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G e r a r d v a n G r d n i n g e n
Volume III
criação e
consumação
0 Rêino, a Aliança e o Mediador—
• A revelação de Deus dada progressivamen­
te através de agentes da revelação escolhidos
especificamente no curso da histó...
C riação e
C onsumação
Gerard Van Groningen
€
Criaçãoeconsumação3, de Gerard Van Groningen © 2008 Editora Cultura Crista.
Todos os direitos são reservados.
Iaedição—200...
Sumário
Prefacio.............................................................................................................
Criação e Consum ação
Parte IV — O cordão dourado em quatro livros distintos
Capítulo 46. O cordão dourado em Provérbios.....
Prefácio
O material deste terceiro volume da série Criação e Consumação é intima­
mente relacionado com o dos primeiros do...
Preparando o cenário
______________ 33
Introdução à literatura de
sabedoria bíblica
I. Comentários introdutórios
II. Definição da literatura de...
_____________ 33
Introdução à literatura de
sabedoria bíblica
I. Comentários introdutórios
A Literatura de Sabedoria no An...
Criação e Consum ação
mente, inclui aspectos da Literatura de Sabedoria, assim como tem Lamentações
de Jeremias. Vários es...
Introdução à literatura de sabedoria bíblica
Terceiro, a pergunta concernente ao caráter literário e à confiabilidade dos
...
Criação e Consum ação
Deus”, como será considerada revelação divina a Literatura de Sabedoria tendo
em vista parecer ser o...
Introdução à literatura de sabedoria bíblica
tema na Literatura de Sabedoria. Onde o termo sabedoria é usado como adjetivo...
Criação e Consum ação
na vida que pode ser encontrada por experiência. Retrata a vida e suas riquezas e
honra e está enrai...
Introdução à literatura de sabedoria bíblica
aplicabilidade. A pergunta a ser feita agora é qual processo metodológico se ...
Criação e Consum ação
Fazer isso mais extensamente neste estudo haveria de detrair da intenção básica
e da motivação dele....
Introdução à literatura de sabedoria bíblica
prostitutos, ser confiável com a riqueza de outra pessoa, e ter oferendas esp...
Criação e Consum ação
de regra, procuram Samuel Terrien que passou bastante tempo estudando o relaci­
onamento da Sabedori...
Introdução à literatura de sabedoria bíblica
como sendo sabedoria humana, pode ser considerada tola à luz da sabedoria div...
Criação e Consum ação
Um ponto específico deve ser apontado com respeito a como os autores da
Sabedoria Bíblica funcionara...
Introdução à literatura de sabedoria bíblica
V. A literatura de sabedoria e a teologia
Será que a Literatura de Sabedoria ...
Criação e Consum ação
Bergent estava correta quando apontou que a teologia criacionista é dominante na
Literatura de Sabed...
Introdução à literatura de sabedoria bíblica
Aliança e o Mediador uniram esses. A pergunta que persiste certamente é: esse...
Criação e Consum ação
através do paradigma da metáfora e imaginação, ao se concentrar nos conceitos
de criação e providênc...
O cordão dourado no
livro de Jó
______________34
O caráter do livro de JóI.II.III.IV.
I. Comentários introdutórios
II. A estrutura do livro de Jó
III. O a...
O caráter do livro de Jó
I. Comentários introdutórios
Neste estudo da Literatura de Sabedoria o livro de Jó pede atenção e...
Criação e Consum ação
acordo comum sobre as questões básicas com respeito a esses pontos de vista é
uma afirmação incomple...
O caráter do livro de Jó
as estudiosos críticos históricos e literários concordam em geral que o livro de Jó
e um dos muit...
Criação e Consum ação
Quarto, o Livro de Jó já recebeu muita atenção de parte da ampla gama de
estudiosos por causa de sua...
O caráter do livro de Jó
Newsomnão incluiu as várias partes que Westermannincluiu em seu diagrama.7
4—27 28 29—31 38—42 42...
Criação e Consumação
Ele declarou irrefutavelmente que o livro contém ou é formado de eventos, falas,
e diálogo que juntos...
O caráter do livro de Jó
não implica que Jó ou o autor tenha sido um israelita. Pode-se apresentar evidên­
cia de que ambo...
Criação e Consumação
Uma leitura de comentários e estudos do livro de Jó pode ser uma experiên­
cia muito exacerbante. Com...
O caráter do livro de jó
sionante, mas é vencível até por um santo que não está apercebido do que real­
mente acontece. Da...
Criação e Consumação
da justiça de Deus e de tudo que foi providência. O desafio diante de nós agora é
ver esses pontos no...
______________ 35
O reino no livro de Jó
I. Comentários introdutórios
A. A idéia de rei no livro de Jó
B. A idéia de reino...
Criação e Consumação
V. O dom ínio parasita
A. Satã
B. O parasita
C. Conflito e antítese
D. Realidades nefandas
VI. A vitó...
35
O reino no livro de Jó
I. Comentários introdutórios
A. A idéia de rei no livro de Jó
O termo melek aparece oito vezes n...
Criação e Consumação
Um exame rápido dessas passagens indica claramente que o livro de Jó se refere
a reis humanos orgulho...
O reino no livro de Jó
um adjetivo, derivado do verbo ‘ür — ser exposto, nu. Como adjetivo neste contexto
pode ser entendi...
Criação e Consumação
não foi rudemente afastado de Deus. Jó “destruiu a suspeita de Satanás”.4Jó ver­
dadeiramente honrou ...
O reino no livro de Jó
Deve ser repetido. Jó não nãtan tiplâh (atribuiu culpa ou falta) a Deus (1.21).
Ele não hata (pecou...
Criação e consumação v.3   gerard van groningen
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Criação e consumação v.3 gerard van groningen

  1. 1. G e r a r d v a n G r d n i n g e n Volume III criação e consumação 0 Rêino, a Aliança e o Mediador—
  2. 2. • A revelação de Deus dada progressivamen­ te através de agentes da revelação escolhidos especificamente no curso da história registrada no Antigo Testamento. • O propósito, plano e estratégia de Deus para a criação, desde o seu com eço até sua consumação. • Uma tentativa concentrada e honesta de deixar as Escrituras do Antigo Testamento explicarem seus próprios argumentos sobre escatologia. Volume I - Gênesis 1.1 a 2 Reis 25.30. Volume II - Todo o material profético. Volume III - Literatura Poética e de Sabedoria, escritos pós-exílicos, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. Dr. Gerard van Groningen (Th.D. Melbourne University) foi professor de Teologia do Antigo Testamento no Reformed Theological College, na Austrália; no Dordt College, Reformed Theological Seminary e Covenant Theological Seminary, nos EUA. Além da coleção Criação e Consumação escreveu Revelação Messiânica no Antigo Testamento, O Progresso da Revelação no Antigo Testamento e, com sua esposa Harriet, A Família da Aliança, todos desta Editora. 6DITORR CUITURR CRISTR www.cep.org.br Teologia bíblica t Exegese / Aliança 9 7 8 8 5 7 6 2 2 1 7 4 6
  3. 3. C riação e C onsumação Gerard Van Groningen €
  4. 4. Criaçãoeconsumação3, de Gerard Van Groningen © 2008 Editora Cultura Crista. Todos os direitos são reservados. Iaedição—2008 3.000 exemplares Helen Hope Gordon Silva Revisão Ailton de Assis Dutra Wilton Vidal de Lima Ailton de Assis Dutra Capa Leia Design ConselhoEditorial Cláudio Marra {Presidente),Ageu Cirilo de MagalhãesJr., AlexBarbosaVieira,AndréLuizRamos, Fernando H am ilto n C osta, Francisco B aptista de Mello, F rancisco Solano Portela Neto, Mauro Fernando Meister e Valdeci da SilvaSantos. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Van Groningen, Gerard V 2 5 3 c v;3 Criação e consumação / Gerard van Groningen; [tradução Hele Hope Gordon Silva].- São Paulo: Cultura Cristã, 2008. 480p.; 16x23 cm. Tradução de From Creation to Consummation ISBN:85-7622-174-8 1. Bíblia. 2.Teologia. I.Van Groningen, G. II.Título. CDD 21ed. - 230.041 SEDITORA CULTURA CRISTÃ Rua Miguel Teles Jr., 394 - CEP 01540-040 - São Paulo - Sl> Caixa Postal 15.136 - CEP 01599-070 - São Paulo - SP Fone: (11) 3207-7099 - Fax; (11) 3209-1255 Ligue grãris: 0800-0141963 - www.cvp.org.br - cep@cep.org.bt Superintendente: Haveraldo Ferreira Vargas Editor: Cláudio Antônio Batista Marra
  5. 5. Sumário Prefacio.................................................................................................................... 7 Parte I — Preparando o cenário Capítulo 33. Introdução à literatura de sabedoria bíblica............................... 11 Parte II — O cordão dourado no livro de Jó Capítulo 34. O caráter do livro de Jó................................................................ 31 Capítulo 35. O reino no livro de J ó .................................................................. 43 Capítulo 36. A aliança no livro de Jó................................................................ 81 Capítulo 37. O Mediador no livro de Jó........................................................ 115 Parte III — O cordão dourado nos Salmos Capítulo 38. Comentários introdutórios sobre os Salmos............................145 Capítulo 39. O reino nos Salmos.....................................................................159 Capítulo 40. A aliança nos Salmos................................................................. 183 Capítulo 41. A aliança nos Salmos: O mandato social..................................215 Capítulo 42. A aliança nos Salmos: O mandato cultural...............................241 Capítulo 43. A aliança nos Salmos: Outras realidades pactuais integrais .... 267 Capítulo 44. A aliança nos Salmos: Educação pactuai..................................297 Capítulo 45. O Mediador e a escatologia nos Salmos...................................319
  6. 6. Criação e Consum ação Parte IV — O cordão dourado em quatro livros distintos Capítulo 46. O cordão dourado em Provérbios............................................. 341 Capítulo 47. O cordão dourado em Eclesiastes..............................................377 Capítulo 48. Cântico dos cânticos.................................................................. 415 Capítulo 49. Lamentações................................................................................439 Capítulo 50. Epílogo........................................................................................465 índice remissivo................................................................................................. 471 índice de referências bíblicas.............................................................................481 01La^uJka SLoikUj % u SnoX/iAimanla (SÒi 9.15.
  7. 7. Prefácio O material deste terceiro volume da série Criação e Consumação é intima­ mente relacionado com o dos primeiros dois volumes, embora seja singularmente diferente. Intimamente relacionado porque os conceitos e personalidades discutidos neste volume são idênticos aos dos dois volumes prévios. Contudo, são apresen­ tados de maneira muito diferente. Conforme discutido no capítulo introdutório, os livros do Antigo Testamento a que nos referimos como sendo a Literatura de Sabedoria e Poética foram escritos por homens que meditaram e responderam sobre o que foi revelado por Deus Javé. As diferenças são devidas ao fato de que os autores refletiram suas persona­ lidades ímpares e seu envolvimento em suas próprias circunstâncias. Esses auto­ res viveram e escreveram em variados períodos; Jó foi escrito no período patriar­ cal; os Salmos, desde os tempos de Moisés até os tempos pós-exílicos; Provérbios foi escrito e compilado quando o reino de Judá existia. Veja mais discussão a esse respeito na introdução aos estudos de cada livro. E leia também o epílogo para uma visão geral deste volume. Dr. Gerará Van Groningen Junho de 2004
  8. 8. Preparando o cenário
  9. 9. ______________ 33 Introdução à literatura de sabedoria bíblica I. Comentários introdutórios II. Definição da literatura de sabedoria III. Fontes de literatura de sabedoria IV. O caráter revelador da literatura de sabedoria bíblica V. A literatura de sabedoria e a teologia VI. O cordão dourado na literatura de sabedoria bíblica VII. Conclusão
  10. 10. _____________ 33 Introdução à literatura de sabedoria bíblica I. Comentários introdutórios A Literatura de Sabedoria no Antigo Testamento foi e é distinta da literatura jurídica, histórica e profética.1Tem suas próprias características singulares; elas serão realçadas no decorrer deste estudo teológico bíblico. Antes de iniciar o estudo aprofundado da Literatura de Sabedoria, vários fatores relevantes que lhe dizem respeito devem ser mencionados. Primeiro, só se pode referir corretamente a dois livros do Antigo Testamento como sendo predominantemente Literatura de Sabedoria: Provérbios e Eclesias- tes. O Livro de Jó, no entanto, considera-se pertencer ao gênero da Literatura de Sabedoria. Como será demonstrado na Parte II deste estudo, o livro inclui materiais históricos e teológicos. É correto considerar o Livro de Salmos constituído de materiais poéticos, mas parte dele defmitivamente revela características de Litera­ tura de Sabedoria. Pode-se dizer que o Livro Cântico dos Cânticos, semelhante-* O relacionamento entre literaturajurídica, histórica e profética por um lado e a literatura de sabedoria por outro nunca foi entendido claramente, e, portanto, não foi esclarecido de modo definido. Esta é a opinião de John L. Mackcnzie que, em seu ensaio, “Reflections on Wisdom” (Journal ofBiblicalLiterature, 86/11,1967, pp.1-9), opinou que muito da literatura histórica bíblica apareceu com propósitos de sabedo­ ria. isto é, para refletir sobre a vida e dar direcionamento a alguém que queira compreender a vida em suas múltiplas manifestações.
