UNIVERSIDADE POSITIVO       MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO AMBIENTAL    AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA DOS COMPUTADORES E OPR...
MIRIELI A. ZANETTI    AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA DOS COMPUTADORES E OPROLONGAMENTO DA VIDA ÚTIL COMO ALTERNATIVA AMBIENTAL...
AGRADECIMENTOS       Em primeiro lugar agradeço a Deus que me deu inspiração e força para a realização domestrado e pelas ...
ensinamentos, pelas críticas e sugestões e principalmente pelas palavras de conforto eincentivo.         Aos funcionários ...
RESUMOAs evoluções tecnológicas têm gerado preocupação ambiental sob a ótica holística do ciclo devida dos computadores. E...
ABSTRACTTechnological evolution has raised an environmental concern, in particular when a product’slife cycle is considere...
LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1 -    A evolução dos computadores                                            20Figura 2 -    E...
Figura 21 -   Figura 21 – Principais contribuições de impacto ambiental dos componentes    86              do desktop (CPU...
LISTA DE TABELASTabela 1 -    Percentual da composição e índice de reciclabilidade dos materiais      50              pres...
LISTA DE QUADROSQuadro 1 -   Caracterização das categorias de impacto do método EcoIndicator’99   34Quadro 2 -   Breve des...
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASABNT – Associação Brasileira de Normas TécnicasABINEE - Associação Brasileira da Indústria d...
SUMÁRIO1.      INTRODUÇÃO                                                               141.2     OBJETIVOS               ...
2.10.1   A Composição de um Computador e seus Possíveis Danos à Saúde Humana       492.11     A DIRETIVA RoHS             ...
4.2.4.1 Contabilização dos Ganhos Ambientais do Programa                        1034.2.4.2 Contabilização dos Ganhos Socia...
141        INTRODUÇÃO         As evoluções tecnológicas, mais especificamente aquelas relacionadas aos sistemas deinformaç...
15setores. Isso acaba por gerar toneladas de resíduos eletrônicos e conseqüentemente, problemasambientais difíceis de sere...
16somente uma parte do problema, mas, toda a cadeia: concepção, produção, uso, final da vidaútil.        Além disso, vem g...
17       No capítulo 3, referente à metodologia aplicada no estudo, são informadas asconsiderações feitas durante a execuç...
182      REVISÃO DE LITERATURA2.1 HISTÓRICO DA EVOLUÇÃO DOS COMPUTADORES       Assim como em outras áreas, os computadores...
19       Na década de 80, teve início a quarta geração de computadores, marcada pelolançamento dos primeiros microprocessa...
20Figura 1 - A evolução dos computadores (Adaptado de CERQUEIRA, 2004; COMPUTER, 2010).
212.2 OS COMPUTADORES E AS QUESTÕES AMBIENTAIS       Cooper (2005) afirma que o desenvolvimento tecnológico inseriu na soc...
22(Life Cycle Design), Engenharia do Ciclo de Vida (Life Cycle Engineering) e também ProjetoLimpo (Clean Design). Embora o...
23Figura 2 - Estratégias do Eco-projeto (Adaptado de MANZINI; VEZZOLI, 2005).         As estratégias do Eco-projeto podem ...
24         Porém, o mais importante a ser destacado é que o Eco-projeto desempenha papelprimordial nas novas políticas amb...
25       Nível 2 (Re-desenho do produto): otimização da qualidade dos produtos já existentes.       Não está relacionada à...
26       Para efeito deste trabalho será adotada a definição segundo a Norma ISO 14040 (2006):                            ...
27       Também existem alguns autores que fazem críticas, como Cooper (2005) que ressaltaque a complexidade da ACV pode g...
28Figura 5 – Estrutura da avaliação do ciclo de vida (Adaptado de ISO, 2006).       Definição do Escopo e Objetivos: Na fa...
29Figura 6 - Inventário do ciclo de vida (CURRAN, 1996).       Avaliação de Impactos: A Avaliação do Impacto do Ciclo de V...
30ambiental específico. As categorias de impacto mais comumente utilizadas são aquecimentoglobal, redução da camada de ozô...
31       Interpretação: Esta etapa tem o objetivo de avaliar e interpretar os dados obtidos como intuito de sugerir mudanç...
32 Figura 7 - Representação gráfica da árvore de processos fornecido pelo programa SimaPro (PRE CONSULTANTS, 2006). 2.4.1 ...
33impacto, além de oferecer uma perspectiva sobre as maneiras de procurar superá-los. Noentanto, o exercício não é simples...
34     Categoria                                                         Descrição     ambiental                        O ...
35de atividades correlatas em todos os países do mundo. Os trabalhos da ISO resultam emacordos internacionais que são publ...
36Figura 8 - Os dois grupos da ISO 14000: produtos e sistemas de gestão ambiental (VALLE, 2004).2.5.1 A ACV na Família da ...
37   14043 – Interpretação ou Avaliação de Melhorias: Publicada em 2000, define um   procedimento sistemático para identif...
382.7 OPÇÕES DE TRATAMENTO AO FINAL DA VIDA ÚTIL DE COMPUTADORES       Seguem descritas as principais opções de tratamento...
39reciclagem envolver outras fases de trabalho, optou-se por descrevê-la mais detalhadamente(LUIZIO, 2004; CROWE et al., 2...
40       Valorização energética: Corresponde à recuperação do valor energético dos resíduos,através do processo de inciner...
412.7.1Gerenciamento dos Resíduos de Computadores na Comunidade Internacional e no Brasil        Na China o sistema de rec...
42         Nos Estados Unidos, a diversidade de iniciativas políticas sobre REEEs (Resíduos deEquipamentos Eletroeletrônic...
43Figura 9 – Rota dos resíduos provenientes de computadores na sua destinação final – Situação brasileira(Adaptado de JORD...
44       No Brasil ainda não há uma legislação específica para tratamento e gerenciamento deresíduos perigosos - apenas aç...
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  1. 1. UNIVERSIDADE POSITIVO MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO AMBIENTAL AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA DOS COMPUTADORES E OPROLONGAMENTO DA VIDA ÚTIL COMO ALTERNATIVA AMBIENTAL CURITIBA Junho 2010
  2. 2. MIRIELI A. ZANETTI AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA DOS COMPUTADORES E OPROLONGAMENTO DA VIDA ÚTIL COMO ALTERNATIVA AMBIENTAL Dissertação apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Gestão Ambiental do curso de mestrado Profissional em Gestão Ambiental, Universidade Positivo (UP). Orientador: Prof. Paulo R. Janissek Co-Orientador: Prof. Maurício Dziedzic CURITIBA Junho 2010
  3. 3. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar agradeço a Deus que me deu inspiração e força para a realização domestrado e pelas oportunidades de crescimento e experiências que tenho vivido. Ao Prof. Paulo Janissek, meu orientador, por me acompanhar e auxiliar, com suasabedoria, experiência, recomendações, carinho e paciência durante o mestrado e a realizaçãodeste trabalho. Ao Prof. Maurício Dziedzic, co-orientador deste trabalho e coordenador do curso, porsuas importantes contribuições, orientação e confiança em mim depositados. Registro minha gratidão à Universidade Positivo pela oportunidade concedida com abolsa integral para a realização do Mestrado. Aos membros da banca, Profa. Selma Cubas, Prof. Klaus Dieter e Prof. GeorgeKaskantis, por suas valiosas sugestões para a melhoria deste trabalho. Ao Programa de Mestrado em Gestão Ambiental da Universidade Positivo pelaoportunidade, seriedade e qualidade, traduzidas nos seus professores e funcionários, emespecial às funcionárias, Juliane Poletto e Gislaine Otto que sempre estavam dispostas emajudar com toda a dedicação possível. A todos os colegas do curso: Damaris, Guilherme, Noele, Adriana e Viviane pelassuas contribuições com conhecimentos, apoio e amizade ao longo das disciplinas. Queroagradecer especialmente à amiga Alessandra Tulio, pelos momentos alegres e difíceis quepassamos juntas. Agradeço de forma especial às minhas amigas Meri, Rafaela e Sirlei pelos momentosde descontração, pela força, paciência, conselhos, preocupação com o meu bem estar, peloombro amigo nos momentos difíceis e pela torcida para que esta etapa fosse concretizada. Também agradeço a valiosa colaboração da amiga Simone pela disposição em meajudar sempre que precisei de um auxílio operacional e ao amigo Anderson sempre disposto aacompanhar o desenvolvimento do trabalho e me ajudar a organizar as idéias. Minha gratidão ao amigo Charles Dalla Costa, pelo incentivo, pela compreensão eajuda nas horas de ausência no trabalho, pela amizade e pelas nossas ricas discussões sobre apesquisa e outros temas. Também agradeço à Positivo Informática pelas informações e visitas disponibilizadaspara que este estudo fosse viabilizado e principalmente aos colegas do projeto ACV que hojesão meus queridos amigos, o casal John Smith (Mário) e Pocahontas (Fernanda) e o JúlioNeto com toda a sua experiência. Também agradeço de forma especial a Prof.ª Cíntia, pelos
  4. 4. ensinamentos, pelas críticas e sugestões e principalmente pelas palavras de conforto eincentivo. Aos funcionários e colegas da Universidade Positivo, que de uma forma ou de outrame ajudaram na construção deste trabalho e pelas informações disponibilizadas que foram degrande valia para este estudo. Minha gratidão também se estende àquelas pessoas mais importantes em minha vida,minha família: Aos meus pais, Angelo e Sueli, que me ensinaram a ter disciplina, esforço e dedicaçãodesde as mais simples tarefas às mais importantes. Que me ouviram chorar e desabafar e quesempre tinham palavras de conforto e incentivo. Obrigada pelo apoio e amor incondicional. Aos meus queridos irmãos Adriângela e Gustavo, pela ajuda, companheirismo edescontração. Vocês são muito especiais e tornam a minha vida muito mais feliz! Também quero agradecer a Márcia, Poliana, Luciano e Maurício pelo incentivo,carinho e torcida para que este objetivo fosse alcançado! Ao meu esposo Romulo, pelo amor e paciência nos momentos de ausência, que forammuitos. Pelas críticas, por me ajudar a expandir os horizontes, por questionar as minhas idéiase descobertas fazendo com eu as aprimore, por contribuir com sua criatividade econhecimento na elaboração deste trabalho. E principalmente, por me levar a acreditar que euposso ser muito maior do que penso que sou. De uma forma geral, agradeço a todos que me fizeram acreditar que no final tudo dariacerto! “Se enxerguei mais longe foi porque me apoiei nos ombros de gigantes” (Sir Isaac Newton)
  5. 5. RESUMOAs evoluções tecnológicas têm gerado preocupação ambiental sob a ótica holística do ciclo devida dos computadores. Estes por sua vez, têm se destacado devido aos impactos ocasionadospela significativa produção e a breve vida útil. Estima-se para os computadores um tempomédio de vida de dois a quatro anos, contribuindo para o incremento na geração de resíduos.Esta rápida obsolescência é decorrente de inovações tecnológicas e fatores sociais, como acriação de novas necessidades e desejos. Em todo o ciclo de vida dos computadores sãoconsumidos recursos naturais como água e energia, além de serem gerados outros impactosrelacionados às substâncias tóxicas presentes na composição destes produtos. Assim, devemser encontradas alternativas que minimizem os problemas gerados, visto que a eliminaçãototal do problema é altamente improvável. O objetivo do presente trabalho é analisar osimpactos ambientais dos computadores através da metodologia de Análise do Ciclo de Vida,utilizando o programa computacional SimaPro®, e propor alternativas para minimizá-los.Uma das alternativas detalhadas no trabalho é o gerenciamento de computadores naUniversidade Positivo (UP), executado para maximizar a vida útil dos computadoresexistentes. Em decorrência do programa de gerenciamento de computadores que visa areutilização, ocorre a redução da aquisição de equipamentos novos, evitando também ageração de resíduos. O estudo ACV indicou que impactos ambientais significativos sãogerados na fase de utilização, decorrentes da utilização de energia elétrica e da geração deresíduos provenientes das peças dos computadores. Os resultados indicaram que, parasituações de uso diversificado e em grande número, é possível maximizar a vida útil dosequipamentos de informática sem prejudicar o desempenho, pela classificação e configuraçãoespecíficas para atender as necessidades, classificadas na UP em três níveis de desempenho.Como conseqüências da aplicação do programa, a vida útil foi estendida para seis anos, aaquisição de equipamentos novos no período estudado (2005 – 2009) foi apenas 50% donúmero total de computadores, e foi possível evitar a geração de 28 t de resíduos eletrônicos.Ao final do ciclo, grande parte dos equipamentos de informática é doada para associaçõesbeneficentes ou vendida a preço simbólico para funcionários. Assim, além dos ganhosambientais, é possível contabilizar ganhos econômicos e sociais.Palavras Chave: computadores, ciclo de vida, impactos ambientais, gerenciamento,prolongamento da vida útil.
