Livro

1,380 views

Published on

  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

Livro

  1. 1. eerlurPj ep oqlosuoc oe ujeouo nap a^pl6 o^tlou ano. apppllEuosJad e ogôecnpo ,etnllnc . I ost[ o a auoN V.e5ue8e.rg ounç ouanba4 op asnat nd arytwai âp nqpsut) II 0 as_nunal apfij gaw salp stog ataapd fip eut was ep w,J anqwe es n{ e ,ru)sa nr* o oroa n01il0 ü) stouto[ n1 u atdwas aavtsa anb op|rnaw ou naw oa pdad o naal ,011a{ " ,q ç o1s7 ndgr o1ftnps anb nruel grnd tssapg:8 solnd elep ab rpu.ro r ere snlnd e,tep anb rgu-ro 6 wa a ,nuq tod taansa a ,opuod a e ,pvnal a atqas ,rr rrrr:ï;:i;;r;:::::::.:i:: sn lndvAv|sÒ tvwo n :sapua.t6 sa4al wa a aqlo{ap o4a 0u mansa a ,aputqa6 ouanbad wn wa usaut auanbad autn a aw-nluas !4a ladvd ap aqlo{awn wâ e o4ailu run wa tupuat úutn uD on6ad vry w2 :e7at7ataprud e uroJ .opou êssJp es-opuJrJrluepr "sesor8rlarsrero.,, .srcnlJelelur,sre:odroJ no spJrsÌr sepeprnJeJ spns sep og5ernpa pê olsr waw,q ouroJ rueuo110p og5euro; e recgruSrs epod ele ,owsaw 6 elqos azqúeJ LuawoH o anb opia oluenbua . :soperJuJJeJrpsopquos srop .e ..rnro*e alnrynt etreled epoperqruSrs .urssv o .og5euro;sue4 erun opupsnoursâru rs âJqos renb oraur nãs o eJqos ranb uzrpar wãruoH O anb ogSe e ecryruSrs ernrlnJJruerueupur8rro,olra;e .-rr-or or6olour -4ê opeJrJruSrs urn ep ue^Fap anb (se4al -o3 Seu.spJruJêl seu.sersuêseu) soru -,ruop e solxêluoJ sêlueJeJlp rue epecrlde JJS e opun .,,êl eJnllnJ erzrepd e (oy5arcpaorrm ep a ,ariln, ep zrcrpruseru e rnssod apuo) eurlel rua8o aq èenunc g enb g eJrl,rrJ J e^ïxãlJêr e.,roJ ãp ppeJeJuJ res ere^Jp anb .erqerualqord ensep errugSuetqe e eted e .eproqe as euqdrcsrp elsau anb sopleluoJ soe êJpJerrugrrodurr ens e eted sealerJuerJsuoJ slou selsep orrsgdord a ,seglsanbsessJ p se^[rurJep selsodser JpJ]uoJue enb op aluepodur sÌeui .emepoJap ossarord nes op ossêrns ou opuepnÍe ,eurldrsrrït;;;1ïti,:ïÏt:ï:-etode enb sreluaurepunJ seolsenb seurn8le JeJercrJSe rod re5auror epodrursoJrlgrue] sop4eluoJ selsêp og5erSelur a oesuaerdruoJ Jor{re.,, p.,,n eJedaur ou o rr d er d o oruo r# ;;#n;uï;r"-**; : #:ïffi iiïïi.ïurerasrnb e soluenb e agdord sag sap V a DJrulnD úp aug$lH ap eurldnsrp y fta tsasaluJs) ppgtslH e 0 oUV e,BInllnC V I elll
  2. 2. oslu 0a a1!0N erJugleJxe rod staw sútp sto lernllnJ olnpord olueuodg1ller8elul ãs sele epuo sãpeperJos sq ouroJ srenpl^lpul saroper -Jrnvw 0u o -di snôs soP oluel e^epeueumq eluJrue^rsnlJxã opuesJnb epepl^FeseuuoJ ndg1 o19dnr sens se sepol qoseuv e opnlerqos a "ogiSrleJ e osJêÀrun o ã elãueld o al seg5eJuoJ sPseurnlsoJ soorJo op o rezel op seJrlgrd seolrerrp oElrrJse ep seJruJg] se epeleJ ura8en8urt e oruoJ soperJueJoJrp ogl euerunq op5e ep wa e 0xruq 1 solnpord urerSalur ãs eleu olreJuoJ oldnp elsluaf,nllw er.tepd p opuesfÌ eJnlInJ pp Ieueleu J oJruJgl oladse o mlnsuoJ ogSezqrrur a oe5ezrlrzrrr"n"n"r";"ï;;i"r-i:;;i:iïffi u^:::::ii,,, :sapuvt0 m4; a aw-Luïws! -sue4 ep op4ues ou re^ a,trulnJ e :ueuroH ourseur oe .,e.rr1aÍpe,, g opanltno e rrreruoH oe ..e^euelsqns,, olueuoda atnllnt i("soluauredrnba erSoloural e eJruJgllerraleur epttt),,n1,, op oru,ruop op srcIu 9,,oç5ezr1u,n,, oluenbua es-opuPJrJrtr ("apeprrclueu ep serole^ sop possod og5eruro; ep 9 olsr) ,&s,, op o1u,rruop sepeplnJeJ s op sreu e ,,eJnllnJ,,urauroll op olnpord seqrüe opuesanb as-esuadaío11 e rerqru8rs .SESJf, :SOPEIJUEIEJTP -ue4 e soJruoxes-o18uesegruap so;osglrJ arlue seleqop noluetu{eXX olnJes op sord,rrurrd a y1y olnJgs op sreurJ arluapnb e,,0p)anpnn,,e ,,úrnllw. OpuPsrzrOut solnqeJo^ sop opeJr;ru8rs o arqos erruralod e urare5uel e sorrarurrd so segrtr -ele solosglr; so ruoJ opnlaJqosXIX olnJOS ou es-rrpunJrp e no5auroJúlru anb op5e e e -1nt etrrcled e euglsrH -pa operqru8r ( e seueunr{ seppparJos sq lalgorldp orurã} oruoD -,rulop e solx (op5alopa 01y Tuauúow1 awu.toH.TÌuoqeI H zsznnuawels$nas 0 :lpunw 0 wü lpvlulJ tau.tota1ruu.pd aq1 anb uwarss op puonur{ apaplalla ap wanallnsu szugt!f,) sassa anb a sot-ta1ut soud eJrJrr: -otd mas s0 ruos vpuâpqa$e aoalsa anb funs a an anb .nqat.nda as tilasazamlap a4d ep ercug8uerc -otd v an wapn u$a anb nolrpa,na 4odap g uÇn npod atad azatnplg au u,6p.n úns D nlznpo"tlulsaiua$a svns svsa1ru1dw snas sosa1ânaÇ sans sa ntnusuünot{tssap a1a ercuggodurr ès!esre^!un solueueuod sesse e sP^I}r-r-uroo no slelnllnc soluaupyoduroC -g lpunw 0p slal aluatada oa a1ua.{ots,rut aeapussâtalursap awof ap wunu a uJnsnDInD sa futudas sa fon1aua sa anb wawog 0 lrusua a wanu1uü sasno sa oluvlaguafl ap ossarord leinllnc,ras e oc;691o;q,ras u.rauroH O Z -erode anb sr soJÌ]eIIIel so lerJos seruecrB -glolq ep€parJelrparaq rod ogu srJ^,rssrrusuel e soJrleuosserlxa alum8 erluaD,trultD -esuoJ rodoçs solnqrrle a solnpord sJSSe euerunq op5e pp opeqnser I aurou oudor opues sarcgdsa ser1no seu ruelstxe ogu anb g olsroueunq oraua8 op soÀ O t ruarasrnb e so -gur1srp seuerunq sepeperJos sep sotnqu]e sop J solnpord sop olun(uoo o err;ru8rs emlinJ üaul nas 0 aiqls DztlDeJ wawoH o anb oq5a oluenbua ./ I sr$u svo r vunrrnS ï0 vtu_orstH