  11. 11. Criação e Consum ação mente, inclui aspectos da Literatura de Sabedoria, assim como tem Lamentações de Jeremias. Vários estudiosos já indicaram que porções da literatura histórica, jurídica e profética devem ser consideradas literatura de sabedoria.2 Segundo, qualquer estudante que busca estudar a Literatura de Sabedoria deve estar ciente da ampla variedade de interpretações e aplicações de estudiosos já publicadas.3Não deve causar surpresa descobrir que não há nenhuma unanimi­ dade com respeito a origens, autores, contextos históricos, propósitos e caracte­ rísticas da Literatura de Sabedoria bíblica. - Gerhard Von Rad escreveu que o material sobre José, Gênesis 37.1ss, deve ser considerado material de Sabedoria. Cf. “Josephsgeschichte und Altere Chokma” Gesammelte Studien zum Alten Testamentum (Munique: Chr. Kaiser, 1958), pp.272-80. Em seu livro Wisdom in Israel (Nashville: Abingdon, 52 imp., 1981), VonRad se refere à narrativa de José como material didático; é uma saga histórica na qual interpre­ tações de sonhos e motivos alegóricos dominam, pp.16,44,47. Poucos estudiosos concordam com Von Rad que materiais históricos podem ser alterados a tal ponto que seu gênero fique radicalmente mudado. 3 Umabibliografiaincompleta apresentauma amplagamade autores e abordagens. TivesseJohn Mackenzie escrito “Reflections on Wisdom” em 1997 em vez de 1967 talvez não tivesse escrito que não havia muito interesse na Literatura de Sabedoria por parte de estudiosos, nem mesmo de muitos leitores leigos. J. A. Loader publicou um artigo intitulado “Wisdom by (the) people for(the) People” (ZAW111/2, CS999, pp.211- 233) no qual ele declarou que um constante crescimento de interesse na tradição da sabedoria começou nos anos de 1960. Ele acrescentou que desde 1966 houve uma verdadeira enchente de monografias, trabalhos e antologias “a respeito de praticamente todo o aspecto concebível da tradição sapiencial”, p.211. Bergent, Dianne, Israel s Wisdom Literature, a liberation-critical reading (Minneapolis: For- tress, 1997). _______ WhatAre They Saying About Wisdom Literature? (Nova York: Paulist Press, 1984). Brenner, Athalya and Crole Fontaine, org. Wisdom and Psalms: a feminist companion to the Bible (22 series). (Sheffield: Sheffield Academic Press, 1998.) Brown, William P., Character in Crisis: a Fresh Approach to the Wisdom Literature o f the Old Testament. (Grand Rapids: Eerdmans, 1996). Crenshaw, James L., Old Testament Wisdom: an Introduction (Atlanta: John Knox Press, revisto e ampliado, 1998). Davison, W. T., The Wisdom Literature o f the Old Testament (Londres: Charles H. Kelly, 1984). Dell, Katharine J., “Wisdom Literature Makes a Comeback: pursuing the good life”, BR 13/4 (agosto de 1997), pp.26,31,46. Gammie, John G., org. Israelite Wisdom: Theological andLiterary Essays in Honor o fSamuel Terrien (Missoula: Scholars Press for Union Theological Seminary, 1978). Genung, John Franklin, The Hebrew Literature o f Wisdom (Boston: Houghton Mifflin and Company, 1906). Golka, Friedemann W., “Wisdom by (the) People for (the) People: eme Antwort an J.A. Loader”, ZA W 112/1 (2000), pp.78,79. Gordis, Robert, “The Social Background of Wisdom Literature”, HTJCA 18 (1944), pp.77-118. Guinan, Michael D., “Images of God in the Wisdom Literature”, The Bible Today 38/4 (julho de 2000), pp.223-227. Loader, J. A., “Speakers Calling for Order”, Old Testament Essays 10/3 (1997), pp.424-438. Macdonald, D. B., The Hebrew Philosophical Genius (Princeton: Princeton University Press, 1936). Murphy, Roland Edmund, “Form Criticism and Wisdom Literature”, CBQ 31/4 (outubro de 1969), pp.475-483. 14
  12. 12. Introdução à literatura de sabedoria bíblica Terceiro, a pergunta concernente ao caráter literário e à confiabilidade dos textos bíblicos da Literatura de Sabedoria já foi tratada por alguns estudiosos. Mesmo que um estudo dos textos individuais do ponto de vista literário não ocu­ pe muito tempo ou espaço neste estudo, isso não deve ser tomado como demons­ tração de falta de interesse ou falta de atenção ao aspecto literário. A realidade é que as várias escolas ou linhas de crítica não dedicaram muito tempo nem muitos trabalhos escritos a essa área de crítica bíblica. Há exceções que podem ser nota­ das nas obras sobre vários Livros de Sabedoria.4 Quarto, a seguinte pergunta pode e deve ser levantada: Pode um estudo em profundidade da Literatura de Sabedoria ser incluído num trabalho de Teologia Bíblica tal como este terceiro volume de Criação e Consumação propõe ser? Alguns estudiosos já escreveram um estudo da Literatura de Sabedoria num con­ texto Teológico Bíblico.5O entendimento que se tem do que um estudo de Teolo­ gia Bíblica deve incluir pesa, sim, sobre essa questão. Por exemplo, se a Teologia Bíblica é entendida como sendo basicamente dirigida à “História da Revelação de _______ The Tree o f Life: an exploration o f Biblical Wisdom Literature, 2- ed. (Grand Rapids: Eerdmans, 1996), Perdue, Leo G., Wisdom & Creation, the Theology o f Wisdom Literature (Nashville: Abingdon, 1994). Rankin, O. S., IsraeVs Wisdom Literature (Edinburgo:, T &T Clark, 1936). Rylaarsdam, J. C., Revelation inJewish WisdomLiterature (Chicago: University ofChícago Press, 1946). Saldarini, Anthony J., “Human Wisdom is Divine”, Bible Review 14 (abril de 1998), p.18. Scheffler, Eben, “Archaeology and Wisdom”, Old Testament Essays 10/3 (1997), pp.459-473. Schultz, Richard L., “Unity or Diversity in Wisdom Theology? A Canonical and Covenantal Perspective”. Tyndale Bulletin 48 (novembro de 1997), pp.271-306. Skehan, Patrick William, Studies in Israelite Poetry and Wisdom (Catholic Biblical quarterly Monograph series, 1971). Van Heerden, Willie, “A Bright Spark is Not Necessarily a Wise Person”, Old Testament Essays 9/3 (1996), pp.512-526. ______ “Proverbial Wisdom, Metaphor and Inculturation”, Old Testament Essays 10/3 (1997) pp.512-527. Viviers, H., Roots o f Wisdom: The OldestProverbs o fIsraeland OtherPeoples (Nashville: Westminster John Knox, s.d.). 4 Quando livros de sabedoria individuais são discutidos, referências serão feitas aos trabalhos críticos literários empreendidos. Com respeito à Literatura de Sabedoria como gênero, Ronald E. Murphy escre­ veu um ensaio, “Form Criticism and Wisdom Literature”, Catholic Biblical Quarterly, 31/4,1967, pp.475- 483. Murphy se referiu a um esforço alemão no sentido de tratar do texto massorético inteiro com um procedimento crítico da forma. O esforço alemão não foi facilmente nem prontamente disponibilizado para o auditório inglês. Quando a Crítica de FormaAlemã se tomou disponível, logo em seguida a suges­ tão foi feita para ir adiante disso para a Critica Retórica. Mas a Crítica Retórica não foi adotada pronta­ mente. Estudiosos críticos da Retórica que se seguiram começaram a enfatizar o Gênero Narrativo do texto bíblico. A Literatura de Sabedoria prova ser difícil e pouco ajudada pela abordagem Narrativa. 5 Lindsay Wilson, “The Place of Wisdom in Old Testament Theology” Reformed Theological Review, 49/2 maio-agosto, 1990, pp.60-69. Roland E. Murphy, “Wisdom Literature and Biblical Theology” Biblical Theology Bulletin, 24/1, (1994), pp.4-7. Walther Zimmerli, “The Place and Limit of Wisdom in the Framework 15
  13. 13. Criação e Consum ação Deus”, como será considerada revelação divina a Literatura de Sabedoria tendo em vista parecer ser o produto de observação e reflexão humana?6 Quinto, outra questão que pede uma resposta se refere ao uso da revelação do Novo Testamento sobre a sabedoria neste estudo da Literatura de Sabedoria do Antigo Testamento. Um trabalho intitulado “Christ, Our Wisdom” tem o subtítulo “IsraeTs Wisdom and its Fulfillment in Christ”.7Para colocar nossa pergunta de modo diferente: será que se deve considerar a Literatura de Sabedo­ ria como sendo profecias a respeito de Cristo? Sendo a Literatura de Sabedoria distinta da Literatura Profética, como deverá ser entendida a apresentação bíbli­ ca de Cristo como sendo a Sabedoria de Deus (ICo 1.18-31) no contexto do Antigo Testamento? II. Definição da literatura de sabedoria Ao se tentar definir sabedoria conforme é apresentada na Literatura de Sabe­ doria bíblica, pede-se cautela para lembrar que uma simples afirmação definindo-a não é possível. Um escritor, depois de colocar várias maneiras em que a Bíblia se refere a “Sabedoria” escreveu: “uma definição precisa de sabedoria é praticamen­ te impossível”.8Há esforços em tempos recentes para se chegar a uma compreen­ são mais definitiva de sabedoria.9Poderá ocorrer ao leitor perguntar: A sabedoria será definida ou é a Literatura de Sabedoria que será definida? A resposta é que ambas são, mas é preciso reconhecer que o conceito de sabedoria não pode ser separado da Literatura de Sabedoria, visto que a sabedoria é o assunto principal e of Old Testament Theology”, Studies in Ancient Israelite Wisdom, org. J. L. Crenshaw, (Nova York: Ktav Publishing, 1967). W. Echrodt incluiu uma seção intitulada “The Wisdom ofGod” em seu Theology o fthe Old Testament, tr. J. A. Baker (Filadélfia: The Westminster Press, 1961). Vol. 11, pp.80-92. No capitulo intitulado “The Cosmic Powers of God”, Brevard S. Childs incluiu uma seção com o título “The Wisdom Tradition”, em Biblical Theology o f the Old and New Testaments (Mineápolis: Fortress Press, 1993), pp.187-195. Pode-se concluir que não é um empreendimento novo produzir um livro Teológico Bíblico sobre a Literatura de Sabedoria. 6 A Literatura de Sabedoria como revelação divina será discutida numa seção subseqüente deste capítulo. 7 Graeme Goldworthy, Present Truth, pp. 18-23. 8 Idem, p.20. Willie Vân Heerden, vivendo e trabalhando no contexto acadêmico e social da África do Sul escreveu que ele observou que a sabedoria africana estava num estado de fluxo. Ele dá a entender que a sabedoria registrada biblicamente se desenvolveu de igual modo e, por isso, definir a sabedoria à medida que se desenvolveu é praticamente impossível. Ele se referia à imposição de rigidez às tradições de sabe­ doria em um contexto específico. À medida que os contextos se desenvolveram, também a tradição de sabedoria naquele novo contexto. Cf. seu ensaio “Proverbial Wisdom”, pp.514,515. Ele também escreveu o ensaio “A Bright Spark” no qual desenvolveu rapidamente sua ótica de que há evidência nos textos de sabedoria de que sabedoria significar inteligência superior não é prontamente aceitável. 9 Uma verificação da bibliografia, listada na nota 3, revelará aumento no número de estudos em Litera­ tura de Sabedoria. Cf. e.g., K. J. Dell, “Wisdom Literature Comeback”. 16
  14. 14. Introdução à literatura de sabedoria bíblica tema na Literatura de Sabedoria. Onde o termo sabedoria é usado como adjetivo, várias nuances são expressas tais como hábil, esperto, astuto, prudente, e quando usado como substantivo nuances de sentido semelhantes são expressas. Há termos que são muitas vezes associados de perto com sabedoria. Um é discernimento, derivado do verbo bín, discernir, perceber e distinguir, ter discer­ nimento. Assim também são os substantivos bínâh e tebünâh que são corretamen­ te traduzidos como entendimento. Conhecimento também se associa a sabedoria. O termo hebraico da ’at se traduz, dependendo dos contextos, como conhecimen­ to, percepção e entendimento. O termo hokmâh é um substantivo feminino. Esse bem pode ser o motivo básico de se falar na “Mulher Sabedoria”. Em vários contextos, a sabedoria é perso­ nificada; ela é nascida de Deus, ela se alegra no mundo criado, e é a fonte da vida. Uma consulta ao que vários estudiososjá escreveram com respeito ao senti­ do da sabedoria, e da Literatura da Sabedoria, fornece uma faixa ampla de enten­ dimento do termo, da literatura e de aplicações deles. Paul N. Tarazi, um estudio­ so da Igreja Ortodoxa, expressou sua visão de sabedoria da seguinte maneira: "sabedoria em literatura expressa uma voz coletiva indicando interesse na preser­ vação do fluxo da vida humana sobre a terra. A sabedoria não é religião nem está ligada à crença em um deus monoteísta. A sabedoria é uma qualidade pessoal de entendimento e um conhecimento perdurante de que a lei será utilizada para o seu propósito pretendido”.10* G. Von Rad sumariou seu entendimento de sabedoria conforme apresentado na Literatura de Sabedoria como “conhecimento experiencial, vivencial” que é muito complexo e vulnerável. O inestimável serviço prestado é o de habilitar uma pessoa a funcionar naquilo que podería ser um mundo totalmente estranho. A sabedoria coloca a pessoa numa posição de entender a vida como um sistema ordenado.11Andre Caquot preferiu falar em sabedoria como sendo uma capacida­ de humana e divina que habilita a pessoa a lidar em qualquer circunstância, voca­ ção, ou profissão em que está envolvida.12 Ronald Murphy não tentou dar uma definição precisa de sabedoria e, por­ tanto, de Literatura de Sabedoria. O que fez, no entanto, foi listar características das quais um conceito geral da Literatura de Sabedoria pode ser desenvolvido. Ele não encontrou nenhuma referência nela à história da salvação, mas a muito da teologia da criação. Além do mais, ela revela uma busca por ordem na criação e Paul Nodem Tarazi, The Old Testament: An lntroduction, vol. 3, Psalms and Wisdom, (Crestwood: St. Vladimir’s Seminary Press, 1996), pp.l 18-120. Wisdom in Israel, p.3. : Andre Caquot, “Israelite Perceptions of Wisdom and Strength in the light of the Ras Shamra Texts”, tr. K. Noweel em Israelite Wisdom: Theological and Literary Essays, p.22. 17