  6. 6. ABSTRACTTechnological evolution has raised an environmental concern, in particular when a product’slife cycle is considered. The environmental impact of computers is of special importance inthis regard, due to their significant production and short life time. The average life time of acomputer is between two and four years, with this short period caused being due to fasttechnological innovation and social aspects, such as market-induced needs and desires.During the full life cycle of a computer, non-renewable-resources, water, and energy areconsumed. Additional impacts arise due to the disposal of toxic substances present in theproduct’s composition. Thus, alternatives must be sought which minimize the environmentalproblems, since their full elimination is almost impossible. The aim of the present work is toaccess a computer’s environmental impact using life cycle analysis (LCA) methodology. TheLCA studies were carried out with the help of the SimaPro™ software package. A criticalreview of available alternatives to reduce the impact of computers is also presented. TheUniversidade Positivo (UP) computer management program, developed to increase the usefullifetime of computers is presented as a case study. The aim of this program is to reduce theacquisition of new equipment, and, as a consequence, avoid electronic waste generation. TheLCA indicates that significant environmental impacts are generated during the use of acomputer, due to the electricity demand. The UP computer management program is analternative to reduce the impacts on the production and disposal phase. The results indicatethat it is possible to increase the equipment lifetime, ensuring the adequate equipmentperformance, according with the specific needs. As consequence, the computer average timewas extended to 6 year, the new equipments acquisition represents only 50% of the totalnumber in the period evaluated (2005 – 2009) and 28 t. of electronic waste were avoided. Atthe end of cycle, computer and related equipments are donated for social institutions or sell tothe employers at symbolic price. In addition to reduce environmental impacts and exploitationof resources, economic and social benefits are achieved.Key words: computers, life cycle, environmental impacts management, lifetime extension.
  7. 7. LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1 - A evolução dos computadores 20Figura 2 - Estratégias do eco-projeto 23Figura 3 - Quatro níveis do eco-projeto 24Figura 4 - Etapas do ciclo de vida dos produtos 25Figura 5 - Estrutura da avaliação do ciclo de vida 28Figura 6 - Inventário do ciclo de vida 29Figura 7 - Representação gráfica da árvore de processos fornecido pelo programa 32 SimaProFigura 8 - Os dois grupos da ISO 14000: produtos e sistemas de gestão ambiental 36Figura 9 - Rota dos resíduos provenientes de computadores na sua destinação 43 final – Situação brasileiraFigura 10 - Os componentes que fazem parte de um computador e os materiais 47 presentes na sua composiçãoFigura 11 - Estágios do ciclo de vida de um computador 55Figura 12 - Identificação das etapas da ACV de maior impacto ambiental e as 56 pontuações atribuídas a cada uma delasFigura 13 - Pontuações aos impactos ambientais causados pelos componentes de 57 um computador nas três principais categorias de danos: saúde humana, ecossistema e recursosFigura 14 - Pontuações aos impactos ambientais causados pelos componentes da 59 CPUFigura 15 - Pontuações aos impactos ambientais causados pelos componentes do 59 monitor CRTFigura 16 - Pontuações aos impactos ambientais causados pelos componentes do 60 monitor LCDFigura 17 - Esquema representativo da metodologia ACV aplicada ao trabalho 63 desenvolvidoFigura 18 - Visão Macro ACV: Representação esquemática do Ciclo de Vida de 84 um Computador, indicando o impacto ambiental relativo às principais etapas: Manufatura (fabricação/montagem), distribuição, utilização (usuário) e final da vida útilFigura 19 - Principais contribuições de impacto ambiental das partes de um 85 computador utilizando monitor CRT 15”Figura 20 - Principais contribuições de impacto ambiental das partes de um 85 computador utilizando monitor LCD 15”
  8. 8. Figura 21 - Figura 21 – Principais contribuições de impacto ambiental dos componentes 86 do desktop (CPU)Figura 22 - Etapa de utilização e suas contribuições às três principais categorias de 87 impactos no ciclo de vida do computadorFigura 23 - Etapa de utilização e suas contribuições de impactos ambientais aos 88 fatores de caracterizaçãoFigura 24 - Impactos ambientais na etapa de final da vida útil em relação às opções 89 de destinação finalFigura 25 - Alternativas para calços e embalagens usadas pelas empresas HP e 93Figura 26 - ItautecFigura 27 - Informações da HP sobre seu programa de reciclagem de produtos 95Figura 28 - Educação ambiental - perguntas e respostas da Dell 95Figura 29 - Fluxograma dos processos de aquisição, reutilização e destinação dos 99 computadores da UPFigura 30 - Quantidades de computadores novos, reutilizados e removidos no 101 período de 2005-2009 da UPFigura 31 - Médias (%) em relação ao total dos computadores que sofreram 102 alterações no período de 2005-2009 para as alternativas de reuso, remoção e aquisição de novos computadores na UPFigura 32 - Relação entre a taxa de crescimento do número de computadores e a 102 taxa de crescimento do número de alunos no período de 2004 a 2009Figura 33 - Pontuação atribuída às três principais categorias de impactos: danos à 106 saúde humana, qualidade do ecossistema e utilização dos recursos resultantes da comparação entre um computador com a vida útil estendida e um computador que não teve sua vida útil estendida sendo substituídoFigura 34 - Calculadora de impactos ambientais relacionada ao consumo de 111 energia
  9. 9. LISTA DE TABELASTabela 1 - Percentual da composição e índice de reciclabilidade dos materiais 50 presentes em um computadorTabela 2 - Dados toxicológicos das substâncias perigosas na composição de um 52 computador e seus limites permissíveis para a saúde humanaTabela 3 - Pontuação atribuída às principais contribuições de impactos causadas 58 pelas partes de um computadorTabela 4 - Listagem dos resíduos gerados no ano de 2008 na fábrica da Positivo 75 Informática e suas respectivas massasTabela 5 - Resultados obtidos com a coleta de dados durante o inventário para 76 posterior abastecimento do programa SimaProTabela 6 - Composição e massa de uma Placa de Circuito Impresso - PCB 77Tabela 7 - Composição e massa de um Teclado 78Tabela 8 - Composição e massa de um Disco Rígido - HD 78Tabela 9 - Composição e massa de um Monitor CRT 15” 80Tabela 10 - Composição e massa de um Monitor LCD 15” 81Tabela 11 - Comparação entre as médias das massas (g) obtidas com as pesagens 82 na fábrica e as massas (g) apresentadas pela literaturaTabela 12 - Comparação entre as massas (g) de um computador fabricado em 1998 e 83 outro fabricado em 2008 e as diferenças observadasTabela 13 - Algumas características dos laboratórios de informática da UP (dados 96 de 2009)Tabela 14 - Aquisições, reutilizações e remoções de computadores na UP no 100 período de 2005 a 2009Tabela 15 - Simulação das quantidades de resíduos provenientes de computadores 104 removidos e reutilizados no período de 2005 a 2009Tabela 16 - Média das tensões dos computadores com monitor CRT e LCD 107Tabela 17 - Dados para o cálculo do consumo de energia com monitores CRT e 108 LCDTabela 18 - Estimativas do consumo de energia entre PCs com monitor CRT e PCs 109 com monitor LCD e as diferenças de consumo, custos e emissões
  10. 10. LISTA DE QUADROSQuadro 1 - Caracterização das categorias de impacto do método EcoIndicator’99 34Quadro 2 - Breve descrição das etapas do ciclo de vida 37Quadro 3 - Substâncias presentes na composição de um computador e seus 51 possíveis danos à saúde humanaQuadro 4 - Substâncias restritas, valor máximo de concentração por material 53 homogêneoQuadro 5 - Representação resumida da estruturação do trabalho 62Quadro 6 - Alternativas mitigadoras aos impactos nas diferentes etapas da ACV 90Quadro 7 - Possíveis substituições às substâncias RoHS 92Quadro 8 - Alguns destaques e exemplos de ações sócio-ambientais 94Quadro 9 - Estudo técnico dos requisitos recomendáveis de hardware 97
  11. 11. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASABNT – Associação Brasileira de Normas TécnicasABINEE - Associação Brasileira da Indústria de Elétricos e EletrônicosACV – Análise do Ciclo de VidaATSDR – Agência Americana de Registro de Substâncias Tóxicas e de DoençasCETESB - Companhia Ambiental do Estado de São PauloCDI - Comitê para a Democratização da InformáticaCONAMA – Conselho Nacional do Meio AmbienteCPU - Unidade central de processamentoCRT - Tubos de raios catódicosDC - Corrente ContínuaDfE - Projeto para o Meio AmbienteDI – Departamento de InformáticaEPA - Agência de Proteção Ambiental AmericanaFEP – Ficha de Expedição de ProdutoFGV - Fundação Getúlio VargasGANA - Grupo de Apoio à Normalização AmbientalIPC – Normas para Fabricação e Montagem de Placas de Circuito ImpressoISO – Organização Internacional para PadronizaçãoLCD - Tela de Cristal LíquidoLCI - Inventário do Ciclo de VidaMRI – Instituto de Pesquisa de Midwest (EUA)NBR – Normas BrasileirasPC – Computador PessoalPCI – Placa de Circuito ImpressoPNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio AmbienteREEE – Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicosROHS - Restrição do Uso de Substâncias PerigosasSETAC – Sociedade de Química e Toxicologia AmbientalSGA - Sistema de Gestão AmbientalUNCED - Conferência das Nações Unidas de Meio Ambiente e DesenvolvimentoUP – Universidade PositivoWEEE - (Diretiva de) Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos
  12. 12. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO 141.2 OBJETIVOS 171.2.1 Objetivo Geral 171.2.2 Objetivos Específicos 172. REVISÃO DE LITERATURA 182.1 HISTÓRICO DA EVOLUÇÃO DOS COMPUTADORES 182.2 OS COMPUTADORES E AS QUESTÕES AMBIENTAIS 212.2.1 Eco-projeto 212.2.1.1 Estratégias e Práticas do Eco-projeto 222.2.1.2 Os Quatro Níveis do Eco-projeto 242.3 DEFINIÇÃO E METODOLOGIA DA ANÁLISE DO CICLO DE VIDA 252.3.1 Histórico da Análise do Ciclo de Vida – ACV 272.4 A FERRAMENTA SIMAPRO 312.4.1 A Base de Dados Ecoinvent 322.4.2 O método EcoIndicator’99 322.5 A SÉRIE DE NORMAS ISO 14000 342.5.1 A ACV na Família da Norma ISO 14040 362.6 ETAPAS DO CICLO DE VIDA DE COMPUTADORES 372.7 OPÇÕES DE TRATAMENTO AO FINAL DA VIDA ÚTIL DE 38 COMPUTADORES2.7.1 Gerenciamento dos Resíduos de Computadores na Comunidade Internacional 41 e no Brasil2.7.2 Implicações Sociais e Políticas Sobre o Gerenciamento de Resíduos 43 Eletrônicos2.8 LOGÍSTICA REVERSA 442.9 A REUTILIZAÇÃO COMO MEIO DE PROLONGAR A VIDA ÚTIL DOS 45 COMPUTADORES2.10 OS MATERIAIS PRESENTES NA COMPOSIÇÃO DE UM 46 COMPUTADOR E SEUS PERIFÉRICOS
