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000 capa a 022 final aka om lind mundo

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1ª parte Resenha para Catálogo Aka Om Lind' Mundo

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000 capa a 022 final aka om lind mundo

  1. 1. arte EXPOSIÇO ES | EVENTOS apresenta OM AUM MUDANÇA MOVIMENTO 2014 2015
  2. 2. LIND'MUNDO Dedicada à eterna memória de Letícia da Conceição Bicho, Grande Mãe e Grande Apreciadora de Arte. Como é Lindo o Mundo, pensamos os dois enquanto debruçamos em conjunto o olhar sobre a beleza distintiva desta Vila. Nesta topografia singular, grandiosa, é mais fácil entrar em contacto com a histó-ria comum que nos une e que nos traz hoje ao MUSA. A amizade entre um Escultor e um Pintor, uma também ela singularidade no espaço e no tempo, aglutinou a vontade e a opor-tunidade sob o auspício e teto cultural no Município de Sintra e o resultado é este: Lind'Mundo. No Algarve dizemo-lo assim, em dialeto, e se nos perguntarem, provavelmente res-ponderemos “é Lind' porque é Linde, não é precise outras justificações”. “Outro mestre estava a tomar chá com dois dos seus alu-nos quando, subitamente atirou o leque para um deles, dizendo «o que é isto?» o aluno abriu-o e abanou-se. «Não é mau», foi o seu comentário. «Agora tu.», conti-nuou, passando-o ao outro aluno, que imediatamente fe-chou o leque e coçou o pescoço com ele. Feito isto, abriu-o novamente, colocou um pedaço de bolo sobre ele e ofe-receu- o ao mestre. Este foi considerado ainda melhor, porque, quando não existem nomes, o mundo deixa de estar «classificado dentro de limites e fronteiras». In “O Caminho do Zen”, de Alan Watts Esta mostra, sobretudo porque não se clas-sifica dentro de limites ou fronteiras, está integrada na iniciativa associativa AKA OM dedicada aos temas – Mudança |Mo-vimento |Crise |Criatividade - e a expo-sição desta coleção de Obras de Jorge Mo-reira e Nuno Quaresma antecipa uma sé-rie de outras atividades e iniciativas que decorrerão em 2015 e que poderão ser acompanhadas em www.numdiaperfei-to. com . Num dia perfeito pinta-se, esculpe-se, alimenta-se o corpo e a alma, ama-se e en-sina- se a amar. “Não te iludas. O ontem já se passou, o amanhã ainda não existe. Vive, pois, a única certeza que tens agora: este dia!” Augusto Branco aka Nazareno Vieira de Souza
  3. 3. OM AUM prefácio OM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu iní-cio distante… Vivo na era da descoberta do Bosão de Higgs, do pleno, segu-ro e consolidado funcionamento do Acelerador de Partículas do CERN, já numa época pós Relatividade Geral de Einste-in, nos tempos da elaboradíssima complexidade matemática da Teoria das Cordas. No meu íntimo, no fundo da minha alma (será que esta exis-te?) procuro contudo e apenas ouvi-lo: este silêncio que é tam-bém um rumor sem fim. Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, es-sa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte. Já me explicaram que maís o conseguiria integrar se tivesse “o copo menos cheio”. É mais fácil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa malga (amálgama!) a transbordar. A dura tarefa que tenho hoje pela frente é esvaziar-me desse caudal. É minha essa tarefa apenas porque a escolho. Não sei se sou capaz, se estou à altura da complexa exigên-cia do seu postulado. Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma crian-ça (talvez até com um pouco da sua indisciplina e irreverên-cia). Por isso começo por desenhar e pintar. Não me levem a mal. Não sou capaz de o fazer de outra forma agora. Vou pintar o que não compreendo, pintarei tudo o que me dis-traí o pensamento, para ver se a pintar desmistifico e des-mistificando exorcizo essa força magnética que me agarra obsessivamente à forma das coisas. Pensando menos sentirei talvez mais. Mais perto estarei tal-vez do essencial, do conteúdo. Mais perto da verdade, quem sabe, da consciência, do coração… de Ti! Aka OM (Aum), já em outubro deste ano, com o apoio Tailo-red, AKA Art Projects e da Câmara Municipal de Sintra. 01
  4. 4. Aum (or OM) is a mantra, or vibration, that is traditionally chanted at the beginning and end of yoga sessions. It is made up of three Sanskrit letters, aa, au and ma which, when combined together, make the sound Aum or Om. It is believed to be the basic sound of the world and to contain all other sounds. It is said to be the sound of the universe. What does that mean? Somehow the ancient yogis knew what scientists today are telling us–that the entire universe is moving. Nothing is ever solid or still. Everything that exists pulsates, creating a rhythmic vibration that the ancient yogis acknowledged with the sound of Aum. We may not always be aware of this sound in our daily lives, but we can hear it in the rustling of the autumn leaves, the waves on the shore, the inside of a seashell. Chanting Aum allows us to recognize our experience as a reflection of how the whole universe moves–the setting sun, the rising moon, the ebb and flow of the tides, the beating of our hearts. As we chant Aum, it takes us for a ride on this universal movement, through our breath, our awareness, and our physical energy, and we begin to sense a bigger connection that is both uplifting and soothing. 02