  15. 15. Criação e Consum ação na vida que pode ser encontrada por experiência. Retrata a vida e suas riquezas e honra e está enraizada na vida eterna. Tem limitações e muitas facetas, vários níveis de autoridade e algumas qualidades estéticas.13Esta descrição ampla de características faz que uma definição precisa seja quase impossível. Murphy, no entanto, não errou ao descrever as características, mas deu razão para Diane Bergent escrever que a definição de sabedoria conforme desenvolvida dentro do Antigo Israel é tão diversificada e esquiva como o próprio fenômeno. Ela escreveu isso na parte inicial de sua carreira, mas quinze anos depois escreveu que a sabedoria conforme registrada no Antigo Testamento poderia ser definida como o sentido na vida, o sentido da vida, um jeito de lidar, um caminho para o êxito, a descober­ ta da ordem da criação e uma uniformidade nessas coisas.14 Os editores de um Festschrift escreveram que a Sabedoria na Literatura dá pouca atenção a culto ou aliança, mas testemunha a religião do Antigo Testamento e sua fé, e empreendimentos intelectuais israelitas baseados numa crença na governança ordenada do mundo por Deus. Numa declaração sumária se diz que a melhor definição é “conduta sábia perante Deus”.15 Um estudioso evangélico em um livro sobre a Literatura de Sabedoria enfatizou que os livros de Sabedoria não pedem obediência e fé, e sim que se pense com esforço e humildade. Pede olhos abertos, uso da consciência e bom senso para enfrentar as perguntas mais perturbadoras da vida. É uma voz diferente que pede ao peregrino (“everyman?” — toda pessoa) que se relacione ao mundo em geral conforme ele se estende por todos os lados.16 Em conclusão a essa seção, deve ser afirmado que é difícil formular um consenso sobre o que os estudiosos dizem com respeito à definição de sabedoria conforme apresentada e aplicada na Literatura de Sabedoria. Sabedoria é uma realidade na vida, mas não são muitos os que concordam em como ela deve ser entendida quanto à sua essência e origem.17Parece haver mais acordo de sua 13 R. E. Murphy, Wisdorn Literature and the Psalnts (Nashville: Abingdon Press, 1983), pp.25-37. 14 D. Bergent, What are They Saying? Mais tarde, em 1997, ela tentou responder à pergunta: Israel’s Wisdom Literature. Nesta obra mais recente ela se referiu a John Gammia, Walther Brueggemann, W. L. Humphreys e James Ward. Sentia que o ponto de vista de Von Rad podia ser resumido como sendo “O Conhecimento Empírico de Ordem”, o de Whybray como “Tradição Intelectual”, o de James Crenshaw como “Busca por Auto-Entendimento”, o de S. Terrien como “Esforço para Estabelecer Ordem”,pp.3-15. 15 Wisdom in Ancient Israel, Essays in Honor ofEmerton, orgs. John Day, Robert P. Gordon, e H. G. M. Williamson (Cambridge: University Syndicate, 1990) ppb. Ed. 1998, pp.1,2. 16 Derek Kidner, The Wisdom o f Proverbs, Job & Ecclesiastes, (Downers Grove: Intervarsity Press, 1985), pp.11,12. 17 William Brown, Character in Crisis. Quando se perguntava onde a idéia de “caráter” aparecia na Bíblia, ficou surpreso de descobrir que os Livros de Sabedoria eram o lar imediato de caráter. Ele então passou a escrever seu livro tentando demonstrar que o caráter é o principal ponto, visto que a sabedoria confronta os leitores com a ética e o “ethos” (espírito unificador), VII, pp. 1-21. Deve-se notar também que Brown desco­ bre que a abordagem narrativa sustenta o tema de caráter como central na Literatura de Sabedoria.
  16. 16. Introdução à literatura de sabedoria bíblica aplicabilidade. A pergunta a ser feita agora é qual processo metodológico se deve seguir para chegar a um entendimento mais pleno e mais rico de sabedoria confor­ me apresentada na Literatura de Sabedoria? Será que se deve considerar a adoção do método de Von Rad, a saber, selecionar aspectos e temas principais para estu­ do e aplicação? 18 Esse método poderá ajudar a evitar alguma repetição que é possível se cada livro de sabedoria for estudado individualmente. Este último será o método seguido neste Estudo Teológico Bíblico. Uma vez estudados os vários livros de sabedoria, um esforço será feito para apresentar o que deve ser considerado como sendo a definição bíblica, e o valor da sabedoria conforme apresentado na Literatura de Sabedoria. III. Fontes de literatura de sabedoria Nesta seção, compreenda-se que a questão de fontes deve incluir as origens e o crescimento da Literatura de Sabedoria. Não é incomum ler livros e artigos escritos por estudiosos de orientação crítica que atribuem as origens da Literatura de Sabedoria a países do Oriente Médio: isto é, que ela tem suas raízes em certas formas antigas do Oriente Médio, particularmente egípcias. Um escreveu que um estudo de sabedoria no Antigo Testamento resultou em “teorias de origens comuns de tradições”.19 E comum se entender que a sabedoria é um atributo humano nato. Nem todas as pessoas a demonstram de modos e formas similares. Visto que costuma haver uma mentalidade evolucionária entre muitos estudiosos, a tendência é buscar as formas e expressões de sabedoria mais simples como sendo as raízes e mais antigos inícios de ditos e escritas. As perguntas levantadas são: quem foi que teve experiên­ cias, discernimentos e reflexões que puderam ser caracterizados como evidências da sabedoria estar sendo exercitada? As Escrituras exibem uma forma de sabedoria mais alta e mais rica. De onde estas se desenvolveram? Uma resposta comum é: das Tradições Orais, de esforços educacionais em famílias e escolas primitivas.20 Ajuda bem consultar alguns dos textos antigos que contêm Literatura de Sabedoria e quejá foram citados como fontes da Literatura de Sabedoria Bíblica. 18 Cf. seu método em Wisdom In Israel. 19 Bergent, WhatAre They Saying? (“O Quê Estão Dizendo”), pp.6,7. :o Murphy, Wisdom Literature andPsalms, 14-24. A tese de Eben Scheffler é que de objetos concretos a matérias mentais, temos parte e todo de uma realidade holística (sublinhado e itálicos dele). Portanto, a arqueologia oferece muito discernimento, especialmente sobre os objetos concretos materiais. A arqueolo­ gia tem muito a contribuir ao entendimento da origem e desenvolvimento da Literatura de Sabedoria. “Archaeology And”, pp.459-461. O esforço de Scheffler para dar provas para sua tese é breve, não muito convincente; mas ele desafia os estudiosos a considerarem as contribuições da arqueologia para um enten­ dimento mais profundo e rico da Literatura de Sabedoria Bíblica, pp.461-470. 19
  17. 17. Criação e Consum ação Fazer isso mais extensamente neste estudo haveria de detrair da intenção básica e da motivação dele. Algumas referências, contudo, a fontes secundárias devem ser feitas. Os editores da Festschrift em honra de J. A. Emerton21o reconheceram como sendo um estudioso que fez uma contribuição ao estudo da Literatura de Sabedo­ ria. Neste trabalho os editores incluíram três capítulos interessantes sobre os tex­ tos de Sabedoria do Oriente Médio. O editor Ray fez ali um breve levantamento geral da chamada “Literatura de Sabedoria” egípcia. Apontou que o Egito, sentin­ do-se culturalmente superior, exercia larga influência além de suas fronteiras. Os escritores egípcios (sábios) geralmente trabalhavam em escolas ligadas a templos e produziam um manual para adeptos. Esses escritos, conclamando os pais a ins­ truírem e guiarem seus filhos, se desenvolveram em provérbios e observações éticas. Os temas incluíam moralidade e justiça; também estavam inclusas admo- estações para que se respeitasse a posição de mãe e a religião. A obra-prima, segundo Ray, foi a Sabedoria de Amenemope porque incluía um tratado sobre responsabilidade moral. Ray considera o escrito de Amenemope semelhante a Provérbios 22.17—24.23. Em geral, um tema subjacente era o destino controlado por deuses. Depois de Amenemope, alguma outra assim chamada Literatura de Sabedoria foi produzida, mas de qualidade inferior. Ray considera a sabedoria egípcia como influenciada pelas culturas aramaica, iraniana, akkadiana e grega.22 O ensaio de W. G. Lambert intitulado “Some New Babylonian Wisdom Literature” também está incluído no Festschrift Emerton.23Previamente, em 1966, Lambert produziu um trabalho intitulado Babylonian Wisdom Literature,24 que ele descreveu como uma edição de texto que “tocava só muito de leve no conteú­ do do pensamento e em comparação com outra literatura tal como os textos hebraicos”. Antigos textos sumerianos, akkadianos e babilônicos25contêm uma varieda­ de ampla de provérbios, dizeres éticos e pensamentos morais com admoestaçÕes religiosas, todos eles resumidos sob o tema de sabedoria. Algumas amostras co­ lhidas de uma leitura superficial são as seguintes. O relacionamento entre um “Homem e seu Deus” deve ser mantido por uma constante exaltação de seu deus pelo homem, quer isso seja feito de modo simples ou num lamento. Os deuses o ouviríam, supriríam suas necessidades e o curariam (ANES, 155). Há uma admo- estação para evitar fofoqueiros, fazer o bem e ser bondoso todos os dias, evitar 21 Cf. Wisdom in Ancient Israel, pp.17-29. 22 Fontes que Ray listou incluem, de Miriam Lichtheim, AncientEgyptian Literature', e de R. O. Faulkner, E. Wents e W. K. Simpson, The Literature o fAncient Egypt, e algumas fontes escritas em línguas européias. 23 Wisdom, pp.36-42. 23 Publicado em Oxford, 1960. 25 Lambert, Some New Babylonians, p.30. 20
  18. 18. Introdução à literatura de sabedoria bíblica prostitutos, ser confiável com a riqueza de outra pessoa, e ter oferendas espontâ­ neas para seu deus (ANES, 159) e há o conselho para continuar a louvar o Senhor da sabedoria cuja ira é irresistível, mas cujo coração é misericordioso. Sonhos podem aterrorizar uma pessoa com respeito a seu deus; conserve a voz baixa e espere que o deus que lhe abandonou lhe dê ajuda (ANES, 160-164). É acrescen­ tado que aquele que não trabalha nada ganha; o homem forte ganha resultados de ser contratado, mas o homem fraco recebe salário de criança. Onde há justiça no mundo econômico? O malfeitor recompensará com o bem, mas fique de boca fe­ chada. Um grande número desses textos antigos orientais foi traduzido por G. W. Lamberts. Por isso seu conhecimento dos textos mais antigos, bem como dos mais novos, impressiona. Vale a pena notar os comentários dele em seu trabalho.26 A idéia babilônica de sabedoria de início se referia à habilidade em madeira- mento e metalurgia. Escritos de sabedoria vieram a incluirpiedade, conduta de vida sadia e no culto dos deuses, vida reta e reflexões a respeito dela (30). A tendência criminosa do homem era implantada pelos deuses no tempo da criação, e por isso dúvida é lançada sobre os deuses quanto ao exercício de justiça deles. No texto intitulado “Diálogo de Pessimismo”, o conteúdo é difícil de entender, seu direcionamento, no entanto, parecendo estar na futilidade de todos os empenhos humanos. Não parece ter valor se empenhar na atividade da vida (36, 37). Então, se os deuses não dão satisfação, eles não podem esperar adoração (38). Os textos ugaríticos e sírios derivados e criados dos textos babilônicos expressam a futili­ dade da vida; a realização humana, um dia grandioso, mais tarde é esquecida (40). Lambert se referiu a alguns paralelos entre textos de Sabedoria Oriental e Bíblicos, tais como Eclesiastes e alguns aspectos de Jó (33). A pergunta que fica diante do leitor e estudioso, daquele que aceita a posição inspirada, de autoridade, infalível e inerrante com respeito à Bíblia, é saber se as óticas de muitos estudiosos liberais e críticos devem ou não ser aceitas. Esses escritores não hesitam em traçar paralelos entre os dispersos ditos da Sabedoria Oriental e aqueles das Escrituras Sagradas. Alguns afirmam sem titubear que os documentos orientais foram fundamento para os bíblicos. De fato, é afirmado abertamente que os autores bíblicos usaram empréstimos diretos.27Outro estudio­ so cuidou de não enfatizar a dependência direta. Ele se referiu à busca incessante de Israel por conhecimento, presença divina, sentido e sobrevivência como parte de uma busca maior no Antigo Oriente Médio.28Escritores contemporâneos, via*3 ■* Textos referidos estão incluídos em Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament, 3Sed, Org. James Pritchard (Princeton University Press, 1969), daqui em diante referido como ANET e no Suplemento, The Ancient Near East, org. James Pritchard (Princeton: University Press, 1969), referido adiante como ANES. - Victor H. Matthews, Old Testament Themes (Saint Louis: Chalice Press, 2000), p.91. 3 Crenshaw, Old Testament Wisdom, Introduction, p.205. 21
