Seminarioweber

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Seminarioweber

  1. 1. 1PODER ESTADO E FORÇA René Dreifuss
  2. 2. 2IV REALIDADE DE ESTADOE PRÁTICA DE PODERPolítica e delimitação territorialPolítica e delimitação socialPoder e dominaçãoPoder e legitimaçãoPoder e políticaPoder e sigilo
  3. 3. 3Dominação e organizaçãoDominação e monopólio da forçaDominação e ação políticaForça e políticaPolítica, violência e estadoCaracterização do estado
  4. 4. 4INTRODUÇÃO• Entre os temas centrais da pesquisa acadêmica de Max Weber estiveram a economia e a política dos Estados nacionais da Europa Ocidental e Central e, em especial, da Alemanha.• Em manuscritos inacabados, Weber deixou subentendida a intenção de tratar da formação do Estado e do seu desenvolvimento através da história. Entretanto, em seu trabalho como um todo, ele não abordou o Estado nas dimensões teórico-conceitual, analítico-histórica e política.• No pensamento weberiano, os termos “Estado” e “força” são noções que não podem ser separadas de outros termos, como: “dominação”, “poder” e “ação política”.• René Dreifuss, autor do livro, afirma que para entender o pensamento de Weber é preciso decodificar o sentido de sua produção intelectual por meio de textos escritos em épocas diferentes, com preocupações distintas e sentindo amplo. Além disso, Weber usa muitos termos carregados de duplo sentido, o que exige ainda mais esforço daqueles que tentam traduzi-lo. Ou seja, não é fácil estudar Max Weber.
  5. 5. 5• Weber entende o Estado como um veículo de poder e o examina através de três tipificações: tradicional, carismática e legal-racional. Nesse sentindo, o Estado concentra a dominação, independente de quem está no poder: príncipe, sultão, monarca, chefe militar, por exemplo.• Assim como Maquiavel, Weber exclui a moralidade enquanto efeito limitador da compreensão, concentrando-se na reflexão e análise do que “realmente é”.• Dreifuss apresenta o pensamento de Weber de acordo com a interpretação de vários estudiosos do sociólogo alemão. Outra característica observada durante o texto é sua tentativa do autor de dar significação a termos em alemão.
  6. 6. 6POLÍTICA E DELIMITAÇÃO TERRITORIAL Segundo Weber, quando qualquer associação (sejam comunidades de vilarejos, grupos corporativos, uniões profissionais, sindicatos e até familiares, por exemplo) passam a reivindicar território, elas se tornam agrupamentos políticos. “Um dos mais importantes campos de associação compulsória é o controle de áreas territoriais”. p. 67 Outros estudiosos de Weber reforçam a relação “grupos – território – agrupamentos políticos”:
  7. 7. 7 Julien Freund – “a atividade política é caracterizada, em primeiro lugar, pelo fato de que acontece dentro de um território delimitado. Suas fronteiras não precisam estar estritamente demarcadas; podem ser variáreis; mas sem a existência de um território individualizando o grupo não pode haver política”. Ainda segundo Freund, o grupo adota uma conduta orientada em relação ao território, no sentido de que a atividade de todos fica condicionada à autoridade responsável pela manutenção da ordem, envolvendo o possível uso da coerção e a obrigação de defender a sua integridade como comunidade. Ao mesmo tempo, os membros do grupo político são beneficiados pela vida em conjunto.
  8. 8. 8 A delimitação territorial tem, para Weber, relação com o conceito de nação. De acordo com o sociólogo alemão, nação trata-se de um “sentimento nacional” expressado de formas diferentes por povos diferentes. Segundo Weber, nação não é a mesma coisa que povo de um Estado, ou seja, não é um conjunto de membros vivendo em um território. O termo nação é problemático, pois nem política, nem conceitualmente trata-se de um termo com significado único. Está ligado à realidade emocional das pessoas.