  3. 3. I lla A Estética é a reÍlexão Íilosófica Mas...oqueéArte? e sistemáÌica sobre os concel- tos de Beleza e ArÌe e tudo o que a eles diga respeito. Nor- Por outras palawas, a que tipo de objetos, atitudes ou atividades podere- malmente associada à FilosoÍia mos chamaï "arte"? da.Arte, cabem à Estética os trabalhos de interpretação e Poucas questões terão levantado maior polémica entre os especialistasl [5] sistematização dos factos artís- ticos, atribuindo-lhes conota- Definir arte não é, por certo, tarefa fácil e, sobretudo, não é possível fazêlo sem ções valorativas. Considera-se que, de algum modo, estejamos também a ïestringiÍ a amplitude e o signifi- que Platão, com as suas reÍle- xões sobre a Beleza, foi o pal cado do seu conceito. da Estética. No entanto, só por meados do século XVlll, com De um modo geral, ela pode definir-se como a capacidade que o Homem os esÌudos do ÍilósoÍo aÍemão possui de produzir obietos ou realizar ações com as quais - cumpdndo BaumgarÌner, a disciplina se instituiu como ciência autó- ou não finalidades úteis - ele possa expressar ideias, sentimentos ou noma, abrangendo toda a ativi- dade artística. estéticas, isto é, suscetíveis de produzir prazer estético (entendido este não apenas na aceção gÍega e renascentista da beleza formal, mas prin- Processo psicológico pelo qual se realiza a Ìransmissão inter cipalmente como manifestação de riqueza e plenitude do ser). ilhdü pessoal de ideias, sentimentos 1,mffinmmmr& e atitudes. A Comunìcação po- Se aceitarmos esta definição, esses objetos ou ações capazes de veicular de efetuar-se por vários meios ,l@m,rymmm ideias, sentimentos ou emoções estéticas são as obras de arte. Como veículos (gesto, corpo, linguagem Íalada ffiilmffiowdíffi ou escrila, imagem...) e utilizar de comunicação, elas requerem sempre um supone material (qualquer que mffiqmMìffi vários códigos. Distingue-se da ele seja) pelo qual e no qual o artista - autor de obras de arte - concretiza, drí voz, ryumnmmrüwm lnfornação na medida em que, ao contrário desta, pressupõe, expressa a sua ideia, sentimento ou emoção e torna essa mensagem recetível e müMcnrrffiffi para além da mensagem a p ercetíu el pelos outros [4]. mlwrüWutrmmjm tÍansmitìr, a existência de duas ou mais consciências em pre- sença e referidas, consciente ffirm" ou inconscienÌemente, com- ,ffimrM:dgmf s passiva ou agressivamente. A f. Arte e Comunicação, uma relação essencial (esquema interpretativo) mu,1rtryur. Comunicação, tal como a deÍÈ nimos, é condìção para a exis- tência dos grupos e das socie- MEÌ{SAGEM I@EIET keir dades e desempenha papel ,@ffi.A,{nm importante na génese pessoal (psicogénese). ;furum,,,,,,,,,,,,ffimm ARTISTA I I OBRA DE ÀRTE ,l PUBLICO-ALVO @ nod:r ,gSh l. Cria l. Suporte . Lê, interpreta !rquril . Aprecia Glr d:& l. Trun.portu l. veícrto . ncfi l. Transforma Recria Ilrlfu,,fi dm-/fLrmryt ,m,ryuuflüu ryrue ffidl, ryuueffi Esses atos de comunicação revestem-se de um significado especial: üuproffinnupw . nascem de uma inspiração criadora, fruto da inteligência, da imagina- püflnrwmnmm ffu,ais e ção e da sensibilidade e, dado que se concretizam sobre suportes mate- u orm m,ryru1,ü,n ryue riais (corpo, voz, pedra, madeira, som, imagem...), exigem, iguaÌmente, smru srn&m domínio técnico e formal (maneiras defazere de ver): Púdo gcmrmu . são atos únicos, irrepetíveis, porque produtos da originalidade dos fFlanõ-.e, seus criadores. Essa originalidade reside muitas vezes na maneÌra ínédita, frequentemente suïpÍeendente, que o artista encontrapara dar forma à sua criação/invenção;
  4. 4. HtsTóRtA DA CurÌuRA E DAs ARïES g I f,tÌ _: edonda fora do tempo e do espaço : i.È,SÊ a Lewis Mumford que aceda a abrir o Kurt,schwitters frasgando em bocadinhos a carteÌra c]e fósfo rosl: E umafunção espírítual d.o Homem que tem por objetívo,: Ìi , m-Íorl: Poderemos perguntür_nls pnrque berttí lo do caos da uída. nls tnrnímrs . :- .! (leLtses no que cÌíz respeÌta à tecnologia e seme, Pergunta-se se é possível definir a , .ì.:mínios enquantl seres morais, ,uprr ho^rrc no beleza. .. :.incia e Ìdiotas em maLéria de estéríca? Schelíng: A beÌeza é perceção do ínf nito [murmúrios] nofníto. [...] ;: Tsí-Tung: permitir que cemflores desabrochem e cem Herbart: Ìlão hí nem pode hauer beleza que exista pvr si prr ; - ,t.!ìzem, eÌs uma poÌítíca pãr(i prlmnuer o desenuolui pría. Nada mais exíste além da nossa opíníão qu€ wrsce das nos_ :.:: ,trtes e 0 pragressl tÌas sa s im p rrssòes pessoa ciêncías e que clnstítuí um ì s. ,tra o;florescí :tltura. [...] Leon Battista Alberti: ,,*_r.il J:., ,- Abelezaeahat-monia " .-r.rd Fiedler: Tocla entre todos os membros de :: Art€ Se IUSI- um complexo de que .: -..t.5 n6 medída fazem parte. [...] . , ..:cessíríapara ,_:..:tÇãa de qual- I{ant: A beÌeza conside . ; ; ; .t. rada subjetívamente í Qu€ não seja : _.ì.,:.cl ríe nenhu- aquilo que agrada de um , :tma. [...] modo geral e necessat.