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Alguns comentários sobre o livro "O quê que é isso, ex-companheiro Lula".

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Comentários sobre o livro, uma avaliação psico-política do governo Lula, publicado em 2004.

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Alguns comentários sobre o livro "O quê que é isso, ex-companheiro Lula".

  1. 1. ALGUMAS OBSERVAÇÕES A RESPEITO DO LIVRO “O QUÊ QUE É ISSO, EX- COMPANHEIRO LULA?” E DOS ASSUNTOS TRATADOS NO MESMO. Marcos Goursand 1 Para o título deste livro, o autor buscou uma frase muito dita por Lula – “quê que é isso, companheiro?” – quando queria censurar alguém. Lembrou-se também do título do livro de Fernando Gabeira, O que é isso, companheiro, uma crítica pertinaz aos anos de ditadura. É pois, uma crítica ao atual governo. Comecei a escrever este livro em agosto de 2003, alguns meses após a posse de Luís Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil, quando já se delineava a mudança de orientação política do governo, empossado em janeiro. Estava descrente e decepcionado com o seu governo e com o que se mostrava como uma traição aos eleitores que o haviam conduzido à Presidência da República, acreditando em seus propósitos e promessas de mudança para um Brasil melhor. Quando escrevi o livro, estava filiado a um partido político, o PSB (Partido Socialista Brasileiro), e embora acreditasse num possível governo democrático de esquerda e nas propostas ditas socialistas, já era claro para mim o abandono delas por Lula e pelo PT, ao negá-las uma vez no poder. Lula nunca se definiu como de esquerda ou socialista, mas estranhamente muitos magistrados, profissionais liberais, professores e estudantes universitários, gente considerada mais culta, crítica e informada, que se colocam como socialistas e de esquerda, defendem os governos de Lula e de Dilma Roussef, cujas práticas são as mesmas dos governos que combateram antes. E tentam, junto com o PT, caracterizar os que estão contra o governo como sendo golpistas e de direita. Participei das campanhas eleitorais de Lula em 1989 (quando era vice-presidente regional do PSB) e 1994. Votei nele também em 1998 e 2002. No livro, além de uma análise do contexto político da época, procuro descrever as características do Lula: alguém com grande inteligência, capacidade de liderança, habilidade e perseverança por um lado; mas também uma personalidade borderline, que gosta de falar, mas não de ouvir, presunçoso, imaturo, inseguro, cultivando a sensação de auto-suficiência com a imagem de ídolo e capaz de apresentar episódios maníacos de estrelismo e arrogância primária sugestivos de possível transtorno bipolar ou ciclotímico. Lula sempre se mostrou um fanfarrão, arrogante, bravateiro, maquiavélico, maniqueísta, demagogo, mentiroso. O seu cinismo, leviandade, cupidez, hipocrisia, descaso, autoritarismo, seriam fruto apenas de uma fria atitude política ou a expressão manifesta do desdém que uma personalidade maníaca tem para com seu semelhante? Para chegar aonde chegou, Lula usou de artifícios aprendidos na luta para sobreviver às adversas circunstâncias de vida, a começar de sua infância pobre de retirante nordestino, depois nas lutas sindicais e, por fim, na liderança de um partido político. Alcançando o poder, Lula e o PT fizeram alianças e acordos espúrios, sacrificaram companheiros e 1 Psicólogo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - Doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - Pós-doutorado pela UCLA - Universidade da Califórnia, Los Angeles, EUA – Professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais. E-mail: goursand@gmail.com
  2. 2. programas partidários, traíram seus eleitores. De fato tinham, como ainda hoje têm, apenas um projeto de poder, não de governo. O governo Lula sempre se caracterizou pela adoção de frequentes discursos, marcados pelo uso de ditos populares, chavões e frases feitas, com a finalidade de torná-los accessíveis à compreensão popular. Lula abusa de analogias, metáforas, parábolas que facilitam a compreensão pelo público desinformado, mas são vazias de conteúdo. O fisiologismo e o nepotismo continuaram sendo uma prática rotineira no controle partidário da máquina pública. Os programas sociais não passavam de captadores de votos e apoio popular, a educação e a saúde encontravam-se abandonadas, a violência aumentava, a política econômica tinha como objetivo básico atender aos interesses do sistema financeiro, financiador das campanhas eleitorais do PT, além de grandes empresas envolvidas em operações escusas e ilícitas. A miséria, a corrupção, a criminalidade e a impunidade permaneciam sendo as grandes vergonhas nacionais. Os fatos revelados recentemente ao país pela Operação Lava Jato estão confirmando o que citei no livro há 12 anos atrás. No livro (pag. 87) cheguei a denunciar o acobertamento do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002. Não se trata de ter previsto o futuro, mas simplesmente uma análise atenta de uma personalidade capaz de usar de artifícios, mentiras e falsidades para encobrir sua verdadeira faceta e atingir seus objetivos pessoais. A arrogância, a hipocrisia, a total falta de ética, a desfaçatez com que mente, o escárnio com que nos trata (como se fôssemos todos um bando de idiotas acreditando nas suas falácias), a cara-de-pau com que diz “não sei de nada”, o discurso falacioso em que inverte os fatos, tudo isso já eram marcas notadas no comportamento de Lula. Naquela época, eu simpatizava com a esquerda moderada e me definia como socialista democrata, opondo-me à direita autoritária e à esquerda comunista. Por isso, muitas vezes fiz citações e análises críticas tanto à direita radical e ao neo-liberalismo, como também à esquerda totalitária e ao comunismo. Hoje vejo a polarização entre direita e esquerda mera falácia em que, de um lado ou outro, o que se busca são privilégios pessoais, fama, riqueza e poder. Na verdade, nos países onde dominam governos ditos de direita ou esquerda, o que se vê são ditaduras espúrias ou disfarçadas que não respeitam os mínimos direitos individuais e sociais da população e onde se abrigam déspotas oportunistas e autoritários, dominando uma população submissa e impotente. Na direita e esquerda radicais tivemos, e temos ainda, as mais totalitárias, opressivas, desumanas e retrógradas ditaduras no mundo. Depois de ver tantos desatinos políticos dentro e fora do país, que me causaram grandes decepções, sinto-me uma espécie de agnóstico ideológico. Hoje acredito somente em uma democracia participativa de verdade e não apenas de aparências, onde os direitos tanto da maioria como da minoria, sejam respeitados, onde se busque a redução das desigualdades sociais e as leis realmente sejam aplicadas em prol do bem comum e da proteção do cidadão. O que infelizmente está longe de acontecer em nosso país. É preciso que recuperemos os verdadeiros valores morais, o sentimento de nacionalidade, a solidariedade, o respeito ao semelhante (na sua individualidade e diferenças) enfim,
  3. 3. precisamos construir uma verdadeira cidadania ou iremos irremediavelmente para o caos social, deixaremos de ser civilizados. Queremos um novo Brasil ético, democrático, com educação e saúde de bom nível, melhor qualidade de vida, sem corrupção e desigualdades sociais, enfim um país para todos os brasileiros e não apenas para alguns privilegiados ocupantes de altos cargos públicos. Divinópolis/MG, 19 de fevereiro de 2017.

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