  9. 9. 9AÇÃO SOCIAL• Para Weber a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações dos indivíduos. As normas e as regras sociais são o resultado do conjunto de ações individuais.• Ação social é uma ação que é orientada pelas ações de outras pessoas. Isto é, todo comportamento cuja origem depende da reação ou da expectativa de reação de outras partes envolvidas. Essas “outras partes” podem ser indivíduos ou grupos, próximos ou distantes, conhecidos ou desconhecidos por quem realiza a ação. A ideia central da ação social é a existência de um sentido na ação, ou seja, algo realizado de alguém para outro alguém. É uma atitude sobre a qual recai o desejo de relacionamento.• É impossível diferenciar claramente o que pode ser ou não considerada ação social.
  10. 10. 10• - Ações Tradicionais: são ações realizadas devido a um costume ou a um hábito enraizado. Podem se tornar parte da cultura de um povo. Como: tirar o chapéu na hora das refeições, fazer o sinal da cruz ao passar por uma igreja, etc.• - Ações Afetivas: podem ser chamadas de ações emocionais. São ações tomadas devido às emoções do indivíduo, para expressar sentimentos pessoais. Por exemplo, comemorar uma vitória, chorar em um funeral, etc.• - Ações Instrumentais: também conhecida com ação por fins. São atitudes cujo planejamento é orientado pelos resultados que serão alcançados com sua realização. A ação é planejada previamente e executada após avaliadas as suas consequências. Um exemplo seriam as transações bancárias.• - Ações Racionais: também pode ser chamada de racionais por valores. São ações realizadas de acordo com os princípios do indivíduo, ou seja, determinadas pela crença consciente num valor considerado importante.
  11. 11. 11• Essa classificação baseia-se em modelos idealizados, cujos exemplos puros raramente podem ser encontrados na sociedade. Muitas vezes são vários os motivos de uma ação, o que cria a possibilidade de ela ser incluída em mais de um tipo. Exemplo: professor em sala de aula.
  12. 12. 12POLÍTICA E DELIMITAÇÃO SOCIAL• “Uma sociedade, para Weber, é uma relação social onde a atitude na ação social se inspira numa compensação de interesses por motivos racionais. As sociedades, no final das contas, são, meros compromissos de interesses em luta”. p. 69• Sociedade está ligada a Ações Sociais por Fins e Racionais.• Luta e conflito são inerentes à sociedade.• Por outro lado, uma comunidade é uma relação social onde a ação social se inspira na vontade de cada participante de constituir um todo. “A ação comunal se refere àquela ação que é orientada pelo sentimento dos atores, de que eles pertencem a um conjunto”. p. 69• Comunidade está ligada a Ações Sociais Afetivas e Tradicionais.• Capacidade de poder fazer: possibilidade de impor a própria vontade, numa relação social.• Potencialidade de poder impor: probabilidade de um comando ser obedecido por um dado grupo de pessoas.• Weber, portanto, empresta à política mais dois significados: a política como questão do poder e a política da dominação.
  13. 13. 13PODER E DOMINAÇÃO• A força e mais coercitiva e mais imediata que o poder, o poder é mais genérico e mais vasto.• No Brasil atual, o poder é referido como local• Poder como capacidade determinada, estipulada sócio- politicamente e condicionada culturalmente.• Poder para Weber : “A probabilidade de um ator situado dentro de uma relação social estar numa posição que lhe permita realizar sua própria vontade apesar de encontrar resistência”.• Guerra para Clausewitz: “Ato de violência ou força física que tenciona obrigar o oponente a realizar o desejo de quem compele”.
  14. 14. 14• Herrshaft – dominação ou institucionalidade e instituição do senhor – é um termo alemão de difícil interpretação por sua polissemia.• Herrshaft influencia nas relações militares, econômicas, sociais e culturais.• Para Weber, Herrshaft é a “probabilidade de que um comando com um conteúdo específico dado será obedecido por um grupo de pessoas”, “um ato, uma capacidade, uma vontade – um poder autoritário de comando”.• Toda relação política é uma relação de comando e obediência.• Weber indaga: Quando e porque os homens obedecem?
  15. 15. 15PODER E LEGITIMAÇÃO Weber: “sobre que justificativa interna e sobre que meios externos descansa essa dominação?” Há três tipos “puros”,”ideais” de instrumentos que aproximam a legitimação da realidade: o tradicional, o carismático e o racional-legal. Tais tipos “puros‟‟ se tornam um problema da ciência política. Para haver organização de um grupo,tem que haver autoridade. Dominação é impor uma ordem e tal ordem ser obedecida.