  5. 5. Maria João A respiração dilata-se no ar pesado do interior cores esbatidas, vidraças molhadas, sonhos que pingam beijos inaudíveis, olhar no vazio, coração menos pesado hálito carnal, mãos que se tocam, corpos que se fundem O silêncio é a linguagem dos amantes. Não sabes o meu nome, não conheço a tua história, não interessa quem somos. As fotos das crianças que fomos culminam neste momento presente; tudo é este segundo que vivemos todas as gotas do oceano estão dentro destas paredes as rugas que ambos escondemos brilham na sua solidão nós somos tudo, por saber ser nada acolhes-me nos teus braços como se fosse o teu único filho recém regressado Abro-te os meus como se fosse um porto de abrigo para um navio que não navega. Não me chegaste a dizer qual o preço Também não te perguntei, será verdade Abri-te a porta e limitaste-te a entrar não te disse o destino, não saberíamos por onde querer ir Encalhámos por breves momentos neste canto esquecido com vista para o nada por segundos fugazes não existimos; desaparecemos no frio da noite olhas-me antes de fechar a porta, não sorris, não falas olhas-me simplesmente; sei que vais partir e nunca mais me ver; Sinto-te a entrar nas minhas veias, a matar as minhas defesas Pouco a pouco possuir-me às, átomo… a átomo definharei este corpo efémero e vazio de significado sucumbirei ao cheiro da doença finalmente pertencerei ao teu abrigo Por toda a eternidade que esta noite não pode dar. Aum (or OM) is a mantra, or vibration, that is traditionally chanted at the beginning and end of yoga sessions. It is made up of three Sanskrit letters, aa, au and ma which, when combined together, make the sound Aum or Om. It is believed to be the basic sound of the world and to contain all other sounds. It is said to be the sound of the universe. What does that mean? Somehow the ancient yogis knew what scientists today are telling us–that the entire universe is moving. Nothing is ever solid or still. Everything that exists pulsates, creating a rhythmic vibration that the ancient yogis acknowledged with the sound of Aum. We may not always be aware of this sound 03
  6. 6. 04
  7. 7. Pintura acrílico / carvão sobre tela - 120X90cm, “Revelação”, Artur Simões Dias – Dezembro 2013 / em curso (2014) Não existe nada melhor do que um traço para projectar um sonho mas digo certamente que melhor do que um traço é mes-mo um desenho para nos fazer sonhar. É nesses sonhos que re-vivemos, crescemos, retornamos à nossa infância, que somos realmente felizes. O princípio de sonho nada tem a ver com a realidade mas é em cada mundo próprio que depositamos os nossos anseios, as nossas preocupações, os nossos quereres, trechos da nossa vida vivida e outros tantos de vida desejada. Sonhamos a dormir ou acordados. Muitas vezes dou comigo a projectar e a idealizar situações que me são confortáveis e outras que me são desagradáveis, mas é no sentimento do tra-ço que vemos a simplicidade dos sonhos. Querem aflorar tesouros mas nós queremos ainda mais que sejam revelados esses mesmos tesouros a nós porque perde-mos a inocência de acreditar que o mundo é um perfeito con-torno do nosso corpo e que somos capazes de tudo. Transportar os sonhos num desígnio de projecção é um passo para entendermos um pouco aquilo que perdemos e que um dia já foi nosso. O traço, prolongamento do nosso pensamento, meio de fazer reflectir as nossas vivências. É com ele que numa história de pequenos pedaços de sentimento faremos um conto para per-durar, na infância da nossa idade adulta. Deixemo-nos levar para outros mundos, deixemo-nos levi-tar pela experiência dos seus sonhos e esperaremos que con-sigamos colocar-nos nos ombros dos nossos desenhos e cres-cer, ir mais além e sonhar. 05 PREENCHENDO SONHOS
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  9. 9. Jorge Moreira Escultor, poeta visual, artista singular com uma visão fantástica, as suas obras de escultura, são autênticas filigranas em pedra ou madeira, onde as imagens se ligam entre si com elegância numa fantasia musical, onde se misturam pe-quenos seres alados e plantas e por vezes notas musicas. Nasceu em 1962. Curso de Artesão do Brinquedo no Centro Cultural Roque Gameiro. Aderecista no filme para crianças “Zás Trás”. Criação de Decors para Vitrinismo. Colaborador de Escultura de 2005 no Centro Internacional de Escultura. Exposição coletiva de pintura e escultura no Ministério do Trabalho e Solidari-edade Social. Exposição colectiva “Tightrope”, Cidadela de Cascais, 2008. Participação no concurso “Utopia 2” Artes Fantástica, 2010. Exposição coletiva de pintura e escultura “Arte Fantástica e Surrealismo 2”, Ca-sa da Cultura de Mira Sintra, 2012. Exposição coletiva Círculo Artístico Artur Bual, Vila Alda, 2012. Exposição coletiva com Olga Alexandre, Biblioteca José Régio, 2012. Exposição de Escultura ao Ar Livre, Amadora, 2013. Exposição coletiva “Surrealism”, Casa Museu Roque Gameiro, 2013. Participação em feiras esculpindo ao vivo: Feira Medieval de Sintra em 2011 e 2012; Feira Setecentista de Queluz em 2011 e 2012; Feira de Arte Contemporânea em 2010 e 2011; Feira de Arte em Pequeno Formato na Casa Roque Gameiro; Feira de Artesanato da Junta de Freguesia de Venteira. 07 Jorge Moreira, meu amigo e escultor, tem comigo em comum as raízes ensolaradas do sul, as origens árabes ou berberes dos nativos de Silves. Será, porventura, por isso que a sua obra se desdobra em notá-veis arabescos, poéticos e singelos, que desafiam a aspereza dos materiais em no-táveis e delicadas filigranas de madeira ou de pedra. O escultor, munido de uma paciência ili-mitada, desbasta da pedra bruta, ou do tronco informe, num trabalho incansável de fabulosa e laboriosa formiga, a ganga inútil da matéria em excesso. É este o seu processo de trabalho criativo: uma ima-gem oculta na mente, uma visão ideal que só tem existência na cabeça do artis-ta, que aos poucos toma forma e se desve-la revelando-se paulatinamente ao nosso olhar. Eis, por fim, ao cabo de um tempo de dura-ção indeterminada, a peça primorosa-mente trabalhada, elegante no talhe, de acabamento delicado, na fragilidade da qual se entrelaçam flores e peixes e estre-las, frutos de um universo plástico que é feito da matéria dos sonhos. Obrigado, meu amigo, pela pertinácia do teu trabalho, pela tua criatividade poéti-ca, pela delicadeza da tua obra, pela hu-mildade com que fazes do quotidiano uma pequena obra de arte. António Moreira Vereador da Cultura da Câmara Munici-pal da Amadora