í0, sem conceìto aÌgum e utìlí i r : r _-ar.. ,1 origem da ARTE ARTE dade prcítica. ARTE , : Ser proCuracÌa O moderadorpede que se tirem conclusões. ; : t1.ian fcom firme -_.:íumjogoeos Arnolil Hciuser: [...] A obra de aríe í;forma e . . j .j.S SUAS regrLs. contetído, confssão e en_ - ::oderador pede gano, jogo e mensagem, .i *È se baseiem, tan_ funcionaÌ e inútí|, pessoal e :: luanto possível, impessoal... r definições me_ Abraham A. Moles: : : i subjetivas. A criaçào arhstìca e a inrro ! d-il.-7n, ARTE dução no nosso ambíente c5 esperam)s :,.: elaf xe tudo de formas que antes não exístíam. .: ifugaz fos operadores de cinética murmuram entre ..,tnine aquílo que é incompreensíveÌ, Georg Nees: A Arte não í ação rÌa l{atureza, que dê corpo mas do espírÌto. : 1Ìã.0 se pode medir, que imortalíze as coisas qr, ,,tio Isto signif.ca que a Arte pode ter o maíor ínteresse apenas rÌo ;rir loÌhares de entendimento entre Tt,onto de uÌsta dlt intelÌgência. EÌa exige, como os artistas concep- quaÌquer objeto ;a arte pobrel . TurÌo o que é infnìto e marauilhoso, do mundo e da consciência, uma certa parte da teorìa. : o IIomem pode constatar sem cumpreender, amar Siffied Giedion [Ìevantando_se para sair]:,4izz almente, Jejìnir, í este o uerdadeíro objeto da... interrom ié serí a Art e aín rLa ne c e s s drí a? :r:lores vários]. tr--- J r È uti: .-, -11te e uma grande Lewis Mumforil fencaminhando-se paratr consoÌadora e aplacadora a saída]: euando JL [...] deÌxa d,e críar, o Homem dei.xaü cíe uiuer.s:!rr. Bruno Munari, Artìsta e Designer, ry79
  5. 5. [,,, . por outro Ìado, pressupõem uma intencionalidade artística, isto é, uma vontade manifesta de comunicar esteticamente, de serem fruidas, con, templadas; e exigem autenticidade, condição básica de todas as outras característi- cas que thes acabámos de apontar, pois por autenticidade entendemos a capacidade que as obras de arte têm de nos darem a conhecer, através das ,rmt -lufltïih suas formas materiais e objetivas, as visões mais íntimas e subjetivas dos -lfu]l]]]]mfim$ seus autores e das suas épocas; -immW. il .lutlÏtÌÌÍnM . mas, acima de tudo, as obras de arte são mensagens ricas de signìfcado(s) e, .fiffifl]I]ümilt 6, A intemporalidade da obra dê arte por isso, requerem comunicabilidade, ou melhor, têm de ser suscetíveis (Leonardo da Vinci, Retrato de Ginevra .rmlwÍM,Íit Bencci, óleo sobre tela, c.1474-76,42x de entendimento e receção por parte de outros, o púbiico. 37 cm) W|lmffim "A jovem olha para além de nós com um A maneira como uma obra de arte é percecionada peto público reveste entado maravilhoso e luminoso. ( ..) Ela oculta aquilo que verdadeiramente é; o que sempre formas variadas e individualizadas. É que, quaÌquer que seja o seu Leonardo nos revela é precisamente essa ocultação, uma autoabsorção que não pou- conteúdo e forma real, e seja qual for a intencionaÌidade comunicativa do seu pa qualquer olhar exterior." autor, cada obra de arte, acabado o ato da sua materialização, adquire vida },üa mer ; Imã Wendy Beckett, Histórta da Pintura,Êd.Livros e Liwos própria, vale por si mesma, passando a poder ser interpretada e sentida dife- {ffimr ,{r[ürÊ $iti ( rentemente, de acordo com a personalidade, a formação e o contexto cultural iiiúmrmpuaíd *"1 e histórico de quem a aprecia. mmlinr pm":*Jrtm Esta particularidade acentua o carácter subjetivo e relativo da atividade mrinug m;ra*d artística, do seu valor e significado, para os quais o primeiro e último juiz é rmil[pmrenïl,ç- I sempÍe a opinião de cada um (juízo de valor ou g0st0 pessoal) mìIu taLrü: d,n - a Arte é um plural de sentidos. -_u-r_ l-d. rrnr.mmrLc,üãlt1*{{È : contudo, apesar desïe ualor relatiuo que relaciona intrinsecamente cada ÌhrLú:ü- Ê,mhÌ,:ilr obra de afte com o seu criador e com a sociedade e a época histórica que a viu mrdsmt [rÁ-q nascer (a Arte é um produto cultural), as uerdadeiras obras de arte possuem pmln:LliU-ni, também rm ualor uníversal que lhes permite vencer o tempo e as barreiras dks ia Htu:ur culturais e as fazem adquirir um significado e um sentido para todos os maih,rr ú: :rem homens. Consequentemente, são universais e intemporais. Lfl:[ü]r:5r5;ãit ilI Desta breve resenha sobre os requisitos e os critérios de apreciação/defini- $ turpeS:Se a.!,r,, ;; ção das obras de arte [7]- criatividade, imaginação, originalidade, autentici- H -o;-n:- çr,; dade, comunicabilidade, universalidade... - ressaÌta, sem dúvida, toda a com- f qfrrrf,a,4e rital plexidade e riqueza do significado da Arte que é, entre todas as atividades $ mecessí*Cadre humanas, aquela em que a Humanidade se reflete de modo mais autêntico e profundo. com efeito, é pela Arte que o Homem formaiiza e personaliza as suas cren- ças, os seus sonhos e os seus medos, corporizando até o desconhecido e o inexplicável.E atrauís da Arte que eÌe expressa as suas interpretações/recria- ções da Natureza, de si próprio e dos outros. E na Arte que sublima tensões, impulsos, complexos e traumas [g]. A relação;do Homem com a Arte é íntima e essenciall A tal ponto que já alguém definiu a Arte como condição de Humanidade.
