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De olho no futuro: inspirar a nova
geração de especialistas em câncer na
América Latina
Dr. Márcio Debiasi partilha a sua
experiência da primeira Formação em
Gestão da Pesquisa Clínica para jovens
oncologistas.
 11-12
Projeto CURA - ciência e
criatividade na luta contra o
câncer
Informar e sensibilizar a sociedade
para o apoio da pesquisa em câncer
através da arte, da música, do de-
sign e do esporte.
 13-14
BIG Research in Focus
Número 6
Março de 2017
Shutterstock
Pesquisa em câncer de mama na
América Latina: desafios, avanços e
oportunidades futuras
IN FOCUS
RESEARCH
BIG
IN FOCUS
RESEARCH
BIG
2 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
EDITOR
Carlos H. Barrios, MD
EDITORES-CHEFE
Carolyn Straehle, PhD
Oriana Spagnolo
Valerie Van der Veeken
Gia Questiaux
CONSELHO EDITORIAL
Fabrice André, MD, PhD
José Baselga, MD, PhD
David Cameron, MD
Angelo Di Leo, MD, PhD
Karen Gelmon, MD
Michael Gnant, MD
Aron Goldhirsch, MD, PhD (h.c.)
Sibylle Loibl, MD, PhD
Martine Piccart, MD, PhD
DESIGN
inextremis.be
Fotografia da capa © fotolia.com
A BIG Research in Focus eé uma
publicação do Breast International Group
(BIG)-aisbl.
As opiniões ou conclusões expressas ou
implícitas nos artigos aqui apresentados
são as dos autores e não refletem neces-
sariamente as do editor.
Novo endereço de contato da Sede do
BIG:
Breast International Group (BIG)-aisbl
Blvd de Waterloo 76
1000 Bruxelas, Bélgica
Tel: +32 2 486 16 12
O endereço legal do BIG para envio de
faturas e contratos mantém-se:
Breast International Group (BIG)-aisbl
Blvd de Waterloo 121 - 1000 Bruxelas,
Bélgica.
VAT: BE 0468 176 240
E-mail: info@BIGagainstbc.org
www.BIGagainstbreastcancer.org
Copyright © 2017 Breast Interna-
tional Group.
Todos os direitos reservados.
BIG Research in Focus
Número 6
Março de 2017
Subscrição
A BIG Research in Focus está disponível para download em formato PDF em www.BIGagainstbreastcancer.org
Se desejar receber gratuitamente um exemplar impresso da BIG Research in Focus ou ser informado por
e-mail quando o próximo número estiver disponível para download no website do BIG, por favor contate-nos
através do e-mail: info@BIGagainstbc.org
Construir pontes… ao
invés de muros!
O momento parece ser bastante apropriado ao debate. Vivemos tempos
desafiantes, em que muitas pessoas no mundo parecem tomar partido
por realidades fraturantes, ao mesmo tempo que desafiam o conceito da
construção do que nos poderia aproximar.
Um dos mais importantes paradigmas, senão o mais importante, do
Breast International Group (BIG) é o fato de se basear na colaboração internacional para gerar avanços na
investigação do câncer de mama. A globalização é um conceito árduo, complexo e multifacetado. Apesar
disso,amaiorpartedacomunidadecientíficaconcordaqueaglobalizaçãoéamelhoropçãopararesponder
às questões com que nos deparamos ao lidar com acometidos pelo câncer. O câncer é um problema global
e precisa de ser combatido coletivamente.
É precisamente isso que o BIG está a fazer: procurar aumentar a participação internacional na pesquisa do
câncer de mama, fomentando a abordagem dos desafios locais. Este número da BIG Research in Focus rela-
ta a história de um processo que teve início há dois anos, com a visita de Martine Piccart, Fabrice André e uma
delegação da sede do BIG a Porto Alegre. Aí encontraram-se com os seis grupos de investigação membros
do BIG ativos na América Latina. Uma análise criteriosa da situação da investigação clínica a nível regional
conduziu a algumas conclusões extremamente importantes. Apresentamos aqui algumas das conclusões
desse debate.
Considerando o BIG numa perspetiva mais vasta, um ponto importante que não pode deixar de ser subli-
nhado é que este processo, bem como o modo como os seus dirigentes estão a lidar com os desafios a nível
da colaboração internacional, não se aplica apenas à América Latina. Outras regiões do mundo, provavel-
mente, partilham os problemas aí debatidos, pelo que, apesar de estar claro que as soluções devem ser
consideradas em função do contexto, a aplicabilidade da estratégia usada para enfrentar esses desafios é,
obviamente, mais abrangente.
Há duas questões particularmente importantes. A primeira é a necessidade de profissionalização da carreira
de pesquisa. Para que no futuro a pesquisa possa crescer, é fundamental que haja formação e um apoio sis-
temático aos jovens talentos dedicados, quer na nossa região quer noutras regiões em desenvolvimento do
mundo. O Dr. Debiasi aborda no seu artigo a recente tentativa de resolver este problema, a qual esperamos
que venha a ter consequências positivas num futuro próximo.
O outro aspeto crucial e de caráter prático identificado no debate com os dirigentes e os membros do BIG foi
a necessidade vital de apoio financeiro. Tendo em conta que este é um problema global, concordamos em
considerar as especificidades econômicas e culturais de cada região, de modo a desenvolver uma estratégia
com maior possibilidade de sucesso. O que funciona na Bélgica ou nos EUA pode não se aplicar necessa-
riamente no Brasil ou no Peru. Fernanda Schwyter apresenta-nos um projeto inovador e criativo, cujo objetivo
passa pela transformação da cultura local de doação de modo a apoiar as organizações de pesquisa apro-
vadas na região latino-americana.
Recorde-se que este é um processo coletivo: contamos com a sua contribuição!
Dr. Carlos H. Barrios
Diretor, Latin American Cooperative Oncology Group, LACOG
PUCRS School of Medicine
3 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
By Jenny Bryan
Pesquisa em câncer de mama na
América Latina: desafios, avanços
e oportunidades futuras
Em 2030, prevê-se que haja 1,7 milhões de novos casos de câncer diagnosticados por ano na
América Latina e mais de 1 milhão de mortes decorrentes da doença. Todavia, a pesquisa em
câncer na região está muito aquém da realizada nos EUA e na Europa. Com vista a encontrar
uma solução para este problema, os maiores especialistas na área do câncer da América
Latina, membros da rede BIG, reuniram-se em Porto Alegre, no Brasil, em 2014, para debater
os obstáculos que se colocam à pesquisa clínica, em especial do câncer de mama, e definir
um plano de ação. Decorridos dois anos, Jenny Bryan falou com alguns dos participantes
e principais líderes de opinião na área da pesquisa acadêmica em câncer e descobriu que
estão sendo feitos progressos consideráveis no incentivo à pesquisa do câncer de mama na
América Latina.
Uma série de iniciativas destinadas a colocar a
América Latina definitivamente no mapa da pes-
quisa em câncer de mama centra-se na redução
dos prazos regulatórios, na formação médica, na
melhoria da infraestrutura e no reforço do financia-
mento. Através de uma rede crescente de organi-
zações oncológicas na região, os principais espe-
cialistas estão a construir progressivamente uma
nova cultura de pesquisa, a qual preveem que ve-
nha a ter um grande impacto nos próximos anos.
«O câncer de mama é um problema significativo
e crescente na América Latina, e a mortalidade é
mais elevada do que na Europa Ocidental ou nos
EUA. Os resultados de estudos clínicos realizados
fora da América Latina podem não ser aplicáveis
às mulheres na nossa região, por isso é impor-
tante fazermos ensaios centrados nos nossos pro-
blemas específicos», explica o Prof. Carlos Barrios,
diretor executivo do Latin American Cooperative
Oncology Group (LACOG) e diretor do Centro de
Pesquisa em Oncologia no Hospital São Lucas,
Brasil.
fotolia.com
4 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
«Precisamos de levar em conta as importantes di-
ferenças nos subtipos de câncer de mama, assim
como o estádio ao diagnóstico e os tratamentos
disponíveis, ao mesmo tempo que consideramos
os fatores étnicos e socioeconômicos locais e a va-
riabilidade no acesso ao tratamento», acrescenta.
Atualmente, a América Latina participa em ape-
nas 5% dos ensaios oncológicos em curso e 90%
dos ensaios clínicos que se realizam na região
são financiados pela indústria farmacêutica. O
Prof. Barrios salienta que, embora o grau de par-
ticipação da indústria confirme a competência e
a qualidade dos centros de pesquisa e das suas
equipes, urge realizar mais pesquisa acadêmica
independente.
«Precisamos responder a questões importantes
sobre o câncer de mama na América Latina, nas
quais as companhias farmacêuticas não estão
interessadas. Por outro lado, a pesquisa e a ino-
vação fazem parte do desenvolvimento
em qualquer sociedade. Só evoluímos se
conseguirmos gerar informação científica
verossímil com pesquisa de elevada qua-
lidade», afirma.
O Dr. Raúl Sala, membro do Conselho de
Administração do Grupo Argentino de In-
vestigación Clínica en Oncología (GAICO),
concorda que a participação latino-ame-
ricana na pesquisa em câncer de mama
é importante para gerar resultados válidos
para as populações em causa. Para além
disso, destaca a necessidade de com-
preender as atitudes das doentes latino-america-
nas em relação à sua doença e ao tratamento,
bem como a sua repercussão na adesão à me-
dicação.
Na sua opinião, «também é importante que os
oncologistas saibam implantar as tecnologias
para os diferentes tratamentos e gerir as suas
toxicidades, e isso pode ser feito através da parti-
cipação nos ensaios clínicos. Sem essa participa-
ção, arriscamo-nos a ver novos fármacos introdu-
zidos nos nossos países sem que os oncologistas
tenham qualquer experiência na sua utilização e
na gestão das suas toxicidades.»
As organizações de pesquisa internacionais, tais
como o Breast International Group (BIG) e a Euro-
pean Organisation for Research and Treatment of
Cancer (EORTC), reconhecem a importância de
incluir a América Latina nos principais ensaios
oncológicos, incluindo do câncer de mama, e
apoiam a formação da próxima geração de in-
vestigadores em oncologia [vide também pági-
nas 11-12]. No entanto, consideram que a comple-
xidade dos sistemas regulatórios para aprovação
dos protocolos de ensaios clínicos e a falta de
infraestruturas de apoio aos médicos durante a
realização dos ensaios constituem sérias limita-
ções.
«Queremos que os ensaios se realizem sob o
patrocínio do BIG, de modo a refletir a vida real,
tanto quanto possível. Além disso, sabemos que
os investigadores na América Latina estão ex-
tremamente motivados a participar. No entanto,
deparámo-nos com barreiras regulatórias, espe-
cialmente no Brasil, o que fez com que os poten-
ciais investigadores não pudessem participar ou
só começassem a recrutar alguns pacientes ao
final de um estudo, o que é lamentável», afirma a
Presidente do BIG, Prof. Martine Piccart.
O Dr. Denis Lacombe, diretor-geral da EORTC
e membro do Conselho Consultivo do LACOG,
explica que a organização ambiciona recrutar
colaboradores para além das suas fronteiras eu-
ropeias. A complexidade crescente dos atuais en-
saios clínicos oncológicos de tratamentos orien-
tados por biomarcadores implica o recrutamento
internacional no seio de populações de grandes
dimensões, de modo a reunir um número sufi-
ciente de pacientes com as mutações tumorais
adequadas. Mas também aqui a EORTC encon-
trou obstáculos regulatórios e de infraestrutura.
«Os médicos até podem ter uma boa formação
e experiência, mas se não tiverem recursos para
a coordenação dos ensaios clínicos e gestão dos
dados, é muito difícil fazer o tipo de estudos de
saúde pública que são necessários», adverte.
Enquanto países como o Brasil e a Argentina têm
dimensão suficiente para participar a nível nacio-
nal, a EORTC necessitaria de estabelecer parce-
rias com países menores através de uma organi-
zação regional.
O BIG e a EORTC
reconhecem a importância
de incluir a América Latina
nos principais ensaios
oncológicos, incluindo do
câncer de mama, e apoiam
a formação da próxima
geração de investigadores
em oncologia.
Shutterstock
5 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
«Nada é categórico, mas apesar de existirem
investigadores extremamente motivados em paí-
ses como a Bolívia ou o Uruguai, somos muito
mais eficientes
se funcionarmos com uma única plataforma
coordenada para toda a América Latina, em vez
de tentarmos trabalhar individualmente com os
países menores», assegura o Dr. Lacombe.
Ainda assim, tanto o Dr. Lacombe como a Prof.
Piccart mostram-se otimistas e admitem que os
obstáculos à pesquisa em câncer dea mama na
América Latina podem ser ultrapassados e que
estes países podem dar uma contribuição valiosa
para a compreensão do câncer de mama e do
seu tratamento.
Acelerar a aprovação regulatória para
ensaios clínicos
O recrutamento de mais de 8300 pacientes com
câncer de mama em estadio inicial para o estu-
do ALTTO com lapatinib e/ou trastuzumab adju-
vante foi uma tarefa de grandes dimensões para
os grupos BIG e respectivos centros entre 2007 e
2011. Uma análise posterior identificou diferenças
significativas nos prazos de aprovação regulató-
ria entre os 44 países participantes no estudo1
.
Enquanto a média na América do Norte foi de 26
dias, na Europa 52 e nos países da Ásia e do Pa-
cífico 62 dias, os centros sul-americanos tiveram
de esperar uma médi de 236 dias para obter a
aprovação regulatória necessária para participar.
Este prazo foi bastante razoável quando compa-
rado com os 18 meses frequentemente necessá-
rios para obter a aprovação para ensaios clínicos
para outros estudos no Brasil.
O Prof. Barrios explica que a melhoria nos prazos
regulatórios tem sido uma prioridade, devido ao
efeito dos atrasos na pesquisa clínica no Brasil. «O
recrutamento de doentes é bastantecompetitivo»,
garante.
«Os oncologistas brasileiros, e também de outros
países latino-americanos, chegam geralmente
demasiado tarde a esse ponto de partida, de
modo que, quando estão finalmente prepara-
dos para começar, o recrutamento para muitos
ensaios já está quase terminado». No Brasil, a
legislação que proíbe a exportação de amostras
biológicas trouxe ainda mais dificuldades aos
pesquisadores, dado o uso crescente de biomar-
cadores tumorais para identificar pacientes elegí-
veis para várias opções de tratamento.
«Não é apenas a legislação que nos tem coloca-
do entraves, é também a ideologia do governo
sobre a pesquisa. Estamos a investir bastante
tempo a transmitir informação às autoridades
para mostrar que todos podem se beneficiar com
a pesquisa clínica – os médicos, os pacientes, as
instituições e os centros de pesquisa, os patroci-
nadores e os países», afirma Prof. Barrios.
No caso do material biológico, é importante cor-
rigir a desinformação sobre o potencial de uso
inadequado das informações genéticas obtidas
através da análise das amostras.
«Fizemos progressos importantes nos últimos
18 meses no Brasil. Estou otimista em relação à
aprovação de nova legislação a curto prazo, ace-
lerando os
processos regulatórios. Também estamos a infor-
mar o público sobre o problema
das amostras biológicas, creio que em breve isso
deixará de ser um problema»,
prevê o Prof. Barrios. O esforço coletivo e a pres-
são de muitos pesquisadores e organizações de
pacientes durante os últimos meses levaram a
que alguns ensaios recentes tenham recebido
aprovação regulatória completa no Brasil em me-
nos de cinco meses, um tempo recorde!
Na Argentina, também há progressos na celeri-
dade dos processos regulatórios, gra-
ças a uma aliança tripartidária entre
oncologistas e organismos governa-
mentais estratégicos envolvidos nas
políticas de combate ao câncer e na
regulação farmacêutica.