  10. 10. MOVIMENTO, MUDANÇA E SUPERAÇÃO A vida é uma constante mutação. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” ou não? Quando andava na escola secundária e nas aulas de História a “stôra” nos perguntava como estavam as coisas no período em análise, independentemente de qual fosse a época em questão, tínhamos uma colega que respondia invariavelmente: — Mal, muito mal! E estava sempre correcto! (Hoje também o estaria.) Há 30 anos estávamos sob alçada do FMI… Hoje também estamos. Antigamente os nossos jovens partiam em busca de algo melhor… Hoje também. Nasci em França. Os meus pais partiram em busca daquilo que cá não conseguiam ter. Não conheciam a língua, nem tinham garantias de sucesso. Vingaram, cresceram e voltaram. Conseguiram dar-nos mais do que o que tiveram, e com isso fizemos mais e mais. Não se conformaram. Lutaram. Reclamar é sempre fácil, difícil é ser diferente Quem quiser pode ser dócil e seguir na mesma em frente… …mas se tiver ousadia de lutar contra os moinhos Sairá da monotonia e abrirá novos caminhos! Vivo no Porto. E vivo o Porto. O Porto é uma cidade linda. Passear na baixa e observar as fachadas lindíssimas que por cá proliferam é uma experiência única… Desçamos mentalmente a belíssima Avenida dos Aliados, passeemos na rua Mousinho da Silveira, na rua das Flores, na Ribeira…. Edifícios talhados em pedra, imponentes, majestosos, coexistem com estruturas simples e frágeis, de madeira e de saibro, cujos pórticos cheiram a bafio, devido à humidade e ao caruncho. Estes por sua vez, vivem lado a lado com novas construções, coloridas e garridas, recentes e diferentes… Cada época tem a sua arquitectura, as suas influências, acrescenta o seu contributo… É a junção de tudo isso que compõe a cidade, a sociedade, a humanidade! Ousemos mudar, e aportemos também o nosso grão de areia! Elisabete Gonçalves Luís Vaz de Camões, in "Sonetos" O Fundo Monetário Internacional interveio em Portugal pela primeira vez em 1977 quando Ramalho Eanes era Presidente da República e Mário Soares era primeiro-ministro do primeiro Governo Constitucional, depois em 1983 e mais recentemente em 2011. Elisabete Gonçalves Silva Autora do livro Percursos Imprecisos, 2013, Lugar da Palavra, descobriu na esco-la primária o gosto pela escrita, sendo as composições (ou redacções) os seus traba-lhos de casa favoritos. Aos 12 apaixonou-se pelo Porto, onde vive desde então. Licenciada em Línguas e Literaturas Mo-dernas, conta também com um Master en Excelencia Educativa como reforço das su-as competências didácticas e de formação, função que desempenhou profissional-mente por diversas vezes, enquanto cola-boradora de uma das maiores empresas de telecomunicações portuguesa, cujos qua-dros integra. Define-se como apaixonada pela vida, pe-la família, pela cultura, pelos animais e pe-la cidade do Porto, cidade belíssima que é parte integrante da sua identidade. Percursos Imprecisos Sinopse: Percurso Imprecisos conduz-nos pelo Por-to, do Bonfim à Ribeira, com as tropelias habituais da adolescência e do primeiro namoro. Pode uma tragédia condicionar os eventos futuros de uma ou mais vidas? Carlos vive, cresce… As aventuras suce-dem- se, caminhos novos cruzam-se, amo-res surgem… Um livro a não perder! 08
  11. 11. Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Fus-ce semper neque nec feugiat eleifend. Nullam mollis molestie tellus. Suspendisse semper massa nec orci semper, sit amet suscipit lorem mattis. Mauris vestibulum dolor ut ligula adi-piscing vulputate. Suspendisse rutrum nisl sit amet neque fa-ucibus molestie. Proin eget sem vel leo consectetur volutpat et in diam. Sed ac erat eget enim dictum pulvinar. Phasellus viverra dapibus sapien a condimentum. Pellentesque habi-tant morbi tristique senectus et netus et malesuada fames ac turpis egestas. Aliquam convallis ornare lectus, at fringilla nisl blandit in. Vivamus ultrices sem ipsum, eu faucibus nul-la pretium vel. Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adi-piscing elit. Fusce semper neque nec feugiat eleifend. Nul-lam mollis molestie tellus. Suspendisse semper massa nec or-ci semper, sit amet suscipit lorem mattis. Mauris vestibulum dolor ut ligula adipiscing vulputate. Suspendisse rutrum nisl sit amet neque faucibus molestie. Proin eget sem vel leo consectetur volutpat et in diam. Sed ac erat eget enim dictum pulvinar. Phasellus viverra dapibus sapien a condimentum. Pellentesque habitant morbi tristique senectus et netus et ma-lesuada fames ac turpis egestas. Aliquam convallis ornare lectus, at fringilla nisl blandit in. Vivamus ultrices sem ip-sum, eu faucibus nulla pretium vel. Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Fusce semper neque nec fe-ugiat eleifend. Nullam mollis molestie tellus. Suspendisse semper massa nec orci semper, sit amet suscipit lorem mat-tis. Mauris vestibulum dolor ut ligula adipiscing vulputate. Suspendisse rutrum nisl sit amet neque faucibus molestie. Proin eget sem vel leo consectetur volutpat et in diam. Sed ac erat eget enim dictum pulvinar. Phasellus viverra dapibus sapien a condimentum. Pellentesque habitant morbi tristi- Ai, o u v e quero di-zer- te uma co-isa importante. Gosto de ti, de uma maneira tão especial, aliás única, porque também és único. Amo-te desde o prime-iro dia da tua vida, antes talvez já te amasse... não sei se se pode ser ama-do antes de se ser completo, mas talvez já te amasse um pouco antes de acordares para a consciência. Já te sentia. Único, para além de mim mesmo, legítimo, com sede e fome de tudo e eu com uma vontade indomável de te ajudar a viver e a ser completo, feliz. Com uma vontade incontornável de fazer também esse caminho contigo, de aprender a ser feliz. Um dia de cada vez, de hora em ho-ra, minuto a minuto, com o coração emba-lago pelos segundos. Vivos! É tão bom estar vivo. É tão bom sentir-te... Vida. O ontem já foi, o ama-nhã, para além de todas as minhas previsões, não sei o que será, por isso é tão espe-cialmente bom es-t a r AMO MOVO logo 09