  6. 6. HrsróRn ol CulruRl r ons Anres I 1 1sto é, uma ï. t ldúlra e Íruição das obras de arte: critérios de apreciação/deÍiniçãoLidas, con A OBRA DE ARTE (0bjeto artístico)racterísti-ndemos a ASPFTOS PARA ANALISAR CRITÉRIOS PARA AVAIIARtrar,és das . . criatividade materiais e técnicasetir.as dos . formas . originalidade . cores, texturas . intencionalidade . luminosidade . autenticidadeficado(s) e, . estruÌura e composição . comunicabilidadeuscetíveis . conteúdos e tema . rigor estético . signiÍicado: real ou simbólico . mensagem(ns):o reveste;eja o seuim do seupire üda l,a verdade, a Arte é uma atividade exclusivamente humana, na medidartida dife- ::- ;ue só o Homem é capaz de a produzir e apreciar. (Está hoje provada a para, de um modo consciente e voluntá- -:::acidade outros seres vivosr cultural de :.-. :roduzir ou apreciar fenómenos estóticos. Aprópúa Natureza, capaz de - ,; naravilhar com a harmonia das suas paisagens ou com a fúria dos seusatir.idademo juiz é --:::rentos, não o faz com intencionalidade artística, mas tão-somente comotrte é um lomo tal, a Arte é uma atividade espontânea e inata no Homem. Isso :-::stata-se facilmente ao anaÌisarmos a História. De facto, a produção artís-nte cada :-::. embora não necessária à sobrevivência física e imediata, teve lugarque a viu :-:smo nas sociedades mais primitivas e acompanhou o Homem desde ospossuem ::-rórdios da sua espécie. Esta afirmação é verdadeira para todas as socieda-barreiras :=- da História também para todos os tempos e lugares! Na realidade, não se etodos os ..:e de nenhuma sociedade cuja cultura não tivesse conhecido e usado a =r:ressão artística, mesmo que na sua linguagem, verbal ou escrita, não seiotdefini- ; :;:sse ainda inventado a palavra (ou o conceito) para a designar.utentici- ; -tssim, parafraseando René Huyghe, a Arte aparece-nos como uma neces- 8. A Arte - síntese expressiva do imaginá-h a com- : ;idade vital para o Homem, não uma necessidade do corpo, mas sim uma rio (Hieronymus Bosch, pormenor de : recessidade do espírito. A Tentação de Santo AnÍão, ólêo sobreirÌdades madeira, c. 1500)têntico euas cren-rido eosirecria-tensões,midade.IT
  7. 7. lllrz O que é a História da Arte? ou, mais precisamente: "Que tipo de disciplina é a História da Arte?", "qual(ais) é(são) o(s) seu(s) objeto(s) de estudo?", "que espécie de conheci- mento(s) veicula?", "que método(s) utiliza para se construir?". Numa abordagem sucinta e direta, diremos que a História da Arte é a dis- ciplina que estuda as produções artísticas, isto é, as obras de arte produzi- das pelos homens ao longo dos tempos. Estuda-as com um duplo objetivo: conhecê-las e explicá-las, salientando a sua relevância para a calacteÍização das sociedades/civilizações em que se integram e paÍa a vida e condição humanas na generalidade. O trabalho do investigador de arte inclui semple duas tarefas distintas, embora complementares: . Por um lado, requer investigação e pesquisa de dados e factos para que possa ler de forma exaustiva e rigorosa todos os elementos informativos 0mmï[m[]ilr&ll contidos nas obras de arte: matedais, técnicas, formas, conteúdos, signifi- cados e funções, autoÍ e suas subjetividades, contexto sociocultural, época histórica... Este levantamento de informações , indispensável a uma boa leitura objetividade científica e recriação estética das obras de arte, exige e rigor metodológico, o que implica o Iecurso e a utilização de fontes Fbf,fËtl documentais autênticas e de métodos analítico-explicativos e críticos pró- l$rymfu tmffio,u prios. Para grande parte deste trabaÌho, o historiador de arte recore e ffinrmnmrç,,ãrmrm dl& mffiM apoia-se em conhecimentos e métodos de outras disciplinas científicas mnmllrrrlrrnLdFrymmnm que, tendo igualmente por objeto e campo de estudos o Homem e as suas MmeL üWüôl ffifitÌÍÍÍrffi atividades, complementam e testemunham a História da Arte. Encon- mr"ffirgrun, -m dh CÌências humanÍsÌìcas - grupo de disciplinas do saber que têm tram-se nessa situação a Arqueologia, a Antropologia, a História, a Socio- í&ffi-qiftnmmrq&rl por objeto e campo de estudo o logia, a Filosofia... MMüfiÍMdml{ilffiM Homem nas suas múltiplas ver- tentes: antropológica, social, . Por outro, cabe-lhe igualmente a interpretação criativa e crítica dessas Mmm mnÌ]alfillrnlmp psicológica, políÌica, econó- mica, cultural ou histórica. Dis- obras de arte, ploculando relacioná-Ìas com o contexto individuaÌ, socio- mdÏt@qmm ffilrim tìnguem-se dos outros ramos do saber principaìmente pelos cultural e histórico em que foram produzidas e, com isso, explicar a sua rmffinmms demm,u métodos de investigação e ins- função e o seu sentido(s) na existência e na essência doHomem (ponto mfunmre mmiftffiMl Ìrumentos de trabalho emPre- gues e peìa estrutura das suas em que se aproxima e contribui para a Filosofia da Arte). Estas sínteses ï0ummr,tLümlmwüM teses finais. Com eÍeito, utìli- zam sobretudo a observação compreensivas e valorativas da História da Arte constituem, realmente, erlmsümmmrmm indireta e a posterÌorì dos Íac a tarefa mais rica e profunda do historiador e também aquela que melhor ,r0mm m iffiUtM nndftn Ìos; recorrem muito pouco a processos experimentais e contribui paÍa a mais completa fruição estética das obras de arte. ili,ÌrrllÌ]llrlÌli 4mH laboÍatoÍiais; redigem as suas teses sob a Íorma de sÍnteses Assim, como ciência humanística, a História da Arte possui um método fsìfúo sfrWírlrlÌilffi interpretativas e compreensivas próprio, em parte aproveitado de ciências afins e complementares, noutros H m,uffil[d,eM e não como conhecimenÌos exatos e quanÌiÍicáveis. aspetos adaptado à especificidade dos conteúdos que trata [91. iffi pm,,mm *n**m