  19. 19. Criação e Consum ação de regra, procuram Samuel Terrien que passou bastante tempo estudando o relaci­ onamento da Sabedoria do Oriente Médio e o material bíblico. Ele cria que o Oriente Médio Antigo contribuiu para o pensamento e literatura bíblicos.29 Algumas considerações básicas precisam ser lembradas quando se considera o relacionamento entre a Sabedoria Oriental e a Sabedoria Bíblica. Primeiramente deve ser enfatizado que todos os povos de todas as raças são portadores da imagem de Deus. Como tais todos possuem aspectos básicos dessa imagem. A sabedoria é um aspecto e, todas as pessoas, portanto, têm o dom e virtude da sabedoria. Nem todos exercem e demonstram essa virtude de maneiras similares específicas, mas isso não nega a realidade de um grau da presença de sabedoria em cada pessoa. Segundo, nenhuma pessoa é capaz, por iniciativa própria e esforço, de de­ senvolver, praticar e demonstrar sabedoria no seu mais pleno grau possível. Isso acontece por dois motivos. Todas as pessoas são finitas; nenhuma tem a sabedoria plena e perfeita de Deus. E igualmente importante é a realidade que todas as pessoas são infetacdas por pecado. Pecado, mal e corrupção têm influências trági­ cas em todas as pessoas. A sabedoria também é profundamente afetada, portanto. Nenhum ser humano tem e exerce a sabedoria de maneira perfeita. Mas todos podem, regenerados ou não, exercê-la em graus variados. Isso porque Deus, por graça comum, mostra a todas as pessoas que ele as capacita a fazerem isso. Terceiro, as pessoas do Oriente Médio, do Egito à Grécia e ao vale da Mesopotâmia, viviam num mundo em comum. Atividades sociais de várias espé­ cies interagiam. Todas as pessoas, em vários graus, foram influenciadas pelas vidas de outras pessoas: por seus dons, percepções e práticas em todos os aspec­ tos da vida. Israel não viveu num ambiente hermeticamente selado. A sabedoria pôde ser e foi desenvolvida e praticada nesse cenário internacional interativo. Quarto, as Escrituras atestam a realidade da conhecida prática internacional da sabedoria. O livro de Jó dá evidência disso, assim como os livros de Provérbios, Eclesiastes, e alguns dos livros proféticos.30 Quinto, as Escrituras esclarecem abundantemente que Deus Javé é a fonte de toda a sabedoria. Muito da assim chamada sabedoria, a que alguns se referiríam 29 Cf. o que James A. Sanders escreveu “A tensão aparente entre um método de história da religião de estudo da Bíblia, e uma busca permanente por uma teologia bíblica válida e unidade teológica para a Bíblia é encontrada na apreciação que Terrien faz da contribuição da sabedoria internacional antiga do Oriente Médio ao pensamento e literatura bíblica”. Cf. Gammie, editor de Israelite Wisdom, p .ll. A erudição de Terrien evidencia uma abordagem crítica básica às Escrituras. Ele apreciava o texto bíbbco, mas o considerou como sendo basicamente apenas um documento humano no qual a busca do homem por conhecer e viver para Deus está registrada. 30 No estudo de vários livros de sabedoria bíblica, evidências de conhecimento de Sabedoria Oriental serão consideradas. 22
  20. 20. Introdução à literatura de sabedoria bíblica como sendo sabedoria humana, pode ser considerada tola à luz da sabedoria divi­ na. Sabedoria divina é o padrão pelo qual toda a sabedoria humana deve ser me­ dida e avaliada. Isso deverá ficar evidente à medida que esse estudo prossegue. Sexto, em se fazer uma comparação entre a Literatura de Sabedoria oriental e a Literatura de Sabedoria Bíblica, não deve haver hesitação em se dizer que a Literatura de Sabedoria Bíblica em muito excede a Literatura de Sabedoria Orien­ tal. Cabem alguns comentários sobre isso. A Sabedoria Oriental é composta rude­ mente. Hápoucas seqüências depensamento. É atomista. Teologicamente époliteísta; os deuses são mais semelhantes ao humano do que a um personagem divino. A sorte, e não a vida com propósito, permeia a Literatura de Sabedoria Oriental.31 A pergunta a ser respondida é: Qual o motivo da diferença entre a Literatura de Sabedoria Oriental e a Literatura de Sabedoria bíblica? Afinal de contas, não vieram ambas das penas de autores humanos, todos eles portadores da imagem divina e todos eles vivendo num período em comum e no ambiente geográfico oriental do Oriente Médio? E sim, será que algumas partes da Literatura de Sabe­ doria Bíblica não revelam um tipo e característica de expressões de pensamento orientais? Não é verdade que não chega a ser possível discernir uma clara seqüên- cia de pensamento em alguma Sabedoria Bíblica? Respondendo a esse último ponto, pode ser confiantemente dito que séries de temas, abordagens de diferen­ tes perspectivas podem dar a impressão de pensamento atomístico. Esse fato será examinado mais pormenorizadamente nos capítulos que seguem. É preciso ser afirmado positivamente que a Literatura de Sabedoria Bíblica é de caráter singu­ lar. Este é o assunto da próxima seção deste capítulo. IV. O caráter revelador da literatura de sabedoria bíblica A primeira observação que precisa ser feita é que toda literatura pode ser considerada reveladora. Ela revela a atitude, caráter, métodos e propósitos (em geral) dos escritores. A Literatura de Sabedoria Bíblica, no entanto, tem um cará­ ter singular. É revelação divina porque é inspirada divinamente. O Espírito Santo inspirou os escritores. Este é o testemunho das Escrituras todas a respeito de si. E nem é preciso dizer que a Literatura de Sabedoria Bíblica é uma parte definitiva das Escrituras Sagradas. Os livros da lei, históricos e proféticos, contêm repetidas afirmações de que Deus Javé falou a homens. Ele falou ao homem interior. E à medida que o fez, o Espírito Santo esteve presente capacitando os homens a entender em muitas situa­ ções e a escrever corretamente o que havia sido comunicado. Estes pensamentos surgiram de minhas leituras bastante longas e extensas de Textos Orientais. 23
  21. 21. Criação e Consum ação Um ponto específico deve ser apontado com respeito a como os autores da Sabedoria Bíblica funcionaram diferentemente dos autores dos outros tipos de literatura bíblica. É preciso ter o cuidado de não ser absolutistas ao frisar a dife­ rença, mas a diferença é definitiva. A literatura bíblica e poética é basicamente literatura de resposta. A verdade é que um escritor histórico ao registrar o que ocorreu respondia a atividades conforme percebidas e compreendidas sob a influ­ ência do Espírito Santo. Autores de Literatura de Sabedoria não respondiam a comunicação direta nem a eventos específicos.32Revelam uma percepção da ver­ dade, revelam reflexões, aplicações, valores e benefícios dela. O Espírito Santo “leva” os autores à medida que respondem às atividades da vida, quer tenham sido elas eventos, discursos ou pensamentos.33Essa realidade da presença do Es­ pírito Santo e influência nos escritores da Literatura de Sabedoria resulta nela ser revelação divina dada através de agentes humanos.34 No estudo que segue, haverá referência a mais discussão do papel do Espíri­ to em produzir a Literatura de Sabedoria. E suficiente dizer a essa altura que foi a presença e influência do Espírito Santo sobre os autores da Literatura de Sabedo­ ria Bíblica que lhe deu o caráter singular da revelação divina. 32 Em nosso estudo dos livros, será apontado que em certas ocasiões as referências históricas são inclu­ ídas, e.g., Jó 1,2, 42. 33 J. Coert Rylaarsdam perguntou: “Como os homens que produziram essa literatura acham que Deus e seus caminhos se tomaram conhecidos para eles?” Revelation in Wisdom. Ele escreveu que a Literatura de Sabedoria não oferece nem uma resposta única, estática, (ix). Rylaarsdam complica severamente sua bus­ ca por “revelação” na Literatura de Sabedoria porque aceitou a posição crítica com respeito ao desenvol­ vimento humano da sabedoria incluindo a LiteraturaApócrifa com Literatura de Sabedoria Bíblica como sendo produto de esforço humano. Rylaarsdam está correto em dizer que o conceito de sabedoria foi um instrumento da revelação em relação ao Espirito (p.99). Um problema muito básico que Rylaarsdam apre­ senta, no entanto, é seu conceito do desenvolvimento de sabedoria de fontes externas, sua evolução na cultura israelita e sua eventual fundição com o conceito de espírito na tradição religiosa israelita. Esta fundição com o espírito seguia à fundição da sabedoria com a palavra e lei na tradição cultural e religiosa israelita (p.99ss.). 34 O. S. Rankin em Israels Wisdom Literature, referiu-se à Literatura de Sabedoria bíblica como docu­ mentos de “Humanismo Hebraico”.Cf. cabeçalho de caps. 1e 52. Seus comentários tais como “referir-se a esta literatura como humanista não deve ser considerado negar o sobrenatural”. Ele vai adiante para dizer, porém, que a teologia é fundada em pensamento humano (p.3). Este pensamento humano compreendeu um crescer do “conceito de Javé como Criador” (p.35). Donn Morgan em Wisdom in the Old Testament Traditions (Allanta: John Knox Press, 1981), também tinha o conceito de que a Literatura de Sabedoria surgiu e se desenvolveu ao longo dos tempos à medida que vários escritores contribuíram ao crescimento de sabedoria Os títulos de capítulos dele são prova rigorosa de seu ponto de vista que a sabedoria originou em contextos populares, e foi impulsionada num ambiente das primeiras monarquias, e que todos os profetas contribuíram para seu desenvolvimento. Em tempos pós-exílicos, a Literatura de Sabedoria rece­ beu a forma em que está na Bíblia. Moigan, é bem evidente, não aceita a Literatura de Sabedoria como sendo revelação divinamente inspirada. Um exemplo de seus pontos de vista quanto à influência profética está em sua discussão da influência de Amós na tradição de sabedoria posterior (pp.66-72). 24
  22. 22. Introdução à literatura de sabedoria bíblica V. A literatura de sabedoria e a teologia Será que a Literatura de Sabedoria contém teologia? Pode um sistema de verdades ou doutrinas teológicas ser destilado desse gênero de literatura bíblica? Ainda mais premente é a pergunta: a Literatura de Sabedoria Oriental do Oriente Médio tem conteúdo teológico? Visto se dizer que as verdades da Literatura de Sabedoria são baseadas em observação e experiência, e que podem ser testadas por exame honesto e crítico, será que se pode dizer que são religiosas, ou mais dificilmente, teológicas? 35Estas perguntas foram levantadas sobre a Sabedoria Bíblica. Estas mesmas podem ser levantadas mais seriamente sobre a Literatura de Sabedoria Oriental do Oriente Médio. Há referências a Deus, seus atributos e atos, na Literatura de Sabedoria bíbli­ ca, mas são eles o suficiente para fornecer uma teologia de sabedoria? A realidade é inerrantemente clara de que a sabedoria reconhece e proclama Deus o Criador e governador do cosmos. Clemente tomou claro que a criação em si é obra da sabe­ doria.36A criação revela sabedoria. Portanto, a conclusão é que a Literatura de Sabedoria é tanto revelatória como teológica. A pergunta persiste, no entanto — como se deve entender essa teologia da sabedoria? Joseph Blenkensopp apresentou a posição de que a sabedoria, ele empregou o termo sapiencial, e a lei eram duas correntes que fluíam lado a lado através dos tempos pré-exílicos e, eventualmente, no período pós-exílico eles se juntaram e encontraram sua saída em escritos rabínicos e teologia cristã primitiva.37A sabe­ doria teológica assim surgiu com a confluência da sabedoria e lei.38Essa visão de Blenkensopp dificilmente responde a pergunta com respeito ao relacionamento da Literatura de Sabedoria e Teologia. A pergunta permanece, há mesmo um as­ pecto ou dimensão teológica real e óbvia na Literatura de Sabedoria Bíblica? Dianne Bergent tem uma resposta específica para a pergunta. Sua resposta surgiu no contexto do desenvolvimento do feminismo na sociedade contemporâ­ nea. Seu estudo da Literatura de Sabedoria, tanto bíblica como apócrifa,39assegu­ rou-lhe que o cenário cultural desta literatura foi patriarcal e portanto também hie­ rárquico. Os homens foram colocados sobre as mulheres, as pessoas livres sobre os escravos, ricos sobre pobres, hebreus sobre estrangeiros, e assim cada pessoa foi apropriadamente relegada a um ou outro degrau da escada social. Também determinante foi o status sexual ou de prestígio da pessoa numa dada sociedade.40** - R. E. Clement levantou estas perguntas na introdução ao seu livro Wisdom in Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1992), p.21. * Idem, p. 177. Joseph Blenkensopp, Wisdom and Law in the Old Testament (Oxford: University Press, 1983), p.14. Idem, p.130. “ Bergent, Israel 's Wisdom. * Este resumo dos pontos de vista de Bergent foi escrito por Alice L. LafFey no Prefácio (vii). 25