  12. 12. a) Introdução Carceri d'Invenzione… Prisões de invenção, prisões inventadas, imaginadas… Antes mesmo de iniciar uma pesquisa sobre a história pessoal, da construção da obra ou até do contexto em que ocorreu a sua produ-ção, recordo sobretudo o primeiro impacto, a primeira impressão que me ficou marcada na memória. Apesar de ser uma obra descoberta por sugestão directa da Profes-sora Jacs Aorsa, contextualizada no briefing geral para este tra-balho para a disciplina de História e Práticas do Desenho, o que guardo como ânimo e mote para esta reflexão é esta impressão sen-tida, investida da curiosidade dos primeiros encontros. O que me fica sobre este conjunto extraordinário de 30 placas de gravura, que me deixou uma forte sensação de presença no Imagi-nário de Piranesi, e que são justamente intituladas “Carceri d'Invenzione”, é a impressão de estar a entrar num espaço de inti-midade. Esse espaço rico e único a qual raramente se tem acesso, tornou-se no móbil para todo o processo criativo, técnico e tecnológico e a se-guir, e em função do briefing dado, estruturei. Já em pesquisa descobri que efectivamente, este trabalho é contex-tualizado numa “magnífica junção da fantasia veneziana com a monumentalidade romana ” muito dentro da tradição e maneira de Tiépolo, nomeadamente na luz e nos volumes. Pus-me a somar: Invenção… Imaginação… História pessoal/construção da identidade… Espaço de intimidade… Fantasias… Monumentalidade vs. volume… Juntamente com um projecto pessoal relacionado com a banda de-senhada e a ilustração, onde ando à procura de um estilo, de uma maior classicidade e profundidade na construção simbólica e esté-tica das personagens. Foi assim que me surgiu a ideia original para esta ilustração que servirá um episódio que descreve um sonho de Nia, personagem central da história “O Mundo de Shido”, junto de uma narrativa visual que decorre num cenário onde faço uma colagem de três gra-vuras diferentes (Fig. 02, 03 e 04) da série “Carceri d´Invenzione”. Por achar pertinente fiz ainda uma homenagem à “Batalha de Anghiari” de Leonardo da Vinci, numa luta encenada, com enfo-que na descrição de emoções, através do desenho e com uma refe-rência velada aos exemplos de deformação caricatural no traba-lho de Leonardo, mas também de Hogarth, Goya ou Daumier. Por outro lado, como matriz global de planeamento de todo o dese-nho optei por fazer um investimento de tempo na construção de uma composição definida essencialmente por uma divisão do pla-no em dois sub-planos verticais, utilizando um pilar mestre e orga-nizando os elementos da parte inferior do enquadramento global na circunscrição de um triângulo e pelo alinhamento dos outros elementos segundo linhas diagonais para dar enfâse à ilusão da ac-ção e do movimento. O trabalho que aqui descrevo, e que é o “lugar” em que procuro a consolidação da obra final, divide-se em cinco sinopses: b1 – Piranesi e os “Carceri d´invenzione; b2 – A Batalha de Anghiari e a homenagem à obra de Leonardo; b3 – Estudo do enquadramento e composição; técnica de etching e da trama (cross etching). b4 – Conclusão b) Desenvolvimento 1. Piranesi e os «Carceri d’Invenzione» Esta obra é inquestionavelmente uma das obras mais amplamente difundidas e abordadas de Piranesi e talvez uma das mais «sui ge-neris » na evocação à tradição literária da sua época, ao hermetis-mo, às fontes e à estética do Sublime. Foram publicadas pela primeira vez em 1745, com o título « Inven-zione Capric di Carceri), impressas por Giovanni Bouchard e ree-ditadas em 1760 como «Carceri d’Invenzione, sofrendo ligeiras al-terações e acrescidas de mais duas gravuras. Entre a primeira e a segunda tiragem, podem constatar-se algu-mas das alterações de estilo que espelham o desenvolvimento da obra de Piranesi. Aqui, podemos identificar a influência da tradição veneziana (das «Caprici» e da fantasia) e romana dos autores da época, so-bretudo na «maniera» de Tiepolo (como por exemplo, no trata-mento das luzes e da volumetria) que na sua obra atinge o seu auge a partir de 1755 (como nota de contexto: ano do Grande Terramoto que devastou Lisboa). Com um trabalho mais complexo , rico e intrincado, nesta fase é possível perceber o horror ao vazio que faz perder a clareza das obras, dentro de uma composição balizada e ordenada pela utili-zação recursiva da «scena per angolo», frequente nas tipologias cenográficas, teatrais, utilizadas por Bibiena, Valeriani, Marco Ricci ou Juvarra. Destas influências, distingue-se a de Juvarra na referência Neo Quinhentista, Utópica e Anti Clássica. Na sua obra são ainda distintivos aspectos como a censura à «Ci-dade Barroca», mas em simultâneo à tradicional antinomia da Ro-ma antiga e também ao organicismo, distorção da perspectiva (co-mum na Cenografia Tardo Barroca), composição assente em pla-nimetrias, interligações de supra estruturas, libertação da forma, perda de valor do centro compositivo, a metamorfose das formas (que muito explorei nesta minha interpretação pessoal), desarti-culação, distorção e o espaço representado segundo o ideal Huma-nista. 10 CARCERI