  8. 8. HrsníBn DA CurÌun E oÂ$ ARïEs I 1 3 9. Um método de análise histórico-artís tica Extraído de. La Pintura Contemporânea en el Museo Thyssen-Bomemisza. Programa de Formación del Profesorado, Guia del CANAL Profesor, Ed. Ministerio de Educación y SUPORTE Ciencia, Subdirección General de Forma- ción del Profesorado, Madrid E MATERIAIS A I VO: V ao " MENSAGEM: ----ì> ção -> oBRA A I V cÓDrc0: A LINGUAGEM que DA ARTE VOS C0NTEXTO H lST0RlC0: VALORESisnifi-época boa íficafontes Porquê lazer e estudar História da Arte? pro- Após tudo o que atrás ficou dito, é-nos fáci1 compleender a extraordinária rre e função da História da Arte. Através dela os fenómenos e factos artísticos dei- ICAS xam de aparecel como factos estéticos com intelesse histórico e assumem a SUAS sua total dimensão de factos históricos autênticos. Como escleveram Fagiolo on- e Argan, " A lbra de um grande artista á uma realídade histírica que nã0 fca. atrãsSocio- dnReforma de Lutero, da política de Carlos V, das descobertas de Galíleu." lYer Guía de Ifiçóia da Arte,Editorial Estampal Por outras palavras, o que estes autores quiselam salientar é que existe umasoclo- relação intínseca e biunívoca entle os problemas e soluções levantados pelas a sua obras de alte de um dado período/civilização/estilo e o contexto geral, histó- to mico e culturai dessa mesma época/civilização. É essa Ielação que faz da Arte ses uma componente indissociável da História do Homem e païte constitutiva do te, seu sistema cultural. Assim, a função da História da Arte é a de estudar e expli hor car a Arte não como um reflexo e um ploduto da História e da Cultura, mas como um agente especial, ativo e cliativo, dessas mesmas História e Cultura. Isto significa que ignorar a AIte é desprezar uma palte integrante e funda- mental da História e, sobretudo, mutilar glavemente a nossa visão da evolu- ção da alma humana.
  9. 9. Estadio Municipal de Braga eoos) e de Eduardo Souto de Moura (n. 1gb2) icenciado pela Escola de Arquitetura da Universi- dade do Porto, Souto de Moura trabalhou com Áluato Siza Vieira e depois como arquiteto indepen- dente. Acumula também as funções de professor (no Curso de Arquitetura da Universidade do porto e de professor-convidado nas faculdades de Arquitetura de Harvard, de Dublin e Zurique) e de designer de equipamento e produto. É no Porto que se encontram algumas das suas mais ll*:-rE::r: is::;r importantes obras como a Casa das Ártes (o seu : :--ì:, i :i" r. Prémio Secil, r99z), a recuperação da Cadeia da lli .i"a : li . :: ,-.1 " ". :; -; ! ,,: "Ì i4iRelaçã.0, atualmente centro português de Fotografa, a renovaçã o da Alfândega e arecuperação urbanística dazona da Baixa portuense, juntamente com Sizavieira. Muitas residências, edifícios e prédios seus estão espalhados desde oMinho - reconversão do Mosteíro de santa Maria de Bouro, na pousada demesmo nome - até às moradias na euinta do Lago, Algarve.o seu estilo caracteriza-se pelo uso de formas depuradas onde domina o racio-nalismo compositivo e a simplicidade estrutural, numa linguagem modernistae minimalista (influência de Mies van der Rbhe). Através do recurso à plantalivre, à parede branca, à transparência do vidro, à textura e rudeza do gianito, A obra (esboços), pelo autorcria obras que respeitam a tradição construtiva, nomeadamente do Norte do planta; cortelongitudinalcorrespon- dente; coÍte com pala; corte compaís, e a realidade local: a Natureza, a geografia e as construções preexistentes e inserção no terrenoenvolventes. "Subindo o monte vizinho para ver de cima o primeiro lugar previsto, o arquitetoEm zoo5, foi mais uma vez laureado com o prémio secil pelo projeto do Está- deparou-se com uma pedreira abanclonada;dio Municipal de Braga. a beleza da pedra rasgada, a ferida abefta na montanha, a vontade da cidade difusa ao longe e, ao mesmo tempo, a memória de antigos anfìteatros encontrados nas conchas de um qualquer monte em ltália levaram-no a tentar um modelo novo que pudesse dramatizar a sud leitura do slìo. Um projeto e também toda a luta necessária o estídio foí implantado no Parque Desportivo de Dume, enclsta. nlrte d0 Mante castrt. para o pôr de pé.. A nossa ímplantação í consequência de não deuermos;fazer uma "bawagem,, à linha de Manuel Graça Dias, ígua que naturaÌmente perclrre 0 uale. A altemativafoi deslocí-lo para poente, aclossanr1a-o JornaI Expresso,2oo5 or 22 à encostq coma um anfteatro grego. Hoje, o;lutebol é um espetícuÌa, c0m0 o cinema, teatra e teleuísão; rlaí a opção de fazer alte O que interessa saber: nas duas bancadas. Hoje nínguám 6.guenta uer ffute bo1] atrís das baÌizas. A cobertura surgiu ínícialmente c0m0 uma longa pala contínua, mas, por condícionamentos . Que fatores interferiram na e viagens, optímos por eleger clma referêncía 6.s plntes Ìncas do peru. conceção deste projeto? cam uma altura de 4a m, 0 estdclio fcarí adossad.o a cruas ltraças clm 0 mesmo d.esnwel. . Que justificação encontrou o sendo assím, o edífcío poderí seruir cie "âncora" à organização do território, na emergente seu autor para as suas formas expansào da cidade a norte. A suÌ, tambémfoi assim hcí ui.nte (inls, n0 Mercado do Carandrí. Hoje, sem romantismos, inovadoras? est1u a amputí-lo parao,ue não morra de gangrena. . De que modo esta obra Souto Moura, artigo ern lornal Arquitetos,n." r9g, nov./dez. zooo reflete o pensamento arquite- tónico de Souto Moura? -,ilrr$ llf -l$ ,e[!iiãi
