Discurso Dr. Sérgio Pitaki - Posse Diretoria Nacional da Sobrames 2013

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Posse da Nova Diretoria Nacional da Sobrames proferido em 04 de Março de 2013, na Associação Médica do Paraná.

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Discurso Dr. Sérgio Pitaki - Posse Diretoria Nacional da Sobrames 2013

  1. 1. Senhoras e senhores, autoridades, meus amigos, A palavra estética vem do grego “aesthesis” e significa "faculdade de sentir","compreensãopelossentidos" oupercepção. A obra de arte é individual, concreta e sensível, é perceptívelaosnossossentidos. Étambémumainterpretaçãosimbólica do mundo, umaatribuição de sentidoao real e uma formade organizaçãoquetransforma a experiêncianumacompreensãopelossentidos. Acredito que a percepção do Belo e do Feio não exista intrinsecamente no objeto mas noobservador. Essa é uma teoria defendida por David Hume, no Século XVII, ou seja, gosto não sediscute. Outros filósofos debruçaram-se sobre o mesmo tema, como Kant e Hegel, porémdesde que a arte desvinculou-se e rompeu com a ideia de ser “cópia do real” houve umamagnífica abertura para o desenvolvimento e progresso das artes. O entendimento do que é Belo ou Feio depende de variáveis tão vastas em tempo elugar, que uma visão estreita, miópica, poderia enxergar somente o que a circunda na própriacicatriz umbilical. O crítico de artes deve ser mais intransigente, mas abrangente e ensinar ou pelomenosdirecionaro caminho pelo qual a história e experiências anteriores, puderamidentificar ecertificar além “do Belo e do Feio”, o que é bom e o que é ruim. A literatura não é diferente. Acredito que ela contenha na sua história o canto daverdade, originalidade e ainda mais a faculdade de traduzir aquilo que foi o desenvolvimentohumano desde priscas eras. Na relação estética da arte, mais intensamente na literatura, faz-se mais importanteconhecer do que preferir. Aprimorar o gosto. Aprofundar nas páginas e páginas, contos econtos, versos e trovas. Nas questões de gostos e preferências as artes plásticas permitem perceber ou sentirsem antecedentes culturais ou de conhecimento, que é o prazer pelo prazer. Como experiência pessoal, lembro do momento de estupefação, falta de ar e extremaemoção quando me deparei com a escultura de Gustav Vigeland, em Oslo na Noruega. No finaldo parque Vigeland, encontra-se um monolito de 14 metros de altura com 121 figuras humanasamontoadas, retratando a ressurreição do homem ou a briga pela sobrevivência, atranscendência ou a repetição cíclica da vida. Maravilhoso. Em outra oportunidade no Museo Rainha Sofia em Madrid, com a mesma intensidade,fiquei sem ar e perdi o chão quandosemaviso nenhum, vio painel “Guernica”, de Pablo Picasso.Com seus mais de 3 metros de largura, senti em mim naquele momento a injustiça da guerra eo sofrimento humano. É a arte em si e por si, que nos move.
  2. 2. Assim, intensamente belo, é um soneto de Emiliano Perneta , do prólogo de seu livro de1911, chamado “Ilusão”, que escolhi para ler nesse momento: “Estrelasqueluzisnaabóbadainfinita, Inquietamente, assim, como um olharquefascina, Vendo-vospalpitar, meucoraçãopalpita, Mordido de paixãoporessaluzdivina... Largos céusideais, regiãodiamantina, Miríficoesplendor, ó perolaesquisita, Quanta cobiçavã, quenunca se imagina, Quanto furor enfim o ânimo me excita! É o impossível, pois, queeuamounicamente, Anévoaquefugiu, a forma evanescente, A sombraque se foitalqualumavisão... Eporissotambém, porisso é queeusuponho Que a vida, emsuma, é um grande e extravaganteSonho, E a Belezanão é maisdoqueumaIlusão!” Queridos amigos, a semântica do discurso é minimamenteinvasiva, assimcomo amedicinaatual, nãochegaaoâmago do que é viver esofrer, viver esonhar, viver e morrer. É umpalimpsesto, um quadroreutilizavel, no qual se apagam as sensações e experiências e renovam-se de tempos em tempos.Essa é a arte moderna e também a poesia. Somosúnicos esomostodos, um. “Porquenãoesperoretornar Porquenãoespero Porquenãoesperoretornar Aesteinvejando-lhe o dom e àquele o seuprojeto Nãomais me empenho no empenho de taiscoisas (Porqueabriria a velhaáguiasuaasas?) Porquelamentariaeu, afinal, O esvaidopoder do reino trivial?”