Esta colaboração, que inclui o GAICO,
o Grupo Argentino de Investigación
en Oncología, e a Administración Na-
cional de Medicamentos, Alimentos
y Tecnología Médica (ANMAT), tem o
potencial para expandir a base de
pesquisa oncológica do país e encur-
tar os prazos de aprovação dos pro-
tocolos de ensaios clínicos.
O Dr. Sala explica que, desde a sua
criação pelo Ministério da Saúde em
2010, o Instituto Nacional do Câncer
tem reconhecido a importância da
pesquisa na Argentina e tem conhe-
cimento dos problemas que precisam
de ser resolvidos. A ANMAT, uma das primeiras
agências reguladoras nacionais a ser criada na
América do Sul, já realiza auditorias e inspeções a
centros de pesquisa, com o objetivo de assegurar
a qualidade da pesquisa clínica. O Dr. Sala mos-
tra-se confiante de que, ao trabalhar com estas
«Não é apenas a legislação que
nos tem colocado entraves, é
também a ideologia do governo
sobre a pesquisa. Estamos
a investir bastante tempo
a transmitir informação às
autoridades para mostrar que
todos podem se beneficiar com
a pesquisa clínica – os médicos,
os pacientes, as instituições
e os centros de pesquisa, os
patrocinadores e os países.
Prof. Carlos Barrios
“
6 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
organizações, o GAICO possa obter o efeito dese-
jado no que diz respeito à regulação de ensaios
clínicos.
«Nos últimos anos – em especial no último ano –
assistimos a uma melhoria a nível dos processos
regulatórios, associada a uma melhor
compreensão da necessidade da regu-
lação dos ensaios clínicos ser mais sim-
ples e mais célere.»
Por exemplo, enquanto os atrasos regu-
latórios levaram a apenas alguns centros
contribuírem para o estudo APHINITY do
BIG, sobre a terapêutica anti-HER2 única
versus dupla em mulheres com câncer
de mama positivo para o recetor 2 do fa-
tor de crescimento epidérmico humano
(HER2+), a situação foi completamente
diferente com o recente estudo OlympiA,
de olaparib em mulheres com câncer de
mama HER2- de alto risco, com mutação
BRCA.
«Obtivemos a aprovação regulatória rapidamen-
te, o que significa que pudemos começar com
sete centros envolvidos no ensaio, número que
entretanto aumentou para 11. Este estudo é muito
importante para nós, não só pelo financiamento,
mas também pela responsabilidade e pelo fato
de termos conseguido pôr em prática muitos pro-
cessos teóricos dos ensaios clínicos», conclui o Dr.
Sala.
Melhoria da infraestrutura
A falta de infraestrutura é uma das razões mais
comuns para a escassez da pesquisa em câncer
de mama realizada na América Latina, onde exis-
tem apenas dois centros de pesquisa por milhão
de habitantes, comparado com os 10 a 12 centros
por milhão presentes na Europa Ocidental e os 80
centros por milhão nos EUA.
Com o intuito de resolver este problema, em 2008
foi criado o LACOG. O objetivo é construir uma
rede de investigadores em oncologia, para de-
senvolver, conduzir e coordenar a pesquisa aca-
dêmica e os ensaios clínicos na região, além de
formar e motivar os médicos a envolverem-se na
pesquisa.
A partir de uma equipe constituída por um mé-
dico investigador, um estatístico e um secretário
«Nos últimos anos – em
especial no último ano –
assistimos a uma melhoria
a nível dos processos
regulatórios, associada a
uma melhor compreensão
da necessidade da
regulação dos ensaios
clínicos ser mais simples e
mais célere.
Dr. Raùl Sala
“
Ensaios clínicos no mundo
Least Most
1
16335
98658
2707
2448
7783
66276
9521
5847
4136
4721
3622
23748
5893
4396
1 Número de ensaios por região
Atualmente, a
América Latina
participa em
apenas 5% dos ensaios
oncológicos em curso
www.clinicaltrials.gov: consultado a 20 de Janeiro de 2017
7 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
fotolia.com
executivo, o LACOG montou uma estrutura de
coordenação estratégica de pesquisa e estabele-
ceu serviços de monitoria e gestão de dados, que
constituíram a base para os desenvolvimentos
subsequentes. Atualmente, o LACOG conta com
147 membros investigadores de 70 instituições na
Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba,
Equador, El Salvador, Guatemala, México, Nicará-
gua, Panamá, Peru, Venezuela e Uruguai.
«Criamos a infraestrutura básica em um escritório
central, a fim de podermos coordenar os esforços
de todos os centros de pesquisa de qualidade
na região. Neste momento estamos a aumentar
o número de ensaios que conduzimos, incluindo
um grande número de estudos epidemiológicos,
para os quais há grande necessidade. Temos um
total de cerca de 7000 pacientes latino-america-
nos nestes estudos», destaca o Prof. Barrios.
No âmbito desta pesquisa, há vários estudos de
câncer de mama que estão a contribuir para es-
clarecer a natureza e o tratamento da doença na
América Latina. Entre eles, destaca-se um ensaio
de fase II publicado recentemente, da terapêutica
anti-HER2 com lapatinib em combinação com ca-
pecitabina, vinorelbina ou gencitabina em mulhe-
res com câncer de mama em progressão após
terapêutica com taxanos2
. O estudo foi coordena-
do pelo LACOG em 16 centros no Brasil, Argentina
e Peru.
Outros estudos de cêncer de mama
em curso, nos quais os investigadores
do LACOG participam, incluem os
seguintes:
•	 PENELOPE-B ((LACOG0313 / BIG 1-13): um es-
tudo de fase III para avaliar o palbociclib em
pacientes com câncer de mama primário po-
sitivo para recetores hormonais (HR+) e HER-
2-normal, com elevado risco de recidiva após
quimioterapia neoadjuvante. Este estudo é
promovido e conduzido pelo German Breast
Group (GBG) e tem o patrocínio do BIG
•	 P•	 Programa Internacional de Câncer
de Mama em Homens (The International
Programme of Breast Cancer in Men) (LA-
COG0413/BIG 2-07): um estudo internacional
da caracterização clínica e biológica do câncer
de mama masculino. Este estudo é coordena-
do pela EORTC (patrocinador fora dos EUA), pelo
North American Breast Cancer Group (NABCG)
e pelo Translational Breast Cancer Research
Consortium (TBCRC) (EUA) e envolve 8 grupos de
pesquisa da rede BIG.
•	 AMAZONA III (GBECAM0115): uma avaliação
prospetiva do câncer de mama em instituições
brasileiras, promovido pelo Grupo Brasileiro
de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM).
•	 PALLAS (LLACOG0715/BIG 14-03): um ensaio
randomizado de fase III de palbociclib com te-
rapêutica endócrina adjuvante padrão versus
•	 terapêutica endócrina isolada para o câncer
de mama precoce HR+/ HER2-. Este estudo
é conduzido pela Alliance Foundation Trials,
LLC (AFT) (patrocinador nos EUA), e pelo Aus-
trian Breast  Colorectal Cancer Study Group
(ABCSG) (patrocinador no resto do mundo), em
colaboração com o BIG.
Enquanto o LACOG atua como um grupo coorde-
nador para a pesquisa do câncer na América La-
tina, várias organizações nacionais estão também
a estabelecer contatos sólidos com oncologistas
interessados na pesquisa clínica. No Brasil, o Gru-
po Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBE-
CAM), temporariamente integrado na infraestrutura
do LACOG, desenvolve, implementa e viabiliza es-
tudos clínicos multi-institucionais na área do câncer
de mama e fomenta programas educacionais so-
bre a doença. Este grupo tem membros em 17 dos
principais centros oncológicos e pretende ampliar a
sua filiação a todos os centros oncológicos do país
durante os próximos anos.
Os estudos de câncer de mama
em curso, nos quais os membros
do GBECAM participam, incluem os
seguintes:
•	 ALTTO BIG 2-06): um estudo de fase III
de lapatinib e trastuzumab como tra-
tamento adjuvante para pacientes
com câncer de mama primário HER2+.
O estudo é promovido pela Novartis
e conduzido pelo BIG, pela Clinical
Trials Support Unit do Institut Jules
Bordet (IJB CTSU; anteriormente
BrEAST Data Centre), pela Frontier
Science Foundation e pela Allian-
ce (antes NCCTG; patrocinador nos
EUA).
•	 Neo-ALTTO (BIG 1-06): um estudo de fase III de
lapatinib neoadjuvante, trastuzumab e a sua
combinação com paclitaxel em mulheres com
câncer de mama primário HER2+. O estudo
é conduzido por SOLTI, BIG, IJB CTSU e Frontier
Science Foundation.
•	 CIBOMA: Aum estudo de fase III de capecitabi-
na e tratamento adjuvante no câncer de mama
triplo negativo, realizado em colaboração com
a Coligação Ibero-americana para a Pesquisa
do Câncer de Mama.
Há vários estudos de câncer
de mama que estão a
contribuir para esclarecer a
natureza e o tratamento da
doença na América Latina.
8 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
•	 CAP NEO: um estudo de fase II de tratamen-
to neoadjuvante de pacientes com cãncer de
mama triplo negativo localmente avançado
com ciclofosfamida, adriamicina e cisplatina,
promovido pelo GBECAM.
•	 AMAZONA 2: atualização de um vasto ques-
tionário retrospetivo de pacientes com câncer
de mama tratadas no Brasil, com vista à ob-
tenção de informação sobre o número de pa-
cientes, assistência prestada e sobrevivência.
ENa Argentina, onde aproximadamente 10% dos
oncologistas estão envolvidos na pesquisa, os
membros do GAICO também estão a começar
a fazer os seus próprios estudos e a participar
em ensaios internacionais de câncer de mama,
como o APHINITY (BIG 4-11) e o OlympiA (BIG 6-13).
Outra prioridade é o estabelecimento de vínculos
mais sólidos entre os pesquisadores da pesqui-
sa básica e os médicos.
«Temos pesquisadores acadêmicos de qualida-
de na Argentina, mas eles e os pesquisadores
clínicos nem sempre partilham a mesma lingua-
gem de pesquisa. No mesmo sentido, precisa-
mos compreender melhor as necessidades e os
desafios dos pesquisadores acadêmicos, para
podermos transferir os resultados dos seus es-
tudos para a pesquisa clínica», afirma o Dr. Sala.
Ele acredita que também será importante am-
pliar a esfera de ação do GAICO a cirurgiões e
radioterapeutas, para além da atual filiação de
oncologistas, e que também há potencial para
subgrupos especializados em tumores específi-
cos, como, por exemplo, o câncer de mama.
Melhorar a acessibilidade aos
cuidados oncológicos
Todas as iniciativas destinadas a fomentar a
pesquisa do câncer de mama na América Latina
devem ser entendidas no contexto da variabili-
dade da prestação de cuidados de saúde e da
escassez do financiamento na região. Aproxi-
madamente metade dos 600 milhões de habi-
tantes da América Latina não estão cobertos por
um seguro de saúde e poucos países têm um
seguro de saúde universal.
O Prof. Barrios explica que o acesso aos trata-
mentos oncológicos modernos é um dos princi-
pais desafios que exige especial atenção. Este
problema não é exclusivo da América Latina.
Uma discrepância significativa e impressionante
ilustra este ponto: 88% dos novos medicamen-
tos comercializados pelas companhias farma-
cêuticas nos últimos cinco anos são consumidos
exclusivamente nos EUA (55%), na Europa Oci-
dental (23%) e no Japão (10%). O resto do mundo
utiliza apenas 12% do total de novos fármacos.
A abertura de ensaios clínicos com novos medi-
camentos nos países cujo acesso a estes trata-
mentos é limitado pode constituir uma oportuni-
fotolia.com
O câncer de mama na América Latina
Com pelo menos 115 000 mulheres por ano diagnosticadas, o câncer de
mama4 é tão frequente em algumas partes da América Latina como em muitas
outras regiões do mundo. A incidência é mais baixa nos países setentrionais da
América Latina, tais como o México, Panamá, Colômbia e Equador, e superior
na Argentina, Uruguai e Chile, onde é comparável a da Europa e dos EUA 4
.
Nas últimas décadas, a incidência do câncer de mama aumentou em 50% nos
países latino-americanos com registos nacionais ou regionais, embora no Brasil
tenha atingido um pico e esteja aparentemente a diminuir5
. Este aumento geral
é atribuído a alteração de fatores de risco reprodutivos, dietéticos e hormonais
associados ao desenvolvimento socioeconômico. Avanços no rastreio e
diagnóstico também desempenhem um papel importante em alguns países5
.
Anualmente mais de 37 000 mulheres morrem devido ao câncer de mama4
,
embora as taxas de mortalidade na região sejam variáveis. As taxas de
mortalidade estão a diminuir na Argentina e no Chile, em consonância com
as da Europa e dos EUA, mas no México e na Colômbia mantêm-se estáveis
e no Brasil e em Cuba estão a subir5
. No Chile, a diminuição da mortalidade
tem sido associada à introdução de um programa de rastreio mamográfico
nos cuidados de saúde primários em 2001, que conduziu a um aumento dos
diagnósticos no estadio inicial de 43% em 1999 para 70% em 20035
. Pelo
contrário, noutros países latino-americanos, incluindo o Peru, a Colômbia e a
México, cerca de metade dos casos de câncer de mama são diagnosticados
em fase avançada5
.
«Muitas vezes, os
médicos não têm
conhecimento dos
ensaios clínicos em
curso nos centros
oncológicos e
os doentes têm
frequentemente de
percorrer longas
distâncias para
participar. Esta é
outra razão pela
qual precisamos
de mais centros de
pesquisa clínica:
para aproximar os
melhores cuidados
oncológicos aos
pacientes.
Prof. Carlos Barrios
“
9 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
dade valiosa para oferecer tratamentos que, de
outra forma, não estariam disponíveis para um
grande número de pacientes na América Latina
e em outras regiões do globo.
Na opinião do Prof. Barrios, esta é outra razão
importante para os médicos se envolverem mais
em ensaios clínicos oncológicos, já que são utili-
zados cada vez mais medicamentos com efeitos
potencialmente curativos.
O Prof. acrescenta que, embora inicialmente os
pacientes possam estar receosos de participar
nos ensaios, passam a estar disponíveis depois
de lhes terem sido explicados os objetivos.
«No Brasil, a percentagem de recusa é muito
baixa – menos de 5% – mas é necessário edu-
car tanto os pacientes como os médicos sobre
as oportunidades da participação em um en-
saio clínico. Muitas vezes, os médicos não têm
conhecimento dos ensaios clínicos em curso nos
centros oncológicos e os pacientes têm frequen-
temente de percorrer longas distâncias para
participar. Esta é outra razão pela qual precisa-
mos de mais centros de pesquisa clínica: para
aproximar os melhores cuidados oncológicos
aos doentes.»
Apesar dos avanços feitos em relação a muitos
dos obstáculos à pesquisa em câncer na Amé-
rica Latina, o financiamento continua a ser um
problema central. Em 2011, a América Latina
gastou 0,65% do PIB em pesquisa e desenvol-
vimento, 3,4 vezes menos do que nos países
desenvolvidos, e o Brasil foi o único país a gastar
mais de 1%3
. A desaceleração econômica contri-
buirá provavelmente para mais cortes no finan-
ciamento público da pesquisa3
.
No Brasil, no entanto, há uma nova iniciativa,
o Projeto CURA, que visa fomentar o mecenato
filantrópico da pesquisa em câncer através da
arte, do esporte e de eventos sociais (vide pági-
nas 13-14).