  10. 10. Tlt,,,l $*ffiíhïË$"Ì$ï $jd.h*iiffi Ësffi ;,&"F" I ffi f..t HtstóRrn on CurruRn r ols Anrrs 1 5 ,iid3 E ô )io lado poente, as bancadas A cobertura só existe nas zonas o :stão dentro da rocha das bancadas; é constituída por duas "palas" unidas por 68 cabos @ 1 I de aço preeslorçado I I ì--l laciço rochoso Lado nascente Bancadas do lado poenle O estádio é a sua obra mais completa, do ponto de vista de escala e aquela onde se fundem mais conceitos, desde a engenharia, à arquiteturâ, ldaquetado Estídio Municipal de Braga ao paisaçjismo, até quase à escuttura, numa perspetiva de Land Art. :lrardo Souto de Moura lutou pela ideia de um estádio agarrado ao espaço da VaÌdemar Cruz, Expresso, 2oo5-or- 22 "-^íga pedreira; para tal desenvolveu uma tipologia diferente: duas bancadas i" rochoso Maciço 4. Pala ,:r:gitudinais paralelas, vendo num dos topos a rocha, no outro uma abeftura sobre : "ale e a luz. (...) Cobriu-olevemente usando os cabos que lhe rigidificam as relvado lï" Campo fi. Bancada superior e aberturas para saída :a.cadas - uma, escorada no que restou da montanha, a outra, enorme, erguida à - Cabos t. Bancada inferior e aberluras -cssa chegada Manuel Graça Dia s, Expresso,2oos-or 22 ._ 68m Bancãda inÍêrior :--iada e bancadapon- -=33entene cima Bancada superior cônstruída na rocha,tada;bnatHao&dlas _ z_,wFno Entrada e bancada poentesszíra 105 m ìB &1 9Ìp Dias, Plantaïnnaouormasrbrauite- ! I f l loíF transvêrsal
  11. 11. I ll ro ffieSffi PffieT$ffiffi ffiesffi pmerxffiffi ffieffiffi pffi&rsffiffi TASO PRA] & 0 Celeiro,lee4 Paula Reqo (n. r %il - $ suqttíçlae ohra Nascída em Lísboa, foí críada num de Paula Rego ambiente famiÌíar tradícional que mui- to influenciaría o seu imaginírio e a sua arte. Em t 95 r,foí estudar para In- O tema e a sua "história" glaterra, onde conheceu SÌade Víctor Qrr"rrdo paula visitou Chicago, em 1993, leu um conto de |oyce Carol Oates intitulado Willing com quem ueio a casar em "Haunted" (Perseguido). A história conta a amizade entre duas adolescentes de fraco r959 e de quem teue três f.lhos..Em carácter que tinham por hábito faltar à escola. A certa altura, uma arranja um namo- r962, recebeu uma bolsa da Gulben- rado, o qui toma a outta ciumenta, e as duas separam-se. A jovem com ciúmes descobre, kían e expôs pela primeira uez no Lon no meio do campo, um celeiro deserto e quando está a explorá-lo aparece umavelha que don Group. Pass1u então a lJfuer entre lr4cipq.ero jurar rmÌceEps a espanca selvaticamente. A velha é um fantasma. Desaparece depois de a ter feito Portuqal e Inglaterra guaidat segredo. O tempo passa e um dia a outra rapariga é encontrada morta no Em r965, participou na exposÌção Six Artists, em Londres; realizou õeteiro. O nãmorado é preso, mas nenhuma prova incriminatória vem a ser encontrada. também uma exposìção índiuiduaÌ Esta história de adolescentes bisonhas, repleta de simbolismo sexual, é o tema de em Lisboa. Em r969, representou O Celeíro,um quadro grande que levou seis meses a acabar, tempo excecionalmente Portugal na Bienal de São Paulo longo para a artista. Dominado poI uma vaca físia e cheio de situações mágicas, o (Brasíl). qruãto mostra a rapariga a ser espancada por duas voodoo e não pela velha da histó- Em 1976, na sequêncía da Revolu- ria. A proveniência das raparigas reafirmava outra ligação mais antiga. Vinha de um ção do u 5 de AbriÌ, regressou a quadro representando uma boneca, pintado por L. S. Lowry, pintor que Paula admi- Inglaterra e ftxou residêncía defni- rava desde a altura em que este tinha sido amável para ela quando era artista convi- tì.va em Londres. Nesse ano partici- dada da Slade School of Art. pou de novo naBienal de São Paulo f ohn McEwen , Paula Rego, Galeria III, Quetzal Editores e Íez íluslraÇa0 de liuros ínfantís. Em r 98 r, realízou a t. exposíção ìndí- uidual em Londres; em r 98 j, tzrnlu-se Apintura de Paula Rego professora na Slade School of Art e 0s trabalhos de Paula Rego na década de 5o estão próximos dos códigos de uma expôs em Noua Iorque. representação realista, mas valorizam já, na seleção dos detalhes em destaque - Entre r9B5-BZ, representou a vejam-se os coÍpos espessos, ligados à terra - e no modo agreste de pintar, uma rela- Inglaterra na BienaÌ de São Paulo; virulenta com a realidade. (...) a Tate GalÌery comprou Ìhe o pri ção Na década de 6o, a partir do decisivo enconÍo com a obra de Dubuffet, o trabalho de meíro quadro: fez uma primeíra exposíção índiuíduaÌ nos EUA; pín Paula Rego ganha uma maior liberdade, agressividade e pulsionalidade que o aproxi- tou as sénes A Menina e o Cão e As mam da rudeza do gesto espontâneo e da elementar