  13. 13. Todo este processo formal conduz o espectador a uma percepção psicológica e estética que muito me interessou e que autores como Edmund Burke, entre outros, categorizam como «Sublime». Um Sublime que pretere a perfeição e a clareza da estética pelo valor dos conteúdos emotivos, colocando o recurso da imaginação tam-bém nas mãos do espectador que é obrigado a desconstruir e a vol-tar a construir a imagem nas suas múltiplas dimensões. Indo beber a toda esta percepção e abordagem na «maniera» pró-pria de Piranesi, intitulei a obra como «Sonho de Nia». Ou seja, so-nhar na perspectiva e ideia comum na época do «Homem como ac-tor impotente, num teatro que já não é o seu» combinado com o fas-cínio pelos cárceres com o seu significado simbólico de prisões da mente (como em Coleridge ou Thomas De Quincer) acessíveis so-bretudo através do onírico. 2. A Batalha de Anghiari e a homenagem à obra de Leonardo A escolha pela opção de dulpa homenagem neste exercício, surgiu-me na sequência de toda a leitura por uma óptica emotiva, das «Carceri d’Invenzione» de Piranesi. Uma das muitas reflexões que esta série de gravura me convocou foi a abordagem, por assim dizer, sublime das 5 Emoções hoje des-critas, para além dos múltiplos Sentimentos, como Emoções Bási-cas: o Medo, a Raiva, a Tristeza, a Alegria e o Amor. O paralelismo, apesar de numa abordagem bastante diferente, com o trabalho sobre expressões e emoções na obra de Leonardo pa-receu- me possível e pertinente e como na minha liberdade inter-pretativa já tinha introduzido na minha composição inicial al-guns elementos figurativos, escolhi então dar ênfase a esta leitura com um tributo à « Batalha de Anghiari» e à sua dinâmica compo-sitiva e expressiva. «A Batalha de Anghiari» não é mais do que um grupo monumental de soldados a cavalo numa imagem condensada e intemporal do fu-ror bélico que achei que poderia ser um excelente contraponto, ir-reverente e antagónico, à ideia de impotência gerada pelo ambi-ente global das «Carceri»- Prisões. Um novo conjunto figurativo e evocativo de uma luta interior, no contexto de uma «Carceri» de onde não há salvação, senão na for-ça e liberdade da «vontade da alma humana». Para melhor contextualizar « A Batalha de Anghiari», este estudo inicial em cartão e fresco inacabado, surge na obra de Leonardo por solicitação da cidade de Florença, com a finalidade de deco-rar, na técnica do «fresco» a Sala de Conselho do Palazzo Vecchio. O seu tema central é a vitória florentina sobre o exército milanês. A pintura nunca foi finalizada, tendo ficado como espólio produ-zido apenas um cartão em tamanho natural (à escala) que sobrevi-veu mais de um século após a sua produção, período em que gozou de uma enorme fama. Hoje, apenas o conhecemos através de cópias de Artistas posterio-res a Leonardo, em particular na cópia realizada segundo o origi-nal, realizada por Peter Paul Rubens em 1605 e actualmente pa-tente no Museu do Louvre, em Paris. 4. Estudo do enquadramento e composição; técnica de etching e da trama (cross etching) A primeira abordagem que fiz a este exercício foi efectivamente, e numa tradição talvez mais pictórica, a abordagem segundo uma colagem idealizada num enquadramento que julguei coerente com o conjunto global das gravuras de Piranesi, sobre o qual construi uma composição (e repito) «definida essencialmente por uma di-visão do plano em dois sub-planos verticais, utilizando um pilar mestre e organizando os elementos da parte inferior do enquadra-mento global na circunscrição de um triângulo e pelo alinhamento 11
  14. 14. 12 Só então comecei a fazer um trabalho de trama e trama cruzada, enquanto fazia uma leitura prática e simulada da técnica desig-nada por «Etching» em Gravura e que passo a descrever: Origem | contexto históricos e descrição: A técnica química de gravura foi desenvolvida na idade média por artesãos, fabricantes de armaduras, árabes como uma forma de aplicação na decoração para armas. Floresceu no século XV, no sul da Alemanha, onde as primeiras impressões gravadas em pa-pel foram impressas no final do século. Durante as primeiras décadas do século XVII, artistas holandeses como Van de Velde, Jan van de Velde II e Willem Buytewech expe-rimentaram esta técnica. Eles estavam à procura de criar um efei-to atmosférico na suas paisagens impressas, e na tentativa conse-guiram desenvolver um método que rompia com as linhas de con-torno longas transformando-as em curtos traços e pontos. Hercules Segers por sua vez, experimentou esta transformação e adaptação por um motivo diferente: a necessidade de criar um efe-ito pictórico na impressão em papel colorido ou tela, trabalhando-as posteriormente com um pincel de cor, tornando assim cada im-pressão numa peça única. Rembrandt levou a técnica ao extremo, superando todos os seus an-tecessores. Nas suas mãos, a gravura tornou-se um meio pleno e maduro de que se ocupou em períodos longos para o resto da sua vi-da. A técnica que utilizei neste desenho referente a Piranesi filia-se muito no exemplo de Rembrandt que, por conhecer melhor, reco-nheço ter tido grande influência na abordagem pessoal e estilísti-ca que escolhi. As Gravuras são impressões, normalmente em papel, de desenhos ou modelos construídos pelos artistas, em suportes diversos, com recurso às técnicas do desenho, pintura ou corte. Estes suportes po-dem se um bloco de madeira, uma placa de metal ou uma tela de se-da. Em Piranesi (assim como em Rembrandt) o suporte é uma chapa fina de cobre. Esta é então coberta com uma mistura resistente aos ácidos conhecida como base de gravura, composta de betume juda-ico, resina e cera. Nesse revestimento fino é então produzido o desenho directamen-te com uma agulha de gravura, que penetra esta fina película dei-xando exposta, nestas ranhuras, a placa de cobre. A placa é colocada, em seguida, num banho de ácido diluído. As partes expostas, que deixaram de estar protegidas contra o ácido pela base de gravura, ficam gravadas, em sulcos criados na super-fície do metal. Quanto mais tempo a placa é deixada no banho, mais profundos es-ses sulcos se tornam. Posteriormente esta base de gravura é removida e a placa limpa e finalizada com uma almofada de tinta ou com um rolo. Ela é então limpa manualmente para que a placa fique inteira-mente despojada de tinta, à excepção dos sulcos. O passo seguinte é a fixação de uma folha de papel húmida na cha-pa seguindo-se a compressão de ambos através de rolos de impren-sa. O papel absorve assim a tinta dos sulcos, produzindo-se uma impressão invertida do design realizado na chapa. O