Pré modernismo

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Pré modernismo

  1. 1. Período de transição entre as estéticas do século 19 e o Modernismo, o Pré-Modernismo não constitui uma estética literária, mas busca novo caminho para aliteratura brasileira, usando diversidade de temas e de abordagens. Seus temasvoltam-se a questões sociais e ao positivismo. Sua linguagem oscila entrerebuscamento e coloquialismo.Com o que ficar atento?Durante o Pré-Modernismo coexistiram tendências conservadoras e renovadoras, porisso o período envolve grande diversidade de autores e gêneros, na prosa e na poesia.Prosa: aqui destacam-se três autores: Euclides da Cunha (1866 - 1909), autor de OsSertões, com seu estilo barroco, marcado pela interpretação cientificista dos fatos;Lima Barreto (1881 - 1922), autor de Triste fim de Policarpo Quaresma, cuja ficçãotraça um quadro fiel do cotidiano nos subúrbios do Rio de Janeiro; e Monteiro Lobato(1882 - 1948), criador do Sítio do Pica-pau Amarelo e do Jeca Tatu, que apresenta emsuas obras a realidade nacional despida de embelezamentos ufanistas.Poesia: destaca-se Augusto dos Anjos (1884 - 1914), que combina elementosparnasianos, simbolistas e expressionistas a uma preocupação formal que demonstracerto exagero e deformação expressiva.
  2. 2. A construção de um Brasil literário correspondente ao Brasil real - através daaproximação entre literatura e realidade - foi uma das principais preocupações dos Pré-Modernistas e pode ser explorada em questões sobre o panorama histórico-cultural daépoca. o Brasil vivia a chamada política do “café-com-leite”, onde os grandes latifundiários do café dominavam a economia. Ao passo que esta classe dominante e consumista seguia a moda europeia, as agitações sociais aconteciam, principalmente no Nordeste. Na Bahia, ocorre a famosa “Revolta de Canudos”, que inspirava a obra “Os Sertões” do escritor Euclides da Cunha. Em 1910, a rebelião “Revolta da chibata” era liderada por João Cândido, o “Almirante Negro”, contra os maltratos vividos na Marinha. Aos poucos, a República “café-com-leite” ficava em crise e em 1920 começam os burburinhos da Semana de Arte Moderna, que marcaria o início do Modernismo no Brasil. O Pré-Modernismo não chega a ser considerado uma “escola literária”, pois não há um grupo de escritores que seguem a mesma linha temática ou os mesmos traços literários.
  3. 3. Pertencente ao Pré-Modernismo, o clássico Os sertões de Euclidesda Cunha tem como característica principal: o regionalismo. A realidade do Nordeste brasileiro é retratada com fidelidade naobra, a qual descreve as condições precárias de vida da região eos motivos pelos quais ocorreu o drama da Guerra de Canudos.O sucesso da obra foi tamanho que o autor foi eleito para aAcademia Brasileira de Letras em 1903.Em seu livro o autor retrata a terra nordestina, o homem sertanejoe a luta travada pelos nordestinos na Guerra de Canudos."O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiçosneurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revelao contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima dasorganizações atléticas. É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo,reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo,quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-oa postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráterde humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente aoprimeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocarduas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobrea espenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea efirme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traçogeométrico os meandros das trilhas sertanejas”. (...)
  4. 4. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe aplástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto afealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante esinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a posturanormalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter dehumildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiroumbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duaspalavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre aespenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea efirme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traçogeométrico os meandros das trilhas sertanejas”. (...)
  5. 5. Lima Barreto fez de suas experiências pessoais canais de temáticas para seus livros. Em seus livros denunciou a desigualdade social, como em Clara dos Anjos; o racismo sofrido pelos negros e mestiços e também as decisões políticas quanto à Primeira República. Além disso, revelou seus sentimentos quanto ao que sofreu durante suas internações no Hospício Nacional em seu livro O cemitério dos vivos. Sua principal obra foi Triste fim de Policarpo Quaresma , no qual relata a vida de um funcionário público, nacionalista fanático, representado pela figura de Policarpo Quaresma. Dentre os desejos absurdos desta personagem está o de resolver os problemas do país e o de oficializar o tupi como língua brasileira.Obras:Romance: Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909); Triste fim de PolicarpoQuaresma (1915); Numa e a ninfa (1915); Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919);Clara dos Anjos (1948).Sátira: Os bruzundangas (1923); Coisas do Reino do Jambom (1953).Conto: História e sonhos (1920).Lima Barreto enfoca os problemas dos operários, dos subúrbios e das favelas do Riode Janeiro.