«Esperamos que o Projeto CURA se estenda a ou-
tros países da América Latina e ajude a desenvol-
ver uma cultura de doação semelhante à existen-
te nos EUA e na Europa», explica o Prof. Barrios.
Um futuro mais promissor
À medida que os obstáculos que restringiram a
pesquisa do câncer de mama na América Latina
vão gradualmente sendo ultrapassados, os mé-
dicos desta região poderão dar uma maior con-
tribução para a compreensão global da doença.
«A América Latina é um território vasto; com al-
gum investimento, a região tem potencial para
construir uma plataforma muito relevante para a
pesquisa clínica, o que, por sua vez, aumentará
o acesso dos pacientes a melhores tratamentos»,
defende o Dr. Lacombe.
Em toda a América Latina, outras organizações nacionais estão a criar
infraestruturas e redes a nível da pesquisa clínica do câncer, tais como:
GOCCHI (Grupo Oncologico Cooperativo Chileno de Investigación), que planeja, promove
e desenvolve pesquisa oncológica no Chile e fomenta a colaboração entre prestadores de
cuidados de saúde, universidades e o Ministério da Saúde.
FICMAC (Fundación para la Investigación Clínica y Molecular Aplicada del Cáncer), que
foi criada para desenvolver novos modelos de diagnóstico e tratamento oncológicos
personalizados na Colômbia, com base em pesquisa clínica e molecular.
GECOPERU (Grupo de Estudios Clínicos Oncológicos Peruano), que se dedica à pesquisa
básica e epidemiológica, bem como à realização de ensaios clínicos oncológicos.
GOCUR (Grupo Oncológico Cooperativo Uruguayo), que inclui um grupo de trabalho em
câncer de mama, promove e desenvolve estudos clínicos ou básico-clínicos no Uruguai
relacionados com a prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, com base em pesquisa
multidisciplinar e cooperativa, incluindo projetos nacionais e internacionais.
O GOCCHI, o GECOPERU e o GOCUR também são membros da rede BIG.
«A América Latina
é um território
vasto; com algum
investimento, a
região tem potencial
para construir uma
plataforma muito
relevante para a
pesquisa clínica,
o que, por sua
vez, aumentará
o acesso dos
doentes a melhores
tratamentos.
Dr. Denis Lacombe
“
10 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
Conheça os
especialistas
◗◗ Carlos H. Barrios, MD
-- Professor, Serviço de
Medicina, PUCRS School of
Medicine
-- Diretor, Hospital do Câncer
Mãe de Deus, Porto Alegre,
Brasil
-- Co-fundador e Diretor
Executivo, Latin American
Cooperative Oncology Group
(LACOG)
◗◗ Denis Lacombe, MD, MS
-- Diretor-geral, European
Organisation for Research
and Treatment of Cancer
(EORTC), Bruxelas, Bélgica
◗◗ Martine Piccart, MD, PhD
-- Diretora do Departamento
Médico, Institut Jules Bordet,
Bruxelas, Bélgica
-- Presidente, Breast International
Group (BIG)
◗◗ Raúl Sala, MD
-- Instituto de Oncologia de
Rosario
-- Membro do Conselho de
Administração, Grupo
Argentino de Investigación
Clínica en Oncología (GAICO),
Argentina
Referências bibliográficas
1.	 Metzger-Filho O, de Azambuja E, Bradbury I et al. Analysis of regional timelines to set up a global phase III clinical
trial in breast cancer: the adjuvant lapatinib and/or trastuzumab treatment optimization experience. The Oncologist.
2013;18(2):134-40. 
2.	 Gómez HL, Neciosup S, Tosello C et al. A Phase II Randomized Study of Lapatinib Combined With Capecitabine,
Vinorelbine, or Gemcitabine in Patients With HER2-Positive Metastatic Breast Cancer With Progression After a Taxane
(Latin American Cooperative Oncology Group 0801 Study). Clin Breast Cancer. 2016 Feb;16(1):38-44.
3.	 Rolfo C, Caglevic C, Bretel D et al. Cancer clinical research in Latin America: current situation and opportunities. Expert
opinion from the first ESMO workshop on clinical trials, Lima, 2015. ESMO Open. 2016 Jun 17;1(4):e000055. eCollection
2016.
4.	 Justo N, Wilking N, Jönsson B et al. A review of breast cancer care and outcomes in Latin America. Oncolo-
gist. 2013;18(3):248-56. doi: 10.1634/theoncologist.2012-0373. Epub 2013 Feb 26.
5.	 Bray F, Piñeros M. Cancer patterns, trends and projections in Latin America and the Caribbean: a global context.
Salud Publica Mex. 2016 Apr;58(2):104-17.
6.	 http://www.eortc.org/ European Organisation for Research and Treatment of Cancer (EORTC)
7.	 http://www.lacog.org.br Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG)
8.	 http://www.gaico.org.ar Grupo Argentino de Investigación Clínica en Oncología (GAICO)
9.	 http://www.gocchi.org Grupo Oncologico Coopertivo Chileno de Investigación (GOCCHI)
10.	http://www.gecoperu.pe Grupo de Estudios Clínicos Oncológicos Peruano (GECOPERU)
11.	http://www. sompu.org.uy/content/grupo-oncol%C3%B3gico-cooperativo-uruguayo Grupo Oncológico Cooperativo
Uruguayo (GOCUR)
12.	http://www.ficmac.org Fundación para la Investigación Cínica y Molecular Aplicada del Cáncer (FICMAC)
Embora a EORTC não seja um organismo
de financiamento, o Dr. Lacombe acredita
que há oportunidade para a realização
de projetos conjuntos com pesquisadores
latino-americanos:
«O melhor cenário se-
ria a identificação de
uma questão prioritá-
ria, em torno da qual
pudéssemos imple-
mentar em conjunto
um ensaio clínico só-
lido, a ser conduzido
na Europa e na Amé-
rica Latina, e para o
qual recebêssemos fi-
nanciamento comum.
Isto seria magnífico e,
se tivéssemos êxito,
poderíamos continuar
a tentar alcançar mais
sucessos», assume.
Apesar de reconhe-
cer a necessidade da
criação de uma in-
fraestrutura capaz de apoiar um estudo
deste tipo na América Latina, o Dr. Lacom-
be acredita que a sua ausência não de-
veria ser motivo para protelar tal projeto:
«Se ficarmos à espera da infraestrutura
perfeita, isso nunca acontecerá. O LACOG
já tem a base para a infraestrutura ne-
cessária. Se quisermos fazer progressos,
temos de começar já, porque afinal “o ca-
minho faz-se caminhando”.»
O Dr. Sala partilha este otimismo em re-
lação ao papel que a pesquisa latino-a-
mericana terá no futuro. Ele acredita que
a colaboração entre organizações como
o GAICO, na Argentina, e o BIG são o ca-
minho a seguir, sobretudo devido ao valor
das lições que as organizações mais con-
sagradas já retiraram dessa colaboração.
Por sua vez, o Prof. Barrios está confiante
em que a celeridade nos processos regu-
latórios no Brasil terá um impacto a curto
prazo na capacidade do país para parti-
cipar em ensaios clínicos: os pesquisado-
res poderão assim dar uma importante
contribução, através da elevada quanti-
dade de pacientes recrutados.
Também a Prof. Piccart acredita que che-
gou o momento de ter uma visão mais
positiva:
«Estou muito otimista por várias razões:
as organizações de pesquisa na América
Latina estão a reconhecer o valor da união
de esforços e estão a transmitir aos jovens
médicos a relevância da pesquisa clínica
e a oferecer-lhes formação internacional,
ao mesmo tempo que estão a criar a in-
fraestrutura que os levará a regressar aos
seus países para prosseguir a pesquisa.
Gostaria muito que todo este processo
pudesse ser ainda mais rápido!»
Queremos que os
ensaios se realizem
sob o patrocínio
do BIG de modo
a refletir a vida
real, tanto quanto
possível. Para além
disso, sabemos que
os investigadores
na América
Latina estão
extremamente
motivados para
participar.
Prof. Martine Piccart
“
11 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
A pesquisa clínica é a arma que permitiu à huma-
nidade declarar guerra ao câncer. A ciência ca-
pacitou-nos para combater este inimigo ardiloso,
fazendo uso de estratégias sofisticadas e criativas
para deter o nosso carrasco. Atualmente temos à
nossa disposição terapêuticas dirigidas, conjuga-
dos anticorpo-fármaco, imunoterapias e técnicas
mais precisas e eficazes de administração de
radioterapia, graças aos avanços resultantes da
pesquisa do câncer.
Infelizmente, apesar de representar uma ameaça
de saúde global, o “problema do câncer” apre-
senta peculiaridades e desafios específicos de
região e de país, e a pesquisa clínica ainda não
beneficia da mesma forma todos os pacientes a
nível mundial.
Grupos depesquisa oncológica
colaborativa na América Latina
Os investigadores e os centros de pesquisa na
América Latina já desenvolveram competências na
condução de ensaios clínicos por meio do sucesso
de recrutamento de pacientes em alguns dos estu-
dos mais importantes da oncologia, tal como o es-
tudoHERA(BIG1-01).Arealizaçãodestesensaiosfez
osprincipaisoncologistasdaAméricaLatinasairem
da inércia e conduziu à criação de grupos pioneiros
de pesquisa oncológica a nível nacional, tais como
o GAICO (Grupo Argentino de Investigación Clínica
en Oncología), o GBECAM (Grupo Brasileiro de Cân-
cer de Mama), o GECOPERU (Grupo de Estudios Clí-
nicos Oncológicos Peruano), o GOCCHI (Grupo On-
cologico Cooperativo Chileno de Investigación) e o
GOCUR (Grupo Oncológico Cooperativo Uruguayo),
que abriram caminho à fundação do Latin America
Cooperative Oncology Group (LACOG). O LACOG foi
criadocomoobjetivodecatalisarodesenvolvimen-
to da pesquisa independente orientada para as
necessidades regionais, bem como da pesquisa
clínica colaborativa com parceiros internacionais,
de modo a integrar a América Latina na vanguarda
da pesquisa oncológica. Foi neste contexto colabo-
rativo que teve lugar o encontro BIG Latina Retreat,
há dois anos.
Gestão da Pesquisa Clínica Global
Em novembro de 2014, conceituados especialistas
latino-americanos membros da rede BIG reuniram-
-se no Brasil para debater a situação atual da pes-
quisa clínica na América Latina, os obstáculos que
se lhe colocam, os desafios e as oportunidades.
Deste encontro resultou a decisão de que a forma-
ção de pesquisadores em início de carreira deve fa-
zer parte de um plano de ação global para otimizar
a pesquisa clínica na região. Através do empenho
mútuo dos dirigentes do BIG, da European Organi-
sation for Research and Treatment of Cancer (EORTC)
e do LACOG, esta ideia tornou-se realidade em 13
de outubro de 2016, com o início do primeiro Pro-
gramadeFormaçãoemGestãodaPesquisaClínica
Global, em Bruxelas, na Bélgica. Tive a oportunida-
de de frequentar este programa abrangente, jun-
tamente com a Dra. María Clara Rodríguez Palleiro
(GOCUR, Uruguai), o Dr. Javier Retamales (GOCCHI,
Chile) e a Dra. Zaida Denisse Morante Cruz (GECO
PERU, Peru).
O câncer é uma epidemia global. De fato, estima-se que em 2015 tenham ocorrido 17,5 mi-
lhões de novos casos e 8,7 milhões de mortes em todo o mundo (GBDCC, 2016). À medida
que a população envelhece, estes números tendem a agravar-se. Na América Latina, por
exemplo, estima-se que a incidência de câncer aumente de aproximadamente 1,1 milhões
de novos casos em 2012 para 1,8 milhões em 2030, enquanto a mortalidade subirá de 0,6
milhões em 2012 para cerca de 1,1 milhões em 2030 (GLOBOCAN, 2012).
 Dr. Márcio Debiasi
Dr. Márcio Debiasi
- Diretor científico, Latin American
Cooperative Oncology Group
(LACOG)
- Professor de Medicina na PUCRS
School of Medicine, Brasil
De olho no futuro: a inspirar a nova geração de
especialistas em cancro na América Latina
Grupos de pesquisa oncológica da
América Latina membros do BIG
GAICO - Grupo Argentino de Investigación
Clínica en Oncología
GBECAM - Grupo Brasileiro de Estudos do
Câncer de Mama
GECOPERU - Grupo de Estudios Clínicos
Oncológicos Peruano
GOCCHI - Grupo Oncológico Cooperativo
Chileno de Investigación
GOCUR - Grupo Oncológico Cooperativo
Uruguayo
LACOG - Latin American Cooperative
Oncology Group
Um aspecto
surpreendente
desta formação
foi o fato de nos
levar a considerar
os problemas dos
cuidados de saúde
dos nossos países
sob uma perspetiva
pragmática, e a
questionarmo-
nos sobre como
poderíamos adaptar
o desenvolvimento
da pesquisa às
nossas realidades e
melhorar não apenas
a ciência, mas
também a prestação
de cuidados de
saúde às nossas
populações.
“
12 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
Referências bibliográficas
•	 Global Burden of Disease Cancer Collaboration. Global,
Regional, and National Cancer Incidence, Mortality,
Years of Life Lost, Years Lived With Disability, and Disabili-
ty-Adjusted Life-years for 32 Cancer Groups, 1990 to
2015. A Systematic Analysis for the Global Burden of
Disease Study. JAMA Oncol. Published online December
03, 2016. doi:10.1001/jamaoncol.2016.5688
•	 GLOBOCAN, 2012. Available at: http://globocan.iarc.fr.
Searched: December 31, 2016
•	 Goss P, Lee BL, Badovinac-Crnjevic T, Strasser-Weippl
K, Chavarri-Guerra Y, St Louis J, et al. Planning cancer
control in Latin America and The Caribbean.Lancet
Oncol. 2013;14:391-436.
Representantes do BIG e de grupos
de pesquisa oncológica latino-a-
mericanos reuniram-se no encontro
BIG Latina Retreat em 2014, em Porto
Alegre, no Brasil.
Durante as quatro semanas de formação intensi-
va, frequentamos diariamente workshops das 8h
às 17h e imergimo-nos completamente no tema
da gestão da pesquisa clínica. Através de aulas e
apresentações em diferentes locais e dadas por
vários especialistas, a EORTC abordou a estatística
e questões técnicas e operacionais da pesquisa clí-
nica, enquanto o BIG se centrou no estabelecimento
de contatos entre grupos de pesquisa colaborativa,
na comunicação e nas atividades de arrecadação
de fundos. No European Centre for Clinical Research
Training (ECCRT) aprendemos sobre fundamentos
legais e liderança de grupo. Por último, visitamos
a Clinical Trials Support Unit (CTSU, anteriormente
chamada BrEAST) e o Breast Translational Research
Laboratory (BCTL), ambos situados no Institut Jules
Bordet.
Um aspecto surpreendente desta formação foi o
fato de nos levar a considerar os problemas dos
cuidados de saúde dos nossos países sob uma
perspetiva pragmática, e a questionarmo-nos so-
bre como poderíamos adaptar o desenvolvimento
da pesquisa às nossas realidades e melhorar não
apenas a ciência, mas também a prestação de cui-
dados de saúde às nossas populações.