violência do traço, da mancha e da muffirül Criadas. cor. A explosão energética dos anos 6o encontrou uma nova forma de expressão com o Em r9BB, envíuvou e exÌtôs retrospeü- uso da colagem, através da qual domesticou a energia de um modo, ao mesmo tempo, vas naEtndação GuÌbenkian e na mais complexo e sistemático. (...) Serpentine Galiery, em Londres. Depois de deixar a colagem, Paula Rego, no início dos anos 8o, volta a desenhar dire- A BBC realízou um documentríio de nìqlfrrn tamente da mão pala o papel e reforça a frescura e imediatez das suas figuras, ao umahora sobre a pìntora. fiffi nrrmmumìiisrnrlrr pmm mesmo tempo que exercita um tipo de composição em carrocel que torna os seus Em r99o, tomou se a prímeíra aftìsta quadros cada vez mais exaltados e vertiginosos. assocíada da National Ga1Ìery. Milmnsmm r,mr Mas, em meados da década de 8o, a autora inicia uma inflexão conducente a pinturas A exposrção Nursery Rhymes Per- mrynmd corre vcíríos locaÌs da Grã-Bretanha. caracterizadas poÌ uma concentração da representação numa única situação, envol- Mil-mm Em r 9 9 r, ínaugurou o murallardim vendo um número limitado de personagens, por um abandono da lógica gráfica do ifumiõrm,frmn deCrivelii; deu inícío à exposíção iti desenho bidimensional, através da introdução da perspetiva, e pelo letomal de técni- nerante Tales from the National ftmmnnmmt-emrfoü cas mais próximas da tradição da pintura. (...) GaÌlery, que ueío também à Gulben- Regra geral, no trabalho de Paula Rego a referência fundamental é uma história que kian, em Lísboa. só a autora conhece e que chega até nós, revelada num momento de particular ten- Em r994, expôs na Marlborough são dramatúrgica, através das personagens, da cenografia e da situação que a autola Fine Ar! emLondres, a exposiçãoDog elege para lhe dar colpo. Dadas as tensões, o cenário e a coÍeografia gestual do Woman (MuÌher Cão). Em r996,fez (lqr momento, compete a cada um desvendar a história e tirar conclusões. parte dos dez artístas selecíonados para a Exposíçâo Spellbound Àrt -CrM Para Paula Rego trata-se, sempre, de criar um mundo - um conjunto de figuras, nar- and Film na Hayward GaÌÌery, em - fl",{M rativas e relações sociais - cujos habitantes são obrigados a aceitar e a manifestar Lohdres. todas as verdades, medos, perigos, euforias e catástrofes que as sociedades correntes Em zoo4-zoo5, realízou uma .Aüfu tentam por todos os meios esconder, esconjurar e reprimir. Um mundo de persona- grande retrospetíva das últímas gens radicalmente expostas e libertas: para o bem e para o mal. -ffim obras no Museu de Arte Contempo- Difel rânea de Serralues, no Porto. - C"M Alexandre Melo, Artes Plísticas em Portugal, dos Anos 7o aos Nossos Dlas, ffimÍ rFil1w
  12. 12. T !ri HrsïóRrA DA Curruna r ols Anrrs 17 ìIì;- ;Ì l! lo1:1m:-,tui ià l !t;- In-ì1ems-lm-::n ,,-n :-.:ae.;..,A-l::-o Uma das fustigadoras:-,- a t:.1.íL-,riÉ-,- t:] ,- r!-:.il : ,l li -+sãnte" das galinhas Paula Rego, O Celeíro, 1 994, acrílico sobre tela, 270 x 190 cm, coleção Joe O rato que mama da vaca Berardo, Sintra, Museu de Arte Moderna ) epoimentos significativos - ::raior problema de toda a minha vida tem sido a incapacidade de me exprimir -: ,::talmente - dizer a verdade. Os adultos tinham sempre razão: a menina ouve e :.: responde. Responder, contradizeÍ, eta a morte, era cair de repente num vazio : .::r-,-el. Esse medo nunca me há de deixar; vêm daí os disfarces infantis, os disfar- -.1 -;mininos. Menina pequenina, menina bonita, mulher atraente. Daí a evasão :: ::,ntaÍ histórias. Pintar para combater a injustiça. Paula Rego O que interessa saber: . Com que personagens e outros elementos conta Paula Rego a históriadesta obra? . Como relaciona esses conteúdos e de que modo se inserem no espq4o do quadro?|1:1 .A linguagem técnico-formal pode ser considerada realista? Porquê?1_is.-:::- . E os conteúdos e sua "mensagem"? |ustifique. . Como interpreta este quadro de Paula Rego?-,]
  13. 13. lllzz Período da História que com- @ Homem da democracia de Atenas preende a origem e o desenvol- vjmento das civilizações grega e romana. Vaì do 1. milénio a. C. 10séculoVa. 0 sécul0 de Péricles (0 tempo e 0 espaço) a 476 d. C., altura em que se dá a queda do ìmpério Romano do No século v a. c., a Atenas democrática de péricies repÍesenta o culminar 0cidenÌe. 0 adjetivo clássico rcÍere-se a de um tempo histórico e artístico da Grécia ou Hélade, a primeira civilização ïudo o que é desïe período ou que com ele se assemelha. daAntiguidade Clássica, da qual somos herdeiros [t e z]. as Guerras Persas, em 449 a. C., Atenas viveu um tempo de paz, de ócio e de liberdade, o que contribuiu para um ampÌo florescimento que, conju- Em 499 a. C., os Persas, procu- gado com a intervenção de homens dotados, fizeram de Atenas a escola da rando uma saída para o maÍ, Grácía. Entre esses homens sobressaiu Péricles, que deu o nome ao seu sécu1o atacaram a Grécia começando pelas cidades gregas da Ásia pela sua ação e pela sua eloquência como homem de Estado e como mentor de Menor. Assim se iniciou uma longa guerra que só terminou um projeto artístico-cultural e cívico. Por tudo isto, os Atenienses deram- em 449 a. C., com a derrota dos lhe toda a autoridade durante mais de 20 anos de governação, o que lhe per- Persas, o que deu uma incon- testável supremacia aos Ate- mitiu iniciar a ldade de ouro da Grécia clássica, pois, segundo péricles, todos nienses. (Ver Liga de Delos) cs gÍegos tinham acesso ao esplendor de Atenas. 