desenho que aqui realizei com esta abordagem técnica e tecnoló-gica sempre em perspectiva, manteve a fidelidade ao princípio de execução que norteia esta modalidade de criação artística e dei-xou- me efectivamente curioso e interessado na prossecução de uma experiência em placa que penso que me poderia esclarecer al-guns outros efeitos que pude observar nas reproduções mas que de alguma forma não soube reproduzir através do uso da trama 5. Conclusão «Cerca Trova» Detalhe no topo do fresco da «Batalha de Marciano» de Giorgio Va-sari, 1563 (pintado sobre o fresco original de Leonardo, «a Bata-lha de Anghiari) «Só quem procura, encontrará», Evangelho Depois de algumas semanas de trabalho, pesquisa e justificação, sem me alargar noutras conclusões senão a mais humilde e verda-deira a que consegui chegar: « Só quem procura, poderá encontrar» A asserção é, de longe, pouco pacífica. Pablo Picasso afirmava por exemplo «Eu não procuro, encontro» e quantos não são os que em todas as áreas do Saber se encontraram fortuitamente, por obra da sorte ou destino, com as soluções que nem sabiam procurar. Contudo, e seguindo o raciocínio de Vasari, «Cerca Trova», no de-senho efectivamente as coisas funcionam assim. O Desenho é uma das grandes formas e instrumentos do pensar.É um pensar com o corpo, com a mão, com o olhar. Nesta obra que decidi intitular como «o Sonho de Nia» confesso que pela primeira vez, circunstancialmente, procurei conhecer Gi-ovanni Batista Piranesi. Não sei se o encontrei completamente, mas confesso que senti como nunca a inquietação que as raras pre-ciosidades despertam... um não conseguir ou saber ficar indife-rente ao apelo daquele mundo vagamente mimético. ... Mas em simultâneo hermético, magnético, misterioso e ao mes-mo tempo, familiar... Humano... Cerca Trova! Nuno Quaresma Janeiro de 2012 BIBLIOGRAFIA Marani, Pietro C. (1996), Leonardo, Sociedade Editorial Electa Espana S.A., Madrid. Janson, H. W. (1998), História da Arte, Fundação Calouste Gul-benkian, Lisboa. Galeria de Pintura do Rei D. Luís – Instituto Português do Patri-mónio Arquitectónico e Arqueológico, (1993), Giovani Battista Pi-ranesi – Invenções, Caprichos, Arquitecturas 1720/1778, Secreta-ria de Estado da Cultura, Lisboa. Pereirinha, T. (2011), A vida misteriosa de da Vinci, in Revista Sá-bado, n.º 392 (p. 44-54), Grupo Cofina Media SGPS, S.A., Lisboa. Nuno Quaresma (1975, Lisboa) Artista Plástico, Ilustrador, Designer (Fundação Salesianos), Edu-cador pela Arte (Fundação afid Diferença entre 1998 e 2010, Ofi-cinas de S. José entre 2010 e 2012 e POP- Projeto Oficina de Pintu-ra ainda em funcionamento) com Projeto de Empreendedorismo Social e Artístico filiado no grupo de Autores “AKA Arte” e no Cole-tivo de Artesãos intitulado “Tailored”. Vogal Suplente para o Conselho Fiscal da ANACED - Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiên-cia com uma participação voluntária e não remunerada na cons-trução de um Projeto Social e Cultural que há mais de 20 anos que cuida, respeita e defende Autores com Necessidades Especiais e a sua Obra no contexto da Cultura e auto representação cívica e so-cial. - Menção Honrosa em Pintura, “Prémio Professor Reynaldo dos Santos - Arte Jovem – 1997” - Menção Honrosa em Pintura, “Prémio de Pintura e Escultura - D. Fernando II – 6ª edição - 2002” - Menção Honrosa em Pintura, “Prémio de Pintura e Escultura – Artur Bual, 3ª edição – 2007” Web: www.behance.net/NunoQuaresma pt.linkedin.com/in/nunoquaresma
  15. 15. 13 Um comboio chamado desejo ou o Amor também se encontra a 120km por hora é diferente da versão que provavelmente co-nheces – “ Um elétrico chamado Desejo” - A Streetcar Na-med Desire, de Elia Kazan com Marlon Brando e Vivien Le-igh, de 1951. Nesta minha, improvisada entre as escalas dos autocarros frente aos Prazeres (onde curiosamente passam muitos elé-tricos :), oscila entre a profundidade e a superficialidade, en-tre o Amor, o verdadeiro, e a lascívia… entre o importante e o relativizável. Não tenciono extrair daqui generalizações ou fórmulas. Falo disto porque é a verdade. Já me aconteceu; encontrar o amor a 120km hora. A esta velocidade, se espirras, andas aproximadamente 30 metros com os olhos fechados, entregue ao destino, sem cons-ciência ou controle sobre o que se passa em frente dos teus olhos. São 30 metros às escuras. Procurar amar a 120 Km hora é como dar um salto de fé nu-ma furna escura de onde o mar se percebe apenas a sua voz e cheiro. E de repente, bater na água com força, tocar com os pés na areia e abrir os olhos para uma superfície em eferves-cência. Encontrar o amor assim deixa marca, entre a dor e o prazer, e pouco tempo ou espaço para escolhas. Num amor encontrado assim, há um misto de religiosidade e trauma. UM COMBOIO CHAMADO DESEJO
  16. 16. 14 É um acontecimento à escala planetária, como uma colisão, na força da trajetória, entre Vénus e Marte. Contudo, se aprecias as viagens de comboio, sabes que esta velocidade desenfreada é sentida num estado de relativa imobilidade. Vive-se, aliás, viaja-se no maior dos confortos e tranquilidade mas, infelizmente, tristemente… sós. Quando damos conta, neste comboio chamado desejo, quan-do acordas da torpeza desse sono de viajante, estás apenas só. Olha! Parece que estou a chegar à estação! Espreito pela janela e vejo as paredes azuis de uma luz mes-clada que só conheço de Lisboa. Mais um bocadinho e estou à tua porta! Por essa estrada, nessa rua, à tua porta… Viajo num comboio chamado Desejo mas tu és a minha Casa…