  13. 13. 2.10.1 A Composição de um Computador e seus Possíveis Danos à Saúde Humana 492.11 A DIRETIVA RoHS 532.12 IMPACTOS AMBIENTAIS NO CICLO DE VIDA DE UM COMPUTADOR 542.12.1 Identificação dos Impactos Ambientais nas Etapas do Ciclo de Vida de um 55 Computador3. METODOLOGIA 623.1 ESCOPO E OBJETIVOS DO TRABALHO 643.1.1 Local do Estudo ACV 643.1.2 Local do Estudo de Caso 643.2 ANÁLISE DO INVENTÁRIO: COLETA E TRATAMENTO DOS DADOS 653.2.1 Coleta e Tratamento dos Dados – ACV 653.2.2 Coleta e Tratamento dos Dados – Estudo de Caso 694. RESULTADOS E DISCUSSÃO 724.1 ANÁLISE DO CICLO DE VIDA DOS COMPUTADORES 724.1.1 Dados Utilizados 724.1.2 Composição e Massa dos Componentes de um Computador 764.1.2.1 Pesagens dos Componentes de um Computador para Obtenção da Massa 824.1.3 Avaliação dos Impactos pelo Programa SimaPro 834.1.3.1 Ciclo Completo 834.1.3.2 Desdobramento das Etapas do Ciclo de Vida de um Computador 844.1.4 Avaliação de Melhoria: Análise das Alternativas 904.1.4.1 Alternativas para Substituição de Materiais nos Computadores 914.1.4.2 Alternativas para embalagens e calços 924.1.4.3 Ações Socioambientais das Fabricantes de Computadores 934.2 PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DOS COMPUTADORES DA UP 964.2.1 Dados Utilizados 964.2.2 Dados Relevantes 964.2.3 Detalhamento Sistemático do Programa de Gerenciamento de Computadores 97 da UP4.2.4 Contabilização dos Ganhos 99
  14. 14. 4.2.4.1 Contabilização dos Ganhos Ambientais do Programa 1034.2.4.2 Contabilização dos Ganhos Sociais e Econômicos do Programa 1044.2.5 Validação da Reutilização como Alternativa Indicada 1054.2.6 Sugestões de Melhoria ao Programa de Gerenciamento de Computadores da 107 UP4.2.6.1 Ferramenta de Apoio à Educação Ambiental: Calculadora de Impactos 110 Ambientais5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 112REFERÊNCIAS 115ANEXO I 124ANEXO II 128ANEXO III 130ANEXO IV 132ANEXO V 134ANEXO VI 192
  15. 15. 141 INTRODUÇÃO As evoluções tecnológicas, mais especificamente aquelas relacionadas aos sistemas deinformação e seus recursos, têm gerado grande preocupação ambiental devido, principalmente,aos impactos ocasionados pela significativa produção e a breve vida útil dos equipamentos, queapesar de projetados inicialmente como bens de consumo duráveis, têm se tornado obsoletomuito rapidamente, provocando grande incremento na geração de resíduos (WIDMER et al.,2005). Estimativas de entidades de defesa do meio ambiente e de empresas de consultorialigadas ao setor de informática mostram que, em países desenvolvidos, o tempo médio de vidade um computador é de aproximadamente dois anos, antes da troca por um modelo mais novo.No Brasil, a troca não é tão constante, pois estudos apontam que os computadores são mantidospor até quatro anos nas empresas e por uma média de cinco anos pelos consumidoresdomésticos (COTTA et al., 2008). Mas a tendência é a redução desses prazos, devido ao aumento nas vendas dos produtoseletrônicos, influenciado por uma prática de marketing global baseada na lógica do mercadocaptalista: criar novas necessidades e desejos (COOPER, 2005; KOTLER, 2006). Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Elétricos e Eletrônicos (ABINEE,2009), no terceiro trimestre de 2009 o mercado brasileiro de Computadores Pessoais (PC’s)movimentou dois milhões de unidades, registrando crescimento de 8,5% em comparação aomesmo período do ano anterior e três milhões no quarto trimestre de 2009, apesar da crisefinanceira global. No total foram 11,2 milhões de computadores vendidos no ano de 2009,apresentando uma queda de 6,4% em relação ao fechamento nas vendas de 2008. De acordocom as previsões da ABINEE (2009), em 2011, é possível que 15,8 milhões de unidades sejamcomercializadas. Os desktops devem representar 45% do mercado, ao passo que os notebooksresponderão pelos 55% restante. A chamada obsolescência planejada na indústria da tecnologia da informação ocorre deforma sinérgica entre os setores do hardware e do software, pois novos programas comoaplicativos ou sistemas operacionais requerem configurações mais robustas e avançadas comorequisitos mínimos para o seu funcionamento. Desta forma, a obsolescência do hardware éimpulsionada por upgrades de softwares cada vez mais sofisticados de forma a sucateá-los esubstituí-los por modelos mais novos a fim de garantir as margens de lucro para ambos os
  16. 16. 15setores. Isso acaba por gerar toneladas de resíduos eletrônicos e conseqüentemente, problemasambientais difíceis de serem solucionados (SANDBORN, 2007). Este consumo exagerado que proporciona a rápida substituição e obsolescência dosprodutos, tem contribuído para a aceleração da degradação ambiental, seja através dosurgimento de novos produtos, tornando os atuais rapidamente ultrapassados, ou através danecessidade real de substituição. Em conseqüência deste processo, ocorre a contínua extraçãode matéria-prima para a produção de bens que serão descartados muito antes de terem esgotadoseus recursos de uso. Entretanto, pouca atenção tem sido dada às conseqüências da degradaçãoambiental decorrente dessa lógica e uma possível reversão deste quadro requer uma profundarevisão nos valores que regem a sociedade (RODRIGUES, 2007). As preocupações ambientais também se estendem aos impactos gerados pelos resíduosde eletroeletrônicos que são descartados sem tratamento adequado. Este tipo de resíduo énocivo ao meio ambiente e à saúde humana, pois apresentam metais pesados e outrassubstâncias perigosas na sua composição, que se não tratados de forma adequada, podemcomprometer o solo, as águas superficiais e subterrâneas, além de afetar a flora e a fauna.Porém, não somente o descarte prematuro ocasiona danos ambientais, mas todo o ciclo de vidados equipamentos eletroeletrônicos, pois nos processos envolvidos, desde a extração dematérias primas, produção e uso destes bens, até seu descarte, são consumidos recursos naturaisnão renováveis, água e energia, gerando impactos relacionados às emissões de substânciastóxicas em todas as etapas (WIDMER et al., 2005; TURNER; CALLAGHAN, 2006). Contudo, a mesma publicidade global que por um lado gera novas necessidades edesejos, tem contribuído para fomentar uma nova necessidade: a de produtos sustentáveis. Sersustentável nunca esteve tão em voga, o que influencia a decisão de compra dos novosconsumidores, aqueles preocupados com as questões socioambientais. Desta forma, cria-se umanova consciência coletiva, forçando o mercado a atender essas novas exigências, tornando asustentabilidade um critério competitivo (COOPER, 2005). Diante deste panorama, merecem destaque as ações da iniciativa pública e privada quepossibilitam a diminuição do problema, tendo em vista que a solução completa é improvávelem curto prazo, pois a utilização de equipamentos eletroeletrônicos continuará a sua tendênciade crescimento. As soluções viáveis são a produção mais limpa, o prolongamento da vida útil, autilização de materiais e tecnologias que permitam o reaproveitamento e/ou a reciclagem doscomponentes ao final da vida útil e a orientação ao consumo ambientalmente responsável quemotive a escolha desses produtos. Portanto, torna-se evidente a necessidade de se avaliar não
  17. 17. 16somente uma parte do problema, mas, toda a cadeia: concepção, produção, uso, final da vidaútil. Além disso, vem ganhando força uma visão holística dos impactos ambientaisdecorrentes de todas as fases do processo (ciclo de vida), em conseqüência do desenvolvimentode ferramentas e metodologias voltadas à avaliação e redução destes danos. Uma dasmetodologias utilizadas é a Análise do Ciclo de Vida (ACV), que contempla todo o processo defabricação do produto, desde a retirada da matéria prima até a destinação final após o uso. Estasquestões ambientais são incorporadas às estratégias de negócios das organizações e estudosreferentes ao ciclo de vida dos produtos podem ser utilizados como ferramentas de apoio àcompetitividade e tomadas de decisão (RODRIGUES, 2007). O panorama discutido anteriormente indica que é necessário conhecer e compreender osproblemas ocasionados pelos computadores. A análise do ciclo de vida identifica os impactosambientais decorrentes de todas as etapas, possibilitando apresentar alternativas para minimizá-los. Vale ressaltar que o impacto ambiental avaliado neste trabalho é aquele que traz danos aomeio ambiente e à saúde humana. Desta forma, foi realizada a ACV dos computadores para identificar os problemas eimpactos (adversidades, danos) ambientais relacionados. Os dados necessários foram obtidosde referencial bibliográfico e de visitas à fábrica da Positivo Informática. Como propostaprática para reduzir os impactos causados tanto na extração de materiais não renováveis, quantona geração de resíduos, a reutilização foi considerada a mais efetiva e válida, em consonânciacom a Diretiva Européia (CE, 2004). O programa de gerenciamento dos computadores daUniversidade Positivo, que promove a reutilização dos computadores e permite a extensão desua vida útil, é detalhado e apresentado como estudo de caso. A seguir são apresentados os capítulos de revisão de literatura, a metodologia decondução do estudo, resultados e discussão e conclusões do trabalho. No capítulo 2, que trata da revisão de literatura, é apresentado um quadro da evoluçãodos computadores e as questões ambientais associadas como a rápida obsolescência, aproblemática da geração de resíduos – situação atual no Brasil e na comunidade internacional eas opções de tratamento destes resíduos, a composição química destes equipamentos e ospossíveis efeitos danosos sobre a saúde humana e o meio ambiente. Também são apresentadosos conceitos da Análise do Ciclo de Vida, como definição, utilização, normatização, fases emétodo de valoração, além das normatizações da série ISO 14040, a ferramenta computacionalSimaPro e o método de avaliação de impactos ambientais – EcoIndicator’99, e os possíveisdanos ambientais decorrentes do ciclo de vida de um computador.