1. A Grécia Antiga lnserida na bacia do Mar Mediterrâneo, a Península Balcânica apresenta, a sul, as penínsulas do Peloponeso e da Ática e, nesta, a cidade de Atenas. Usufruindo de um solo montanhoso, da interpenetÍação i"ro""a5" terra-mar devida à costa recortada com Òo- .t4 4 :, . --4 ( - cnÉcrA GPéryamo AslATlcA propícios ancoradouros e portos de águas lrl;íFé{ .g rserr r*F Ç proÍundas, Atenas desenvolveu o comér- cio, o domínio e o estudo dos mares, dos tï:1}:{ry q"iï;ó Plareìõia "" : r-.snÍiïiJ.,.". ventos, das correntes, das tempestades, da astronomia e tornou os Gregos um povo de marinheiros e os mares uma estrada. r*ii}ï,*#Fs;Í"; -Ëj;;.. Terras acima dos 300 m G Cidades ,1 Lugares sagrados e oráculos ffi importantes -v- ffi c,e.iu ffi negioes colonizadas pelo cregos 3 Cidades e colónias gregas ,ooì 2. O mundo grego
  14. 14. HrsróRrA DA CULïuRn r oes Anrrs I 23 Nalurais de Atenas, Íi hos de Com uma população de 35o ooo habitantes (cerca de 35 ooo cidadãos, I pai e mãe atenienses. Em Ate- :erca de 55 ooo metecos, sendo o restante muÌheres e escravos), Atenas viveu nas, só os cidadãos têm direito a exercer Íunção política e :ma confortável situação económica e social como o solo era pobre e mon- adminisïraÌiva. -:,nhoso, os Atenienses estabeleceÍam tÍocas comerciais com a Magna Grécia, : Gréciã.asiática e a insular, com áreas vitais da Crimeia e do Mar Negro Estrangeircs que tinham auto- londe reeebiam trigo, carne, madeira, metais e para onde exportavam azeite, rização para residir em Atenas inho, mel, mármore, chumbo, cerâmica [3] e objetos de metal); desenvolve- e pela qual pagavam um imposÌo especial; homens,de :âm os ofícios e as indústrias localizados em quarteirões e bairros, como o livres, geralmente comercian- les ou artesãos. mas -erâmico; Iotearam terras fora da Atica para a fixação de colonos e explora-nju- sem direitos poìítÌcos.tda =ào de produtos agrícolas.ulo A situação política era também estável: estava consolidada a democraciarde ::i ido ao contributo de legisÌadores como Sólon, o reformador (em 594 a. C.,lm- .: garantir uma justiça iguaÌ para todos e ao repartir os caÍgos públicos pelas .PeÍ- rierentes classes sociais), de Pisístrato, o tirano (que entre 56r e 5zB a. C.dos :-:segurou a prosperidade económica e cultural de Atenas) e de Clístenes, o -:rdador da democracia. Este, em 5oB a. C., instituiu a divisão da população territoriais ou demos, e tornou os cidadãos dez tribos, inscritas em centÍos :r :::ais perante a 1ei (isonomia), com iguais direitos políticos (isocracía) e com o :::smo direito e o mesmo dever do uso da palavra nas assembletas (isogona). --:sim, estava responsabilizado cívica e politicamente o cidadão que, como :-:;nento da polís, era sorteado e recrutade para funções poiíticas e militares, . :crnada a CïnstituíÇão de Atenas o exemplo paÍa o mundo. Estas leis não -::ìm, poïem, aplicadas plenamente, faltavam meios païa o fazer; por isso[, Péricles instituiu uma série de medidas para garantir que elas fossem con-F r-bstanciadas a fim de que a superioridade e.a efetividade da democracia ateI :-:nse fossem uma realidade fver Biografia].tv. a Atenas de Péricles, o Olímpico,celebralzam-se ao ar livre cerca de 6o fes- reÌigiosas/culturais por ano, pois a religião, qüe estava a caÍgo do Estado, = -..:nprìa se tambem deste modo. Multidòes de Atenienses e forasLeiros parti- --:avam nestes programas como forma de consciencialização e demonstra- 3. Âítora de Íiguras negras, século V a. C. ;":. para o mundo gÍego e para os povos vizinhos, da sua grandeza e dos seus Nesta peça está representada a luta de -- ores (foi também por esses motivos que Péricles estabeleceu o theoncon, a Héracles contra os pássaros do lago Estin- Íalo. : iva dos lugares no teatro para os pobres). R.esultante deste bem-estar, a cultura e a aïte foram também privilegia- :---: dado que a cidade tinha sido destruída peÌos Persas durante as gueffas, :::-nreenderam-se grandes trabalhos públicos de restauro e construção ConÍederação das cidades-esta- do da Ásia Menor, das ilhas e da ::-:ralha, tempÌos, pórticos, fontes e edifícios municipais) que ocupavam Grécia continental dirìgida por :,::Ìens sem trabaiho, uma mão de obra especiaizada e uma classe média Atenas, com fins deÍensivos; para tal, cada cìdade pagava tÍi- :--rnerosa, para a1ém dos escravos. Esta oportunidade e liberdade de criar e butos que estavam reunidos num tesouro, na ilha de Delos. :::iuzir, a abastança de fundos (vindos do tesouro da Liga de Delos) e a Mais tarde, em 454 a. C., PéÍi- ; ;-::lalidade singular de Péricles atraíram a Atenas, provenientes de todo o cles mudou o tesouro para Atenas, serviu-se dele para a ; -r--:ndo grego, muitos talentosos artistas, filósofos e intelectuais que contri reconstrução da sua cidade e i : *:am para um notável desenvolvimento.lJma amáÌgama de saberes, fruto impôs o seu poder militar e polí- tico às outÍas cidades. de uma i :. rradições diversas (recebidas dos povos da Mesopotâmia, do Egito, de Íorma imperialisÌ4.

×