  23. 23. Criação e Consum ação Bergent estava correta quando apontou que a teologia criacionista é dominante na Literatura de Sabedoria. Ela enfatizou a integridade da criação. Foi adiante para interpretar e aplicar o tema de integridade da criação como base da mesmice de todas as coisas. Integridade, ela insistiu, significa que não há graus. Não há ordem de seres. Uma feminista, tal como Bergent, é crítica à revelação de sabedoria bíblica segundo sua concepção contemporânea de raça, origem étnica, classe e gê­ nero. A exegese tradicional é completamente ignorada.41Uma teologia bíblica femi­ nista, alheia à revelação bíblica em todos os tipos literários, é imposta sobre o texto bíblico. Bergent entendeu corretamente que a teologia da criação é relevante à Lite­ ratura de Sabedoria. Suainterpretação e aplicação dateologiacriacionistareformulada não se baseiam nos verdadeiros textos bíblicos da sabedoria bíblica. A pergunta continua, a Literatura de Sabedoria contém teologia? Ou é basi­ camente antropológica e filosoficamente de orientação humanística? Essas per­ guntas deram surgimento à motivação para se estudar a literatura de sabedoria e a poética. A intenção deste livro é especificamente fazer um estudo teológico bíbli­ co extenso desta literatura. VI. O cordão dourado na literatura de sabedoria bíblica O ponto inicial a ser enfatizado é que a visão e método do estudo bíblico teológico pressupõem o desdobrar na história da revelação divina. Já foi afirma­ do, embora sucintamente, que a Literatura de Sabedoria é revelação inspirada pelo Espírito. Esta literatura é de gênero diferente do legal, histórico e profético. Contudo, deve ser considerado igualmente inspirado divinamente, tendo autori­ dade, sendo infalível e inerrante como os demais gêneros. Foi escrito por agentes humanos inspirados pelo Espírito que escreveram no decurso da história israelita. Isso significa que nem toda a sabedoria foi escrita simultaneamente. Diferentes autores escreveram em diferentes tempos. Deve ser afirmado imediatamente que o rei Salomão foi um autor que produziu muito, mas não foi o único. Também se deve dizer em termos inequívocos que a Literatura de Sabedoria bíblica não foi desenvolvida em estágios, em sucessivos períodos, que cresceu, foi definida e refinada dentro da cultura israelita à medida que foi influenciada continuamente por outras fontes não-israelitas de material não-teologicamente orientado.42No estudo de cada livro de sabedoria essa questão será discutida. O ponto principal a ser enfatizado nesta seção é que um estudo teológico bíblico seráproduzido, no qual seráverificado se o cordão dourado une a Literatura de Sabe­ doria dentro de si, como nos outros gêneros, o legal, histórico e profético. No estudo desses três gêneros foi demonstrado que os três fios do cordão dourado, o Reino, a 41 Cf. o Capítulo 1 de Bergent, “The Integrity of Creation”, pp.1-12. 42 Essa visão de sabedoria ter crescido, desenvolvido e sido refinada é o ponto de vista básico de escrito­ res críticos dentre os quais estão Rylaarsdam, Blenkensopp, Clement, Von Rad e Terrien. 26
  24. 24. Introdução à literatura de sabedoria bíblica Aliança e o Mediador uniram esses. A pergunta que persiste certamente é: esses três conceitos estão presentes, e, se estão, eles formam um “cabo” unificador dentro da Literatura de Sabedoria? Formam e servem como realidade integral e integradora?43 Deve-se afirmar que há vozes que se levantaram enfatizando que não há nenhum mitte44na Literatura de Sabedoria. R. E. Clement escreveu que “a posi­ ção que deve ser designada aos escritos de sabedoria do Antigo Testamento num mundo de teologia veterotestamentária até agora não ganhou nenhum consenso de aceitação geral”.45 Walther Eichrodt incluiu um capítulo intitulado “Cosmic Powers of God” com uma subseção sob o título de “Sabedoria de Deus”.46 Os estudiosos não formaram fila para apoiar o ponto de vista de Eichrodt. Em vez disso, discordaram dele, dizendo que referências ao conceito de aliança estão ausentes dos ensinos de sabedoria mais primitivos.47 Samuel Terrien, estudioso renomado nos estudos de sabedoria, escreveu que tentativas de centrar a teologia bíblica na idéia de aliança desconsideravam a diversidade de seu sentido em Isra­ el.48 Terrien, no entanto, interessava-se por localizar uma unidade teológica da Bíblia. Não se achava em alguma forma de individualismo bíblico. Ele frisou a importância do indivíduo na sabedoria, mas localizou unidade na teologia bíblica da Literatura de Sabedoria no conceito de “A Presença de Deus”.49 Um estudo recente de L. Purdue inclui uma tentativa corajosa de expor uma teologia da Literatura de Sabedoria.50Ele prontamente considerou ser muito difí­ cil localizá-la na literatura. Referiu-se a várias articulações abrangentes sobre os preâmbulos da Literatura de Sabedoria que não chegaram a produzir uma mitte ou base para a teologia de sabedoria. Também a fragmentação de métodos nos estu­ dos da teologia bíblica do Antigo Testamento levou ao parecer de que não há nenhum paradigma dominante.51Ele propôs interpretar a Literatura de Sabedoria**** Lindsay Wilson reviu as várias sugestões a respeito da discussão de “sabedoria” em alguns livros de teologia do Antigo Testamento. Sua sugestão é, que em vista de se ver o motivo-tema da sabedoria em vários livros do Antigo Testamento, se deveria ser pensado como um fio de cordão que une a mensagem do Antigo Testamento. Cf. seu “The Place ofWisdom in Old Testament Theology”, publicado em TheReformed Theological Review, p.68. “ Mitte — o termo usado para se referir a um fator uniftcador central. Clement, Wisdom in Theology, p. 13. * Cf. nota 4, vol. II, p.81-92. ~ Clement, Wisdom in Theology, 20. Richard L. Schutlz, no entanto, escreveu que a Teologia da Sabe­ doria apresentava uma perspectiva canônica e da aliança. Essa questão, com respeito à aliança servir como parte do “mitte", é discutida no Cap. 36 deste volume. ** Sanders, em Israelite Wisdom, 11. * Idem, p.8. 5 Leo G. Purdue, Wisdom and Creation, the Theology o f Wisdom Literature (Nashville: Abingdon Press, 1994). r Idem, p. 19. Ver também sua resenha daquilo que G. Wright, G. Von Rad e C. Westermann propuse­ ram. pp.21-25. 27
  25. 25. Criação e Consum ação através do paradigma da metáfora e imaginação, ao se concentrar nos conceitos de criação e providência que estavam no centro do entendimento dos sábios sapi- entes. Ele propôs que quatro considerações metodológicas sejam examinadas no estudo dos vários livros de sabedoria.52 Ao se rever o que os vários escritores escreveram sobre a teologia da sabe­ doria e sobre uma mitte ou base teológica, é preciso se concluir que se a Literatura de Sabedoria não foi realmente inspirada pelo Espírito de Deus, mas surgiu de esforços humanistas de refletir na ordem do mundo e na vida dentro dele, então as seguintes perguntas cabem bem. Será que a sabedoria deve ser considerada como aspecto integral do Antigo Testamento? E se deve, será que a busca de um centro teológico tem sua razão de ser?53 VII. Conclusão Dediquei bastante tempo à leitura de livros sobre a Literatura de Sabedoria. O material dos parágrafos antecedentes não deve dar a impressão de que já me referi a todas as questões, e muito menos que elas já foram resolvidas. O texto anterior tem o propósito de servir como introdução aos estudos bíblicos indivi­ duais de Literatura de Sabedoria com um método teológico bíblico. Cabe um comentário final neste capítulo introdutório. Um estudo bíblico teológico da Literatura de Sabedoria não deve ser considerado separado daquele dos estudos legais, históricos e proféticos. A realidade a ser enfatizada é que a sabedoria revelada nos livros de sabedoria do Antigo Testamento é aquela que permeia a revelação inteira do Antigo e Novo Testamentos. Os livros de sabedoria se concentram em sabedoria — tanto divina como humana, e um estudo desses livros deve esclarecer e enriquecer cada vez mais nossa compreensão da “sabedo­ ria” que permeia a Bíblia inteira.54 52 Com a pressuposição de que a criação está no centro da teologia da sabedoria, porque a criação integra todas as outras dimensões sobre a fala de/sobre Deus, Purdue examinou quatro considerações metodológicas que achou necessárias para articular a criação no centro da sabedoria: 1) imaginação sapiencial, 2) retóri­ ca — como a linguagem foi usada, 3) descrição da retórica de linguagem sapiencial, e 4) imaginação e retórica em lugares sociais específicos. 53 R. E. Clement levantou essas perguntas em seu ensaio que tem por subtítulo “A Sabedoria e o Antigo Testamento” em Wisdom in Ancient Israel, pp.220,221. Clement reconheceu que na vida pós-exílica, a sabedoria se tomou um aspecto integral da educação na vida familiar israelita na qual a virtude tinha um papel dominante, pp.269-286. 54 O breve mas penetrante ensaio de Saldami afirma essa verdade sucintamente. “Human Wisdom.” Cf. também Katherine Dell, “Wisdom... Comeback”, autora que se referiu ao interesse renovado na Literatu­ ra de Sabedoria bíblica em décadas recentes e o motivo disso está na percepção crescente de que o Deus de sabedoria ao qual se refere não está necessariamente em primeiro plano mas está inegavelmente envolvido nos interesses humanos em todos os níveis, p.30. Esse Deus não é o Criador inacessível, mas está acessí­ vel... por caminhos abertos a nós, pp.31,32. 28
  26. 26. O cordão dourado no livro de Jó
  27. 27. ______________34 O caráter do livro de JóI.II.III.IV. I. Comentários introdutórios II. A estrutura do livro de Jó III. O autor IV. A mensagem
  28. 28. O caráter do livro de Jó I. Comentários introdutórios Neste estudo da Literatura de Sabedoria o livro de Jó pede atenção especí­ fica. Há um bom número de razões para isso. Primeiramente, este estudo sob o lema Da Criação à Consumação é de natureza teológica bíblica. Mais especifica­ mente, neste tipo de estudo, a pergunta que surge é: dada a aceitação da proposi­ ção de que a preocupação e a tarefa principal da teologia bíblica são tratar do progresso da revelação divina conforme esta é dada em palavra e ato, será que o livro de Jó oferece discernimentos sobre esse progresso? A resposta a essa per­ gunta será exposta no decorrer do estudo. Segundo, há um número grande de estudiosos que têm assumido a tarefa de estudar o livro de Jó ou partes dele, para averiguar como se deve entender a obra ie uma perspectiva literária, histórica, social e teológica/religiosa.1Dizer que há* Uma bibliografia útil deve incluir os seguintes títulos. Sem dúvida há alguns estudiosos que apresen- anam uma lista diferente. Aimers, Geoffrey J., “The Rhetoric of Social Conscience in the Book of Job” JOST9X (dezembro de 3MQ). pp.99-107. Althann, Robert, “Elihu’s Contribution to the Book ofJob” Old TestamentEssays, 12/1 (1999), pp.9-12. Andersen, Francis I., Job: An Introduction and Commentary (Downers Grove: InterVarsity Press,