  18. 18. 17 No capítulo 3, referente à metodologia aplicada no estudo, são informadas asconsiderações feitas durante a execução do trabalho e o detalhamento de cada etapa realizadapara a obtenção dos resultados que são apresentados no capítulo 4. Neste capítulo sãomostrados os resultados obtidos durante a coleta de dados (inventário), entre os quais aidentificação e quantificação dos aspectos ambientais, a avaliação dos dados através do métodoEcoIndicador’99 e apresentação de alternativas para a minimização dos danos ambientaisoriginados no ciclo de vida de um computador. Também é apresentada e detalhada a alternativaambiental proposta neste trabalho, o prolongamento da vida útil dos computadores como objetodo estudo de caso. Finalmente do capítulo 5 são apresentadas as conclusões do trabalho esugestões de estudos futuros.1.2 OBJETIVOS1.2.1 Objetivo Geral Utilizar a metodologia de Análise do Ciclo de Vida (ACV) para avaliar os impactosambientais relacionados aos computadores, e apresentar o programa de gerenciamento doscomputadores da Universidade Positivo (UP) como uma alternativa para minimizá-los.1.2.2 Objetivos Específicos Realizar a análise do ciclo de vida dos computadores, considerando todas as etapas; Identificar as etapas de maior impacto e apresentar alternativas para a minimizaçãodestes impactos; Apresentar as soluções ambientais dos principais fabricantes de computadores; Sistematizar o programa de gerenciamento dos computadores da UP; Quantificar os ganhos econômicos, sociais e ambientais decorrentes deste programa.
  19. 19. 182 REVISÃO DE LITERATURA2.1 HISTÓRICO DA EVOLUÇÃO DOS COMPUTADORES Assim como em outras áreas, os computadores começaram como aparelhosrudimentares, que eram capazes de desempenhar apenas tarefas muito simples. A capacidade dearmazenamento e velocidade veio muito mais tarde. Conhecer a evolução dos computadorespermite um melhor entendimento sobre as mudanças que ocorreram no decorrer dos 64 anos dehistória da computação. Segundo dados do Museu da História dos Computadores - Computer History Museum(2010), no início os computadores eram mecânicos e realizavam cálculos através de um sistemade engrenagens, acionado por manivelas. Esse tipo de sistema, comum na forma de caixasregistradoras, predominou até o início da década de 70, quando as calculadoras portáteis sepopularizaram. A evolução dos computadores foi dividida em cinco etapas, chamadas gerações. Umexemplo típico da primeira geração marcada pelo uso de válvulas foi o Eniac, construído em1946, o qual pesava cerca de 30 toneladas e possuía 18 mil válvulas, as quais deveriam sersubstituídas anualmente, pois apesar de seus inúmeros ventiladores, a temperatura ambientechegava aos 67 ºC (CERQUEIRA, 2004; COMPUTER, 2010). A segunda geração de computadores ocorreu com a substituição das válvulas portransistores, os quais dominaram o mercado entre os anos de 1950 e início de 1960. Umexemplo desta geração foi o Univac, construído em 1952, e o primeiro equipamento vendidoem massa: 46 unidades, custando cerca de a U$ 1.000.000,00 cada. Outro modelo desta geraçãofoi o IBM 650, o qual pesava 900 kg, com uma fonte de alimentação que pesava cerca de 1350kg a um custo de US$ 500.000 (CERQUEIRA, 2004). A terceira geração teve início após 1958, com a introdução dos circuitos integrados, osquais utilizavam silício, o que permitiu a miniaturização de componentes eletrônicos, reduzindoo peso, tamanho e o preço dos computadores, além de melhorar o desempenho e confiabilidade.Um exemplo desta geração foi o Apple II lançado em 1977, apresentando uma arquiteturaradical para os modelos anteriores, pois apresentava gráficos coloridos, placa de som, teclado emouse (COMPUTER, 2010). Em 1968, surgiu a primeira versão do mouse que se conhece hoje, feito de madeira.Todavia, somente em 1982 foi possível utilizá-lo domesticamente, quando a empresa Applelançou o famoso sistema de "apontar e clicar” (CERQUEIRA, 2004; COMPUTER, 2010).
  20. 20. 19 Na década de 80, teve início a quarta geração de computadores, marcada pelolançamento dos primeiros microprocessadores fabricados pela Intel, dando início à era doschips. Em 1981 a empresa IBM lançou o primeiro microcomputador, o IBM PC – 5150 quepesava cerca de 12 kg, acompanhado de monitor CRT de fósforo verde. Devido a este modelo,a expressão “computador pessoal” passou a ser incorporado a todos os outros computadorescriados na seqüência. No Brasil, um modelo desta geração bastante conhecido, foi o TK – 85.Comercializado em 1983, tratava-se de um modelo simples que pesava 500 gramas somentecom um teclado embutido e sem monitor (COMPUTER, 2010). A quinta geração teve início nos anos 90, marcado pela comercialização dos modelosPentium, cujo nome tem raiz grega "pent", que significa "cinco". Os primeiros modelos destageração foram comercializados em 1993, pesando 25 kg, incluindo o monitor modelo CRT.Outros modelos surgiram para competir com os produtos Intel, como o AMD K6 II em 1998,que, porém, utilizavam praticamente os mesmos recursos. Praticamente uma década depois, os modelos lançados em 2008, apresentavammudanças significativas em relação aos seus antecessores, como melhor desempenho, menorcusto e peso. Devido à utilização de monitores LCD tornaram-se mais leves, utilizando cadavez menos materiais para sua fabricação (CERQUEIRA, 2004; COMPUTER, 2010). A Fig. 1ilustra esta evolução.
  21. 21. 20Figura 1 - A evolução dos computadores (Adaptado de CERQUEIRA, 2004; COMPUTER, 2010).
  22. 22. 212.2 OS COMPUTADORES E AS QUESTÕES AMBIENTAIS Cooper (2005) afirma que o desenvolvimento tecnológico inseriu na sociedade, além denovos padrões de conforto e comportamento, novos e graves problemas ambientais. O setor datecnologia da informação destaca-se pela crescente inserção dos seus produtos na sociedade,além da velocidade de obsolescência e conseqüente descarte, gerando os resíduos deequipamentos eletrônicos (REE). Os problemas ambientais associados aos computadores são duplamente evidenciados:consumo de energia e utilização de materiais altamente tóxicos, o que torna a sua produção,utilização e descarte ambientalmente impactantes (LEE et al., 2004). Infelizmente, a disposiçãoem aterros é apenas o primeiro passo de uma seqüência perigosa de eventos envolvendo adecomposição e lixiviação dos materiais que compõe estes equipamentos. Exemplos incluemchumbo, fósforo, cromo entre outros (BRENNAN et al., 2002; SILVA et al., 2002). Estudos têm sido conduzidos envolvendo os problemas ambientais relacionados com osresíduos eletrônicos e as alternativas existentes para minimizá-los (WILLIAMS; KUEHR,2003; AHLUWALIA; NEMA, 2007). Entre algumas alternativas, tem se pesquisado ocomportamento de consumidores e empresas que ainda não priorizam a extensão da vida útildos computadores, resistindo à reutilização e reaproveitamento de produtos de segunda mão(HICKEY; FITZPATRICK, 2008). Além dessas alternativas, tem sido apontado o desenvolvimento de produtos desde a suaconcepção com menor consumo de energia, facilidade de reciclagem de materiais, reutilizaçãode componentes de equipamentos obsoletos, substituição de materiais tóxicos por outros menosnocivos (HERSH, 1998; LEE et al., 2004) e a garantia de que a saúde humana e ambiental nãosejam comprometidas durante os tratamentos do final de vida, através da política e da educaçãopública (NAGEL; MEYER, 1999). Todas estas ações fazem parte de projetos “verdes” onde,em sua maioria, são abordadas por intermédio da sistemática da Análise do Ciclo de Vida.2.2.1 Eco-projeto Projeto para o Meio Ambiente (Design for Environmental - DfE) é o termo utilizadopara designar o desenvolvimento de produtos sustentáveis desde a sua concepção até a suadisposição final. Alguns dos termos utilizados para o Projeto para o Ambiente são ProjetoVerde (Green Design), Projeto Sustentável (Sustainable Design), Projeto do Ciclo de Vida
  23. 23. 22(Life Cycle Design), Engenharia do Ciclo de Vida (Life Cycle Engineering) e também ProjetoLimpo (Clean Design). Embora os termos possam ser diversificados, os significados destestermos usualmente se referem às atividades que têm os mesmos objetivos: a redução oueliminação dos impactos ambientais em todo o ciclo de vida através de melhorias na concepçãode produtos. Neste trabalho adota-se o termo Eco-projeto, por ser mais utilizado na produçãocientífica nacional. Segundo Handfield et al. (1997), devido às exigências do mercado, legislações esociedade, nos últimos anos as empresas começaram a se preocupar com as questõesambientais não somente do processo produtivo, mas com todo o ciclo de vida dos produtos,contemplando os aspectos ambientais em todos os estágios de desenvolvimento de um produtotornando-os eco eficientes através do Eco-projeto, onde os benefícios ambientais oueconômicos devem ser considerados e valorizados. É nas fases de concepção e desenvolvimento que se definem, em média, entre 80 e 90%dos custos ambientais e econômicos do ciclo de vida dos produtos, e conseqüentemente, dosimpactos ambientais (DESIGN COUNCIL, 1997). Não existe um método único para se implementar o Eco-projeto, mas há uma normaISO (Organização Internacional para Normalização) que trata da integração deste conceito noprocesso de desenvolvimento de produtos (ISO 14062, 2002). Como fatores que influenciam aimplementação do Eco-projeto, Boks (2006) citou: i) Pressão externa de requisitos legais; ii) Influências econômicas internas; iii) Percepção e valorização do consumidor; iv) Disponibilidade de novas tecnologias.2.2.1.1 Estratégias e Práticas do Eco-projeto Segundo Manzini; Vezzoli (2005) são cinco as estratégias do Eco-projeto, relacionadasàs etapas do ciclo de vida do produto conforme mostra a Fig. 2:
  24. 24. 23Figura 2 - Estratégias do Eco-projeto (Adaptado de MANZINI; VEZZOLI, 2005). As estratégias do Eco-projeto podem ser expressas como (MANZINI; VEZZOLI,2005): a) Escolha de recursos e processos de baixo impacto ambiental; b) Minimização de recursos: redução do uso de materiais e de energia; c) Otimização da vida útil: concepção de produtos que permitam o prolongamento da vida útil e que sejam facilmente reparáveis; d) Extensão da vida útil dos materiais: concepção do produto visando a valorização dos materiais descartados, através da reinserção na cadeia produtiva; e) Facilidade na desmontagem: concepção do produto visando a facilidade de desmontagem e a separação de peças e materiais. Segundo Schischke et al. (2005), tais estratégias podem promover algumas vantagenscompetitivas para as empresas que as adotam, além daquelas relacionadas com a redução doscustos promovida pela minimização no consumo de materiais e energia e na geração deresíduos, como uma imagem positiva que diferencia a empresa no mercado perante aconcorrência e a opinião pública. Além disso, promovem uma reação em cadeia, uma vez queestas empresas acabam influenciando todos os seus contatos, promovendo melhorias junto aosseus fornecedores, exigindo destes a aplicação dos princípios de gestão ambiental ecertificações ambientais de seus produtos.