  3. 3. Lendoessetrecho de um poema, dentro da minhaprópriainsipiência,talvezequivocadamentesupusesseser“Drummond”.Masé de fato Thomas Stearns Eliot. Originale de grandeinfluênciaemváriasgerações de poetas. AffonsoSant’Annaescreveunaapresentação do livro “Poesia” de T.S.Elliot,puplicadopelaEditora Nova Fronteira: “CamõescitavaVirgílioquecitavaHomero”.Mesmoele,Eliot, “poetaparapoetas” utilizou o estofopoético de escolparafundamentarseutrabalho eaindacomimportantesinfluências, comoporexemplodo seu amigo, poeta e critico Ezra Pound(cujolivrohá tempos habitameucriado-mudo, edo qualaindatenhoesperançasdereceberalgumainfluência!!). Mas: “No fundo, no fundo, Bemlá no fundo, A gentegostaria De vernossosproblemas Resolvidospordecreto. A partirdesta data, Aquelamágoasemremédio É consideradanula E sobreela – silêncioperpétuo” EsseparanaensePaulo Leminski! Foigrande e polêmico. Queridos amigos, apósesseprelúdio,enalteçoduasfigurasilustresquedevemserlouvadasnestemomento esemosquaiseunãoestariarecebendo o cargo de Presidente,quetanto me honra e dignifica,sãoeles: EuricoBrancoRibeiro, médicoparanaense de Guarapuava, de 29 de março de 1092,radicadoem São Paulo,idealizadore fundadorde nossasociedade e um dos seuspilares,atuandocomoseudefensorferrenhodesde o início. EGláucioBandeira,tambémmédicorenomadoe escritorparanaense, nossoprimeiropresidente. EletambémpresidiuoCentro de Letrasdo Paraná emduasGestõesem 1948 e 1956. A história da SociedadeBrasileira de MédicosEscritorsteveinícioem 23 de abril de1965.Somos, portanto, umaegrégora de quase48 anos.
  4. 4. Atualmentecentenas de médicosbrasileirosdedicam-se à literatura, pertencem eestãoconectadosaessaentidadeassociativa, sem fins lucrativos. São 23 regionaisestaduais e uma no Distrito Federal.Foramrealizadosdezenas decongressos e jornadas.Em Curitiba,tivemos o prazer de recebersobramistas de todos opaísemtrêsoportunidades, CongressosNacionaisem 1984 e 2012 e Jornadaem 1992.Inesquecíveis. Helena Kolodyfoiumapoetisaparanaense. No últimoanocomemoramos o centenário deseunascimento. Houvehomenagensjustas e sincerasde todotipoemtodoo Estado do Paraná. Recorro a um dos seuspoemasparahomenagearossobramistasparanaensesfalecidosnesses últimostrêsanos, ApolônioZardo, Ary de Christan, Domingos de Carvalho, MárioPilotto,MoisésPaciornik, Ruy Noronha de Miranda, Sebastião Vicente de Castro e recentemente oquerido amigo parauaraSérgioPandolfo, queparticipouativamente do Congressoem Curitiba edas recentesatividades da Academia Brasileira de MédicosEscritores. “A morteespreita, emsilêncio, o vivo jogo dos homens, notabuleiro do tempo. Estende, àsvezes, de repente, A longa mãofeita de sombra E tira um peão do tabuleiro.” Mas as batalhasnãocessam: “Quandonissoiam, descobriramtrintaouquarentamoinhos de vento, quehánaquele campo.Assimque D. Quixote osviu, dissepara o escudeiro:- A aventuravaiencaminhandoosnossosnegóciosmelhor do queo soubemosdesejar; porque,vêali, amigo Sancho Pança, onde se descobremtrintaoumaisdesaforadosgigantes, comquempensofazerbatalha e tirar-lhes a todos as vidas..” “Cavaleiro de TristeFigura”, “Exército de um CavaleiroSó”vaicomseuRocinantee seufielamigo e escudeiro Sancho Pança. É a guerrapelossonhos e pelosideaisquevivemos elutamos.Nosidentificamos à sua saga, emproteger e salvarDulcinéia, sejaelaqual for,umdesideratoouumaaspiração. A Sobrames, Senhoras e Senhores, é um sonho de muitos.Um ideal. Umcaminho a
  5. 5. serpercorrido, comoimaginado e sonhadoporEuricoBrancoRibeiro, GláucioBandeira e outroshipocráticosescritores, que se tornaramarautos da cultura no seumeio e aguerridosdefensoresda literatura. Agradeço o apoio fundamental para o sucesso do XXIV Congresso da SobramesaquiemCuritiba, no ultimo mês de Outubro, da AssociaçãoMédica do Paraná através do seupresidenteo sobramistaJoão Carlos Baracho e da Academia Paranaense de Medicinaatravés doseupresidente o sobramistaHélioGerminiani. Agradeço a confiançadepositadanavotaçãomaciça, unânime, nesta nova Diretoria,AlípioBordalo de Belém do Pará, Luiz Gonzaga Barreto de Recife, Hélio Moreira de Goiania,Marco AurélioBaggio de Belo Horizonte e Sonia Maria Braga, MárcioFabianoBastos, PauloMaurícioPiá de Andrade, Roberto Carneiro,todosde Curitiba. São amigos, companheiros, agoracomdenominaçãoestaturária de vice-presidentes, secretários e tesoureiros.SomenteNominaburocrática. O que vale é o esforço, entusiasmo, alegria edeterminaçãonaatitude e responsabilidadecom as quaisagora abraçamos. Agradeçoosmembros da DiretoriaGestão 2011-2012 quevieramparaessasolenidade, MarcoAurélioBaggio, JosemarAlvarenga e José Carlos Serufo, mineiros de bomestofo e dealtadensidadeliterária, queengrandecem a Sobrames. Agradeço a presença da presidente da Academia Brasileira de MédicosEscritores,tambémsobramista, JuçaraViegasValverde.
  6. 6. Olho pelas minhas janelas abertas, Apreciando outras no Brasil inteiro. E assim, me vejam descobertas Virtudes algumas que me façam faceiro. Vejo muitos caminhos tortos Traçados sem muito conceito. Percorrem-se quaisquer portos Com muito fogo no peito. Enxergo tudo muito de perto Mapas, detalhes e trajetos Numa viagem de rumocerto. Imagino um destino perfeito. Mas rotas com caminhos corretos Não se conhecem de nenhum jeito. Creio que esse meu poema traduz o começo de uma gestão de âmbito nacional.Destino perfeito, mas rotas e caminhos corretos são desconhecidos. Há que se trilhar, com coragem e determinação. A cada um de vocês, agradeçoa presença.Engalanaramesseinefávelmomento. Muito obrigado!

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