  16. 16. 16 Poder e Política • Dentro desse contexto, com base na questão do poder, a política vai ganhar mais um significado.Esforçar-se, almejar oulutar para compartilhar poder. Ou seja, se esforçar para influenciar a distribuição de poder entre estados ou entre grupos dentro de um estado.
  17. 17. 17• Relação de poder que visa a manutenção da lei e da ordem no país, consistindo nisso o “elemento político”. LEI DOMINAÇÃO PODER Com essa relação de poder = manter a lei e ordem no país.
  18. 18. 18• Decisivo para existir direito e a necessidade de um “quadro coativo” Obriga, impede. Para weber garante para o estado o monopólio da violência.• Apesar disso não classifica como direito, uma ordem que apenas estará assegurada pela expectativa de reprovação e represálias.
  19. 19. 19• Lei e ordem  não é apenas vontade e desígnio de dominação• Vai afirmar que sociedade esta acostumada com a segurança  é uma feição política  que faz influencia a direção da burocratização.
  20. 20. 20• Pois para ser considerada como direito a ordem estabelecida alem de estar assegurada pelos interesses requer um quadro especialmente a impor o seu cumprimento.• Ou seja necessita de uma estrutura e organização.
  21. 21. 21• Todo o curso das políticas internas do estado – justiça e administração- é regulada pelo inevitável pragmatismo das razões de estado.• “deves ajudar o direito a triunfar pelo uso da força, pois se assim não for , também serás responsável pela injustiça”
  22. 22. 22• Quando esse fator esta ausente  o estado também está;• A força e a ameaça da força, depende das relações de poder e não do direito ético.• Distribuição do poder ocorre quando há criação forçada de uma formação inteiramente nova de autoridade
  23. 23. 23• França  maquina do poder permaneceu essencialmente a mesma .• Essa maquina faz com que a revolução seja tecnicamente impossível, especialmente quando o aparelho controla os meios de comunicação e também em virtude de sua estrutura interna racionalizada.• França demonstra que esse processo substitui a revolução por golpes de estado
  24. 24. 24PODER E SIGILO• Comando e obediência minoria impõe sobre a maioria.• Esta impõe os seus interesses e não o interesse da maioria.• Na medida que o aparato de dominaçao e bem sucedido ao assegurar a sua continuidade  tera que ter sigilo.
  25. 25. 25• Tendência de existir segredos em certos campos é chamado de natureza material.• Segredo é encontrado em toda parte onde os interesses de poder da estrutura de dominação em relação ao exterior. [diplomacia e militar]• Segredismo para weber é a condição indispensável a toda atividade política coerente e efetiva.• não é possível uma dominação que não permaneça secreta em alguns pontos essenciais.
  26. 26. 26DOMINAÇÃO E ORGANIZAÇÃO• Para Weber a dominação organizada requer uma administração contínua, para que a conduta humana seja condicionada à obediência para com eles senhores que reivindicavam ser os portadores de poder legítimo entre os quais:• Associação Hierocrática• Articulação associativa ou dominação política
  27. 27. 27 A partir do ponto de vista na Alemanha bismarckiana ou na Guilhermina e mesmo antes desses períodos, a violência como efeito e como instrumento politico é um dado. Weber completa com outra reflexão: o uso da força física não seria nem o único nem o mais usual método de administrar a estrutura de dominação, mas pelo contrário de acordo com o autor: seus detentores têm empregado todos os meios para realizar seus objetivos.
  28. 28. 28• O aparelho de Estado Burocrático e o “homo politicus” racional integrado ao Estado cumprem suas funções de forma ideal e desejável mas não descartam a ameaça ou a violência.• Instrumental civil ( legal-policial)• Instrumental militar (exercito e milícia)• Objetivos da política : de conservação e ou mudança de relação de poder ou distribuição do mesmo.
  29. 29. 29• Weber termina parte do texto dizendo “Na nossa terminologia, é somente esse recurso à violência que constitui uma associação política.”