  25. 25. 24 Porém, o mais importante a ser destacado é que o Eco-projeto desempenha papelprimordial nas novas políticas ambientais, cujos instrumentos têm como objetivo principalpromover alterações no projeto dos produtos como forma de prevenir e reduzir ao máximo osimpactos ambientais em todas as etapas do ciclo de vida dos produtos (SCHISCHKE et al.,2005).2.2.1.2 Os Quatro Níveis do Eco-projeto O modelo “Quatro Níveis” (Four Steps) mostra como os melhoramentos ambientaispodem ser realizados em quatro etapas, em que cada uma se caracteriza por maiores epotenciais benefícios ambientais e um maior grau de inovação exigido para o processo dedesign, conforme mostra a Fig. 3 (CHARTER; CHICK, 1997). É importante ressaltar que as escalas de tempo apresentadas na ilustração podem serdiferenciadas para cada setor industrial, pois alguns setores são considerados maisconservadores onde as mudanças ocorrem mais lentamente, enquanto que outros como os datecnologia da informação, as mudanças têm se apresentando num espaço de tempo cada vezmais curto e num ritmo acelerado.Figura 3 – Quatro níveis do Eco-projeto (CHARTER; CHICK,1997). Sobre os quatro níveis Charter; Chick (1997) descrevem: Nível 1 (Melhoria do produto): melhoria de produtos existentes, levando-se em consideração as questões relacionadas aos atuais métodos de minimização de impactos e cuidados ambientais;
  26. 26. 25 Nível 2 (Re-desenho do produto): otimização da qualidade dos produtos já existentes. Não está relacionada às alterações dos conceitos propriamente ditos; porém, à substituição de determinados componentes. A reutilização de componentes, de matérias-primas e a minimização do consumo de energia nas diversas fases do ciclo de vida caracterizam esta fase; Nível 3 (Inovação funcional ou introdução de funções alternativas): este tipo de alteração não se limita a produtos existentes, mas se caracteriza pelo modo como as funções são executadas; Nível 4 (Inovação em sistemas sustentáveis): o surgimento de novos produtos e serviços exige a introdução de alterações na infra-estrutura das organizações. Substituição dos produtos por outros com maior eficiência ambiental, exigindo menor consumo de energia e de materiais.2.3 DEFINIÇÃO E METODOLOGIA DA ANÁLISE DO CICLO DE VIDA Diante da necessidade de preservar os recursos naturais ou garantir a sua reposiçãoatravés de práticas sustentáveis, como o desenvolvimento de novas tecnologias ou substitutosmais eficientes para materiais esgotáveis, é necessário o desenvolvimento de ferramentas e oumetodologias que possibilitem implementar estas práticas (MOURA, 2000). Dentre as metodologias consideradas mais apropriadas está a Análise do Ciclo de Vida(ACV), internacionalmente designada por Life Cycle Assessment (LCA), que considera todas asetapas do ciclo de vida de um produto ou processo, desde a extração e processamento dematérias-primas, fabricação, embalagem, transporte, distribuição, utilização, reuso oureciclagem, até sua disposição final (MANZINI; VEZZOLI, 2005), como pode ser observadona Fig. 4 que ilustra o ciclo de um produto genérico. Também deve ser considerado que emtodas as etapas ocorre o consumo de energia.Figura 4 - Etapas do ciclo de vida dos produtos (Adaptado de MANZINI; VEZZOLI, 2005).
  27. 27. 26 Para efeito deste trabalho será adotada a definição segundo a Norma ISO 14040 (2006): A Análise de Ciclo de Vida é uma técnica para determinar os aspectos ambientais e impactos potenciais associados a um produto: juntando um inventário de todas as entradas e saídas relevantes do sistema, avaliando os impactos ambientais potenciais associados a essas entradas e saídas, e interpretando os resultados das fases de inventário e impacto em relação com os objetivos de estudo. A análise do ciclo de vida torna-se importante para as organizações, quando se tornaparte das estratégias de negócios impulsionada pelas legislações, pela exigência dosconsumidores cada vez mais conscientes das questões ambientais, ou pura e simplesmente porpressões competitivas do mercado (ANDRADE, 2006). A ACV permite, ainda, a identificação de oportunidades de melhorias ambientais empontos mais específicos de um processo de produção. Melhorias como na redução da geraçãode resíduos, no consumo de água e principalmente energia, bem como a reutilização ereciclagem dos produtos (SETAC, 1993). Outra vantagem é que a ACV também pode ser utilizada como uma ferramentafacilitadora na tomada de decisões, interagindo com o planejamento estratégico, definindoprioridades no projeto e ou no re-projeto de produtos ou processos (ISO, 2006); além disso,permite uma possível antecipação às legislações futuras, além de atuar como ferramenta demelhoria contínua nos sistemas de gestão ambiental da família ISO 14000 (CHEHEBE, 1998). O processo de ACV é bastante complexo, mas alguns modelos podem ser utilizadosjuntamente com outras ferramentas como auditorias e instrumentos de quantificação deimpactos ambientais. São características exclusivas à ACV a avaliação de todo o ciclo de vida ea comparação entre produtos (SETAC, 1993). Manzini; Vezzoli (2005) apontam algumas das possíveis aplicações da metodologiaACV: Planejar estratégias ambientais no desenvolvimento de produto ou processo; Projetar sustentavelmente um produto e ou processo; Dar apoio à tomadas de decisão; Comparar produtos; Desenvolver auditorias ambientais e minimizar a geração de resíduos e emissões; Contribuir no desenvolvimento de estratégias de marketing; Contribuir na definição de critérios para rotulagem ambiental; Contribuir na elaboração de políticas públicas.
  28. 28. 27 Também existem alguns autores que fazem críticas, como Cooper (2005) que ressaltaque a complexidade da ACV pode gerar dificuldades no entendimento e aplicação dametodologia e conseqüentemente na coleta dos dados.2.3.1 Histórico da Análise do Ciclo de Vida – ACV A Análise do Ciclo de Vida surgiu na década de 60, motivada pelas recentespreocupações sobre a possível falta de recursos naturais e energia, incentivando a elaboração deprojetos para quantificar e reduzir o uso destes recursos e os impactos ao meio ambiente(SETAC, 1993). A Sociedade de Química e Toxicologia Ambiental (SETAC) foi a primeiraentidade a se preocupar com as questões ambientais de forma sistematizada, definindo a ACVcomo uma abordagem holística para avaliar os impactos ambientais de um produto do berço aotúmulo (SETAC, 1993). O desenvolvimento do primeiro método de cálculo de impacto ambiental que se temnotícia foi realizado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa de Midwest (MRI) nos EstadosUnidos em 1965, a serviço da Coca-Cola, quando foram confrontados com um desafio:comparar diferentes tipos de embalagens de refrigerante para a determinação de qual delasapresentava índices mais adequados de emissão para o meio ambiente e menor consumo derecursos (ANDRADE, 2006). Este estudo, conhecido como Análise do Perfil dos Recursos Ambientais, quantificou ouso de matérias primas e combustíveis, relacionando as cargas ambientais geradas na produçãopara cada uma das alternativas. Era a origem da ACV com enfoque em estudos de impactoambiental, que a partir deste ponto inicial se desenvolveu em escala mundial a partir dos anos90, tanto em termos de metodologia como em suas aplicações (ANDRADE, 2006). A análise do ciclo de vida foi desenvolvida de forma a evidenciar as crescentesnecessidades das empresas que procuravam agregar aspectos ambientais no desenvolvimentode produtos e também em programas de melhoria contínua procurando atender as exigênciasdos consumidores, da sociedade como um todo e da legislação (RODRIGUES, 2007). Segundo SETAC (1993), a metodologia da ACV é composta de quatro fases,contemplando a definição do objetivo e escopo, a análise do inventário e avaliação de impacto,e posterior interpretação. Tais fases podem ser observadas na Fig. 5.
  29. 29. 28Figura 5 – Estrutura da avaliação do ciclo de vida (Adaptado de ISO, 2006). Definição do Escopo e Objetivos: Na fase de definição de objetivos é estabelecida arazão principal para a condução do estudo, sua abrangência e o público-alvo a que os resultadosse destinam. Já na definição do escopo, são fixadas as limitações e os critérios a seremutilizados. Em linhas gerais, a série de normas ISO 14040 (ISO, 2006) estabelece que oconteúdo mínimo do escopo de um estudo de ACV deve referir-se a três dimensões: início efim do estudo (a extensão da ACV), quantos e quais subsistemas incluir e o nível de detalhes doestudo, ou seja, a profundidade da ACV (SEO; KULAY, 2006). Análise de Inventário: Também chamada de Inventário do Ciclo de Vida, é nesta faseque é realizada a coleta dos dados, ou seja, o processo de quantificação das entradas e saídas detodas as etapas do ciclo de vida do produto, o que inclui a utilização de matérias primas eenergia e suas saídas provenientes dos processos produtivos, como a geração de resíduos e/oumateriais, como pode ser observado na Fig. 6. De acordo com Ferreira (2004), é a fase maistrabalhosa da ACV e dela depende a confiabilidade dos resultados obtidos nas outras fases.
