O cordão de três dobras

4,545 views

Published on

  • Be the first to comment

O cordão de três dobras

  1. 1. 7) O Cordão de Três DobrasA Bíblia diz em Eclesiastes 4.9-12 que “melhor é serem dois do que um”, mastermina falando sobre o cordão de três dobras e revelando que é melhor seremtrês do que dois. Fica implícito que a conta de uma terceira dobra no cordão estámostrando que o “time” aumentou.“Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de trêsdobras não se rebenta com facilidade.” (Eclesiastes 4.12)Salomão afirma que se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lheresistirão. Isto mostra que um cordão dobrado oferece maior resistência. Porém,ao acrescentar-se uma terceira dobra, ele fica ainda mais resistente! Se hábenefícios em ser dois, há muito mais em ser três!Como já afirmamos, Salomão não fez esta afirmação direcionadaexclusivamente ao casamento; ele fala de relacionamento de um modo geral. E,em qualquer relacionamento, a terceira dobra poderia ser mais uma pessoa.Porém, quando examinamos a revelação bíblica acerca do casamento,descobrimos que, no modelo divino, deve sempre haver a participação de umaterceira parte. E isto não fala da presença de algum filho e nem tampouco de um(abominável) triângulo amoroso! Fala da participação do Senhor no casamento.A presença de Deus é a terceira dobra e deve ser cultivada na vida do casal. Adãoe Eva não ficaram sozinhos no Éden, Deus estava diariamente com eles e, damesma forma como idealizou com o primeiro casal, Ele quer participar do nossocasamento também!Vemos esta questão do envolvimento de Deus na união matrimonial sob trêsdiferentes perspectivas:1. Deus como parte do compromisso do casal;2. Deus como fonte de intervenção na vida do casal;3. Deus como modelo e referência para o casal.
  2. 2. UMA DUPLA ALIANÇAComo já afirmamos no primeiro capítulo, o casamento é uma aliança que oscônjuges firmam entre si e também com Deus. O Senhor, através do profetaMalaquias, referiu-se ao casamento como sendo uma aliança entre o homem e asua mulher:“Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tuamocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulherda tua aliança”. (Malaquias 2.14)A esposa foi chamada por Deus como “a mulher da tua aliança”, o que deixaclaro qual é o enfoque bíblico do casamento. Esta aliança matrimonial não éapenas uma aliança dos cônjuges entre si, mas do casal com Deus. Omatrimônio, portanto, é uma dupla aliança. Malaquias diz que Deus se fazpresente testemunhando a aliança do casal. O mesmo conceito também nos éapresentado no livro de Provérbios:“Para te livrar da mulher adúltera, da estrangeira, que lisonjeia com palavras, aqual deixa o amigo da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus”.(Provérbios 2.16,17)Novamente as Escrituras condenam o abandono ao cônjuge, pois neste texto, assimcomo em Malaquias, a infidelidade é abordada. Nesta situação, é a mulher quem foiinfiel ao amigo de sua mocidade e é chamada de alguém que se esqueceu da aliança doseu Deus. A palavra “aliança”, neste versículo de Provérbios, fala não apenas da aliançaentre os cônjuges, mas da aliança deles com Deus. Fala da obediência que alguém deveprestar à Lei do Senhor e também se refere ao matrimônio como uma aliança da qualDeus quer participar.No Antigo Testamento vemos Deus, por intermédio de Moisés, seu servo, entregando aIsrael dez mandamentos que se destacavam de todos os demais. Eles foram chamadosde “as palavras da aliança”:“E, ali, esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeuágua; e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras”. (Êxodo 34.28)Um destes mandamentos mostra que preservar o casamento não é apenas uma obrigaçãoda aliança contraída entre os cônjuges; é parte da aliança firmada com o próprio Deus:“Não adulterarás” (Êx 20.14). As ordenanças do Senhor foram escritas (incluindo aordem de não adulterar) e o livro onde foram registradas passou a ser chamado de “olivro da aliança”:“Moisés escreveu todas as palavras do Senhor… E tomou o livro da aliança e o leu aopovo; e eles disseram: Tudo o que falou o Senhor faremos e obedeceremos. Então,tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da
  3. 3. aliança que o Senhor fez convosco a respeito de todas estas palavras.” (Êxodo24.4a,7,8)Portanto, o casamento é uma dupla aliança; é uma aliança dos cônjuges entre si, mastambém é uma aliança de ambos com Deus. Logo, o Senhor está presente na aliança, nocompromisso do casamento. Esta é uma das formas em que Deus pode ser a terceiradobra no relacionamento conjugal.EDIFICAR COM A BÊNÇÃO DE DEUSOutra forma como Deus pode e quer participar no casamento é podendo intervir, agirem nossas vidas e relacionamento conjugal. Não temos a capacidade de fazer esterelacionamento funcionar somente por nós mesmos; aliás, temos que admitir nossadependência de Deus para tudo, pois o Senhor Jesus Cristo mesmo declarou: “sem mimnada podeis fazer” (Jo 15.5). A Palavra de Deus nos ensina que precisamos aprender aedificar com a bênção de Deus, e não apenas com nossa própria força e capacidade:“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor nãoguardar a cidade, em vão vigia a sentinela.” (Salmo 127.1)“Edificar a casa” é uma linguagem bíblica para a construção do lar, não do prédio emque se mora. Provérbios 14.1 declara que “A mulher sábia edifica a sua casa, mas ainsensata, com as próprias mãos, a derriba”. Isto não quer dizer que temos uma mulher“pedreira” e outra “demolidora”, pois o texto fala do ambiente do lar e não de umedifício físico.Há ingredientes importantes para edificação da casa (Pv 24.3), mas o essencial écultivar diária e permanentemente a presença de Deus.PARECIDOS COM DEUSUma outra maneira como Deus se torna parte em nosso casamento é como modelo ereferência para nossas vidas. O Senhor é o padrão no qual devemos nos espelhar!