  6. 6. Responsável pela criação de inesquecíveis histórias, começouo seu trabalho literário na área de contos infantis em 1917. Aprimeira história que escreveu foi “A menina do NarizinhoArrebitado”, lançada no natal de 1920 que fez o maiorsucesso. Depois disso nasceram outros episódios, o principaldeles é “O Sítio do Pica-pau Amarelo”, cujos personagensDona Benta, Visconde de Sabugosa, Pedrinho, Narizinho, TiaAnastácia e Emília são conhecidos culturalmente até hoje.Lobato estava insatisfeito com as traduções feitas dos livroseuropeus para crianças, por isso começou a criarpersonagens bem brasileiros, dando destaque aos costumese às lendas do folclore nacional. Em suas obras o autor aindamisturava a mitologia grega, os quadrinhos e o cinema.Sua ideia de Brasil nação instiga seu inconformismo com o desenraizamento cultural.Ataca os modismos importados que nada têm a ver com a realidade e propugna peloresgate do elemento nativo brasileiro de rica tradição. Nessa mesma linha denuncia aagressão que se faz ao nosso idioma adotando vocábulos estrangeiros por simplesespírito de imitação.Monteiro Lobato preocupa-se com p progresso do Brasil, problemas relacionados àsaúde, alimentação, educação e outros.
  7. 7. Haddad descarta veto a livro de Monteiro Lobato. Ministro disse quepode aceitar que editora tenha que introduzir nota explicativa, mas nãovetará "Caçadas de Pedrinho" em escolas. Devido a críticas encaminhadas ao governo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, decidiu não acatar o polêmico parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que recomendava excluir "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, na lista de livros distribuídos à rede escolar. Divulgado na semana passada, o parecer apontou preconceito racial contra negros na obra, que conta a história da caçada de uma onça por Pedrinho e personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Mas, por decisão de Haddad, o parecer terá de ser revisto.No máximo, haverá uma recomendação para que a editora do livro inclua umaexplicação do conteúdo racista. Publicado pela primeira vez em 1933, o livro tem trechoconsiderados preconceituosos sobretudo quando trata de Tia Nastácia, empregadadoméstica negra da história, e de animais como urubu e macaco."Recebi muitas manifestações para afastar qualquer hipótese, ainda que por razõesjustificadas, de censura ou veto a uma obra, sobretudo no caso de Monteiro Lobato",disse o ministro. "Eu relativizaria o juízo que foi feito", continuou Haddad, sobre oparecer do CNE. "Pessoalmente, não vejo racismo".A legislação prevê que obras distribuídas à rede escolar tenham o conteúdo analisado epossam eventualmente ser excluídas da lista por referências homofóbicas ou racistas.
  8. 8. “Um país se faz com homens e livros”, “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”,“Assim como é de cedo que se torce o pepino, também é trabalhando a criança que se consegue boa safra de adultos”
  9. 9. Augusto dos Anjos recorreu a uma infinidade de termos científicos, biológicos e médicos ao escrever seus versos de excelente fatura, nos quais expressa por princípio um pessimismo atroz. Cético em relação às possibilidades do amor ("Não sou capaz de amar mulher alguma, / Nem há mulher talvez capaz de amar-me), Augusto dos Anjos fez da obsessão com o próprio "eu" o centro do seu pensamento. Não raro, o amor se converte em ódio, as coisas despertam nojo e tudo é egoísmo e angústia em seu livro patético ("Ai! Um urubu pousou na minha sorte").A vida e suas facetas, para o poeta que aspira à morte e à anulação de sua pessoa,reduzem-se a combinações de elementos químicos, forças obscuras, fatalidades deleis físicas e biológicas, decomposições de moléculas. Tal materialismo, longe deaplacar sua angústia, sedimentou-lhe o amargo pessimismo ("Tome, doutor, essatesoura e corte / Minha singularíssima pessoa"). Ao asco de volúpia e à inapetênciapara o prazer contrapõe-se porém um veemente desejo de conhecer outros mundos,outras plagas, onde a força dos instintos não cerceie os voos da alma ("Quero,arrancado das prisões carnais, / Viver na luz dos astros imortais").
  10. 10. A métrica rígida, a cadência musical, as aliterações e rimaspreciosas dos versos fundiram-se ao esdrúxulo vocabulárioextraído da área científica para fazer do Eu -- desde 1919constantemente reeditado como Eu e outras poesias -- um livroque sobrevive, antes de tudo, pelo rigor da forma.Com o tempo, Augusto dos Anjos tornou-se um dos poetas maislidos do país, sobrevivendo às mutações da cultura e a seusdiversos modismos como um fenômeno incomum de aceitaçãopopular. Vitimado pela pneumonia aos trinta anos de idade,morreu em Leopoldina em 12 de novembro de 1914.