  30. 30. 29Figura 6 - Inventário do ciclo de vida (CURRAN, 1996). Avaliação de Impactos: A Avaliação do Impacto do Ciclo de Vida (AICV) é uma faseque busca identificar, caracterizar e avaliar, quantitativa e qualitativamente, os impactosambientais. Nesta fase faz-se uma avaliação da magnitude e significância dos impactosambientais, baseada nos resultados obtidos na análise do inventário. Neste caso, algumasavaliações podem ser realizadas apenas pelos resultados obtidos na fase do inventário. Porém, aavaliação de impactos deve ser realizada quando forem detectados quaisquer problemasambientais. Dados do inventário podem ser transformados em categorias de impactos sobre asaúde humana, a qualidade do meio ambiente e a utilização de recursos. Também permite queos resultados obtidos nesta fase sejam classificados e caracterizados. Alguns exemplos de problemas ambientais a serem avaliados quanto aos seus impactos(CHEHEBE, 1997): • Exaustão de recursos não renováveis; • Aquecimento global; • Redução da camada de ozônio; • Toxicidade para a população; • Ecotoxicidade; • Acidificação; • Oxidantes fotoquímicos. De acordo com a norma NBR ISO 14.042 (ABNT, 2004) a AICV é composta deelementos obrigatórios e opcionais, da seguinte forma: Seleção de Categorias de Impacto: Segundo Chehebe (1997), consiste na escolha edefinição de categorias de impacto. Uma categoria de impacto representa um problema
  31. 31. 30ambiental específico. As categorias de impacto mais comumente utilizadas são aquecimentoglobal, redução da camada de ozônio, acidificação, utilização de recursos naturais e uso dosolo. Classificação dos Resultados Inventariados: Na etapa de classificação, todas assubstâncias são organizadas e separadas em categorias de impacto, conforme o efeito queprovocam sobre o ambiente. O resultado é o perfil ambiental do sistema segundo suacontribuição para esgotamento dos recursos, aquecimento global, danos à camada de ozônio,acidificação, toxicidade, eutrofização, entre outras (PRE CONSULTANTS, 2006; ISO, 2006). Caracterização dos impactos: Diferentemente da classificação, este é um processoquantitativo, pois é através da caracterização que são realizados os cálculos dos resultados dosindicadores para cada categoria de impacto e/ou dano para indicar a intensidade de seus efeitos.Numa possível comparação, quando todos os efeitos de um produto são maiores que os deoutro, é fácil notar qual deles é o mais agressivo ao ambiente. No entanto, é muito mais comumque um produto apresente pontuação maior em determinadas classes e menor em outras. Nessecaso, a interpretação dos dados é função de dois fatores (CURRAN, 1996; CHEHEBE, 1997): • Normalização: Tem como objetivo permitir a comparação dos resultados das diferentes categorias de impacto, através da divisão por um valor de referência (CURRAN, 1996). Tolle (1997), explica que diferentemente da caracterização, que apenas permite comparar os efeitos individualmente, a normalização possibilita obter uma noção do quadro geral do impacto causado por todo o sistema; ou seja, visualizar o todo e não uma parte do problema, devido à possibilidade de confrontar cada efeito calculado com o valor total conhecido para aquela determinada classe de impacto. • Ponderação ou Valoração: Classificada como qualitativa ou semi-quantitativa, consiste em organizar as categorias de impacto e/ou danos em grupos semelhantes, convertendo os resultados dos indicadores de cada uma das categorias a uma escala comum, através de fatores numéricos (ISO, 2006). Apesar de a normalização facilitar a visualização dos resultados, ainda não permite que se obtenha um resultado final, pois, até então, os diferentes efeitos ambientais são considerados como de igual importância. Cabe à ponderação atribuir valores à pontuação dita normalizada, permitindo representar a importância e a gravidade relativa de cada efeito, chegando-se a um resultado final, um indicador (CURRAN, 1996; ISO, 2006).
  32. 32. 31 Interpretação: Esta etapa tem o objetivo de avaliar e interpretar os dados obtidos como intuito de sugerir mudanças e buscar melhorias para diminuir os danos ao meio ambiente emtodo o processo da ACV, compreendendo (CURRAN, 1996; CHEHEBE, 1997): 1º) Identificação das questões ambientais mais significativas baseadas nos resultados da análise do inventário; 2º) Avaliação, que pode incluir a verificação da integridade, sensibilidade e consistência; 3º) Conclusão, incluindo recomendações e relatório sobre as questões ambientais significativas.2.4 A FERRAMENTA SIMAPRO O SimaPro é uma ferramenta computacional metodológica desenvolvida pela PRe-Consultants, que auxilia na coleta de dados e interpretação dos resultados, buscando soluçõespara problemas ambientais globais no ciclo de vida de um produto (GOEDKOOP;SPRIENSMA, 2001). O programa apresenta algumas características gerais como: proteção de dados,flexibilidade, análise do impacto, comparação dos resultados e apresentação gráfica dosresultados. Além disso, o SimaPro possui uma base de dados de materiais e processosacoplados com ferramentas de cálculo dos impactos, chamada de inventário (SCHISCHKE etal., 2005). Neste programa, o ciclo de vida pode ser entendido e representado como uma árvore deprocessos em que cada caixa representa um processo, com fluxos de entrada e saída ambientaisdefinidos. A partir da montagem da árvore de processos e de informações sobre cada processo épossível construir o inventário de todos os fluxos ambientais de entradas e saídas associados aociclo do produto em questão (PRE CONSULTANTS, 2006). A Fig. 7 é um exemplo da hierarquia das caixas de processos, com os fluxos de entradase saídas definidos gerados pelo programa SimaPro.
  33. 33. 32 Figura 7 - Representação gráfica da árvore de processos fornecido pelo programa SimaPro (PRE CONSULTANTS, 2006). 2.4.1 A Base de Dados Ecoinvent Segundo Goedkoop; Spriensma (2001), o SimaPro dispõe de uma vasta base de dados, aEcoinvent, a qual disponibiliza informações sobre 2500 processos inventariados válidos para ascondições suíças e européias, tais como sistema de energia, metais, embalagens, tecnologia deinformação e comunicação, eletrônica, engenharia mecânica, materiais de construção, produtosquímicos, insumos agrícolas, sistema de transporte, tratamento e disposição de resíduos. Além disso, este conjunto de inventários caracteriza-se pela sua qualidade,uniformidade e consistência, possibilitando a harmonização e a atualização dos inventários deciclo de vida para serem utilizados nos estudos de ACV, sendo integrado às principaisferramentas computacionais específicas para análise do ciclo de vida, como o SimaPro(FRISCHKNECHT et al., 2007). 2.4.2 O método EcoIndicator’99 Métodos para a avaliação de impactos têm sido desenvolvidos com o objetivo de facilitar a interpretação dos dados, os quais são usualmente disponibilizados por vários programas de apoio à análise do ciclo de vida como o SimaPro, cabendo citar alguns exemplos como o Eco-indicator 99 – utilizado neste estudo e disponibilizado no SimaPro, o CML method 92, o Ecopoints 97 e o EPS 2000 dentre outros (LUO et al., 2000; SILVA, 2005). Segundo Silva (2005), no método Eco-indicator 99 a pontuação fornecida baseia-se na metodologia de avaliação de impactos, onde os dados da planilha de inventário são transformados em pontuações de danos. Num vocabulário mais simplista, o método EcoIndicator’99, atribui uma pontuação a cada impacto, permitindo uma comparação entre eles: quanto maior a pontuação, maior o
  34. 34. 33impacto, além de oferecer uma perspectiva sobre as maneiras de procurar superá-los. Noentanto, o exercício não é simples: baseando-se em pesquisas científicas, para cada impacto éatribuído um peso específico e possui uma abordagem orientada para os danos referentes àscondições européias. Neste método, os impactos são organizados em três categorias de danos (GOEDKOOP;SPRIENSMA, 2001): Danos à Saúde Humana: Nesta categoria estão incluidos o número e a duraçãodos efeitos, fatalidades e incapacitações advindas de causas ambientais aos seres humanos. Oindicador, ou seja, os danos para a saúde humana são expresso em DALY, ou seja, Anos deVida Ajustados (Disability Adjusted Life Years), que é uma unidade usada pela OrganizaçãoMundial de Saúde (OMS) e pelo Banco Mundial. Danos à Qualidade do Ecossistema: os danos sobre a qualidade dosecossistemas incluem os efeitos sobre a completa e irreversível extinção de espécies, bem comoo reversível ou irreversível desaparecimento de espécies de uma determinada região durante umperíodo de tempo. Esta definição não é tão homogênea como a da Saúde Humana, envolvendoaspectos como a ecotoxicidade, acidificação, eutrofização e o uso e transformação do solo. Oindicador é expresso em PDF, ou seja, Fração dos Potencialmente Desaparecidos, se referindoàs espécies de plantas. Danos aos Recursos: Os danos sobre os recursos são quantificados em relação àenergia necessária para atuais e futuras extrações de recursos minerais e combustíveis fósseis.O uso de recursos bióticos e minerais como argila, areia, entre outros, estão inclusos nestacategoria. O indicador é expresso em MJ, ou seja, exigência de energia adicional paracompensar a menor quantidade de minério no futuro. A estrutura do Eco-indicator 99 baseia-se no conceito de eco indicadores, que envolve acaracterização dos efeitos ambientais, a avaliação dos danos ambientais sobre a saúde humana,a qualidade dos ecossistemas e a degradação dos recursos naturais. Em linhas gerais, o cálculodos efeitos ambientais passa por três estágios: classificação e caracterização; normalização, evaloração (GOEDKOOP; SPRIENSMA, 2001). O Eco-indicador é expresso em pontos (Pts). Para materiais esta unidade funcional é oquilograma. Por fim, interessa conhecer as categorias ambientais do método EcoIndicator’99,sintetizadas no Quadro 1 (CAMPBELL, 1998).
  35. 35. 34 Categoria Descrição ambiental O desenvolvimento de doenças cancerígenas é favorecido por diversas intervenções ambientais, como a radioatividade, a radiação ultravioleta,Carcinogênicos emissões e certos compostos químicos. Esta categoria indica a probabilidade que um individuo, exposto a 1 μg/m³ de uma determinada substância (por exemplo, arsênio), tem de desenvolver câncer.Efeitos Respiratórios Estudos epidemiológicos demonstram que diversas substâncias orgânicas,Orgânicos e inorgânicas e material particulado estão relacionados a efeitos danosos aoInorgânicos sistema respiratório em humanos. São os danos à saúde humana relacionados às emissões rotineiras deRadiação substâncias radioativas ao meio ambiente. Avalia a diminuição do ozônio na estratosfera, o que provoca uma menorCamada de Ozônio absorção da radiação ultravioleta, aumentando a sua incidência na superfície e provocando o aumento de doenças humanas e desequilíbrios no ecossistema. Expressa os danos causados em espécies expostas à concentração de substâncias tóxicas. Os efeitos são calculados com base em dados deEcotoxicidade toxicidade para organismos terrestres e aquáticos como microorganismos, plantas, algas, anfíbios, moluscos, crustáceos, peixes e plantas.O uso, ocupação e Visa calcular os efeitos locais da ocupação e conversão do solo de uma áreatransformação do natural em um complexo industrial, agrícola ou populacional e a influênciasolo dos danos sobre o decréscimo de espécies. A adição de nutrientes à água ou ao solo aumenta a produção de biomassa. Na água, isso conduz a uma redução na concentração de oxigênio dissolvido, oEutrofização que afeta diversos organismos. Tanto no solo como na água, pode conduzir a alterações indesejáveis no número de espécies no ecossistema. A deposição ácida, resultante da emissão de óxidos de nitrogênio e enxofreAcidificação para a atmosfera, solo ou para a água pode conduzir a mudanças na acidez da água e do solo, com efeitos tanto sobre a fauna quanto sobre a flora. Avalia o aumento da temperatura global devido à emissão de gases de efeitoAlterações de estufa para a atmosfera. Esta categoria está relacionada a anos de vidaClimáticas perdidos, destruição de recifes de corais, mudanças no ecossistema, etc.Combustíveis A categoria leva em consideração a descoberta de petróleo e a sua extração.Fósseis A categoria é expressa na massa total de minério utilizada dividida pela massaMinerais total de minério disponível. Seus efeitos estão relacionados à disponibilidade de recursos.Quadro 1 - Caracterização das categorias de impacto do método EcoIndicator’99 (CAMPBELL, 1998).2.5 A SÉRIE DE NORMAS ISO 14000 A Organização Internacional para Normalização – International Organization forStandardization (ISO) é uma organização não-governamental sem fins lucrativos com oobjetivo de oferecer soluções que venham ao encontro das necessidades das empresas e dasociedade, tornando os processos mais eficientes, seguros e limpos. Com sede em Genebra, naSuíça, a ISO foi estabelecida com a missão de promover o desenvolvimento da normalização
  36. 36. 35de atividades correlatas em todos os países do mundo. Os trabalhos da ISO resultam emacordos internacionais que são publicados como normas internacionais (ISO, 2006). A abreviação ISO não surgiu por ser a abreviatura do nome da organização e sim por sera derivação do vocábulo grego “ISOS” que significa igual. As séries ISO 9000 e ISO 14000estão entre as mais conhecidas normas internacionais passíveis de certificação: a primeira, emqualidade, e a segunda, em meio ambiente. Além de facilitar o intercâmbio internacional debens e de serviços, promovem a cooperação nas esferas intelectual, científica, tecnológica eeconômica (ISO, 2006). O Brasil é membro fundador da ISO, e nela se faz representar pela AssociaçãoBrasileira de Normas Técnicas (ABNT), a qual promove a elaboração de normas técnicas emdiversos campos de atividade (ABNT, 2001). Durante a Conferência das Nações Unidas de Meio Ambiente e Desenvolvimento(UNCED-Rio92), popularmente chamada de ECO’92, realizada no Brasil, na cidade do Rio deJaneiro, em junho de 1992, as discussões acerca do desenvolvimento sustentávelimpulsionaram decisivamente a proposta da criação junto à ISO de um grupo especial paraestudar a elaboração de normas de gestão ambiental (ABNT, 2001). Em 1993, a ISO estabeleceu um comitê técnico para desenvolver a série de normasinternacionais de gestão ambiental, o qual dividiu o trabalho a ser desenvolvido em sete grupos,sendo um destinado especificamente à análise de ciclo de vida e coordenado pela França. Estesgrupos de trabalho procuravam identificar normas para a formação de sistemas degerenciamento ambiental de forma a permitir que as organizações pudessem identificar osproblemas nos sistemas produtivos que não comprometessem o desempenho ambiental (ABNT,2001). Segundo Andrade (2006), a ISO 14000 pode ser decomposta em dois grupos deconjuntos de normas: um para a organização e outro para o produto (Fig.8). Sobre isso, Lora(2002) afirma que a necessidade do grupo de normas voltadas para o produto se deve pelaprecariedade da avaliação que se realiza nas empresas, pois os produtos podem ter impactosambientais negativos nas diferentes fases do seu ciclo de vida.