A realidade latino-americana
A descrição mais abrangente da realidade latino-
-americana foi feita pela Comissão para o Planea-
mento do Controle do Câncer na América Latina e
Caribe . A Comissão destacou infraestruturas de
saúde fragmentadas, cobertura assistencial de
saúde incompleta, implementação insuficiente de
registos oncológicos, falta de financiamento e he-
terogeneidade na distribuição dos recursos como
os problemas prioritários a serem resolvidos urgen-
temente nos países latino-americanos, de modo a
prestar melhor assistência ao crescente contingente
de pacientes oncológicos. (Goss, 2013)
É de conhecimento geral que os grandes avanços
da ciência que são incorporados na medicina são
normalmente acompanhados de preços de mer-
cado elevados, beneficiando assim apenas as po-
pulações economicamente favorecidas. Em todo o
mundo, a pesquisa clínica desempenha um papel
importante na disponibilização de novas tecnolo-
gias às populações de países em desenvolvimen-
to. O desenvolvimento da pesquisa neste contexto
ajudará a construir uma estrutura sustentável, que
facilite o acesso às tecnologias de elevado custo na
América Latina. Aliás, uma vantagem indireta, fre-
quentemente ignorada, para os países que fazem
pesquisa é a qualificação que traz a todos os pro-
fissionais de saúde que atendem os pacientes nas
instituições envolvidas. A uniformização e o controle
de qualidade que estes profissionais têm de imple-
mentar para cumprir as diretrizes de Boas Práticas
Clínicas criam um círculo virtuoso, que culmina na
prestação de melhores cuidados de saúde a todos
os pacientes. Infelizmente, o desenvolvimento da
pesquisa clínica na América Latina está compro-
metido pela forma como os nossos responsáveis
políticos a encaram atualmente, mantendo prazos
regulatórios excessivamente longos e elevados cus-
tos financeiros para os pesquisadores. As leis na-
cionais têm de ser revistas urgentemente, de modo
a fomentar a pesquisa acadêmica na nossa região.
Não somente nós, os quatro pesquisadores latino-
-americanos em início de carreira que obtiveram
formação no BIG/EORTC, porém todos os profissio-
nais envolvidos em pesquisa na América Latina en-
frentam enormes desafios: (1) melhoria da estrutura
das organizações nacionais dedicadas à pesquisa
em câncer; (2) formação de pessoal especializado e
qualificado (gerentes de projeto, estatísticos, etc.); (3)
melhoria da comunicação com o público, para que
a pesquisa clínica passe a ser considerada uma
prioridade regional; e (4) aumento do financiamento
com base em doações, para apoiar a pesquisa in-
dependente centrada nas necessidades locais.
O BIG e a EORTC são vistas como instituições sólidas,
que representam exemplos bem-sucedidos do em-
penho na pesquisa acad~emica. Com a formação
e o apoio que tivemos, o BIG e a EORTC tornaram-se
muitomaisdoqueummodeloaseguir:transforma-
ram-se em exemplos de dedicação no âmbito do
desenvolvimento da ciência a nível mundial.
...todos os
profissionais
da pesquisa na
América Latina
enfrentam enormes
desafios.
“
13 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
Sou mulher, psicóloga, cidadã brasileira e latino-america-
na. Morei em cinco cidades em diferentes países da Amé-
rica Latina e atualmente resido nos EUA. Em 2009 adoeci,
não de câncer, mas senti igualmente o medo da morte e
as consequências de não poder cuidar da minha família.
Quando me recuperei, conheci uma mulher brasileira de
38 anos, com três filhos e com diagnóstico de câncer da
mama em estadio IV. Ao ajudá-la, conheci o seu médico,
o Dr. Orlando Silva, oncologista em Miami, que me trans-
mitiu a complexidade do câncer e o problema global; e
através dele conheci a Dra. Martine Piccart, Presidente do
Breast International Group (BIG), que me pôs em contato
com o Presidente do LACOG, o Dr. Carlos Barrios. Tudo isto
me motivou a abraçar essa luta contra o câncer e à cria-
ção do Projeto CURA para a América Latina.
Acredito realmente que a pesquisa salva vidas!
O que é o Projeto CURA?
O objetivo do Projeto CURA é usar diferentes áreas e ati-
vidades, como a música, a arte, o design, o esporte e
eventos , para conscientizar, educar , e conectar toda a
sociedade,sobre a emergência de unir esforços para
captação de recursos para a investigação científica, no
combate ao câncer na América Latina.
O desafio principal do projeto é sensibilizar a sociedade
para o fato do câncer ser atualmente o nosso maior ini-
migo a nível global. Queremos que as pessoas se identi-
fiquem com esta causa e se empenhem em combate-la.
O Projeto CURA convida toda a sociedade a unir-se na
procura de uma cura para o câncer, porque a pesquisa
salva vidas.
O que distingue o Projeto CURA de outras organi-
zações na região?
O que nos distingue é que, até a presente data, não exis-
tia na América Latina uma organização sem fins lucrati-
vos que arrecade fundos para a pesquisa e que envolva
toda a sociedade. Existem organizações que prestam
apoio às vítimas, fazendo um importante trabalho de as-
sistênca. Desse modo, isto nos torna pioneiros na região,
estamos abrindo caminhos, é uma “nova estrada” a ser
percorrida. É importante esclarecer à população que a
única maneira de combater o nosso inimigo comum - o
câncer - e, simultaneamente vencê-lo, é conhece-lo e
isso somente acontecerá através de mais pesquisas.
Que tipos de pesquisa o Projeto CURA
pretende apoiar?
Nós, os latino-americanos, não podemos
cruzar os braços e esperar que os países
desenvolvidos encontrem uma cura para o
câncer. Precisamos urgentemente conhecer
os nossos próprios mecanismos genéticos e
os nossos hábitos culturais e alimentares, os
quais são diferentes dos de outras regiões.
Temos de fazer pesquisa epidemiológica
para desenvolver tratamentos mais adapta-
dos às necessidades da nossa população.
Precisamos conhecer a população latino-a-
mericana e saber quantos casos de câncer
realmente existem e quais são os tipos mais
frequentes, uma vez que alguns tipos são
mais comuns na nossa região do que em
regiões mais desenvolvidas, como por exemplo o câncer
de colo do útero. Os países desenvolvidos foram e são
mais eficazes no que diz respeito à prevenção deste tipo
de câncer, graças à vacina do vírus do papiloma humano
(HPV). Aqui a prevenção não é tão eficaz, por isso ain-
da temos muitos casos fatais. Temos de continuar com-
preendendo, investigando e desenvolvendo medicamen-
tos específicos para esse tipo de câncer e também para
outros tipos como o da próstata, o de mama e outros.
Além disso, a pesquisa acadêmica realizada com fundos
angariados pelo Projeto CURA irá contribuir para pesqui-
sas realizadas nos EUA e na Europa, uma vez que pode-
rão envolver mais pacientes com uma maior diversidade
de tumores e conseguir mais rapidamente uma melhor
compreensão sobre o desenvolvimento do câncer. Por
fim, pretendemos produzir mais conhecimento e desen-
volver medicamentos mais eficazes, em menor tempo e
oferecer às pessoas opções de tratamento menos trau-
máticas, com menos efeitos adversos.
O que os apoiadores do Projeto CURA receberão
em troca?
Do ponto de vista comercial, as grandes empresas que
apoiarem o Projeto CURA verão as suas marcas reco-
nhecidas e associadas a uma causa importante. De uma
perspetiva humana, o doador terá a satisfação de saber
que ajudou a financiar uma causa com repercussão uni-
versal.
Reunimo-nos com Fernanda Schwyter, Coordenadora da Arrecadação de Fundos para
o Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG). Na entrevista aqui publicada,
ela revela um projeto criativo e inovador, que tem como objetivo sensibilizar o público e
fomentar a pesquisa em câncer na América Latina.
Science and creativity
unite to fight cancer
A sociedade precisa
perceber que a
pesquisa científica
pode ser tão
impactante na vida
das pessoas como
levar celulares a
lugares que nunca
tiveram sequer
um telefone fixo:
revolucionário.
Fernanda Schwyter
“
14 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
Por que o LACOG achou importante
criar o Projeto CURA?
Vários fatores contribuíram para a cria-
ção do Projeto CURA.
Do ponto de vista acadêmico e científi-
co, o Projeto nos permite desenvolver
pesquisa independente da indústria
farmacêutica, pois nos permite buscar
recursos.
Por outro lado, ao ser uma iniciativa do
LACOG, que trabalha com quase 150
pesquisadores em 15 países de toda a
América Latina, o Projeto CURA nos per-
mitirá mapear toda a população latino-
-americana.
A situação é grave por isso não podemos esperar pelo apoio
governamental, é uma corrida contra o tempo. O número de
casos aumenta anualmente, de maneira que nunca foi tão
necessário ser criativo para angariar fundos.
Do ponto de vista pedagógico, temos de explicar à socieda-
de, com um vocabulário menos científico e formal, em que
consiste a pesquisa e quais os seus benefícios. Precisamos
aproximar a população da ciência! Infelizmente ainda existe
muito preconceito, e as pessoas acreditam que participar de
pesquisa significa tomar placebos ou serem “cobaias”, mes-
mo que estejam sendo tratadas para uma doença grave
como o câncer.
Queremos que os pacientes entendam que, ao participar de
uma pesquisa, além de receberem o tratamento normal de
que precisam, terão a possibilidade de receber as opções
terapêuticas mais inovadoras para a sua forma específica
de câncer. Aqui reside a importância de envolver toda a so-
ciedade. E para o paciente com câncer, tempo vale muito.
As doações, o engajamento, os patrocínios oriundos de
empresas não farmacêuticas, BEM COMO DA POPULAÇÃO
EM GERAL, serão resultados de uma sociedade esclarecida
e que acredita na ciência, pois entenderá que a pesquisa
salva vidas!
Por que é fundamental desenvolver e estimular a
pesquisa em câncer na América Latina?
Porque temos uma falta enorme de investimentos na área e
falta de uma cultura de doação. Calcula-se que milhões de
pessoas irão morrer devido ao câncer nos próximos anos.
Uma vez que o câncer mata independentemente da raça,
sexo, religião ou condição social, o único modo de vencer-
mos é por meio de um esforço conjunto
de governos, empresas e da população
em geral - exatamente como nos EUA, há
100 anos, quando foi criada a Sociedade
Americana de Oncologia. Temos que re-
conhecer que o investimento feito na pes-
quisa é realmente valioso e precisamos
de legislação que incentive o setor privado a fazer esse in-
vestimento.
Há uma enorme falta de políticas públicas e consciência
social em termos de saúde na América Latina. Temos de
entender o impacto do câncer no indivíduo, na família e na
sociedade a partir de uma perspetiva econômica, social e
emocional.
Você acredita que as pessoas na América Latina tem
consciência da importância da pesquisa em câncer
na sua região e da importância de apoiar-la?
Não tem a menor consciência dessa importância . A Amé-
rica Latina tem muitas necessidades urgentes para serem
sanadas, como : infraestrutura, saneamento básico, educa-
ção, distribuição de renda, combate à corrupção, etc.
Com estes problemas graves e básicos, as pessoas acham
que apoiar a pesquisa é uma preocupação dos países de-
senvolvidos, onde estas questões básicas já foram solucio-
nadas. Há uma negação da necessidade de nos unirmos
para vencer esta ameaça. Temos que ultrapassar estes pro-
blemas básicos, mas também precisamos integrar o tema
da pesquisa no nosso cotidiano, explicando à sociedade
que a pesquisa é tão importante como vacinar contra o sa-
rampo.
A sociedade precisa perceber que a pesquisa pode ser tão
impactante na vida das pessoas como levar celulares a lu-
gares que nunca tiveram sequer um telefone fixo: revolucio-
nário..
Como o Projeto CURA se adapta às especificidades
de cada região na América Latina?
O Projeto CURA busca convidar pessoas influentes, como
atletas, artistas e empresários, para serem nossos embaixa-
dores. Cada país terá as suas figuras locais, que serão por-
ta-vozes da causa. Outro caminho é convidar organizações
locais sem fins lucrativos, que prestam assistência às comu-
nidades, a serem nossos parceiros e a ajudarem a introduzir
e implementar o Projeto Cura na sua área, de modo a adap-
tar a abordagem à cultura local em cada país.
Como os cidadãos ou as empresas podem contri-
buir para o Projeto CURA?
Todas as pessoas podem apoiar o Projeto CURA, sendo
pessoas físicas, jurídicas ou públicas. As doações podem
ser feitas online através do nosso website , bem como po-
dem patrocinar eventos, promover mudanças políticas que
fomentem a pesquisa, partilhar informações nas redes so-
ciais ou mesmo sendo um de nossos voluntários. O volunta-
riado é muito importante no apoio direto e na multiplicação
das ações do CURA. É tão importante como a angariação
de fundos. Até ao momento, quase tudo o que foi feito para
o Projeto CURA foi feito de forma voluntária. desde a nossa
logomarca e as nossas estratégias, que foram criadas por
uma agência brasileira chamada Blackninja; as traduções e
os eventos também foram feitos por voluntários.
Eu própria sou voluntária até agora!
Da esquerda para a direita: Prof.
Carlos Barrios, Fernanda Schwyter,
Laura Voelcker e Dr. Márcio Debiasi
www.projetocura.org
www.facebook.com/
projetocura.org
15 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017
A nossa visão: Juntos vamos encontrar
uma cura para o câncer de mama,
através da colaboração e pesquisa a
nível global
O Breast International Group (BIG) é uma organização sem fins lucrativos que reúne grupos de
pesquisa acadêmica de c^ncer de mama de todo o mundo.
Fundado em 1999 por conceituados especialistas europeus em câncer de mama, o BIG constitui atualmente uma rede de
56 grupos e centros de dados sediados na Europa, Canadá, América Latina, Médio Oriente, Ásia e a Australásia. Estas
entidades estão vinculadas a milhares de hospitais e centros de pesquisa especializados em todo o mundo. Cerca de
30 ensaios clínicos e vários programas de pesquisa estão em andamento ou em desenvolvimento sob a supervisão do
BIG. O BIG também colabora estreitamente com o US National Cancer Institute e o North American Breast Cancer Group
(NABCG), agindo conjuntamente como uma sólida força interativa no âmbito da pesquisa do câncer de mama.
www.BIGagainstbreastcancer.org
Os 56 grupos de pesquisa em câncer de mama da rede BIG
ABCSG
Austrian Breast  Colorectal Cancer
Study Group
AGO-B
Arbeitsgemeinschaft
Gynäkologische Onkologie Breast
Study Group
ANZBCTG
Australia  New Zealand Breast
Cancer Trials Group
ARCAGY-GINECO
Association de Recherche dans les
Cancers dont Gynécologiques –
Groupe d’Investigateurs Nationaux
pour l’Etude des Cancers Ovariens
et du sein
BGICS
Breast-Gynecological International
Cancer Society
BIEI
Breast Intergroup of Eastern India
BOOG
Borstkanker Onderzoek Groep
BREAST
Breast European Adjuvant Study
Team
CCTG
Canadian Cancer Trials Group
CEEOG
Central and East European Oncology
Group
CT-IRE
Cancer Trials Ireland
CTRG
Cancer Therapeutics Research
Group
DBCG
Danish Breast Cancer Cooperative
Group
EORTC BCG
European Organisation for Research
and Treatment of Cancer, Breast
Cancer Group
FBCG
Finnish Breast Cancer Group /
Suomen Rintasyöpäryhmäry
FBI
Francilian Breast Intergroup
GAICO
Grupo Argentino de Investigación
Clinica en Oncologia
GBECAM
Grupo Brasileiro de Estudos do
Câncer de Mama
GBG
German Breast Group
GECO PERU
Grupo de Estudios Clinicos
Oncologicos Peruano
GEICAM
Grupo Español de Investigacion en
Cancer de Mama
GOCCHI
Chilean Cooperative Group for
Oncologic Research
GOCUR
Grupo Oncologico Cooperativo
Uruguayo
GOIRC
Italian Oncology Group for Clinical
Research
GONO
Gruppo Oncologico Nord-Ovest
HBSS
Hellenic Breast Surgical Society
HeCOG
Hellenic Cooperative Oncology
Group
HKBOG
Hong Kong Breast Oncology Group
HORG
Hellenic Oncology Research Group
IBCG
Icelandic Breast Cancer Group
IBCSG
International Breast Cancer Study Group
IBG
Israeli Breast Group
IBIS
International Breast Cancer
Intervention Studies
ICCG
International Collaborative Cancer
Group
ICON ARO
Indian Co-Operative Oncology
Network
ICRC
Iranian Cancer Research Center
ICR-CTSU
Institute of Cancer Research –
Clinical Trials  Statistics Unit
IOSG
Indian Oncology Study Group
ITMO
Italian Trials in Medical Oncology
JBCRG
Japan Breast Cancer Research
Group
LACOG
Latin American Cooperative
Oncology Group
MICHELANGELO
Fondazione Michelangelo
NBCG
Norwegian Breast Cancer Group
NCRI-BCSG
National Cancer Research Institute -
Breast Cancer Clinical Studies Group
SABO
Swedish Association of Breast
Oncologists
SAKK
Swiss Group for Clinical Cancer
Research
SBCG
Sheba Breast Collaborative Group
SweBCG
Swedish Breast Cancer Group
SKMCH  RC
Shaukat Khanum Memorial Cancer
Hospital  Research Centre
SLO
Société Luxembourgeoise
d’Oncologie
SOLTI
SUCCESS
Study Group
TCOG
Taiwan Cooperative Oncology Group
TROG
Trans Tasman Radiation Oncology
Group
UCBG
Unicancer Breast Group
WSG
Westdeutsche Studiengruppe
impakt.org
BRUSSELS BELGIUM
PRE-IMPAKT
TRAINING COURSE
3-4 MAY 2017
IMPAKT CONFERENCE
4-6 MAY 2017
Improving care and knowledge through translational
research in breast cancer.