“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” (Efésios 5.1)O Novo Testamento revela com clareza que o plano divino para cada um de nós éconformar-mo-nos com a imagem do Senhor Jesus Cristo:“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para seremconformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitosirmãos.” (Romanos 8.29)As Escrituras declaram que fomos “predestinados” (destinados de ante-mão) parasermos conformes à imagem de Jesus! Cristo é nosso referencial de conduta; o apóstoloJoão declara que “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assimcomo ele andou” (1 Jo 2.6). O apóstolo Pedro afirmou que devemos seguir os Seuspassos, o que significa: caminhar como Ele caminhou (1 Pe 2.21). A transformação queexperimentamos na vida cristã é progressiva (a Bíbia chama “de glória em glória) e temendereço certo: tornar-nos semelhantes a Jesus (2 Co 3.18).
  4. 4. O Senhor Jesus atribuiu ao “coração duro” o grande motivo da falência do matrimônio(Mt 19.8). As promessas de Deus ao Seu povo no Antigo Testamento eram de umtransplante de coração (Ez 36.26); o Senhor disse que trocaria o coração de pedra (duro,da natureza humana decaída) por um coração de carne (maleável, com a naturezadivina). A nova natureza deve afetar nosso casamento. Se Deus passar a ser o modelo aoqual os cônjuges buscam se conformar, certamente se aproximarão um do outro eviverão muito melhor!Pense em dois cônjuges cristãos manifestando as nove características do fruto doEspírito (Gl 5.22,23): “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade,fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Se manifestarmos a natureza de Deus,andaremos na plenitude do propósito divino para os relacionamentos.Cresci ouvindo meu pai dizer (e aplicar em relação ao casamento) o seguinte: “Quandoduas coisas se parecem com uma terceira, forçosamente serão iguais entre si”. Ele diziaque se o marido e a mulher vão se tornando parecidos com Deus, então eles ficam maisparecidos um com o outro. No ano de 1995, quando eu era ainda récem-casado, eu vinum curso do “Casados Para Sempre”, ministrado pelo Jessé e Sueli Oliveira (hojepresidentes nacionais do MMI – Marriage Ministries Internacional), uma ilustraçãointeressante: um triângulo que tinha na ponta de cima palavra “Deus” e nas duas debaixo as palavras “marido” e “esposa”. Nesta ilustração eles nos mostraram que quantomais o marido e a esposa subiam em direção a Deus, mais próximos ficavam um dooutro. Nunca mais eu a Kelly esquecemos este exemplo.Quero falar de apenas três (entre muitos) valores que encontramos na pessoa de Deus eque deveríamos reproduzir em nossas vidas. Certamente muitos casamentos podem sersalvos somente por praticar estes princípios: amar, ceder e perdoar.AmarSe Deus será parte de nosso casamento como modelo e referência, então temos queaprender a andar em amor, uma vez que as Escrituras nos revelam que Deus é amor (1Jo 4.8). A revelação bíblica de que Deus é amor não foi dada apenas para que saibamosquem Deus é, mas para que nos tornemos imitadores d’Ele:“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como tambémCristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, emaroma suave.” (Efésios 5.1,2)Há diferentes palavras usadas no original grego (língua em que foram escritos osmanuscritos do Novo Testamento) para amor: “eros” (que retrata o amor de expressãofísica, sexual), “storge” (que fala de amor familiar), “fileo” (que aponta para o amor deirmão e/ou amigo), e “ágape” (que enfoca o amor sacrificial). Quando a Bíblia fala doamor de Deus, usa a palavra “ágape”; este é o amor que devemos manifestar! Aoescrever aos coríntios, o apóstolo Paulo ensina como é a expressão deste amor:“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não seensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não seexaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com averdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13.4-7)
  5. 5. Se imitarmos a Deus e manifestarmos este tipo de amor, as coisas certamente serão bemdiferentes em nosso matrimônio!CederA grande maioria das brigas e discussões gira em torno de quem está certo, de quemtem a razão. Muitas vezes, não vale à pena ter a razão; há momentos em que a melhorcoisa é ceder, quer isto seja agradável, quer não! Observe o que Jesus Cristo nosensinou a fazer:“Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na facedireita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica,deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dáa quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.” (Mateus 5.39-41)Se seguirmos a Deus, como nosso modelo e referencial, e aos seus princípios, ocasamento tem tudo para funcionar. O matrimônio não é um desafio por causa da pessoacom quem convivemos, e sim porque este convívio suscita nossa carnalidade e egoísmoe mostra quem nós somos! A dificuldade não está no cônjuge e sim em nossa inaptidãoem ceder. Se amadurecermos nesta área, nossa vida conjugal definitivamente colherá osfrutos.PerdoarSe imitarmos nosso modelo e referencial, que é Deus, e perdoarmos como Ele perdoa –como um ato de misericórdia e não de merecimento, incondicional e sacrificialmente –levaremos nosso relacionamento a um profundo nível de cura, restauração e intervençãodivina. A instrução bíblica é muito clara em relação a isto:“Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aosoutros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.” (Efésios 4.32)Concluindo, sem Deus (presente, intervindo e como nosso referencial) no casamentoserá impossível viver a plenitude do propósito divino para o matrimônio. Mesmo umcasal que nunca se divorcie, viverá toda sua vida conjugal aquém do plano de Deus; pormelhor que pareça sua relação matrimonial aos olhos humanos, ainda estará distante doque poderia e deveria viver.

×