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Análise de poemas de Fernando Pessoa

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Análise de poemas de Fernando Pessoa

  1. 1. E o jardim tinha flores De que não me sei lembrar...N ão sei, ama, onde era, Flores de tantas cores... Penso e fico a chorar... (Filha, os sonhos são dores...).Nunca o saberei...Sei que era Primavera Qualquer dia viriaE o jardim do rei... Qualquer coisa a fazer(Filha, quem o soubera!...). Toda aquela alegria Mais alegria nascerQue azul tão azul tinha (Filha, o resto é morrer...).Ali o azul do céu!Se eu não era a rainha, Conta-me contos, ama...Porque era tudo meu? Todos os contos são(Filha, quem o adivinha?). Esse dia, e jardim e a dama Que eu fui nessa solidão...
  2. 2. Temáticas : Dor de pensar (‘’penso e fico a chorar’’) e Nostalgia da infância perdida ; Narrativa de um sonho , expressa num dialogo entre o sujeito poético e a ‘ama’; • Tempo : Primavera •Espaço : ‘jardim do rei’ que ‘’azul tão azul tinha’’ com ‘’flores de tantas cores...’’ •Personagens : o sujeito poético como rainha no seu sonhoTransfiguração do sonho para o Formalmente :real criado pelo desejo de fugir 4 quintilhas e uma quadraaos limites impostos pelo Rima cruzada, e uso de versos soltos ( parentéticos)‘’eu’’, substituindo a realidade Redondilha menorpelo sonho , pelo desejo do intercalada com versosdistante do imaginado hexassilábicos
  3. 3. Não sei Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. quantas almas Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. tenho A ‘’Não sei quantas almas tenho. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Cada momento mudei. B Não sei sentir-me onde estou. Continuamente me estranho. A Nunca me vi nem acabei. B Por isso, alheio, vou lendo De tanto ser, só tenho alma. Como páginas, meu ser. Quem tem alma não tem calma. O que segue não prevendo, Quem vê é só o que vê, Metáfora: O que passou a esquecer. Quem sente não é quem é, assemelha- Noto à margem do que li -se a um O que julguei que senti. livro Releio e digo: "Fui eu ?"Anafóra : acentua a sua própriacondição ‘’quem tem alma não Deus sabe, porque o escreveu. ’’tem calma’’ , presente adicotomia pensar/sentir
  4. 4. Temática : a dor de pensar e fragmentação do ‘’eu’’ Caracteriza-se como ‘’diverso’’ -reforçando a multiplicidade -’’móbil’’ – ser móvel capaz de se dividir- e ‘’só’’ – ‘’alheio’’ ‘’Alheio’’ a todas as suas Acto constante da múltiplas despersonalização, deixa-o personalidades´, como se resumido a sua alma e ‘sem fosse um espectador da calma’ , entregue a angústia sua própria vida , cujo e inquietação que sofre passado é apagado e futuro incerto QUEM sou eu ?
  5. 5. Só cumprindo o Nota: nosso dever é que alcançaremos aNo manuscrito original Pessoa liberdade !escreve debaixo do titulo dopoema: "(Falta uma citação deSéneca)".Séneca foi um filósofo do Séc.I, um estóico preocupado com a Todo o poema éética. Dizia Séneca que o uma Ironiacumprimento do dever era umserviço à humanidade. Para ele o Crítica ao povo português , que espera por umdestino estava predestinado, o Salvador ;homem pode apenas aceitá-lo ou Enumeração : ‘’Crianças/ Flores, música (…)’’rejeitá-lo, mas apenas a aceitação O poema finda com uma crítica social aos poderosos ;lhe pode trazer a liberdade. Eis o Formalmente , apresenta irregularidade métrica :estoicismo na sua essência. Presença da quadra, do terceto e de oitavas ;Eis o filtro que se deverá usar na Rima cruzada , rima emparelhada e versos soltos;leitura do poema "Liberdade": o Quanto à métrica : há versosestoicismo de Séneca. octossilábicos, tetrassilábicos e trissilábicos ;
  6. 6. O menino da sua mãe… No plaino abandonado Caiu-lhe da algibeira Que a morna brisa aquece, A cigarreira breve. De balas trespassado- Dera-lhe a mãe. Está inteira Duas, de lado a lado-, E boa a cigarreira. Jaz morto, e arrefece. Ele é que já não serve. Raia-lhe a farda o sangue. De outra algibeira, alada De braços estendidos, Ponta a roçar o solo, Alvo, louro, exangue, A brancura embainhada Fita com olhar langue De um lenço… deu-lho a criada E cego os céus perdidos. Velha que o trouxe ao colo. Tão jovem! Que jovem era! Lá longe, em casa, há a prece: (agora que idade tem?) “Que volte cedo, e bem!” Filho unico, a mãe lhe dera (Malhas que o Império tece!) Um nome e o mantivera: Jaz morto e apodrece «O menino de sua mãe.» O menino da sua mãe
  7. 7. Temática : Nostalgia da infância perdida Todo o poema é uma grande metáfora •A morte do jovem soldado ainda menino da sua mãe representa a impossibilidade do sujeito poético poder regressar à sua infância para junto da sua mãe, que ficou irremediavelmente para trás ; •Ao longo do poema é traçado um quadroFormalmente : dramático, que ‘jaz e apodrece’ num plaino abandonado Uso da quintilha ; ; Rima interpolada •Uso da hipálage : ‘’ a cigarreira breve’’ = Breve foi aintercalada com rima vida do rapaz ;emparelhada e versos •‘’A brancura embainhada/ de um lenço …’’ representa asoltos ; inocência e pureza do jovem soldado ; Métrica hexassilábica ; • O poema finda com o cenário da mãe em casa que espera ansiosamente pelo retorno da sua ‘’criança’’ ;

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