  37. 37. 36Figura 8 - Os dois grupos da ISO 14000: produtos e sistemas de gestão ambiental (VALLE, 2004).2.5.1 A ACV na Família da Norma ISO 14040 As normatizações da série ISO 14000 estabelecem as diretrizes da gestão ambientalcorporativa. Em se tratando de Análise do Ciclo de Vida, as normas referentes ao assunto são a14040, 14041, 14042 e 14043, cujas idéias principais são brevemente descritas (ISO, 2006): 14040 - Princípios e Práticas Gerais: Publicada em 1997, estabelece que a ACV deve incluir a definição do objetivo e o escopo do trabalho, inclusive suas abrangências e limitações, a análise do inventário, a análise de impacto mencionando o método a ser utilizado para o cálculo do impacto ambiental do produto, e finalmente a interpretação dos resultados. 14041 - Análise do Inventário do Ciclo de Vida do Produto: Publicada em 1998, trata da fase de coleta e quantificação de todas as variáveis, ou seja, entradas e saídas envolvidas no estudo a ser realizado. 14042 - Avaliação de Impactos: Publicada em 2000, trata da fase onde são avaliados os dados coletados na fase anterior, quanto ao seu impacto no meio ambiente, na saúde humana, e na utilização de recursos.
  38. 38. 37 14043 – Interpretação ou Avaliação de Melhorias: Publicada em 2000, define um procedimento sistemático para identificar, qualificar, conferir e avaliar as informações dos resultados do inventário do ciclo de vida, facilitando a sua interpretação. Ou seja, tem como objetivo principal reduzir os impactos ambientais através da identificação de diferentes opções para uma melhora ambiental do processo ou produto.2.6 ETAPAS DO CICLO DE VIDA DE COMPUTADORES Conforme apresentado anteriormente, a ACV é considerada uma metodologia bastantecomplexa, onde as bem definidas limitações do estudo são de grande importância para osucesso do mesmo. Com a finalidade de auxiliar na determinação destes limites, o Quadro 2apresenta uma breve descrição das etapas do ciclo de vida de um computador. A maioria dos estudos de ACV considera a extração de materiais inclusa na fase de manufatura de produtos. Alguns estudos já realizados para análise do ciclo de vida de outros produtos mostram que a etapa de manufatura, seja deManufatura materiais ou do próprio produto, é bastante expressiva no que diz respeito ao consumo de energia, água, geração de resíduos sólidos e emissões atmosféricas (FAVA et al., 1993; CURRAN, 1996; DUAN et al., 2009). A etapa de distribuição (transporte) torna-se o conector entre todas as etapasDistribuição do ciclo de vida do produto (SEO; KULAY, 2006; DUAN et al., 2009). Nesta etapa é considerado o consumo de energia elétrica e suas possíveis emissões. Uma CPU típica com monitor CRT consome 130 Watts de energia elétrica. Isto implica que um computador com uma configuração consideradaUtilização padrão, que fica ligado oito horas por dia, durante cinco dias na semana, pode consumir até 250 kWh de energia elétrica, que na maior parte do mundo é derivada de combustíveis fósseis. Entre os destinos possíveis, podem ser citados a recuperação da função do produto ou de seus componentes (reutilização), valorização dos materiais ou de seu conteúdo energético (reciclagem e/ou tratamento) ou ainda pode-seFinal da optar por não recuperar, encaminhando-o diretamente para a disposição final -Vida Útil aterros (IPU, 1998; LUIZIO, 2004; COOPER, 2005; RODRIGUES, 2007). Lee et al. (2004) afirmam que o descarte prematuro dos computadores implica no início de um novo ciclo de consumo de materiais e energia, gerando novas emissões e resíduos em todas as outras etapas do ciclo de vida.Quadro 2 - Breve descrição das etapas do ciclo de vida (FAVA et al., 1993; CURRAN, 1996; DUAN etal., 2009).
  39. 39. 382.7 OPÇÕES DE TRATAMENTO AO FINAL DA VIDA ÚTIL DE COMPUTADORES Seguem descritas as principais opções de tratamento aos resíduos provenientes daspeças dos computadores: Reutilização - extensão da vida útil: Segundo Crowe et al. (2003), as partes podem serreutilizadas para a mesma função anterior ou para uma nova atribuição. Em alguns casos podeocorrer processo de remanufatura, o que significa passar por processos que possibilitem que oproduto seja utilizado como novo (LUIZIO, 2004). Segundo Rodrigues (2007), entre asestratégias para a redução da geração de resíduos, discute-se a questão do prolongamento davida útil dos bens duráveis como forma de desaceleração dos ciclos de produção, consumo edescarte. O reuso, portanto, pode ser entendido como uma opção sustentável na fase dedescarte, uma vez que o equipamento que tenha sido reparado ou remanufaturado deixaria acondição de resíduo, passando a ter uma segunda vida útil. Rodrigues (2007) também afirmaque o reuso de equipamentos pode ocorrer por intermédio de: • Repasse informal do equipamento obsoleto dentro de uma mesma organização, entre familiares ou através de doações a terceiros (indivíduos, organizações sociais etc.); • Venda a empresas privadas que compram os equipamentos pós-consumo para consertá-los e revendê-los; • Remanufatura: existem empresas que se dedicam a consertar os equipamentos usados que passam por processos de reformulação, envolvendo a desmontagem de componentes e revisão, adquirindo a condição e desempenho de equipamentos novos. Reciclagem: É caracterizada por uma série de processos que vão desde a coleta especialaté a pré-produção dos materiais reciclados. A presença de substâncias tóxicas noscomputadores dificulta a recuperação dos materiais que possuem valor econômico, como, porexemplo, os metais raros e preciosos, presentes em pequenas quantidades nos componentes,que associada à dificuldade de desmontagem, torna muitas vezes a recuperação de materiaisinviável, além dos riscos de contaminação ambiental das pessoas que os manejam. Asprincipais preocupações ambientais são referentes às emissões e à geração de resíduos ( IPU,1998; GREEN ELECTRONICS COUNCIL, 2009; WILLIAMS; KUEHR, 2003). De acordo comCrowe et al. (2003), o processo de reciclagem dos computadores consiste em: desmontagem;segregação de metais ferrosos, não-ferrosos e de plásticos; reciclagem e recuperação demateriais com maior valor econômico; tratamento e disposição de resíduos perigosos. Devido a
  40. 40. 39reciclagem envolver outras fases de trabalho, optou-se por descrevê-la mais detalhadamente(LUIZIO, 2004; CROWE et al., 2003; GREEN ELECTRONICS COUNCIL, 2009):• Armazenamento: Os diferentes equipamentos são pesados à chegada. Verifica-se aproveniência da carga e o tipo de material que a compõe, preenchendo uma guia deacompanhamento do resíduo. O material é descarregado em local específico dependendendo desuas características;• Desmanufatura: Os diferentes materiais que entram na unidade são separados nas suasdiferentes categorias (ferrosos, vidros, plásticos, etc) e desmontados. – Os materiais separadosdevem ser armazenados em recipientes apropriados para posterior recuperação, tratamento oueliminação.• Trituração e separação: Os diferentes materiais são levados até o triturador paramoagem e posterior separação. Na sequência, o material moído passa por esteiras equipadascom ímãs que fazem a separação das frações ferrosas.• Granulação dos diferentes materiais: o material é transportado através de esteira paradois granuladores em seqüência, cuja função é reduzir ainda mais a dimensão das partículaspara permitir uma boa separação entre os metais não ferrosos, plásticos e outros;• Separação dos materiais não ferrosos e plásticos: Os materiais provenientes dosegundo granulador são transportados para as mesas de separação gravimétrica onde ocorre aseparação entre partículas de densidade elevada e baixa, respectivamente cobre e alumínio etambém mistura de plásticos com cobre. O resultado desta primeira gravimetria é o cobre fino,completamente separado. Já na segunda etapa da gravimétrica são separados o cobre e oalumínio dos plásticos. Os diferentes materiais não ferrosos obtidos na separação sãoarmazenados;• Aspiração e eliminação de poeiras: A total aspiração e minimização de poeirasmelhora as condições de trabalho para os operadores;• Qualidade: Todas as fases do processo de reciclagem devem ser monitoradas porprofissionais da qualidade. Esta atividade visa controlar os seguintes aspectos: o Correta separação dos materiais; o Qualidade dos granulados finais; o Avaliação dos produtos nocivos que necessitam de tratamento posterior;
  41. 41. 40 Valorização energética: Corresponde à recuperação do valor energético dos resíduos,através do processo de incineração (LUIZIO, 2004). Trata-se de um método de tratamento deresíduos que consiste na incineração destes, gerando combustão, onde a energia caloríficaresultante é transformada em energia elétrica. Apresenta como principais vantagens a reduçãosignificativa do volume de resíduos e a utilização da energia produzida pelos materiaiscombustíveis (CROWE et al., 2003). Porém, segundo Crowe et al. (2003), são muitas asdesvantagens da incineração dos resíduos provenientes dos eletrônicos, devido à suacomposição altamente heterogênea e de poder calorífico bem diferenciado. Crowe et al. (2003)também aponta outro fator importante que está relacionado à alta concentração de metaispesados nestes equipamentos, onde os resíduos provenientes da incineração devem ser enviadospara aterros especiais e os gases da combustão devem ter tratamentos especiais, o que podetornar o processo economicamente inviável. Incineração: A incineração de resíduos é bastante utilizada nos países industrializados,devido à escassez de áreas para aterro e também à possibilidade de recuperação de energia. Aincineração deste tipo de material gera tanto emissões, quanto resíduos. Devido à variedade desubstâncias contidas nestes produtos poderão ocorrer efeitos nocivos específicos durante aincineração. Um exemplo disso ocorre com o cobre, que funciona como catalisador, e aumentao risco de formação de dioxinas quando os retardadores de chama contidos nos plásticos daspeças dos computadores são incinerados. Este aspecto é especialmente preocupante uma vezque a incineração de retardadores de chama bromados mesmo a baixas temperaturas pode levarà produção de dibenzodioxinas polibromadas (PBDD) e dibenzofuranos polibromados (PBDF)extremamente tóxicos (LUIZIO, 2004; GREEN ELECTRONICS COUNCIL, 2009; WILLIAMS;KUEHR, 2003); Disposição final: Componentes ou materiais que não são recuperados ou valorizadosatravés das opções anteriores são encaminhados a um local de destinação final: aterros deresíduos urbanos ou, lixões. O perigo maior se concentra nos aterros não controlados, devido aorisco de lixiviação de metais e outras substâncias químicas para o solo e lençóis subterrâneos,ou então a evaporação de substâncias perigosas (GREEN ELECTRONICS COUNCIL, 2009).