Organisers Partners
EBCCouncil
Chairs
Fatima Cardoso, Lisbon, Portugal
Sibylle Loibl, Neu-Isenburg, Germany

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Big Research Infocus - Número 6 - Versão em português

  • 1. De olho no futuro: inspirar a nova geração de especialistas em câncer na América Latina Dr. Márcio Debiasi partilha a sua experiência da primeira Formação em Gestão da Pesquisa Clínica para jovens oncologistas. 11-12 Projeto CURA - ciência e criatividade na luta contra o câncer Informar e sensibilizar a sociedade para o apoio da pesquisa em câncer através da arte, da música, do de- sign e do esporte. 13-14 BIG Research in Focus Número 6 Março de 2017 Shutterstock Pesquisa em câncer de mama na América Latina: desafios, avanços e oportunidades futuras IN FOCUS RESEARCH BIG IN FOCUS RESEARCH BIG
  • 2. 2 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 EDITOR Carlos H. Barrios, MD EDITORES-CHEFE Carolyn Straehle, PhD Oriana Spagnolo Valerie Van der Veeken Gia Questiaux CONSELHO EDITORIAL Fabrice André, MD, PhD José Baselga, MD, PhD David Cameron, MD Angelo Di Leo, MD, PhD Karen Gelmon, MD Michael Gnant, MD Aron Goldhirsch, MD, PhD (h.c.) Sibylle Loibl, MD, PhD Martine Piccart, MD, PhD DESIGN inextremis.be Fotografia da capa © fotolia.com A BIG Research in Focus eé uma publicação do Breast International Group (BIG)-aisbl. As opiniões ou conclusões expressas ou implícitas nos artigos aqui apresentados são as dos autores e não refletem neces- sariamente as do editor. Novo endereço de contato da Sede do BIG: Breast International Group (BIG)-aisbl Blvd de Waterloo 76 1000 Bruxelas, Bélgica Tel: +32 2 486 16 12 O endereço legal do BIG para envio de faturas e contratos mantém-se: Breast International Group (BIG)-aisbl Blvd de Waterloo 121 - 1000 Bruxelas, Bélgica. VAT: BE 0468 176 240 E-mail: info@BIGagainstbc.org www.BIGagainstbreastcancer.org Copyright © 2017 Breast Interna- tional Group. Todos os direitos reservados. BIG Research in Focus Número 6 Março de 2017 Subscrição A BIG Research in Focus está disponível para download em formato PDF em www.BIGagainstbreastcancer.org Se desejar receber gratuitamente um exemplar impresso da BIG Research in Focus ou ser informado por e-mail quando o próximo número estiver disponível para download no website do BIG, por favor contate-nos através do e-mail: info@BIGagainstbc.org Construir pontes… ao invés de muros! O momento parece ser bastante apropriado ao debate. Vivemos tempos desafiantes, em que muitas pessoas no mundo parecem tomar partido por realidades fraturantes, ao mesmo tempo que desafiam o conceito da construção do que nos poderia aproximar. Um dos mais importantes paradigmas, senão o mais importante, do Breast International Group (BIG) é o fato de se basear na colaboração internacional para gerar avanços na investigação do câncer de mama. A globalização é um conceito árduo, complexo e multifacetado. Apesar disso,amaiorpartedacomunidadecientíficaconcordaqueaglobalizaçãoéamelhoropçãopararesponder às questões com que nos deparamos ao lidar com acometidos pelo câncer. O câncer é um problema global e precisa de ser combatido coletivamente. É precisamente isso que o BIG está a fazer: procurar aumentar a participação internacional na pesquisa do câncer de mama, fomentando a abordagem dos desafios locais. Este número da BIG Research in Focus rela- ta a história de um processo que teve início há dois anos, com a visita de Martine Piccart, Fabrice André e uma delegação da sede do BIG a Porto Alegre. Aí encontraram-se com os seis grupos de investigação membros do BIG ativos na América Latina. Uma análise criteriosa da situação da investigação clínica a nível regional conduziu a algumas conclusões extremamente importantes. Apresentamos aqui algumas das conclusões desse debate. Considerando o BIG numa perspetiva mais vasta, um ponto importante que não pode deixar de ser subli- nhado é que este processo, bem como o modo como os seus dirigentes estão a lidar com os desafios a nível da colaboração internacional, não se aplica apenas à América Latina. Outras regiões do mundo, provavel- mente, partilham os problemas aí debatidos, pelo que, apesar de estar claro que as soluções devem ser consideradas em função do contexto, a aplicabilidade da estratégia usada para enfrentar esses desafios é, obviamente, mais abrangente. Há duas questões particularmente importantes. A primeira é a necessidade de profissionalização da carreira de pesquisa. Para que no futuro a pesquisa possa crescer, é fundamental que haja formação e um apoio sis- temático aos jovens talentos dedicados, quer na nossa região quer noutras regiões em desenvolvimento do mundo. O Dr. Debiasi aborda no seu artigo a recente tentativa de resolver este problema, a qual esperamos que venha a ter consequências positivas num futuro próximo. O outro aspeto crucial e de caráter prático identificado no debate com os dirigentes e os membros do BIG foi a necessidade vital de apoio financeiro. Tendo em conta que este é um problema global, concordamos em considerar as especificidades econômicas e culturais de cada região, de modo a desenvolver uma estratégia com maior possibilidade de sucesso. O que funciona na Bélgica ou nos EUA pode não se aplicar necessa- riamente no Brasil ou no Peru. Fernanda Schwyter apresenta-nos um projeto inovador e criativo, cujo objetivo passa pela transformação da cultura local de doação de modo a apoiar as organizações de pesquisa apro- vadas na região latino-americana. Recorde-se que este é um processo coletivo: contamos com a sua contribuição! Dr. Carlos H. Barrios Diretor, Latin American Cooperative Oncology Group, LACOG PUCRS School of Medicine
  • 3. 3 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 By Jenny Bryan Pesquisa em câncer de mama na América Latina: desafios, avanços e oportunidades futuras Em 2030, prevê-se que haja 1,7 milhões de novos casos de câncer diagnosticados por ano na América Latina e mais de 1 milhão de mortes decorrentes da doença. Todavia, a pesquisa em câncer na região está muito aquém da realizada nos EUA e na Europa. Com vista a encontrar uma solução para este problema, os maiores especialistas na área do câncer da América Latina, membros da rede BIG, reuniram-se em Porto Alegre, no Brasil, em 2014, para debater os obstáculos que se colocam à pesquisa clínica, em especial do câncer de mama, e definir um plano de ação. Decorridos dois anos, Jenny Bryan falou com alguns dos participantes e principais líderes de opinião na área da pesquisa acadêmica em câncer e descobriu que estão sendo feitos progressos consideráveis no incentivo à pesquisa do câncer de mama na América Latina. Uma série de iniciativas destinadas a colocar a América Latina definitivamente no mapa da pes- quisa em câncer de mama centra-se na redução dos prazos regulatórios, na formação médica, na melhoria da infraestrutura e no reforço do financia- mento. Através de uma rede crescente de organi- zações oncológicas na região, os principais espe- cialistas estão a construir progressivamente uma nova cultura de pesquisa, a qual preveem que ve- nha a ter um grande impacto nos próximos anos. «O câncer de mama é um problema significativo e crescente na América Latina, e a mortalidade é mais elevada do que na Europa Ocidental ou nos EUA. Os resultados de estudos clínicos realizados fora da América Latina podem não ser aplicáveis às mulheres na nossa região, por isso é impor- tante fazermos ensaios centrados nos nossos pro- blemas específicos», explica o Prof. Carlos Barrios, diretor executivo do Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) e diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia no Hospital São Lucas, Brasil. fotolia.com
  • 4. 4 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 «Precisamos de levar em conta as importantes di- ferenças nos subtipos de câncer de mama, assim como o estádio ao diagnóstico e os tratamentos disponíveis, ao mesmo tempo que consideramos os fatores étnicos e socioeconômicos locais e a va- riabilidade no acesso ao tratamento», acrescenta. Atualmente, a América Latina participa em ape- nas 5% dos ensaios oncológicos em curso e 90% dos ensaios clínicos que se realizam na região são financiados pela indústria farmacêutica. O Prof. Barrios salienta que, embora o grau de par- ticipação da indústria confirme a competência e a qualidade dos centros de pesquisa e das suas equipes, urge realizar mais pesquisa acadêmica independente. «Precisamos responder a questões importantes sobre o câncer de mama na América Latina, nas quais as companhias farmacêuticas não estão interessadas. Por outro lado, a pesquisa e a ino- vação fazem parte do desenvolvimento em qualquer sociedade. Só evoluímos se conseguirmos gerar informação científica verossímil com pesquisa de elevada qua- lidade», afirma. O Dr. Raúl Sala, membro do Conselho de Administração do Grupo Argentino de In- vestigación Clínica en Oncología (GAICO), concorda que a participação latino-ame- ricana na pesquisa em câncer de mama é importante para gerar resultados válidos para as populações em causa. Para além disso, destaca a necessidade de com- preender as atitudes das doentes latino-america- nas em relação à sua doença e ao tratamento, bem como a sua repercussão na adesão à me- dicação. Na sua opinião, «também é importante que os oncologistas saibam implantar as tecnologias para os diferentes tratamentos e gerir as suas toxicidades, e isso pode ser feito através da parti- cipação nos ensaios clínicos. Sem essa participa- ção, arriscamo-nos a ver novos fármacos introdu- zidos nos nossos países sem que os oncologistas tenham qualquer experiência na sua utilização e na gestão das suas toxicidades.» As organizações de pesquisa internacionais, tais como o Breast International Group (BIG) e a Euro- pean Organisation for Research and Treatment of Cancer (EORTC), reconhecem a importância de incluir a América Latina nos principais ensaios oncológicos, incluindo do câncer de mama, e apoiam a formação da próxima geração de in- vestigadores em oncologia [vide também pági- nas 11-12]. No entanto, consideram que a comple- xidade dos sistemas regulatórios para aprovação dos protocolos de ensaios clínicos e a falta de infraestruturas de apoio aos médicos durante a realização dos ensaios constituem sérias limita- ções. «Queremos que os ensaios se realizem sob o patrocínio do BIG, de modo a refletir a vida real, tanto quanto possível. Além disso, sabemos que os investigadores na América Latina estão ex- tremamente motivados a participar. No entanto, deparámo-nos com barreiras regulatórias, espe- cialmente no Brasil, o que fez com que os poten- ciais investigadores não pudessem participar ou só começassem a recrutar alguns pacientes ao final de um estudo, o que é lamentável», afirma a Presidente do BIG, Prof. Martine Piccart. O Dr. Denis Lacombe, diretor-geral da EORTC e membro do Conselho Consultivo do LACOG, explica que a organização ambiciona recrutar colaboradores para além das suas fronteiras eu- ropeias. A complexidade crescente dos atuais en- saios clínicos oncológicos de tratamentos orien- tados por biomarcadores implica o recrutamento internacional no seio de populações de grandes dimensões, de modo a reunir um número sufi- ciente de pacientes com as mutações tumorais adequadas. Mas também aqui a EORTC encon- trou obstáculos regulatórios e de infraestrutura. «Os médicos até podem ter uma boa formação e experiência, mas se não tiverem recursos para a coordenação dos ensaios clínicos e gestão dos dados, é muito difícil fazer o tipo de estudos de saúde pública que são necessários», adverte. Enquanto países como o Brasil e a Argentina têm dimensão suficiente para participar a nível nacio- nal, a EORTC necessitaria de estabelecer parce- rias com países menores através de uma organi- zação regional. O BIG e a EORTC reconhecem a importância de incluir a América Latina nos principais ensaios oncológicos, incluindo do câncer de mama, e apoiam a formação da próxima geração de investigadores em oncologia. Shutterstock
  • 5. 5 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 «Nada é categórico, mas apesar de existirem investigadores extremamente motivados em paí- ses como a Bolívia ou o Uruguai, somos muito mais eficientes se funcionarmos com uma única plataforma coordenada para toda a América Latina, em vez de tentarmos trabalhar individualmente com os países menores», assegura o Dr. Lacombe. Ainda assim, tanto o Dr. Lacombe como a Prof. Piccart mostram-se otimistas e admitem que os obstáculos à pesquisa em câncer dea mama na América Latina podem ser ultrapassados e que estes países podem dar uma contribuição valiosa para a compreensão do câncer de mama e do seu tratamento. Acelerar a aprovação regulatória para ensaios clínicos O recrutamento de mais de 8300 pacientes com câncer de mama em estadio inicial para o estu- do ALTTO com lapatinib e/ou trastuzumab adju- vante foi uma tarefa de grandes dimensões para os grupos BIG e respectivos centros entre 2007 e 2011. Uma análise posterior identificou diferenças significativas nos prazos de aprovação regulató- ria entre os 44 países participantes no estudo1 . Enquanto a média na América do Norte foi de 26 dias, na Europa 52 e nos países da Ásia e do Pa- cífico 62 dias, os centros sul-americanos tiveram de esperar uma médi de 236 dias para obter a aprovação regulatória necessária para participar. Este prazo foi bastante razoável quando compa- rado com os 18 meses frequentemente necessá- rios para obter a aprovação para ensaios clínicos para outros estudos no Brasil. O Prof. Barrios explica que a melhoria nos prazos regulatórios tem sido uma prioridade, devido ao efeito dos atrasos na pesquisa clínica no Brasil. «O recrutamento de doentes é bastantecompetitivo», garante. «Os oncologistas brasileiros, e também de outros países latino-americanos, chegam geralmente demasiado tarde a esse ponto de partida, de modo que, quando estão finalmente prepara- dos para começar, o recrutamento para muitos ensaios já está quase terminado». No Brasil, a legislação que proíbe a exportação de amostras biológicas trouxe ainda mais dificuldades aos pesquisadores, dado o uso crescente de biomar- cadores tumorais para identificar pacientes elegí- veis para várias opções de tratamento. «Não é apenas a legislação que nos tem coloca- do entraves, é também a ideologia do governo sobre a pesquisa. Estamos a investir bastante tempo a transmitir informação às autoridades para mostrar que todos podem se beneficiar com a pesquisa clínica – os médicos, os pacientes, as instituições e os centros de pesquisa, os patroci- nadores e os países», afirma Prof. Barrios. No caso do material biológico, é importante cor- rigir a desinformação sobre o potencial de uso inadequado das informações genéticas obtidas através da análise das amostras. «Fizemos progressos importantes nos últimos 18 meses no Brasil. Estou otimista em relação à aprovação de nova legislação a curto prazo, ace- lerando os processos regulatórios. Também estamos a infor- mar o público sobre o problema das amostras biológicas, creio que em breve isso deixará de ser um problema», prevê o Prof. Barrios. O esforço coletivo e a pres- são de muitos pesquisadores e organizações de pacientes durante os últimos meses levaram a que alguns ensaios recentes tenham recebido aprovação regulatória completa no Brasil em me- nos de cinco meses, um tempo recorde! Na Argentina, também há progressos na celeri- dade dos processos regulatórios, gra- ças a uma aliança tripartidária entre oncologistas e organismos governa- mentais estratégicos envolvidos nas políticas de combate ao câncer e na regulação farmacêutica. Esta colaboração, que inclui o GAICO, o Grupo Argentino de Investigación en Oncología, e a Administración Na- cional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica (ANMAT), tem o potencial para expandir a base de pesquisa oncológica do país e encur- tar os prazos de aprovação dos pro- tocolos de ensaios clínicos. O Dr. Sala explica que, desde a sua criação pelo Ministério da Saúde em 2010, o Instituto Nacional do Câncer tem reconhecido a importância da pesquisa na Argentina e tem conhe- cimento dos problemas que precisam de ser resolvidos. A ANMAT, uma das primeiras agências reguladoras nacionais a ser criada na América do Sul, já realiza auditorias e inspeções a centros de pesquisa, com o objetivo de assegurar a qualidade da pesquisa clínica. O Dr. Sala mos- tra-se confiante de que, ao trabalhar com estas «Não é apenas a legislação que nos tem colocado entraves, é também a ideologia do governo sobre a pesquisa. Estamos a investir bastante tempo a transmitir informação às autoridades para mostrar que todos podem se beneficiar com a pesquisa clínica – os médicos, os pacientes, as instituições e os centros de pesquisa, os patrocinadores e os países. Prof. Carlos Barrios “