  11. 11. 01. (FUVEST) No romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, o nacionalismo exaltado edelirante da personagem principal motiva seu engajamento em três diferentes projetos,que objetivam “reformar” o país. Esses projetos visam, sucessivamente, aos seguintessetores da vida nacional: a) escolar, agrícola e militar; Cb) linguístico, industrial, e militar;c) cultural, agrícola e político;d) linguístico, político e militar;e) cultura, industrial e político.02. Nas duas primeiras décadas de nosso século, as obras de Euclides da Cunha e deLima Barreto, tão diferentes entre si, têm como elemento comum: a) A intenção de retratar o Brasil de modo otimista e idealizante. Cb) A adoção da linguagem coloquial das camadas populares do sertão.c) A expressão de aspectos ate então negligenciados da realidade brasileira.d) A prática de um experimentalismo linguístico radical.e) O estilo conservador do antigo regionalismo romântico.
  12. 12. 03. Augusto dos Anjos é autor de um único livro, Eu, editado pela  primeira vez em 1912.Outras Poesias acrescentaram-se às edições posteriores. Considerando a produçãoliterária desse poeta, pode-se dizer que: a) Foi recebida sem restrições no meio literário de sua época, alcançando destaque nahistória das formas literárias brasileiras.b) Revela uma militância político-ideológica que o coloca entre principais poetasbrasileiros de veio socialista.c) Foi elogiada poeticamente pela crítica de sua época, entretanto não representou umsucesso de público.d) Traduz a sua subjetividade pessimista em reação ao homem e ao cosmos, por meio deum vocabulário em reação ao homem e ao cosmos, por meio de um vocabulário técnico-científico-poético.e) Anuncia o Parnasianismo, em virtude das suas inovações técnico-científicas e de suatemática Dpsicanalítica.
  13. 13. 04. Assinale a associação incorreta: a) Lobato – narrativa oral.b) Lima Barreto – simplicidade, oposição ao preciosismo. Ec) Graça Aranha – sincretismo entre Realismo, Simbolismo e Impressionismo.d) Euclides da Cunha – “barroco cientifico”.e) Coelho Neto – simplicidade, apontado pelos modernistas como exemplo.05. Assinale a falsa, sobre Monteiro Lobato:  Ba) traz a paisagem do Vale do Paraíba paulista, denunciando a devastação da naturezapela pratica agrícola da queimada;b) explora os aspectos visíveis do ser humano; seus contos têm quase sempre finaistrágicos e deprimentes;c) vale-se das tradições orais do caipira, personificado pelo Jeca Tatu, valendo-se docoloquialismo do “contador de casos”;) nos romance Urupês e Cidades Mortas aborda a decadência da agricultura no Vale doParaíba, após o “ciclo” do café;e) nada.  
  14. 14. 06. Em Os Sertões, de Euclides da Cunha, a natureza: a) condiciona o comportamento do homem, de acordo com asconcepções do determinismo cientifico de fins do século XIX;b) é objeto de uma descrição romântica impregnada dossentimentos humanos do autor;c) funciona como  contraponto à narração, ressaltando ocontaste entre o meio inerte e o homem agressivo;d) é o tema da primeira parte da obra, A Terra, mas não funcionacomo elemento determinante da ação;e) é cenário desolador, dentro do qual vivem e lutam os homensque podem transformá-la, sem que sejam por ela transformados. A
  15. 15. 07. A obra de Lima Barreto: a) É considerada pré-modernista, uma vez que reflete a vida urbanapaulista antes da década de 20.b) Gira em torno da influencia do imigrante estrangeiro na formaçãoda nacionalidade brasileira, refletindo uma grande consciênciacrítica dessa problemática.c) Reflete a sociedade rural do século XIX, podendo ser consideradaprecursora do romance regionalista moderno.d) É pré-modernista, refletindo forte sentimento nacional e grandeconsciência critica de problemasbrasileiros.e) Tem cunho social, embora esteja presa aos cânones estéticos eideológicos românticos e influenciou fortemente os romancistas daprimeira geração modernista. D 
  16. 16. 08.  A obra reúne uma série de artigos, iniciados com VelhaPraga, publicados em O Estado de São Paulo a  14-11-1914.Nestes artigos o autor insurge-se contra o extermínio das matasda Mantiqueira pela ação  nefasta das queimadas, retrógradapratica agrícola perpetrada peã ignorância dos caboclos, analisao  primitivismo da vida dos caipiras do Vale da Paraíba e critica aliteratura romântica que cantou liricamente  esses marginais dacivilização:a)Urupês (Monteiro Lobato)b)À Margem da História (Euclides da Cunha)c)Contrastes e Confrontos (Euclides da Cunha) Ad)Idéias de Jeca Tatu (Monteiro Lobato)e)n.d.a.

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