  42. 42. 412.7.1Gerenciamento dos Resíduos de Computadores na Comunidade Internacional e no Brasil Na China o sistema de reciclagem não se presta exclusivamente aos resíduoseletrônicos. Um problema grave naquele país é a prática ilegal de recebimento dos despejosvindos de países ricos, principalmente dos Estados Unidos, que justifica o envio de seuscomputadores obsoletos com o propósito da inclusão digital. Tal prática, na verdade, trata-se deuma atividade mal intencionada, pois é uma forma barata de “resolver” a questão (CROWE etal., 2003). Uma vez que os computadores se encontram sob a responsabilidade de um novo país, osproblemas que os acompanham passam a pertencer também a este país (BEIRIZ, 2005). Semlegislação própria e subsídios para tratar de um resíduo caro e tóxico, este acaba sendoreciclado com métodos primitivos causando graves problemas ambientais e na saúde dapopulação. Conforme descreve Carrol (2008), o desmantelamento dos componentes é feito deforma manual, geralmente por crianças e mulheres sem nenhuma proteção. O que tem valorcomercial é vendido e o restante acaba sendo queimado, agravando a situação. Na Índia, a maior parte dos resíduos provém dos fabricantes e, da mesma forma que naChina, o trabalho é manual sem qualquer proteção e ferramentas específicas, geralmenteenvolvendo mulheres e crianças. O destino também é o mesmo: o que não pode ser vendido équeimado a céu aberto ou depositado em aterros (CARROL, 2008). O procedimentoinadequado adotado nestes países para recuperar os metais, faz com que componentes tóxicoscomo o cádmio e o mercúrio contaminem água, solo e ar. Os países da União Européia, por sua vez, decidiram implementar medidas destinadas aprevenir a produção destes resíduos e a fomentar a reutilização, reciclagem e outras formas devalorização, com vista à redução da quantidade e, ao mesmo tempo, melhoria dos resultadosambientais dos agentes econômicos envolvidos na gestão desses resíduos. Estas medidas fazemparte da diretiva WEEE (Waste Electrical and Electronic Equipment), doravante denominadoResíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos, que torna os fabricantes responsáveis pelo ciclode vida dos seus produtos, arcando com os custos de coleta seletiva, transporte, tratamento ereciclagem destes resíduos (CE, 2004). A diretiva também obriga as indústrias a agirem em duas frentes: reduzir a toxicidadedos produtos e desenvolver métodos para um pós-uso eficaz. Os fabricantes são responsáveispor seu produto até o fim da vida útil e devem garantir um processo de reciclagem limpo eeficiente (CE, 2004).
  43. 43. 42 Nos Estados Unidos, a diversidade de iniciativas políticas sobre REEEs (Resíduos deEquipamentos Eletroeletrônicos), reforça a complexidade da relação entre Federação-estado.Alguns estados estão mais adiantados com a legislação local, proibindo o aterramento eincineração desses resíduos ou elaborando políticas sobre a responsabilidade estendida doprodutor, incluindo uma taxa de eliminação paga antecipadamente pelos consumidores nomomento da aquisição de novos produtos (SHEEHAN; SPIEGELMAN, 2005). No Japão, um alto índice de inovações foi registrado na produção de eletrônicos e notratamento de resíduos antes mesmo da promulgação das diretivas européias. A produção deeletrônicos com solda livre de chumbo data do início dos anos 90 e teve êxito graças à criaçãode uma rede de inovação que cobre instituições diversas, como universidades, institutos depesquisa e associações industriais. Estas inovações incluem medidas para a redução dosimpactos ambientais através da redução de substâncias perigosas, eficiência no uso de recursose reciclabilidade, eficiência energética, redução do uso de materiais através da miniaturização eo prolongamento da vida útil do produto via reuso de componentes (BEIRIZ, 2005). No Brasil, pesquisas realizadas por algumas organizações não governamentais como oInstituto Metareciclagem e o Comitê para a Democratização da Informática (CDI, 2009),revelam que parte dos resíduos eletrônicos ainda é enviada para aterros e lixões. Há tambémuma deficiência adicional, representada pelas oportunidades de reciclagem que ainda sãodesperdiçadas. O destino do resíduo especial também depende da política de cada município, e, namaior parte do país, existem falhas no tratamento e na disposição final (CDI, 2009). De acordocom Jordão (2010), apenas 10% dos computadores comercializados são devolvidos aosfabricantes, ONG’s ou pontos de coleta. Estes são sucateados, doados ou vendidos paraempresas especializadas em resíduos eletrônicos, as quais realizam a desmontagem, a moagemdos materiais passíveis de reciclagem e posterior venda para fornecedores de matéria-prima. Ainda segundo Jordão (2010), quanto às partes de um computador que possuemcomponentes eletrônicos como placas-mãe, estas são enviadas à Europa para reciclagem eseparação dos metais presentes na composição. Esta atividade não é realizada no Brasil por nãopossuir tecnologia adequada. Esta rota percorrida pelo resíduo eletrônico pode ser observada naFig.9.
  44. 44. 43Figura 9 – Rota dos resíduos provenientes de computadores na sua destinação final – Situação brasileira(Adaptado de JORDÃO, 2010).2.7.2 Implicações Sociais e Políticas Sobre o Gerenciamento de Resíduos Eletrônicos A Comunidade Européia preocupa-se com resíduos contendo substâncias perigosasdesde os anos 70 e promulgou, em 2003, dois regulamentos importantes para tratar doproblema: a Diretiva 2002/96/CE sobre Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos (WEEE) ea Diretiva 2002/95/CE sobre a Restrição do Uso de Substâncias Perigosas (Restriction ofHazardous Substances - RoHS) (CE, 2004). Essas exigências incorporam a responsabilidade doprodutor (produtor, distribuidor ou importador) e têm impactos globais. Em vigor desde 2006, a Diretiva Européia sobre Resíduos de EquipamentosEletroeletrônicos (WEEE) tem como objetivo prevenir e diminuir os resíduos de uma lista deequipamentos eletroeletrônicos selecionados segundo o estágio corrente de análise científica.Fundamenta-se nos princípios do poluidor-pagador, da precaução e da responsabilidadeestendida do produtor. A responsabilidade do produtor está associada às etapas de coletaseletiva, tratamento, recuperação e reciclagem (GREEN ELECTRONICS COUNCIL. 2009). A Convenção de Basiléia aborda o controle de movimentos transfronteiriços de resíduosperigosos e seu depósito, regulamentando internacionalmente a circulação internacional deresíduos perigosos entre os países signatários. Este acordo surgiu no início de 1981 sob osauspícios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em Montevidéu,e em seguida, na reunião do Cairo sobre gerenciamento seguro de resíduos perigosos. Em 1989,foi adotada e reconhecida como um documento de referência mundial. A Convenção deve ser um instrumento que represente o esforço internacional paraeliminar o trânsito de resíduos com periculosidade ambiental (ZIGLIO, 2005).
  45. 45. 44 No Brasil ainda não há uma legislação específica para tratamento e gerenciamento deresíduos perigosos - apenas ações isoladas de estados e municípios. No tocante às normasambientais sobre resíduos perigosos destacam-se as provenientes do CONAMA que devem serrespeitadas enquanto leis federais. Mais especificamente, pode-se citar a Resolução nº 257 paraa destinação de pilhas, baterias e lâmpadas (CONAMA, 1999). Recentemente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) decidiu realizarestudos e regulamentar o descarte de resíduos eletrônicos. Esta regulamentação será estruturadaatravés da ajuda de três grupos formados por fabricantes, importadores e distribuidores;transportadores e recicladores; governo, meio acadêmico e organizações não governamentais.Depois de concluídos os trabalhos no segundo semestre de 2010, os estudos serão enviadospara a Câmara Técnica e uma vez aprovada, finalmente será votada no Plenário do Conselho(AGÊNCIA BRASIL, 2010). No estado do Paraná, foi aprovada no ano de 2008, a Lei Estadual 18.851/08, que obrigaas empresas produtoras, distribuidoras e as que comercializam equipamentos de informática acuidarem da destinação final dos equipamentos comercializados por elas no final de sua vidaútil, dando-lhes uma destinação adequada. Os fabricantes devem emitir nota de entrada dosresíduos, sendo uma das vias encaminhada à Secretaria Estadual de Meio Ambiente paracontrole e fiscalização. Além disso, as empresas devem promover campanhas educativasesclarecendo os usuários sobre os riscos para o meio ambiente se estes materiais foremlançados em locais impróprios (OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA, 2008).2.8 LOGÍSTICA REVERSA O aumento da preocupação com o meio ambiente vem criando importância nareutilização dos materiais e conseqüentemente na formação de um ciclo que passa peloconsumidor e chega novamente no fornecedor. O gerenciamento desse caminho inverso dosmateriais, ou seja, o retorno do produto é chamado de logística reversa (STOCK, 1998,DYCKHOOF et al., 2004). Leite (2003) comenta que a Logística Reversa surge como importante ferramenta nogerenciamento integrado dos resíduos sólidos e possibilita que os materiais, antes depositadosem aterros sanitários ou em lixões, sejam reintroduzidos na cadeia de produção. Tambémafirma que, depois de algumas evoluções nos conceitos, tornou-se uma área da logística

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