  30. 30. 30DOMINAÇÃO E MONOPOLIO DA FORÇA Há uma outra maneira capaz de caracterizar a instituição ou associação de dominação, que é pelo agrupamento político reivindicando que a autoridade da sua estrutura administrativa e executiva seja reconhecida dentro do território dado e para o conjunto da estrutura societária. Contudo, a associação de dominação que possui esta designação não admite de forma alguma, a concorrência e o antagonismo em um determinado território e em uma configuração social.
  31. 31. 31DOMINAÇÃO E AÇÃO POLÍTICA A política para Weber também significa “o processo que incessantemente almeja formar, desenvolver, obstruir, deslocar ou revirar as relações de dominação. E, Freund diria: “A dominação é a expressão prática e empírica de poder”. Sobre o texto weberiano Freund observa uma outra questão: “ A dominação é essencial ao fenômeno político e o grupo político é basicamente, um grupo exercendo dominação. A ação política pode, consequentemente, ser definida como a atividade que pretende o direito de dominação, em nome da autoridade estabelecida em um território, com a possibilidade de usar a força ou a violência em caso de necessidade, seja para manter a ordem interna e as vantagens que dela decorrem, ou para defender a comunidade contra a ameaça externa. A força e a violência são fundamentais na percepção que Weber tem de diversas situações. Embora saliente que o uso de força é oposto, reconhece que todo tipo de ação mesmo quando há violência, pode ser orientado economicamente. Contudo, Weber define a dominação política como “um poder que alcança alhures e que é, em princípio, distinto de autoridade doméstica.
  32. 32. 32FORÇA E POLÍTICA Weber se refere à política como envolvendo eventos que expressam, sustentam ou modificam relações de dominação estabelecidas, desejadas ou rejeitadas. Qualifica-se como político tudo o que tem a ver com a preservação, incentivo, alteração e subversão das relações de dominação no âmbito das organizações, associações e articulados políticas diversas. Mas Weber abstrai o exercício da dominação de qualquer finalidade por ela servida.
  33. 33. 33POLÍTICA, VIOLÊNCIA E ESTADO Weber também define a política como “a influente liderança de uma associação política, o que seria um Estado. Uma associação política compulsória ou instituição política de atividade ou organização contínua será chamada de “Estado”. Tanto a territorialidade quanto a organização continua da capacidade de exercer força física ou coerção são elementos constitutivos da dominação. Se não existissem instituições sociais que conhecessem o uso da violência então o conceito de „Estado‟ seria eliminado. A força certamente não é o único nem é o meio normal do Estado mas é um meio especifico do Estado.
  34. 34. 34CARACTERIZAÇÃO DO ESTADO• “A característica do EM é a de ser um sistema de administração e de lei modificável por legislação”(Gesetz)• Natureza monopolística da dominação do Estado através da força.• Instituição que requer e dispõe de uma base territorial.• Weber não considera possível definir uma associação ou instituição política em termos do objetivo a que sua ação de dominação esteja destinada.
  35. 35. 35• “O moderno Estado é uma associação compulsória, que organiza a dominação” p.88• É de natureza do Estado salvaguardar ou modificar a distribuição interna e externa de poder.• Uso essencial da violência• É somente este apelo à violência, e não pode ser definido de outra maneira
  36. 36. 36• Weber considera que, em ultima instância pode- se definir sociologicamente o Estado moderno somente em termos de seus meios específicos e peculiares, característicos das associações políticas, isto é, o uso da força física.
  37. 37. 37• Caracterização do Estado pela sua aplicação, a qual é assegurada pela ameaça ou emprego da força.• Empreendimento institucional de caráter político , quando for capaz de ter o monopólio legitimo do uso da força para se impor.• Estado como organizador , quanto a própria organização de dominação
  38. 38. 38• O Estado é uma relação de homens dominando homens, sustenta pela violencia legitima.• Territorialidade como caracteristica essencial do Estado• Estado como organização continua que por um processo histórico especifico de cada cultura passa a centralizar os meios de domoniação.
  39. 39. 39• Em resumo o Estado para Weber é uma Organização continua da dominação através de diversos meios, com base historica na força e uso legitimo e exclusivo da força em um determinado territorio.

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