  29. 29. Criação e Consum ação acordo comum sobre as questões básicas com respeito a esses pontos de vista é uma afirmação incompleta. Há muito pouco acordo básico. Deve-se salientar que Bezuidenhout, L. C., “A Context to Frame the Book ofJob” (Um Contexto para Emoldurar o Livro de Jó), Old Testament Essays, 9 (1996), pp.9-19. Bimson, John J. “Who is ‘This’ “ in “Who is this. . . ?” (Job 38.2) uma resposta a Karl G. Wilcox, JSOTZ1 (março de 2000), pp.125-128. Bode, William, The Book o fJob (Grand Rapids: Eerdmans-Sevensma, 1914). Brown, William P. “Introducing Job: ajourney oftransformation” (Interpretation 53/3,julho de 1999), pp.228-238. Caesar, Lael O., “Job: AnotherNew Thesis” VT49/4 (outubro de 1999), pp.435-447. Calvino, João, Sermonsfrom Job (Grand Rapids: Baker Book House, 1952). Caryl, Joseph, An Exposition o fJob (Evansville: Sovereign Grace Publishers, 1959). Christo, Cordon, “The Battle Between God and Satan in the Book of Job” JATS 11/1-2 (Primavera- outono de 2000), pp.282-286. Clines, David, J. A., Job 1-20 Word Biblical Commentary, vol. 17 (Dallas: Word Book Publishers), 1989. Crenshaw, James L., Old Testament Wisdom, An Introduction, rev. e amp. (Louisville: Westminster John Knox Press, 1998). Dailey, Thomas F., “The Wisdom of Irreverence: Job as an Icon for Postmodem Spirituality” Interpretation 53/3 (julho de 1999), pp.276-289. Day, John, Wisdom in Ancient Israel, Org. John Day, Robert P. Gordon e H. G. M. Williamson (Cam- bridge: University Press, 1995). Delitzsch, F., The Book ofJob 2 vols., tr. Francis Bolton (Grand Rapids, Eerdmans, 1949). Dhorme, E., A Commentary on the Book ofJob tr. Harold Knight (Camden: Thomas Nelson, 1967). Ellison, H. L., From Tragedy to Triumph (London: Patemoster Press, 1958). Garrett, Susan R., “The Patience ofJob and the Patience ofJesus” Interpretation 53/3 (julho de 1999), pp.254-264. Gordis, Robert, The Book o f God and Man: a Study o fJob (Chicago:University of Chicago Press, 1978, [1965]). The Book o fJob: Commentary, New Translation and Special Studies (New York: Jewísh Theological Seminaiy, 1978). Green, William Henry, Conflict and Triumph (Carlisle: Banner of Truth Trust, 1999, 1- pub. em 1874). Haar, Murray J., “Job After Auschwitz” Interpretation 53/3 (julho de 1999), pp.265-275. Habel, Norman C., The Book o fJob (Filadélfia: Westminster Press, 1985). Hartley, John E., The Book o fJob (NICOT) (Grand Rapids: Eerdmans, 1988). “Job as Paradigm for the Eschaton” JATS 11/1-2 (primavera-outono de 2000), pp. 148-162. Kroeze, J. H., HetBoekJob (Kampen: Kok, 1966). Job (Kampen: Kok, 1961). LaCocque, Andre, “Job and Religion at its Best” BiblicalInterpretation 4/2 (junho de 1996), pp.131-153. Linafelt, Tod, “The Undecidability of irb in the Prologue to Job and Beyond” Biblical Interpretation 4/2 (junho de 1996), pp.154-172. Luc, Alex, “Storm and the Message of Job” JSOT 87 (março de 2000), pp. 111-123. Manley, Johanna, Wisdom, Let UsAttend: Job the Fathers, Org. e Ed. Johanna Manley (Menlo Park: Monastery Books, 1997). Mamewick, J. C., e A. P. B. Breytenbach, “Die Boek Job Gelees Vanuit ‘n Ou-Testamentiese Verbondsperspektief’Hervormde Teologiese Studies, 50 (novembro de 1994), pp.923-935. Newsom, Carol A., “Job and His Friends: a Conflict of Moral Imaginations” Interpretation 53/3 (julho de 1999), pp.189-201. 34
  30. 30. O caráter do livro de Jó as estudiosos críticos históricos e literários concordam em geral que o livro de Jó e um dos muitos tratados de Sabedoria que vieram do Leste, incluindo o Egito.2 Neste estudo o autor não pode concordar com todos esses estudiosos. O que, então, se pode discernir deste estudo de Jó com respeito a essa questão? As res­ postas se tomam evidentes à medida que o estudo avança. Terceiro, o livro de Jó não trata só de temas de sabedoria. Há assuntos teoló­ gicos, históricos e sociológicos incluídos. Que influência tiveram estes sobre os temas de sabedoria que são os aspectos predominantes do livro? A questão exige uma resposta clara e direta. Oblath, Michael D., “Job’s Advocate: a tempting suggestion” Bulletinfor BiblicalResearch 9 ( 1999), pp. 189-201. Petdue, Leo G., The Voicefrom the Whirhvind: Interpreting the BookofJob (Nashville: Abingdon, s.d.). ÍVisdom & Creation: The Theology ofWisdom Literature (Nashville: Abingdon Press, 1994). Pippin, Tina, “Job 42.1-6, 10-17” Interpretation 53/3 (julho de 1999), pp.299-303. Pope, Marvin H., Job 3- ed. (Garden City, New York: Doubleday, 1974, 1993). Popma, K. J., A Battlefor Righteousness: the Message o f the Book o fJob, Tr. Jack Van Meggelen Belleville, Ontario: Essence Publishing, 1998). Robinson, Henry Wheeler, Suffering, Human and Divine (New York: Macmillan Publishing Co., -.939). Sasson, V., “The Literary Theological Function of Job's Wife in the Book of Job as a Drama” JSOT junho de 1999), pp.69-82. Stek, John H., “Job: An Introduction” Calvin Theological Journal 32/2 (novembro de 1997), pp.443-458. The New Interpreter s Bible, vol. 4, Org. Michael E. Lawrence, (Nashville: Abingdon Press, 1996). Thomas, David, Book o fJob reimp. (Grand Rapids: Kregel, 1982). Thomas, Derek, The Storm Breaks: Job (Darlington: Evangelical Press, 1995). Thomason, William P., God on Trial: the Book o fJob and Human Suffering (Collegeville: Liturgical Press. 1997). Vawter, Bruce, Job and Jonah, Questioning the Hidden God (Nova York: Paulist Press, 1983). Viljoen, Jaco ‘“n PsigologieseVerstaan van die Boek Job: ‘n beskouing van W. Brueggemann se bydrae v t ‘n psigologiese verstaan van die boek Job, in die gesprek rondom psigologiese skrifverstaan”. Old Testament Essays 11/1 (1998), 115-127. Von Rad, Gerhard ÍVisdom in Israel 5aimp. (Nashville: Abingdon, 1981). Waters, Larry J., “Reflections on Suffering from the Book ofJob” Bib. Sac., 154-616 (outubro-dezem- reo de 1997), pp.436-445. Westermann, Claus, The Structure o ftheBookofJob, Tr. C. A. Muenchow (Filadélfia: Fortress Press, 19-7). Whybray, Rogcr Norman,./o6 (ShefBeldAcademic Press, 1981). Readings: a New Biblical Commentary. Wilcox, Karl G., ‘“Who is This... ?’: a reading of Job 38.2” JSOT 78 (junho de 1998), pp.85-95. Wilson, Lindsay, “The Book of Job and the Frear of God” Tvndale Bulletin. 46 (maio de 1995), pp.59-79. Zimmerli, Walther “The Place and Limit ofWisdom... ofO.T. Theol" SJTH, 17 (1964), pp. 146-158. Zuckerman, Bruce, Job the Silent, A Studv in Historical Counterpoint (Oxford: University Press, 1991). Estudiosos críticos buscam achar uma fonte comum para o livro de Jó. A literatura egípcia, hitita, ikkadiana. Cf. e.g., Perdue, ÍVisdom and Creation, 125. Perdue escreveu que opinava que Jó unia os vários jemas e motivos da Literatura de Sabedoria do Oriente Médio, 126. 35
  31. 31. Criação e Consum ação Quarto, o Livro de Jó já recebeu muita atenção de parte da ampla gama de estudiosos por causa de sua apresentação singular dos temas do sofrimento, da justiça de Deus e das tentativas humanas de entender esses assuntos. Além do mais, vários subtemas foram discutidos, tais como: O Deus Oculto; A Paciência de Jó (Tiago 5.11) ou a Impaciência; O Termo Satanás se Refere a uma Realidade Pessoal ou é um Título; O Livro de Jó, um Elo no Desdobramento da Revelação de Deus; A Mente Bíblica que Permeia o Livro de Jó; Religião como Desinteres­ sado ou Utilitário; e Os Desafios Radicais de Jó: Jó não é Literatura de Sabedoria e Sim Totalmente Sem Paralelo. A pergunta diante de um estudante do livro de Jó é: será que esses aspectos subtemáticos são um ou mais fios do cordão dourado — o Reino, a Aliança e o Mediador? Neste estudo será demonstrado que isto não é só uma possibilidade, mas também uma realidade. II. A estrutura do livro de Jó A pergunta com respeito à estrutura do livro de Jó não é respondida facilmen­ te. Está envolvida no conceito de estrutura a unidade das várias partes. E a matéria da classificação do livro é complicada.3Será que é basicamente um lamento? Ou é basicamente um diálogo? É uma disputa, um processo forênsico4ou há outros as­ pectos de configurações de linguagem que estão integralmente envolvidos? O livro de Jó será basicamente um drama? Westermann, empregando uma rigorosa metodologia crítica da forma, ajudou leitores a considerarvárias possibilidades com respeito à estrutura e classificação. Sua posição, porém, com respeito à autoria e origem do livro de Jó é difícil de se aceitar.5Carol Newsom, discutindo os pontos sobre estrutura e unidade, achou que o relacionamento entre a prosa e as seções poéticas apresenta as questões mais intrigantes a respeito de como o livro inteiro deve ser lido.6Ela concluiu, com base naquilo que os estudiosos escreveram desde 1900, que a pessoa deve considerar o livro de Jó como tendo sido estruturado em quatro estágios com a estrutura final representada por um diagrama simples. 1.1-2.13 44.7-17 3 Cf. Westermann, The Structure, que se referiu a estudiosos que põem em dúvida Jó classificado como Literatura de Sabedoria por ser tão completamente singular. 4 Idem, 3. Meredith G. Kline sustenta que o livro de Jó deve ser considerado um drama no qual um conflito legal é retratado e desenvolvido. Cf. seu capítulo “Trial by Ordeal” (Julgamento por provação) em Through Christ‘s Word: a FestschriftforDr. Philip EdgecombHughes, Org. W. R. Godfrey e J. L. BoydlII (Phillipsburg: Presbyterian and Reformed, 1985), caps. 6, 81-93. 5 Cf. seção ID. 6 Cf. Carol Newsom, The Book o fJob, “Introduction” NIB, vol. 4, 319. 36
  32. 32. O caráter do livro de Jó Newsomnão incluiu as várias partes que Westermannincluiu em seu diagrama.7 4—27 28 29—31 38—42 42.7— 17 Estudiosos críticos já indicaram que se e quando eles empregam métodos criticamente determinados para o estudo da interpretação e compreensão da men­ sagem do livro todo, não há consenso em suas conclusões. O livro de Jó é um desafio para eles mas desafia-os a lidarem com ele, visto estar incluído nas Escri­ turas Sagradas.8 Estudiosos conservadores ou hesitaram em aceitar a metodologia crítica e suas conseqüências ou não lhe deram nenhuma atenção. W. H. Green aceitou o livro, por ser conhecido como um relato confiável, bem escrito da pessoa históri­ ca de Jó. Ele considerou que o tema do livro é “ATentação de Jó” que é registrada como vivenciada em três estágios.9 Derek Thomas, em seu comentário projetado para o leitor médio, tratou do livro como um relato histórico. Ele não discutiu a estrutura nem a unidade do livro de Jó. Enfatizou que a pessoa histórica, Jó, era a figura central no relato bíblico de “o problema do sofrimento”. Thomas deixa implícito que dissecar o livro por meio de vários tipos de análise detrai de ou basicamente elimina a reve­ lação divinamente dada com respeito ao sofrimento humano.10* Franz Delitzsch aceitou, sem hesitar, a posição de que o livro de Jó deve ser considerado um “drama” que inclui sete divisões, ou oito, se a fala de Eliú é aceita como parte integral. O prólogo estar em forma narrativa não detrai da ótica de que o livro é um drama bem desenvolvido no qual personagens históricos estavam envolvidos e eventos são descritos.11O estudioso holandês Kroeze, no entanto, escreveu que a estrutura do livro de Jó não é de um drama com cenas identificadas. Westermann, The Structure, 6. ’ Dois exemplos óbvios desta falta de consenso são Norman Habels The Book ofJob que vê três movi­ mentos, Deus Aflige Jó, Jó Desafia Deus, Deus Desafia Jó, 27-33; e Bruce Zuckerman, um escritorjudai- co-iídiche que empregou uma história iídiche, chamada “Bontsye Shvayg” como analogia para sua com­ preensão do livro de Jó que ele considera uma composição em contraponto, Job the Silent, 4. Green, W. H., Conflict, cf. esboço, 1. Em um apêndice ele apresentou seu ponto de vista de “The Place ofthe Book of Job in the Scheme ofHoly Scripture” (Lugar de Jó no Plano dos Livros Bíblicos), 157-172. Ele escreveu que Jó é uma parte essencial da “Lei” no Antigo Testamento que retratou o evangelho do Novo Testamento. D. Thomas, The Storm. Thomas se referiu ao e aceitou o entendimento de João Calvino do Livro. Para conhecer o entendimento de João Calvino do livro de Jó pode-se ler os selecionados e traduzidos Sermons from Job. F. Delitzsch, Book ofJob, 14-18. 37
  33. 33. Criação e Consumação Ele declarou irrefutavelmente que o livro contém ou é formado de eventos, falas, e diálogo que juntos formam a estrutura do livro.12 Há também o que pode ser chamado de escritores mediadores. Algumas das óticas adotadas são aceitas mas um belo esforço é feito no sentido de apresentar o livro de Jó como uma composição antiga mediana. Tem a estrutura de sanduíche — prosa no prólogo, corpo principal — poesia, epílogo — prosa. Essa compilação é construída cuidadosamente de modo que o lamento e as falas de Jó são belamente integrados por um compositor.13 III. O autor O livro de Jó não dá indicação nenhuma com respeito ao autor. Jó é o persona­ gem principal do livro. N ão há evidência de que ele ou os amigos referidos no livro o tenham composto. N em há referência alguma a tempo cronológico. Portanto, o lugar do livro na Literatura de Sabedoria, a origem e cenário, segundo Perdue, de­ vem ser avaliados consultando-se o antigo Israel e Judaísmo primitivo.14*Muitos estudiosos já fizeram isso. Nenhum consenso foi alcançado. Se há qualquer acordo entre os estudiosos inclinados à crítica, em geral se diz que houve diversos compo­ sitores e um compositor final que deu ao livro de Jó a forma e conteúdo como já está na Bíblia.15Aqueles que consideram o livro como sendo uma produção literária de um só redator consideram-no um gênio incomum.16Um escritor se referiu ao autor como sendo uma pessoa de fina educação, um servo devoto de Javé, realmen­ te um dos grandes sábios do antigo Israel. As evidências para descrever assim esse autor sábio são as seguintes. Ele era perito em provérbios e charadas. Seu conheci­ mento da natureza incluía animais e plantas. Tinha conhecimentos sobre gemas, mineração e metais preciosos. Escreveu sobre disposições climáticas e mostra co­ nhecimentos sobre a caça e uso de armadilhas. Culturas estrangeiras não lhe eram desconhecidas, e.g., as do Egito, Arábia e países perto do Paquistão.17 E preciso perguntar: foi o autor do livro de Jó realmente um dos sábios de Israel? Que Ezequiel e Tiago se referiram a Jó como sendo personagem histórico 12 Kroezc, BoekJob, 33. 13 Cf. o ensaio de John Stek: “Job: An Introduction” como exemplo ótimo disso, esp. 447. 14 Perdue, Wisdom and Creation, 123. 13 Cf. Carol Newson que escreveu que partes diferentes do livro foram compostas em tempos diferentes para auditórios diferentes num possível período de oitocentos anos. “Introduction”, 325. Não há nenhuma evidência específica ou concreta para tal posição. 16 Green, Conflict, 3. 17 Cf. Hartley, Job, 15-17. Elmer Smick escreveu que o local de origem, que inclui o sitz im leben de Jó estava no contexto aramaico, sendo um dos centros próximos de influência aramaica. Exatamente onde, Smick não indicou; escreveu que Uz era uma região grande que compreendia muitas tribos. Cf. o ensaio de Smick, “Job”, em The Zonderval P:ictorial Encyclopedia, org. Merrill Tenney, (Grand Rapids: Zondervan, 1975), 602. 38