  17. 17. Desenhar como quem respira, naturalmente ou compulsiva-mente, é para muitos uma função orgânica. A própria fisionomia e fisiologia concorrem para esta ativi-dade regular do Corpo, da Mão, da Mente, na sua relação com o Mundo e com o Próximo. Eu pessoalmente sou um apologista do respeito pela Diferen-ça, num mundo de Iguais. Acolho a normalização apenas na medida da sua pertinên-cia e utilidade no serviço à Justiça, Liberdades e Igualdade. Nas coisas grandes entendo realmente o valor da norma. Um farol para quem navega à vista. Tudo o resto aprecio fora dos intevalos estritos das normas, cânones, regras... Fascina-me o que é feito à medida de cada um, com os cuidados e mimos que cada Corpo e Mente preci-sam. Encanta-me a simpatia de quem consegue realmente olhar para dentro da pessoa que está à sua frente... Comove-me quem o faz com o respeito e reverência de quem contempla o sagrado, e a coragem da empatia de se colocar no seu lugar. Encantam-me as Costureiras e Alfaiates :) Os "Tailored" são feitos para Mulheres e Homens assim. Os blocos de desenhos são extensões do seu corpo; há que construir sketchbooks que se ajustem personalizadamente, como luvas, jeans, sapatos, jaquetas ou outros acessórios as-sim. O Tailored é feito à mão, todo cosidinho, só para ti! É diferente nas medidas, técnicas, por vezes no construtor. A norma é a predileção pela reciclagem, a qualidade e resis-tência do papel, capa e costuras e a garantia de que terás um caderno para a vida. "Lifetime Sketchbooks"! Para Artistas a Sério ;) 15 Tailored for… Feito à medida de… Olha para trás… Olha lá! Quando era gaiato, distraído, a nave-gar na gôndola dos meus sonhos, go-tas, sementes, ensaiava o ofício de ho-je sem me lembrar sequer de olhar pa-ra o lado. Era ali e naquele momento, como é ho-je, aqui e agora: o poder da Criativi-dade! Não olho muito para trás; as vezes ne-cessárias. Olho para a frente, para o horizonte, para os pés, para ver a medida a que estou do chão, e penso no quê, como nunca, com uma hora de atraso… e à minha volta, quando regresso, não se vê já ninguém na rua. Tailored é fazer à hora certa, na medi-da certa, a contemplar tudo o que está à volta. Tailored é cozer os retalhos soltos, os desejos que ficaram por cumprir… Tailored é trabalho individual, traba-lho coletivo, é uma construção feita de solidariedade, colegialidade, amiza-de!... até conjugabilidade :) Tailored é Crença no Mundo e nos Ou-tros! Produzimos cadernos tipo “sketchbo-ok”, cozidos à mão, personalizados, fe-itos à medida e para durar. Mas todas as outras modalidades de criação artística e cultural são bom mote para a transgressão, transcen-dência, irreverência. O nosso negócio é a construção de ca-dernos de excelência, mas não hesites em contatar-nos para ilustração, de-sign, micro &social branding e orga-nização de eventos e mostras em Artes Plásticas. Fazê-mo-lo com gosto!... “tailored for you!”
  18. 18. O que pode um homem simples dizer ou fazer no Mundo agora? Não sou, à semelhança da maioria dos homens e mulheres dos nossos tempos, especialista em economia ou finan-ças, mas como comum entre comuns sinto hoje mais desconfiança e receio em relação ao futuro. Pelo menos em relação a este futuro, a dois tempos, em que alguns enrique-cem e muitos empobrecem. Não penso assim por despotismo. Passo a vida a desejar o melhor para quem o procura, para quem luta por mais e melhor. Alegra-me a visão da abundância no regaço de quem for. Celebro a fertilidade por si só e regalo os olhos quando vejo a Terra cheia de tudo e do bom. Por isso não consigo deixar de inda-gar porque é que neste Mundo onde há excesso e abundância de tudo, vemos fome, desemprego, doença, desprote-ç ã o n a s a ú d e e n a v e l h i c e ? Porque que pagam os homens e as mu-lheres do nosso tempo os caprichos da doutrina do Capitalismo desenfrea-do? Porque malha o peso da quimera do lu-cro pelo lucro sobre a única procura que deveria nortear o Homem: a cons-trução do Humano? Porque permitimos nós, comunidades de Gente, que outros mais cegos ou fe-bris pela abundância, nos enterrem e esmaguem pela sua ganância, obses-são e controlo? E quem regula este capital que nos re-gula? A quem pertence a responsabilidade de lutar, nas formas pacíficas que a responsabilidade também obriga, con-tra esta falta de empatia, piedade, ra-cionalidade? Quem tapa a boca a esta criatura vo-raz? Hoje pinto para lhe tapar a boca. Amanhã, quando tiver um negócio, se-rei íntegro, justo e regulado para lhe tapar a boca. Amanhã, talvez lhe dê com um pau, bem me apetecia… só para que a sua goela míngue e o seu apetite se miti-gue… sem que lhe não falte pão para a boca. N.Q. MAIS NÃO 16
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  20. 20. Serve para quê? “Se, por um lado, os poderes do homem, o animal sábio, nos enchem de admiração, por outro lado, não podemos deixar de nos espantar com a lentidão da sua aprendizagem. E o ma-ior de todos os obstáculos a essa aprendizagem é a quantida-de de aprendizagem acumulada que com as suas ilusões de conhecimento ele foi juntado” In “os Pensadores” – capítulo 21 – “Francis Bacon e a visão dos velhos ídolos e dos novos domínios”, de Daniel J. Boors-tin. Sinto-me assim, num novo renascimento da consciência de que o que “sei” atrapalha mais o que” desejo saber”, e que não posso escapar dessa condição animal, orgânica, que me liga ao Real e às Coisas. Sou um homem e sinto, comovo-me, amo, odeio, alegro-me, zango-me, sinto prazer, dor, desconforto, comichão, cócegas. Não sou apenas este corpo, em transformação, em constante recursão, reconstrução autopoiética, mas dele dependo para a perceção e interação com o que me rodeia. Pois o que me acontece é que após 39 anos de acumulação de informação, no meio de tanta sensação, intuição e emoção, já é com dificuldade que me consigo posicionar para ver com clarividência o Universo à minha volta. Quem sou, de onde venho, para onde vou? Aliás, já me custa até pensar nestas questões do de onde vi-mos, para onde vamos, quem somos. Em verdade, as questões já nem me aparecem como “por-quês” mas antes como um simples “para que serve?” Para que servem afinal o Saber, a Sabedoria e a Consciên-cia? Hoje, no meio de uma tarde prazenteira, ensolarada, brinco no jardim com