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Mais médicos: o cidadão não pode esperar

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O Brasil precisa de médicos estrangeiros? SIM. A intenção do governo federal, anunciada nesta semana, de trazer médicos formados em outros países para trabalhar no Sistema Único de Saúde brasileiro não pode ser tratada como um "tabu", segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "Abordagens desse tema, por vezes preconceituosas, não podem mascarar uma constatação: o Brasil precisa de mais médicos com qualidade e mais perto da população", diz ele.

Published in: Health & Medicine
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Mais médicos: o cidadão não pode esperar

  1. 1. Saúde na mídia Brasília, 18 de maio de 2013Folha de S. Paulo | BRMinistério da Saúde | Alexandre PadilhaSaúde na mídia pg.1Mais médicos: o cidadão não pode esperarTENDÊNCIAS/DEBATESO Brasil precisa de médicos estrangeiros?SIMAlexandre PadilhaAtrair médicos estrangeiros para o Brasil não podeser um tabu. Abordagens desse tema, por vezes pre-conceituosas,nãopodem mascararuma constatação:o Brasil precisa de mais médicos com qualidade emais perto da população.Temos 1,8médicopara cada 1.000brasileiros,índiceabaixo de países desenvolvidos como Reino Unido(2,7), Portugal (4) e Espanha (4) e de outros la-tino-americanoscomo Argentina (3,2) eMéxico (2).Se do ponto de vista nacional, a escassez desses pro-fissionaisjá élatente,os desníveis regionaistornamoquadro ainda mais dramático: 22 Estados têm médiainferior à nacional, como Maranhão (0,58), Amapá(0,76) e Pará (0,77). Mesmo em São Paulo, apenascinco regiões estão acima do índice nacional, dei-xando o Estado com 2,49 médicos por 1.000 ha-bitantes.Desse modo, não surpreende que quase 60% da po-pulação,segundooIpea, aponteafaltademédicosco-mo maior problema do SUS. A população, assimcomo os gestores, sabe que não se faz saúde sem mé-dico.De 2003 a 2011, surgiram 147 mil vagas de primeiroemprego formal para médicos, mas só 93 mil se for-maram. Além desse deficit, os investimentos doMinistério da Saúde em novos hospitais, UPAs (u-nidades de pronto atendimento) e unidades básicasdemandarão a contratação de mais 26 mil médicosaté 2014.Nas áreas mais carentes, seja nas comunidades ri-beirinhas da Amazônia, seja na periferia da GrandeSão Paulo, a dificuldade de por médicos à disposiçãodapopulaçãoécrônica: em algunscasos,salários aci-ma dos pagos aos ministros do SupremoTribunalFe-deral e planos de carreira regionais não bastam.Foi esse nó crítico quelevou prefeitos detodoo paísapressionarem o governo federal por medidas para le-var mais médicos para perto da população. Para en-frentar essa realidade, os ministérios da Saúde e daEducação estão analisando modelos exitosos ado-tados em outros países com dificuldadessemelhantes.Em primeiro lugar, estamos trabalhando para es-timular os jovensbrasileirosqueabraçam amissãodesalvar vidas como profissão, com ações como o Pro-grama de Valorização da Atenção Básica (Provab),que oferece bolsa de R$ 8.000 mensais e bônus de10% nas provas de residência a quem atua em áreascarentes, e a expansão das vagas em cursos de me-dicina e de residência para formar especialistas.Mas oito anos de formação é tempo demais paraquem sofre à espera de atendimento.A experiência internacional tem apontado para duasestratégias complementares entre si: uma em que omédico se submete a exame de validação do diplomae obtém o direito de exercer a medicina em qualquerregião;eoutra específicapara aszonasmais carentes,em quese concedeautorizaçãoespecial para atuaçãorestrita àquela área, na atenção básica, por um pe-ríodo fixo.
  2. 2. Saúde na mídia Brasília, 18 de maio de 2013Folha de S. Paulo | BRMinistério da Saúde | Alexandre PadilhaSaúde na mídia pg.2Continuação: Mais médicos: o cidadão não pode esperarAdotadas em países desenvolvidos, essas ações re-presentaram decisivo ganho da capacidade de aten-dimento. Na Inglaterra, por exemplo, quase 40% dosmédicos em atuação se graduaram em outros países--índicequeéde25% nos EstadosUnidos, de22% noCanadá ede17% naAustrália--, enquanto, no Brasil,apenas 1% dos profissionais se formaram no ex-terior.O debate tem sido conduzido com responsabilidade.Aindanãoháuma propostadefinida,masalgunspon-tos já foram descartados: não haverá validação au-tomática de diploma; não admitiremos profissionaisvindos de países com menos médicos que o Brasil; esó atrairemos profissionaisformadosem instituiçõesde ensino autorizadas e reconhecidas em seus paísesde origem.Com isso, atrair profissionais qualificados será maisuma das medidas para levar mais médicos para ondeos brasileiros mais precisam.ALEXANDRE PADILHA, 41, é ministro da Saú-deOsartigos publicados com assinatura nãotraduzem aopinião do jornal. Sua publicação obedece ao pro-pósito de estimular o debate dos problemas bra-sileiros emundiais ederefletir as diversastendênciasdo pensamento contemporâneo.debates@uol.com.br >

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