  34. 34. O caráter do livro de Jó não implica que Jó ou o autor tenha sido um israelita. Pode-se apresentar evidên­ cia de que ambos foram arameus, vivendo na antiga Síria. As muitas palavras aramaicas encontradas no texto são uma evidência, assim como a evidência geo­ gráfica, de se viver perto do grande deserto e as referências aos bandos de saqueadores.18Os amigos de Jó não eram de famílias israelitas. A conclusão mais plausível é que Jó, os quatro visitantes e o autor do livro eram de nacionalidade não israelita,19mas todos viviam em áreas não distantes das fronteiras de Canaã. Essa conclusão faz surgir outra pergunta: qual foi o período cronológico de Jó e o autor? As respostas não são nada unânimes. Dhorme escreveu: “O que parece claro... é que o período que o autor tinha em mente foi o dos patriarcas”20 e Marvin Pope escreveu que há uma excelência literária característica, especial­ mente no diálogo, que sugere a influência de uma única personalidade.21 Em resumo, a posição assumida neste estudo é a seguinte. Jó e seus quatro “amigos” viveram no tempo dos patriarcas em áreas limítrofes à terra de Canaã. O autor, um escritor sábio e consumado, era arameu. Ele foi o autor único. Sua obra se tomou conhecida em Israel. Reconheceram que era de estatura canônica e valo- rizaram-na; foi incorporada no cânon do Antigo Testamento por Salomão, ele mesmo um autor inspirado pelo Espírito das Santas Escrituras.22 IV. A mensagem Será que há uma mensagem no livro de Jó? Certo autor escreveu que a dúvi­ da é saber se o livro tem qualquer mensagem definida, “sugerindo ele que Jó nada mais é do que um artefato autodesconstrutivo”.23*1 ' Ver a discussão desse assunto de Dhorme, Commentary, XX-XXV. 1 W. P. Brown se referiu a Jó um tanto enigmaticamente como sendo um goy (gentio) da terra de Uz (de posição indeterminada). Cf. “Introducing Job” Interpretation 53/3. - Dhorme, idem, (ed. 1965). Meredith G. Kline escreveu que os eventos registrados pertencem aos tem­ pos patriarcais. Ele discorda do ponto de vista dos estudiosos críticos que acrescentou perplexidade ao problema ao apresentar datas do tempo de Moisés até os Macabeus. Cf. seu artigo em TheNew International Dictionary o f the Bible, org. J. D. Douglas, ed. de revisão Merrill Tenney (Grand Rapids, Zondervan, revisto 1987), pp.629,630. W.P. Brown, Job, xxxvii. - Assumi esseponto de vistaplenamente apercebidodaquiloque escreveuum estudioso doAntigo Testamen­ to neo-ortodoxo inclinado à posição crítica. Ele descreveu a era mosaica como sendo um tempo da extrema direita e o período macabeu o da extrema esquerda. Cf. Brevard S. Childs,Introduction to the Old Testamentas Scripture (Filadélfia: Fortress Press, 1979), 526-33. Aposição mediadora de Childs e as razões para ela são inaceitáveis a vários estudiosos críticos bem como a estudiosos conservadores da Escritura Sagrada. Outro teólogo do Antigo Testamento que havia aumentado a confusão com respeito ao livro de Jó é Walter Brueggemann. Em seu Theology o f the Old Testament (Minneapolis: Fortress Press, 1997), ele escreveu que o livro de Jó tem importantes elos com Jeremias e os Salmos de lamentos, 386. - Brown, em “Introducing Job” citou D. J. A. Clines, 9, mas o próprio Brown escreveu “o livro de Jó é um caldeirão de posições teológicas opostas”, 229. 39
  35. 35. Criação e Consumação Uma leitura de comentários e estudos do livro de Jó pode ser uma experiên­ cia muito exacerbante. Compreenda bem, a leitura do livro de Jó em si pode não ser necessariamente assim. Mas o livro pode levantar interrogações, especialmen­ te se é considerado ser um livro que relata as experiências, buscas e discussões de povos antigos. Minhas reflexões, depois de ter lido uma ampla variedade de autores e estu­ dado cuidadosamente um bom número deles, são as seguintes:24 1) Todos con­ cordam que o sofrimento humano é uma realidade; Jó sofreu. O que faltou na maioria dos textos foi uma referência clara ao que caracterizava o sofrimento de Jó. Foi físico? Ou psicológico? Ou social? Ou espiritual? Ou teológico? Ou uma combinação de dois ou mais desses? Um autor foi claro: a luta da alma de Jó foi espiritual25induzida por dor física. 2) Aperseverança do espírito humano é louva­ da. Mas qual foi o fator básico nesta perseverança? Foi o espírito humano que teve força para suportar? Muitos poucos se referiram ao poder sustentador provi­ dencial de Deus. 3) O porquê do sofrimento humano recebeu poucas explicações úteis. Por que pessoas inocentes sofrem não foi respondida claramente pela maioria dos escritores. 4) Só dois ou três se referiram ao relacionamento da alian­ ça entre Deus e a humanidade. Envolvida aí está a pergunta: “os justos sofrem sob a maldição da aliança?” Nenhuma resposta definitiva foi dada nas muitas fontes consultadas.265) Houve pouca referência a Satanás como inimigo-mor de Deus e de seu povo. O relacionamento entre a presença e ação de Satanás como verdadei­ ro agente vivo do mal e Deus e Jó não foi explicado satisfatoriamente a não ser em algumas poucas exceções. 6) Pensou-se muito pouco, se é que por estar impli­ cado se pensou, na realidade da antítese dentro da esfera cósmica inteira. 7) Só uns poucos autores se referiram a ou apresentaram discernimentos sobre a provi­ dência de Deus, sua preservação do santo (Jó) e sua justiça no exercício de sua providência. 8) O relacionamento entre o sofrimento de Jó e o sofrimento de Cristo e todo o sofrimento humano, particularmente dos crentes, foi discutido por três autores. 9) O que faltou, e se abordado, só muito indiretamente na maioria dos autores, foi o poder sustentador da fé em Deus. Parece apropriado dar atenção específica a quatro autores. A visão de W. H. Green com respeito ao tema do livro de Jó não é o problema do sofrimento. É antes a aflição dosjustos. O adversário de Deus e do povo dele tem poder impres­ 24 Considere a bibliografia na nota 1 e outras fontes citadas em notas anteriores. Se o leitor quiser receber informações a respeito de obras adicionais sobre Jó, ele/elapoderá rever as notas extensas conten­ do material bibliográfico no artigo de Alex Luc, “Storm and the Message ofJob” (Tempestade e a Mensa­ gem de Jó) em Journalfor the Study o fthe Old Testament 87, 2000, 111-123. 25 C. Van Gelderen, Job s Soul Struggles, tr. do holandês (Kampen: Kok, 1935). 26 Essa questão será discutida no Capítulo 36. 40
  36. 36. O caráter do livro de jó sionante, mas é vencível até por um santo que não está apercebido do que real­ mente acontece. Daí o título do livro a esse respeito, Conflito e Triunfo.21 Johanna Manley entendeu que os pais da Igreja escreviam que Jó tratou do embate espiritual do homem e sua integridade. Ela viu o livro como tratando dos fundamentos do relacionamento do homem com Deus. Manley examinou pais tais como Agostinho, Ambrósio, Basílio, os três Gregórios, João Crisóstomo e outros.28 Alex Luc escreveu um trabalho com o título “Storm and the Message in Job” (Tempestade e a Mensagem em Jó). O ponto de vista de Luc é que o motivo da tempestade serve como imagem negativa de Jó mas dá um retrato positivo do desígnio de Deus. Storm, com respeito a Jó, relacionava-se diretamente com seu sofrimento. Jó em suas queixas deixou implícito que ele foi tratado mais opressiva­ mente do que os homens maus foram. Esse pensamento aumentou o tumulto inter­ no de Jó, sua tempestade interior. A tempestade com poder temível e destrutivo foi o veículo poderoso para descrever o sofrimento e dor de Jó. Luc escreveu “... a tem­ pestade representa a dor insuportável de Jó”.29Na tempestade, que Deus cria, sua sabedoria é expressa. E Deus também faz uso da tempestade para nela se dirigir a Jó numa experiência de teofania. Em sua conclusão Luc escreveu: “Embora sofri­ mentos freqüentemente pareçam ser sem propósito, injustos e destrutivos como tempestades, o leitor é chamado a confiar no controle e intento de Deus”.30 D. Thomas também considerou a dor e sofrimento de Jó como tempestade. Quando Satã afligiu Jó em todos os aspectos de sua vida, a “tempestade” sobre­ veio a Jó e o esbofeteou sem trégua. Enquanto a tempestade durou, os amigos a intensificaram. Terminou quando Deus falou com Jó e Jó respondeu. Mas por que veio sobre Jó a tempestade? A resposta de Thomas é que o livro de Jó nos dá discernimento no modo de Deus tratar com Satanás que acusa as pessoas de servi­ rem Deus para receberem ganho pessoal. Num sentido bem real, então, segundo Thomas, a dor e o sofrimento que as pessoas vivenciam podem não ser o resulta­ do de pecado de maneira nenhuma. Ao invés, como no caso de Jó, a dor e o sofrimento visam demonstrar que essas aflições não detêm pessoas sofredoras de terem fé em e prestarem serviço a Deus.31 Em conclusão à seção sobre a mensagem do livro de Jó, de que o sofrimento humano é na realidade um tema principal — esse sofrimento não deve ser isolado das mentiras e esforços perniciosos de Satanás para desabonar pessoas de fé, nem r Conflict VIII. - Manley, Let UsAttend, VI, 653-80. s Alex Luc, “Storm and Message”, 111. w Idem, 123. Thomas, The Storm Breaks, cf. esp. a Introdução, 11-17. 41
  37. 37. Criação e Consumação da justiça de Deus e de tudo que foi providência. O desafio diante de nós agora é ver esses pontos no contexto do reino de Deus Javé, seu relacionamento da alian­ ça com seu povo e o papel que o Mediador tem em revelar a vontade, propósito e resultado soberano do tratamento de Deus Javé em tratar com Satanás e com seu povo fiel em quaisquer experiências que eles possam ter. 42
  38. 38. ______________ 35 O reino no livro de Jó I. Comentários introdutórios A. A idéia de rei no livro de Jó B. A idéia de reino no livro de Jó II. Deus e Jó A. Deus é rei B. Glória a Deus Javé, o rei C. O reino cósmico de Deus, o cenário para Jó D. A influência do sofrimento no relacionam ento E. A segurança de Jó sob Deus, o rei III. Reino e criação A. Questões preliminares B. A evidência bíblicaIV. IV. O reino revelado A. Deus, o rei, foi um soberano justo? B. Teodicéia
  39. 39. Criação e Consumação V. O dom ínio parasita A. Satã B. O parasita C. Conflito e antítese D. Realidades nefandas VI. A vitória do reino A. A aparente perda de vitória do reino 1. O problem a de Jó 2. A segurança de Jó B. O papel dos amigos no trabalho de reaver a vitória do reino 1. A intenção dos amigos 2. A contribuição dos amigos 3. A evidência textual C. Javé, o Senhor do reino, falou 1. Jó repreendido 2. Jó instruído 3. Os amigos interpelados D. A vitória do reino dem onstradaVII. VII. O papel da sabedoria no reino A. Entendendo o conceito de sabedoria B. Referências à sabedoria C. Eliú apresentado D. O aparecim ento teofânico de Javé 44
  40. 40. 35 O reino no livro de Jó I. Comentários introdutórios A. A idéia de rei no livro de Jó O termo melek aparece oito vezes no livro de Jó. É traduzido como rei(s). Jó se referiu a reis e conselheiros de tempos idos que haviam construído palácios que no seu tempo já estavam em ruínas (3.14). Reis terrenos com seu reino e domínio não continuavam. O rei era acorrentado a mando de inimigos conquistadores. Os reis não eram supremamente invencíveis nem necessariamente fadados à escravi­ dão (12.18). Havia um poder real superior que determinava o destino do rei hu­ mano. Os reis podiam ser dominados por circunstâncias mesmo que estivessem preparados para uma batalha (15.24). Enquanto um rei estivesse no poder ele podia causar terror (18.14). Jó fez referência a seus dias pré-calamitosos e sofri­ dos; ele disse que naquele tempo ele era como um rei em comando de tropas, que podia consolar os que choravam (29.25). Eliú falou do Poderoso que podia se dirigir a reis e lhes dizer que eles nada valiam (34.18). Deus é este Poderoso, segundo Eliú. Ele avaliava e julgava os reis humanos e guardava sob suas vistas os justos. Ele entronizava os reis, exaltando-os para sempre (36.7). O Senhor, falando a Jó, fazia referência a si como inigualado por reis terrenos. Ele olhava sobre todos os altivos e orgulhosos e o rei tratava de todos os soberbos (41,34[36]).