  • 6. 6 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 organizações, o GAICO possa obter o efeito dese- jado no que diz respeito à regulação de ensaios clínicos. «Nos últimos anos – em especial no último ano – assistimos a uma melhoria a nível dos processos regulatórios, associada a uma melhor compreensão da necessidade da regu- lação dos ensaios clínicos ser mais sim- ples e mais célere.» Por exemplo, enquanto os atrasos regu- latórios levaram a apenas alguns centros contribuírem para o estudo APHINITY do BIG, sobre a terapêutica anti-HER2 única versus dupla em mulheres com câncer de mama positivo para o recetor 2 do fa- tor de crescimento epidérmico humano (HER2+), a situação foi completamente diferente com o recente estudo OlympiA, de olaparib em mulheres com câncer de mama HER2- de alto risco, com mutação BRCA. «Obtivemos a aprovação regulatória rapidamen- te, o que significa que pudemos começar com sete centros envolvidos no ensaio, número que entretanto aumentou para 11. Este estudo é muito importante para nós, não só pelo financiamento, mas também pela responsabilidade e pelo fato de termos conseguido pôr em prática muitos pro- cessos teóricos dos ensaios clínicos», conclui o Dr. Sala. Melhoria da infraestrutura A falta de infraestrutura é uma das razões mais comuns para a escassez da pesquisa em câncer de mama realizada na América Latina, onde exis- tem apenas dois centros de pesquisa por milhão de habitantes, comparado com os 10 a 12 centros por milhão presentes na Europa Ocidental e os 80 centros por milhão nos EUA. Com o intuito de resolver este problema, em 2008 foi criado o LACOG. O objetivo é construir uma rede de investigadores em oncologia, para de- senvolver, conduzir e coordenar a pesquisa aca- dêmica e os ensaios clínicos na região, além de formar e motivar os médicos a envolverem-se na pesquisa. A partir de uma equipe constituída por um mé- dico investigador, um estatístico e um secretário «Nos últimos anos – em especial no último ano – assistimos a uma melhoria a nível dos processos regulatórios, associada a uma melhor compreensão da necessidade da regulação dos ensaios clínicos ser mais simples e mais célere. Dr. Raùl Sala “ Ensaios clínicos no mundo Least Most 1 16335 98658 2707 2448 7783 66276 9521 5847 4136 4721 3622 23748 5893 4396 1 Número de ensaios por região Atualmente, a América Latina participa em apenas 5% dos ensaios oncológicos em curso www.clinicaltrials.gov: consultado a 20 de Janeiro de 2017
  • 7. 7 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 fotolia.com executivo, o LACOG montou uma estrutura de coordenação estratégica de pesquisa e estabele- ceu serviços de monitoria e gestão de dados, que constituíram a base para os desenvolvimentos subsequentes. Atualmente, o LACOG conta com 147 membros investigadores de 70 instituições na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Nicará- gua, Panamá, Peru, Venezuela e Uruguai. «Criamos a infraestrutura básica em um escritório central, a fim de podermos coordenar os esforços de todos os centros de pesquisa de qualidade na região. Neste momento estamos a aumentar o número de ensaios que conduzimos, incluindo um grande número de estudos epidemiológicos, para os quais há grande necessidade. Temos um total de cerca de 7000 pacientes latino-america- nos nestes estudos», destaca o Prof. Barrios. No âmbito desta pesquisa, há vários estudos de câncer de mama que estão a contribuir para es- clarecer a natureza e o tratamento da doença na América Latina. Entre eles, destaca-se um ensaio de fase II publicado recentemente, da terapêutica anti-HER2 com lapatinib em combinação com ca- pecitabina, vinorelbina ou gencitabina em mulhe- res com câncer de mama em progressão após terapêutica com taxanos2 . O estudo foi coordena- do pelo LACOG em 16 centros no Brasil, Argentina e Peru. Outros estudos de cêncer de mama em curso, nos quais os investigadores do LACOG participam, incluem os seguintes: • PENELOPE-B ((LACOG0313 / BIG 1-13): um es- tudo de fase III para avaliar o palbociclib em pacientes com câncer de mama primário po- sitivo para recetores hormonais (HR+) e HER- 2-normal, com elevado risco de recidiva após quimioterapia neoadjuvante. Este estudo é promovido e conduzido pelo German Breast Group (GBG) e tem o patrocínio do BIG • P• Programa Internacional de Câncer de Mama em Homens (The International Programme of Breast Cancer in Men) (LA- COG0413/BIG 2-07): um estudo internacional da caracterização clínica e biológica do câncer de mama masculino. Este estudo é coordena- do pela EORTC (patrocinador fora dos EUA), pelo North American Breast Cancer Group (NABCG) e pelo Translational Breast Cancer Research Consortium (TBCRC) (EUA) e envolve 8 grupos de pesquisa da rede BIG. • AMAZONA III (GBECAM0115): uma avaliação prospetiva do câncer de mama em instituições brasileiras, promovido pelo Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM). • PALLAS (LLACOG0715/BIG 14-03): um ensaio randomizado de fase III de palbociclib com te- rapêutica endócrina adjuvante padrão versus • terapêutica endócrina isolada para o câncer de mama precoce HR+/ HER2-. Este estudo é conduzido pela Alliance Foundation Trials, LLC (AFT) (patrocinador nos EUA), e pelo Aus- trian Breast Colorectal Cancer Study Group (ABCSG) (patrocinador no resto do mundo), em colaboração com o BIG. Enquanto o LACOG atua como um grupo coorde- nador para a pesquisa do câncer na América La- tina, várias organizações nacionais estão também a estabelecer contatos sólidos com oncologistas interessados na pesquisa clínica. No Brasil, o Gru- po Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBE- CAM), temporariamente integrado na infraestrutura do LACOG, desenvolve, implementa e viabiliza es- tudos clínicos multi-institucionais na área do câncer de mama e fomenta programas educacionais so- bre a doença. Este grupo tem membros em 17 dos principais centros oncológicos e pretende ampliar a sua filiação a todos os centros oncológicos do país durante os próximos anos. Os estudos de câncer de mama em curso, nos quais os membros do GBECAM participam, incluem os seguintes: • ALTTO BIG 2-06): um estudo de fase III de lapatinib e trastuzumab como tra- tamento adjuvante para pacientes com câncer de mama primário HER2+. O estudo é promovido pela Novartis e conduzido pelo BIG, pela Clinical Trials Support Unit do Institut Jules Bordet (IJB CTSU; anteriormente BrEAST Data Centre), pela Frontier Science Foundation e pela Allian- ce (antes NCCTG; patrocinador nos EUA). • Neo-ALTTO (BIG 1-06): um estudo de fase III de lapatinib neoadjuvante, trastuzumab e a sua combinação com paclitaxel em mulheres com câncer de mama primário HER2+. O estudo é conduzido por SOLTI, BIG, IJB CTSU e Frontier Science Foundation. • CIBOMA: Aum estudo de fase III de capecitabi- na e tratamento adjuvante no câncer de mama triplo negativo, realizado em colaboração com a Coligação Ibero-americana para a Pesquisa do Câncer de Mama. Há vários estudos de câncer de mama que estão a contribuir para esclarecer a natureza e o tratamento da doença na América Latina.
  • 8. 8 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 • CAP NEO: um estudo de fase II de tratamen- to neoadjuvante de pacientes com cãncer de mama triplo negativo localmente avançado com ciclofosfamida, adriamicina e cisplatina, promovido pelo GBECAM. • AMAZONA 2: atualização de um vasto ques- tionário retrospetivo de pacientes com câncer de mama tratadas no Brasil, com vista à ob- tenção de informação sobre o número de pa- cientes, assistência prestada e sobrevivência. ENa Argentina, onde aproximadamente 10% dos oncologistas estão envolvidos na pesquisa, os membros do GAICO também estão a começar a fazer os seus próprios estudos e a participar em ensaios internacionais de câncer de mama, como o APHINITY (BIG 4-11) e o OlympiA (BIG 6-13). Outra prioridade é o estabelecimento de vínculos mais sólidos entre os pesquisadores da pesqui- sa básica e os médicos. «Temos pesquisadores acadêmicos de qualida- de na Argentina, mas eles e os pesquisadores clínicos nem sempre partilham a mesma lingua- gem de pesquisa. No mesmo sentido, precisa- mos compreender melhor as necessidades e os desafios dos pesquisadores acadêmicos, para podermos transferir os resultados dos seus es- tudos para a pesquisa clínica», afirma o Dr. Sala. Ele acredita que também será importante am- pliar a esfera de ação do GAICO a cirurgiões e radioterapeutas, para além da atual filiação de oncologistas, e que também há potencial para subgrupos especializados em tumores específi- cos, como, por exemplo, o câncer de mama. Melhorar a acessibilidade aos cuidados oncológicos Todas as iniciativas destinadas a fomentar a pesquisa do câncer de mama na América Latina devem ser entendidas no contexto da variabili- dade da prestação de cuidados de saúde e da escassez do financiamento na região. Aproxi- madamente metade dos 600 milhões de habi- tantes da América Latina não estão cobertos por um seguro de saúde e poucos países têm um seguro de saúde universal. O Prof. Barrios explica que o acesso aos trata- mentos oncológicos modernos é um dos princi- pais desafios que exige especial atenção. Este problema não é exclusivo da América Latina. Uma discrepância significativa e impressionante ilustra este ponto: 88% dos novos medicamen- tos comercializados pelas companhias farma- cêuticas nos últimos cinco anos são consumidos exclusivamente nos EUA (55%), na Europa Oci- dental (23%) e no Japão (10%). O resto do mundo utiliza apenas 12% do total de novos fármacos. A abertura de ensaios clínicos com novos medi- camentos nos países cujo acesso a estes trata- mentos é limitado pode constituir uma oportuni- fotolia.com O câncer de mama na América Latina Com pelo menos 115 000 mulheres por ano diagnosticadas, o câncer de mama4 é tão frequente em algumas partes da América Latina como em muitas outras regiões do mundo. A incidência é mais baixa nos países setentrionais da América Latina, tais como o México, Panamá, Colômbia e Equador, e superior na Argentina, Uruguai e Chile, onde é comparável a da Europa e dos EUA 4 . Nas últimas décadas, a incidência do câncer de mama aumentou em 50% nos países latino-americanos com registos nacionais ou regionais, embora no Brasil tenha atingido um pico e esteja aparentemente a diminuir5 . Este aumento geral é atribuído a alteração de fatores de risco reprodutivos, dietéticos e hormonais associados ao desenvolvimento socioeconômico. Avanços no rastreio e diagnóstico também desempenhem um papel importante em alguns países5 . Anualmente mais de 37 000 mulheres morrem devido ao câncer de mama4 , embora as taxas de mortalidade na região sejam variáveis. As taxas de mortalidade estão a diminuir na Argentina e no Chile, em consonância com as da Europa e dos EUA, mas no México e na Colômbia mantêm-se estáveis e no Brasil e em Cuba estão a subir5 . No Chile, a diminuição da mortalidade tem sido associada à introdução de um programa de rastreio mamográfico nos cuidados de saúde primários em 2001, que conduziu a um aumento dos diagnósticos no estadio inicial de 43% em 1999 para 70% em 20035 . Pelo contrário, noutros países latino-americanos, incluindo o Peru, a Colômbia e a México, cerca de metade dos casos de câncer de mama são diagnosticados em fase avançada5 . «Muitas vezes, os médicos não têm conhecimento dos ensaios clínicos em curso nos centros oncológicos e os doentes têm frequentemente de percorrer longas distâncias para participar. Esta é outra razão pela qual precisamos de mais centros de pesquisa clínica: para aproximar os melhores cuidados oncológicos aos pacientes. Prof. Carlos Barrios “
  • 9. 9 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 dade valiosa para oferecer tratamentos que, de outra forma, não estariam disponíveis para um grande número de pacientes na América Latina e em outras regiões do globo. Na opinião do Prof. Barrios, esta é outra razão importante para os médicos se envolverem mais em ensaios clínicos oncológicos, já que são utili- zados cada vez mais medicamentos com efeitos potencialmente curativos. O Prof. acrescenta que, embora inicialmente os pacientes possam estar receosos de participar nos ensaios, passam a estar disponíveis depois de lhes terem sido explicados os objetivos. «No Brasil, a percentagem de recusa é muito baixa – menos de 5% – mas é necessário edu- car tanto os pacientes como os médicos sobre as oportunidades da participação em um en- saio clínico. Muitas vezes, os médicos não têm conhecimento dos ensaios clínicos em curso nos centros oncológicos e os pacientes têm frequen- temente de percorrer longas distâncias para participar. Esta é outra razão pela qual precisa- mos de mais centros de pesquisa clínica: para aproximar os melhores cuidados oncológicos aos doentes.» Apesar dos avanços feitos em relação a muitos dos obstáculos à pesquisa em câncer na Amé- rica Latina, o financiamento continua a ser um problema central. Em 2011, a América Latina gastou 0,65% do PIB em pesquisa e desenvol- vimento, 3,4 vezes menos do que nos países desenvolvidos, e o Brasil foi o único país a gastar mais de 1%3 . A desaceleração econômica contri- buirá provavelmente para mais cortes no finan- ciamento público da pesquisa3 . No Brasil, no entanto, há uma nova iniciativa, o Projeto CURA, que visa fomentar o mecenato filantrópico da pesquisa em câncer através da arte, do esporte e de eventos sociais (vide pági- nas 13-14). «Esperamos que o Projeto CURA se estenda a ou- tros países da América Latina e ajude a desenvol- ver uma cultura de doação semelhante à existen- te nos EUA e na Europa», explica o Prof. Barrios. Um futuro mais promissor À medida que os obstáculos que restringiram a pesquisa do câncer de mama na América Latina vão gradualmente sendo ultrapassados, os mé- dicos desta região poderão dar uma maior con- tribução para a compreensão global da doença. «A América Latina é um território vasto; com al- gum investimento, a região tem potencial para construir uma plataforma muito relevante para a pesquisa clínica, o que, por sua vez, aumentará o acesso dos pacientes a melhores tratamentos», defende o Dr. Lacombe. Em toda a América Latina, outras organizações nacionais estão a criar infraestruturas e redes a nível da pesquisa clínica do câncer, tais como: GOCCHI (Grupo Oncologico Cooperativo Chileno de Investigación), que planeja, promove e desenvolve pesquisa oncológica no Chile e fomenta a colaboração entre prestadores de cuidados de saúde, universidades e o Ministério da Saúde. FICMAC (Fundación para la Investigación Clínica y Molecular Aplicada del Cáncer), que foi criada para desenvolver novos modelos de diagnóstico e tratamento oncológicos personalizados na Colômbia, com base em pesquisa clínica e molecular. GECOPERU (Grupo de Estudios Clínicos Oncológicos Peruano), que se dedica à pesquisa básica e epidemiológica, bem como à realização de ensaios clínicos oncológicos. GOCUR (Grupo Oncológico Cooperativo Uruguayo), que inclui um grupo de trabalho em câncer de mama, promove e desenvolve estudos clínicos ou básico-clínicos no Uruguai relacionados com a prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer, com base em pesquisa multidisciplinar e cooperativa, incluindo projetos nacionais e internacionais. O GOCCHI, o GECOPERU e o GOCUR também são membros da rede BIG. «A América Latina é um território vasto; com algum investimento, a região tem potencial para construir uma plataforma muito relevante para a pesquisa clínica, o que, por sua vez, aumentará o acesso dos doentes a melhores tratamentos. Dr. Denis Lacombe “