os meus Filhos e só amiúde me distraio, das su-as gargalhadas e tropelias, pela brisa temperada que me pas-sa pelos cabelos. É um estado de graça que agradeço a Deus, aos Deuses, ao Cosmos. Por cima de mim navegam nuvens enormes, voluptuosas, num lento vórtice que me dá a sensação que é antes a Terra que se move. E o azul enche-me. E a sua luz enche os meus Filhos de Sol, e nos seus sorrisos sinto saúde, vejo o Amor e as promessas do futuro. Para que servem afinal o Saber, a Sabedoria e a Consciên-cia? O meu Pai tem andado doente, o pecúnio que recebo pela mi-nha prestação no trabalho não me chega para pagar as con-tas e o desemprego ameaça ou afeta metade dos meus Ami-gos. O tempo míngua de tal forma que já quase não consigo pin-tar. E o Mundo ainda está cheio de fome, doença, injustiça e guerra. Para que servem afinal o Saber, a Sabedoria e a Consciên-cia? Paro. Paro por um bocado. Olho para todo este fluxo imparável, incomensurável de in-formação que se me atravessa pela frente e procuro desper-tar. Acordo e paro e fico só atento, a olhar, a ouvir, a sentir, a chei-rar… Paro e despojo-me das vestes, andrajos, com que me tenho en-feitado… Servem a minha liberdade, serve a liberdade dos meus Meni-nos. Servem o meu desejo de viver. Servem a minha felicidade. Servem a minha ligação ao Real, ao Mundo e ao Outro, sem subversões ou subjugação. Servem-me de coragem para esvaziar o copo quando é preci-so, para abrir as janelas da mente, para que a alma se me não cristalize ou coagule, não pare nem no tempo nem no espaço. Ao mesmo tempo, não servem para nada… por isso as procu-ro, as escolho. NQ, Abril 2014 18
  21. 21. 15 Cêntimos Três moedas pretas e finas dentro da minha carteira furada; será a sua côr um eufemismo para o seu valor, ou tento igno-rar que não terei hipótese neste mundo tão irreal quanto desi-gual? Votado ao insucesso, não apanharei boleia de avião algum; não verei terras distantes, não comprarei um gelado, nem oferecerei rosas. Sou moldado pelo silêncio numa caminhada sem destino; um movimento de sobrevivência apenas aparentemente articu-lado. A vida colorida e criativa escorre-me pelos poros, mas o Mun-do só quer ver suor e sangue. Pegarei então nas minhas lágrimas e com elas encherei um oceano; arrancarei as minhas veias e com elas farei fortes cordas; a minha pele servirá de graciosas velas e com os me-us ossos construirei um robusto navio. Poderei ser destino e justificação, capitão sem tripulação, mas nunca serei rapaz sem coração. Zarparei em direcção ao Sol, esse que a todos ilumina por igual, sem distinção de côr, forma, destino. Aqui, não encontro nada para mim, a não ser um mundo de trocas, de interacções desequilibradas. Por lhe sermos per-tença, nada podemos dar ao nosso criador; esse não deverá contudo ser motivo de impedimento para questionar, imagi-nar, criar. Entretenham-se nas vossas danças desenfreadas, nestes cor-pos que nos escapam a todos, enquanto embarcarei na pe-numbra da noite; escrevo o meu nome na campa da minha finitude com a mi-nha vivência. Hugo Alexandre, Setembro de 2014 Distribuíram-se os sonhos em classes: afinal, haveria a ne-cessidade de haver uns mais iguais que outros. Assim, uns construiriam castelos, carregando as pedras uma a uma; ou-tros esperariam na janela por notícias, envoltos em delica-das sedas. Para desastre dos homens de paixões, as mulheres mais boni-tas nem sempre se encontrariam nas torres; objectos brilhan-tes toldariam a sua razão, a geografia à sua nascença desti-naria as suas probabilidades e estariam amaldiçoados a acreditar que o seu Deus deveria ser o único a tudo explicar, logo a existir. A propriedade raras vezes estaria associada à sensatez; ter é querer manter e expandir. Sabendo que o tempo é um bem não recuperável só uma estirpe gastará tempo em tal campa-nha: chamar-lhe-à investimento e nomear-se-à “líder”. O poder disfarça-se então de autoridade que tudo tenta con-trolar mas que nada se esforça por intimamente compreen-der. Vidas ao serviço da moeda e da coroa: oportunidades des-perdiçadas, estilhaços de sensatez; os tolos batem palmas en-quanto aguardam por migalhas. As fronteiras já não requerem espadas, agora usam-se cane-tas. As igualdades ilusórias amenizam as lutas internas; a posse paradoxalmente serena as externas. Quem revolucionará o mundo, confortável em sofás de ce-tim? Hugo Alexandre, Setembro de 2014 MOVE 19 PARA ONDE
  22. 22. 20 Psicoterapeuta, Formadora, Organiza-ção, Moderação e Concretização do 1º Congresso Internacional de Anorexia e Bulimia, em Portugal : http://ciab.institutotaniaestrada.pt http://www.institutotaniaestrada.pt Especialidade de Anorexia e Bulimia. Estudos de investigação do metabolismo da Seratonina nos casos de Anorexia e Bulimia. Estudos de desenvolvimento do Teste de Rorschach no Síndrome de Branca de Neve. Coordenação Pedagó-gica. O Instituto Tania Estrada, tem dinami-zado várias especialidades na área da Saúde Pública e Privada, promovendo o conceito "Ser Técnico da Saúde" e "Ser Pessoa". É uma forma de marcar a dife-rença encontrando um brilho pessoal, com resultados positivos na proximida-de com Utentes e Clientes. Construir a auto-estima na Investigação da Saúde Mental dos casos de Anorexia, Bulimia e outras doenças do Comportamento ali-mentar e assim expandir a noção das su-as próprias possibilidades. Prêmio de Estudo Científico Dr.ª San-dra Torres, Prêmio Jornalistico - Tere-sa Botelheiro - Reencontro no Espelho. Capacitación y Desarrollo Profesio-nal, Educación por el arte, Capacita-ción y Desarrollo Profesional, Pedago-ga, Formadora de Gestão de Recursos Humanos, Consultora Independente, Gestão de Talentos e Recursos, Gestão de Carreiras, Professora de Investiga-ção de temas como Anorexia e Bulimia (Universidade Lusófona), Recursos Humanos em diversas organizações nacionais e internacionais.
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