  41. 41. Criação e Consumação Um exame rápido dessas passagens indica claramente que o livro de Jó se refere a reis humanos orgulhosos cujo destino sempre esteve sob o controle e propósito do Todo-Poderoso, rei sobre todos. As passagens mencionadas dão evidência ampla de que o autor de Jó estava plenamente apercebido da presença de realeza no tempo de Jó. Realeza era de­ monstrada por referências a reis humanos, seu caráter e reinado. Não há refe­ rência a seu domínio, mas seu relacionamento a seus súditos é indicado de várias maneiras. Há referência também ao trono, a sede do poder. A homens e a Deus foi atribuída realeza em vários contextos. B. A idéia de reino no livro de Jó O conceito de reino, embora não fosse referido por um termo, certamente existe em Jó. A idéia de reino inclui quatro referências específicas: o rei, o trono, o reinado e o domínio. Esses quatro estão presentes no livro de Jó. Por isso, dizer que o livro de Jó se refere e até fala de reino não é colocar uma idéia em cima ou dentro da mensagem do livro de Jó. Admite-se que o conceito de reino não está claramente definido. Que há referência a ele, sim, mas não é explicada. Há referência, certo, mas qual a evi­ dência concreta presente no livro que pode capacitar uma pessoa a ver e compre­ ender que o reino de Deus é o conceito todo-abrangente? Deus é reconhecido como o Senhor sobre toda a criação. Ele é Deus. Referência a ele por meio de vários nomes divinos. ’êlôh, aparece a forma singular quarenta e duas vezes (42), e o plural ’êlõhím onze (11) vezes. A forma breve ’el aparece cinqüenta e cinco (55) vezes. Shaddaí combinado com ’êl aparece trinta e uma (31) vezes. Esses nomes todos expressam a idéia de Deus como o maior, o mais alto, o mais pode­ roso, o todo-suficiente. Não deve haver hesitação em aceitar a verdade que Deus, o Deus da Bíblia, o Único Soberano, Supremo, Todo-Poderoso, o Ser Divino que detém toda a autoridade era identificado, conhecido, aceito e honrado como o Senhor. Ele era o Único Rei, cujo trono, reino e domínio eram conhecidos e reco­ nhecidos como sendo o reino abrangente de Deus. Esse conceito de reino, em sua abrangência total, é trabalhado de pelo me­ nos cinco modos. Serão discutidos agora. II. Deus e Jó A. Deus é rei Deus —e Rei, e Jó, o homem do reino, interagiam no cenário do reino cósmico. Deus era o soberano Senhor e Jó era um servo obediente do reino. Jó conhecia seu Senhor real e conhecia o status de seu reino. Revelou isso nas afirmações que fez (1.21,22). ‘ãrõmyãzti (nu eu vim)... we ‘ãrõm 'ãsüb (nu eu volto)”. O termo ‘ãrõm é 46
  42. 42. O reino no livro de Jó um adjetivo, derivado do verbo ‘ür — ser exposto, nu. Como adjetivo neste contexto pode ser entendido como nu, mas mais especificamente neste contexto se refere a estar semposses de qualquer natureza. Por isso, Jó falou a verdade. Como um recém- nascido, ele não estava apenas nu, sem nada para se cobrir, também não possuía nada de seu. E se fosse morrer na sua aflição presente, estaria novamente assim. Mas Jó disse mais. Duas vezes se referiu a Deus usando o nome da aliança, Javé. Foi seu Deus que tinha nãtan (dado) e não foi outro que tinha lãqâh (to­ mado). Foi seu Deus que o desapossou. Jó não hesitou em confessar sua fé no Senhor a quem ele reconhecia como governador da vida sobre todos os aspectos de sua vida. Os comentaristas já vêm discutindo o que Jó quis dizer quando usou a frase 'ãsúbsãmmâh (voltar lá). Ele viera do beten (útero) de sua mãe. Será que ele quis deixar implícito que ele voltaria ao útero? A resposta é que ele sairia assim do útero da terra, a sepultura.1As referências são as passagens tais como Salmo 139, Eclesiastes 5.15 e 1Timóteo 6.7, para sustentar essa visão de que Jó se referiu ao túmulo. Também se apelou a Deus ter feito o homem do pó da terra, Gênesis 2.7. Jó, com essas palavras, reconhece sua condição de criatura. Ele não se considerou autônomo. Como homem ele era totalmente dependente de seu Senhor. Já se perguntou se Jó indicava que ele aceitou a resignação oriental comum. Essa resignação era evidência de pessimismo que se expressava em sabedoria oriental.*2 Uma consideração do contexto no qual as palavras de Jó são dadas apresenta uma visão muito diferente do estado emocional dele, bem como de suas convic­ ções religiosas. Jó expressou tristeza no modo oriental comum. Como é contado nas Escrituras, Jó rasgou sua roupa e rapou a cabeça. Essa tristeza não exprimia pessimismo nem derrota, nem demonstrou fatalismo. Com roupas rasgadas e ca­ beça rapada, Jó caiu ao chão em completa submissão a seu Deus. yistahu’(pros­ trado em adoração) Jó, no chão, cultuava seu Deus. Não foi uma ação de desespe­ ro. Jó sabia e demonstrava que Deus era a fonte de tudo que ele tinha tido e que seu Deus podia tirar e de fato tirou o que tinha sido dado. B. Glória a Deus Javé, o rei Um segundo ponto a considerar é este: Jó proclamou “Possa o nome de Javé ser bendito”. Em ação e palavra, Jó demonstrou que Deus era digno de louvor. Jó A bibliografia do Capítulo 34 visa servir os quatro capítulos seguintes. Cf. a explicação de Dhorme. Job. 73. Também Kroeze, Job, 67. - Dhorme, 73. Conforme Jó 1-20 de Cline, que sugeriu que Jó pronunciou um sentimento em harmonia com a “sabedoria” pessimista, 36. Pope, Jó escreveu “Esse pronunciamento faz parte de outras observa­ ções pessimistas sobre o destino humano”, 16. O verbo é o imperfeito hithpalel de sãhâh prostrar-se (cf. BDB, 1005). 47
  43. 43. Criação e Consumação não foi rudemente afastado de Deus. Jó “destruiu a suspeita de Satanás”.4Jó ver­ dadeiramente honrou e adorou seu Deus. Comentaristas interpretaram Jó corretamente como atribuindo glória a Deus Javé. Fizeram referência à soberania de Deus. Habel escreveu: “A atividade sobe­ rana de Javé ‘dar’(ntn) e ‘tirar’(lqh)” foi proclamada como uma realidade positi­ va no mundo.5Um teólogo holandês do Antigo Testamento empregou dois ter­ mos, vrijmacht e souverein, literalmente traduzidos “poder livre” e “soberano”.6 Hartley nos deu várias expressões muito úteis. Escreveu que Jó tanto reconheceu o senhorio de Deus sobre todas suas posses como buscou consolo do Todo-Pode- roso. Prosseguiu escrevendo que assim Jó reconheceu a soberania de Deus sobre sua vida toda tanto para o bem como para o mal.7Jó estava resignado à vontade de Deus. O texto disse duas vezes, em tudo isso Jó não pecou (1.22, 2.10). O reconhecimento de Jó da soberania e poder de Deus levou à sua paciência e perse­ verança. Motivou-o à submissão e lhe deu resistência.8 C. O reino cósmico de Deus, o cenário para Jó O reino cósmico de Deus é o contexto nessa revelação inicial do tratamento de Deus com Jó. Ele o abençoou com grande riqueza e uma família temente a Deus. Este reino cósmico incluía o mundo, tudo que nele havia e, especifica­ mente, Jó, sua família e as posses. Esse reino sobre o qual Deus reinava sobera­ namente foi o contexto de tudo que é registrado no livro de Jó. Para entender o livro de Jó todo é preciso ter em mente o tempo todo que tudo que é dito e feito está dentro do reino de Deus. O tratamento de Deus com Jó deve ser um incen­ tivo para todas as pessoas se submeterem a esse Senhor soberano, irrespectiva- mente de circunstâncias. D. A influência do sofrimento no relacionamento A questão a ser considerada é: será que Jó durante o período inteiro de sofri­ mento continuou a expressar fé em devoção a, e plena submissão diante de seu Senhor soberano? Habel, como já se notou, escreveu que Jó denunciou as opera­ ções soberanas de Deus com ele como arbitrárias, injustas e cruéis.9Será que esse é o caso realmente? 4 Delitzsch, Job, vol. 1, 65. 5 Habel, Job. Habel escreveu ainda, contudo, que Jó mais tarde denunciou os atos soberanos de Deus como sendo arbitrários, injustos e cruéis. Esse comentário não deve ser levado a sério, 93. 7 Kroeze, Job, 56. 7 Hartley, Job, 77, 78. 8 D. Thomas, The Storm, 45-48. 9 Cf. nota 5 acima. 48
  44. 44. O reino no livro de Jó Deve ser repetido. Jó não nãtan tiplâh (atribuiu culpa ou falta) a Deus (1.21). Ele não hata (pecou) com seus lábios (ou boca). A ênfase está naquilo que Jó não fez. Ele não culpou Deus nem acusou Deus de insensatez. Não disse uma palavra contra Deus. Isso deve ser notado especialmente porque sua esposa insistiu que ele o fizesse (2.9). A única pessoa que se podia esperar que assistisse e apoiasse Jó era sua esposa. Mas ela não o fez. Jó estava só — terrivelmente só em seu sofrer.10* Esse sofrimento teve um efeito forte sobre Jó, o servo do reino. Mas será que seu relacionamento com seu Senhor soberano sofreu ruptura? Para responder a essa pergunta, um estudo deve ser feito daquilo que segue nos capítulos três a quarenta-e-dois. Surge a pergunta sobre a abordagem que se deve fazer ao corpo de material que segue ao prólogo e antecede ao epílogo. Deve-se aceitar a abordagem e metodologia de Newson? Ela propôs que o leitor/ estudante de Jó considere o material de Jó como apresentando “Um Conflito de Imaginações Morais”. Esse conflito se desenvolve através de uma série de narra­ tivas que os três amigos de Jó empregaram como método literário de apresentar suas “imaginações”. Jó, porém, emprega um modelo de respondência moral. E no final do discurso Deus é apresentado como provedor de uma imaginação moral diferente que desafia tanto a Jó como aos amigos. Que forma literária se diz que Deus emprega não é elaborado em detalhe.11Um estudo do artigo de Newsom revela que o livro de Jó é considerado obra de um poeta. Ela desenvolveu essa tese em outro contexto.12O que podería ser considerado um problema grande no entendimento da interpretação de Newsom do livro de Jó é sua tentativa de intro­ duzir crítica “narrativa” num trabalho que tem uma forma dialógica básica na qual são discutidas questões teológicas e morais. Esforços críticos não produziram uma abordagem unânime ao livro ou uma interpretação de Jó. Enquanto que todos concordam que o prólogo e epílogo têm forma episódica histórica, é o corpo do livro de Jó que forneceu aos estudiosos críticos uma pletora de explicações e conclusões divergentes. Enquanto quase todos os estudiosos críticos datam a finalização do livro num tempo qualquer entre o sexto e o segundo séculos a.C., poucos têm dado um contexto histórico preciso para esta composição final. Alguns, como Perdue, apresentaram um cená­ rio histórico finito. Apareceram os elementos em três estágios. O didático, isto é, prosa, surgiram em tempos pré-exílicos para responder ao relacionamento entre o sofrimento e o comportamento humano. Os diálogos, tratando de lamentos e sa­ bedoria sapiencial, foram produzidos durante o exílio em resposta ao sofrimento Cf. o artigo de Victor Sasson, “Job’s Wife”. Sasson respondia a um artigo de D. Clines que assumiu uma posição pouco convencional ao discutir o papel da esposa de Jó. Newsom, “Job and His Friends”, pp.239-253. - Cf. sua Introdução, pp.32l,322. 49

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