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Influências da Poética de Aristóteles em Poe

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Influências da Poética de Aristóteles em Poe

  1. 1. Considerações a partir do ensaio “A Poética e nós”, de Umberto Eco
  2. 2. EDGAR ALLAN POEARISTÓTELES UMBERTO ECO
  3. 3. No ensaio “A Poética e nós”, UmbertoEco procura explorar algumas dasinfluências mais flagrantes da“Poética”, de Aristóteles, na tradiçãoliterária ocidental. O presente trabalhovisa analisar mais profundamente aligação sugerida neste ensaio entre aobra de Aristóteles e o ensaio “Filosofiada Composição”, de Edgar Allan Poe.
  4. 4. Segundo Eco: “Creio, porém, ter sofrido minhaexperiência aristotélica decisiva ao ler aPhilosophy of Composition de Edgar AllanPoe, onde ele analisa palavra porpalavra, estrutura por estrutura, o nascimento, atécnica, a razão de ser de seu O Corvo. Nessetexto, Aristóteles não é nunca nomeado, mas seumodo está sempre presente, mesmo no uso dealguns termos-chave. [...] O escândalo deste textoé que seu autor explica a regra mediante a qualconseguiu dar a impressão de espontaneidade, eesta é a mesma lição que nos vem daPoética, contra toda estética da inefabilidade.”
  5. 5. A Filosofia da Composição é um ensaio escrito por EdgarAllan Poe em que este procura explicar uma teoria sobrecomo bons escritores escrevem quando eles escrevembem. Ele conclui que o comprimento, a "unidade deefeito" e um método lógico são consideraçõesimportantes para a boa escrita. Poe utiliza a sua própriacomposição do poema "O Corvo", como um exemplo.Poe rejeita o conceito de intuição artística e argumentaque a escrita é um processo metódico e analítico, e nãoespontâneo. Poe acreditava que todas as obras devemser curtas, com exceção dos romances. Ele enfatizouespecialmente esta "regra" no que diz respeito àpoesia, e com base nisso considera que o conto seriauma forma superior ao romance.
  6. 6. A seguir serão apresentados ecomentados alguns trechos doensaio de Poe que demonstrammais claramente sua ligação coma obra aristotélica.
  7. 7. “Eu prefiro começar com a consideraçãode um efeito. [...] Tendo escolhido primeiroum assunto novelesco e depois um efeitovivo, considero se seria melhor trabalharcom os incidentes ou com o tom - com osincidentes habituais e o tom especial oucom o contrário, ou com a especialidadetanto dos incidentes, quanto do tom -depois de procurar em torno de mim (oumelhor, dentro) aquelas combinações detom e acontecimento que melhor meauxiliem na construção do efeito. ”
  8. 8. “Dentro desse limite, a extensãode um poema deve sercalculada, para conservar relaçãomatemática com seu mérito; emoutras palavras, com a emoçãoou elevação; ou ainda em outrostermos, com o grau de verdadeiroefeito poético que ele é capaz deproduzir.”
  9. 9. “[...] a Beleza é a única província legítima do poema.[...] O prazer que seja ao mesmo tempo o maisintenso, o mais enlevante e o mais puro é, creioeu, encontrado na contemplação do belo.Quando, de fato, os homens falam deBeleza, querem exprimir, precisamente, não umaqualidade, como se supõe, mas um efeito; referem-se, em suma, precisamente àquela intensa e puraelevação da alma - e não da inteligência ou docoração - de que venho falando e que seexperimenta em conseqüência da contemplação doBelo. Ora, designo a Beleza como a província dopoema, simplesmente porque é evidente regra dearte que os efeitos deveriam jorrar de causasdiretas, que os objetivos deveriam ser alcançadospelos meios melhor adaptados para atingi-los.”
  10. 10. “Quanto ao objetivo Verdade, ou a satisfação dointelecto, e ao objetivo Paixão, ou a excitação docoração, são eles muito mais prontamente atingíveisna prosa, embora também, até certa extensão, napoesia. [...] De modo algum se segue, de qualquercoisa aqui dita, que a paixão e mesmo a verdadenão possam ser introduzidas, proveitosamenteintroduzidas até, num poema, porque elas podemservir para elucidar ou auxiliar o efeito geral, comoas discordâncias em música, pelo contraste; mas overdadeiro artista sempre se esforçara, em primeirolugar, para harmonizá-las, na submissãoconveniente ao alvo predominante, e, em segundolugar, para revesti-las, tanto quantopossível, daquela Beleza que é a atmosfera e aessência do poema.”
  11. 11. “Daí para frente, o amante não maiszomba, não mais vê qualquer coisa defantástico na conduta do Corvo. Fala delecomo ‘horrendo, torvo, onominoso eantigo’, sentindo ‘da ave, incandescente, oolhar’ queimá-lo ‘fixamente’. Essarevolução do pensamento, ou daimaginação, da parte do amante, destina-se a provocar uma semelhante da parte doleitor, levar o espírito a uma disposiçãoprópria para o desenlace, que é agoracompletado tão rápida e diretamentequanto possível.”
  12. 12. A partir da análise desses trechosselecionados, é possível perceber ainfluência de Aristóteles nas visões dePoe sobre arte, seus objetivos, seuobjeto, sua validade.Interessante perceber como inclusiveem um autor considerado comoquebra de paradigma na LiteraturaOcidental persistem ainda aspostulações aristotélicas.

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