementos linguísticos (palavras, frases, orações e períodos), podendo carregar ou não significado para as relações que fazem. As conjunções, assim como as preposições, não desempenham função sintática, o que ressalta seu papel de elementos conectores: “A artista plástica Sylvia martins sempre quis viver em um barco. Contudo, enquanto o sonho não se realiza, a gaúcha de 48 anos vive debruçada sobre o azul do Arpoador, em um loft contemporâneo que conta até com uma cozinha em forma de proa, de frente para o mar.” JB online.  A conjunção contudo relaciona o período que introduz com a oração anterior, carregando uma noção de restrição.  As preposições estabelecem ligações entre as palavras do enunciado acima e transmitem noções de, por exemplo, lugar (em), idade (de), posição (sobre), posse (de), acessório ou complemento (com), modo (em), direção (para).
  23. 23.  No caso dos conectivos, o emprego de conjunções e/ou preposições sem considerar as noções semânticas que essas palavras carregam pode acarretar problemas sérios de sentido, desde contradição até a falta de sentido.
  24. 24.  Dão corrdenadas sobre a localização noespaço e no tempo dos elementos a que se referem e que podem aparecer no contexto textual: “O parque não hospeda turistas. Uma boa dica é a fazenda Santa Amélia, (64) 634-1380, a menos de 30 km dali.” Parque – dali
  25. 25.  Como EM RESUMO, POR UM LADO, POR OUTRO LADO, DAÍ, ENTÃO, PARA COMEÇAR, etc., encarregam-se da organização das informações do texto: “Se por um lado a diretoria faz uma jogada de risco em apostar num treinador em inicio de carreira, mas com forte ligação com o clube, por outro, mauro Galvão coloca a acomodação de lado e deixa de ser auxiliar-técnico no Vasco para assumir a responsabilidade de comandar a equipe que figura entre os últimos colocados do Campeonato Brasileiro.” JB online.
  26. 26.  Consiste no ocultamento de um termo da oração facilmente identificável quer por elementos gramaticais presentes na própria oração, quer pelo contexto. Tal omissão deliberada é chamada de elipse (do grego élleipsis, “omissão”).  Um caso especial dessa figura de construção é o zeugma (do grego zeûgma, “junção”), que consiste na omissão de um termo já mencionado anteriormente. “O rei da brincadeira – ê José O rei da confusão – ê João Um trabalhava na feira – ê José Outro na construção – ê João” GIL, Gilberto  Caso de construção elíptica no poema: a forma verbal trabalhava, no ultimo verso – ZEUGMA.
  27. 27.  Evita a redundância na exposição das ideias, retomando uma palavra, uma frase ou um período com o emprego de termos como assim, o mesmo, também, etc.: “E Bernardo Resende já avisou qual o próximo objetivo da seleção masculina de vôlei. ‘Ouro nos Jogos de Atenas? Sim, esse é o nosso sonho, mas muitas equipes querem o mesmo. Então o sofrimento começará de novo’.”  O termo o mesmo substitui o ouro nos Jogos de Atenas.
  28. 28.  Consiste na reiteração de um termo ou termos da mesma família lexical. Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas. Elas migam sêmeas e restos de comida azeda. (Maria Velho da Costa, Cravo, pág. 133) “ecologia – Não existe crime contra a ecologia, apenas contra a natureza ou o ambiente. O termo designa apenas o ramo da biologia que estuda as relações entre seres vivos e seu ambiente.” [...] Folha de SP – online.
  29. 29.  Substituição de uma unidade lexical por outras que com ela mantêm relações de sentido: 1. Por sinonímia: substituição de palavras ou expressões por sinónimos: Ex.: O teu gato é bonito. Onde arranjaste o felino? 2. Por antonímia: substituição de palavras ou expressões por antónimos: Ex.: Carlos Cruz fala verdade? Ou terá optado pela mentira? 3. Por hiperonímia / hiponímia: são dois polos de uma mesma relação. Aquela baseia-se no hiperônimo, isto é, uma palavra que designa toda classe como um todo; esta, no hipônimo, ou seja, palavra que desgna um elemento que pertence a uma classe ou um conjunto. Ex.: Quero os teus brinquedos, sobretudo o palhaço e comboio. (hiperónimo / / hipônimo)

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