  • 10. 10 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 Conheça os especialistas ◗◗ Carlos H. Barrios, MD -- Professor, Serviço de Medicina, PUCRS School of Medicine -- Diretor, Hospital do Câncer Mãe de Deus, Porto Alegre, Brasil -- Co-fundador e Diretor Executivo, Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) ◗◗ Denis Lacombe, MD, MS -- Diretor-geral, European Organisation for Research and Treatment of Cancer (EORTC), Bruxelas, Bélgica ◗◗ Martine Piccart, MD, PhD -- Diretora do Departamento Médico, Institut Jules Bordet, Bruxelas, Bélgica -- Presidente, Breast International Group (BIG) ◗◗ Raúl Sala, MD -- Instituto de Oncologia de Rosario -- Membro do Conselho de Administração, Grupo Argentino de Investigación Clínica en Oncología (GAICO), Argentina Referências bibliográficas 1. Metzger-Filho O, de Azambuja E, Bradbury I et al. Analysis of regional timelines to set up a global phase III clinical trial in breast cancer: the adjuvant lapatinib and/or trastuzumab treatment optimization experience. The Oncologist. 2013;18(2):134-40.  2. Gómez HL, Neciosup S, Tosello C et al. A Phase II Randomized Study of Lapatinib Combined With Capecitabine, Vinorelbine, or Gemcitabine in Patients With HER2-Positive Metastatic Breast Cancer With Progression After a Taxane (Latin American Cooperative Oncology Group 0801 Study). Clin Breast Cancer. 2016 Feb;16(1):38-44. 3. Rolfo C, Caglevic C, Bretel D et al. Cancer clinical research in Latin America: current situation and opportunities. Expert opinion from the first ESMO workshop on clinical trials, Lima, 2015. ESMO Open. 2016 Jun 17;1(4):e000055. eCollection 2016. 4. Justo N, Wilking N, Jönsson B et al. A review of breast cancer care and outcomes in Latin America. Oncolo- gist. 2013;18(3):248-56. doi: 10.1634/theoncologist.2012-0373. Epub 2013 Feb 26. 5. Bray F, Piñeros M. Cancer patterns, trends and projections in Latin America and the Caribbean: a global context. Salud Publica Mex. 2016 Apr;58(2):104-17. 6. http://www.eortc.org/ European Organisation for Research and Treatment of Cancer (EORTC) 7. http://www.lacog.org.br Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) 8. http://www.gaico.org.ar Grupo Argentino de Investigación Clínica en Oncología (GAICO) 9. http://www.gocchi.org Grupo Oncologico Coopertivo Chileno de Investigación (GOCCHI) 10. http://www.gecoperu.pe Grupo de Estudios Clínicos Oncológicos Peruano (GECOPERU) 11. http://www. sompu.org.uy/content/grupo-oncol%C3%B3gico-cooperativo-uruguayo Grupo Oncológico Cooperativo Uruguayo (GOCUR) 12. http://www.ficmac.org Fundación para la Investigación Cínica y Molecular Aplicada del Cáncer (FICMAC) Embora a EORTC não seja um organismo de financiamento, o Dr. Lacombe acredita que há oportunidade para a realização de projetos conjuntos com pesquisadores latino-americanos: «O melhor cenário se- ria a identificação de uma questão prioritá- ria, em torno da qual pudéssemos imple- mentar em conjunto um ensaio clínico só- lido, a ser conduzido na Europa e na Amé- rica Latina, e para o qual recebêssemos fi- nanciamento comum. Isto seria magnífico e, se tivéssemos êxito, poderíamos continuar a tentar alcançar mais sucessos», assume. Apesar de reconhe- cer a necessidade da criação de uma in- fraestrutura capaz de apoiar um estudo deste tipo na América Latina, o Dr. Lacom- be acredita que a sua ausência não de- veria ser motivo para protelar tal projeto: «Se ficarmos à espera da infraestrutura perfeita, isso nunca acontecerá. O LACOG já tem a base para a infraestrutura ne- cessária. Se quisermos fazer progressos, temos de começar já, porque afinal “o ca- minho faz-se caminhando”.» O Dr. Sala partilha este otimismo em re- lação ao papel que a pesquisa latino-a- mericana terá no futuro. Ele acredita que a colaboração entre organizações como o GAICO, na Argentina, e o BIG são o ca- minho a seguir, sobretudo devido ao valor das lições que as organizações mais con- sagradas já retiraram dessa colaboração. Por sua vez, o Prof. Barrios está confiante em que a celeridade nos processos regu- latórios no Brasil terá um impacto a curto prazo na capacidade do país para parti- cipar em ensaios clínicos: os pesquisado- res poderão assim dar uma importante contribução, através da elevada quanti- dade de pacientes recrutados. Também a Prof. Piccart acredita que che- gou o momento de ter uma visão mais positiva: «Estou muito otimista por várias razões: as organizações de pesquisa na América Latina estão a reconhecer o valor da união de esforços e estão a transmitir aos jovens médicos a relevância da pesquisa clínica e a oferecer-lhes formação internacional, ao mesmo tempo que estão a criar a in- fraestrutura que os levará a regressar aos seus países para prosseguir a pesquisa. Gostaria muito que todo este processo pudesse ser ainda mais rápido!» Queremos que os ensaios se realizem sob o patrocínio do BIG de modo a refletir a vida real, tanto quanto possível. Para além disso, sabemos que os investigadores na América Latina estão extremamente motivados para participar. Prof. Martine Piccart “
  • 11. 11 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 A pesquisa clínica é a arma que permitiu à huma- nidade declarar guerra ao câncer. A ciência ca- pacitou-nos para combater este inimigo ardiloso, fazendo uso de estratégias sofisticadas e criativas para deter o nosso carrasco. Atualmente temos à nossa disposição terapêuticas dirigidas, conjuga- dos anticorpo-fármaco, imunoterapias e técnicas mais precisas e eficazes de administração de radioterapia, graças aos avanços resultantes da pesquisa do câncer. Infelizmente, apesar de representar uma ameaça de saúde global, o “problema do câncer” apre- senta peculiaridades e desafios específicos de região e de país, e a pesquisa clínica ainda não beneficia da mesma forma todos os pacientes a nível mundial. Grupos depesquisa oncológica colaborativa na América Latina Os investigadores e os centros de pesquisa na América Latina já desenvolveram competências na condução de ensaios clínicos por meio do sucesso de recrutamento de pacientes em alguns dos estu- dos mais importantes da oncologia, tal como o es- tudoHERA(BIG1-01).Arealizaçãodestesensaiosfez osprincipaisoncologistasdaAméricaLatinasairem da inércia e conduziu à criação de grupos pioneiros de pesquisa oncológica a nível nacional, tais como o GAICO (Grupo Argentino de Investigación Clínica en Oncología), o GBECAM (Grupo Brasileiro de Cân- cer de Mama), o GECOPERU (Grupo de Estudios Clí- nicos Oncológicos Peruano), o GOCCHI (Grupo On- cologico Cooperativo Chileno de Investigación) e o GOCUR (Grupo Oncológico Cooperativo Uruguayo), que abriram caminho à fundação do Latin America Cooperative Oncology Group (LACOG). O LACOG foi criadocomoobjetivodecatalisarodesenvolvimen- to da pesquisa independente orientada para as necessidades regionais, bem como da pesquisa clínica colaborativa com parceiros internacionais, de modo a integrar a América Latina na vanguarda da pesquisa oncológica. Foi neste contexto colabo- rativo que teve lugar o encontro BIG Latina Retreat, há dois anos. Gestão da Pesquisa Clínica Global Em novembro de 2014, conceituados especialistas latino-americanos membros da rede BIG reuniram- -se no Brasil para debater a situação atual da pes- quisa clínica na América Latina, os obstáculos que se lhe colocam, os desafios e as oportunidades. Deste encontro resultou a decisão de que a forma- ção de pesquisadores em início de carreira deve fa- zer parte de um plano de ação global para otimizar a pesquisa clínica na região. Através do empenho mútuo dos dirigentes do BIG, da European Organi- sation for Research and Treatment of Cancer (EORTC) e do LACOG, esta ideia tornou-se realidade em 13 de outubro de 2016, com o início do primeiro Pro- gramadeFormaçãoemGestãodaPesquisaClínica Global, em Bruxelas, na Bélgica. Tive a oportunida- de de frequentar este programa abrangente, jun- tamente com a Dra. María Clara Rodríguez Palleiro (GOCUR, Uruguai), o Dr. Javier Retamales (GOCCHI, Chile) e a Dra. Zaida Denisse Morante Cruz (GECO PERU, Peru). O câncer é uma epidemia global. De fato, estima-se que em 2015 tenham ocorrido 17,5 mi- lhões de novos casos e 8,7 milhões de mortes em todo o mundo (GBDCC, 2016). À medida que a população envelhece, estes números tendem a agravar-se. Na América Latina, por exemplo, estima-se que a incidência de câncer aumente de aproximadamente 1,1 milhões de novos casos em 2012 para 1,8 milhões em 2030, enquanto a mortalidade subirá de 0,6 milhões em 2012 para cerca de 1,1 milhões em 2030 (GLOBOCAN, 2012). Dr. Márcio Debiasi Dr. Márcio Debiasi - Diretor científico, Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) - Professor de Medicina na PUCRS School of Medicine, Brasil De olho no futuro: a inspirar a nova geração de especialistas em cancro na América Latina Grupos de pesquisa oncológica da América Latina membros do BIG GAICO - Grupo Argentino de Investigación Clínica en Oncología GBECAM - Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama GECOPERU - Grupo de Estudios Clínicos Oncológicos Peruano GOCCHI - Grupo Oncológico Cooperativo Chileno de Investigación GOCUR - Grupo Oncológico Cooperativo Uruguayo LACOG - Latin American Cooperative Oncology Group Um aspecto surpreendente desta formação foi o fato de nos levar a considerar os problemas dos cuidados de saúde dos nossos países sob uma perspetiva pragmática, e a questionarmo- nos sobre como poderíamos adaptar o desenvolvimento da pesquisa às nossas realidades e melhorar não apenas a ciência, mas também a prestação de cuidados de saúde às nossas populações. “
  • 12. 12 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 Referências bibliográficas • Global Burden of Disease Cancer Collaboration. Global, Regional, and National Cancer Incidence, Mortality, Years of Life Lost, Years Lived With Disability, and Disabili- ty-Adjusted Life-years for 32 Cancer Groups, 1990 to 2015. A Systematic Analysis for the Global Burden of Disease Study. JAMA Oncol. Published online December 03, 2016. doi:10.1001/jamaoncol.2016.5688 • GLOBOCAN, 2012. Available at: http://globocan.iarc.fr. Searched: December 31, 2016 • Goss P, Lee BL, Badovinac-Crnjevic T, Strasser-Weippl K, Chavarri-Guerra Y, St Louis J, et al. Planning cancer control in Latin America and The Caribbean.Lancet Oncol. 2013;14:391-436. Representantes do BIG e de grupos de pesquisa oncológica latino-a- mericanos reuniram-se no encontro BIG Latina Retreat em 2014, em Porto Alegre, no Brasil. Durante as quatro semanas de formação intensi- va, frequentamos diariamente workshops das 8h às 17h e imergimo-nos completamente no tema da gestão da pesquisa clínica. Através de aulas e apresentações em diferentes locais e dadas por vários especialistas, a EORTC abordou a estatística e questões técnicas e operacionais da pesquisa clí- nica, enquanto o BIG se centrou no estabelecimento de contatos entre grupos de pesquisa colaborativa, na comunicação e nas atividades de arrecadação de fundos. No European Centre for Clinical Research Training (ECCRT) aprendemos sobre fundamentos legais e liderança de grupo. Por último, visitamos a Clinical Trials Support Unit (CTSU, anteriormente chamada BrEAST) e o Breast Translational Research Laboratory (BCTL), ambos situados no Institut Jules Bordet. Um aspecto surpreendente desta formação foi o fato de nos levar a considerar os problemas dos cuidados de saúde dos nossos países sob uma perspetiva pragmática, e a questionarmo-nos so- bre como poderíamos adaptar o desenvolvimento da pesquisa às nossas realidades e melhorar não apenas a ciência, mas também a prestação de cui- dados de saúde às nossas populações. A realidade latino-americana A descrição mais abrangente da realidade latino- -americana foi feita pela Comissão para o Planea- mento do Controle do Câncer na América Latina e Caribe . A Comissão destacou infraestruturas de saúde fragmentadas, cobertura assistencial de saúde incompleta, implementação insuficiente de registos oncológicos, falta de financiamento e he- terogeneidade na distribuição dos recursos como os problemas prioritários a serem resolvidos urgen- temente nos países latino-americanos, de modo a prestar melhor assistência ao crescente contingente de pacientes oncológicos. (Goss, 2013) É de conhecimento geral que os grandes avanços da ciência que são incorporados na medicina são normalmente acompanhados de preços de mer- cado elevados, beneficiando assim apenas as po- pulações economicamente favorecidas. Em todo o mundo, a pesquisa clínica desempenha um papel importante na disponibilização de novas tecnolo- gias às populações de países em desenvolvimen- to. O desenvolvimento da pesquisa neste contexto ajudará a construir uma estrutura sustentável, que facilite o acesso às tecnologias de elevado custo na América Latina. Aliás, uma vantagem indireta, fre- quentemente ignorada, para os países que fazem pesquisa é a qualificação que traz a todos os pro- fissionais de saúde que atendem os pacientes nas instituições envolvidas. A uniformização e o controle de qualidade que estes profissionais têm de imple- mentar para cumprir as diretrizes de Boas Práticas Clínicas criam um círculo virtuoso, que culmina na prestação de melhores cuidados de saúde a todos os pacientes. Infelizmente, o desenvolvimento da pesquisa clínica na América Latina está compro- metido pela forma como os nossos responsáveis políticos a encaram atualmente, mantendo prazos regulatórios excessivamente longos e elevados cus- tos financeiros para os pesquisadores. As leis na- cionais têm de ser revistas urgentemente, de modo a fomentar a pesquisa acadêmica na nossa região. Não somente nós, os quatro pesquisadores latino- -americanos em início de carreira que obtiveram formação no BIG/EORTC, porém todos os profissio- nais envolvidos em pesquisa na América Latina en- frentam enormes desafios: (1) melhoria da estrutura das organizações nacionais dedicadas à pesquisa em câncer; (2) formação de pessoal especializado e qualificado (gerentes de projeto, estatísticos, etc.); (3) melhoria da comunicação com o público, para que a pesquisa clínica passe a ser considerada uma prioridade regional; e (4) aumento do financiamento com base em doações, para apoiar a pesquisa in- dependente centrada nas necessidades locais. O BIG e a EORTC são vistas como instituições sólidas, que representam exemplos bem-sucedidos do em- penho na pesquisa acad~emica. Com a formação e o apoio que tivemos, o BIG e a EORTC tornaram-se muitomaisdoqueummodeloaseguir:transforma- ram-se em exemplos de dedicação no âmbito do desenvolvimento da ciência a nível mundial. ...todos os profissionais da pesquisa na América Latina enfrentam enormes desafios. “
  • 13. 13 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 Sou mulher, psicóloga, cidadã brasileira e latino-america- na. Morei em cinco cidades em diferentes países da Amé- rica Latina e atualmente resido nos EUA. Em 2009 adoeci, não de câncer, mas senti igualmente o medo da morte e as consequências de não poder cuidar da minha família. Quando me recuperei, conheci uma mulher brasileira de 38 anos, com três filhos e com diagnóstico de câncer da mama em estadio IV. Ao ajudá-la, conheci o seu médico, o Dr. Orlando Silva, oncologista em Miami, que me trans- mitiu a complexidade do câncer e o problema global; e através dele conheci a Dra. Martine Piccart, Presidente do Breast International Group (BIG), que me pôs em contato com o Presidente do LACOG, o Dr. Carlos Barrios. Tudo isto me motivou a abraçar essa luta contra o câncer e à cria- ção do Projeto CURA para a América Latina. Acredito realmente que a pesquisa salva vidas! O que é o Projeto CURA? O objetivo do Projeto CURA é usar diferentes áreas e ati- vidades, como a música, a arte, o design, o esporte e eventos , para conscientizar, educar , e conectar toda a sociedade,sobre a emergência de unir esforços para captação de recursos para a investigação científica, no combate ao câncer na América Latina. O desafio principal do projeto é sensibilizar a sociedade para o fato do câncer ser atualmente o nosso maior ini- migo a nível global. Queremos que as pessoas se identi- fiquem com esta causa e se empenhem em combate-la. O Projeto CURA convida toda a sociedade a unir-se na procura de uma cura para o câncer, porque a pesquisa salva vidas. O que distingue o Projeto CURA de outras organi- zações na região? O que nos distingue é que, até a presente data, não exis- tia na América Latina uma organização sem fins lucrati- vos que arrecade fundos para a pesquisa e que envolva toda a sociedade. Existem organizações que prestam apoio às vítimas, fazendo um importante trabalho de as- sistênca. Desse modo, isto nos torna pioneiros na região, estamos abrindo caminhos, é uma “nova estrada” a ser percorrida. É importante esclarecer à população que a única maneira de combater o nosso inimigo comum - o câncer - e, simultaneamente vencê-lo, é conhece-lo e isso somente acontecerá através de mais pesquisas. Que tipos de pesquisa o Projeto CURA pretende apoiar? Nós, os latino-americanos, não podemos cruzar os braços e esperar que os países desenvolvidos encontrem uma cura para o câncer. Precisamos urgentemente conhecer os nossos próprios mecanismos genéticos e os nossos hábitos culturais e alimentares, os quais são diferentes dos de outras regiões. Temos de fazer pesquisa epidemiológica para desenvolver tratamentos mais adapta- dos às necessidades da nossa população. Precisamos conhecer a população latino-a- mericana e saber quantos casos de câncer realmente existem e quais são os tipos mais frequentes, uma vez que alguns tipos são mais comuns na nossa região do que em regiões mais desenvolvidas, como por exemplo o câncer de colo do útero. Os países desenvolvidos foram e são mais eficazes no que diz respeito à prevenção deste tipo de câncer, graças à vacina do vírus do papiloma humano (HPV). Aqui a prevenção não é tão eficaz, por isso ain- da temos muitos casos fatais. Temos de continuar com- preendendo, investigando e desenvolvendo medicamen- tos específicos para esse tipo de câncer e também para outros tipos como o da próstata, o de mama e outros. Além disso, a pesquisa acadêmica realizada com fundos angariados pelo Projeto CURA irá contribuir para pesqui- sas realizadas nos EUA e na Europa, uma vez que pode- rão envolver mais pacientes com uma maior diversidade de tumores e conseguir mais rapidamente uma melhor compreensão sobre o desenvolvimento do câncer. Por fim, pretendemos produzir mais conhecimento e desen- volver medicamentos mais eficazes, em menor tempo e oferecer às pessoas opções de tratamento menos trau- máticas, com menos efeitos adversos. O que os apoiadores do Projeto CURA receberão em troca? Do ponto de vista comercial, as grandes empresas que apoiarem o Projeto CURA verão as suas marcas reco- nhecidas e associadas a uma causa importante. De uma perspetiva humana, o doador terá a satisfação de saber que ajudou a financiar uma causa com repercussão uni- versal. Reunimo-nos com Fernanda Schwyter, Coordenadora da Arrecadação de Fundos para o Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG). Na entrevista aqui publicada, ela revela um projeto criativo e inovador, que tem como objetivo sensibilizar o público e fomentar a pesquisa em câncer na América Latina. Science and creativity unite to fight cancer A sociedade precisa perceber que a pesquisa científica pode ser tão impactante na vida das pessoas como levar celulares a lugares que nunca tiveram sequer um telefone fixo: revolucionário. Fernanda Schwyter “
  • 14. 14 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 Por que o LACOG achou importante criar o Projeto CURA? Vários fatores contribuíram para a cria- ção do Projeto CURA. Do ponto de vista acadêmico e científi- co, o Projeto nos permite desenvolver pesquisa independente da indústria farmacêutica, pois nos permite buscar recursos. Por outro lado, ao ser uma iniciativa do LACOG, que trabalha com quase 150 pesquisadores em 15 países de toda a América Latina, o Projeto CURA nos per- mitirá mapear toda a população latino- -americana. A situação é grave por isso não podemos esperar pelo apoio governamental, é uma corrida contra o tempo. O número de casos aumenta anualmente, de maneira que nunca foi tão necessário ser criativo para angariar fundos. Do ponto de vista pedagógico, temos de explicar à socieda- de, com um vocabulário menos científico e formal, em que consiste a pesquisa e quais os seus benefícios. Precisamos aproximar a população da ciência! Infelizmente ainda existe muito preconceito, e as pessoas acreditam que participar de pesquisa significa tomar placebos ou serem “cobaias”, mes- mo que estejam sendo tratadas para uma doença grave como o câncer. Queremos que os pacientes entendam que, ao participar de uma pesquisa, além de receberem o tratamento normal de que precisam, terão a possibilidade de receber as opções terapêuticas mais inovadoras para a sua forma específica de câncer. Aqui reside a importância de envolver toda a so- ciedade. E para o paciente com câncer, tempo vale muito. As doações, o engajamento, os patrocínios oriundos de empresas não farmacêuticas, BEM COMO DA POPULAÇÃO EM GERAL, serão resultados de uma sociedade esclarecida e que acredita na ciência, pois entenderá que a pesquisa salva vidas! Por que é fundamental desenvolver e estimular a pesquisa em câncer na América Latina? Porque temos uma falta enorme de investimentos na área e falta de uma cultura de doação. Calcula-se que milhões de pessoas irão morrer devido ao câncer nos próximos anos. Uma vez que o câncer mata independentemente da raça, sexo, religião ou condição social, o único modo de vencer- mos é por meio de um esforço conjunto de governos, empresas e da população em geral - exatamente como nos EUA, há 100 anos, quando foi criada a Sociedade Americana de Oncologia. Temos que re- conhecer que o investimento feito na pes- quisa é realmente valioso e precisamos de legislação que incentive o setor privado a fazer esse in- vestimento. Há uma enorme falta de políticas públicas e consciência social em termos de saúde na América Latina. Temos de entender o impacto do câncer no indivíduo, na família e na sociedade a partir de uma perspetiva econômica, social e emocional. Você acredita que as pessoas na América Latina tem consciência da importância da pesquisa em câncer na sua região e da importância de apoiar-la? Não tem a menor consciência dessa importância . A Amé- rica Latina tem muitas necessidades urgentes para serem sanadas, como : infraestrutura, saneamento básico, educa- ção, distribuição de renda, combate à corrupção, etc. Com estes problemas graves e básicos, as pessoas acham que apoiar a pesquisa é uma preocupação dos países de- senvolvidos, onde estas questões básicas já foram solucio- nadas. Há uma negação da necessidade de nos unirmos para vencer esta ameaça. Temos que ultrapassar estes pro- blemas básicos, mas também precisamos integrar o tema da pesquisa no nosso cotidiano, explicando à sociedade que a pesquisa é tão importante como vacinar contra o sa- rampo. A sociedade precisa perceber que a pesquisa pode ser tão impactante na vida das pessoas como levar celulares a lu- gares que nunca tiveram sequer um telefone fixo: revolucio- nário.. Como o Projeto CURA se adapta às especificidades de cada região na América Latina? O Projeto CURA busca convidar pessoas influentes, como atletas, artistas e empresários, para serem nossos embaixa- dores. Cada país terá as suas figuras locais, que serão por- ta-vozes da causa. Outro caminho é convidar organizações locais sem fins lucrativos, que prestam assistência às comu- nidades, a serem nossos parceiros e a ajudarem a introduzir e implementar o Projeto Cura na sua área, de modo a adap- tar a abordagem à cultura local em cada país. Como os cidadãos ou as empresas podem contri- buir para o Projeto CURA? Todas as pessoas podem apoiar o Projeto CURA, sendo pessoas físicas, jurídicas ou públicas. As doações podem ser feitas online através do nosso website , bem como po- dem patrocinar eventos, promover mudanças políticas que fomentem a pesquisa, partilhar informações nas redes so- ciais ou mesmo sendo um de nossos voluntários. O volunta- riado é muito importante no apoio direto e na multiplicação das ações do CURA. É tão importante como a angariação de fundos. Até ao momento, quase tudo o que foi feito para o Projeto CURA foi feito de forma voluntária. desde a nossa logomarca e as nossas estratégias, que foram criadas por uma agência brasileira chamada Blackninja; as traduções e os eventos também foram feitos por voluntários. Eu própria sou voluntária até agora! Da esquerda para a direita: Prof. Carlos Barrios, Fernanda Schwyter, Laura Voelcker e Dr. Márcio Debiasi www.projetocura.org www.facebook.com/ projetocura.org
  • 15. 15 BIG RESEARCH IN FOCUS - Número 6 - Março de 2017 A nossa visão: Juntos vamos encontrar uma cura para o câncer de mama, através da colaboração e pesquisa a nível global O Breast International Group (BIG) é uma organização sem fins lucrativos que reúne grupos de pesquisa acadêmica de c^ncer de mama de todo o mundo. Fundado em 1999 por conceituados especialistas europeus em câncer de mama, o BIG constitui atualmente uma rede de 56 grupos e centros de dados sediados na Europa, Canadá, América Latina, Médio Oriente, Ásia e a Australásia. Estas entidades estão vinculadas a milhares de hospitais e centros de pesquisa especializados em todo o mundo. Cerca de 30 ensaios clínicos e vários programas de pesquisa estão em andamento ou em desenvolvimento sob a supervisão do BIG. O BIG também colabora estreitamente com o US National Cancer Institute e o North American Breast Cancer Group (NABCG), agindo conjuntamente como uma sólida força interativa no âmbito da pesquisa do câncer de mama. www.BIGagainstbreastcancer.org Os 56 grupos de pesquisa em câncer de mama da rede BIG ABCSG Austrian Breast Colorectal Cancer Study Group AGO-B Arbeitsgemeinschaft Gynäkologische Onkologie Breast Study Group ANZBCTG Australia New Zealand Breast Cancer Trials Group ARCAGY-GINECO Association de Recherche dans les Cancers dont Gynécologiques – Groupe d’Investigateurs Nationaux pour l’Etude des Cancers Ovariens et du sein BGICS Breast-Gynecological International Cancer Society BIEI Breast Intergroup of Eastern India BOOG Borstkanker Onderzoek Groep BREAST Breast European Adjuvant Study Team CCTG Canadian Cancer Trials Group CEEOG Central and East European Oncology Group CT-IRE Cancer Trials Ireland CTRG Cancer Therapeutics Research Group DBCG Danish Breast Cancer Cooperative Group EORTC BCG European Organisation for Research and Treatment of Cancer, Breast Cancer Group FBCG Finnish Breast Cancer Group / Suomen Rintasyöpäryhmäry FBI Francilian Breast Intergroup GAICO Grupo Argentino de Investigación Clinica en Oncologia GBECAM Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama GBG German Breast Group GECO PERU Grupo de Estudios Clinicos Oncologicos Peruano GEICAM Grupo Español de Investigacion en Cancer de Mama GOCCHI Chilean Cooperative Group for Oncologic Research GOCUR Grupo Oncologico Cooperativo Uruguayo GOIRC Italian Oncology Group for Clinical Research GONO Gruppo Oncologico Nord-Ovest HBSS Hellenic Breast Surgical Society HeCOG Hellenic Cooperative Oncology Group HKBOG Hong Kong Breast Oncology Group HORG Hellenic Oncology Research Group IBCG Icelandic Breast Cancer Group IBCSG International Breast Cancer Study Group IBG Israeli Breast Group IBIS International Breast Cancer Intervention Studies ICCG International Collaborative Cancer Group ICON ARO Indian Co-Operative Oncology Network ICRC Iranian Cancer Research Center ICR-CTSU Institute of Cancer Research – Clinical Trials Statistics Unit IOSG Indian Oncology Study Group ITMO Italian Trials in Medical Oncology JBCRG Japan Breast Cancer Research Group LACOG Latin American Cooperative Oncology Group MICHELANGELO Fondazione Michelangelo NBCG Norwegian Breast Cancer Group NCRI-BCSG National Cancer Research Institute - Breast Cancer Clinical Studies Group SABO Swedish Association of Breast Oncologists SAKK Swiss Group for Clinical Cancer Research SBCG Sheba Breast Collaborative Group SweBCG Swedish Breast Cancer Group SKMCH RC Shaukat Khanum Memorial Cancer Hospital Research Centre SLO Société Luxembourgeoise d’Oncologie SOLTI SUCCESS Study Group TCOG Taiwan Cooperative Oncology Group TROG Trans Tasman Radiation Oncology Group UCBG Unicancer Breast Group WSG Westdeutsche Studiengruppe
  • 16. impakt.org BRUSSELS BELGIUM PRE-IMPAKT TRAINING COURSE 3-4 MAY 2017 IMPAKT CONFERENCE 4-6 MAY 2017 Improving care and knowledge through translational research in breast cancer. Organisers Partners EBCCouncil Chairs Fatima Cardoso, Lisbon, Portugal Sibylle Loibl, Neu-Isenburg, Germany